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05. Encontro Antigos Alunos SMPD 12. Padre José DIOMÁRIO Gonçalves 15. MISSÃO dehoniana em Moçambique 20. Direitos Humanos da MÃE 26. Conversas com JORGE BERGOGLIO 34. O que faz uma MÃE feliz? 35. MÚSICA e religião 38. DIA JOVEM em besteiros -

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PUBLICAÇÃO MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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Junho 2013 ANO XXXVII

PUBLICAÇÃO MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

FICHA TÉCNICA Director: Paulo Vieira Administrador: Ricardo Freire Secretária: Margarida Rocha Redacção: Magda Silva, Marco Costa, Romy Ferreira. Correspondentes: Maria do Espírito Santo (Açores), Amândio Rocha (Angola), André Teixeira (Madeira), Joaquim António (Madagáscar), Tiago Esteves (Lisboa). Colaboradores: Adérito Barbosa, Alícia Teixeira, André Teixeira, António Augusto, Fátima Pires, Feliciano Garcês, Fernando Ribeiro, Florentino Franco, Francisco Costa, J. Costa Jorge, João Chaves, José Agostinho Sousa, José Armando Silva, José Eduardo Franco, Juan Noite, Jorge Robalinho, Manuel Barbosa, Manuel Mendes, Natália Carolina, Nélio Gouveia, Olinda Silva, Paulo Cruz, Paulo Rocha, Rosário Lapa, Victor Vieira. Colaboradores nesta Edição: Nelson Marques, Cátia Sofia Rodrigues, Maria, Igor Oliveira, Ana do Vale, Inês Pinto. Fotografia: AFV, Rita Resende, Sofia Rodrigues, Inês Pinto. Capa: Vanessa Nunes com a prima, em Besteiros. Grafismo e Composição: PFV. Impressão: Lusoimpress S. A. - Rua Venceslau Ramos, 28 4430-929 AVINTES * Tel.: 227 877 320 – Fax: 227 877 329 ISSN – 0873-8939 Depósito Legal – 1928/82 Tiragem – 3200 exemplares Redacção e Administração: Centro Dehoniano Av. da Boavista, 2423 Associação de Imprensa de I nspiração Cristã 4100-135 PORTO – PORTUGAL Telefone: 226 174 765 - E-mail: valentes@dehonianos.org Proprietário e Editor: Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) * Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA Telefone: 218 540 900 - Contribuinte: 500 224 218

sumário: da atualidade

03 > alerta! > Em maio 04 > sal da terra > Festas pela esperança 05 > poesia > Memórias de infância 06 > atualidade > XXIV Encontro Antigos Alunos SMPD da família dehoniana

08 > recortes dehonianos > Notícias SCJ 09 > entre nós > Novo bispo dehoniano 10 > com Dehon > Viagens de Dehon em Paris 12 > memórias > Padre Joaé Diomário Gonçalves 15 > comunidades > Missão dehoniana em Moçambique dos conteúdos

18 > vinde e vereis > Vinde a Mim, vós que vos afadigais 19 > onde moras > Entrega radical a Cristo 20 > doses de saber > Para os Direitos Humanos da Mãe 22 > pedras vivas > Pedras Vivas em Real 24 > JMJ no Porto > Embarca neste Porto 25 > palavra de vida > Encontros que salvam 26 > leituras > Conversas com Jorge Bergoglio 28 > sobre a bíblia > Permanecer em Jesus, Pão da Vida 30 > sobre a fé > A unidade e a Eucaristia II 32 > reflexo > Unidos na missão e na oração do mundo

34 > outro ângulo > O que faz uma mãe feliz? 35 > nuances musicais > Música e religião 36 > pessoas > Moedas num saquinho 37 > minha rede > Blogar ou nem por isso...

isenta de registo na ERC ao abrigo do decreto regulamentar 8/99 de 9/6, artigo 12º, nº 1 a

do bem-estar

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da juventude

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38 > escutismo > Caminho feito com dedicação 40 > jd-Açores > O Mistério Pascal 44 > jd-Porto > Dia Jovem em Besteiros 46 > agenda-JD > Calendário de atividades 47 > tempo livre > Passatempos 48 > atenção > Retiro vocacional

ou (transferências internacionais):

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da atualidade

alerta! –

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A partir do Coração “O Coração de Jesus é o sol que nos ilumina através da sua Igreja, esta Igreja que Jesus concebeu na atenção do seu Coração por nós, que ele adquiriu e fundou pelo sangue do seu Coração. O Coração de Jesus aparece no seio da Igreja como o astro que tudo ilumina, tudo anima e tudo vivifica” (Padre Dehon, Obras Espirituais I, 504). “Só o Coração de Jesus pode dar à terra a caridade perdida. Só ele reconquistará o coração das massas, o coração dos operários, o coração da juventude. Esta nova conquista dos corações começou manifestamente com o Sagrado Coração” (Padre Dehon, Obras Sociais I, 5). Se pode parecer óbvio “ver” o Padre Dehon falar do Coração de Jesus nas suas obras de pendor espiritual, já parece não ser tão natural vê-lo fazer o mesmo em obras de caráter social. No entanto, creio que o padre Dehon não pretendeu ser especialista nem no campo teológico, nem na sociologia, quis apenas viver a sua vocação e cumprir a sua missão de pastor. Não podemos esquecer que o Padre Dehon privilegiava a preparação, os estudos e a competência intelectual, mas sempre com o intuito pastoral de evangelizar, de agir, de transformar, estando à altura dos desafios do seu tempo. Ele pode ser para nós hoje a demonstração de que a devoção ao Coração de Jesus, que existe desde os primeiros tempos da Igreja, desde que se meditava no lado e no Coração aberto de Jesus, de onde saiu sangue e água, pode ser a síntese de fé e de vida que nos permite “embarcar” na Nova Evangelização com “uma ideia na cabeça” e um “fogo no coração”. Na audiência geral a seguir ao Pentecostes, o Papa Francisco afirmou que “uma nova evangelização, uma Igreja que evangeliza, deve começar sempre a partir da oração, do pedir, como os Apóstolos no Cenáculo, o fogo do Espírito Santo. Só a relação fiel e intensa com Deus permite sair dos próprios fechamentos e anunciar o Evangelho com arrojo. Sem a oração, o nosso agir torna-se vazio e o nosso anunciar não tem alma e não é animado pelo Espírito”. De facto, acreditamos que a fé envolve e deve envolver a vida toda e nada melhor que celebrar o Coração de Jesus a partir do nosso coração, para que toda a nossa vida seja inundada pelo amor que vem de Deus e, assim, vivamos a nossa vida a partir do interior e a nossa ação pastoral e social seja parte de um todo indiviso. Vivamos intensamente!

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Paulo Vieira

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04– sal da terra da atualidade

As festas populares podem ser geradoras de esperança

Festas pela esperança O ciclo das festas populares é um eficaz “gerador” de expectativas. Quem as prepara, quem as vive e quem as observa, de longe ou de perto, experimenta de forma sempre única a capacidade que têm para reunir comunidades e agregar esforços, criando momentos extraordinários muitas vezes a partir de recursos limitados.

Em tempos de crise, torna-se ainda mais necessário passar pelas vivências que as festas populares proporcionam. De facto, o ano inteiro pode ganhar novos dinamismos por aquilo que em poucos dias se experimenta. Mesmo que seja exagero afirmar que as festas populares são muitas vezes a razão de ser de comunidades e as que oferecem sentido à vida de muitas pessoas, não se pode desvalorizar a capacidade que têm de criarem entusiasmo e esperança. E isso é muito bom! Nas festas populares das grandes cidades, nos oragos das aldeias ou nos patronos de grupos e comunidades, a realização da festa é o ponto central de um ciclo de vida. Não estão em causa apenas atividades comerciais ou lúdicas. A experiência de poucos dias de manifestações de religiosidade resume o essencial da existência de pessoas e comunidades, em torno da preparação, do acontecer e “do que se fala” posteriormente. Claro que tudo se pode reduzir a banalidades, a comentários perfeitamente marginais e superficiais. Mas também é possível preencher de forte significado muitas das manifestações enraizadas no tempo. Trata-se de um desafio, não de uma batalha perdida…

No contexto presente, a festa pode ser geradora de esperança. Diante de horizontes sombrios quando ao futuro e entre muitas dificuldades em sonhar e concretizar projetos de vida, a nível profissional e sobretudo vocacional, as festas populares religiosas emergem como oportunidade de “saltar de nível”, de estar por momentos acima das dificuldades reais de todos os dias encontrando aí uma oportunidade para adquirir criatividade e forças para dar um novo rumo à própria vida. Em causa não está qualquer espécie de ópio, de fuga, capaz de enganar e esconder o realismo dos problemas que afetam muitas pessoas e famílias. Mas o encontro com o que existe de mais genuíno na pessoa humana: a dimensão religiosa, a procura do transcendente e a necessidade de o viver em comunidade, popularmente.

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Paulo Rocha

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da atualidade

cantinho poético –

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M e m ó r ina sc i a

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Memórias de infância são presentes neste dia, eram vida de criança e dos jogos que vivia... Jogávamos à “meta” com sameiras todas tortas... As bolas, sempre a jeito, iam às couves, dávamos cabo das hortas! Com o pião era mais sério, volta e meia dava dois, com sameiras a rolar! Os berlindes a correr, andavam de cova em cova, iam de bolso em bolso... Ao Rapa, quem tirava ou deixava, já não punha... Com troços de couve, vinha o hóquei, com bolas de plástico! Tínhamos jogos desiguais...

No futebol, eram dois contra cinco, ou oito contra dois, lá no sítio da “Americana”... Numa luta permanente, levávamos tudo à frente! Tínhamos as “pedrinhas”, que esfarrapávamos todas as unhas... Também o “Ferrinho”, de arame feito à ferreiro! ou um prego... mas que grande prego! Eram jogos... de sol a sol... que às vezes só terminavam, com a chegada da camionete do Pai... E aí! Estava o caldo entornado! Cópias e contas por fazer! Não tinha ninguém a quem socorrer... Era castigo na certa...

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Jorge Robalinho

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06– atualidade da atualidade

Seminário Missionário Padre Dehon

XXIV Encontro de Antigos Alunos

Realizou-se no passado dia 28 de Abril, no Seminário Missionário Padre Dehon, o Encontro dos Antigos Alunos do Seminário.

Logo pela manhã começaram a chegar ao Seminário Missionário Padre Dehon, na Portelinha, Rio Tinto, os antigos alunos e superiores que frequentaram este seminário. Uns jovens, outros menos jovens, uns já com filhos e outros até com netos... Vinham todos com uma enorme vontade de recordar e reviver os tempos passados nesta casa. O dia teve início com a celebração da partilha do pão eucarístico, de forma a reunir a todos em volta da mesma mesa, a mesa que outrora alimentou a fé de cada um de nós. Ainda antes do almoço partilhado e da famosa feijoada do nosso colega Armindo e sua esposa, houve lugar para a foto de grupo no exterior do seminário.

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Da parte da tarde, no anfiteatro, teve lugar a habitual reunião da Associação de Antigos Alunos do Seminário Missionário Padre Dehon, onde foram debatidos alguns assuntos de interesse da associação: – Apresentação do relatório de contas relativamente ao ano de 2012; – Aprovação do plano de atividades para ano de 2013; – Outros assuntos de interesse dos antigos alunos;

bitual jogo de futebol e da malha. Finalizou-se o Encontro com a despedida de todos os presentes, prometendo regressar no próximo ano para celebrar os 25 anos, que se irá realizar a 27 de Abril 2014. Assim, termino vos pedindo que marquem nas vossas agendas este dia, queremos que seja uma grande festa!

No final tivemos uma surpresa, a apresentação do logótipo da Associação de Antigos Alunos do Seminário Missionário Padre Dehon. Será este o símbolo que nos irá representar, todos os antigos alunos na comunidade Dehoniana e nas iniciativas a realizar. Logo a seguir, de forma a continuar a aumentar os laços de amizade entre todos os presentes, realizou-se o esperado e ha-

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Nelson Marques

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08– recortes dehonianos da família dehoniana

Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

PRIMEIRA CASA NO VIETNAME A 27 de abril foi inaugurada a primeira casa propriedade da Congregação no Vietname, o que constitui um grande passo em frente para o crescimento da presença dos Dehonianos naquele país. Esta casa destina-se a comunidade de formação. A Congregação conta com 13 membros no Vietname, dos quais 7 sacerdotes. Há ainda um bom grupo de candidatos.

ENCONTROS DE ANTIGOS ALUNOS Realizou-se no passado dia 28 de Abril, no Seminário Missionário Padre Dehon, o Encontro dos Antigos Alunos. Como é habitual, é um dia de encontro e convívio de celebração da Eucaristia e de um boa partilha à volta da tradicional feijoada. De realçar a sua recente organização em Associação dos Antigos Alunos. Também no Colégio Missionário, no Funchal, houve um encontro do mesmo género a 26 de maio. Nesse mesmo dia, estiveram reunidos em Alfragide os ex-religiosos, que agora se denominam SCJsempre.

MAIO EM ORAÇÃO E CONVÍVIO Maio é um mês propício a alguns momentos de convívio e passeio nas várias comunidades dehonianas. Os seus membros procuraram encontrar tempos para espairecer das habituais ocupações e estreitar laços fraternos e amigos. Procuram também um maior enriquecimento cultural através de visitas a museus e outros espaços de alto valor histórico. Sendo mês de Maria, intensifica-se nas comunidades religiosas e cristãs a oração mariana nas suas diversas expressões. Uma das casas, que é o Seminário Maior dos Dehonianos em Portugal, tem mesmo o nome de Seminário Nossa Senhora de Fátima. Notícias, acompanhadas de fotos, destes variados acontecimentos podem ser revisitadas em www.dehonianos.org. E depois de maio, vem junho, o mês do Coração de Jesus, tão caro à espiritualidade dehoniana. Sempre na vivência eclesial do Ano da Fé!

