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Maranduba, 20 de Agosto de 2011

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

Foto: Emilio Campi

Praia Dura

Beleza de encher os olhos e o coração

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Ano 2 - Edição 28


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20 Agosto 2011

Jornal MARANDUBA News

Editorial:

O “Meio Ambiente” como ritual nazista à cultura formadora da nação

O

Brasil que conhecemos é muito rico e a cada etapa da história existe uma forma de explorar e destruir a cultura como remédio de todos os males. A bola da vez é destruir várias riquezas por conta do apelo ecológico. Coisa de colonizador que nos dias atuais tem outros nomes, que de novo influenciado pela matriz européia e americana, por motivos de preservar o verde ($$$$$$) se enchem de patriotismo quando destroem uma cultura (?????). Vale lembrar que uma das características próprias de nosso povo é a preservação, a utilização sustentável, a manutenção do meio ao seu redor, a respeitabilidade de tudo o que for utilizar, para utilizar pra sempre. As condições ambientais que foram encontradas aqui é o modelo ideal de uso e preservação, vistas por especialistas e cegadas pelos limitados colonizadores ambientais. Para isto bastava separar o joio do trigo, mas será que eles sabem pelo menos o que significa esta metáfora? Ao menos o que são estas espécies? Parece até que o colonizador ambiental quer formar um novo povo, um homogêneo capaz de dizer apenas

“sim senhor!”. Povos estes que historicamente são conhecidos como brasileiros distinguidos pelo modo de vida, pela sua rusticidade, pelo seu patrimônio, dizeres, fazeres, pelo manejo ecológico e econômico, etc. Povos que em suas diferenças se fazem iguais nas suas funções ecológico-regionais. Por isso ele é pluriétnico, pluricultural e riquíssimo em tudo que fazem e sabem, são nada mais que brasileiros que já, ecologicamente falando, exercerem seus DEVERES cuidando da fauna e da flora para que hoje outros tirem o chapéu em seu nome, falta agora reconhecer

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3832.2067 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos e Fernando A. Trocole Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

seus DIREITOS. Ou eles (colonizador ambiental) é que tão certo e errado continua a ser a Bíblia? Vê-se uma estreita camada social privilegiadíssima, que do “Meio Ambiente” ganha muito dinheiro, status, manda e desmanda criando situações que aumentam as distâncias sociais intransponíveis, nos fazendo acreditar que o grosso destas populações é que sempre tá errado. Claro que tá! A cada nova saída pacifica e sustentável uma Resolução para transformar quem detinha o direito e a sabedoria em criminoso. Dá IBOPE, sai

na mídia, agrada outros colonizadores, dando de presente às comunidades tradicionais tensões jurídicas e administrativas, a iminência de ter o nome no rol dos culpados, desuniformidade étnico-cultural, criando um caráter traumático aos homens e mulheres de bem: os sertanejos, os caipiras, os caboclos, os ribeirinhos, gaúchos, pantaneiros, indígenas, quilombolas, caiçaras, entre tantos outros brasileiros milionários miseráveis, que por conta do colonizador ambiental encontram-se sem terra, sem canoa, sem história, sem cultura, sem vida, mas rico em sabedoria natural. Este “nazi-facismo-ambiental” trata, maltrata, destrata, destrói, ignora, explora, deplora, abaixa, rebaixa, trata desigual seus iguais, é uma atitude racista e discriminadora deste povo como se fosse uma conduta natural, o pior sob os olhares das autoridades, principalmente do MP (Ministério Público ou Privado?) e dos legisladores, salvos alguns “espécimes raros”. Decisões que alojam, desalojam, realojam, realocam, deslocam famílias inteiras, como se fossem ratos de esgotos. Desta forma negam toda a façanha da formação e fusão cultural de nossos povos.

Será que se os colonizadores aprendessem e respeitassem estes patrimônios, antes que acabe por completo, o meio ambiente não seria mais rico? Pobre deles, não pensam assim, não iam ter mais status e nem sair na TV. Estão atrás de dinheiro, voto e status. Aprendi que a diversidade biológica está dentro do dito Meio Ambiente e é tudo que está em nosso redor e não está associada somente as folhas, pelos e escamas. Por isso não entendem, não conhecem os que protegem, defendem e resguardam estes patrimônios. Salvos as autoridades que vivem no mundo real. O judiciário e o MP materializam as leis, mas em Ubatuba parece que eles petrificam e congelam estas regras de convivência. O que dizer a estas pessoas do qual o cérebro só nasce raiz e nenhum fruto, seria a mesma coisa que ensinar um porco a cantar, além de não cantar ainda vai morder a nossa canela. Melhor parar por aqui senão quem vai assinar a carteirinha de bandido no fórum e precisar de um advogado serei eu. Ezequiel dos Santos Caiçara e Gente (Não bicho)


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Jornal MARANDUBA News

Projetos de Frediani em defesa da saúde,cultura e portadores de doenças graves Dos Projetos de Lei do vereador Rogério Frediani-PSDB em pauta da 23ª sessão, 09/08, dois haviam sido vetados pelo prefeito municipal, são eles o que institui a política municipal de valorização do artesanato regional (PL 16/11) e a que torna obrigatória a apresentação da caderneta de vacinação no ato de inscrição de crianças em creches, escolas maternais, jardins de infância e pré escolar da rede pública do município (PL 26/11). Posta em discussão o veto foi rejeitado por unanimidade dos vereadores que entenderam a importância da valorização do artesanato e da vacinação as crianças. O que trata da identidade e da cultura através do artesanato foi fruto de conversas entre as comunidades que ainda possuem um vestígio da arte típica do litoral. Para Frediani, “o fomento e a valorização ao artesanato e seu produtor é fundamental para a construção de uma política pública voltada à manutenção da identidade cultural e histórica, bem como das tradições culturais, regionais e típicas de nossa sociedade endêmica, sendo também, principalmente um importante meio para a geração de trabalho e renda que vem se adaptando aos novos tempos sem perder o charme característico de nossa região, estado e

país”, finaliza o autor. No caso da vacinação a discussão foi mais acalorada tendo como pano de fundo a proteção à saúde do munícipe, unânimes foram as justificativas para a rejeição do veto. Foi citado ainda o acontecido no bairro do Rio Escuro e as muitas cidades que adotam este procedimento como pratica de prevenção e estímulo a manutenção de uma vida saudável deste a infância. Já o Projeto de Lei 29/11, que cria o quarteirão cultural como instrumento á cultura e desenvolvimento local foi aprovado e compreende o espaço como instrumento de organização urbana, destinado a ordenar a utilização do espaço público e incrementar o seu desenvolvimento, através do estímulo à integração, à convivência social e à atividade econômica, em áreas da cidade com reconhecido potencial ou vocação para a difusão da cultura, da gastronomia e do turismo. Outro importante projeto aprovado foi o de nº 33/11, que autoriza o poder executivo (prefeitura) a isentar de pagamento do IPTU os portadores de doenças graves ou seus responsáveis legais. Frediani disse que é um projeto também ligado a saúde. “Tem muita gente que gasta os poucos recursos que tem com algum tipo de tratamento levando ao desgas-

te toda a família, são doenças que precisam de cuidados e atenção constantes, este projeto é em defesa da saúde e a da vida em primeiro lugar”, finaliza Frediani.

O vereador agradece as pessoas que tem colaborado na elaboração dos projetos, que são fundamentados dentro da necessidade real e do convívio dos próprios moradores que

colaboram com o gabinete de Frediani. Informa ainda que seu gabinete encontra-se de portas abertas a população na busca de soluções e melhorias a toda a comunidade.

