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Maranduba, 21 de Junho de 2011

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 2 - Edição 26 Foto: Roberto de Oliveira

Poço Verde

Um paraíso conhecido por poucos


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Jornal MARANDUBA News

Editorial

Cartas

Nunca antes em Ubatuba as coisas continuam como sempre foram: em ciclos. Prefeito eleito, euforia dos 100 dias, expectativa com relação ao secretariado, e depois... a coisa empaca. Grandes projetos que deram um impulso no progresso de Ubatuba ocorreram na gestão de Ciccilio Matarazzo, na década de 60. De lá para cá, vem a era dos ciclos. Atualmente vivemos o pior ciclo, pois em dois mandatos os resultados são pífios. Muita coisa deixou de ser feita, verbas foram desperdiçadas ou desprezadas, o atendimento a população deixou a desejar e o turismo vai mal. Navios, Centro de Convenções e outras obras são resultados muito aquém do esperado. O resultado poderia ter sido melhor. O potencial turístico e cultural que Ubatuba possuí, se explorado corretamente, poderia deixar muitas outras cidades no chinelo. Mas infelizmente no chinelo estamos nós. Perdemos para Caraguá, Parati e São Luiz do Paraitinga, citando apenas as vizinhas. Se comparados com outros destinos turísticos, Ubatuba fica na lanterninha. Fatos novos são criados simplesmente para desviar a atenção do que realmente proporcionaria o progresso local sustentável.

Que Ubatuba que nós queremos? Qual nossa real vocação? Será que não tem alguém com competência para administrar de fato nosso município? A realidade está ai. Só não vê quem não quer. Basta dar uma volta pela cidade, pelos bairros, pelas praias para comprovar. Quando se visita as cidades vizinhas, no retorno para Ubatuba fica um sentimento de angústia, de impotência e de revolta diante da realidade local. Agora, faltando 16 meses para as eleições, todo mundo acorda. Obras são iniciadas, projetos são anunciados, secretários são substituídos, tudo parece funcionar uma maravilha. É o ciclo! Tudo isso, e muito mais, deveria ter sido realizado ao longo do mandato (e olha que esse mandato foi duplo). Porque só agora o pessoal acordou? Será que a população de Ubatuba vai cair novamente na pegadinha dos ciclos? Precisamos quebrar estes ciclos e começar a trabalhar de uma forma contínua visando o progresso. Se em outras cidades este trabalho dá certo, porque na terra de Coaquira não é possível? Está na hora de quebrar os ciclos sobre a culpa da Maldição de Cunhambebe. Emilio Campi

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3832.2067 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos e Fernando A. Trocole Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Prefeitura, onde esta você? Sr. Eduardo Cesar, Nós da AMASQ (Associação de Moradores Amigos do Sertão da Quina), queremos saber onde está seu secretariado, pois todas as vezes que convidamos um secretario para uma reunião, agendamos com ele melhor dia e horário, confirmam presença e nos fazem de bobos, nem sequer uma ligação para desmarcar, nos deixam esperando e ninguém aparece. Campeão em nos dar bolo é seu secretario de transito, Arnaldo. Estamos tentando uma reunião com ele e pela terceira vez nos deixa plantados esperando pela presença dele junto com pessoas que convidamos, acreditando na presença dele. Sei que a distancia talvez seja a grande desculpa, mas ele devia considerar que também enfrentei essa distancia para ir convida-lo, tive que aguardar durante um bom tempo para ser atendido por ele deixando meu trabalho, e que durante a campanha eleitoral esta distancia parece não existir porque ai são vocês que precisam de nós. Só ai que nos tornamos importantes, mas vocês deviam se lembrar de que a nossa região é capaz de definir o resultado de uma eleição, devido ao grande número de eleitores, e que o nosso imposto vale tanto quanto o dos moradores da região central, então devíamos ser tão valorizados como qual-

quer cidadão, nem mais nem menos. Então, porque a diferença? Luciano Presidente da AMASQ Agradecimento a PM Nós da AMASQ, Associação De Moradores Amigos Do Sertão Da Quina e todas as associações da região sul, Vila Santana, Maranduba, Lagoinha, Tabatinga, Caçandoca, Rio da Prata, Sertão do Ingá, Araribá, e outras, vem por meio desta, agradecer aos comandantes da Polícia Militar, o sr. Capitão Alexandre de Oliveira Guimarães e ao responsável pela base da Maranduba o Sargento Ademir do Prado, e toda a equipe, pela melhora do trabalho realizado em nossa região. Estamos vendo em nossa região uma presença mais ativa da policia militar, e também a base voltando a funcionar durante um período maior. Antes quando falávamos de região sul parece que estávamos falando de uma região distante 500km hoje vemos que só estamos a 25km de Ubatuba e que nada é impossível basta ter vontade, e fazer. E vocês estão fazendo, e nossa comunidade agradece e queremos contar sempre com a presença de vocês em nossa região, pois juntos sempre podemos mais. Nosso muito obrigado, Luciano Presidente da AMASQ


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Projeto de Frediani prevê área escolar como espaço de prioridade EMILIO CAMPI Aprovado na última sessão de Câmara (14/06) por unanimidade o PL 35/11 que delimita a área escolar de segurança como espaço de prioridade do Poder Público Municipal. O projeto que é de autoria do vereador Rogério Frediani-PSDB, prevê através de ações sistemáticas e previstas em lei que garantam a tranqüilidade das instituições educacionais, dos alunos, professores e pais. A área de que trata a presente Lei abrangerá um raio de duzentos e cinqüenta metros, no entorno da instituição escolar, e deverá estar indicada por placas a serem afixadas nas proximidades. O projeto prevê que a Prefeitura Municipal, num raio de cem metros de qualquer portão de acesso ao estabelecimento de ensino, deverá intensificar os serviços de fiscalização do comércio existente, viabilizar com o apoio da comunidade ou ainda da iniciativa privada, a adequação dos espaços circunvizinhos, a iluminação pú-

blica adequada nos acessos à escola, pavimentação de ruas e de calçadas, poda de árvores e limpeza de terrenos, o controle e, quando possível, a eliminação de terrenos baldios e construções/prédios abandonados nas circunvizinhanças, manutenção de faixas de travessia de pedestres, semáforos e redutores de velocidade, acesso facilitado aos portadores de necessidades especiais, coibir, nos termos da lei, a distribuição ou exposição de escritos, desenhos, pinturas, estampas ou qualquer objeto obsceno, além de controlar o acesso de criança a materiais perigosos, explosivos, bebidas alcoólicas entre outros. Prevê também controle rígido a limites de velocidade, o uso de vias públicas como estacionamento e outros itens a serem definidos pela comunidade. A Secretaria Municipal de Segurança Pública, através da Guarda Municipal será responsável pelas ações de prevenção à violência e a criminalidade nos locais. Embora pareça um pro-

jeto complexo, Frediani explica de trata-se de pequenas ações que juntas podem trazer mais segurança. Fala ainda que estas ações estão abertas a parcerias com a comunidade escolar, a população interessada, órgãos

municipais, estaduais e federais e dá a possibilidade da iniciativa privada participar do processo. “Escola hoje é prioridade pelo simples fato de estarem nossos filhos e os cidadãos que conduzirão o país no futuro, tudo

que for em benefício da escola, dos professores e nossas crianças vale o sacrifício”, comenta Frediani autor do projeto. Falta agora a sansão do prefeito para que o projeto possa de fato ser executado.

Especialistas visitam comunidades sem energia elétrica O professor de engenharia elétrica Mário Kawano, da FEI-Fundação Educacional Inaciana, universidade de São Bernardo do Campo e o especialista em mecânica Irineu Plestch, que monta a parte mecânica das pico-usinas, estiveram visitando comunidades da região sul que não recebem energia elétrica. A solicitação partiu do gabinete do vereador Rogério Frediani-PSDB, que conhece as dificuldades destas comunidades. Kawano foi responsável pela instalação e implantação do gerador de energia elétrica no Sítio São Lourenço, do

quilombola Domingos Crispim, dentro do território da Caçandoquinha. A proposta foi buscar alternativas as comunidades que ainda não possuem energia elétrica em suas casas. São sítios, aldeias, quilombos, casas de pescadores que não tiveram autorização para prover qualidade de vida e um mínimo de conforto aos familiares. Rogério acompanha o sofrimento de quem não possui energia elétrica em casa, além dos que tiveram a energia cortada por questões ambientais restritivas. “Estamos em pleno século XXI, no eixo mais rico da na-

ção e tem moradores vivendo a margem do desenvolvimento em Ubatuba. Não adianta só brigar, temos que buscar alternativa enquanto o sistema convencional não funciona, falta projeto, falta vontade política do governo local”, comenta Frediani. O especialista disse que não trabalha sozinho e que depende de vários parceiros e alunos. No meio cientifico e acadêmico, o professor tem seu nome ligado a vários projetos de desenvolvimento sustentável, alguns com reconhecimentos de defensores da natureza. As comunidades visitadas recebe-

ram muito bem os especialistas e aguardam o resultado dos estudos. O vereador colocou o

gabinete a disposição do professor para outras visitas que se fizerem necessário.


