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revista apresenta

os melhores ĂĄlbuns da

mĂşsica

brasileira em


editorial

arece mágica. E, já que magia é arte, a música brasileira de hoje é uma maga. Está rodeada de mistérios, é oculta para a maioria. Num país onde pensam quase duzentas milhões de mentes, suas preciosidades são muito pouco conhecidas. Os incrédulos se deixam levar pelo que está à mostra e, como sempre, se decepcionam. Nunca querem buscar o que está escondido, o que é de difícil acesso. Os que a dominam - ou que, pelo menos, mantém uma relação íntima com ela - sabem cavar o suficiente para apreciar seus encantos. Branda, essa mágica agora fascina com facilidade. Um magnetismo avassalador. Seu vizinho pode não escutar coisas saudáveis para os ouvidos alheios. As multidões podem não seguir ídolos que lhe atraem. Talvez você declare guerra ao seu vizinho, se afaste das multidões. Talvez seu cavalo só fale inglês. Contudo, duas coisas são certas. Coisa número um: toda forma de arte, mais cedo ou mais tarde, encontra seu público perfeito (seu vizinho e as multidões são casos irrepreensíveis). Coisa número dois: sem cessar, um novo caminho aparece. Que tal um pé-de-pano poliglota? Para você que acredita em mágica, a primeira edição de 2011 da Manuscrita - especialíssima - traz uma seleção criteriosa e, ao mesmo tempo, vasta. São 100 bons discos lançados por artistas brasileiros no ano passado. Com um número tão camarada, é até redundante falar que tem coisa para tudo quanto é gosto. Preparamos um cardápio complexo e, humildemente, tentamos orientar seu paladar. Seu ouvido sairá de barriga cheia...

EDCKSON FÉLIX editor


expediente

Amanda Souza, André Oliveira, Bijou Monteiro (editora e fundadora), Cristiane Sita, Edckson Félix (editor), Erika Bueno, Gilbert Antonio, Hugo Mendonça, João Paulo Sá, Juarez Cruz, Maçao Filho, Marcelo Saravá, Marcelo Sayeg, Patrícia Coelho, Paulo Segundo (editor), Pawel Litwinski, Pedro Sfeir Del Giudice, Thamiel Duaik, Vera Monteiro e Yasmine Colucci.

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sobre números

O

primeiro ano desta década foi um dos mais férteis dos últimos tempos na música brasileira. Vários artistas que ensaiavam uma estreia na maciota escolheram 2010 para lançar o primeiro disco. Nomes já consagrados também retornaram ao estúdio. E outros tantos garantiram mais uma fatia do disputado cenário musical do país. Selecionamos o maior número possível (e cabível) de álbuns lançados durante todo o ano. Com todos os artistas brasileiros cotados, mesmo os que produzem para fora do país, chegamos a 268 álbuns. Pode até parecer muito, mas para uma lista de 100, não é. Vejamos... Se você tem 5 maçãs e precisa escolher as 3 melhores, isso não quer dizer que as “finalistas” sejam de boa qualidade. Ora, 1 pode ser ótima e 2 menos ruins que as outras 2. Nosso player tocou de tudo. Dezenas de gêneros, dezenas de cantores, cantoras, bandas, orquestras. Do rock ao forró, do sertanejo à bossa. Monstros como Gilberto Gil e Milton Nascimento marcaram presença. Outros monstros, como Roberta Miranda e Amado Batista (?!), também. Mas, como você verá nas próximas páginas, a nova safra ganhou destaque.


a classificação

E

ditor da revista Manuscrita, o jornalista Edckson Félix passou o ano ligado nos lançamentos, apreciando atentamente o que surgia nos mais diferentes âmbitos da música brasileira, de janeiro à dezembro de 2010. O período de análise se encerrou no dia 19 de janeiro de 2011, o que permitiu que os discos lançados no final de dezembro também fossem considerados. Quanto aos formatos, demos espaço aos lançamentos físicos e também aos trabalhos distribuídos pela internet. Não incluímos: discos curtos (os EPs), singles, mixtapes, coletâneas e gravações ao vivo. Há exceções, como o álbum homônimo de Lurdez da Luz, que foi apresentado como EP, e a mixtape ‘Emicídio’, lançada por Emicida. As características permitem apreciar esses álbuns como os demais, já que o formato não se distancia tanto de um disco normal. Por outro lado, deixamos de fora o EP ‘Pressuposto’, da banda Nevilton, o registro ao vivo ‘Melhor Assim’, de Teresa Cristina, e ainda ‘Papo de Passarim’, do duo Zé Renato e Renato Braz. Ressaltamos que estes são bons títulos, mas preferimos limitar os formatos presentes na lista. São apenas alguns exemplos. E cabe aqui um conselho importantíssimo: a melhor opção para encarar álbuns como ‘Brasil enCena’, da atriz Susana Vieira, e ‘Pra Ser Amor’, do pagodeiro Belo, é não dar ouvidos, fingir que nunca existiram. Cotações abaixo de zero não são legais, não é mesmo? E por falar em cotações, vale ressaltar que, para organizar essa edição especial, uma escala foi adotada com a finalidade de classificar os 268 álbuns de maneira eficaz de acordo, obviamente, com o gosto pessoal do jornalista. As notas foram atribuídas para cada trabalho com base em três critérios distintos (que você confere ao lado). O intuito foi abranger, com prudência e discernimento, fatores relevantes num lançamento musical. A partir desses quesitos, cada álbum ganhou uma cotação em forma de porcentagem. As mais altas compõem a lista dos 100 melhores da música brasileira em 2010.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

A

conceito originalidade referências uniformidade

B

letras instrumentos arte visual

C

produção repercussão ao vivo

05


o ranking

C

ada álbum com sua respectiva cotação e chega a hora de saber quem está no topo e quem ficou na lanterninha. Começamos por baixo: 55 discos tiveram cotações iguais ou menores que 50%, foram considerados ruins. Sobraram 213, certo? As 100 maiores cotações oscilam entre 72 e 100%, são os melhores discos da música brasileira em 2010. Os restantes, 113 álbuns, foram cotados entre 51 e 71%, podem ser chamados de regulares. Confira alguns exemplos no esquema abaixo:

Os 100 melhores de 2010

acima de 72% 113 álbuns regulares

entre 71% e 51% 63

52 Vitor Ramil Délibáb

Sandy Manuscrito

70 Miranda Kassin e André Frateschi Hits do Underground

55 álbuns ruins

abaixo de 50% 48 24 Violins Greve das Navalhas

06

36 João do Morro Do Morro Ao Asfalto

Superguidis Superguidis


os outros

C

oadjuvantes sanguessugas que fazem de tudo para se aproveitar do sucesso de seus ‘patrões’. Nomes esquecidos que tentam (e não conseguem) mudar de cara para começar do zero. Produções pequenas e mal cuidadas. Discos que nem os familiares do artista compram. Rock emo. Rock colorido. Rock de caverna (não, não é o de garagem). Gente que pensa que canta e, num belo dia de sol, se lança no mercado. Repertórios fajutos que parecem ter sido comprados prontos, numa esquina qualquer. Rimas fáceis que, definitivamente, não nos interessam. Como você viu no esquema anterior, nem todos os álbuns que ficaram de fora são ruins. Resolvemos mostrar estes discos. Não para expor o que não nos agradou, mas para mostrar que, apesar de grandes desacertos aqui e acolá, a música brasileira ainda é rica, diversificada, extraordinária. Uma coisa puxa a outra, como na história das maçãs.


