Issuu on Google+

Divulgaão

ENTREVISTA

Pronta para diversificar Um dos mais importantes provedores de serviços logísticos para a indústria automotiva no País, a CSI Cargo está apta também a atender a outros setores. Ao mesmo tempo em que vê ampliada a atuação em seu segmento principal, com a entrada de novas montadoras no País, a operadora mira outros objetivos, como os serviços de transporte. É o que conta, nesta entrevista exclusiva, o diretor- presidente da empresa, Andrés Ceballos

Tecnologística – A CSI é especializada no atendimento à indústria automobilística. Este continuará a ser o setor-alvo da empresa ou há outros em vista? Ceballos – A CSI faz parte do Grupo Cargo, de origem argentina, que se dedica às atividades de logística e transportes. Nascemos dentro da indústria automotiva, mas precisamos diversificar. O setor é forte, muito grande, mas sofre periodicamente oscilações e não queremos depender de um único segmento. As oportunidades que estamos tendo nessa indústria vêm aumentando, justamente pelo fato de sermos muito especializados. Sempre somos convidados para os

BIDs e isso termina criando um ciclo natural. Mas queremos buscar outros setores. Hoje, 80% de nossa atuação estão concentrados no setor automotivo. É muita dependência. Claro que não temos apenas um cliente, são vários. Mas mesmo assim, as oscilações de que falei atingem o setor como um todo. Tecnologística – E o fato de os clientes tradicionais do automotivo estarem crescendo no Brasil aumenta ainda mais essa participação do setor dentro da CSI? Ceballos – Exato. Recentemente, renovamos nosso contrato com a Renault por um período de mais dois

anos, e foi a primeira vez que esta montadora renovou com seu prestador de serviços logísticos. Até então, quando findava o contrato, ela trocava de operador. E é um contrato muito grande, porque atende à fábrica de veículos de passeio, à planta da Nissan e a de motores, todas dentro do complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). E a Renault é uma das montadoras que mais crescem em participação de mercado e acredito que continuará crescendo muito, porque tem uma linha bem adequada ao mercado brasileiro. Além disso, a Nissan acaba de anunciar oficialmente sua nova planta no Estado do Rio de Janeiro. Não

46 - Revista Tecnologística - Novembro/2011

entrevistaindd.indd 46

28/10/2011 15:44:58


sabemos se vamos atender a essa fábrica também, mas de qualquer forma é outro cliente que, certamente, irá crescer no País. Ou seja, a participação do automotivo vai continuar forte na CSI, e achamos bom que seja assim, mas é hora de diversificar. Tecnologística – Uma dessas oscilações que o senhor comentou foi durante a crise de 2008, não? Ceballos – Sim, quando a crise irrompeu, a reação imediata das montadoras foi puxar o freio, mesmo antes de saber os efeitos dela no Brasil. Foram anúncios automáticos de férias coletivas e uma parada geral de produção. Por sorte, não houve demissões, porque aqui esse movimento durou um mês, já que o mercado interno não foi afetado. Foi uma parada brusca, mas logo depois as atividades foram retomadas. No entanto, serviu de alerta. Nossos contratos estão atrelados ao volume de produção e, se não há produção, é complicado. Graças à nossa experiência, tivemos muita flexibilidade tanto na parada, quanto na retomada. Mas foi um susto. Tecnologística – E quais são os demais setores que estão na mira da CSI? Ceballos – Temos alguns em vista. Mas pensamos que não adianta investir no que já está superatendido, por isso vamos analisar com calma. Devemos ir onde somos fortes e temos expertise. Um setor em que apostamos é o de alimentos e bebidas, que já atendemos na Argentina. Lá, a Ambev é um cliente muito forte. Para ela, fazemos a distribuição de bebidas e o gerenciamento de centros de distribuição em Córdoba e Tucumán. Eles compraram a Quilmes, a marca de cerveja mais tradicional do mercado argentino, e a Brahma está crescendo muito lá também. Mas,