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Alunos de turismo visitam “Gengibre de Ubatuba”

Projeto educacional da escola da Lagoinha rende emoção e elogios da comunidade

EZEQUIEL DOS SANTOS Na manhã do último dia 05, Alunos de Guia de Turismo, do Colégio Tancredo Neves, Centro, visitaram o Sítio do Gengibre da produtora Annie Kamiyama no bairro do Araribá. A visita se deve ao treinamento parte das atividades curriculares do curso. Na ocasião os alunos conheceram os produtos lá produzidos além dos parceiros da propriedade. Os alunos puderam ainda degustar e experimentar as texturas e sabores oferecidos. Foi dada uma breve explicação sobre o produto “raiz” do local - o gengibre, a visita ao local de produção, além das explicações sobre a importância da agricultura familiar inserida no contexto do turismo, principalmente ao rural e ao agroecológico e da chegada relação dos primeiros japoneses a região. Após a visita os alunos seguiram para a Praia da Caçandoca para conhecer o quilombo mais antigo do litoral norte. Acompanhando os alunos esteve o professor Edson Chagas da Associação Ubatubense de Guias de Turis-

EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 27 de maio, a escola municipal Agostinho Alves da Silva da Lagoinha apresentou a comunidade o resultado do Projeto “Viajando Através da Leitura” da professora Otilia Ferreira. Na realidade é um projeto composto de pequenos outros projetos ligados diretamente a criança e que envolve a escola inteira. A idéia principal é despertar no aluno a vontade de ler. O projeto adota a “Parada Cultural” onde a cada 15 dias todos param pelo menos 10 minutos para a leitura. São colocados tapetes e almofadas no chão das salas de aulas e todos se juntam as crianças e aos livros. Sarau Dentro do projeto tem o sarau que é realizado após a escolha do tema. A escola desenvolveu três vezes um sarau, bem aceito pelos alunos. O 1º foi de livre escolha dos alunos, o tema foi relacionado a poesia e a textos de famosos da literatura nacional. Foi montado um palco com som para as apresentações. Devido ao sucesso, no segundo sarau, os alunos deram depoimentos sobre a descoberta da leitura, do prazer e da importância de ler. O tema foi Vinícius de Moraes, onde foi lida sua biografia, cantadas suas músicas e interpretações das letras musicais. Patrono O 3º sarau surgiu do questionamento de dois alunos que discutiam sobre o patrono da escola. Uma das crianças é neta de seu Agostinho Alves e a partir daí foi trabalhado a palavra Caiçara como tema. Começou com uma pesquisa sobre a história do patrono,

mo, velho conhecido do meio turístico e um dos maiores incentivadores da prática no município. Segundo Annie, a propriedade está a disposição dos alunos e professores, basta agendar antecipadamente. CIR: bolsa para alunos O Centro de Integração Rural informa que nove alunos das escolas municipais do bairro do Araribá e Sertão da Quina recebem o Bolsa Escola como forma de colaborar e estimular a prática do que for necessário a aprendizagem e o bom convívio dos alunos com a escola, professores, funcionários e colegas de sala. São entregues a escola R$ 20,00 todos os meses o ano inteiro aos alunos escolhidos. Bazar beneficente O bazar beneficente que foi realizado entre os dias 30 de abril e 1º de maio foi um sucesso. O evento doou toda a renda em auxilio da Santa Casa de Ubatuba, ao S.O.S Japão e ao Bolsa Escola. Parabéns ao CIR e as pessoas que participaram do bazar. Esta parceria foi muito importante as pessoas beneficiadas.

familiares deram depoimento sobre seu Agostinho, houve palestra sobre a vida dele e foi cantada sua música favorita. Nesta temática foi trabalhado outros ilustres como Idalina Graça, a gastronomia, cultura e musicalidade deste tema. Emocionados ficaram os familiares e conhecidos no momento do descerramento da placa e da foto de seu Agostinho, das suas lembranças na palestra e na execução de sua música preferida. À tarde o grupo Caiçarada do artista Mário Gato abrilhantou o evento com músicas regionais. O projeto apresentou encenações, canções, dança, contos, redes de pesca, canoa, remo e finalizou com um delicioso caldo de produtos agrícolas locais, tudo que lembrou a formação histórica, cultural e antropológica dos primeiros moradores da região. Meio Ambiente Foi trabalhado também o tema meio ambiente, um painel e uma maquete representativa foi produzida para o tema. O painel foi todo realizado com material reciclável e lá mostrada o tempo de vida de cada

objeto atirado na natureza, além de informações complementares sobre o dano que isso causa. Já a maquete demonstra toda a atenção, habilidade e respeito com tema escolhido. Com a colaboração do paisagista César e do voluntário José Sebastião foi montada uma estrutura funcional sobre onde está e como é nossa biodiversidade. Até pequenos brinquedos que substituíram os animais foram colocados. Lê tem as representações de restingas, costão rochoso, praia, manguezal, mata de encosta, casa de pau-a-pique, canoa, rancho de pesca e até lixo jogado na praia, o que, infelizmente, é comum hoje em dia. Alguns alunos foram capacitados para explicar aos visitantes sobre a maquete. As plantas utilizadas são reais e não passam de bonsais de espécimes da Mata Atlântica. Foi também recriado um rio e um costão rochoso. O projeto pelo visto caiu no gosto da comunidade, alguns já aguardam o próximo. A diretora da escola, Rosanea Alves, deu todo o apoio e tem trabalhado para concretizar os projetos que beneficiem a todos.


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Frediani convida Lú Alckmin a conhecer realidade das mulheres de Ubatuba

Associação realiza manutenção de caminho centenário e cita omissão da prefeitura

SAULO GIL/IMPRENSA LIVRE

No último dia 3 de junho, o vereador Rogério Frediani esteve com a primeira dama do estado de São Paulo, a Sra. Lú Alckmin, para convidá-la a visitar e a conhecer a realidade das mulheres em nosso município. Na ocasião Frediani falou da existência do PSDB Mulher e das dificuldades em que se encontram as mulheres quilombolas, indígenas, pescadoras, agricultoras e aquelas que vivem em áreas de risco, APP’s, áreas congeladas e sobre o desemprego que ronda o público feminino. Salientou da fala de uma política publica no município eficaz ao atendimento das suas necessidades e que com o PSDB Mulher discute políti-

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cas públicas a este segmento. Por se tratar de um município extenso, com comunidades isoladas, pluriétnico, pluricultural, que recebe pessoas de vários locais do país e que não possui política efetiva as mulheres. Frediani solicitou então a visita de Lú Alckmin a Ubatuba. Para Frediani, sua visita será de grande importância ao município. “É bom que ela veja a realidade ao vivo e a cores em que se encontram nossos munícipes, porque quando solicitarmos algo ela entenderá a necessidade e assim poderá ajudar de forma efetiva na busca de soluções”, comenta Frediani. A 1ª dama ouviu atentamente e lamentou as condições relatadas.

