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Edição Popular do novo livro de Carlos Araujo Carujo

Até hoje a popularidade de Mimo, que arrebatava mentes e corações, não teve precedente na política local. A verdade sobre sua cassação deve ser apurada nas entrelinhas da História e nos testemunhos idôneos de quem o vivenciou. Página 2.

José Espinheiro foi eleito, pelo MDB de Almir Lima, com grande margem de votos (1.690) de diferença sobre seu adversário João Melo, da ARENA. Após um ano e poucos meses de seu governo decidiu ingressar na ARENA, junto com seu mentor Almir Lima. Página 4.

A partir de 2005 o atual Prefeito Hélio Leite adotou, definitivamente, o governo peregrino. A Administração foi seccionada em departamentos (coordenadorias e assessorias) e os especialistas foram impostos por indicações partidárias, saídos de pactos políticos. O Poder se deslocou para a fórmula burocrática e a Administração passou a se semelhar a uma empresa. Página 9;

Em 1976 professores gritavam, nas ruas, pela renúncia do prefeito Almir Lima. Páginas 4, 5 e 6.

Derrubado o sustentáculo da oposição, Mimo, em 15 de novembro de 1966 o comerciante Pedro Coelho da Mota elegeu-se com 70% dos votos. Começam a aparecer as primeiras questões sociais, em 1967. Página 3.

A política tinha que ter os segredos, como forma de manter o povo na ignorância. Nesta fórmula de manipulação os manipuladores obtiveram fama, popularidade e riquezas. O povo ganhou, em troca, a falsa segurança, a pobreza, o desprezo. Página 10.

A MANIPULAÇÃO DO PODER Um kit composto por livro em brochura, livro eletrônico em flipbook e PDF e gravação integral em áudio MP3. ÚLTIMAS UNIDADES!


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A Manipulação do Poder

A última extensão da injúria O Palácio Municipal passou a ser alvo de políticos profissionais Tive oportunidade de ler, atentamente, uma cópia xerográfica do processo hoje desaparecido onde, em determinado trecho, eram apresentadas as justificativas do afastamento compulsório: desvio de bens públicos. Esse “desvio” não foi outra coisa além do fato de ter, Mimo, “guardava” algumas máquinas de terraplenagem da Prefeitura em fazenda de sua propriedade. Interpelado, Mimo defendeu-se alegando que, naquela época, a Prefeitura ainda não dispunha de uma garagem para guardar tais máquinas, recentemente adquiridas. Disse que não queria que os equipamentos pernoitassem no meio da rua. O caso foi levando, com estardalhaço, à Assembleia Legislativa, com as críticas e pedidos de punição feitos pelo deputado Lourenço Lemos. Em 1º de abril de 1964 o Governador em exercício e os líderes militares do Pará assinavam um termo de adesão à Revolução. Em 9 de julho o General Castelo Branco – que chefiava a Revolução Militar – cassou o mandato do governador do Pará Aurélio do Carmo e suspendeu os direitos políticos de aliados. O Deputado Dionísio Bentes assume o Governo do Pará. Encerrava-se a era da ingenuidade política. O país, vivendo em franco estado de exceção, era atingido por uma onda de “integração”, preconizada pelos militares numa relação colonial interna que pregava a "ocupação" da Amazônia. Em 1966, ano em que expiraria o mandato de Mimo se já não tivesse sido afastado, foram criados o BASA, a SUDAM e a Zona Franca de Manaus. Assumiu o Governo do Estado, no dia 31 de janeiro, o Coronel Alacid da Silva Nunes, amigo pessoal daquele que seria o próximo prefeito de Castanhal: Pedro Coelho da Mota. Para alguns críticos o livro “Cidade Perdida”, do jornalista Raimundo Holanda Guimarães, está fechado em relação à verdade dos fatos vivenciados, àquela época, pelo próprio autor já que foi um dos protagonistas. É um livro tenebroso, dizem. Deverá permanecer fechado e esquecido segundo familiares de Maximino Porpino Filho – o Mimo. Pois ali está contida a última extensão da injúria que atenta contra a História. Embora cassado, foi traído e caluniado porque os adversários, inclusive o autor do livro, temiam o seu retorno. Até hoje a popularidade de Mimo, que arrebatava mentes e corações, não teve outro precedente na política local. A verdade deve ser apurada nas entrelinhas do livro perverso, ou nos testemunhos idôneos de quem vivenciou o episódio. Maximino Porpino Filho, eleito pela pobreza (“a turma do tamanco”), foi afastado do e em seguida reintegrado por duas vezes consecutivas, antes de ser impedido. O cunho eminentemente político desses dois impeachments de Mimo foi reconhecido tendo ele sido reconduzido ao cargo, nas duas vezes, a mando do Poder Judiciário. No entanto, a Câmara Municipal de Castanhal, obedecendo a ordens do ditador militar Coronel Alacid Nunes, consumou o arbítrio da cassação de Mimo com a nomeação de um insípido interventor. O governador militar do Pará, do alto de seu coturno de comandante-em-chefe das forças militares

