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Maranduba, 10 de Outubro de 2011

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 2 - Edição 30 Foto: Emilio Campi

Praia do Simão

Praia de beleza selvagem esconde trilhas históricas


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10 Outubro 2011

Jornal MARANDUBA News

Editorial:

Desabafo ambiental e a inversão de valores Na atualidade somos o que comemos, recebemos o que acusamos, nosso estatus é pelo que temos, estamos na crista da onda do ter e não do ser. Isto também contece com as autoridades, quem tem leva, quem pode tem razão, mas circulou na net um texto interessante que mostra muito o que o jornal quer exemplificar e que infelizmente as autoridades desconhecem, ignoram, nao fazem conta. Falo do movimento em defesa do verde (dos cargos, do cifrões, da estupidez, da inversão de valores). É a história da senhora que vai ao supermercado e no caixa é questionada sobre em trazer sua propria sacola, já que as sacolas de plasticos não são amigáveis ao meio ambiente. A senhora questiona que na sua época nao havia onda verde e principlamente alguém querendo montar midias por conta do apenas dinheiro. O caixa fala que o problema de hoje é por conta do descaso com a geração daquela senhora que não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. A velha senhora responde: Você está certo, a nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de

refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso. Os fabricantes de bebidas usavam as garrafas várias vezes. Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões. Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas. Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um

Editado por:

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Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos e Fernando A. Trocole Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

estádio; que depois será descartado como? Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funciona a eletricidade. Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte. Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os

meninos iam de bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima. Na nossa época o governo não tirava ninguém de suas terras para receber dinheiro da Alemanha e depois usava de força bruta e estupidez para a cabar com a cultura do povo e não pagar

as areas, depois para ganhar mais dinheiro statua e a eleição privatizava as áreas roubadas legalmente para outros interesses senão aos do povo que recebera de herança de seus antepassados. A midia manipulada pelos espertos ecochatos e pessoas biodesagradaveis de hoje fazem com que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada. Não pensa em viver de forma sustentavel, e sim, dão dinheiro para que outros se danem. Emilio Campi Editor


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Frediani busca informação sobre privatização de Parques estaduais O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou no último dia 6 o decreto que cria o programa de parcerias, sendo a Fundação Florestal responsável pela transferência à iniciativa privada das atividades de turismo. A idéia é a privatização do turismo em cachoeiras, trilhas, cavernas, área verde, opções de lazer como arborismo e rafting, restaurantes Até lugar para se hospedar mudarão a partir de 2012 nos parques do Estado de São Paulo. De acordo com o texto, 33 parques estaduais poderão ter a administração transferida. Em troca do direito de explorar esses parques, que recebem cerca de 1,5 milhão de visitantes ao ano, as empresas terão de melhorar a infraestrutura, fazer obras de manutenção ou repassar parte dos lucros obtidos. O vereador Rogério Frediani já se manifestou buscando informações detalhadas sobre o decreto. Frediani encaminhou aos deputados tucanos Fernando

Capez e Luiz Fernando Machado dados para estabelecer discussões e diálogos para propor a utilização de mão de obra e conhecimentos nativos das comunidades de Ubatuba. “Em grande parte são gerações de ubatubanos que perderam suas terras ao PESM, que lá viviam e que podem ver nesta situação a alternativa de resgate da cidadania e renda as atividades de que eles conhecem bem e que gostam, pode ser uma forma de compensação para as famílias de caiçaras atingidas pela Unidade de Conservação”, comenta Frediani. Para o vereador o município também tem de propor algum dispositivo para que possa ganhar com isso, já que a área a ser explorada encontra-se em território municipal e Ubatuba tem autonomia para administrar e legislar sobre suas divisas. Frediani pretende se reunir mais uma vez com o Secretario de Meio Ambiente do estado, Bruno Covas, para tratar do tema.

“Em grande parte são gerações de ubatubanos que perderam suas terras ao PESM, que lá viviam e que podem ver nesta situação a alternativa de resgate da cidadania e renda as atividades de que eles conhecem bem e que gostam, pode ser uma forma de compensação para as famílias de caiçaras atingidas pela Unidade de Conservação” - Vereador Rogério Frediani

Estado passa quatro parques da região à iniciativa privada O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai transferir quatro parques e um monumento natural da região para a iniciativa privada gerenciar e explorar comercialmente as unidades de conservação. Alckmin assinou ontem decreto que autoriza a iniciativa privada a explorar comercialmente parques e monumentos naturais do Estado. Pelo decreto, o governo tucano estabelece mecanismos para viabilizar a concessão de serviços de gestão e ecoturismo em unidades de conservação à iniciativa privada, ONGs, co-

munidades locais e eventuais consórcios locais. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que 33 parques e monumentos naturais paulistas possuem infraestrutura necessária para participar do novo projeto, que deve ser operacionalizado em 2012. No litoral norte foram incluídos o Parques Estadual da Serra do Mar, que abrange toda a costa litorânea paulista, com núcleos em Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião, o Parque Estadual de Ilhabela e a Ilha Anchieta, em Ubatuba. Segundo a pasta de Meio

Ambiente, a concessão, denominada Programa Parcerias para a Sustentabilidade das Unidades de Conservação, será implementada pela FF (Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo) órgão que faz parte da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Segundo a pasta, o objetivo é buscar apoio e recursos para fortalecer as ações de conservação e produção florestal. Por outro lado, visa oferecer serviços de qualidade de ecoturismo e toda gama de subprodutos daí resultantes.

Fundação Florestal prepara edital A Fundação Florestal do Estado terá a responsabilidade de preparar os editais para a concessão dos parques e monumentos naturais à iniciativa privada. Segundo informou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, a FF já está autorizada a preparar os editais e licitação, a partir da definição de uma matriz para cada uma das áreas selecionadas pela instituição para a concessão. Em nota, a SMA informou que a matriz é um estudo técnico que estabelece quais serão os bens e serviços terceirizados e quais os investi-

mentos que o parceiro deverá fazer. A previsão de lançamento dos primeiros editais é para o primeiro trimestre de 2012. O tempo de concessão será decidido pelo estudo para cada uma das unidades. Segundo a SMA, com a medida, o governo espera oferecer atrativos para despertar o interesse de mais pessoas para as áreas protegidas. Atualmente, com a oferta de poucos serviços, as unidades recebem 1 milhão e meio de turistas por ano.


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Estudante do Corcovado é destaque na FEBRACE-USP Base de Segurança da Maranduba e Motoclube recuperam placa da PM EZEQUIEL DOS SANTOS

O adolescente Isaias Campos Júnior, 17 anos, morador do bairro do Corcovado, filho de pai eletricista e mãe professora desenvolveu um dispositivo de alerta para deslizamento de terra. Seu projeto foi apresentado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da USP, a Febrace. O material utilizado é de baixo custo e a eficiência da invenção tem alto grau de acertabilidade. Isaías é estudante do colégio Estadual Semíramis Prado de Oliveira e diz que o sistema não custaria mais que R$ 65. Ele assistia pela TV as cenas de deslizamento na Praia do Bananal, em Angra dos Reis, em janeiro de 2010, por isso de imediato pensou na forma de criar um mecanismo de alerta a população moradora de encosta. O projeto, de no máximo 10 centímetros levou oito meses para ser concluído e leva uma barra de cano PVC e dentro dele revestiu-se uma placa metálica acompanhando seu contorno, colocando dentro deste cano uma barra de ferro. Foi feita uma rede elétrica simples, onde o cabo com pólo foi ligado ao pêndulo. Na placa envolta ao cano há um cabo que leva direto ao dispositivo de alerta, ou seja, o sistema é como um interruptor convencional. A rede é ligada em um cabo que no caso vai ligado no pêndulo e ao acionar o sistema, quando encosta o pêndulo na placa, é levada energia ao sistema de alerta. “Percebi que era necessário um sistema que captasse ondas mecânicas geradas por possíveis acomodações de terreno ou erosões que podem ter como fato adjacente o deslizamento de terra, ou

