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Maranduba, 15 de fevereiro de 2010

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Disponível na Internet no site www.maranduba.com.br

Destaques:

Índice UV chega à intensidade extrema pg 02 Comunidade Quilombola restaura estrada de acesso a Cassandoca por conta própria pg 03 Acampar com conforto. Isso é possível? pg 05 Relíquias da religiosidade de Ubatuba são encontradas pg 07 Conheça as principais atrações da Região Sul de Ubatuba pg 08

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Ano I - Edição 01


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Jornal MARANDUBA News

Editorial É gratificante ser recebido com entusiasmo pela população da Região Sul de Ubatuba após 14 anos desde a última edição do jornal Maranduba em Foco/News, publicado entre 1994 a 1997. Os moradores mais antigos lembram da importância que nosso jornal tinha para o desenvolvimento e divulgação da região. Relendo os antigos exemplares, amarelados pelo tempo, nota-se a grande importância de se ter um registro local. Bate a saudade, a nostalgia de um tempo onde o crescimento da região se fez presente. Na época, interrompemos a publicação do Jornal Maranduba News para dar início a um projeto mais abrangente. Criamos o Maranduba On-line, o primeiro site na internet a apresentar informações sobre o do Litoral Norte Paulista. Depois veio o Litoral Virtual, que até hoje é referência mundial sobre nossa região. Hoje, relançando o Jornal Maranduba News, temos a certeza de prestar um serviço indispensável para uma das mais belas regiões do planeta: a costa sul de Ubatuba. Como novidade, aliamos o poder da informação impressa com a abrangência e versatilidade da Internet, pois nosso informativo também estará disponível na rede mundial de computadores através do site maranduba.com.br nosso primeiro domínio registrado na Web. Com isso, qualquer leitor em qualquer parte do planeta estará sempre informado sobre os acontecimentos locais. Também poderá acessar os sites das informações publicadas como também os sites dos patrocinadores, onde cada publicidade terá um link para quem tiver sua respectiva página na Internet. Esperamos ser uma ferramenta para divulgação, progresso e crescimento da Costa Sul de Ubatuba, levando até nossos leitores o que de melhor a região pode oferecer. Muito obrigado pela aceitação e pela recepção calorosa que recebemos de todos os que fazem parte desta grande família que tão bem nos acolheu. Emilio Campi - Editor

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Índice UV chega à intensidade extrema na região e acende alerta máximo O calor intenso registrado nos últimos dias no Litoral Norte é comemorado especialmente por quem quer curtir as praias neste verão. A temperatura tem batido a casa dos 38 graus, o que significar aproveitar melhor a água. Mas, se de um lado o céu está azul, sem nuvens carregadas, do jeito que o banhista gosta, do outro o excesso de calor traz uma preocupação com relação ao Índice Ultravioleta (IUV) que atingiu sua intensidade extrema, chegando a 14, conforme registro do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Meteorológicos (Cptec), órgão ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Isso significa que todos estão mais expostos à radiação e, consequentemente, a várias doenças de pele, inclusive ao câncer. De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), esses índices são agrupados em categorias de intensidades, sendo que menor que 2 é considerado baixo; de 3 a 5 moderado, de 6 a 7 alto; de 8 a 10 muito alto e maior que 11 extremo. Para cada situação há uma recomendação. Como o índice registrado chega a 14, essa recomendação é de proteção extra, evitando o sol ao meio-dia, permanecendo na sombra, usar camisa e boné, além do protetor solar. De acordo com a pesqui-

sadora do Cptec, Simone Costa, mesmo com a variação do índice ao longo do dia, as pessoas devem estar sempre protegidas porque há uma cobertura pequena para filtrar os raios solares. “Nessas horas que percebemos a importância de se preservar a camada de ozônio”. Ela alerta ainda para situações onde a pessoa acha que o mormaço queima menos. Segundo a pesquisadora, se tem mormaço é porque os raios estão passando pelas nuvens e com isso o tempo de exposição aos raios pode ser maior. “A pessoa fica no sol achando que está mais protegida”. Que reforça essa informação é a dermatologista Maria Inês Pulitini Bortoliero. Segundo ela, as nuvens cinzentas seguram a radiação, “mas um dia nublado, como normalmente ocorre

no litoral, deixa passar 90% da radiação” Mas a dica de proteção não serve apenas para as pessoas que estão na praia. Quem trabalha ou precisa caminhar sob o calor de mais de 38 graus, chegando a mais de 40 em determinados horários, também deve ser estar bem protegido, conforme recomendação de dermatologistas. “O sol das 10h às 15h é um dos mais nocivos à saúde, por isso é obrigatório o uso do protetor solar ou mesmo evitar caminhar nesse período e usar roupa adequada”, alerta a dermatologista. Praticantes de atividades ao ar livre, como caminhada e ciclismo também devem estar atentos ao IUV, protegendo a cabeça e a pele. Mesmo para a caminhada, a dica é sair mais cedo ou deixar para andar mais no final do dia. (Fonte: Imprensa Livre)


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Comunidade Quilombola restaura estrada de acesso a Cassandoca por conta própria

Fotos: Emilio Campi

Estrada de acesso ao bairro da Cassandoca restaurada pelos moradores. Quem não podia pagar em dinheiro colaborava com um dia de serviço

Ezequiel dos Santos Após várias solicitações formais e informais a Comunidade do Quilombo Caçandoca e Caçandoquinha resolveu providenciar a manutenção da Estrada Municipal da Caçandoca que dá acesso às praias do Quilombo por conta própria. A situação não é nova Existem solicitações até da Câmara Municipal, não só para este caso específico, mas a vários acessos da região Sul de Ubatuba. O Quilombo é um dos principais pontos de visitação turística. Além das belezas naturais nos remete a um local de real vivência do processo civilizatório nacional e dos atrativos de lazer em período de férias e temporada.

