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Maranduba, 25 de Outubro de 2010

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano I - Edição 17

Destaque:

Programação cultural e religiosa agita feriado no Quilombo

Notícias:

Moradores reclamam de atendimento em posto de saúde Ong utiliza cultura para estimular plano de saneamento básico Motociclistas se reúnem para prestação de contas Alunos de Turismo Rural coletam lixo na Praia da Raposa Áurea realiza intercambio cultural com escola da capital Missa é marcada por despedida e transferência de Pároco Turismo:

Canto da Maranduba: encantos de um passado glorioso Gente da Nossa História:

Paula Alves dos Santos: serenidade pura Cultura:

As “visage” do tempo do “fifó”


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Editorial

Lixeira incomoda pais de alunos

No próximo dia 31 de outubro estaremos escolhendo nosso presidente da república. Muita coisa tem rolado nesta campanha eleitoral, uma das mais acirradas nos últimos tempos. Escândalos, acusações, ditos e desditos, mentiras, meias verdades, tudo isso só faz confundir ainda mais o eleitor. Mas no meio disso tudo se pode tirar algumas conclusões. Onde há fumaça, sempre há fogo. Cabe ao eleitor pesquisar as informações sobre cada candidato. Hoje, com a internet fica tudo mais fácil. Reportagens, vídeos, depoimentos, tudo está a disposição para quem quiser saber mais sobre qualquer assunto. Basta saber pesquisar. O Google é uma ferramenta poderosíssima para isso. Basta digitar o nome ou as palavras, e com um pouquinho de paciência, obter uma enorme quantidade de dados sobre a pesquisa. Mas até aqui, são dados brutos. O segredo é saber filtrar esses dados para obter a informação desejada. Como é uma ferramenta que indexa tudo, existe muito lixo, muita informação desatualizada e por isso é essencial saber peneirar as informações para separar o jôio do trigo. Infelizmente a grande parte do povo brasileiro não tem

acesso à internet, ou não sabe como procurar. Essa massa fica a mercê dos formadores de opinião, ou dos “cabos eleitorais” contratados pelos partidos políticos. Sabemos que o poder econômico influencia muito nas campanhas e por mais que o TSE imponha limites ou regras, elas nem sempre são cumpridas. Existem muitos interesses envolvidos numa eleição. O poder é objetivo final. Nessa busca pelo poder o que observamos é uma total falta de noção coletiva, que faz com que o povo tenha que escolher não o melhor, mas o “menos pior” dos candidatos. As acusações de ambos os lados sobressaem as qualidades que cada candidato possui.

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3843.1262 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: quinzenal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos, Uesles Rodrigues, Camilo de Lellis Santos, Denis Ronaldo e Fernando Pedreira Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Por isso é importante saber pesquisar e, depois de obter informações precisas, checadas, optar por um ou outro candidato. O eleitor deve estar convicto ao pressionar a tecla “Confirma”, pois depois de teclada, não há mais volta. Cada voto tem seu valor, e que bom seria se a população brasileira votasse consciente, convicta, sabendo que está definindo o futuro do país. Esperamos que, seja quem for eleito, o próximo presidente saiba governar o país e possibilitar crescimento e progresso a todos e não só aos membros ou correligionários dos partidos e coligações. Emilio Campi Editor

Moradores que tem seus filhos na creche e na escola Nativa Fernandes reclamam da lixeira que está no muro da creche do lado de fora. A lixeira é pequena e deficiente para a demanda. Nos dias de chuva os cachorros abrem a lixeira espalhando os sacos lá acondicionados aumentando assim

a bagunça no local. Funcionários da escola tentam mante-la limpa, mas por falta de melhorias e ampliacão o lixo vive caindo no chão. Moradores que transitam no local todos os dias para buscar os filhos temem que alguma doença seja transmitida em decorrencia do lixo que cai.

Edital de Convocação de Eleição

A presidente da APASU, Associação Protetora dos Animais da Região Sul de Ubatuba, no uso de suas atribuições legais conferidas pelo estatuto da entidade, convoca as Eleições para Composição da Diretoria para o Biênio 2011/2013 a ser realizada na data de 07 de novembro de 2010 no recinto do Boêmio Bar, localizado na SP-55 nº 1741, Maranduba, Ubatuba, SP, em primeira convocação às 15:00h e na segunda convocação às 15:30h. Ubatuba, 20 de outubro de 2010 Eulália Salete Pisa - Presidente APASU - Associação Protetora dos Animais da Região Sul de Ubatuba


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Programação histórico-cultural e religiosa agita feriado no Quilombo EZEQUIEL DOS SANTOS O quilombo da Caçandoca se agitou no feriado do último dia 12, desde sábado foram intensas as atividades históricas, cultural e religiosa. A comunidade preparou com muito carinho a acolhida aos visitantes que se deliciaram com o café, o almoço típico, o encontro de jovens e os espetáculos de dança e teatro. Participaram ainda as comunidades do Cafundó, Brotas, Agudos, Instituto Luiz Gama, João Bosco, Claudia Castro da Revista Raça, Engenheiro Florestal Clodoaldo e José Carlos antropólogo da Unifesp, Federação dos Quilombos do estado de São Paulo, Associação dos Quilombolas da Caçandoquinha, além de muitos amigos e simpatizantes na defesa da causa quilombola. As pessoas que participaram das danças e teatro aprovaram a idéia. O evento contou ainda com a Banda Som D’Zion. O quilombo recebeu ainda a primeira excursão étnico-histórica de que se tem noticia que trouxe 25 pessoas para conhecer a apreciar as belezas e riquezas deste povo. Grupos de movimentos sociais e culturais também participaram das festividades. Não faltou foi câmera para o registro, que num futuro próximo se tornará histórico. O encerramento de domingo contou com

uma missa afro e um almoço comunitário regado a azul marinho. O prato custou R$ 10,00, a arrecadação será para a recuperação da capela do quilombo, que é na beira da praia. A missa foi conduzida pelo Padre Carlos, o seminarista Diego e o Diácono Manoel. Contou ainda com moradores e fiéis da região sul de Ubatuba e de Caraguatatuba, num total de 282 pessoas. Os turistas que estavam na praia pararam para ver a missa afro. Para muitos turistas a missa foi mais que uma manifestação cultural e religiosa, foi um espetáculo a parte. Ela lembrou bem o sofrimento e uma das poucas chances que os negros tinham de manifestar sua cultura e religiosidade sem sofrer os castigos da época. Tanto na alegria, na vestimenta, quanto nas canções ficava nítida a descendência mãe. Todos acompanhavam entusiasmados, alguns chegaram a chorar de emoção. A missa teve seu inicio com a chegada da Padroeira do Quilombo – Nossa Senhora Aparecida de barco até a praia, depois uma procissão levou a padroeira junto à imagem de Santa Bakhita (Santa Josefina Bakhita Canossiana), escrava que teve seu corpo marcado por 114 navalhadas mantidas com sal para não cicatrizar, depois imersa por um mês num lago de sangue. Depois de muito sofrer entrou para um convento e virou Santa após o reconhecimento de um milagre que aconteceu em Santos-SP. Ao final da missa as crianças cantaram em coro aos participantes. Vários empresários e colaboradores foram citados no momento do agradecimento. As crianças almoçaram gratuitamente, doação de um empre-

sário da Praia do Pulso parceiro dos quilombolas. Mais tarde foi oferecido um bolo em comemoração aos dias das crianças, todos se deliciaram com a surpresa. Os organizadores destacaram a importância da colaboração espontânea para que mais este movimento que data da formação do povo brasileiro e considerado patrimônio imaterial pudesse ser realizado.