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Manuel Barbosa

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da família dehoniana

entre nós –

Para a diocese de Kokstad, na África do Sul

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Novo bispo dehoniano O nosso confrade P.e Zolile Petros Mpambani foi nomeado para Bispo da diocese de Kokstad na África do Sul. O novo bispo, de 56 anos era atualmente o Superior Provincial da nossa Província da África do Sul. Anteriormente assumiu diversos encargos na Província e na Igreja local, foi também Conselheiro Geral entre 1998 e 2003, como se pode ver no texto da nomeação que se segue. Ao novo Bispo apresento, em nome de toda a Congregação, os melhores votos para o seu novo serviço na Igreja. Acompanhamo-lo com a nossa amizade e a nossa oração, implorando a força do Espírito do Senhor, no cuidado pastoral da diocese de Kokstad. Que a experiência de vida na Congregação inspire o ministério de D. Zolile, para que seja verdadeiramente um pastor segundo o Coração de Deus P.e José Ornelas Carvalho Superior Geral

Nomeação do Bispo de Kokstad (África do Sul) Texto da sala de imprensa da Santa Sé, com o anúncio da nomeação de D. Zolile O Santo Padre Francisco nomeou o Rev.do P.e Zolile Mpambani SCJ Bispo da diocese de Kokstad (África do Sul) Rev.do P.e Zolile Peter Mpambani, SCJ O Rev.do P.e Zolile Peter Mpambani SCJ nasceu a 20 de Fevereiro1957, a Umlamli na diocese de Aliwal.

Emitiu a profissão religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) a 28 de Janeiro de 1982. Estudou Filosofia e Teologia no Seminário Maior de São José, em Cedara. Foi ordenado sacerdote a 25 de Abril de 1987. Depois da ordenação desempenhou os seguintes cargos: 1987-1990: Vigário Paroquial na Paróquia de Sterkspruit; 1990-1993: Pároco a Burgerdorp; 1994-1997: Mestre do Pré-Noviciado da Província SCJ; 1998-2003: Conselheiro Geral para África e Madagáscar do Governo Geral do seu Instituto, em Roma; 2004-2005: Ano Sabático; 2005-2010: Mestre do Pré-Noviciado, Superior local da Comunidade de Bethulie e Director da Dehonian House, em Scottsville (Pitermartizburg); 2011-2013; Ministério (com o Vigário Geral) na Paróquia de Sterkspruit de Aliwal. Desde Fevereiro de 2013 é Superior Provincial na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) de África do Sul. Dados sobre a Diocese de Kokstad – África do Sul Superfície: 17.655 Km2 População: 1.809.000

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Católicos: 85.400 Paróquias: 16

Sacerdotes: 8 Religiosos: 16

Religiosas: 44 Escolas: 15

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10– com Dehon

da família dehoniana

VIAGENS E PEREGRINAÇÕES DE LEÃO DEHON

Estudante em Paris (1859-1864)

(Continuação)

Como complemento da sua educação, Dehon procurou aulas de piano e pintura. No Círculo Católico conheceu o Padre Poisson, um padre de Chartres, liberal, rico e galicano e, através dele, travou conhecimento com Leão Palustre, um jovem estudante de arqueologia, que o introduziu no mundo das artes plásticas, em particular, da pintura e de arquitetura. Esta entrada no mundo da arte e da literatura alargaram os horizontes de Dehon e marcaram uma abertura de espírito que Dehon conservará por toda a vida. Entre os dois estudantes estabeleceu-se uma amizade profunda com base num ideal compartilhado de consagração a Deus e os mesmos interesses pela arqueologia e pelas viagens. Neste período, Dehon realizou quatro viagens que tiveram um grande influxo na sua formação e na sua vida.

Notre Dame em Trèves, na Alemanha

3. Viagem ao Centro e Norte da Europa (agosto 1863) No verão de 1863, a 12 de agosto, o jovem Dehon empreendeu, com Leão Palustre, uma nova viagem à Europa Central e do Norte: Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça (Saxónia) e Áustria e que duraria três meses, Partiram de Estrasburgo, a 2 de agosto em direção à Alemanha. A primeira paragem foi na Igreja de Notre Dame em Trèves, na esperança de venerar o Santo Sudário de que ele «tinha ouvido na infância de peregrinos piedosos que tinham vindo para assistir sua exposição periódica». Não foi possível realizar esse desejo. Continuando a viagem desceram o Vale do Mosela para Koblenz, subiram o Rio Reno até Colónia, e depois até à cidade universitária de Bona. O que mais impressionou Dehon foi a fé do povo de Colónia e das aldeias ao longo do Rio Reno, mas ficou profundamente dececio-

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nado com a vida frívola e imoral das pessoas que passavam o dia todo a jogar jogos de azar e roleta nas cidades de Ems, Wiesbaden e Amburgo. Estes diversos modos de viver dos diferentes povos, abriram-lhe os horizontes e influenciaramno nas suas avaliações ao longo de toda a vida. Depois, visitaram Frankfurt, Berlim e Potsdam. Em Frankfurt, teve pela primeira vez contato com a escola de pintura do professor Friedrich Owerbeck, admirando a cor e profundidade dos estudos de arqueologia e história. Chegados a Berlim, os dois viajantes foram visitar a costa do Mar Báltico e o Mar do Norte: «Há poucos alimento para a alma ... o protestantismo predomina ao longo da costa», conclui. Por Lubeck passaram à Dinamarca. Em poucos dias, visitaram eles foram Copenhaga, Roskilde e Sund. As lembranças são poucas. A arte não é tão importante e a natureza não leva à fé:«Que São Canuto, o Grande, obtenha a graça de fazer voltar a Dinamarca à verdadeira fé». Então, sem terem previsto de início, decidiram ir à Noruega e à Suécia. Era a primeira vez que visitavam os povos do Norte. Começaram pela Ghotia ocidental (Suécia) e, em seguida, toda a Escandinávia: Uddevalla, Mossa, Christiania (Oslo), Laeso, Trondheim, o Círculo Polar Ártico, a Floresta Virgem. Leão Dehon considerou esta viagem muito original e «proveitosa tanto como exercício físico, como reconforto moral». Tudo era novo, tudo desconhecido e foi necessária muita criatividade e espírito de aventura para atravessar esses ambientes

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hostis e frios. Mas a natureza era maravilhosa. As montanhas, os vales e os fiordes, eram verdadeiros hinos ao Criador e alimentavam a alma. A Suécia, apesar de sua riqueza natural e industrial, deixou-lhe uma lembrança triste por causa das condições de vida e trabalho dos mineiros e o abuso de álcool. Em Estocolmo Leão Dehon recebeu cartas de pais preocupados com a sua «paixão pelas viagens» e com o seu estado de saúde. De facto, haviam autorizado a viagem à Alemanha e não sabiam nada sobre a viagem para a Noruega e Suécia. De regresso à Alemanha visitaram Dresden «um dos centros de arte da Europa... e uma das maravilhas da natureza na Europa», visitaram Praga, na Boémia «uma cidade privilegiada onde não falta o sentimento religioso», e o Panteão de Ratisbona, na Baviera, predominantemente católica e centro artístico. A 24 de outubro, chegaram ao Mónaco, cidade de cultura, das artes plásticas, monumentos, igrejas, museus, bibliotecas, história da fé e da civilização. A 28 de outubro, chegaram a Viena (Áustria), cidade moderna e cheia de sinais de fé. É aí que se encontraram com Henrique, irmão de Dehon, que queria estudar a indústria de cerveja na Baviera e na Áustria. Juntos visitaram a exposição do Belvedere, o maior museu em Viena, e ficaram maravilhados com o contraste entre a arte cristã e a do novo mundo emergente do século XVIII (renascimento/romantismo) «que não conhecia senão a arte frívola, feminina e sensual».

È o quinto e último ano da faculdade (1863-1864). Durante o ano, Leão Dehon visitou com particular interesse nos arredores de Paris, nomeadamente a Abadia de Saint Denis, sinal da grandeza da nação francesa. Enquanto isso, escrevia a sua tese. Sente umna espécie de saciedade e tem pressa em terminar: «Não sentia gosto pelo Direito... os meus gostos estavam em outro lugar». A 02 de abril de 1864 defendeu-a. Era doutor em Direito. Entretanto, a 30 de Maio de 1864, o seu irmão Henrique casava com Laura Longuet e acompanhou-os na viagem de núpcias a Lyon, Genebra, Mont Blanc e Lucerna.

4 . Viagem (de prémio) à Bélgica e Holanda (abril 1864) Júlio Dehon estava orgulhoso do resultado escolar do seu filho. A sua alegria era tão grande que lhe permitiu fazer uma viagem à Bélgica e Holanda com seu amigo Leão Palustre durante o mês de abril de 1864. Tanto na Bélgica como na Holanda visitara, com interesse, as cidades históricas de Bruxelas, de Antuérpia e Bruges, Haia, Amsterdão e Zeist. Visitaram os seus famosos museus, conheceram as grandes escolas da pintura flamenga e holandesa. No entanto, neste momento o real interesse de Leão Dehon não era para viajar, mas paela sua vocação: «Foi uma etapa importante da minha vida. Havia prometido a meu pai de chegar até aqui. Agora esperava a sua permissão para seguir a minha vocação». Em síntese: estas viagens feitas por Dehon jovem e em formação tiveram um influxo direto e duradouro na sua maneira de ser e de pensar por toda a vida. Na diversidade de povos, culturas, costumes e geografias aprendeu a superar uma certa «superiorite» francesa típica do seculo XVIII; no contacto com formas diversas de viver e praticar o cristianismo experimentou o que é ser «peregrino da fé» numa coerencia cada vez maior com Juntos visitaram a exposição do Belvedere, o maior museu em Viena. a proposta evengelica; na descoberta das belezas naturais e e das maravilhas que o engenho humano produzia, viu a «soEm Frossdorf são recebidos pelo conde de lidão» do homem moderno que abraçava Chambord, pretendente ao trono da França, que uma existência sem Deus e aos poucos vivia no exílio. O tema da conversa foram as viatreinava-se para discernir e fortalecer os gens: o príncipe falou de sua viagem ao Oriente e sinais de vocação que o inquietava desde eles d do seu périplo à Europa Central, Noruega e a sua adolescência. Suécia. Depois, fizeram ainda uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora do Socorro (Mariahilf ) (Continua) em Passau. Os dois amigos separam-se em Metz e a viagem de regresso é feita rapidamente. A 11 de Dehon reentra em Paris para um novo ano académico.

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Francisco Costa

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12– memórias

da família dehoniana

Homem corajoso que transmitia alegria e paz.

Padre Irmão José Diomário Gonçalves O Padre José Diomário nascera na Madeira, freguesia do Campanário, a 22 de agosto de 1932. Entrou no Colégio Missionário do Funchal em 1947, fazendo parte do primeiro grupo de alunos desse seminário. O seu sonho, já então, era partir um dia para as Missões. Dificuldades nos estudos levaram-no a optar pela vida consagrada como Irmão Auxiliar ou Cooperador, essa outra modalidade de religioso não sacerdote, mas de consagração plena, distinta da outra apenas no relativo ao ministério (Cst. 8).

Depois de recordar os Padres Manuel de Gouveia e José Vieira Alves, os primeiros missionários dehonianos portugueses em Moçambique, é a vez de recordar o Padre José Diomário Gonçalves, mais conhecido entre nós por Irmão José e, em Moçambique, por Irmão Padre José, como ele mesmo gostava que o chamassem. É o terceiro também na ordem cronológica da partida para as Missões.

A 19 de dezembro de 1951, o José Diomário, com o Manuel Domingos Vasconcelos, o Irmão Domingos, seguiram para a Itália, para fazerem em Albisola (Savona) o noviciado, ambos professando a 29 de setembro de 1953, tornando-se assim os primeiros Dehonianos portugueses. Para consolidar a vivência de consagrado, o Irmão José foi colocado em Monza e o Irmão Domingos em Bolonha, Casas de Formação destinadas respetivamente aos cursos liceal-filosófico e teológico. Ambos estavam de regresso a Portugal nos inícios de 1955. O Irmão José foi destinado ao seminário menor aberto pelos Dehonianos em Aveiro, em 1953, a Casa do Sagrado Coração de Esgueira. Com o seu estilo envolvente e engenho criativo, dedicar-se-á durante três anos a esse seminário. Testemunha o Padre Fernando Fonseca, entrado nessa Casa a 17 de outubro de 1955, que nela encontrara o Irmão José: “Estava connosco todo o dia. Era o nosso prefeito de disciplina. Organizava os jogos, os trabalhos, e preparava com todo o entusiasmo as várias festas do ano litúrgico. Ensaiava cânticos, peças de teatro e muitas outras coisas com que nos entretínhamos durante todo o ano e com que também íamos desenvolvendo as nossas capacidades”.