Após muitas tentativas para que o Executivo Municipal realizasse o reparo e a manutenção do acesso, os moradores perderam a paciência e se cotizaram para pagar o material que foi utilizado na recuperação da estrada. Foram gastos mais de cinco mil reais para deixar o acesso com condições mínimas de uso. Pagando com trabalho Segundo a comunidade, quem não pôde pagar em dinheiro, colaborou com um dia de serviço e o resultado ficou além do esperado. Para os turistas, os piores trechos foram sanados, faltando ainda alguns trechos de menor complexidade. A manutenção das estradas na região ainda encontra-se deficiente, já que vários tre-

chos possuem solicitação há tempos aguardando resposta. Um exemplo é a da Rua 23 que dá acesso ao Bairro do Ingá, o final da Rua Benedito Antonio Elói, que dá acesso às cachoeiras, a Estrada Municipal do Araribá, a Estrada das Galhetas

e outras ruas do bairro da Lagoinha. Solução A comunidade espera que a prefeitura tome uma providência para que os acessos na região sul de Ubatuba se tornem ao menos trafegável.

Com acesso restaurado o turista pode visitar o Quilombo da Cassandoca


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Cachoeira da Água Branca: patrimônio de um povo pluriétnico Texto e Foto: Ezequiel dos Santos

Com cerca de 200m de caída de água pura e cristalina a cachoeira da Água Branca, como é mais conhecida, mostra-se incrível e imponente, de beleza inigualável. Seu paredão rochoso de granito verde e suas trilhas escondem ainda muito mistério e beleza, além de muitas histórias em torno de seu nome. Cuidada pela população local como ícone do seu processo de existência. Água Branca nasce das águas do Rio do Brilhante, já nas proximidades do Vale do Paraíba, foi sem duvida ponto de parada e descanso dos índios que aqui viviam ä séculos, depois pelos desbravadores europeus e negros indígenas, rota do trafego negreiro (assim como a Pedra Preta que ainda possui dois fornos de carvão para uso das fazendas da Cacandoca e Ruínas da Lagoa). Com cerca de 9 km, a trilha e realizada aproximadamente 9 horas de caminhada (ida e volta). O local possui várias trilhas que levavam ao Vale do Paraíba, com dados mais frescos ainda do período escravocrata, do ciclo do café, da cana de açúcar e da troca de mercadorias. Em seu trajeto não é difícil encontrar vestígios deste período, basta observar trechos do caminho que afundou de tanto servir de passagem. É de fácil visualização as orquídeas e bromélias que enfeitam o acesso e as aves

e animais que habitam a mata atlântica. Alguns deles como o Tangará Dançador, ave símbolo do município de Ubatuba, sua plumagem é da cor da bandeira do município (vermelho, preto, azul e branco) e seu ritual de acasalamento é um espetáculo a parte. Inúmeras vezes há uma parada para um delicioso banho, pois além de quedas de águas pelo caminho encontramos poços de águas cristalinas e convidativas para um banho relaxante. Com nível de dificuldade alta e é recomendada a contratação de um guia local. Vários outros procedimentos têm de ser seguidos, principalmente pela segurança dos visitantes e a conservação da mata. Obedecendo as regras de segurança você terá sem duvida uma dos melhores passeios de sua vida. Energia Hidroeletrica No ano de 1957, alguns moradores foram contratados pelo governo para trabalhar em uma sondagem nas paredes de granito verde Ubatuba no entorno da cachoeira da Água Branca para fins de implantar um gerador de energia hidroelétrica ligada à represa de Paraibuna. Foram mais de um ano e cinco meses de pesquisas, utilizaram-se dois motores que gastavam cerca de 100lts de combustível, um a gasolina e outro a diesel, ate dinamites foram

utilizados no local. A comida saia do Sertão da Quina as 09h30min da manha para chegar ao local das sondagens às 11h30min, pelo caminho ainda recolhiam bananas do bananal do então Manoel Correia (Pai da Tia Rita, do Ditinho Correia, Maria Correia, da Iolampia, Zé Correia Velho, Tio Guido). O alivio foi quando o projeto da hidroelétrica ficou realmente ao lado da atual represa, já que a saída de água poderia ser para o lado do litoral, o que numa vasao de água da represa poderia inundar as casas e as rocas do Sertão da Quina

e Maranduba. Trabalharam nas sondagens Sebastião Pedro de Oliveira, Antonio Pereira, Manoel correia de Oliveira, Guido Correia, Emidio Luiz de Deus, Manoel Santana Benedito Luiz de Deus-Nanzinho, tio Kito. Vale lembrar de que desde a construção da rodovia federal muitos tentaram tomar terras dos moradores locais e não diferente tentaram cercar as terras no entorno da Água Branca, a população não deixou e vários capangas foram expulsos, os últimos que tentaram foram ainda no inicio da década de 1980.

Recomendações Contrate um guia local. Planeje bem sua caminhada e informe a alguém sobre seu passeio. Não leve lembrança que seja indesejável a floresta e a segurança do grupo. Evite fazer barulho, desfrute dos sons da natureza. Tire apenas fotos. Traga todo o seu lixo de volta, deixe apenas pegadas. Só leve o que puder trazer. Proteja-se do sol, mosquitos, pernilongos. São comuns chuvas repentinas. Cuidado para não causar incêndios na floresta. Não corte nenhuma vegetação, consulte o guia. Lembre-se o salvamento em áreas de floresta e muito caro e complexo. Mantenha-se sempre na trilha, se for sair comunique o guia. Leve seu próprio suprimento de alimentos (alguns guias já oferecem o lanche de trilha). Equipamentos necessários tênis para trilha (não deve ser novo), capa de chuva, lanterna, repelente, protetor solar, recipiente para armazenar água, toalha, mochila pequena, troca de roupa e maquina fotográfica. Um bom guia fará varias perguntas sobre a sua saúde e condições emocionais para avaliação dos procedimentos de segurança e precaução para realizar o passeio. Para isto o guia poderá solicitar a revisão dos objetos a serem levados pelo turista.