Câmara derruba veto do prefeito a projeto que trata de circuítos turísticos O projeto de Lei nº 17/11 de autoria do vereador Rogério Frediani - PSDB que havia sido aprovado anteriormente e recebeu veto total do prefeito municipal foi derrubado na sessão (02/08) por unanimidade dos vereadores. O projeto autoriza o Executivo municipal a instituciona-

lizar e a reconhecer os circuitos turísticos no município. O projeto tem como objetivo a promoção e o reconhecimento dos circuitos conhecidos e outros que podem ser criados. Considera como circuito a ser explorado o conjunto de atividades de uma mesma região com afinidades culturais, an-

tropológicas, sociais, ecológicas e econômicas que se unem para organizar e desenvolver a atividade turística local de forma sustentável. Trabalha atividades continuas de integração das comunidades, consolidando uma atividade de relevante interesse social, cultural, econômica e ambiental.

O projeto que é autorizativo prevê ainda a certificação do reconhecimento do circuito, que será expedida em conjunto entre a Secretaria Municipal de Turismo, a Comtur, Associação Comercial de Ubatuba e o Sindicato de hotéis e restaurantes do município. “O projeto é para ajudar o circuito a

estruturar melhor a sua atividade turística, como forma de atrair mais turista a uma determinada região e estimular a permanência dos moradores nos locais de atração turística, potencializando suas particularidades”, termina Frediani, lamentando o descaso do prefeito com o projeto.


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Descarte de lixo em årea de preservação permanente

Homenagem aos agricultores de Ubatuba 

      

 

 

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Lixo jogado em årea de preservação permanente pode causar poluição em nascente próxima na Lagoinha. Moradores alegam ter visto um caminhão branco descartando o lixo no local. LAURA FURLAN LUVISOTTO E ARNALDO LUVISOTTO

O condomínio SAMOLA, na praia da Lagoinha, estå sendo alvo de descarte de lixo em à rea de Preservação Permanente APP. Os resíduos foram encontrados a uma distância de dez metros de uma nascente de ågua que forma uma pequena lagoa em årea de preservação permanente. Segundo moradores, um caminhão branco carregando uma caçamba própria para entulhos descarregou o lixo com alto potencial poluidor em plena rua nº 15 do referido condomínio. A maior parte do material descartado Ê composto por

itens não degradåveis, tais como: embalagens de isopor para marmitas, latas de refrigerante e cerveja, garrafas pet e sacos plåsticos. TambÊm pode ser identificado no local certa quantidade de lixo orgânico em decomposição, como restos de comida que causam mau cheiro e desconforto para aqueles que residem nas redondezas. A regional da Maranduba foi comunicada por telefone, mas alegou, como de costume, não possuir måquinas disponíveis. A polícia ambiental, após ser informada do ocorrido, compareceu ao local. Os moradores da SAMOLA não sabem de quem aguardar providências.

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Endereço: Praça Teodorico de Oliveira, 38 Ilha dos Pescadores - Ubatuba Telefone: 012 3832 1253

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Jogar lixo em à rea de Preservação Permanente Ê crime.

DENUNCIE!

Disk Ambiente: 0800-113560 Comando da PolĂ­cia Ambiental: 0800-0555190


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Kung Fú: mais medalhas

Gengibre é destaque em TV regional

Se destacando mais uma atleta da Maranduba em artes marciais (kung fú). Letícia Christina, de dez anos, vem se destacando pela Associação Long teh de Ubatuba nos campeonatos regionais. A atleta esteve no Campeonato Paulista 2011 em 15 e 16 de julho pela Federação Paulista de Kun fú no Ginásio do Guarani em Campinas onde nos trouxe 04 medalhas 01 ouro, 01 prata e 02 bronzes sendo assim classificada para o brasileiro que será em setembro em Brasília. Muito orgulhos seus pais e únicos patrocinadores lhes desejam muita sorte porque garra e potencial você já tem.

EZEQUIEL DOS SANTOS O Sítio Recanto da Paz no bairro do Araribá foi destaque na Vanguarda TV no último dia 02 de agosto. A matéria trata do gengibre e seus subprodutos, a equipe da TV foi justamente no período do ano que é o da colheita. Lá conheceram e registraram todo o processo que vai do plantio até a fabricação de produtos. Destaque para o histórico positivo da produção, que na região foi muito forte para a exportação na década de 1980, só o sitio do Araribá, mandava por safra cerca de 100 toneladas a Europa, Estados Unidos e Arábia Saudita. Ubatuba na realidade foi um dos municípios beneficiados por seus produtores, foi considerada a mais importante e forte na produção do gengibre. Em 2005, teve produtor da regiao que ganhou até premio, como é o caso do agricultor Seu Sebastião. A matéria fala ainda da importância do plantio e do cuidado que o produto necessita. Seu plantio começa entre os meses de agosto e setembro. O agricultor Amarildo Pazzeli comenta da paciência e da habilidade que o produto tem de ser trabalhado, para ele é preciso cuidado e atenção, principalmente na hora de lavá-lo, se quiser vender o produto inteiro. “É um clima quente e úmido, chove muito aqui em Ubatuba. O solo é argiloso e favorece o crescimento do gengibre”, comenta Amarildo a equipe de televisão. Para a empresaria Anne Kamiyama, o sitio trabalhou até pouco tempo somente com exportação e há quatro anos atrás observou que o gengibre estava com uma do-

Letícia Christina se classificou para o brasileiro em Brasília

Futsal feminino conquista ouro em Jogos Regionais do interior Nos últimos dias 07 e 16 de julho aconteceram os Jogos Regionais em Pindamonhangaba. Destaque foi a equipe de futsal feminino de Ubatuba que desta vez levantou a taça no lugar mais alto do pódio. Nossas meninas sagraram-se campeãs da segunda divisão passando por equipes fortes e na maioria favoritas de todos os jogos. A equipe contou com as seguintes atletas: Maralina, Ana Carolina, Jéssica, Amanda, Helen, Dani, Marina, Thammy. Na competição os bairros do Sertão da Quina e Araribá foram representados por Joyce, Núbia, Suellen, Hingrid e Gabriela. As meninas tiveram orientação do conhecido professor de esportes Pérsio Jordano Monteiro, que foi o técnico da seleção municipal de futsal feminino nestes jogos. “Vale lembrar que nenhuma equipe de todo litoral norte havia sido campeã

dos jogos regionais, apenas Ubatuba havia conquistado prata em 2009 e agora o tão sonhado ouro em 2011”, comenta o técnico campeão. O orgulho está estampado no rosto das meninas e de seus familiares pela conquista histórica e inédita no futsal feminino. A equipe campeã e suas famílias agradecem a colaboração do Mercado Supimpa e Calhas Norte que acreditaram no trabalho e no potencial das atletas. Agradecimentos também ao Secretario Municipal de Esportes Fabio Medeiros e a prefeitura pelo apoio. Confira agora os resultados: Ubatuba 2 x 0 Canas – classificação/Ubatuba 3 x 1 Paraibuna-classificação Ubatuba 3 x 1 Caçapava-quartas de final/Ubatuba 1 x 0 Aparecida–semifinal Ubatuba 5 x 0 Campos do Jordão-final

“É um clima quente e úmido, chove muito aqui em Ubatuba. O solo é argiloso e favorece o crescimento do gengibre”

Amarildo Pazzeli - agricultor

ença e por outro lado o dólar havia caído, foi o pontapé inicial para adaptarmos ao mercado interno, e deu certo. Uma pesquisa da Universidade de Nagasaki, no Japão, realizada com aquela raiz de ardidinho inconfundível, mostra que a raiz atua como um bom antioxidante, antidepressivo, ajuda a prevenir gripes, resfriados, e pasmem, é afrodisíaco. Rico em ferro, cálcio e vitaminas é comum cada vez

mais encontrarmos produtos a base de gengibre. Foram varias as visitas de alunos, estagiários e especialistas a propriedade, que tem montada uma pequena cozinha industrial, onde criam receitas a base da raiz. Entre elas a raiz cristalizada, em conserva, desidratada. Tem também suco, sorvete, biscoito e suspiro além de boas novidades que vem por aí. Vale a pena conferir estas delícias.


