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PUBLICAÇÃO MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

alen es

12.memórias-Recordando o P.e MALAGOLI 24.escola-APRENDER a aprender 28.da Bíblia-O VERBO 38.cuidar de si-DROGAS legais 44.jd-Lisboa-SINTONIZA-TE3

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Dezembro 2011 ANO XXXV

07.poema-NASCER de novo

a

a folh

dos

Que Natal? valentes_2011_10.indd 1

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sumário: da actualidade

SEMPRE SEMPRE JOVEM35 anos no CORAÇÃO FICHA TÉCNICA

Director: Paulo Vieira Administrador: Ricardo Freire Secretária: Margarida Rocha Redacção: Carlos Oliveira, Magda Silva, Marco Costa, Romy Ferreira. Correspondentes: Maria do Espírito Santo (Açores), Amândio Rocha (Angola), André Teixeira (Madeira), Joaquim Antínio (Madagáscar), Nuno Pacheco (Lisboa). Colaboradores: Adérito Barbosa, Alícia Teixeira, Amândio Rocha, André Teixeira, António Augusto, Armando Baptista, Fátima Pires, Feliciano Garcês, Fernando Ribeiro, Florentino Franco, J. Costa Jorge, João Moura, José Agostinho, José Armando Silva, José Eduardo Franco, Juan Noite, Madalena Rubalinho, Manuel Barbosa, Manuel Mendes, Nélio Gouveia, Octávio Carmo, Olinda Silva, Paulo Alexandre, Paulo Rocha, Rui Moreira, Susana Teixeira. Colaboradores nesta Edição: João Chaves, AIC, Pedro Ferreira, Rita Sousa, Inês Vaz, Serafina Ribeiro, Susana Teixeira, Dina Moreira. Fotografia: Nélio Gouveia, Paulo Vieira, Inês Pinto. Capa: Que Natal? Grafismo e Composição: PFV.

03 > alerta! > A vida em etapas 04 > digo eu... > Dos nossos leitores 05 > recortes do Mundo > Obrigado, Carlos! 06 > sal da terra > Sem lugar na hospedaria 07 > cantinho poético > Nascer de novo da família dehoniana

08 > recortes dehonianos > Notícias SCJ 09 > missões dehonianas > Grupos Missionários 10 > entre nós > Família Dehoniana em Moçambique 11 > com Dehon > Pobreza feliz 12 > memórias > Recordando o padre Mário Malagoli 14 > comunidades > Casa de Santa Maria, no Tojal 16 > comunidades > Africae Munus dos conteúdos

17 > palavra de vida > Aplanai os caminhos 18 > vinde e vereis > Mais um “Vinde e vereis” 19 > onde moras > Que tenho feito dos meus talentos? 20 > doses de saber > Ordem da Imaculada, 500 anos (II) 22 > pedras vivas > Pedras vivas para Madagáscar 24 > espaço escola > Aprender a aprender 26 > leituras > O povo Macua 28 > sobre a bíblia > Prólogo de S. João e Natal 30 > reflexo > Advento e Natal 32 > sobre a fé > O admibrabile commercium

Impressão: Lusoimpress S. A. - Rua Venceslau Ramos, 28 4430-929 AVINTES * Tel.: 227 877 320 – Fax: 227 877 329 ISSN – 0873-8939

do mundo

Depósito Legal – 1928/82 ICS – 109239 Tiragem – 3500 exemplares

Associação de Imprensa de I nspiração Cristã

Redacção e Administração: Centro Dehoniano Av. da Boavista, 2423 4100-135 PORTO – PORTUGAL Telefone: 226 174 765 - E-mail: valentes@dehonianos.org Proprietário e Editor: Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) Rua Cidade de Tete, 10 - 1800-129 LISBOA Telefone: 218 540 900 - Contribuinte: 500 224 218

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34 > planeta jovem > What if God was one of us? 35 > outro ângulo > O ponto forte da distância: nós! 36 > novos mundos > Roupa inteligente 37 > nuances musicais > Vídeos do bem-estar

38 > cuidar de si > Alerta - perigo das drogas legais! 40 > dentro de ti > Adopção, uma opção? da juventude

41 > fd-Porto > Do sonho à realidade 44 > jd-Lisboa > Sintoniza-te3 45 > AIC > Conclusões do Congresso AIC 46 > jd-nacional > Agenda 47 > tempo livre > Passatempos 48 > imagens > A reter...

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da actualidade

alerta! – 03

Que Natal? H

á dias o Pe. Nélio Gouveia chamou-me à atenção para uma árvore de Natal que estava aqui na Avenida da Boavista, numa montra, um pouco à frente da nossa casa. Era uma árvore artificial, o que não seria, por si só, novidade e até é ecológica, mas tinha caveiras penduradas em vez das bolas ou outros enfeites tradicionais. Fui lá fazer umas fotos e apresento-a na capa da revista, “misturada” com outras imagens, para nos questionarmos sobre que espécie de Natal o mundo de hoje celebra e que Natal nós cristãos preparamos e celebramos. Já há uns anos atrás, na Itália, deu que falar o facto de um grupo de professores ter promovido numa escola um presépio feito com figuras de contos infantis e dos imaginários da banda desenhada e onde não entrava nenhuma figura do verdadeiro Natal de Jesus Cristo. Não sei será apenas uma falta de gosto, ou uma simples imbecilidade. Ou até uma afronta ao que é sagrado e aos que têm fé… Não seria o Natal um dos feriados a eliminar dos calendários? Ouvi, há poucos dias, alguém dizer numa entrevista que nem apetecia pensar no Natal por causa da crise! Até seria de rir, se não fosse demasiado triste! Como não nos lembrarmos de ser criativos especialmente em tais circunstâncias e tornar o Natal dos mais pobres mais digno? O Padre Dehon disse, e aparece mais à frente nesta edição, que os pobres podem ajudar os que são mais pobres. E normalmente são os pobres que são mais generosos. A conjuntura actual pode muito bem ajudar-nos a purificar o Natal de muita lixeira que nada tem que ver com o seu verdadeiro sentido. Nós cristãos, que tipo de Natal preparamos no Advento? Que tipo de Natal desejamos uns aos outros? E que tipo de Natal construímos na realidade? Podemos rodear o Natal de muita luz e poesia mas esvaziamo-lo se ele não é a Celebração d’Aquele que veio, que vem e que virá! Jesus Cristo é que é o verdadeiro Natal e não há adereços de mau gosto nem crise de espécie alguma que o tire do coração de quem O acolhe e de quem O serve na pessoa do irmão mais pobre! Feliz Natal de Jesus a todos os articulistas, colaboradores, leitores, famílias e amigos!

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Paulo Vieira

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da actualidade

04 – digo eu... Dos nossos leitores

Ex.mos Senhores, Junto anexo o comprovativo da transferência bancária efectuada, como donativo para A Folha dos Valentes. Recebo A Folha dos Valentes desde 1991 com muito agrado. Era jovem quando comecei a recebê-la e lê-la, agora quero transmitir esta leitura aos meus filhos. A Folha dos Valentes, aborda temas actuais, cheia de valores espirituais, comportamentais, que hoje em dia, por vezes fazem falta nos jovens e adolescentes, é por isso que tento incutir a leitura da vossa “revista” aos meus filhos, para ver se consigo que eles vão assimilando aos bocadinhos a discernir entre o bom e o mau. O bem-haja a todos os directores, colaboradores e ao Sr. Padre António Augusto que tive o privilégio de o conhecer e de conviver com ele na minha paróquia, já lá vão muitos anos, mas que para sempre guardarei com muito carinho no meu coração, pelo ensinamento e pela cativação dos jovens para a Igreja. Com os melhores cumprimentos, Ana Manuela Gomes – Amarante

Olá, Só há pouco tempo percebi que ainda não tinha enviado uma ajuda este ano para A folha dos Valentes. Pelo facto, peço imensa desculpa e agradeço que tenham continuado a enviar a revista, apesar da minha falta. De facto, a vossa revista está recheada de excelentes artigos que me proporcionam maravilhosos momentos de reflexão. Neste sentido, fiz hoje uma transferência bancária no valor de (...), para 2011 e 2012. Anexo comprovativo da mesma. Votos de muitas felicidades para este novo ano que se aproxima! Grata pela atenção dispensada, subscrevo-me com estima e consideração: Elisabete Moreira – Gondomar

Olá amigos, gerentes da revista Valentes. Recebo com muito agrado, embora me enviem gratuitamente, o que agradeço, pois sou missionária a tempo inteiro e agora mudei de Lisboa para a nossa nova Comunidade Espiritana em São Teotónio - Odemira. Se me quiserdes continuar a mimosear com o envio da mesma pela qual estais de parabéns, fazei-o para o meu novo endereço. Obrigada Abraço em Cristo Missionário Ir. Ascenção Lourenço – Odemira

Aos nossos leitores: Obrigado! Agradecemos as ofertas que nos tendes enviado e de que a nossa publicação tanto necessita. Lembramos novamente de que não devem enviar dinheiro “vivo” em correspondência normal (é proibido por lei!). Na página 2 (no fundo, à esquerda), vai sempre a indicação de como nos podem ajudar: por vale, cheque (em nome de Centro Dehoniano), ou transferência para o NIB indicado! O ano que vai na folha de rosto que acompanha a revista é referente à última oferta que nos chegou. Obrigado!

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Paulo Vieira

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recortes do Mundo – 05 A Folha dos Valentes agradece a dedicação e deseja felicidades ao seu corrector

Obrigado e as maiores felicidades!

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urante mais de dez anos, o Carlos Oliveira fez parte do Secretariado de A Folha dos Valentes e corrigiu as suas provas. Em quase outros tantos colaborou escrevendo os “recortes do mundo” e artigos de opinião sempre actuais e interessantes. Foi um trabalho dedicado e generoso de voluntariado que muito ajudou à qualidade da nossa revista. No mês passado o Carlos, que trabalhava como corrector numa conceituada editora, no Porto, decidiu mudar de rumo e de profissão. Partiu para França onde está a trabalhar nos caminhos de ferro em Tours. Sempre o conhecemos como uma pessoa alegre, generosa, dinâmica e empreendedora, pelo que acreditamos que este novo projecto vai ser um sucesso. É o que lhe desejamos em nome dos dehonianos portugueses, do Secretariado da revista e dos leitores! Aguardamos notícias e estamos sempre abertos aos seus artigos sempre lúcidos e acutilantes! Bem-hajas, Carlos! Felicidades! Um abraço!

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Paulo Vieira

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da actualidade

06– sal da terra A gruta de Belém e o “buraco” em que muitos se encontram

Sem lugar na hospedaria A circunstância não é de há 2000 anos, mas dos dias de hoje; não se refere a uma Pessoa, antes a um número crescente de mulheres e homens deste tempo; não escandaliza por causa do não acolhimento do Emanuel, mas traduz a sorte de muitos dos nossos amigos, familiares, conhecidos ou desconhecidos que não têm lugar, que perderam o lugar.

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m Belém, não deram casa a Jesus; hoje, continuam a não ter casa muitos dos nossos concidadãos. Há cada vez mais gente sem hospedaria! No itinerário para o Natal, vivido no contexto actual, ganha particular relevo o ponto de chegada dessa caminhada: uma manjedoura. Foi aí que aconteceu o Mistério, que Deus encarnou. O cenário de recusa dos seus contemporâneos e a ausência de conforto não impediu que a História da Humanidade vivesse o maior de todos os acontecimentos: o nascimento do Salvador, Jesus Cristo.

Hoje, o Natal acontece em tempos de carências: umas muito dramáticas, porque retiram a muitas pessoas as condições mínimas que garantam a dignidade de vida; outras muito inesperadas, porque consequência da perda “surpreendente” de um emprego, local e comunidade de referência para muitos trabalhadores, sobretudo em ambiente urbano. Colocar em confronto a gruta de Belém e o “buraco” em que muitas pessoas se encontram provoca perplexidades, interrogações, ambiguidades... A essencial: a humanidade de Deus. No primeiro, como em todos os anos, não foi preciso encontrar condições ideais, de tempo ou espaço, para que acontecesse o mistério da encarnação. Bastou a vontade, querer transformar a História e dar a cada pessoa a capacidade de se transcender, de escolher o horizonte de Deus para a vida de todos os dias. Depois, a constante recusa do outro. Em cada tempo, muitos não têm casa nem pão porque alguns querem guardar, sem precisar, muitas casas e muitos “pães”. Tarda – e tardará – a concretização de conceitos como “bem comum”, “destino universal dos bens”, “justiça”. Finalmente, e talvez a provocação que resulta da junção de “Natal” + “crise” que acontece em diferentes contextos, nestes dias: o maior acontecimento da História não precisou de nada para acontecer. Apenas foi preciso um SIM! Por aqui passa o dilema a enfrentar, com ousadia: prescindir do material para conseguir a realização pessoal. Com Deus é mais fácil. Mas mesmo assim muito difícil.

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Paulo Rocha

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da actualidade

cantinho poético – 07

Nascer de novo Piscas-me os olhos, Nessa ternura sem fim, Fazes nascer cada hora, Novo sentido, Outro rumo, Uma vida a estrear. Nasces em cada aurora, E trazes toda a candura. Os sonhos mais escondidos, As bênçãos, As alegrias De quem aprende a viver. Esperas por mim, Por um colo, por um toque, Um aconchego de amor, Um beijo, Um sorriso, Uma cumplicidade sem fim.

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Madalena Rubalinho

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da família dehoniana

08 – recortes dehonianos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) Dia da Memória Dehoniana [1] 26 de Novembro, Dia da Memória Dehoniana. Desde 2004 que se celebra este evento em toda a Congregação: o conhecimento, a divulgação e a celebração dos mártires dehonianos e das figuras significativas da nossa história. A data tem a ver com a morte de um desses mártires no Congo, o bispo dehoniano Wittebols. Todos os confrades e comunidades são convidados a conhecer e recordar aquelas pessoas que marcaram a história da Província ou da Congregação, ou uma determinada obra ou sector da nossa missão.

Dia da Memória Dehoniana [2]

Cemitério da Congregação em Asten, na Holanda, onde estão sepultados muitos dehonianos, entre os quais o P.e André Prévot (ao centro).

Estive há dias na Holanda, na casa da Congregação em Asten, de onde partiram, desde 1897, muitos missionários para a “grande missão da Congregação” no Congo. Ao contemplar as suas fotos e o grande cemitério anexo à casa, rezei com todos estes mártires. Recorde-se que foi sobretudo em Novembro de 1964 que 28 missionários dehonianos foram assassinados, enquanto testemunham a sua fé em Cristo e o seu amor ao povo do Congo. A semente desses mártires continua hoje a fecundar com muitas vocações a nossa presença neste país.

