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Maranduba, 1º de Maio de 2010

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano I - Edição 06

Segurança:

Assoreamento do Rio Maranduba atrasa resgate de pescador

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Comunidade:

AMMA tem nova diretoria

pg 04

Meio Ambiente:

SABESP poderá construir barragem em ponto turístico

pg 05

Dica de Turismo:

Praia da Lagoa: segredos e belezas de uma época pg 08 Fazenda era porta de entrada para o tráfico de escravos

pg 09

Gente da Nossa História:

Sebastiana Luiza: enfermeira das famílias

pg 10

Crônica:

Manhas e artimanhas do cacique Cunhambebe

pg 11

Cultura:

Maranduba: árvore, ilha, lago, terra, lenda ou tudo junto? Saúde:

O que é a Dengue?

pg 15

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Jornal MARANDUBA News

Editorial

1º Maio 2010

Cartas à Redação

É impressionante o número de leitores que nos solicitam a versão impressa do jornal. Mesmo disponível na web, os leitores pedem a versão em papel para guardar. Tem gente colecionando o Jornal Maranduba. Isso é muito gratificante para nossa equipe, pois nos dedicamos a veicular tanto a nossa história como o cotidiano da região. Fato semelhante aconteceu com a primeira versão do Jornal Maranduba em Foco, veiculado entre 1993 a 1996. Até hoje encontramos pessoas que alegam ter as antigas edições guardadas. Graças a uma dessas pessoas conseguimos reaver grande parte deste acervo. A empresária Marlene Graf nos presenteou com mais de 30 exemplares do antigo jornal. Folheando essas edições pude sentir porque as pessoas querem o papel. É nostálgico manusear essas folhas amareladas pelo tempo, sentir o cheiro do papel guardado, reler as matérias e artigos que, graças ao jornal, podemos relembrar. Será que daqui a alguns anos teremos a mesma sensação ao visualizar os arquivos na web? Tenho minhas dúvidas... Faço o possível para chegar às mãos destes leitores que nos solicitam a versão em papel do jornal Maranduba News. Compreendi o que é folhear fragmentos do passado sentindo a textura da lembrança com cheirinho de saudade. Emilio Campi

Emancipação I Há 20 anos a Região Sul foi palco de um dos episódios mais marcantes na história recente de Ubatuba: O movimento polêmico pela criação do Município Costa Verde. A pressão pela gestão participativa e descentralizada deu alguns frutos, ainda que verdolengos, como as Administrações Regionais Sul e Norte. Mas os Distritos Administrativos (Sul, Centro-Sul, Sede, Oeste e Norte) e os Conselhos Distritais continuam letra morta de uma lei não cumprida, o Plano Diretor Participativo de Ubatuba. Entretanto, o Município é sobretudo a Comunidade. É gratificante, mais uma vez, ver a Região Sul, com o jornal Maranduba, contribuir com o fortalecimento da parte, para o desenvolvimento do todo. José Nelio de Carvalho Ubatuba, SP Emancipação II Já era tempo de retomar o movimento de emancipação da região que teve enorme repercussão na época. Continuamos isolados, distantes de tudo, porém com um crescimento que já comportaria um novo município. Parabéns pela iniciativa do Jornal Maranduba que vem de encontro aos anseios da população e mostra além dos atrativos, informações e notícias desta esquecida região. Lourival da Silva via e-mail

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3843.1262 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: quinzenal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos, Uesles Rodrigues, Camilo de Lellis Santos, Denis Ronaldo e Fernando Pedreira Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Calçadas Gostei muito da objetividade deste jornal, parabéns. Aproveito para fazer um pedido as autoridades municipal: com urgência seja feitas calçadas ligando a praia de Maranduba ate o Sertão da Quina devido os pedestres terem que dividir a rua com carros, motos e bicicletas. Para circular entre o Beira Rio e o Sertão da Quina as crianças que saem das escolas estão correndo perigo de serem atropeladas, principalmente na temporada quando aumenta o numero de veículos. Infelizmente os motoristas fazem da estrada do Sertão pista de corrida. Paulo Barbosa São Paulo, SP Cadê a cadeira de rodas? Gostaria de relatar um fato que me deixou muito apreensiva na última terça-feira, 13/04/2010, quando estive a noite na Regional Sul acompanhando uma criança que necessitava de cuidados médicos. Enquanto aguardava o atendimento do menor (e aqui vale um esclarecimento quanto ao ótimo atendimento prestado pelo médico de plantão que gentil e prontamente atendeu a criança), aproveitei para verificar alguns fatos que me causaram espanto. Em 2007 fizemos a compra de 6 cadeiras de rodas e doamos aos seguintes locais de Ubatuba: - 1 cadeira de rodas para o posto da Regional Sul - 1 cadeira de rodas para o posto de saúde do Sertão da Quina - 1 cadeira de rodas para o posto de saúde do Araribá - 1 cadeira de rodas para o Asilo dos Velhinhos no Centro - 2 cadeiras de rodas para a APAE de Ubatuba. Certos de termos cumprido com nossas obrigações hu-

manas, solicitamos em cartas endereçadas a Prefeitura de Ubatuba, devidamente protocoladas, que as cadeiras fossem destinadas as pessoas necessitadas da comunidade. Inútil frisar que até hoje nunca recebi por parte do poder público qualquer manifestação, de que esse nosso desejo tenha sido cumprido. Também cabe esclarecer que nossa ação foi uma iniciativa de caráter particular e não teve qualquer conotação político-partidária. Acontece porém, que numa rápida revista pela Regional Sul, não encontrei a cadeira doada e também foi-me dito posteriormente por alguns moradores do local, que nunca viram a cadeira por lá e que as pessoas carentes continuam sofrendo com a falta de cadeira de rodas. Não contente com essa situação, continuei minha pesquisa e na mesma época em 2007 participei de uma ação voluntária com pessoas na região que promoveram bingos para a arrecadação de dinheiro para a compra de um eletrocardiograma para atender a nossa região que não contava (e continua não contando) com a mínima estrutura para o atendimento de pacientes com suspeita de problemas cardíacos. Chegamos a arrecadar R$2.800,00 que correspondia ao preço de um Eletrocardiógrafo marca Schiller, o qual foi comprado e doado a Regional Sul em setembro de 2007. Para minha surpresa, a maquininha que salva-vidas não está na Regional Sul e no lugar foi colocado um aparelho velho que não funciona e põe em risco a nossa vida. ONDE FOI PARAR A CADEIRA DE RODAS QUE DOEI???? ONDE FOI PARAR O ELETROCARDIÓGRAFO SCHILLER QUE A POPULAÇÃO LOCAL SE ESFORÇOU PARA DOAR?????

Esses equipamentos são nossos!!! Quem responderá essas perguntas??? Por favor, encaminhem ao Poder Público para que se averigue o fim dos equipamentos acima, como também as outras cadeiras das quais não tenho notícias... Grata pela sua dedicação e não parem de editar esse jornal, tão importante para os cidadãos da região Sul. Ana Cristina via e-mail Resposta da Prefeitura A Secretaria de Saúde da Prefeitura de Ubatuba informou que o aparelho de eletrocardiógrafo da marca Schiller, que foi doado em 2007, teve a sua placa queimada. Encaminhado para a manutenção foi constado que o conserto do mesmo ficaria muito alto se comparado a compra de um novo aparelho. Diante disso, a Secretaria de Saúde realizou então a compra de um novo aparelho que hoje está na Unidade Mista de Saúde da Maranduba. Ainda na Unidade Mista da Maranduba existem duas cadeiras de roda, sendo uma especial, que é utilizada por pessoas obesas. Quanto às cadeiras de rodas doadas aos Postos de Saúde do Araribá e do Sertão da Quina as mesmas se encontram nos devidos locais e sendo utilizadas quando necessário. Já quanto ao uso das cadeiras que foram doadas ao Lar Vicentino e a APAE, a Prefeitura solicita que a leitora Ana Cristina verifique diretamente nos referidos locais. Mais uma vez a Prefeitura de Ubatuba, por meio da Secretaria de Saúde, agradece a doação da leitora e dos outros munícipes, como já foi feito por meio de uma carta entregue em mãos para a leitora Ana Cristina, assinada pelo Secretário de Saúde, Clingel Antonio da Frota.