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Pesquisadores registram duas espécies de aves nunca avistadas em Ubatuba As espécies foram vistas em área de recuperação do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Picinguaba, base Cambucá ALINE REZENDE Uma equipe de pesquisadores da Ong Dacnis está realizando o levantamento da avifauna presente no Sertão do Cambucá, uma área de recuperação na região norte de Ubatuba, que faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar - Nucleo Picinguaba, administrado pela Fundação Florestal. Em dois meses de trabalho, o resultado já foi considerado surpreendente. Cerca de 170 espécies de aves foram registradas, sendo que duas delas nunca haviam sido avistadas antes em Ubatuba. São elas: a águia-pescadora (Padion haliaetus) e o mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps). O levantamento se estenderá por dois anos e a expectativa, segundo os pesquisadores, é chegar a 300 espécies nesse período. O objetivo da pesquisa, entre outros, é oferecer subsídios para que seja traçado um plano de manejo para a região, considerando que as aves são espécies bioindicadoras, ou seja, são capazes de revelar a qualidade do ecossistema, os impactos sofridos e os caminhos para a recuperação do meio ambiente local. Para tanto, os pesquisadores fazem registros fotográficos e sonoros, por meio da observação direta do animal em liberdade, além de considerarem outros vestígios, como fezes, ninhos e pegadas. O Sertão do Cambucá é um ambiente que sofreu degradações por conta de uma fazenda que existia no local, onde era feita extração de areia e criação de búfalos. Hoje, o local é administrado pelo Pesm-Picinguaba e, além de ser uma área de recuperação, serve de base para pesquisadores dos

mais diversos assuntos. Segundo o pesquisador Edélcio Muscat, em apenas dois meses de pesquisa, a quantidade de aves avistadas no Sertão do Cambucá demonstra que o ambiente tem uma excelente capacidade de regeneração. “O Sertão do Cambucá está se mostrando um paraíso de fauna e flora. Apesar de ter sofrido interferência e degradação humana por vários anos, o local possui um ambiente salutar e grande potencial faunístico.” A grande diversidade de espécies encontradas no Sertão do Cambucá, inclusive as duas aves que nunca haviam sido avistadas em Ubatuba explica-se, segundo os pesquisadores, pelo fato de ser um espaço geográfico relativamente pequeno, com características distintas. “O pasto desativado, o lago, a mata primária... Essa diversidade de ambientes cria condições especiais de alimentos para a ocorrência dessas espécies”, explica o coordenador de campo da pesquisa, Carlos Rizzo. “Temos esperanças de muitas surpresas pela frente. Encontrar espécies nunca avistadas na região é uma grande realização. Equivale a um gol em campeonato importante”, entusiasma-se. Pesquisa com viés popular A Ong Dacnis está sediada em Ubatuba e tem como enfoque de trabalho a defesa da Mata Atlântica e de seus habitantes. Por esta razão, o grupo desenvolve projetos que focam não somente o estudo de espécies da mata, mas também envolve as comunidades locais, considerando o conhecimento popular como algo de extrema importância

A águia-pescadora foi registrada em pleno ar - Fotos Elsie Rotenberg

para as pesquisas científicas. Segundo a presidente da Ong Dacnis, Elsie Rotenberg, a ideia é desenvolver na comunidade a valorização da Mata Atlântica como amiga da população e não um estorvo, algo a ser destruído. “O uso do saber popular aliado ao saber científico possibilita um trabalho que pode inserir os jovens e adolescentes em um mercado de trabalho ecologicamente correto. Esta é uma de nossas metas: Traçar caminhos educativos para criar fontes de renda não extrativistas.” Para Carlos Rizzo, que desenvolve um trabalho de capacitação para guias de observação de aves nas comunidades de Ubatuba, este tipo de pesquisa é de grande valia. “Os resultados da pesquisa científica e desse levantamento da avifauna são revertidos imediatamente para a comu-

Mergulhão-caçador ainda jovem encontrado no lago do Cambucá

nidade. Estamos conseguindo transformar ex-caçadores em guias, dando a eles uma forma de continuar vivendo no Parque sem serem tratados como criminosos ambientais. O conhecimento extrapola as paredes da sala de aula e leva as pessoas ao contato pacífico com a natureza, com possibilidade de emprego e renda.”

A sede da Ong Dacnis está situada em uma propriedade de 169 mil m² no bairro do Rio Escuro. A casa-sede e a oficina estão em reforma e serão oficialmente inauguradas em breve, mas já podem ser visitadas. Para saber mais, entre em contato pelo e-mail: dacnis@dacnis.org.br ou por telefone: (12) 9158-0521.


20 Agosto 2011

Mulheres do Bonete desenvolvem projeto de resgate do etnoconhecimento EZEQUIEL DOS SANTOS Intitulado de Projeto Saíras, mulheres da Praia Grande do Bonete desenvolvem um projeto de resgate da cultura, do conhecimento e da auto valorização feminina. O projeto começou com uma conversa informal entre a professora Ana Rosa, a arte-educadora Ana Carmem Nogueira e a psicóloga Vera Maria Ferreti. Muito bem desenvolvido ele trata da cultura local, da identidade própria e da transmissão do conhecimento. Outra importância foi a de as atividades terem caráter voluntário e a maioria das peças adquiridas de várias formas, desde doação até a compra direta. Sendo uma comunidade quase isolada, com acesso só por barco ou a pé, é difícil saber dos reais interesses de seus moradores. As facilatadoras-colaboradoras tiveram, em principio, a preocupação de não haver adesão das mulheres, mas o sucesso é crescente e tem recebido propostas de mais participantes. Atualmente o grupo possui 15 integrantes e vai para 18. As atividades também envolvem o trabalho da valorização enquanto esposas, mães, filhas e pilares do ambiente familiar. Lá elas compartilham suas angustias, suas necessidades, suas experiências, anseios e possibilidades. Também desenvolvem trabalhos artesanais, já que muitas se descobriram em suas habilidades. No dia da visita do JMN, as mulheres mostraram trabalhos com costura e retalhos, idéia surgida por conta delas realizarem estas atividades cotidianamente como o reparo das roupas dos filhos, dos esposos e delas próprias. A proposta agora é transformar como produto para geração

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de emprego, renda e reconhecimento. Na realidade cada retalho produzido e costurado retrata um pedaço da historia destas mulheres de fibra. É um pedaço significativo da formação daquele povo que, por vezes, se confunde com a formação da nação brasileira, e que, até o momento, não vem sendo reconhecido. Para as facilitadoras trata-se de um aprendizado e tanto. “Cada dia um presente para nós”, comenta Vera. O interessante é que elas aprendem juntas e desenvolvem mecanismos que facilitam o convívio naquela comunidade. O trabalho é pautado no respeito à regionalidade cultural, educacional e social, por isso é bem aceito por todas. Fora do traba-

lho, elas se reúnem uma vez por semana para tratar dos assuntos e resolver as coisas entre elas. Os trabalhos contam com tarefas a serem resolvidos em casa. Por conta dos trabalhos realizados, as mulheres do Bonete transformaram-se em um grupo forte, organizado e atuante, servindo hoje de exemplo a muitas pessoas. Depois de muita pesquisa o nome escolhido entre elas foi o Saíras. Segundo elas é por conta de andarem em bando, juntos. O slogan ficou mais ou menos assim: “Em bando por um bem comum delas e pela comunidade”. A ave escolhida -como logotipo- está estampada no peito nas camisas brancas que elas vestem com muito orgulho.