quem ficou de fora? 2ois - A Quarta Ponte A Roda - La Estructura A Volante do Sargento Bezerra - Mais Mundo Aerocirco - Invisivelmente Affonsinho - Voz e Viô Akira Presidente - Meu Sotaque, Meu Flow Amado Batista - Meu Louco Amor André Sauaia - Violando Caminhos Andreia Dacal - Afirmativa Antonia Adnet - Discreta Antonio Loureiro - Antonio Loureiro Ari Borger Quartet - Backyard Jam Arthur Nestrovski - Chico Violão Assis Medeiros - Baiãozinho Nuar Baiana System - Baiana System Banda Mirim - Espoleta Bebeto - Prazer, Eu Sou Bebeto Beeshop - The Rise And Fall Of Beeshop Belén Pérez Muñiz - Passagens Bodes & Elefantes - Behold The Ice Goat Breculê - Vidas Volantes Bruno & Marrone - Sonhando Cabruêra - Visagem Caju & Castanha - Festival de Emboladas Camarones Orquestra Guitarrística - idem Capital Inicial - Das Kapital Carlinhos Brown - Adobró Carlos Navas - Tecido

08


Carlos Pontual - Inventa Qualquer Coisa Carolina Lima - Panamericana Cátia Werneck - Primavera Celso Sim & Arthur Nestrovski - Pra Que Chorar Chankas - Chankas Chorolê - Chorolê Chuva Negra - Terapia Cidade Negra - Que Assim Seja Ciro Pessoa - Em Dia com a Rebeldia Clara Sandroni - Gota Pura Coisa Linda Sound System - Rochedo de Penedo D MinGus - Filmes e Quadrinhos Dance Of Days - Dance Of Days (Disco Preto) Deneil Laranjeira - Irresistível Miudinho Diogo Carvalho - Impressionism DJ Tudo - Nos Quintais do Mundo Djavan - Ária Dona Ivone Lara e Bruno Castro - Nas Escritas da Vida Dorina - Brasileirice Duo Graffiti - Fronteiras Ecos Falsos – Quase Eek - Fantasia de Equilibrista Eletrocactus - O Dia Em Que a Fome Morreu de Sede Eu, Você e Maria - Eu, Você e Maria cópia Fábio Carvalho - No Chão do Abá Facada - O Joio Fake Number - Fake Number Fellini - Você Nem Imagina

09


quem ficou de fora? Firebug - Outra Coisa Flávio Campos - Das Coisas Que Resistem à Correnteza Forte Fluxo - Visões Remanescentes: Lado A Fresno - Revanche George Israel - 13 Parcerias Com Cazuza Geraldinho do Cavaco - 50 Anos Giancarlo Rufatto - Machismo Gonzaga Leal – E o Que Mais Aflore Graça Braga - Eu Sou Brasil Graveola e o Lixo Polifônico - Um e Meio Gulivers - Em Boas Mãos Gustavo Telles - Do Seu Amor, Primeiro é Você Quem Precisa Hebe Camargo - Hebe Mulher Herod Layne - Absentia Ilana Volcov - Bangüê Inimigos da HP - Amigos da Balada Izzy Gordon - O Que eu Tenho Pra Dizer Jane Duboc - Sweet Face Of Love João do Morro - Do Morro Ao Asfalto João Sabiá - My Black, My Nega Jorge Vercillo - D.N.A. Jr. Black - RGB Lê Almeida - Mono Maçã Leila Pinheiro - Meu Segredo Mais Sincero Lena Machado - Samba De Minha Aldeia Leny Andrade - Alma Mia Leonardo - Alucinação LiberTango - Porteño

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Lígia Jacques - Choro Cantado Los Pirata - Les Show Lu Alone - Lu Alone Luciano Bilu - Zeus És Tu Lucina - Mais do que Parece Luka - O Próximo Trem M. Nalesso & The Big Bang Band - Memorial Madalena Moog - Samba Pro Seu Dia Maldita - Nero Mamma Cadela - Mamma Cadela e a Geração Espontânea Marcelo D2 - Canta Bezerra da Silva Márcio Lugó - Desacelera Marco Vilane - Varal Diverso Mariana Baltar - Mariana Baltar Marisa Orth - Romance Vol II Martinho Da Vila - Poeta da Cidade Massarock - Massarock Mateus Sartori - Franciscos Mechanics - 12 Arcanos Messias - Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me Miranda Kassin e André Frateschi - Hits do Underground Mombaça - Afro memória + Pretinhosidade Mônica Feijó - A Vista Moska - Pouco MV Bill - Causa e Efeito Nantes - Alvorada Nasi - Vivo na Cena Negra Cor - Eletroafroascendente

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quem ficou de fora? Nina Becker - Azul Novos Bossais - A Bossa Bem Mais Nova NX Zero - Projeto Paralelo Oito Mãos - Vejo Cores Nas Coisas Os Haxixins - Debaixo das Pedras Os Replicantes - 2010 Panamérica - Mojitos, Guitarras & Tamborins Paula Marchesini - Silêncio Pedro Tagliani - Ao Vento Plastic Fire - A Última Cidade Livre Ponto de Equilibrio - Dia Após Dia Lutando Pump Killa - Ragga Fogo Quinteto Violado - Canta A. Barbosa e J. do Pandeiro Rabecado - Cerca Viva Ramo - Ramo Rapadura - Fita Embolada Na Boca Do Povo Replace - Vida de Papel Ricardo Vignini - Na Zoada Do Arame Roberta Campos - Varrendo a Lua Roberta Miranda - Sorrir Faz a Vida Valer Rodrigo Santos - Waiting on a Friend Rodrigo Vellozo - Samba de Câmara Roger Resende - Borandá Meu Camará Sabonetes - Sabonetes Sambatrônica - Aos Que Zelam Pela Alegria do Mundo Sandy Leah - Manuscrito Sérgio Mendes - Bom Tempo Strike - Hiperativo

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Sua Mãe - The Very Best of the Greatest Hits Superguidis - Superguidis Terreiro Grande e Cristina Buarque - Cantam Candeia The Midnight Sisters - Whatever Happened To Jackie Faye Tita Lima - Possibilidades Tono - Tono Trupe Chá de Boldo - Bárbaro Twinpine(s) - Niagara Falls Vavá Afiouni e Toró de Palpite - O Papo do Bicho Venus Volts - Is Dead Victor e Leo - Boa Sorte Pra Você Victor Toscano - É Mentira Vinicius Cantuaria - Samba Carioca Violins - Greve das Navalhas Virgínia Rosa & Geraldo Flach - Voz & Piano Vitor Ramil - Délibáb Vitrola Sintética - Notícias Wallace Costa - Crossing Fields Walverdes - Breakdance Wanda Sá & Roberto Menescal - Declaração Wander Wildner - Caminando y Cantando Wanderson Lopez - Poemas Brasileiros Wassab - Wassab Yamandú Costa e Dominguinhos - Lado B Yanna - Intimidade Zander - Brasa Zé Ramalho - Canta Jackson do Pandeiro Zeca Pagodinho - Vida da Minha Vida

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os

revista


melhores álbuns da

música

brasileira em por EDCKSON FÉLIX


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

100

Dora Vergueiro

COTAÇÃO

72%

Samba Valente Para quem cobrava, a intérprete agora ataca de compositora. Para quem já gostava de seu som agradável e bem recheado, a bela Dora Vergueiro está ainda mais fascinante.