revolucionárias, ordenou aos vereadores de Castanhal que executassem a decapitação política de Maximino Porpino Filho (in “Cidade Perdida” de Holanda Guimarães, pág. 199. ED. CEJUP, 1999. A tramoia foi articulada e “cantada” aos ouvidos dos vereadores pelo jornalista Raimundo Holanda em conluio com o Deputado Lourenço Alves de Lemos (“Louzinho”) e o próprio vice-prefeito de Mimo, João Soares de Melo Filho, que também era o presidente da Câmara. Raimundo não perdoava Mimo de ter sido eleito, tendo por vice João Melo, porque ele próprio arquitetava ser o vice. Não admitia ter sido abandonado em sua pretensão, mesmo depois de Mimo ter recomendado ao irmão, Jaime Porpino, que o acomodasse, sem que este pagasse aluguel, nos altos da Lanchonete Merendinha. Depois da eleição, foi embora para Brasília. Quando o jornalista retornou a Castanhal, em 1964, não tinha onde ficar e hospedou-se no Hotel Castanhal. Por esta ocasião, naquela casa de hospedagem, ocorreu o famoso “Crime da Mala” do qual foi testemunha Raimundo Adalberto Torres de Moraes. O Deputado “Louzinho” foi buscar Raimundo no hotel e impôs aos vereadores que o jornalista, mesmo sem legitimidade, conduzisse os trabalhos de cassação. Foram entregues a Edísio Melo, para que lesse em plenário, as doze laudas datilografadas da denúncia que havia sido elaborada previamente por Holanda. Supomos que nenhum dos vereadores, daquela legislatura, teria capacidade para sequer compreender a totalidade do que estava escrito ali e até, enfim, o processo de cassação. A Câmara de Castanhal se reuniu, pela primeira vez, para decidir sobre a cassação de Mimo, secretamente, na escalada da noite. O povo soube e as pessoas começaram a chegar muito antes da sessão, se aglomeraram no térreo e do lado de fora do edifício. Naquela época a Câmara Legislativa funcionava no mesmo prédio da Prefeitura. Quando ouviu falar que a multidão iria invadir a sala de sessões, Holanda tentou fugir pela escada restrita do Gabinete do Prefeito, acobertado pelo irmão de ”Louzinho”. Mas foi surpreendido por populares. O alfaiate “Marapanim”, desferiu um soco em Holanda que, após, correu acobertado por aliados seus (Antônio Laranjeira e “Maranhão”). Foi perseguido pela turba até que desapareceu para dentro da Clínica Magalhães, varando os quintais contíguos, alcançando os fundos do Cine Árgus onde se escondeu. Naquele momento o comerciante Fernando Cruz, aliado no processo, já estava em Belém requisitando uma milícia armada ao Chefe de Polícia para que fosse dar cobertura aos vereadores, em Castanhal e assim garantir consumação da cassação de Mimo. O jornalista só retornou à Câmara de madrugada, quando lhe foi oferecida uma escolta armada, mesmo assim sob as vaias dos populares. Os vereadores estavam sem saber o que fazer. Só Holanda saberia dar seguimento à trama burocrática armada, ao rito de cassação que os vereadores, em conjunto, não tinham competência para concluir. Alvares Menezes, que assumiu o cargo vago, revela que certos documentos “comprometedores” foram desfalcados dos cofres da Prefeitura (não sabe dizer quem fez isso). A partir do momento em que Maximino Porpino Filho foi cassado, o Palácio Municipal, construído pelo pai dele, passou a ser alvo da ambição de “políticos profissionais”.

Projeto Cultural Origens, de Carlos Araujo (CNPJ 04.804.532/0001-32) Endereço em Castanhal-PA: Av. Barão do Rio Branco, 1947. Centro 

Site: origenscultural.wordpress.com


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O sonho de progresso altruísta e a ingenuidade idealista acabaram na primeira fase do Período Progressista, com a cassação de Maximino Porpino Filho. As primeiras questões sociais começaram a aparecer logo que Pedro Coelho da Mota assumiu, em 1967. Neste ano o General Costa e Silva tomou posse como presidente do Brasil. Em reação foi formada a Frente Ampla, para restaurar o poder civil, rechaçado pelos militares, o que culminou com protestos diante do assassinato de um estudante. O coronel paraense Jarbas Passarinho assumiu o Ministério do Trabalho. No Pará tinha sido eleito, pelo voto direto, o tenente-coronel Alacid Nunes. Derrubado o sustentáculo da oposição, na pessoa de Mimo, em 15 de novembro de 1966 o comerciante Pedro Coelho da Mota elegeu-se com 70% dos votos na disputa com dois adversários muito fracos, lançados pelo jornalista Raimundo Holanda que, àquela altura, era presidente do MDB. Durante o seu mandato (1967–1970) teve o apoio integral dos vereadores, tanto os do MDB (Almir Lima e Edilberto Bandeira) como os da ARENA (Francisco Alves de Magalhães, José Ribamar Lira de Souza, Clóvis Neves Lameira e Elias Cordeiro da Silva) que não se opunham a nenhum ato. Na Assembleia Legislativa tinha à seu serviço o deputado Lourenço Lemos (reeleito) que no passado, junto com o jornalista Holanda, articulou a cassação de Mimo. Pedro Coelho incentivou a agropecuária. E com razão, pois seu pai, João Coelho, foi pioneiro na criação de gado (mestiço, depois de raça) na região. Naquela época foram implantados os primeiros projetos agropecuários na Amazônia. Uns eram mais pecuário do que agro e em alguns casos, nem pecuário nem agro. Estes projetos, com financiamento público, resultaram em inadimplência generalizada e acabaram por reforçar o caráter de latifúndio de cada ocupação. Coincidindo com a vinda de gente com vocação agrícola e a pecuária começou nova onda imigratória, em Castanhal, transformando o município num centro expositor. Nesta época surgiu o primeiro conjunto habitacional (a Cohab) e começou o fenômeno de crescimento populacional descontrolado, que se agigantaria na administração de Paulo Titan, esta já no Período Populista. No entanto foram desencadeados, na gestão de Pedro Coelho, sérios litígios políticos e sociais. Estas questões serão abrangidas na análise

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do processo de sucessão, em 1970, quando Almir Lima seria levado ao poder. A campanha política de Almir Lima (MDB) para prefeito, articulada por Holanda Guimarães, era para ser uma grande etapa da formação política de Castanhal. Porque o erguimento popular foi um fenômeno social de dimensão inigualável. Vejamos os antecedentes. O mandato de Pedro Coelho (ARENA) expiraria em janeiro 1971 e novas eleições ocorreriam em 15 de novembro de 1970 – o ano em que foi lançado o Plano de Integração Nacional. Isto significava que o próximo prefeito teria muito a ganhar do Governo Federal com o programa de colonização, grandes investimentos na agropecuária, projetos rodoviários... Para as eleições de 1970 o tesoureiro da Prefeitura, Jaime Rocha da Silva, era o candidato de Pedro Coelho (ARENA), apoiado pelo deputado Lourenço Lemos (ARENA), contra Almir Lima (MDB). Havia se instalado, no âmbito da Prefeitura Municipal, uma “orgia” administrativa: minoria privilegiada servia-se do rodízio de favorecimentos públicos. Para essa classe dominante – “A Família” – criouse “cabides” de emprego na área da Educação, tanto a nível municipal como estadual, por influência do Prefeito. Compreende-se, agora, porque Pedro Coelho deu tanta ênfase ao setor educacional. O povo, em soberana maioria, era discriminado, alijado da Administração. Nos últimos anos do mandato de Pedro Coelho estava clara a composição de uma escandalosa oligarquia. O comerciante Almir Lima já havia sido vereador, mas não fez oposição por ser compadre de Pedro. Foi convidado para ser o candidato a prefeito de oposição, pelo MDB. Demorou-se a decidir. Somente às vésperas da campanha eleitoral, alimentado pela confiança em parte das forças conservadoras locais e na Maçonaria, aceitou já quando seus adversários diziam que ele não seria mais candidato. No lançamento da candidatura leu um pronunciamento, escrito por Raimundo Holanda. Parte do povo estava motivada a combater a estagnação social e o poder concentrado nas famílias de Pedro Coelho e Lourenço Lemos. A maioria dos candidatos a vereador que acompanhava Almir, pela sigla do, MDB, era constituída por jovens: Raimundo Adalberto Torres de Moraes, Raimundo Câmara, Miguel Lima, Raimundo Câmara de Lima entre outros. Um dos articuladores da campanha