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Assoreamento do Rio Maranduba atrasa resgate de pescadores O acúmulo de areia no leito do rio impediu a saída de embarcações para o salvamento de pescador a deriva próximo a Ilha dos Búzios No inicio da ressaca do último dia 30/03, os pescadores Miler de Oliveira Santos, 23, e Eronides Alexandre (Ni), 42, ficaram a deriva no mar há 14 quilômetros da ilha do Mar Virado, próximo as ilha dos Búzios. Os pescadores saíram por voltas das 17 h. da barra do Rio Maranduba em direção a rede, aonde chegaram por volta das 18 horas do mesmo dia. Depois de tirar três panos de rede, com o mar começando a engrossar, os pescadores mudaram de posição para a retirada da água que havia na parte de trás da embarcação. Na mudança de posição, Eronides soltou a rede e isto fez que o barco facilitasse a entrada de água, o que causou o afundamento de popa e o embicamento da lancha. A embarcação virou e os dois ficaram apoiados na parte do fundo do barco. Diante da emergência, Eronides nadou cerca de 6 horas até chegar à ilha do Mar Virado, deixando Miler junto a embarcação naufragada. Lá usou o celular de Messias, dono de uma marisqueira e pode avisar a família. Em terra, o pai de Miler, o pescador Clementino Quintino, 49, buscava maiores informações. O barco havia virado por volta das sete da manhã e foi resgatado as duas horas da tarde. Miler fala que ficou exausto, sempre pensando que a qualquer momento alguém ia chegar. As pernas e os olhos estavam inchados e sentia muita sede. Se o resgate demorasse mais uma hora, poderia não dar tempo de encontrálo com vida, mas a esperança prevaleceu, comenta Miler. Clementino tentava, sem sucesso, sair do rio Maranduba para verificar o que tinha

Fotos: Emilio Campi

acontecido, já que estava apreensivo com a demora dos dois. Aguardou até o meio-dia para conseguir sair para o resgate. O acumulo de areia no leito do rio Maranduba foi o que impediu a saída com embarcações do canal. Por outro lado moradores ligavam para o Corpo de Bombeiros solicitando ajuda. A comunidade percebeu muita boa vontade dos homens dos Bombeiros em ajudar no resgate, mas a falta de material ficou evidente naquele momento. Segundo pescadores, mesmo com a falta de material aos bombeiros como rádios, unidade de resgate, barcos e telefones, havia grande chan-

ce de resgatar os homens no mar. O principal problema foi à quantidade de areia que está acumulada no fundo do canal que precisa ser desassoreado imediatamente. Isto impediu que os barcos saíssem para o resgate. “O Corpo de Bombeiros não tem barco adequado para realizar o resgate, pra salvar vidas, enquanto a florestal tem barco grande para encher o saco de quem tá trabalhando, de quem sustenta a família”, desabafa Clementino. A marina Porto Vitória cedeu uma lancha aos bombeiros para resgatar os pescadores. Felizmente eles já estavam voltando para casa em outro barco, em segurança.

Barra do Rio Maranduba: durante a maré baixa as embarcações ficam impossibilitadas de sair devido ao baixo calado que o assoreamento provoca


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Produtores expõem em feira Internacional EZEQUIEL DOS SANTOS Duas propriedades da região sul de Ubatuba foram convidadas para participarem da Feira Internacional de Artesanato em São Jose dos Campos – SP. O evento acontece entre os dias 30 de abril até 9 de maio no espaço Cassiano Ricardo (Mini Anhembi) naquela cidade. O evento mostra a arte e o artesanato de todos os países. O Sitio Recanto da Paz e Matsumoto apresentam aos visitantes produtos a base de gengibre e plantas ornamentais, e foram convidados pela organização a representar o Japão. Os produtores que são descendentes de japoneses se sentiram honrados e outros produtores da região se sentiram prestigiados pelo reconhecimento e o convite feito às duas propriedades. Milhares de visitantes são esperados no evento e a organização prevê um aumento de

20% no volume de negócios em relação ao ano passado. No final da década de 1970, Ubatuba também foi representada em feira internacional em São José dos Campos, na época, organizado por Tereza dos Santos. O destaque foi um utensí-

lio de uso para a fabricação de farinha artesanal - o Tipiti - feito pelo morador Manoel Hilário, do Sertão do Ingá, e uma escultura do Mestre Bigode, do Centro. As duas peças receberam prêmios pela originalidade e inovação de técnicas e representaram o Brasil.

Região Sul tem condições de receber a Copa de 2014 EZEQUIEL DOS SANTOS A Secretaria Estadual de Esporte e Lazer escolheu Ubatuba como um dos 41 municípios candidatos a sediar a base da Copa de 2014. Os campos de futebol da região sul de Ubatuba possuem todas as condições de servirem para os treinamentos das seleções que participarão da Copa do Mundo de 2014. Ubatuba, por encontrar-se no eixo Rio-São Paulo, é mais próxima da sede da Copa e possui grandes chances de ser escolhida para atender o Comitê Organizador da Copa. O Secretario Estadual de Esporte, Claury Alves da Silva, recebeu as propostas e se colocou a disposição de Ubatuba. A região sul de Ubatuba possui uma boa rede hotelei-

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AMMA tem nova diretoria

A Associação de Moradores de Maranduba e Amigos (AMMA) se reuniu em assembléia no último dia 22/04 onde foi aprovada a nova diretoria composta por: Presidente: Robson Enes Virgilio Vice-Presidente: Marcelo Cabral dos Reis 1º Secretário: Alessandra Cristina F. Reis 2º Secretário: Nelson Fontes 1º Tesoureiro: Dante Gasparetto 2º Tesoureiro: Tatiana Cruz das Chagas

Conselho Fiscal: Valdir B. de Souza Dalva de Oliveira Virgilio Maria Chagas Cancellier Suplentes: Márcia Bruske Vera Elidia Silvério Próxima Reunião A AMMA agradece, parabeniza e convoca os moradores e amigos de Maranduba a participarem de sua próxima reunião, que se realizará as 20hs do dia 06/05/2.010, na Escola Insight Digital, à Rua Geraldo Berthi,135, Maranduba – Ubatuba – SP. Informações: (12) 3849-5522

Crime ou Maldade?

ra além de atrações diversas para o descanso dos atletas e turistas. A gastronomia pode ser destaque para os visitantes. A atividade pode alavancar a economia da região que sofre por falta investimentos e políticas públicas para o setor. A região possui os campos da Maranduba, do Sertão da

Quina e do Sertão do Ingá, que atendem as dimensões exigidas. As áreas encontramse próximas uma das outras e são de fácil acesso. Falta ainda uma melhor manutenção da localidade e maior atenção aos campos de futebol. Enquanto a decisão não sai, vale a pena aguardar.

Recebemos denúncia que algumas palmeiras imperiais plantadas entre os canteiros da Marginal da Maranduba e a Rodovia SP-55 estavam sendo “envenenadas”. Constatamos através de fotos que as palmeiras receberam furos, por onde provavelmente foi inserido algum produto, ainda desconhecido. Caso se confirme ser produto nocivo a planta, fica a dúvida: crime ou maldade? Segundo Pedro Felix dos Santos, “Crime ambiental é quando um morador é processado ou vai preso por limpar seu terreno para fazer uma roça de mandioca para seu sustento. Isso que fizeram é maldade, pois atacaram uma planta indefesa, que não faz mal a ninguém”. Esperamos que os “verdes” de plantão tomem uma providência para apurar os fatos e punir os responsáveis.

Palmeiras imperiais da marginal: o que injetaram nesses furos?


