Revista MAIS NORTE 1282 | AGOSTO | 14

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1282 | jul/AGOSTO’14 http://maisnorte.pt agenda@maisnorte.pt

Entrevista com o presidente da APDL, Brogueira Dias

Novo terminal entrará ao serviço no quarto trimestre

ANTÓNIO CUNHA Reitor do Universidade do Minho

‘Leixões quer receber 150 mil passageiros por ano’

Já devia Autarcas de Vila do Conde e de Cinfães “conhecer o

orçamento para 2015... O que precisamos é de estabilidade

lutam pela mesma causa: criar emprego

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Norte | Desenvolvimento Regional

B RO G U E I R A D I A S Presidente da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL)

Novo terminal de passageiros de Leixões “pronto entre setembro e outubro” ANTÓNIO MOURA antonio.moura@maisnorte.pt

O novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões tem um cais de 340 metros operacional desde abril de 2011, faltando-lhe porém uma peça essencial: a gare para os passageiros desembarcarem e embarcarem nas melhores condições. O edifício está quase pronto e impõese pela sua estrutura curvilínea. “Fica pronto entre setembro e outubro”, disse à Mais Norte o presidente da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL), Brogueira Dias. A gare do novo terminal “vai custar 50 milhões de euros”. Fundos comunitários pagam 50% e dinheiros nacionais pagam outros 50%. Dinheiros nacionais? Numa altura em que o investimento público tem fraca popularidade, Brogueira Dias responde: “Podem estar assossegados”. São dinheiros “da empresa, unicamente e exclusivamente da empresa”, conclui. Leixões tem capacidade para isso? “Tem que ter. Aqui em Leixões há duas premissas: não andamos em

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nenhum terreno pantanoso e fazemos estudos para ver se temos arcaboiço e capacidade” de fazer investimentos considerados necessários. É por isso que o “novo terminal de contentores está a ser estudado há cinco anos”, exemplifica Brogueira Dias, adiantando que esse terminal irá ficar “junto ao porto de pesca”, mantendo-se este no local (ver texto à parte). Por ora, fiquemo-nos pelo terminal de passageiros. A APDL afirma estar “a fazer pontaria” para que a inauguração oficial do edifício ocorra em “princípio de dezembro”. Nessa altura, já ele estará a funcionar a cem por cento. O terminal será então “uma unidade”. O cais já lá está. Tem 340 metros, está operacional há dois anos e meio e consegue receber navios de cruzeiros com 300 metros de comprimento. Essa obra começou primeiro permitindo assim a Leixões captar navios de grande porte. “Não tínhamos espaços para os colocar. Já fizemos mais de 100 escalas dentro desse terminal”, realça Brogueira Dias. O edifício, um projeto do arquiteto Luís Pedro Silva, é o complemento indispensável, porque permite o chamado “turnaround” (cruzeiros iniciados ou terminados nos portos nacionais) e o apoio necessário aos grandes paquetes. Há


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poucas semanas passou por lá um com 2.500 passageiros e 1.000 tripulantes. “Essas pessoas têm que ser controladas, à saída e à entrada, têm que ter serviços de apoio, “check-in” de bagagens, alfândegas” e outros serviços que só o novo edifício proporciona. “Em trânsito, não temos limite de passageiros. Em “turnaround”, neste momento, não temos capacidade de fazer “checkin” para mais de 600 pessoas, e já é com muita boa vontade”. Com a nova estação, será possível movimentar “até 2.500 pessoas” ao mesmo tempo. Com o terminal completo, a APDL espera receber “100/120 escalas anuais de navios de cruzeiros”, o que para Brogueira Dias “será bom”. O responsável afirma que “a parte interior do edifício já está concluída, mas não está ainda utilizável” por motivos relacionados com o seu revestimento exterior, que originou “uma situação um pouco delicada”. Brogueira Dias explica-se: “O tipo de recobrimento é diferente do normal: são mosaicos cerâmicos esquisitos, o edifício já é arredondado, aquilo são azulejos tridimensionais, têm uma colocação muito específica, tudo aquilo custa dinheiro e tempo e houve também alguma dificuldade no arranque, porque a firma que os ia

O retorno financeiro “ dos cruzeiros pode chegar aos 14 milhões dentro de três anos.

Brogueira Dias, presidente da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL).

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colocar não se aguentou”. A APDL recorreu então à Vista Alegre, que não só aceitou o desafio como criou uma linha própria. “É ela que os está a fornecer”.