de Almir Lima, o maçom conhecido por “Dandão”, era membro das famílias de Pedro e Lourenço. No primeiro comício do MDB, “Dandão” foi proibido de falar ao povo pelo delegado de polícia, por ordem do juiz. Mas foi à comício e leu um discurso, também escrito por Holanda, após este obter uma contraordem do próprio juiz. Durante a apuração ocorreu uma verdadeira “guerra” entre fiscais dos dois partidos. No entanto a fiscalização do MDB conquistou, voto por voto, a vitória do candidato Almir Lima, numa vigília constante, ora impugnando votos do adversário, ora restaurando votos impugnados em favor de Almir. Esta presença de espírito foi decisiva, para a vitória do candidato Almir, do contrário cederia à pressão oponente, pois o resultado final da apuração revelou uma diferença, à seu favor, de apenas 129 votos. Logo que assumiu Almir rompeu com Raimundo Holanda, Durante o seu governo Almir Lima dotou a Prefeitura de Castanhal de estrutura tática operacional. Depois das eleições ele viajou, fez cursos e quando assumiu, criou várias secretarias com diretrizes avançadas, baseadas na ciência da Administração Municipal, o que se consolidou no seu segundo mandato, do qual falaremos mais adiante. Por dois anos, apenas, Almir Lima comandou os destinos de Castanhal. Desempenhou o chamado “mandatotampão”, pois se intentava realizar eleições nacionais coincidentes, em 1972, para todos os cargos do Executivo e do Legislativo, em todas as esferas - menos, ainda, para a Presidência da República. O sucesso da administração de Almir Lima fez com que este elegesse o sucessor, José Espinheiro de Oliveira e a maioria dos integrantes da Câmara como os vereadores Carlos Alberto de Araujo Costa (autor deste livro), Maximino Porpino Filho, Miguel Alves de Lima e Raimundo Câmara de Lima, pelo MDB. Pela oposição (ARENA) apenas três edis: Boaventura Martins das Neves, José Ribamar Lira de Souza e Waldir Espinheiro Pismel. Era a primeira vez que o fenômeno de “transferência de votos” ocorria em Castanhal, dos votos pessoais de Almir Lima para José Espinheiro. Este que foi eleito prefeito com 6.130 votos sem nunca ter prestígio para tanto. A contraprova foi obtida quando Espinheiro, em 1978, quis testar sua popularidade pessoal candidatando-se a deputado estadual e só obteve 497 votos, o que não lhe garantiria “meia” vaga sequer para vereador.


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A Manipulação do Poder

Uma pedra atirada no povo

Durante a administração de José Espinheiro (1973 a 1976) o Brasil ingressou na chamada "era da redenção da Amazônia", quando o Governo Federal investiu milhões de dólares no Pará em projetos, com 75% abatidos do Imposto de Renda dos investidores. José Espinheiro foi eleito, pelo MDB de Almir Lima, com grande margem de votos (1.690) de diferença sobre seu adversário João Melo, da ARENA. Após um ano e poucos meses de seu governo decidiu ingressar na ARENA, junto com seu mentor Almir Lima. A adesão foi efetivada em Brasília, com o patrocínio do então Ministro da Educação Jarbas Passarinho, à pretexto de conseguir

verbas do Governo Federal. O presidente da ARENA municipal, Major Ilson Santos, segundo o que registrou “A GAZETA DO INTERIOR”, não dá as boas-vindas à dupla de trânsfugas e diz que “José Espinheiro, eleito que foi com uma contagem tremenda de votos, deixa seu partido, como se atirasse “uma pedra no povo. Faz uma adesão em troca da verba do Loyola (atual complexo esportivo Loyola Passarinho) quando somente o vereador Carlos Araujo denunciava isto na Câmara”. É apresentada proposta de cassação ao mandato de José Espinheiro e do seu vice, na Câmara Municipal, por crime de responsabilidade (Lei nº. 2001). Naquela época o vice-prefeito era, também, o presidente do Poder Legislativo com mandato vinculado ao do prefeito. O acordo é fechado em torno das subscrições requeridas, para garantir o impeachment (2/3). Era do interesse do Diretório Regional do MDB – por meio de seu presidente Vicente Queirós – que se efetivasse

Em 1976 Almir Lima candidata-se, novamente, à prefeito. Visivelmente desgastado pela mudança de partido e pela culpa relacionada à medíocre administração de Espinheiro, Almir enfrentou Mimo na oposição (PMDB). Em 1976 Almir Lima não chegou com o mesmo carisma de 1970 à Prefeitura Municipal de Castanhal. Registrou-se, no entanto, um fato inédito na História de Castanhal: um prefeito era requisitado, pelo voto popular, à assumir pela segunda vez a direção dos destinos do Município. Mas não foi sem sacrifícios, pois perdeu nas urnas, para Maximino Porpino Filho (MDB), com uma diferença de 1.300 votos. Só ganhou no cômputo geral, por apenas 410 votos canalizados pelo pastor Daniel Rabelo vinculado à sublegenda ARENA 1. Começava o ocaso de uma liderança. A segunda administração de Almir Lima (19771982) se instalou em plena crise do petróleo. Além disso, em 1976 o Governo Federal modificaria a estratégia de ocupação da Amazônia, promovendo

o afastamento de Espinheiro, desde quando ele havia traído o partido. O vereador Carlos Araujo é nomeado líder da Bancada do MDB, pelo Diretório Regional: podia “fechar questão” e votar em nome de toda a Bancada. Próximo ao desfecho do caso houve mais uma adesão da bancada da ARENA, ao movimento de cassação a Espinheiro – a do vereador Boaventura das Neves. Se a proposta fosse a plenário estaria garantida a mudança: seriam afastados o prefeito e o vice (assim preconizava a legislação da época), o Primeiro Secretário da Câmara, Maximino Porpino Filho, assumiria a cadeira do prefeito e o Segundo Secretário a vice-prefeitura e a presidência da Câmara. Porpino esvaziou o movimento “negociando” seu voto, embora as reuniões preparatórias tenham sido feitas em sua casa, na Fazenda Ibirapuera. O prefeito Espinheiro não foi cassado e ocorreram renúncias de mandatos de Carlos Araujo e Boaventura das Neves. O empresário José Espinheiro conclui o mandato de prefeito sob os efeitos da impopularidade que afetaria a nova candidatura de quem o colocou no Poder – Almir Lima. Ambos, hoje, estão “mortos” para a política castanhalense.

