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SKETCH

Edição n.º

Maio 2012, IP Beja

O guia sobre desenho e desenhadores

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Editorial Director: Flávio dos Santos Director Financeiro: Juvenal Augusto Director de Produção: José Bira Director de Marketing: Augusta Duarte

SKETCH Editor: Gustavo Guilherme Arte: Manuel Ribeiro Textos: Manuel Ribeiro Grafismo e Paginação: Manuel António Capa: Ribeiro

www.aindanaoexiste.pt

Edição: Impressão PDF, Lda. Tiragem: Sem unidades


P

rimeiras a l a v r a s

Esta revista serve como avaliação para a U.C. de Design, solicitada como forma de avaliação para Design Editorial, mas como é o meu hábito em tudo o que faço, decidi aproveitar para tentar fazer algo com algum significado e, quem sabe, possa ser utilizado por mim em algum projecto futuro ou mesmo até por outros alunos do Curso de Artes Plásticas e Multimédia da Escola Superior de Educação de Beja. O nome escolhido tem a ver com o tema que pretendo dar à revista, que é apresentar o trabalho de vários artistas desenhadores e ou ilustradores de Banda Desenhada, ou como é denominado na América do Norte, Comics, ou ainda no Japão, Manga. Embora o nome seja diferente o resultado é sempre o mesmo, o entretenimento através do desenho.Desde sempre que adoro desenhar e ler BD. Aproveitava tudo para o fazer, desde as normais folhas de desenho até aos livros, onde aproveitava os espaços em branco, cadernos, guardanapos, toalhas, paredes, etc… tendo tido inclusivamente um episódio, aí por volta dos meus seis anos, que me

valeram umas boas palmadas quando a minha mãe descobriu. Houve um dia que resolvi experimentar novas técnicas de desenho e então, agarrei numa vela acesa e comecei a desenhar com o seu fumo o estrado da cama por baixo desta. O resultado final até não ficou nada mal, mas a minha mãe não gostou nada do processo criativo. O desenho tem sido sempre uma coisa que faz parte de mim, sempre o utilizei como um hobbie e, embora desde muito novo tenha demonstrado uma apetência para tal, nunca fui incentivado nessa área e só agora, depois de várias experiencias profissionais pouco ou nada cativantes, resolvi voltar a estudar.

As minhas influências ao nível do desenho, foram sempre muito variadas, sendo a BD a minha principal referência, mas sem nunca optar por uma publicação ou um artista em especial. Sempre li tudo o que apanhava à mão, desde BD, Comics ou Manga. Uma vez que é impossível falar de todos numa revista, seleccionei alguns para mostrar o seu trabalho, o seu percurso como artistas e mesmo os seus esboços, ou como o nome da revista, os Sketches. Como não poderia terminar sem uma referência especial, também por ser a sua edição zero, e provavelmente a primeira e última, vou também colocar alguns trabalhos meus.

SKETCH, Junho 2012

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T O D D

M c FA R L A N E

Todd Dean Mark McFarlane, nasceu em 16 de Março de 1961 em Calgary, província de Alberta no Canadá. Vive em Portland, Oregon nos Estados Unidos. Todd McFarlane começou a ler BD apenas aos 18 anos de idade. Algumas das suas maiores influências são a sua mulher, Rob Liefeld, Frank Miller, Wayne Gretzky e Jhon Byrne. Adora o que faz, e embora viva satisfatoriamente, como diz, está na BD por diversão e não por dinheiro. Tood McFarlane começou a desenhar BD com 18 anos, pouco depois de começar a coleccioná-las. O seu primeiro trabalho foi com Steve Englehart, na revista Coyote, mas só começou a trabalhar profissionalmente depois de enviar cerca de setecentas 4