ANUNCIE: (12) 9714.5678 - 7813.7563

Voluntários da Associação do Quilombo Caçandoquinha - União dos Morros -realizaram no último final de semana a limpeza e manutenção do primeiro trecho do caminho Pulso-Tabatinga, uma trilha centenária da região. O trecho limpo foi da Praia do Pulso até a frente do Saco das Bananas. Moradores, turistas e visitantes vinha há tempos reclamando das condições do acesso. Mesmo com o trabalho recente, ainda resta a limpeza da segunda etapa, que será agendada pela associação. Segundo a comunidade quilombola a iniciativa se fez necessária pela omissão da prefeitura em cuidar do local. O associado Marcílio Lopes relata que falou pessoalmente com o administrador regional Moralino Coelho e não obteve resposta. O vereador Rogério Frediani (PSDB) também havia solicitado através de uma indicação na Câmara Municipal a

limpeza do caminho e também não conseguiu resposta. Alegando falta de atenção da prefeitura, 16 quilombolas realizaram o serviço, que durou apenas cinco horas. Quem não trabalhou diretamente com as roçadeiras, enxadas, facões, machados, ajudou a preparar a alimentação que foi desde o café até o farto almoço no centro comunitário. O trabalho que foi feito em regime de mutirão começou por volta de 6h30 e contou com duas roçadeiras mecanizadas, o que adiantou os trabalhos. No trecho havia muitas árvores sobre o caminho e em alguns lugares o mato tornava o acesso intransitável. O caminho tem mais de dois séculos de histórias e remete aos tempos dos primeiros moradores da região. A atividade da associação pode mostrar que, apesar das dificuldades cotidianas, a comunidade mantém os laços fraternais unidos e a tradicio-

nalidade ainda em funcionamento. Tamanha a lembrança e a idade do caminho que a ação de sábado chegou a ser chamada de “jitório” ou “bitirão” por muitas comunidades da região nos séculos anteriores. Essas ações eram trabalhos comuns para uso coletivo e não serviam apenas para as limpezas dos caminhos. Outra preocupação da associação é por conta do uso da trilha para fins turísticos. A comunidade mantém o local e muita gente vem usufruir do caminho sem ao menos manter um contato ou até uma colaboração aos membros da comunidade. Segundo a comunidade, uma parceria para que seus moradores sejam partícipes do turismo que lá é realizado ajudaria no desenvolvimento, na geração de emprego e renda e na valorização de todo o esforço de que os quilombolas vêm lutando para garantir este patrimônio nacional.


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Dia do Meio Ambiente em Ubatuba (APPRU) ELTON HERRERIAS Aconteceu no ultimo dia 05 de junho no trevo da praia do Itaguá, uma blitz consciente em comemoração ao “Dia internacional do meio ambiente” realizado pela APPRU(Amigos na preservação, proteção e respeito a Ubatuba). O evento teve o foco de difundir as questões sobre o meio ambiente de maneira consciente e informativa durante todo o dia comemorativo. Foi montada uma barraca na orla da praia, onde estavam sendo distribuídas, mudas e sementes de arvóres, folhetos informativos, sorteio de brindes e outros. Foi realizado um arrastão que percorreu boa parte da praia até o conhecido “Caizão” onde foi recolhido uma grande quantia de lixo, entre eles pneus de carro, artefatos de ferros e outros, espalhados pelas encostas do pier. Após toda a ação, ocorreu uma participação especial do músico e “Julinho Mendes” integrante do grupo cultural “O Guaruça” que com músicas caiçaras e bem típicas alegrou ainda mais o evento. Entre os mais diversos voluntários, estavam presente no evento a bióloga “Fabiola”, “Juarez Martins” (Projeto Fábrica de Futuro) “Beto” (Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Alegre do Itaguá),

“Elton Herrerias” (Elpolitizador), Prof.” Bene”, “Christian” (PTB Jovem), “Carlos” (Funcionário da Sec. de Saúde) e o idealizador do projeto “Neto” (APPRU) que juntos contribuíram com um domingo de sol repleto de atividades produtivas.Durante todo o decorrer do dia, os membros voluntários do projeto, ficaram a conscientizar e informar sobre as questões do meio ambiente, acreditando que o poder coletivo e o amor pela natureza são os primeiros princípios de uma grande mobilização e participação nesta mudança que tanto necessitamos. O Evento teve como parceiros as empresas “Gráfica papel Artes”, Restaurante e Pizzaria Tio Sam,Padaria Integrale, Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba), da marca

“Macboot”, CBH (Litoral Norte), Grêmio recreativo Escola de Samba Mocidade Alegre do Itaguá e do blog “www.elpolitizador.blogspot.com” que contribuíram com a bela iniciativa. A APPRU que também realizou dia 27 de maio (Dia da Floresta Atlântica) um evento na praça 13 de maio, mostra que a união da população junto a vontade de melhorias pode ser o meio mas eficiente de se pregar uma nova cultura sustentável em nossa cidade. Portanto : Preservar a natureza é dever de todos. Não jogue lixo nos rios, praias, ruas, cachoeiras, costeiras, manguezais... Seja responsável pelo seu lixo. Esta ação foi uma parceria de todos que lutam pela preservação de Ubatuba

Osmar promove mutirão de pintura em Unidade de Saúde Em três finais de semana consecutivos, o vereador Osmar e voluntários do Sertão da Quina e Maranduba, além de toda a equipe de profissionais do P.S.F. realizaram mutirão de pintura no posto de atendimento do Programa Saúde da Família da Maranduba. Uma equipe preparou refeições aos voluntários. No pri-

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meiro fim de semana foi feijão gordo com carne refogada preparado com muito carinho pela Dona Conceição. No segundo, teve pirão de peixe com banana verde e peixe empanado feito pela enfermeira Cidinha e pelo Humberto, no terceiro, teve um farto e delicioso churrasco e todos se saciaram após o longo dia

de trabalho. Colaboraram os seguintes comércios: Casa de Carnes Camar, Peixaria Tradição Romão , Peixaria do Noel e Quitanda Maranduba. Para os materiais contou com as Secretarias de Saúde e Obras, além da Hidrel Materiais p/ Construção, que doou grande parte dos acessórios de pintura.

Construção de satélite em escola leva professor para congresso internacional no Japão IMPRENSA LIVRE A experiência dos alunos da escola municipal Tancredo de Almeida Neves, em Ubatuba, em construir um satélite, agora será apresentada como um artigo científico num congresso internacional. O professor de matemática Candido Osvaldo de Moura, coordenador do projeto, participará do ISTS (International Symposium on Space Technology and Science), que acontecerá de 5 a 12 de junho em Okinawa, no Japão. O artigo “Space Education and Public outreach for Aerospace Engineering in a Brazilian Perspective” (Espaço de Educação e Sensibilização do público para a Engenharia Aeroespacial, em uma perspectiva brasileira), de autoria do professor Candido e de três doutores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Walter Abrahão dos Santos, Wilson Yamaguti e Mario Marcos Quintino da Silva, conta a história da experiência em construir um satélite com crianças. O professor Candido de Moura, que embarca para o Japão hoje, e apresenta seu trabalho na próxima segunda-feira, 6 diz que se trata de uma experiência única. “Estou fazendo um esforço para ir e registrar esse trabalho que foi desenvolvido em Ubatuba e que teve uma grande repercussão junto à comunidade científica internacional”, declarou o professor. UbatubaSat - Tancredo 1 é o nome do satélite que está sendo construído pelos alunos da escola Tancredo Neves dentro do projeto UbatubaSat. A equipe que trabalha na construção do satélite envolve cinco professores das disciplinas de ma-

temática e ciências. O projeto é desenvolvido no laboratório de ciências da própria escola, onde os alunos hoje trabalham na construção de placas, soldagem e programação dos quatro circuitos que irão controlar o satélite. O Tancredo 1 pesa 750 gramas, tem 8,9 cm de diâmetro e 12,7 de altura. É composto de quatro placas de circuito impresso, uma delas com antena de recepção e transmissão, outra com controle de energia elétrica, outra com computador de bordo e a outra com transmissor/receptor. Os trabalhos deverão ser concluídos até setembro, quando o satélite será enviado para a Interorbital System, na Califórnia, que fará o lançamento a uma órbita de 300 quilômetros de altitude. O satélite, que será lançado em novembro, deverá permanecer no espaço por no máximo 90 dias. Viagem para os EUA - O professor Candido adiantou que alguns alunos participarão poderão participar do lançamento na Califórnia. “Deveremos levar seis alunos aos Estados Unidos para participarem de uma jornada científica que será organizada pela Interorbital para eles. Ainda não sabemos se será possível conjugar essa jornada com o lançamento”, explicou. “Para nós, a principal função do projeto é pedagógica. Nossa preocupação é familiarizar o aluno com o estado da arte da ciência e da tecnologia moderna. O satélite irá transmitir de órbita uma mensagem e nós faremos um concurso na escola para sua escolha”, finaliza Candido de Moura.


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“Ter bixo é Saudável”

Antepassados pré-históricos de nossa região

Dando continuidade as ações do Projeto Animal Saudável é o Bixo, do Programa Escola da Famíla da E.E.Profª Áurea M. Rachou/Ubatuba S.P. Foi realizado nesta terça-feira 14/06/11 nas dependências da u.e, uma Palestra com os alunos do ensino Fundamental e Médio, cujo tema abordado é “Ter bixo é Saudável” após a palestra foi feito um debate com alunos. Metodologia utilizada pela Profª Eliana membro da APASU (Associação Protetora dos Animais da Região Sul de Ubatuba) e parceira do Programa Escola da Famíla. Ação esta que faz parte desta parceria com a APASU “Ong vai à escola” projeto de posse responsável nas escolas públicas da região, objetivando conscientizar a importância da posse responsável e informar sobre as vantagens da castração de animais domésticos, estimular a adoção de cães abandonados e informação sobre parasitoses.

