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EIRETAMA


O Estúdio Mameluca foi criado em 2011, pelo casal de designers Ale Clark (brasileira) e Nuno FS (português). A dupla desenvolve objetos que reúnem conceito e funcionalidade, combinados a referências artísticas e sociais. O estúdio tem como proposta principal, trazer o público para uma reflexão através dos 5 sentidos a partir do design. O nome é tão bem-humorado quanto são as criações e as raízes de seus criadores: significa a miscigenação racial do branco europeu com o índio brasileiro. Em 2014 o estúdio buscou referências nas comunidades indígenas brasileiras com o objetivo de trazer a cultura visual dessas civilizações para o design contemporâneo nacional. Essa proposta pretende enriquecer o conhecimento da História do Brasil mundo a fora. “No aprendizado e na contemplação das tatuagens indígenas, percebemos os elementos geométricos em civilizações que até pouco tempo atrás, tinham pouca abertura ao mundo exterior”.

A pintura corporal indígena tem diversos significados, desde o estético (vaidade), o sociológico (a forma de distinguir a divisão hierárquica/social das tribos), aos religiosos. O grafismo corporal é ensinado desde a infância. Em alguns povos, a pintura é realizada apenas para preparação de batalhas. No Brasil existem por volta de 200 etnias indígenas, porém, muitas perderam sua identidade cultural com a chegada dos Homens brancos no território.

A cultura indígena é transmitida através da memória herdada de seus antepassados, além do significado de sua existência. Desvendar as diferentes formas de pinturas e seus significados nas diversas culturas indígenas brasileiras foi de grande importância para o processo criativo deste projeto.


Através de sua beleza e estética bem definida, as pinturas corporais são utilizadas não apenas para identificar os diferentes clãs, mas também são de grande importância nos significados social mágico-religioso. Sua aplicação é exclusivamente realizada pelas mulheres. Em algumas etnias, a cultura do grafismo corporal é trazida desde o primeiro ritual que ocorre durante o nascimento, com sua primeira pintura corporal e depois durante o ritual da puberdade e posteriormente nos rituais espirituais.

Algumas etnias primam pelas cores em cerimonias de diversos tipos e as outras pelo detalhamento das linhas em preto, como é o caso dos Mebengokré. Algumas etnias também usam a pintura corporal monocromática nos homens quando vão à caça. O preto também é utilizado pelas mulheres em luto. A conclusão obtida durante o processo de desenvolvimento do conceito proposto pelo estúdio foi obtida a partir da base das manifestações poéticas dos seus desenhos através de seus elementos geométricos bases tais como triângulos e quadrados.


Realizamos um recorte visual nas pinturas dessas três etnias. Percebemos grande influência dos padrões triangulares; desses triângulos formam-se diversas outras formas geométricas. “Nos propomos a criar um objeto partindo de uma forma triangular onde sua multiplicação fechou-se em uma estrutura hexagonal. Essas composições chamamos de Eiretama. O nome está em Tupi, um dos principais idiomas/tronco das civilizações indígenas do Brasil. Eiretama significa “colméia”.


O nome Eiretama surgiu, além do significado literal, também por sua composição geométrica produzida a partir dos hexágonos centrais produzindo padrões ilimitados. Da mesma maneira que as pinturas indígenas analisadas, as Eiretamas transformam-se tanto em padrões longitudinais como transversais. Com as Eiretamas, pudemos criar uma série de objetos com diversas funções tais como cadeiras, bancos, estantes, lixeiras, floreiras, mesas entre outros.


Eiretama  

Série Eiretama

Eiretama  

Série Eiretama

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