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Belo Horizonte, sexta-feira, 13 de maio de 2011

CONJUNTURA

VAREJO

Vendas têm expansão de 1,6% em Minas No primeiro trimestre o incremento foi de 12,2%, enquanto que nos últimos 12 meses houve aumento de 11,5% FILÓ ALVES/ARQUIVO DC

LUCIANA SAMPAIO

O varejo mineiro voltou a se recuperar em março, com crescimento de 1,5% nas vendas, na série com ajuste sazonal, depois de registrar queda de 1,6% em fevereiro ante o primeiro mês de 2011, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Estado superou a média nacional, que chegou a 1,2% no período. No primeiro trimestre, o incremento foi de 12,2% na comparação com o mesmo intervalo de 2010, enquanto que nos últimos 12 meses a alta foi de 11,5%, bem acima da média brasileira que registrou expansão de 6,9% e 9,5%, respectivamente. Já a receita nominal de vendas foi 1,8% maior em março ante o mês anterior, também acima da média nacional de 1,4%. O analista da PMC, Nilo Lopes de Macedo, confirma que o resultado do comércio mineiro tem se mantido superior ao nacional nos últimos meses. O setor supermercadista, que corresponde a 45% do estudo, registrou no Estado 5,2% de crescimento e m março deste ano frente o

mesmo mês de 2010. Já no acumulado do primeiro trimestre, o índice foi 5,1% maior do que o verificado em igual período do exercício anterior. Nos últimos 12 meses, o percentual foi de 6,5%. Outro segmento que cresceu bastante foi o de móveis e eletrodomésticos. Na comparação de março deste ano com o mesmo mês de 2010, o índice de expansão foi de

Outro setor que cresceu foi móveis e eletrodomésticos. Na comparação de março deste ano com o mesmo mês de 2010, a alta chegou a 25% 25%. Já no trimestre, o volume de vendas aumentou 35,2% em relação aos três primeiros meses do exercício passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o percentual alcançado foi de 28,5%. No setor de equipamentos e materiais de escritório, que inclui informática e telefonia, os percentuais no Estado também foram bas-

tante positivos. Em março, as vendas aumentaram 14,3% ante o mesmo mês de 2010, enquanto que no trimestre o percentual chegou a 30,2% e no acumulado dos 12 meses atingiu 36,5%, mais uma vez muito acima dos 20,6% verificados no país no mesmo intervalo. Em outros setores analisados pelo IBGE, como o de tecidos, vestuário e calçados, o índice de crescimento ficou em 7,1% na comparação de março deste ano com o mesmo m ês de 20 10, em 10,1% no primeiro trimestre e em 9,7% nos últimos 12 meses, ante os mesmos intervalos anteriores. “Esse setor teve performance estável se comparada com a nacional, o que não pesou no resultado do Estado”, afirma o analista. Da mesma forma, o comércio de combustível também não se se diferenciou muito da média nacional. Em Minas, o consumo foi 5,4% maior em março ante o mesmo mês do ano anterior. No primeiro trimestre, o índice chegou a 9,7% e nos últimos 12 meses ele atingiu 9,4% de aumento. No varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e material de construção, o destaque ficou com o setor

O setor supermercadista mineiro registrou 5,2% de crescimento em março deste ano automotivo, que registrou queda de 10,7% em março ante o mesmo mês de 2010, seguindo tendência nacional. Já no trimestre, o percentual foi positivo em 11,5% e nos últimos 12 meses de 18,4%. “O C arnaval, em março, comprometeu as vendas do segmento”, justifica

Comércio dá sinais de desaceleração no país São Paulo e Rio — As vendas do varejo no país subiram 1,2% em março em relação a fevereiro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, apesar do aumento, o setor mostra uma desaceleração na comparação de longo prazo. No primeiro trimestre de 2011, a alta foi de 6,9%, contra expansão de 9,6% no quarto trimestre de 2010 e 11,2% no três meses anteriores. A perda de ritmo também foi observada no comércio varejista ampliado, cuja taxa de variação passou de 14,3% do quarto trimestre de 2010 para 7,1% no primeiro trimestre deste ano. O resultado em março veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que esperavam uma expansão de 0,50% a 2,60%. A mediana das previsões apontava alta de 1,30%. Na comparação com março do ano passado, as vendas do varejo tiveram alta de 4,1% em março deste ano. “Quando olho no curto prazo, vejo crescimento no comércio varejista. Mas no longo prazo vejo desaceleração. Precisamos observar os próximos meses para ver como será o comportamento do setor neste ano. O que parece é que 2011 não será tão bom para o varejo quanto o ano anterior”, diz o gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Reinaldo Pereira. Entre as dez atividades pesquisadas, apenas a de material de construção não registrou desaceleração no ritmo de crescimento no perí-