seja, algo como um medidor sísmico de fácil criação e funcionamento e de baixo custo já que o projeto foi originalmente criado para atender comunidades e vilas carentes”, explicou. Em casa o jovem sempre encontrou subsídios para desenvolver seu projeto: “desde pequeno sempre mexia nos instrumentos de trabalho de meu pai, onde aprendi muita coisa. E minha mãe me ajudava nas pesquisas”. Isaias, que conclui o segundo grau neste ano, já está se programando para o vestibular e afirma que desejar ingressar numa faculdade para cursar engenharia mecatrônica. Seu trabalho está na publicação da 9ª Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, FEBRACE 2011, no tema “criatividade e inovação” – capitulo dos projetos de engenharia,

na página 253 do Febrace, no item 701 eletrônica. Em 16 de setembro deu uma entrevista exclusiva ao Planeta Vanguarda, foram sete minutos em horário nobre. Nos dias 27 de setembro a 3 de outubro participou de uma feira militar em Belém do Pará, onde dos três inventores finalistas conquistou o 1º lugar. Isaias hoje está registrado na história do município como o jovem que revolucionou o atendimento antecipado as possíveis vitimas de deslizamentos de terra, e que, sua invenção poderá salvar muitas vidas neste planeta. Na sessão do último dia 04/10, Isaías foi homenageado na Câmara Municipal de Ubatuba pelo feito empreendedor, pelo mérito da criação inovadora e pelo reconhecido talento deste morador de Ubatuba.

O Motoclube Dose Letal em parceria com a Base de Segurança Comunitária da Polícia Militar na Maranduba providenciou a recuperação e a troca das madeiras que sustentam a placa de indicação da base. A placa fica ao lado da SP-55 e é de fácil visualização. O desgaste foi por conta do tempo que deixou a indicação pendurada. O letreiro ainda não foi recuperado por conta da tinta especial que é utiliza-

do neste tipo de placa. Existem conversas para a aplicação de projetos visando esta temporada entre os motoclubes da região, o ex-comandante, o atual comandante da base comunitária e o corpo de policiamento na região. Os trabalhos a serem desenvolvidos, a serem agendados, pautam na prevenção, educação, normas e esclarecimento de dúvidas. Vem coisa boa por aí, aguardem!

Bingo Beneficente Participe de um grande Bingo Beneficente que se realizará na Cantina da Capela Nossa Senhora das Graças (Sertão da Quina) no próximo dia 15, sábado a partir das 19 horas. Compareça e traga sua família.


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D’Menor oferece serviços de quitanda e mercearia

O Josué, do Bar D’ Menor, inovou colocando dentro de seu estabelecimento comercial uma quitanda e mercearia para suprir o fechamento do mercado Supimpa. Clientes e amigos agora não precisam ir longe para comprar horti-fruti de qualidade. Grande parte dos produtos é adquirida de produtores de nossa região, o que aumenta a qualidade dos produtos e a responsabilidade de manter a geração de emprego e renda na localidade.

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Todas as terças feiras é realizado uma promoção maluca no setor, por isso é bom aproveitar e abastecer a geladeira com leguminosas, frutas, ovos, tubérculos entre outros. Ele também oferece o serviço de entrega em domicílio. Com atendimento personalizado ele continua com o frango assado aos domingos, bebida sempre muito gelada, água, carvão e muito humor. Dica! Não passe apurado, passe na Quitanda e Mercearia do D’Menor.

Jornada Mundial da Juventude rende homenagens a participantes Na sessão do último dia 4, os jovens que participaram da Jornada Mundial da Juventude em Madri, Espanha foram homenageados com uma Moção de Congratulações pelo vereador Osmar de Souza. Os homenageados foram Natan Soares Barreto, Letícia de Amorim Santos, Marcelo Henrique de Oliveira, Miller de Oliveira Barbosa, Thais Gabriela da Silva, Jonathan Raizer da Silva e Diego Santos Silva. No uso da Tribuna, o participante Miller agradeceu primeiramente a Deus e aos vereadores pela aprovação da honraria e discorreu palavras de vivência, emoção e experiências adquiridas daquele lugar. Falou da primeira impressão, do choque de culturas e da felicidade de estarem em tão belo evento. Falou de quão grandioso é o Brasil referindo-se e comparando ao clima, a fartura e da fé do povo brasileiro frente aos europeus. Aproveitou para estender o conselho do Santo Pontífice dado aos jovens no

campo de Cuatro Vientos. Disse da felicidade em ouvir de Bento XVI de que a próxima edição da Jornada acontecerá no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Reuniram em Madri 15.000 jovens brasileiros e os homenageados representavam Ubatuba no velho continente. Para o autor da propositura é uma honra conceder a homenagem aos jovens que representaram Ubatuba e o Brasil nesta tão importante festividade da Igreja Católica. No documento fala que o objetivo é

reunir milhares de jovens de todo o mundo para celebrar e aprender sobre a verdadeira fé, fala ainda que da construção de pontes de amizades e esperança entre continentes, povos e culturas. Os jovens entrevistados falaram da emoção de estar presente neste evento. Eles agradeceram a todos os paroquianos e padres que colaboraram para que efetivassem sua participação neste evento único e histórico, que deixará marcas positivas para toda a vida.

Campanha da Capela Nossa Senhora das Graças já está nas ruas EZEQUIEL DOS SANTOS No encerramento da 93ª Festa de Nossa Senhora das Graças o padre Carlos lançou a campanha de 2012, isto é, da 94ª edição dos eventos tradicionais a Nossa Senhora das Graças. No lançamento foram mostrados seus objetivos: construção, ampliação, reforma e outras melhorias da capela no bairro do Sertão da Quina. Este ano a novidade é o sorteio de um automóvel, além de dois prêmios por mês. O veículo era um sonho antigo dos organizadores do evento que neste ano foi concretizado.

Entre os prêmios estão computadores portáteis, TV LCD, bicicletas, fogão dentre outros. É assim, o contribuinte adquire um carnê pagando R$

10, 00 por mês durante um ano e a cada mês é realizado dois sorteios com os prêmios anunciados, no final será sorteado um automóvel.

Serão 30 mil reais em prêmios e o contribuinte será contemplado se estiver em dia com a mensalidade. Para maiores informações os interessados

poderão ligar em horário comercial na Paróquia 3849-8532 com Padre Carlos e com Suzana pelo telefone 3849-8373. Adquira seu carnê e boa sorte!


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10 Outubro 2011

Título de Ubatubano Ilustre a Toninho Pereira é aprovado EZEQUIEL DOS SANTOS Aprovado o Projeto Decreto Legislativo 18/2011, do vereador Osmar de Souza, que concede o Titulo de Ubatubano Ilustre a Antonio Pereira dos Santos. A aprovação foi por unanimidade pela Câmara Municipal de Ubatuba e aconteceu no último dia 27 de setembro. O ilustre homenageado, também conhecido como Toninho Bananeiro ou Toninho Pereira, é filho de André Pereira dos Santos e Benedita Januária, casado com Dona Benedita Prado de Oliveira Santos, pai de nove filhos, doze netos e um bisneto ao menos por enquanto. Pereira é um daqueles homens que tem muita história para contar. Desde moleque embrenhou-se nas empreitadas de trabalho, criou seus filhos a base de muito suor e trabalho duro. Morador tradicional é uma

daquelas enciclopédias ambulante que conta os causos e os acontecidos com requintes de detalhes e real conhecimento. Foi candidato a vereador, foi empresário no ramo de produção, compra e venda de bananas. Com a fruta chegou a comercializar 24 toneladas por “somana”. Negociava bananas até da Praia grande do Bonete, que vinham de canoas enfrentando “tempo virado”. Como fonte de pesquisas históricas, culturais, antropológicas e ambientais ajudou na pesquisa da produção de um DVD sobre o acontecido de Emaús, aonde uma das meninas protagonista é sua mãe. Sua lisura e caráter são exemplo e esteio da família, do bairro e toda uma geração de moradores tradicionais. Na sessão foi lido seu histórico baseado em entrevista ao um jornal local na década de 1990.