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Ong utiliza cultura para estimular plano municipal de saneamento básico EZEQUIEL DOS SANTOS Com o financiamento da Fehidro e do governo do estado, a organização não governamental Cuidágua Litoral Norte promoveu no último dia 17, atividades culturais e oficinas para todas as idades como forma de estimular a construção do Plano Municipal de Saneamento Básico do Município de Ubatuba. O evento aconteceu na escola municipal Nativa Fernandes no Sertão da Quina com inicio às 15 horas. O evento contou com oficinas de arte-educação, contacão de estórias, oficinas participativas e lanche aos participantes, além da espetacular apresentação da peça teatral O Filho do Vento do Espaço Cultural Pés no Chão, de Ilhabela. As atividades são partes de um projeto em quatro etapas num total de doze meses, que tem como objetivo a sensibilização e o cuidado com as águas. Houve ain-

da uma mesa redonda com os adultos que discutiram propostas a serem incluídas no plano de saneamento básico das Bacias Hidrográficas da região sul de Ubatuba. O evento contou com vários apoiadores e colaboradores. Na região a gestora ambiental Mariana Pavani é a multiplicadora oficial do pro-

jeto, que foi bem visto pelos participantes. Para maiores informações visite o site www. cuidagua.org e dê sua contribuição, ela é muito importante para o projeto que segue em proteção ao uso racional de nossos recursos hídricos e na manutenção da qualidade de vida dos habitantes do litoral.

Motociclistas se reúnem para prestação de contas em ritmo animado No último sábado, 16, o grupo de motociclistas Dose Letal se reuniu para a prestação de contas a seus membros. A reunião realizou o balanço das atividades até o momento, principalmente às causas sociais. A reunião acontece toda terceira sexta feira do mês, após a reunião aconteceu uma confraternização entre os irmãos de rodas das tribos do litoral, do Vale e da capital. Todos podem participar da reunião e da confraternização bastando doar apenas um quilo de alimento não perecível. O evento ainda contou com o rock da Banda Stick Little e do som mecânico do Dj Nenê.

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Qualquer um pode participar das ações sociais, basta procurarem à diretoria ou re-

presentante de cada grupo de motociclistas. Vale a pena participar.

Alunos de Turismo Rural coletam lixo na Praia da Raposa

No último dia 26 de setembro, domingo, alunos do curso de Turismo Rural na Caçandoca realizaram a retirada e limpeza de lixo urbano da praia da Raposa, do início e do final da trilha. O grupo foi divido em três partes, aonde cada um trouxe o lixo que vai sendo depositado no caminho. O lixo da praia foi retirado e levado para um local adequado. O tema do módulo realizado fala exatamente dos atrativos naturais. A orientadora Cândida Batista lamenta o descaso de alguns visitantes em deixar pelo caminho restos de plásticos e materiais que não se decompõem. Os quilombolas reclamam da falta de melhores condições de serviço de recolhimento do lixo pela prefeitura municipal. O lixo que foi recolhido da Praia da Raposa é em sua maioria

resultado de material jogado no mar, nas praias e rios e que a maré traz para este canto do paraíso. Já os das trilhas é resultado da falta de consciência de pessoas que deixam pelo caminho os seus restos. Segundo o Técnico de Turismo Rural Fábio de Souza as pessoas tem de se lembrar de que se existe a necessidade de levar alguma coisa para uso, existe a necessidade de trazer de volta, principalmente o lixo. Na temporada com o aumento dos visitantes e turistas o local recebe também uma grande carga de lixo, especialistas apontam da importância de reciclar o material que pode até aumentar a renda dos moradores. O importante mesmo é que cada um possa voltar com o lixo que produziu, desta forma todos ganham, ganham qualidade de vida.


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Moradores do Quilombo Caçandoquinha orientam professores da rede pública

FABIANA GIRAUD Os integrantes da Associação do Quilombo Caçandoquinha Mário, Vicentina e Luis realizaram palestra na EM Nativa Fernandes e na EMEI Thereza dos Santos, do Sertão da Quina. A visita foi para a instrumentalização dos educadores das unidades quanto à lei e a obrigatoriedade do ensino da cultura afro no currículo escolar, bem como questões mais práticas como: as possibilidades de atividades a serem propostas, livros paradidáticos, a história do negro antes de vir para o Brasil. Na oportunidade ilustraram como funciona o Quilombo Caçandoca, sob que leis os trabalhos estão pautados, como se dá a organização e o dia a dia desta população e as dificuldades encontradas. O

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encontro foi realizado de uma forma agradável e dinâmica com muita música e num clima muito familiar. Para os ouvintes a palestra foi enriquecedora. Para os participantes houve momentos de grande aprendizado. Foi para os educadores interessante saber que este é o primeiro quilombo a possuir as terras legalizadas no país, saber ainda que sua formação é um pouco diferente, pois se trata de um quilombo de herança, onde as terras que antes pertencia a um branco foram herdadas pelos seus descendentes negros. A equipe gestora das unidades ficou muito feliz e agradecida pela visita e pela palestra que foi enriquecedora. Os participantes destacaram ainda a importância do evento

tendo em vista que o quilombo e seus moradores encontram-se num bairro vizinho próximos às unidades escolares, e fazem parte do processo de formação civilizatória de nosso país, dentro de um dos municípios mais antigos do país. Num clima descontraído ficou registrada a gratidão dos educadores pela presença dos membros deste território de lutas e conquistas. Para Mario Gabriel do Prado, que é Presidente da Federação dos Quilombos do Estado de São Paulo trata-se de uma oportunidade única e também para os quilombolas é gratificante, segundo Mário são degraus que a cultura afro vem galgando e neste momento com a colaboração dos educadores vem conquistando seu espaço depois de tanto sofrimento.

Áurea realiza intercambio cultural com escola da capital

A escola estadual Áurea Moreira Rachou realizou nos dias 21 e 22 de setembro último intercambio cultural com a Associação Escola Graduada de São Paulo. Entre professores e alunos a escola da capital trouxe 108 pessoas que se encantaram com o lugar. Todos ficaram hospedados no Sitio Santa Cruz. No colégio realizaram a pintura da parte interna da lateral do muro e o jardim em conjunto com os alunos da região, também praticaram atividade como queimada na quadra coberta. Doaram ainda aparelhos para exercício

físicos. Foram vários grupos caminhando pelas dependências do colégio. Os alunos que estão acostumados a conversar com turistas aproveitaram para trocar experiências e matar a curiosidade e como é vida em outro colégio, ainda mais na capital. Foram dois dias proveitosos onde houve a aprovação da direção da escola, professores e funcionários. Nos dias de visita não faltou assunto entre os colegas de classe sobre o intercambio, há quem diga estar ansioso para uma nova visita.