odo, passando de 13,5% no expansão em março frente a último trimestre do ano pas- fevereiro veículos e motos, parsado para 13,6% nos três pri- tes e peças (3,8%); equipamenmeiros meses deste ano. tos e material para escritório, Para o presidente do Banco informática e comunicação Central (BC) Alexandre Tom- (3,5%); material de construção bini, esse arrefecimento seria (2,7%) e móveis e eletrodoméso começo de um reflexo das ticos (1,6%). medidas macroprudenciais Também registraram alta feitas pelo governo para conter livros, jornais, revistas e papea d e m a n d a n o m e r c a d o laria (1,6%); outros artigos de doméstico. Desde o final do uso pessoal e doméstico(1,4%); ano passado, o governo tem tecidos, vestuário e calçados lançado mão de estratégias (1,1%); hipermercados, superpara conter o a vanço da mercados, produtos alimentídemanda no mercado domés- cios, bebidas e fumo (1,0%). Na DIVULGAÇÃO/IBGE tico, como contração, no forma de conperíodo, surter o avanço gem combusinflacionário tíveis e lubrijunto ao conficantes sumidor. (-0,1%) e arti“ É u m gos farmacêuresultado de ticos, médicos, políticas que ortopédicos, foram adotade perfumaria das desde a e cosméticos (virada do ano 0,1%). e estão comePor ordem çando a ter de importânseu impacto cia, as variano arrefeciç õ e s e m m e n t o e n a Reinaldo Pereira março ante o moderação da mesmo m ês demanda. Isso vai ajudar ao do ano passado foram de longo do ano a trazer a infla- móveis e eletrodomésticos ção de volta ao centro da meta (11,1%); hipermercados, em 2012”, afirmou ontem supermercados, produtos Tombini, em seminário de alimentícios, bebidas e fumo metas de inflação promovido ( 1 , 5 % ) ; e q u i p a m e n t o s e pelo BC, no Rio. material para escritório, informática e comunicação Setores — Em março, oito (18,2%); tecidos, vestuário e das 10 atividades que inte- calçados (5,6%); artigos fargram a Pesquisa Mensal do macêuticos, médicos, ortopéComércio obtiveram resulta- dicos, de perfumaria e cosdos positivos. Já na compara- méticos (5,5%); combustíveis ção com março de 2010, na e lubrificantes (2,7%); outros série sem ajuste sazonal, todas artigos de uso pessoal e cresceram. Registraram doméstico (1,5%); livros, jor-

nais, revistas e papelaria (0,1%).

Ampliado — O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou crescimento nas vendas de 1,7% em março frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal. A receita nominal também subiu, 2,5%. Já na comparação com março de 2010, na série sem ajuste sazonal, houve queda de 2,5% nas vendas e de 0,8% na receita nominal. No acumulado do ano, as vendas cresceram 7,1% e a receita nominal subiu 10,3%. Em 12 meses, as vendas cresceram 10,2% e a receita nominal subiu 13,4%. As vendas no varejo de veículos, motos, partes e peças subiram 3,8% em março frente a fevereiro, mostrando uma recuperação após queda nos dois meses anteriores. Mas, em relação a março do ano passado, houve recuo de 12,8%, o primeiro resultado negativo dos últimos seis meses nesse tipo de comparação. “A variação é consequência de uma base forte. Naquele mês, o governo colocou fim ao programa de renúncia fiscal, de redução do IPI, o que provocou uma antecipação das compras de automóveis Isso aconteceu em outros setores também, mas numa escala menor”, diz Pereira. No primeiro trimestre de 2011, as vendas registram alta de 6,4%. No acumulado de 12 meses, o volume subiu 10,7%. (AE)

Alta em 20 das 27 unidades da Federação Rio — Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no comércio varejista cresceram em 20 das 27 unidades da Federação em março frente ao mesmo mês do ano passado. Em volume, as maiores altas foram registradas no Tocantins (16,5%), Roraima (14,6%), Paraíba (11,0%), Maranhão (10,3) e Ceará (10,0%). Mas, em relação à partici-

pação na composição da Pesquisa Mensal de Comércio, os destaques foram São Paulo (4,7%), Minas Gerais (8,5%), Rio de Janeiro (4,2%), Ceará (10,0%) e Rio Grande do Sul (2,1%). Tendo como base o varejo ampliado, que inclui os resultados das vendas de veículos e motos, partes e peças, além de material de con strução, houve expansão nas vendas de 10 estados. As maiores