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Sabesp poderá construir barragem em ponto turístico EZEQUIEL DOS SANTOS A Sabesp vem há pelo menos um ano realizando estudos na região para a implantação de mais um ponto de captação de água para atender a demanda da temporada. Presume-se que o ponto escolhido foi a Cachoeira da Renata, local de relevante interesse turístico e ambiental. O local é parte do patrimônio histórico e ambiental da região, faz parte de um conjunto de poços e cachoeiras da mata atlântica, que bem ou mal vem sendo preservada por turistas e moradores locais. Técnicos já estiveram realizando medições para a construção de uma barragem, instalação de encanamentos necessários e local de filtragem. Moradores se preocupam da forma como está sendo conduzido o processo. Talita Jan, 38, tenta entender o que está acontecendo. “Já perguntei para todo mundo da empresa e parece que ninguém sabe o que está acontecendo”. Segundo Talita, “o engenheiro de Ubatuba não sabe, os de Caraguatatuba não informam e só o de São José dos Campos é quem sabe sobre a obra”. Segundo Talita, os canos passarão nas propriedades próximas a cachoeira e será em seu terreno que a Sabesp pretende edificar o filtro de limpeza. Heraldo dos Santos, 40, também quer entender o que vai acontecer de fato. Para ele está tudo ainda meio no escuro. Informa ainda que já foi consultado sobre a documentação de suas terras e está aguardando o resultado. Moradores temem que a obra atenda apenas turistas, que são proprietários das casas que permanecem a maio-

ria dos dias do ano fechados. Visitantes, turistas e moradores temem que com a construção da barragem, o local fique fechado para visitação, também pela alteração substancial do local. A área possui um poço de média profundidade e é conhecida em todo o Brasil pelas águas frias, pontos de saltos para mergulho, escorregador natural e as belezas naturais em seu entorno. Embora seja muito explorado, o local é de baixa periculosidade e boa parte do tempo fica vazia, tempo o suficiente para a mata se recuperar. Por conta dos questionamentos, o vereador Rogério Frediani, encaminhou a ao engenheiro Iberê Fábio Horie Kumcevicius - gerente da Sabesp de Ubatuba, oficio CM RF 027/10 solicitando as seguintes informações: Valor da obra, previsão de seu término, trecho a ser percorrido, se vai fechar o acesso a cachoeira, se terá alguma área que será desapropriada. Até o momento a empresa não havia encaminhado resposta ao gabinete de Frediani. Outros problemas Em 1995, a Sabesp tentou construir uma caixa dágua no morro do Emaús, ainda no Sertão da Quina. Na ocasião a comunidade também não sabia sobre a obra e foi por conta das várias visitas de engenheiros da empresa ao morro que despertou a curiosidade de Manoel Gaspar dos Santos, 75. Na busca de informações Manoel descobriu que a obra já estava na eminência de ser construída. Com a surpresa, políticos da época e a comunidade se mobilizaram. Através de um levantamento histórico, responsáveis pela obra

Fotos: Emilio Campi

Cachoeira da Renata: local onde possivelmente será construída a barragem da SABESP descobriram que o local é de relevante interesse cultural e religioso, já que foi ponto de visitação de uma mensageira religiosa em 1915, que depois descobriram ser de Nossa Senhora das Graças. Com isto a Sabesp parou as visitas e a obra.

Outro caso parecido aconteceu no bairro do Corcovado, onde a Sabesp realizou vários estudos e tentou construir uma barragem na cachoeira da Bacia. A comunidade se manifestou e parou a obra, já que era tão somente para atender também as casas de veraneio.

Comunidade se mobilizou em 2005 para impedir a SABESP de realizar obra no Emaús do Sertão da Quina

Água própria No final da década de 1970, cerca de 200 pessoas se reuniram e com o material doados pela prefeitura construíram uma rede própria de captação de água. A obra contou com quase todas as famílias. Quem não pode colaborar com mão de obra ajudava com dinheiro, com almoço e assim a rede que abastece o bairro foi concluído. Atualmente, a rede abastece melhor que a rede da Sabesp, que em períodos de férias e chega a faltar. A taxa de manutenção cobrada é baixa perto da facilidade do serviço e da difícil manutenção da rede. A comunidade teme que a Sabesp assuma a rede e cobre outros valores. Muitos moradores não poderão pagar e muitas casas provavelmente não poderão ser ligadas conforme a legislação vigente.


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Vamos falar sobre turismo V FERNANDO PEDREIRA Olá Amigos. Cá estamos para dar andamento na divulgação dos Projetos que elaboramos em 2005/06 em parceria com o Sebrae para o desenvolvimento do turismo receptivo PDTR, em nossa querida Ubatuba. Tínhamos como objetivo inicial o Extremo Sul de Ubatuba, que denominamos de Baia do Mar Virado. Mas na seqüência estes projetos iriam ser repicados por toda a Cidade. Já falamos sobre: a) Sensibilização das Comunidades para a importância do Turismo. b) Sensibilização das Escolas para a importância do Turismo. c) Capacitação dos Empresários e Operacionais da Cadeia Produtiva do Turismo E agora falaremos sobre a Formatação dos Produtos Turísticos. Este projeto é muito importante, pois trata-se como o próprio nome diz da elaboração do produto em si, aquilo que queremos vender. Antes devemos relembrar a diferença entre Recurso e Produto turístico. E nada melhor do que exemplificar, uma trilha é um recurso turístico, para se tornar um produto é preciso que tenha, Guias Capacitados, Transporte, Horários de partida, Segurança para os Turistas, Avaliação do Grau de Dificuldade enfim não se pode colocar os turistas “numa roubada”. Aí Vocês começam a perceber a necessidade da participação coletiva que falamos no número anterior, pois estamos formatando os atrativos para a composição dos “pacotes de turismo” que sem Hospedagem, sem Refeições, sem Guias, sem Transporte, sem Recepção, sem Artesãos, fica impossível e foi o que aconteceu, e a oportunidade passou. Os técnicos do Sebrae aqui estiveram e fizeram visitas técnicas nos primeiros dois recursos que achamos os mais fáceis de serem formatados. Ruínas da Lagoinha e Trilha do Bonete fizeram um relatório de cada recurso os quais disponibilizamos no Site, bem como o projeto na íntegra.

Por falar em oportunidades perdidas, aproveito então para falar das Oportunidades Perdidas na esfera governamental, porém ainda acredito que se tivéssemos um apoio de algum segmento da comunidade pudesse ser diferente. Estamos falando da primeira gestão da atual administração. a) Politicamente éramos a dupla PLxPT enquanto o governo federal PTxPL. b) O Ministério das Cidades exigia dos Municípios o Plano Diretor. c) Assinava-se o Convenio entre Associação Comercial e SEBRAE para a aplicação do PDTR – Plano de Desenvolvimento do Turismo Receptivo. d) O discurso era que seríamos governados através dos Conselhos. e) Criaram-se então os CONSELHOS MUNICIPAIS DE DESENVOLVIMENTO, TURISMO e outros. f) O Litoral Norte era foco, tanto do Governo Federal quanto do Estadual, pois projetos de Ampliação do Porto de São Sebastião, Centro de Detenção Provisória, Duplicação da Rodovia dos Tamoios, Hospital Regional, Saneamento Básico em virtude dos investimentos citados e nada mais nada menos que o Pré Sal com a descoberta do Gás, que Evo Morales nos regulava. Tudo fazia crer que era a nossa vez. Fizemos parte dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento dentro do núcleo gestor do Plano Diretor, e do de Turismo sendo Vice Presidente e Conselheiro Regional. Foram quase dois anos para entender que, repito LEGISLAR, NORMATIZAR, ORGANIZAR, PLANEJAR eram verbos indeclináveis. Até hoje não temos nem a Lei de Uso e Ocupação do Solo “LUOS”, nem um PLANO MUNICIPAL DE TURISMO. No Conselho de Desenvolvimento a esperança que fossem levados até nós Conselheiros, os principais problemas da Cidade, pois ali estavam reunidos todos os representantes de todos os seguimentos da Sociedade Civil, bem como os secretários de todas as pastas,

