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•Mudança de Habilitação Pelo menos 58% dos alunos do Ciclo Básico mudam sua pretensão de habilitação após terem contato com a área

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•AudioAtivo.com Rádio universitária com uma programação especialmente feita para alunos da UFRJ

CalourECO Jornal dos Calouros da Escola de Comunicação • 2018/1 Universidade Federal do Rio de Janeiro ::: UFRJ

DIEGO AINDA É LEMBRADO Negro, homoafetivo, nortista. Esse perfil parece o de alguém que facilmente se torna alvo de agressões e de preconceito; e é. Fala-se de Diego Vieira Machado, aluno da Escola de Belas Artes da UFRJ, morto no campus da Ilha do Fundão em 2016. A morte de Diego completará dois anos no próximo dia dois de julho. O caso ainda está sendo elucidado e segue em segredo de justiça. Mas que justiça? Diego era natural de Belém, capital do estado do Pará e era reconhecido por seu jeito espontâneo e por não se calar diante de suas insatisfações. CONTINUA NA PRÓXIMA PÁGINA

Intercâmbio na graduação: um sonho possível A oportunidade de viajar para outro país, imergir-se em uma nova cultura e praticar uma língua diferente pode ser muito atrativa para quem busca sair de sua zona de conforto e acumular experiências de vida importantes. Dentre as opções disponíveis no mercado turístico, destacamse cursos intensivos de idiomas e oportunidades de voluntariado internacional, por exemplo. No entanto, outra modalidade ganha um espaço significativo entre estudantes do ensino superior da UFRJ: o intercâmbio durante a graduação.

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Calouros têm aula de Artes no MAM

Visando discutir a contemporaneidade a partir da exibição de obras do cinema brasileiro, o projeto tem levantado questões relevantes ao atual cenário político do país, bem como evidenciado a importância da preservação de nossa memória cultural.

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ARTIGO

Além de corajoso e livre, Diego também era carismático e amado por muitos colegas. O impacto de sua morte repercutiu na universidade e comoveu estudantes, amigos e pessoas que nem conheciam o rapaz. O caso ainda está sendo elucidado e segue em segredo de justiça. Mas que justiça? Diego era natural de Belém, capital do estado do Pará

Fotos: R7 / Reprodução

Negro, homoafetivo, nortista. Esse perfil parece o de alguém que facilmente se torna alvo de agressões e de preconceito; e é. Fala-se de Diego Vieira Machado, aluno da Escola de Belas Artes da UFRJ, morto no campus da Ilha do Fundão em 2016. A morte de Diego completará dois anos no próximo dia dois de julho.

e era reconhecido por seu jeito espontâneo e por não se calar diante de suas insatisfações. Meses antes de morrer, no dia 7 de abril de 2016, ele publicou, em sua página pessoal no Facebook, uma denúncia contra os seguranças das obras do campo de rugby da UFRJ. Nela, constavam relatos da violência sofrida por um rapaz, que, segundo Diego, foi torturado, violentado, humilhado e deixado na rua por quem deveria proteger o local. E foi aí que, segundo o irmão do estudante da EBA, em entrevista concedida à Rede Globo, ele teria “comprado uma briga [SIC]”. O então estudante de Letras passou a receber muitas ameaças e a ser discriminado de muitas formas. Essa discriminação, porém, começou muito antes de Diego denunciar o que presenciou nas imediações da UFRJ. Segundo Pérola Gonçalves (também estudante da universidade em questão e amiga íntima do paraense) ele era chamado de “Paraíba” e era constantemente constrangido por “ter uma sexualidade ampla e se relacionar com homens” e por ser negro. Além de corajoso e livre, Diego também era carismático e amado por muitos

O jovem foi vítima de homofobia aos 29 anos.

colegas. O impacto de sua morte repercutiu na universidade e comoveu estudantes, amigos e pessoas que nem conheciam o rapaz. Pois bem. Dados os fatos, a autora que vos escreve, como conterrânea de Diego, sente-se na obrigação de lembrá-lo e de não permitir que sua voz deixe de ecoar, que sua luta deixe de existir. É inaceitável que existam mentes criminosas onde deveria haver cabeças brilhantes. É inadmissível que o lar de tantos alunos que lutam para estudar numa das maiores universidades do país ofereça risco à integridade deles. É lamentável que hoje,

Fotos pessoais do estudante divulgadas em redes sociais.

dois anos depois do ocorrido, pessoas ainda morram por serem quem são. É revoltante que os culpados ainda não tenham sido, judicialmente, culpados.

