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Belo Horizonte, sexta-feira, 13 de maio de 2011

OPINIÃO

Diário do Comércio Empresa Jornalística Ltda.

Perspectivas para o mercado de turismo MARIO GASPARINI *

Fundado em 18 de outubro de 1932 Fundador: José Costa Diretor-Presidente Luiz Carlos Motta Costa presidencia@diariodocomercio.com.br

Diretor Executivo Yvan Muls diretoria@diariodocomercio.com.br

Diretoria de Expansão Leonardo Motta diretoriaexpansao@diariodocomercio.com.br

Exemplo a copiar A baixa qualidade do ensino tem sido para o Brasil um dos mais sólidos obstáculos à aceleração dos processos de desenvolvimento social e econômico. Uma limitação crônica bem evidenciada presentemente com o surgimento de notórios gargalos em áreas com maior demanda de mão de obra qualificada e confirmadas em quaisquer das comparações internacionais usualmente realizadas e que avaliam tanto a formação básica quanto a secundária, bem como a graduação universitária. Sistematicamente as escolas brasileiras são colocadas em posição de inferioridade, enquanto nenhuma das universidades, públicas ou privadas, atinge qualquer relevância nestas avaliações. Mas existe uma única e muito importante exceção neste contexto. Trata-se da Fundação Dom Cabral, nascida no centro de extensão da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais há pouco mais de três décadas e hoje amplamente reconhecida em nível mundial. Na realidade a FDC transformou-se em centro de excelência na formação e requalificação de altos executivos, com atuação direta também em países da América Latina, África e Europa, além de parcerias nos Estados Unidos, França, Rússia e O reconheci- China. Um trabalho mento, nesta que tendo sabido comescala e neste binar persistência, inovação e diferenciação nível, é elo- hoje a situa como a quente por si quinta melhor instituimesmo, sobre- ção entre 50 escolas de do mundo, tudo quando se negócios conforme apontou o apresenta como recém-divulgado Rancaso único, dig- king de Educação Exe2011 do jornal nificando os cutiva britânico “Financial quadros da FDC Times”. Tal avaliação é valoe a liderança do rizada pelo fato de que, professor Emer- conforme os critérios son de Almeida estabelecidos pelo jornal para o ranking, tem peso preponderante a opinião dos próprios alunos. E foram eles que também apontaram os programas fechados da FDC, aqueles criados para atender necessidades específicas de empresas, na terceira colocação no mundo, à frente de instituições tão acreditadas quanto Harvard, nos Estados Unidos, ou Insead, na França. No ranking anterior, relativo a 2010, a instituição mineira aparecia em oitava posição neste quesito. Já com relação a programas abertos, de pós-graduação e MBA, o “Financial Times” aponta a Fundação Dom Cabral como décima melhor escola de negócios no mundo. O reconhecimento, nesta escala e neste nível, é eloquente por si mesmo, sobretudo quando se apresenta como caso único, dignificando os quadros da FDC e a liderança do professor Emerson de Almeida. Ao aplaudi-lo, cabe acrescentar a importância que este trabalho vem tendo para a formação de altos executivos no país e para o desenvolvimento do ambiente de negócios. É, sobretudo, um exemplo a ser copiado e multiplicado até que o Brasil possa contar, em todos os níveis, com uma educação efetivamente de primeiro mundo.