Missa é marcada por despedida e transferência de Pároco

Na noite do último dia 2, sábado, aconteceu a missa de despedida do Padre Inocêncio Xavier que vai para a comunidade do Itaguá. Aconteceu também a transferência de posse do novo Pároco que será agora exercida pelo padre Carlos Alexandre. Todas as comunidades se fizeram presentes na despedida e homenagem ao padre Ino-

cêncio e na acolhida do novo Pároco da região. Conduziram a cerimônia os padres Ernesto, Xavier, Carlos e os seminaristas João, Marcos e Diego com a participação de Dom Altieri Bispo Diocesano. Padre Carlos agora tem a responsabilidade de conduzir a palavra de Deus a todos os fiéis da região, além das responsabilidades administrativas da paróquia.


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Regional sul a realiza limpeza de valas

Conversas do povo caiçara 2

No último dia 15 funcionários da regional sul realizaram a limpeza das valas da Rua 28 no Balneário Santa Cruz para o escoamento das águas. O local é estratégico já que quando chove muito e a vala não desobstruída todo o local fica alagado. Foi realizada ainda a limpeza do mato e retirada do lixo e do entulho que é colocado no local. A retirada foi de quatro caminhões de entulho que agrava a situação do escoamento das águas. A população pode colaborar colocando o material a ser descartado em local adequado ou próprio, nunca colocando as margens das estradas ou rios.

AMILTON SOUZA 1-“Ê Marcelo, parece até um louva-a-deus...” Alexandre do Zeca da Celeste disse ao seu irmão em 2003 (detalhe: irmão gêmeo) 2- “E tem hora pra beber agora?” Arlete do Amilton Souza interrompendo Nilo Mariano em 2010 que dizia que havia parado numa Padaria às 05h52min da manhã e o balconista não quis servir cerveja... 3- “Berôinca, tende arco?” Tradução: “Senhora Verônica, será que vossa senhoria poderia me emprestar, por alguns instantes, o recipiente de álcool, se não for muito incômodo?” Uma Tia muito querida minha disse pra sua comadre num Domingo às 07h15min da manhã em 2009... 4- “Onde bóis ide?” Tradução: “Por obséquio: a sua pessoa pode informar à minha pessoa que rumo pretende tomar?” Essa mesma Tia no ano de 2007 argumentou a um meliante que adentrou sua residência sem ser convidado... 5- “Ôôô... mão de cesso...” Vó Zica do Mané Gaspá disse em 1996 pela primeira vez, depois de dar vários botes para pegar uma caneca e mesmo assim ela caiu no chão... 6- “Ela tava pronta pra tirar a minha vida...” Arlete do Amilton Souza em 2005 quando abriu a porta e deparou-se com um anfíbio anuro de cor verde que sobe pelas paredes... 7- “Essa titica não vai servir...” Amilton Souza em 1985 disse quando recebeu uma camise-

Há meio século se comemorava 50 anos de matrimônio EZEQUIEL DOS SANTOS Em 1960, na Rua Manoel Gaspar dos Santos, que antes era mais estreita, de terra batida, de muitas flores, onde hoje é a casa do Pedro “Baitaca” em meio aos pés de bananas e as criações domésticas, uma família se preparava para uma grande festa. O quintal foi varrido com vassoura de mato com cabo de bambu “de vez”. A mesa era aquela rústica que coberta por um pano branco novo ficava outra mesa. Na realidade era a festividade de bodas de ouro do casal Benedito Gaspar dos Santos e Maria Serva Cabral. Os dois nasceram no bairro do Ingá. Ele na realidade era funcionário do sitio da futura esposa. O sitio era de Pedro Pimenta e Ana Sodré que acabaram virando sogro e sogra. Como não havia opção de serviço ele topou a parada. Lá tinha de cuidar do gado, do café, da cana, da criação, do engenho, do mandiocal, da lenha, de tudo. Era comum as pessoas ganharem apelidos ou os nomes encurtarem conforme o grau de dificuldade de fala ou até mesmo para soarem mais confortavelmente aos ouvidos daquela simples gente. Mais tarde todos os chamariam de comadre Teté e Dito Gaspar ou Bito Gaspar. Naquele tempo o padre vinha uma vez ao ano e fazia um mutirão: casamento, crisma,

batizado, missas. Tudo de uma única vez. Então algumas pessoas realizavam por conta própria outras atividades de festas ou religiosas que não precisaria a presença de um padre por pernas próprias. A filha Maria lembra que foi uma “comidoria” só para o almoço. Muita criação na panela, arroz, feijão, salada do quintal, doces e bebidas. Na realidade os aniversariantes não sabiam da festa, alguns familiares ficaram com medo que desse um treco no Dito Gaspar. Mas tudo aconteceu conforme o combinado. Todos os filhos estavam lá: João Cabral, Pedro Celestino, Maria, Ana, Francisco, Manoel, Gertrudes, Aurora e Catarina Gaspar. O casal emocionou-se com a surpresa principalmente ao ver os filhos e os parentes ao redor. O ca-

sal ganhou o maior presente, daqueles que não tem dinheiro que pague, o carinho recebido. Dito Gaspar era um senhor de baixa estatura, igual a muito outros, que chagava a ser meio corcunda de tanto carregar peso. Era conhecido ainda por dar bons conselhos, um sábio. Na época não existia bíblia, tinha a tal de escritura sagrada. Uma dessas foi guardada por Teté, que tinha pouca leitura mais anotava do seu jeito a data do nascimento das crianças do lado de dentro da capa. Pena que este material se perdeu. Pouco se sabe do desfecho desta festa, mas sabe-se que foi boa, senão ninguém relataria com tanta saudade e emoção do acontecido. Parabéns ao casal que se vivos estivessem fariam hoje um século de matrimônio.

ta de presente em seu aniversário, porém, como qualquer criança, esperava receber um brinquedo... OBS: As frases n°8,9 e 10 contam uma mesma história: 8- Dee-o-sinal verde em inglês (ainda um adolescente na época), disse pra turma em 1998: “Fiquei com uma menina em que o nome dela termina com a letra “O” 9-A turma (que não valia um real) depois de muito pensar, retrucou: “então você ficou com um homem”... 10- Mas Dee-o-sinal verde em inglês deu a cartada final: “Era menina sim... e o nome dela termina com “O”, sim... é Raqué-O... viu?” Fim da pequena história... 11- “... do Pica-Pau eu não gosto porque ele fica dando bicadinhas nos outros...” Uma nobre Senhora proprietária de uma famosa marca de Balas disse em 2003... 12- “Antes era por amor, hoje em dia é só séco,séco,séco!” Tradução: “Nos tempos idos, as pessoas se relacionavam por amor, nesta idade contemporânea, privilegia-se o ato sexual libidinoso...” Um dos Bitus de nossa comunidade revelando sua fúria com os costumes de hoje em dia... Alguns nomes dos personagens que aqui aparecem são fictícios, entretanto, todas as histórias são verdadeiras... Amilton Souza é músico profissional e já tocou no Bar do Tiltcham Féle com Samuca comendo Hap-Top sabor bacon.