Quando veio a crise, o setor automotivo puxou o freio; mesmo sendo por pouco tempo, foi um alerta: não podemos depender tanto de um só segmento além da distribuição, somos muito fortes na armazenagem e na logística interna e podemos operar em qualquer tipo de indústria. No Brasil, já atendemos, por exemplo, às empresas de tecnologia, de produtos de consumo final e matéria-prima, além de fornecedores do varejo que armazenam conosco. Oferecemos não só a logística interna nas dependências do cliente – o chamado in-house – mas fazemos também armazenagem em nossos próprios sites. Tecnologística – Qual a estrutura e o portfólio da empresa no Brasil? Ceballos – Temos quatro centros de distribuição próprios, dois no Paraná, um em Uruguaiana (RS) e um em Cotia (SP). Com relação aos serviços, além da armazenagem e distribuição, que já citei, oferecemos hoje, a logística interna – que inclui a gestão de material desde o recebimento administrativo/físico, até o abastecimento de linha, além da gestão de devolução de embalagens vazias; o transporte nacional e internacional; a gestão de armazéns de peças de reposição e a consultoria em logística. Já na Argentina temos o mesmo portfólio, mas o Grupo possui também uma fábrica de embalagens de madeira para a indústria automobilística, para peças de exportação, transporte Milk-Run e distribuição de

veículos zero-quilômetro. Então, lá, fechamos todo o ciclo da indústria automotiva, com transporte de materiais, seja do fornecedor ou através de contêineres do porto até a fábrica, logística interna com abastecimento das linhas de montagem, além da distribuição dos veículos e de peças de reposição para o mercado. Tecnologística – O setor de peças de reposição está crescendo? Ceballos – Sim, e embora ele esteja muito vinculado ao automotivo, é tratado como outro segmento. Um contrato muito importante que obtivemos em autopeças foi o que fechamos em setembro com a Renault, para fazer outro pedaço de sua logística, que é a distribuição de peças e acessórios para o mercado de reposição. Já fazíamos essa operação na Argentina para a própria Renault e para a Volkswagen e agora estamos fazendo também no Brasil. É um serviço à parte da logística da fábrica. Como comentei anteriormente, nossa penetração e experiência no setor automotivo nos levam não somente a conquistar novos clientes, mas a ampliar os contratos nos atuais. Temos experiência de mais de dez anos na reposição na Argentina, com logística estruturada e profissionais dedicados para atendê-la. No Brasil, a Renault está sendo nosso primeiro cliente e queremos fazer dela um benchmark para continuar a crescer. O setor acompanha o desenvolvimento da indústria automotiva; quanto mais veículos e caminhões vendidos, mais peças o mercado de reposição necessita. A peça é tão importante quanto o veículo e sua disponibilidade está muito vinculada à imagem da marca e à satisfação do cliente. É um ponto nevrálgico. Hoje, todas as montadoras trabalham com garantia estendiNovembro/2011 - Revista Tecnologística - 47

entrevistaindd.indd 47

28/10/2011 15:45:07


ENTREVISTA

Serviços integrados para a indústria

A

CSI Cargo é a empresa mais nova do Grupo Cargo, de origem argentina, que além desta, possui outras duas divisões: a Cargo S.I.S.A., voltada à prestação de serviços logísticos para a indústria, e a Expreso Cargo, que presta serviços de transporte nacional e internacional com frota mista, atuando também como Agente de Transporte Aduaneiro (ATA), fazendo transações de importação e exportação entre Brasil e Argentina. Braço de logística do Grupo no Brasil, a CSI Cargo atua como um integrador, oferecendo aos clientes um amplo leque de soluções que englobam toda a cadeia logística. A empresa entrou no Brasil em 1998, inicialmente para atender à fábrica da montadora Chrysler em Campo Largo, no Paraná, a quem já atendia na Argentina. Com a venda da montadora, o novo dono decidiu fechar a planta paranaense. Mas a atuação da CSI no País continuou, com a aquisição de contratos com empresas relevantes no mercado local, como Volkswagen, RenaultNissan e CNH. Mas a atuação da

