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Maranduba, 15 de Julho de 2010

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Destaque:

Ano I - Edição 11

Vereadores suplentes assumirão cargo em agosto, após recesso Policial participa de comitiva de Segurança Comunitária no Japão Notícias:

Esporte Clube Beira Rio retoma as atividades Produto tóxico faz pescadores desistirem da fábrica de gelo Pescadores da Maranduba realizam melhorias Vereador Rogério Frediani recebe deputado Fernando Capez Turismo:

Lagoinha antiga: sangue, café e aguardente Base da origem das primeiras comunidades da região sul Gente da Nossa História:

Agostinho Alves da Silva: o homem caprichoso Cultura:

Bisneto de escravos guarda relíquia de atividade pesqueira Comportamento:

É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?


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Jornal MARANDUBA News

Editorial

Cartas à Redação

Existe uma grande diferença entre teimosia e insistência. Acredito no potencial que a região apresenta que, mesmo sem a estrutura que desejamos e que merecemos, anda por pernas próprias. Vamos insistir em trabalhar nas coisas que realmente acreditamos. Acredito no potencial da região, na luta de seu povo e no merecimento das benfeitorias que precisamos. Cada dia nos profissionalizamos mais e quem não é visto não é lembrado. Foi-se o tempo de deixar a chave debaixo do tapete. Agora temos que atender as novas tendências, trabalhar nossos potenciais, buscar visibilidade. O jornal Maranduba News traz a tona todas as situações: aqueles que teimam e aqueles que insistem. O informativo serve de elo entre as pessoas que pensam na mesma linha. O diferencial que queremos esta dentro de nós. Se deixarmos destruir o que nos une, vai ganhar o que nos separa. Como não somos teimosos, podemos ainda estar na frente. Aos teimosos resta a consolação do “não dá certo”. Se sobrar arroz no almoço, posso fazer um bolinho de arroz para a janta, e não jogar tudo fora como fazem. Para isto apareça, mostre sua cara e quando alguém lembrar de um serviço, vai lembrar que quem estava lá, que anunciou. Emilio Campi

Parabéns Vocês estão de parabéns pelas excelentes reportagens. Histórias e estórias contadas com muita verdade! Obrigado pelo carinho e atenção do Maranduba News. João Batista P. Neto via e-mail Poesia: Viagem Quem me dera poder ser conduzido pelo vento E sentir o ar me levando para novas paisagens Sob estrelas então poder dormir ao relento Com a imaginação me levando para inusitadas viagens Pairar de uma onda sobre a branca espuma Sendo por ela despejado em desconhecidas areias Sentindo no silêncio o rumor de coisa nenhuma Ouvindo apenas o som do sangue que me corre nas veias Pegar uma carona nas asas de uma fragata E com ela subir em uma corrente ascendente Pensando em como a natureza foi comigo ingrata Não me permitindo voar, embora sendo um ser inteligente Mergulhar na mais profunda quietude do mar E ver pequenos seres vivendo em eterna escuridão Como eu, eles não voam, e também não podem enxergar Então concluo que a natureza está com a mais plena razão Como broca giratória, gostaria de alcançar o âmago da terra E então estar ao lado do lugar onde nasce um vulcão Mas aqui minha hipotética viagem se encerra Abandono os meus sonhos e volto para a frieza do chão

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

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Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos, Uesles Rodrigues, Camilo de Lellis Santos, Denis Ronaldo e Fernando Pedreira Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Manoel Del Valle Neto Lagoinha, Ubatuba, SP

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Vereadores suplentes assumirão cargo em agosto, após recesso Os três vereadores suplentes que substituirão os vereadores afastados pela justiça na Câmara de Ubatuba assumirão seus cargos na primeira sessão de agosto, após o recesso parlamentar de julho. A informação foi dada ontem pelo presidente da Câmara, vereador Ricardo Cortes (DEM), logo após receber a liminar judicial que determinou o afastamento dos vereadores Romerson de Oliveira (Mico), Claudinei Bastos Xavier e Silvinho Brandão. Os três vereadores foram afastados de seus cargos por decisão da justiça em processo movido pelo Ministério Público. Eles foram acusados de improbidade administrativa por terem participação irregular na eleição do Conselho Tutelar do município, quando ajudaram no transporte de eleitores. A decisão também penaliza duas conselheiras – Iramaia Antunes de Oliveira e Rute Ribeiro de Campos – afastadas ontem de suas funções. Segundo o presidente da Câmara, o vereador Silvinho Brandão já estava afastado há cerca de duas semanas por motivos particulares e seu suplente, Heraldo Carlos Te-

nório Todão (PPS), conhecido por Xibil, já tinha tomado posse. Os outros dois vereadores afastados serão substituídos pelos suplentes José Antônio Macário de Faria (DEM), major da Polícia Militar aposentado; e pelo policial civil, também aposentado, Agnelo Cinel (PSC). “Convoquei para sexta-feira de manhã uma reunião com todos os vereadores para informá-los”, disse Ricardo Cortes, que ontem cedo teve uma reunião com o prefeito Eduardo César sobre o assunto. Segundo ele, os advogados da Câmara e dos vereadores afastados irão acompanhar o caso. A primeira medida será entrar com um Agravo de Instrumento que, caso seja indeferida pelo juiz, ainda permite recursos em 2ª Instância. “Mesmo com a possibilidade de recursos, no entanto, serei obrigado a dar posse aos suplentes pois a decisão do juiz foi pelo afastamento imediato dos três vereadores acusados”, afirmou Cortes. No âmbito do Conselho Tutelar, a decisão afasta dois dos cinco conselheiros que assumiram em março último. Caberá ao Conselho Muni-

cipal de Defesa da Criança e do Adolescente (CMDCA) convocar e dar posse aos suplentes Viviane Brandão da Silva, que é ex-conselheira reeleita; e Ezequias Bento da Silva, em primeiro mandato. “Estou tentando convocar o conselho para uma reunião amanhã a tarde (hoje) para decidirmos sobre a convocação dos dois suplentes e marcarmos a posse o mais rápido possível para

que os outros conselheiros não fiquem sobrecarregados”, disse ontem a presidente do CMDCA, Ana Carla de Almeida, psicóloga e assessora técnica da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac). Para ela, a decisão judicial não foi surpresa. “Nós já esperávamos por este desfecho, pois as denúncias, com fotos gravadas em CDs, foram entregues à comissão eleitoral no

Esporte Clube Beira Rio retoma as atividades EZEQUIEL DOS SANTOS

Integrantes do Esporte Clube Beira Rio começaram no último dia 10 a limpeza e manutenção do campo do Esporte Beira Rio no bairro do Ingá. O Clube, no passado, já proporcionou grandes alegrias à população. Segundo um dos fundadores do clube José Correia de Oliveira, a idéia é arrumar o campo que estará à disposição da comunidade. A região embora tenha várias praias ainda é carente de

espaços abertos para o entretenimento, principalmente de praças e o campo de futebol reflete a falta de lugares abertos aonde os pais possam vir com os filhos e se divertir. O campo que é novo encontra-se em bom estado de conservação e foi utilizado várias vezes para pequenos campeonatos. Os mais otimistas esperam que a cooperação dos amigos e colaboradores do Beira Rio possa resultar num espaço

mais utilizável. Em conversa com antigos colaboradores, muitos se lembram do primeiro campo que era de chão batido e que esperam agora com campo gramado e em boas condições de uso exista maior movimento de pessoas e atletas e vários outros campeonatos. Na verdade todos têm saudades dos domingos à beira do campo e a família Beira Rio não espera a hora de se encontrar para torcer e prestigiar os eventos.

mesmo dia da eleição, na presença do promotor público”, disse. Ana ressalta o aspecto positivo da decisão, “no sentido de dar transparência e credibilidade ao processo eleitoral do Conselho Tutelar. Agora esperamos que os suplentes assumam e desempenhem suas funções com a mesma responsabilidade e dedicação dos demais conselheiros”, afirmou. (Fonte: Imprensa Livre)