Novo Raio-X só chegará em setembro na Santa Casa e exame segue restrito às emergências SAULO GIL A Santa Casa de Ubatuba informou na última quinta-feira que as radiografias realizadas no hospital seguem restritas aos casos de urgência e emergência. No início de julho, o principal equipamento público de Raio X da cidade quebrou e, segundo a gestão da entidade, o defeito não apresentou possibilidade de reparo. Mais de um mês depois do problema, os pacientes seguem encontrando dificuldades para a realização dos exames e a solução ainda deve demorar cerca de 45 dias. Isso porque, o único aparelho de Raio-X que atende de forma pública os munícipes ubatubenses tem um potencial reduzido e corre o risco de apresentar defeitos em caso de utilização constante. “Infelizmente, temos de aguardar a aquisição e instalação de um novo equipamento, pois, se começarmos a fazer todos os exames nesse aparelho menor, podemos ficar sem nenhum e aí teríamos um problema muito mais grave”, explica o gerente de relacionamento da Santa Casa, Clovis Rotth, que espera a normalização do atendimento para o próximo mês. “O novo aparelho já foi licitado e a aquisição está em andamento, mas é preciso respeitar os ritos necessários. Além disso, teremos de esperar que uma equipe especializada realize a instalação do equipamento aqui no hospital. Acredito que em 45 dias já teremos tudo pronto e o novo Raio-X funcionando”, prevê o representante da Santa Casa de Ubatuba.

No entanto, mesmo com as impossibilidades e restrições anunciadas, os Postos de Saúde da cidade seguem encaminhando os exames para a Santa Casa de Ubatuba. A reportagem confirmou a situação em um PSF da região Sul. “Nós continuamos mandando para a Santa Casa. A gente sabe do problema lá, mas não podemos deixar de atender aqui”, disse a funcionária de uma Unidade do município. A gerência de relacionamentos do hospital admite os problemas com a demanda e diz que muitos pacientes só encontram uma solução mais rápida no meio particular. “É uma situação temporária, mas quem quer um diagnóstico mais rápido está realmente procurando clínicas particulares para realizar o Raio-X. Quero até aproveitar para esclarecer que os exames realizados pela empresa terceirizada não tem nada a ver com a Santa Casa. Eles só utilizam as dependências do hospital, mas o aparelho é particular e não está sendo utilizado em nenhum atendimento do SUS”, completa Clovis Rotth, explicando a situação dos conveniados e particulares. Fonte: Imprensa Livre


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Praia Dura: riqueza de encher os olhos e o coração EZEQUIEL DOS SANTOS A Praia Dura tem seu acesso pelo Km. 68 da SP-55 com cerca de 20 Kms. do centro, já foi composta de uma comunidade atuante, principalmente anterior às décadas de 60. Havia ranchos de canoas, roças, jundú, araçás, laranjas, bananais e em seu canto uma venda armazém, que em sua maioria realizava o mucambo, a troca de mercadorias. Por ali passava muita gente que vinha do planalto, da cidade e dos bairros costeiros e dos sertões mais ao sul. O local tem seu nome pelas condições em que se apresentam suas areias. Trata-se de uma faixa continua de areias limpas, duras uniformes e muito concentrada. É uma das poucas praias que possui esta característica. No local é quase impossível fazer algum castelo de areia. Sua faixa de areia adentra suavemente o mar como num combinado natural aconchegante. Esta característica faz com que seu visitante caminhe muitos metros adentro para ter a água pela cintura. No seu canto esquerdo deságua o Rio Escuro, que vem das varias nascentes de seu sertão. Ë um dos mais belos deltas que Ubatuba possui. É sem duvida uma das mais belas paisagens abertas ao público neste território municipal. A praia não mudou muito, mas sua faixa sofreu interferência quando na construção da rodovia, da ponte e da especulação imobiliária, que ainda sofre. Existe ainda um grande mangue de rio navegável. Na maioria do tempo, proporciona uma viagem ao inexplorado passado Tupinambá. Uma particularidade é a areia de baixa radioatividade chamada

de monazítica, comum no lugar procurada por varias opções de tratamento. Assim como o canto da Lagoinha, a Praia Dura oferece também a visão do majestoso, misterioso e imponente Pico do Corcovado. Esta praia deveria se chamar praia mansa por sua calma. De águas quentes, na maioria do tempo, ela proporciona banhos relaxantes, esportes náuticos, pesca e

nada. Isto mesmo nada, apenas sentar-se em uma cadeira e apreciar a natureza. O local é mais indicado para famílias. Sua forma abobadada compõe a enseada de Fortaleza, formando um conjunto arquitetônico natural que só a criação divina pode executar. Considerada segura é comum a observarmos do continente para o mar, mas quem pode já realizar a experiência contraria

nota sua mejestuosidade quando ao desembarcar em suas areias. Imaginem como foi na época das caravelas e índios locais. Nesta praia é possível a pratica do surfe, mas só quando acontecem as ressacas quebrando ondas grandes em seu canto esquerdo. Ë lá que fica a trilha que leva à praia da Barra ou Palmira. A praia é desprovida de quiosques, estacionamentos, ambu-

lantes, sombras de amendoeiras. De suas areias é possível perceber ela cercada de verde, de cheiros e sabores nativos. A primeira impressão já é possível perceber que é uma praia muito bonita. A faixa do jundu hoje é habitada por um condomínio de alto padrão de frente para o mar. Este conjunto de luxo dificultou o acesso a praia, mas é possível alcançá-la sem maiores problemas.


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Local tinha outros sentidos para a população caiçara O local já possuiu outras riquezas, antes das “demandas” de terras e seus capangas, tão conflituosas no passado. A regiao já foi muito atrativa por suas belezas históricas e culturais. Muitos moradores já passaram por ali e presenciaram as belezas culturais de que Ubatuba possuiu. Para um povo que não tinha o dinheiro como seu modo de vida, bastava ver o entardecer na praia, acordar as quatro da manhã para pescar com os compadres, repartir em quinhão os pescados ou trocá-los por farinha ou banana. Era de um povo que vivia da caça, da produção e da coleta. Para as festas vinham gente de todos os lugares, vinham a pé, de canoa, a cavalo, principalmente por conta de seu carnaval. Era João Diogo quem organizava o carnaval na Praia Dura, segundo o caiçara Sebastião Pedro de Oliveira, todos tomavam banho de pó de café e goma (polvilho de mandioca). Na época os homens, sem a “poca-vergonha” de hoje, vestiam-se de mulheres e as mulheres se enfeitavam para dançar ao som das violas caboclas, comenta Tião Pedro. Enquanto os homens pescavam madrugada adentro, as mulheres se preparavam para buscar os pescados com seus samburás. O local já teve fábrica de tamancos confeccionados em caxeta, madeira macia, também exportada para fabricação de lápis. Até histórias de bruxas haviam por aquelas bandas. Sabe-se que foi um trecho de muita importância na formação do município. O rio, que foi considerado as vias de acesso do passado, já

foi muito mais utilizável. Existem muitas historias que contam trechos deste magnífico lugar, que tinha movimento e sentido para a população caiçara. Atualmente trata-se de uma cultura de paisagem e que os olhos vem apenas uma parte de suas belezas, as verdadeiras visões ficaram no passado, mas sabemos que por conta disso ela ainda é tão bela e cobiçada.