Dia da Memória Dehoniana [3] Em Alfragide, o Superior Provincial presidiu à celebração desta Memória, com a presença da comunidade e dos directores e secretários das nossas revistas, que aí se encontravam em reunião. Como memória sentidamente orante, mesmo sem conhecermos todos, fica o nome dos confrades dehonianos já falecidos e que estiveram envolvidos no trabalho da Província Portuguesa: padre Luigi Celato (1968); noviço José Mendonça Belim (1969); padre Paolo Bulgari (1979); padre Ivo Tonelli (1982); padre Gastão Canova (1985); padre António Cattaneo (1986); padre Adriano Pedrali (1987); padre Agostino Azzola (1988); padre Vittorio Nardon (1989); padre Tarcisio Contardo (1990); irmão Vitorino Cabral (1991); padres Luigi Ferrari e Ângelo Colombi (1995), padres José Moisés de Gouveia, Luciano Micheli e António Colombi (1996); padre Eugénio Borgonovo (1997); padre José Bairos Braga (1998); padres Constantino Sousa Mota e José Vieira Alves (2000); padres José Rota, Giambattista Carrara e Lino Battistel (2001); padre Mario Malagoli (2003); padres Tarcisio Rota e Mario Fattore (2004); padre Manuel de Gouveia (2006); padres Luigi Morello e Umberto Chiarello (2007); padres João Luís Gaspar e Ernesto Tonin (2008); padres Luigi Gasparetti, Mario Casagrande, Luigi Maino, António Becchetti, Mario Fogaroli, Ângelo Caminati e Miguel Corradini (2009); irmão Tarcísio Sena (2010), padre José Diomário (2011). Que permaneçam na etérea comunhão de Deus!

memória Dehoniana V

Manuel Barbosa

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da família dehoniana

missões dehonianas – 09 Sensibilização missionária, oração pelas missões e apoio material

Grupos missionários

A Carta Pastoral dos Bispos De Portugal de 2010, COMO EU VOS FIZ, FAZEI VÓS TAMBÉM – Para um rosto missionário da Igreja em Portugal, afirma no n.º 20: “Para se dar à animação e cooperação missionária o lugar a que têm direito, torna-se necessário fazer surgir também na Igreja portuguesa Centros Missionários Diocesanos (CMD) e Grupos Missionários Paroquiais (GMP), laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização, que, em consonância com as OMP e os Centros de animação missionária dos Institutos Missionários, possam fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã”. A Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus já há muitos anos iniciou esta forma de animação e apoio à sua acção missionária.

O

s dehonianos portugueses, actualmente, estão nas missões de Moçambique, de Angola e de Madagáscar. Podemos dizer que o empenho missionário da Província tem duas faces. Uma de forma mais directa: os missionários dehonianos em Moçambique, Madagáscar e Índia; e outro de modo indirecto, retaguarda, de apoio aos territórios de missão: os Grupos Missionários. A iniciativa começou na Madeira, mas rapidamente estendeu-se primeiro ao Norte de Portugal e, mais recentemente, a outros zonas do país. Um grupo missionário constitui-se numa paróquia por pessoas que voluntariamente querem aderir à iniciativa. Cada grupo tem o apoio e o acompanhamento de um religioso dehoniano. O grupo é formado animadores que por sua vez congregam à sua volta outras pessoas que apoiam as missões. De entre os animadores escolhem-se o presidente, o secretário e tesoureiro que coordenam a actividade do grupo. Os objectivos dos grupos missionários são os seguintes: criar sensibilidade missionária no seio de uma comunidade paroquial, rezar pelas missões,

recolher apoios (medicamentos, roupas, dinheiro) que depois são enviados para as zonas de missão. Uma vez por mês os animadores dos grupos missionários reúnem-se para rezar pelas missões e partilhar o seu trabalho. É também um momento de formação espiritual do grupo. A actividade anual dos grupos missionários culmina com a Festa Missionário, no Dia Mundial das Missões. Essa Festa realiza-se em dois centros: no Colégio Missionário, no Funchal, e no Seminário Missionário Padre Dehon, no Porto. Outro momento importante de encontro dos Grupos Missionários é na peregrinação Dehoniana a Fátima, no primeiro Domingo de Junho.

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www.dehonianos.org

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da família dehoniana

10 – entre nós

Família Dehoniana grande e diversificada em Moçambique

Família Dehoniana em Moçambique A

primeira presença dehoniana em Moçambique começou em Fevereiro de 1947 no Alto Molócuè, província da Zambézia (só esta é maior que a superfície de Portugal continental) com quatro jovens grandes corajosos missionários italianos: Comi, Pezzotta, De Ruschi e Pizzi. A partir daí, os dehonianos foram criando missões em outros pontos da Zambézia. Em Maputo, existe uma casa de acolhimento, no centro da cidade, e há também o seminário no Fomento, com cerca de 20 estudantes de filosofia. Já há uns anos, criou-se uma comunidade em Nampula (S. Pedro – Bairro de Napipine), onde hoje o arcebispo, D. Tomé, também é dehoniano. Há poucos anos, D. Élio Greselin foi nomeado bispo do Niassa. Aí passou a haver também uma presença dehoniana, juntamente com o Irmão José Meone. Além da congregação aqui em Moçambique, existe ainda o Instituto Secular da Companhia Missionária, com presença em Maputo e Nampula, que também tem leigos à sua volta. Do mesmo modo, no Gurúè e Quelimane existem centenas de leigos dehonianos. Tudo isto sem esquecer voluntários italianos e a ALVD de Portugal que têm marcado presença junto das comunidades dehonianas. Além de querer sublinhar a presença dehoniana aqui em Moçambique, queria também referir a presença dehoniana de Moçambique no céu. O P.e José Diomário faleceu, na Madeira, no dia mundial das missões a 23 de Outubro de 2011. Viveu aqui dezenas de anos. Termino este apontamento, assinalando a partida para o céu do P.e Luís Vasco Monoca, primeiro padre dehoniano moçambicano, a 3 de Novembro de 2011, precisamente natural do Alto Molócuè, onde se iniciou toda a presença dehoniana nesta terra de quase 800 000 km2.

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Adérito Barbosa

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da família dehoniana

com Dehon – 11

CRONOLOGIA

Pobreza interior como meio para a entrega abnegada

DEHONIANA História da Província Portuguesa

Pobreza Feliz A

1995 17|Setembro ES OBR OS P JUDAR M A ES PODE IS POBR A OS M

o ler escritos dispersos de Dehon facilmente se conclui que as suas ideias são actuais. As questões que hoje vão emergindo encontram, não raras vezes, resposta nos seus pensamentos. O mundo de Dehon era muito diferente do nosso. Não existiam as tecnologias de vanguarda que agora ligam o planeta em segundos e quanto à velocidade do conhecimento nem há comparação. Todavia, as suas palavras ecoam no tempo e podem ajudar-nos. O Fundador viveu para Deus e para os outros, tendo decidido despojar-se dos bens materiais, almejando sempre a perfeição da pobreza. Dehon amava a pobreza, pois esta permitia-lhe seguir, sem desvios nem distracções, o caminho da reparação do Coração de Jesus. Vivendo como ninguém os ensinamentos de Jesus, sempre soube que receberia cem vezes mais no Reino dos Céus. Para o Fundador, a pobreza significava a mais pura felicidade. Ao invés, encarava a riqueza como a origem de preocupações sem fim, impeditiva de ver mais além. Destarte, ensinava os seus discípulos a apartarem-se do que não é essencial, a fim de se aproximarem mais de Deus e a com Ele se enriquecerem. Falava, sobretudo, da pobreza interior como modo de entrega abnegada. O Padre Dehon Nos dias de hoje, não é fácil perceber estes pensamentos sábios e singelos, contudo, encarava a riqueza eles podem ser a resposta para muitos dos como a origem problemas que despontam. Se soubermos de preocupações sem fim, perceber o que verdadeiramente é essenimpeditiva de ver mais além. cial, poderemos viver para os outros e para Deus. Se conseguirmos sentir e entender a perfeição da pobreza, receberemos muito mais do que aquilo que partilharmos. Esta é a hora de saber dar, de saber ver mais além e de impedir que o nosso caminho rumo à verdadeira felicidade possa sofrer desvios. É tempo de sair do nosso espaço para partilhar, pois a recompensa será maior…e seremos bem mais felizes.

Início da presença dehoniana em Vila Real de Santo António (Algarve).

1996 05|Maio Abertura oficial do Centro Missionário do Coração de Jesus em Ponta Delgada (Açores).

2001 22|Agosto Partida do primeiro dehoniano português para a missão da Índia.

2002 08|Março Erecção canónica da comunidade de Duas Igrejas em Paredes.

2003 14|Setembro Inauguração do Centro de Espiritalidade Betânia em Duas Igrejas (Paredes).

2004 04|Março Partida dos primeiros missionários para Angola: P.e Manuel Domingos e P.e Joaquim Freitas.

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Rui Moreira

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12 – memórias

Acção educativa com base no respeito pela pessoa

Recordando o Padre Mário Malagoli

P.e Mário Malagoli 1916-2003

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15 de Dezembro de 1951, apeavam-se, pelas 20h30, na Estação Nova de Coimbra os Padres Ângelo Caminati e Mário Malagoli, procedentes da Itália e destinados à nova presença dehoniana em Portugal, na cidade do Mondego. Hospedaram-se no Seminário Diocesano e logo se entregaram, sem conhecer a língua, à colaboração pastoral nas paróquias da cidade e arredores, celebrando Missa e administrando sacramentos em latim, que era então a língua da Liturgia. O padre Mário Malagoli será logo nomeado director espiritual do dito Seminário, cargo que exercerá por largos anos e, mal aprenderá a língua portuguesa, dedicar-se-á a um outro ministério, em que se tornará mestre e muito solicitado: a pregação, sobretudo de retiros. De uma exposição e argumentação claras e incisivas, apesar da voz desajeitada, passará depois a leccionar filosofia e disciplinas afins no Instituto Missionário de Coimbra para os alunos internos da Congregação, tornando-se esses ministérios – direcção espiritual, pregação e ensino – os campos em que o confrade de modesta estatura, mas de grande dinamismo, se afirmará entre nós.

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Nasceu a 27 de Janeiro de 1916 em Soliera, Módena (Itália). Com 14 anos entrou no seminário dehoniano em Albino (Bérgamo), professando a 29 de Setembro de 1936 e sendo ordenado sacerdote a 27 de Junho de 1943. Exerceu o seu ministério de sacerdote e religioso, de 1943 a 1951, em diversas casas e sectores de actividade da Província Italiana: professor em Foligno, vigário paroquial em Ponte San Marco (Bréscia) e Gardella (Voghera, Pavia?), reitor do santuário de Boccadirio (Bolonha), pároco em Roma e, por fim, orientador disciplinar na escola apostólica (seminário menor) de Albino. Nos fins de 1951, já com 35 anos de idade e 8 de sacerdócio, troca a Itália por Portugal. Até 1968, fará parte da comunidade do Instituto Missionário de Coimbra; de 1968 a 1971, da do Porto (Boavista), como professor; de 1972 a 1998, da do Colégio Infante, como animador e professor e, a partir de 1998, da de Aveiro, onde falecerá a 11 de Julho de 2003, na idade de 87 anos. O Padre Mário Malagoli foi uma figura e personalidade típicas entre nós. Nunca exerceu cargos de superior nem de Conselheiro Provincial. A sua mais-valia foram o ensino, a pregação e a direcção espiritual. Nos largos anos que viveu e operou no Colégio Infante D. Henrique, a animação espiritual dos alunos foi a sua grande tarefa. Duas qualidades humanas distinguiram o Padre Mário Malagoli por onde passou: a ternura pelas crianças e o amor pelo desporto, nomeadamente o futebol. Os álbuns fotográficos que deixou estão cheios de grupos de crianças, com quem se entretinha e que lhe correspondiam considerando-o e tratando-o como o avozinho do Colégio.

O seu gosto pela ordem, a sua fidelidade ao horário e aos projectos assumidos levavam-no a trabalhar com intensidade.

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memórias – 13

Duas qualidades humanas o distinguiram por onde passou: a ternura pelas crianças e o amor pelo desporto. Uma das suas grandes paixões foram o futebol, sobretudo o da sua Juventus e a fórmula-um, onde a Ferrari lhe dava grandes satisfações. Conhecia em pormenor os meandros e vicissitudes desses campos do desporto. Já no leito de morte, ainda seguia com interesse o mercado da compra e venda de jogadores da sua Juventus e não só. As transmissões televisivas dos Mundiais e outras competições internacionais eram por ele seguidas com fervor. Eram aspectos que revelavam o lado humano da sua personalidade. D. Manuel de Almeida Trindade, na altura reitor do Seminário diocesano de Coimbra, testemunhou do Padre Mário Malagoli a cordialidade com que sempre tratava os alunos, e a boa impressão que dava “correndo de batina atrás da bola num campo de futebol: uma maneira com que cativava a simpatia dos padres e alunos do Seminário”. Outros testemunhos de seus dirigidos realçam esses valores humanos, aliados a uma profunda e segura espiritualidade.

Os depoimentos por ocasião da sua morte realçam ainda a sua boa disposição, a sua alegria e capacidade de comunicação, irradiando simpatia e transmitindo entusiasmo. O seu gosto pela ordem, a sua fidelidade ao horário e aos projectos assumidos levavam-no a trabalhar com intensidade, sem frenesim, dando a cada coisa o tempo necessário: era metódico no que escrevia, dizia e fazia. Havia porém um dado humano que intrigava os que com ele conviviam: os poucos contactos com a família e terras de origem. Perdera os pais relativamente cedo e não mantinha grandes contactos com o único irmão que tinha. Quando todos falavam com interesse da própria família e desejavam visitá-la, o Padre Mário Malagoli era uma excepção; não ia com frequência à Itália, preferindo passar férias em Portugal nas Casas da Província. “Passou as últimas três semanas no hospital de Aveiro – lê-se noutro depoimento – lúcido e sempre sereno e sorridente, apesar dos sofrimentos. Quando o visitavam, apontava para o céu sorrindo e dizendo palavras não bem articuladas, mas cujo sentido era claro: vou para o céu!”. Lá certamente aguarda a chegada das muitas crianças que afagou e talvez siga, sem esperar pelos jornais e noticiários, as vicissitudes da sua Juventus e Ferrari e, quem sabe, jogue muito à bola com os anjos! É também assim que gostamos de recordá-lo.

Duas grandes paixões do P.e Mário Malagoli: - a Fórmula 1, com a “sua” Ferrari; - o futebol, com a “sua” Juventus.