inclusive o Ministério Público. O então Secretário de Arquitetura e Planejamento Urbano que Presidia as reuniões fez questão de desmotivar todos os Conselheiros que participavam na esperança de ajudar a Cidade, pois ficamos meses discutindo o “sexo dos anjos” para se elaborar o Regimento Interno e nada se trouxe para discutir efetivamente. No do Turismo o mesmo se aplicou e abdicava-se de tudo para se elaborar o “PLANO MUNICIPAL DE TURISMO”, que como dissemos, até hoje... No Conselho Regional de Turismo, a primeira medida do Prefeito foi retirar a Cidade do Circuito Litoral Norte alegando falta de verba, enquanto que nas Jornadas do Turismo Paulista, elaborado pelo Governo Estadual, era tudo gratuito e nem assim participávamos. Perdemos a oportunidade, mas perdemos quem? Nós empresários, nós população, nós jovens que buscam por emprego e renda, perdemos todos. Muita coisa ainda está aí, o Circuito Litoral Norte vem substituir o PDTR, com a vantagem de ter verbas, e, além disso, teremos a Copa 2014, fomos selecionados entre diversas Cidades para sermos uma das Sub-Sedes. Os Técnicos do Projeto Geor estiveram aqui e visitaram novamente as Ruínas da Lagoinha e agora a Fazenda de Gengibre, as empresas que se inscreverem terão Consultorias e Capacitações e poderão participar do Site e de outras divulgações a serem realizadas, pelo Circuito. Procurem a Associação Comercial. Não deixem esta oportunidade passar, já perdemos a anterior.

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Regional realiza melhorias

Fotos: James Ricardo

A Adminstração da Regional Sul vem realizando uma série de melhorias para a população do sul do município. Segundo o adminstrador regional, Moralino Valim Coelho, mesmo com poucos recursos e equipamentos, a prefeitura está fazendo o possivel para manter a região em condições. Na última quinzena, em parceria com moradores, foram realizadas obras de colocação de tubos na Rua Sena, no Sertão da Quina, eliminando o problema de enchentes no local durante as chuvas. Também foram realizados serviços de limpeza e manutenção da estrada do Corcovado. Já na Maranduba foram relizados manutenção na Rua Cabo Noberto Henrique Weber e também o nivelamento e manutenção de várias ruas do bairro.

No Araribá também foi realizada a implantação de tubos para escoamento de águas pluviais. Moralino ressalta que é de extrema importância a parceria com os moradores que viabilizam com mais agilidade os reparos a serem efetuados.


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Praia da Lagoa: segredos e belezas de uma época A praia possui areia grossa e muitas conchas. Seu nome deve-se à existência de uma lagoa no lado esquerdo da praia. EZEQUIEL DOS SANTOS Região de uma antiga fazenda colonial onde os traficantes escondiam ilegalmente os escravos e usavam o café como fachada de negócios, o local tem uma pequena enseada do lado sul da Caçandoca e possui acesso por terra tanto pela Tabatinga e Caçandoca, como por mar. A Fazenda da Lagoa está no limite de uma área reconhecida como o primeiro Quilombo do Litoral Norte, o da Caçandoca. A região é cercada de trilhas históricas com a beleza selvagem da mata e das praias quase intactas: do Frade ou Simão, do Saco das Bananas, da Raposa, da Caçandoca e da Caçandoquinha. Ora ladeada por matas virgens, ora por matas rasteiras, a trilha é de nível médio e de esforço razoável. Pelo morro da Caçandoca, o visitante poderá contemplar ainda várias outras belezas e vestígios da cultura quilombola e caiçara. O acesso por este lado é longo e provido de muitas subidas e descidas. A trilha ainda é aquela usada pelos primeiros colonizadores. A beleza natural, as imagens inesquecíveis e a tranqüilidade do local, faz valer todo o sacrifício, já que é necessário várias paradas para um relaxante descanso e muitas fotos. Pelo lado da Tabatinga, o acesso é de aproximadamente 1,5 Km por estrada de cascalho e terra através da estrada da Ponta Aguda (aberta pela Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista SUDELPA). Os veículos tem de ficar no final da estrada e depois de cinco minutos caminhando chega-se ao paraíso.

De barco também possível alcançar a Praia da Lagoa, porém tem que se verificar o tempo e as condições das marés. A praia possui areia grossa e muitas conchas. Seu nome deve-se à existência de uma lagoa no lado esquerdo da praia. As areias desta antiga fazenda são brancas e límpidas. Quando pisamos podemos ouvir ela literalmente cantar, é possível ouvir os “ics, ics, ics” produzidos pela frição que provocamos quando pisamos com mais força na praia. A praia é de tombo, não abrigada e suscetível a mudanças bruscas de marés, já que está de frente para o mar aberto. Possui cerca de cem metros, tem a forma de uma fer-

radura um pouco mais aberta. Em sua abertura, que aponta para o mar aberto, o local é fundo. É preciso resguardar os devidos cuidados para a prática do banho e mergulho. As águas por vezes verdeclaras, por vezes azuis e em mares de piratas, escura quase negra. O estrondo das ondas é um espetáculo a parte, um bom observador dos sons da natureza, poderá ouvir as areias sendo levadas pelas ondas, para cima e para baixo. A mata que protege a frente da praia respeita o repouso intacto do jundú. O mar é mais agitado em seu canto direito, as espumas levantando-se por conta das ondas estourando nas pedras causam um atrativo diferenciado. Em

seu canto esquerdo o mar é mais calmo e tem uma particularidade, a lagoa de água doce que se forma imponente e maravilhosa, separadas apenas por uma faixa de areia a apenas três ou quatro metros do mar. Nela é possível observar espécies raras de peixes e aves, alguns como o Carapicu, um tipo de peixe parecido ao lambari, mas que também vive em água salgada. O mar do local é ótimo para observar peixes mariscando durante a noite e durante o dia eles buscam cada um o seu canto. É possível ainda ver tartarugas marinhas em seu balé tranqüilo dando o ar da graça. Ótimo ponto para namoro, levar as crianças, curtir o dia com a família, local ideal para

Fotos: Emilio Campi

relaxar o corpo e a mente. Gostoso mesmo é se empanar nas areias grossas da Lagoa e depois entrar nas ondas fortes. A lagoa transforma-se numa piscina particular, ideal para tirar o sal do corpo e descansar em período de sol mais intenso. Lindo também é a vegetação que cobre a lateral do caminho. Parece que foi colocada a mão. São jardins de bromélias e caraguatás numa disposição de dar inveja. É fácil ainda descobrir pegadas de aves e animais em busca de sombra, água e frutas como o araçá e o maracujá. Para um melhor aproveitamento do dia e uma maior segurança é recomendável realizar o trecho acompanhado de um guia. Bom passeio!


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Fazenda era porta de entrada para o tráfico de escravos Em 1850, após a Lei do Abate de Navios Negreiros de Euzébio de Queiroz, o trefego de escravos continuava na região EZEQUIEL DOS SANTOS Beleza natural à parte, por trás do jundú e pela trilha é possível avistar um lindo jardim de sapé e flores tropicais, vestígios de casas e de algumas pilastras erguidas. Mas, ao caminhar em direção ao centro da fazenda, em meio a mata, avistamos uma grande estrutura que teria sido um imenso porão construído por peças de pedras coladas com conchas moídas misturadas a areia e óleo de baleia. Acima, umas pilastras que teriam dado sustentação as paredes que agüentava um enorme galpão. É assim que está guardada uma das últimas jóias de estrutura arquitetônica surpreendente: ruínas, marcas do tempo da escravatura, do processo civilizatório e da formação genealógica de nosso País. A estrutura lá existente nos remete ao um passado triste de exploração e sofrimento. Ao tocar nas ruínas e fechar os olhos, dá para sentir emoções fortes. Parece que a parede quer falar alguma coisa. Muitos dizem que é assombrado. A construção impressiona pelos detalhes arquitetônicos, o local escolhido, os detalhes de encaixe das madeiras, reboco (novidade para a época), a disposição dos espaços, a organização das salas, a saída e a entrada do local, o desenho que esconde os porões e a proximidade da lagoa, onde os traficantes afogavam os negros secretamente e depois enterravam ou lançavam ao mar seus corpos. Segundo estudiosos, a fazenda era realmente uma fachada para o tráfego negreiro. Eram trazidos na maio-