“Vai dar para as encomendas” Hoje, a sustentabilidade é algo sagrado. É condição necessária para qualquer projeto sair do papel. O novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões avançou porque passou nesse teste. “Pelos nossos estudos, vai dar para as encomendas. Dentro do negócio portuário, não é dos mais lucrativos, mas é autossuficiente. Não dá encargo adicional para a empresa”. Por outro lado, tem impacto sobre a economia regional, beneficiando, nomeadamente, o setor turístico local e da região. Tal impacto, de acordo com a APDL, pode chegar a “14 milhões de euros anuais daqui a três anos”. “O passageiro, em média, aqui em Leixões, gasta entre 50 a 70 euros por estadia. Multiplique isto por 100 mil passageiros por ano”, propõe Brogueira Dias. Mas esse valor pode aumentar no futuro se Leixões passar a ser um porto “turnaround”, permitindo assim que os passageiros se desloquem para a região dois ou três dias antes do cruzeiro começar, para a conhecer. “Os navios nunca estão em nenhum porto mais do que um dia, mas as pessoas podem vir dois ou três dias antes para um cruzeiro com início em Leixões”. É nesse “campeonato”


que a APDL quer jogar, o que seria economicamente interessante para a empresa e para a região. O novo terminal de cruzeiros é a infraestrutura que falta a Leixões para ser um porto completo? O presidente da APDL diz que “faltam sempre” outros equipamentos, porque a área dos transportes marítimos “tem um dinamismo tal que é impossível conseguir fazer uma previsão a médio ou a longo prazo”. Os planos estratégicos das empresas deste setor com horizontes acima dos cinco anos arriscam-se a ser ultrapassados. “O último plano estratégico que fizemos foi de 2009 a 2015 e hoje todo ele já está concluído. O terminal de cruzeiros e a plataforma logística estão dentro dessa programação”, o que, para aquele responsável, se deveu também à “pressão” feita do exterior. “Hoje em dia, estamos é a preparar a revisão do plano estratégico com uma visão, para já, mais concreta até 2020”, informa Brogueira Dias. Mas é provável, antecipa, que o seu horizonte tenha de ir até 2025.

Uma velha tradição O novo terminal de cruzeiros é um “complemento de uma tradição que Leixões tem desde sempre”, apoiada por “uma estação muito antiga de passageiros, de ótima qualidade e muito bem enquadrada”. Trata-se de um edifício situado no lado norte do porto, em Leça da Palmeira, construído em madeira, nos anos 60 do século passado, e considerado monumento municipal. Há “um setor dentro dos cruzeiros que prefere e privilegia até a utilização dessa unidade, porque tem a sua história e uma ligação direta com Leça da Palmeira – e que nunca descartaremos”. Em junho, Leixões recebeu quatro navios de cruzeiros em simultâneo. “Isso obriganos a utilizar todas as capacidades e todos os cantos que tenhamos para acomodar este tipo de navios”. “Este novo terminal de cruzeiros completa uma malha de oferta neste setor de cruzeiros, que está em crescendo a nível mundial – assistindo-se a ‘um boom’. Tem sido dos setores do turismo que mais têm crescido e esta zona atlântica que esteve sempre mais afastada destas artes mais lúdicas. Normalmente falase mais do Mediterrâneo, do Báltico e das Caraíbas, que são os três polos principais. Isto aqui fica um bocadinho na charneira. Quem vai do Mediterrâneo para o Báltico passa por aqui” e por vezes escala Leixões, que é, neste segmento turístico, “um subproduto”. Nos últimos anos, contudo, o panorama alterou-se muito. Em ligação com a frente atlântica, “foi criado mesmo um projeto europeu – Cruise Atlantic Europe – que a APDL liderou e que vai desde Lisboa até à Irlanda”. O objetivo passa agora por “procurar ver nesta frente quais são as potencialidades para criar massa crítica” e ter uma zona que, não tendo a mesma pujança

Leixões e o aeroporto avaliam possível “oferta conjunta” O presidente da APDL disse à Mais Norte que tem havido “conversações com o aeroporto” que têm como objetivo “uma oferta conjunta de mercadorias e de passageiros”. “Podemos dizer que em passageiros somos uma peça minúscula dentro do movimento de milhões que faz o aeroporto, mas a verdade é que tem peso”, observou. Leixões impera na carga. “Fazemos mais ou menos 17,3 milhões de toneladas de carga movimentada (valor relativo a 2013)”, contra, por exemplo, quatro milhões de Vigo. “Foi o máximo que tivemos até hoje. Se formos ao aeroporto são 20, 30 ou 40 mil toneladas de carga, são coisas muito mais débeis”, mas são complementares. A perspetiva de uma oferta conjunta de logística de transporte de mercadorias e de passageiros baseia-se na proximidade entre as duas infraestruturas. Separa-as cinco quilómetros, aproximadamente. “É uma lógica de área metropolitana”, conclui Brogueira Dias.