99

Lucy And The Popsonics

COTAÇÃO

72%

Fred Astaire O duo que agora é trio. O punk seco que agora, eletro até o talo, tem uma pegada dançante bastante envolvente. Mais uma porção de criatividade e a banda ganhará pontos preciosos.

98

Mariano Marovatto

COTAÇÃO

72%

Aquele Amor Nem Me Fale O compositor carioca minimiza elementos do samba e da bossa para fechar um disco que parece pequeno, mas que precisou de um número considerável de músicos. E muito esforço.

96

Sem Horas

COTAÇÃO

73%

O Primeiro Passo Para Conquistar o Mundo Uma tentativa de desenterrar o rock que um dia fez sucesso no Brasil. Segundo a própria banda, é “pra afastar o sofá da sala e perder a vergonha de dançar com aquela garota bonita”.

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50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

97 Pouca Chinfra

COTAÇÃO

72%

Pouca Chinfra Músicos destemidos, uma voz mansa, samba com embalo irresistível. Inteiramente autoral, o álbum surpreende por apresentar um novo conceito para a malandragem. Bonito de ouvir.

17


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

95

Edu Lobo

COTAÇÃO

73%

Tantas Marés Talvez as regravações corretas - mas enjoativas, sem argamassa - tirem o brilho de Edu Lobo. As músicas inéditas, com o toque camarada de Paulo César Pinheiro, são bem melhores.

94

COTAÇÃO

Rogê

73%

Fala Geral Embora seja um aprendiz disciplinado, Rogê se perdeu na receita. Reggae no samba (ou samba no reggae) não é um bom prato, mas ótimas faixas isoladas salvam o terceiro disco do cantor.

92

Lestics

COTAÇÃO

74%

Aos Abutres Rápidos no gatilho, os integrantes do Lestics resolveram resumir as lucrativas propostas apresentadas nos álbuns anteriores. Ideia aprovada, mas faltou inovação.

91

Watson

COTAÇÃO

75%

Watson Taí uma banda para servir de exemplo de grime no Brasil. Estreia elevada no rock nacional. O caráter urbano se torna ainda mais interessante com a caprichada arte visual do disco.

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50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

93 Maria Eugênia

COTAÇÃO

74%

O Samba Me Diz Samba goiano. A cantora não tem raízes para justificar a escolha do gênero, mas se sai bem selecionando compositores de renome. Seu charme maior está na voz, inconfundível.

19


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

90

Saravah Soul

COTAÇÃO

75%

Cultura Impura Você já ouviu falar em tru thoughts? Já ouviu a vertente funkada da música latina? O disco do Saravah Soul é modesto e frágil, mas serve como instrumento de iniciação. Boa aula.

89

Vanessa da Mata

COTAÇÃO

75%

Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias A falha desse álbum está no fato da cantora se encontrar num posto perigoso da música brasileira que merece aspas. Tirando partes podres, sua “música brasileira” ainda é boa.

88

Mental Abstrato

COTAÇÃO

75%

Pure Essence Alguém aí falou em underground? Omig One & Calmão Tranquis sabem cuidar bem do jazz, conservá-lo para que a mistura com o rap não se torne insossa. Disco indispensável.

86

Do Amor

COTAÇÃO

76%

Do Amor Esse homônimo é mais um daqueles discos que mereciam ser bons por completo. Entre rachaduras cruéis, faixas pegajosas e repletas do que antes era brega (e hoje é trunfo).

20


50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

87 Clara Moreno

COTAÇÃO

75%

Miss Balanço Sensualidade pouca é bobagem. O que essa morena exala é mais que gingado, mais que remelexo desfigurado. Cada faixa do disco é sustentada por uma boa (ótima?) referência.

21


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

85

Diego e o Sindicato

COTAÇÃO

76%

Parte de Nós Gritante: um faixa-a-faixa rápido mostra que o som dessa banda merece atenção especial. Interessante embutido de arranjos agressivos, que não deixam de ser competentes.

84

Ivan Lins

COTAÇÃO

76%

Íntimo Músicas inéditas e regravações que, cá entre nós, são mais do mesmo. O diferencial da versão brasileira de ‘Intimate’, concebido na Europa, é o pulso sereno de quem sabe conduzir sons.

82

Paula Morelenbaum

COTAÇÃO

77%

Bossarenova Poucas cantoras combinam faro e precisão como Morelenbaum. O mundo se rendeu ao seu ‘Bossarenova’, criado em parceria com o arranjador Ralf Schmid e a alemã SWR Big Band.

81

Santa Maria da Feira

COTAÇÃO

Santa Maria da Feira Não há chatice maior que esperar uma banda crescer e chegar num som, digamos, maduro. Essa estreia não pede sucessões. Talvez uma dose de conformismo esteja acoplada.

22

78%


50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

83 Renato Godá

COTAÇÃO

77%

Canções Para Embalar Marujos Nem jazz nem folk, apenas uma associação sutil. Esse disco é ligeiro e mostra que nem o próprio cantor sabe quem são seus marujos. Definitivamente, isso não é o que importa.

23


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8

80

Mombojó

COTAÇÃO

78%

Amigo do Tempo A evolução é inegável. Firmeza nas composições, sons palpáveis e um tratamento ainda mais alternativo. Mas falta algo no tão esperado terceiro álbum da banda. Tempo não é.

79

Vânia Bastos

COTAÇÃO

78%

Na Boca do Lobo Poder vocal muito bem condensado num álbum de repertório adequado e opulento. A trilha perfeita para clarear recordações, decorar coisas belas. Edu Lobo, sem dúvida, está orgulhoso.

78

Emicida

COTAÇÃO

78%

Emicídio Ele não é um dos. Ele é o melhor rapper brasileiro “nascido” nos últimos anos. Aclamado até por quem não gosta do gênero, Emicida entrega uma coleção robusta e extremamente crítica.

77

Mateus Aleluia

COTAÇÃO

79%

Cinco Sentidos Um ritual belíssimo. E o ouvinte não fica de fora. Numa tempestade genialmente arquitetada, Aleluia desperta onze emoções diferentes; uma para cada faixa desse impressionante álbum.

24


50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

76 Tatiana Parra

COTAÇÃO

79%

Inteira Ela fez muita gente esperar, mas a espera valeu. Embora simples, seu disco de estreia destaca minúcia e muito apreço pela música. As interpretações são adequadas e íntegras.

25


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

75

Ana Clara Horta

COTAÇÃO

79%

Órbita Ouvindo por cima, são muitas as semelhanças com outras cantoras do mesmo estágio. Procurando bem, nos deparamos com peculiaridades nesse trabalho de estreia, totalmente autoral.