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Produto tóxico faz pescadores desistirem da fábrica de gelo na Maranduba EZEQUIEL DOS SANTOS

Em nota oficial, a Associação de Pescadores da Maranduba, esclarece que a razão da negativa na instalação da fábrica de gelo na barra do Rio Maranduba foi por conta de estudos realizados por um engenheiro e técnicos da CETESB apontando os altos riscos no uso da amônia, que é altamente tóxico e explosivo. O manejo destes produtos tem de seguir normas semelhantes aos utilizados na Usina Nuclear em Angra dos Reis. A fábrica de gelo foi disponibilizado pelo Ministério da Pesca em parceria com a prefeitura de Ubatuba. “Ficamos preocupados quando soubemos do alto risco a comunidade que a fábrica poderia causar, trata-se na realidade de uma bomba relógio”, comenta Mateus Quintino, Presidente da associação na Maranduba. Por conta da desistência dos pescadores da Maranduba, o prefeito municipal decidiu instalar

a fábrica próxima ao mercado de peixe, no centro da cidade. Pescadores se reuniram para discutir o assunto, por conta do perigo e o levantamento do custo beneficio decidiram contrário a decisão do prefeito. “O custo beneficio não atende a real necessidade, existem outras necessidades menos perigosa e mais atrativa para o setor, o perigo de um vazamento é um fato, teremos de ter ainda pessoal altamente especializado para manipular o equipamento”, esclarece Maurici da Silva, presidente da Colônia Z-10, reiterando sua preocupação sobre o número de moradores da cidade que possivelmente poderia ser atingida caso aconteça o vazamento do produto. Maurici diz que na questão do gelo existem três fabricas próximo do mercado de peixes e uma no Massaguaçu em Caraguatatuba que pode atender os pescadores da Maranduba.

Barra do Rio Maranduba: pescadores preocupados com a segurança rejeitam fabrica de gêlo no local

A prefeitura se manifestou indignada com a questão e esclarece que a fabrica vai facilitar significativamente a vida destas pessoas, que o preço do gelo cairia cerca de 40%. Maurici entrou com uma de-

núncia no Ministério Público contra a instalação da fábrica de gelo, encaminhando ainda cópia de levantamento técnico que aponta o auto grau de periculosidade do manejo do produto tóxico e explosivo. Na

Maranduba a associação briga pela iluminação da área dos pescadores, com o licenciamento para desassoriar a barra do rio e outras melhorias, que não sendo tóxicas ou explosivas são sempre bem vindas.

Segurança Comunitária

Pescadores da Maranduba realizam melhorias

A comunidade trabalhando unida em um sistema de cooperação mútua, com uma participação ativa e integrada aos organismos policiais é uma das formas mais eficazes de prevenção. Verifique se em seu bairro não existem veículos abandonados, ruas mal iluminadas, ruas bloqueadas, mal sinalizadas, prédios e terrenos abandonados, locais de vandalismo e consumo de drogas, etc. Oriente as crianças sobre os problemas e locais perigosos do bairro. Procure verificar se em seu bairro existem opções de lazer e desenvolvimento profissional e cultural para as crianças. Procure promover este desenvolvimento junto à sua comunidade, como programas voluntariados, atividades educativas após a escola, teatros e peças à creches e orfanatos, etc. Trabalhe de forma integrada com as autoridades policiais e públicas. A solução dos problemas do seu bairro depende da sua participação ativa. Incentive discussões sobre a influência de jogos, brincadeiras e cenas de violência sobre

No último dia 07, pescadores e associados da Associação dos Pescadores e Maricultores da Barra da Maranduba e Região Sul de Ubatuba-ASPEMUB realizaram a colocação das vigas que sustentam o piso do trapiche na barra do rio Maranduba. Fruto da parceria entre a Administração Regional Sul e a Associação dos Pescadores, a obra é um sonho antigo dos pescadores e usuários atendendo toda a região. O trapiche possibilitará a realização com segurança do embarque e desembarque de pescados, gelo, pessoal, atividades de turismo, além de demarcar território para uso próprio e exclusivo desses trabalhadores. No local a associação realizou obra de canalização de água, regularização de energia elétrica e iluminação da ponta do trapiche. A comunidade aguarda a implantação da iluminação de todo o local como prometido pela prefeitura. “A obra é extremamente necessária tendo em vista a distancia que estamos do trapiche mais pró-

os comportamentos de jovens e crianças. Procure criar programas de assistência a famílias que estejam em dificuldades em seu bairro. Aprenda ajudar pessoas que tenham sido vítima de violência. Denuncie crimes e atos de vandalismo. Ligue: 181 - Disque Denuncia 190 - Polícia Militar 197 - Polícia Civil Isso envolve: Os vizinhos se conhecendo e trabalhando juntos na busca de soluções para problemas em seu bairro; A colaboração mutua faz com que um olhe pelo outro; Lembre-se, as forças policiais não podem estar em todos os lugares para saber se alguma coisa esta errada, mais com você elas podem; Se alguma coisa suspeita acontecer ligue imediatamente para a Polícia. Policia Militar do Estado de São Paulo CPI/1 - 20 BPM/I - 3 Cia PM Base Comunitária de Segurança da Maranduba Fone: 3849-8339

ximo”, comenta Mauricio Silva, vice-presidente da sociação. Os interessados buscar regularização das

da Asem ati-

vidades podem procurar a associação que está instalada na estrada da Caçandoca, 557, na barra do Rio Maranduba.


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Hip Hop é no PEF do Áurea GLÁUCIA CAVALCANTE

A cultura hip hop é formada pelos seguintes elementos: O rap, o graffiti e o break. Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, que é a expressão musical-verbal da cultura; Graffiti - que representa a arte plástica, expressa por desenhos coloridos feitos por graffiteiros, nas ruas das cidades espalhadas pelo mundo; Break dance - que representa a dança. Os três elementos juntos compõe a cultura hip hop. Que muitos dizem que é a “CNN da periferia”, ou seja, que o hip hop seria a única forma da periferia, dos guetos expressarem suas dificuldades, suas necessidades de todas classes excluídas. O termo hip hop, alguns dizem que foi criado em meados de 1968 por Afrika Bambaataa. Ele teria se inspirado em dois movimentos cíclicos, ou seja, um deles estava na forma pela qual se transmitia a cultura dos guetos americanos, a outra estava justamente na forma de dançar popular na época, que era saltar (hop) movimentando os quadris (hip).

Baseados por estes elementos os jovens estudantes Daniel e Armando da escola Estadual Áurea Moreira Rachou, do bairro Sertão da Quina - Ubatuba, S.P, demonstram voluntariamente suas habilidades aos finais de semana na Oficina de HIP HOP do Programa Escola da Família. São muitos os apreciadores da cultura Hip Hop, que buscam interagir e trocar experiências. O Programa Escola da Família convida toda a comunidade para prestigiar o evento

de comemoração aos 7 anos do Programa Escola da Família, estarão presentes as 5 UES de Ubatuba: E.E.Áurea, E.E José Celestino, E.E Idalina, E.E Sueli e a E.E Deolindo - desenvolvendo ações dos 4 eixos norteadores do programa - cultura, esporte, saúde e qualificação para o trabalho, no dia 29 de agosto de 2010 na praça de eventos do município de Ubatuba das 10:00 as 15:00 horas onde você poderá conhecer um pouco mais da cultura hip hop.

Cheques ou documentos roubados? Proteja-se ACIU

A Associação Comercial de Ubatuba (ACIU) e o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) alertam: quem perde os documentos ou é roubado deve registrar o fato no ��rgão, além de fazer o boletim de ocorrência na polícia. A maioria das pessoas registra apenas o boletim na polícia e desconhece que somente esse procedimento não evita que fraudadores utilizem os do-

cumentos para fazer compras. O banco de dados do SCPC da Associação Comercial de Ubatuba (ACIU) é integrado com outras associações comerciais e detém a maior quantidade de informações comerciais da América Latina. São cerca de 150 milhões de informações variadas sobre empresas e pessoas físicas. Portanto, se um documento for roubado no estado de São Paulo, a informação fica disponível

em todos os estados do país. Em Ubatuba, para registrar gratuitamente o roubo ou extravio de documentos basta ligar para o número 0800 111522. A Aciu ressalta que se os documentos forem encontrados é imprescindível ligar novamente para o SCPC e comunicar para que seja retirado o alerta. Lembre-se: Registrar perda de documentos no SCPC evita surpresas desagradáveis.