Diego Vieira Machado era estudante da EBA-UFRJ,.

Diego ainda é lembrado em Belém, nas páginas das redes sociais, nas páginas dos jornais, nos penamentos dos que o amavam. Recuso-me a tratar Diego como vítima porque ele era herói. Foi um exemplo de sonhador, de lutador. Era um leão. Sua juba ostensiva era uma característica marcante de seu perfil. Vítimas se calam; heróis permanecem. Ele permanece. É impossível não lembrar Marielle Franco ao escrever sobre essa situação. Assim como o personagem principal desse artigo, ela era negra, homossexual e não se calava diante do que a incomodava. E, assim como Diego, reverbera. Reverbera em muitos corações e em muitas lutas. Seja um mês ou sejam dois

anos; o tempo demora a passar para quem perdeu alguém que amava. Diego ainda é lembrado em Belém, nas páginas das redes sociais, nas páginas dos jornais, nos penamentos dos que o amavam. É válido lembrar, também, de Edson Luís de Lima Souto. Paraense, migrou para o Rio de Janeiro e foi morto em 1968, quando protestava contra a alta dos preços no restaurante Calabouço. Foi colocado- por policiais- no calabouço da morte há 50 anos; Diego, há dois (e não se sabe ao certo por quem). Milton Nascimento, inclusive, compôs uma música para homenagear Edson. A canção Menino diz que “Quem cala sobre teu corpo consente sobre tua morte/talhada a ferro e fogo nas profundezas do corte”. Se a justiça se calou, o corpo discente não vai se calar diante da morte de Edson, de Diego e de quem quer que seja. Chega de genocídio, chega de preconceito. E, como perguntou-se Pérola Gonçalves em um desabafo em suas redes sociais: “Universo, quem matou Diego?”

Foto: Uol Notícias / Reprodução

Ana Beatriz Cacela EC3

Fotos: Estadão / Reprodução

Dois anos em segredo de justiça

Foto:: R7 / Reprodução

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Manifestação estudantil em homenagem a Diego.


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Mudança de habilitação Jeniffer Cavalcanti EC1

Pelo menos 58% dos alunos do ciclo básico consideram outras habilitações e, em alguns casos, mudam sua pretensão de habilitação ao terem um maior contato com a área. Antes de entrar na Escola de Comunicação, muitos dos alunos já tinham convicção da habilitação que irão escolher ao final do terceiro período. No entanto, ao primeiro contato com a ampla área da comunicação social, alguns veem suas certezas abaladas e consideraram outras opções de habilitação entre Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV e Produção Editorial. Segundo uma pesquisa feita com 24 alunos do segundo e terceiro períodos do ciclo básico, 45% gostariam de cursar Jornalismo, enquanto 4% destes alunos não tinham certeza da habilitação que escolheriam.

Contudo, após a primeira experiência na área de comunicação, 58% dos alunos consideraram outras habilitações, diferentes da que haviam escolhido, e 25% deles chegaram a mudar de ideia. Segundo depoimentos, conhecer melhor a área da Comunicação na prática e conversar com profissionais atuantes foram essenciais para perceber e aceitar a mudança de pretensão de habilitação. Para Letícia Caroline, aluna da turma EC4, segundo período, há uma diferença entre admirar e ser boa em uma área. “Entrei em Comunicação Social querendo a habilitação de Jornalismo principalmente pela admiração. Entretanto, depois de um semestre, envolvida de fato na área, vi que tinha uma diferença entre admirar um trabalho e ser bom nele” disse a aluna. “Amo Comunicação Social e no momento estou praticamente certa por Publicidade e Propaganda porque é a habilitação na qual eu