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Padre José Diomário Gonçalves (1932-2011)

Em setembro de 1958 o Irmão José é transferido para o Porto, quando se preparava a abertura do Seminário Missionário Padre Dehon. E o entusiasmo e ativismo continuaram e redobraram. Testemunha ainda o Padre Fernando Fonseca: “Durante perto de um mês [o Irmão José] andou de convento em convento, e de casa em casa, a pedir um altar, paramentos e outras alfaias litúrgicas, bem como móveis, dinheiro e tudo o que pudesse servir para o novo seminário. Durante várias noites, dormiu no chão das instalações da creche, que veio a tornar-se seminário, e co-

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meu do que lhe davam de esmola. Trabalhou no lançamento da secretaria dos benfeitores, ensinou música e fez assistência aos seminaristas até partir, em 1963, para as Missões de Moçambique”. Também a preparação da partida para as Missões foi uma epopeia de recolha de tudo o que pudesse ser útil no novo campo de trabalho: tudo para as Missões, pouco ou nada para si! Numa carta, escrita de Luanda, ao Superior Regional de então, diz que leva 5 caixas de material, mas, se tivesse podido estender a mão também na região do Porto, levaria 20. Desculpa-se por não ter chorado à partida: “as despedidas para mim não me custam nada. Porque chorar, quando via realizado o meu ideal?”. Lamenta levar um enxoval pobre; não por si, mas por ter de pensar nele os futuros superiores da Missão! “Por princípio – prossegue na mesma carta – nunca me interessei de coisas que sejam para mim, e do vestir ainda menos. Ao contrário, desfaço-me para encontrar para os outros”. O dinheiro que lhe deram antes de partir gastou-o quase todo em comprar coisas que os missionários lhe pediram para levar. Para um mês de viagem, de barco, só dispôs de 100 escudos que lhe dera o Irmão Tarcísio e outros 120 que levava. Nas dezenas de contos que levava para Missas e para as Missões não tocou! Era assim o Irmão José: “Era um homem sóbrio. Pedia muito para os outros e contentava-se com pouco para si” – continua a testemunhar o Padre Fernando Fonseca. Confirma-o também o Superior Provincial de Moçambique, Padre Carlos Lobo, na homilia que proferiu

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Aspeto do Campanário, na Madeira, terra natal do P.e José Diomário.

na Missa der sufrágio pelo Padre José, na Casa do Fomento, Matola, a comunidade a que o confrade pertencia: “Era notável, vê-lo empenhado com alma e coração em tudo o que estivesse a actuar; no canto, era todo ele que vibrava; as representações sagradas eram ensaiadas e apresentadas com singular empenho. Gostava de visitar os seus amigos e levar para eles algum dom: objectos sagrados, flores, plantas ou verduras. O seu modo generoso de dar em favor dos outros era evidente nas longas horas de direcção espiritual aos seminaristas, nas confissões, nas conversas com quem precisasse. Muitos o procuravam, e não era simplesmente porque era idoso… Os jovens pediam muito e sempre; enchiam-no de pedidos que formavam longas listas. O Padre José, com dificuldade e custos, ia respondendo paulatinamente a cada um. Muitas vezes tais jovens eram mais amigos de coisas que amantes da vocação. Todos eles, porém cabiam no coração do Padre José e eram sempre recebidos. O Padre José era generoso até onde não conseguia chegar!”. Também eu pude confirmálo, tendo de abrir duas malas que, esperançado de regressar à Missão, enviara à frente para a Cúria Provincial: eram peças de vestuário, t-shirts, pulseiras, CDs de música, opúsculos, estampas, quase tudo assinalado com um nome escrito à mão. Eram para satisfazer outros tantos pedidos. O facto enterneceu-me e tive o cuidado de enviar por portador sobretudo o que tinha destinatário assinalado.

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14– memórias

da família dehoniana

Padre José Alves (continuação)

O Irmão Padre José trabalhou no seminário menor São Francisco Xavier de Milevane, donde também pediu aos Superiores de Portugal que enviassem Irmãos Cooperadores para a Missão, observando que os Dehonianos, em comparação com outras Congregações presentes no terreno, eram pobres nesse campo. Em 1977 encontramo-lo em Vila Junqueiro; em Outubro de 1979, no Guruè; em fevereiro de 1982, em Maputo onde começa uma nova fase da sua vida: os estudos teológicos para ser ordenado sacerdote e, assim, servir mais plenamente a Missão, carecida de padres. Foi ordenado sacerdote a 8 de Dezembro de 1985 na Sé de Maputo, vindo celebrar a Missa Nova na sua freguesia do Campanário a 29 do mesmo mês.

No Colégio Missionário, pouco antes de falecer.

A Sé de Maputo, onde o irmão José Diomário foi ordenado em 1985.

A independência de Moçambique e as convulsões que lhe seguiram não domaram o Padre José. Também quis domar a doença, para terminar umas férias e exames clínicos que, em 2011, viera fazer a Portugal. Queria voltar a todo o custo a Moçambique e, então, terminar ali os seus dias. Desta vez, a doença e a morte foram mais fortes. Faleceu de pneumonia no hospital do Funchal a 23 de outubro de 2011, no Domingo Mundial das Missões. Ao menos nessa feliz coincidência de data, a morte fezlhe a vontade! Mais se podia dizer do Padre José Diomário. Os arquivos dão essa possibilidade a quem o queira conhecer melhor. O Padre Carlos Lobo, no final da referida homília, fazia notar que os Padres José Diomário, José Alves e Manuel Gouveia eram “missionários, todos madeirenses, todos da Província Moçambicana, todos formadores e todos eles chamados pelo Senhor enquanto estavam na Madeira. Era desejo deles, e nosso, assim como do povo que os conheceu, que estivessem para sempre em Moçambique, mas não conseguimos pelas fracas condições hospitalares do País”… Os seus corpos repousam nos cemitérios das freguesias de origem, mas as suas almas certamente andam pelos campos missionários que tanto amaram, continuando a apoiar a seara do Senhor e os seus obreiros nessas terras de África, a que tanto se dedicaram em vida.

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João Chaves

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da família dehoniana

comunidades –

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A razão da vinda dos dehonianos para Portugal

A Missão Dehoniana em Moçambique

Como já várias vezes foi dito em números precedentes sobre religiosos e obras da presença dehoniana em Portugal, a razão desta foi a missão de Moçambique: da Itália a Moçambique, via Portugal. E, por exigências do Governo português de então, mais que uma passagem, a etapa final do processo era a substituição dos missionários italianos por missionários portugueses.

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16– comunidades

da família dehoniana

Missão Derhoniana em Moçambique (continuação)

Desde o início, os Dehonianos em Portugal tiveram consciência dessa finalidade missionária, inclusive na adjectivação das Casas, nomeadamente os seminários – Colégio Missionário do Funchal, Seminário Missionário Padre Dehon do Porto, Instituto Missionário de Coimbra – e dos boletins de ligação com os benfeitores, a que se pedia ajuda em nome das Missões – Voz Missionária (Alfragide), Cooperadores Missionários Dehonianos (Porto)… E não se ficou apenas a nível de projeto e sensibilização; a colaboração do Portugal dehoniano com Moçambique foi real também desde o início, realizando-se e crescendo enquanto os condicionamentos sócio-políticos o permitiram e aconselharam. Mudada a situação, os Dehonianos portugueses, também pelas exigências das novas circunstâncias, optariam por outros campos de Missão, nunca desmentindo a finalidade originária. A primeira colaboração com a Missão dehoniana de Moçambique traduziu-se a nível, podemos dizer, de retaguarda ou logística. Em Portugal passaram algum tempo, até para aprender a língua, os primeiros missionários dehonianos italianos destinados à missão da Zambézia que lhes fora destinada. Em números precedentes desta revista registou-se essa passagem. E quando começaram as profissões e ordenações de Dehonianos portugueses, as Missões de Moçambique também se tornaram destino desses neo-professos e neo-sacerdotes. Dá uma sugestiva ideia do movimento missionário da jovem Região/Província dehoniana portuguesa, o elenco dos seus membros que optaram por essa Missão, quem definitivamente, quem por algum tempo. A partir da abertura de um seminário menor dehoniano em Milevane – a Escola Apostólica São Francisco Xavier – a colaboração tomou também a modalidade do estágio de vida religiosa, os chamados prefeitos, que prestavam um precioso serviço, sobretudo na assistência e acompanhamento dos seminaristas e mesmo no ensino. De 1960 a 1962, o religioso Manuel de Gouveia interrompe os estudos e vai para as Missões; ordenado em 1965 na Madeira, regressa de imediato à Missão, servindo-a por mais 40 anos, até 2005, quando regressa a Portugal por motivos de saúde, vindo a falecer no Funchal a 12 de outubro de 2006. Em dezembro de 1962, é a vez do recém-ordenado P.e José Vieira Alves seguir para a Missão de Moçambique, permanecendo ao serviço da mesma até 1999, ano em que, também por motivo de doença, regressaria a Portugal, vindo a falecer, também um ano depois (17 de novembro de 2000) e também na ilha natal, a Madeira. Em dezembro de 1963 parte para as Missões o Irmão José Diomário Gonçalves, recordado neste mesmo número da revista. Ordenado

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D. Tomé Makhweliha, arcebispo de Nampula

sacerdote em Maputo em 1985, o seu serviço à Missão de Moçambique durou 48 anos, vindo a falecer também ele no Funchal, a 23 de outubro de 2011, durante umas férias, e desejoso de partir para terminar os seus dias na terra e entre o povo de adoção: Moçambique. De julho de 1964 a outubro de 1975 – onze anos – trabalhou na Missão de Moçambique, o P.e Eduardo Ferreira de Sousa, um sacerdote da diocese do Funchal, que, professando em 1959, se pode considerar o primeiro sacerdote dehoniano português. Optara pela vida religiosa dehoniana precisamente para ser missionário; o seu regresso a Portugal deveu-se também a razões de saúde. De 1966 a 1975 trabalhou na dita Missão o P.e Francisco Avelino da Vargem Perdigão, que, voltando a Portugal no turbulento rescaldo da Independência, pouco depois incardinar-se-ia na diocese do Funchal.

Centro Polivalente Leão Dehon, no Gurúè

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Foi, depois, a vez de outros dois Irmãos Cooperadores optarem pelo campo das Missões: o Irmão, depois Padre, Fernando Rodrigues da Fonseca, entre 1967 e 1975, e o Irmão Luís da Silva dos Santos, de 1969 a 1971. De 1971 a 1974 prestou serviço na Missão de Moçambique o também já falecido P.e José de Bairos Braga. Em 1981, faria parte do primeiro grupo de Centro de Espiritualidade e Noviciado dos Dehonianos, em Milevane Dehonianos portugueses que foram trabalhar para a Missão dehoniana de Madagáscar. Faleceria a 1 de novembro de 1998, nos Daí que a vocação missionária Estados Unidos, onde fora procurar cura para uma grave doença, da Província Portuguesa se exjunto da família ali emigrada. primisse na escolha de outras Segue uma série de Dehonianos portugueses que, como já referido, áreas geográficas: Madagáscar foram fazer o estágio de vida religiosa em Moçambique: o atual Bispo (1981), Índia (2001) e Angola de Faro, D. Manuel Neto Quintas e o P.e Isildo Gomes da Silva, de 1971 (2004). a 1973; o ex-dehoniano Joaquim Rodrigues dos Santos, de 1973 a De realçar também a gran1975; o atual Superior Geral, P.e José Ornelas Carvalho e o P.e Adérito de ajuda dada pelo SAM Gomes Barbosa, de 1974 a 1976; o P.e Manuel Domingos Nunes (Secretariado de Animação Pestana, atualmente na Missão dehoniana de Angola, e o P.e Ricardo Missionária), muito ativo até José do Coito Fernandes, em situação de pedido de dispensa das à Independência (1975) e sobretudo nos anos em que o obrigações inerentes ao dinâmico P.e Júlio Gritti esteve sacerdócio, ambos ente à frente dessa estrutura de 1995 e 1997. apoio ao Governo Provincial. Em fevereiro de 1996, Os arquivos provinciais reentão pertencendo à gistam essa rica, intensa e Província Portuguesa, preciosa colaboração matepartiu para a Missão rial, facilitada também pelos de Moçambique o P.e entes governamentais e de Luís Sabini, já Mestre transportes, interessados no de Noviços e director desenvolvimento dos territóda Obra ABC da mesma rios ultramarinos. Província. Realizou ele o Também nesse pormesonho que outros conCasa SCJ, no Alto Molócuè nor, a Independência de frades seus, italianos, Moçambique teve uma influacalentaram, acabando muitos por ficar ao serviço da Congregação em Portugal. ência de liquidação. Por outro Uma outra forma de colaboração dehoniana entre Moçambique e lado, também a fisionomia Portugal foi a aceitação de seminaristas moçambicanos no Instituto da missionação mudara: das Missionário de Coimbra. Limitaram-se a quatro e todos eles na segungrandes estruturas se passou da metade da década de sessenta: o atual arcebispo de Nampula, D. à missionação de inserção e Tomé Makhweliha (1965-1969) e os seminaristas, que não chegaram encarnação na pobreza ama professar: Agostinho Eurico Calima (1964-1970), Manuel Mecânico biental: a Igreja local emergia: e Rafael Iapa Macumarro (1965-1968). mais modesta, mas também A independência de Moçambique, marcada pelo antecedente mais inculturada. trauma da guerra colonial, veio modificar a situação, dificultando a A Igreja N.ª Sr.ª do emeLisboa, ondede meios materiais da colaboração emdetermos deLoreto, pessoal de envio funcionou a sede da Região e, depois, da Província. antiga potência colonial para a chamada sua Província Ultramarina.

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João Chaves

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18– vinde e vereis dos conteúdos

Tomai sobre vós o meu jugo Ao “mês de Maria” segue-se o “mês do Coração de Jesus”. Noutros tempos era frequente dizer-se “Ad Jesum per Mariam” (A Jesus por meio de Maria), a querer significar que Maria é caminho seguro para chegar a Jesus. É, com certeza.

“Vinde a M

” s i a g i d a f a s o v e u q s ó v , m i

O mês de Junho, durante o qual se celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, como que foi preparado pelo mês de Maio e constitui mais uma oportunidade para tomarmos em consideração uma página do Evangelho na qual ecoa mais um “vinde” de Jesus, este particularmente carregado de ternura, a ternura de um Deus que Se fez homem por causa do homem.