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Universidade do Porto ocupará parte do edifício A nova gare de passageiros “é uma obra delicada”. “Aquilo está fundado em cima de estacaria”, salienta Brogueira Dias, acrescentando que “as estacas, no início, tiveram que funcionar ao contrário, porque, como tinha muito volume metido debaixo de água, a impulsão obrigou-as a funcionar como se fossem tirantes, para segurar o edifício”. A Universidade do Porto acordou com a APDL instalar aí um polo de ciência e tecnologia do mar, que irá ocupar “cerca de 40%” do novo edifício e movimentar perto de 200 investigadores. “Foi feito um contrato de concessão por 50 anos e a Universidade paga uma renda relativamente a isso. Mitiga um bocadinho as dificuldades também de investimento, contribuindo para a sustentabilidade do investimento”.

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do Mediterrâneo ou das Caraíbas, tem clientela própria. “Portanto, em vez de ser apenas uma zona de passagem, passar a ser uma zona de raiz para ter linhas regulares de cruzeiros. Isto mete no mapa estes portos da fachada atlântica (Leixões, incluído)”. Brogueira Dias frisa que o projeto “correu bem, permitiu criar algumas raízes e vai potenciar estes portos”. A APDL acredita que, com o novo serviço, Leixões está apto a fazer parte da rota internacional do turismo de cruzeiros. “Tem todas as condições. Dentro de dois ou três anos estamos a contar chegar muito próximo dos 130, 150 mil passageiros por ano. Para a unidade que temos aqui, é considerado interessante”. O cais e a gare antigas, no lado norte, continuarão operacionais, servindo “uma clientela própria”, que se desloca em “navios mais pequenos e se dedicam, nomeadamente aos cruzeiros para zonas vinhateiras”. “São indivíduos que vêm mais tempo e com mais dinheiro, que gostam de ir ver as quintas. São nichos de mercado que interessa acarinhar”, considera Brogueira Dias. “O que nos faltava era uma unidade específica para esta área de negócio, que permitisse fazer aquilo que até hoje, dificilmente, conseguimos fazer”, ou seja, transformar Leixões num porto de chegada e partida para navios de cruzeiro, em vez de ser só uma escala. “Porque o grande problema hoje em dia é isso: são navios de passagem, fazem aqui uma escala de um dia, entram de manhã e à

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tarde estão a sair outra vez. A disponibilidade de meia dúzia de horas vai dar para os passageiros, como nós costumamos dizer, darem a voltinha dos tristes. Andam por aqui num circuito de 20 ou 30 quilómetros, vão ver as coisas históricas que lhes interessam, vão às caves buscar a garrafa de vinho do Porto e trazem um ou outro produto de artesanato ou coisa parecida e desaparecem”.

Paquetes, traineiras e contentores juntos

Novo terminal na fase final das obras

Paquetes, traineiras e contentores vão ser vizinhos na zona sul do porto de Leixões. A futura coabitação resultará do projeto da APDL para a criação de um novo terminal de contentores “junto ao porto de pesca” e não muito longe do novo terminal de passageiros. “Conseguimos criar aí 750 metros de acostagem com fundos a menos 14 metros, o que nos dá dois a três postos de acostagem para os navios maiores, com a vantagem de ficar logo à entrada do porto”, afirma Brogueira Dias, asseverando que os pescadores podem estar sossegados. “O nosso projeto para o porto de pesca foi ver se havia solução para ele. E ele vai ser totalmente reformulado. Tem três molhes e nós vamos construir cinco. Estão registadas cerca de 80 embarcações de pesca e no estudo que fizemos garantimos 100 postos de acostagem”, afirma o mesmo responsável. “A nível mundial toda a gente nos puxa as orelhas porque os portos de pesca estão a definhar, mas achamos que era o mínimo que poderíamos fazer e as condições serão todas também renovadas”, preservando também a “ligação umbilical” com Matosinhos.

Nova marina para iates oceânicos Leixões vai ter um segundo porto de recreio. “É um subaproveitamento do novo terminal de cruzeiros, cujo cais deixa por dentro uma meia-lua sem nenhuma utilidade”, explica Brogueira Dias. “Há um setor de iates oceânicos, que passam ao largo e vão de Baiona (Galiza) para o sul. Quando muito param em Lisboa pontualmente. Há pouca oferta nesta frente atlântica e a intenção é criar aqui um polo mais virado para navegação oceânica de iates já com alguma dimensão. Já tem as infraestruturas todas. Falta arranjar o parceiro para a sua exploração”, que será escolhido através de um concurso que a APDL tenciona lançar em 2015. Na margem norte do porto, recorde-se, existe já uma pequena marina local. É utilizada por quatro clubes e serve ainda de “garagem” para alguns velejadores. IMAGENS: Gráfico, imagens dos cruzeiros e do novo terminal cedidos pela APDL

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ELISA FERRAZ

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Presidente da C창mara Municipal de Vila do Conde


“Criação de emprego é solução para todos os problemas” ANTÓNIO MOURA antonio.moura@maisnorte.pt

O que falta fazer em Vila do Conde? “Tem que se criar emprego. É uma questão fulcral. É a solução para todos os problemas de âmbito social”, responde, sem quaisquer hesitações, a presidente da Câmara Municipal vila-condense, Elisa Ferraz. A tarefa desta mulher não é fácil: sucedeu a um peso-pesado do poder local, Mário Almeida, que esteve 32 anos aos comandos daquela autarquia. Mas por outro lado, Elisa Ferraz conta com a experiência acumulada durante os quatro mandatos consecutivos em que foi a vereadora responsável pelas questões sociais em Vila do Conde. A Mais Norte entrevistou-a no seu gabinete, na Câmara local, que, note-se, não é o do seu antecessor.