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me vejo melhor inserida de acordo com as minhas habilidades, com o que gosto mais e onde posso fazer mais diferença.” Ao ser perguntada se há, agora, uma certeza na escolha de Publicidade e Propaganda, Letícia afirma que, depois de deixar Jornalismo de lado, tudo é possível, mas brincadeiras à parte, acredita que o toque de realidade já lhe aconteceu. Ao final da pesquisa, ao serem perguntados qual era a atual pretensão de habilitação, as respostas foram um tanto diferentes da primeira pretensão, sendo Publicidade e Propaganda o curso mais desejado, e não mais Jornalismo. É importante ressaltar a importância do ciclo básico para a descoberta de aptidão nas diversas áreas da comunicação. Para mais informações sobre as habilitações do curso de Comunicação Social da UFRJ, visite o site www.eco.ufrj.br.

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Jornalismo

Jornalismo

Publicidade

Publicidade

Radio e TV

Radio e TV

Produção Editorial

Produção Editorial

Não tem certeza

Não tem certeza

Escolhas de Habilitação anteriorires ao contato com a área

Escolhas de Habilitação após contato com a área

ÁudioAtivo.com

Rádio Universitária com uma programação especialmente feita para alunos da UFRJ Letícia Nery e Ana Luiza Oliveira EC1

A web rádio AudioAtivo é um projeto de extensão com cede na Central de Produção de Multimídia (CPM), localizada no campus da UFRJ Praia Vermelha. O projeto consiste em uma rádio online organizada pelos próprios alunos extensionistas e seu coordenador, o professor Gabriel Collares Barbosa. Essa extensão é permitir aos alunos, principalmente de comunicação social um primeiro contato com a produção e organização de uma rádio. O objetivo do projeto, segundo o site, é "oferecer um espaço para que alunos, funcionários e professores da UFRJ expressem ideias e exercitem a produção de conteúdo." ““A web rádio é uma experiência muito importante que falta na faculdade. Ela nos permite entrar em contato com a função, colocar a mão na massa. Dentro da rádio temos uma autonomia maior que o esperado. A gente tem liberdade de levar pauta, realizar entrevistas, fazer rodas de conversa e muitas outras coisas.” Disse Júlia Noia, estudante de comunicação e extensionista da rádio, onde atua na função de repórter. “Nós temos uma ilha de mixagem na CPM, que é onde ficamos e podemos gravar e transmitir programas. É como se fosse uma mini CBN.” Brincou. A rádio conta com um serviço de podcasts e transmissão ao vivo via web, que ocorre todos os dias, de 8h ás 11h, através do site "www.audioativo.com.br". Onde você encontra noticiais relacionadas não somente ao campus e a universidade, mas também de diversas áreas de esportes a atividades culturais pela cidade do Rio de Janeiro.

O site também disponibiliza um espaço para que alunos, professores e funcionários possam vincular programas a sua programação, basta marcar uma reunião com os responsáveis pelo projeto. Para quem deseja participar da extensão, fique de olho no site da ECO e nos catálogos de extensões divulgados a cada período. Além disso, não se esqueçam de seguir nas redes sociais do AudioAtivo para ficar por dentro de todos as transmissões e programas da rádio!

A web rádio é uma experiência muito importante que falta na faculdade. Ela nos permite entrar em contato com a função, colocar a mão na massa

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Calouros têm disciplina integrada à Cinemateca do MAM Maria Luiza Lyra EC2

Os recém-chegados alunos das turmas EC1 e EC2, do primeiro período de Comunicação Social da UFRJ, foram surpreendidos com uma mudança na rotina do curso: a transferência das aulas de Comunicação e Artes, ministradas sempre às quartas-feiras, para a Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Considerada uma das mais importantes da América Latina, a Cinemateca do MAM conta com mais de oito mil títulos de filmes - representados por cem mil rolos, 75 mil latas, 40 mil VHS e sete mil DVDs -, bem como um farto material documental estimado em dois milhões de itens. Sediada no museu que já serviu de palco a diversos acontecimentos de grande relevância na vanguarda artística, às margens da Baía de Guanabara, no Aterro do Flamengo, a mais nova sala de aula dos calouros da ECO é sobretudo símbolo de resistência frente ao sucateamento do patrimônio artístico cultural brasileiro.