74

COTAÇÃO

Angra

79%

Aqua Já consagrada, a banda apresenta um disco em que o power metal está ainda mais evidente. As novas melodias, sempre intercaladas com instrumentos furiosos, fogem do superficial.

73

Os Cariocas

COTAÇÃO

79%

Nossa Alma Canta Será que seu avô vai gostar? O grupo volta com um repertório que espanta desavisados. As composições se encaixam perfeitamente no altíssimo padrão do conjunto vocal.

72

Emílio Santiago

COTAÇÃO

80%

Só Danço Samba Categoria. Contando 40 anos de carreira, Emílio garimpa músicas do repertório de Ed Lincoln. Uma viagem ao tempo com estilo inconfundível e qualidades de quem é nobre.

26


50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

71 Tribo de Gonzaga

COTAÇÃO

80%

De Mudar o Coração de Cada Um Típico álbum que você compra pelo título e não se arrepende. O forró ultra incrementado serve até para explorar cangotes. Mas, pensando bem, não é esse o sentido da coisa.

27


100 99 98 97 96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86 85 84 83 82 81 80 79 78 77 76 75 74 73 72 71 70 69 68 67 66 65 64 63 62 61 60 59 58 57 56 55 54 53 52 51

8

70

Sérgio Britto

COTAÇÃO

80%

SP55 Ele é músico dos Titãs. Calma, esse é um solo válido. O disco, de uma hora, foi bem pensado e está redondinho. Ótimos convites, conceitos audaciosos, sons inesperados. Muito bom!

69

Ortinho

COTAÇÃO

80%

Herói Trancado Credite às boas companhias o fato de Ortinho regular o manguebeat da maneira correta nesse disco. E o rock ganha o espaço merecido. Restam poucas brechas... O caminho é esse.

68

Seu Jorge and Almaz

COTAÇÃO

80%

Seu Jorge and Almaz Naquela história de separar o joio do trigo, muitos fãs de Seu Jorge torceram o nariz para esse disco. Ainda bem. O resultado é maduro, distante do pop, e o disco não insiste em agradar.

67

Luiz Gabriel Lopes

COTAÇÃO

80%

Passando Portas Tá sem fazer nada? Vai gravar um disco, ora. Parece que a música surgiu para esse cantor por um conselho drástico. Se foi, funcionou. Se não, deixa pra lá... O disco é curioso de todo jeito.

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50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01

66 Mu Chebabi

COTAÇÃO

81%

Uma Coisa é Uma Coisa Outra Coisa é Outra Coisa Um trabalho inquieto, complexo e (vide a capa do disco) heterogêneo. Perpassando referências, Mu adiciona inúmeros elementos a cada música com esperteza de poucos artistas.

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8

64

Delia Fischer

COTAÇÃO

81%

Presente Ela é como aquela parente bonita que acabam de lhe apresentar. Você nunca ouviu falar, mas se apaixonou em poucos minutos. É tia? Prima de quinto grau? Não, é uma ótima cantora.

63

Felixbravo

COTAÇÃO

81%

Camafeu Um ensaio para o que poderíamos chamar de bossa contemporânea. As pitadas regionais deixam o álbum um tanto sobrecarregado, mas não anulam sua despretensão.

62

Labirinto

COTAÇÃO

81%

Anatema Esse pode ser o melhor disco do gênero ambient já criado no Brasil. Só o tempo confirmará, visto que a banda é uma autoridade nova. Detalhe: a arte visual é muito rebuscada e belíssima.

61

Mauro Aguiar

COTAÇÃO

81%

Transeunte Com uma produção um pouco mais caprichada, esse álbum estaria entre as surpresas do ano. Apesar disso, Mauro entrega um fragmento valente de seu talento. Quase rico.

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65 Cohen e Marcela

COTAÇÃO

81%

MiM: Um Disco Romântico Esse duo quer fazer música sensível, dosar romantismo na medida certa, ter a simplicidade como ponto forte, apaixonar de cara. Quer e consegue. Um pequeno disco encantador.

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8

60

Pata de Elefante

COTAÇÃO

81%

Na Cidade Alguns detalhes poderiam receber um pouco mais de atenção. A verdade é que, de tão boa que é, essa banda está sendo cada vez mais cobrada. De qualquer forma, é instrumental top.

58

João Donato Trio

COTAÇÃO

81%

Sambolero Liderados pelo pesado nome, Robertinho Silva e Luiz Alves se saem muito bem ao experimentar novamente alguns clássicos da nossa bossa. Arranjos enxutos e impecáveis.

57

Marcos Valle

COTAÇÃO

81%

Estática Ele convidou amigos como Marcelo Camelo e, meio que às escondidas, deu vida a um disco que resume bem sua produção nos últimos anos. Mais ouvido lá fora do que aqui no Brasil.

56

Sá, Rodrix & Guarabyra

COTAÇÃO

81%

Amanhã Era uma vez um trio musical. Zé Rodrix morreu, mas deixou esse disco inédito gravado. O fato torna ‘Amanhã’ ainda mais emocionante. O som alegre agora também é nostálgico.

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59 Arícia Mess

COTAÇÃO

81%

Onde Mora o Segredo Nu jazz? Funk? Groove? Não é tão fácil definir o gênero desse som. Fica a impressão de que o futuro reserva um posto generoso para Arícia Mess. Ou seja, o que é bom será ainda melhor.

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8

55

Luiz Tatit

COTAÇÃO

82%

Sem Destino Há primor no disco solo do homem por trás do grupo Rumo. A voz incomum nos conta, cantando lindamente, histórias fantasiosas que nem aquelas dos nossos avós.

54

Jabu Morales

COTAÇÃO

82%

Jabu A poção de cultura em que esse disco foi banhado é extremamente densa. Jabu está cercada de mistérios, não é nem um pouco clara. Resultado: música instigante e fora do comum.

53

The Ipanemas

COTAÇÃO

82%

Que Beleza Esse é para gringo ouvir. Os que ouviram, adoraram. Uma mescla cativa de ritmos afro e muita brasilidade estão no trabalho tarimbado dessa turma (que inclui Wilson das Neves).

51

Yamandú Costa e Valter Silva

COTAÇÃO

82%

Yamandú Valter Seria um pecado essa parceria não ser apreciada pelos amantes do violão de sete cordas. Um é 40 anos mais velho que o outro, mas a diferença na habilidade é mínima. Dois mestres.

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52 Wilson das Neves

COTAÇÃO

82%

Pra Gente Fazer Mais Um Samba Mesmo com seu romantismo veemente, esse é um disco para se ouvir com sorriso no rosto. Wilson, o baterista, nunca conseguiu ir tão longe como agora. Reconhecimento merecido.

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50

Monique Kessous

COTAÇÃO

82%

Monique Kessous A ótima formação musical permite que essa cantora aproveite ao máximo sua bela voz. Kessous percorre caminhos mornos da música brasileira com bastante aptidão.

49

Gisele De Santi

COTAÇÃO

82%

Gisele De Santi Ela diz que é só uma menininha, mas acaba mostrando um lado sazonado. O disco nos entrega uma cantora de bom gosto para selecionar, ou criar, seu repertório. Timbre sem asperezas.

48

Juliana R.