Elisa Ferraz movimenta-se num universo masculino. É a única mulher presidente de uma câmara na área metropolitana do Porto, que é constituída por 17 municípios. Nada, porém, que lhe mereça grandes comentários. “Nem me desagrada nem estranho”, afirma simplesmente. Acrescenta que há hoje mais mulheres nos executivos municipais do que no passado. “Quando eu entrei, há 16 anos, era uma raridade. Hoje não, hoje verifica-se que há mais mulheres nas pastas da Educação, da Cultura,

da Ação Social” – que eram, aliás, as áreas por si tuteladas antes de ser eleita presidente, em setembro de 2013. Insistimos e perguntamos-lhe se tem uma explicação para o facto de haver tão poucas presidentes de câmara. “Não tenho grande resposta”. Logo depois, contudo, aponta uma possível causa para tal realidade. “A exigência do cargo em relação a horários é muito grande”. Mas em sua opinião, por outro lado, “cada vez mais, os cargos deixam de ter essa conotação masculino-feminino”. O que a levou a candidatar-se à presidência da Câmara de Vila do Conde? “Foi um grande desafio que, conscientemente e com tranquilidade, aceitei, pelo traquejo que os meus 16 anos, os meus quatro mandatos me davam relativamente a estas funções, que são exigentes, mas para as quais me sentia preparada precisamente por essa experiência que fui cimentando”, explica Elisa Ferraz. Suceder a um autarca como Mário Almeida foi “uma responsabilidade muito grande”. Diz que pensou “muitas vezes” quando lhe falaram nisso e a desafiaram para tal. Insiste que se tratou de “uma responsabilidade enorme suceder a um homem de um carisma extraordinário, que marcou este município e inclusivamente o trabalho autárquico, até pelo cargo que desempenhou na ANMP (Mário Almeida presidiu à Associação Nacional de Municípios Portugueses, entre 1990 e 2002). Um autarca de grande gabarito, reconhecido por todo o país. É lógico que não foi uma decisão fácil da minha parte”. Sem surpresa, admite que continua a conversar “muito” com ele. “O engenheiro Mário de Almeida é o presidente da Assembleia Municipal, é uma pessoa muito experiente e ouço-o sempre com muita atenção”.

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Poder Local | Rede Social

Contudo, garante, “não há cordão umbilical, de modo algum”.

Elisa Ferraz na apresentação do memorial aos náufragos que vai ser erguido nas Caxinas. A escultura, em ferro e pedra e em forma de barco, é constituída por cruzes para “simbolizar o sofrimento” da comunidade piscatória. Deverá ficar pronta a 16 de novembro, no dia do Mar.

O filho e as preocupações sociais Elisa Ferraz sustenta que foi o trabalho diretamente relacionado com o filho deficiente que a encaminhou para os problemas sociais e a fez abraçar esta causa. “Fui sempre trabalhando voluntariamente na grande instituição que existe hoje em Vila do Conde e que foi criada por mim, pelo meu marido e mais três ou quatro famílias com o mesmo tipo de problemáticas. Ainda hoje nos mantemos à frente dessa instituição”, que é o MADIMovimento de Apoio ao Diminuído Intelectual-Vila do Conde. Diz que foi esse “percurso de vida” que levou Mário Almeida a convidá-la para a vereação. “Essa foi a decisão mais difícil de aceitar, muito mais” do que avançar para a presidência da autarquia, disse. “Fui tirar o curso de Físico-Química, porque queria ser professora de Físico-Química”, sublinhou. “A docência foi para mim uma paixão, uma realização pessoal. Tomar a decisão de sair da escola foi muito difícil. Não há vez nenhuma que eu saia que não encontre aqui ou acolá gerações e gerações de antigos alunos meus”, afirma, com visível satisfação e até alguma nostalgia. “Essa decisão foi o maior salto para o incógnito que eu senti. Houve até um período que me custava ir à escola, sentia-me emocionada”. Teve dúvidas. “Serei capaz?… Não serei capaz… Adaptar-me-ei?”.

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Eleita pelo PS, Elisa Ferraz tinha os seus trunfos para o cargo que hoje ocupa – e, além disso, não era propriamente uma recém-chegada ao mundo autárquico. “Estando aqui há tanto tempo, conhecia a casa, a máquina, o concelho, fui professora (de Físico-Química) na Escola José Régio, a cujo quadro pertenci durante cerca de 30 anos”. Nunca foi professora e vereadora ao mesmo tempo. “Quando saí, saí logo a tempo inteiro”, mas a atividade docente também lhe deu “um conhecimento” sobre o município. “Acreditei que poderia aceitar esse desafio”, resume.