Fotos: Emilio Campi

ria homens que ficavam presos no porão da grande casa, que é o que sobrou, o que vemos hoje. Os humanos que eram negociados eram vendidos a peso de ouro. Havia escolha até para os tons de negro da pele, quanto mais escuro mais caro. Observavam seus dentes brancos e fortes, as canelas, que quanto mais fina mais valor tinham para venda. Eram itens importantes que mais valorizavam sua negociação no mercado. Temos informações que o penúltimo proprietário foi Carlos José Robillar, natural da Ilha de São Domingos – França. Ao que tudo indica chegou ao Brasil por volta de 18211822 para adquirir um tanto de terras. Chegou com a condição de lavrador proprietário. Em 1823-1824 teve como sócio um tal de Glucht, que aparece como agregado de Rubillar em 1825. O feitor de Robillar foi Pacifique Guiamon, que veio a

falecer em 1827. Em 1829 sua propriedade consta em nome de sua mãe Dona Catarina Francisca Robillar. Em 1830 o fogo aparece novamente em seu nome e seu feitor é Elias Romeira. O último proprietário a que se tem notícia foi Bernardino Antunes de Sá, que por volta de 1858, trouxe das Minas Gerais José Antunes de Sá, um parente para comprar outra fazenda, a da Caçandoca. Em 1850, com a aplicação da Lei do Abate de Navios, de Euzébio de Queiroz, muitos traficantes de escravos utilizaram rotas alternativas para venderem negros ao planalto. Na nossa região ainda constam às trilhas do Campo, Água Branca e da Pedra Preta, do Sertão da Quina do lado de Ubatuba, e outras do lado de Caraguatatuba, como a subida até Pouso Alto e do Poço Verde. Não precisa ter estudo para entender o valor histórico e cultural do lugar, que através

da tradição oral fomos representados na formação de nossas raízes. Não precisa ter estudo para entender o valor ambiental que o lugar possui, já que se trata de um ponto em que a especulação imobiliária ainda não desfigurou, como aconteceu com as ruínas no

entorno da entrada da Estrada da Ponta Aguda. Não precisa ter estudo para entender que esse ecossistema mantém os seres vivos livres para transitar entre a mata e a praia. Até a década de 1970 o lugar ainda teve outros moradores que viviam exclusivamente da pesca, da caça e da agricultura familiar. Havia ainda a criação de pequenos animais. Sebastião Pedro de Oliveira, 85, lembra dos seguintes moradores: Horácio, Aristeu, João da Lagoa e Ernesto. Conta ainda que com a orientação do Padre Pio foi construída uma escola na propriedade de João da Lagoa, onde ele, João Cabral, Pedro Celestino, Guido Correa e Antonio Pedro Rosa trabalharam por volta de 1954. Diz ainda que eles atravessavam a trilha da Tabatinga a Caçandoca com um saco de açúcar mascavo misturado a farinha de milho, que eram comidos com frutas apanhados no caminho e por vezes café oferecidos por moradores.

Parte interna do que sobrou dos galpões que escondiam os escravos


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Gente da nossa história: EZEQUIEL DOS SANTOS Sebastiana Luiza de Oliveira Prado foi peça fundamental na qualidade de vida na região. Era ela quem fazia o papel de “enfermeira da família”, trabalhava de forma preventiva. Muitos homens e mulheres hoje lembram com muito carinho da Dona Tiana Luiza. Embora fosse festeira, carregava muitas responsabilidades. Parteira de profissão, realizada varias ações medicamentosas, dona de um raro saber, ela conseguia transformar folhas e raízes nos mais importantes remédios. Tinha remédios para todos os problemas da época. Sua fé nunca foi contestada, seus benzimentos em nome de Deus hoje são questionados, mas quem precisou que o diga. Vinha gente de todo lugar do país e de todas as religiões para conversar com Tiana. Ela quase não tinha tempo para descansar, por vezes ficava semanas na casa de um doente até que ele se recuperasse. Derradeira (última) filha de Bertolina Catarina de Jesus, de origem indígena e portuguesa e de Luiz Jesuíno de Oliveira um luso/italiano, nasceu na Praia Grande do Bonete pelas mãos de Ana Sobrinha da Praia da Tabatinga, aos dez dias do mês de Junho de 1923. De família simples, casouse aos 16 anos com Manoel Cesário do Prado, e tiveram três filhas: Maria, Rosalia e Conceição, além de um filho adotivo, Luiz Celso, mais conhecido como Mosquito. Curiosa, Tiana descobriu cedo o dom da cura e da manipulação das plantas, seu primeiro trabalho de parto realizou na casa de Benedita Apolinário. Num deslize de Ana Sobrinha, Tiana entra no quarto, minutos depois, rompendo os gemidos da parturiente, houve-se o choro de uma criança... era uma menina a qual deram o nome de Maria Apolinário. Depois de

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Sebastiana Luiza - Enfermeira das Famílias

muitos puxões de orelhas, Ana Sobrinho comentou que tinha achado uma substituta ideal, senão a melhor para o assunto e já poderia descansar em paz. Detalhe - Sebastiana Luiza tinha apenas dezessete anos e nunca tinha visto um parto, era seu primeiro parto como ajudante de parteira. Seu conhecimento se deve em partes da transferência dos saberes de seu pai. Morou no bairro do Araribá por muito tempo onde de tudo plantava, viviam da pesca e da caça. Como de costume, a casa era na beira do rio onde buscavam água para os banhos e cozimentos. Com o respeito adquirido de uma das parteiras mais experientes, ela era a única pessoa com idade inferior aos costumes da época que podia participar de um trabalho de parto. Ela preferia cuidar daqueles que eram mais pobres e que possuíam pouca informação sobre saúde, cuidados com a casa e com as crianças.

Dotada de personalidade forte, sabia das coisas como se tivesse um filtro e conseguia distinguir uma pessoa má de uma pessoa boa, todavia, sabia o momento certo de dizer as coisas, tudo sem rodeios, na lata, como costumam dizer. Como trabalhava muito e morava longe, muitas vezes as crianças nasciam pela metade das mãos de outras pessoas. Tiana então chegava, lavava as mãos com sabão e partia para o serviço. No mesmo ano, realizou um parto muito complicado. Era um menino muito grande que estava com o cordão umbilical em volta do pescoço. Calmamente colocou as mãos na barriga da mulher, fazendo movimentos aleatórios, depois pegou pés da criança e foi virando-a, até que finalmente conseguiu tirar o cordão do pescoço. Pronto, à criança saiu! Havia outro problema: a criança estava com uma coloração arroxeada, o que fazer agora?