COTAÇÃO

82%

Juliana R. Um disco que poderia ser considerado folk, não tivesse sua dona sangue brasileiro. A cantora começa bem sua jornada na música alternativa, misturando idiomas e melodias macias.

46

Paulo Cesar Pinheiro

COTAÇÃO

82%

Capoeira de Besouro Esse álbum não se limita a uma homenagem ao maior capoeirista de todos os tempos. A poesia de um grande compositor é o ingrediente de destaque. Simples e marcante.

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47 Cérebro Eletrônico

COTAÇÃO

82%

Deus e o Diabo no Liquidificador Tatá Aeroplano e sua banda não surpreenderam, mas também não deixaram de fazer a lição de casa. A psicodelia está mais suave nesse disco, embora muitas cores ainda sejam ouvidas.

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8

45

COTAÇÃO

Lulina

82%

Meus Dias 13 Ame ou odeie o quebra-cabeça bizarro de Lulina. O disco que serviu de presente de final de ano para os fãs (que, acredite, não são poucos) é simpático e curioso. No mínimo.

43

Fino Coletivo

COTAÇÃO

83%

Copacabana Não tem a pegada doce e romântica do trabalho anterior do grupo. Em compensação, ganhamos sons grudentos com o excepcional reforço nos instrumentos. Ai de quem não ouvir.

42

Sereno da Madrugada

COTAÇÃO

83%

Modificado Para flertar despretensiosamente numa calçada de bairro onde se usa sandálias velhas. Essa turma sabe alterar o que já é bom para deixar ainda melhor. Clichê? Melhor dizer nostálgico.

41

Satanique Samba Trio

COTAÇÃO

Bad Trip Simulator #2 Informação em demasia. Mas não se engane: aqui isso é muito bom. O samba instrumental do grupo dá surra em folk boboca. Música de vanguarda com molho complexo e delicioso.

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83%


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44 Túlio Borges

COTAÇÃO

83%

Eu Venho Vagando No Ar Delicadeza também combina com rebeldia. Um trabalho redondo, muito bem pensado. Se fosse há alguns anos, seria tomado como base da MPB de hoje. Bem vindo, futuro.

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8

40

Moska

COTAÇÃO

83%

Muito Ele deve ter aprendido que é melhor sobrar do que faltar. Arranjos recheados e alma farta fazem desse disco um bom exemplo da poderosa vertente pop do cantor.

39

Nina Becker

COTAÇÃO

83%

Vermelho A parte incendiária do trabalho que Nina apresentou em 2010 se destaca já nas primeiras audições. Toques mais criativos de um delicioso electroacoustic. Guardar como segredo.

37

M. Takara 3

COTAÇÃO

83%

Sobre Todas e Qualquer Coisa Há quem se espante ao saber que isso é free jazz brasileiro. O ambiente eletrônico desse álbum pode matar do coração um inocente. Nível tão alto que dá orgulho.

36

Gilberto Gil

COTAÇÃO

83%

Fé Na Festa O anfitrião do ano. No evento de Gil, as novidades são bem dosadas e podem até passar despercebidas para quem se ativer ao forró vivaz. Coisa de mestre que usa bem os seus aprendizes.

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38 Lurdez da Luz

COTAÇÃO

83%

Lurdez da Luz A garota bonitinha do rap nacional agora é protagonista. Esse debut é brutal, ácido e, para alegria geral da nação do ziriguidum, extremamente atraente. Aperitivo orgástico.

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8

35

Marku Ribas

COTAÇÃO

83%

4 Loas Com o vozeirão revigorado, o pequeno gigante do samba rock apresenta criações milimétricas e uma mistura impagável de elementos dos mais variados gêneros. Vai além do gingado.

34

Luísa Maita

COTAÇÃO

84%

Lero-Lero As referências dão um ar de conservadorismo, mas, fuçando bem, é possível achar ousadia nas canções dessa cantora, que inventa em cima do mais tradicional da nossa música.

33

Maquinado

COTAÇÃO

84%

Mundialmente Anônimo Os aparelhos estão cada vez mais maleáveis e esse manguebeat já pode soar culto. Faixas inteligentes formam um álbum que atrai quem antes torcia o nariz. Trilha para o fim do mundo.

32

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

COTAÇÃO

84%

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz Um grupo de bons músicos está sob o comando de um renomado maestro. Não poderia dar em outra coisa. Disco inteligente e refinado do início ao fim. Para ouvir o grito de um povo.

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31 Chico Pinheiro

COTAÇÃO

84%

Flor de Fogo Chico está ganhando o mundo com um trabalho ideal para escancarar seu talento. A intimidade com as cordas faz dele um dos destaques da música brasileira contemporânea.

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30

Eumir Deodato

COTAÇÃO

84%

The Crossing Deodato dá uma nova aula. Há muito tempo ele aparece na lista de referências de centenas de artistas. Agora, reaparece nas listas gringas de melhores do ano no mundo do jazz.

29

Naná Vasconcelos

COTAÇÃO

84%

Sinfonia & Batuques O percussionista brasileiro - que, merecidamente, é elogiado nos quatro cantos do mundo está de volta com conceitos intrínsecos e outras coisas que só ele sabe esconder na música.

28

Paula Morelenbaum & João Donato

COTAÇÃO

84%

Água O que acontece quando um mestre é saudado com desvelo por uma cantora formidável? A parceria mais importante do ano rendeu um álbum exageradamente prazeroso.

26

Áurea Martins

COTAÇÃO

85%

De Ponta Cabeça Pouca gente conhece sua voz aconchegante, seu rico repertório, seu perfil maestral. Essa dama está proibida de cantar para os corações vazios. E não adianta insistir, ok?

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27 Bárbara Eugênia

COTAÇÃO

85%

Journal de BAD Provem o café desta garota, que surpreende com músicas maduras e um estilo forte, concentrado. Ela tem o aval de Tom Zé. Precisa dizer mais alguma coisa? Não, precisa ouvir.

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8

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Inverness

COTAÇÃO

85%

Somewhere I Can Hear My Heart Beating Os que já foram apresentados ao shoegaze, uma espécie de subgênero do dream pop, vão se deliciar com as viagens criativas e incrementadas com muita psicodelia.

24

Trio Esperança

COTAÇÃO

85%

De Bach a Jobim Juntaram interpretações de clássicos inquestionáveis e embalaram com capricho. O carinhoso presente é para os nossos ouvidos. Excelência vocal que emociona, arrepia a cada curva de tom.

22

Milton Nascimento

COTAÇÃO

85%

...E a Gente Sonhando Qualquer deslize na escolha de repertório é perdoável quando se tem a voz deste gigante. O disco é bonito e válido, além de servir como prova de fertilidade. E a nova geração, como vai?

21

Geraldo e os Amigos do Rumo

COTAÇÃO

86%

Sopa de Concha Ninguém pode dizer que sente saudade dos antigos carnavais. Esse disco matou sem dó nem piedade. Uma parceria colossal entre amigos que encheu 2010 de marchinhas nostálgicas.

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23 Guizado

COTAÇÃO

85%

Calavera Se você tem ímã para experimentalismo, ande com esse disco no player. O músico consegue evoluir rapidamente (com ótimas companhias) o seu emaranhado de downtempo.