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Acampar com conforto. Isso é possível? A maioria das pessoas acredita que acampar é sinônimo de aventura e liberdade, porém com improviso e desconforto. Na praia da Lagoinha existe uma maneira de sentir as emoções de acampar em um trailer com todo conforto, sofisticação e segurança. O Recanto Primavera, gerenciado por Maria Aparecida (mais conhecida como “Cidinha”), oferece trailers totalmente equipados com TV, ar-condicionado, cozinha completa com todos os utensílios, churrasqueira, guarda-sol e cadeiras de praia. Tudo isso em uma localização privilegiada: em frente à Ilha do Pontal, com acesso direto a praia (pé na areia) e piscina. Segundo “Cidinha”, esta é uma opção para as pessoas que desejam sair da rotina de ficar hospedada entre paredes. “No início o hóspede fica meio receoso, mas depois que entra em um trailer, confirma que tem luz elétrica, chuveiro quente, banheiro, conforto e praticidade, se encanta. Praticamente todos os meus hóspedes retornam para repetir a experiência”, afirma a gerente. Há cerca de 16 anos no mercado, “Cidinha” revela que a idéia partiu da época em que funcionava como camping exclusivo para trailers. Com o tempo, os proprietários preferiam deixar os seus trailers no camping ao invés de removê-los, tor-

Fotos: Emilio Campi

nando-se mensalistas. Com isso foi criada toda uma infra-estrutura de apoio como luz elétrica, abastecimento de água além de uma manutenção e organização impecável. Abrigados por toldos e equipados com eletrodomésticos que oferecem conforto e praticidade, a opção se tornou um ótimo meio de hospedagem. “Cidinha” nos conta que uma das primeiras locações

foi inesquecível. Uma família a procurou de madrugada procurando hospedagem. Ela disse que só tinha um trailer disponível. O turista fez uma cara de desapontamento, mas “Cidinha” insistiu para que ele conhecesse o trailer por dentro. Ele foi com sua filha de oito anos conhecerem a “moradia”. A esposa nem quis descer do carro. Quando entrou no trailer a menina ficou en-

cantada. “Pai, vamos ficar aqui na casinha da Barbbie, vamos!”. A família ficou hospedada no trailer e se tornaram hóspedes habituais, voltando a “acampar” em várias ocasiões. A diária custa entre R$ 150,00 (p/ 4 pessoas) a R$ 200,00 p/ 6 pessoas na baixa temporada. Levando em consideração a localização, o conforto e a praticidade de ter, por exemplo, uma

cozinha completa com fogão, geladeira, freezer, microondas para as refeições, além de churrasqueira, TV, ar-condicionado, essa é uma ótima opção para deseja sentir a liberdade de um acampamento com o conforto de uma casa de praia. O Recanto Primavera fica na Praia da Lagoinha, fones (12) 3843-1715 (12) 3843-2128 ou pelo site litoralvirtual.com.br/recanto.


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Um restaurante que alimenta até a alma Verdadeiras delícias da cozinha regional com a atração de observar dezenas de espécies de aves da mata atlântica são as pedidas no local Um restaurante que, além das especialidades gastronômicas, oferece uma experiência incrível com a presença de várias espécies de pássaros da mata atlântica. O Restaurante Tropical na praia da Lagoinha agrada aos gostos mais exigentes. A iniciativa partiu de Felisberto Dias dos Santos, mais conhecido como “Beto”, que aliou sua experiência em preparar verdadeiras delícias gastronômicas com sua paixão pelos pássaros. Tudo começou quando ele implantou um comedor para pássaros em frente a varanda de seu restaurante. Isso foi atraindo vários pássaros que vinham diariamente se alimentar com as frutas ali colocadas. Saíras, tié-sangue, curruiras, beijaflores, pica-paus e outras espécies começaram a visitar o local diariamente. O número de pássaros foi crescendo, e com isso “Beto” conseguiu ajuda de vários colaboradores para alimentá-los, inclusive a Dona Isaura, da Quitanda Maranduba, que separa frutas que não se apresentam em condições para venda, mas são verdadeiros banquetes para os pássaros. No Restaurante Tropical, além da vista deslumbrante em meio a vegetação típica da mata atlântica, você pode saborear pratos a base de frutos do mar, camarões, peixes, carnes e aves.

Fotos: Emilio Campi

Seja uma caldeirada, uma casquinha de siri ou uma picanha na brasa, o paladar será aguçado pela observação dos pássaros no local

Nossa sugestão é a Caldeirada ricamente incrementadas com frutos do mar ou o abadejo à Chico Dantas, que são verdadeiras delícias da cozinha local.

Aqui vai uma dica: só não peça porção de passarinho para não deixar o “Beto” irritado, pois ele tem verdadeira paixão pelos “seus” passarinhos.

O restaurante foi incluído como ponto de observação de pássaros, pois em um dia comum é possível avistar dezenas de espécies diferentes, inclusive aves raras.

O Restaurante Tropical fica na Rodovia Rio-Santos, Km 72,5 na Praia da Lagoinha com entrada no trevo do Condomínio Samola. Telefone: (12) 3843.3165.


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Relíquias da religiosidade de Ubatuba são encontradas Após décadas, moradora apresenta peças da identidade religiosa de moradores da região sul do município Sertão da Maranduba, numa quarta minguante antes da florada da primavera, provavelmente no mês de junho, em 1937, o Capelão Jorge da Mata, os moradores Pedro Gaspar, Luiz Félix, João Rosa e Messias Manoel se reuniram para cumprir mais uma promessa de Fé. Em uma semana procuram e acharam a melhor madeira para que eles realizassem o que haviam prometido a Bela Jovem. Após muito planejamento resolveram por as “mãos a obra” e derrubaram um pé de cedro que havia crescido nas proximidades do Morro do Messias Manoel (Pedra Preta). Segundo contam, era uma árvore reta, de tronco robusto e que não ofereceu resistência ao que a ela iriam fazer. Segundo Sebastião Pedro de Oliveira, 84, “É como se ela soubesse da importância de sua transformação”. Como de costume rezavam o rosário por volta das 18 horas, depois planejavam o dia seguinte. Antes do sol nascer se reuniam

em frente a Capela de barro e seguiam até o Morro do Messias, lá cada um tinha sua responsabilidade, principalmente as comadres que levavam o café e o almoço e quando dava também levavam a “rebarba”. Sabe-se por relatos de moradores que presenciaram o fato, que o Capelão Jorge da Mata ainda machucou o dedão do pé direito com o machado, isso não o impossibilitou de terminar sua tarefa. Em forma de mutirão, a madeira fora lavrada por machados. Embora a tarefa seja árdua e dura, os dias se tornavam cada vez mais prazerosos, mesmo com o esforço por vezes sobrenatural para domar o cedro. Em uma semana a madeira fora levada pelo antigo caminho até o Morro do São Cruzeiro, lá cravejado por pregos quadrados de cobre foi montada a tão esperada cruz. Fincada no chão de forma simples e com cerca de cinco metros de altura e o braço com quatro de cum-

primento, enfim terminara a segunda tarefa. O pedaço da cruz que é apresentada a toda à comunidade é parte de uma chave, o Morro do São Cruzeiro, atual morro do Emaús, que visto de cima assemelha-se a uma fechadura e a cruz, aquela colocada por amor a Jovem Santa é uma chave, questões ainda discutidas por todos que aqui visitam este território. A cruz permaneceu por várias décadas e por conta do desgaste natural foi substituída por uma de cimento, as partes da antiga cruz foram entregues a alguns moradores por Jorge da Mata. Uma dessas pessoas foi Pedro Roque de Amorim, esposo da Tia Rosinha, que entregou a uma jovem mulher de nome também Maria que não quer se identificar. A ela Pedro Roque disse: “Guarde minha filha, um dia esta peça será de grande valia”. Atendendo a seu pedido, Maria guardou por cerca de trinta anos, mantendo a forma e os cuidados originais a que