páginas de desenhos para as mais diversas editoras: “Acabou por resultar!” Ele faz o esboço de uma página em vinte minutos. Prefere usar pouco o lápis dando mais definição na arte final. Termina uma página em quatro horas de trabalho. “Se não fosse a BD, estaria a trabalhar numa gráfica ou seria designer”, afirma. “O meu ponto forte é conseguir produzir uma boa revista”. “Quero ser conhecido por ter feito BD de qualidade, mesmo não seguindo o trajecto mais fácil, e também como alguém que lutou pelos colegas de profissão”. Segundo os leitores, uma das melhores revistas que Todd desenhou foi Incredible Hulk 340, onde o Hulk cinzento enfrenta Wolverine. Todd McFarlane trabalhou a seguir com Amazing Spider-Man, onde se consagrou na sequência em que o Homem-Aranha enfrenta Venom. Produziu também a mini-série Torment do

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Homem-Aranha, um dos maiores êxitos de vendas do mercado americano. Todd McFarlane, mesmo depois de ter saído da Marvel, continuou a ser um dos desenhadores mais aplaudidos pelos leitores. Insatisfeito com as restrições na indústria de BD, que obrigava os criadores a ceder os direitos dos seus personagens às editoras, Todd McFarlane juntou alguns dos melhores desenhadores e argumentistas de BD para criarem a sua própria editora, Image Comics. A sua principal criação é o personagem Spawn, o soldado do Inferno, mais virado para um público mais adulto. Em 1995 foi feito um filme independente de Spawn, mas não teve o êxito esperado. Actualmente, Todd McFarlane prepara uma Série Animada de Spawn, além de continuar a desenhar o seu personagem.


Estes são alguns dos desenhos de Todd McFarlane logo depois de ter começado a coleccionar BD, na altura em que estava no ensino superior.

O Batman e o Homem-Aranha foram desde sempre dois dos seus personagens favoritos, mas teve de desenhar muito para se aperfeissoar…

Desde sedo, Todd McFarlane começou a esboçar aquela que viria a ser a sua personagem de BD, inspirado em Batman e HomemAranha, o qual denominou de SPAWN, o soldado do Inferno.

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Todd começou a trabalhar como desenhador nas revistas “Coyote”, “Infinity Inc.”, “Detective Comics” com Batman Year Two e na mini-série da DC “Invasion!”. Como entregava material de qualidade dentro do prazo, conseguiu ser contratado para desenhar “Incredible Hulk”. Em seguida, Todd começou a desenhar “Amazing SpiderMan”, onde se consagrou com as batalhas entre o Homem-Aranha e Venom. Depois de deixar a Marvel, para criar em conjunto com outros artistas de BD a Image Comics dedicou-se à sua personagem, SPAWN.

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Sketch e resultado final da capa da revista “Incredible HULK n.º 340”, da autoria de Todd McFarlane.

Segundo os leitores, esta foi a melhor edição que Todd McFarlane desenhou.

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Sketch e resultado final da capa da revista “Spider-Man n.º 1”, mini-série em cinco edições, da autoria de Todd McFarlane.

Em 1990, Todd McFarlane produziu “Spider-Man: Torment”, que foi até hoje um dos maiores sucessos de vendas do mercado Norteamericano, tendo sido suplantado apenas nos anos seguintes, por dois colegas que trabalham actualmente com ele na “Image Comics”, Rob Liefeld e Jim Lee. 8

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Todd McFarlane é actualmente um dos mais respeitados artistas de BD e um lutador incansável pela sua profissão. Tem enfrentado algumas lutas em tribunal na defesa pelos direitos e liberdades dos autores de BD e isso tem feito com que se afaste em determinadas fases daquilo que mais gosta de fazer que é desenhar e criar novos personagens, mas a excelente equipa de profissionais com que trabalha na “Image Comics” tem-lhe permitido desenvolver, além da defesa da sua profissão, outros projectos, passando por uma experiencia no cinema com o filme “SPAWN”, pela criação de bonecos de colecção e uma série animada do mesmo. Conselho de Todd McFarlane: “Desenha sempre com um objectivo. A repetição é aborrecida, mas necessária para o aperfeiçoamento. Sê honesto contigo próprio quando criticares os teus trabalhos. Pede a opinião de pessoas que trabalhem na BD e de mais ninguém”. 10