Em um tempo de guerra política, com desdobramento significativo no campo midiático e com a imagem em movimento no centro da expressão e da informação contemporâneas, mais do que nunca é preciso conversar com estas imagens, pensá-las, criticálas e buscar outros sentidos para elas.

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Para André Parente, professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ, doutor pela Universidade de Paris 8 sob a orientação de Gilles Deleuze e um dos responsáveis pela coordenação do projeto em questão, predomina atualmente no Brasil uma visão equivocada da manutenção de uma cinemateca como dispensável e inútil: “Não se dá a menor importância a preservação de nossa memória cultural.” Hernani Heffner, pesquisador e conservador-chefe da Cinemateca há 22 anos, também conta que o local sempre teve essa centralidade no tocante à resistência sociocultural tanto pelo posicionamento claro que teve ao longo da história contra arbitrariedades e autoritarismos de qualquer ordem quanto pela programação de obras alijadas dos grandes circuitos de exibição, em especial as mais críticas e arrojadas. “Em um tempo de guerra política, com desdobramento significativo no campo midiático e com a imagem em movimento no centro da expressão e da informa-

ção contemporâneas, mais do que nunca é preciso conversar com estas imagens, pensá-las, criticá-las e buscar outros sentidos para elas. A função ampla da Cinemateca é justamente estimular a formação e expansão dessa cultura cinematográfica e audiovisual.”, comenta. Segundo ambos os professores à frente da disciplina, a novidade também foi pensada enquanto uma maneira de sensibilizar alunos que acabam de ingressar no contexto da pesquisa universitária. Katia Maciel, artista, pesquisadora do CNPq e professora com pós-doutorado em artes interativas pela Universidade de Wales, enxerga isso como “fundamental para a ampliação sensível, experimental e conceitual” desses futuros profissionais. Para atingir tal objetivo, as reuniões na sala de exibição contam toda semana com a participação de diferentes convidados, os quais variam de acordo com os longas e curtas-metragens a serem assistidos. Entre eles estão, inclusive, alguns ex-alunos e pes-

quisadores da ECO. Assim, se por um lado o projeto justifica o gasto das verbas de pesquisa dos dois professores responsáveis com passagens e diárias desses convidados, vindos de diversas partes do país, por outro representa “uma oportunidade de conversarmos mais longamente com os autores, produtores, críticos e pessoas envolvidas de modo a aprofundar nossas pesquisas e poder compartilhá-las com os alunos”, conforme diz André, que vê nessa ligação entre ensino e pesquisas docentes a diferença essencial entre uma boa universidade e uma faculdade que busca unicamente formar alunos para o mercado. “Para nós, o que está em primeiro lugar é o senso crítico, uma certa visão do mundo, a compreensão dos alunos que passa por um contato direto com o museu e com a cinemateca, espaços de exibição e preservação da arte, além da arte em si. Contato com os pro-

Dar aulas hoje para pessoas que possuem o conhecimento ao alcance dos dedos que seguraam um smartphone não é nada fácil. fissionais, com os artistas, com as técnicas por eles utilizadas, e assim por diante”, reafirma. Essa também é a percepção do aluno Guilherme Góes, da turma EC1. Para ele, a vantagem de ter acesso aos filmes, principalmente para um futuro comunicador, é “a possibilidade de ‘sair da caixinha’ e consumir um conteúdo feito por artistas com um propósito que não simplesmente evidenciar determinada marca, como fazem, por exemplo, alguns programas de TV”. A recepção dos estudantes, para os professores Katia e André, tem sido mais do que satisfatória. Segundo eles, ainda que seja difícil