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Vereador Rogério Frediani recebe deputado Fernando Capez em visita a Ubatuba

Vereador Rogério Frediani recepciona o deputado Fernando Capez

Na manhã do último dia 1º, o Deputado Fernando Capez realizou visita à cidade de Ubatuba para tomar um café da manhã com o Vereador Rogério Frediani e Pastores das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus, O Brasil para Cristo, Bola de Neve, Nova Aliança, Centro Evangelístico Internacional, Comunidade Pentecostal, Batista Renovada e representantes da cidade de Caraguatatuba. Após a bênção proferida pelo Pastor Hélio Mariano, o Deputado Capez conversou sobre os problemas enfrentados, pelo Município, na questão da segurança pública. Segundo Capez, é necessário que haja investimentos na política social para que a população seja beneficiada com melhorias na educação, segurança, saúde, entre outras necessidades. Em referência aos problemas enfrentados pelos moradores de Ubatuba e região, na área da segurança pública, Capez ressaltou que

o papel da igreja para impedir que pessoas fragilizadas por diversos problemas do nosso dia a dia entrem no mundo do crime é de extrema importância para contribuir com o Estado no combate à violência. “Há muitas igrejas que trabalham na recuperação de dependentes de álcool e drogas. Essa iniciativa, realizada por alguns representantes dessas igrejas, tem um destaque social muito grande para o bem comum de todos”, afirmou Capez. Nesse mesmo dia, por solicitação do Vereador Rogério Frediani e indicação realizada por Capez à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, a população de Ubatuba foi beneficiada com a entrega de uma ambulância. “Tenho recebido diversos pleitos do Vereador Frediani para contribuir com a cidade. Quero continuar trabalhando para alcançar a concretização de mais e mais demandas para o bem dos moradores do Município”, disse o Deputado.


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Moradores reclamam da sinalização de estrada EZEQUIEL DOS SANTOS

A estrada que liga o bairro da Maranduba ao Sertão da Quina vem preocupando moradores, usuários e turistas daquele trecho. Desde que foi asfaltada vários acidentes aconteceram, uns por imperícia e imprudência e outros por puro acidente. Condutores que utilizam o acesso periodicamente se acham competentes para dirigir acima do limite de velocidade e da margem de segurança indicado pelos policiais. Embora pareça falta de responsabilidade de alguns condutores, moradores respeitosos não merecem pagar pelos erros dos outros, comentam os usuários ouvidos pelo Maranduba News. A reclamação é por conta de uma melhor sinalização, que poderia ter evitado alguns acidentes. Em 2009 o vereador Rogério Frediani encaminhou solicitação de implantação de um guard-rail na lateral do rio do morro do Foge a prefeitura e ao DER, no último dia 13 encaminhou a Prefeitura oficio de solicitação de implantação de um dispositivo de sinalização no entroncamento entre a Estrada Municipal e a Rua Sargento Rubens Leite, aquela que é opção de saída e entrada para aqueles que não querem passar pelo centrinho da Maranduba.

Usuários pedem sinalização em entroncamento perigoso

Naquele trecho, segundo o documento do vereador, houve um acidente fatal no período da Copa do Mundo. Anterior a este houve um acidente de moto que também aconteceu uma morte. Na época a estrada foi questionada pela Associação de Moradores e Amigos do Sertão da Quina, já que a medida inicial apresentada à associação tinha um metro a mais nas laterais, o que não foi cumprido e a associação brigou ainda para que fosse implantada guia e sarjeta. Na ocasião o vereador Frediani também buscou informações sobre o tamanho da

CONVOCAÇÃO A Associação dos Remanescentes da Comunidade de Quilombo Caçandoquinha, Raposa, Saco das Bananas e Frade, convida a todos para eleição da nova diretoria da Associação que será realizado no próximo dia 01 de agosto, as 14 horas na sede da Associação na Praia da Caçandoca, entrada próximo a antiga escola na praia. Mário Gabriel do Prado - Presidente Praia da Caçandoquinha, s/nº - Ubatuba -SP apqcaquilombo@hotmail.com

lateral, não obteve respostas. Ninguém reclamou da melhoria que foi a cobertura de asfalto na estrada e sim da falta do cumprimento real da proposta que a nós foi apresentada, comenta José Luciano, presidente da Amasq. A falta destes dispositivos também causou acidentes, felizmente houve apenas prejuízos materiais. O sentimento da população é de tristeza, já que a morosidade poderá ocasionar mais um acidente fatal. Agora é só esperar e aguardar que alguma autoridade tome a iniciativa que possa resguardar a vida de todos.

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Trecho da Estrada municipal do Sertão da Quina recebe melhorias

Na altura do numero 900 da estrada Municipal Antonio Cruz de Amorim, que liga a Maranduba ao Sertão da Quina, a Administração Regional Sul realizou melhorias em seu trecho. No local das obras havia uma depressão decorrente do escoamento de águas pluviais, que havia sido realizado dentro do projeto de asfaltamento da estrada. A depressão em questão não atendia o escoamento, deixando do lado oposto ao rio poças dáguas que atrapalhavam o trânsito. Muitos usuários que a utilizavam a pé ou de bicicleta eram atingidos pela lama que acumulava no local. Segundo Moralino Valim Co-

elho, administrador da Regional Sul, a obra esta atendendo a uma solicitação antiga e no lugar da depressão foi colocado uma manilha com maior vazão de água para o rio, com isto aproveitou para realizar no local uma lombada, já que no trecho existem saídas de veículos e está próximo a uma curva.


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Policial Militar do Litoral Norte participa de comitiva de Segurança Comunitária no Japão EZEQUIEL DOS SANTOS Entre os últimos dias 13 a 26 de junho, como único representante do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o Sargento da Polícia Militar de São Paulo André Luiz dos Santos, Comandante da Base Comunitária de Segurança de Maranduba, em Ubatuba, esteve na comitiva de policiais que participou de um intercambio sobre segurança comunitária na terra do sol nascente. André foi indicado pelo Comandante do Batalhão do Litoral Norte sediado em Caraguatatuba, Tenente Coronel Ewandro Rogério Góes. Oficialmente trata-se do Curso de Cooperação Técnica Brasil-Japão dentro da filosofia de Policiamento Comunitário (sistema Koban-policiamento instalado em área urbana e Chuzaisho-policiamento instalado em área rural) desenvolvidos atualmente no Estado de São Paulo conforme orientações do Cel PM Álvaro Batista Camilo, Comandante Geral da Policia Militar. A comitiva foi composta por dez representantes: Coronel PM Marco Antonio - Chefe de Comunicação Social da PM, Capitão PM Enio - Comandante de Companhia em São Jose do Rio Preto, Capitão PM Mello – Comandante de Companhia de Sorocaba, Capitão PM Jamil – Forca Tática da capital, 1º Tenente PM Octacílio da escola de oficiais da PM, 1º Tenente PM Flávia do 12º Batalhão de São Paulo, Sub- tenente PM Almeida – Comandante de Base Comunitária de Segurança em São Paulo, 1º Sargento PM Renata – Comandante de base comunitária de Ribeirão