EZEQUIEL DOS SANTOS No final de abril de 1993, nossa região recebeu a visita da arqueóloga Dorath Pinto Uchoa. Ela veio com uma equipe restabelecer mais uma etapa de escavação e classificação de artefatos e ossadas encontradas no sitio arqueológico da ilha do Marvirado. O que foi encontrado mostra que seus habitantes viveram aqui no início da era cristã, por volta de dois mil anos atrás, muito antes dos primeiros indígenas. A arqueóloga Neide Guidon explica que trata-se dos mais antigos habitantes das Américas. Os antepassados dos povos do Marvirado, em frente a comunidade da Praia Grande do Bonete, já estavam no continente há pelo menos dez mil anos quando os seminômades catavam conchas e enterravam seus mortos entre pedras perto de nossas praias. “Tradição Tenório” Esses grupos pertencem a chamada “Tradição Tenório”. Ë que na praia do Tenório, em Ubatuba, foi descoberto 73 indivíduos do primeiro sítio com vestígios desta cultura. Eram povos que não tinha escrita (Ágrafos), sua alimentação era basicamente da coleta de conchas e viviam em grupos de cerca de 200 indivíduos. A equipe que estudou o sítio arqueológico era multidisciplinar formada por pesquisadores da Universidade de São Paulo com a participação de pesquisadores, pós-graduandos e técnicos da USP, Unicamp, Universidade de Pernambuco, Estadual e Federal do Rio de Janeiro. Embora dificultado pela má conservação dos materiais encontrados, o professor de anatomia Arnaldo Vieira dos Santos, através dos estudos das ossadas, estimou que os indivíduos tivessem por volta de 1,60 de altura. O estudo apontou que nossa região já era povoada por volta do ano 75 da era cristã. Estes grupos familiares se dedicavam a pesca e a coleta de moluscos, para complementar sua dieta alimentar praticavam a caça de pequenos e médios animais, além da coleta de frutos, sementes e raízes. Indivíduos dos grupos percorriam os costões rochosos, as praias,

Próximo passo do projeto será no domingo dia 19/06/11 No programa escola da família ás 13h com o 1º Desfile de cães do PEF – E lançamento do concurso de Fotografia “Ter bixo é Saudável”. Outra ação do Projeto APASU – “ ONG VAI Á ESCOLA” é a divulgação do projeto em todas as escolas do Programa Escola da Família de Ubatuba ministrando a palestra: “Ter animal é saudável. O PEF da EE.PROFª Áurea M. Rachou convida à todos para participar destas ações e prestigiar o 1º Desfile de Cães no domingo.

Programa Escola da Família Convida No próximo dia 19 de junho, domingo, as 13 horas acontecerá o 1º Desfile de Cães do PEF(Programa escola da Família). Será premiados todos os cães participantes, as inscrições são gratuitas entre os dias 12 e 18 de junho. Participe.

Festa Junina-Arrarial do PEF No próximo dia 25, das 13 as 16 horas acontecerá o Arrarial do Programa Escola da Família. Terá: Miss & Mister Caipirinha, Quadrilha, Comidas Típicas e muitas brincadeiras além das várias outras atividades que já são oferecidas.

Participe do Programa Escola da Família É fácil, procure a direção da escola e se inscreva. Você pode ajudar a melhorar o ambiente escolar e o da comunidade, depende também de você. O Colégio Áurea Moreira Rachou está na Rua Padre João Bayle, 1763 no bairro do Sertão da Quina.

os manguezais e as lagoas para obtenção de alimentos. Na preparação dos alimentos faziam pequenas fogueiras, preparavam grelhas de varas para assar ou secar carne ou peixe (moquém). Na pescaria utilizavam arco e flecha, provavelmente utilizam outras modalidades de armas como o bodoque, a lança e o mundéu. Estes não conheciam as técnicas do fabrico de vasilhames, mas conheciam as técnicas de polir e confeccionar machados de pedra. Fabricavam também instrumentos com ossos, adornos, pulseiras e colares feitas de dentes de animais e vértebras de peixes, além de pendentes em conchas. Sepultamento O sepultamento dos mortos seguia um ritual específico do grupo. Os mortos tinham seus membros inferiores flexionados postos na lateral do corpo e eram colocados em covas rasas rodeadas, as vezes cobertas, por grandes pedras. O grupo acendia fogueiras, que muitas vezes de tão próximas ao cadáver chegavam a carbonizá-los parcialmente. Tudo sem intenção de destruir o corpo ali colocado. No Marvirado foi contabilizado um grupo de 10 esqueletos humanos – adultos e crianças. A freqüência das mortes variou entre 20 e 30 anos de vida para as mulheres e a 20 a 40 anos para os homens. Este grupo apresentava uma morfologia diversa com predomínio de crânios longos e altos (dolicocrânio) e uma organização física menos robusta do que os povos sambaquieieros, dos sambaquis (populações que realizavam antiquíssimos depósitos de conchas, ossos, restos de cozinha na costa ou rios, lagoas do litoral). Os da Tradição Tenório se apresentavam sexualmente bem distintos, bem marcantes. Possuíam grande força mastigatória o que indicam uma dieta constituída de alimentos duros e com ação abrasiva. Apresentavam bons dentes, embora com intensivo desgaste. A presença de cárie foi registrada. O projeto da USP foi oferecido ao município de Ubatuba e come-

çou em novembro de 1990. Ilha do Marvirado A Ilha é inserida regionalmente no sistema relevo de morros isolados do tipo arredondado com vales fechados. De clima úmido expostas a massa de ar tropical atlântica. Sua cobertura vegetal corresponde a Mata Atlântica, campos de samambaias, campo de gramíneas e vestígios de áreas cultivadas. Ela tem 119 hectares e está distante da costa 2 Kms. Há quem diga que naquele período a ilha era mais próxima ao continente. A lha foi construída sobre um terraço de origem marinha, seu sítio arqueológico corresponde a uma área de 200 metros quadrados. No inventário lá realizado foi registrado 557 artefatos, agrupados como “indústria”, a saber: a óssea (45,42%); em dentes de animais (5,21%) e a lítica (pedras) 49,37%. Sabe-se que as poucas ferramentas encontradas se dá por conta destes indivíduos, que eram nômades, levarem seus pertences as outras localidades, já que migravam pelo litoral em busca de ambientes favoráveis, quando encontravam permaneciam até que os recursos naturais se esgotasse. A pesquisa procurou realizar estudos voltados ao processo de povoamento e a organização espacial da região e demais estudos importantes para favorecer o contato da sociedade atual com esses bens revalorizados. Houve ainda uma terceira etapa, onde a pesquisa foi utilizada como aula de pós-graduação. Trata-se de uma descoberta de grande valor e que infelizmente não é utilizado para gerar emprego, renda e desenvolvimento turístico, histórico e cultural, além da revalorização das comunidades em seu entorno. Fato é que muitas dessas comunidades não sabem que por perto existe um grande tesouro esquecido e o pior abandonado por quem devia zelá-lo permanentemente. Colaboração: Marta Aparecida de Faria Fonte: Revista Igarati/Jornal Imprensa Livre/ Comunidade Praia Grande do Bonete/Jornal Tribuna Caiçara.