Ligação às questões sociais vem desde 1976 Questionada sobre se fazia parte das suas ambições ser a sucessora natural de Mário Almeida, Elisa Ferraz respondeu assim: “Tenho um trabalho de âmbito social ao qual me dedico desde 1976, porque tenho um filho deficiente profundo (“Tem trissomia 21, agravada por outros problemas”, afirmou) e acho que essa realidade alterou o meu percurso de vida completamente e portanto se esse problema não tivesse existido, provavelmente, eu teria tido uma vida muito menos rica, menos dedicada aos outros. Portanto, desde essa altura comecei a trabalhar no sentido de criar condições para que quando o meu filho chegasse à altura da escola tivesse possibilidade de ter uma resposta, coisa que não existia”. “Há muitos anos” que as questões sociais lhe fazem companhia. Em Vila do Conde, como noutros municípios, um problema destaca-se hoje entre os demais. “É o desemprego”, responde, sem hesitar, Elisa Ferraz, que aliás manteve o pelouro da Ação Social, o qual abrange o emprego, assim como o da Cultura. Qual é a taxa local de desemprego? “14,6/7. É uma taxa que nem é muito elevada”, afirma. Diz haver algumas perspetivas de melhoria, principalmente através de empresas que tencionam ampliar as suas instalações. “O desemprego é um flagelo que, não sendo combatido, não nos permite sair destes pro-


blemas de âmbito social”, analisa. A Câmara de Vila do Conde criou um “fundo de emergência social” dotado com 100 mil euros anuais, que é justamente para isso, para uma emergência. Não é algo que a autarquia atribui por tempo indeterminado. “Podemos pontualmente” resolver alguns problemas. Nada mais. “A mim, aflige-me pensar como se resolve a seguir. Isso só se resolve com emprego. É um trabalho que tenho andado a fazer com as empresas”, afirma, referindo que no seu concelho “quem resistiu à crise está com os seus postos de trabalho garantidos”. Em Vila do Conde, o desemprego afeta “mais mulheres do que homens, normalmente com algum percurso no trabalho têxtil, com 40/45 anos e baixas qualificações” e com muitas dificuldades para reentrar no mercado de trabalho. Trata-se de um problema “mais visível na cidade” do que nos meios rurais. Nestes, segundo explica, as pessoas viraram-se de novo para os meios de subsistência ancestrais, procurando rentabilizar as suas produções agrícolas, mesmo em pequena escala. “As coisas na cidade são muito mais difíceis e é aí que temos a principal percentagem de pessoas que acedem ao rendimento social de inserção”.

Continuidade assumida A forte aposta na área social vem de trás. “Sempre disse que a nossa política seria de continuidade. Nunca tive problemas em assumir isso complemente”. Pergunta-

mos-lhes se não receia ser acusada de estar a fazer uma cópia do trabalho do seu antecessor? “Não sei o que é que se possa entender por cópia. Temos aqui uma presidente de Câmara com esta visão completamente diferente relativamente a toda esta questão de âmbito social, a esta proximidade com as pessoas, a esta integração plena dentro da comunidade. É a este nível humano e social que eu pretendo ser recordada e é neste trabalho que me empenhei e que me faz pensar que é mais uma missão na minha vida”. Elisa Ferraz volta atrás e a uma pergunta que lhe fizemos e a que respondeu parcialmente.

Novo hospital poderá criar centenas de empregos O que falta ainda fazer em Vila do Conde? “Tem que se criar emprego. É uma questão fulcral. É a solução para todos os problemas de âmbito social”, responde, sem quaisquer hesitações. Acredita que a situação pode melhorar até ao fim deste mandato. Uma das grandes esperanças reside no Hospital Senhor do Bonfim, um “empreendimento que estará para abrir”, do empresário Manuel Agonia, criador da Clipóvoa. “É um hospital privado” que, de acordo com a autarca vai criar “centenas de postos de trabalho, prevê-se entre 600 a 800 pessoas. É muita coisa”. Elisa Ferraz diz que é “um hospital, essencialmente, muito vocacionado para as doenças do foro mental”, mas que terá outros serviços.