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Região Sul no Conselho Estadual da Comunidade Negra e Indígena

EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 5, Ubatuba se fez representar no Conselho Estadual de Participação do Desenvolvimento da Comunidade Negra e Indígena na capital. O evento aconteceu no auditório Ricardo Alvarenga Trípoli na sede da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e contou a presença de 35 participantes, sendo 29 votantes. O litoral paulista estava bem representado com conselheiros das cidades de Guarujá, São Vicente, Santos, Caraguatatuba e Ubatuba. A abertura foi realizada pelo ex-presidente do Conselho Dr. Antonio Carlos Arruda e pela secretaria estadual Eloísa de Souza Arruda que deu início a 1ª reunião ordinária de trabalho. Dentre os conselheiros está Antonio Antunes de Sá, Presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo da Caçandoquinha e membro do tucanafro municipal. Para o Conselho trata-se de um marco histórico, pois é a primeira vez que o colegiado tem uma representação quilombola e indígena ocupando uma cadeira. Para a

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secretaria Eloísa “a representação quilombola é um marco nos avanços dos trabalhos em favor das comunidades negras e indígenas, dando mais dinamismo e características próprias às propostas a serem apresentadas e implantadas a estas comunidades”. Frisou ainda de que o governador Geraldo Alckmim-PSDB dará maior atenção aos conselhos estaduais. Finaliza a fala colocando de fato a secretaria a disposição das comunidades negras e indígenas. A eleição para a nova diretoria tranqüila e vencida pelo advogado Marco Antonio Zito Alvarenga. O novo presidente do Conselho é procurador federal – carreira que passou a integrar por concurso público -, tem 58 anos, casado, três filhos e é avô de dois netos. Para a vice-presidência, Ivan Renato de Lima, e Sueli Aparecida Gonçalves, para a secretaria. O Conselho é formado por 32 membros, sendo 22 da sociedade civil e 10 indicados por secretarias do Estado, e o mandato é de 4 anos. Antunes aproveitou a oportunidade para realizar vá-

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rios contatos para propostas afirmativas sobre as questões que vem ocorrendo no município de Ubatuba, tanto ao conselho como aos membros do Tucanafro estadual. Nos bastidores foi possível “ventilar” a idéia de proposta para criação de uma pasta no conselho só para as questões indígenas e quilombolas. Outra questão foi à criação dos conselhos municipais da comunidade negra e indígena, que no caso de Ubatuba, teve seu projeto vetado pelo atual prefeito depois da aprovação na Câmara do projeto de Lei do vereador Rogério Frediani-PSDB. O estado de São Paulo detém a maior população negra do país, são 35% da população, cerca de 15 milhões de paulistas negros e indígenas. Participou também do evento o quilombola Mario Gabriel do Prado, Coordenador da Federação dos Quilombos do estado de São Paulo, vice presidente da Associação do Quilombo da Caçandoquinha e presidente da Tucanfro Ubatuba, que também representou o vereador Rogério Frediani neste evento.

TODO MUNDO LÊ. ANUNCIE: (12) 9714.5678

Estatuto do Desarmamento prevê regulamentação da atividade do caçador Legislação-Parte I A Lei Federal 10.826, de 22/07/2003, também conhecida como Estatuto do Desarmamento, entrou em vigor no dia seguinte a sanção presidencial. Antes, porém, foi regulamentado pelo Decreto 5.123, de 01/07/2004 e publicado no dia seguinte no Diário Oficial da União passando a valer naquela data. O Estatuto, sob o titulo de Munição Legal regula, orienta, esclarece sobre o porte o registro de armas, munição, licenças e autorizações em todo o território nacional. Muito bem discutido e elaborado ele trata de Deveres e Direitos dos homens de bem de nossa sociedade. Lá fica bem claro que não mais existem registros fornecidos pelos estados, ficando agora a cargo da Policia Federal as armas de uso permitido e ao Comando do Exército no caso de uso restrito. A lei é clara quando restringe alguns itens a maiores de 18 e menores de 25 anos, mas se tiver arma registrada anterior à lei terá o direito adquirido garantido, não prejudicando o ato jurídico e a coisa julgada. No caso de Registro de Caçadores de Subsistência (Artigo 6º, inciso 5º da Lei 1.826/03 e artigo 27 do Decreto 5.123/04) ou Caçadores Desportistas (Artigo 2º, parágrafo único, da Lei 10.826/03 e artigo 2º do Decreto 5.123/04) existem regras a serem cumpridas para a legalidade. A principio a arma deve ser lícita e legal para ser registrada, com nota fiscal de compra, declaração de próprio punho, testemunha, formal de partilha, recibo, etc. Depois alguns itens devem ser analisados para preencher requisitos ao Registro e ao Porte de Arma para Caçadores de Subsistência. A Lei garante armas de uso permitido (alma lisa) e a aquisição de 200 cartuchos por mês, garante o uso de arma portátil de tiro simples com um ou dois canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16, isto é qualquer

espingarda de cartucho, exceto as de calibre 12. Quem regula a atividade é a Policia Federal através do SINARM (Sistema Nacional de Armas). Os Caçadores de Subsistência estão isentos do pagamento da taxa de registro (artigo 11, inciso 2º, Lei 10.826/03 e artigo 73, inciso1º, do Decreto 5.123/04). Já o Caçador Desportivo deve procurar o Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da Região Militar de seu domicilio, é preciso ser associado a uma associação de caçadores e preencher os requisitos da legislação citada. Este pode possuir 12 armas, sendo quatro de uso restrito. Para quem não caça e tem armas a título de coleção também existe regulamentação, que é através das normas baixadas pelo Exército Brasileiro (Artigos 83 a 93 do decreto 3.665/00, R-15 – Regulamentação para fiscalização de produtos controlados). Em todos os casos existem profissionais competentes e até autorizados para realizar os procedimentos à legalização e regulamentação destas atividades. Todos devem possuir registro e porte das armas e munições, no caso os certificados expedidos pela Policia Federal ou Exército apenas habilita o detentor a adquirir e a legalizar armas e munições destinadas a treinamento, caça, defesa e a prática desportiva. No caso da licença para caça desportiva a autorização para sua pratica depende do Ibama. Para caçadores tradicionais de subsistência a luta é histórica e cheia de altos e baixos, o que vamos ver na próxima edição. Fonte: Companhia Brasileira de Cartuchos, Departamento de Polícia Federal, Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Confederação de Tiro Prático, Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados/Comando Logístico/ Exército Brasileiro.