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Poço Verde: espetáculo natural de beleza cênica Fotos: Roberto de Oliveira

EZEQUIEL DOS SANTOS Colaboraram: IDILAUDE DE OLIVEIRA ROBERTO DE OLIVEIRA e ELIAS JOSÉ Parece até que o local nunca foi mexido, a parte baixa já foi utilizada para retirada de madeiras, lenhas, caças e coleta de plantas para ferramentas e uso medicamentoso. Quem olha pensa que o local é mata primária, salvo os paredões de pedra e a vegetação que nela se encontra. É uma caminhada longa e requer preparo físico, espiritual e até psicológico dependendo de quem faça a trilha. Mesmo para quem tá acostumado, todo o cuidado é pouco, existem pontos escorregadios, árvores caídas, muitas pedreiras para passar e cobras pra fazer coleção. Da onde moro começamos a caminhar no sábado as 05:40h da manhã. Lá chegamos ao mesmo dia por volta de uma e meia da tarde. Tomamos um caminho mais longo que embora demorado avistamos um número maior de plantas, animais e belezas naturais. Na bagagem apenas o necessário já que tivemos um pouso na mata. Levamos uma muda de roupa extra, material de higiene, lona, corda, rede, facão, panelas, comidas e uma bateria como fonte de energia elétrica. Saímos por trás do bairro do Araribá e começamos a caminhar. No primeiro caminho o trecho mais difícil, já que temos de enfrentar uma hora e meia de subida. Uma pausa para o primeiro descanso, em nosso entorno árvores centenárias e frutíferas, por causa delas, aves de todos os tamanhos. Os sons da natureza foram predominando em nossos pen-

Cachoeira do Poço Verde: explendor narrado pelos antigos moradores é comprovado pela equipe da reportagem

samentos. A gente se acostuma tanto que parece que somos parte dela, filhos da mãe natureza. Quando mais andava na trilha, mais árvores grandes surgiam, observando mais atentamente é possível ver os detalhes das flores, das orquídeas e das bromélias. Muitas delas tinham colônias inteiras nas copas das árvores. E saber que pequenos animais se alojam, procriam e se reproduzem nestes lugares. É fácil ver aranhas de todas as espécies, baratas que mais pareciam um “tanque de guerra”, sapo dos pequenos aos grandes e até morcego tinha a nossa vol-

ta. Tanta beleza que mesmo em dia chuvoso quase não percebemos a caída das gotas de água sobre nós. Ao chegar ao local nos deparamos não com uma, mas com várias pequenas quedas. Claro as grande nos chamam mais atenção. A grandeza do que a natureza é capaz de realizar é um colírio aos olhos cansados. Ficamos entre três rios, lá levantamos acampamento. O tempo todo o som das cachoeiras nos remete ao um passado distante, a dos primeiros desbravadores, verdadeiros heróis personagens de nossa história.


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Local ainda guarda grandes mistérios do passado Fizemos uma fogueira e preparamos o jantar. Era carne seca na panela com feijão, costelinha de porco, arroz tropeiro, suco e muita fome. A preparação foi como faziam nossos antepassados, só coletamos o suficiente para aquele momento. Também pescamos Bagre Cipó para assar na brasa, uma delícia! Nos rios de lá avistamos camarões, lagostas, cascudos, Mães D’água e Pequiá (pequeno peixe parecido com o Lambari). Pela manhã o espetáculo era ainda maior. Descansados era possível observar mais atentamente onde estávamos. A nossa frente um paredão gigantesco nos revelava o porquê somos cercados. Subimos e avistamos a tão esperada Cachoeira do Poço Verde de que os antigos tanto falam. Na realidade pude avistar uma queda dágua de trinta metros, um poço com cerca de três metros de profundidade. Mas não acabava por ali, acima era ainda maior, é que não dá para ver de onde estávamos. À frente ela tem mais de cem metros para dentro do mato, a pequena queda é parte da beleza do lugar, daquele ponto. O conjunto de cachoeiras do local parece um gigantesco degrau suave onde existe, simultaneamente, uma queda e um poço em toda extensão. Abaixo ela forma várias ilhas de mata e rochas. É muita beleza por metro quadrado, pense num lugar bonito! Depois de mais alguns minutos de caminhada foi possível avistar a Cachoeira do Tabiqui e mais a frente ainda a Cachoeira da Andorinha. Todos têm a mesma formação e geografia. Não é possível dizer qual delas é mais bela. A sen-

Fotos: Roberto de Oliveira

Parte superior da Cachoeira da Andorinha, uma das três cachoeiras que formam o complexo do Poço Verde

sação que temos é que Deus fez o paredão, depois encheu de mata, fez três riscos nela e fez água cair branca e bela sobre a pedra única. No decorrer da trilha avistamos “carreiros” de porco do mato, paca e tatu. O encontro dessas águas forma o Rio da Mocóca do município de Caraguatatuba. Muitos pedem para mostrar o caminho, mas por precaução e proteção do que lá está e deve permanecer não será possível. Quem quiser ir até o local basta contratar um guia, só assim você terá a segurança de que fará realmente um bom passeio e sem problemas. O caminho que fizemos

não é novo, ele parte do emaranhado de acessos de que circundam nossas florestas. Este trecho é que leva a Caraguatatuba, Pouso Alto e Bairro Alto. Todo tempo tivemos a preocupação de não deixar absolutamente nenhum lixo para trás. Lá tiramos apenas fotografias, deixamos apenas pegadas, levamos apenas saudades e voltamos apenas a contar as belezas de que vimos e compartilhamos com nossos leitores e amantes da história, da beleza, da cultura e tradição destes povos invisíveis que formaram o litoral e o país e ainda são descriminados e perseguidos.

Surucuá: espécie nativa encontrada durante a expedição


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Evento de Capoeira reúne academias de renome em sua inauguração Foto: Antonio Antunes de Sá

EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 04, foi inaugurado no bairro Vila Santana a inauguração da academia de capoeira Academia da Capoeira Arte e Vida que contou com a presença das academias Berimbau Mundo do Mestrando Formiga e seus graduados (bairros Sesmarias, Perequê Mirim, Rio Escuro e Centro), Liberdade Camará do Mestre Chicão do Ipiranguinha, Unidos a Liberdade do Contra Mestre Nerci do Lázaro, Professor Léco do bairro Perequê Açú. Cerca de cem pessoas participaram da inauguração, sendo 50 só capoeiristas. O evento correu com três horas de duração. Havia muitas mulheres e crianças. A animação ficou por conta do DJ Nenê. A Academia da Capoeira Arte e Vida existe há 11 anos. Seu responsável, Mário Gabriel do Prado, conhecido também na Capoeira como Prof. Pézão explica que na tradição da capoeira dão-se apelidos aos alu-

nos, pois historicamente era uma das formas de ocultar a capoeira durante um longo período, que era proibido a pratica. Pezão faz parte da seleção Ubatubana de Capoeira e é Bicampeão na categoria peso pesado. Em 1890 o presidente Deodoro da Fonseca assinou uma lei que proibia a prática da capoeira com severas punições a quem fosse pego e após um recesso de quase 50 anos, a capoeira ressurge. No ano de 1937, quando Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, realizou uma exibição para o então presidente Getúlio Vargas, que liberou sua prática tamanho encantamento com que ficou o presidente da época. Atualmente a capoeira tem sua prática garantida através do Estatuto da Igualdade Racial no seu Art. 20. O poder público garantirá o registro e a proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como

bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da Constituição Federal. Durante o evento foram exibidos os troféus conquistados pela seleção. O grupo de Capoeira Arte e vida está localizado Rua Novo Horizonte nº 70 no Bairro Vila Santana (Araribá) e tem aulas as terças, quinta e sábados a partir das 18:00 para crianças a partir dos 05 anos de idade, e adultos as 19:30hs. Vale a pena praticar uma arte que ajudou a formar a cultura de que temos hoje.Trata-se da difusão de um legítimo patrimônio nacional. Os organizadores do evento agradecem a José Cusato da Pousada Ondas do Mar, ao vereador Rogério Frediani, Wagner Alexandre e Antonio Antunes do Quilombo Caçandoquinha e um agradecimento especial a Maria de Azevedo idealizadora e realizadora deste projeto.

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Cantinho da Poesia

DEVANEIO Ah, meu doce bem, como eu queria Poder acordar já do teu lado um dia Te servir meus beijos como desjejum Fazer contigo o que não fez homem algum Acariciar logo cedo todo teu corpo quente Realizando sonhos que me povoam a mente Respirar cada pedacinho da tua pele amada Com a alma pensando em quase tudo ou em nada Sentir o arfar desse teu peito clamante Pelas loucuras todas que se pede a um amante Sorver o néctar do teu molhado sexo Te ouvindo dizer somente coisas sem nexo Depois te beijar pra te mostrar teu cheiro Com meu amor sedento te penetrando inteiro Em tuas roliças coxas então sentir-me preso O balanço dos corpos mantendo nosso amor aceso Chegarmos juntos ao prazer sensual Na dicotomia entre o romântico e o animal Te fazer sentir a mais feliz das divas Depois de horas de permissões lascivas Esquecer a distância nesta manhã tão fria Ah, meu doce bem, como eu queria... Manoel Del Valle Neto

