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Dossiê

Máquinas que não Funcionam


EU metade de dois O título vem do filme (Copenhagen, 2002). Um diálogo entre físicos. Heisenberg comenta com Niels Bohr sobre o relacionamento dele com sua mulher, Margrethe. Bohr e ela conversam sobre tudo, e isso funciona para esclarecimentos de suas teorias – inclusive físicas. Seu antigo mentor responde que tem uma identidade curiosamente matemática: ‘1+1’, referindo-se a ele e sua esposa, deveria ser ‘2’, como propunha as somas, mas ele é simplesmente a metade de dois. As referências vêm dos filmes, dos desenhos animados, dos programas científicos, dos livros ou mesmo da procura por ruas menos engarrafadas no caminho para o trabalho. Vêm da espera pelo outro na volta pra casa juntos. Plano de saúde, sorvete depois do almoço, natação. Fazer compras, construir casa, esperar o gato que não volta pra casa há dias, levar o cachorro ao veterinário de madrugada. Escrever projetos, planejar o futuro, colecionar juntos. Os trabalhos apresentados nesse portfólio são resultado dessas pequenas resoluções diárias, de projetos, pesquisas e produções que diariamente dividimos, sejam diretamente do campo da arte ou não – há separação? É assim que os processos se desenrolam: nossas vidas de namorados. Dividimos nosso tempo, nossa cama, nossa leitura e compartilhamos planos para daqui a pouco ou para daqui a 50 anos. Refletimos um a teoria do outro. Co-existimos, claro que nem sempre de modo tão harmonioso quanto pode parecer, discordamos, tensionamos, na maioria das vezes, inclusive, e isso nos serve de crítica imediata e ponto de equilíbrio, nem tudo é tão maravilhoso. Edgar Morin (1998) em seu livro “Amor, poesia e sabedoria” afirma que: “(.. ) sem as desordens da afectividade e as irrupções do imaginário, sem a loucura do impossível, não existiria entusiasmo, criação, invenção, amor, poesia. (...) O mundo em que vivemos é, talvez, um mundo de aparências, a espuma de uma realidade mais profunda que escapa ao tempo, ao espaço, a nossos sentidos e a nosso entendimento. Mas o nosso mundo da separação, da dispersão, da finitude, é também o da atração, do encontro, da exaltação.”

Falar de amor tem sido não uma escolha, mas uma necessidade que se instaurou em nossas vidas. Falar de coisas que não sabemos o que é, nem saberíamos como explicar, mas que acabam por engendrar diversas possibilidades, como num moto continuo, violando as normas do possível.


Desenhos


Casa Aquarela medindo cerca de meio centímetro envolta em moldura. O pequeno coração por vezes passa despercebido em meio aos rebuscados arabescos que o circulam. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Casa Técnica: Aquarela sobre papel e moldura Dimensões: 15X15 cm Ano: 2010

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Ninho Da série pra você morar. São pequenas construções, estruturas de casa e de corpo pra habitar. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Ninho Técnica: Aquarela sobre papel estampado Dimensões: 30x30cm Ano: 2010

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Lençóis O convívio e a relação com o outro são percebidos na maioria dos desenhos da dupla. Em lençóis a cama e o corpo são elementos de fusão. Alguns desenhos são ensaios para possíveis performances. Experimentação em primeira instncia. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Lençóis Técnica: Aquarela e nanquim sobre papel e colagem Dimensões: 30x30 cm Ano: 2011

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Sonhos O começo de toda paixão envolve vontades e desejos às vezes inconscientes. Necessidades de corpo e de proximidade, de cheiros e toques. Quando realmente estamos acordados em nossos desejos? Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Sonhos Técnica: Nanquim sobre papel e papel estampado Dimensões: 30x20 cm - cada Ano: 2009

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O amor é meu Luxúria, posse e amor.. ou seria toda riqueza do mundo tão simples? Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: O amor é meu Técnica: Aquarela e nanquim sobre papel Dimensões: 30x30 Ano: 2010