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João Chaves

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14 – comunidades

Entre os sonhos e a realidade, na Quinta da Abelheira

A Casa de Santa Maria, em Loures – Tojal

Ao iniciar a década de sessenta, uma das preocupações dos responsáveis da Obra dehoniana em Portugal era a definição e consolidação dos seminários menores no Continente. As vocações abundavam, sobretudo do Norte, tornando-se a Escola Apostólica Padre Dehon da Boavista pequena para acolher os que nela desejavam entrar

Ampliou-se a velha creche, mas um primeiro andar não foi suficiente e precisava-se de espaços para a vida de um seminário menor. Não havendo garantias de que os circunstantes fossem cedidos ou vendidos pela empresa proprietária, pensouse em desdobrar a estrutura e mesmo abrir uma outra congénere noutro ponto do País. As actas do Conselho Regional da altura são ricas de dados em propósito. Na reunião de 19 de Outubro de 1960 chumbouse “a plenos votos a proposta de comprar uma casa em Salvaterra de Magos!” Também se pensou em abrir um seminário menor em Santarém, para beneficiar das comunicações ferroviárias. Era Superior Regional o dinâmico Padre João Baptista Carrara, e mais uma vez o seu amigo e benfeitor Julien Leacock foi o instrumento da Providência. Pôs ele à disposição da Congregação uma casa que possuía no vale do Trancão, a Norte de Loures, como sócio da Sociedade G. Graham, proprietária da local fábrica de papel, a chamada Quinta da Abelheira. Foi na reunião de 13 de Novembro desse 1960 que a notícia foi dada e

O actual estado da Quinta da Abelheira, no Tojal. Foto: LUIMIO http://www.lugaresesquecidos.com

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Grupo de alunos no Seminário Padre Dehon, na Boavista, Porto. Foto encontrada no Blog do antigo aluno José Gil (o 1.º da esquerda): pontedaspoldras.blogspot.com.

acolhida a proposta com grande satisfação e esperança. O doador não indicava finalidades da nova obra, apenas recomendava que se cuidasse pastoralmente da população vizinha, que vive longe do centro paroquial (São Julião do Tojal). Mais tarde, haveria ele de manifestar o desejo de que se realizasse uma obra social em benefício dos cerca de seiscentos operários da vizinha fábrica, prometendo para o efeito a construção de uma capela e estruturas anexas. A Quinta da Abelheira fora propriedade dos Cónegos Regrantes de São Vicente de Fora, que para ali se transferiram com o terramoto de 1755, desenvolvendo o fabrico do papel, de nomeada internacional. Com a vitória dos liberais, a quinta passou para o Estado em 1834 e, um ano depois, para o Conde do Tojal, vindo a herdá-la um inglês, parente deste. Nos finais do século XIX, pertence à família Grahams, que em Portugal se dedicará à produção do papel, e de que será sócio o benemérito Julien Leacock. Daí a instalação das Casas da Boavista e de Loures em estruturas desse ramo de indústria. Com a nova oferta, começou-se naturalmente a sonhar. Na reunião do mês seguinte, 15 de Dezembro de 1960, já se dava o nome da futura obra: Casa de Santa Maria. Por ora, a Casa destinar-seia a pré-Escola Apostólica e a casa de formação para Irmãos Auxiliares. Como a casa de Aveiro precisava de ser restaurada, chegar-se-á a pensar na transferência provisoriamente do noviciado para a

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da família dehoniana

comunidades – 15

A actual Casa de Santa Maria, no Forte da Casa.

nova casa de Loures. Ao autorizar a abertura da nova Casa religiosa, o Cardeal Patriarca pedia aos Dehonianos para dar assistência e ajuda pastorais às comunidades vizinhas, então ao cuidado sobretudo dos Padres da Obra do Padre Américo. O pioneiro dessa nova presença foi o Padre Miguel Corradini, Superior Delegado, a quem o Cardeal Patriarca conferirá sucessivamente responsabilidades paroquiais na vizinhança e na zona. Serão estas actividades paroquiais que fixarão até hoje os Dehonianos na área de Loures, desde Fanhões à Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Desses inícios ficará o nome da actual comunidade dehoniana da área: Casa de Santa Maria. Com a sistematização do Seminário Menor no Porto, transferido para as novas e amplas instalações da Quinta a Portalinha, em Fânzeres, Gondomar, aliada à escassez de vocações no Centro e Sul do País, a Casa de Santa Maria não passará da categoria de pré-Escola Apostólica. A presença de seminaristas na monumental Quinta da Abelheira terá pouca duração, e também a ideia de fazer nela uma casa de formação para candidatos a Irmãos Auxiliares revelar-se-á impraticável: estes precisavam de uma

preparação também técnica, e o lugar era isolado demais; assim os candidatos mais idosos integrar-se-iam na Casa do Noviciado e os mais novos nos Seminários Menores. O 25 de Abril, com a ocupação da Quinta por parte dos operários, eliminará as últimas esperanças – se é qua ainda existiam – de uma obra social na zona. No ano 1961-1962 os alunos da Casa Santa Maria eram 25, dos quais 12 eram seminaristas e 13 aspirantes a Irmão. No ano seguinte, para ali se transferirá parte dos novatos da Casa do Porto (Boavista). Nesse ano, os alunos serão 28 (18 seminaristas e 10 aspirantes). A estatística do Cor Unum de Junho de 1964 indica o mesmo número de alunos e aspirantes no ano 1963-1964. Em 1965, já não há alunos na Casa de Santa Maria. Nos Elencos oficiais desse ano, a Casa já figura como sendo apenas Casa de Ministério, com dois sacerdotes (Padres Miguel Corradini e Manuel Martins) e dois missionários italianos de passagem, entre os quais o D. Élio Greselin, actual Bispo de Lichinga, em Moçambique. Com a sucessiva retirada dos Padres da Obra do Padre Américo da área – São Julião e Santo Antão do Tojal – e a vacância também das paróquias da Vialonga e Póvoa de Santa Iria, a solução da Diocese foi entregá-las ao pastoreio dos Padres Dehonianos: Fanhões e São Julião, depois Santo Antão, a seguir Vialonga e Póvoa de Santa Iria e, por fim, Forte da Casa. E, alargando a presença no território, também a sede dos Dehonianos da zona teve sucessivas mudanças: Quinta da Abelheira até 1977; Vialonga até 2001 e, por fim, Forte da Casa. Também a dependência jurídica da Casa Loures-Tojal não foi estável: de Lisboa (Loreto) passa a ser filial de Coimbra em 1967 e do Seminário de Alfragide em 1972. A Quinta da Abelheira, um imóvel declarado de interesse público, lá está no vale do Trancão, entre Tojal e Bucelas, com acessos vedados, jardins abandonados e parte do telhado já caído. Está a recordar velhos tempos e serena estadia dos que lá viveram – religiosos e estudantes – e a relembrar sonhos e entusiasmos que não tiveram continuidade. Igreja paroquial da Póvoa de Santa Iria

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João Chaves

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16 – da Igreja Exortação à reconciliação e à evangelização

Africae Munus N

a sua 2.ª viagem a África, o papa Bento XVI esteve de 18 a 20 de Novembro no Benim, em visita apostólica. Ao final da eucaristia celebrada no Estádio da Amizade de Cotonou – a capital – houve um dos momentos mais aguardados desta visita: a entrega da Exortação Apostólica pós-sinodal Africae Munus (A Missão da África).

Na sequência da segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que decorreu de 4 a 25 de Outubro de 2009 o papa Bento XVI deixou, no Benim, no dia 19 de Novembro a Exortação Apostólica pós-sinodal Africae Munus. Apresentou-a a uma África que “guarda memória das cicatrizes deixadas pelas lutas fratricidas entre as etnias, pela escravatura e pela colonização” e que, ainda hoje, se confronta com muitas dessas situações. Bento XVI aponta para a inculturação do Evangelho e a evangelização da cultura, pois Cristo no coração das realidades africanas é fonte de reconciliação, de justiça e de paz Afirma que a Igreja tem o dever de formar as consciências dos homens e das mulheres, educando-os na justiça divina: fundamentada no amor. Pede justiça e proteção para as famílias, para as mulheres, para as crianças, para a vida e para os ecossistemas. O diálogo ecuménico, inter-religioso são reafirmados pelo papa como caminho de paz, diálogo e cooperação indispensável a este continente tão cheio de vitalidade, como necessitado de reconciliação. De seguida, Bento XVI dirige-se diretamente aos bispos, aos padres, aos seminaristas, aos leigos, aos consagrados, aos diáconos e aos catequistas que devem, cada qual na especificidade da sua vocação e missão, colaborar na nova evangelização. Depois apresenta os campos de apostolado da Igreja: as escolas; as instituições sanitárias católicas; os meios de comunicação onde a Igreja deve estar presente com a missão de evangelização e de formação dos africanos para a reconciliação, a justiça e a paz. A Exortação Apostólica conclui com uma forte exortação em que o Papa confia à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria o caminho da evangelização do continente para que “cada um se torne cada vez mais apóstolo da reconciliação, da justiça e da paz” e para que a Igreja em África possa ser “um dos pulmões espirituais da humanidade”.

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Dina Moreira

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palavra de vida – 17 Como o toque de um despertador

Aplanai os caminhos Eis que de repente, se calhar quase sem nos darmos conta, estamos no mês de Dezembro, com o Natal bem no horizonte. Sem nos darmos conta, talvez não, porque de há muito a esta parte as sucessivas campanhas publicitárias fazem questão de nos lembrar que o Natal está a chegar, que é preciso vender e comprar. E logo tanta gente se põe a olhar para os bolsos vazios e a pensar como será difícil manter hábitos de outrora e garantir a mesa farta e festiva de todos os natais… Fala-se em Natal e logo a exclamação aparece: tanta coisa para preparar! E é verdade: compras, enfeites, luzes… O evangelho também fala de preparação, mas não exactamente da mesma ordem de coisas. O segundo Domingo do Advento traz-nos o início do evangelho de São Marcos (Mc 1, 1-8), o evangelista que nos acompanhará ao longo deste novo ano litúrgico.

Um anúncio profetizado

São Marcos começa por recordar-nos que o profeta Isaías anunciara a chegada de um enviado com a missão de preparar a vinda do Messias prometido, esperado e desejado. Essa é a missão de João Baptista. Ele não se anuncia a si mesmo, mas procura ajudar os seus ouvintes a preparar-se para acolher o Messias. João Baptista aponta o caminho para acolher o Messias: é um caminho de conversão, de renovação, de transformação. Jesus é a Boa Nova de Deus e só corações transformados e renovados podem acolher essa Boa Nova. É preciso, diz João Baptista, retirar dos caminhos da vida tudo aquilo que nos impede de chegar até Deus, de mãos abertas, de coração limpo, sem empecilhos, sem obstáculos, sem pedras em que se possa tropeçar. Aplanar os caminhos do Senhor é retirar da vida tudo o que impede a comunhão, que fecha sobre si mesmo, que esconde o horizonte, que não permite olhar mais longe e mais límpido.

Aplanar caminhos, preparar corações

Os desafios de João são de ontem e de hoje. Preparar o Natal de Jesus significa arrancar da nossa vivência quotidiana tudo o que não nos permite estar disponíveis para acolher a novidade de Deus. Todos os anos temos Advento e temos Natal; todos os anos o Advento surge como que um despertador, a lembrar-nos que uma boa celebração de Natal é não perder de vista o essencial, é preparar-se com alegria e renovada esperança para o

Deus que de novo quer habitar entre nós.

Num tempo em que muitos dos nossos irmãos passam por especiais dificuldades de ordem material e outros caíram no desespero e no desânimo, a preparação das nossas festas natalícias deve tornar-nos corações mais generosos, mais disponíveis para amar, mais prontos para acolher e para partilhar. Que os nossos caminhos de Advento sejam caminhos de comunhão e de solidariedade, para que o Natal possa ser celebração de paz, de amor e de fraternidade e nele possamos entoar cânticos de alegria e de louvor ao Emanuel, Deus connosco.

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José Agostinho Sousa

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18 – vinde e vereis É preciso um clima propício ao encontro

Mais um “Vinde e vereis” N

o meu retiro anual, há já algumas semanas, pude uma vez mais fazer a experiência do “Vinde e vereis”. Foi decisivo ter acolhido o convite a ir. Para isso, tornou-se necessário um “êxodo”. Precisei de sair de onde estava, inclusivamente da casa onde moro. Mas principalmente do meu dia-a-dia mais ou menos rotineiro, dos meus afazeres habituais (que tantas vezes me parecem absolutamente indispensáveis e inadiáveis, quando em boa verdade, não será tanto assim), de tudo aquilo que de uma forma ou de outra me ocupa e preocupa. Nem sempre é fácil este “êxodo”. Mas é determinante, decisivo. Quase como o foi para Abraão: “Deixa a tua terra...”. Depois, foi necessário encarar uma situação nova, um novo espaço e um novo ritmo. Até mesmo do ponto de vista psicológico, de forma inconsciente e de modo algum deliberado, criou-se um clima, uma atmosfera propícia ao encontro. Tratando-se de um retiro, era questão de procurar o indispensável encontro comigo mesmo e com Cristo. O que este duplo encontro tornou possível foi precisamente a concretização da promessa de Jesus: “Vereis”. Com efeito, eu pude ver. O quê concretamente não

vem ao caso dizê-lo. Vem ao caso, isso sim, trazer para aqui esta renovada experiência, justamente para repropor, a todo e cada um que se preze, a importância, se não mesmo a necessidade, de responder ao convite do Mestre, tantas vezes e de tantas formas repetido: “Vinde”. Antes de mais nada, prestando-lhe a devida atenção. Quando a vida entra na voragem avassaladora do seu ritmo habitual, é fácil demais distrair-se. E não dar pelo convite, não se aperceber dele, de tão discreto que por norma ele é. E mais. É fácil não encontrar disponibilidade, que bem vistas as coisas, é uma forma subtil de ausência de liberdade. E, por força dessa alegre e descontraída falta de liberdade, darse por satisfeito e achar que está tudo muito bem, que tudo está claro, que tudo se vê. E não é verdade. Não se vê. Ou vê-se mal. Vêem-se as aparências que iludem, como sabemos. Mas não se vê a realidade toda. Vê-se porventura aquilo que se quer ver, porque agrada, porque não custa, porque atrai. Mas não se vê o que Ele quer e propõe, que é sempre o melhor, que é aquilo que verdadeiramente conta, que é, em suma, o segredo da verdadeira felicidade

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Fernando Ribeiro

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onde moras – 19 A quem tem muito trabalho, sempre se pode pedir um pouco mais...

que tenho feito dos talentos?

Amigos leitores de A Folha dos Valentes, aproxima-se o final de mais um ano. É tempo de balanço e avaliação. A tua e a minha vida também necessitam ser avaliadas! Como estamos nós a gerir a nossa vida? A vida é um dom de Deus, além disso Deus tem-nos concedido tantas graças, tantos talentos para fazer render.