ANUNCIE: (12) 9714.5678 - 7813.7563

Emoção e lágrimas no encerramento de encontro de jovens EZEQUIEL DOS SANTOS No último domingo, dia 19, na escola municipal Nativa Fernandes de Faria do Sertão da Quina, aconteceu o encerramento do 1º Retiro de Jovens Thalita Kom (Jovem Levanta-te). Cerca de 250 pessoas participaram da missa de encerramento. Num total de cem jovens, 73 com idades entre 14 e 25 anos foram as peças principais do retiro. Moradores do Sertão da Quina, Maranduba, Ingá, Araribá, Lagoinha, Rio Escuro, Massaguassu e Poiares. O evento foi sucesso de público e crítica. A meta foi tirar os jovens das drogas, da prostituição, das desavenças, do mundo banal no final de semana. Os jovens tiveram palestras, conversas, louvores, jantar de gala, teatro, testemunho, bate-papo com o intuito de buscarem um encontro pessoal com Deus. O retiro serviu como um refúgio para que tenham compreensão do lado bom da vida e da valorização da família, aprender a refletir sobre o certo e o errado, sempre utilizando o amor de Cristo como meta. Na missa de encerramento o Padre Carlos foi claro em dizer que “foi um retiro que disse muito aos jovens”. Emoção de fato foi na hora em que

o celebrante chamou a frente os pais e os filhos depois de falar sobre as várias situações em que se encontram as famílias atualmente. Lágrimas sinceras e puras tingiram rostos de quem há tempos não demonstravam feição de carinho, abraços que há tempos pais e filhos não realizavam. Para muitos foi o momento mais gostoso do evento. A prova de fogo foi em saber que o esforço valeu a pena, principalmente quando no depoimento de um jovem viciado, que no momento de adoração, pediu a Deus que o ajudasse a mudar de vida, pois segundo ele, se sentiu levantado por Cristo. Uma linda en-

cenação foi apresentada pelos jovens organizadores. O evento contou com o apoio dos mercados Supimpa, Ubá Oba, Soares, TAM, Do Pai e Praia Dura, Camar Carnes, da comunidade, dos pais dos jovens, das equipes da externas, da cozinha, de intercessão e demais voluntários. Agradecimentos também a direção da escola e a Secretaria Municipal de Educação. O evento foi organizado pelo Grupo de Jovens Apóstolo de Cristo da Comunidade Nossa Senhora das Graças através dos voluntários Natan Barreto, Letícia Amorim, Aline Araújo e do assessor e seminarista Bruno Henrique.

Projeto de Lei de Frediani reconhece aldeias e quilombos de Ubatuba Aprovado por unanimidade o Projeto de Lei 39/11 do vereador Rogério Frediani-PSDB que Reconhece como Patrimônio histórico, cultural, ambiental e social de interesse turístico do Município do Ubatuba as aldeias indígenas e os quilombos existentes no território municipal. Na justificativa Frediani comenta da importância que Ubatuba tem em possuir uma diversidade étnica e cultural a sua disposição e que infelizmente não é utilizada em favor do desenvolvimento do município. “Ubatuba se constitui como uma aldeia composta por elementos de variadas et-

nias: de negros, índios e mestiços habitando essa mesma terra”, diz o vereador. Mario Gabriel do Prado, Presidente da Federação dos Quilombos do Estado de São Paulo defendeu o projeto na Tribuna da Câmara. Para ele, o projeto é de suma importância a toda comunidade de Ubatuba, ele lembra que muitos pontos viraram depósito de lixo, como as ruínas na Tabatinga, citou ainda as leis que resguardam os indígenas e quilombolas. Segundo o vereador, os povos indígenas e africanos, que formaram e construíram o país, ficam relegados apenas

ao passado, esquecemos que eles têm direito ao futuro. O vereador fala que o presente projeto visa tão somente reforçar a identidade histórica e cultural do município através dos negros quilombolas, afros descendentes e indígenas que se encontram em nosso território. “Nada mais justo que relevar estas identidades que é fruto de uma construção social, por isso a importância de pensar à sério a questão de nossa diversidade. Vale lembrar de que não haveria cultura brasileira, ubatubana se não fossem os povos indígenas e africanos”, termina o vereador.


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Gente da nossa história: EZEQUIEL DOS SANTOS Nascido no dia 09 de julho de 1929, teve sua infância igual a dos outros compadres. O local era muito humilde conduzido pelo calendário natural e religioso. Filho de Iria Rosa de Oliveira e de João Manoel dos Santos-João Rosa, era da quarta turma na árvore genealógica do lugar. Sua mãe, quando menina, teve um histórico de perseguição por conta da aparição de Nossa Senhora das Graças entre 1915 e 1917. Contam que até pedras foram atiradas em sua mãe por conta do ocorrido. Homem trabalhador, acompanhou os familiares na lida da roça ainda na época do Morro do Taquari-Pedra Preta. Daquele lugar se tirava quase tudo: madeira, caça, água, material para artesanato, sementes, ervas medicinais, imbira para cordas dentre outros. Benedito desde cedo era carinhosamente chamado por “Quito” e foi um dos desbravadores conhecidos da região. Trabalhou em tudo que se pode imaginar de difícil, duro, árduo e cansativo. No mês de setembro de 1947, casou-se com Maria Jorge de Oliveira Santos. A celebração foi realizada pelo Cônego João Bail (padre João Bayle), ele tinha 18 e ela 16 anos. Sua primeira casa era uma simples tapera de pau-a-pique. Esta casa era servida por uma bica de bambu que trazia água do riacho. Tinha uma vida sofrida, digna, simples, mas prazerosa. Neste tempo trabalhou junto como compadre Mané Pedro na roça do Santa Cruz, de onde tirava o sustento da casa. No mesmo quintal construiu outras duas casas. Do matrimonio teve nove filhos: Jorge, Dito,

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Benedito Manoel dos Santos - Uma biblioteca ambulante

Iria, João, Zé, Mané, Fon, Vicente e Maria. Só esta última nasceu no hospital, os outros nasceram em casa e vieram ao mundo pelas mãos de parteiras como Ana Sobrinho da Tabatinga e “Anadorfo” (Ana Adolfo) do Sertão da Quina. Grande parte do que se conhece da história antiga da região, do município e do litoral paulista tem a participação de Quito. Nesta coluna, que trata da homenagem de ilustres moradores, ele colaborou com 90% delas. Quito já trabalhou e jogou futebol pelo Anglo na Fazenda dos Ingleses, trabalhou na abertura da estrada Rio-Santos, na construção das capelas, nas aberturas de roças, nos mutirões, na catástrofe de Caraguatatuba, nas sondagens da represa de Paraibuna, na construção da casa de Emaús, ajudou no resgate de pessoas no mar, enchentes, limpeza de caminhos. Foi peça principal na montagem da árvore genealógica de toda a região. Conhecia os mais íntimos detalhes da formação histórica, cultural e antropológica de toda a localidade. Personagem chave na montagem do DVD que conta a história e o sofrimento das meninas que viram a Santa em 1915. Querido por todos, era conhecido como bom homem, bom pai, bom marido. Homem de fé, nunca traiu sua religiosidade nem seus ideais. Até os últimos dias vivia tecendo os balaios, cestos, os tipitis, bodoques, balaios. Cuidava também das ferramentas.

Todo o acervo está guardado e o mais interessante é que a família pretende restaurar a casa de farinha para ficar como patrimônio, como relíquia. Gostava das comidas antigas a base de peixe, banana, mandioca, galinha caipira, farinha de milho e principalmente abacate e ova de tainha assada.

Não gostava de barulho e nem bagunça. Numa cerca época perdeu grande parte da roça de milho, feijão e mandioca na várzea por conta de uma grande enchente. Em 2003 fez uma cirurgia de ponte de safena. De lá para cá vivia em tratamento, mas caminhava todos os dias. Vivia de prosa com os compadres Barbosa e Tião Pedro, os meninos da obra, como dizia. Este que escreve vivia perguntando coisas sobre nossa história, era no caminho, em casa, na casa dos outros, sabia eu que ele gostava das

perguntas, dos contos, dos causos, das brincadeiras. Uma vez me disse que tava esperando o dia, percebi que falava sério, daquele dia em “diente” (diante) fiquei com “pensão” do que ouvi. Quito foi internado bem antes do natal, saiu do hospital na véspera da festividade. O amigo e compadre Antonio Pereira havia cortado um cacho de bananas e tirado mandiocas para levar ao amigo, não conseguiu entregar. No domingo, dias das mães, Quito reclamando das dores que sentia no peito almoçou com toda da família. Estavam todos os filhos, netos e bisnetos. Assistiu ao vídeo do último aniversario de seu pai. O almoço foi um delicioso pato cozido. Seus pequenos olhos davam a sensação que viria sua prole pelo última vez. Com ar de cansado e em silencio passou o dia, jantou e foi dormir. De madrugada pediu a esposa que preparasse algo para ele comer, com todo o carinho ela preparou um café com uma misturazinha. Voltou a dormir e ao amanhecer dona Maria percebeu que Quito não mais estava com ela, nem com os familiares, nem com os amigos e conhecidos. Foram minutos que pareciam horas. Já era tarde, não dava mais para voltar no tempo. O que todos temiam havia acontecido. Não dava mais para ouvir aquela voz suave, meio rouca, palavras sabias, conselhos certos, historias e mais historias de um vivente real de épocas passadas. A Câmara Municipal de Ubatuba encaminhou a família uma Moção de Pesar pela recente perda no dia 9 de maio de 2011.