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Como evitar AFOGAMENTOS

1- Se não souber nadar, não entre na água; 2- Nunca mergulhe em locais desconhecidos, devido à presença de pedras, troncos de árvores submersos e outros obstáculos; 3- Adultos e crianças devem usar salva vidas ao entrarem na água e principalmente ao andarem de barco; 4 - Cuidado com correntezas, não subestime a força das águas; 5 - Câimbras sempre podem acontecer, por isso evite entrar sozinho na água, faça aquecimento e alongamento antes de entrar; 6 - Cuidado com águas contaminadas, fique atento ás sinalizações; 7 - Não entre na água após as refeições. Você pode ter uma congestão; 8 - Não entre na água à noite, esta é uma prática arriscada;

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9 - Evite bebidas alcoólicas e não coma em excesso; 10 - Entre na água devagar e avance só até o nível do umbigo; 11 - Não mergulhe de cabeça – pode ser raso ou ter pedras no fundo; 12 - Mantenha a atenção em seus filhos. Nunca perca contato visual; 13 - Esportes aquáticos merecem uma atenção especial. Esteja bem preparado, verifique as condições de seus equipamentos, as condições do tempo e evite praticar sozinho; 14 - Oriente seus filhos sobre os riscos de entrar em rios lagos e mares sozinho; Dicas do manual de Auto Proteção do Cidadão – Setor de Comunicação Social da Policia Militar do Estado de São Paulo – Base Comunitária de Segurança da Maranduba

Moradores de Ubatuba reclamam de atendimento em posto de saúde da cidade

A prefeitura admite a falta de profissionais no Programa de Saúde da Família VNEWS Moradores da Maranduba, em Ubatuba, reclamam do posto de saúde do bairro. O principal problema seria a falta de médicos e como o local fica distante do centro da cidade, quem precisa de socorro teme ficar sem atendimento. Denis Florêncio esperou cinco meses para conseguir uma consulta no Programa de Saúde da Família. Agora, vai precisar ter ainda mais paciência para fazer os exames pedidos pelo médico. “Ele pediu um exame, mas só que foi marcado pro dia 22. Tem que esperar fazer e depois mais dois meses pra receber o resultado do exame”, reclamou. Já o filho de Ivan, de 4anos, tinha consulta agendada. Mas, na data marcada, o pediatra não apareceu. “Não tem médico, não tem remédio, não tem nada. As coisas estão enferrujadas, os equipamentos, quebrados”.

Os moradores reclamam da falta de médicos também no pronto-atendimento, que presta os serviços de emergência. “Você vem aqui, há dias que tem pronto-atendimento, há dias que não tem. É uma situação que deixa a desejar”, disse uma moradora. A prefeitura admite a falta de profissionais no Programa de Saúde da Família e diz que ela ocorre em todo o município. Cinco vagas estão abertas, mas ninguém teria se interessado. Já em relação ao pronto-atendimento, a falta de médicos seria um problema eventual, como explicou o secretário de saúde do município, Clingel Frota. “O profissional médico que presta serviço no pronto-atendimento não é de Ubatuba. Ele se deslocou de outros municípios, de outras regiões, pra prestar o plantão aqui. Então, ‘intercorrências’

sempre vão ocorrer, em função desse deslocamento. Mas nós temos tido registro nos últimos meses, e têm sido cada vez mais escassos as ausências dos profissionais”. O aposentado Adilson Lublio é hipertenso e vai regularmente ao posto de saúde para monitorar a pressão arterial. Ele tem medo de não encontrar um médico durante uma crise. “Nós estamos a 28 quilômetros de Caraguá e 30 de Ubatuba. Se eu chegar um dia desses, e não tiver um médico: caixão”. A prefeitura negou que exista falta de remédios na unidade. Sobre os problemas de infraestrutura, informou que o prédio será reformado. E a respeito da falta de médicos do PSF, a administração alegou que existem três vagas abertas na cidade, mas que nenhum profissional teria se interessado. (Fonte: VNews)


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Canto da Maranduba: belezas e encantos de um passado glorioso Foto: Ezequiel dos Santos

EZEQUIEL DOS SANTOS Sabe aquela peça que fica jogado no canto da casa que qualquer dia deste você pega e começa a descobrir que é interessante que realmente você não sabia nada sobre esta peça. Pois é o canto da Maranduba é assim como uma peça jogada no canto da casa, que só quando desperta a curiosidade é que descobrimos seu valor. O local é ideal para quem gosta de aventuras e de sossego ao mesmo tempo, principalmente quem está com crianças ou é inexperiente no quesito mergulho, pesca de vara ou até mesmo caminhar sobre as pedras. O canto da Maranduba pode ser alcançado por dois lados. Um pode ser caminhando na praia até o rio Maranduba, tem de atravessar a barra do rio. O outro é pela rodovia SP-55, depois entrando pela estrada que dá acesso ao Quilombo da Caçandoca entrando a segunda à esquerda. As duas opções são interessantes, de um lado a tranqüilidade da caminhada, o sossego das ondas, de outro lado o movimento, o barulho dos barcos das garagens náuticas, movimento de pessoas pescando nas pedras das laterais do rio, tratores das garagens náuticas, pescadores e profissionais que prestam ser-

viço ao setor náutico. Parece que o visitante tem a opção de atravessar duas paredes: uma urbana, que é barulhenta e outra rural que é a da contemplação e sossego. Do lado silencioso impera o som das ondas batendo nas pedras. Quando a maré esta baixa e vazia é possível apreciar duas pequenas praias, que parece ser particular. O clima de aventura é natural, já que a mata nativa, porém não primária alcança a areia. O ar de desbravador fica ainda mais claro nas crianças. É fácil descobrir porque, a frente o mar as ilhas e toda a baía. Do lado esquerdo o rio que desemboca no mar, a continuação da praia que vai até a Lagoinha e as pessoas se deliciando do outro lado. Ao fundo a continuação do rio, as marinas, os barcos de pesca cheia de histórias. Do lado direito a mata, as areias que se misturam as pedras, a ponta do continente que quase alcança a ilha, tudo isso num só lugar onde os olhos alcançar em todo o redor. Neste último lado é possível encontrar troncos de árvores e restos de matas que ficaram a deriva e resolveram parar por ali. Os mais atentos podem fazer das pedras um pequeno aquário, é que muitos seres vivos moram por ali, tantos os de

Dois momentos: o canto da Maranduba atual (acima) e na década de 50 (abaixo) Foto: Arquivo pessoal Fabio Hanna

água quanto os que sobrevoam a baía. Muitos destes seres são inofensivos, mas todo

o cuidado é pouco. Por vezes é possível avistar pegadas na areia de algum animal terres-

tre que resolveu descer da mata e se arriscar em algumas braçadas na praia.