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Desenhar com Grafite: A grafite foi descoberta na

Faber criou uma pequena

algumas

Baviera por volta de 1400,

oficina de fabrico de lá-

minas

não lhe tendo sido dado na

pis. Misturava duas par-

ando grafites de grande

época o devido valor.

tes de grafite com uma

qualidade com polímeros

A história do lápis remonta

de enxofre. Napoleão, no

especiais.

a 1564, quando se desco-

séc. XVIII, encomendou a

Encontramos no mercado

briu em Inglaterra um filão

Conté a exploração de pro-

uma

de grafite pura. A coroa in-

cessos de fabricar lápis

variedade de

glesa mandou então abrir

para substituir os im-

minas para se obter grafite

portados. Apare-

como material de desenho.

ceu então uma

Estas minas forneceram

nova espé-

grafite a toda a europa,

cie

até se esgotarem as suas

lá-

das

melhores

fazem-se

mistur-

enorme

qualidades de grafite. Envolvida em madeira (lápis), em minas simples de

de

várias

espessuras

para

porta minas, desde as

reservas no séc. XIX.

p i s

mais vulgares 0,5mm, 0,7

u

e

mm, 1,2 mm, até às mais

consistia na

grossas apenas envolvi-

mistura de ter-

das em plástico para de-

ra (argilas), grafite

senhos que exigem um

colocada

e água, que eram so-

grande depósito de grafite.

numa ran-

lidificados por cozedura e

Existem também em mui-

hura de um

colocados em ranhuras de

tas durezas, desde extra-

madeira.

duras a extra-macias. As

deira geralmente de cedro

Este foi o antecessor do

mais duras permitem tra-

e atado com um cordel. À

lápis que conhecemos. No

ços finos cinzento pálido,

medida que se ia gastando

passado usaram-se cer-

as mais macias produzem

a grafite, o cordel era de-

tos materiais na confecção

traços mais grossos e mais

senrolado e repunha-se a

das minas como ceras,

negros,

mina no extremo.

goma-laca, resinas, negro

mais grafite no papel. As-

Em 1761, na Alemanha,

de fumo, etc. Actualmente

sim, temos basicamente a

O mineral era misturado

q

com gomas, resinas e colas. Esta mistura era então

pedaço

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de

ma-

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pois

depositam


menos macias e os porta-

termina a forma como a

minas.

grafite se vai comportar.

2H, H, HB, F, B, 2B, 3B,

A grafite pode ser usada

Papéis coloridos são tam-

4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 9B

praticamente em todas as

bém frequentemente usa-

Por "H" entende-se "Hard"

superfícies, excepto nas

dos para trabalhos de de-

- uma mina dura.

plastificadas, onde adere

senho a grafite.

Por "B" entende-se "Brand"

mal. Quase todos os tipos

ou "Black" - uma mina ma-

de papel - lisos, texturados,

cia ou preta.

rugosos - são também um

seguinte escala de grafites: 8H, 7H, 6H, 5H, 4H, 3H,

Por

"HB"

entende-se

suporte adequado. Papéis

"Hard/Brand"- uma mina

como o "Ingres" ou "Can-

de dureza média.

son" são óptimos suportes

Associados

ao

uso

da

para trabalhos em valores

grafite estão sempre os afi-

de cinzento e "degradés".

adores ou canivetes para

O tipo de papel que se usa

afiar, as borrachas mais ou

é importantíssimo pois de-

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Uma prancha com:

Jhon Byrne

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O artista desconhecido:

Manuel Ribeiro

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Artes PlĂĄsticas e MultimĂŠdia U.C. Design Manuel A. Ribeiro Aluno 9886

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Revista experimental

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