O vereador Osmar, autor da lei que criou o titulo de Ubatubano Ilustre no município, comentou da honra e da satisfação de conceder o titulo a este ilustre morador do bairro do Sertão do Ingá. A honraria não é só pelos feitos de um Ubatubano, mas também como medida compensatória e de reconhecimento do sofrimento destes ilustres moradores, principalmente com a sanção ambiental que tirou estes homens da lida com a terra e os transformou em bandidos. O título mostra que o município, ou pelo menos a Câmara tem zelo pelas mãos calejadas que construíram a região, o município, o estado e a nação brasileira. O Titulo será entregue em sessão solene na data do aniversário da cidade junto com outros ilustres deste município.

Mercearia Fundo do Mar se inspira na história da região O casal Marcio e Letícia inspirados nas antigas “vendas” ou “armazéns” de que tínhamos antigamente resolveram montar um comércio. Inaugurado em dezembro de 2010 deram o nome sugestivo de Mercearia Fundo do Mar. Com atendimento personalizado, trata-se de uma pequena porta aonde no interior tem de tudo um pouco. Antigamente era um “barcão” de madeira e tinha muita coisa pendurada ou em sacas. Hoje as mercadorias encontram-se em prateleiras, geladeiras e o balcão é novo e moderno. Com preço competitivo lá tem de tudo um pouco, frios, laticínios, congelados, carvão, bebidas, pães,

doces, bijuterias, higiene, limpeza e até material escolar. Também tem cartões de recargas para telefone móvel e o pagamento pode ser feito através de cartão de crédito ou débito. Limpo e organizado esta “venda de antigamente” mesmo é autentica no atendimento, lugar aconchegante, ambiente familiar e o bom papo. A mercearia está, para quem sai do bairro, na estrada principal do Araribá depois da Polimix segunda a direita, no numero 269 e para quem vem da rodovia segunda a esquerda. Fácil de encontrar e de se apaixonar pela idéia como foi realizada. Vale a pena conferir!

EC Beira Rio na fase classificatória do municipal No último dia 2 de outubro o EC Beira Rio enfrentou o Araribá na fase do segundo turno do campeonato municipal. O jogo foi no estádio municipal e a partida muito tumultuada com placar sem gols. Com este resultado o Beira Rio foi classificado para a fase seguinte e o Araribá foi desclassificado da segunda fase. Embora desclassificado desta fase o Araribá ainda continua no páreo, já que foi venceu o primeiro turno, co isto disputará a final com o campeão do segundo turno. O jogo foi transmitido pela rádio local e contou com os comentários de Jairos dos Santos - o paparazzo da região sul.


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Colégio Áurea Moreira recebe exposição itinerante do VI Ubabirds Festival EZEQUIEL DOS SANTOS O evento que começou no dia 9 de setembro e terminou no último dia quatro e contou com a colaboração do Colégio Áurea Moreira Rachou do sertão da Quina. O colégio foi o único fora do circuito do evento que recebeu fotos da exposição itinerante para apreciação do grande público. Foi nove cavaletes com 18 fotos de aves de todo o país. O colégio tem cerca de mil alunos e recebeu no final de semana 300 pessoas. Professores aproveitaram a exposição para trabalhar temas ligados a ave-fauna brasileira e local. Muitos alunos, professores e visitantes se impressionaram com as fotos. A mostra faz parte das atividades do Programa Escola da Família que recebe aos sábados as aulas de Carlo Rizzo com os observadores da região sul. Antecipando o evento, no último dia 27 de

setembro, aconteceu na escola um Workshop com a Equipe Dravos sobre fotografias, equipamentos, estilos e visão com os fotógrafos profissionais Paulo Sézio e Frederico das Candeias, no dia 18 houve um dia de campo com o fotografo e observador de Aves Lucas Longo. O Ubabirds deste ano contou com exposição de fotos, artes e artesanatos com aves, Concurso “Minhas Primeiras Fotos de Aves”, gincana de vozes, Curso de Observação de Aves em Ubatuba e Cunha, ciclo de palestras, com a inauguração do Projeto Dacnes e o encerramento com as devidas premiações. Alguns alunos estiveram na inauguração e trouxeram impressões positivas sobre o projeto. Dacnes também parceiro nas atividades e trabalhos ligados ao etnoconhecimento e outras atividades ligadas a fauna, flora e comunidade tradicional.

Professores aproveitaram a exposição para trabalhar temas ligados a ave-fauna brasileira e local. Muitos alunos, professores e visitantes se impressionaram com as fotos.

Projeto que trata da regularização fundiária, ambiental e urbanística é aprovado Na sessão do último dia 04 de outubro, foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei nº 58/11 do vereador Rogério Frediani-PSDB que declara para fins de urbanização e regularização como de Relevante Interesse Social as áreas urbanas e rurais que necessitem de regularização fundiária, ambiental e urbanística no município de Ubatuba em conformidade com a Lei Federal nº 11.977/2009. O Projeto aprovado declarada apenas uma área por habitante no território municipal. Na justificativa de Frediani aponta que Ubatuba possui muitos problemas nas questões fundiárias, de regularização e principalmente ambientais trazendo mais problemas aos que já existem. A falta de regularização no município trouxe muitos prejuízos à sociedade, a proposta é estabelecer um dispositivo legal a regularização destes problemas. Frediani destaca que seu projeto não cria nada de novo, apenas amplia, formaliza, ampara e clareia as condições do que pode e do que

não pode ser realizado a bem de toda a população. A lei federal possui 35 páginas e lá orienta e determina os procedimentos a cada situação, uma delas prevê até a regularização em áreas de preservação. Se sancionado pelo prefeito municipal os munícipes poderão participar dos programas nacional de habitação urbana e rural. É previsto também a regularização de assentamentos irregulares, locais parcelados e rito diferenciado na agilidade do registro e da titulação das áreas. Algumas questões diferenciadas poderão ser tratadas dentro da regularização de interesse específico, como no caso do licenciamento à ocupação de Áreas de Preservação Permanente - APP, o que é comum em Ubatuba por sua situação geográfica e ambiental. Prevê também a inclusão de projetos de acessibilidade a portadores de deficiência. Frediani lembra que o Estatuto das Cidades (Lei Federal 10.257, de 10 de julho de 2001) estabelece como uma das diretrizes da política urba-

na a regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda, prevendo a criação de normas especiais com esse objetivo. “São essas normas que estamos criando ao instituir os instrumentos legais que permitem à Prefeitura a aplicação do direito adquirido à moradia em benefício das famílias”, comenta o vereador. Acrescenta ainda que a medida possibilite a legalização de áreas e a transferência para conjuntos habitacionais das famílias que estão em áreas de risco. O exemplo vem da cidade de Sorocaba que trabalhou a lei federal e as municipais e em dois anos regularizou 50 bairros. “Hoje os trabalhos realizados naquela cidade e as leis em seu atendimento serviram de base para um acórdão do Tribunal de Justiça do Estado, que garantiu a moradia de muitas famílias que estavam na iminência de serem despejadas de suas casas, como ocorreu nos bairros Cruz de Ferro e Iporanga naquela cidade”, ressalta Frediani.