revisão dos processos e estudos relacionados a esta política. Desta vez, Almir Lima montou um complexo esquema de secretariado que, embora incompetente em quase todas as áreas, grosso modo tentava impulsionar Castanhal para um modelo de progresso que fosse cada vez mais compatível com sua evolução espontânea. Durante a campanha eleitoral Almir já ensaiava apagar os rastros de Espinheiro, com quem rompeu estrondosamente. Quando assumiu a Prefeitura abandonou praças, escolas, agrovilas e os projetos em andamento do governo anterior. Além disso, seu antecessor e ex-pupilo deixou os departamentos desfigurados. Inúmeros aspectos negativos afetavam a política municipal, desde quando Espinheiro traiu o partido que o elegeu (MDB), bandeando-se para o situacionismo (ARENA), de onde já tinha vindo ao ser rejeitado em sua candidatura à prefeito. No entanto a Secretaria de Planejamento,


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CAMINHO SEM RETORNO Em 2 de janeiro 1979 o engenheiro Paulo Titan reassume a direção da 1ª Divisão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Era ano eleitoral. No mesmo dia Titan recebe, em sua casa, o ator Tarcísio Meira, o que se notabilizou como o seu primeiro lance de marketing político. Era nítida a inclinação de Paulo Titan para a política. Já havia “trabalhado”, usando os recursos do DER de Castanhal, em 1978, nas campanhas eleitorais dos deputados Manoel Ribeiro e Mariuadir Santos. Invadiu a competência da Prefeitura, quando destacou homens e máquinas do Estado para “serviços” nos bairros de Castanhal. Mandava carros-pipa abastecer de água o bairro do Milagre, sempre que faltava água. A violência da oposição ao prefeito era o prenúncio de outra insurreição de Titan que abalaria as hostes do PMDB local. O Governador Aluísio Chaves quis nomear Titan prefeito de Salinópolis – àquela época estância hidromineral – mas ele recusou porque queria ser prefeito de Castanhal. Lógico! O prefeito de Salinópolis era só um funcionário público, a cidade não tinha renda, só dotação orçamentária do Estado do qual haveria de prestar contas. O Município de Castanhal tinha dinheiro no cofre e não existia controladoria ou tribunal de contas. O bandeamento de membros da oposição para agremiações da situação desencadeou rompimentos internos no partido do Governo. Em abril de 1979 já era evidente a luta intestina na ARENA de Castanhal. Estava sendo criado o ambiente para a vitória da oposição. Os aliados antigos do Governo amotinaram-se num grupo que se auto-intitulava “A Verdadeira ARENA”, que não aceitava a intromissão de Almir Lima e seus prosélitos, oriundos do antigo MDB. Eleito deputado estadual, Almir apregoava uma amizade com Governador Alacid Nunes, na ARENA, mas muitos sabiam que esta amizade era fictícia. Em março de 1980 o comerciante João Benedicto Monteiro (Dandão) também admite ser vice na chapa do Mimo, o que frustra os planos do pastor da Igreja Batista, Daniel Rabelo. Acha ele que se Almir Lima sair para deputado estadual terá mais condições de ajudar o cunhado

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Antônio Jatene na eleição de prefeito, em 1982. O episódio seguinte dá-se com Almir Lima convocando uma mesa redonda para discutir as implicações da adesão de Mimo. Houve unanimidade em não aceitar aliança com ele. Ao mesmo tempo Lourenço Lemos e Pedro Coelho, que representavam outra ala da ARENA em Castanhal, pressionavam a cúpula, em Belém, que não se decidia. Neste mesmo mês de março surge o PP – Partido Progressista – sob a presidência local do comerciante Assad Fagury, articulado a nível estadual pelo deputado federal João Menezes. O comerciante Assad já havia apoiado Jatene para deputado estadual em 1978, que não se elegeu. No mês seguinte surge o PL – Partido Liberal – cuja primeira diretoria lança Pereira Lago à prefeito e comemora sua primeira adesão: a do estudante de direito Mazinho Ramalho. Em abril de 1978, enquanto os partidos estão em franca reorganização e Almir Lima era cogitado para a vice-governança do Estado, estoura a greve dos professores municipais de Castanhal, liderada pelo emergente PT – Partido dos Trabalhadores. A infiltração de uma força-tarefa de Belém, com intuito politiqueiro, visava estabelecer comitê eleitoral, desviando a finalidade da greve, que era a reivindicação salarial, aproveitando o momento político com ataques ao poder. Detectou-se a presença de um terrorista, fichado criminalmente no Departamento de Ordem Política e Social – um perito em bombas caseiras que ensinava como fabricar estopins de ácido sulfúrico para sabotar as aulas dos professores que não quiseram aderir

tendo por titular o economista Lenilson de Sá Holanda, atuou com destaque, procurando compensar as deficiências. Mas não foi compreendido. A maioria dos projetos ficou no papel. A miopia do projeto de construção da Ceasa transformou o patrimônio histórico e cultural, do tradicional Estádio do Castanhal Esporte Clube, em uma central de abastecimento e feira que o futuro, hoje, cobra caro. A Ceasa prejudicou o urbanismo do centro da cidade, dando à população uma herança malcheirosa, além de ter obstruído o fluxo de ruas de intenso tráfego. Foi criado um plano de desenvolvimento urbano, que projetava o crescimento ordenado do Município, dando ênfase às soluções, inclusive perante a expectativa de uma futura explosão populacional. Isto foi abandonado. A Educação, também, estava em crise. O ambiente deficitário deste setor agravava-se mediante um quadro de discórdia, herdado da administração anterior. O Secretário de Educação, David Sá, omitiu-se no cargo em favor da greve de professores. Pediu para sair quando a greve se generalizou no ensino municipal. Assumiu a vacância na Secretaria de Educação a experiente educadora Raimunda Maia de Carvalho que tentava estabelecer um diálogo inteligente com os professores. No setor político a pressão dos adversários fez crescer o movimento dos professores que passou a contar com a ajuda de experientes militantes de esquerda, vindos de Belém. A chantagem ideológica mostrou o “pescoço” do Prefeito Almir à degola do povo. Os professores gritavam, nas ruas, pela renúncia do prefeito Almir. Mas os líderes do movimento não conseguiram esconder as intenções eleitoreiras e foram rechaçados pelas denúncias do jornal “A Gazeta do Interior”. A greve foi debelada! O mandato de Almir Lima expiraria em 1980. Mas, em abril de 1977 o Governo Federal impôs medidas políticas – o “Pacote de Abril” – que fechou o Congresso e prorrogou os mandatos por mais