acompanhar de perto cada um em função da quantidade, já se destacam inúmeros alunos verdadeiramente interessados nas questões propostas. Buscando reinventar-se constantemente, os dois elaboraram o projeto como uma alternativa às tradicionais aulas “discursivas”. “Dar aulas hoje para pessoas que possuem o conhecimento ao alcance dos dedos que seguram um smartphone não é nada fácil”, comenta o pesquisador. Quanto às perspectivas para o restante do período, não restam dúvidas de que são altamente positivas não somente ao ver daqueles que ministram as aulas, mas também dos próprios calouros. Para Renato França, aluno da turma EC2, não saber ao certo com antecedência as obras a serem exibidas gera “todo um misto de inquietação e expectativa por parte dos alunos, o que só fomenta o encanto da aula”. E ainda finaliza: “Que venha o próximo filme!”. Foto: Maria Luiza Lyra

Foto: Rudolf Noronha

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Cinemateca do MAM


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Intercâmbio durante a graduação: um sonho possível Maria Rocha EC2

A oportunidade de viajar para outro país, imergir-se em uma nova cultura e praticar uma língua diferente pode ser muito atrativa para quem busca sair de sua zona de conforto e acumular experiências de vida importantes. Dentre as opções disponíveis no mercado turístico, destacam-se cursos intensivos de idiomas e oportunidades de voluntariado internacional, por exemplo. No entanto, outra modalidade ganha um espaço significativo entre estudantes do ensino superior da UFRJ: o intercâmbio durante a graduação. Com o corte de verbas destinadas ao programa do governo federal “Ciências sem Fronteiras”, além dos obstáculos encontrados para a fixação de parcerias com o banco Santander, que oferece bolsas acadêmicas em universidades estrangeiras, os alunos da UFRJ precisam encontrar alternativas para a viabilização do intercâmbio. É nesse momento que o Programa de Mobilidade Regular entra em cena, sendo uma alternativa economicamente mais acessível do que a matrícula direta nas universidades de outros países. O Programa, mediado pela Diretoria de Relações Internacionais da UFRJ, tem a proposta de enviar os estudantes para estudar no exterior por um período de tempo que pode variar de um a três semestres, enquanto os alunos dessas universidades, em contrapartida, vêm estudar na federal do Rio de Janeiro. Tal possibilidade é afirmada a partir do firmamento de convênios com universidades associadas, que não são parceiras fixas. A lista de conveniadas pode variar a cada chamada e edital, por conta da variação na oferta de vagas, por exemplo. Assim, a parceria entre a UFRJ e tais instituições de ensino garante que o aluno obtenha isenção das taxas co-

bradas pela universidade, bem como o recebimento do visto de estudante e o aproveitamento dos créditos pelas disciplinas cursadas no exterior. No entanto, é importante destacar que o estudante interessado deve preencher requisitos específicos quanto aos créditos já contabilizados no Brasil. Existe um número mínimo e um número máximo de créditos que alguém precisa ter acumulado para ser elegível para o programa, o que impede que calouros, por exemplo, se candidatem.

A parceria entre a UFRJ e tais instituições de ensino garante que o aluno obtenha isenção das taxas cobradas pela universidade, bem como o recebimento de visto de estudante e o aprovamento dos créditos pelas disciplinas cursadas no exterior. Dessa forma, o intercâmbio é uma oportunidade que requer planejamento, seja pela organização dos créditos, seja pelo fato de que o programa não cobre despesas pessoais como moradia, alimentação e passagens aéreas. Para Juliana Oliveira, estudante de Publicidade da UFRJ que está estudando na Sorbonne, em Paris, a organização foi essencial: “Só fui ter o “estalo mesmo de correr atrás do intercâmbio no meu 6º período, ou seja, às vésperas de completar os créditos que não me deixariam ir. Fiz todas as contas e peguei menos matérias naquele período para poder estar no limite e então viajar”. Evidencia-se que o processo requer, além de planejamento, tempo de espera. O primeiro passo é aguardar a liberação das chamadas, que costu-