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esus falou muito em parábolas, esta Palavra é vida hoje para nós. Ele diz-nos que “um homem, ao partir de viagem, chamou os servos e confioulhes os seus bens” (Mt. 25, 14-30) entregou a cada um de acordo com a sua própria capacidade, cinco talentos a um, dois a outro e um ao terceiro e foi viajar. O modo como cada um destes três homens administrou estes bens foi diferente; O que tinha cinco talentos ganhou outros cinco, o que tinha dois ganhou outros dois, o que tinha um, guardou-o com medo de o perder. Quando o Senhor chegou, pediu contas aos servos da administração dos talentos que lhes tinham sido entregues. O que tinha um talento disse: “porque tive medo escondi o teu talento na terra” o Senhor chamou-o “servo mau e preguiçoso”. Aos outros dois que arriscaram no negócio o Senhor disselhes: “Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”. Deus confia-nos tantos talentos! Que fazemos com eles? Procuremos responder a esta pergunta com sinceridade. Tenho consciência de que o Senhor vai passando pela minha vida? Sim, é verdade! Em

cada momento, em cada dia que passa Deus vaime pedindo contas da minha administração. Certamente já ouviste dizer que a quem tem muito trabalho sempre se pode pedir um pouco mais? Outras pessoas nunca tem tempo para nada, não estão dispostas a arriscar, a “perder” um pouco do seu tempo para dar aos outros… o pior, é que vão ficando cada vez mais bloqueado nos seus medos, na sua timidez. Neste fim de ano, posso perguntar-me o que fiz com os talentos que Deus me confiou? Esforceime por melhorar na minha vida alguns aspectos que não estão de acordo com os valores em que acredito? O jeito e habilidades naturais para alguns trabalhos, foram desenvolvidas? Ou, por medo ou preguiça fiquei acomodado(a)? Como me empenho no estudo? Ou no trabalho? Quais as motivações que me movem? Como ocupo os meus tempos livres? Que leituras faço? Que neste Natal que se aproxima o Deus Menino traga abundantes graças, e que o Novo Ano 2012 seja mais uma oportunidade para pormos os nossos talentos a render em favor do Reino.

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Fátima Pires

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20 – meias-doses de saber Santa Beatriz da Silva, fundadora pioneira e paladina de um cristianismo também de rosto feminino

Ordem da Imaculada Conceição – 50

Fundou-se há 500 anos a única ordem contemplativa portuguesa (continuação)

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ão deixa de ser significativo que Beatriz da Silva queira erguer como modelo espiritual a mulher perfeita, a mãe de Deus, para alicerce da sua espiritualidade e vida comunitária. A sua ordem constitui-se num tempo marcado dentro da Igreja pelo debate em torno da afirmação da verdade teológica da Imaculada Conceição – muito defendido pelos teólogos franciscanos contra uma resistência argumentativa liderada pelos intelectuais dominicanos – que dava a Maria, mãe de Cristo, um estatuto de superação plena da culpa feminina pela oferta do Redentor à humanidade decaída. Beatriz alcança, em 1489, uma primeira aprovação papal para a sua comunidade monástica através da bula Inter Universa do papa Inocêncio VIII, com prerrogativas de autonomia em relação às Ordens Medicante quer a Dominicana quer a Franciscana, preferindo antes ficar inicialmente na alçada da regra de Cister que lhe dava mais liberdade de ação autónoma. Não foi pacífica o perfil idealizado, por parte de Beatriz da Silva, de uma comunidade monástica de liderança feminina, cuja abadessa tivesse competências que lembram prerrogativas exercidas por outras grandes monjas medievais como Santa Hildegarda de Bingen. A fundadora portuguesa pretendia alicerçar em Toledo uma nova Ordem contemplativa que dependesse não de um Superior de uma Ordem Masculina, mas do Ordinário diocesano, o Bispo de Toledo e depois do Papa, em paridade com o que acontecia com outros superiores maiores masculinos. Queria ter liberdade de escolha dos conselheiros espirituais e confessores, ter toda a autoridade e decisão no espaço do seu mosteiro: controlo de entradas e saídas, definição de regimentos internos, poder oficiar uma liturgia própria inspirada na espiritualidade imaculista e concecionista mariana em dias festivos e solenes próprios. O

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Santa Beatriz da Silva 1424-1492

modelo de vida deveria ser a figura sagrada feminino da Imaculada Conceição e o espaço reservado e controlado sumamente pelas mulheres que ali consagravam a sua liberdade, corpo e alma, a Deus através de Sua mãe, Nossa Senhora, caminho modelar e inspirador da possibilidade de afirmação e perfeição cristã no feminino. A negociação e definição do perfil da nova ordem sonhada por Beatriz foi morosa. Só anos depois da sua morte, ocorrida em 1492, a Ordem da Imaculada Conceição obteve a tão aguardada bula fundacional Ad Statum Prosperum no ano de 1511 com a assinatura do papa Júlio II, marcada pelo timbre imaculista da espiritualidade franciscana ligada à exaltação da conceição virginal de Nossa Senhora. A Ordem, cuja fundação sempre foi atribuída a Santa Beatriz da Silva, conheceu o grande período de expansão nos séculos XVI e XVII, em que multiplica cerca de uma centena de mosteiros

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meias-doses de saber – 21

– 500 anos (II) pela Europa católica e América espanhola, onde é pioneira na fundação de mosteiros femininos. Depois das vicissitudes que sofreram as ordens monásticas a partir do Iluminismo e com os processos persecutórios de carácter político e ideológico sofridos durante o século XIX e primeiras décadas do século XX marcado pela emergência do laicismo e do liberalismo, tem-se assistido nas últimas décadas a um novo florescimentos dos mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição tanto na Europa como fora do velho continente cristão, nomeadamente na América Latina. Só no Brasil existem 18 mosteiros desta ordem. Em Portugal, existem duas comunidades refundadas no século XX. Uma em Campo Maior e outra perto de Viseu na Quinta do Viso. O século XXI, que alguns teólogos anunciaram como o século do ressurgimento do misticismo e da vida espiritual, está a ser o da afirmação plena do lugar e do papel da mulher na sociedade como uma realidade cada vez mais visível, ultrapassando séculos de invisibilidade na esfera pública. Hoje, pois, o projeto que estrutura o ideário fundacional de Santa Beatriz que cria a única grande ordem contemplativa portuguesa e inspirará, mais tarde, outras fundações como a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, não pode deixar de ser relevado do ponto de vista cultural, social e espiritual no plano largo da ação dos grandes protagonistas da História Portuguesa na sua articulação com a história ibérica e internacional.

Visita do bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas e do Bispo Emérito D. Manuel Falcão.

Beatriz rapidamente ganha fama de santidade e de modelo de vida espiritual Uma mulher quis ser livre e realizou-se através da procura de uma liberdade maior que não prende o corpo, nem subjuga a vontade, mas liberta o espírito num plano superior à deriva rasteira dos dias e das sua múltiplas preocupações. Tendo ganhado fama de mulher forte e santa ainda durante a sua vida, a Igreja viria a oficializar o reconhecimento público da sua santidade, depois de um longo processo canónico que já vinha do século XVII. O papa Paulo VI acabaria por elevá-la ao grau máximo de santidade, canonizando-a a 3 de Outubro de 1976 e apresentando-a à Igreja como modelo de vida cristã a seguir. A Santa Sé não poderia, de facto, ficar indiferente a uma fundadora extraordinária que afrontou a mentalidade misógina do seu tempo e que iniciou uma ordem feminina peculiar e valorizadora da vida cristã no feminino pelos começos da Idade Moderna, continuando a dar frutos de pujança espiritual nos dias de hoje. É, pois, de toda a pertinência e importância a realização de um grande congresso internacional em Fátima nos dias 14, 15 e 16 de Outubro próximo dedicado aos 500 anos da Ordem da Imaculada Conceição e à sua fundadora na relação com a espiritualidade marina e com o papel e influência da ordem em articulação com outras ordens religiosas na história de Portugal e da Europa.

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Eduardo Franco

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22 – pedras vivas No dar sempre se recebe

Pedras vivas para Madagáscar

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stou a escrever estas linhas, quase às 4h da madrugada em que parto para Madagáscar, de visita às nossas Missões Dehonianas, a convite do Bispo de Mananjary, D. José Caires, meu colega de curso. Vão comigo mais dois padres Diocesanos, um da Diocese de Lisboa e outro da Diocese do Funchal. Para mim, e creio que para todos os membros dos Institutos Missionários, é uma enorme satisfação ver o clero secular cada vez mais voltado também para as missões Ad Gentes. Conheço-os de várias Dioceses e também, felizmente, da minha muito querida Diocese do Porto. São experiências que, certamente, muito contribuirão para uma nova forma de fazer pastoral, passando duma pastoral de cristandade ou de pura manutenção do que já existe, para uma pastoral feita de evangelho na mão, a anunciar a alegre notícia da vinda ao e da presença no mundo, de Cristo, o Senhor e Rei do Universo, que hoje, dia em que escrevo isto, se celebra. E vão porque querem colaborar com o Bispo de Mananjary e com a sua missão, sem, porém, deixarem de ser os zelosos párocos das grandes comunidades paroquiais que os seus respectivos Bispos Diocesanos lhes confiaram. Há sempre modos de ajudar. E como é no dar que se recebe, as suas comunidades de cá, beneficiarão do entusiasmo que lá vão beber, em comunidades cristãs de recente evangelização, onde a alegria da fé em Cristo é uma constante. Lá, sim, os

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Somos todos missionários e ai de nós, se não evangelizarmos, como de si mesmo disse o maior missionário de todos os tempos, conhecido como Paulo de Tarso.

cristãos são felizes por alguém lhes ter lavado tão grande dom: CRISTO, a LUZ DOS POVOS. E, agora que descobriram a luz, só estranham que aqueles que lha enviaram não vivam com o mesmo entusiasmo a alergia de possuírem esse dom, quais meninos mimalhos que tendo tudo já não sentem a alegria do brinquedo novo! São Pedras Vivas nesta Igreja de Cristo o P.e Carlos, de Lisboa, e o P.e Zé Luís, do Funchal, por terem acolhido a sua vocação Baptismal, comum a todos os crentes, e mais ainda a todos os padres, mas que, infelizmente nem todos descobrem, como se tivesse que haver duas raças de padres: Uns missionários e outros não. Somos todos missionários e ai de nós, se não evangelizarmos, como de si mesmo disse o maior missionário de todos os tempos, conhecido como Paulo de Tarso, mas que a si mesmo se intitulou, PAULO DE CRISTO. Bem mais certo, profundo e bonito! Oxalá que um dia todos gostássemos e nos pudéssemos apresentar desse modo. Mas o Bispo pediu-me que levasse também leigos. E vão cinco, três da Diocese do Porto e dois da Diocese de Lisboa. Também eles são PEDRAS VIVAS, na Igreja de Jesus Cristo. Expliquei-lhes bem que não vão de férias, porque embora

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pedras vivas – 23

Madagáscar seja um belíssimo país, raramente é escolhido como destino turístico, devido ao clima, à falta de estruturas, de higiene e, sobretudo, aos problemas de saúde pública. Pagam a sua viagem incómoda e nada barata e têm ainda outras despesas, o que, em tempos de crise, já não é nada aliciante. Mas, apesar disso, quiseram ir. Fiquei espantado como acabaram por se interessar pela viagem. Querem ir com vontade de conhecer, de apoiar, de colaborar e dispostos a fazerem a tal experiência de fé, que a vivência com aquele povo lhes facultará. Para já, em atitude de despojamento levam o mínimo para si mesmo e o máximo para os irmãos que vão visitar. Andaram por farmácias, médicos e dentistas a pedir remédios, juntaram material escolar, levam roupa usada, para si mesmo, e roupa nova para oferecerem aos seminaristas e a outras pessoas, certamente bem carenciadas delas, que as há por todo o lado. Vão ver, para que, depois, como sugeria a antiga acção católica, possam julgar e agir em conformidade e como crentes em Jesus Cristo, ponham em prática o seu evangelho. A nossa Europa está em crise, todos o dizem, mas nem todos a sentem, Há, de facto muita gente a sofrer e a passar privações. Aqui fala-se dela e tentam-se soluções, algumas bem pouco acertadas, porque cortam onde não devem e não cortam onde era justo que o fizessem, mas, os fatalistas

vão dizendo que sempre assim foi e, por isso, assim vai sendo. Lá a “crise”, no sentido da pobreza que se vive é IMENSAMENTE MAIOR. E ninguém fala, ninguém comenta, os nossos jornais não contam, as nossas rádios não dizem nem as nossas televisões mostram, É mesmo preciso ir e ver, para que se conte e se faça alguma coisa, por quem raramente tem voz e vez. É esse, por excelência o papel dos leigos, os profetas do mundo, que vivendo no mundo, no meio da massa, a levedam com o fermento novo do evangelho que abraçam e vivem. Louvo constantemente o Senhor, que me põe no caminho estas Pedras Vivas, tais como as que te apresentei no mês passado, não como pedras de tropeço, mas como sinal visível do amor do Pai do Céu que nos fez e quer irmãos, em Jesus, a PEDRA por excelência. Não a (O, ELE, O MENINO DE BELÉM) rejeites: É uma PEDRA PRECIOSA, a de mais raro valor, aquela pela qual vale a pena vender tudo para a podermos comprar. BOM NATAL!

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António Augusto

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24 – espaço escola Para aprender a aprender precisamos de ter consciência da nossa maneira de aprender

Aprender a aprender (I)

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odos os comportamentos de um indivíduo remetem para três dimensões psíquicas do seu ser: a cognitiva, a afetiva e a volitiva. Podemos por isso dizer que a ação de aprender corresponde a uma dimensão cognitiva: um saber relativo à maneira de aprender, uma dimensão volitiva: à vontade de aprender, e a uma dimensão afetiva: um gosto por aprender. Aprender, supõe assim um saber aprender, um gostar de aprender e uma vontade de aprender. A ausência de uma ou outra destas dimensões acarreta consigo a ausência de aprendizagem ou pelo menos uma aprendizagem menos conseguida. A investigação sobre a aprendizagem fez ressaltar que aprender corresponde à realização de várias funções observáveis: o aluno tem de escolher a situação em que vai executar as tarefas necessárias para aprender. Estas situações caracterizamse pelas suas circunstâncias espaciais, temporais e de organização social. O aluno tem de escolher um objetivo e uma caminho para o atingir o que quer dizer que ele tem de ter um projeto; Aprender implica também o desenvolvimento de atitudes adequadas, em particular uma atitude positiva face ao objeto de aprendizagem. São as atitudes e os projetos que permitem que o aluno coloque em acção a função de tratamento da informação. Ao tratar a informação, numa situação que domina com um projeto e atitudes positivas o aluno vai verificando o que já fez e o que lhe falta fazer, distanciando-se assim das suas próprias aprendizagens. Para compreendermos o que

O aluno tem de escolher um objetivo e um caminho para o atingir.