Texto e Foto: Ezequiel dos Santos

Parte da cruz de cedro guardada pela moradora do Sertão da Quina

a ela fora designado. A comunidade agradece por ter guardado com tanto carinho esta relíquia de fé, elo deste acontecimento tão lindo e peça importantíssima da continuidade de nossa história religiosa. A cruz foi entregue as mãos do Padre Sérgio Lúcio, ainda embrulhada no papel original. Antes da colocação da Cruz de Cedro, muita coisa aconteceu, foram períodos tumultuados, o local, ainda no século passado, passou a ser conhecido como Sertão da Santa, onde as meninas que viram a jovem mulher foram xingadas, chamadas de loucas, até atiram pedra nelas. Vale lembrar que eram

meninas entre cinco e sete anos, inocentes, que sabiam tudo o que estava acontecendo a sua volta, sabiam dos depoimentos às autoridades, das perseguições e tudo mais o que a elas iria acontecer. O que podemos afirmar que tamanha era sua fé que as meninas cumpriram tudo o que fora solicitado. A Festa A tradicional festa de Nossa Senhora das Graças acontece todos os anos próximo ao feriado de 7 de setembro. Ela existe por conta da atenção dos moradores em atender o grande número de fiéis que na década de sua aparição vinham nos visitar.


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Conheça as principais atrações da Região Sul de Ubatuba Praia da Figueira

Esta praia quase selvagem está localizada em frente da Ilha do Tamandua e é muito apreciada para náutica e mergulho. Acesso por trilha pelo morro da Caçandoca,

Praia da Lagoa

Fotos: Emilio Campi

Caçandoquinha, Saco das Bananas ou de carro pelo lado sul, via praia da Tabatinga. Por este acesso é possível conhecer as praias da Ponta Aguda e da Lagoa.

Praia da Ponta Aguda Um local maravilhoso para se conhecer em Ubatuba. Localizada no extremo sul do município, seu acesso por terra é difícil, porém gratificante. Pode-se chegar a esse paraíso pela tri-

Praia da Caçandoca Apesar das dificuldades de acesso, esta magnífica praia possui uma linda vista de Ilhabela. Acesso por trilha

pelo morro da Caçandoca, Caçandoquinha, Saco das Bananas ou de carro pelo lado sul, pela Tabatinga.

Praia Brava do Frade

Aqui a Mata Atlântica chega até a sua orla estreita e desabitada, proporcionando um visual magnífico. Próxi-

mo a um point secreto dos surfistas locais mais conhecido como “Praia do Simão”, com ondas perfeitas.

Quem procura uma praia retirada, tranqüila e com uma deslumbrante vista para a Baía do Mar Virado, deve conhecer a praia da Caçandoca. Situada no extremo sul de Ubatuba, essa praia faz parte de uma antiga fazenda onde os principais recursos eram a pecuária e a lavoura. Atualmente foi transformada em área de quilombo e é preservada pelos descendentes de escravos que habitavam a região há vários séculos. Vizinha a ela, fica a praia da Caçandoquinha, uma prainha menor e muito procurada pelos adeptos do mergulho e pescadores. Vale a pena conhecer o local.

lha que sai da Caçandoca, Caçandoquinha, Saco das Bananas ou pela Tabatinga. No local, ruínas de um antigo esconderijo dos traficantes de escravos ainda resistem ao tempo, porém

essas ruínas ficam dentro de uma propriedade particular, devendo-se obter permissão do proprietário para visitálas. Em seu canto esquerdo, uma lagoa de águas calmas é a razão do seu nome.


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Praia da Maranduba: uma bela opção que atende a todos Banhada pela baia do Mar Virado, a praia da Maranduba possui a melhor infra-estrutura entre todas as praias de Ubatuba A Maranduba está localizada entre Ubatuba e Caraguatatuba. Possui vida própria com centro comercial, quiosques, hotéis, pousadas, restaurantes, lojas, postos de gasolina, bancas de jornais, posto policial e sub-prefeitura. Sua orla disputa com a Praia Grande como point mais badalado da região. Tem vida noturna agitada, barzinhos e quiosques com música ao vivo. Com sua vizinha, a praia da Lagoinha, forma uma das mais extensas orlas de Ubatuba. Privilegiada pela sua localização, a praia da Maranduba oferece a seus visitantes várias opções de lazer como passeios de escuna, kaiaques, banana boat, e diversas trilhas. Ponto de partida para várias cachoeiras no Sertão da Quina como a do Corrêa e Água Branca.

Águas límpidas e natureza exuberante são algumas das vantagens que a região sul oferece. Ilhas próximas a praia como a do Pontal (acima) e refrescantes cachoeiras com as do Sertão da Quina (à direira) completam o cenário deste paraíso.