Situação financeira “estabilizada” Encontrou os cofres vazios ou cheios? - Encontrei uma situação estabilizada, uma vez que a Câmara tinha resolvido o seu problema de endividamento recorrendo ao PAEL (Programa de Apoio à Economia Local). É algo que lhe tire o sono? - Não tira o sono, porque cumprimos o nosso plano de ação sem desvios e antigamente isto não era bem assim… Havia uma obra premente, podemos, vamos fazer… Antigamente, no tempo de Mário Almeida? - Antigamente, nos anos que permitiam que efetivamente os recursos se pudessem disponibilizar e potenciar de outro modo. Hoje temos um orçamento rigoroso, temos o plano de ação e procuramos não fugir dele. É mais difícil ser autarca hoje do que quando entrou aqui como vereadora? - Acho que sim, pela limitação dos meios financeiros, que no fundo regem toda a nossa atuação. Aponte três boas razões para viver em Vila do Conde. - A tranquilidade e a segurança da cidade, a beleza natural e a hospitalidade das pessoas.

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Universidades | Conhecimento

ANTÓNIO CUNHA Reitor da Universidade do Minho - Braga

UMinho chega aos 25 mil alunos em 2020 e quer mais cooperação com empresas A Universidade do Minho, com pólos em Braga e Guimarães, tem 19 mil alunos e 1100 professores, mas projeta crescer até aos 25 mil em 2020, com a entrada de alunos estrangeiros...Em entrevista à revista Mais Norte, o Reitor António Cunha, diz que a instituição é das melhores a cooperar com as empresas, mas, insatisfeito, diz que é preciso mais! Adianta que a UMinho colabora com congéneres nos Estados Unidos, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Timor-Leste, mas singulariza a cooperação com as universidades da Galiza, reunidas na Fundação SER. Sobre as finanças da instituição, diz que o Governo tem legitimidade para propôr um quadro financeiro para o ensino superior, mas não esconde o seu mal-estar no que toca a flutuações, erros e incumprimentos que dificultam a gestão. Em termos de praxes, acredita que os alunos saberão respeitar as regras, evitando ações no campus que prejudiquem aulas e investigação.

LUÍS MOREIRA luis.moreira@maisnorte.pt Mais Norte: Senhor Reitor! O que é hoje a UMinho e quantas pessoas acolhe? António Cunha: Temos 19100 estudantes, 1100 professores, 1300 com os que estão em regime parcial, e 800 trabalhadores. Ou seja, somos uma comunidade de 22 mil pessoas em Braga, em Guimarães e no AvePark, nas Taipas. Marcámos, ainda, presença no centro de Guimarães, no campus de Couros. Isto devese a um crescendo de internacionalização, de aumento de estudantes internacionais, e a expectativa de crescimento, no quadro do nosso plano estratégico, é de que em 2020 teremos 25 mil alunos, sobretudo, alunos estrangeiros. Sucede que, e finalmente, desde o princípio do ano, temos um quadro legal que permite recrutar alunos estrangeiros para cursos de licenciatura e de mestrado integrado, com uma propina a custos reais, 4500 euros para a área das humanidades e 6500 para as ciências e tecnologias. É um espaço certamente aberto aos países de língua portuguesa mas também de outras partes do mundo, nomeadamente de alunos chineses que queiram estudar em Portugal.

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MN: A crise demográfica não afetou a UMinho? AC: A crise demográfica, o principal problema que temos em Portugal – mas que é também europeu - a manter-se, vai ter gravíssimas consequências! Atinge os escalões etários de entrada nas universidades, a idade dos 18 anos, mas aquilo que se passa hoje no número de nascimentos é ainda mais grave...Portanto, daqui a 15 anos a crise será ainda maior a não ser que este ciclo seja invertido e é essencial alterar este estado de coisas...A crise demográfica é diferente de região para região e o Minho é talvez das áreas onde se sente menos: no último Census todos os concelhos perderam população, inclusivamente o Porto, mas Braga, Guimarães, Barcelos e Famalicão, aumentaram os residentes pelo que a questão não se sente com a acuidade doutras áreas. Mas, o nosso crescimento nos últimos quatro anos, um aumento de 1500 estudantes, resultou da oferta pós-laboral (cerca de 700), e da pós graduação. A formação de base, com 500 novos estudantes, foi feita com os novos cursos em Design, Teatro, e em Engenharia Física, em colaboração com o INL- Instituto Ibérico de Nanotecnologia.


REITOR DA UNIVERSIDADE DO MINHO “Quando temos grande instabilidade do lado do governo, a falhar compromisssos reiterados e um quadro de indefinições de coisas que não são claras, a gestão torna-se extremamente difícil.”