A enciclopédia ambulante havia fechado suas páginas, o pior , que para sempre. Perdi um tio, um amigo, um grande professor. A família havia perdido o esteio da casa, seu pilar principal. Lágrimas foram muitas em seu velório, parecia que ali estava uma grande autoridade de tanta gente despedindo-se. Naquela tarde chovia, mas para mim parecia que Deus havia mandado água para tirar toda a poeira do caminho, para deixar a natureza que ele tanto amou mais bela, radiante, viva. Chuva entendida por mim como lágrimas de alegria por ir ao encontro do Pai. Lágrimas nossas de tristeza e saudades, de um homem que foi muita coisa, principalmente ícone de pai, amigo, irmão, filho, avo, bisavo e companheiro. Lágrimas doces vertiam dos rostos de quem o via, pois sabiam da grande perda que faz o Seu Quito. Saudades e lembranças serão sempre de um homem que nasceu no dia 9, no dia nove morreu, nove filhos tem e somando os netos e bisnetos tem dezenove. Saudade é tanta, que os amigos não conseguem pronunciar nove palavras ao Quito. Mas nove são as palavras minhas e a resposta que recebia: A sua benção Tio Quito? “Deus te abençoe filho.” Embora com o coração apertado e triste pela perda só tenho que agradecer a Deus de me conceder o privilegio e a graça de poder ter tio Quito como meu professor e amigo. Sinceramente gostaria de ter nascido em seu tempo. Obrigado tio, muito obrigado por ter este privilégio, por me dar a chance de ser alguém e ter histórias para contar graças a você.


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Meio Ambiente - Alguém pode me explicar?! ALISSON KRUGER Sou advogado e trabalho nesta cidade (Ubatuba, SP), deparei-me com um cliente que teve contra si ajuizada uma Ação Civil Pública pelo Ministério Público (MP) de nosso estado. Versava a referida ação, dos famosos “danos ambientais”, dos quais, o Ministério Público Paulista tem o dever legal, institucional, e o maior deles, Constitucional de proteger em primeiro lugar. Devemos entender proteger no sentido de não deixar que aconteça algo, no caso, o “dano ambiental”. No corpo da referida ação dentre outros direitos “devaneados” um sempre me causou estranheza, sempre, porque já estive do lado de “lá” já fui estagiário do MP, são as tais resoluções do “CONAMA”, que o MP acha que estão acima do “bem e do mau”. A mais nefasta e famosa delas é a 303 de 20 de março de 2002, que pretensiosamente acha que é lei. Esclarecendo, a lei 6.938/1981 que de dispõe sobre Política Nacional do Meio Ambiente em seu artigo 8º estabelece a competência do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), “vide bula”.

De plano não se lê, muito menos compreende, nenhuma atribuição de competência legislativa aos integrantes do famigerado “CONAMA”. Explicando ainda mais, o CONAMA é órgão CONSULTIVO DELIBERATIVO do Sistema Nacional do Meio Ambiente conforme determinado no artigo 6º da referida lei. ...Continuando, toda lei que não seja auto-executável depende diretamente de outro ato legislativo para seu regulamento, qual é? Qual é? Um decreto, e o de número 99.274/1991 é o que regulamenta a lei 6938/1981. Assim, lá, no inciso II do artigo 3º do referido decreto, confirmado está à competência do CONAMA, qual seja, CONSULTIVO DELIBERATIVO. O artigo 7º incisos e parágrafos do dito decreto define as competências do CONAMA, dentre elas cito algumas: I - estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e critérios para o licenciamento de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser concedido pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios e supervisionada pelo referido Instituto, II - determi-

nar, quando julgar necessário, a realização de estudos das alternativas e das possíveis conseqüências ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando aos órgãos federais, estaduais e municipais, bem assim a entidades privadas, III - decidir, por meio da Câmara Especial Recursal, como última instância administrativa, os recursos contra as multas e outras penalidades impostas pelo IBAMA, quem quiser que leia o resto. (Desculpe-me, mas fiquei enraivecido ao ler as competências.) Na leitura da íntegra do artigo 7º não se lê, não se entende, qualquer delegação do poder de legislar a órgãos administrativos. Ou eu estou precisando de óculos? Aprendi na faculdade, que para vivermos em sociedade são necessárias as regras, que são impostas através das leis. Trago aqui conceito doutrinário de lei: “regra geral de direito, abstrata e permanente, dotada de sanção, expressa pela vontade de uma autoridade competente, de cunho obrigatório e de forma escrita” (Sílvio de Salvo Venosa, Direito Civil, ED. Atlas 2004. pág. 37). Desculpe-me pela trans-

crição do texto, mas é para não me alongar por demais. A Própria Constituição Pátria estabelece em seu artigo 5º “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, mais precisamente no inciso II que, “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Aí vem o “oficial” metido a ambientalista, e como se força de lei tivesse, usa da resolução CONAMA nº 303 como “escudo” protetor do meio ambiente, impondo isso, impondo aquilo, enfim, suprimindo direitos. Ora, quando eu era pequenininho lá em Barbacena (risos), grande Chico Anízio... aprendi que só a lei pode restringir direitos ou determinar obrigações, o que faz então o MP que é um dos órgãos que mais deveria ser o fiscal da lei, usando um “decretinho metidinho a lei”? Alisson dos Santos Kruger, 31 anos, advogado militante em nosso município, natural Juiz de Fora - MG, mas criado no Estado do Rio Grande do Sul e residente neste lindíssimo município desde o ano de 87, uma boa parte foi na região sul de Ubatuba.

Aniversariantes são lembrados por suas histórias de lutas No último dia 21 de maio e 12 de junho aniversariaram Sebastião Pedro de Oliveira e Rosa Santos de Oliveira. Ele assoprou 86 velas e ela 81. São moradores filhos da terceira geração fundadora dos grupos familiares que hoje existem. Diferente do ano anterior Tião Pedro não quis música em sua festa, pois estava triste com a recente perda do sobrinho e compadre Kito, que também é irmão de Rosa Santos de Oliveira, a outra aniversariante. Rosa teve um almoço digno de rainha. Seus familiares se juntaram para homenagear a matriarca. Na realidade ela faz anos de vida no dia 8 de junho, mas como caiu no meio da semana mudaram para domingo. Cerca de 60 pessoas participaram

do banquete. Tião Pedro fez questão de sair na foto com o filho e o neto que também aniversariaram naquela semana. Os quitutes estavam como sempre uma delícia e fizeram

jus a tradição de bem agradar aos convidados. Rosa viúva de Celestino Amaro de Oliveira, aonde um acesso recebeu seu nome é filha de João Manoel dos Santos-João Rosa e

de Iria Rosa de Oliveira, que quando menina viu a Nossa Senhora das Graças no Morro do São Cruzeiro entre 1915 e 1917. Mesmo que em silêncio ou apenas observando o movimento dos familiares, os aniversariantes recordaram muitas coisas, principalmente os momentos de lutas e sofrimentos de que sabemos. Ao ver a família reunida, dá para perceber um ar de felicidade e um sorriso tímido que revela sensação do dever cumprido e do agradecimento de estar ali, naquele momento tão especial. Ë assim também com outras famílias que passaram a celebrar os anos de vida, experiência, sofrimento e vitória de um familiar que merece todo o respeito e um verdadeiro “parabéns para você”.