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Praia do Simão - A força da natureza ao vivo e em cores EZEQUIEL DOS SANTOS Um bom observador, para qualquer lugar que olhe verá vestígios do passado, seja no caminho, no jeito do povo, na fala, na comida, na música entre outros. Um observador nato consegue em um único olhar perceber tudo isto e mais um pouco e é caminhando pelas trilhas antigas da região que percebemos quanto Deus é grande e como a natureza nos ensina, quando queremos aprender, é claro! A Praia do Simão, também conhecida como Brava do Frade é um daqueles lugares que parou no tempo, parece um lugar que não é deste planeta. Ao mesmo tempo em que é belo, é assustador, que é rude, nos acaricia, quando forte também é suave. Na trilha olhamos parte dela. Da praia, parece que estamos em outra dimensão, atravessamos uma tela de fullHD e entramos num mundo mágico. Lá chegamos de barco, pelo menos até o Saco das Bananas com o caiçara-quilombola Dominguinhos e caminhamos cerca de dez minutos alcançamos o mirante e mais dez a praia. Pela Caçandoca, pela trilha pode levar cerca de três horas de caminhada, mas vale a pena. O trekking de aproximadamente 20 kms por trilhas é bem marcada e com partes bem expostas ao sol. Existem pontos de abastecimento de água a partir da segunda metade do percurso, ótimo para aventureiros que curtem mato com vista para o mar. Local tem areia grossas, mar bravo, praia de perau e segredos. Muitos deles morreram com os negros da antiga fazenda Caçandoca. A trilha é

Fotos: Emilio Campi

fabulosa, tem de tudo, como se fosse um shopping da natureza, só que nas prateleiras só aparecem o que Deus manda vir e ou o que o homem nativo pedir. Flores e frutos, aves e animais ainda estão em abundancia nesta região graças à ausência de loteamentos e condomínios. A praia tem também no nome de Brava do Frade por conta de um entalhe feito na pedra. Na época da fazenda o barão mandou entalhar o número “um” na pedra, na ponta da costeira sul. Era o primeiro marco da fazenda Caçandoca que estendia-se a Pedra do “X” na divisa da fazenda Brejahimirinduba (Maranduba). O entalhe com

o tempo se desgastou e ficou parecendo um frade com sua touca. Brava por quê?...vá lá com mar grosso pra você ver o que é braveza. Lá está um dos melhores points dos surfistas locais que é compartilhado os visitantes. Praia do Simão? Este homem deveria ser muito importante a ponto de colocarem o nome dele na praia, será que era um negro da resistência? A praia está bem em frente à Ilhabela e por vezes dá a sensação de ser muito próxima. “Mas custas que sim, lhéi só! (ledo engano), ela está a mais de cinco horas. Um bom observador percebe que conforme o balé das marés

os cantos da praia alternam na cobertura das pedras com areias grossas. É que de um lado as areias cobrem as pedras, com o passar do tempo é o outro lado que tem as pedras cobertas por areias, é assim a milhares de anos e que os nativos costumam respeitar. Nas areias ainda é possível avistar tatuíras e pegoava, alimentos do povo antigo. Acima depois das muralhas de granito verde Ubatuba vestígios das antigas roças e bananais, da época em que o povo nativo não era considerado bandido pelos ambientalóides, aonde abatia cotia, paca, tatu, cateto, tudo forma

artesanal e exclusivamente para alimentação. A água que chega na praia vem do Rio Januário que depois abastece o Rio “Bito Antono” (Benedito Antonio). Neste paredão, principalmente em dias de chuvas surgem três cachoeiras (uma em cada ponta e outra no meio da praia) que deslizam deliciosamente na pedra observadas pelos caraguatás, bromélias, gramíneas e orquídeas. Nas décadas de 60 e70, pelo menos umas quatro vezes, apareceram fuzileiros navais na mata da região. Todos iam ver o navio da Marinha que ficava mais em direção a praia da Caçandoca.


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Praia de beleza selvagem esconde trilhas históricas Esta praia, de uma beleza selvagem, escondeu trilhas históricas, além de uma bela vista da Mata Atlântica que chega até a sua orla estreita e desabitada, proporcionando um visual magnífico e uma beleza que só tem aqui. É comum observar pegadas de animais ou ver pássaros se banharem nas areias mornas das praias e até mesmo bebericando gotas de orvalho ou água límpida em poças formadas pelos rios da praia. O jundú ainda está lá belo e formoso, do mesmo jeito que é descrito pelos septuagenários tradicionais. Para a sua visita ser mais interessante, o ideal é contratar um guia quilombola ou local, que contará toda a história de luta e conquistas deste povo formador do país, bem como os usos e costumes dos moradores, as utilidades, o manejo, o trato sustentável da floresta e o que vem passando na atualidade. Um morador antigo da região lembra dos compadres que lá moravam como Constantino, João Araújo, “Bito Antono”, Lírio, Januário, Henrique, Ermínia, Anastácio, Simão, Luiz Januário. O local de difícil acesso não desanimava este povo. Viviam da roça de milho, banana, feijão, mandioca, couve, laranja, pimenta, batatas e tudo que pudessem produzir. As bananas tinham de serem carregadas as costas até o Saco das Bananas para serem embarcados. Raramente as bananas eram embarcadas no Simão. Outro segredo do lugar é de quando a mar estava calmo, tinham de falar baixinho e compassadamente,

bastava um desavisado falar mais alto e o mar engrossava. Num dado momento, segundo o septuagenário Benedicto Antunes de Sá, alguns compadres haviam colhido cerca de vinte “arquere” (alqueires) de milho e o haviam embarcado na canoa chamada “Vóguinha” que era do Sr. Antonio Antunes de Sá – o Antonio Madalena, aquele do “tempo de Dante”. Na saída o mar começou a arruinar e a canoa balança, na segunda onda ela “emborcou de veiz” (virou em definitivo) levando todo milho ao fundo. Dizem que por dois meses pescaram bagres amarelos no local e na barrigada do peixe uma fartura de milho. O local ainda nos remete as glórias dos desbravadores e aos cheiros que deram sentido a vida simples de uma época. Lá viver significava aprender e tinham como herança a fé e os costumes que o fizeram sobreviver. Vale lembrar que o local está em território quilombola e encontra-se limpo porque alguém cuida. As visitas dos grupos poderiam ser comunicada as associações lá existentes, desta forma além de respeitar e valorizar o esforço de luta daquele o povo terá caráter de responsabilidade social já que proverá emprego e renda aquela comunidade. Para você deixar o lugar belo traga tudo o que levar, respeite a comunidade local, não deprede o acesso e nem tire plantas ou flores. Quem de lá cuida pretende recebê-los como se fosse sua casa, por isso o local se mantém belo e imponente por este século e meio.

O local ainda nos remete as glórias dos desbravadores e aos cheiros que deram sentido a vida simples de uma época.


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Arquiteto da região tem estudo publicado em revista especializada EZEQUIEL DOS SANTOS O arquiteto e urbanista do Sertão da Quina Sérgio Augusto Cabral, 35, teve sua iniciação cientifica publicada na revista Tecno-Lógica da UNISC-Universidade de Santa Cruz do Sul - RS. A Tecno-Lógica é uma conceituada revista do departamento de Química e Física, Engenharia, Arquitetura e Ciências Agrárias e do Mestrado em tecnologia Ambiental da UNISC. A Tecno-Lógica é um periódico que tem como linha editorial o foco sobre temas de pesquisa envolvendo aspectos inovadores na área de Tecnologia Ambiental e tem publicado relevantes pesquisas de todo o Brasil sobre o tema. Embora o trabalho de Sérgio Cabral se refere a análise bioclimática de Caraguatatuba, os dados colhidos vão colaborar na determinação de estratégias de construção com o intuito de

preservar o conforto térmico e a eficiência energética das edificações em todo o litoral norte. Deste estudo existe a possibilidade da edição de uma cartilha contendo os principais resultados servindo para orientar os profissionais ligados a engenharia e arquitetura. No estudo são apontados vários fatores que prejudicam a ventilação natural do Litoral Norte paulista que geram a tendência em verticalizar as edificações, em especial na orla marítima. O estudo aponta a ineficiência do atual sistema construtivo utilizado na região, que segundo o arquiteto, são inadequadas ao clima. Descreve ainda da necessidade de edificações mais eficientes já que as mudanças climáticas prevêem a escassez de obtenção de energia elétrica e o uso cada vez mais restrito do condicionamento do ar pelo custo da energia. Tudo isto aponta

para a obtenção de um conforto térmico por meios naturais e através de adoção da correta estratégia de construção. Cita a analise realizada das condições bioclimáticas de uma vila de pescadores de Ubatuba e conclui-se que as edificações da vila não estava adequada ao clima, devido a insolação, falta de ventilação e materiais de elevada capacidade térmica. São explicados também os fatores que causam as leves sensações de frio e calor e que delas podem-se aplicar políticas publicas mais eficientes no planejamento urbano, que deve propiciar que as correntes de vento vindas do mar circulem pelas áreas centrais da cidade. O estudo aponta sobre os materiais a serem utilizados para as construções que acompanham o estudo. São novas tendências de cálculos e materiais, cores, coberturas entre outros. As atuais cons-