da e isso inclui a manutenção e a troca de peças. É uma forma de cativar o cliente e direcioná-lo ao atendimento em concessionárias autorizadas. É uma estratégia, a meu ver, muito inteligente, pois esvazia o mercado paralelo de peças. E o consumidor nacional passa por um amadurecimento, com maior conhecimento de seus direitos, o que vem paralelamente ao crescimento econômico. A garantia, hoje, é um di-

companhia vai além do setor automotivo, atendendo a clientes como Aethra, AAM do Brasil, Pepsico, Nokia-Siemens e Cia. Providência, entre outros. A CSI Cargo atua nas áreas de logística integrada, centros de distribuição, operações de transportes e fabricação de embalagens para clientes. Os projetos desenvolvidos pela empresa englobam desde o planejamento e a implantação até a gestão logística, com soluções personalizadas. A empresa investe também em tecnologia da informação, para aumentar o controle e a eficiência das operações. Ela entrou na era da computação em nuvem (cloud computing) com a implementação de um software para controle de pátio de contêineres, Contec, que iniciou a operação no último mês de outubro na Renault. Outra novidade é a utilização do Tablet Xoom, da Motorola, para as operações do Contec. Por meio do tablet, será possível registrar online dados como avarias nos contêineres, movimentação, disponibilidade e priorização de desovas. ferencial de vendas. Ao comprar um carro, o consumidor cada vez mais faz essa conta, de quanto vai custar a manutenção. É uma evolução, e queremos fazer parte dela. Tecnologística – O automotivo não estaria dando sinais de desaquecimento? Como o senhor vê este mercado? Ceballos – Ele continua aquecido, mas eu prevejo ajustes na indústria

para o próximo ano, no sentido de evitar o excesso de produção. Há sinais contraditórios, porque enquanto alguns clientes estão trabalhando inclusive nos feriados, outros estão dando férias coletivas. Mas eu vejo isso como um ajuste de estoques. As fábricas continuam trabalhando em três turnos e ninguém reduziu. Acredito que o mercado continuará em alta e talvez se reduzam apenas as horas extras, que estavam sendo necessárias para dar conta da demanda muito aquecida. Tecnologística – O senhor acha que o recente aumento do IPI para os automóveis importados irá impactar este cenário? Ceballos – Acredito que não. Esta medida visou claramente os chineses, mas também deverá causar impacto, principalmente nos automóveis de luxo, que são, em sua grande maioria, importados. O maior volume da produção nacional é voltado aos veículos mais populares. Não vejo um grande impacto na indústria. Tecnologística – E como o senhor analisa o mercado de logística de forma geral? Ceballos – Vejo um cenário próspero para a logística, que está ganhando cada vez mais importância dentro das empresas e da economia em geral. O mercado é cada vez mais competitivo e a logística é um ponto de otimização de custos. As empresas já se deram conta de que não adianta produzir bem e ter um marketing afiado se não conseguirem colocar o produto certo no lugar certo. Mas, ao mesmo tempo, elas têm muito a fazer na área de logística, que ainda é um gargalo em vários setores. O segmento automotivo, que é líder e pioneiro em logística, sempre se preocupou com essa área. Mas em outros ainda há muito a desenvolver e as empresas