Foto oficial da comitiva com o comandante da polícia de Hamamatsu

Sargento André (esq) ao lado de um Policial Comunitário em frente ao Koban

Preto, 1º Sargento PM Alves – Comandante de Grupamento em Pirapora de Bom Jesus e o 2º Sargento PM André – Comandante da Base Comunitária de Segurança da Maranduba. O curso foi patrocinado pela Policia Militar do Estado de São Paulo, com cooperação da JICA (Agencia Japonesa de Cooperação Internacional). Os policiais participaram de palestras e visitas aos Koban (Base Comunitária de Segurança) e Chuzaisho (Base Comunitária de Segurança Distrital), realizaram ainda visitas a moradores que teceram opiniões sobre como a população vê o serviço naquela área. O sistema Koban baseia seu funcionamento na integração

e relacionamento entre polícia e comunidade. Trata-se do vínculo de confiança aliado a técnicas e aprimoramentos para que a comunidade se aproxime das causas e problemas enfrentados por todos, com isto os dois lados contribuem significativamente na segurança publica. O trabalho da população é fundamental para o sucesso do trabalho policial, lá o que mais favorece o serviço da policia é a permanência do policial naquela comunidade, que com a confiança estabelecida existe um melhor atendimento a população. Segundo o sargento André, a polícia japonesa valoriza a experiência dos que já se aposentaram. Existem grupos de voluntários que atuam nas

atividades de prevenção com a orientação dos policiais. Além da delegação de policiais de São Paulo, esteve participando do curso policiais militares de outros estados, como Acre, Alagoas, Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Espírito Santo, Bahia e Distrito Federal, os quais participaram do intercambio patrocinados pela Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública). Destaque para a comitiva de São Paulo que saiu na JP TV da Globo Internacional.

André informa ainda que no Japão, existem 47 quartéis provinciais, 1201 estações policiais, 6216 Koban e 6926 Chuzaicho. O grande objetivo do curso foi adquirir novas técnicas de atuação no policiamento comunitário e adequá-los as nossas leis, cultura e costumes, com o intuito de estreitar o vínculo de confiança entre comunidade e polícia, para assim trabalharem juntos nas atividades de prevenção de crimes e acidentes e contribuir na manutenção e preservação da ordem pública.

Sargento André entrega lembrança aos policiais do Koban, no Japão


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Lagoinha antiga: sangue, café e aguardente EZEQUIEL DOS SANTOS

Como se fosse um roteiro de filme ou documentário, as visitas aos patrimônios abandonados do litoral norte são cheios de mistérios, dúvidas e surpresas. Quem visita estes locais tem plena certeza do valor dos objetos, sons, sabores e construções instalados nos rincões e praias de nossa região. A praia da Lagoinha esconde muitas histórias do desenvolvimento do país em cima do sangue alheio. O lugar abrigou a primeira fabrica de vidros da América Latina e um solar: a do velho engenho do Barão João Alves Silva Porto, de um proprietário que não tem seu nome citado, depois o Capitão Romualdo. Em 1818, dez anos depois da vinda da família real as terras brasileiras, a Vila de Ubatuba recebia mais imigrantes fugindo das guerras. As grandes áreas adquiridas por estes estrangeiros logo se transformaram em grandes cultivos de café, chamados na época de ouro verde ou ouro negro. Ubatuba foi um dos primeiros a cultivar o café no Estado de São Paulo. Sua origem ainda é discutível, mas existe referen-

cia no livro de Lita Chastan “Caiçaras e Franceses” de um João Alves que teria vindo de Nantes - França, chegando aqui em 1828, teve como ocupação inicial ser agregado de Lecoq e Recher. Nos anos de 1829/30 não consta mais seu nome nos maços da população. A fazenda foi um exemplo de fazenda colonial próspera, na época a de maior esplendor econômico da cidade que aproveitava o bom porto de escoamento de produção Valeparaibana e Ubatubana de aguardente, açúcar mascavo, milho. A propriedade se firmava como um dos pólos exportadores de café, que também cultivava açúcar e aguardente. Ela ensinava também as novas técnicas para a fabricação de açúcar e produção de carvão. O engenho e o solar foram construídos a mando do engenheiro francês João Agostinho Stevené, que foi proprietário da Fazenda Brejahimirinduba (Maranduba). O engenho ajudava na valorização dos produtos que eram embarcados para a Europa. Como havia a demora e um valor muito alto para embarcar e engarrafar aguardente, o barão resolveu

Da antiga roda de moinho, sobrou apenas a foto: a roda sumiu!

Foto de 1952 mostra os 4 pilares do que teria sido a primeira fábrica de vidro da America

buscar um especialista para montar uma fábrica de vidros, a princípio garrafas. A Fazenda era dividida em duas atividades: produção-beneficiamento e fábrica. Apurados informações sobre o funcionamento da fábrica, muitas pistas apontam que ela não foi concluída, outras informam que ela foi construída, mas nunca funcionou. Outras dizem que funcionou apenas para testes, as garrafas haviam ficado em poder do barão em sua cota particular. Existem vestígios da extração de areia para o fabrico do vidro no bairro da Maranduba. Um dos lugares já foi até um lago piscoso. Hoje, atendendo a especulação imobiliária foi aterrado e tem ruas e casas sobre o seu antigo leito, entre os fundos do Abel Sat até a Rua 16 e 17 na Maranduba. Também existem vestígios de um “monturo”, um monte de sobras de vidros, em frente ao Camping Clube do Brasil, no sopé da montanha. Tudo leva a crer que a referida fazenda era dividida em três subsedes: a frente era chamada de Bom Retiro,

os fundos que fazem divisa com a Fazenda Corcovado era chamada de Bom Descanso e o outro lado e ao fundo que fazia divisa com a Fazenda Brejamirinduba era chamada de Fazenda Poço dos Bagres. No Sertão da Quina, no Sitio Santa Cruz, existem marcas da antiga fazenda, como os de uma roda d’água, um terreiro de café e um local onde foi enterrado um “benzedeiro”. O Barão fez fortuna primeiro com o tráfico negreiro e depois com o cultivo das terras. No local desembarcavam negros e voltavam carregados

com café, que eram plantados em toda a encosta. Uma pequena estrada de terra ligava por entre a mata virgem a Bom Retiro a Fazenda Poço dos Bagres, antigo trecho compreendido hoje os bairros do Ingá e Sertão da Quina. O trecho compreendia na subida íngreme de um morro, tentou-se então cavar um túnel para transpor este obstáculo, como o tinha muito Granito Verde Ubatuba, desistiram. Muitos pés de café podem ser ainda encontrados na mata e em propriedades rurais ao sopé de nossas montanhas.

Imponente parede do solar contruído por um engenheiro francês


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Base da origem das primeiras comunidades da região sul A sede, o solar era rodeados por arvores frutíferas, como jabuticabeiras que denunciam ter um pomar a seu entorno, pode-se observar pés de flores de vários aromas, talvez para fazer alguma “água de cheiro” para o banho da sinhá. O barão era um homem rude, desumano com seus escravos. Segundo a lenda, um deles na tentativa de se livrar dos chicotes, inocentemente untou o corpo com óleo e rolou na areia branca da praia, cobrindo o corpo todinho de sílica branca e pura. De encontro ao seu feitor disse com todas as letras que livrasse seu pai dos castigos, pois a partir daquele momento era um homem branco e merecia mandar em si próprio. O infeliz, dentro de sua ingenuidade, não sabia o que lhe esperava, o barão mandou-o para o “couro”, apanhou tanto que morreu dos sangramentos decorridos pela surra. A natureza se manifestou ao ver tanto sofrimento, ela fez florescer lírios do brejo com suas flores branquinhas como as areias da praia que havia untado o corpo do escravo, até hoje se vêem lindos em cheirosos lírios no lugar. Entrar no couro era uma expressão comum nas fazendas de café e cana. No caso da Lagoinha, o negro era amarrado de bruços numa roda ligado ao eixo do engenho, impulsionada pela água desviada por um túnel do rio Lagoinha. Em outra roda eram amarrados tiras de couros que, em movimento, batiam nas costas do escravo até matá-lo. Os que fugiam do sofrimento, eram capturados por “capitães do mato” no Morro do Foge (Sertão da Quina). Este nome foi por conta das armadilhas preparadas para capturar os fujões. No local, onde passa hoje