truções prejudicam a ventilação ocasionando um ganho de calor excessivo, o que leva os ventiladores a recircularem o ar quente, por exemplo. Na conclusão mostra-se que a ineficiência construtiva mostra que a necessidade de utilização de aparelhos de ar condicionado é limitada a um pequeno período de tempo, cerca de 5% no ano, porém é amplamente utilizado, tudo isto por sistemas inadequados e não por clima severo. No estudo aponta a necessidade de uma revisão do planejamento urbano para que não forme ilhas de calor pela ausência da ventilação natural. A aplicação das recomendações propicia o conforto térmico, diminui o consumo de energia e colabora para a manutenção do meio ambiente. Vale lembrar que um estudo sobe as situações pluviométricas publicada pela Unicamp mudou os rumos da conversa

sobre o Pré-sal no Campo de Tupi em relação ao litoral norte paulista. A notícia boa é que haverá continuidade ao trabalho visando buscar alternativas construtivas para a população de baixa renda, o que pode melhorar em muito a qualidade de vida desta população.

Escola particular será recebida por monitores mirins da escola Tiana Luiza Na manhã da última sexta, 30 de setembro, 12 alunos da escola municipal Tiana Luiza do Araribá tiveram um dia de campo diferente no Sítio Lama Mole. A visita é parte de uma preparação para recepcionar uma escola particular do centro da cidade. O projeto pedagógico-turístico-ambiental visa o aprendizado em campo e ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade local, bem como a história do lugar. No sitio as crianças catalogaram plantas nativas, cultivadas e animais. Com a supervisão e acompanhamento dos monitores João Donizete, Nei do professor Jairo Heitor 12 alunos do quarto e quinto ano se delicia-

ram com as descobertas e as novidades. Foram catalogadas e fotografadas 56 espécies vegetais, insetos, aves e peixes da região. O objetivo, além do processo pedagógico e ambiental é preparar os alunos a serem monitores mirins no atendimento, recepção e monitoramento dos alunos da cidade que virão em visita à região. Acompanharam as crianças o Técnico em Turismo Rural, Vital Celestino, o Observador de Aves, Roberto de Oliveira, as biólogas Juliana Ramos e Camila Cristina. As crianças puderam provar das frutas existentes no sitio, observar e ouvir cantos de pássaros e tocar e entender as várias

espécies de árvores e flores daquele ecossistema. Houve ainda uma roda de “prosa” com Vital Celestino. Em sala de aula os alunos pesquisaram mais a fundo as espécies catalogadas para ampliar seu conhecimento. Os alunos encontram-se ansiosos para o dia da recepção, que contará com apoio de profissionais no ramo rural e ambiental da região para melhor atendimento e segurança das crianças. A equipe do sitio Lama Mole já recebeu universidades, observadores de aves, escolas e participou de projetos do CNPq, além de ser fonte de consulta da ave-fauna e sistema rotacionado de uso, ocupação e plantio.


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Membro do Conselho da Comunidade Negra toma posse na capital No último dia 7, o quilombola Antonio Antunes de Sá tomou posse como membro do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo. O evento aconteceu no Palácio dos Bandeirantes em solenidade oficial. Marco Antonio Zito, advogado e procurador federal aposentado, é o titular do conselho como presidente e terá quatro anos de mandato. Antunes é atual presidente da Associação do Quilombo Caçandoquinha, membro do Tucanafro Municipal e da Federação Quilombola Paulista. Na solenidade foram empossados outros 21 conselheiros, representando a sociedade civil e 10 representantes do governo estadual, todos com mandato também de quatro anos. O Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra é o mais antigo do estado e completou 27 anos no último dia 11 de maio de 2011. O Conselho tra-

balha para desenvolver estudos e propostas de defesa aos direitos da comunidade negra e impulsionando o movimento de combate ao racismo e de promoção da inserção política, econômica e cultural desta população. “É uma honra

participar deste conselho, sei também que aumenta a responsabilidade de gente, no conselho temos articulações em todas as áreas, o que é bom para nossas comunidades e para o município’, comenta Antunes.

Praia do Sapê sediará a 3ª Etapa do “Eu Amo Ubatuba Surf Challenge” No próximo dia 12 de outubro no point da praia do Sapê, região sul de Ubatuba, acontecerá a 3ª Etapa do Eu Amo Ubatuba Surf Challenge. O evento que tem caráter sócio-esportivo-ambiental começará a partir das nove da manhã e as categorias participantes são: Mirim, Junior e Open. O primeiro colocado de cada categoria receberá uma prancha da SuperKort Surfboards, troféu e kit. Serão também premiados com troféus e kits os atletas classificados até o quarto lugar. A competição não tem fins

lucrativos e os valores arrecadados serão convertidos em premiação e utilizados na sua realização. Para que isto aconteça conta o incentivo e apoio do vereador Rogério Frediani. As inscrições podem ser feitas na AUS pelo (12) 38332649 ou na Superkort pelo (12) 3843-3077. Todo o trabalho conta com os parceiros Frediani & Frediani Ltda, Petit Poa lanchonete, restaurante e pizzaria, a Boraposurf, que em conjunto com a AMMA – Associação de Moradores e Amigos de Maranduba e surfistas da Região Sul do Município de

Ubatuba organizam mais este importante evento. No evento será realizado o programa de limpeza de praias, o “International Coastal Cleanup”, através da gincana do lixo. O objetivo principal é fomentar o esporte como forma de inclusão social e fonte de preservação de nossas praias, por isso, os organizadores e patrocinadores contam com a presença de todos os setores da sociedade. Todos acreditam que atividades esportivas como esta etapa proporcionará um futuro melhor para crianças e jovens.


Página 12 Gente da Nossa História EZEQUIEL DOS SANTOS Era uma estradinha de terra, a frente uma velha porteira, o caminho com capim baixo por entre os rios Bonito e Negro, lá próximo uma linda casa e cachoeira, ao longe o espigão do Moro do Cambuí, perto do Sitio da Porteira. Minutos de silencio... e a glória, nascia para o mundo o menino “home” Geraldo Marcos da Silva. Era 30 de outubro de 1922 e hoje seu lugar de nascimento chama-se Pouso Alto. Seu pai Francisco Marcos da Silva, mãe Escolástica Maria de Jesus, seus 14 irmãos (Mario, Joaquim, José, Aselmo, Joaquina, Antonia, Clarice, Angelina, Maria e demais falecidos) cresceram na vida dura e no mais puro senso de justiça. Geraldo recebera do pai um pequeno “quinhão” de terra para trabalhar, eram cinco alqueires de onde tirava seu sustento. Casou-se com a jovem Benedita Augusta de Souza e Silva, deste matrimonio nasceram Sebastião, Miguel, Mario, Tereza, Aparecida, José, Auxilio, Mariana, Benedito Marcos e Antonio. Tinha os calos das mãos transformados em pedra o rosto em depósito de suor, mas o coração em prateleiras para guardar o que há de melhor da vida. Tinha dois fornos de carvão e tirava até seis alqueires deste material, isto é 16 sacas por vez. Começava a trabalhar as cinco da manhã e chegou a tirar vigas de 16,5 metros de comprimento em uma única peça. Inconfundível, carregava sempre um cachimbo a boca, só tirava pra comer a pra dormir, em dias de chuva ele virava o cachimbo de cabeça pra baixo. Esta peça era feito de barro ou comprada, o fumo era ele quem fazia. Todos se espantavam ao vê-lo colocar a caneca de café na boca sem tirar o cachimbo. A comprada vinha de Aparecida do Norte, onde fazia excursão anualmente. Devoto de São Benedito, não havia obstáculo para ele. Muitas vezes veio ao Casqueiro (antigo bairro de Caraguatatuba) na venda do João Salvador com seu pai vender galinhas caipiras e porcos