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Universidades | Conhecimento

LIGAÇÃO ÀS EMPRESAS MN: E o que faz a UMinho em termos de investigação e ligação às empresas? AC: Costumo responder de dois modos: é indicustível a nível nacional que temos bom curriculum, somos uma das universidades que mais cooperam com o tecido empresarial, como se comprova com um estudo recente da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O sistema científico da UMinho é o que mais coopera com as empresas: recentemente assinámos um acordo com a Bosch, um dos maiores em Investigação e Desenvolvimento (ID) alguma vez feito em Portugal, quer em termos de projeto quer de financiamento...Mas não deixo de dizer que a relação universidade/empresa tem de ser massificada, ter mais força e expressão...Isto é: apesar de termos muitas coisas de que nos orgulhámos, é uma área em que há muito a fazer. É difícil? Sim, mas está a ser conseguido, e, se pensarmos no que se fazia há 10 anos, a situação é muito melhor...Os desafios do futuro passam pela competitividade das nossas empresas... Se tivermos aqui um ambiente que evidencia uma relação profícua entre a universade e as empresas, podemos captar investimento: se uma empresa estrangeira quiser investir em Portugal virá para o Minho. Mas também é preciso reconhecer que há algum desajuste entre uma população muito bem formada, a nível de doutoramentos, que depois não tem, uma parte dela, onde trabalhar e desenvolver projetos... MN: Recentemente a UMinho assinou um acordo com as universidades do Porto e de Trás-os-Montes!

ANTÓNIO CUNHA é reitor da Universidade do Minho desde outubro de 2009

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AC: É um memorandum de entendimento, o estabelecimento de um quadro de colaboração efetivo. Um consórcio que abrange questões de dimensão estratégica, tentando responder às grandes estratégias de desenvolvimento regional, numa ótica de alinhamento com a CCDR/Norte e com outras entidades, de gestão do território e do tecido económico/produtivo. Mas envolve questões práticas, como a de cooperar no recrutamento de estudantes estrangeiros, o que passa pela promoção em feiras internacionas, com custos e soluções integradas. Por exemplo, fazermos por ano quatro ou cinco feiras internacionais em conjunto. MN: A institutição tem uma «incubadora» no AvePark, a SpinPark? Tem resultados? AC: A Spinpark aloja 50 empresas e já criou 500 postos de trabalho, sobretudo das engenharias mas que envolvem outros licenciados. O projeto é bem sucedido e isso deixa-nos contentes. Mas repito: aquilo que o país precisa não são 50, são mais de 200 com 10 mil empregos qualificados...Para isso tem de existir o tal ecossistema de inovação, que passa por uma universidade que produza conhecimento e inovação, mas que só existe se tivermos um sistema produtivo muito ativo. Os bons exemplos de Boston, do MIT e da Califórnia, passam pela economia, pela associação entre o estudante que tem a ideia e algum empresário ou pequena sociedade que está no setor, pega nela e avança, como todos os meios financeiros. São os chamados «bussiness angels», que apareceram há dez anos, um sistema que nos USA cresceu muito e está a fazer o seu caminho...O grande problema é acelerar as coisas...começámos atrasados, outros arrancaram há 50


anos, mas o caldo de cultura existe e há que transformar o seu potencial em desenvolvimento.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL MN: A nível externo qual a cooperação da UMinho? AC: A nossa cooperação é muito grande a diferentes níveis e patamares...Desde logo com as universidades da rede Erasmus e os vários projetos de investigação envolvidos...Há, depois, um conjunto de iniciativas de cooperação mais específicos, e apostas mais determinadas: eu singularizava a relação com a Galiza, onde participámos numa instituição de direito espanhol, que abarca seis universidades, as da Corunha, Santiago e Vigo e as do Minho, Porto e Trás-os-Montes. É a fundação SER com sede em Santiago de Compostela de que sou presidente há vários anos. Tem vindo a trabalhar para a euro-região, no quadro do posicionamento e enunciado que é feito quer pelo presidente da Xunta da Galiza, Nunes Feijó quer pelo professor Emídio Gomes, da CCDR-N. Com esta Fundação, as universidades ganharão grande centralidade na euro-região. Temos outra parceria muito importante com o MIT, nos Estados Unidos, e a Escola de Saúde tem uma parceria com as universidades de Columbia e Thomas Jefferson, um projeto conjunto de longo prazo. No espaço lusófono temos uma colaboração importante no Brasil, e também em Angola, Moçambique, em São Tomé e Princípe e em Timor-Leste, neste caso com a universidade local e com o Ministério da Educação, para a formação de professores. Cooperámos, ainda, com a China, através do Instituto Confúcio, onde assinámos vários protocolos científicos de ensino e, inclusivamente, com empresas.

FINANÇAS: QUADRO ESTÁVEL PRECISA-SE MN: Fala-se muito nas dificuldades financeiras das universidades. Qual o ponto da situação no Minho? AC: Já estámos a meio do ano, e há questões que têm a ver com verbas que não foram respondidas. Há duas questões. Uma, a dos recursos financeiros que o Governo entende, dentro das suas decisões políticas, - e tem toda a legitimidade para as tomar, concorde-se ou não - , dar ao ensino superior.Estou convicto da bondade do investimento no ensino superior e da sua importância estratégica no futuro... Por isso, os cortes deviam ser minimizados. Mas, a partir do momento em que essas verbas

