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comodidade, nomeadamente a curto prazo (os fundos de desemprego são sempre situações de curto prazo), em prol de ter uma actividade profissional.” O mesmo acrescenta ainda: “Mas a verdade é que assistimos a uma disponibilidade maior e até a uma oferta maior no mercado de pessoas de outra nacionalidade do que propriamente pessoas de nacionalidade portuguesa. Se colocarmos um anúncio de recrutamento, no hotel para empregados de andar podemos assistir a umas 50 respostas. Destes 50, 6 a 7 serão portugueses, 20 serão brasileiros, 15 serão imigrantes de leste e os restantes provenientes dos PALOP (moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos).” Normalmente são pessoas que vêm para Portugal sem qualquer tipo de recurso assegurado e, como tal, aceitam quase todo o tipo de trabalho que se encontra disponível, conforme nos relata uma das trabalhadoras brasileiras entrevistadas: “Os imigrantes se sujeitam a trabalhar mais horas, é diferente dos jovens portugueses que ainda estão na casa dos pais ou que têm o suporte da família, nós temos que trabalhar para conseguir sobreviver, para pagar casa, comida, por isso a maioria dos imigrantes sujeita-se a piores condições, trabalha aos feriados, fins-de-semana, faz horas extra (…).” Estes trabalhadores, que têm uma expressão muito relevante nas empresas visitadas, ocupam, na sua grande maioria, profissões não qualificadas ou de operadores, nos sectores dos Serviços, Construção e Agricultura. Na Construção, são normalmente o chamado “pessoal indiferenciado”, serventes, pedreiros, entre outros, sem grandes margens de progressão e voláteis à existência (ou não) de trabalho. No sector dos serviços, e mais concretamente no sector do Alojamento (Hotelaria) ocupam cargos na copa, cozinha e quartos. Ainda no sector dos Serviços, e dentro do Comércio, Distribuição e Restauração, são maioritariamente empregados de mesa e/ou balcão, operadores de loja, logística e armazém. No sector Agrícola o trabalho é, na maioria das vezes, feito na época das colheitas (resultado da cada vez maior mecanização deste sector, bem como da sua sazonalidade) por trabalhadores não qualificados, na maioria das vezes em explorações de horticultura e fruticultura. Através da informação recolhida, de forma geral, foi possível observar e testemunhar uma diferenciação em termos de qualificações, competências e características intrínsecas de cada grupo socio-cultural, o que contribui também para uma certa segmentação e colocação destes trabalhadores em diferentes sectores e funções. Ou seja, como exemplo, resultado de uma maior capacidade/facilidade de comunicação e de relação interpessoal, os trabalhadores brasileiros encontram-se em sectores e cargos onde a relação com clientes está mais presente, ou seja, na restauração (p.e. empregados de balcão e de mesa ou operadores de caixa, lojistas, etc.). Por outro lado, os trabalhadores ucranianos encontram-se em cargos de menor necessidade de comunicação com clientes, mas onde a disciplina, o rigor e superiores competências técnicas que os caracterizam lhes valem de muito, embora sem 64

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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