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“Não será necessária uma dotação suplementar (…) abrir fronteiras é arriscado, porque isso é estimular que mais tarde eles vão para o desemprego. É preferível retirar os que estão agora no desemprego.”. A perspectiva mais optimista relativamente a previsões e projecção de necessidades de mão-de-obra imigrante pertence aos trabalhadores entrevistados, embora também eles refiram que não existirão necessidades acrescidas, mas que estas se manterão no mesmo nível, pois, na sua opinião existirão sempre cargos e funções em determinados sectores que os trabalhadores portugueses não querem ocupar, e mesmo perante a crise, o subsídio de desemprego continuará a estar disponível, e conforme afirma uma trabalhadora imigrante entrevistada: “Continuarão a existir pessoas que preferem ficar sem fazer nada e a ganhar por isso, nem que seja 400€, do que ir lavar escadas por 500€.” Ou seja, conclui-se que a maior disponibilidade dos trabalhadores imigrantes tem sido e continuará a ser um trunfo para eles, como relata outro trabalhador imigrante cabo-verdiano entrevistado: “Mas também é verdade que nem todos os portugueses querem carregar ferros, querem trabalhos mais leves e nós sujeitamo-nos a qualquer coisa, temos que sobreviver, os portugueses têm sempre apoio, podem ficar em casa 2 ou 3 meses que isso não faz assim tanta diferença, e nós não.”. Considerando o aprovado aumento da duração do subsídio de desemprego pelo Governo em 2009, esta variável de protecção da procura de mão-de-obra imigrante tenderá a manter-se, ou mesmo a crescer. Relativamente aos perfis de mão-de-obra imigrante que se avizinham necessários para os próximos dois anos, e segundo o testemunho da maioria dos interlocutores, manter-se-á próximo ou mesmo igual aos perfis existentes neste momento, ou seja, trabalhadores não qualificados e operadores, pois é nestes segmentos que a maioria desta mão-de-obra se encontra empregada, que coincidem com os segmentos mais rejeitados pelos portugueses, conforme uma trabalhadora brasileira entrevistada retrata a situação: “Haverão sempre trabalhos para imigrantes, principalmente, os não qualificados. Sem dúvida que existem funções que os imigrantes fazem e que os portugueses não querem fazer!”.

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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