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Cantinho da Poesia

Sua ausência Sua ausência é o frio de uma noite escura É uma lágrima que me escorre no rosto sem eu querer Sua presença seria a coisa mais pura De todas as coisas que um homem pudesse crer Na distância me vejo e me sinto sozinho A procura de um sol que aqueça meus dias Como pássaro errante a procura de um ninho Preenchendo com seu sorriso minhas noites vazias É bom sonhar um sonho impossível Tentando transformar o sonho em realidade E escrever das histórias aquela mais incrível Na vã tentativa de tornar o sonho numa verdade Manoel Del Valle Neto

Eu Te Amo Meu amor por ti é tanto, tanto, tanto que as vezes não sei se gosto tanto assim, Quando, entretanto tu imaginas o significado do meu pranto As vezes tento te esquecer, na maioria das vezes é impossível, pois o que sinto por Ti é inexplicável. Tudo me faz lembrar você e raramente me engano. Eu? Eu simplesmente Te Amo. Wellington Gomes de Oliveira

A luz que brilhava além da conta, contada por gente simples CRISTINA DE OLIVEIRA Era comum em famílias simples os pequenos sentarem-se a soleira da porta e ouvir as histórias dos mais velhos que eram passados por gerações. Por vezes me peguei divagando sobre os “causos” que ouvia de minha mãe. Muitas delas me despertavam os sentidos, outras me colocavam a questionar sobre o mistério dos acontecidos. Um deles ainda me chama a atenção, foi um ocorrido lá pra meados de 1950, tudo aconteceu em um sítio pras bandas de Vargem Grande. Era um pequeno casebre de pau-a-pique que ficava na parte de cima de uma encosta que circundava o Rio dos Bagres, todo o terreno era um capinzal só acompanhado por moitas de pé de Cambará. Atrás da casa o galinheiro, um cercado onde eram criados os porcos. Amarrado a um pé de Ingá um velho bode que acompanhava a família há anos. Era uma tarde quente, céu sem nuvens, no ar apenas uma leve brisa vinda do capoeirão logo acima de onde moravam. Vovô foi levar um feixe de lenha, uns rolos de fumo, óleo de “bicuíba” pra lamparina, tudo pra vender na cidade. Com o dinheiro iria comprar peixe seco, sal e “fórfi” (fósforo). Vovó ficara com os filhos, tinha de terminar umas encomendas de esteiras e cestos. Lá pelas tantas, preocupada com a demora do companheiro, senta na soleira da porta com as filhas para rezar o terço e tomar uma “fresca”. Na história, minha mãe relatou que era noite escura como “breu”, céu “apinhado” de estrelas, noite de calmaria.

De repente, sem mais nem menos, em um ponto no céu aparece uma luz forte, bota forte nisso! Todas pensaram que era uma estrela maior que brilhava além da conta, lhéi só! Ou algo assim. Então ela foi descendo e tomando a forma de um grande ovo. Assustadas como estavam não se mexiam, ficaram paralisadas observando aquele objeto estranho e não identificado chegando mais perto, deu, segundo elas, para ver que abriu umas portas ou algo assim. O ovo parecia agora o formato de uma grande cruz em meio a claridão que possuía. A luz era tão intensa que iluminava todo o sapezal assustando os bichos que estava atrás da casa. Mamãe dizia que dava para ver tudo como se fosse dia. Depois de observar aquele “tróço” estranho minha avó começou a rezar. Aquele

“tréco” brilhou por dez minutos e depois começou a se fechar, transformou novamente em um ovo e subiu, sumindo em meio as estrelas. Aquela sem dúvida foi uma longa noite. Assim que surgiram os primeiros raios do dia, vovó correu à cidade e lá “assuntou” com todos que via e conhecia, o conselho que recebeu foi para esquecer o que viu, ficar quieta sobre o assunto, não mais falar do ocorrido e assim infelizmente se “assucedeu”. Mas este não é o único caso em nossa história de uma luz visitando nós rélis mortais. Muitos outros “causos” aconteceram por aqui e não foi há muito tempo não. Neste caso a televisão se encarregou de sumir com os “causos” de verdadeiros brasileiros, daqueles respeitosos que a “forma” que os fabricou foi quebrada ou jogada fora.


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Edson Lima Melchior (Bengala) EZEQUIEL DOS SANTOS Natural da cidade de Guarulhos, Bengala nasceu em 12 de outubro de 1956, pra Ubatuba veio em 14 de maio de 1974. Aqui chegando logo tratou de fazer amigos. Bengala conseguiu uma casa de caseiro onde viveu até os últimos dias. Apaixonado por esporte sempre acompanhou os eventos, principalmente os que trataram de futebol. Quando jovem, recebeu o apelido do Senhor Benedito Euzébio de “Bengala” por conta de ser cumprido, magro e muito branco. Foi na realidade uma forma carinhosa de apelido e que ficou conhecido até seus últimos dias. Bengala vivia ajudando as pessoas, muitas vezes tirou de seu próprio bolso para não deixar ninguém passar necessidades, atendia a família de conhecidos e desconhecidos. Atuante, preocupado com o futuro da garotada fazia de tudo para que os campeonatos dessem certo. Enquanto estivessem dentro das quatro linhas do campo não estariam “fazendo besteiras”, dizia. Edson foi casado com a Sra. Sonia Maria Oliveira Melchior, pai de dois filhos: Elisângela Aparecida Melchior e Cristiano Robson de Oliveira, Bengala tinha duas paixões: a família e o futebol, que o projetou positivamente. Trabalhou muito para sustentar a família, suas principais atividades econômicas eram as pinturas e as jardinagens. Quem o conhecia achava que ele tinha tempo só para o futebol, mas não é bem verdade, o futebol o projetava para unir as pessoas e a família entendia seu papel social. Para dar bom exemplo dizia que o futebol havia o transformado em homem de verdade, daqueles que não precisava roubar e nem fazer algo que Deus não gosta. Edson era apaixonado assumido por Ubatuba. Achava seu município lindo e maravilhoso. Num passado recente tentou a candidatura a uma cadeira no legislativo, não venceu, também não desanimou, para ele a vida continua. Homem humilde era comum vê-lo de bicicleta ou a pé, não tinha vergonha de

ser simples, aliás isto não era defeito e sim qualidade. Era o homem que vivia para o “ser” e não para o “ter”, por isso era muito respeitado. Não se sabe de ninguém que havia conseguido extorqui-lo ou comprá-lo com promessas. Em 1996 fundou o Esporte Clube Marissol, dedicando-se a sua vida ao esporte e ao resgate da cidadania tendo o futebol como pano de fundo. Assumiu também a presidência do Esporte Clube Maranduba, aonde lutou por melhorias à seu campo na Avenida do Engenho, próximo a Regional Sul.

Continuou sua vida dedicando-se ao esporte e a juventude, muitas vezes largava seus afazeres para ir depressa ao campo saber quem lá estava. Chegando abria um sorriso, era os alunos do professor Pérsio com suas crianças. “Pode ficar aí o tempo que quiser Pérsio”, dizia Bengala. Contente subia na bicicleta e ía continuar seus trabalhos, sabendo ele que outros assumiram a molecada. Bengala ao que se sabe foi bom pai, bom filho, bom amigo. Na arte da simplicidade, humildade, sinceridade e honestidade foi bom professor. Dedicado dentro das suas limitações fazia o possível para que as coisas tivessem resultados positivos. Tinha defeitos e muitas qualidades como qualquer homem. Quantas vezes havia quebrado a cabeça que, sem dinheiro, tinha de resolver alguma coisa da noite para o dia. Foram varias as suas empreitadas para o sucesso alcançado, mesmo que tímido. Bengala era um verdadeiro

O homem do esporte

homem do povo, pois fazia tudo sem esperar nada em troca, gostava de ver as coisas resolvidas e a felicidade do atendido estampada no rosto. De repente os amigos souberam que ele havia ido para o hospital enfermo, depois não se via mais o Bengala ao lado dos campos de futebol do município. O que será que havia acontecido com Bengala? Infelizmente um câncer o havia consumido e o deixado muito debilitado. Varias foram as visitas realizadas pelos amigos, principalmente daqueles que havia ajudado. Nos seus últimos dias, no hospital, comentou com uma amiga da felicidade que sentia em saber da quantidade de amigos que fizera e que reconhecidamente o estavam ajudando. Parecia que sua vida era um teste para o dia final, pra ver se valeu a pena ser e não ter. Ao que tudo indica valeu a pena. Edson representa hoje uma imensa perda para a comunidade de Ubatuba, para a vida pública, esportiva e social do Município, bem como para seus amigos e principalmente aos seus familiares. Pode-se dizer que este homem humilde de grande coração, não buscou fortuna e nem fama, mas conseguiu deixar um legado de honestidade e paixão pelo que fazia. BENGALA foi homenageado pela Câmara Municipal com uma Moção de Pesar. Ele é um dos ilustres homens que proporcionou grande bem a nossa terra e a nossa gente. Pela vida cristã deste cidadão exemplar, pela dedicação à família, aos filhos, pela comunidade ubatubense que o adotou e por todos os que o conheceram é que queremos prestar nossa homenagem a esse estimado cidadão. Assim sendo, descanse em paz e muito obrigado por me dar a chance de te-lo conhecido e descobrir que mesmo não sendo intimo da família existe sim a saudade. Homem que fará muita diferença na hora de empreender algo honesto, puro e verdadeiro. Que Deus o abençoe e te guarde sempre, pois quem o conheceu quando ver um campo de futebol lembrará de você, amigo de todos.

