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ano de eleições e porque tem que se fazer algum investimento público, o escoamento destas candidaturas vai ser maior e a afluência vai-se manter. Acredito que a partir do segundo trimestre, com o crescimento económico consubstanciado em obras, se possa escoar esta mão-deobra que aflui espontaneamente às nossas delegações.”. O sector da Grande Distribuição tem também alguma dificuldade em fazer previsões perante este ambiente de incerteza, embora admita que a necessidade de mão-de-obra imigrante continuará presente devido à manutenção de investimentos em grandes superfícies comerciais, apesar de um abrandamento em relação a 2008. Consequentemente, é um sector que aponta para uma ligeira diminuição no recrutamento relativo a 2008, mas com um saldo mais favorável que qualquer outro dos sectores, conforme afirma a interlocutora de um grande grupo deste sector: “ Não prevemos a abertura de tantas lojas como em 2008, e logo por aí, não recrutaremos tanta gente.”. O sector Agrícola, que tem sido o que maior quebra tem sofrido ao longo dos últimos anos, não vislumbra também melhorias significativas, sendo que na opinião do interlocutor que detém uma exploração no sector agrícola, as necessidades manter-se-ão ou provavelmente poderão decrescer, apenas para dar resposta a necessidades pontuais, nomeadamente na altura das colheitas. Na opinião deste interlocutor, poderia não haver qualquer tipo de necessidade de mão-de-obra imigrante, se algumas medidas fossem alteradas no nosso país, tais como um maior controlo e limitação do Fundo de Desemprego e a possibilidade de jovens (que ainda não tenham atingido a idade adulta) poderem trabalhar de forma legal na agricultura, concretamente na altura das colheitas, pois é apenas nesta altura que existem reais necessidades, pois nas restantes fases, as máquinas substituem o homem. A questão do Fundo de Desemprego foi bastante referida quer por trabalhadores imigrantes, associações e responsáveis de recursos humanos das empresas, pois afirmam que os trabalhadores nacionais que se encontram abrangidos por este fundo, preferem essa situação, do que ocupar determinadas áreas e funções, funções essas que são ocupadas maioritariamente por trabalhadores imigrantes. As associações demonstraram-se também bastante reticentes ao fazer previsões de necessidade de mão-de-obra imigrante para os próximos dois anos, não demonstrando cenários muito positivos. No seu conjunto, a opinião dominante remete-se para uma maior dificuldade de inserção desta mão-deobra no mercado de trabalho português que, aliás, já se tem vindo a sentir no último ano (o que fez com muitos trabalhadores imigrantes abandonassem Portugal, ou com regressos aos países de origem, ou ainda com a opção de migração circular para outros países da UE). Segundo estes interlocutores, o que se considera urgente é colocar indivíduos desempregados, ao invés de aumentar a oferta de mão-de-obra imigrante. Também o interlocutor de uma empresa de trabalho temporário partilha desta visão no que diz respeito ao desemprego de muitos imigrantes, quando refere que:

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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