mam variar entre duas a três por ano. Depois, vem a escolha da universidade estrangeira, que deve ser estudada e, de preferência, orientada pela secretaria acadêmica do curso do estudante. Entretanto, a obtenção de tais informações pode ser complicada, já que o site do DRI tende a ser desorganizado. Por isso, é importante buscar outras fontes de informação e dicas, como o grupo “Intercâmbio UFRJ”, no Facebook, que conta com mais de 8 mil membros e rende postagens bastante esclarecedoras a respeito do assunto, bem como lembretes e links para os editais, por exemplo. Com todas as informações em mãos, os aplicantes devem estar atentos às datas de inscrição e de entrega de documentos, pois a perda do prazo implica no cancelamento automático da inscrição. Dentre os documentos necessários para concorrer a uma vaga, estão inclusos: comprovante de proeficiência da língua relativa ao país de destino, cartas de motivação, cartas de recomendação, boletim oficial da UFRJ, cópia do passaporte, currículo lattes e declaração de matrícula ativa constando a porcentagem de créditos concluídos, bem como as devidas traduções. Além disso, a universidade de destino pode exigir outros documentos, que devem ser providenciados pelo estudante e entregues no prazo dado. Luisa Pinto, de 23 anos, que estudou por um ano em Salzburg, na Áustria, conta que “A parte burocrática da inscrição foi tensa. Lembro que deram pouco tempo para juntar os documentos e traduzir tudo, mas corri atrás e o prazo também acabou sendo estendido também”. Mas, já que não é possível confiar em uma possível extensão dos prazos, Luisa dá a dica: «Tem alguns documentos que já dá para adiantar, como a carta de motivação e a tradução do boletim, além de já pensar em professores que possam escrever a carta de recomendação também”.

Quanto às disciplinas que serão cursadas no exterior, é necessário que o estudante, junto ao seu coordenador, busque por aquelas que sejam adequadas ao seu curso e que possuam, em algum nível, equivalência com as matérias cursadas na UFRJ. Em geral, a análise do aproveitamento de créditos é feita pela unidade acadêmica a partir de uma junção de critérios que englobam contéudo e carga horária. Escolhidas as disciplinas, o coordenador deve assinar a Autorização do Curso para Oficialização de Candidatura, documento fundamental para que se verifique a correspondência dos créditos obtidos. Cumpridos os requerimentos burocráticos, o DRI fica responsável por revisar e enviar os documentos para as universidades parceiras. Depois, basta esperar que as listas com os candidatos classificados sejam liberadas, período que pode trazer muita ansiedade. Assim que o candidato for classificado, precisa dar continuidade ao processo diretamente com a universidade de destino, para que possa se matricular e, enfim, retirar sua carta de aceite, essencial para dar entrada no processo de visto, além de providenciar alojamento e passagens aéreas.

É fundamental que o intercambista, ao chegar na universidade estrangeira, procure o escritório internacional da instituição. Isso porque a UFRJ exige o preenchimento de documentos como o Certificado de Chegada e o Certificado de Frequência, essenciais para a regularização da situação do aluno na volta do intercâmbio. Além disso, é ao escritório internacional que o estudante deverá recorrer em caso de interesse em prorrogar a sua estadia naquela universidade, por exemplo. Quando o aluno retornar do intercâmbio, é necessário que mais uma etapa burocrática seja devidamente cumprida: a regularização da sua situação de matrícula. Luísa, que viajou no 7º período e buscou na universidade de destino disciplinas que não encontraria na UFRJ diz que cortou apenas os créditos de teoria: “A coordenadora adicionou os créditos ao meu BOA e, além disso, enviei um documento dizendo que tinha cursado dois semestres lá, para que a minha matrícula fosse tirada do modo intercâmbio”.

É .um amadurecimento sem tamanho!