o rio Maranduba, existe uma garganta entre duas montanhas onde eram cavados poços profundos, onde sua boca eram cobertos de folhas, camuflando a armadilha. Muitos caiam e sumiam dentro das armadilhas, por isso Morro do Foge. Na fazenda era proibido o romance entre brancos e negros, qualquer envolvimento era imediatamente interrompido e o castigo, nada mais do que a morte. Com a falta da aproximação amorosa entre brancos e negros, o local não teve nenhum remanescente para contar história. Com a Lei de Euzébio de Queiroz em 1850, cai drasticamente o número de escravos na fazenda. Anos depois a viúva do barão vendeu a fazenda e o novo proprietário tratava rudemente o restante dos escravos. Só quando a fazenda foi adquirida pelo Capitão Romualdo os negros tiveram tratamento digno, este chegou a convidar varias vezes seus escravos a sentarem a sua mesa para compartilhar uma refeição. A produção era compartilhada, uma espécie de meieiro, até cemitério ele havia construído aos negros. Com a construção da ferrovia do planalto ao litoral sul de São Paulo muitos proprietários abandonaram sua posses deixando aos moradores antigos. Muitos familiares destes detinham posses centenárias de pequenas propriedades, chamados de pequenos fogos, que se transformaram nos moradores tradicionais (agricultores e pescadores) que conhecemos. A atividade de tráfico e trabalhos forçados em Ubatuba só acabou em 1888. Por volta de 1857, depois da Lei Euzébio de Queiroz, começou a surgir as pequenas propriedades

vindas da Fazenda Bom Retiro, esta data coincide com o surgimento de uma vila mais ao sul, a Vila de Santo Antonio de Caraguatatuba. Lagoinha então tem a mesma idade de Caraguatatuba. Os fogos da época compreendiam o que hoje conhecemos de Praia do Perez, Bonete, Fortaleza, Ingá, Sertão da Quina, Tabatinga e Lagoinha e viviam exclusivamente da roça, do artesanato, da pesca, da criação e da caça. Vale lembrar que no mesmo período, também vieram pra cá trabalhadores da fazenda dos Ingleses, que junto com os que aqui estavam fundaram estes lugares. Houve a intenção de construir uma igreja e a escola dos padres da Ordem dos Laterenenses em frente as ruínas da fabrica de vidros. Alguns nomes foram citados por antigos moradores como Benedito Felipe (Bidico), Antonio Mesquita (Antonio Pão), João Prado, o casal Jacinto e Bernardino, Porfírio, João Sou-

za e um senhor negro de nome Rodolfo, que morava ao lado da barra da Lagoinha. Claro que depois desta publicação, leitores nos informarão de outros atores desta história. As ruínas foram confeccionadas com areia do rio e sua junção foi feito através da mistura de óleo de baleia e conchas moídas, que produziam a cal, as pedras eram retiradas dos rios e montanhas da antiga fazenda. O responsável pela construção das ruínas foi o senhor João Santana Nunes, conhecido na época como João Pedreiro, ele seguramente deve ser tetravô de algum leitor com mais de 75 anos. Moradores que nos deram os nomes nos lembram de episódios de saques e roubos em terras das antigas fazendas. Corsários aportavam na baia da Maranduba e buscavam ouro, prata e libras esterlinas enterradas próximas as fazendas, para isto saqueavam tudo, agrediam e estupravam as mu-

lheres, matavam os homens, ateavam fogo as casas e depois faziam festa para lado de Santo Antonio (Caraguatatuba). Muito embora pareça mentira, existem publicações de piratas saqueadores em nosso litoral como o pirata Thomaz de Cavendish. Mas não só do mar vinham os saqueadores, durante anos o terreno foi mutilado e cavado centenas de vezes na busca de algum valor. Dizem que muito ouro foi retirado do local, também das proximidades da barra da Maranduba. Existem comentários que tiraram muito ouro do lado esquerdo do solar, retirado debaixo de uma laje retangular de pedra que tinha cerca de 800 quilos e media 1metro e meio por dois metros, debaixo de meio metro de terra. O local ainda sobreviveu de bananais e do fabrico de carvão, a prova são os fornos em meio a cipós e plantas tropicais em todo o entorno da montanha. Colaboração de Michael Swoboda


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Praia da Lagoinha: calma, relaxante e bela EZEQUIEL DOS SANTOS

Considerado um lugar abrigado com 3 km de extensão, a Praia da Lagoinha junto com as praias do Sapê e Maranduba formam a maior faixa contínua de praia do município, totalizando 7 Km. De areia compactada e as águas calmas (daí provavelmente o nome lagoinha: lagoa de águas calmas e rasas) propícias às atividades náuticas, passeios, caminhadas, banhos, lazer e contemplação. O visitante pode entrar na água e caminhar mar adentro, com isto perceberá que custa encobrir a cintura, por isto é muito apreciada por famílias. Suas águas por vezes azuis por vezes verdes se juntam em seu canto esquerdo a foz do rio Lagoinha, próximo a costeira. O rio nasce bem antes da cachoeira Véu de Noiva, rio este indicado para as crianças e adultos que querem evitar maiores agitações. Depois do rio existe uma trilha que leva a praia do Perez, Bonete, Grande do Bonete, Cedro. Na trilha é possível aproveitar as delicias do litoral nos quiosques a beira mar que existem no percurso. Lá podemos ver o que foi a mais importante fabrica de artes em bronze, ver ainda as fazendas de mexilhões e maravilhas da fauna e flora. Existem também saídas para outras praias através de serviços de táxi-boats. Além da praia outra atração são as ruínas que foram construídas ainda no Brasil Império e trata-se de um solar e da primeira fábrica de vidros da América Latina. O rio que dá o nome do lugar no passado já foi de grande proporção, nele se faziam travessias de canoas, princi-

Alguns trechos da praia da Lagoinha ainda guardam a vegetação nativa: o jundú

palmente em tempos de mar revolto, onde os pescadores, primeiros moradores guardavam seu meio de transporte em seus remansos. A praia foi palco de grandes pescarias, redes de tainhas que de tanto era distribuída a famílias da região. Suas areias guardavam pequenos seres como o “sapinhoá” (parente do vongole) iguaria muito utilizado na cozinha caiçara. Considerada um lugar mais relaxante do que interessante, a praia atrai mais grupos familiares, tanto de moradores, quanto de visitantes, existe um espaço exclusivo para a pratica de esportes com tênis, voleibol, futebol entre outros. A praia ainda é pouco explorada para o windsurfe e dela pode-se alcançar as ilhas do Pontal, do Mar Virado e

do Tameirão. Do outro lado avistamos ainda o castelo dos Arautos, as praias do Pulso e Caçandoca. No seu entorno existe uma boa infra-estrutura hoteleira, restaurantes, camping, chalés, casa de aluguel, imobiliárias, escolas, lojas, postos de combustível, farmácias e bancas, já que fica próxima a Maranduba. A Praia que é bastante agradável para quem aprecia um banho de sol e uma boa da leitura aos sons do mar beijando a areia.Existem placas de sinalização sobre a limpeza, os perigos, preservação da beleza e ordem publica no local, já que o espaço é administrado por uma associação de moradores. Curtir um banho de mar é na maioria a desculpa para relaxar o corpo e mente. Existem carrinhos que ofe-

recem quitutes e bebidas para todos os gostos e sabores, o único quiosque da praia é muito freqüentado, todos possuem clientes cativos. Nas costas da praia, em direção a montanha é possível ver o pico mais alto do litoral paulista, o Pico do Corcovado, que impera imponente em paredão de granito verde Ubatuba, guardando mistérios e belezas da historia indígena, quilombola e de caiçaras que formaram primeiro processo civilizatório nacional neste rico e belo pedaço de chão. A história e a beleza ainda resistem ao tempo e ao homem de hoje, que viu no homem do passado as belezas e simplicidade que o fizeram mudar de hábitos e de moradia. Pensando na acessibilidade e na responsabilidade social, a