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8

20

A Banda de Joseph Tourton

COTAÇÃO

A Banda de Joseph Tourton Melhor disco instrumental do ano. O quarteto de Recife consegue aliar melodias suaves com sacadas eletrônicas pesadas. E o resultado é... Post-rock de primeira linha.

48

86%


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19

Stop Play Moon

COTAÇÃO

86%

Stop Play Moon O mundo fashion ganhou espaço na música brasileira. O encontro de bons nomes faz nascer uma banda antenada no que há de melhor na música eletrônica. Álbum essencial!

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18

Garotas Suecas

COTAÇÃO

86%

Escaldante Banda O nível de grude desta mistura sonora é altíssimo. Psicodelia sem bases claras que acaba surpreendendo quem está acostumado à mesmice de algumas guitarras brasileiras.

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17

André Abujamra

COTAÇÃO

87%

Mafaro Uma aula de como se tornar mestre. Ideias bem rascunhadas compõem um trabalho minucioso e caprichado. Com ‘Mafaro’, Abujamra agora é um exemplo a ser seguido.

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16

Rhaissa Bittar

COTAÇÃO

87%

Voilà De longe, o álbum mais divertido do ano. Letras bem humoradas, música singela e uma voz quase infantil. Bittar carimba personalidade, irreverência e, principalmente, talento.

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15

Holger

COTAÇÃO

87%

Sunga As comparações com o Vampire Weekend podem ser deixadas de lado. O som facilmente traduzível desta banda elevou o rock nacional a um interessante patamar criativo em 2010.

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8

14

Cibelle

COTAÇÃO

88%

Las Venus Resort Palace Hotel Num disco feito para o mundo ouvir, a cantora assume o papel da Sonja Khalecallon e nos conduz por trilhas exóticas ao extremo. A Cibelle conceitual não decepciona os fãs brasileiros.

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Andréia Dias

COTAÇÃO

88%

Vol. 2 Rock criativo com boas doses de melancolia. Depois de uma entrada marcante com seu ‘Vol.1’, a cantora apresenta um prato cheio para os ouvidos exigentes. Bom apetite!

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Thiago Pethit

COTAÇÃO

88%

Berlim, Texas Tirando alguns detalhes performáticos, ele é uma grata surpresa. Tênue, urbano, muito bom para ouvir em dias de chuva. O que estava na gaveta de Pethit é delicado e profundo em tempos paralelos. Seu primeiro disco é um sucesso: superou as expectativas e pendurou um talento molhado. Vamos esperar enxugar?

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11

Fernando Salem

COTAÇÃO

89%

Rugas Na Pele Do Samba Caetano Veloso e Arnaldo Antunes são apenas detalhes de duas das treze faixas desse disco. As participações especiais até poderiam alavancar a distribuição, mas servem mesmo é para dar uma forcinha ao próprio ego de Fernando Salem. Pequeno na repercussão, mas incrivelmente gigante na originalidade. 57


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8

10

Apanhador Só

COTAÇÃO

Apanhador Só O que diferencia o Apanhador Só das demais bandas de indie rock do Brasil é o alerta, o cuidado excepcional. Cuidado para não cair no buraco da mesmice pós Los Hermanos, para não se perder nas abordagens fáceis. Para não deixar de lado aquele acabamento que, no final das contas, rende elogios.

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90%


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9

Roberta Sá e Trio Madeira Brasil

COTAÇÃO

90%

Quando O Canto É Reza Que história é essa de fazer uma homenagem e o homenageado não gostar? Sinceramente, o problema é dele. As ótimas canções de Roque Ferreira são tratadas com deferência na medida certa. Ainda sobrou espaço para uma bela cantora aparecer e para um trio de músicos corretos roubar a cena. Ótimo! 59


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8

8

Pato Fu

COTAÇÃO

90%

Música de Brinquedo Mais uma para aquela coleção de coisas que seus filhos precisam consumir. Antes disso, deguste sem medo de se viciar. A brincadeira mais interessante e complicada do Pato Fu serviu para mostrar que o leque de Ulhoa e Takai é, também, divertido. Você nunca mais verá um instrumento de plástico como antes.

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7

Silvia Machete

COTAÇÃO

90%

Extravaganza Curta, mas fina. Machete volta rapidamente de um ensaio para algo grande. E nesse grande trabalho - que chegou sorrateiro - estão ótimas letras, instrumentos inquietos e uma cantora que esbanja talento. O carnaval está fora do lugar, pincelado com tons aflitos, extravagante. E salve-se quem puder... 61


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8

6

Carlinhos Brown

COTAÇÃO

91%

Diminuto Deixe ‘Adobró’ de lado. O outro disco lançado por Brown em 2010 é o melhor de sua carreira. Sensibilidade com um jeitinho meigo, que se encaixa perfeitamente em qualquer bom romance. O baiano mostra o peso não tão denso de sua música, às vezes escondido ou deixado em segundo plano.

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5

Karina Buhr

COTAÇÃO

92%

Eu Menti Pra Você Atrevido é um adjetivo que cai bem nesse disco. À primeira vista, Karina parece uma garotinha boba. À primeira audição, ‘Eu Menti Pra Você’ parece uma ação sem sentido. Karina Buhr é corajosa, audaz, inconfundível. ‘Eu Menti Pra Você’ é completo, inconveniente (no bom sentido), sincero. Que doa. 63


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8

4

Rodrigo Maranhão

COTAÇÃO

93%

Passageiro Junte tudo o que você quer encontrar num cantor brasileiro. Se Rodrigo Maranhão não atender os seus critérios, é porque ele tem seus próprios. Esse álbum passeia com respeito pelo que há de mais interessante no samba, na música regional, na cultura, no amor. Um trabalho irretocável.

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3

Marcelo Jeneci

COTAÇÃO

94%

Feito Pra Acabar Estava na hora de parar de correr pelas beiradas. O primeiro disco de Marcelo Jeneci é corajoso ao mostrar as virtudes pop de um artista esforçado e muito talentoso. Mensagens caprichosamente orquestradas. ‘Feito Pra Acabar’ ainda conta com uma ótima coadjuvante: Laura Lavieri. Esse é só o começo! 65


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8

COTAÇÃO

Tulipa Ruiz

100%

Efêmera Merecidamente, ela é apontada como uma das melhores cantoras da nova geração. E ‘Efêmera’ é um disco perfeito para mostrar o incrível potencial de Tulipa Ruiz. Voz extremamente agradável, capaz de explorar com precisão melodias devaneadoras e grudentas. Com bom humor, arranjos convidativos e um misto de simpatia e sensualidade, Tulipa fica com a medalha de prata em 2010.