Nos últimos dois anos, o mercado de turismo experimentou uma conjunção de fatores que estabeleceram fundações para uma oportunidade sem precedentes de desenvolvimento e crescimento. A inserção de expressiva e nova camada da sociedade no mercado consumidor, resultado das ações de distribuição de renda, somadas ao impulso na economia do Governo Lula, acumulada com as perspectivas da realização da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016) no País, resultou em índices de crescimento chineses. O fenômeno está presente nas várias áreas da atividade, tais como agenciamento de viagens, operações turísticas, transporte aéreo, locação de veículos, cruzeiros marítimos, serviços de hospedagem e receptivos. A exceção é o mercado de turismo receptivo, que em razão da valorização do real frente ao dólar, torna o produto Brasil caro demais para estrangeiros, obrigando os operadores a usarem a criatividade para competir com produtos mais baratos e com o apelo da viagem internacional, no caso dos brasileiros. Entretanto, o Ministério do Turismo prevê que o número de visitantes estrangeiros no Brasil vai crescer progressivamente até 2014. Só no ano da Copa, o país aguarda receber oito milhões de visitantes, sendo 600 mil deles apenas no mês do mundial. O número de brasileiros que devem viajar pelo país durante o evento esportivo deve chegar a três milhões. No ano passado, as agências de viagens já registraram crescimento de 21% no mercado emissivo de viagens internacionais e de 17% nas viagens domésticas, com expectativa de que se repitam índices semelhantes em 2011, com maior ênfase no aumento da demanda por viagens nacionais. Os cruzeiros marítimos revelam números mais impressionantes; pois saímos de um mercado em

torno de 140 mil passageiros, na temporada 2004/05, para mais de 800 mil em 2009/10. As empresas marítimas estimam que, na atual temporada de verão 2010/11, tenhamos superado o emblemático volume de um milhão de passageiros. Sob a ótica da hotelaria, mais oportunidades de emprego são criadas, com dezenas de bilhões de dólares investidos no País, com vistas à expansão e adequação da oferta nacional — medida, aliás, absolutamente necessária para suprir a demanda ao longo dos megaeventos que se anunciam. Só para citar um exemplo, a ocupação hoteleira na cidade de São Paulo chega a 95% durante a semana e fica, entre 45% e 60%, durante os finais de semana. São os reflexos da gerados pelo aumento da demanda por viagens de negócios e eventos corporativos. Segundo os indicadores econômicos, o mercado de viagens corporativas movimentou em 2010 mais de R$ 21,2 bilhões, um salto de 20,43% em relação a 2009. As companhias aéreas, do mesmo modo, experimentam crescimento expressivo, com sólida tendência de aumento de oferta e demanda pelos próximos cinco anos. Todo esse movimento levou o sistema ao nível máximo de utilização e a pressão expôs toda a vulnerabilidade e as deficiências de infraestrutura, gerando incômodos aos passageiros, estabelecendo tensão e perdas financeiras nas relações. É exatamente por isso que nos defrontamos com o desafio de nos preparar para aproveitar, de maneira efetiva e duradoura, as oportunidades que se apresentam. Aos empresários e líderes institucionais do mercado de turismo cabe a hercúlea tarefa de conduzir o esforço de criar e adequar a infraestrutura necessária para atender toda a demanda que se divisa, a despeito das inúmeras dificuldades que implicam ações que dependem e exigem diligência do Poder Público.

A mudança no comportamento do consumidor impõe aos integrantes da cadeia de prestação de serviço do mercado de viagens e turismo novos padrões de atendimento, o que implica imediata e urgente elevação nos níveis de especialização e profissionalismo. O mercado de seguros, juntamente com as empresas de assistência aos viajantes, tem participado ativamente desse movimento, oferecendo produtos que buscam atender as necessidades dos passageiros, com coberturas de cancelamento, assistência médica e perda de bagagem entre outros sinistros, assim como das agências de viagens e operadoras de turismo, com um Programa de RCP. Ou seja: seguro de Responsabilidade Civil Profissional. O cumprimento dessas exigências levará à consequente elevação do nível de prestação de serviços, pois esse processo exige amadurecimento e mudança de atitude de todos os players, no sentido de garantirem a satisfação dos passageiros, assumindo sua parcela de responsabilidade quando as coisas não saírem de acordo com o que foi combinado. A oportunidade já se apresentou, os desafios estão colocados, assim como os caminhos e os meios para atingirmos o objetivo de consolidação de um mercado forte, com estrutura e prestação de serviços adequados, baseados em respeito e na observância das regras, em respeito aos direitos e com o cumprimento dos deveres. O cenário, movido pela consciência dos prestadores de serviços em geral, de que todos nós devemos estar atentos à necessidade de proteger nosso patrimônio, na hipótese de um terceiro entender que o trabalho entregue venha de alguma forma causarlhes danos, nos indica qual é a melhor rota a seguir, com destino à conquista do efetivo sucesso. * Diretor da Interface Seguros — Ifaseg

