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O crescimento da população estrangeira verificado nos últimos anos é explicado, em grande medida, pelo forte incremento no número de solicitações de autorização de residência em Portugal, decorrente da alteração que em 2007 se verificou com a nova legislação sobre imigração (Lei nº 23/2007, de 4 de Julho).

III.2. Efeitos positivos da imigração Estão sistematicamente estudados, em vários países de acolhimento e também em Portugal, os efeitos positivos da imigração. Importa recordá-los. III.2.1. Efeitos positivos na cultura A imigração proporciona uma maior diversidade cultural nas sociedades de acolhimento. Sabendo que a diversidade cultural está para a humanidade como a biodiversidade para a natureza3, nunca é demais sublinhar a vantagem que representa o multiculturalismo, proporcionado pela integração harmoniosa de diferentes povos e culturas numa mesma sociedade. Sendo uma tarefa árdua e, por vezes, complexa, importa sublinhar que a sua construção permite um enorme enriquecimento cultural, com o cruzamento de tradições e memórias, de saber-fazer e saber-viver, que torna mais humana a comunidade que faz esta experiência. Na história portuguesa o encontro de povos e culturas é determinante para a sustentação do “humanismo cosmopolita” que, segundo Jaime Cortesão, nos caracteriza. A epopeia dos Descobrimentos é marcada por essa abertura ao mundo e pelo desejo irreprimível de relação com o outro diferente. III.2.2. Efeitos positivos na economia A imigração aumenta a produtividade e a competitividade de um País, sendo particularmente impressionante que, entre os países mais ricos e desenvolvidos, se encontram nações construídas pelos imigrantes, como os Estados Unidos da América, o Canadá ou a Austrália. Em vários segmentos, quer nos quadros mais qualificados, quer nos menos qualificados, os imigrantes acrescentam valor à dinâmica económica de qualquer país. Em Portugal são responsáveis por 5% do PIB nacional (Sousa Ferreira, 2004). A sua motivação e empenho profissional, radicados na intenção de poupança, a vontade de inserção e ascensão social na sociedade de acolhimento, são normalmente muito apreciados pelos empregadores. Acresce que a sociedade de acolhimento não teve qualquer investimento na formação do capital humano de que é portador o cidadão imigrante que chega em plena força produtiva. Uma outra dimensão cada vez mais relevante é a do novo empreendedorismo imigrante, que é sobretudo patente em grupos étnicos específicos, e é hoje factor de criação de riqueza, de incremento de produtividade e ainda de oferta de emprego no nosso país (Oliveira, 2004).

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Cf. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da UNESCO, Novembro de 2001.

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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