Fotos: Emilio Campi


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Gente da nossa história: Tia Maria Gorda

Maria Verônica Correa de Oliveira - “Tia Maria Gorda”

Em 06 de junho de 1922, tendo como coberta a mata atlântica e como cama o solo fértil das grandes roças, nascia das mãos de parteiras da região a menina Maria Verônica Correa de Oliveira que foi exemplo de mãe, filha, mulher trabalhadora, avó e comadre. Vivendo sempre da roça, da caça, da pesca e da troca de mantimentos, casa-se aos dezesseis anos. Sua vida foi muito sofrida, porém Maria sempre se manteve serena e sua experiência de fé ina-

balável ajudou a criar seus 16 filhos. São eles: Dimas, Sebastião, Antonio, Miguel, José, Benedito, Manoel, Augusto, Maria, Verônica, Ana, Sandra e os que se foram como Catarina, duas Marias Madalena e outro Manoel que devem estar felizes por estarem do lado da mãe. Nascida na antiga várzea do Sertão da Maranduba (atual Sertão da Quina), “Tia Gorda” como era carinhosamente chamada foi uma guerreira, de olhos pequenos e amendoados e

sorriso farto agradava a todos, principalmente quando sentava ao lado do fogão a lenha sempre com um bule de café para servir ao visitante. “Tia Gorda” só tomava café que ela mesma plantava, colhia, secava e torrava, depois em um ritual típico de um café na roca, era degustado. Gostava que a Folia de Reis e o Divino fossem a sua residência. Infelizmente uma insuficiência cardíaca fez com que nos deixasse no dia 06 de junho de 2003. Os antigos dizem sempre que só vai para o céu os que realmente estão preparados. A filha Maria Aparecida Correa Santos, 62, lembra com saudades do tutu de feijão feito pela mãe, do mingau de goma, das brincadeiras nas balsas de bananeiras descendo rio, de quando a mãe colocava a noite um caldeirão de água do lado de fora para ter água fria para beber, depois jantavam e por vezes contava uma história para as crianças dormirem. Muito religiosa, não tirava o terço de “capiá” do pescoço, era a única moradora que tinha o privilégio de possuir uma capelinha no quintal de casa, seu sonho. Lá foi realizado missas e terços. A capela abrigava uma rara imagem de Nossa Senhora Santa Maria Negra, defensora dos negros. Atualmente há quem discuta e duvide de sua fé verdadeira, onde a ignorância e falta de respei-

to a sua religiosidade seriam os piores pecados a esta senhora, sabemos que a isto ela não sobreviveria, já que seu sonho e referencia de vida foi ao chão. A comadre “Tiana Luiza” foi quem realizou os partos dos filhos mais novos e a quem ela teria trocado alguns segredos. A fase mais difícil de sua vida foi quando o marido foi trabalhar em bananais em Santos, ela tinha de ser mãe e pai ao mesmo tempo, por vezes chegou ao limite do desgaste físico e emocional por conta do amor aos filhos, mas venceu e viveu para contar sua história. Privilégio mesmo é de quem conseguiu conhecer esta MULHER em vida, muitos lembram que ela já não reconhecia a nova geração, tinha de falar filho de quem que você era, quando reconhecido ela logo dizia: “Ah Home, lhéi só, fulano tem um filho deste tamanho, arrelá!” Verdadeira filha de Deus, exemplo de fé, devota da Mãe de Deus e uma pessoa tão sincera que chega a transpassar seu amor verdadeiro, sua partida revelou uma lacuna no processo de criação, na educação simples e sábia e na difusão do etnoconhecimento de um povo, que embora simples era feliz e muitas vezes não sabia. A sua benção Tia Maria, acho que ouço ao longe ela dizer: ”Deus te abençoe e te guarde meu filho”.

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Lenda: O Corpo Seco - Truco! - Toma seis, que trêis é poco. - Ganhe, mardito! Esse jogo, cada vez mais animado, era cena comum todas as noites no botequim do Moreno, na esquina do Largo da Campina, naquele tempo bastante diferente da topografia de hoje Praça 13 de Maio. Bernardino de Campos - Dinico, como todos o conheciam - era infalível. Podemos dizer até que as “sessões” eram abertas por ele e por ele encerradas. Rapaz de costumes e vícios abomináveis, causava ao mesmo tempo compaixão e repulsa. - É sorte - diziam alguns, vendo o belo rapaz, nos seus vinte anos primaveris caminhar sinuosamente sob efeitos do álcool, pelas ruas da cidade. - Miserável! - bradavam outros -, quando suas nefandas aventuras eram propaladas, deixando com os interlocutores a nauseante repugnância que tais fatos lhes causavam. Conselhos, mesmo os lacrimosos de seus velhos pais, não o demoviam do seu propósito, e se a polícia o conduzia, assegurando a tranqüilidade pública, o cínico rapaz repetia aos conhecidos que ia encontrando na rua: - Tão vendo? Prá hoje arranjei cama e comida! A cadeia não foi feita prá cachorro... Seus pais viviam na mais profunda miséria, numa casinha em ruínas, lá para os lados da Jundiaquara, não se conhecendo ao certo o lugar preciso dessa habitação. José, o filho mais velho, empregando-se em Santos, era o protetor daquele lar infeliz. Emília, a menina que tanta cobiça despertara aos rapazes daquele tempo, casou- se com o Neguinho

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Alves e foi morar no sertão do Perequê-açu. Dinico era o último filho. Ficou para martirizar impiedosamente aquele casal de velhinhos. O velho Crispim piorava dia a dia. A velhice, as necessidades, as agruras provindas do procedimento do filho arrastavam-no a largos passos para a sepultura. Ao anoitecer de um sábado, Maria Rosa, percebendo o estado agonizante de seu companheiro, chamou carinhosamente o filho: - Dinico, teu pai vai morrer! Leva estas últimas moedas, procura um remédio que o conforte no seu último momento e traze uma vela para, depois, acende-la junto ao seu cadáver. Vai, meu filho... É para teu pai! E a pobre velhinha afogou-se num turbilhão de lágrimas. Dinico arrebatou as moedas e saiu com um sorriso sarcástico nos lábios. Quem sabia os pensamentos que lhe assaltavam o cérebro? Adivinham-se logo. Ao entrar na cidade encontrou-se com o Chico Bento e o Manduquinha, que o convidaram para uma “trucada”. - Vamos. Eu sempre sô companheiro, respondeu. Lançou para longe a lembrança da enfermidade do pai, com a mesma naturalidade com que atirou a um lado a ponta de cigarro que trazia presa aos lábios, e caminhou para o antro do Moreno, a fim de jogar as moedas recebidas de sua mãe. Alta noite, alguém ali chegando, não pôde conter a exclamação: - Dinico! Teu pai morreu... - Meu pai? Ora... Truco! Morreu? Morrê por morrê, morra ele que é mais velho... Estas palavras, embora proferidas num antro de degenerados, causaram sensível constrangimento e profundo silêncio