O país do futuro é agora PAULO PINTO * Sustentados em uma estabilidade monetária de quase duas décadas, políticas públicas de responsabilidade fiscal e no amadurecimento democrático e institucional nos transformarmos, enfim, no país do presente e aquele conjunto de situações favoráveis que ao longo de décadas nos acostumamos a esperar para quando acontecesse de fato o tal “país do futuro”, se descortina diante dos nossos olhos. No cenário de hoje, além do grande potencial econômico, temos boas oportunidades e diferenciais produtivos inquestionáveis, inclusive para o comércio internacional. Ao alinhar seus caminhos, o Brasil desperta para o palco central dos acontecimentos em um instante singular que transforma as tonalidades da nossa história política e econômica. Decorre daí a necessidade de investimentos em larga escala na premissa funcional dos governos e na agenda cotidiana das empresas. Isso é fundamental para a superação dos lapsos na organização social e institucional e na infraestrutura do País trazendo à tona a necessidade de maior preparo através da adaptação de culturas e ampliação das fronteiras da própria administração. À parte as prementes necessidades de organização do setor público, verifica-se a urgência de um novo aculturamento do setor privado para atender os desafios do desenvolvimento. Ladeado pelas práticas da gestão moderna — resultados, transparência e relação responsável com os públicos de interesse —, este novo aculturamento se volta à adaptação das estruturas empresariais à perspectiva de investimentos em larga escala, de forma continuada e por um longo período de tempo durante o qual demandas complexas e diferenciadas surgirão na mesma escala. Tais demandas, de caráter administrativo, fiscal e logístico — suporte fundamental do processo de aquisição, recebimento e implantação de instalações, ativos e bens de capital no âmbito de investimentos de grande porte —, são muito diferentes daquelas de mesmo teor, ambientadas na rotina de manutenção das empresas. É necessário identificar suas diferenças já no planejamento dos investimentos e também nas fases de sua implantação quando se define o escopo técnico de compras optando-se pelo uso de regimes fiscais especiais e pela

adoção de logísticas de exceção que têm como meta promover a desoneração do Capex (Capital Expenditure). O planejamento dos investimentos e, sobretudo, as questões comerciais na relação de compra com os fornecedores de tecnologia, máquinas e instalações, além de buscar as típicas reduções de preços e o atendimento de prazos e o subsídio de garantias, devem necessariamente pautar pelo atendimento das questões fiscais e administrativas inerentes ao próprio investimento. Estas questões que, muitas vezes, ainda são relegadas a um segundo plano de atenção, viabilizam as maiores reduções no custo global do investimento e criam a perspectiva de plena fluidez dos projetos em implantação. Dessa maneira, tem-se verificado ainda nas empresas — em importantes setores econômicos que muito investem — um surdo embate entre aquelas áreas que já vislumbram o novo momento, repleto de exigências e oportunidades, cujo contexto operacional passa por atividades estruturadas que interferem matricialmente em todas os setores da empresa com aquelas áreas ainda apegadas à rotina anterior, solidificada no dia a dia produtivo e baseadas em perspectivas de desenvolvimento modesto e modificações remotas. As dificuldades para o entendimento desta nova fase e as importantes cadeias de interferência das atividades fiscais e administrativas em questões comerciais, técnicas e logísticas durante as fases de planejamento e execução dos investimentos resultam no seu encarecimento com consequente perda de competitividade de importantes setores do país face a seus homônimos internacionais. É assim premente a necessidade de que as áreas ainda resistentes às adaptações necessárias à nova realidade sejam sintonizadas com os novos paradigmas do desenvolvimento continuado, assimilando a premissa de que investimentos sejam planejados e executados sob a ordem fiscal preponderante em relação às atividades de caráter administrativo, logístico e comercial de aquisição de ativos e de tecnologias inovadoras, quando adquiridos em âmbito nacional ou trazidos do estrangeiro. * Diretor da Transaex Comércio Internacional