Para Juliana, a experiência é essencial para seu crescimento pessoal, profissional e acadêmico: “É um amadurecimento sem tamanho! Eu já morava sozinha no Rio, mas morar sozinha em outro país é completamente diferente: é libertador, mas dá um medinho! Aprendi e aprendo muito aqui, principalmente a partir do contato com pessoas de outros países. Estou em Paris por seis meses e já conheci pessoas do mundo inteiro, literalmente. Além disso, minha faculdade aqui não poderia superar mais as minhas expectativas.” Dessa forma, é possível perceber que o intercâmbio em universidades parceiras da UFRJ é um sonho que pode, sim, ser concretizado. No entanto, nem todos os estudantes podem arcar com os custos da viagem e, por isso, é necessário que a universidade expanda suas parcerias, de modo que as bolsas possam contemplar custos adicionais relativos à permanência do estudante no exterior, de forma que o intercâmbio possa ser viável para um maior número de pessoas. A experiência só tende a contribuir para a formação completa do intercambista, e, por isso, é essencial que o acesso a essa oportunidade seja democratizado.

Foto: TripAdvisor / Reprodução

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Universidade de Sorbonne, França

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Poemecos Igor Pires EC3

o que eu diria para o meu corpo (trecho)

queria te pedir perdão por todos os dias que te olhei com maus olhos

pelas vezes que desejei qualquer outro que não você

queria de te pedir perdão por todas as vezes que te transformei

tanto que seria capaz de nunca mais olhar com amor ou apreço

eu me desculpo

numa área em conflito

porque essas sensações me parecem grandes demais e às vezes eu te acho pequeno

por colocar as mãos em você de maneira tão despretensiosa que não me dei conta de que você é o que de mais bonito existe no mundo pelas vezes que chorei por não te ter como ideal ou bonito e pelas vezes que ousei te agredir verbalmente e com atitudes tão desesperadas de te fazer melhor que não percebia que estava piorando aquilo que era a sua função primordial: me proteger de todas as quedas, arranhões e ataques externos

e implorar pra que me perdoe pois no fundo percebo que tudo que você quer é me deixar confortável na superfície da vida que quer me tornar um ser humano incrível ainda que com todas as falhas que insistem em dialogar comigo te peço perdão por exagerar nas tentativas de me desfazer de você e de te colocar pra baixo sempre que vejo outros como você, quem sabe mais bonitos e agradáveis e por desejar, tão veementemente, ser como eles a ponto de deixar que você não exista em mim e não me sustente

e pelos possíveis traumas que minhas mãos ocas e vazias te causaram pela minha falta de sensibilidade em te perceber tão frágil e por não compreender o milagre que é saber que você existe e consegue se movimentar com tanta vontade te peço perdão por ser tão distraído que nunca consegui entender o esforço que você faz para que eu não tropece nas minhas próprias fraquezas pra que eu continue respirando e experimentando do ar limpo da cidade e do amor

CalourECO – Projeto desenvolvido pelos calouros da Escola de Comunicação da UFRJ em 2018.1, sob a orientação dos alunos do Programa de Educação Tutorial (PET) Calouras - 2018.1 Ana Beatriz Cacela, Ana Luiza, Jeniffer Cavalcanti, Letícia Nery, Maria Luiza Lyra, Maria Rocha

Programa de Educação Tutorial (PET) Anna Beatriz Lima, Beatriz Custódio, Bruno Azeredo, Carolina Nalin, Gabriela Mendonça, Henry Fragel, Isabelle Pellegrino, Manuella Caputo, Mariana Barbalho, Mariana Paz Tutor: Professor Paulo César Castro www.pet.eco.ufrj.br • ufrj.peteco@gmail.com <::> www.eco.ufrj.br Avenida Pasteur, 250 - Fundos - Praia Vermelha - Urca Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22290-240

CalourECO 2018.1  

Jornal produzido pelos calouros de Comunicação Social da UFRJ no primeiro semestre de 2018.

CalourECO 2018.1  

Jornal produzido pelos calouros de Comunicação Social da UFRJ no primeiro semestre de 2018.

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