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Sobre o tempo Assim como na Gravura, a retirada de matéria é necessária para formar a matriz. Na série sobre o tempo, utilizamse ferramentas da gravura para desenhar sobre fotografias, mesclando imagens, sobrepondo memórias e criando outras narrativas. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Sobre o tempo Técnica: Ponta seca sobre fotografia Série: Sobre o tempo Dimensões: 20x15 cada Ano: 2008

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Mapa das máquinas Desenhos de observação de estruturas e sistemas da coleção de máquinas dos artistas. Os objetos se transformam em linhas e se confundem com mapas, plantas baixas de pequenas cidades imaginárias. Existe uma busca por minúcias, em alguma delas deve haver algum tipo de vida, ou energia que faz funcionar os sistemas. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Mapas das máquinas Técnica: Nanquim sobre papel telado Série: Mapa das Máquinas Dimensões: Variável Ano: 2010

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Mรกquinas que nรฃo Funcionam


Frames por batimento O coração chega a bater 150 vezes por minuto em momentos de grande paixão, em um tocar de corpos ou em beijos calorosos. Na linguagem do vídeo, para cada segundo são necessários 24 frames. Frames por batimento se apresenta, então, com 9 desenhos em papel vegetal , que representam o momento exato de um beijo. Neste caso, os frames de um vídeo-animação cíclico, em que o momento extasiante é eternizado. Sem começo e sem fim. Este trabalho é matéria residual do vídeo A máquina faz Love - que segue em DVD ao fim deste dossiê. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Frames por batimento Técnica/materiais: Nanquim sobre papel vegetal Dimensões: Ano: 2010

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Objetos e Instalações


Tempo pra chegar até você ou O pêndulo e o Trampolim O Pêndulo é desenho animado que simula um brinquedo bastante conhecido da física. O corpo pendurado por um fio bate em outro corpo igual e transfere sua energia a outros corpos alinhados até que o que último a receba e a transforme em movimento. O som, nos vídeos, remetem aos cristais e aos brindes. De como é sensível o passar do tempo. Ela, por sua vez, no Trampolim, espera o momento certo para pular no mar que se desenrola pelo chão da sala. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Tempo pra chegar até você ou O Pêndulo e o Trampolim Técnica/materiais: Desenho animado em três DVDs portáteis e desenho sobre papel de fax Série: Vídeomáquinas Dimensões: 1,7m x variável Ano: 2010

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Sansão eu te amo “Então, Ela lhe disse: Como dizes que me amas, se não está comigo o teu coração?” (Jz 16:15) O colecionismo e as narrativas que, de certo modo, envolvem a produção da dupla estão claramente evidenciados nesta instalação. Uma coleção de tesouras destinadas aos cabelos de Sansão. Obsessão e amor percorrem o trabalho inspirado na história bíblica de Dalila e Sansão. Desta história desdobram-se desenhos objetos e instalações. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Sansão eu te amo Materiais: Coleção de tesouras Dimensões: Variável Ano: 2010

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De como me tornei montanha Livro encadernado artesanalmente, faz parte de uma série de livros e desenhos baseados em situações corriqueiras. Intitulada Pequenas histórias cotidianas, a série narra acontecimentos de forma filosófica e fantástica. De como me tornei montanha narra a história de como as mudanças são sutis e, muitas vezes, não percebida. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: De como me tornei montanha Técnica: Livro artesanal, tecido , linha dourada, nankim sobre papel Série: Pequenas histórias cotidianas Dimensões: 10x15 20 pgs Ano: 2010

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Projetos


Roupa de Abraço A proposta inicial são duas roupas feitas com velcro, o lado áspero do velcro para Ele e o lado macio do velcro para Ela. A performance é constituída de abraços: no abraçar e no desfazer-se dele. O grande mote deste trabalho são as tensões existentes na presença e na falta dela, no respirar e no suspirar. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Roupa de abraço Técnica: Performance com roupas de velcro Dimensões: variável Ano: 2010