Extraído do livro “Ubatuba - Lendas & Outras Estórias” de Washington de Oliveira (“seo” Filhinho)

pairou sobre o ambiente. Dinico espantou-se, e rompeu o silêncio: - Não qué? Truco outra veis! Pareceu, então, que a irreverência do desalmado agiu como surdo furacão dissipando a nuvem tétrica, pesada, que havia pairado no ambiente envolvido pelo fantasma da morte. O barulho recomeçou. Mais álcool, mais miséria... No dia seguinte, quando voltava para casa, vociferando, cambaleando, encontrou a rede que transportava os despojos do autor de seus dias. E chegando à casa, não encontrando com que saciar a fome corrosiva que trazia no estômago, espancou a velha mãe em inominável atitude de violência e crueldade. Mas é forçoso relatar que assim procedia, sempre que a velha Maria Rosa recebia dinheiro do bom filho José e negava-se a entregálo ao miserável, com os olhos fitos na sua regeneração. Aí, o braço forte do filho algoz caía, impiedoso, sobre a mártir e indefesa mãe. Esta não demorou em tombar no mesmo leito em que expirara o velho Crispim, ali gemendo abandonada, paralítica, recebendo apenas o espaçado conforto de um ou outro vizinho compassivo, porque Dinico continuava na mesma vida desregrada. Quadro horrível! Uma noite entrou inopinadamente pelo casebre a figura horripilante do ébrio inveterado. Maria Rosa, coitada, quase em agonia, implorou: - Filho das minhas entranhas... Eu morro... Mas, antes, quero ver-te no bom caminho... Eu morro, filho! Tenho sede! Dá-me um pouco de água... - Tens sede? Por que não morres? Toma, mata tua sede. E assim dizendo passou ra-

pidamente o pé, no braseiro que crepitava a um canto, lançando brasas sobre a velha moribunda. Depois, caminhou apressadamente para a porta, mas uma força estranha tolheu-lhe os passos, parece que para fazê-lo ouvir sua mãe dizer: - Miserável! Vai! A minha maldição te perseguirá sempre! Não terás sossego em tua vida nem paz depois de morto! Bandido! A própria terra te rejeitará... Vai! Dinico espumou numa risada de ódio e de sarcasmo. Como um touro bravio abandonou aquela casa onde nunca mais voltou. Morrendo-lhe a mãe, a maldição desta não tardou. O rapaz viu-se na miséria, abandonado, sem amigos, sem uma palavra de consolação. Tudo o rejeitava. Dizem que as árvores negavam-lhe sombra, deixando atravessar entre as ramagens os raios escaldantes do sol. As fontes ferviam se o desgraçado ia beber. Suicidou-se. Encontraramno enforcado no ramo de uma árvore, pendente sobre o Rio Lagoa, conhecido por Barra da Lagoa. Tratouse do seu enterro entre os diversos comentários da população, mas o fato começou a ser mal encarado, quando, no dia seguinte ao do sepultamento, o coveiro deparou com o cadáver de Dinico sobre a sepultura. Assombrado com esse fato inédito, tratou de enterrá-lo novamente, mas de novo o cadáver emergiu à flor da terra. Alguns parentes do morto, alta noite, transportaram aquele corpo mumificado para a costeira do Caruçumirim (Prainha), lá para os “lados de fora”, mas, desde então começou o tormento dos pescadores. Nas horas caladas, gritos medonhos

partiam da costeira. O praguejado rogava a sua mudança daquele sítio, pedia que o levassem para a Barra da Lagoa, talvez porque tivesse morrido lá. Contavam, depois, que certa noite espectros macabros foram vistos transportando dali um vulto qualquer, mal divisado à luz funérea de ossadas fosforescentes. O fato é que na costeira da Prainha não mais se ouviram os lancinantes gritos do fantasma. Véspera de Natal. Dezenas de presépios estavam sendo armados por toda a vila. Um vaivém de pessoas preocupadas nesse mister via-se nos arredores da vila, colhendo liquens e parasitas para o adorno natural da cena de Belém. Chiquinha Bastos e Clarita Pinto, duas moças peritas no assunto, foram explorar as margens do Rio Lagoa. Juntavam-se aqui, distanciavam-se ali, quando Chiquinha encontrou um cepo disforme, coberto de belíssimas parasitas. Sofregamente pôs-se a catar aquelas preciosidades, para apresentar melhor colheita que a amiga. Depois de limpá-lo todo, passou-lhe um olhar de observação e, maquinalmente, a meia voz, falou: - Pronto, acabou... Já se retirava, quando ouviu uma voz dizer: - Moça, aqui tem mais. Voltou-se. Soltou um grito agudo e caiu sem sentidos. O cepo que há pouco lhe fornecera delicadas plantas, mudava de posição, deixando transparecer perfeitamente as formas de um corpo humano, ressequido e corroído pela ação do tempo. Dizem que até hoje ali está o corpo do degenerado que a terra não quis receber, atendendo aos rogos da velha Maria Rosa.


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Azul-marinho: a banana que muda de cor Para quem acha que banana é apenas sobremesa, se engana ao atracar na magnífica cidade de Ubatuba, contemplada com o inesquecível prato azul-marinho. Um peixe suculento cozido com banana nanica verde e muito bem temperado, servido com arroz e pirão feito com o próprio caldo do peixe. Essa comida típica de nossa cidade, é sem sombra de dúvida resquício do hábito de nossos antepassados indígenas que tinham a banana como um dos principais alimentos. O peixe já sustentava muitas aldeias litorâneas, tanto que a palavra pirão é de origem tupi, pirau onde pira significa peixe e u comida. No entanto, devemos considerar a influência de nossos colonizadores na criação do prato, pois a banana nanica foi introduzida no país por eles, aqui os índios desfrutavam da banana pakova e branca.

Mas azul, por acaso, é cor de comida? Neste caso, sim. O caldo do peixe, bem como todos os componentes do cozido apresentam um tom azulado, por conta da banana. Apesar de ser verde, neste estágio de vida, a banana é rica em uma substância chamada tanino. O tanino, ao ser liberado durante o cozimento se associa às proteínas do peixe e forma um composto que tem cor azul. Além disso, há quem diga que o verdadeiro azulmarinho é feito em panela de ferro, o que propicia a formação de mais pigmentos azulados, pois os taninos se ligam fortemente aos derivados do ferro e outros metais. O tanino também é responsável pelo sabor dos frutos verdes, a sensação de “amarrar a boca”, corretamente denominado adstringência, é um mecanismo que a planta usa para evitar

o ataque de animais herbívoros (que se alimentam de vegetais), uma vez que torna o alimento impalatável e pode prejudicar a digestão de insetos e outros animais. Ele também serve para proteger a planta contra o apodrecimento, por isso que as bananas são colhidas verdes para amadurecerem na estufa e depois serem vendidas. Alguns pesquisadores tentam comprovar o uso terapêutico dos taninos, porque apresentam ações antiinflamatórias, cicatrizantes, anticancerígenas, e até mesmo atividade anti-HIV, dificultando assim a replicação viral. É por isso que o chá verde é largamente utilizado na cultura oriental, pelas propriedades de seus componentes, particularmente dos taninos. Contudo, não devemos abusar dos frutos verdes, pois em excesso tem efeitos negativos no organismo.