Multifuncionalidade da agropecuária BENJAMIN SALLES DUARTE * Diversificar e aumentar a renda dos produtores rurais tem sido um verdadeiro desafio num horizonte de tempo e principalmente para os familiares e médios. Essa continua sendo uma questão recorrente e sinaliza um entendimento absolutamente necessário que deságue em ações práticas em nível de campo e essa diversificação extrapole as alternativas históricas entre culturas e criações, ou seja, que os produtores recebam também por serviços ambientais prestados. Por quê? Porque a sociedade consumidora exige ser regularmente abastecida, as exportações asseguradas e as leis vigentes determinam que os empreendedores rurais produzem alimentos e protejam convergentemente os recursos naturais dentro da porteira da fazenda. Nessa panorâmica há que se lembrar também as perdas de áreas produtivas para consumarem-se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal, minimamente. Uma propriedade pequena, com 25 hectares, os 20% destinados à reserva legal significam menos 5 hectares. Presume-se, com singular acerto, que à medida em que as culturas anuais e perenes capturam o CO2 do ar, reduzindo-se o efeito estufa, e o manejo correto do solo e da água no espaço rural permite ofertar mais água em quanti-

dade e qualidade, depreende-se que são serviços ambientais prestados. Ou não? Os ganhos ultrapassam o fato econômico em si mesmo. Noutra vertente e numa contextualização mundial, faz-se relevante assinalar que os chamados países desenvolvidos que exercerão e exercem consideráveis pressões sobre seus recursos naturais, dilapidando-os, voltam-se cada vez mais para o Brasil com o foco na agropecuária e no setor de base florestal e para que cumpram-se rigorosamente as leis ambientais vigentes num curto espaço de tempo. Eis alguns exemplos contraditórios: os EUA reciclam menos de 50% das embalagens de agrotóxicos em nível de campo e o Brasil 95%, acrescentando-se que entre 2002 e 2010 o recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos com destinação ambientalmente correta cresceu 829,7%. O Brasil é uma referência mundial nesse esforço de proteção dos recursos naturais. Além disso, Alemanha tem apenas 0,3% da cobertura vegetal primária e o Brasil 67%. Uma coisa é certa: com o aumento dos ganhos de produtividade nas culturas e criações, os produtores brasileiros não precisam avançar necessariamente e de forma intensa na conquista de novas áreas produtivas, redu-

zindo-se, portanto, os desmatamentos e protegendo os ecossistemas. Didaticamente é muito mais fácil ser consumidor urbano do que produtor de alimentos nesse país continental. Vale lembrar que no comércio mundial de café se admite que somente 10% desse negócio internacional fiquem nas mãos dos cafeicultores em nível de fazenda. A Alemanha é a maior exportadora de café e não planta nenhum pé. Beleza. Como sempre existe o lado positivo à medida em que o agronegócio responde por 27% do PIB brasileiro e em 2010 deu um superávit nas exportações de US$ 63 bilhões, aquecendo as economias regionais. Embora a agropecuária tenha considerável poder econômico na socioeconomia nacional, não tem ainda poder político suficiente nas mesas de negociações. Em 2010, os agropecuaristas mineiros gastaram R$ 6,21 bilhões em insumos ou US$ 3,65 bilhões e o PIB do agronegócio estadual chegou aos R$ 105,28 bilhões, segundo a Secretaria da Agricultura de Minas. A multifuncionalidade da agropecuária é um fato pouco conhecido na sua dimensão socioeconômica e ambiental. O remédio é continuar batendo regularmente na mesma tecla. * Engenheiro-agrônomo


DA13P02