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CAPÍTULO I – METODOLOGIAS No presente capítulo procede-se a uma apresentação sumária das principais metodologias utilizadas para estimar as oportunidades de emprego para a mão-deobra imigrante em Portugal nos próximos dois anos. As duas principais dimensões do estudo são objecto de descrições autónomas. Elas resultam, na sua configuração actual, de uma reavaliação dos métodos inovadores desenvolvidos no âmbito do CEPCEP, em exercícios análogos anteriores, e de uma actualização de abordagens tendo por pano de fundo as novas realidades migratória e económica, assim como as dinâmicas emergentes – e acentuadamente voláteis – que tornam particularmente complexa a construção de cenários futuros.

I.1. Abordagem metodológica quantitativa A necessidade de recorrer a mão-de-obra imigrante surge associada a dinâmicas da economia e do mercado de trabalho, que, simplisticamente, poderemos definir como correspondentes à existência de uma capacidade potencial de produção não totalmente aproveitada por insuficiência, inadequação ou baixa produtividade do factor trabalho endógeno. Quando observadas do lado dos países receptores, as migrações internacionais centradas na procura e na oferta da mão-de-obra são equacionadas como opção estratégica ou na dimensão de políticas orientadas para a superação de necessidades de mão-de-obra, ou ainda para a correcção a curto prazo de défices de qualificações em regiões, sectores, domínios de actividade ou projectos específicos. Nos anos mais recentes, e na generalidade dos países desenvolvidos, incluindo Portugal, as análises de cariz avaliativo destes fluxos migratórios também vulgarizados como de migrações económicas, têm vindo a reconhecer a importância e relevância das migrações para um desenvolvimento de rosto humano e mais sustentável, com efeitos quer nos países de acolhimento, quer nos países de origem. A importância dos impactos, ou efeitos a mais longo prazo, das migrações internacionais é hoje igualmente reconhecida, não apenas no domínio económico mas também, entre outros, no da compensação e correcção a prazo dos desequilíbrios demográficos e da valorização cultural. O quadro legal, as políticas, os dispositivos institucionais, os mecanismos de regulação e integração dos imigrantes, estão hoje presentes na primeira linha de preocupações e prioridades da governação em Portugal, não surpreendendo que a população imigrante aqui residente seja no final desta primeira década do milénio da ordem dos 430 milhares de estrangeiros, quando no início do milénio rondava os 250 mil, distribuída pelo todo nacional conforme os dados do Recenseamento Geral da População 2001 apresentados no Quadro 1.

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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