Mas certamente, podemos abusar do consumo do famoso azul-marinho, que além de conter os taninos liberados da banana, nos fornecem todos os benefícios que a dieta a base de peixe pode oferecer, tais como proteínas, gordura ômega 3, e sais minerais. Camilo de Lellis Santos Biólogo

Receita: peixe com banana verde Peixes como a Garoupa, Tainha Sororoca, Sargo, Carapau, até mesmo o Cação fresco serve para este saboroso prato, geralmente se utiliza peixe grande em pedaços, com postas grandes. Outra banana muito apreciada para o azul marinho é a São Tomé. “Acordei as 4 da manhã e fui tirar a rede de “tresmalho” na beira da costeira, dei sorte, consegui pegar uns dez peixes e dentre eles três carapaus grandes e uma sororoca, coloquei a rede e os peixes na canoa e trouxe para o jundú da praia até o rancho, lavei a rede na água doce da barra. Na praia já havia um pessoal da família e conhecidos para pegar alguns peixes, na casa da comadre Rita colhi alguns coentros grandes e pimenta de cheiro caiçara. Cheguei ainda cedo em casa, coloquei lenha no fogão, peguei uma panela de ferro grande, no quintal tirei

uma penca de banana nanica (orgânica), descasquei as bananas, lavei bem para tirar o excesso de cica, coloquei com água, um pouco de sal e o coentrão. Depois de temperar o peixe (carapau) com limão e sal no mínimo por vinte minutos, numa outra panela refoguei o peixe com aqueles tomatinhos (cereja) e cebola branca, depois virei na panela que esta a banana cozinhando, coloquei a pimenta de cheiro caiçara e deixei cozinhar por mais vinte minutos e quando estava quase bom coloquei o cheiro verde. Fiz uma limonada de limão

vermelho e esperei. Tirei o caldo com a banana, amassei com a farinha de mandioca, feito no “viamento” do compadre João e fiz o pirão. É que neste dia era o aniversário de minha esposa e como ela foi trocar dia na roça com a comadre Catarina, resolvi fazer para ela o prato que ela tanto gosta. Sei que o sonho dela é ter uma máquina de costura, mas como ainda não tenho condições, vou ajudando nos trabalhos de casa. O peixe com banana foi o presente de aniversário que eu pude das para a minha querida esposa.”

Este relato é uma história verídica onde os personagens não quiseram ser identificados, por isso os nomes não são os originais. Essas eram atividades corriqueiras até o inicio dos anos de 1980, encerradas com a criação das restrições ambientais que ainda trata estas pessoas como bandidas.


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Presidente da FETAESP entrega certificados em Ubatuba No último dia 6, sábado, nas dependências do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ubatuba - STTR, cerca de 150 pessoas participaram da cerimônia de entrega dos certificados de alfabetização rural e os cursos de eletricidade baixa tensão, produção de húmus, manipulação artesanal de pães e fibra de bananeira. Os cursos são ministrados por instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar através de um convênio entre o Sindicato dos Trabalhadores com a Federação dos Trabalhadores do Estado de São Paulo FETAESP. Braz Alberti-

ni, presidente da entidade, elogiou o serviço que o sindicato vem realizando com os trabalhadores e a participação nas discussões políticas, alem da qualificação destes homens e mulheres. “Vocês tem que participar do sindicato, se associarem, só assim vocês trabalhadores serão mais assistidos”, comenta Albertini. Após uma visita a algumas propriedades da região, Albertini deparou com um diferencial de mercado e solo, bem como as melhores condições de trabalhos com base agroecológica. Em 2009, só na região da Maranduba foram cerca de

250 trabalhadores qualificados com os cursos do convênio. O ponto alto do evento foi a entrega dos certificados aos trabalhadores sem escolaridade. Houve muita emoção, até uma apresentação musical realizado pelos educandos. Foram alunos do bairro do Pegorelli em Caraguatatuba, Bela Vista e Araribá. Os curso tem apoio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento com o apoio da CATI Ubatuba.

O educador Ezequiel dos Santos entrega certificado a educanda Rozalia Luiza na presença do presidente da FETAESP Braz Albertini

Milhares de pessoas comparecem em tradicional procissão no Sertão da Quina No último dia 08, segundafeira, no bairro do Sertão da Quina, mais de duas mil pessoas compareceram a tradicional Procissão de Nossa Senhora das Graças. O evento conduzido pelo Padre Sérgio Lúcio havia sido interrompido na década de 1940 retornou com grande força, já que o acontecido remete a história da formação cultural e religiosa daquela localidade. Tudo começou ainda no século passado. Para quem quiser saber mais sobre o evento basta participar da tradicional procissão que acontece nos dias 08 de cada mês com inicio ás 19 horas, na capela do bairro (Igreja de Pedra).

Texto e fotos Ezequiel dos Santos

Utilidade Pública

O evento conduzido pelo Padre Sérgio Lúcio havia sido interrompido na década de 1940 retornou com grande força, já que o acontecido remete a história da formação cultural e religiosa do Sertão da Quina

Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Ubatuba comunica a lista de produtores selecionados para os seguintes projetos: Projeto Redes de propriedade de referencia da agricultura familiar em transição agroecológica: viabilização do uso de insumos agroecológicos para espécies hortículas-Processo CNPq 576769/2008-0. Coordenadora Silvia Moreira. Produtores: Mateus-Ubatumirim, -Ubatumirim, RomãoUbatumirim, Milton-Maranduba, Caetano-Centro, PedrinhoCentro, Roberto-Picinguaba. Projeto Flores Tropicais como alternativa de produção – Processo CNPq 576748/2008-0. Coordenador Carlos Eduardo F. de Castro. Produtores: Matsumoto-Maranduba, Sitio Lama MoleAraribá, Wagner-Monte Valério, Beth-Taquaral, Neide-Caçandoca, Mario-Aldeia Boa Vista, Cristiano-Aldeia Renascer.