Para algumas mulheres a criança já estava morta, mas Dona Tiana era mais paciente que o paciente, pegou a criança, começou a soprar a “moleira” e a balançá-la para cima e para baixo, nada até então. Levou a um quarto, trancou a porta e começou a dizer umas orações que ninguém conhecia. De repente ouviu-se o choro da criança. A mesma chorou por um dia inteiro, pois estava com outro problema: não conseguia sugar o leite da mãe, o cordão havia machucado seu pescoço. Lá vai Dona Tiana atrás de ervas para um bálsamo, que acompanhado de uma massagem, resolveu o problema, pelo menos parcialmente. Ela começou a dar em uma colher chá para que ele aos poucos movimentasse os músculos da face que faziam com ele sugasse a tão rica fonte de vida, o leite materno. Esse era o segundo parto de sua vida. Essa criança lhe ocupou sete dias de dedicação. Hoje é seu afilhado, ainda vivo, e seu nome é Antônio Amorim, mais conhecido pela alcunha de Antônio Lagarto. O porquê do apelido ninguém sabe. Antônio relembra com saudades de muitas coisas que sua querida madrinha era capaz de resolver. Para resolver os problemas ficava vários dias sem comer. Seu conhecimento lhe rendeu entrevistas com religiosos e cientistas. Todos que nasciam por suas mãos a visitavam, mesmo que isto demorasse dias de viagem. Não há registros de que alguma criança viesse a falecer em suas mãos em função do parto, pois seu cuidado maior era com a prevenção antes do nascimento. Ela sem saber já fazia o que conhecemos hoje como pré-natal, tanto que as mulheres ou homens que “pulavam a cerca” vinham pedir-lhe para fazer à famosa “garrafada”, só que eles a pediam para um aborto, o que nunca acon-

tecia, a garrafada dela era para dar “sustância” à criança. Seus remédios por muitas vezes foram questionados, até que um milionário da Tabatinga levou várias amostras para o renomado Instituto Adolpho Lutz, sem ela saber. Depois um médico trouxe a notícia: todas as amostras examinadas tinham fundamentos medicinais. Solicitou mais amostras para analises e pesquisas. Sebastiana realizou partos nas cidades de Ubatuba, Caraguatatuba, Ilha Bela, São Sebastião, Natividade da Serra, Vargem Grande, Taubaté, São José dos Campos, Aparecida do Norte, São Luiz do Paraitinga, Parati e São Paulo. Nunca cobrou um centavo por seu trabalho. Às vezes recebia presentes de pessoas que não se identificavam. Em meados de 1955, Dona Tiana recebeu a visita de um Arcebispo que, para não chamar atenção, chegou em trajes comuns e fez várias perguntas a Tiana. Posteriormente seu marido, que trabalhava na época em Santos, recebeu a incumbência de entregar-lhe uma pequena caixa, que para sua surpresa era um crucifixo assinado pelo Santo Padre, o Papa João Paulo II, e um livro com trechos em que suas orações estavam lá impressas, junto com rezadeiras escravas e índias de todo o Brasil. Esse livro foi publicado até 1975. Para ela a televisão era o maior culpado pela destruição das famílias e da fé verdadeira, aquela que não foi inventada para dinheiro, mas sim para salvação. Tiana era analfabeta e tinha imensa vontade de aprender a ler e escrever, mas ensinou muita coisa aos que a conhecia. Em 25 de Janeiro de 1995, Tiana nos deixou, porém como homenagem foi eleita patrona da escola do Araribá, que leva seu nome: E. M. Sebastiana Luiza de Oliveira Prado – Tiana Luiza.


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Manhas e Artimanhas do Cacique Cunhambebe RENATO NUNES Depois que eu decidi contar neste jornal o que é, como surgiu e o que deve ser feito com a “maldição de Cunhambebe” que inferniza Ubatuba há mais de três séculos, fui procurado por muitas pessoas interessadas em maiores detalhes sobre o veterano cacique. Pouco pude acrescentar ao que eu já havia dito, mas para espanto meu, aconteceu uma coisa extraordinária. O próprio Cunhambebe apareceu em minha casa anteontem durante a madrugada. Como moro na avenida do Cruzeiro, disse-me que é por ali que passa seus dias, organizando todos os movimentos para ver permanentemente cumprida sua conhecida maldição, e depois que eu a revelei resolveu se apresentar, quis me conhecer e se dar a conhecer. Realmente a história tem razão, é um tipo grandalhão, de fala mansa e gago. Me pareceu um sujeito alegre e gozador apesar do aspecto sombrio, dos olhos terríveis e duros e da enorme cicatriz que vai de um lado a outro do peito. Contou que observa quem chega, quem sai e o que fazem na cidade, aí então vai desfazendo as iniciativas, pondo pedras no caminho e trabalhando há séculos para irritar e prejudicar os descendentes, amigos e convidados daqueles portugueses que humilharam seu povo. * * * Disse-me que anda meio cansado desse assunto mas, como foi ele que lançou a maldição, ficou eternamente comprometido com sua perfeita realização. Outros caciques o ajudaram nos primeiros duzentos e cinqüenta anos,

porém acharam que já era demais e se foram. Ele, teimoso e determinado como sempre, se mantém ligado em tudo que acontece. Comentou que a cidade cresceu muito ultimamente, com muita gente que veio de fora sendo também vítimas de sua maldição, mas que era isso mesmo que ele queria. Quanto mais gente, mais problemas e pior os governantes, foi o que ele disse. * * * Conversa vai, conversa vem convidei-o a dar uma volta para que me mostrasse como agia para que as coisas não dessem certo por aqui. Levoume para o alto do morro do Matarazzo que ele chamou de Curuçá-mirim dizendo que de lá, onde estava antigamente sua aldeia, podia avistar toda a baía e a cidade, acompanhando os passos das pessoas e o que faziam. Disse que ficava por lá porque se sentia bem naquele terreno velho conhecido, e que sua condição de cacique secular o permitia estar em todos os lugares e ver tudo ao mesmo tempo. Contou que a primeira coisa que fazia era retirar das pessoas sua capacidade de reclamar e de cooperar, introduzindo em seu lugar o sentimento de inveja e a prática da futrica. Só isso, disse ele, era suficiente para paralisar tudo porque as pessoas se destruíam sozinhas. Deu como exemplo o seguinte: qualquer um que começasse a se destacar em algum trabalho comunitário seria logo chamado de candidato a prefeito para que despertasse naqueles que pretendiam candidatar-se, a preocupação com o futuro concorrente. Aí então trabalhavam contra ele. O pessoal

da administração pública, vereadores e chefes partidários passavam-lhe toda espécie de rasteira, negandose ainda a atendê-lo em seus pedidos em favor do bairro para destruí-lo perante a população, só porque achavam que chegaram antes na fila dos candidatos a prefeito. Como a população já tinha sido privada da capacidade de reclamar e cooperar, viravam as costas para o sujeito, acreditando nas futricas que lançavam contra ele, negando-lhe qualquer apoio. Assim era mais um que se ia e tudo ficava na mesma. * * * Outra artimanha do velho cacique, contada em meio a enormes gargalhadas, era a cegueira seletiva que aplicava nas pessoas. Produzia uma cegueira no cidadão que o impedia de ver só o que ele, cacique, não queria que a pessoa visse. Por exemplo, os policiais encarregados de manter a ordem para criar um clima favorável aos turistas que deveriam trazer dinheiro para a cidade, ficavam cegos em relação ao montão de mendigos que perseguem as pessoas atrás de uns trocados, ou cegos quanto aos motoristas de cidades do interior que ligam um som altíssimo nos seus automóveis toda noite nas principais ruas da cidade, embolando as calçadas e xingando as pessoas que estiverem a passeio ou em suas casas que, aborrecidos e ofendidos vão-se embora achando que a cidade não oferece segurança. Os policiais são bem intencionados, mas o cacique se diverte criando neles a cegueira seletiva porque isso reforça os efeitos da sua maldição sobre a cidade.