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CAMINHO SEM RETORNO (continuação)

à greve. Enquanto a greve dos professores estava em andamento, na calada da noite ocorre a invasão na Secretaria de Planejamento, com depredações e violação de seus arquivos. Após o ato de vandalismo as negociações, sobre a greve, são congeladas. A Secretária de Educação renuncia. Assume o seu lugar o professor e ex-padre David Sá, que é acusado de conivência com os grevistas. O movimento político-grevista só prosperou com panfletos que instigavam a população contra o prefeito. As decisões eram tomadas em reuniões clandestinas sendo que, para esta finalidade, invadiam locais escolhidos aleatoriamente, como as sedes sociais do Santa Lídia e do Vila Nova. O episódio final do evento deu-se, também, numa invasão: a do gabinete do prefeito quando foi “forçado” o acordo de aumento de salário. O “Jornal do Interior” registrava as manobras, a cada passo. O prefeito Almir Lima entra em depressão, por causa da greve. O mal foi diagnosticado como “profundo abalo emocional”. Naquela época a Justiça Eleitoral já havia anunciado a prorrogação de mandatos de prefeitos. Almir declara-se desestimulado e que é improvável que aceite a prorrogação do mandato. Afastou-se do gabinete por 8 dias e retornou ameaçando renunciar. Em junho a greve ainda repercutia. A Câmara Municipal pede a exoneração do Secretário de Educação, David Sá. Este não resiste à pressão e renuncia. Assume a vaga a Professora Arlinda Freire de Oliveira Marques. E maio de 1980 o presidente

regional do PDS, Manoel Ribeiro, determina que seja instalada a comissão provisória do partido em Castanhal, como 9 membros. A 2 de junho Tancredo Neves chega à Castanhal, para instalar o diretório do PP – Partido Popular – e dar posse ao seu primeiro presidente, Assad Fagury. Na comitiva está o deputado João Menezes, presidente estadual do PP, a deputada Lúcia Viveiros, deputados federais cariocas Miro Teixeira e Jorge Moura, Álvaro de Freitas, Maravalho Belo e Herbert Lvy, de São Paulo. Ainda vivendo a “ressaca” da greve dos professores Arlinda cruza os braços e mantém a expectativa em torno dos acontecimentos. A Secretaria Municipal de Educação é um transtorno político para Almir que demite Arlinda e nomeia Raimunda Maia de Carvalho. No final de outubro deste mesmo ano (1980) é formado o diretório do PDS – Partido Democrático Social – sob a presidência do major Ilson Santos que já tinha sido presidente da ARENA. O ano de 1981 nasceu sob a crise econômica nacional. O comércio de Castanhal promove a dispensa de 50% dos empregados. O desemprego campeia e o aumento nos preços cria um quadro de inflação insuportável. Em maio surge o PTB – Partido dos Trabalhadores – sob a presidência de Artur Júnior que renuncia em função de dar apoio ao PMDB. Assume a presidência do PTB o radioamador Chico do Norte, que se lança à deputado estadual. Assad, por influência de Mimo, renuncia a presidência do PP e ingressa do PDS. Daí deverá surgir uma chapa para prefeito (Mimo) e vice (Assad). Paulo Titan ingressa no PTB e não mais fala em ser candidato à vice e sim à prefeito. Lá encontra Mimo, que tinha saído do PDS por se achar isolado. Para Mimo, também, não havia caminho de volta ao PMDB, legenda pela qual tinha sido eleito deputado estadual. Em 1982 o Município de Castanhal tinha 30 mil eleitores. Este ano foi marcado por grandes mudanças políticas. (FIM)

dois anos. Em 1980 foi aprovada a nova Lei Eleitoral que determinava a criação de novos partidos. A ARENA – partido da situação – passava a se chamar PDS – Partido Democrático Social e o MDB, da oposição, mudou para PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Eleições somente em 1982. Foram prorrogados, também, os mandatos dos vereadores – ainda sete – da Câmara de Castanhal: Valdir Espinheiro Pismel (presidente), Raimundo Câmara de Lima, Álvaro Menezes, Miguel Alves de Lima, José Lira de Souza, Ricardo Santos e Francisco de Magalhães Filho. As eleições municipais se dariam, portanto, em novembro de 1982, mas para 1979 não foram canceladas as proporcionais, para deputado e senador. O prefeito indicou, para deputado estadual, Antônio Jatene, que já estava na “mira” da oposição que ameaçava com impugnação, quando prosperaria a candidatura de Maximino Porpino Filho (MDB): Jatene era cunhado do prefeito e seu chefe de gabinete – a legislação proibia semelhantes vínculos ao pretendente de cargo eletivo. (FIM)

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com Carlos Araujo Carujo

As fontes reveladas Annaes da Bibliotheca e Archivo Público do Pará, Tomo 12, 1981. Annaes da Bibliotheca e Archivo Público do Pará, Tomo 1. Annaes da Bibliotheca e Archivo Público do Pará, Tomo 9, trabalho de João Palma Muniz. "A Província do Pará", várias edições em agosto de 1976. Araújo, Carlos. "Epopéia de Um Povo". Edições Gazêta, 1981. CastanhalPARÁ. Araújo, Carlos. "Castanhal, Sua História, Sua Gente". Edições Gazêta, 1981, Castanhal, Pará. Araújo, Carlos. "Castanhal e Sua História". Edições Gazêta, 1983. Catanhal-PA. Araújo, Carlos. "História de Santa Izabel do Pará". Editora Falângola, 1981. Belém-PA. Arigatô. Governo do Estado do Pará, 1995. BELÉM-PArá. Arquivo da Inspetoria Regiona de Estatística do Pará. Consulta realizada em 1980. A Trôlha. Órgão Informativo do Povo Maçônico. Belém – Pará. Aulete, Caldas. "Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa". Editora Delta, 1980. Rio de Janeiro - RJ. Baena, Antônio Ladislau Monteiro. "Compêndio das Eras da Província do Pará". Universidade do Pará, 1969. Belém - PA. Baena, Manoel Barnabé Monteiro. "Informações sobre as Comarcas da Província do Pará". Edições F. da Costa, 1885. Belém-PA. Barata, Manoel. "Formação Histórica do Pará". Universidade Federal,1973. Belém-PA. Barata, Mário. “Poder e Independência no Grão-Pará”. Conselho Estadual de Cultura, 1975. BELÉM-PArá. Barsa, Enciclopédia. Volume 07. Benchimol, Samuel. "O Cearense na Amazônia". Conselho Nacional de Imigração e Colonização. Imprensa Nacional, 1946. Rio de Janeiro-RJ. Braga, Theodoro. "História do Pará". Edições Melhoramentos, 1931. São Paulo-SP. Brener, Jayme. “O Mundo pós-guerra fria”. Terceira Edição. Editora Scipione, 1999. São Paulo-SP. Cardoso, Fernando Henrique. "Amazônia. Expansão do Capitalismo". Editora Brasiliense, 1978. São PauloSP. Carujo. "História do Povo Castanhalense". Shamballah Produções, 1984. Castanhal-Pará. Castro, Crespo de. "Relatório da Estrada de Ferro de Bragança, Sua reconstrução." Superintendência da Viação Férrea do Estado. Instituto Lauro