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Geraldo Marcos da Silva trazidos em jacá. Desciam a serra a pé, a cavalo e por último de ônibus. Era um “matadô de boi” requisitado na épa (época). Por interferência dos vizinhos e para viver em paz seus pais venderam a área, o gado e tudo que lá tinham. A pressão também aconteceu com seu Geraldo que não agüentando o enchimento de saco vendeu. Foi cruel a despedida, lágrimas de tristezas. Foi peça chave como testemunha numa demanda (processo) de terras a um bom vizinho, com isso as terras foram devolvidas as verdadeiras famílias. Por indicação de Zé Mineiro, Mané Belo e principalmente Dito César ele veio parar na Pedra Preta, adquirindo um tanto de terras, vindo em definitivo em 1961. Em 1966 foi fotografado em sua casa pela Missionária francesa Claudie Perreau ao lado da atual casa de sua irmã Clarice. Com uma nova vida foi fácil fazer amizade começando pelos trabalhos “a dia”. Não demorou a fazer grandes e verdadeiros amigos como João Rosa, Emidio, Guido Correa, Mané Pedro, Tio kito, Toninho Pereira, João Rita, Chico Romão, Ângelo Zacarias, Ditinho Messias, Zeca Pedro, Bastião Pedro, Chico Romão, Zezinho Balio, Aristides Isaias entre outros. Fez imenso bananal e ao entorno da casa plantou de tudo para suprir a família. Homem de bem e respeitado não sabia nadar, mas arriscava-se ficar em pé na canoa nos mutirões de pesca. Tirava toras enormes no mato e as carregava nas costas para virarem tábuas. Fazia estaleiros de onde uma pessoa ficava em cima e outra embaixo e transpondo a madeira com uma serra de mão, com a ajuda dos filhos fatiavam-nas perfeitamente. Manoel João comprou tabuas pra sua primeira casa na subida do Morro do São Cruzeiro eram de Urucurana. Quando ocorreu o acidente com o pai do Izu na marcenaria na entrada do Araribá, Geraldo fornecia madeira para o tal japonês que

Um exemplo de vida

faleceu. Todos admiravam a técnica de sua medida, pois “de primero” (antigamente) não havia peças com sistema métrico. Existe ainda, em segredo, um patrimônio erguido deixado por seu Geraldo, é uma casa inteira de tabuas feitas por ele. Ele era tão querido que se alguém falasse mal deste homem com certeza iria “tomar uma cóça (surra)” na rua. Seu Geraldo era cozinheiro e garçom em festa de casamento, assava leitoa, galinha recheada.

Foi contramestre de Moçambique, adorava as Folias de Reis. Emocionado Zeca Pedro conta que da boca do amigo ouviu a mais bela Alvorada de sua vida. “Ouvi ele cantando a música da estrela Dalva, uma linda música da época do Reisado, estava amanhecendo o dia e ele subia o morro para sua casa’, comenta Zeca Pedro. Geraldo largava tudo para ajudar alguém sem reclamar, tudo para ele estava bom, fazia por alguém agora o que alguém iria fazer por ele no futuro. Não precisava convidá-lo para nada, era pró-ativo no que se refere aos mutirões, sepultamentos, casamentos e tudo. Foi meieiro de Mané Cesário no Araribá na “panha” (colheita) de café, nas caçadas um grande companheiro, fazia tudo de pronto, não gostava de atrapalhar ninguém. Era membro do Cursilho de Cristandade do

grupo São Francisco de Assis. Numa dessas reuniões do Cursilho ele conta... “e aquilo... e aquilo... aqueles dois home me encontrou no mato e perguntou se eu ensinava o caminho pra sair dali que tavam perdido.... Hã! Perdido! Perdido tava eu no meio desses dois home que não conheço.... dei meia vórta e pinchei as canelas pra fora dali”, todos riram. Sua comida preferida era carne gorda de vaca com pirão e farinha, apreciava também a comida da nora Maria Conceição. Gostava de musica regional, daquelas que falam da vida simples da roça. Sua esposa, com a chegada do circo do “Beijinho” ria tanto que contagiava outros e só parava de rir quando acabava o espetáculo. Amigos vivos contam que depois da chegada do circo ele havia mudado, ficou diferente. Geraldo já tinha o apelido de Maculau e tinha por hábito cantarolar uma música da roça que iniciava a estrofe assim: “Quem não conhece chora, maninho adeus”. Então o amigo Oriano de Oliveira da Maranduba (irmão do Clóvis) colocou o apelido de “Maninha Deus”ouvindo a música que ele cantarolava. Pra alguns assuntos relacionado ao trabalho era chamado de Maculau, para os assuntos do Reisado e da fé era Maninha Deus. Sábio, Geraldo dizia que onde houvesse feijão, arroz e milho dava para criar mais um filho. Foi lembrada uma célebre frase sua que servirá para todo o sempre: “Filho, não tenha pressa, tenha paciência pra ganhar o céu”. Quem olhava pra ele sabia que olhava para um homem bom, justo, honesto, verdadeiro, de caráter, obediente, de fio de bigode e de muita fé, sabia da importância da frase “sobre esta pedra erguerei a minha igreja”. Simples e com muitos netos ele comprava, quando ia a Aparecida, um saco de amendoim e dividia por igual a cada um, sem privilégios para ninguém, era a forma de ensinar a igualdade,

a fraternidade e amizade entre todos. Geraldo sabia que no futuro caberia o conselho de que um pai trata dez filho, mas dez filho não trata um pai, por isso fez e deu de tudo que pode. Ensinou que valores não se refere a dinheiro e que bastava ser humilde para entender de tudo. Geraldo é de uma época que não havia pobreza de espírito. Infelizmente sofreu um derrame resistindo por quatro anos e nos últimos dias quatro meses ficou acamado. Num certo dia o compadre Dito Gomes, homem de fé, camarada “benzedô”, companheiro de lutas antigas de Geraldo, lá do Rio Bonito desceu a serra. “Quero ver meu compadre”, os filhos foram e chamaram Dito. No caminho, depois de conversar com o compadre acamado, Dito diz aos filhos: “Filho, o vosso pai vai embora hoje meio-dia”. Dito e feito! Foi embora o bom pai, o bom filho, o bom marido, o bom companheiro, o servo de Deus. O esteio da família havia partido, o exemplo de homem justo e caráter invejável não estava mais entre nós. Era 19 de abril de 1983. Feliz ele que se preparou para o encontro divino e que com paciência foi ao céu, deixando para nós a saudade e a obrigação de seguir seus ensinamentos e seus passos. Nossas lágrimas foram de saudades, a alegria se deu por saber que é Deus que escolhe os preparados. Sua lacuna jamais será preenchida e que, segundo os entrevistados, é um companheiro que faz muita falta. Seu Geraldo, tens aqui uma irmã que a representa e que muito admiro, não tenho vergonha de dizer que a amo e através dos olhos dela posso ver quão justo e verdadeiro eras tu. Sabendo os detalhes de sua história sei que faz falta a mim e a todos, e que, o privilégio e a oportunidade de lhe pedir a benção, não tive. Mas a sua irmã que ainda está por aqui pedirei a sua benção e desejo que um dia possa me contar pessoalmente quão grande homem foi você. Obrigado seu Geraldo por relembrar as qualidades de que deve ter um homem de fé.