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Local de emoções e sentimentos genuinamente caiçara O local segundo os antigos já foi palco de muitos encontros, quer seja pela pelo amor ou pela dor. Eram por ali que as pessoas iam a Caçandoca e as demais praias, ao cemitério, e as casas dos moradores daquelas bandas. Na maré cheia as canoas de voga transpunham a barra para o delírio dos moradores, já traziam as vezes muitas novidades e noticias de fora. Lá era o local da escola da vida, eram trocados várias informações sobre tudo. Ponto de referencia para ir a todos os lugares. Muitas vezes tinham de esperar a maré baixar para atravessar a boca da barra. As pescas começavam por aquela região. No caminho atual (estrada) ainda é possível ver na lateral a trilha que dá acesso ao canto desta praia. O local possuía tanto alimento que não precisava ir longe para buscar o almoço. Poluição era coisa que ninguém sabia o que era. As mulheres “catavam” sapinhoá, corondó, pegoava, saquaritá, guaiá, siri, santola, rosquinha, praguaí (que as crianças guardavam para brincar de escravos de Jó), marisco e pindá. Não era raro pegar lagostinhas no rio que descia ao lado do cemitério. Claro que era o suficiente para a alimentação da família e tudo de acordo com o calendário natural. Os homens pescavam o suficiente para salgar o peixe, já que era a única foram de guardar o pescado fora de época. A fartura era uma benção, segundo contam. Quando não caçavam, pescavam. Quando não podiam fazer nenhum dos dois, plantavam, quando não isto, coletavam. Quando não podia nenhuma das opções, comiam as reservas guardadas. O rio era tão largo e fundo que era necessário uma balsa

Foto: Emilio Campi

Mesmo com as mudanças realizadas pelo homem, a beleza do local permanece com há 50 anos. para atravessa - lá. Depois a Foto: Arquivo pessoal Fabio Hanna transfiguração pelo desenvolvimento a qualquer preço mudou esta realidade. Mas ainda é possível ver o charme deste canto, lá é possível mergulhar com snorkel e observar as belezas submersas, principalmente às crianças e os iniciantes, tudo observado por alguém responsável e experiente. Local ideal para várias fotos dentro e fora dágua, trata-se, pois de um dos pontos mais ricos do passado e que goza de deliciosas férias no presente e no futuro quem sabe servirá de exemplo de beleza, sossego, tanto aos animais quando aos homens da terra, que quer matar a saudade do que é a natureza viva e intacta, parte do seu sangue e da sua cultura.


Página 10 Gente apaixonada por Ubatuba:

A saga Patural (parte IV)

JOSÉ RONALDO DOS SANTOS

Os detalhes dentro de uma narrativa, a partir do meu ponto de vista, são as coisas que mais atraem. Exemplo disso é a forma tão emocionante que a narradora nos apresentou na parte III o seu segundo parto, quando nasceu o filho, cujo nome é o mesmo do pai. Aquela criança hoje é empresário do setor pesqueiro. Jean-Pierre tem barcos, atende a demanda por pescados no mercado de peixes e até mesmo em outras cidades. Neste momento reforço uma característica do município: a pesca. É preciso que os pescadores repensem suas técnicas, assumam novas posições políticas, ecológicas, econômicas, religiosas, etc. para reerguer esta atividade tão tradicional. Por exemplo: já houve tempo em que a festa de São Pedro, mais especificamente a procissão marítima, atraía muitos turistas, mais consumidores para a ocasião. Hoje, grande parte dos pescadores, donos de embarcações, não reflete sobre isso. Existe até o fanatismo religioso que leva alguns desses coitados a deixarem de participar de um evento assim por considerarem pecado. Quem, da geração dos jovens pescadores, já ouviu falar da Festa da Cruz que acontecia na praia do Camburi e atraía multidões até da capital fluminense? Por que, para alguns, até é proibido aventar tais possibilidades de envolvimentos? Assim vão perdendo espaços na mídia, não enxergam oportunidades culturais, deixam de faturar. Infelizmente ainda não refletiram sobre a linguagem que criou o mundo e as culturas. O nosso dever principal é recriá-lo (o mundo) para sobreviver com ele. O certo, por enquanto, é que estamos poluindo muito, destruindo jundus e manguezais, não respeitando os ciclos

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dos seres marinhos, desrespeitando leis básicas (mesmo que precisem ser aprimoradas). Uma reviravolta nisso tudo está longe de acontecer. Parafraseando um agricultor jordaniano, “é como o desejo do diabo de ir para o paraíso”. Voltemos à entrevista. Atentemos à fala da dona Silvia. Neste trecho eles apresentaram uma outra novidade nas práticas agrícolas da época: o trator. Naquele tempo só existia tal máquina na Estação Experimental do Horto Florestal. Desconfio que, na década de 1950, era grande novidade para todo o município. Coisa maior só a alegria da criançada trepada na máquina e vencendo os caminhos enlameados entre o sertão e a praia do Ubatumirim! Naquele tempo tudo era difícil, mas poderia ser pior se não houvesse pessoas como a Carmem. Carmem era uma adolescente com quinze anos quando o Jean Pierre nasceu. Desde cedo ela adotou o menino; foi a babá desde o primeiro instante. Nós a levamos para Taubaté e, ela só deixou a nossa casa para

se casar. Foi como uma filha. Era gente do Apolinário. Atualmente mora no Jardim Luamar (Estufa II) e está muito bem. É certo que passou por certas dificuldades, mas soube usar a cabeça. Estamos felizes por ela. Só tem uma coisa que me marcou bastante: a volta com o bebê para Taubaté. Ainda estava toda dolorida e tive que vir de canoa para a cidade, depois embarcar no ônibus para Taubaté e enfrentar tantas horas de sacolejo numa estrada medonha. Após seis anos plantando, com vários funcionários (Dito Rolim, Melentino...), a plantação estava em franca produção, começando a dar lucro. Surgiu a necessidade de aprimorar o transporte dos produtos. Era o ano de 1958 quando compramos, na Casa Granadeiro, em Taubaté, um trator. Questão: Como trazer o trator para Ubatuba, depois levá-lo até o Ubatumirim? Solução: Desmontá-lo todinho, transportar pela rodovia e pelo mar e, remontá-lo na roça, onde ficou definitivamente.