Sodré, 1926. Belém-PA. Castro, Ribamar. “Atos dos Governadores” – Vol. III. Imprensa Oficial do Estado, 2011. Belém-PA. Conte, Paul Le. “O Estado do Pará”. Companhia Editora Nacional, 1945. São Paulo-SP. Coimbra, Creso. “A Revolução de 30 no Pará”. Conselho Estadual de Cultura. Belém, 1981. Cota, R. G. "Carajás. A Invasão Desarmada". Editora Petrópolis, 1984. Rio de Janeiro-RJ. Costa, J. M. Monteiro da. "Tecnologia e Articulação dos Modelos de Crescimento Nacional e Amazônico". Cadernos NAEA, 7, 1983. Costa, João Batista Ferreira da. “Os Campeões dos Votos”. Segunda Edição. Imprensa Oficial do Estado, 1991. Belém-Pará. Costa, João Batista Ferreira da. “Os Campeões dos Votos”. Terceira Edição. Imprensa Oficial do Estado, 1994. Belém-Pará. Cruz, Ernesto. "Colonização do Pará”. INPA, 1958. BELÉM-PA. Cruz, Ernesto. "Temas da História do Pará". SPEVEA, 1960. Belém-PA. Cruz, Ernesto. "A Estrada de Ferro de Bragança". SPEVEA, 1955. Belém-PA. Cruz, Ernesto. "História do Pará". Imprensa Nacional, 1963. Rio de Janeiro - RJ. Cruz, Ernesto. "As Obras Públicas do Pará". Imprensa Nacional, 1967. Rio de Janeiro - RJ. Dados Estatísticos. Associação Comercial e Industrial de Castanhal, 2000. Dean, Waren. “A Luta pela Borracha no Brasil”. Nobel, 1989. São Paulo-SP. Diário do Estado do Pará, 30 de 09 de 1934. Edital de Concorrência, Iluminação

7 Pública de Castanhal. Intendência Municipal de Belém, 26 de janeiro de 1899. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Volume 14, IBGE, 1957. Rio de Janeiro - RJ. Estado do Pará. 29 de janeiro de 1932. Etienne, Gilson. "O Sentido da História". Editora Universidade de São Paulo, 1970. São Paulo. Ferreira, Alexandre Rodrigues. “Viagem Filosófica pelas Capitanias do GrãoPará.” Conselho Federal de Cultura, 1972. Rio de Janeiro-RJ. Filho, Armando Alves. "Pontos de História da Amazônia", Volumes 1 e 2. Produção Independente, 1999. BelémPA. Fonseca, Carlos. "Sinopse da História dos Municípios do Pará". Grafisa, 1973. Belém. Fonteles, Paulo. "Araguaia. A Guerrilha Redescoberta". Editora Grafissom, 1988. Belém-Pará. Freire, Roberto. “Reforma Política”. Senado Federal, 2003. Brasília-Distrito Federal. Guia Turístico Pará. Agência Ver Editora, 2002. Belém-PArá. Holanda, Aurélio Buarque de. "Aurélio Eletrônico. Versão 02". Melhoramentos, 1997. Rio de Janeiro. I.B.G.E. "Atlas do Brasil de 1960". Rio de Janeiro. Irapuam Sales. "Depoimento." 18 de 06 de 2000. Besselaar, José Van Den.“ Introdução aos Estudos Históricos”. EPU, 1974. São Paulo. Coimbra, Creso. “A Revolução de 30 no Pará”. Coleção História do Pará, 1981. BELÉM-PArá. Irmãos Torres de Moraes. "Depoimentos". Ver em "Síntese da História Antiga de Castanhal", Primeira Edição, ano 2000. Livro de Tombo da Paróquia de São José de Castanhal, 1911. Melo, Alcino Teixeira de. "Nordestino na Amazônia". Instituto Nacional de Imigração e Colonização, 1956. Rio de Janeiro-RJ. Maço, Revista Maçônica de Circulação Nacional e Internacional. LondrinaParná. Mendes, A. "A Viabilidade Econômica da Amazônia". Belém, 1971. Miranda, Vicente Chermont de. "Glossário Paraense". Livraria Maranhense, UFPA, 1905. PArá. Mueller, C. "O Estado e a Expansão da Fronteira Agropecuária na Amazônia Brasileira". Estudos Econômicos, 1983. Neto, Miranda. "O Dilema da Amazônia". Editora Vozes, 1978. Petrópolis-RJ. “Nosso Pará”, Número 01. Ver Editora. Belém-PA. "Origens". Edição Número 7, 2002.


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A Manipulação do Poder

Trajetória de pioneirismos culturais

Carlos Araujo

estreou a sua carreira como escritor com o lançamento de "O PARANORMAL E SEUS MISTÉRIOS" no Salão Nobre da Academia Paraense de Letras. Esta obra, escrita na adolescência, alcançou a segunda tiragem em poucas semanas, quando estendeu suas vendas para São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Iniciou pesquisa sobre história de Castanhal publicando “estudos”, em jornais. Seu primeiro livro, sobre Castanhal foi "EPOPÉIA DE UM POVO", uma raridade literária, copiado sem autorização várias vezes. Quem possui um volume o guarda com muito zelo, pois acompanha o texto muitas fotografias antigas. O terceiro livro de Carlos Araujo foi o seu melhor trabalho de pesquisa, da primeira fase: "HISTÓRIA DE SANTA IZABEL DO PARÁ", lançado em praça pública, naquele município, onde também é historiador pioneiro. Depois ele publicou outro livro, desta vez semi-didático, "CASTANHAL - SUA HISTÓRIA, SUA GENTE", que também recebeu uma segunda tiragem e foi dedicado a alunos e professores. Em 1984 publicou o guia "CASTANHAL, CIDADE - 1984"