Praia da Lagoinha é uma das poucas que pode ser utilizadas por deficientes, principalmente por cadeirantes, já que a areia é bem compactada e existe lugar de embarque e desembarque de pessoal, pescados e mercadorias que também pode ser utilizado para estas pessoas, mas antes a administração do lugar deve ser consultada. Por ter águas calmas e tranqüilas a maior parte do tempo, é possível ainda praticar o mergulho livre e snorkel, principalmente no lado da costeira, local muito apreciado para quem quer conhecer e observar a vida marinha. Nas pedras muitos pescadores de final de semana se aventuram na tentativa de pegar algum peixe, basta lembrar de não deixar nenhuma sujeira no local. Este pedaço paradisíaco não combina com lixo de nenhuma espécie ou categoria, quanto mais gente se a utiliza, mais o lugar esta aberto a impactos e belos lugares merecem serem cuidados como nossa casa, para isto cuide para as gerações futuras possam usufruir dessas delicias da natureza. Seu charme ainda atrai animais de pequeno porte e aves silvestres, isto é um bom sinal do respeito que o homem tem com o lugar, pois ao lado do rio ainda existe um trecho de mata atlântica bem preservada, que um dia suas madeiras foram utilizadas nos fornos da fazenda. Belo é sentir na Lagoinha o som da natureza e ver de perto o por e o nascer do sol rompendo o dia que embora pareçam iguais nos mostram surpresas diferentes, basta apreciar um pequeno detalhe a cada dia.


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É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Manual do poliamor = relacionar-se amorosa e sexualmente com mais de uma pessoa LILIAN NAKHLE

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O maior inimigo do poliamor não é o sexo com outra(s) pessoa(s) e sim a quebra da confiança. O sexo é uma força positiva se aplicada com honestidade, responsabilidade e verdade. Não é preciso atender a todas as necessidades do parceiro. Deve-se apenas ajudá-los. Se sua esposa ama música clássica e você não gosta, um outro parceiro pode ser uma companhia melhor que você. O amor é um recurso infinito. Ninguém duvida de que você possa amar mais de um filho. Isso também se aplica aos amigos. Nós não nascemos com o ciúmes, podemos evitar, superar e lidar muito bem com este sentimento. Os poliamoristas criaram um novo termo oposto a ele: “compersion” (algo como “comprazer” em português). Trata-se do contentamento que sentimos ao sabermos que uma pessoa querida é amada por mais alguém. O amor deve ser incondicional, sem seguir proposições como “eu te amo somente se você não amar outra pessoa” ou “desista de todos os outros”. A relação monogâmica não dá garantias de que não irá se amar mais alguém ao longo da vida. Os poliamoristas acreditam em investimentos emocionais de longo prazo em seus relacionamentos. Vale lembrar, que como na monogamia, o objetivo nem sempre é alcançado no poliamor. Segundo suas crenças, eles representam os verdadeiros valores familiares. Têm a coragem de viver um estilo de vida muito diferente que, embora condenado por parte da sociedade, é satisfatório e recompensador. De acordo com o psicanalista Flávio Gikovate, se o casal acha

que é importante cada um ter outros parceiros, tudo bem, desde que seja uma decisão do casal. Mas esta não é uma tendência, ou uma coisa que possa vir a acontecer normalmente segundo o psicanalista. A monogamia pode ser cultural também, mas passa a ser um desejo coletivo quando todo mundo valoriza e espera que seu casamento seja “fiel”, diz a antropóloga Mirian Goldenberg, autora do livro “Infiel”.

“Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.”

(Carlos Drummond de Andrade) Estudos realizados por David Barash, zoólogo e um dos autores do livro “O Mito da Monogamia”, o fato é que as pessoas amam, sim, mais de um indivíduo ao mesmo tempo. Mais de 85% das sociedades humanas são polígamas (o homem tem mais de uma parceira), por exemplo, e muitos homens claramente são capazes de estabelecer relações amorosas com

mais de uma mulher. Algo parecido acontece entre as sociedades poliândricas (a mulher tem mais de um parceiro), elas freqüentemente mantem boas e amorosas relações com cada homem. Até mesmo nas sociedades em que a bigamia é ilegal é muito comum os adultos manterem múltiplas e razoavelmente bem-sucedidas relações, afirma o zoólogo. Gente! Agora, vamos pensar juntos? O que é que você está procurando? O que espera encontrar? Você está buscando um sentimento ou uma pessoa? Busca um sentimento e um relacionamento equilibrado e feliz? Vocês sabem que isto não existe na realidade. A socioedade em que vivemos pede e implora apenas e tão somente AMOR e COMPAIXÃO. E nós o que fazemos? Nós exercitamos o poder de complicar o ato de amar. Que tal pensar simples, fazer simples e amar simples? Lilian Nakhle - Psicopedagoga/ Psicoterapeuta/ Neuropedagoga - www.liliannakhle.com Atendimento Clínico: lilocanakhle@hotmail.com


Página 12 Gente da nossa história: EZEQUIEL DOS SANTOS

“Centina, vô dá um pulinho na praia pegá uns peixe pra nóis jantá.” Era assim que seu Agostinho por vezes ao chegar em casa, depois do serviço, dizia a esposa “pra móde” pegar uma mistura pro jantar. Da época em que o homem honesto era exemplo a ser seguido, seu Agostinho foi exemplo de pai, marido, companheiro, amigo, homem de bem. Como era natural a troca de mercadorias entre o litoral e o planalto, muitas pessoas subiam e outras desciam a serra, alguns se instalaram em definitivo, como foi o caso de seu Agostinho. Natural de Natividade da Serra, ele nasceu no dia 29 de setembro de 1915 e de lá para cá fez história. Tinha três paixões em sua vida, a primeira ele gostava tanto que casou com ela, foi dona Vicentina Alves da Silva, a outra eram os filhos e por último a Folia de Reis. Seu Agostinho quando veio para o litoral trabalhou em várias fazendas, a mais lembrada foi a do Casqueiro (Porto Novo) em Caraguatatuba, onde se casou com Vicentina. Desta união tiveram doze filhos: Pedro, Margarida, Nair, Waldomiro, Orlando, Inês, Odete, Elza, João, Maria, Carlos e Angélica. Homem de hábito simples costumava plantar de tudo, também tinha lá suas criações como galinha caipira e porcos. Em sua casa na Lagoinha tinha um mangueirão de dar inveja. Homem que trabalhava nas fazendas realizando todo tipo de atividade, capinava, roçava, cortava, amontoava. Em 1946 ele veio morar em definitivo na Lagoinha (próximo a capela de São Maximiano), sua casa era de pau-a-pique, que mais tarde ganhou um reboco (coisa chique para a época), as janelas de tramela escondiam as crianças que dormiam em esteiras no chão. O quintal sempre rodeado de plantações como jabuticabas, banana, goiabeiras, mandioca, batata. As frutas só podiam ser apanhadas se estivessem de “vez”, antes

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Agostinho Alves da Silva: o homem caprichoso do tempo de “jeito maneira”. Aos sábados ia para a Fazenda Bom Descanso onde cultivava bananas, milho, verduras. Na lua certa, saía com os amigos para caçar. Ele tinha licença de caça e fazia questão de pagar a licença todos os anos. Também gostava de pescar de linhada, era da época em que se arregaçava as pernas da calça até o joelho, depois emendavam as linhas, lançavam o anzol na água, as iscas eram tiradas pelos filhos, os mais velhos, retirando “sapinhoás” nas areias da praia, depois abrindo com canivete para servir ao anzol. Como o mar da região era repleto de peixes, sempre traziam para casa alguns pampos pescados no perau. No retorno para casa, havia sempre um bule de café no fogão a lenha, sempre fresco e quentinho (marca registrada da hospitalidade do casal). Seu Agostinho trabalhou por muito tempo no antigo DER como cantoneiro, na época cada um cuidava de um trecho de três quilômetros. No departamento, ele colaborou com muitas famílias conseguindo caminhões para mudanças e transportes, com enchentes e catástrofes naturais, no resgate de motoristas na estrada, com material para construção de escola e igreja. Por ser o único morador do trecho, todos que ali passavam tinham um grande amigo e companheiro para todas as necessidades, abrigando gente humilde, padres e autoridades. Abrigava também pescadores que em tempos de marés ruins, se viam obrigados a parar na praia e correr para próximo daquele café quentinho.