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é aprender temos de considerar simultaneamente as funções indicadas e as três dimensões cognitiva, afectiva e volitiva que lhes correspondem. Esta forma de encarar o que é aprender evidencia que o exercício das funções acarreta uma modificação na estrutura que as realiza. Esta estrutura, correspondendo ao sujeito-aluno, em face de uma situação e de um objeto de aprendizagem. O que o aluno é influencia o que ele faz, mas também o que ele faz modifica o que ele é. Considerar o acto de aprender na sua globalidade é ter em conta simultaneamente a estrutura que o realiza - o sujeito, o objeto e a situação - e as funções que ela coloca em jogo durante o processo de aprender. Aprender é um processo dinâmico de aquisição de conhecimentos ou comportamentos novos que não se faz a partir do nada. Tudo o que se constrói de novo assenta as suas bases em aquisições anteriores através de uma atividade de associação e integração. No centro da atividade de aprender encontra-se sempre uma procura de ligações e de

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espaço escola – 25

No centro da actividade de aprender está a aquisição de conhecimentos ou comportamentos novos que não se faz a partir do nada. organização dos dados recolhidos. Quando a aprendizagem se refere. por exemplo a um comportamento, o que está em causa é a capacidade que o aprendente tem para ligar e articular uma série de ações que deverá ser capaz de reproduzir. Neste caso a passagem do fazer ao aprender a fazer remete para a consciência da maneira de fazer. Trata-se portanto de uma atividade de explicação e explicitação das ligações existentes não só entre dados cognitivos mas também entre os comportamentos em causa. Estas aprendizagens só acontecem quando o aprendente, para além de dispor dos dados necessários e dos conhecimentos e comportamentos prévios, faz da reconstituição dos laços um objetivo explícito. A dinâmica da aprendizagem corresponde, portanto, a uma construção cujos alicerces são as aprendizagens, muitas vezes espontâneas que vamos realizando no quotidiano. São os conhecimentos prévios que

abrem os caminhos para novas aprendizagens. Ajudar a aprender coloca, assim, a questão de propor problemas e questões que não constituam para o aprendente um fim em si, mas que remetam sempre para o saber correspondente e para o aprender. É importante que os objetos de aprendizagem não sejam confundidos com os problemas e exercícios que os utilizam. A dinâmica da aprendizagem põe em jogo a própria evolução da estrutura e das funções de aprender numa perspetiva de mudança do próprio ser. Passamos do fazer, que é uma produção, a aprender, que é uma transformação. Se para aprender é necessário tomarmos consciência das nossas maneiras de fazer, para aprender a aprender teremos de tomar consciência da nossa maneira de aprender. Aprender é assim construir um fazer para refazer e aprender a aprender é construir uma aprendizagem para melhor aprender. A aprendizagem deve desencadear uma dinâmica em que, a partir dos dados adquiridos, se processa uma evolução que permite que o aprendente melhore progressivamente a sua própria capacidade de aprendizagem.

(Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico.)

PENSAR

• Como “aprender a aprender”? • Como ter êxito na tua aprendizagem?

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Manuel Mendes

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26 – leituras

O mais numeroso dos povos que integram Moçambique

O povo Macua Encontro-me aqui em Nampula, para mais uma sessão de doutoramento dos professores da Faculdade da Educação e Comunicação da UCM e a entender as intenções dos alunos nos processos de investigação de doutoramento ligadas ao seu povo (por exemplo, os valores dos lómwès, o papel da mulher macua, a educação tradicional macua…). Peguei no livro O povo macua e a sua cultura, de Francisco Lerma Rodriguez, (Maputo, 2008, Paulinas).

Nas províncias de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, ou seja, a Norte de Moçambique, vive o povo macua. Devem rondar mais ou menos 5 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 25% da população total de Moçambique. É o grupo étnico mais numeroso do país, convivendo a norte com os macondes, os ayao e os anyanja e a sul com os senas e os chuabos. Também existem macuas, em números mais reduzidos, na Tanzânia e no Malawi, devido às migrações do século XIX. Já os macuas existentes no Madagascar, nas ilhas Seycelles e nas Maurícias justificam-se devido ao comércio de escravos do século XVIII e XIX. A origem comum de todos os grupos que formam a sociedade macua está ligada a mitos sobre a origem do mundo e do homem. As tradições são unânimes ao apresentar o monte Namuli como o lugar originário primordial. Este monte de 2419 metros de altura está situado na serra do Gurúè, a norte da província da Zambézia. Segundo a tradição popular, os primeiros homens, depois de serem criados por Deus nas grutas mais altas da serra, organizaram uma viagem até à planície, descendo por vários caminhos. Na medida em que se multiplicavam, iam-se separando, dando origem aos diferentes grupos que hoje compõem o povo macua, diferentes na maneira de falar e mesmo em algumas expressões culturais, mas unidos entre si pelos laços muito fortes da língua e da cultura. Há, no entanto, uma versão mais pormenorizada recolhida pelo autor deste livro, Francisco Rodriguez Lerma que é hoje o bispo do Gurúè.

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Então esta versão de Lerma conta que o homem recém-criado olhava todos os dias à sua volta e contemplava a planície verde, onde cresciam todas as árvores e plantas (mais tarde também, o chá do Gurué). Um dia, querendo satisfazer a sua curiosidade, decidiu descer do monte para conhecer melhor o panorama. Passou por carreiros entre as rochas. Na perigosa descida, tropeçou numa pedra, caiu, feriu-se e desmaiou. Depois de um grande sono, acordou e ao abrir os olhos, viu o seu sangue misturado com água de um riacho que ali corria. Seguiu o curso da água, e observou esta mistura que parava nas cavidades das rochas. Deste líquido avermelhado, aparece uma figura semelhante ao seu corpo: era a mulher. Assim nasceu o primeiro homem (mulopwana) e a primeira mulher (muthiyana). Deste casal, nasceram outras pessoas que cresceram, multiplicaram-se e descobriram novas terras. Um dia chegaram à beira de um rio chamado Malema que corre na região. Para o atravessar, construíram uma ponte rudimentar, usando cascas de árvore para fazerem as cordas.

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leituras – 27

Preparada a ponte de cordas, começaram a passar todos os homens e todas as mulheres que podiam, animando-se mutuamente. Quando já mais de metade do grupo tinha atravessado para o outro lado do rio, as cordas rebentaram, caindo algumas pessoas ao rio. Aqueles que não tinham atravessado o rio, assustados, não quiseram reconstruir a ponte. É que, além do trabalho enorme que daria, pensaram que tinham sido outras causas que levaram à quebra da ponte. Assim com medo, decidiram ficar cada qual onde estava. Assim o monte Namuli é o lugar da unidade originária e constitutiva do povo macua. Este mito do monte Namuli é recordado em momentos fundamentais, tais como: iniciação, ritos da cura, nos funerais e numa grande quantidade de provérbios. A expressão: miyo kokhuma namuli (eu venho do Namuli) encerra todo o significado de identidade pessoal e social. Quer dizer: nós somos alguém, sabemos de onde viemos, conhecemos a nossa origem e sabemos para onde vamos, temos uma finalidade na vida.

O mito do monte Namuli pode dar-nos três ensinamentos: - Unidade ontológica do ser (ser). O mito conta algo que sucede realmente; a prova da sua veracidade é a existência do cosmos do qual fazemos parte. - Unidade vital (ser com). O mito narra-nos as façanhas do ser supremo, Deus, para que sirvam de exemplo a todos os membros da comunidade no sei comportamento social e privado. - Unidade transcendental (ser até…). O mito indica-nos a origem do mundo e das pessoas, mas mostrando ao mesmo tempo o lugar e a meta onde as pessoas têm de regressar como fim último da sua vida. Por isso, para o homem macua, a morte é um regresso sereno ao lugar de onde saiu um dia.

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Adérito Barbosa

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28 – sobre a bíblia Natal sem anjos, nem pastores, nem magos...

O prólogo de São Joã

A caminho do Natal, parece-me oportuno propor uma vez mais um tema do Evangelho segundo S. João. Trata-se do trecho do Evangelho que a liturgia propõe no dia de Natal, e que é o início – prólogo – do IV Evangelho. É um belo poema que constitui como que o pórtico de entrada nesse mundo fantástico que é o Evangelho do Discípulo Amado.

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á aqui fomos propondo, em números anteriores, outros traços deste Evangelho: concretamente, o da amizade como chave de leitura do IV Evangelho e as afirmações de Jesus sobre si próprio – “Eu sou…” – e mormente a sua auto-definição como “porta”. Pretendemos, agora, mostrar como este poema inicial (Jo 1, 1-18) constitui como que o “resumo” do Evangelho segundo S. João; ou seja, aquilo que se diz nos primeiros dezoito versículos deste Evangelho será depois retomado nos quadros narrativos sucessivos.

Jesus é a Palavra O poema abre com a “Palavra” (“verbo”, derivado directamente da tradução latina de logos, que é verbum). Ficamos, depois, a saber que essa “Palavra” do v. 1 tomará corpo em Jesus de Nazaré: “O Verbo fez-se carne e habitou no meio de nós” (Jo 1, 14). Fica-nos a pergunta: como podia Jesus ser a “Palavra”? A resposta parece delinear-se na abertura da Carta aos Hebreus: “Antigamente, Deus falou aos nossos pais, muitas vezes e de muitos modos, por meio dos profetas; no final destes tempos falou-nos por meio do Filho” (Hb 1, 1-2). Se estamos certos deste paralelo, então, Jesus é a “Palavra” em dois sentidos: a Palavra do cumprimento das promessas antigas e a Palavra nova da comunicação mais perfeita entre Deus e os Homens

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Jesus – Palavra em dois sentidos: a) No sentido em que a Sua vida é a realização de promessa após promessa, feitas por Deus ao Povo de Israel, através dos profetas; neste sentido, será útil recordar que são várias as profecias a servir esta promessa messiânica e que dizem respeito ao Natal (a mais célebre delas todas: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, cujo nome será Emanuel”, Mt 1, 23; cf. Is 7, 14). Tudo isto faz sentido particularmente no contexto de um povo que vive da constante promessa da salvação que toma corpo na vinda de Jesus. A sua pessoa é presença de salvação. Veja-se que o II Concílio do Vaticano tem esta mesma leitura acerca da forma como no Antigo Testamento está preanunciado todo o Evangelho, ou seja, a libertação trazida em Jesus Cristo (cf. DV 3: “depois dos patriarcas, Deus instruiu, por meio de Moisés e dos profetas […]; assim preparou Deus através dos tempos o caminho ao Evangelho”). b) No sentido em que Jesus transmite a Palavra de Deus e é essa Palavra de Deus. A este respeito, a Palavra de Jesus no Evangelho Joanino é clara: “Já não vos chamo servos, mas amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15, 15). Neste sentido, Jesus já não é apenas o cumprimento das promessas antigas, mas o mais perfeito comunicador da mensagem de Deus, que Ele ouviu a seu Pai – a quem nunca ninguém viu, mas que o Filho dá a conhecer (cf. Jo 1, 18). E podemos mesmo ir mais longe e concordar com o que acima se expôs acerca da realização das promessas: Ele não só comunica a mensagem do Pai, como também é a própria mensagem do mesmo Deus Pai.

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sobre a bíblia – 29

João e o Natal Jesus, Palavra que se fez carne Dizíamos justamente que Jesus é a “Palavra”. Ora, no curso do prólogo joanino, essa “Palavra fez-se carne” (Jo 1, 14). Se, pela leitura de Jo 1,1, éramos levados à dimensão divina dessa Palavra – “a Palavra era Deus” – este versículo leva-nos à dimensão mais humana que ela pudesse assumir. Aquilo que, anos mais tarde, a Igreja haveria de estabelecer como dogma de fé – “um só Deus em duas naturezas” – encontra-se aqui, na sua mais perfeita expressão. No mundo bíblica, a palavra “carne” (sarx) é daquelas que mais caracteriza o género humano. No grego da bíblia – num decalcar do hebraico – a expressão “toda a carne” (pasa sarx) significa exactamente o “género humano”. Na nossa cultura religiosa, a “dimensão carnal” expressa justamente a dimensão passional e de propensão ao pecado – oposta ao Espírito – de modo que, em linguagem religiosa popular, frequentemente se fala de “pecados da carne”. Ora, é exactamente esta dimensão mais baixa do género humano aquela que Jesus assume, dando, assim, ao homem a possibilidade de que também a “carne” – não pecado em si mesma, mas propensa a esse mesmo pecado – possa ser lugar de graça e de santificação. Por isso, e de novo servindo-nos da Carta aos Hebreus, pode afirmar-se que Jesus se fez igual a nós em tudo, excepto no pecado (cf. Hb 4, 15). Desse “tudo” em que Ele foi posto à prova faz parte a “carne”. Que Jesus tenha assumido e dignificado a carne humana e que a tenha dignificado, isso é claro exactamente a partir IV Evangelho, onde dirá: “O Pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo” (Jo 6, 51); essa carne é o seu Corpo, o Pão da Vida apresentado pelo mesmo Jesus quando disse: “Eu sou o Pão da vida” (Jo 6, 35.48). Ora, ter vida ou não a ter, depende, segundo a palavra de Jesus, de comer a sua carne: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6, 53).

“O Verbo fez-se carne e habitou no meio de nós”. (Jo 1, 14)

Acolhendo a Luz somos Filhos de Deus O prólogo de S. João abre outra dimensão que estará presente no decorrer do IV Evangelho: Jesus é Luz do Mundo. Diz o poema que “A Palavra era a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, ilumina todo o homem”, por oposição a João Baptista que não era a Luz, mas que veio para dar testemunho da mesma Luz (cf. Jo 1, 6-9). Várias vezes, Jesus dirá que é a “Luz do Mundo”, o que acontece no diálogo com os judeus (cf. Jo 8, 12), na cura do cego de nascença (cf. Jo 9, 5). O primeiro destes textos, Jo 8, é de particular acutilância, uma vez que é proferido num contexto da rejeição de Jesus por parte dos seus compatriotas, tal como fora anunciado no Prólogo do IV Evangelho: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” (Jo 1, 11), o que abre a outra dimensão, a possibilidade de sermos Filhos de Deus. Da atitude de rejeição ou de acolhimento de Jesus, depende o sermos ou não filhos de Deus: “A quantos o receberam, aos que nele crêem, deu o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1, 12). A questão de ser ou não filhos de Deus será tratada no diálogo com Nicodemos (“há que renascer do Alto”, Jo 3, 3) e no anúncio à Madalena (“vai dizer aos meus irmãos que subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus”, Jo 20, 17). Este último anúncio subliminar dá-se no contexto da ressurreição o que mostra a feliz unidade do texto do IV Evangelho, enfim, da apresentação que se faz da vida de Jesus: a forma como o evangelista vê Jesus na sua vinda ao mundo é a mesma forma de ver Jesus na sua partida para o Pai.