Também se diverte muito com o golpe da cegueira aplicado na privatização do espaço público, isto é, o que é de todos fica sendo apenas de um, com a concordância e prejuízo de todos, e todos riem. Funciona assim : vêm uns caras e montam um quiosque no meio da calçada ou na beira da praia, de preferência em algum lugar bonito e tranqüilo. A seguir, enchem a sua volta de mesas e cadeiras, metem um som barulhento durante a noite toda até a madrugada. Ninguém vê o abuso, mas o pessoal da cidade, os moradores do lugar, todos se aborrecem. Sua paz vira um inferno mas todos toleram porque dizem que a zorra é para alegrar os turistas. E é aí que o cacique se diverte mais. Diz que conseguiu pôr na cabeça das pessoas que aquela zorra atrai turistas, e ninguém percebeu que é justamente o contrário, espanta os visitantes. Assim, os próprios chefes da cidade afugentam aqueles que tem dinheiro e gostariam de gasta-lo em Ubatuba, ficando por aqui, rebolando “quinem doidos nos quiosques”, como disse o velho morubixaba, apenas as pessoas que andam de Kombi 79, Opala 68 e Brasília qualquer ano. Esses não tem dinheiro nenhum mas como são muito numerosos, enganam as pessoas da cidade que, sem saber que estão afetadas pelo golpe da cegueira, dizem que o futuro vai ser bom porque a cidade está cheia. Cheios ficaram aqueles que viraram as costas para Ubatuba e foram gastar seu rico dinheirinho noutras cidades do litoral, menos bonitas mas mais organizadas e inteligentes, arrematou às

Página 11 Crônica de Renato Nunes Publicada em 21 de março de 2005

gargalhadas o gigante Cunhambebe. * * * Nesse momento, como o sol já estava querendo aparecer no horizonte do mar do Itaguá, lançando uns raios de fogo contra as nuvens ainda escuras da noite e fazendo as águas da baía parecerem uma enorme planície negra, o cacique, voltando-se para mim com um olhar sério e cansado, disse que estava na hora de caminhar sozinho por aquela superfície em direção ao astro rei. E foi-se. Ainda vi seu enorme vulto andando contra o vermelho da alvorada quando parou, virou a cabeça em direção à praia e gritou, “qualquer noite voltarei para contar mais uns truques que faço com alguns chefes desse vilarejo, para que aceitem umas galinhas e um pouco de peixe com farinha para mudar as leis e desorganizar tudo, e ainda assim continuando a ser respeitados e tratados como pessoas importantes”. Ouvi uma enorme gargalhada e o perdi de vista.” * * * Renato Nunes 25/03/2005


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Ruas receberam nomes de pracinhas da FEB EMILIO CAMPI A Segunda Guerra Mundial, arquitetada pelo alemão Hitler, envolveu 72 Países e travou combate em todos os continentes. Durou de 1° de setembro de 1939, quando os exércitos nazistas invadiram a Polônia, até 8 de maio de 1945, quando eles se renderam. O número de mortos durante as batalhas superou 50 milhões, aproximadamente 28 milhões foram mutilados e cerca de 110 milhões de homens e mulheres foram mobilizados, somente 30% da população não sofreu nenhum ferimento. O que a Maranduba tem a ver com isso? Em 1956 a Construtora Jequitibá realizava a terraplenagem do Balneário Maranduba quando solicitou a Associação dos Ex-Combatentes do Brasil uma relação de nomes de ex-combatentes falecidos nos campos de batalha da Itália. O propósito era homenagear esses valentes brasileiros dando seus nomes as ruas do empreendimento. Ao lado temos a carta dirigida a Construtora e Imobiliária Jequitiba enviada pela Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, agradecendo a homenagem, datada de 31 de outubro de 1956. Saiba mais sobre o assunto em http://www.brasil2gm. hpg.com.br/htm/principal.htm

Fotos: Arquivo pessoal de Fabio Hanna

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Um convite a Transformação ALESSANDRA REIS Era uma vez uma escola muito parecida com aquela que freqüentávamos quando éramos pequenos, tinha mesa, tinha cadeira, a professora era quase a mesma. Tinha à hora de entrar e sair, a diretora que ainda ficava ali, em sua sala a observar a rotina de seus alunos e o mundo a mudar. Tinha alunos, tinha merenda, tinha parque e também tinha prova, ah as prova, só de pensar até da um frio na barriga, mas além de sua estrutura física e do material humano, tinha uma coisa que não lembro de ter em minha época de vida escolar. Fora dos muros dessa escola existia uma vida muito agitada, cheia de problemas sociais e de violência que por mais que todos que estavam naquele espaço não quisessem, conseguia invadir os muros e mudar a nossa escola. E a cada dia chegava um problema diferente, uma hora era o aluno que não conseguia aprender, porque sentia fome! Outra hora era o aluno com dificuldades de relacionamento com outros colegas, porque estava acostumado a presenciar com freqüência brigas em seu lar. Ora aparecia um professor observando a falta de afetividade na vida de seu aluno. E essa escola o que faz? E os problemas continuam a chegar e ultrapassar os muros da nossa escola e a vida continua a mudar. Muda tão rapidamente que o que era verdade absoluta ontem, hoje passa ser história, pois os meios de comunicação como jornal, televisão e internet, nos dizem uma nova verdade, que infelizmente ainda não conseguiu ultrapassar os muros da escola. Como não? Pergunto com indignação... As mudanças que ocorreram de

ontem para hoje não chegaram na escola não? Mas a violência chegou, o aluno mudou e a escola, continua com carteiras e lápis na mão? E ai eu te pergunto meu caro leitor que outrora já foi aluno com lápis e papel na mão, Se o mundo muda, porque nossa escola não? - Ah mais ouvi dizer que nos país do lado a escola não é assim não, tem alunos aprendendo com o mundo da informação. - Mas nesse país tem problemas iguais com que aqui estão? - Tem sim, muitos problemas, mas a diferença é que lá eles decidiram mudar, uniramse todos, para fazer uma transformação. - Transformação! - Além de lápis e papel na mão, pai, professor, diretor, comunidade, fizeram um mutirão. Mudaram sua posição e tomaram uma grande decisão. A escola não pode ser igual a nossa não, pois nossos problemas e nossas crianças encontram hoje novas condições e é justamente por conta dessas condições que convido você aluno, professor, diretor, pai e comunidade a realizar a mesma transformação. - Como? - Contribuindo muito mais com sua participação. A educação que semeamos em nossa escola é de responsabilidade de todos nós e as janelas desse novo futuro devem nós mostrar um horizonte muito melhor. Eu acredito nisso, por isso vou partilhar com vocês nesse novo espaço, muito mais informação, para que juntos possamos encontrar novas soluções para uma melhor educação! Alessandra Reis Insight Digital


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Maranduba: árvore, ilha, lago, terra, lenda ou tudo junto? EZEQUIEL DOS SANTOS Nas caixas 190 e 191 dos maços da População da Vila de Ubatuba, do Arquivo Público do Estado de São Paulo, pesquisa esta realizada pelo historiador Euclides Vigneron, acredita-se que o topônimo BRAJAHIMERINDUBA, já transcrito em 1827, designado a área de terra conhecida atualmente como Maranduba, bairro e praia de Ubatuba que conhecemos bem, poderia ainda ser aquela oriunda da junção de BREJAÚVA (espécie de palmeira) e MASSARANDUBA (árvore parecida com a Urucurana), existentes em grande quantidade na região. Considerada a maior área de terras cultiváveis e plana, próxima a faixa costeira, da 2ª. CIA., era da propriedade de João Agostinho Stevenné (França) ou região de Brejahimirinduba. Massaranduba, ou Maçaranduba(Pouteria Ramiflora), árvore da família das Sapotáceas, de madeira vermelho-escura, fibra fina, boa de ser trabalhada, boa para dormentes de estrada de ferro, de fruto e suco saboroso, produz látex que dá borracha de qualidade inferior. ‘‘Massaranduba não e do número de paus preciosos por sua cor... é porém merecedor de muita estimação pela sua muita dureza e fortidão, com ser mais leve que muitos outros e muito dura, e por ela as embarcações que se fazem da sua madeira são quase eternas...’’ ( Pe. João Daniel). ‘‘Massaranduba é fruta mais saborosa das nossas matas... só de uma Massarandubeira eu tirei dois litros de leite.’’ ( Visconde Chermont de Miranda). ‘‘Massaranduba ou arvore de leite, cuja seiva se bebe misturada com café. ’’(E. Reclus).