taxas foram verificadas em Roraima (13,8%), Espírito Santo (12,8%), Acre (8,9%), Tocantins (8,8%) e Mato Grosso (5,3%). Entre as unidades que registraram desempenho negativo frente a março de 2010 estão Piauí (-13,2%), Sergipe (-10,8%), Distrito Federal (-10,4%) e Rio Grande do Norte (-9,4%). Os maiores impactos negativos na pesquisa do varejo ampli-

ada foram de São Paulo (3 , 5 % ) , R i o d e J a n e i ro ( 5,3%), Distrito Federal (10,4%), Bahia (-6,2%) e Pernambuco (-5,2%). Na comparação de março frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal, 17 estados registraram expansão no varejo. As maiores variações foram em Piauí (5,8%), Alagoas (4,3%), Sergipe (3,8%), Espírito Santo (3,8%) e Rio de Janeiro (3,1%). (AE)

Macedo. O comércio de material de construção registrou índices menores do que o nacional, com 2,2% de incremento em março ante o mesmo período de 2010. No trimestre, o percentual ficou em 11,1% e nos acumulado dos 12 meses chegou a 13%. “Em função

das medidas adotadas pelo governo federal para frear o consumo, o comércio deve crescer num ritmo menos acelerado neste ano. O incremento do setor está baseado no aumento da massa salarial e, também, na oferta de crédito que ainda está facilitada”, destaca o analista.

Medidas impactaram o setor Rio — A desaceleração das vendas no varejo em março — na leitura interanual, o ritmo de crescimento foi de 4,1% ante taxas de 8,5% em meses anteriores — já é reflexo das medidas macroprudenciais, avaliou o professor da PUC-RJ e sócio da Opus Gestão de Riscos José Márcio Camargo. Ele disse que medidas dessa natureza com eçam a ter impacto quando alguns indicadores já apresentam queda, mesmo que outros ainda mostrem crescimento. “É um sinal inicial de que já está havendo algum efeito das medidas macroprudencias. Não é suficiente mas já algo acontecendo”, afirma. De acordo com ele, para que ocorra um efeito mais efetivo, seria necessário uma política monetária mais forte. “A não ser que ocorra uma correção muito forte dos preços, e o real não se valorize muito, seria bom que o Banco Central continuasse aumentando os juros”, explica Camargo. O economista diz esperar mais dois aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) em junho e julho. “Digo isso baseado no que o Banco Central tem sinalizado. Eu preferia que o BC tivesse sido mais duro no início do processo, em dezembro”, afirma Camargo, que acredita que a inflação desacelerará em maio, junho e julho. Mas ele prevê que, a partir de agosto, os índices voltarão a subir. Camargo projeta que o IPCA poderá fechar 2011 em 6,4% — praticamente, no teto da meta de inflação (6 , 5 % ). “Q u a n d o e u fa l o 6,4%, pode ser que fique em 6,8%”, diz, ponderando que, em função disso, o BC deveria ser mais duro na condução da política monetária.

Desaceleração — Diferentemente do professor da PUCRJ, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, considera importante um crescimento de mais de 1% das ven-

das no varejo em março, o que ratifica um primeiro trimestre de forte expansão do setor e da própria economia brasileira. Ele destaca que, somente a partir do segundo semestre de 2011, poderá ser visto um cenário econômico de maior desaceleração, que ainda traria um Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de 4% no final do ano, segundo as estimativas da instituição. "Os resultados de hoje (ontem) ratificam e mostram que tivemos uma atividade mais forte no comércio. As vendas continuam firmes e o consumo continua refletindo fundamentos, como o mercado de trabalho e a massa de salários crescente”, analisa Camargo Rosa. “Há um suporte do mercado de trabalho que pode ter compensado parcialmente as medidas restritivas na área de crédito”, opina.

Aquecimento —Para ele, é provável que, em abril e maio, o comércio ainda mostre um cenário de aquecimento, mesmo com as medidas adotadas de política monetária pelo governo, que devem alcançar algum impacto mais relevante na segunda metade do ano. “Esse desempenho não está focado nesse ou naquele setor. Ainda não tivemos os efeitos mais fortes das medidas que estão sendo adotadas, tanto os do aperto monetário como também os do aperto fiscal. É por isso que acho que o quadro vai ficar mais claro no segundo semestre e não tanto no segundo trimestre”, explica. O economista trabalha com uma expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,2% no primeiro trimestre. Para o segundo trimestre, aguarda uma expansão de 1% e, para o terceiro e quarto trimestres, projeta incrementos idênticos, de 0,8%. “No segundo trimestre, teremos um crescimento menor, mas ainda muito semelhante ao do primeiro. A partir do terceiro trimestre é quando o quadro de desaceleração ficará mais claro”, comenta. (AE)


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