Nunca é demais reler essa página. Ela aí vai, antes de tecermos a seu respeito algumas considerações. “Vinde a Mim, todos vós que vos afadigais e andais sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei e Mim, que Eu sou manso e humilde do coração. Encontrares alívio para as vossas almas, pois o meu jugo é suave, e a minha carga é leve”. Jesus louva o Pai, porque escondeu “estas coisas” (os mistérios do Reino, o conhecimento d’Ele e do seu Enviado), aos auto-suficientes, àqueles que se consideram grandes e importantes, particularmente dotados de qualidades e capacidades de que outros não se podem orgulhar e, ao contrário, as colocou ao alcance dos “pequeninos”. Estes são aqueles que não presumem de si próprios, mas reconhecem a sua insuficiência, são verdadeiramente pequenos e insignificantes aos olhos d’Aquele que tudo pode, d’Ele dependem e d’Ele tudo esperam. São os “pobres do Senhor”, que de tantas formas são referidos nas páginas sagradas, também através de figuras exemplares, entre as quais sobressai Aquela que foi escolhida e preparada para dar ao mundo o Salvador: (“O Senhor olhou para a humildade da sua serva”). A nós, que temos as nossas perspectivas e os nossos critérios, poderá parecer-nos estranho este modo de proceder do nosso Deus, mas o certo é que “assim é do seu agrado”. Quem somos nós para pôr reparo? “Tudo Me foi entregue” – diz Jesus. Não podem passar-nos despercebidas estas palavras. Elas dãonos a garantia de que, de facto, só Jesus conhece

o Pai e O pode dar a conhecer. Por isso, é a Ele que precisamos de recorrer para termos acesso ao Pai. É depois destas afirmações peremptórias que vem aquele “vinde”, que é mais do que convite a ir com Ele, porque é para ir a Ele e ir com a nossa realidade total que é, no fundo, a nossa miséria. A quem queira de verdade ser seu discípulo, Jesus convida a carregar a cruz. Todos a carregamos com maior ou menor dificuldade. Ela faz parte do nosso ser e da nossa vida. E pesa. Cada um que o diga. É um jugo que nos oprime e desgasta. E, por vezes, fazemos a experiência do cansaço, do desânimo, talvez mesmo do desespero. É para nós, quem quer que sejamos, o “vinde”, precisamente porque andamos cansados e oprimidos, A este “vinde” não se segue de forma explícita o “vereis”. Mas implicitamente ele está lá na promessa: “Eu vos aliviarei”. Por isso, “Tomai sobre vós o meu jugo”. E “aprendei de Mim”. Cá está. Ele é o Mestre. Só Ele nos pode instruir, porque é “manso e humilde de coração”. E aqui vem a referência ao seu Coração, a única (e, por isso mesmo, preciosa) que encontramos nos Evangelhos. Não convida a aprender a fazer milagres ou coisa que o valha. Tão-somente a ter um coração como o d’Ele, que “é manso e humilde”. A ter, portanto, os mesmos sentimentos que Ele, a sua mansidão e a sua humildade. É, para o seu interior que Ele aponta; é com o seu interior que somos convidados a aprender a nos situarmos, ao jeito d’Ele, face ao Pai (“Eu faço sempre o que é do seu agrado”) e face aos irmãos (“O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”).

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Fernando Ribeiro

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dos conteúdos

onde moras –

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Beata Maria do Divino Coração, modelo de vida cristã

Entrega radical a Cristo Neste mês de Junho, que a Igreja dedica ao culto do Sagrado Coração de Jesus, não posso deixar de partilhar convosco algo acerca da Beata Maria do Divino Coração Droste. A Irmã Maria do Divino Coração nasceu na Alemanha a 8 de Setembro de 1863. Ela sentiu um forte apelo de Deus para seguir a vida de consagração religiosa. Aos 25 anos, depois de um sério discernimento, entra na congregação do Bom Pastor. Em Maio 1894, com 29 anos é enviada em missão para Portugal, vivendo no Porto até 8 de Junho de 1899 data em que o Senhor a chamou para junto de si no céu.

Na Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa por ocasião do 150º aniversário do nascimento da Beata Maria do Divino Coração, que celebramos este ano, podemos ler: “A vida a Beata Maria do Divino Coração, centrada em Jesus e no amor do seu coração, estimula-nos a chamar a atenção para esta nossa irmã na fé, como instrumento de Deus e verdadeira evangelizadora, modelo para todos de uma entrega radical a Cristo e à sua Igreja. Ela viveu estas duas paixões: Jesus e os pobres, especialmente as jovens por quem tanto trabalhou, com dedicação total, apaixonada pelo desejo de amar sempre mais e melhor.” A mesma Nota Pastoral diz-nos que “o nome que assumiu como religiosa da Congregação do Bom Pastor, Irmã Maria do Divino Coração, foi um programa de vida. Facto deveras relevante na sua missão foi o pedido que dirigiu a Leão XIII, transmitindo o desejo que recebeu do Senhor Jesus, para que o Papa consagrasse o mundo ao seu Coração Divino. Este Papa, que ficou mais conhecido pela sua intervenção no campo social, com a publicação da encíclica Rerum novarum, marco milenário da doutrina social da Igreja, deu a mais alta classificação a este gesto profético. Num encontro que teve com os pais da Irmã Maria do Divino Coração, em Roma, anunciou que, devido aos pedidos de sua filha que vivia no Porto, ia realizar “o ato mais grandioso de todo o meu Pontificado”: a Consagração do género humano ao Coração de Jesus Cristo. A Irmã Maria foi instrumento providencial de Deus para levar o Papa Leão XIII a realizar este ato solene, que teve lugar a 11 de Junho de 1899, anunciado duas semanas antes pela Encíclica Annum Sacrum.” Peçamos ao Mestre que Ele nos conceda a graça de interiorizarmos na nossa vida, estes valores humanos e cristãos que a nossa Beata viveu. Esta mulher deixou marcas na história da humanidade porque viveu uma vida de total entrega ao Senhor e ao Seu Sagrado Coração. Ela amou verdadeiramente o Mestre e deixou-se amor incondicionalmente por Ele.

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Fátima Pires

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20– meias doses de saber dos conteúdos

É quase um tabu incentivar as mulheres a serem mães

Para os Direitos Humanos da Mãe Vive-se hoje numa cultura social marcada pelos Direitos. Desde a proclamação dos Direitos do Homem pela Revolução Francesa, em 1789, iniciouse um processo profundo de viragem civilizacional. Passou-se a fundar a pirâmide social da Civilização do Ocidente sobre os direitos e não sobre os deveres com consequências positivas para a humanização dos sectores sociais menos privilegiados, mas ao mesmo tempo criando dificuldades no plano da corresponsabilidade de que o deveres são o reverso da medalha que nunca se pode descurar na construção do edifício social.

Entretanto, a proclamação primeira dos Direitos do Homem e do Cidadão no século das Luzes sofreu atualizações e especificações desde o fim da segunda metade do século XX até hoje. Proclamou-se universalmente, em 1948, os Direitos Humanos para atualizar a proclamação iluminista e estendê-lo com clareza a todo o género humano. Mais tarde veio-se a proclamar sucessivamente os Direitos da Mulher, os Direitos do Trabalhador Imigrante, os Direitos da Criança numa deriva de particularização para proteger de forma mais precisa camadas da humanidade mais vulneráveis. No tempo em que vivemos marcado por uma crise sem precedentes não só no plano económico, financeiro e político, mas especialmente ao nível da valoração da vida que se gera e que nasce para a renovação futura das sociedades humanas, urge, em nosso entender, definir e proclamar os Direitos Humanos das Mães, aquelas que oferecem os novos filhos à sociedade. As mães com a sua generosidade, esforço e dedicação são as garantes da continuidade do género humano sobre a terra. Com efeito, experimenta-se hoje uma crise económica grave. Todas assim proclamam. Todavia, a crise económica camufla uma outra crise europeia em que vivemos: uma crise de vida. Falta uma política em favor da vida e para a vida que promova a natalidade para a imprescindível renovação das gerações humanas. A crise europeia é uma crise de velhos, de velhice aguda que calcificou as energias fomentadores de dinâmicas sociais de crescimento e de esperança.

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O egoísmo extremo que marcam as políticas numa sociedade que tem como horizonte apenas o bemestar da geração presente tem cegado a capacidade de olhar mais longe e de antecipar o futuro. Vivemos preocupados em resolver os problemas apenas tendo em conta um horizonte estreito de um futuro muito próximo quando o grande futuro está semeado de morte económica, social e civilizacional se não apostarmos fortemente na geração de vida humana nova. Não só se ataca a natalidade promovendo uma cultura abortiva em detrimento de uma cultura de vida e de valorização de quem dá filhos à sociedade. Ataca-se fortemente a natalidade não se valorizando social e culturalmente o estatuto da mulher-mãe, nem dando as condições necessárias às mulheres para poderem gerar, dar à luz e cuidar dos filhos nos primeiros anos de vida. Basta que se olhe para a educação juvenil nas escolas: o estado investe avultados meios na formação contracetiva dos adolescentes e jovens e quase nada na preparação para a paternidade e para a maternidade. Tudo em nome da saúde pública, claro! Nos meios de comunicação, nos meios culturais dominantes é quase tabu incentivar as mulheres as serem mães como se tal fosse o obstáculo forte para a sua realização profissional. No mundo laboral, instaurou-se uma mentalidade antinatalista em relação às mulheres. Vigora um clima de medo entre as jovens que desejam ser mães: o medo de dizer aos patrões que querem ou desejam ser mães. Receiam perder o emprego ou de serem desconsiderados em concursos e promoções.

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A nossa cultura empresarial é, em geral, antinalista. Hoje em dia em poucos meios existe uma cultura de vida, uma cultura que promova a geração de vida nova. Podemos até afirmar que só o instituto maternal da mulher é que ainda vai vencendo a nossa cultura de morte, pois o contexto social, cultural e mental dominante em nada ajuda. Muitas mulheres, felizmente, ainda desejam e lutam por ser e por realizarem-se como mães. E sabem que essa é uma missão altíssima e dignificante da sua condição feminina. O estatuto e papel da mãe sempre foi fortemente valorizado em todas a civilizações humanas. Era visto como um estatuto quase transcendente, pois a mãe ao dar à luz participa do supremo ato de criação divina. Hoje a nossa cultura social parece ter perdido a memória deste nobre estatuto. Por isso, é urgente proclamar os Direitos Humanos das Mães. Estes Direitos articulados com os Direitos da Mulher passam pela valorização do seu papel na construção de uma sociedade mais harmónica, de uma sociedade preocupada não só com o presente, mas também comprometida com a renovação futura da vida humana que dá sentido ao esforço presente de aperfeiçoamento humano. Reconhecido este supremo papel das dadoras de vida, urge garantir política e economicamente Direitos e Regalias especiais para as mães que geram e cuidam da vida que nasce. Estes Direitos passam pela redução da carga horário no trabalho, sem prejuízo para a sua carreira, pela concessão de subvenções estatais para as mães mais desprotegidas, ou para quem, em caso de impossibilidade da mãe, assume esse papel supletivo, nomeadamente o pai. Oferecer acessos privilegiados a espaços públicos, garantir cotas reservadas às mães para acesso ao emprego quando prejudicadas pelo tempo concedido à maternidade, entre outras vantagens. Para tal o Estado deveria criar um fundo especial para apoiar a maternidade e as mães que assumam a missão de dar vida nova ao país. Assim, o Estado estaria responsavelmente a garantir a sua sustentabilidade futura. Do mesmo modo, as empresas e instituições que dão emprego deveriam desenvolver uma cultura que valorizasse a maternidade, criando um fundo próprio (financeiro e um banco de tempo) para proteção às mães. Esse fundo permitiria aliviar os tempos de trabalho das mulheres em situação de maternidade sem prejuízo do seu salário e da

sua carreira, contando até com a solidariedade dos outros trabalhadores que poderiam dar mais horas à instituição para oferecer tempo às mulheres-mães ou a quem assumir esse papel supletivo de cuidado especial dos filhos nos primeiros anos de vida. A missão de ser mãe sempre foi, desde os tempos antigos, e deveria continuar a ser um dos mais nobres papéis sociais. É um dever humano criar condições para que as mulheres de hoje possam exercer essa missão e serem valorizados por este seu trabalho, muitas vezes invisível de que todos beneficiam, mas que poucos reconhecem do ponto de vista político e empresarial. Termino este artigo, apelando à proclamação destes direito, começando pelas nossas instituições. E deixo aqui este poema de homenageia a todas a mulheres que ousaram um dia ser mães:

SER MÃE Ser mãe É ser poderosa, Um milagre da natureza: É dividir os gestos por cem, E não perder a destreza, Que lição maravilhosa! Ser mãe É encher-se de ternura Por sustentar a vida que brota E torná-la suavemente madura Em cada compasso, Em cada nota! Ser mãe É a mesma transfiguração da vida Que se oferece, atenta, total, Sem medida Dando à criança que chega O lugar principal! Ser mãe É acrescentar de novo a velha história, Expandir a ternura dos horizontes, Regar o lado seco da memória Com a frescura meiga das fontes!

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Eduardo Franco

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22– pedras vivas dos conteúdos

O pároco está doente, mas a comunidade continua em bom ritmo.

Pedras vivas em Real Cá vai mais uma “Pedreira”, de Pedras Vivas, tantas quantas pode comportar uma pequena comunidade paroquial de mil e poucos habitantes, dispersa por aqueles montes da que é a mais extensa freguesia de Castelo de Paiva, ocupando, segundo me disseram, quase um terço do seu território.