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Cananéia produz dicionário de vocábulos e expressões caiçaras

EZEQUIEL DOS SANTOS Cananéia, SP, fundada em 12 de agosto de 1531 por Martim Afonso de Souza no litoral sul de São Paulo lançou recentemente um pequeno dicionário de vocábulos e expressões do povo formador do país. Trata-se de um registro muito rico do modo de falar dos caiçaras. O trabalho, considerado pelo autor como “pequeno dicionário”, traz palavras que atravessaram os séculos de nossa história e junto a ela vem todo um modelo de vida, um saber, uma forma de interatividade com os quatro elementos da natureza, que o homem acrescentou a ela o quinto elemento - O Divino. É o resultado de um trabalho de pesquisa iniciado em 1987 junto aos cidadãos mais antigos de Cananéia. O leitor irá se deliciar com os muitos vocábulos comuns em todo o litoral do Brasil, muitos deles ainda são usados por aqui de forma diferente, mas com mesmo sentido. A obra foi devidamente registrada sob nº 377.947-Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura. O autor Edgar Jaci Teixeira tem recebido muitos elogios sobre esta brilhante obra. Para não ficar com água na boca o JMN vai publicar, em cada edição, trechos do dicionário acompanhando a ordem alfabética.

A GARNé - ( loc. adv.) - a granel , a rodo ; em grande quantidade ; de montão; “Dessa fruitinha tem a garné, tem a rodo” A MóDE -(adv.) - como; igualmente, tal como; “troxe arguma coisa a mode assim de um cestinho” A MUQUE - ( loc. adv. ) com a força dos braços e das mãos; à força bruta. “a mandioca, a tár da rama que dizem né, a gente ranca a muque e cavoca c’a chibanca” A PODER DE - ( loc. prep.) – ( a podê de ) ; às custas de, com o auxílio de; “faiz vinte ano que tô criando meus filho tudo só a podê de roça, vivendo só de roça.” ABANáR - (v. t.) – ( abaná ) ; refrescar movendo alguma coisa à moda de um abano. “abane c’a tampa da panela ou c’o chapéu quele esfria” ABóBRA - ( s.f. ) – abóbora ABRACá(R) - (v. t. d. ) – ( abracá ); mesmo que abraçar, monopolizar. “Ta querendo abracá o mundo c’as pernas” ACABá(R) - (v.t.) - acabar com; exterminar. “Eu fui pegando as galinha e fui acabando cum tudo; acabei cum tuda raça de criação” ACANHAMENTO - ( s.m. ) falta de desembaraço; timidez. ACUá(R) - (v.i./t.) - ação dos cães que atacam a caça, seguindo pelo faro, acossando- a. “escuite só ganiço do cachorro; tarveis seja caça que ele acuo” AÇúCA, AÇúCRA - (s.m. ) açúcar. ADESPOIS - (prep.) - depois. “adespois de amanhá.” ADONDE - (adv.) - onde; aonde. “a gente não tem adonde ponha” AFINCá - ( v.t.) - fincar . AFUÇINHá (R) - (v.t.d.) – cair de cara no chão, enfiar a

cara em alguma coisa. AGARRAMENTO - ( s.m.) apego excessivo; bolinação; carícias entre namorados. “más que pôca vergonha o agarramento desses dois” “ Esse minino é munto agarrado com o avo” AGáTE - ( s.m. ) – ágate: um espécie de ferro esmaltado, usado para fazer utensílios de cozinha. AGóRA-AGóRA - ( adv. ) mesmo que agorinha. “Saiu daqui inda agora-agora” ÁGUA BORICADA - ( s.f.) - remédio composto de água com ácido bórico. ÁGUA DE BARRELA - ( s.f.) - diz-se do café fraco. “fomo obrigado a tomá aquela água de barrela que a mulhér feiz prá nós” ÁGUA DE CHEIRO - ( s.f.) perfume ; extrato. “que qualhidade de água de chêro o sinhor tem pra vendê” AJUNTADO - ( adj.) - amigado; amancebado. “Largô da mulher prá se ajuntá c’a filha de Inácio” AJUTóRIO - ( s.m. ) - espécie de mutirão. “dumingo andêmo aloitando no ajutório de compadre Juão Caratinga “ AJUNTAMENTO – (s.m.) espécie de mutirão que dura o dia inteiro, mas sem fandango, sem Dança. ÁGUA-VIVA - ( s.f.) - nome vulgar das medusas. ALá - ( interj.) - olha lá. “alá a lancha da carrêra chegando, lá “ “ alá ó, tá vendo aquele negocinho branco aboiando alhi perto da quebrança ? ALAGá(R) - ( v.t.) - naufragar; inundar; cobrir de água. “virô a canoa? Intão alagô-se, ora seja por caridade “ ALARIDO - ( s.m. ) - gritaria; barulho. ALHI - ( adv.) - mesmo que

ali. “pode ponhá alhi “ ALIDá(R) - (v.t.) - trabalhar com; labutar com . “tem gente que alida com treis, quatro tipití de cada veiz“ ALINHAGEM - ( s.m. ) aniagem; tecido grosseiro de juta para ensacamento. ALISá(R) - (v.t.) - amansar; acalmar; aplainar. “ O vento carmô e o mar tá alisando “ ALOITá(R) - ( v.t. ) - lidar com ; estar aos boléus com. “ Juão tá lá aloitando c’a roça.“ ALUMIá(R) - ( v.t.) - iluminar. AMANCEBADO - ( adj. ) amigado; que vive amasiado. AMANHá - (adv.) - amanhã. AMANHá DE MANHá - ( adv./s.m.) - amanhã de manhã ; pela manhã. “ amanhá de manhá, bem cedinho ” AMARRANDO - (v.t.) - diz-se do gosto ruim que o tanino da fruta verdolenga deixa na boca. “Essa banana tá verde quíra ainda, tá amarrando na boca.” AMBORê - (s.m.) - espécie de peixe usado como isca , que vive em tocas e entre pedras. AMIGADO - (s.m. ) - mesmo que amasiado, amancebado. AMOLá(R) – ( v .t . d. ) – “ amolar os instrumentos“ ; mesmo que afinar os instrumentos de corda. ANCA - (s.f.) - quadris, cadeiras. ANDANTE - (adj.) - mendigo errante; andarilho ; fugido. “ durma aí senão o andante pega você” ANIQUIM - ( s.m. ) - anequim; cação de cor cinza clara, tido como um dos mais ferozes do grupo, atacando tudo que encontra pela frente. Mede de 6 a 7 metros. “ O tár do aniquim é pirigoso como seja a tinturêra; eles tira um home da canoa fáci, fáci “