que foi reeditado em 1985, 1986 e 1987. Este foi o primeiro roteiro de Castanhal com mapa detalhado à cores, da cidade e de parte da região rural. Carlos é ex-vereador de Castanhal, bibliófilo, fundador dos periódicos, "JORNAL UM" e "A GAZETA DO INTERIOR". Este último, por duas vezes, recebeu o título de Jornal do Ano. Diploma de Honra ao Mérito, pela Câmara Municipal de Castanhal e Comenda, da Prefeitura Municipal de Castanhal, por "relevantes serviços prestados à Cultura". Como organizador de "HISTÓRIA DO POVO CASTANHALENSE", lançado em 1984, concretizou o sonho de estabelecer bases da história da terra onde nasceu, cresceu e despertou para a arte literária. Com nova pesquisa sobre '"HISTÓRIA DE CASTANHAL" pretendeu aprofundar o estudo, corrigindo e ampliando, numa revisão profunda, para compensar o período de 16 anos em que nenhum outro livro foi lançado por ele e por mais ninguém. Atualmente conclui seu legado com esta Grande História. A contribuição de Carlos Araujo à cultura se revela em vários momentos, muitos deles de pioneirismo: 1. Promoveu o primeiro carnaval de rua de Castanhal com a disputa de blocos organizados. 2. Fundou o primeiro movimento teatral da cidade com o nome de Teatro Amador de Castanhal 3. Inscrito na Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. 4. Foi proprietário dos primeiros jornais registrados em Castanhal: “Jornal UM” e "A Gazeta". 5. Produziu, pela primeira vez, a gravação do Hino Oficial de Castanhal, pela etiqueta ERLA, à pedido da Prefeitura. 6. Foi o primeiro locutor de Castanhal a trabalhar em rádio e televisão da Capital do Estado e da Capital do Brasil. 7. Foi o Vereador mais jovem do Estado do Pará, com a idade de 18 anos.

"Origens". Edição Especial, maio de 2004. Passarinho, Jarbas Gonçalves. "Estado do Pará". Coleção Nosso Brasil, 1976. Penteado, Antônio da Rocha. "Problemas de Colonização e Uso da Terra na Região Bragantina do Estado do Pará". Gráfica Lux, 1967. Rio de Janeiro - RJ. Pereira, Almir de Lima. “Escorço Histórico dos Atos da Revolução de 30 no Pará”. Editora Meridional. Belém, 1998. Pinto, Lúcio Flávio. "Amazônia, O Anteato da Destruição". Grafisa, 1977. Belém-PA. Raimundo Nonato Pinheiro. Serviço de Estatística de Produção, Protocolo 169. Rio, 14 de maio de 1942. Raiol, Domingos Antônio. “Motins Políticos”. Universidade Federal do Pará, 1970. Belém-Pará. Reis, Arthur Cézar Ferreira. "A Amazônia e a Cobiça Internacional". Editora Nova Limitada. Belém-PA. Reis, Arthur Cézar Ferreira. "Sintese da História do Pará". Amazônia Edições Culturais Limitada, 1942. Belém-PA. Rocque, Carlos. "História dos Municípios do Pará". Edições Carlos Rocque, 1979. Belém-Pará. Rocque, Carlos. "Grande Enciclopédia da Amazônia”. Amazônia Edições Culturais, 1984. Rio de Janeiro-RJ. Sabbá, Lauro de Belém. "Os Municípios Paraenses". Gráfica Santo Antônio, 1977. Belém-PA. Salles, Vicente. “O Negro no Pará”. Fundação Getúlio Vargas, 1971. Rio de Janeiro-RJ. Sinopse Estatística do Município de Castanhal, CNE, 1948. Singuer, Paul. “O Capitalismo, Sua evolução, sua lógica, sua dinâmica”. Editora Moderna, 1987. São Paulo-SP. “SUL E SUDESTE DO PARÁ, HOJE. GTR-Gráfica e Editora, 1996. BelémPA. Tema da Amazônia, 1982. Belém-PA. Veja, 25 Anos. “Reflexões para o Futuro”. Editora Veja. São Paulo-SP`. Vianna, Arthur. “As Epidemias no Pará”. Imprensa Oficial, 1906. BELÉM-PA. Villa, Marco Antônio. “História do Brasil”, Volume 2. Editora Moderna, 2001. São Paulo-SP. (FIM)


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com Carlos Araujo Carujo

História de Castanhal nas escolas Uma experiência planejada, mas jamais sequer tentada 8. Foi o primeiro escritor nascido em Castanhal. 9. Foi o primeiro escritor castanhalense a ter suas obras relacionadas no Acervo de Escritores Paraenses do Arquivo Público do Pará. 10. Publicou o primeiro livro sobre História de Castanhal: "Epopéia de Um Povo", em 1981. 11. Fundou o primeiro movimento de preservação dos valores culturais do Município. 12. Publicou o primeiro guia da cidade tendo, como encarte, o primeiro mapa urbano a cores, em 1984 . 13. Representou, quando foi encenada pela primeira vez a peça "O Mártir do Gólgota", o papel de Jesus Cristo. 14. Executou o primeiro estudo aéreo de Castanhal fotografando a cidade de todos os ângulos.

Terceiro livro de Carujo, publicado em 1981.

Há alguns anos são os burocratas, essencialmente, que governam embora as decisões sejam, publicamente, creditadas aos prefeitos. Os vereadores passaram a debater leis a partir de cenários criados pelos burocratas. O número de partidos presentes em uma eleição não interessa e nem faz sentido qual deles recebe o maior número de votos, porque a partilha dos órgãos será feita para que operem por meio da força oculta da burocracia. Em 1964, quando Maximino Porpino Filho foi prefeito, a pequena cidade de Castanhal começou a “conhecer” as máquinas.