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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 3

ATORá(R) - (v.t.) - cortar; dividir em dois; “ atorô o dedo c’a faca ” ATRACá(R) - (v.t.) - agarrar fortemente; abraçar ; agarrar-se durante a briga; “se atracaro os dois que foi difice desapartá “ ATULHá(R) - ( v.i.) - encher completamente; ” pois o que , o fandango táva atulhado de gente “ ATURá(R) - (v.i.) - durar; resistir; “ se dexá n’água não atura munto “ AVISAGê - (s.f.) – assombração; fantasma; alma penada; mesmo que avisão; “ sexta-fera é dia de avisage ” AVISãO - ( s.m. ) - mesmo que avisagem; assombração; alma do outro mundo que vem para assustar ; “ tem o maior cagaço de í lá por causa do avisão “ AVOá(R) - ( v.i.) - voar; “ agora eles avoa, más despois vórta tudo “ ou “ Aqui o más bobo avoa” AVUADêRA - (s.f. ) – voadeira, barco com motor de popa , muito veloz ; AZINABRE - (s.m.) - azinhavre; crosta de cor verde, que se forma nos objetos de cobre,expostos à umidade ; BACIA - ( s.f.) - denominação dada à chapa de metal, perfurada, que encima, circularmente, a roda de sevá mandioca. ” pá furá a bacia é com

o punção ” BACIADA - (s.f.)- grande porção; grande quantidade; “ pois o que troxe uma baciada de pexe “ BAFAFá - (s.m.) - rolo; discussão; barulho; confusão ; BAGAÇADA - (s.f.) - chute; pancada forte; “ dô-lhe uma bagaçada nos córno , heim! . “ BAGO - ( s.m.) - testículos. BAIÚCA - ( s.f.) - pequeno bar ou armazém. BAXIO - (s.m.) – baixio; praia rasa ou banco de areia, onde a água do mar ou do rio tem pouca altura; pontal de areia vadeando o lagamar ; “o mar tava quebrando munto nesse baxio aí , que não dava prá saí pra fora “ BALAIO - (s.m.) - cesto de palha ou de cipó. BALANÇA - ( s.f. ) - peça da arataca; dispositivo em forma de balança, constituído por fios de arame, pendentes da ponta livre do varão, que seguram a base desta balança, a tauba da balança, onde se colocam pedras, para exercer grande força de prensa sobre a parte imediata à extremidade presa do varão. BALIERA - ( s.f.) - baleeira; pequena embarcação de pesca, movida a motor, com o formato de uma grande canoa, fabricada com tábuas lavradas e emparelhadas. Difere dos outros barcos por ter, a grosso modo, duas proas; BANANA DA TERRA - ( s.f. ) - qualidade de banana, só comida cozida ou assada ; BANANA MANÇÃ - ( s.f.) - banana maçã; qualidade de banana. BANANA PRATA - ( s.f. ) - qualidade de banana, menor do que a nanica, porém mais grossa, com quinas na casca, tendo a polpa mais rija; BANANA ZINCO - ( s.f.) - qua-

lidade de banana. BANCADA - ( s.f. ) - medida que corresponde a uma gamela, colocada sobre o banco de roda de sevá, cheia de raízes de mandioca. “faiz uma bancada grande de mandioca...” BANCO DE RODA - ( s.m.) armação de madeira, em formato de banco com tábuas suspensas por quatro moeIrões, na qual estão dispostos os vários componentes da roda de sevá mandioca. BANDEIRA DO DIVINO - ( s.f. ) - estandarte usado pelas pessoas nos festejos do Divino Espírito Santo, no mês de junho, e que consiste em um mastro ou vara colori-da, onde são presas diversas fitas de cores variadas, encimada por uma pombinha de madeira, pintada de cor prateada ou dourada. BANDóLA - (s.f.) - bandolim. BANHADO -( s.m.) - terreno com águas empoçadas; saturado de água e quase impermeável; “aí nesses banhado haí raça de rã toro “ BARDEAÇãO - ( s. f. ) baldeação; ato de passar passageiros e bagagens de um veículo para outro. “ eu vô no ônibos da São Miguér que não faiz bardeação . “ BARRAQUEá(R) - ( v. t.) visitar as barracas na festa de Nossa Senhora dos Navegantes. BARRê(R) - ( v.i. ) - varrer ; “ pegue o cisquêro e barra isso daí tudinho “ BARREá(R) - revestir de barro as fendas das paredes da casa;“ barrearo tudo já ? “ BARREAMENTO - (s.m.) - operação em mutirão que consiste em, preparada a estrutura de pau-a-pique e a coberta de sapê, proceder-se à calafetação das fendas das

paredes pauapicadas e invaradas, com o barro batido e pisado, tirado anteriormente; mesmo que taipamento; cobrir de barro as paredes da casa ; BASTIDô - ( s.m. ) – bastidor; espécie de caixilho de madeira, para bordar ; BATê - ( s.m.) - armadilha para caçar pássaros, feita de ubá com travessas de bambu, usado isoladamente como alçapão, acondicionado às gaiolas; BATê(R) - ( v.t. ) – acometer; contagiar; atacar. “devera de sê a tar da tiriça que bateu nele” BATêRA - ( s.f.) – bateira; pequena embarcação sem quilha BATê(R) PARANGA - ( loc.v.) apanhar ostras dos galhos do mangue, com a canoa; “anssim que a maré baxá, nóis vamo batê paranga “ BATEDô(R) -( s.m.) - espécie de macete em forma de espátula, feito de madeira grossa, utilizado para bater as taquaras, fincando-as no lodo, na construção do cerco de pesca ; BATEDô DE LANÇO – (adj.) batedô de lanço, aquele que vai pelas beiradas espantado os peixes para caírem na rede. BATELADA - (s.f.) - grande quantidade ; “ num digo; prá que essa batelada de café “ BATELãO - ( s.m.) - canoa pequena e bojuda ; BATEU A GALHA - (.loc.v. ) morreu ; bateu as botas ; BATIDO - (adj. )- sovado; muito usado ; ( s.m. ) - também um tipo de dança do fandango; espécie de sapateado; Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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Lenda “O anjo mal” Por volta de 1889 a 1910, quando em uma grande várzea, em seu fundo já no espigão das montanhas aconteceu algo que assustou toda a região. O fato foi tão marcante que muitos dos antigos moradores se fecharam para o assunto, eram sempre poucos detalhes descritos para se montar este grande quebra-cabeça. Sabe-se que foi num período de “Somana Santa”, aonde os resguardos eram a lei. Mas um jovem desobedeceu. Ah! Home! Naquele período as pessoas visitavam as redes de pesca, já que não podiam caçar por conta da “amamentação” dos filhotes na mata, no dito popular “os bichos tão com cria”. O local possuía algumas poucas casas, cinco ou seis no máximo. As roçadas eram grandes, as derrubadas idem. Os compadres sabiam o que outros faziam por conhecerem o calendário natural. Um jovem teimoso resolveu fazer algo por conta própria quebrando o calendário. Descalço e com munição para quatro disparos guardados no “chifre de boi”, atravessou o rio do Poço do Bagre, subiu uma pequena encosta, caminhou pela mata chegando num local cheio de pedras e árvores. Até ai tudo bem. Quando pegou o “pio” para atrair animais a sua espingarda viu algo acontecer fora do comum. A cada piada que dava, tinha a sensação de que o céu descia. Na realidade é que as nuvens povoaram seu entorno para que ele se assustasse e voltasse a sua casa, o que não aconteceu, ele queria uma caça de qualquer jeito. Continuou a usar o pio. Sem conseguir enxergar nada, começou a ficar com medo e a berrar na mata. Neste momento ninguém o ouvia. O pai que chegava em casa

com os compadres ouve sua mãe anunciar o pior. “Ele quebrou o resguardo da Somana Santa pra móde buscar um bicho pra cume, isso não vai acabar bem! Arrelá!”. Quando saía para buscar o filho é interrompido pela mão da senhora sua mãe que o segura e diz: “Deixe ele lá home! amanhã ele vórta. Esse minino vai aprender a lição dijero (depressa)!”. O pai pensou, pensou e resolveu esperar, mas não por muito tempo. Embora estivesse relativamente perto de casa, o filho não tinha experiência de caça. O pai esperou todos dormirem e saiu com seus cães de caça. Começa aí uma tragédia anunciada. Na mata o filho apavorado já começava a gritar pedindo ajuda. De outro lado o pai que berrava na mata chamando pelo filho. Como dizia os antigos: “Abençoado seja o silêncio”. Já amanhecendo o dia ninguém achava ninguém. Os dois descansaram um pouco e começaram os berros. O filho ouvia algo se aproximar, o som era estranho, mas cada vez que chegava perto parecia ser o som de um animal. Assustado ela carrega a espingarda e aponta para frente, para os lados, para trás, para cima, enfim de onde viesse o barulho. O sol por cima da névoa ofuscava ainda mais o lugar. De repente o som estava a poucos metros e ouve-se o estampido do disparo do filho. Minutos de silencio depois a névoa começa a sumir e a sua frente para sua surpresa o pai caído ensangüentado, do seu lado os fiéis cães de caça sem nada entender. No desespero o filho joga a arma de lado, ajoelha, pega o pai em seu colo e pede perdão aos prantos. Em seus últimos suspiros, o pai