Clareamento Dentário Os nossos dentes vão escurecendo com o passar dos anos ficando com um sorriso amarelado, hoje um problema que tem solução. Com o clareamento dental o paciente pode perder o sorriso amarelo recuperando a cor natural dos dentes. Fatores que alteram a cor dos dentes: uso prolongado de antibióticos, fumo, tratamento de canal, fluorose, consumo de café, vinho tinto, coca-cola e chocolate. Tipos de Clareamento: Clareamento no consultório e caseiro supervisionado pelo profissional. Qualquer pessoa pode clarear seus dentes? Sim, desde que os dentes estejam saudáveis, ou seja, sem cáries e problemas periodontais. Posso fazer clareamento dental em casa sem a ajuda de um profissional? Não se recomenda clarear os dentes sem orientação profissional. O dente clareado pode escurecer de novo? Sim, mas nunca ficará tão escuro quanto antes. Depois de 1 ou 2 anos pode ser necessário uma manutenção. Os dentes ficam sensíveis? Sim, dependendo de como o paciente usa mesmo orientado pelo profissional, ou seja, a sensibilidade ocorre na maioria das vezes no clareamento

caseiro pois as pessoas querendo resultado mais rápidos deixam de lado a orientação do dentista. As restaurações de resina clareiam? Não. O paciente talvez tenha de trocar ou retocar as restaurações antigas uma vez que parecerão mais escuras frente aos dentes clareados. O clareamento pode enfraquecer os dentes ? Não, a estrutura dentária é preservada. O clareamento pode ser realizado em qualquer idade? A partir dos 15 anos. Durante o clareamento dental, o que devo fazer ? • Não ingerir alimentos e/ ou bebidas com corantes: beterraba, coca-cola, café, chá, vinho tinto, chocolate entre outros; • Não se deve fumar; • Observar os dentes diariamente no espelho, monitorando o progresso do clareamento. Qual é a importância de ter dentes brancos? Em nossa sociedade, dentes brancos são um dos símbolos da beleza estética. Muitas vezes pessoas com dentes escurecidos perdem a auto-estima e até podem ficar com vergonha de sorrir. Por isso não deixem de visitar regularmente seu dentista. Um Forte Abraço Dr. Thiago Massami Sokabe


25 Outubro 2010

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Cantinho da Poesia Quando eu era bebê...

Busca

Oh! Que saudades que tenho Da aurora de minha vida Da minha infância querida Que os não trazem mais... Que sonho, que beleza, que infância. Naquelas tarde de sono No meu braço eu dormia Debaixo de quatro ursinhos!

Gostaria eu de saber da vida a essência, E de onde termina o sonho e começa a realidade. Se um dia em pó terminará minha existência, Ou se uma parte de mim viverá a eternidade. Sei que esta incessante busca não é só minha, E que ela intriga boa parte da humanidade. Mas para mim o grande momento se avizinha, Quando, enfim, decifrarei a buscada verdade.

Os dias eram ótimos Do vento que batia na cara Que dos primeiros passos Não sabiam nada As flores desabrochavam Ao despertar de uma chuva Nada me impedia de comer Tinha uma bela família

Custa-me acreditar que sob uma fria lápide se vá a vida, E que tudo termine na pequenez de um só instante. Daí, então, essa minha voraz vontade incontida, De descerrar o mistério do que me espera lá adiante. Se nesta passagem tudo tiver começo, meio e fim, Qual será, neste caso, da vida o verdadeiro sentido? Aos ouvidos a palavra continuidade soa melhor para mim, Fazendo-me crer que o aprendizado não será tempo perdido.

Que vida que eu tive Minha mãe cantava uma melodia Para eu dormir E estar disposto no outro dia Ao nascer do sol, renova uma vida Com muito chocolate e outras porcarias Pra mim doce era ouro Como pássaros no bebedouro Oh! Dias que eu vivi Oh! Sonho lembrado Dá vontade de voltar ao passado!

Mas se essa continuidade realmente existir, Onde se poderia encontrar uma definitiva prova? Gostaria de, ainda em vida, podê-la atingir Para não saber a verdade apenas numa fria cova! Sei que este é um tema confuso, polêmico e perigoso. E por mais que tente coordenar meu pensamento disperso Parece-me que ele vai ficando cada vez mais nebuloso! Mas, afinal, quem sou eu diante da grandiosidade do Universo... Manoel Del Valle Neto

Gabriel de Oliveira Souza

Me ame! Eu estava tão feliz, fui o mais veloz, O mais forte de todos, eram muitos, Quando percebi, eu já fazia parte de você. Eu fiz tantas perguntas Mas não me ouvia, E eu, ali no meu vazio, esperei Esperei que sentisse a minha presença O tempo passou, e eu cresci assim O meu crescimento era quase imperceptível Não fazia muita diferença. E você finalmente soube de mim

Desculpa se fiz te sentir mal, Se te deixei ruim Eu não queria que zangasse comigo Por favor, me desculpe! Hoje eu estou só, não me permitiu Que eu fizesse parte do teu mundo, Mas eu só queria que você me amasse Com a mesma intensidade do amor Que eu sentia por ti mamãe. Jéssica Oliveira do Nascimento, 15 anos – Araribá

Escola revela talentos para a poesia Os alunos do sexto ano da escola Áurea Moreira Rachou realizaram atividades em sala de aula que revelou talentos para a poesia. A professora Silvia A. M. Lima explicou aos alunos o que é uma paródia. Dentro do tema foram apresentadas aos alunos as poesias

Meus oito anos de Casemiro de Abreu, Ai que saudades de Ruth Rocha, de onde partiram para a elaboração da proposta. O resultado apresentado foi melhor do que o esperado, vários trabalhos foram destaque na sala. A excelência da paródia apresentada pelos alunos

revela que a região poderá, quem sabe num futuro próximo, apresentar grandes talentos da poesia. Parabéns a todos. Acima, a primeira paródia de Gabriel de Oliveira Souza (Quando eu era bebê) a ser mostrada ao leitor.


Página 12 Gente da nossa história: EZEQUIEL DOS SANTOS Prova viva do intercâmbio entre o planalto e o litoral, dona Paula nasceu em Vargem Grande no dia 25 de abril de 1915. Lá se criou até o casamento. Descobrimos que ela gostava da simplicidade e de comida caipira. Mulher de luta como era foi difícil achar adjetivos a esta batalhadora, mas que pode ser resumida desta forma: Forte como um touro, resistente como o cedro, doce como o mel e delicada como uma flor. Ainda no planalto recebia muitos amigos do litoral, sua casa foi sempre um porto seguro aos “andantes” que se sentiam em casa. Era até comum às pessoas que iam a Aparecida do Norte ou mesmo jogar bola por aquelas bandas se achegarem a casa de dona Paula. Lá também ficavam na casa de Dito Preto. Quando chegavam era uma festa. Por falar em festa ela não perdia uma. Gostava mesmo é de farinha de mandioca da boa, café de cana, carne cozida que muitas vezes eram feitos nos tachos de cobre de fornear farinha. Foi privilegiada, pois conheceu e viveu os dois lados geográficos. Moça ainda nova casou-se com Pedro Santana e deste matrimônio nasceram: Pedro, Virgilio, Benedito, Domingos, Sebastião, José, João, Antonio, Izabel, Maria e Geralda, destes muitos netos e bisnetos povoam a nossa região. No final dos anos de 1950 ela desceu a serra definitivamente, pois um parente havia ficado muito doente e ela veio para ficar em seu lugar nas terras. De imediato foi recebida como parte da família do litoral, tamanho o laço de amizade fraternal com os compadres e comadres daqui.