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um mentor transcendental Leo Cavalcanti e o melhor disco nacional do ano por EDCKSON FÉLIX

U

m inteligente emaranhado de elementos torna ‘Religar’ diferente de tudo o que estamos habituados a ouvir da música brasileira. Lançado nos últimos dias de 2010, o álbum de estreia de Leo Cavalcanti foi a melhor surpresa do ano. O som do cantor começa a ser definido como pop transcendental. Não se parece nem com os dos demais artistas do fértil cenário paulistano. Ou melhor, os pedaços se parecem com muita coisa, mas, por completo, sua música não se parece com nada. É fácil identificar características de temas indianos, fortes noções eletrônicas, um ar folk, o psychobilly como parente distante... Afinal, o que é isso? Filho do cantor e compositor Péricles Cavalcanti, esse garoto de vinte e poucos anos apresenta um trabalho composto por arranjos rebuscados e poesia sofisticada. Multi-instrumentista, conseguiu alinhar ideias musicais inquietas. Antenado, compôs canções que permitem múltiplas e densas leituras. ‘Religar’ é um disco difícil de ser digerido. Exige atenção e ouvidos abertos ao que a cabeça humana é inábil para explicar ou compreender. A mistura de conteúdos é um tanto bizarra: filosofia oriental, ciências holísticas, embates existenciais, crises sentimentais,


necessidade de transformação. O grande risco de ‘Religar’ era ser um produto confuso, retalhado. Mas, felizmente, o cantor soube dosar bem seus assuntos favoritos e se apresenta como um guia excepcional pelo globo incômodo do disco. Incômodo por ser uma espécie de terapia. Você pode se perguntar: e o que esse cara quer curar em mim? A resposta é simples: Leo Cavalcanti quer entrar naqueles problemas claros de todo ser humano e, no final das contas, tocar nas feridas até então indolores. O conjunto de ‘Religar’ cabe em inúmeros contextos. Quantos artistas já tentaram, sem sucesso, fazer o ouvinte pensar em questões pessoais relevantes? Esse disco tem todas as ferramentas para alcançar tal façanha sem soar chato ou inconveniente. É divertido, instigante. E (cuidado!) vicia. O álbum conta com 14 faixas, todas inteiramente compostas por Leo, com exceção de ‘Chuvarada’, que é uma parceria com Tatá Aeroplano. A voz do líder da banda Cérebro Eletrônico se confunde com a de Leo Cavalcanti. Batidas cruelmente marcadas 70


nos levam ao refrão revoltado: “Você já me tirou do sério. Toda vez que chove, eu espero. Sei que você não gosta do sol”. Mais que um dueto, é um duelo entre confidentes. Pode?

sublime momento de ‘Ouvidos ao Mistério’, que abre o disco: “Os seus conceitos já não servem mais, pois toda a teoria se desfaz. Quem sabe se mudar sua atenção, tirar da mente e pôr no coração”.

Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci (coincidentemente, donos do segundo e do terceiro melhor disco nacional do ano) também estão em ‘Religar’. O timbre charmoso de Tulipa dá manha ao amor desiludido de ‘Sem (Des)esperar’, música com melodias muito bem arquitetadas. O piano da não menos romântica ‘Acaso’ é de Jeneci. “Por um triz, já não sou o mesmo ser. Tudo o que sei é que o acaso é meu rei. Foi você quem mostrou, me fez saber que o amor não se prevê”.

Se ‘A Tal da Paciência’ fosse cantada num idioma desconhecido, seria mais uma música fina e leve. Em manso e bom tom, Leo chuta os que querem devorar o mundo: “É uma ilusão querer pular vivência para ter sucesso sem antes errar”. Já ‘Medo de Olhar Pra Si’ alerta: “Se desvalorizar é o mesmo que se super-amar; ambos querem excluir o resto do mundo”. O trabalho é visto por um ângulo altamente crítico em ‘Soldado’, aberta com a seguinte frase: “Você pensava que era coisa pequena e deu na guerra que deu”. Para que exército você se alistou?

Mas as melhores canções sobre o amor são ‘Vou Ser Você’ (a letra é simples, sutil e brinca com pequenas palavras engenhosamente) e ‘Inalcançável Você’ (uma libertação dos sentimentos que doem). Na primeira, um apaixonado que insiste em se transformar na própria paixão. Na segunda, um sujeito que pergunta: “Mas, se eu te disser que eu quero aprender a me amar e te amar também ao mesmo tempo, você teria tempo?” Uma vinheta de 25 segundos, intitulada ‘Cantos Novos’, precede ‘Religar’. A faixa título tem as mais belas cordas do álbum, num clima que vai contra o ego velho que desenha sonhos, incitando mudança, evolução, contato. Completa o

O mais incrível desse passeio terapêutico é que todas as frases de efeito são muito bem encaixadas, melodicamente falando. Os arranjos caprichados de ‘Dentro’ e ‘Dissabor’ contrastam com letras duras. O mesmo acontece em ‘Frenesi de Otário’, que emenda sentenças como “Baixa a sua bola, pois seu taco não ajuda o mundo a evoluir” e “A gente não quer mais saber do seu tão nato talento pra ter filme queimado” para chegar ao refrão mais animado do disco. Além do próprio Leo Cavalcanti, a produção leva as assinaturas de Décio 7 e Cris Scabello. O ótimo repertório já vinha


sendo testado há um bom tempo em pequenos shows. No palco, Leo Cavalcanti também surpreende. Os figurinos garbosos são pequenos detalhes, pois a impecável desenvoltura ao vivo prende a atenção do público sem grandes esforços. A voz marcante é incrivelmente segura fora do estúdio. Pode parecer um elogio lugar-comum, mas Leo Cavalcanti é um cantor completo. Sobrepõe instrumentos, concebe sua música em camadas, reserva boas referências (de Fernando Pessoa a Frederico Garcia Lorca, passando pelo cinema de Glauber Rocha). Além da técnica de berço, desenvolveu um timbre bonito e diferente. A tirar pelo processo de produção do disco de estreia, o cantor sabe esperar para que seu trabalho ganhe vida própria. É hora de “dar ouvidos ao grande mistério”.

Leo Cavalcanti

COTAÇÃO

100%

1 Religar

72


como consumir Sem preconceitos Toca música brasileira no canto de uma rua movimentada no Japão. As trilhas das melhores produções cinematográficas de Hollywood são bastante elogiadas quando contam com música brasileira. Os outros latinos querem fazer música brasileira, querem ser mais que latinos. Boa porcentagem das exposições de arte contemporânea na Europa optam pela música brasileira como som de fundo. Não está na hora do povo brasileiro voltar a dar valor a essa tal de música brasileira?

Benditas ou malditas? Encare essa lista como um balanço opinativo do que aconteceu na música em 2010. Lembre-se: opinativo. Queremos que você discorde da nossa opinião. Queremos que você experimente, compare e comente. Achou alguma posição injusta? Faltou aquele álbum que para você foi um dos melhores do ano passado? Amadas e odiadas, as listas devem ser vistas como uma seleção que expressa exclusivamente a opinião de alguém, não lhe força a consumir um produto. O que está em jogo é a relevância desta opinião. Que sirva de guia. Ou de pauta para comentários.

Oh, Google! Se sentiu atraído por algum disco citado? Algum artista que você ainda não conhece despertou sua atenção? Google, camarada. Google. Essa pequenina ferramenta lhe ajudará a encontrar tudo o que você quiser saber, ver e ouvir do conteúdo desta edição. MySpace com as principais músicas disponíveis, páginas nas redes sociais, sites oficiais, onde comprar os discos, onde baixar os discos (de forma legal ou não)... Simples assim: www.google.com Bom apetite!

