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INTRODUÇÃO As migrações internacionais detêm um papel crescentemente relevante no contexto de um grande conjunto de países. A imigração representa para os países receptores um cenário de oportunidades económicas e sociais mas simultaneamente, um leque de desafios, em especial em termos de mercado de trabalho e dos seus equilíbrios. Observando os países da OCDE a maior parte é actualmente país de migração líquida. Os fluxos migratórios têm vindo a crescer na maioria das categorias: imigração para emprego, reagrupamento familiar e refugiados. Anualmente, cerca de 3,5 a 4 milhões de imigrantes permanentes entram legalmente no espaço constituído pelos países da OCDE. Existem também significativos fluxos de imigrantes irregulares, os quais por definição são difíceis de quantificar. O crescimento populacional em muitos países desenvolvidos está a tornar-se cada vez mais dependente da contribuição da imigração líquida. Num contexto de envelhecimento da população, a imigração pode representar um papel importante na resolução de problemas de falta de mão-de-obra. Persistem, no entanto, questões relacionadas com as dificuldades de controlo dos fluxos migratórios, devido à persistente imigração irregular, e com a necessidade de melhorar as condições de integração dos imigrantes. Neste âmbito, a Agenda de Lisboa e outras recentes decisões e deliberações de âmbito europeu, como o Pacto sobre Imigração e Asilo, aprovado em 25 de Setembro de 2008, têm evidenciado a necessidade premente de antecipação das necessidades futuras de qualificações, enfatizando-se os reais impactos no mercado de trabalho da globalização, das alterações tecnológicas e dos desenvolvimentos demográficos, nomeadamente o envelhecimento acelerado da população. Assumem particular significância os movimentos migratórios pelos efeitos que determinam ao nível do mercado de trabalho, pelo que a dinamização da informação e compreensão sobre as consequências e potenciais benefícios das migrações de âmbito internacional constituem importantes instrumentos de aprofundamento das questões relativas ao mercado de trabalho e ao desenvolvimento das correspondentes medidas de política pública. Vive-se, actualmente, numa conjuntura de crise e incerteza, derivada, em parte, do esforço económico associado à luta que os Estados Unidos da América iniciaram contra o terrorismo, da consequente intensificação de tensões internacionais, da sucessiva divulgação de comportamentos incorrectos de algumas grandes empresas americanas nos planos contabilístico e financeiro, da complexidade da Convenção Europeia e dos processos conjugados de alargamento e de reforma da UE e das dificuldades sentidas nalgumas das grandes economias europeias. Todos estes factores contribuíram para acentuar o clima de desconfiança e de incerteza sobre o futuro das economias. Importa ainda mencionar o agravamento galopante do défice orçamental americano, consequência directa do esforço de guerra da maior economia mundial, acompanhado da depreciação do dólar que desequilibrou todo o mercado

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Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

Necessidades de mão-de-obra imigrante em Portugal  

Relatório Final

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