O material de construção, para obras, comprado pela Prefeitura, era aplicado por mão de obra exclusivamente composta por funcionários públicos municipais. Na época de Pedro Coelho da Mota, 1967 a 1970, as obras eram idealizadas, encomendadas, dirigidas e inauguradas pelo Prefeito em pessoa. O que é hoje a bem estruturada Secretaria de Obras, na época de Pedro, era apenas um “serviço municipal”. Depois dele Almir Tavares Lima rompeu com a fase de “romantismo” administrativo e inaugurou o período burocrático. De 1971 a 1973 Almir deu configuração científica à Administração, criando, em primeiro lugar, a Secretaria de Planejamento. Durante seus dois mandatos a Seplan trabalhou sobre a realidade do crescimento do Município. Essa estrutura passou inalterada pelas mãos de José Espinheiro (1973 a 1977). Durante o segundo e longo mandato de Almir Lima, de 1977 a 1983, Castanhal já caminhava para a saturação populacional e a

15. Doou 380 livros, somente sobre Teatro, para a Biblioteca da Casa da Cultura Jarbas Passarinho. 16. Publicou os primeiros sites sobre História de Castanhal. 17. Lançou o primeiro livro eletrônico, em CD-Rom sobre a História de Castanhal. 18. Fundador da Associação de Jornais e Revistas do Interior do Pará. 19. Lançou os primeiros sites sobre História de Castanhal para celular. Carlos Araujo possui, em sua bagagem literária, vários outros trabalhos entre contos, crônicas, ensaios e poesias, publicados dentro e fora do Brasil. Atualmente alimenta o pensamento de publicar todos os seus escritos no ambiente virtual da Internet, usando os extraordinários recursos do E-book, do Spoken-book e do Video-learn. (FIM)

formação de bolsões de miséria e de criminalidade, como o que enfrentamos hoje. De 1883 a 1988 Paulo Titan manteve essa estrutura anterior, entregou o sistema parcialmente aos burocratas e passou a dedicarse ao governo itinerante despachando em secretarias, dando audiências no meio da rua, relacionando-se diretamente com a população. Após as desastradas administrações de José Soares e José Nobre, mais preocupados com as mesquinharias da política, Castanhal sofreu, de 1989 a 1996, atrofias nos setores de desenvolvimento massivo, aumentando desmesuradamente o endividamento interno, gerando crise política entre os poderes. Esta distorção iria ser desfeita no novo ciclo de governo de Paulo Titan, quando ele desempenhou dois mandatos seguidos, de 1997 a 2004.


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anipular gente é tratar pessoas como coisas. Prática muito mais condenável é quando isso visa o proveito pessoal. A manipulação, que leva o povo a fazer algo para beneficiar pessoas sem que ele saiba, está relacionada à mórbida vontade de poder. Nesta urdidura tem relevância prioritária o segredo. Temos nos especializado em desvendar segredos. O segredo, na política, é o ovo da serpente ditatorial cuja cria asquerosa é a hidra da corrupção. Por querer combater a corrupção, toda democracia deseja a publicidade, a publicação da informação verdadeira. Os ditadores e oligarcas sempre controlaram a informação e a imprensa. Por isso o livro surge invicto, em todas as eras, para imortalizar a verdade. Daí porque este livro foi temido, no momento em que foi concebido e buscaram suprimir sua publicação. Na origem o estado brasileiro não alimenta pressupostos civilizadores ou pacificadores. O aparelho ideológico do nosso país é uma máquina de dominação para unificar o controle social. Nesta república da mentira a manipulação com rosto – a Ditadura – colocou o cidadão castanhalense diante da informação mutilada e omissa, da propaganda forjando o medo, da destruição do espaço público territorial. Hoje os “coronéis” estão mais vivos do que nunca. Desde a época de certo “coronel-daforça-desarmada” – o Coronel Leal – que mandou açoitar engenheiros da Estrada de Ferro de Bragança até os limites da cidade, para que nunca mais voltassem. Sobre este temperamento tirânico, impulsivo e violento testemunha o Cônego Luiz Leitão no Livro de Tombo da Matriz de São José. Este modelo de “coronelismo”, de forma ostensiva e velada,

com Carlos Araujo Carujo

persistiu na História. O abuso de poder tem se manifestado no processo de formação política de Castanhal. Isto vem acontecendo porque os governos municipais, instalados precariamente, não foram dotados da competência organizacional que suplantasse a forma autoritária de governar – o mandonismo. A ganância perverte a ordem social e política. Os abusos do autoritarismo, tanto na ditadura como na fase das oligarquias, foram os meios opressores de manter o poder até diante da indestrutível “vontade política”. A cada fase da nossa História políticos tentaram usar o povo como fonte de poder e prestígio. Eles descobriram que o domínio pode ser obtido ludibriando a boa fé, a inocência e a ingenuidade de imigrantes, colonos e cidadãos. E assim chegamos ao caos porque modificaram a realidade, falsificaram conceitos e lançaram mentiras para esconder verdades. A política tinha que ter os segredos, como forma de manter o povo na ignorância. Nesta fórmula de manipulação os manipuladores obtiveram fama, popularidade e riquezas. O povo ganhou, em troca, a falsa segurança, a pobreza, o desprezo.

A Manipulação do Poder

A partir de 2005 o atual Prefeito Hélio Leite adotou, definitivamente, o governo peregrino, raramente indo ao Gabinete. A Administração foi seccionada em departamentos (coordenadorias e assessorias) e os especialistas foram substituídos por administradores impostos por indicações partidárias, saídos de pactos políticos. O Poder se deslocou para a fórmula burocrática e a Administração passou a se semelhar a uma empresa. Mudou a postura empreendedora do governo que, antes, era a do “fazer”, pelo do “comprar”. As obras foram transferidas para empreiteiros externos. O governo passou a elaborar uma tarefa que era a de garantir o serviço e o de não prestá-lo. A nova economia se transformou em governo. O treinamento científico está se tornando importante instrumento de eficiência para o desenvolvimento dos setores administrativos. Os velhos modelos decadentes de funcionalismo público vão perdendo a eficiência conforme aumentam as transferências “interburocráticas” nos órgãos. Existem, no entanto, momentos de tomadas de decisões por parte do Chefe do Executivo – aqueles que envolvem assuntos que não podem aguardar o moinho lerdo da burocracia. Decisões sobre política estratégica e assuntos secretos exigem a intervenção direta do Prefeito. No entanto, quando os acontecimentos se aceleram ao ponto de gerar fatos imprevistos, a burocracia se esfacela e o problema se transforma em crise, como já aconteceu no âmbito da Saúde. Alguns setores como Segurança, Meioambiente, Turismo e Indústria têm requerido a arregimentação de forças-tarefa, por parte do Prefeito, para conseguir que as coisas fossem feitas. As comissões se extinguem para que, logo a seguir, volte a prevalecer a força oculta da burocracia, na esfera da qual dormitam muitos projetos que elevariam o Município ao seu mais destacado patamar. (FIM)

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Um kit composto por livro em brochura, livro eletrônico em flipbook e PDF e gravação integral em áudio MP3. ÚLTIMAS UNIDADES!

ORIGENS - Projeto Cultural  

Catáçogo dos 11 anos do Proejto Cultural Origens, de Carlos Araujo.

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