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Ricardo Freire

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30 – reflexo

Acolhê-lO na Igreja, nos outros, em cada pessoa

Advento e Natal Sabias que: Acabámos de dar início ao tempo de Advento que nos leva até ao Natal. Somos convidados a experimentar algumas das atitudes fundamentais do ser cristão: a vigilância, a esperança, a conversão e a alegria. Ao sugerir preparar o Natal leva a pensar em tantas coisas que não têm a ver com o “verdadeiro natal”. Para muitos, e serão cada vez mais, o natal não passa de uma oportunidade de dar e receber prendas, fazer umas iluminações, ter em casa uma árvore bem enfeitada, colocar o Pai Natal nas varandas e janelas. Mas o Natal é celebrar o nascimento de Jesus. É a festa da família. Ao longo do Advento a família de Nazaré aparece como um exemplo para as famílias dos nossos dias, que vivem tempos tão difíceis. Apesar de tudo o que lhes aconteceu a família de Nazaré confia em Deus e vive em constante vigilância, na expectativa que se cumpra tudo quanto foi dito da parte de Deus. Na família constituída por Maria e José reina o amor, a confiança e o respeito. Foi nesta família que Jesus nasceu e cresceu, onde aprendeu a ajudar, respeitar, perdoar. Para as nossas famílias este Advento deixa um apelo a uma mudança interior, que nos conduza a assimilar o que Deus quer de nós e a aceitá-l’O como nosso Deus. A vida tem muitas solicitações, é difícil, encontrar tempo para parar e reflectir sobre o que mais importa na vida de cada um de nós. Sem tempo para nós, não é possível iniciar um caminho de

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mudança e de conversão. Se não aceitamos a mudança podemos acabar por acreditar que é impossível mudar de vida e achar que nada mais podemos fazer, senão viver como temos vivido. Por natureza somos insatisfeitos, dificilmente estamos satisfeitos com o que somos e temos. Vivemos numa sociedade que valoriza o estatuto social e os méritos e podemos desanimar porque por mais que façamos não atingimos a perfeição. A família de Nazaré, mostra-nos como é possível corresponder ao que Deus quer, fazendo a Sua vontade e caminhando para a perfeição. Eles mantinham uma constante união a Deus e conduziam a sua família pelos caminhos do bem. Estavam em permanente conversão, discernimento e atenção ao que Deus lhes pedia. Tantas vezes deixaram os seus planos para seguir a vontade de Deus. Estavam sempre disponíveis para O escutar. Deus enche-nos de graça, deu-nos o Espírito Santo, e espera muito de nós. Individualmente e em família somos chamados a participar na vida da Igreja inseridos numa comunidade cristã. O tempo de Advento ajuda-nos a seguir um caminho de escutar e reflexão da Palavra de Deus, acompanhando a Familia de Nazaré. O tempo de Advento é um tempo de esperança. A esperança não é algo em que se acredita mas que se vive e se celebra. No tempo de Advento Deus pede-nos, a exemplo de Maria e José, para O acolhermos: na Igreja, nos outros, em cada pessoa com que nos cruzemos na nossa vida, em cada rosto triste, desesperado ou alegre.

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reflexo – 31

A Palavra de Deus diz: Mt 2, 13-23. Herodes manda procurar o Menino para o matar. Deus permitiu que Jesus fosse para o exílio, sentindo o que sofrem todos os que são incompreendidos e perseguidos. Jesus nasce no seio de uma família humana. Hoje a família passa por transformações profundas, contudo a comunidade familiar, nascida na celebração do matrimónio, continua a ter o seu valor. Na santa família de Nazaré todas as famílias têm um modelo de amor, união e paz.

Faz silêncio e reza: Procura um local sossegado. Contempla o Menino no Presépio. Este Menino, Maria e José, dãonos força para superar os obstáculos que possam surgir. Que dificuldades nos atormentam hoje? Como reagimos? Durante o Advento, o tempo de Natal, a família de Nazaré aparece sempre unida, porque se deixam guiar pela palavra de Deus. Faz uma oração a Deus

Tenho de: Foram muitos os problemas que a família de Nazaré teve de enfrentar. Diante das dificuldades quantas vezes entramos em crise. A família de Nazaré, ao contrário, encontrou nessas dificuldades uma motivação para permanecer unida e dialogar. Procura ter as atitudes da família de Nazaré na tua família. Procura uma família que sabes que está a passar por dificuldades e ajuda-a.

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Feliciano Garcês

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32 – sobre a fé Afirmação teológico-litúrgica da troca maravilhosa entre a divindade e a humanidade

O admirabile commercium

Ao vislumbrar a celebração do Natal do Senhor, folhei, como que a antecipar o brilho e a alegria desses dias, os hinos que a liturgia desse tempo nos propõe, não só como oração pessoal e eclesial, mas, sobretudo, como profissão de fé no mistério da encarnação e como proclamação alegre do nascimento do Filho de Deus em carne humana. Chamou-me a atenção um dos hinos com as seguintes quadras:

Pasmem de alegria Na terra e nos céus, Vendo a noite-dia, Vendo o homem-Deus. Comércio Admirável, Que o amor descobriu; Mistério inefável, Que o Céu nos abriu!

Detive-me, na expressão “comércio admirável” que traduz a exclamação latina: “o admirabile commercium”. Trata-se duma afirmação teológico-litúrgica que diz a troca maravilhosa entre a divindade e a humanidade que se deu no mistério da encarnação do Filho de Deus que no Natal se celebra ano após ano. Assim, esta exclamação é uma profissão de fé e como tal deve ser entendida. A partir dela fazemos algumas considerações que fazem parte da fé da Igreja sobre o mistério de Cristo.

O Admirável comércio entre a divindade e a humanidade. O hino fala de “comércio admirável”. A expressão encerra em si uma grande densidade não só teológico-litúrgica, mas também espiritual. A exclamação é antiga e é muito utilizada por Santo Agostinho para falar do mistério da encarnação, ou seja, da manifestação do Senhor na carne e do feliz resultado deste acontecimento: “Deus fez-se homem a fim de que o homem se torna-se Deus” (Cf. Sermo 198). O primeiro efeito desta troca realiza-se na humanidade de Cristo: o Verbo assumiu aquilo que era nosso para nos dar o que era seu. O segundo efeito deste

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“admirabile commercium” consiste na nossa real e íntima participação na natureza divina do Verbo: o Salvador do mundo que nasceu e que nasce para nós hoje, regenerounos como filhos de Deus, ou seja, deu-nos a graça de nos chamarmos e sermos filhos de Deus (Cf. Jo 1, 12) e de crescermos nessa nossa condição, até atingirmos a estatura e a medida de Cristo, na sua plenitude.

Admirabile commercium: a nossa participação na natureza divina do Verbo.

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sobre a fé – 33

O Natal como celebração da encarnação do Verbo de Deus e do mistério da salvação. Como sabemos, a realidade que é celebrada na solenidade do Natal, ou seja, a “vinda” do Filho de Deus na carne, concretiza-se no nascimento de Jesus por Maria e de Maria, e nos acontecimentos da sua infância. A expressão “Natal do Senhor” exprime o carácter histórico e concreto desta festa. Todavia, a celebração do Natal não se limita ao acontecimento histórico, mas através deste remete-nos para o seu verdadeiro fundamento: o mistério da encarnação do Filho de Deus. Santo Agostinho não considerava a celebração do Natal um “sacramento” (isto é, acontecimento que contém em si uma realidade santa, cuja celebração realiza aquilo que significa), tal como a Páscoa, mas considerava-o como uma simples “memória”, ou seja, como uma mera recordação aniversária. Foi, sobretudo, com S. Leão Magno – o grande papa do Concílio de Calcedónia – que se operou uma mudança de perspectiva, dando a esta solenidade o seu verdadeiro fundamento teológico. Segundo ele, o “mistério da natividade de Cristo” não é apenas uma recordação aniversária, mas um acontecimento que torna presente, aqui e agora, a salvação; numa palavra, ao celebrarmos o Natal de Cristo, celebramos como que o nosso nascimento para Deus. Não se trata, portanto, dum evento do passado, mas um acontecimento que realiza aquilo que significa, ou seja, que actualiza a salvação de Cristo, que, como refere a liturgia, “ainda hoje, como bom samaritano, vem ao encontro de todos os homens atribulados no corpo ou no espírito” (Prefácio Comum VIII). Para ilustrar isto, nada melhor que as palavras do Bispo de Hipona ao falar sobre a natividade de Cristo. Diz ele: “pecou o homem e tornou-se réu; nasceu o homem Deus, para que fosse libertado o réu. Caiu o homem, mas Deus desceu. Caiu o homem miseravelmente; desceu Deus misericordiosamente. Caiu o homem pela sua soberba; desceu Deus com a sua graça” (Cf. Sermo 13). Todavia, apesar de se ter dito que o Natal é “sacramento da salvação”, é importante lembrar que ele não é a celebração da Páscoa. O Natal torna presente o início de tudo o que se realizou na carne de Cristo para nossa salvação e projecta-se para a paixão, morte e ressurreição, porque Aquele que nasce veio para morrer, para morrer na cruz (Cf. Io. ev. tr. 26,10).

O Natal aponta para a Páscoa O aprofundamento bíblico-teológico do mistério de Cristo levou a descobrir a orientação pascal do mistério da encarnação. O Filho de Deus assume um corpo para se oferecer como resgate e em sacrifício ao Pai (Cf. Heb 10, 5-10), em favor dos homens que se tornaram seus irmãos, dando-lhes, assim, “vida em abundância”. Dentro desta visão teológica, o Natal deve ser visto também como acontecimento que comemora os inícios da Igreja e da solidariedade de todos os homens. Neste sentido, “a geração de Cristo - afirma S. Leão Magno - é a origem do povo cristão; o Natal da cabeça é também o natal do corpo”. E continua S. Leão Magno: “embora cada um tenha sido chamado num momento determinado, para formar parte do povo do Senhor, e todos os filhos da Igreja sejam diversos na sucessão dos tempos, contudo, a totalidade dos fiéis, nascida na fonte do baptismo, assim como foram crucificados com Cristo na sua paixão, ressuscitados na sua ressurreição, colocados à direita do Pai na sua ascensão, assim também nasceram com Ele neste Natal. Todo o homem que, em qualquer parte do mundo acredita e é regenerado em Cristo, liberta-se do vínculo da culpa original e, ao renascer, transforma-se num homem novo, já não pertence à descendência de seu pai segundo a carne, mas à nova geração do Salvador, o qual Se fez Filho do homem para que nós pudéssemos ser filhos de Deus” (Cf. Sermo 6 in Nativitate Domini). Por fim, uma última consideração. O Natal é também o evento que celebra os inícios da renovação do mundo e do universo: o Verbo de Deus assume em Si toda a criação para renovar em Si a natureza decaída, restaurar o universo e reconduzir ao reino dos céus o homem perdido pelo pecado (Cf. Prefácio Natal II).

O Natal celebra o início da renovação do Mundo e do Universo

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Nélio Gouveia

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34 – planeta jovem Será que estamos preparados para encontrar Deus?

What if God was one of us? Podíamos fazer perguntas no geral… Sobre a paz no mundo… Sobre a crise, infelizmente um assunto tão global quanto indesejado… Podíamos antes optar por perguntas individuais, relativamente ao futuro e a interesses pessoais… Se bem que todos os assuntos anteriores pudessem ser válidos a verdade é que poderemos sempre indagar sobre qual seria a pergunta certa a fazer a Deus, se tivéssemos a oportunidade de estar presente perante Ele. Para mim a pergunta certa a fazer a Deus poderia ser qualquer uma desde que a mesma fosse feita com pureza no coração. Porque acredito que Deus não espera que todos tomemos as mesmas opções na vida. Ele espera que ponderemos as nossas hipóteses em cada situação e tomemos uma decisão com o coração… Mas a música continua e volta a fazer-nos pensar…

De vez em quando existem momentos que no dia-a-dia nos fazem pensar… Não precisamos de os prever ou sequer de lhes estar a prestar muita atenção… Mas a verdade é que nos tocam na alma… Estava no carro quando começou a tocar no rádio uma música de uma cantora chamada Joan Osbourne que se chama “What if God was one of us?”. A letra é assim: “If God had a name, what would it be And would you call it to his face? (…) What would you ask if you had just one question?” Num mundo de confusão, violência e asneira como o que vivemos, o que perguntaríamos a Deus se lhe pudéssemos fazer uma pergunta? Qual seria a pergunta certa para fazermos a Deus? A verdade é que são tantas as perguntas que nos conseguimos lembrar que se torna impossível pensar numa só…

“If God had a face what would it look like And would you want to see If seeing meant that you would have to believe In things like heaven and in Jesus and the saints and all the profets…” Será que qualquer um de nós está deveras preparado para encontrarmos Deus? Ele aparece-nos nas escrituras por diversas vezes recomendando que estejamos preparados para o receber pois apenas temos a certeza de que Ele virá, só não sabemos é quando. E de que forma podemos estar preparados para O receber? Tal como anteriormente dito, a forma de estarmos prontos para o receber é com pureza no coração… Assim termino este texto com duas ideias para que todos os que o lerem:

• O que perguntaríamos a Deus se lhe pudéssemos dirigir apenas uma pergunta?

• Estamos prontos a ver Deus se tal significa que teríamos de acreditar em TUDO?

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Pedro Ferreira

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outro ângulo – 35 Mudança para a vida académica numa terra distante

O ponto forte da distância: Nós!

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ste ano foi para muitos jovens, ao exemplo das décadas passadas, o ano em que tivemos de dizer “até um dia” a tudo aquilo que fazia parte da nossa vida quotidiana. A partida para uma terra distante, para iniciar a vida académica fez-nos dizer: “estou cansado, mal vejo a hora de partir para a minha vida nova”. Pois é, a distância, para quem está perto muitas vezes é um desejo, mas para quem a sente é quase como uma tortura. Mas há, pelo menos, uma época do ano em que para a maior parte das pessoas a vontade de estar perto se torna algo em comum. Sim! Falo do tempo que este mês acarreta, a época natalícia. Nesta época, é inevitável o surgimento dos nossos sentimentos mais genuínos como nostalgia, união, solidariedade enfim, daqueles em que se nota a força de Deus a trabalhar em nós, e que pensamos: “quem me dera ter a minha família e amigos aqui comigo”. É sem dúvida uma fase da vida que custa. Se dói! Acredito que seja das piores dores que se passa, a de estar longe daqueles que amamos, principalmente em tempos em que a família é um “bem essencial”. Mas terá um lado bom, ou melhor, uma forma mais suave de ver a questão? Pois é isso que vou tentar mostrar.