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1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

Leo Cavalcanti - Religar Tulipa Ruiz - Efêmera Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar Rodrigo Maranhão - Passageiro Karina Buhr - Eu Menti Pra Você Carlinhos Brown - Diminuto Silvia Machete - Extravaganza Pato Fu - Música de Brinquedo Roberta Sá e Trio Madeira Brasil - Quando O Canto É Reza Apanhador Só - Apanhador Só

11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º 19º 20º

Fernando Salem - Rugas Na Pele Do Samba Thiago Pethit - Berlim, Texas Andréia Dias - Vol. 2 Cibelle - Las Venus Resort Palace Hotel Holger - Sunga Rhaissa Bittar - Voilà André Abujamra - Mafaro Garotas Suecas - Escaldante Banda Stop Play Moon - Stop Play Moon A Banda de Joseph Tourton - A Banda de Joseph Tourton

21º 22º 23º 24º 25º 26º 27º 28º 29º 30º

Geraldo e os Amigos do Rumo - Sopa de Concha Milton Nascimento - ...E a Gente Sonhando Guizado - Calavera Trio Esperança - De Bach A Jobim Inverness - Somewhere I Can Hear My Heart Beating Áurea Martins - De Ponta Cabeça Bárbara Eugênia - Journal de BAD Paula Morelenbaum & João Donato - Água Naná Vasconcelos - Sinfonia & Batuques Eumir Deodato - The Crossing

31º 32º 33º 34º 35º 36º 37º 38º 39º 40º

Chico Pinheiro - Flor de Fogo Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz Maquinado - Mundialmente Anônimo Luísa Maita - Lero-Lero 71º Tribo de Gonzaga - De Mudar o Coração de Cada Um Marku Ribas - 4 Loas 72º Emílio Santiago - Só Danço Samba Gilberto Gil - Fé Na Festa 73º Os Cariocas - Nossa Alma Canta M.Takara 3 - Sobre Todas e Qualquer Coisa 74º Angra - Aqua Lurdez da Luz - Lurdez da Luz 75º Ana Clara Horta - Órbita Nina Becker - Vermelho 76º Tatiana Parra - Inteira Moska - Muito 77º Mateus Aleluia - Cinco Sentidos 78º Emicida - Emicídio Satanique Samba Trio - Bad Trip Simulator #2 79º Vânia Bastos - Na Boca do Lobo Sereno da Madrugada - Modificado 80º Mombojó - Amigo do Tempo Fino Coletivo - Copacabana Túlio Borges - Eu Venho Vagando No Ar 81º Santa Maria da Feira - Santa Maria da Feira Lulina - Meus Dias 13 82º Paula Morelenbaum - Bossarenova Paulo Cesar Pinheiro - Capoeira de Besouro 83º Renato Godá - Canções Para Embalar Marujos Cérebro Eletrônico - Deus e o Diabo no Liquidificador 84º Ivan Lins - Íntimo Juliana R. - Juliana R. 85º Diego e o Sindicato - Parte de Nós Gisele De Santi - Gisele De Santi 86º Do Amor - Do Amor Monique Kessous - Monique Kessous 87º Clara Moreno - Miss Balanço 88º Mental Abstrato - Pure Essence Yamandú Costa e Valter Silva - Yamandú Valter 89º Vanessa da Mata - Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias Wilson das Neves - Pra Gente Fazer Mais Um Samba 90º Saravah Soul - Cultura Impura The Ipanemas - Que Beleza Jabu Morales - Jabu 91º Watson - Watson Luiz Tatit - Sem Destino 92º Lestics - Aos Abutres Sá, Rodrix & Guarabyra - Amanhã 93º Maria Eugênia - O Samba Me Diz Marcos Valle - Estática 94º Rogê - Fala Geral João Donato Trio - Sambolero 95º Edu Lobo - Tantas Marés Arícia Mess - Onde Mora o Segredo 96º Sem Horas - O Primeiro Passo Para Conquistar o Mundo Pata de Elefante - Na Cidade 97º Pouca Chinfra - Pouca Chinfra 98º Mariano Marovatto - Aquele Amor Nem Me Fale Mauro Aguiar - Transeunte 99º Lucy And The Popsonics - Fred Astaire Labirinto - Anatema 100º Dora Vergueiro - Samba Valente Felixbravo - Camafeu Delia Fischer - Presente Cohen e Marcela - MiM: Um Disco Romântico Mu Chebabi - Uma Coisa é Uma Coisa Outra Coisa é Outra Coisa Luiz Gabriel Lopes - Passando Portas Seu Jorge and Almaz - Seu Jorge and Almaz Ortinho - Herói Trancado Sérgio Britto - SP55

41º 42º 43º 44º 45º 46º 47º 48º 49º 50º 51º 52º 53º 54º 55º 56º 57º 58º 59º 60º 61º 62º 63º 64º 65º 66º 67º 68º 69º 70º

resumo para imprimir


bônus as melhores músicas de 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Sapato Azul - Cibelle Homem! O Animal Que Fala - Mateus Aleluia Efêmera - Tulipa Ruiz Corrente de Água Doce - Lurdez da Luz Ouvidos ao Mistério - Leo Cavalcanti Perdizes - Do Amor Bolsa de Grife - Vanessa da Mata Centro da Saudade - Carlinhos Brown Manjar de Reis - Silvia Machete P. R. Você - Geraldo e os Amigos do Rumo 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

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Pra Sonhar - Marcelo Jeneci Valsa Lisérgica - Rodrigo Maranhão Pelo Interfone - Pato Fu Vira Pó - Karina Buhr Os Porcos Estão No Poder - Andréia Dias Letem Shine Below - Holger Ai De Mim - Fino Coletivo Alento - Luiza Maita Double Face - Eumir Deodato e Al Jarreau Doce Vida - Marku Ribas


21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

A Última (Lado a Lado) - Fernando Salem O Guerreiro Segue - Rogê Brincando de Samba - Clara Moreno História da Menininha - Gisele de Santi Dorme Que Passa - Lestics Dor e Dor - Bárbara Eugênia Maria Augusta - Apanhador Só Copo de Agonia - Sereno da Madrugada Cocada - Roberta Sá e Trio Madeira Brasil Boa Sorte Pra Você - Victor e Leo 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40

Hora Boa - Aricia Mess Nightwalker - Thiago Pethit Vento Bravo - Vânia Bastos Cama - Cérebro Eletrônico A Quantas Anda - Monique Kessous A Festa de Isaac - A Banda de Joseph Tourton Liberte-se - MV Bill Pra Te Alcançar - Sérgio Britto e Marina de La Riva Consolação - Rodrigo Vellozo Fita Amarela - Martinho da Vila e Aline Calixto 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50

Eu Sei - Renato Godá Dandara - Ivan Lins Boneca de Palha - Rhaissa Bittar De Favor - Luiz Tatit Não Se Perca Por Aí - Garotas Suecas Mysterious Way - Stop Play Moon Raras Maneiras - Milton Nascimento Onde Foi Parar - Cohen e Marcela Avua Besouro - Emicida Taboão - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

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As fotos usadas nas páginas desta revista foram retiradas de arquivos pessoais, bancos virtuais livres ou através de reprodução de conteúdo próprio. As exceções estão especificadas.

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