Foto: Emilio Campi

Para outro pesquisador J. David Jorge do Arquivo do Estado refere-se à denominação de Maranduba como uma pequena ilha, um rio e um lugar no município de Ubatuba. Descreve ainda que se trata de uma ilha marítima, pequena e de formação granítica, localizada bem de frente a foz do Rio conhecido pelo nome de Brejamirinduba. Para o pesquisador e pai do Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, Dr. João Mendes de Almeida, o verdadeiro nome desta ilha é Merinbuba e não Maranduba (conhecida também como ilha do Tamerão). Na época da pesquisa, o rio de que se fala, é aquele que conhecemos que corre entre Ubatuba e Caraguatatuba, desaguando no mar. O lugar deste nome é antigo bairro do município

de Ubatuba, hoje um dos mais importantes distritos de paz. No dicionário ainda menciona ainda, a ilha, com praia e enseada para abrigo e ainda com arrecifes do lado de leste onde o mar bate rijo as rochas. Desta forma o vocábulo Maranduba é composto: Maranduba, significando: mar estrondoso ou estrondo do mar. De Mara (mbará, bará, porá): mar, rio caudaloso. Nduba: estrondar. Ndu: rumor, rumoroso. No linguajar dos índios do Nordeste brasileiro, o termo que designa rumor ou estrondo é teapú ou teapuaçú, tanto que rumorejante é teapú-monhangauá, rumorejar é munhã-teapú e estrepidar é teapú-açú. Deve-se para tanto grafar Mara-nduba e não “Maran-duba”, porque nos falar dos brasilindios não existe o som do “d “mudo,

mas sempre o grupo “nd.” Então temos ainda do nome Maranduba os possíveis e seguintes significados: A) O estrondar da batalha, da luta ou da guerra, se ao invés de Mara, dissermos a começar pelo composto Marã, como falamos. B) Local de muitos conflitos, desordem, batalhas ou guerras, se o “nduba”for uma variante de “tuba” ou “tyba”, portanto, sufixo, tendo como equivalente à terminação portuguesa” ai”, este sufixo indica sitio, local, pouso, lugar onde há reunião ou abundancia de indivíduos ou coisas da mesma espécie. C) Lugar que se junta grande quantidade de água do mar ou do rio. D) Contado, dado notícia, se Maranduba for uma corrupção de “Maranduua”. E) Conto, notícia, história, se

houve alteração do vocábulo “Marandyua” para Maranduba. F) Também na língua dos índios, Maranduba ou “Poranduba”, significa o conjunto de histórias bonitas, que umas gerações contam as outras, sobre a origem da tribo, os seus feitos e valores, ou os seus atos de heroísmo, o que nós conhecemos como Tradição Oral. Independente da origem do nome Maranduba, cabe a nós preservá-lo não só da forma elitizada das leis ambientais, mais ainda de seu potencial de que foi no passado e perspectiva de futuro. Nossa região é uma mulher bonita que todos querem namorá-la, mas está mal cuidada, porém poucos reconhecem seu devido valor. Sem comprometimento e sem vinculo com a nossa história, fica difícil.


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Classificados IMÓVEIS

Sertão da Quina - Casa térrea, 2 dormitórios, sala, cozinha, banheiro social, área com churrasqueira e banheiro. Área do terreno 400 m². Área construída 125 m². Valor R$ 70.000.00 Tratar (12) 3849.8393 ------------------------------------Sertão da Quina - Casa térrea c/ 3 dormitórios, sendo uma suíte, sala, cozinha e lavanderia. Escritura definitiva. 150 metros da praia. Valor R$ 115.000,00 Tratar (12) 3849.8393 ------------------------------------Tabatinga - Casa térrea, 3 dorms (uma suíte), terreno grande c/ gramado, piscina, churrasqueira coberta. R$.170.000,00 Tratar (12) 3849.8393 ------------------------------------Condomínio Sapê - Casa térrea, 2 suítes, 2 dorms, 2 banheiros, sala, cozinha, lavanderia, varanda e churrasqueira, 50 metros da Praia do Sapé. R$ 200.000,00 - (12) 3849.8393 ------------------------------------Maranduba - Casa térrea, 3 dorms, 1 suíte, banheiro, sala, churrasqueira, cozinha e garagem coberta. Localizada á 50 metros da praia, de frente para rodovia. Valor R$ 300.000,00 Tratar (12) 3849.8393 ------------------------------------Estufa II - Terreno 275m2 doc OK, atrás Toninho Terraplenagem (antigo Flat Club). Valor R$ 70.000,00. Aceito proposta. (12) 9135.3998 Lucimara

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VEÍCULOS

Buggy, motor novo, pneus e freios novos. Doc. OK. Ótima oportunidade. R$10.000,00. Tratar: (12) 8126-8052 ou 8186-8005. -------------------------------------

NAUTICA

Escuna 30 passageiros, Doc OK. Completa, motor Yanmar novo. Tr. (12) 3832.4192 ou 9601.5472 c/ Eduardo

Isso é Maranduba!

Fotos: Emilio Campi

O “Serrote” Nossa editora, Adelina Campi, foi conferir no Restaurante Tropical um “serrote” todo especial: um pássaro preto que visita as mesas dos clientes. Na foto “pretinho”, como é conhecido, dá uma conferida no copo. Como era refrigerante, não quis papo. Ele gosta mesmo é de cerveja...

No comando Quem está de volta a nossa região é Dona Cida, do restaurante Delícias da Cabocla. Comandando aquele já tradicional fogão à lenha, trouxe de volta aquele sabor das feijoadas aos sábados que só ela sabe proporcionar. ATENÇÃO: Os anúncios classificados representa um serviço do Jornal Maranduba News à comunidade da região sul de Ubatuba e norte de Caraguatatuba. O jornal não tem qualquer interesse ou participação dos negócios aqui propostos. Para facilitar o acesso aos usuários deste serviço, o jornal aceira anúncios através de telefone ou e-mail não exigindo qualquer procedência dos mesmos. Portanto, o Jornal Maranduba News não se responsabiliza pelos anúncios aqui veiculados.

De passagem para Santos Com seu triciclo e uma barraca o técnico em eletrônica Marildo Gustavo acampou por alguns dias na orla da Maranduba. Ele saiu há quatro meses do Rio de Janeiro com destino a Santos. Disse que aprecia esse tipo de aventura, pois anteriormente fez uma viagem à Bahia que durou três anos e meio. Discriminado em alguns locais, relata que foi bem recebido na Maranduba.

Inconsolável Pedro Fofoca, presidente da CEFOM (Central de Fofocas da Maranduba) estava inconsolável com a morte do jacaré da Salete. Segundo Pedro, o bichinho ficou sem água e morreu de sede. Mas sede mesmo estava ele, que diante de tamanha tristeza, não tinha cerveja que afogasse suas mágoas. Tudo isso em nome da preservação.


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O que é a Dengue ADELINA CAMPI A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo. Tipos de Dengue Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. A dengue de tipo 4 foi identificada apenas na Costa Rica. Formas de apresentação A dengue pode se apresentar - clinicamente - de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue. - Infecção Inaparente A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhumsintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes. - Dengue Clássica A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas.

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Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição. - Dengue Hemorrágica A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha a Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto dia de evolução da doença surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos. A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. - Síndrome de Choque da Dengue Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

Convite Dia das Mães Convidamos toda a comunidade escolar e do entorno para prestigiar a homenagem ao dia das mães no Programa Escola da Famíla na E.E.PROFº ÁUREA MOREIRA RACHOU cito á rua Padre Joaõ Bayle nº 1763 no Sertão da Quina – Ubatuba S.P Neste sábado dia 08 de Maio das 10:00 ás 14:00 hs, o evento contará com apresentações culturais realizadas pelos alunos, voz e violão, exibição de clips musicais, bingos, sorteio e exposição de artesanato. Venha e traga sua família.

Túnel do Tempo

Registro de fatos do século passado em nossa região

Foto: Claudia Félix

1955

Ô paiê... encalhei seu carro na praia da Lagoinha...

1966

Dona Idalina já fazia deliciosa farinha de mandioca

1962 Tempo em que arrastão era uma atividade de pesca

1966

Engenho Maranduba: Arrelá! Isso que era pinga boa!

1999 Só a foto pesava uns quinze quilos. Isso porque era filhote...

1995 Quando eles ficavam quietinhos... era bom ir tomando cuiiidado!

1965

Jantar a luz de velas e sobremesa no quintal

1995

No meio do caminho, pausa para alongamento...

1958 Água de cheiro e sapato novo. Tudo para sair na foto...

1975 Como jogador de futebol, se revelou um destacado político...



Jornal Maranduba News #06