25 Outubro 2010

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Paula Alves dos Santos: serenidade pura Este sentimento e acolhimento nada mais é que a pratica da “auto-pertencença” entre esta população (ela é igual a nós, nos respeita e nós a respeitamos, portanto ela é uma das nossas). Um detalhe, ela veio viúva com os filhos. Nos primeiros anos não foi fácil a lida para o sustento da família, mas guerreira como foi venceu todas as batalhas. Quando aqui chegou a primeira coisa que fez foi entrar no Apostolado Coração de Jesus aonde freqüentou até os últimos dias antes de seu falecimento. Lembram dela e de Maria “Gaiá” caminhando a passos lentos até a igreja, chovesse ou ventasse iam à igreja, dando exemplos a muita gente que prefere a televisão. Aqui trabalhou muito na roça e quando sobrava tempo não pensava nela, mas sim no carinho aos filhos e no apostolado. Esta mulher passou por muitas provações, mas sua fé inabalável a fez vencer até nos últimos dias de sua vida. Os filhos foram crescendo e a ajudando no sustento e desenvolvimento da família. Gostava de sentar e fazer chapéu de palha. Mulher de palavra, era

adorada, paciente, honrada. Quem não a chamava de tia, chamava de vó, de comadre. Mão aberta e de coração grande, sempre gostou dos netos ao seu redor. Em sua casa podia ter um único ovo para o almoço, se mais gente tivesse, ela dividia em partes iguais, nunca foi “ridica”, aliás, todos adoravam sua comida. Nunca

se ouviu e se falou algo contra esta mulher. Percebemos hoje que ela ensinou muito bem seus filhos. Viu as gerações casarem e ficou um pouco mais festiva. Seus aniversários eram cheios de amigos, todos queriam dar um abraço em vó Paula. Num determinado tempo, um de seus filhos ficara muito doen-

te, ele tinha alergia a lactose, sabiamente descobriu que o leite de cabra o deixava mais animado, com isto passou a alimentá-lo com o leite de cabra. Os animais acostumavam persegui-la tamanho amor que tinha. Sempre gostou de criação, desde o menor até o maior das criações. Era comum vê-la ir até o sitio com uma enxada nas costas, olha que era quase três quilômetros de caminhada. Gostava de flores e de horta. Tinha um conhecimento invejável. Havia um companheiro inseparável, o cachorro de estimação chamado “neguinho”, que uma semana após sua partida não durou uma semana e morreu. Quando estava cansada voltava da roça pra casa de moto ou de caminhão. Chique ela não? Quando podia ia a Vargem Grande matar as saudades, principalmente das festas e muitas vezes ia a pé. Mulher dotada de uma lucidez impressionante sabia de tudo, lembrava de tudo. Aos que se lembram dela uma unanimidade: mulher sábia, devota, carinhosa, guerreira, religiosa e serena, são o resumo do resumo do resumo sobre suas

qualidades. No ano que completaria 95 anos ela ficou doente, seu corpo estava muito debilitado. Um de seus filhos percebeu que por um bom tempo ela preferiu o silencio. Vale lembrar que ela enfrentou a roça até os 94 anos. Muitas vezes era possível encontrar aquela senhora baixinha com a enxada nas costas, que a primeira vista parecia sofrer muito, mas quando mostrava seu rosto, o sorriso denunciava uma mulher feliz, alegre, que tinha feito tudo o que Deus havia permitido, privilegiada pela família e os amigos que tinha ou conquistara. O calor e o carinho dos familiares e amigos foi o combustível até o final. A sua fé a manteve fiel a Deus e ao apostolado até o último suspiro, foi quando no dia 27 de março de 2010, seus pequenos olhos fecharam para sempre. Não foi ela que foi embora, foi nós é que ficamos, pois a saudade é nossa frente esta guerreira e não ao contrário, é dela que sentimos muita falta. Quem não se lembra do abraço verdadeiro e carinhoso desta mulher, da sua voz serena. Há quem chore de saudades, também pudera a sua educação se refletiu em toda a família. Esta é a prova viva que todo o seu sofrimento valeu a pena, pois seus ensinamentos estão vivos em seus descendentes. Só podemos dizer que a senhora faz muita falta. Talvez não consigamos fazer de tudo ao que senhora merecia, mas a senhora fez de tudo para nós, mais do que merecíamos. A sua benção dona Paula e muito obrigado por nos privilegiar com sua presença neste século.


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As “visage” do tempo do “fifó” CRISTINA AP. DE OLIVEIRA Meu pai assim como outros são da época da “Mãe de Ouro”, período em que a manifestação cultural estava latente no cotidiano dos moradores, da simplicidade das coisas e da obediência a Deus e aos ciclos naturais que ele deixou. Dentre as causas naturais existiam os relatos de assombrações ou das “visagens” como eram mais conhecidos. Meu pai que é do Araribá, conhecido também como Seu Dadau conta que toda a região já foi cheio de “visage”, quer seja de origem na pesca, na roça, nas festas, nas caçadas e até mesmo nas casas. Ele mesmo já presenciou fatos estranhos, algumas delas ainda o perturbam até hoje, dá até para escrever um livro. Diz ele que lá pelas bandas do Dito Gil, havia uma fazenda da qual o dono era muito carrasco, muito perverso. O local possuía muito ouro enterrado do tal fazendeiro, que nunca ficou em paz, nem depois de morto. É que ele se preocupava muito com o que tinha, com os bens materiais. Dadau lembra que numa certa madrugada ia pelo caminho junto como seu irmão Salvador Jesuíno ao antigo engenho do Magalhães trabalhar. No caminho, ou melhor, na trilha os dois se assustam com a imagem de um homem de chapéu, calça e blusa grandes que ficou rindo na direção dos dois. Ele caminhava com aqueles passos altos e grandes, erguia a perna e vinha. Meu pai e meu tio tiveram como única reação se abaixar e caminhar por debaixo daquelas pernas. Ao se virar cadê o homem? Ele nos conta que até o pai dele passou raiva com algumas visagens. Uma “visage” chata