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Retrato fiel das mutilações, assassinatos e torturas a negros EZEQUIEL DOS SANTOS Antes da Lei Áurea sabemos que eram mais comuns os maus tratos aos negros escravos. Eram castigos físicos extremos. Um dos mais fiéis retratos destas crueldades foi reproduzido pelo italiano Ângelo Agostini (1843-1910). O artista chegou ao Brasil em maio de 1859 aos 16 anos vindo de Varcelli, no Piemonte. Ele havia estudado desenho e pintura em Paris, na época a imprensa ilustrada engatinhava. O artista foi o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado, considerado um ícone da história em quadrinhos no mundo e do jornalismo ilustrado, chique para a época. Foi responsável pela produção de “Scenas da Escravidão”, obra esta que surpreendeu a corte e as províncias, foram publicadas até nos Estados Unidos. O retrato de Agostini da crueldade aos negros do Brasil ainda é lembrado por historiadores e especialistas de que apenas setenta anos depois das figuras retratadas, as mesmas cenas foram revividas nos campos de concentração do regime nazista. As imagens do trabalho são impressionantes nas riquezas de detalhes, revelam casos documentados com datas, nome e sobrenome de quem participou das atrocidades. Na época em que o analfabetismo no Brasil era de 80% da população, a revista que publicou as imagens era chamada de “Revista Ilustrada”, com tiragem de quatro mil exemplares, um recorde para época. O periódico possuía oito páginas sendo quatro de textos e quatro de ilustração em tamanho 26,5 cm por 36,5 cm e existiu entre 1876 a 1895. Numa época em que a fotografia não era impressa em papel, o realismo dos desenhos impressionava. Reproduzimos pra você o desenho de duas adolescentes es-

pancadas e publicadas em 18 de fevereiro de 1886, na qual se refere de que o fotografo Heitor tirou o retrato das infelizes e copiados por Agostini a lápis em suas páginas. No texto era explicado que as duas escravas, Eduarda, 15, e Joana, 17, “habitavam, com sua proprietária, a Exma. Sra. D. Francisca de Castro, o aristocrático bairro de Botafogo”. A história prossegue dando detalhes dos castigos sofridos pelas duas: “As pancadas brutais reduziram os olhos (de Joana) a duas postas de sangue, a testa apresenta o aspecto de um tumor, as cartilagens do nariz estão quebradas (...), enfim estes rostos juvenis estão mutilados em todos os sentidos”. Depois de noticiar a morte das duas, o texto finda a matéria lamentando o fato de que “durante anos, este martírio inconcebível ficou fechado entre quatro paredes de um quarto”. O pior é que depois de nove meses, em 6 de novembro a noticia de que a justiça, que parece ser igual a de agora, por unanimidade resolve absolver Francisca

de Castro. Na edição 29 de outubro de 1887, narra a fuga de 150 escravos das fazendas de Capivari-SP. Os escravos venceram dois contingentes da polícia. A fuga era para Santos onde 15 foram recapturados. A este caso o seguinte comentário: “Apesar de todos os horrores, não se vê um senhor nas prisões do Estado. Em compensação, elas estão cheias de infelizes que se revoltaram contra seus algozes. Santa Justiça!”. Vários outros desenhos foram publicados, graças a este ítalo-

-brasileiro temos a exata noção da realidade do que acontecia com os negros no Brasil. Os dados mostram que a luta dos negros não era por tendência, moda, mas para defender o patrimônio mais importante que conhecemos - o direito a vida e a liberdade. Sabemos que não mudou muito, temos a vida, a liberdade não sei. O que você acha? Agostini retrata as várias facetas dos ricos poderosos da época em forma de um ditado que conhecemos bem: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. A crua e nua realidade ainda é desta forma, a “justiça” e os “poderosos” não mudaram muito, ou quase nada. Tem muita gente que ainda não reconhece o sofrimento alheio, alguns inclusive não reconhecem a luta travada por seus ancestrais, vivem olhando o próprio umbigo e esquecem de erguer a cabeça pro certo e verdadeiro criado à custa de muito sangue, suor e lágrimas. Graças a Agostini não dá para pular a história de um povo que literalmente construiu o Brasil e ainda assim sofre muito. Por que não respeitar um povo que deu o sangue por nós. E se fosse da sua família? Fonte: Folha de São Paulo


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Coluna da

Curtas Maranduba em foco

Adelina Campi

Ser chique sempre

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida. Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio. Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta. É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É “desligar o radar”, “o telefone”, quando estiver sentado à mesa do restaurante, pres-

tar verdadeira atenção a sua companhia. Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite! Chique do chique é não se iludir com “trocentas” plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo... falsidade. Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta. Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour! Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus! Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

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A praia da Maranduba é a que mais oferece atrativos turisticos aos seus visitante do Litoral Norte. Passeios de escunas pelas ilhas, eco-trem caiçara na trilhas da cachoeiras,a luguel de caiaques, passeio de banana boat, toboagua e agora tambem escola de parapente. Possuí aguas tranquilas própria para famílias, tudo para proporcionar momentos inesqueciveis em um dos lugares mais belos do mundo, segundo os próprios turistas que aqui frequentam. O comercio local completo se esforça para atender moradores e turistas, tudo isso sem o devido apoio da prefeitura. Temos história encravada na região sul com primeira fabrica de vidro no brasil, as ruinas da Lagoinha, que na minha opinião pouco cuidado e divulgado. A Mata Atlantica Exuberante com sua fauna e flora e sua cachoeirtas que lavam a alma. Temos total condição de ter turismo o ano inteiro mesmo no inverno. Mas o que falta então? Hugo Churros - acredite nesse nome!

Dia dos pais com prêmios do Supimpa Foi realizado no último dia 14 o sorteio do dia dos pais do Supimpa. O sorteio dos cupons foi realizado no interior da loja. Para este processo foram convidados dois clientes que estavam no mercado, uma criança e um adulto. A criança buscou os cupons e o adulto lia, conferia e confirmava o sorteio. Na promoção foram contemplados os seguintes clientes e seus respectivos prêmios: 1º Premio – Ezequiel dos Santos – 1 Sky Livre 2º Premio – José Antonio dos Santos – 1 Bicicleta Monark 3º Premio – Pedro Luiz Freitas - 1 Aparelho de Som Toshiba 4º Premio - Gilberto Ramos da Cruz - 1 Kit Ferrementas 5º Premio – Sidnei Sapatini Ribordin – 1 Kit Boticário A família Supimpa agradece a todos os amigos e clientes que participaram desta promoção. Lembrando que no final do ano tem mais uma promoção. Confira e participe!

Salvem os lambaris Paulo, 28 anos, casado com Sônia, grávida de 04 meses, desempregado há dois meses, sem ter o que comer em casa foi ao rio Piratuaba-SP a 5km de sua casa pescar para ter uma ‘misturinha’ com o arroz e feijão, pegou 900gr de lambari, e sem saber que era proibido a pesca, foi detido por dois dias, levou umas porradas. Um amigo pagou a fiança de R$ 280,00 para liberá-lo e terá que pagar ainda uma multa ao IBAMA de R$ 724,00. A sua mulher Sônia grávida de 04 meses, sem saber o que aconteceu com o marido que supostamente sumiu, ficou nervosa e passou mal, foi para o hospital e teve aborto espontâneo. Ao sair da detenção, Ailton recebe a noticia de que sua esposa estava no hospital e perdeu seu filho, pelos míseros peixes que ficaram apodrecendo no lixo da delegacia. Quem poderá devolver o filho de Sônia e Paulo?



Jornal Maranduba News #28