Já aqui falei desta comunidade há tempos, pelo que já sabes que tenho andado por lá, desde o dia 1 de novembro de 2012, a substituir o pároco que está doente. Sei por experiência de muitas outras comunidades que quando falta o padre numa comunidade, as coisas complicam-se, desorganizam-se, e, às vezes, a comunidade divide-se, geram-se conflitos e aparecem, então, como nadadores salvadores, os que estão sempre sedentos de protagonismo e que acabam sempre por ser mais problema que solução! Há mais de meio ano em Real e, felizmente, não tenho visto nada disso. Tem havido, como é normal, algum nervosismo, alguma desorientação, mas nada que, com serenidade se não tenha resolvido, sob orientação do Pároco, via telefone, ou do Vigário. A catequese organizou-se embora com algum atraso, mas está a funcionar lindamente.

A liturgia continua a ser animada, com um bom grupo de acólitos, bons leitores e grupo coral eficiente. Tem havido a missa dominical. Foi solene a celebração do Natal, com um presépio simples, mas significativamente preparado pelo grupo dos acólitos. Houve a celebração do Solene Tríduo Pascal e as festas da catequese têm-se feito com regularidade…Houve confissões pelo Natal e pela Páscoa. Houve batizados e casamentos. E, infelizmente, também houve funerais… Os doentes têm sido regularmente visitados pelos Ministros Extraordinários da Comunhão e na Páscoa ou no Pentecostes receberam a visita dum padre que os confessou a todos. Os mais pobres continuam a ser cuidadosa e amorosamente assistidos pela dinâmica Conferência de S. Vicente de Paulo. E a comunidade cristã, pressentindo maiores carências, foi mais generosa que nunca no apoio à dita Conferência, a começar pelos mais novitos em iniciativas da catequese…

Igreja de Real, em castelo de Paiva (foto: retratoserecantos.pt)

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Já se fez a Festa de S. José, na aldeia de Gilde, da dita paróquia. A comissão pensou atempadamente nas coisas e tudo correu dentro da normalidade, com a dignidade que estas coisas requerem, sendo a única nota menos positiva a música pimba, de palavreado pouco digno e menos próprio para uma festa de um Santo, que se começou a ouvir mal acabou a procissão. Mas isso tem mais a ver com a empresa de som do que, certamente, com a comissão da festa… E só o refiro, porque vai começando a ser moda esta mistura do religioso e do profano, a dar razão ao Bispo que há mais de 30 anos me ordenou padre e que na homilia, referindo-se à falta de padres que já então se sentia, afirmou: “O Padre faz falta para esclarecer e alimentar a fé do povo, mas onde não há padres ainda há mais religião. A fé, no entanto, irá desaparecendo…”. Sábio e profeta, D. António Ferreira Gomes!

Capela de S. José, Gilde, em Real (foto: lcarlosgoncalves.blogspot.pt)

Igreja de Real (foto: origens.pt)

Mais recentemente fez-se a festa de Santo Adrião. A comissão falou-me com muita antecedência, eu disse o que podia e o que não podia e tudo ficou bem acertado. E a festa fez-se. Gente heróica, levou andores e estandartes por caminhos de serra, monte acima, durante duas horas. Esperei alguns minutos para descansarem, apesar de estar apressado, pelas atividades que tinha agendadas para a minha tarde. A missa foi celebrada com muita solenidade e muita serenidade. No fim, já perto das treze horas vim o mais depressa que pude, porque tinha uma tarde cheiinha, com a catequese de Maureles, que estavam em Betânia desde o meio-dia e lá faziam uma tarde de convívio, orientando o terço às 15h e animando a missa das 16h. Fiz o que estava combinado com a comissão e com o pároco e vim embora, estavam eles a preparar-se para mais uma procissão, a seguir à missa...

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António Augusto

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24– JMJ no Porto dos conteúdos

Não podendo ir ao Rio de Janeiro, teremos R i o i n D o u r o

Gostavas de participar nas Jornadas Mundiais da Juventude no Rio de Janeiro? Mas na realidade não consegues… “Embarca neste Porto” e entra no Rio in Douro! Rio in Douro acontece nos dias 27 e 28 de Julho no Cabedelo (Canidelo-Gaia, bem junto ao rio... Douro e ao mar... Atlântico). Propõe uma forma alternativa de “viver” e “celebrar” essas mesmas Jornadas na nossa cidade e no “nosso” Rio. Será um “mega encontro” dos jovens, da diocese do Porto e não só, que queiram viver e experimentar, em clima de festa, de alegria, de oração e de partilha, o mesmo “espírito” das Jornadas Mundiais da Juventude. Para te inscreveres, podes fazê-lo em grupo ou individualmente, só tens que aceder ao site www.rioindouro.org e lá encontrarás todas as informações necessárias. Contamos contigo!

Prevê-se a chegada dos jovens, no dia 27 de manhã, a 4 pontos circundantes, de onde partirão em caminhada para o recinto do encontro. Aí, na tarde e noite de sábado e na manhã de domingo, haverá espaço e tempo para workshops, oração, festa, alimentação, vigília, eucaristia, ligações em direto ao Rio de Janeiro…

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palavra de vida – Um amor feito perdão, misericórdia e acolhimento

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Encontros que salvam Junho é riquíssimo em motivos para celebrar e louvar o Senhor pelo dom da fé. Claro que para nos, dehonianos, sobressai desde logo a solenidade do Coração de Jesus, a contemplação dessa imagem maior do amor de Deus. É esse amor que encontramos nas palavras e gestos de Jesus, que os evangelhos nos oferecem a cada passo. É um amor feito perdão, misericórdia, acolhimento… Entre os muitos textos à escolha, optei pelo evangelho que nos é proposto no 11º domingo do tempo comum (Lc 7, 36 – 8, 3). À mesa com os fariseus Lucas diz-nos que Jesus se encontra em casa de Simão, um fariseu. Aceitou o convite que este lhe fez e está sentado à mesa com ele, sinal de amizade e de respeito mútuo. Outros evangelistas apresentam Jesus em relação difícil com os fariseus, mas Lucas apresenta-O aqui a conviver com eles, a sentar-se à mesa, certamente a falar obre o que os unia e os separava na maneira de ver a religião, na forma como entendiam a relação com Deus. Jesus não exclui ninguém da sua proposta do amor do Pai. A resposta não é sempre a mesma, há quem aceite a proposta de Jesus e há quem a rejeite. Mas isso não significa que Jesus exclua alguém do seu convívio ou que desista de falar a todos os corações do amor e da misericórdia do Pai. Simão até se esqueceu dos gestos mais elementares dum bom acolhimento, mas isso não faz com que Jesus se vá embora, que vire as costas a quem o convidou. Uma mulher em busca de perdão e de vida Quem é esta mulher, donde é que ela apareceu, por que motivo está ali? Lucas não nos dá grandes explicações. Apenas nos diz que era uma mulher da cidade, uma pecadora. Vem certamente porque já escutara Jesus ou ouvira dizer que Ele era diferente dos outros mestres, que não desprezava nem marginalizava os pecadores, que não julgava nem condenava ninguém. Ele tinha uma palavra nova, falava de amor e de perdão, deixava aberta a porta da esperança aos que pareciam oficialmente condenados a sofrer o severo castigo de Deus. Os gestos da mulher, relatados por Lucas, são a imagem dum coração transformado pelo amor. Aquela mulher transborda de gratidão, porque lhe

foi retirado o peso dos muitos pecados. Quem operou nela este milagre de vida nova merece toda a atenção, todo o carinho. Esta mulher de coração renovado pode agora encarar a vida doutra forma, pode ir em paz, salva pela fé, pela confiança que depositara na misericórdia e no amor de Deus. Mas não para voltar a fazer o mesmo, para continuar na sua vida de pecado. O gesto de Jesus abre a porta da conversão à mulher. As lágrimas que ela derrama são de arrependimento, mas são também de gratidão, de reconhecimento, de emoção. Afinal, esta mulher, como todos os da sua condição, os pecadores, os marginalizados, estava condenada a uma vida sem sentido, julgada e condenada na praça pública, apontada a dedo como uma proscrita por Deus e agora pode partir com o coração livre da opressão e pleno de alegria. Comunidade de discípulos O evangelista diz-nos depois que Jesus ia por cidades e aldeias, a anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecemos bem a paixão de Jesus pelo anúncio do Reino. Noutra passagem diz aos discípulos que era necessário ir a outras terras, porque era para isso que Ele tinha vindo a este mundo. Mas Jesus não está sozinho neste anúncio, acompanha-O uma comunidade de discípulos. É uma comunidade onde há lugar para todos: homens, mulheres, gente de todas as condições e classes sociais. Assim deve ser a comunidade de Jesus hoje: uma Igreja de gente salva, unida na fé e no amor, sem exclusões nem marginalizações. Neste ano da fé que estamos a viver, possa cada um de nós ser testemunha desta fé e desta comunhão com Deus e com os irmãos.

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José Agostinho Sousa

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26– leituras

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É um novo livro sobre o papa Francisco que se encontram nos escaparates das livrarias

Conversas com Jorge Este livro veio a público no dia em que parti para Timor (Diocese de Maliana para dar formação aos agentes de pastoral por 15 dias), a 11 de abril de 2013. Levei outros livros, mas este foi o único que me acompanhou na viagem por Dubai e Singapura, Díli, até ao regresso a Portugal. E dado que o não larguei, como algo que me inquietava, apresento-o para que vós todos também o leiais, para entenderdes também a visão humana deste papa que nos deixa todos de boca aberta.

Este papa faz lembrar um livro que saiu há uns anos em que relatava um papa que saiu do Vaticano e foi fazer de taxista para Paris durante um mês. Depois voltou para o Vaticano e contou a sua experiência… Só que aqui com o papa Francisco não é ficção, não é imaginação, é a verdade, é ele mesmo a querer dar uma mensagem humana e cristã ao mundo de uma forma diferente. A eleição do papa Francisco a 13 de Março de 2013 foi uma surpresa para toda a Igreja e para todo o mundo. Os jornais, as revistas, e todos os outros meios de comunicação social apresentavam figuras de proa como candidatos a papa, ou seja, cardeais bastante conhecidos de todo o mundo. Entre esses candidatos praticamente não se falava de Bergoglio, desta figura interessante que começou por ser jesuíta e adotou como papa uma mística franciscana, ou seja, alertou o mundo para a extrema pobreza existente. A Europa sempre falou que era altura de termos um papa de outro continente…Mas quando veio o papa da América Latina, com raízes italianas, começaram já as críticas sobre a necessidade de um formato europeu, mais clássico, que como já havia antes. Nesse dia 13 de Março de 2013, da parte da manhã, estava eu em Fátima, em contato com uma irmã religiosa que trabalha num bairro pobre de Buenos Aires, mal imaginando a coincidência, a ligação de Fátima onde eu estava (13 de março) com Argentina, de onde seria eleito à tarde o papa Francisco.

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Este papa apresenta a vida do povo, da generalidade do povo, simples, pobre, humano, espontâneo, mas coerente com a sua fé. Procura fugir à imagem de uma Igreja medieval, de palácios, de príncipes, de reis. Quer uma Igreja simples de Francisco de Assis. Ao escolher o nome Francisco, o papa não só fez uma opção pelos pobres, mas continuou a sua linha de austeridade, de pobreza, como relata este livro. Aprecia-se a sua simplicidade, a sua disponibilidade ao ponto de quando foi nomeado bispo colocou uma linha direta para os sacerdotes falarem com ele sempre que necessitassem. Apesar de ser bispo continuou a residir na paróquia e a utilizar os transportes públicos. Quando foi nomeado cardeal, não mandou fazer vestes novas, mas adaptou as do seu antecessor.

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rge Bergoglio Quando visitou um bairro pobre em Buenos Aires, um pedreiro levantou-se comovido e disse: estou orgulhoso de si. Quando vinha no autocarro para cá com os meus companheiros vi que você vinha nos bancos de trás do autocarro. Disse aos meus companheiros, mas eles não acreditaram. Sentimos que é um dos nossos. Quer uma Igreja simples de Jesus Cristo. É o que tentam apresentar os dois autores do livro (Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin) neste livro do Papa Francisco. Em termos de remate, queria sublinhar um ponto que marcou a vida deste homem. O Papa teve um problema grave de saúde na sua juventude devido a uma pneumonia que lhe afetou o pulmão. O jornalista aproveitou o fato de o papa ter tido uma experiência grave de sofrimento para o questionar sobre a insistência da Igreja no sofrimento e pouco na alegria da ressurreição. A exaltação do sofrimento na Igreja depende muito da época e da cultura.

Se se observar os ícones orientais, os russos, verifica-se que são poucas as imagens do crucificado sofredor. Representa-se mais a ressurreição. Se olharmos para o barroco espanhol, vemos cristos despedaçados, porque acentuavam a paixão de Cristo. Segundo o papa, a pintura de Chagall, a Crucificação Branca, que era um crente judeu, não é cruel. É de esperança. A dor mostra-se ali com serenidade. É uma das melhores pinturas deste artista. O jornalista ao insistir que a Igreja considera o martírio um caminho para a santidade, o papa respondeu que os mártires são os que dão testemunho até à morte. Ao dizer que a vida é um martírio, está-se a dizer que a vida é um testemunho. Mártir é aquele que dá a vida pela fé. A vida cristã é dar testemunho com alegria. Santa Teresa dizia que um santo triste é um triste santo. É evidente que a penitência e o sofrimento fazem parte da caminhada da vida. Nada de sério se faz sem penitência e alegria.

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Adérito Barbosa

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– recortes – sobre a bíbliadehonianos 2808 dos conteúdos

Receber Jesus e habitar n’Ele

Permanecer em Jesus, Depois de um breve percurso feito pelos textos bíblicos sobre a Eucaristia, da sua instituição como sacramento nas narrações da Última Ceia, das implicações que ela tem para a comunidade cristã que é realizada por ela, podemos servir-nos das palavras de Jesus no chamado Discurso do Pão da Vida, no Evangelho de S. João (cap. 6), para delinear algumas conclusões acerca das implicações da Eucaristia na vida pessoal de cristianismo de cada um.