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15 Fevereiro 2010

Documentário da Catástrofe de Caraguá será exibido na Band O documentário “CARAGUÁ: da catástrofe ao progresso”, produzido pela Litoral Virtual Produções será exibido no próximo dia 20 de fevereiro (sábado) às 11:30h na TV Band Vale. Essa é uma iniciativa da Band Vale em apresentar informações do Litoral Norte no programa “Especial Cidades”. O documentário apresenta os acontecimentos ocorridos em 18 de março de 1967, onde escorregamentos de terra soterraram várias partes do município de Caraguatatuba, causando mortes, destruição e uma calamidade sem igual. Personagens que viveram essa catástrofe relatam suas experiências com depoimentos comoventes além de imagens da época.

O filme mostra também a estagnação pós-catástrofe, o esforço da população em reerguer a cidade, o apoio das cidades vizinhas e o avanço que Caraguatatuba obteve após trágico acontecimento. O progresso e as conquistas que fizeram Caraguatatuba se transformar na Capital do Litoral Norte. Com patrocínio da Associação Comercial de Caraguatatuba, LPL Blocos e Lajes, Laboratório Bellato e Sabesp, o programa será transmitido para toda região do Litoral Norte e Vale do Paraíba. Sob a direção de Emilio Campi, o filme faz parte de um projeto de vários documentários que mostrarão informações de relevante interesse para a região.

Centenas de mortos e milhares de pessoas ficaram desabrigadas após os escorregamentos de terra que ocorreram em 18 de março de 1967 na cidade de Caraguatatuba. Mesmo assim a cidade se recuperou. Atualmente o progresso e as conquistas transformaram Caraguá na Capital do Litoral Norte Paulista

DVD Documentário “Caraguá: da catástrofe ao progresso”

O documentário “Caraguá: da catástrofe ao progresso” apresenta de uma forma inédita os acontecimentos ocorridos desde março de 1967 até os dias atuais. Você verá cenas da época, aliadas a depoimentos e entrevistas de pessoas que vivenciaram aquela tragédia. Relatos emocionantes da solidariedade dedicados a população caraguatatubense atingida pela catástrofe. Confira como uma cidade praticamente arrasada soube se reerguer. A migração de pessoas dispos-

tas a se dedicar e transformar Caraguatatuba na capital do Litoral Norte. O progresso e as conquistas que transformaram Caraguatatuba em uma cidade com grande potencial, incetivando a qualificação profissional dos moradores para um futuro promissor. O documentário tem como finalidade elevar a auto-estima da população em conhecer detalhes que fizeram Caraguá possuir uma excelente qualidade de vida devido a esse progresso.

Onde encontrar o DVD • • • • • • • • • • • • • • • • •

ACE Caraguatatuba Auto Escola Objetivo Auto Posto Mareli Cine Caraguá Donana Eventos Laboratório Bellato Pousada Maranduba Residencial Imóveis Fundacc - 3883.9188 LBL Blocos e Lages Bracar Auto Center Otica Ponto de Vista Sandra Noivas Santana Cine Foto Yumi Materiais Perfil Rosa Flor Raul Mecanica

Faça seu pedido Internet: dvd@caragua.com.br Telefones: (12) 9714.5678 (12) 3883-9494 (12) 7813-7563 Nextel ID: 55*96*28016 Preço sugerido: R$ 50,00 (Frete incluso)


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Dicas de Saúde

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Jornal MARANDUBA News por Adelina Campi

Cuidado com o Sol A exposição da pele ao sol causa o envelhecimento e promove rugas e manchas. A única forma de prevenir é usando o bloqueador solar e cada cor de pele requer um fator de proteção diferente. As pessoas que moram em cidades longe do litoral, quando vão à praia, devem ir aumentando aos poucos os períodos de exposição, para dar tempo do bronzeamento ir aparecendo. Exposições exageradas e repentinas ao sol, principalmente em pessoas de pele mais sensíveis como os loiros, quase sempre tem como resultado um nariz vermelho e rosto queimado sem bronzeado. Essas pessoas são as que devem tomar mais cuidado, usando cremes ou loções com filtros solarespois têm maior propensão a ter problemas causados pelo sol, como sardas, manchas e queimaduras solares. Unhas manchadas pode indicar câncer de pele • Amarelas: problema no fígado ou Diabete • Avermelhadas: distúrbios no coração • Azuladas: problema nos pulmões • Marcas brancas: mau funcionamento dos rins • Marrom: câncer de pele • Unhas fracas: hipotireoidismo... O que fazer quando a criança engasga Se a criança tossir, tudo bem. Mas se o objeto ou o alimento obstruir a via, há duas técnicas. Se ele estiver respirando, mesmo com dificuldade, mantenha-o em uma posição confortável e leve-o para o hospital. Jamais coloque a mão na boca da criança ou vire-a de cabeça para baixo. Mas se o objeto ou alimento fechar a passagem de ar ligue para a emergência (192). Com crianças menores de 1 ano, enquanto o socorro não vem, deite-a de barriga para baixo no colo com a cabeça mais baixa que o bumbum e dê tapas firmes nas costas. Em seguida, vire-a de barriga para cima e pressione o tórax,como uma massagem cardíaca. Em crianças maiores de 1 ano, peça para tossir, depois abrace-a por trás e passe os braços por baixo dos dela. Deixe-a envergada para frente. Feche o punho e faça pressão acima do umbigo,de cima para baixo até que o objeto estranho se mova e a criança possa repirar.

Túnel do Tempo

Registro de fatos do século passado em nossa região

1994 Primeiro posto dos bombeiros na praia da Maranduba

1995 Juarez Soares, Helena de Gramond, Inge Erika e Pedro Rezende no Bar do Pedro

1996 Chuvas fazem rio transbordar na Lage do Sertão da Quina

1995 “Tim”trazia fotos de Mato Grosso que pesavam mais que os peixes!

1994 Primeiro destacamento da Polícia Militar na Rua do Eixo, Maranduba

1995 1995 Festa na vitória do time de futebol Beira-Rio do Sertão da Quina

Rural invade Supermercado Gaivota (atual Supimpa), no Sertão da Quina. Não houve feridos. Apenas susto.



Jornal Maranduba News #01