48 - Revista Tecnologística - Novembro/2011

entrevistaindd.indd 48

28/10/2011 15:45:07


ENTREVISTA

só agora se deram conta do potencial de alavancagem de margem de lucro que uma boa logística proporciona. Tecnologística – Qual é o maior gargalo que vocês enfrentam atualmente? Ceballos – Um deles é a questão da mão de obra. Os profissionais de logística estão cada vez mais valorizados. Para nós, este é um dos grandes gargalos, porque o mercado brasileiro ainda é carente de pessoas formadas em logística e as empresas estão indo atrás de reforçar seus quadros. Acabamos tendo de formar profissionais dentro de casa, o que, por um lado, é bom, porque já os treinamos dentro do perfil que necessitamos. E há também a questão da infraestrutura. Acho que o Brasil ainda está

entrevistaindd.indd 50

A solução para os gargalos logísticos do País são as PPPs. O Governo terá de aceitar a iniciativa privada como parte da solução desses problemas muito defasado em infraestrutura logística. Isso não é algo que se resolva a curto prazo e não vemos nenhuma ação concreta e efetiva para melhorar as condições. Estradas, portos e aeroportos são insuficentes e mal prepara-

dos para absorver o crescimento que a economia teve nos últimos anos. É um grande gargalo competitivo para o País e acaba nos afetando também. O Governo incentiva a produção de commodities agrícolas porque o mercado externo está demandando, e o agronegócio brasileiro é muito competitivo, tem alta produtividade. O problema é levar o produto do campo ao mercado, principalmente o externo. Nós estamos a 90 km do Porto de Paranaguá e, na época da safra, vemos as filas que se formam e chegam até o planalto. Toda a cadeia logística paga por essa ineficiência. Os governos lançam planos sucessivos, PAC 1, PAC 2, PNLT, etc., mas o problema não se resolve. A solução seriam as Parcerias Público-

28/10/2011 15:46:48


Privadas, as PPPs. O Governo terá de colocar a iniciativa privada como parte da solução desse problema. E as empresas, por outro lado, têm interesse de investir, para dar agilidade e eficiência ao processo. O Brasil tem um potencial enorme, mas tem que melhorar alguns pontos estratégicos para se manter competitivo, ou vai ficar para trás. Tecnologística – A CSI opera no Brasil, Argentina e entre os dois países. Quais são as dificuldades dessa operação? Ceballos – Certamente, a aduana é o principal nó. Ela é ruim dos dois lados e, para piorar, às vezes há disputas comerciais e políticas entre os dois países que se refletem na fronteira. Ela acaba sendo um ponto de retaliação. Vimos isso recentemente com a questão dos veículos retidos, e é um problema constante. O Mercosul tem de amadurecer muito. O acordo prevê o livre comércio, mas na prática prevalecem os interesses de cada país. A guerra na aduana é algo muito arcaico e que não ajuda ninguém. Ela tem que acabar. Tecnologística – O crescimento do Brasil assusta os argentinos? Ceballos – Não é que assuste, porque hoje a economia argentina é muito dependente da brasileira, especialmente no setor industrial. O Brasil é o maior destino dos produtos industrializados da Argentina, então se o Brasil vai bem, isto significa crescimento do outro lado. O que aconteceu é que a Argentina está pagando caro pela política equivocada da década de 1990, quando houve a dolarização da economia. Com ela, tudo o que vinha de fora era muito mais barato e não havia porque produzir lá. Isso acabou com a indústria local que, agora, está tendo de correr para tirar o atraso. E, num mundo dinâ-

entrevistaindd.indd 51

nico como o de hoje, perder três ou quatro anos é uma eternidade. Já o Brasil não passou por isso. O capitalismo aqui é mais desenvolvido, o empresariado brasileiro é mais arrojado e mais antenado com a economia globalizada. Eu, que conheço bem a cultura argentina, porque nasci lá – embora tenha vindo muito pequeno para cá – faço uma comparação: o Brasil tem uma cultura mais parecida com a americana, em termos de consumo e dinamismo, enquanto os argentinos são muito europeus. Os hábitos de consumo são diferentes e eles são muito mais nacionalistas. Tecnologística – Quais são os investimentos planejados pela CSI para suportar o crescimento previsto? Ceballos – Estamos direcionando nossos investimentos para áreas específicas. A primeira é a de transportes – nacional e internacional –, em que já somos muito fortes na Argentina e queremos ser no Brasil também. E vamos investir na construção de centros de distribuição. Devido ao crescimento da economia, o setor está bem carente. Há muitos lançamentos de unidades de armazenagem, mas a demanda está maior que a oferta. O custo do metro quadrado cresceu muito em Curitiba, embora ainda seja bem inferior ao preço praticado em São Paulo. E acredito que a tendência é de que este preço, com o tempo, seja nivelado nacionalmente, à medida que as economias estaduais forem ficando mais equilibradas. Na parte de Tecnologia da Informação temos uma área interna que desenvolve soluções específicas para as necessidades de nossos clientes. Estamos sempre aplicando novas ferramentas para melhorar a performance das operações, o que demanda investimento. E, como somos muito fortes em logística interna e sempre ga-

