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anúncio, porque nas candidaturas espontâneas aparecem-nos pessoas para o trabalho mais básico e menos qualificado”. As empresas de trabalho temporário têm-se também revelado como um dos canais de maior inserção desta mão-de-obra imigrante no mercado de trabalho, quer através dos candidatos que vão às suas delegações e se inscrevem, aguardando depois colocação, quer através de pedidos concretos e específicos de funções e cargos através de anúncios. “A partir das candidaturas espontâneas recebidas faz-se uma ficha que se insere na base de dados. Se tivermos logo trabalho enviamos para os hotéis ou para a construção.” (interlocutor de uma empresa de trabalho temporário). Estas empresas dão resposta a pedidos dos seus clientes (outras empresas) e fazem a “ponte” entre essas empresas que fazem os pedidos e os trabalhadores imigrantes, conforme nos relatou o interlocutor de uma unidade hoteleira: “Recorremos a 2 empresas de trabalho temporário para fazer face a alguns aumentos excepcionais de actividade e a serviços esporádicos (jantares, banquetes, congressos, montagem e desmontagem da sala). Uma dessas empresas é mais vocacionada para a área da restauração (comidas e bebidas – serviço de mesa) e outra mais vocacionada na área do alojamento (empregadas de andar e de limpezas)”. Estas empresas de trabalho temporário foram também muito referidas pelos trabalhadores imigrantes entrevistados como sendo uma forma acessível e que funciona bastante bem na inserção destas pessoas no mercado de trabalho português. As seguintes citações proferidas por trabalhadores imigrantes entrevistados ilustram a sua importância: “Mais tarde, consegui a legalização e consegui trabalho através de uma empresa de trabalho temporário. Faço limpezas em hotéis!“, ou ainda: “Arranjei trabalho em duas empresas aqui em Portugal través de uma empresa de trabalho temporário!.” Por fim, mas não menos importante, tem-se revelado o papel das associações de imigrantes que, através das redes UNIVA Imigrante (numa cooperação entre o IEFP, ACIDI e as próprias associações) fazem a divulgação de ofertas de trabalho junto das suas comunidades. No que respeita a contratos e condições de trabalho, e segundo a informação recolhida, não existem diferenças entre trabalhadores imigrantes e trabalhadores nacionais, até porque as empresas auscultadas afirmam só contratar trabalhadores imigrantes que tenham a sua situação regularizada. Normalmente, os trabalhadores imigrantes que sofrem tratamento diferente por parte das suas entidades patronais são aqueles que se encontram ilegalmente 67

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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