Aspectos positivos da distância: 1. É bom sabermos que temos “lá” alguém á nossa espera, é sinal de que nos amam. E haverá melhor sensação do que aquela de nos sentirmos amados, e de amar?! Não me parece 2. A mudança torna-nos mais fortes e capazes de acreditar e ir à luta. O ser humano é um ser inacabado, o que faz com que este esteja em constante aprendizagem e melhoramento. Há, por isso, um despertar de novas emoções com novas pessoas é um rever do carinho e afecto que temos por aqueles que tivemos de deixar. 3. A decisão foi nossa, se conseguimos partir, é porque de alguma forma sabemos que será o melhor para nós. Vale a pena lutar embora às vezes magoe. O objectivo renova a força que há em nós.

Neste Natal recordemos a coragem de Maria que passou pelo medo e aceitou a vontade de Deus. Lutemos também nós contra a distância porque podemos estar longe fisicamente mas os corações estarão unidos por algo inseparável, o AMOR. Acreditemos que no fim iremos dizer como o grande Fernando Pessoa: “Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.”

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Susana Teixeira

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do mundo

36 – novos mundos Abriu-se a possibilidade de criar roupas inteligentes

Roupa inteligente Faltam poucos dias para o Natal! Tens já todas as prendas compradas? Venho deixar-te uma ideia, que não garanto que consigas para este ano, mas que é sempre uma sugestão… Será que a roupa do Pai Natal é de algodão??! Roupa inteligente! Há cerca de 1 ano, uma equipa da Universidade de Cornell, USA, criou fibras de algodão capazes de conduzir eletricidade. Que significa isto? Que, pela primeira vez abriu-se a possibilidade de criar roupas inteligentes sem a necessidade de misturar fios de metal com as fibras durante o processo de tecelagem (que seria algo muito complexo). A equipa liderada pelo Dr. Juan Hinestroza já está a trabalhar a ideia, não só criando estas roupas mas já pensando em vestuário com os próprios equipamentos eletrónicos incluídos. “A criação de transístores de fibras de algodão abre a perspetiva para a integração total dos aparelhos eletrónicos com os tecidos, permitindo a criação de equipamentos eletrónicos de vestir”, afirma o responsável. De entre muitas funções destaca-se a capacidade de “existir tecidos capazes de monitorizar a temperatura do corpo, aquecendo ou arrefecendo automaticamente em resposta às variações de temperatura.” Esta técnica usa uma mistura de nano partículas de ouro e polímetros condutores e semicondutores para ajustar o comportamento das fibras de algodão. Bem, pelo menos cá na Madeira daria jeito, pois muitas vezes saímos com tempo incerto! Será este o futuro da “moda”? Continua a acompanhar as edições d’A Folha dos Valentes e logo verás. Aproveito para desejar um Santo e Feliz Natal a todos os leitores e suas famílias! “Vemo-nos” em 2012! Fonte: Revista England Hi-tech

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André Teixeira

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do mundo

nuances musicais – 37

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Víd eos

Nasceram nos anos 60 e foram explorados ao máximo

promoção de composições musicais está definitivamente associada à vertente visual que muito acrescenta ao motivo comercial destas. Os videoclipes são uma parte marcante e significativa na arte musical do séc. XX, estendendo-se pelo séc. XXI, em esmeradas produções em que a tecnologia é explorada ao máximo. É obvio que existem facções discrepantes na associação da música com o vídeo. De certo já nos deparámos por vezes com uma música que nem gostamos muito mas o vídeo prende-nos a atenção, ou, em sentido contrário, uma música excelente mas o vídeo deixa um pouco a desejar para as potencialidades líricas e musicais. O certo é que a realização de vídeos implica sempre uma produção que envolve muita gente e de criatividade e gosto variados. A acrescentar a isso estão as preferencias dos músicos e a paciência para a morosidade de um processo que por vezes é muito desgastante. Fazendo uma retrospectiva pela evolução videográfica, as grandes produções começam nos anos 70 sendo exploradas ao máximo nos anos 80 e meados de 90. Claro que as opiniões são relativas no que concerne à qualidade e beleza do que é feito na atualidade. No entanto principalmente entre meados dos anos 80 e princípios dos 90 foram realizados algum épicos que ainda hoje são referência na história da vídeografia. Estes vídeos eram munidos de artefatos tecnológicos e teatrais, tinham uma história e implicavam produções dispendiosas. No entanto o resultado era fenomenal. Neste âmbito posso referir por exemplo Mickael

Jackson em Black or White, os Guns’n’Roses em November Rain. A partir daí têm-se feito vídeos dispendiosos mas retirando a parte “hestórica” prendendo a atenção apenas na exploração de efeitos visuais por vezes de gosto duvidoso. Mas o mérito para a realização das produções recentes dever-se-á a estudos comerciais que certamente incidem na arte de prender o espectador a algo que nem é muito bonito à vista. É óbvio como já referi atrás que o bonito é sempre relativo e por vezes aparecem grandes produções na actualidade que nem são muito divulgadas.

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Florentino Franco

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do bem-estar

38 – cuidar de si Drogas legais: os mesmo efeitos das drogas ilegais mas ainda mais perniciosas

Alerta – perigo das drogas legais! E

ste mês, além de festivo pelos motivos que nos unem, é também um mês de férias, festas, bailes de finalistas e afins. E, em virtude de ter sido confrontado multiplas vezes nas últimas semanas com casos de jovens que recorreram ao Serviço de Urgência após terem consumido estas novas “drogas legais”, decidi deixar-vos um esclarecimento do Serviço de Defesa do Consumidor sobre as mesmas.

“Estas drogas, desenvolvidas em laboratório, são susceptíveis de produzir os mesmos efeitos das drogas ilegais, podendo ser até mais perniciosas. Ainda que compostas por substâncias que potenciam reacções e experiências alucinogénicas, estes produtos não constam da longa lista de substâncias estupefacientes proibidas em Portugal, anexa ao Decreto-Lei 15/93, de Janeiro (Regime jurídico do tráfico e consumo de estupefacientes e psicotrópicos). O aumento da venda de drogas legais, a que se seguiu um exponencial surgimento de smartshops (lojas que vendem estas substâncias) tornou-se um fenómeno cada vez mais actuante na Europa e, Portugal, parece não ser excepção. As estruturas de autoridade, criadas para responder às necessidades dos cidadãos, mostram-se excessivamente pesadas e estáticas para coexistirem num tempo de flexibilidade e constante adaptabilidade a novos requisitos. As autoridades nacionais e europeias têm, igualmente, sentido dificuldade em acompanhar, com legislação adequada, o aparecimento no mercado destas novas drogas, confluindo-se, inevitavelmente, num vazio legal que permite que uma substância cientificamente associada a problemas de saúde graves possa ser legalmente comercializada. Segundo a definição preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), droga é toda a substância que, introduzida no organismo vivo, modifica uma ou mais das suas funções. Esta definição engloba substâncias ditas lícitas - bebidas alcoólicas, tabaco e certos medicamentos – e, bem assim, as substâncias ilícitas, como a cocaína, LDS, ecstasy, opiáceos, entre outras.

DROGA: toda a substância que, introduzida no organismo vivo, modifica uma ou mais das suas funções.

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No que concerne ao conceito de dependência, define-o a OMS como sendo um estado psíquico, e por vezes físico, caracterizado por comportamentos e respostas que incluem sempre a compulsão e necessidade de tomar a droga, de forma contínua ou periódica, de modo a experimentar efeitos físicos ou para evitar o desconforto da sua ausência, podendo a tolerância estar ou não presente.

DEPENDÊNCIA: estado psíquico ou físico que inclui a necessidade de tomar droga de forma contínua ou periódica.

Estas substâncias químicas, também conhecidas por “legal highs” ou “spice drugs” só são lícitas por uma questão administrativa ou legal, porque os efeitos são, efectivamente, idênticos às drogas ilícitas, sendo vendidas sob várias formas, de estimulantes a afrodisíacos, de energizantes a calmantes, e – mais grave – costumam ser comercializadas sob a capa de produto para plantas ou incensos. Estas drogas, como é exemplo a conhecida por “miau-miau”, entre outras designações, é um fertilizante de plantas, pelo que, não sendo uma substância ilegal, pode ser facilmente adquirida. Não obstante, o “miau miau” já matou dois jovens na Grã-Bretanha, facto que está a gerar preocupação às autoridades portuguesas.

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cuidar de si – 39

Finalmente, existem consequências sociais e legais: manipular ou consumir drogas coloca o indivíduo à margem da legalidade, não só porque o seu tráfico é ilegal mas também porque, para conseguir dinheiro para as comprar, muitos utilizadores regulares recorrem a delitos como o furto e/ou a prostituição.

CONSEQUÊNCIAS GRAVES: a nível social e pessoal os risco são enormes e põem em causa a saúde e a vida, particularmente dos jovens!

Por implicarem diversos riscos não totalmente previsíveis, devido às diferenças físicas e psicológicas existentes entre os indivíduos, algumas drogas podem surtir pouco efeito numa pessoa e afectar severamente outra, ou até provocar efeitos paradoxais, na medida em que um indivíduo, ao tomar substâncias depressoras do sistema nervoso central, pode ficar ansioso, nervoso ou agressivo, apesar de a droga ter sido usada apenas pelos seus efeitos calmantes (como acontece, por exemplo, no caso do álcool e tranquilizantes). Por outro lado, a interacção de múltiplas drogas pode provocar reacções adversas muito superiores às que seriam de prever (ex: o consumo de álcool em simultâneo com outras substâncias, especialmente as drogas depressoras do sistema nervoso central, potencia muito os efeitos adversos destas drogas), o que pode causar inesperadamente a morte.

Impõe-se, assim, crucial, agilizar o processo de revisão e/ou actualização da tabela de substâncias ilícitas o mais rapidamente possível, porque, como vemos, a legislação anda sempre um passo atrás do desenvolvimento de novas drogas sintéticas. Sejamos claros – independentemente do alargamento da criminalização de tais substâncias enquanto drogas, a verdade é que a sua ingestão ou o seu consumo, de qualquer outra forma que não a do fim comercial normal a que se destina, pondo em causa a saúde e a vida, particularmente de jovens, exige que a sua comercialização seja sempre condicionada, e controlada, sujeita a requisitos legalmente estabelecidos e cuja violação deve implicar sempre, a aplicação de coimas pesadas e a apreensão dos respectivos produtos e mesmo, se necessário, o encerramento do estabelecimento.” Julgo que ficam esclarecidos quanto a este tema. Em jeito de remate final: Um Feliz e Santo Natal (divirtam-se mas “não se estraguem”)!

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João Moura

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40 – dentro de ti A adopção é a criação de novos laços familiares tendo em vista o interesse da criança

Adopção, uma opção?

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amília pode definir-se como o núcleo criado por duas ou mais pessoas, sendo pelo menos um destes elementos, um adulto. Assim, estamos perante uma família nuclear quando nos confrontamos com um casal com um ou mais filhos, ou simplesmente quando uma mãe, por exemplo, vive somente com os seus filhos. O mais importante é que uma família constituída por um casal de pais deveria garantir ao filho um contexto sereno de onde fossem excluídos os impulsos de raiva e de violência física. Mas, isto não acontece em todas as famílias, e devido a estes ou outros problemas, muitas crianças são retiradas dos cuidados parentais, ficando abrigadas por um dos recursos de protecção à infância. O lar onde uma família mora deveria ser um lugar de paz, refúgio, não só de qualquer ofensa, como também de qualquer medo dúvida ou mesmo discórdia. Todavia, esta concepção de família não é válida em todas as partes do mundo, pois cada civilização tem crenças, valores e funcionamentos diferentes, que sofrem constantes alterações com o decorrer do tempo e com o evoluir natural das sociedades. Quanto às crianças, os seus direitos já são reconhecidos em grande parte do mundo, e cada vez mais “Somos

melhores pais do que alguma vez fomos. Mais conscientes das necessidades dos nossos filhos, mais exigentes na sua evolução e formação, mais cuidadosos nos exemplos que lhes damos” (Dinis, 1993). A adopção é a criação de novos laços familiares entre uma família adoptante e uma criança com características de adoptabilidade, tendo em vista o superior interesse da criança. Esta nova relação jurídica familiar, tem em vista a protecção à criança desprovida de meio familiar normal. O mais importante é o facto de as crianças terem o direito a viver sempre integradas em ambiente familiar onde cada uma dela se sinta “…amada como filho”. No entanto, muitas são as que ficam institucionalizadas durante longos períodos de tempo, para não dizer durante toda a vida. A privação do meio familiar em que nasceram deveria dar origem à integração numa família adoptiva, visto não terem encontrado uma resposta eficaz na família biológica que integravam. Claro que a transição entre uma e outra exigiria sempre a institucionalização da criança, mas esta deveria apenas durar o tempo estritamente necessário à integração da mesma numa nova família, ou à reintegração na sua família de origem. A adopção pode ainda ser “para os pais, como os filhos, uma experiência emocional reparadora (Anthony, 2008). No entanto, é unanimemente aceite que adopção é um recurso a utilizar na defesa do bem da criança e não em prole do interesse dos adultos, centrando-se todo o processo de adopção figura da criança” (Dinis, 1993). O mais importante na adopção, é que pais e crianças se sintam como tal, independentemente dos problemas que possam ter, pois os filhos biológicos também têm, por vezes, em dadas etapas da vida, relações conflituosas com os seus pais. A adopção pressupõe que um filho que não seja “biológico é desejado e sentido como filho a nível psicológico (Dinis, 1993). A adopção implica ainda que um filho que não seja biológico, se sinta como tal, e que também possa recair sobre ele o desejo e a projecção que os pais fizeram quando inicialmente desejaram ser pais. Então pode-se dizer que “adoptar um filho significa também, em termos psicológicos, integrá-lo na história pessoal de cada um dos pais” (Dinis, 1993).

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Olinda Silva

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Família Dehoniana – 41 Animação vocacional e formação cada vez mais partilhadas

Do sonho à realidade “A Família Dehoniana, entendida como o conjunto das diversas componentes (Consagrados e Leigos) que se inspiram no projecto espiritual do Padre Dehon, como resposta à vocação pessoal e missão na Igreja, é hoje uma realidade” (Carta de Comunhão – Documento da Família Dehoniana).