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Downlove Dois monitores fazem uma transferência de dados (como são conhecidos os downloads via internet) os arquivos em questão tratam de assuntos humanos demais para serem feitos por máquinas. É como se fosse possível ‘baixar’ amor da internet. É como se nós fossemos as máquinas que transferem os próprios dados. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Downlove Técnica: Vídeo animação distribuidos em dois monitores de computador, Série: Vídeo-máquinas Dimensões: Variável Ano: 2010

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Olivetti 46 para Remington 15/ Remington 15 para Olivetti 46 O acúmulo das horas, dias, tempos e palavras dedicadas a dizer ao outro, repetidas vezes a mesma palavra. As cartas funcionam como se calafetassem lacunas de comunicação. Por vezes, funcionam também para intensificar o dito, ou simplesmente o sentido. A personificação das máquinas no próprio indivíduo. Uma delas de ferro azul e letras quadradas, herdada de geração a geração. A outra de plástico, caixa vermelha, letras arredondadas e passado desconhecido. Uma despertou a outra para que voltasse a funcionar, para escrever sempre a mesma coisa, sempre enquanto conseguirem funcionar. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Olivetti 46 para Remington 15/ Remington 15 para Olivetti 46 Técnica: Work in progress - 2 máquinas de escrever e progressivas cartas datilografadas com a palavra amor. Dimensões: Variável Ano: a partir de 2010

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Quintal de cimento e fachada azulejada A ampliação e reforma das casas desta atualidade não propõem quintais, já que a tendência é vivermos em caixas-casa cada vez menores. Como consequência, árvores com troncos grandes também não têm prioridade, afinal elas não tem mais seus quintais para existir. A partir de um reforma, um Ipê amarelo foi praticamente todo derrubado. De seus galhos, nasceu este projeto de gravura de topo. Da morte, nasce-se, constrói-se. Outros objetos são criados, as necessidades devem ser supridas. Para tanto, é preciso criar novas modernidades. Cristiane Soares e Silva e Emanuel Silva de Oliveira Máquinas que não Funcionam Título: Quintal de cimento e Fachada azulejada Técnica: Xilogravura de topo Série: Quintal de cimento e Fachada azulejada Dimensões: Variável Ano: 2011

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CurrĂ­culos


Máquinas que não Funcionam 2011 – 1o, 2o e 3o da Série Gavetas, Campelo Costa e o desenho cearense, no Sobrado Dr. José Lourenço; - VídeoMáquinas e Moldura para desenhos grandes , vídeo e desenho; Expô Relâmpago, no Sobrado Dr. José Lourenço 2010 - O pêndulo e o Trampolim ou tempo pra chegar até você - 13º Salão Municipal de Artes Plásticas SAMAP, Casarão 34- João Pessoa , PB - Exposição - EU, Metade de dois; Usina Cultural Energisa - João Pessoa - PB - Residência artística - Projeto Residências em Fluxo, promovido pelo MAMAM no pátio em Recife. Com parceria entre Recife, Fortaleza e João Pessoa. 2009/2010 – Sem título, pintura sobre parede para a exposição Fogo-fátuo - Otacílio de Azevedo, Herbert Rolim e Convidados no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC).


Cris Soares Nasceu à 29 de outubro de 1983, na cidade de Fortaleza. É graduada em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE. 2011 Máquinas que não Funcionam 2010 Inventário - Agosto da Arte -Banco do Nordeste Brasileiro- BNB. Inventário- Mostra Coletiva Entrementes no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC) 2009 Sem título - Xilogravura para o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília (DF); Inventário- Prêmio Bolsas de Incentivo SPA das Artes - Recife . 2008 Sem título - Pintura na Mostra dos Extintos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.(IFCE)