Bastava um carro quebrar, lá estava Agostinho socorrendo e se o caso fosse grave, ganhava até janta e pouso. Do tamanho de sua fé, seu Agostinho abrigou por muitos anos religiosos como Frei Vitório Fantini, Fernando Mazon (hoje Bispo), Frei Angélico, Frei Pio, que realizam visitas a este trecho de litoral. A primeira capela era dentro de sua casa em um espaço de três metros por quatro. Foi deste espaço que

sua humilde casa ficou conhecida como a igreja de Seu Agostinho. Quando era época de Folia de Reis, ele fazia um caminho de flores tropicais, nas laterais com todo o capricho colocava ramalhetes de samambaias, dentro flores de todas as cores e aromas, as crianças adoravam. Os homens da folia já sabiam que tinham de passar em duas casas, independente da ordem: a de seu Agostinho e a de seu Benedito Euzébio. Não faltavam eram comes e bebes aos acompanhantes da Folia de Reis. Seu compadre vivia como irmão. Estamos falando de Afonso Gonzaga, que agora devem estar rindo das estripulias que faziam por aqui.

Quando ele ia trabalhar, levava seu corpo, mas sua alma ficava em casa, com “pensão” nos filhos e na esposa. Os filhos, espoletas como eram, faziam a festa quando voltava do trabalho, quando sobrava almoço da marmita, ele dividia com os filhos que gostavam de comer junto com o pai. Os tempos sempre foram difíceis nesta casa, no sentido financeiro, ao que se sabe nunca faltou carinho, amor, compreensão da parte dos pais. Seu Agostinho, como homem bom e caprichoso, ao se aproximar do natal fazia os próprios brinquedos. Ele buscava algum tronco de caixeta e começa a entalhar com seu canivete até que conseguia fazer um caminhãozinho para dar de presente de natal aos filhos, a todos os filhos. Os dias que antecediam o natal, todos ficavam ansiosos e até iam dormir mais cedo, quando adormeciam, ele colocava na cabeceira da cama de cada um e fazia questão de dizer que tinha sido obra do papai Noel. Seu Agostinho, sobre a orientação de sua amiga Maria Balio ajudou a erguer a primeira escola, que foi na fazenda Bom Descanso, ela durou menos de um ano, depois ajudou a erguer uma na Lagoinha, esta durou três dias, como era um salão aberto o vento forte derrubou a estrutura. Os alunos começaram a freqüentar a escola da Rita Carlota na Maranduba. Quando um dos filhos não ia para escola, no outro dia podia contar que Maria Balio aparecia em sua casa para ver o que havia acontecido com seu aluno, dependendo da situação até os adultos levavam um sabão da professora.

Não só de trabalho vivia Seu Agostinho, ele também levava a todos a Aparecida do Norte. Todos acordavam as três da madrugada e as quatro saiam no caminhão pau-de-arara de Afonso Simão. Maria Balio é quem animava o passeio, ela cantava, rezava, puxava conversa. As 11 hs. chegavam a Paraibuna, lá em frente ao cemitério almoçavam e por volta das 18 horas chegavam a Aparecida, o passeio geralmente durava dois ou três dias, as crianças adoravam. Tudo isto era preparado um ano antes, ele vinha guardando suas economias para alegrar sua primeira e segunda paixão. De braços fortes e coração mole, seu Agostinho era daqueles que tirava a camisa para vestir quem quer que fosse. Aos finais de semana sua casa vivia repleta de gente, tinha porco, frango caipira, feijão gordo, café no bule, família reunida. Ele fazia tudo para todo mundo. Mesmo quando “ralhava” com alguém:” Mais será possível!” ou” Ah! Para com isto!”. Era apenas para corrigir um erro, para que o bem pudesse seguir seu caminho. Seu Agostinho confidenciava aos filhos e aos amigos que não tinha medo de morrer, mas tinha medo de se esquecido. Perguntado aos amigos e pessoas ainda vivas que o conheceram, muitos, em principio fizeram um longo silencio e com os olhos marejados de lágrimas diziam as seguintes palavras: Bom homem! Pois é seu Agostinho, o senhor se foi no dia 15 de maio de 1990 e não vai ser esquecido de jeito maneira, seu esforço culminou em uma linda homenagem, onde verão seu nome todos os dias. Hoje seu nome esta estampado na escola que ajudou a construir. Com o orgulho dos amigos, filhos e familiares, o senhor é patrono da Escola Municipal da Lagoinha, que se chama agora Escola Municipal Agostinho Alves da Silva em sua honra, memória e seu mérito.


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Bisneto de escravos guarda relíquia de atividade pesqueira da região EZEQUIEL DOS SANTOS

Ainda do período em que as canoas eram quase o único meio de transporte de carga e pessoal, ainda da época em que o artesão que confeccionava canoa era considerado um mestre, não um bandido pelas leis ambientais, o senhor Benedicto Antunes de Sá, 68 curtia as marés e os ventos, bem como as atividades de pesca dos adultos. Nascido na Cassandoca (com dois “s”), ele viveu e se criou num lugar chamado São Lourenço, conhecido atualmente como Saco do Morcego, onde ainda existem pilares e outros vestígios do patrimônio da antiga fazenda. Benedicto guarda por 54 anos um conjunto de pescaria que possui um anzol, um arpão e uma fisga, só que não é um conjunto comum. As peças têm cerca de 150 anos e foram forjados num aço específico, até o arame é diferente. As peças foram de seu bisavô Sinfronio Antunes de Sá, um dos escravos que deu início ao quilombo da região, que deu a seu tio Thiago Barra Seca que passou a seu Benedicto quando este tinha 12 anos. Seu avô, tanto materno, quanto paterno tinha como primeiro nome o Antonio, um é Madalena e outro Barra Seca de Oliveira, já seu pai foi Luiz Antonio de Sá, todos sempre cuidaram do local que tinham o café, a cana, a pesca como base da atividade de subsistência. O tio que deu as peças faleceu aos 70 anos e até agora as peças estão bem guardados na casa de seu Benedicto. “O arpão era mais usado para pegar Salambiguara (peixe parecido a Guaivira), também algumas tartarugas, a fisga era para pegar Carapeva, Robalo na barra da Lagoa, às vezes em cima de canoa, o anzol era para pegar Garoupa, Cação. Eu também pedi a meu tio a corda do arpão, mas

ele disse que a corda ia ficar em sua casa, mas todos os apetrechos me deu”, explica seu Benedicto. Segundo ele o peixe chegava a correr toda a extensão da corda, o pescador ficava só com o chicote na mão. Diz ainda que nunca usou as peças. Benedicto é um daqueles caiçaras que quase ninguém dá bola, parece um homem comum em meio aos outros, mas quem o conhece sabe que ele também tem história para contar, o carinho que as pessoas têm por ele o denúncia como homem de bem, sua história começa por sua árvore genealógica, a dos primeiros homens e mulheres que deram início ao quilombo Caçandoca (com “ç”). Em sua época, os peixes eram em maior quantidade, já que os homens conciliavam mais suas atividades com o respeito aos ciclos naturais, não havia barulho na água e nem barcos com redes enormes que varrem o fundo mar. Benedicto lembra de uma ocasião que seu pai saiu para pescar com o Gregório no Saco das Bananas, no Largo, quando os dois sentiram um tranco, era uma “Tintureira” (espécie de cação), ao chegar à praia, por orientação de um pescador mais experiente, viraram a canoa e embaixo da canoa havia dois dentes cravados na madeira, todos se assustaram. Existem na região outras histórias ocorridas com esta espécie de cação, uma das mais violentas espécies de nosso litoral. “Meu avô foi um dos maiores pescadores da Lagoa”, comenta orgulhoso seu Benedicto. Lembra ainda de outra passagem de seu avô, ele percebeu uma “Tintureira” chiando embaixo de sua canoa, o avô continuou remando bem devagar até sair do campo de ataque do peixe. Vale lembrar que esta espécie

Benedicto mostra apetrechos herdados de seus antepassados

pode atacar o pescador, mesmo em cima de sua canoa, comenta o pescador. Benedicto não sabe se outros pescadores têm peças como estas, mas fala que o valor sentimental é muito maior do que o valor histórico e material. Seu Benedicto veio para o Sertão da Quina em 1987, a dificuldade para os filhos estudarem, a falta de energia elétrica e posto

de saúde foram uns dos fatores para a mudança de lugar. Atualmente vive no entorno de sua família e guarda com muito carinho as peças que foram de seus antepassados, ele ainda desmistifica gratuitamente o tempo para turistas, veranistas e até mesmo moradores que querem saber um pouco mais deste lindo litoral.