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Família Dehoniana, em Portugal, tem vindo a desenvolver diversas iniciativas, no sentido de: a) divulgar a existência dos vários ramos do mesmo tronco comum, Padre Dehon e o seu legado espiritual; b) estreitar laços de comunhão; c) fomentar um espírito de família, que se identifica e reconhece na riqueza da diversidade, na pluralidade e na complementaridade; d) aprofundar a espiritualidade através de momentos de formação e de oração; e) conviver em amizade e alegria.

Esta consciência de família vai-nos abrindo novos horizontes que nos permitem vislumbrar iniciativas de articulação entre as componentes. Movida por este espírito de família, a equipa de animação vocacional da Companhia Missionária do Porto dinamizou um encontro com adolescentes, no dia 22 de Outubro, em conjunto com a escola EB2/3 de Cristelo e com os SCJ, na pessoa do padre Paulo Vieira. Agradeço-lhe, em nome da Escola e da Companhia Missionária, a sua disponibilidade e colaboração. Pode parecer uma atividade muito simples, mas vejo-a como um momento histórico, na medida em que, pela primeira vez, a pensámos e concretizámos enquanto Família Dehoniana. Acalento o sonho de que os projectos de animação vocacional e de formação sejam cada vez mais partilhados entre as componentes que constituem esta grande família, porque acredito que, dessa forma, poderemos rentabilizar os recursos físicos e humanos, dar um rosto mais completo daquilo que somos, ajudar os jovens que se sentem identificados com a nossa espiritualidade a compreenderem que aqui há lugar para todos, seja qual for o seu estado de vida.

Muito mais gostaria de dizer sobre o meu sonho, mas, de momento, limito-me a continuar a sonhar e espero que, como o padre Paulo, outros se associem e dêem asas ao sonho para que não seja apenas o meu, mas o nosso sonho. Deixo os ecos da experiência do encontro com o texto das meninas do 8.º C, e os testemunhos de alguns alunos que estão nas duas páginas seguintes. Sobrosa, 21 de setembro de 2011.

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Serafina Ribeiro

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42 – jovens mais novos Encontro de alunos de EMRC da EB 2/3 de Cristelo, no Porto

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o passado dia 22 de Outubro, 34 alunos das turmas 7.º A e B; 8.º C e 9.º B e C, da Escola E.B. 2/3 de Cristelo, participaram num encontro, na casa da Companhia Missionária, no Porto, subordinado ao tema “A amizade de uns para com os outro e a amizade com Jesus Cristo”. Os nossos professores de Educação Moral e Religiosa Católica acompanharam-nos quer nas viagens quer durante o encontro. Quando chegámos ao local fomos recebidos, com muita simpatia, pela missionária Amélia Magalhães, que tinha preparado uma mesa bem recheada para nos reconfortar. Depois, a missionária Laura Gonçalves emocionou-nos com a notícia do seu mau estar físico e com a promessa de nos acompanhar na nossa caminhada com a sua oração. Entretanto chega o tão ansiado senhor padre Paulo Vieira, carregado com “a casa às costas”, cheio de estratégias alegres e dinâmicas para nos motivar a participar, ao longo do dia, com alegria e entusiasmo em todas as suas propostas. Entre as diversas actividades, salienta-se aquela em que tivemos de procurar pela casa vários símbolos relacionados com a amizade para apresentarmos na Eucaristia. “Nunca devemos desistir, mas lutar pelo que desejamos…”

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Catarina, Joana e Sara – 8º C

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jovens mais novos – 43 Foi uma experiência que me abriu os olhos para conviver mais com os amigos. Ensinou-me a gostar mais de ir à missa. Foi um dia incrível! Uma festa!

Foi um dia muito emocionante, inesquecível! O padre Paulo era divertido e gostei muito de cantar. A missa foi muito alegre, a mais festiva que assisti até hoje.

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Nelson – 7º B

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David – 7º B

Gostei muito do encontro, foi muito divertido. Fazia anos nesse dia e adorei passá-lo com os colegas, com os professores e com a D. Amélia. Foi muito giro… Espero voltar a ver-vos! Foi um dia muito divertido: cantámos, rezámos… Gostei muito da companhia da Amélia. Espero voltar lá.

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Sara – 7º B

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Jéssica – 7º B

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O que gostei mais no encontro sobre a amizade foi da parte em que fizemos um jogo. Foi fantástico!

Aprendi que para concretizar os meus sonhos preciso de estar atenta para não me deixar condicionar pelos outros e para saber escolher em liberdade o caminho do bem.

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Vanessa – 7º B

Nesse dia aprendemos a viver em amizade e harmonia. Gostei de sentir que a nossa presença alegrou a missionária Laura. Mesmo se fisicamente estava ausente, sentimo-la connosco em espírito e amizade.

Tânia – 8º C

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Joana Freire – 8º C

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O encontro na Companhia Missionaria foi muito divertido. Lá fizemos novos amigos e descobertas fantásticas. Ficou-me de marcante, no dia 22 de Outubro, a frase: há sempre alguém que nos ama, mas para descobrir essas pessoas temos que nos amar a nós próprios…

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44 – jd-Lisboa Transpiração, diversão, oração e formação... para a Missão

Sintoniza-te

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Nos dias de 18 a 20 de Novembro, a JD-Lisboa foi passar um fim de semana à Casa da Praia Grande – Sintra –, para mais um edição do Sintoniza-te (desta vez ao cubo: 3). Foram três dias que transpiraram diversão: entre danças e improvisações, ou entre música e desenhos embarcámos na Missão. A casa, colorida e acolhedora, proporcionou-nos momentos de oração e de convívio, momentos para rir e momentos para chorar, momentos de auto-conhecimento e momentos de descoberta da natureza. Sobretudo, aprendemos que a Missão vem do coração e é para o coração; que não precisamos de ser grandes viajantes para sermos missionários, pois a Missão pode ser pessoal ou comunitária. E, apanhando boleia do nosso autocarro improvisado, fomos até à praia onde descobrimos que a nossa Missão começa em nós e ganha sentido na nossa comunidade, no coração do outro.

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Rita Sousa e Inês Vaz

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da juventude

AIC – 45

Associação de Imprensa de Inspiração Cristã realizou o seu 8.º Congresso, em Leiria

Onde é que queremos estar no próximo congresso?

CONCLUSÕES

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um tempo de crise, em que diminui o número de leitores e com o boom das novas plataformas digitais de comunicação, seis dezenas de pessoas, sobretudo responsáveis de jornais e jornalistas, reflectiram sobre “Reinventar ou fechar jornais?”, a 11 e 12 de Novembro, em Leiria. O desaparecimento de títulos, (na última década, já fecharam 77 títulos da AIC) tem vindo a preocupar os responsáveis da associação de imprensa de inspiração cristã. Os tempos são de incerteza, mas a imprensa regional cumpre “serviço público”, liga as pessoas à comunidade e à diáspora. É “memória histórica do país e do povo”. Estão aí “desafios, impactos e exigências, que se colocam de modo mais premente e até ameaçador”. A realidade é conhecida e o diagnóstico está feito há muito tempo. “Para quando as parcerias, a profissionalização e a entrada definitiva no digital”? Reinventar os jornais, para evitar o seu fecho, passa pela formação profissional, pela aposta no marketing e pelas novas plataformas digitais. “Algures entre a esperança e o medo”, o rumo ao futuro passa por sair do “aquário”, e iniciar um caminho com as coordenadas da identidade, das parcerias, da interacção, das soluções integradas de comunicação sem esquecer que somos “agências de sentido”. “Acabou o tempo de fazer de conta e para quem está a fazer de conta, acabou mesmo o tempo”. Mais do que “comunicar para” é preciso “comunicar com”, aproveitando a convergência entre os diferentes suportes (tradicionais e digitais) e que os jornalistas assumam, cada vez mais, o papel de mediadores. Os jornais em papel terão futuro se os conseguirmos reinventar, rasgando e alargando horizontes. A imprensa de inspiração cristã “não cumprirá o seu papel se continuar desgarrada da pastoral, dessintonizada da Igreja ou cercada pelos muros do adro”. A imprensa de inspiração cristã apela aos responsáveis da tutela para que mantenham o apoio de incentivo à leitura, como reconhecimento do serviço público que esta presta. A AIC lembra que continua a ser o “parente pobre da comunicação social”, ainda que represente um milhão e meio de leitores.

Mesa de abertura do 8.º Congresso da AIC. Foto: Fátima Missionária

O Secretário de Estado, responsável pela tutela, reconheceu o papel que a imprensa de inspiração cristã desempenha e os valores que promove, disponibilizando-se para dialogar com a AIC no sentido de encontrar soluções para os problemas que o sector atravessa. A Comissão do 8º Congresso da AIC agradece a todas as entidades que colaboraram na organização deste evento, nomeadamente: Presidentes da Câmara Municipal de Batalha e de Leiria, Entidade Regional de Turismo de LeiriaFátima, Comissão Intermunicipal do Pinhal de Leiria, Caixa de Crédito Agrícola e Mosteiro da Batalha, Instituto Politécnico de Leiria, Banco Santander-Totta, Gabinete para os Meios de Comunicação Social, Jornais “O Mensageiro”, “A Defesa”, a revista “Fátima Missionária” e ao reitor do Seminário Diocesano de Leiria, pela sua recepção e agradável estadia que proporcionou a todos os congressistas, não esquecendo outras entidades que directa ou indirectamente nos apoiaram neste evento. Seminário Diocesano de Leiria – Congresso da AIC, 12.11.2011.

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AIC

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da juventude

46 – agenda » JD — Açores

Juventude Dehoniana 2011-2012

Dezembro

04 − Encontro sobre a Família, no Centro Missionário.

Janeiro

13 − Oração de Taizé no Centro Missionário (sempre na 2ª sexta-feira do mês).

» JD — Porto Dezembro

04 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso. 11 − Retiro de Advento – Centro Dehoniano 15 − AdOração no Centro Dehoniano – 21h-22h. 16 − Presépio e Ceia de Natal no Centro Dehoniano.

Janeiro

Sextas, Sábados e Domingos − Janeiras AFV-JD. 01 − Dia Solidário – Lar Pinheiro Manso (com Janeiras). 19 − AdOração no Centro Dehoniano – 21h-22h.

DEHUMOR

Estamos aqui tão bem... ... nem sentimos a CRISE!

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aci 2012 N ro i l d e a d a t e n t Es Enco Abr nh i XV 22 de a m l es c õ a 0 2 m tiv naç o c fes ce e en e d :

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“A pobreza traz tesouros inesgotáveis: grandeza, liberdade, paz e alegria.”

(Padre Dehon) (Padre Dehon)

Espera que cheguem os pastores e os Reis Magos... ... E o burro sou eu!?!... Hi... hi... hi...

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Paulo Vieira

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tempo livre

passatempos – 47

tem piada beleza vs inteligênca

Certa vez (facto verídico) Einstein recebeu uma carta da Miss New Orleans que lhe dizia: “Prof. Einstein, gostaria de ter um filho com o senhor... A minha justificação baseia-se no fato de que eu, como modelo de beleza, teria um filho com o senhor e, certamente, o bebé teria a minha beleza e a sua inteligência”. Einstein respondeu: “Querida Miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza”.

prenda de Natal

Um estudante ia a passar à frente de uma loja, e acabou por entrar e comprar um par de luvas para a namorada. Pediu a funcionária para embrulhar e foi pagar, deixando o embrulho ao lado de outro igual, que tinha um par de cuecas. Ironia do destino, o embrulho foi trocado e o estudante enviou-o à namorada juntamente com uma carta que dizia assim: “Meu amor: Sei que hoje ainda não é Natal, mas passei em frente a uma loja e resolvi comprar-te este presente, mesmo sabendo que não costumas usar, mas eram muito bonitas. Não sei se são do teu tamanho nem se gostas da cor, mas a funcionária experimentou à minha frente e eu gostei muito. Ficaram um pouco larguinhas na frente e dos lados mas assim as mãos entram com maior facilidade além de deixar os dedos mais livres para se movimentarem, fazendo também com que fique mais fácil de tirar. A funcionária disse que era melhor pores um pouco de pó de talco quando as tirares, a fim de evitar o mau cheiro. Meu amor, gostaria muito que as usasses, pois elas cobrirão o que te pedirei algum dia. Um beijo no sítio aonde as vais usar”.

papel higiénico O Manuel estava, há horas, na casa de banho: – Ó Manuel, estás tudo bem? Porque demoras tanto? – pergunta a mulher, esmurrando a porta. – É que não encontro o papel higiénico... – Mas, Manel! Por acaso você não tem língua? – É claro que eu tenho, mas não sou contorcionista!

curiosidades

tipos de sangue Existem quatro tipos sanguíneos principais. O mais antigo é o B, que terá surgido à cerca de 3,5 milhões de anos – existia antes mesmo de a espécie humana ter evoluído dos seus ancestrais hominídeos, a partir de uma mutação genética que modificou um dos açúcares que ficam na superfície das células vermelhas do sangue. Aproximadamente há 2,5 milhões de anos atrás, mutações inactivaram o açúcar, originando o sangue do tipo O, que não tem nem o açúcar do tipo A nem do B. O sangue AB, como é fácil supor, é coberto tanto pelo açúcar A como pelo B. Estes açúcares fazem com que alguns tipos de sangue sejam incompatíveis entre si. Se for feita uma transfusão de sangue com um doador de sangue do tipo A para uma pessoa com o tipo B, o sistema imunológico do receptor reconheceria o invasor e começaria um ataque – essa reação imunológica pode matar o indivíduo. O sangue do tipo O negativo é conhecido como o “doador universal” porque não tem as moléculas que podem provocar essa reacção.

Sabias que... ... Dezembro é um óptimo mês para mandar “notícias” à A Folha dos Valentes?

quebra-cabeças provérbio escondido O provérbio escondido começa por C e lê-se de seguida de cima para baixo, de baixo para cima, da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita.

Soluções de Novembro Muito riso, pouco siso.

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Paulo Cruz

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2012AFV–JD-Porto

JANEIRAS

Domingo, 1 – Lar P. Manso - 17h30 Sexta, 6 – Sandim - 21h00 Sábado, 7 – Duas Igrejas - 20h00 Domingo, 8 – Terroso - 17h30 Sexta, 13 – Sobrosa - 21h00 Sábado, 14 – Rebordosa - 20h00 Domingo, 15 – Canidelo - 17h00 Sexta, 20 – Melres - 21h00 Sábado, 21 – Vilarinho - 20h00 Domingo, 22 – Torreira - 17h30 Sexta, 27 – Gatão - 20h30 Sábado, 28 – Sobrado - 21h00 Domingo, 29 – Francos-Boavista - 17h30

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A folha dos Valentes - dezembro 2011  

dezembro 2011

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