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MANUELA GANDRA

A DANÇA DE ENCHER A PANÇA THE BELLY FEEDING DANCE


Exposição de Pintura ‘A Dança de Encher a Pança’ O quadro A Dança de Encher a Pança foi criado em função do título, o que nem sempre acontece nos meus trabalhos mas que, ultimamente, acabou por tornar-se bastante frequente. Gostei da sonoridade e também dos possíveis significados dos quais tive visualização imediata. Posteriormente, resolvi dar o seu nome á exposição. Quis usar a sua amplitude e abrangência para expressar a sempre eterna(?) questão da exploração e do domínio de alguns sobre os muitos outros, que são a maior parte. Tornou-se assim para mim, a metáfora perfeita para representar esta temática que me(nos) inquieta, sobretudo porque não sabemos como nem quando ela termina, pois não encontramos/vislumbramos solução à vista. Acontece ainda que há povos que são particularmente obedientes e submissos dos quais faz parte o português. Os Ajoelhados, Quem tem cu tem medo, Portugal: A Árvore dos Pacatos, acabando n’A Alma Vendida, exactamente por esta ordem, representam também metaforicamente o percurso de sujeição e submissão deste povo ao longo dos séculos e especialmente, nas ultimas décadas. Primeiramente o quadro A Cauda, posiciona-nos na europa enquanto as Casas Amarelas são o nosso ‘retrato’(mais um), (aliás oito). Basta repararmos nos seus habitantes e nas próprias casas que aos poucos vão ficando degradadas e finalmente destruídas; as respectivas populações, desalojadas, vão ocupando o exterior. Nem os próprios jardins (as superf ícies verdes no centro dos quadros que simbolizam a paz podre), escapam. Assim, esta diabólica e multifacetada ‘dança’ irá continuar e mostrará cada vez mais os seus tentáculos e os reais propósitos, até não poder ser ignorada. Nem pelos mais cépticos, nem pelos ignorantes, nem pelos ingénuos. Apesar de todas as máscaras, já não há disfarce possível ... mas ainda existem os carnavais. Esta exposição irá continuar e expandir-se, pois o tema em questão, como é costume dizer-se, tem pano para mangas. Haverá elementos (quadros) novos enquanto outros regressam aos seus antigos ‘donos’ e ainda outros conhecerão os seus novos lares. Todos estes trabalhos são realizados em papel, o meio que tenho explorado com mais teimosia por considerá-lo profundamente abrangente e com infinitas possibilidades. As suas texturas podem variar entre o sedoso e o árido e o vastíssimo espectro intermédio. Nestas pinturas tal como na maior parte dos meus trabalhos, começo pela criação de texturas (nas quais o aerógrafo conjuntamente com outras técnicas, é utilizado). De seguida, existe a procura de um significado nestas texturas, talvez uma figuração, resultante de uma identificação ou associação. Nos últimos trabalhos essa identificação é mais circunscrita, elaborada e inventada, carrega logo de início um significado. O processo quase que se inverteu. O que antes era aleatório passou agora a ser essencialmente premeditado. O que anteriormente era ‘encontrado’ na superf ície do quadro todo, é agora ‘procurado’ e ‘colocado’ numa área definida, como que observada por um óculo. O ‘puzzle’ ficou assim muito mais dif ícil de completar e por isso muito mais desafiante.


Cauda 2011 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Tail 2011 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 1 2011 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 1 2011 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 2 2012 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 2 2012 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 3 201 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 3 2012 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 4 2012 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 4 2012 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 5 2012 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 5 2012 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 6 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 6 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 7 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 7 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Casa Amarela T贸rrida 8 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Torrid Yellow House 8 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Texto para exposição “A Dança de encher a Pança” Se quisessem lutavam, e estão prestes a fazê-lo. Em vez disso talvez enlouqueçam. Sabem uma quantidade de coisas terríveis. Viram-nas, viveram-nas. Vivem-nas num quotidiano esmagador de que são vítimas e carrascos. Ensaio submerso de uma revolução sempre prestes a acontecer. Esta gente submissa que nós somos. Sim, é o nosso retrato que aqui está. Dormimos numa casa em ruínas à espera do motim. Mas a explosão, esse cataclismo que ameaça o nosso tempo, só vai acontecer quando alguém proclamar o primeiro grito. O que vemos pede-nos que o povo não se fique, que não se abrigue, que acorde para uma alvorada possível, que se arranque da miserável ironia em que o submergem. Se a pintura é uma expressão do pensamento o trabalho que Manuela Gandra aqui apresenta propõe-nos uma reflexão dura e triste sobre o tempo presente, o retrato colectivo, súmula de retratos individuais, de um povo passivo, desagregado e sem saída. O homem comum, ligeiramente humilhado, ligeiramente feliz. Creio que se pudesse Gandra pintaria nas ruas e os muros da cidade estariam cheios da sua revolta. Uma pintura que não interroga, pelo contrário, afirma. Nos cenários urbanos, as casas ameaçam ruir, estalam as paredes que deveriam ser sólidas. Emanação de caos, desordem, loucura. Não há redenção nesta pintura, apenas um mapa em que se avança às cegas. A galeria não legitima este trabalho, nem o sufoca na sua alva condescendência. Ele continua contestatário, ridicularizando os sequazes do poder, esse gordos que enchem a pança. E de tão gordos hão-de rebentar e a música vai ser outra. Onde todos possamos dançar. Sónia Serrano 22 setembro 2013


Baptismo 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm Baptism 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Galos com Galões 2013 Técnica mista com aerógrafo s/papel 100 x 70 cm Roosters With Ranks 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Quem Tem Cu Tem Medo 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 70 x 100 cm Who Has An Ass Fears (roughly translated from a Portuguese proverb) 2013 Mixed media with airbrush on paper 70 x 1000 cm


d Os Ajoelhados 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 70 x 100 cm The Kneeling Ones 2013 Mixed media with airbrush on paper 70 x 100 cm


A Dança De Encher A Pança 2013 Técnica mista com aerógrafo s/ papel 70 x 100 cm The Belly Feeding Dance 2013 Mixed media with airbrush on paper 70 x 100 cm


Portugal: A Àrvore Dos Pacatos 2013 Técnica mista com aerógrafo s/papel 100 x 70 cm Portugal: The Laid-Back Ones Tree 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


A Alma Vendida 2013 T茅cnica mista com aer贸grafo s/papel 100 x 70 cm The Sold Soul 2013 Mixed media with airbrush on paper 100 x 70 cm


Algumas fotos da Exposição ‘A Dança de Encher a Pança’, na Sala Kandinsky na Fábrica Braço de Prata - Lisboa, Outubro 2013. Some photos of the Exhibition ‘The Belly Feeding Dance’, in Room Kandinsky in Fábrica Braço de Prata - Lisbon, October 2013.


Fotografias de/ Photos by: LuĂ­sa Figueiredo

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A Dança de Encher a Pança/The Belly Feeding Dance