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Branco e preto no túnel do tempo A ilha de Joatão JOSÉ RONALDO DOS SANTOS

No embalo das antigas discotecas, mais uma vez um grupo de amigos resolveu matar a saudade do tempo do cabelo black power e da brilhantina. Para entrar na festa do último dia 21 de maio, convidados tinham de passar pelo túnel do tempo literalmente. É que foi construído um arco simbolizando o túnel do tempo, que era do portão até a entrada da festa. A decoração foi muito bem produzida, tudo em branco, preto e prata. Charme para as mesas que ficavam próximas a decoração principal. Havia um círculo de fotos dos eventos anteriores, muita gente se achava por ali. Discos em vinil espalhadas por todo lugar. O evento contou com animação

do DJ Nenê e da Banda 48 Horas. Muitos personagens daquela época foram produzidos em membros conhecidos de nossa sociedade. Algumas estavam chiques, outros, bom deixa pra lá! Foram tocadas músicas dos anos 60, 70, 80 e algumas da década de 1990. Iluminação, globo, sonorização, caracterização de cenário bem ao estilo Elton e Olívia Newton John, daquela sessão da tarde “Os embalos de sábado à noite”. As meninas Valéria, Aline, Diana, Vanessa e o jovem Henrique foi que organizou a festa. Num município que pouco explora eventos sérios e bons como este, os participantes aprovaram a festa e aguardam a próxima edição.

Declaração do Dia dos Namorados

Declaro todo meu carinho por você, Maria. Obrigado por estar sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis. Sei que sempre poderei contar com você, assim como você sempre poderá contar comigo. Um grande beijo. Mário

“Ainda me alembro como se fosse hoje”. Com essas palavras comecei, numa bela manhã de domingo, escutando o velho Pedro Cabral, na praia do Perequê-mirim. O tema era a ilha Anchieta, um espaço tão corriqueiro dos pescadores caiçaras naquele tempo (início dos anos 70). O dia era 20 de junho; exatamente o dia em que estourou a rebelião no presídio da ilha, no ano de 1952. Naquele dia, da boca do citado praiano e de outros que formaram a roda, no jundu, eu escutava mais do que anotava. O interesse não era só porque eu gostava de escutar os causos do meu povo, mas também porque a professora nos deu a tarefa de pesquisar sobre a história do fato – o levante da ilha Anchieta. Disse que pretendia recolher o maior número possível de depoimentos, e, naquela praia, estavam vários ex-soldados e ex-funcionários que fizeram parte da história do presídio. Assim, um por um, nós montamos uma “colcha de retalhos”, um lindo painel que ficou bastante tempo na parede da nossa pequena escola para que todos lessem. Lá constavam os nomes de honrados homens: Chico Cruz, Rodolfo Cabral, Dito Góis, Xavier, Faria Lima, Newton Cirillo e tantos outros. A data da grande fuga: 20 de junho de 1952. No Instituto Correcional da Ilha Anchieta, cumpriam penas 453 presidiários. De 129 evadidos, 108 foram recapturados, 15 mortos e 6 desaparecidos. Policiais mortos: 8; funcionários civis: 2; presidiários: 3 (na ilha). Total de mortos: 28; órfãos: 23; viúvas: 9. Tais

números estão documentados. Assim como um ritual a cada ano, no dia 20 penso na data. A cidade certamente esqueceu. Porém, ainda há tempo de fazer, como nos idos da minha escola primária, uma bela “colcha” com os retalhos de nossa história. Cada cidadão deste município tem o direito de manter viva memória, porque, como disse alguém, sem isso ninguém propõe nada; só copia. Também os que adotaram a cidade como a sua terra precisam refletir sobre uma identidade a ser resgatada, refeita, mantida e valorizada. Já passa da hora, independente da região de onde veio, cada morador de Ubatuba refazer, participar da identidade local tal como fizeram os europeus, africanos e ameríndios: deixaram muito de si para se fundirem no ser brasileiro. É o que, no estudo da Filosofia, chamamos de dialética. E disso decorre a inspiração para o título deste: Joatão e a ilha , publicado em 1966, é uma obra maravilhosa para ser lida por todos, principalmente quem adora um desafio dialético. Seu autor, José Fonseca Fernandes, narra em forma de romance o grande levante. Por enquanto não vou escrever mais. Só deixo uma “isca”: “Quando Joatão e seus dois companheiros atingiram o Quiririm os demais já guardavam distância, ávidos de sumir do litoral. –Água boa esta –disse com satisfação o moço, -Não suportava mais a sede. Os outros dois já estavam de cara mergulhada no Quiririm. Joatão deitou-se na Praia do Puruba”. Boa leitura! * * *


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Mãos que constroem e desenvolvem a natureza

Coluna da Adelina Campi

O escravo Ésopo Ésopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Ésopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente: – Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado. – Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa? – Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra. Com a devida autorização do amo, saiu Ésopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se. – Meu amo, não vos enganei, retrucou Ésopo. – A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas ver-

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dades, meu amo? – Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo? – É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda a terra. Concedida a permissão, Ésopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta: – Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? – indagou Ésopo. Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade. Ésopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.

CRISTINA DE OLIVEIRA Sabemos que de tanto cuidar da natureza pagamos o pato! Não se pode isto, não se pode aquilo, etc. O pior é que tem muita gente ganhando dinheiro com a desgraça alheia. Parece até a época dos “coronéis ditos ambientais”, que sem competência, conhecimento, despreparo cultural e histórico decidem quem morre e quem vive. Vamos clarear a idéia destas pessoas contando como era a vida dentro de um real desenvolvimento sustentável. Um simples chá caseiro, que era colhido no fundo do quintal. Para quem ama de fato a natureza e se vê inserido nela, nos mantém ligados a várias lembranças, principalmente a do carinho que era dar e receber da mãe natureza. Minha mãe dizia que o simples ato de colher uma muda, replantá-la e cuidar para que ela cresça, se desenvolva, forneça e receba carinho era mais do que terapia, era respeitar as tradições e cuidar da tal biodiversidade. Por isto temos vestígios do etnoconhecimento que ainda não é respeitado. Talvez quando os vestígios acabarem, teremos reconhecimento, o tal do respeito, aí vai ter muita gente querendo ganhar dinheiro em pesquisar este povo invisível. Tudo era uma questão de conservar aquilo que nos foi dado e ensinado, era uma coisa tão simples, mas primordial a sobrevivência das espécies: a minha e a da planta. Aos inteligentes de plantão, informamos que quase toda a comida vinha da floresta, dos rios, dos mares, portanto tinham de cuidar e manter o ambiente intacto para preservar seus meios de sustento. A lua era primordial para o desenvolvimento, plantio, podas

e colheitas, da época da cria e da desova, que eram respeitados. Conforto e dinheiro não eram trocados por degradação ambiental. Homem da Terra e Natureza era uma coisa só, mas para gerar emprego e status criou-se uma bagunça ambientalóide, senão estas pessoas estariam aonde? Tirando dinheiro de quem? Minha educação foi baseada no equilíbrio dos usos e costumes dos recursos naturais, mas pago o pato por aquele que faz piscina ao lado do rio, constrói na beira da praia, tira as plantas naturais e coloca exóticas no lugar. O problema é que esta ação não tem mais volta e para minimizar a opinião pública, também não perderem os empregos “verde-azuladas” (das notas que tem garoupas ou um ex-presidente americano estampado), as comunidades tradicionais: quem criou, cuidou, desenvolveu, preservou, conservou, continua a pagar o pato. O lar de que fui criada não era para simples beleza, ou especulação imobiliária, era para sustentar o que estava em seu entorno, o que tinha dentro e os outros indivíduos que dele iram se beneficiar. O quintal não tinha muro, tinha horta. Tinha flores do campo e não grama sintética, plantas medicinais e não

aquelas cujos nomes nem sabemos pronunciar. Tinha sempre um banquinho de madeira para acolher o visitante e não pitbulls para morder nossas canelas. O simples ato de fazer um chá natural não é abrir uma embalagem e colocá-lo “no fogo”. Mas o de ervas frescas, colhidas na hora, de água pura, está cada vez mais distante. Nossos quintais estão sendo substituídos por cimentados, lajotões, churrasqueiras, piscinas. As nossas cabeças estão sendo substituídas por tanta bobagem, que não temos mais tempo de cultivar sequer uma plantinha, quanto mais o respeito pelo ambiente e a biodiversidade que vivemos. Minha mãe dizia que quem fala a verdade não merece castigo e se você se incomodou com o texto, reavalie seus conceitos e se olhe no espelho com os olhos de ver, quem sabe você descobre que este ser refletido é fruto do que os outros querem e não o que natureza produziu. Como fizeram com o casal de aposentados lá da Pedra Preta que de sangue de nosso sangue, os transformaram em criminosos ambientais, fazendo com eles percam o prazer de preparar um simples chá. É assim e para isto que vejo o que os movimentos “ambientalóides” fazem. Que pena!



Jornal Maranduba News #26