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Abra uma sala de aula para o mundo Qualquer pessoa ou grupo pode instalar uma turma e oferecer conhecimentos por meio da plataforma livre e gratuita Foto Divulgação

“C

rie, realize, inspire, compartilhe! Abra sua sala de aula gratuita para o mundo!.” Esse é o slogan da Comunidade Aprender Livre, portal que reúne mais de 10 mil cadastrados de todos os estados do Brasil e de outros países lusófonos (Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal). Os usuários têm acesso a mais de mil cursos livres e gratuitos, licenciados em Creative Commons 4.0 (by-nc-sa) – em 2013, eram cerca de 5 mil pessoas para uma oferta de 600 cursos, o que representa um crescimento de quase 100% em três anos. A comunidade virtual de aprendizagem, criada há dez anos, agrega salas e cursos nas mais variadas áreas do saber, ministrados na plataforma livre Moodle. Qualquer interessado pode criar um canal para difundir conhecimentos e práticas. Idealizada a partir da autogestão e da construção coletiva do conhecimento, a comunidade defende o movimento de Recursos Educacionais Abertos

Os educadores que oferecem conteúdos são professores e acadêmicos, mas também há integrantes de ONGs, militares das polícias estaduais, representantes de igrejas, entre outros

solicitações para novos cursos, pois os professores precisavam de cursos livres e disciplinas universitárias online. “Muitas instituições não proporcionam esse benefício aos docentes, e as que oferecem geralmente não abrem suas plataformas ao público. Em 2010, por sugestão dos próprios

Os mais de dez mil usuários cadastrados na comunidade têm acesso a mais de mil cursos livres e gratuitos, licenciados em Creative Commons (REA). “Nossa filosofia é de aproximar quem quer ensinar com quem deseja aprender, de forma livre, sem restrições de acesso e sem instituições intermediárias”, explica Fábio Batalha, fundador da comunidade. Em 2006, Batalha, que era professor da rede pública federal, conduzia o projeto Aprender Saúde, com formação online para essa área. Com o tempo, notou que aumentavam as 126

8º Anuário ARede de Inclusão Digital

integrantes da comunidade, mudamos o nome do site e ampliamos o conceito para Aprender Livre, focando o projeto na construção coletiva de educadores”, diz ele. A metodologia de ensino professor-aluno, em que o primeiro necessariamente é uma pessoa titulada na universidade e o segundo um mero receptor, está ultrapassada, na visão dos responsáveis pela comunidade.

A heterogeneidade da origem dos educadores que oferecem conteúdos no portal comprova: há professores e acadêmicos, mas também há integrantes de ONGs, militares das polícias estaduais e do Exército brasileiro, representantes de igrejas, entre outros. Batalha ressalta: “Invertemos a lógica dos professores catedráticos. Permitimos que um jardineiro ou uma cozinheira criem uma sala e ensinem o que sabem para quem quiser aprender”. Assim, os cursos oferecidos na plataforma são ecléticos. Podem ter milhares de matriculados, durante vários anos, ou somente um ou dois inscritos, por poucos meses. A mesma “desconstrução” em relação ao formato também vale para os métodos de avaliação. Os criadores de cada curso têm total autonomia de decisão em relação às práticas pedagógicas, ainda que o incentivo à inovação seja uma das linhas de de-

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8º Anuário ARede 2016-2017  

Pela primeira vez decidimos transformar os projetos do Prêmio ARede Educa em matéria prima do Anuário ARede Educa. Os 52 projetos selecionad...

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