Jesus é o Pão da Vida Neste discurso, penso que é importante destacar, antes de mais, o que Jesus afirma acerca de si próprio: “Eu sou o Pão da Vida” (vv. 35.48) e “Eu sou o Pão vivo descido do céu” (v. 51). Na verdade, a Eucaristia é a própria presença de Jesus Cristo que se entrega como Pão, e portanto, como alimento. Nestas duas frases, verificamos que não se trata de um alimento qualquer. Em primeiro lugar, ao afirmar que é o “Pão da Vida”, devemos perguntarnos sobre a relação existente entre a “Vida” e este Pão tão especial? Tratase de “Pão que vem da Vida” ou será antes “Pão que dá a Vida”? Do meu ponto de vista, uma resposta não invalida a outra. De facto, somente o Pão que vem de Deus, que é o princípio e a origem da Vida, pode dar a Vida verdadeira ao mundo, conforme tinha dito o próprio Jesus (cf. Jo 6,33). Notemos, ainda, que o que aqui disse acerca do Pão da Vida pode dizer-se no Quarto Evangelho acerca da pessoa de Jesus: Ele vem de Deus e junto dele estava a vida (cf. Jo 1,1-4); Ele dará a sua vida, sem que ninguém lha tire (cf. Jo 10,17-18). Por outro lado, a afirmação de Jesus como “Pão vivo descido do Céu”, na sua própria interpretação remete-nos para a revelação do Antigo Testamento. No caminho da saída do Egipto, em resposta ao murmúrio do Povo de Israel, o próprio Deus tinha feito descer uma espécie de pão, vindo do céu, o maná (cf. Ex 16). Tratava-se de um pão que descia segunda as necessidades de cada um e para o dia em questão. O “Pão vivo”, também descido do céu, e como afirmámos acima, que tem a origem no próprio deus, sendo Ele mesmo Deus, promete a vida eterna aos que se alimentarem dele: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

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Pão da Vida

Na Eucaristia, permanecer em Jesus O verbo “permanecer” é característico do Evangelho de João, sendo usado num total de 40 vezes. No contexto do Discurso do Pão da Vida, “permanecer em Jesus” aparece como consequência de comer da sua carne e beber do seu sangue (v. 56). O campo semântico do verbo “permanecer” é o mesmo que exprime a “habitação”, mostrando que comer o Pão da Vida não significa apenas receber Jesus dentro de nós, mas significa também capacitar-nos para sermos nós a habitar nele. No início do Quarto Evangelho, dois discípulos “foram ver onde e permaneceram com Ele aquele dia” (Jo 1,39). O convite de Jesus, agora, não pretende apenas que se possa estar com Ele, mas sobretudo estar nele, vaticinando assim uma relação muito mais íntima. Além disso, não esqueçamos que o próprio Jesus, ao afirmar-se como a “Videira Verdadeira”, pedia que permanecêssemos nele, ao mesmo tempo que prometia permanecer em nós (cf. Jo 15,4). Este último texto a que faço referência situa-se no contexto dos “discursos de adeus”, depois da Última Ceia de Jesus em que, segundo o mesmo Evangelho de João, lavou os pés aos discípulos (cf. Jo 13,120). Ora é também partindo desse gesto simbólico e quase-sacramental – porque ultrapassa aquilo que é visível – que Jesus pede que permaneçamos nele: permanecendo no amor – amor expresso na oferta total da sua vida na cruz e também no gesto humilde de lavar os pés – permaneceremos em Jesus. Por último, nesta lógica, gostaria de referir o convite a permanecer na Palavra de Jesus (cf. Jo 8,31). Palavra e Pão são duas realidades que nos fazem caminhar em direcção a Deus. É pela forma como estamos próximos à palavra de Jesus, à sua doutrina revelada, à forma como nos faz ver o Pai, que nós podemos permanecer em Jesus. No início deste texto, dizíamos que o Discurso do Pão da Vida nos permitia uma visão de comunhão íntima com Jesus. A terminar e a fazer a ponte com os textos das edições anteriores, penso que podemos afirmar que é esta comunhão íntima que nos permite construir o Templo de Deus, ser membros do Corpo de Cristo, de que todos fazemos parte pela comunhão no Corpo e no Sangue de Cristo.

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Ricardo Freire

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30– sobre a fé dos conteúdos

Amamos a Igreja se nos mantivermos na sua unidade e caridade

A unidade e a Eucaristia (II) Ao considerarmos a Eucaristia como sinal da unidade eclesial, parece-nos oportuno lembrar as palavras de Santo Agostinho na Homilia 26: o Senhor quer que “esta comida e esta bebida sejam o fundamento da união do corpo e dos seus membros.

Dessa sociedade provém a Santa Igreja, constituída pelos predestinados, pelos chamados, pelos justificados, pelos santos glorificados, e pelos fiéis. (...) O sacramento da unidade do Corpo e do Sangue de Cristo, confeciona-se na mesa do Senhor diariamente em certos lugares, e recebe-se da mesa do Senhor. Uns encontram nele a vida, e outros a ruína” (Tract. 26,15). Numa palavra, para além de afirmar que o sacramento da Eucaristia é o Corpo e o Sangue, o Bispo de Hipona afirma também que a comida e a bebida eucarísticas são a sociedade dos santos, a própria Igreja, formada por homens e mulheres, de todos os povos e línguas, que foram purificados, santificados pelo Baptismo e tornados, por graça, filhos de Deus e membros de Cristo (Cf. 1Cor 10,17).

O Bispo de Hipona na controvérsia donatista não hesita em qualificar a Igreja de Santa. Para o Doutor da Igreja não se trata da Igreja “communio sacramentorum”, mas da “societas sanctorum”, composta pelos santos, por aqueles que já morreram e pelos fiéis que estão unidos a Cristo pela fé, pela esperança e pela caridade e que, graças ao Espírito Santo, possuem em si próprios a vida da graça. O Corpo eucarístico de Cristo alimenta o seu Corpo místico, comunica a vida aos seus membros e sustém a sua fé. O Sacramento do Altar aponta também, segundo Santo Agostinho, para as realidades últimas, para a Comunhão dos Santos, para a sociedade dos Santos, na qual reinarão a Paz e a Unidade plena e perfeita (Cf. Tract. 27,17) e formam o Reino de Deus glorioso. Enquanto não se alcança a Cidade de Deus, a visão de Deus, o sacramento da Eucaristia permanece como o pão de cada dia, o alimento do exílio, a força e o viático para o caminho.

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Como já fizemos referência, quando o Bispo de Hipona pregou os comentários ao Quarto Evangelho, tinha assumido já a doutrina paulina da Igreja como um Corpo, o Corpo de Cristo, e da incorporação do cristão em Cristo, pelo Baptismo. Pelo seu próprio testemunho notamos que o Santo Bispo tinha como máxima da sua vida espiritual: a união a Cristo. Santo Agostinho vivia plenamente essa vida de interioridade com Cristo e em Cristo, na Igreja, a ponto de afirmar: “Nada deve ser mais temível para o cristão do que separar-se do Corpo de Cristo, porque se separa do Corpo de Cristo, já não é seu membro; e se não é seu membro, não vive do seu Espírito” (Tract. 27,6). Santo Agostinho foi capaz de perceber esta realidade, porque possuía já uma grande maturidade espiritual e experimentou na sua vida e na sua ação pastoral, o mistério (eterno) do amor de Deus pelos homens, que se traduz no tempo da Igreja, naquela união que Cristo quis que houvesse entre Ele e os seus membros; união essa que é visível sempre que os cristãos se reúnem para celebrar o Memorial do Senhor.

Em síntese, para o Doutor de Hipona, a Eucaristia é, então, o Corpo de Cristo, o próprio mistério da Igreja, como ele tão bem nos diz: “Que vês? Pão e um cálice; como testemunham os vossos próprios olhos; mas para a vossa fé, dizemos que este pão é o Corpo de Cristo e o cálice o seu Sangue” (Sermo 272). Até aqui, donatistas e católicos encontram-se no mesmo plano. Todavia, o Santo Bispo de Hipona aprofunda o mistério eucarístico, acrescentando: “Se queres entender o que é o Corpo de Cristo, escuta o que diz o Apóstolo: vós sois o Corpo de Cristo e seus membros (1Cor 12,27). Se vós sois o Corpo e os membros de Cristo, o que está sobre a mesa do Senhor é o vosso próprio mistério; e o que recebeis é o vosso símbolo. Vós mesmos concordais quando respondeis: Amen. Ao ouvirdes: o Corpo de Cristo, vós respondeis: Amen. Sede, pois, membros de Cristo para responder com verdade: Amen” (Sermo 272). Como podemos verificar, existe, portanto, uma relação muito íntima entre o Corpo eclesial e o Corpo eucarístico de Cristo. Ambos são realidades que se exigem e se correspondem mutuamente.

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Nélio Gouveia

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32– reflexo

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Habituámo-nos a ter D. Manuel Clemente sempre presente, como um pastor junto do seu rebanho

Unidos na missão e na oração Sabias que:

No dia 18 de Maio de 2013 recebemos a notícia de que D. Manuel Clemente foi nomeado para o Patriarcado de Lisboa, ele que é o Bispo do Porto desde que o Papa Bento XVI nomeou a 22 de Fevereiro de 2007. D. Manuel Clemente regressa à diocese de onde é natural e onde viveu e exerceu o seu ministério mais tempo. A sua passagem pela Diocese do Porto foi significativa. Ao tomar conhecimento da sua nomeação para Patriarca, surgiram muitas reações com um misto de sentimentos, por um lado alegria pela sua nomeação, por outro lado sentimento de perda, sobretudo na Diocese do Porto. Sobre a sua passagem pela Diocese do Porto fica uma feliz memória, como realça o comunicado: “A permanência na Diocese do Porto, ao longo destes seis anos e alguns meses, deu ainda maior visibilidade à sua figura de pastor e homem de fé e cultura. A sua proximidade às pessoas e às instituições e a extraordinária capacidade de leitura dos ritmos da Sociedade fizeram dele uma referência permanente no âmbito eclesial e nas mais variadas instâncias sociais e culturais. A sua ampla compreensão do ministério episcopal granjeou-lhe um lugar no coração dos mais simples e abriu portas ao respeito e admiração pelos dinamismos da Igreja Católica em Portugal. Obviamente estas qualidades cabiam dentro da Igreja Portucalense, habituada que está a grandes nomes que marcaram a sua história e a história pátria! Mas a Igreja é assim: católica, isto é, universal. Não se fecha a nada nem a ninguém e os seus filhos assumem com generosa disponibilidade o espírito de peregrino. Esta nomeação reaproxima o Senhor D. Manuel das suas raízes de sangue e não nos deixa órfãos, porque continuaremos a usufruir do calor da sua Sabedoria” (comunicado de agradecimento dos Bispos Auxiliares, Vigários Gerais e Chanceler). Impressiona a sua disponibilidade, capacidade de resposta, presença. Realmente habituámo-nos a ver D. Manuel Clemente sempre presente, como um pastor junto do seu rebanho. Muitas vezes pensava como é possível responder a tantas solicitações e como o fazia. Na sua agenda cabia sempre mais um compromisso. Deixa na diocese uma marca de bondade e simplicidade. As suas palavras sempre cativantes foram um apelo ao essencial, à esperança e à comunhão. Na mensagem que dirigiu à diocese após a sua nomeação para Patriarca diz: “Levarei comigo e em ação de graças as mil e uma expressões da amizade com que me recebestes e ajudastes no exercício do ministério. Nas comunidades cristãs, nas várias associações de fiéis e movimentos, nos institutos religiosos e seculares, bem como nas diversas instituições públicas e civis da grande região

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portuense, encontrei sempre o mais generoso acolhimento e a vontade firme de servir o bem comum. Em tempos tão exigentes como os que atravessamos, todas essas realidades a que dais corpo e alma são a melhor garantia daquele futuro fraterno, justo e solidário, de que ninguém desistirá decerto. Conheci-vos de perto, servi-vos como pude e com estima que permanece, em perpétua gratidão. Em tudo foi da maior valia a colaboração de muitos, começando pelos Senhores Bispos que me acompanharam no serviço diocesano, com incansável entrega. Com eles, os vigários gerais, os membros do colégio de consultores (cabido da sé) e todos os membros da cúria dio-

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A Palavra de Deus diz: Jo 10, 11-18. A imagem do pastor é frequente nas escrituras. Jesus apresenta-se como o Bom Pastor. Jesus é o verdadeiro pastor que está disposto a sacrificar a própria vida pelas suas ovelhas. Quem quer ser discípulo de Jesus deve imitar este seu amor e disponibilidade incondicionais.

Faz silêncio e reza: Procura um local sossegado. Lê com calma a passagem do evangelhos.

cesana e da casa episcopal; bem assim os responsáveis pelos nossos três seminários diocesanos, os vigários da vara e seus adjuntos, os responsáveis pelos secretariados diocesanos, os membros dos conselhos presbiteral e pastoral e de outros conselhos e comissões, instâncias de participação e organismos. Referência especialíssima quero fazer ao clero paroquial, secular ou regular, incansável na sua dedicação ao serviço quotidiano do Povo de Deus, especialmente aonde tem de acumular várias comunidades e serviços. Saliento também os diáconos permanentes, os consagrados/as e os milhares de fiéis leigos que colaboram ativamente na catequese e no serviço da Palavra e da oração, na vida litúrgica e na ação sociocaritativa. – Grande e bela é a Diocese do Porto, na imensa aplicação dos seus membros ao serviço de Deus e do próximo! (…) O coração não tem distância, só profundidade acrescida. Aqui ou além, continuaremos juntos, no coração de Deus”. Obrigado e continuaremos unidos na missão e na oração.

