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Era aqui que começava… Ao tempo, não havia estas construções…

…nem qualquer arranjo urbanístico. “O Sr chauffeur deixou-nos no largo da feira por causa do mau piso…”


Era aqui que começava… O pequeno jardim do outro lado da estrada, ainda lá está…

…e a velha barraca da esplanada deu lugar a um moderno quiosque. “O Sr choufer deixou-nos no largo da feira por causa do mau piso…”


Era aqui que começava… A Escola Primária mantém a sua atividade…

…mas a urbanização do lugar levou muitas das árvores para em troca do asfalto e estacionamentos.


“Rondaríamos o quiosque ou a porta da taberna que ficava no empedrado junto às casas, mirávamos o cartão dos furos que estava encostado ao balcão, perguntávamos o preço na esperança de encontrar no fundo dos bolsos alguma moeda perdida, retirávamos a mão com ela entre os dedos, veríamos que não dava para nada…”


A fábrica ainda labora, embora parcialmente.

Começava aqui o ataque à subida.

“Carrego o saco com a marmita e faço-me à subida…”


Já não há lamaçais….

Um olhar à ladeira de cima para baixo.

“A ladeira é toda ela um enorme lamaçal. Choveu, choveu muito. Procuro o melhor de um piso incerto e enlameado, escolho os lugares já pisados, parecem mais seguros. Firmo os passos, as solas das botas têm já meio quilo de lama agarrada…”


E a ladeira continua….

“Escorrego, e comigo escorrega também o saco preto do almoço e lá dentro tilinta a marmita com a força com que o larguei! …”


Finalmente… o local do conhecimento!

“…irei raspá-las [as botas], lá mais para cima, já perto da porta que dá para o pátio coberto, logo ali na entrada …”


Esta saudosa foto foi tirada por aqui.

O terraço não estava coberto…

… e o pátio não estava fechado.


As escadas que ficavam do lado das traseiras, improvisadas em madeira, sem corrimãos nem grades, também elas molhadas e enlameadas nos dias de chuva, e , por isso, muito perigosas, desapareceram com a construção de um novo edifício.

“Deste a volta, foste subir pelas escadas que ficavam do lado das traseiras.”


E o local do conhecimento foi crescendo…

...ocupando os “nossos” campos de futebol e de brincadeira, em terra e sempre enlameados em tempo de chuva…

...e até o “nosso pinhal”, palco diário de brincadeiras e aventuras, refeitório do almoço abrigados debaixo do guarda chuva entalado entre dois pinheiros, quando chovia, foi quase totalmente invadido.


O piso era todo ele assim!


Deste ponto, virado a norte, vemos a frente do ColĂŠgio. Com a particularidade de, no momento, se encontrar ali estacionado o carro do Diretor, o sr. Padre Baptista (lembras-te?) com o Diretor lĂĄ dentro a ler um livro.

Do mesmo local, virado a sul, desfrutamos duma magnĂ­fica vista sobre a Cova da Beira (lembras-te?) .


À saída o percurso era o mesmo, em sentido inverso. A menos que quiséssemos tentar apanhar uma boleia para Unhais, o que era raro naqueles tempos. Ou ir a pé, porque uma vez um, outra vez outro, o dinheiro contado ao centavo para a camioneta da carreira, lá tinha “ido” irresistivelmente no cartão dos furos, na limonada na esplanada ou numa volta de bicicleta.

Antes do velho autocarro, quando o transporte era a camioneta da carreira, era por aqui (nada de asfalto, claro) íamos até à estrada de Unhais, à saída do Cabeço, a tentar uma boleia que só um camião, de quando em vez, parava para nos levar. Outras vezes era aqui o início duma caminhada que só terminava em Unhais em casa de cada um, mesmo a chover e até a nevar.

do largo da feira... ao local do conhecimento  

Descrição fotográfica