28/10/2011 15:46:51


ENTREVISTA

nhamos novos contratos, investimos constantemente em equipamentos de movimentação e armazenagem. Com relação à frota, as ações envolvem compra de caminhões e desenvolvimento de parcerias. A estratégia da CSI é ter um mix entre frota própria e de agregados, através de parceiros de primeira linha, que possam garantir a qualidade da frota e dos motoristas. Não queremos prestar serviço de transporte comum. Tecnologística – De quanto é o mix atual de frota própria e de terceiros e qual é a meta? Ceballos – Hoje, temos aproximadamente 20% de frota própria

e 80% de agregados. Pretendemos chegar a 35% de frota própria até o final de 2013, para termos maior segurança na oferta; isto significa um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões de reais. Tecnologística – Vocês estão muito concentrados na Região Sul e no Estado de São Paulo. Pretendem expandir a atuação para outras regiões do País? Ceballos – Planejamos expandir no Sudeste, que é onde o setor automotivo é mais forte. Principalmente São Paulo e Minas Gerais, onde o Grupo Fiat tem negócios expressivos. Já fazemos uma operação para a CNH e pretendemos ampliar a atuação em Minas. O Rio de Janeiro está crescendo também. Tem as operações da Volkswagen e terá também a fábrica da Nissan. Como já disse, não sabemos se iremos atendê-la também nessa nova planta, mas certamente haverá uma concorrência e vamos participar. E o fato de já trabalharmos com a Nissan certamente é um atalho. Logística interna é uma questão de confiança, pois o operador está dentro da casa do cliente e conhece toda a estrutura dele. Tecnologística – O fato de vocês ainda não operarem no Rio não é impeditivo? Ceballos – Acredito que não, porque a própria Nissan também ainda não opera. E é uma excelente oportunidade, pois a fá-

brica vai começar do zero e podemos apoiá-los no desenvolvimento do layout sob o ponto de vista logístico. Fizemos isto com a fábrica da Chrysler quando a montadora se instalou no País, em 1998, ajudando a definir equipamentos, métodos de armazenagem, de abastecimento de linha e desenhando racks específicos. É muito interessante começar do zero, porque a fábrica já nasce sob medida, com os processos logísticos adequados. É uma oportunidade de ter uma operação mais competitiva, mais otimizada. A montadora, naturalmente, preocupase muito mais com o processo produtivo, e logística é nossa especialidade. Tecnologística – E o Nordeste? Ceballos – Ainda não temos planos para essa região, embora tenhamos interesse. Mas, por hora, nossa força comercial está mais centrada no Sudeste. Tecnologística – O senhor falava há pouco que o consumidor brasileiro está mais consciente ao adquirir um carro. E as empresas, ao contratarem um operador logístico, também sabem o que estão comprando? Ceballos – A logística acompanha o desenvolvimento econômico do País. As empresas, assim como os consumidores, estão em graus variados de conscientização. A parcela de empresas que estão realmente aptas a terceirizar sua logística interna ainda é pequena. Normalmente, só as grandes estão, porque já têm seus processos desenhados para um terceiro. Sabem onde termina sua responsabilidade e onde começa a do operador logístico. Na maioria das empresas isto não está claro; não está bem definido o que é responsabilidade da logística e o que é da produção, por exemplo. Essa é nossa maior dificuldade. Muitas vezes o cliente em potencial não tem seu processo preparado