Como vivo o mandamento de Jesus: “amar o próximo”? Que mais posso fazer em serviço da comunidade onde estou inserido? Faz uma oração a Deus.

Tenho de:

O evangelho apresenta o bom pastor como um homem livre que ama sem medida. A parábola do Bom Pastor não se dirige só aqueles que assumiram uma autoridade na Igreja. O que posso fazer para viver em plena liberdade e disponível para aquilo que Deus nos pede? Como agir de acordo com o Bom pastor com os irmãos e com Deus?

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Feliciano Garcês

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34– outro ângulo do mundo

Que a Madalena sinta o meu colo e o do pai como um porto de abrigo seguro

O que faz uma mãe feliz? Esta pergunta foi me colocada o mês passado para participar num concurso em que a vencedora ganharia um vale de compras de roupinha para bebé. Na hora fiquei perplexa não com a pergunta, mas por não ter qualquer resposta rápida, intuitiva.

Os primeiros dias como mãe nem sempre são ternurentos como queríamos, ou como achamos que deveria ser. A transformação ao longo de 40 semanas de gravidez, a recuperação física e emocional no pós parto e a adaptação ao novo ser que será da nossa responsabilidade (do pai e da mãe), poderá ser assustador e com isso, poderá existir momentos de frustração. Acabei por não participar no concurso com a desculpa de que “não lhe consigo responder agora, pois se eu concorrer quero fazê-lo com uma frase vitoriosa” e lá quem me interpelou aceitou a minha justificação. Dei comigo a quebrar a cabeça: “o que faz uma mãe feliz?” Neste momento faz-me feliz que a Madalena, minha filha, passe um dia sem cólicas (principalmente uma noite!), que a fralda traga um “presente” de vez em quando (também não tem que ser sempre), que sinta o meu colo e o do pai como um porto de abrigo seguro (Vá…também pode sentir o mesmo no colo dos avós e dos tios), conseguir interpretar os seus vários tipos de choro, perceber o que a deixa confortável, vê-la a dormir com aquele ar sereno, notar que está adquirindo competência, que a roupinha da semana passada já não lhe sirva (isto porque a maioria foi emprestada!), que as fraldas para recém nascidos já lhe fiquem apertadas, quando esboça sorrisos mesmo que de um reflexo se trate, chegar a tempo a um compromisso (bem, isso é mais missão impossível que felicidade), que passe na rua e digam: ”como ela é parecida contigo”… acredito que seja uma felicidade, pois ainda (ainda!) não aconteceu comigo! Conforme for crescendo outros aspetos e situações me farão feliz, mas acredito que a felicidade deverá passar essencialmente por saber que a estamos a ajudar a crescer e, acima de tudo, a ser ela própria na sua

própria felicidade. Se calhar, muitas vezes uma mãe se sentirá feliz após ter passado momentos de frustração, de saber como facilitar a vida a um filho em três tempos, mas tendo consciência que no futuro não será o melhor para ele. Muitas vezes uma mãe ficará de coração apertadinho com receio de que algo de menos bom aconteça a sua cria (tenha ele um mês ou 40 anos!) e calar aquele voz que queria dizer: “fica quietinho bem pertinho da mãe para não te magoares”. O que faz uma mãe feliz? Ter um filho que se sinta livre!

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Alícia Teixeira

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do mundo

nuances musicais – Motivos religiosos na inspiração e na escrita da música

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Música e Religião A música escrita que se conhece dos tempos mais remotos da antiguidade foi composta baseada em motivos religiosos. No entanto, o pretexto pagão marca também muito do que se escreveu ao longo dos tempos, tendo na atualidade ultrapassado em termos mediáticos o género religioso nas composições.

A temática religiosa foi sempre inspiradora de debates, de demonstrações artísticas e acima de tudo motivo de controvérsia no que concerne a princípios de pró e anti crença. A música escrita que se conhece dos tempos mais remotos da antiguidade foi composta baseada em motivos religiosos. No entanto, o pretexto pagão marca também muito do que se escreveu ao longo dos tempos, tendo na atualidade ultrapassado em termos mediáticos o género religioso nas composições. Os grandes artistas da atualidade são quase sempre questionados acerca das suas tendências religiosas. Esta curiosidade tende a especular não só acerca do seu modo de vida, mas também os motivos de inspiração e a mística transcendental que envolve os artistas que por vezes parece que vivem num mundo diferente do nosso. Nesta situação podemos analisar dois estilos de vivencia: a assumidamente religiosa e a totalmente anti religião, repudiando qualquer alusão ao divino e a tudo o que possa ser motivo de crença comum. É claro que nesta última situação podemos englobar aquele género musical que se dedica a mostrar o seu repúdio pela religião, abordando-a intensivamente nas suas composições. Este enfoque está explicitamente presente em grupos do chamado Black Metal, em que a sua religiosidade é combater o divino. Apesar de ser um género que também congrega grande complexidade musical esvai-se no fundamentalismo, que, em minha opinião, chega a bater no ridículo por excessos sem razão aparente de anti religião e anarquia.

Em contraponto, existe dentro do género os grupos que assumem o carácter pró religião, apelam à paz, evocam a divina providência nas suas composições, a fé em Deus é demonstrada em concertos, abrangendo admiradores que assistem a um bom espetáculo musical e simultaneamente são missionados transportar o que lhe o que lhes foi transmitido. Existem críticos que acham que os verdadeiros artistas não se deveriam manifestar quando às suas tendências, outros dizem que não se manifestar seria viver na hipocrisia e apenas demonstrar quando desse jeito. Curioso e talvez motivo que análise também é o facto que termos mais frequentemente a notícia de artistas que se convertem a uma religião e não têm problema em assumi-lo, do que artistas que são muito religiosos e que de um momento para o outro assumem que perderam a sua fé. Enfim, o tema, Deus e a religião será sempre uma presença inequívoca nos meandros na arte musical, mesmo que dissimuladamente apetecível em frases como a de John Lennon: “Somos mais populares que Jesus Cristo”.

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Florentino Franco

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36– pessoas do mundo

Moedas num saquinho Há pessoas que passam na nossa vida e das quais nem nos lembramos. Há outras que se tornam impossíveis de esquecer. Na minha curta vida, já tive o privilégio de me cruzar com pessoas fabulosas, das quais “suguei” ao máximo o sábio exemplo que cada uma tinha para me dar. Hoje relembro em especial a Dona Cândida, da qual não mantenho o contacto não só por falta de tempo mas porque como ela diz “eu rezo por ti ao longe e sei que o sentes no teu coração”. A D. Cândida vive em Terroso, uma linda terra na Póvoa de Varzim. Que tem ela de especial? Um coração cheio e um grande sorriso no rosto, sempre. Em cada dia mais complicado da minha vida lembrome de um sonho repetido que ela tinha na infância, e gentilmente partilhou comigo. Sei que não se vai importar que o partilhe também, embora não vá ter o mesmo impacto certamente. Para fazer jus ao sonho, imaginem uma voz melodiosa, calma e terna, um brilho radiante nos olhos e um sorriso acolhedor no rosto: “Quando eu era criança tinha repetidamente o mesmo sonho. Ia por um caminho cheio de pedras. E entretinha-me a levantar as pedras e debaixo de cada pedra tinha uma moeda que eu guardava cuidadosamente num saquinho. E quando maior fosse a pedra, maior era a moeda! E eu ia, caminhava lentamente. Pelo caminho já quase sem forças de levantar as malditas pedras nas quais tropeçava constantemente. Mas uma Luz dava-me forças e eu levantava-as todas. E o saco transbordava de moeda! Sentia-me rica! Hoje a vida ensinou-me que as moedas não são de ouro. Debaixo de cada obstáculo que se atravessa a nossa frente e que a Luz de Deus, que tanto nos ama, nos ajuda a ultrapassar está uma riqueza maior que todas as riquezas do mundo! A sabedoria, o amor.”

É incrível como uma simples historia, uma simples pessoa, um só exemplo, pode mudar a nossa maneira de ser e de encarar a vida. Não voltei a olhar para as “pedras” do meu caminho com os mesmos olhos. Hoje olho para elas e sorrio, agradeço a Deus o ter cruzado a D. Cândida no meu caminho, agarro-me a Ele, levanto a pedra e apanho a minha moeda. Sei que um dia terei o meu saco cheio, e tal como ela, terei um coração cheio e um grande sorriso no rosto, sempre! Tenho pena não poder colmatar a história como ela sempre faz: com um abraço bem forte e acolhedor.

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Inês Pinto

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do mundo

minha rede –

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“Blogar” ou nem por isso... A palavra portuguesa blogue deriva da palavra inglesa “blog”, que por sua vez é derivada, ou abreviada, de “weblog”. O “weblog”, quando surgiu, não era mais do que um sítio na internet em estilo de diário cujo primordial objetivo consistia em listar ligações (“links”) de páginas que o seu autor considerasse interessantes. Os blogues derivados destas “listas” seguem alguns desses princípios iniciais, como seja a apresentação de entradas/publicações por ordem cronológica inversa, ou seja, os últimos artigos publicado surgem no início da página e vamos descendo em direcção às publicações mais antigas. Hoje, graças à democratização da utilização da Internet, qualquer pessoa ou instituição pode ter um blogue para publicar os seus assuntos. Ainda há pouco tempo, esta era a forma mais utilizada para criar-se uma página pessoal de forma rápida e sem termos de dominar grandes conhecimentos de informática. Com o surgimento de certas redes sociais, este género de publicações tornouse menos frequente, pois é possível ter, por exemplo, a sua página, mais ou menos configurável, no “Facebook”. No entanto, há ainda muita gente e instituições, públicas e privadas, que tem o seu blogue para publicar e divulgar os seus textos, reportagens, anúncios, fotos e outros afazeres, pois vêm nisso uma maior liberdade e independência, que não têm nas redes sociais e, assim, organizam-nos à sua maneira. Também há as variantes dos blogues, ou seja os foto blogues e os vídeo blogues. Nestes, o intuito é criar um blogue que vive, essencialmente, da publicação de fotos ou vídeos de interesse para o seu autor.

Dentro dos serviços de hospedagem de blogues, deixo-vos alguns endereços caso ainda não conheçam ou tenham a curiosidade de explorar um pouco mais. Aqui ficam alguns nacionais e estrangeiros, entre outros, começando por um serviço de hospedagem pioneiro e ainda muito bom. Blogger (http://accounts.google.com) – neste caso já teve endereço próprio, mas depois de ser adquirido pela Google passou a aceder-se através das contas Google; Sapo (http://blogs.sapo.pt/) – hospedeiro nacional; UOL Blog (http://blog.uol.com.br/) – brasileiro; Wordpress (http://wordpress.com/) – americano. Há ainda instituições que criam o seu próprio blogue sem recorrer a serviços de hospedagem genéricos e associam, desta forma, um blogue ao endereço da sua página pessoal ou institucional. É o caso da Pastoral Juvenil e Vocacional Dehoniana, que podem visitar aqui: http://lnx.dehonianos.org/pjuvenilv/. Embora este mais me pareça uma autêntica página do que um blogue. Descobri, também, que os Valentes têm um blogue: http://valentes.blogspot.pt/. Um bom mês para todos e boas descobertas.

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Victor Vieira

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38– escutismo da juventude

Escutismo em Esgueira: o espírito e o ideal de Baden-Powell

Um

o t i e f o h n cami

Cá estou novamente com notícias escutistas. Como prometi da última vez que escrevi, fiquei de dizer como seria o FESCUT’12 - (en)Contra a Maré, ou seja, o Festival Nacional da Canção Escutista. Realizou-se no passado mês de Outubro nos dias 26, 27 e 28. Foi uma festa bonita, contando com Escuteiros de vários pontos do país – Aveiro, Porto, Viseu, Lisboa, Setúbal, Madeira e Castelo Branco. Todas as canções a concurso eram bonitas e com letras bem significativas. Voltou a ganhar um Clã da Madeira. Parabéns! Serão novamente eles a organizar a edição FESCUT’13. No dia seguinte (Domingo dia 28) realizou-se a Eucaristia de encerramento na Igreja Paroquial de Santo. André, de Esgueira, com todos os elementos participantes. Decorreu com muita alegria e espontaneidade. No final do almoço foram todos para as suas terras, com o espírito escutista renovado por estes três dias intensos, mas gratificantes. E eis-nos chegados ao jubileu dos 25 anos do Agrupamento de Escuteiros 136 – Esgueira –, ou seja, os 25 anos da data da reactivação do nosso agrupamento que foi precisamente há um quarto de século (25 de Janeiro de 1988). Neste dia comemorativo houve missa com a promessa de uma dirigente, depois um jantar convívio partilhado e, no fim, uma festa, em que participaram todas as 4 secções (Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros). Acabou tarde, mas valeu a pena. Também eu acabei no palco a contracenar com o grupo dos Caminheiros! E agora, muito resumidamente, quero partilhar convosco como tudo começou há 25 anos atrás.

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o ã ç a c i d e oc m d Recuemos no tempo… O Sr. Victor Rocha (pessoa a quem devo o acesso a esta história, e o meu agradecimento) tinha já um curriculum escutista e sabendo disso, o anterior Pároco de Esgueira, Padre Albano, já falecido, falou com ele e lançou-lhe um desafio: criar em Esgueira um Agrupamento de Escuteiros.