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Porquê não trocar o marido pelo amante? Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa. Para entender, é muito simples:

A Solteira é Crédito A Casada é Débito A Viúva é Ativo Imobilizado A Cunhada é Provisão para devedores duvidosos A Bonita é Lançamento A feia é Estorno A feia e Rica é Compensação A Bonita e Rica é Lucro A Ex-namorada é Saldo de Exercícios Anteriores A Namorada é Resultado de Exercício Futuro A Noiva é Reserva Legal A Esposa é Capital Integralizado A Vizinha é Ação de outras companhias A Amante é Empresa coligada As Que Fazem Operações Plásticas são Benfeitorias As Gestantes são Obras em Andamento As Que Dão Bola são Incentivos Recebidos As Que Não São Viúvas, Casadas e Solteiras são Contas a Classificar As Que Muito Namoram e Não se Casam são Saldo à Disposição da Assembléia As Que são Surpreendidas em Flagrante são Passivo a Descoberto A sogra pode ser classificada como... PREJUÍZO ACUMULADO!!!

O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia. O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência. O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho. O outro tira essa mesma roupa só pra você. O marido dorme com aquela camiseta velha e de cueca as vezes até de meia. O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você.

O marido telefona pra casa e fica perguntando o que tem que comprar no supermercado, padaria e etc. O outro telefona só pra dizer que comprou um champagne que você vai adorar. O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo. O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver. Ah... esqueci o imprescindível... o outro nunca vai tomar cerveja com os amigos numa sexta-feira!! - Ele estará com você enquanto o corno está enchendo a cara com um monte de macho do lado. Bem, você vai me perguntar: Por que não trocar o marido pelo amante? Pelo simples fato de que o amante se for viver com você,

Noções básicas de contabilidade Para quem não entende nada de contabilidade, apresento uma explicação simples de como funciona a contabilidade:

O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de você.

O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa. O outro te recebe no apartamento onde tudo funciona perfeitamente.

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Meu nome é MULHER!

passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro. Oração das mulheres resolvidas! Que o mar vire cerveja e os homens tira gosto, que a fonte nunca seque e que a nossa sogra nunca se chame Esperança, porque Esperança é a última que morre. Que os nossos homens nunca morram viúvos, e que nosso filhos tenham pais ricos e mães gostosas! Que Deus abençoe os homens bonitos... e os feios se tiver tempo. Deus... Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e paciência pelos seus atos, porque Deus, se eu pedir força, eu bato nele até matá-lo. Um brinde... Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos. Um brinde também aos namorados que nos conquis-

taram, aos trouxas que nos perderam e aos sortudos que ainda vão nos conhecer! Que sempre sobre, que nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos! Amém. Só as mulheres para entenderem o significado destas palavras! Estamos em uma época em que: “Homem dando sopa, é apenas um homem distribuindo alimento aos pobres” “Pior do que nunca achar o homem certo é viver pra sempre com o homem errado” “Mais vale um cara feio com você do que dois lindos se beijando” “Se todo homem é igual, porque a gente escolhe tanto???” “Príncipe encantado que nada... Bom mesmo é lobo-mau!! Que te ouve melhor... Que te vê melhor... E ainda te come!!!

Eu era a Eva Criada para a felicidade de Adão Mais tarde fui Maria Dando à luz aquele Que traria a salvação Mas isso não bastaria Para eu encontrar perdão. Passei a ser Amélia A mulher de verdade Para a sociedade Não tinha a menor vaidade Mas sonhava com a igualdade. Muito tempo depois decidi: Não dá mais! Quero minha dignidade Tenho meus ideais! Hoje não sou só esposa ou filha Sou pai, mãe, arrimo de família Sou caminhoneira, taxista, Piloto de avião, policial feminina, Operária em construção .. Ao mundo peço licença Para atuar onde quiser Meu sobrenome é COMPETÊNCIA E meu nome é MULHER !!! (O Autor é Desconhecido, mas um verdadeiro sábio)


15 Julho 2010

Página 15

Jornal MARANDUBA News

Túnel do Tempo

Coluna da Por Adelina Campi

Amigos para Sempre... Houve uma vez dois amigos. Eles eram inseparáveis, eram uma só alma. Por alguma razão seus caminhos tomaram dois rumos distintos e se separaram. E isto iniciou assim: Eu nunca voltei a saber do meu amigo até o dia de ontem, depois de 10 anos, que caminhando pela rua me encontrei com a mãe dele. A cumprimentei e perguntei por meu amigo. Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas e me olhou nos olhos dizendo: morreu ontem... Não soube o que dizer, ela seguia me olhando e perguntei como ele tinha morrido. Ela me convidou a ir a sua casa, ao chegar ali me chamou para sentar na velha sala onde passei grande parte de minha vida, sempre brincávamos ali meu amigo e eu. Me sentei e ela começou a contar-me a triste história. Faz 2 anos diagnosticaram uma rara enfermidade, e sua cura dependia de receber todo mês uma transfusão de sangue durante 3 meses, mas....Recorda que seu sangue era muito raro?, Sim, eu sei, igual ao meu... Estivemos buscando doadores e por fim encontramos a um senhor mendigo. Teu amigo, como deves te lembrar, era muito cabeça dura, não quis receber o sangue do mendigo. Ele dizia que de da única pessoa que receberia sangue seria de ti, mas

não quis que te procurássemos, ele dizia todas as noites: não o procurem, tenho certeza que amanhã ele virá... Assim passaram os meses, e todas as noites se sentava nessa mesma cadeira onde estás tu sentado e orava para que te lembrastes dele e viesse na manhã seguinte. Assim acabou sua vida e na última noite de sua vida, estava muito mal, e sorrindo me disse: mãe, eu sei que logo meu amigo virá, pergunta pra ele porque demorou tanto e entrega a ele esse bilhete que está na minha gaveta. A senhora se levantou, regressou e me entregou o bilhete que dezia: Meu amigo, sabia que viria, tardaste um pouco mas não importa, o importante é que vieste. Agora estou te esperando em outro lugar espero que demores a chegar aqui, mas enquanto isso quero dizer que no céu tem um amigo cuidando de ti meu querido melhor amigo. Ah, por certo, te recordas porquê nós nos distanciamos? Sim, foi porque não quis te emprestar minha bola nova, rsrs, que tempos... eramos insuportáveis, bom pois quero dizer que te dou ela de presente e espero que goste muito. Amo você: teu amigo para sempre “Não deixes que teu orgulho possa mais que teu coração... A amizade é como o mar, se vê o princípio mas não o final”

1954 Pescador sentado a beira do Cruzeiro da Maranduba observando o lagamar

1967

1951

Procissão seguia até o Morro do São Cruzeiro (Emaús) no Morro da Quina

1967

1955

Nesta foto no Sertão da Ingá, todos esconderam o estilingue

1966 Pixé não faltava na mesa dos antigos

Antonio Pereira esbanjava seu charme

Av. Copacabana, 820, praia da Lagoinha. Cadê os vizinhos?

1958 Turista da época com a mistura do jantar. Ao fundo a ponte do Hotel Picaré



Jornal Maranduba News #11