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“No que respeita aos imigrantes de leste, há 8 anos vieram muitos… houve uma onda de trabalhadores de leste… durante estes anos legalizaram-se, obtiveram vistos e agora, muitas dessas pessoas, têm a nacionalidade portuguesa, assim, podem trabalhar noutros países sem visto, com melhores condições que Portugal… Podem trabalhar nos EUA, em Inglaterra, em Espanha… sem precisarem de vistos e ganham mais do que em Portugal!” Esta alteração de mobilidades e fluxos migratórios prende-se com várias razões, sendo que a principal se remete, no discurso dos entrevistados, para a recessão e crise que se vem instalando em Portugal nos últimos tempos, e que resulta, por um lado, numa menor capacidade de absorção desta mão de obra pelo mercado de trabalho nacional e, por outro, numa crescente aceitação de alguns trabalhos outrora preteridos por parte dos trabalhadores nacionais, fruto de uma maior dificuldade em encontrar emprego. A ausência de grandes obras públicas (como o foram a EXPO´98 ou a Ponte Vasco da Gama) e de grandes eventos (Euro 2004) é também apontada como outra razão que contribuíu para este fenómeno de diminuição da imigração para Portugal. Segundo a representante da Associação Ucraniana auscultada: “ Há 3 ou 4 anos que o mercado português precisa de menos mão-de-obra imigrante, há menos obras (…) Os ucranianos são sempre os mais representativos dentro dos imigrantes dos países de leste mas no ano 2008 verificou-se que a contratação foi muito difícil e que há muitos desempregados.”. Também a representante da associação cabo-verdiana afirmou: “Assiste-se a uma estagnação e mesmo crise de alguns sectores de actividade em Portugal, que resulta numa cada vez menor capacidade de absorção da mão-de-obra que chega a Portugal. Tenho conhecimento de muitos cabo-verdianos que passam os dias nos bairros, sem trabalho.” Um trabalhador cabo-verdiano do sector da Construção entrevistado foi também explícito neste ponto: “Os trabalhadores imigrantes sujeitam-se mais que os portugueses e todo o trabalho que tem que ser feito rapidamente, são os imigrantes que o fazem, como os estádios do Euro 2004, estradas, túneis, pontes, etc, mas neste momento existe muita falta de trabalho, e tenho conhecimento de algumas pequenas empresas de construção que estão a fechar.” Esta mão-de-obra imigrante é, na maioria das vezes, caracterizada como totalmente disponível (mais que a nacional), predisposta e capaz de ocupar sectores, áreas e funções onde normalmente é mais difícil encontrar trabalhadores nacionais disponíveis, quer pelas condições oferecidas (salários e horários), quer pelo tipo de trabalho que se executa, conforme ilustra a afirmação do interlocutor de uma empresa do sector hoteleiro: “Mas aqui eu acho que o português, nalgumas áreas, tem uma mentalidade fechada, pouco pró-activa, prefere uma situação de

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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