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Atuação do Clã de Esgueira no FESCOUT 2012

Nos anos 80 estava a afluir a Aveiro, e arredores, muita gente procurando emprego e também devido à então nova Universidade de Aveiro. Era preciso recebê-los e propor-lhes algo que os ajudasse a integrarem na comunidade. O Sr. Victor disse SIM. O Pároco ficou com a missão do anúncio de um encontro de adolescentes com um chefe de escuteiros. E foi assim que no dia 25 de Janeiro de 1988 um grupo de jovens se reúne na Casa do Sagrado Coração (noviciado dos Dehonianos) com o 1.º orador, ou seja, o Sr. Victor. Logo a seguir, a 19 de Fevereiro de 1989, em celebração presidida por Monsenhor João Gaspar, e em representação do Senhor Bispo de Aveiro, fazem-se as primeiras promessas de escuteiros, no que é hoje o Agrupamento 136, que se encontrava desactivado desde o início da década de 70. Organizou-se assim uma campanha de “Natal de Paz, Brinquedo de Paz” e também “Uma Vida – Uma Árvore”, da qual resultou um cartaz oficial usado no Dia Mundial da Árvore, no ano de 1990. Estas e muitas outras expressões, tanto na participação e realização das mais variadas actividades escutistas, vontade de fazer mais – apostando devidamente na formação dos jovens Escuteiros – e também de servir, transportam o 136 para as mais altas esferas do CNE, colocando o agrupamento numa posição notável no seio da região de Aveiro. O local para as reuniões semanais era, inicialmente, o Seminário acima

referido, depois passou para o pátio da residência paroquial e, mais tarde, para as salas da inaugurada e remodelada Junta de Freguesia. Posteriormente, e resultante do grande crescimento do Agrupamento, a sede foi instituída no Centro Paroquial, local onde ainda hoje se mantém. A Freguesia de Esgueira tem muito orgulho nos seus Escuteiros, mas ninguém dá um passo em frente para a construção de uma sede, digna e já há tanto merecida, com a aquisição de um terreno nas imediações da respectiva Freguesia. Assim, página a página, se foram escrevendo 25 anos de história com letras de ouro, por onde passaram centenas de jovens, alguns deles hoje Dirigentes no Agrupamento. Foi assim que, há 100 anos, o fundador do Escutismo, o inglês Robert Baden-Powell, começou devagar este projecto com alguns jovens. O Agrupamento 136 também teve pouca gente, de início, e hoje são mais de 100 elementos, distribuídos pelas 4 Secções. Não queria terminar sem mencionar os últimos três Chefes de Agrupamento: os Dirigentes José Maria Antunes, Nuno Peixinho e, presentemente, dirige o Chefe Carlos Cruz. Todos eles se empenharam, e empenham, para que o Escutismo em Esgueira não acabe, avance e seja uma realidade presente, sendo salutar para as nossas crianças, adolescentes e jovens.

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Emília Diogo

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40– jd-Açores da juventude

Ainda a preparação e vivência da Páscoa: Via-sacra das crianças com as paróquias de Livramento e São Roque

Sábado dia 9 de Março dia de grande acontecimento na nossa paróquia de Nossa Senhora do Livramento. Fez-se uma via-sacra da catequese com todos os grupos, no Largo do Coreto atrás da nossa igreja. Todos os grupos estavam ali presentes com os seus catequinzandos e pela primeira vez estive presente como catequista. Foi lindo porque participei pela primeira vez como catequista e porque também este ano é a primeira vez que estou a dar catequese. Senti-me cheia do Espirito Santo e tive que conter as lágrimas de tanta emoção e de tanta alegria. Todas as crianças e os catequistas a lerem as suas orações… Correu tudo tão bem pois Jesus estava ali presente connosco. Tinha estado tanta chuva durante todo o dia e naquela altura nem uma pinga caiu, pois Deus sabe o que faz. Ele gosta de nós e está sempre na nossa vida. Queira Ele que para o ano se faça uma via-sacra igual. Também quero dar os parabéns à presidente da catequese porque ela é quem tem esse trabalho. Ela é que prepara tudo. Muitos parabéns também ao nosso pastor, P.e Andrade que teve esta iniciativa. Deus o ajude sempre na sua grande caminhada porque “o Senhor é o nosso pastor e nós somos o seu rebanho”.

s i M O

l a c s a P o téri

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Maria

Pela primeira vez participei na via-sacra da catequese com os meus meninos do 1.º volume e gostei muito da forma como todos se empenharam na dramatização da sua estação. Notei as crianças muito entusiasmadas. Nas pessoas que assistiam era notório nos seus rostos que estavam a seguir com interesse. Antes da décima quinta estação que havia de ser feita na igreja, demorou-se um pouco mais antes da entrada, porque um grupo de Romeiros lá estava e todos nós também entrámos e observámos a sua oração de FÉ, à qual nos associámos. Houve muito respeito e muita interiorização. Obrigada pelo que recebi. Momentos destes ajudam-nos a crescer na Fé...

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Ana do Vale

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do mundo

jd-Algarve –

al Foi uma experiência muito boa. Resultou bem, apesar de ter sido só no início, esta união das paróquias foi emocionante porque ambas as comunidades deram o melhor de si e juntas conseguiram alcançar o mesmo objetivo, recriar os últimos passos do nosso Salvador: Jesus Cristo. Na minha opinião, este tipo de iniciativas devia repetir-se porque pois a Igreja é Universal e muitas vezes fechamo-nos nas nossas comunidades.

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Igor Oliveira

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42– jd-Porto do mundo

A Fé professada, celebrada, vivida e anunciada

Dia

m e m e v Jo

s o r i e t s Be

No passado domingo 19 de maio de 2013, cerca de 30 jovens provenientes de várias regiões da Diocese do Porto reuniram-se em Besteiros, para a comemoração do Dia Jovem da Juventude Dehoniana do Porto. O dia iniciou-se com a celebração da eucaristia do Pentecostes: presidida pelo Pe. Paulo Vieira e animada pelo grupo de jovens de Besteiros, com uma pequena encenação da primeira leitura. Sendo o tema do dia “A Fé professada, celebrada, vivida e anunciada” e a primeira leitura a narração do Pentecostes, foram distribuídas a toda a assembleia umas chamas com os sete dons do Espírito Santo recordando a distribuição do Espirito Santo como Deus fez com os discípulos, com o objetivo de a assembleia levantar as chamas sempre que o Espírito Santo era mencionado.

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da juventude

jd-Madeira –

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No final da celebração os jovens dirigiram-se para o Centro Paroquial, para se darem inicio aos trabalhos programados para o dia. Fez-se a apresentação num clima descontraído, ao que se seguiu uma “conversa” acerca do dia de Pentecostes, do Espírito Santo, do novo Papa Francisco e da fé que professamos no Credo. Houve uma apresentação acerca da sua evolução ao longo da história da Igreja Católica, desde a sua origem dos primeiros Concílios e Papas até ao Credo que é conhecido e professado hoje em dia. De seguida os jovens dehonianos apresentaram-se, num clima bem-disposto e divertido, iniciando-se assim um encontro de fé, de vida e convívio, tendo em vista futuras atividades que se realizarão: Uma caminhada no dia 10 de junho e as Férias Missionárias 2013, de 20 a 29 de julho. Após a apresentação, os jovens foram distribuídos um número a cada jovem de um a cinco para formarem grupos, para a apresentação criativa sobre a evolução do credo e o significado deste para os cristãos.

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44– jd-Porto da juventude

A Fé professada, celebrada, vivida e anunciada (Continuação)

Passados breves momentos do início desse momento, deu-se uma pausa para o almoço partilhado dos jovens dehonianos, sendo retomados os trabalhos às 14h30, aproveitando os jovens, assim, para conviverem. Após esse momento de convívio, retomaram-se os trabalhos e os jovens aperfeiçoaram as suas apresentações acerca do seu tema para a posterior apresentação a todo o grupo. Entretanto juntara-se a nós um grupo de seminaristas de que frequentam entre o 8.º e o 11.º anos de escolaridade no Seminário Missionário Padre Dehon de Fânzeres, acompanhados pelos padres Ricardo Teixeira e João Nélio. Deu-se inicio à partilha dos trabalhos dos cinco

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grupos proporcionando momentos de formação e também de boa disposição entre o “público” e os “atores”, sendo assim um momento muito bem passado na comunidade cristã, com interação dos grupos com o público. Essas apresentações não serviram somente para animar o público, mas sim também os jovens transmitirem o aprofundamento que fizeram do credo e a principal mensagem que este nos transmite sobre a vida de Jesus e a fé que temos n’Ele. Antes de ser finalizado este Dia Jovem da Juventude Dehoniana, foram apresentados os novos membros do Secretariado da Juventude Dehoniana do Porto e foram distribuídos pelos presentes uns crachás com os símbolos da fé e no verso uma pequena oração que no exterior, num grande circulo, foi rezada por todos os presentes, finalizando este encontro com uma música “Lancei minha rede ao mar”. De seguida teve lugar um lanche partilhado e os jovens partiram mais lúcidos acerca do que é a fé, a evolução da nossa religião até aos dias de hoje e o valor que o Credo tem na nossa Fé ao ser professado e que esta é importante para iluminar o nosso caminho para o bem, à maneira do Padre Dehon.

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Cátia Sofia Rodrigues

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46– agenda

da juventude

Innsbruck

JD-Açores Junho

09 − Compromisso da JD Açores. Munique

JD-Lisboa Junho

02 − Peregrinação Dehoniana a Fátima.

JD-Madeira

Outros modos de viver a Fé em Cristo. Divulgue o programa entre os seus familiares, conhecidos e amigos

Junho

02 − Peregrinação Dehoniana a Fátima.

Julho

17 − Oração de Taizé no Colégio Missionário. 20-28 − Férias Missionárias 2013.

JD-Porto Viena

Junho

Salzburg

02 − Peregrinação Dehoniana a Fátima. 02 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso. 10 − Caminhada para as FM - Besteiros. 23-24 − S. João no CD e na cidade.

Julho

04 − AdOração no Centro Dehoniano. 07 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso. 20-29 − Férias Missionárias 2013 - em Besteiros. 27-28 − Rio in Douro.

DEHUMOR PAI-NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS...

Informações e reservas pelo 914 122 384 / 255 871 800 ou peantonioaugusto@hotmail.com P.e António Augusto, scj - Betânia - Duas Igrejas - Paredes

“O Homem tem uma semelhança de família com Deus.”

(Padre Dehon)

O PAI NOSSO LÁ EM CIMA A VER TV.

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Paulo Vieira

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tempo livre

passatempos –

tem piada

curiosidades

é a crise...

Internet reprograma cérebro

Um canguru entra num bar na Austrália e pede um Whisky. O barman fica completamente atónito mas lá lhe serve o Whisky. O canguru bebe-o e, no fim, pergunta: – Quanto é? – 25 dólares. O canguru paga e dá meia volta para se ir embora quando o barman lhe diz: – Desculpe, mas… É que eu já cá estou há uns vinte anos… E decerto compreenderá que é coisa rara, um canguru entrar aqui a pedir uma bebida… – Pudera… Com o Whisky a este preço…

Segundo uma pesquisa, os jovens estão a perder a concentração e a capacidade para estudar, pois a Internet está reprogramando os seus cérebros. Para essa pesquisa, solicitou-se a 100 adolescentes que respondessem a algumas perguntas sobre “pesquisas na Internet” e o resultado foi que os mais novos pesquisavam bem menos que os mais velhos. Pesquisando determinado assunto, eles não ‘perdiam’ tempo em duas ou mais do que três páginas, quando na verdade havia diversas páginas com milhares de resultados. O mais surpreendente foi o tempo em cada página. Nem os mais jovens, nem os mais velhos ficavam muito tempo na mesma página lendo as informações. Segundo professores universitários, quando caloiros entram na faculdade, a primeira coisa que eles perguntam é “o que devemos ler?”. Quando os professores respondem: –“um livro”, a próxima pergunta é “quantas páginas ele tem?”. Isso acontece porque não estão acostumados a lerem livros, porque as pesquisas na internet, são mais dinâmicas e menos profundas.

as visitas não comem O João, para as visitas: – As senhoras podem ir-se embora? – Porquê, Joãozinho? – É que a mamã só dá o comer quando saírem, e eu estou com fome.

leis imperfeitas Entre amigos. Diz um: – Já viste que há leis para tudo?! Responde o amigo: – Talvez, mas são imperfeitas… Pergunta o outro: – Porque é que dizes isso?! Esclarece o amigo: – Ora, se as leis fossem perfeitas, para que seriam precisos tantos advogados?!

o pesadelo de Messi Messi estava a dormir, diz-lhe a namorada: – Lionel, acorda! – Sim, o que foi? – responde o Messi ainda meio ensonado. Insiste a namorada: – Acorda, já são oito! Num único movimento, Messi salta da cama e com um ar assustado diz: – O quê? O Bayern marcou outra vez?! E responde a namorada: – Não… são oito da manhã!

Solução de maio Raiz quadrada de 1 = 1

quebra-cabeças 8 litros de vinho Dois amigos bêbados compraram 8 litros de vinho. A caminho de casa, decidem separar-se, repartindo antes o vinho igualmente. Para realizar as medidas há um barril de 8 litros (onde está o vinho), uma vasilha de 5 e outra de 3 litros. Como podem eles fazer para repartir igualmente o vinho?

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Paulo Cruz

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VINDE E VEDE

28 julho 04 agosto 2013 AV E I R O reflexão oração convívio partilha

ENCONTRO VOCACIONAL PARA QUEM?

ONDE E QUANDO?

O QUE TRAZER?

JOVENS (rapazes) entre os 16 e os 22 anos à procura da sua vocação e interessados em aprofundar a espiritualidade dehoniana

AVEIRO Casa Sagrado Coração Noviciado SCJ

TRAZER equipamento desportivo, calçado para caminhar, Bíblia, alguma coisa para escrever

28 de julho 4 de agosto 2013

CONTATOS: juanoite@gmail.com | ricardoscj@hotmail.com | Tel.: 234 300 430

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A Folha dos Valentes  

junho 2013

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