com sangue na boca faz uma pergunta: Por que você foi ser meu anjo mal? Muita coisa passou na última troca de olhares entre pai e filho. ... Silencio ... lágrimas, o filho desesperado levanta-se e pergunta por quê. Neste momento seus pés começam a se transformar em raízes, seus braços em galhos, seu tronco em madeira e por detrás, nas costas, surgem dois galhos em forma de asas abertas, nas pontas folhas verde esbranquiçadas e raras flores. De longe os gritos da transformação eram ouvidos pelos que buscavam pai e filho. Os compadres chegaram e viram a cena e se lamentaram, porém ouviam os cães, mas não podiam vê-los. Foi um ano de tristeza, lamentos e pouca colheita. Até hoje é possível ouvir os cães e muitos que lá se aventuram dizem que ouvem e vê o mato se mexer em sua direção, mas algo passa por eles correndo sem poder identificá-los,

a frente ouve novamente o latido dos cães que vão embora em busca de seu dono. O local de fato existe na região sul e com este nome. Muitos antigos viram a árvore seca erguida entre as pedras e chão duro. O local ainda é misterioso e cheio de grandes pedras, por onde a noite ouve-se gritos e gemidos. Foram anos para escrever esta estória e que teve a colaboração de muitos moradores acima de setenta anos. O conto nos dá a exata noção de como era necessário respeitar a Deus e a natureza naquela época. ELE tudo nos dava, mas tínhamos de respeitar. Atualmente os homens de bem que protegeram esta mata e o mar é que são desrespeitados por outros homens que, da forma que trabalham, devem estar sendo conduzidos por outro Anjo Mal. Ezequiel dos Santos, com colaboração de antigos moradores


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Coluna da

Atleta da Maranduba conquista Campeonato de Kung Fu Adelina Campi

Baú de Lembranças Eta!!! Que o adulto é mesmo muito bobo. As coisas simples e boas da vida acabamos perdendo, principalmente nós, mulheres... É isto mesmo. Você já reparou em uma rodinha de homens conversando? Eles riem, contam piadas, criam brincadeiras para se divertir, jogam um ao outro na piscina... são mesmo umas crianças. Que coisa linda que é isto! E nós, mulheres, o nosso grupinho quando está reunido! O que fazemos? Ficamos ali conversando, centradas, preocupadas com a imagem, com a postura, com a elegância, mas será que somos assim? Não, não. Creio foi esta maldita cultura que nos estereotipou e, perdemos o nosso lado lúdico. Que tolas somos! Às vezes tenho vontade de perder a classe, de voltar a ser criança. Neste momento lembro-me dos dias de chuva, das tardes quentes de verão...Que vontade de tirar os sapatos e sair pisando nas poças d’água que aqueles finais de tarde ensolarados formavam após cair um temporal e refrescar a tarde. Não quero pensar nos transtornos que hoje estas chuvas trazem, quero pensar em ser criança, só quero

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Jornal MARANDUBA News

lembrar-me das brincadeiras quando a chuva cessava. Tudo começava com o céu escurecendo e uns riscos brilhantes no alto. Aí vinha o vento, “as folhas formando redemoinho no chão”, a escuridão invadia a tarde e, no céu apenas uma faixa clara, na altura do horizonte indicava que ainda era dia... Então a água desce, pesada e sonora... Por fim, ela vai embora formando no céu um lindo arco-íris. Aí era a nossa vez... Como os pássaros que haviam se escondido e saíam começando a cantar, nós saíamos de onde estávamos protegidos e corríamos descalços para a rua brincar nas poças d’água. Eram só risos, brincadeiras. “A chuva faz brotar as plantas e quando a gente se permite, ela é garantia de diversão. Caetano Veloso diz em Chuva Suor e Cerveja: “...e quando a chuva começa eu acabo perdendo a cabeça”. Um dia destes vou perder a cabeça, da próxima vez em que a chuva começar a cair, vou correr para a rua, tirar meus sapatos, vou deixar a roupa molhar, vou pisar na água, ....”vou sentir o gostinho de ser criança outra vez”.

Fonte: Revista “Vida Simples”

A atleta de Maranduba, Letícia Christina, que representa a Associação Long teh de Ubatuba, foi Campeã Paulista em julho, representando nosso estado em Brasília no campeonato Brasileiro de Kung fu Whusu realizado nos dias 07 à 11 de setembro. Letícia ficou em 3º lugar na categoria armas longas (medalha de bronze) com muito orgulho. A atleta agradece seus professores Lau shi Chi Hsiang e Lau shi Bruno, seu pai Tiau lien João Carlos, ao apoio da Escola de Idiomas Fisk de Caraguatatuba e a prefeitura de Ubatuba.

Regional sul realiza limpeza das ruínas da Tabatinga A equipe da regional Sul realizou uma força tarefa para a limpeza, manutenção e retirada do lixo das ruínas da Tabatinga. O patrimônio está nos cruzamentos da estrada das Galhetas com a que leva a praia da Lagoa. Há tempos existe a reclamação sobre o lixo amontoado a frente das ruínas e do mato alto em todo o seu entorno. Considerado patrimônio material do município, do estado e do país, suas paredes remetem aos áureos tempos do Império. Por lá passaram muita gente importante e muito escravos vindos do continente africano. Trata-se de um depósito de mantimento e casa de algum barão. Acima um interessante e raro duto de captação de água que serviam a criadagem e a elite. Suas paredes guardam ainda marcas de rebocos, que eram novidades da época. Indica que foi utilizado método diferente de construção, haja vista que existe uma espécie de baldrame e não paredes levantadas diretamente do chão como eram de costume. Este tipo de construção facilitava a redução, ampliação e modificação dos ambientes. Por conta do reboco indica poder ter sido uma das últimas em construção, provavelmente construídas pelo engenheiro francês João Agostinho Stevenné, há pelo menos dois séculos e meio. Este engenheiro foi proprietário

da Fazenda Brejahimirinduba, atual Maranduba. As ruínas fazem parte da 1ª Companhia de Ordenanças e tinha como proprietário o Frances Carlos José Robillard, vindo da Ilha de São Domingos, chegando em 1.821/22. No ano seguinte teve como sócio o tal de Glutch. O feitor de Robillard é Pacifique Guiamon, também Frances e que chegou em 1819, sócio de Pedro Recher, vindo em 1819, este era sócio de João Francisco Lecoq que em 1829 sai do fogo de Pedro Recher para se tornar independente. Ao que tudo indica o local servia mais como um “depósito” ou área para descanso, já que ficava de costas para o mar e as tempestades, diferente da matriz que é a fazenda da Lagoa. A da Tabatinga era abrigada tanto para ataques, incêndios e tempestades, por isso a canalização para o provimento de muita água bem a proximidade

com o mar e a praia mansa. Os rebocos poderiam ser do “barro branco” (Tabatinga) que havia em abundância pela região. Os restos desta ruína não só representa a formação arquitetônica, mas ainda as metologias a serem aplicadas na condução do processo pluriétnico que hoje é o patrimônio imaterial registrados nos dizeres e saberes deste povo que, sem dúvida, parte integrante do processo civilizatório nacional e merece respeito. O local agora merece a visitação e a catalogação em fotos e duvidas de como, quando e quem lá esteve e deixou estes pilares como testemunha ocular da história. Quanto ao lixo Moralino diz já ter solicitado um contêiner para acondicionar o lixo lá depositado e que pretende colocá-lo o mais rápido possível a fim de manter o local bem mais utilizado por curiosos, turistas e visitantes.



Jornal Maranduba News #30