Emanuel Nasceu à 18 de junho de 1986, na cidade de Fortaleza. É graduando em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE. 2011 Máquinas que não Funcionam 2010 João Pessoa , Avenida do Graffiti - com o grupo de graffiti R.A.M. Crew – Revolução Através dos Muros, dentro da programação da Semana de Arte Urbana Benfica -SAUB, - (Agosto da Arte - BNB) Fortaleza- CE 2009 A corcunda do Pepa - 16º Salão de Artes Plásticas de Teresina – PI Desenhosonoropoético/Poeticosonorodesenho - ação de graffiti e sonora. Casa Galeria Galpão dentro do 19º Festival de Inverno de Garanhuns - FIG, PE. Sem título - Xilogravura para o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília (DF); 2008 Identidades Perdidas - Ação Urbana dentro da programação da Praça Casa, evento produzido pelo grupo de estudos Meio Fio Pesquisa e Ação, vinculado ao IFCE – Fortaleza-CE


Textos crĂ­ticos


Assim como as máquinas, as palavras entram em desuso e se tornam obsoletas quando já não atendem mais a dinâmica da vida em curso. Exemplo disso é o dicionário, que mais parece uma dispensa com prateleiras cheias de palavras empoeiradas. Contudo, os sentimentos e fatos que tornaram tais palavras obsoletas jamais desapareceram entre nós: ao contrário, estão cada vez mais à flor da pele. Sendo assim, é preciso criar mais e novas palavras, para satisfazer as muitas e velhas necessidades humanas, É preciso criar mais e novas máquinas. Assim como sabemos que a morte não representa o fim das coisas, mas uma parte da trajetória natural dos seres vivos, a obsolescência é o destino natural das máquinas. Teoricamente, as máquinas têm um tempo de uso, assim como os seres vivos têm um tempo de vida. No entanto, algumas máquinas extrapolam sua previsão de vida útil e se inserem no contexto cultural e tecnológico de outras épocas, provocando um estranhamento e um desdobramento de suas funções originais. É possível encontrar, no atelier de um artista, em 2010, uma máquina de escrever fabricada na década de 1970, ocupando importante função no processo criativo, ao lado de ferramentas, como o Twitter; ou uma máquina de costurar, fabricada nos anos de 1960, bordando em fios dourados capas para cadernos, ao lado de latas de tinta spray, que revestem paredes com imagens coloridas, elaboradas nestes mesmos cadernos, cuidadosamente manufaturados. Mas quem precisa de caderno, tinta, pincel, lápis, papéis, molduras, máquinas de escrever ou de costurar, quando se tem a câmera digital e o computador, que copia, corta cola, imprime, edita, recebe e envia? Ninguém precisa de nada disso, absolutamente, se de fato, tudo isso não estiver a serviço da construção de uma poética que trate todas as coisas entre o céu e a terra como partes de um todo indissolúvel e indissociável. Recentemente, entrou em voga o uso do termo vintage, para designar qualquer coisa que traga na aparência uma referência ao passado. Assim como o termo, essa referência ao passado também é passageira. Não é o caso aqui, quando os artistas usam máquinas “antigas”, para produzir alguns dos trabalhos desta exposição. As máquinas que não funcionam são extensões da natureza e das idéias destes dois artistas, que viajaram 700 km de Fortaleza até João Pessoa em um Kadett Hatch branco, ano 1995, para desenvolver trabalhos que levassem em conta aspectos estéticos e filosóficos das extensões artificiais do homem contemporâneo e a relação deste com os meios. Os trabalhos produzidos pelo coletivo, Máquinas que não funcionam, durante a etapa João Pessoa/Fortaleza do Projeto Residências em Fluxo, propõem uma reflexão sobre as relações vitais entre natureza e máquina e as relações artificiais entre homem e homem, cabendo ao espectador buscar o viés estético que o conduza às questões centrais e adjacentes de cada trabalho. Fábio Queiroz de Medeiros João Pessoa, Julho de 2010.