mais muito chata “estrovava” meu avô quando estava forneando farinha. Dizia que sem mais nem menos cadê o fogaréu que tava no forno? Ficava todo espalhado pra fora do forno. A assombração tirava todo o braseiro do forno de pirraça. Além desse fato, na região também era muito comum ouvir coisas. Na época da radionovela muita gente virou noveleira de carteirinha. Era novidade para a época e só algumas poucas casas tinham este dispositivo. A pilha do rádio era aquela grande e os donos (senhores simples) pediam para o amigo da capital uma pilha que tivesse mais música do Zilo e Zalo, Tonico e Tinoco, imaginado que a música vinha da pilha e as crianças olhavam atrás do rádio tentando imaginar como toda aquela gente cabia naquela pequena caixa. Minha tia, a Tiana Luiza tinha o único Motoradio do bairro, um trambolho de madeira ligado a um fio que estava ligado a uma haste segurada por dois bambus do lado de fora, um de cada lado da casa, mas ninguém perdia a radionovela “Juvêncio”. Ela morava a certa distância de nossa casa e para chegar lá tinham que andar por uma trilha por entre as arvores, além de uma pinguela sobre o rio Araribá. Em noites escuras era necessário estar com o fifó (lamparina feita de bambu contendo um pano embebido de querosene para queimar) na mão e aceso. Todos os dias às nove horas da noite iam aquele monte gente à casa da tia, todos seguindo o fifó de meu pai, parecendo uma procissão no escuro. Numa dessas noites, quando acabou a radionovela ele ascendeu o fifó, se despediu da irmã e rumou pra

casa, quando se aproximou do rio percebeu um som estranho, um barulho parecido à folha de zinco. De repente ele viu um pássaro grande sobrevoar sua cabeça e o barulho começou a aumentar. A certa altura o pássaro bateu com a asa no fifó que caiu no chão. A saída foi correr sem olhar para trás, mesmo assim ele era seguido. Perto de sua casa a coisa desapareceu. Bateu a porta de meu avô que o atendeu assustado vendo seu filho todo “atarantado”, depois desmaiou. Este episódio atormentou meu pai que nunca mais foi assistir a tal de novela no rádio. Mal assombrado ainda era o morro do Gouvêa. Lá morreu este homem e muitos dizem ver seu caixão no meio do caminho

à noite. Minha sogra já morou lá, durante o dia tudo bem, o problema era a noite, as panelas caíam, as portas batiam e assim por diante. Claro ela se mudou de lá. Na época todos rezavam para encontrar alguém no lugar de alguma assombração, hoje preferimos encontrar uma assombração a alguém, tamanho grau de desconhecimento entre as pessoas e a maldade que cada um carrega. Isto é apenas uma parte das visagens que nosso povo presenciou ou ouviu, muito melhor do que as mentiras que contam hoje para desestimular estas pessoas só para ganhar alguma coisa em cima deles. Lembrete, cuidado quando a sua lanterna apagar ou a luz da rua acabar, esteja preparado!


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Desopilando o mau humor Alunos... Inteligentes (?) Professor: O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas? Aluno: Purê de batata, senhor professor! ( Faz sentido!) * * * Professor:- Joaquim, diga o presente do indicativo do verbo caminhar. Aluno:- Eu caminho... tu caminhas... ele caminha... Professor:- Mais depressa! Aluno:- Nós corremos, vós correis, eles correm! (E não é verdade?) * * * Professor: Quantos corações nós temos? Aluno: Dois, senhor professor. Professor: Dois!? Aluno: Sim, o meu e o seu! (a lógica explica...certinho!) * * * Dois alunos chegam tarde à escola e justificam-se: O 1º Aluno diz: Acordei tarde, senhor professor! Sonhei que fui à Polinésia e a viagem demorou muito. O 2º Aluno diz: E eu fui esperá-lo no aeroporto! (fisicaquanticamente falando quem discute??? está certo!) * * * Professor: Pode dizer-me o nome de cinco coisas que contenham leite? Aluno: Sim, senhor professor. Um queijo e quatro vacas.. (me diga onde ele errou?) * * * Um aluno de Direito a fazer um exame oral: O que é uma fraude? Responde o aluno: É o que o Sr. Professor está a fazer. O professor muito indignado: Ora essa, explique-se.... Diz o aluno:Segundo o Código Penal comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar! (E então.. na lógica....)

Professora: Maria, aponte no mapa onde fica a América do Norte. Maria: Aqui está. Professora: Correto. Agora turma, quem descobriu a América? Turma: A Maria. (Uauuuuu) * * * Professora: Artur, a tua redação “O Meu Cão” é exatamente igual à do seu irmão. Você copiou? Artur: Não, professora. O cão é que é o mesmo. (kkkkkkk) * * * Professora: Bruno, que nome se dá a uma pessoa que continua a falar, mesmo quando os outros não estão interessados? Bruno: Professora. (a melhor de todas, sem dúvida) * * * Pesadelo Tive um pesadelo. No pesadelo, me olho no espelho e descubro que sou vesgo. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver minha foto na identidade, para ver se sou realmente daquele jeito. Acho um passaporte e descubro.... sou argentino... Não pode ser, meu Deus!!! Sinto-me inconsolável em uma cadeira. Mas não é possível!! É uma cadeira de rodas, o que significa que, além de ser vesgo e argentino, sou também deficiente físico! É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja vesgo, argentino e deficiente físico... - ‘Amooor!’, grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado... Cacete! Sou também viado...! - ‘Foi você que pegou a minha seringa?’ Ó Deus! Vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado e talvez soropositivo! Desesperado, começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos E... Nãooo!!!!! Sou careca!

Toca o telefone. É meu irmão, que diz: - ‘Desde que mamãe e papai morreram, você só faz se entupir de drogas,vagabundeando o dia inteiro! Procura um emprego, arranja algum trabalho!’ Que merda, descubro que também sou desempregado!!! Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, talvez soropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque.... Porque sou gago!!!! Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Milhões de barracos ao meu redor... Sinto uma punhalada no marca-passo: além de vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, talvez soropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta e cardíaco, sou também favelado... Começo a passar mal e sentir um calafrio e dirijo-me ao guarda-roupa para pegar um agasalho, e para minha surpresa, quando abro a gaveta encontro uma camisa do Corinthians. Aí já é sacanagem... Entro em surto, pois além de vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, talvez soropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta, cardíaco, sou também favelado... e Torcedor do Corinthians. Nesse momento, volta o meu namorado e diz: - Amooooooor, vamos, senão chegaremos atrasados para votar na Dilma. #%&*$¨%$@¨&!!! Desmaiei.

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Túnel do Tempo

Coluna da Adelina Campi

Viver não doi!

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: “Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive”. Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,

por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

1938

1974

Visitantes da Vargem Grande em passagem pelo Sertão da Quina

Faroeste caiçara visita Aparecida para tirar foto como cowboy

1994

2006 Dona Maria: eterna saudades

1995

Lembra quando a gente era menininhas? Crescemos...

Sr. Alberto, talentoso artesão da Maranduba

1995

2005 Nosso redator em palestra na Semana Hans Staden

1996 Tino, um brasileiro estilo Jamaica acima de 40 graus

Reunião na Lagoinha. tinha gente que ainda tinha cabelo

1993 Macaco “Prego” fazendo macaquice na cachoeira do Poço Verde

1983 Mãe e filha em primeira comunhão no Sertão da Quina



Jornal Maranduba News #17