52 - Revista Tecnologística - Novembro/2011

entrevistaindd.indd 52

28/10/2011 15:46:58


para isso, nem delimitou responsabilidades. Porque quando tudo é feito dentro de casa, fica mais fácil; mas quando vem um terceiro, essa falta de estruturação de processos pode desgastar a relação, criando atritos desnecessários e até fazendo com que a terceirização seja um fracasso. Como se diz popularmente, o combinado não é caro. É preciso, antes de terceirizar, delimitar poderes e responsabilidades. Tecnologística – Que percentual do mercado o senhor acredita estar preparado para a terceirização? Ceballos – Eu diria que uns 30% apenas, embora potencialmente, muito mais empresas possam terceirizar. Mas há diferenças de setor para setor. O automotivo tem em seu DNA a cultura da terceirização. Já o varejo é mais lento. Ele vem sofrendo um movimento forte de concentração e, talvez por isso, tenha este processo mais atrasado que a indústria. Tecnologística – As aquisições estão nos planos da CSI?

entrevistaindd.indd 54

Ceballos – Sempre que discutimos nosso crescimento, principalmente na área de transportes, essa questão vem à tona. É a forma mais rápida de crescer. Você não compra uma frota de veículos de um dia para outro; tem prazo de entrega, o mercado está aquecido e as montadoras têm filas de espera, às vezes de meses. E um time de motoristas não se forma rapidamente, ainda mais na situação atual de mercado aquecido. Então, a aquisição é uma oportunidade de crescer rapidamente. Acreditamos muito na nossa capacidade de gestão de transportes. Podemos absorver um transportador de menor porte e aplicar nosso conhecimento em gestão da cadeia para oferecer um serviço melhor ao cliente. Assim, a aquisição faz parte da estratégia, mas não é algo que vá se concretizar no curto prazo. Está em nosso horizonte. Tecnologística – Até porque, vocês têm tido um crescimento orgânico excelente, não? Ceballos – Sem dúvida. Temos colocado muita energia em novos

28/10/2011 15:47:20


contratos, mas sem esquecer do crescimento nos clientes atuais, oferecendo novos serviços e soluções. Damos muita atenção à nossa carteira e um exemplo disso é a Renault, em que fomos ampliando o escopo de atuação. Conquistamos, recentemente, mais um serviço que não era nosso, que é o transporte interno, em circuito fechado, dentro das três fábricas da montadora. E acontece com outros também, como Volkswagen e CNH. À medida que conhecemos mais a operação do cliente podemos oferecer novos serviços. Eles mesmos nos veem como fonte de soluções e procuramos transformar isso em novos negócios. É uma via de mão dupla. Para que os clientes nos deem mais negócios

entrevistaindd.indd 55

As aquisições fazem parte da estratégia da CSI, mas não no curto prazo. Temos crescido bastante dentro de nossa carteira atual de seu supply chain, têm que ganhar confiança. E, para isso, temos que dar reciprocidade através de uma melhor performance e custos mais baixos. Para o cliente, é uma vantagem ter um operador integrado ao invés de fa-

lar com vários interlocutores ao longo de sua cadeia. A gestão fica mais fácil. Tecnologística – De quanto tem sido o crescimento da CSI no País e quanto a empresa espera crescer em 2011 em relação ao período anterior? Ceballos – Estamos no Brasil há treze anos e nosso faturamento cresceu 450% nos últimos dez anos. A empresa vem conquistando clientes novos a cada ano, e um novo cliente representa um salto no faturamento. No ano de 2010, a CSI faturou R$ 100 milhões e, para 2011, estamos projetando um crescimento de 40% no faturamento. Silvia Marino CSI Cargo: (41) 3381-2300

28/10/2011 15:47:36


Andres Ceballos - Revista Tecnologística