Caderno 3 - Diário do Nordeste Fortaleza 25/9/2010

Residências da Arte O Café do Zé, encontro matutino no Sobrado Dr. José Lourenço, recebe hoje a artista da Paraíba Cristina Carvalho e a dupla “Máquinas que não Funcionam”, de Fortaleza O Zé vem do nome do Sobrado, mas coincidentemente o primeiro convidado para o encontro, em 2008, foi o artista plástico Zé Tarcísio. “Muitas pessoas acham que é por causa dele”, revela Germana Vitoriano, uma das diretoras do Sobrado Dr. José Lourenço, onde acontece o Café do Zé. O evento ocorre nas manhãs de sábado, em média duas vezes ao mês, com a presença de pessoas ligadas às artes visuais, seja galerista, crítico de arte, pesquisador ou artista. “É como se já fizesse parte do calendário de eventos do centro da cidade. Tanto vem gente com a intenção de ver a exposição e que acaba ficando, como o contrário”. O público cativo já pôde participar de conversas com nomes importantes, como Estrigas, Sérvulo Esmeraldo, Campelo Costa, Gentil Barreira e Ricardo Resende, além de Edu Brandão, da Galeria Vermelho de São Paulo, e Tunga, de Pernambuco. Na edição de hoje, artistas do projeto “Residências em Fluxo”, dentro da programação do 4ª Primavera de Museus, participam da conversa: a dupla Cris Soares e Emanuel Silva, do “Máquinas que não Funcionam”, de Fortaleza, e a artista Cristina Carvalho, da Paraíba. De acordo com Germana, as trocas são uma parceria com o MAMAM de Recife e acontecem entre os estados de Pernambuco, Paraíba e Fortaleza, em equipamentos de cada capital, que recebem em intercâmbio artistas dos outros dois estados.

Devagar, devagarinho O “Máquinas que não Funcionam”, por exemplo, fez uma viagem a João Pessoa, onde realizou uma exposição na Usina Cultural Energisa. Na bagagem, somente a vontade de aproveitar a viagem lentamente. “A ideia era não ir de avião. Pegamos o carro para chegar lá vivendo o caminho todo, fazendo um diário, focado na cidade e na nossa história compartilhando esse tempo e espaço juntos”, explica Cris. Os dois,


que são namorados, nunca tinham ido à cidade e, ao invés de ficarem hospedados num hotel, resolveram alugar um apartamento onde pudessem cozinhar e cuidar da casa, como se fossem moradores. Até lá, o percurso foi feito através do kadett 95 de Emanuel. “Comprei esse carro em setembro de 2007, no mês da independência. Tinha tirado a carteira e era meu primeiro carro. Dois meses depois, quando já estava pintado e tinha consertado o que aparentemente era necessário, fiz uma viagem com amigos para Icapuí, e a Cris foi junto”, relembra. Os dois, que já se conheciam da faculdade de artes plásticas do IFCE, passaram a namorar e somente este ano conseguiram fazer “funcionar” um projeto no qual trabalham juntos. “Ela trabalha num campo mais intimista, com papéis delicados, tecidos, desenhos. Eu já vou mais pro lado do grafite, coisas mais exageradas, grosseiras”, explica. Como não queriam fechar um projeto em si, mas brincar com as regras, resolveram levar um portfólio de possíveis realizações e chegaram à exposição “Eu metade de dois”, composta por fotos, desenhos, vídeos e o grafite. “É, a grosso modo, uma exposição sobre o amor”, define Cris. O nome da dupla é uma alusão a objetos que não funcionam, acumulados por eles, como máquinas de costura, fotográfica, de escrever e até o próprio carro, adquirido em um leilão. “Essas coisas acabam gerindo, exercem uma influência grande pra gente. Pode significar também a própria ideia do corpo como máquina”, constata Cris. Para Emanuel, o fato de a exposição ter acontecido em outro local reflete uma problemática de Fortaleza. “A gente tem esse produto pronto, mas tem um buraco no meio artístico daqui, que costuma só aceitar trabalhos de fora”, critica. Síria Mapurunga Repórter


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