Estamos em agosto e ainda não sabemos que pessoas contratar, pois já devia saber qual o orçamento para 2015 e não faço a mínima ideia. são atribuídas – eu gostaria que fossem mais, mas são o que são num processo mais ou menos negociado connosco – têm de ser cumpridas e não podem ser alvo das coisas mais esquisitas como erros de cálculo e outras questões estranhas que criam instabilidade no sistema. As universidades são administração pública, do ponto de vista de transparência, de procedimentos, do modo como utilizam as verbas e não podem deixar de estar sujeitas às regras, e obrigadas a um quadro claríssimo de transparência e prestação de contas. Mas estão em concorrência, umas com as outras, o que é um fator positivo, a nível interno e internacional tentando ganhar projetos e financiamentos. Além disso, são administração pública mas têm de prestar contas a outras entidades, como o Conselho Geral eleito por pessoas da casa e externas a quem tenho de dizer como estão as contas, como vámos chegar ao fim do ano. Ou seja, quando temos grande instabilidade do lado do governo, a falhar compromisssos reiterados e um quadro de indefinições de coisas que não são claras, a gestão torna-se extremamente difícil. A isto acrescem os espartilhos burocráticos com que somos brindados, coisas que têm, por exemplo, a ver com dificuldades na gestão de pessoal. Ora, a partir do momento em que lhe são atribuídas determinadas verbas, as universidades deviam ter flexibilidade para as aplicar. Em suma: mais do que a questão do orçamento, precisámos de um quadro claro sobre o qual possamos decidir. Estamos em agosto e ainda não sabemos que pessoas contratar, pois já devia saber qual seria o orçamento para 2015, e não faço a mínima ideia. Ainda não sei como é que vamos chegar ao fim do ano, houve um erro do Ministério das Finanças e temos a decisão do Tribunal Constitucional, que acarreta um aumento de despesa. As universidades têm um quadro de autonomia e é nesse quadro que estes assuntos devem ser resolvidos.

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Universidades | Conhecimento

A partir do momento em que lhe são atribuídas determinadas verbas, as universidades deviam ter flexibilidade para as aplicar.

[Imagens cedidas pela UMinho]

MN: Qual o orçamento anual? AC: A UMinho gere 130 milhões de euros, mas com os aumentos dos salários vão ser 138 ; recebe 50 do Estado, 20 de propinas, cerca de oito a dez de vendas, nas cantinas, residências, etc..faltam aí 40 milhões de euros que chegam de projetos europeus, e acordos com empresas...E esse é aquele que anda sempre a variar de cima para baixo...Em termos efetivos, o orçamento desceu 18 por cento nos últimos anos. MN: Um tema incontornável, as praxes... AC: A Universidade é um local de estudo, de convívio, e é-o, certamente, de liberdade. Não pode deixar de ser um local em que os estudantes se exprimem, com métodos próprios de socialização, por vezes difíceis de percecionar por outros, inclusive pelo Reitor. Mas, e isto é claro, os estudantes não têm de se divertir dum modo definido pela instituição! Mas este quadro tem limites, desde logo, pelos valores definidos pelo nosso estatuto, e o respeito pela dignidade humana; por exemplo, não é aceitável que, num campus onde trabalham cientistas se possa perturbar as suas atividades e, mais do que isso, o campus tem de ser um espaço de liberdade onde ninguém pode ser coagido a fazer aquilo que não quer nomeadamente em questões comportamentais. Há, pois, que garantir que, nas instalações, nenhum estudante seja coagido a entrar em práticas de que não gosta. E encontrar um equilíbrio: os estudantes fazem aquilo que entendem, e são pessoas adultas que já deram várias provas de maturidade, mas têm de encontrar formas de expressar a sua juventude e criatividade, o imaginário da vida estudantil, dentro das regras definidas para todos. Estou certo de que, como até aqui, encontraremos o modo de viver juntos. MN: Como vai a relação com as Câmaras de Braga e Guimarães? E qual o projeto para o edifício do Castelo,

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em Braga? AC: É boa! Mas volto ao que afirmei acerca da relação com as empresas: é boa, mas nunca podemos estar contentes... pode sempre ser alargada e melhorada, e isto não quer dizer que haja nada de mal; vamos cooperar sobretudo no próximo quadro europeu e num quadro de modelos de desenvolvimento que dão centralidade às universidades e instituições do conhecimento... A UMinho tem projetos de investimento para o próximo quadro comunitário, que estão a ser tratados com as autarquias. No caso específico do Castelo, há várias ideias, que dependem de outras ideias e projetos, é algo em estudo, mas a curto prazo se decidirá qual o destino a dar ao Castelo! MN: Portugal vai sair da crise? Temos futuro? AC: Sou um crente no futuro do país porque temos nove séculos de história a prová-lo, e, portanto, se há projeto na Europa que deu grandes provas de resiliência foi o de Portugal... Isso não quer dizer que não tenha tido momentos muito difíceis e outros de grande sucesso, mas somos um país com grande identidade e capacidade de adaptação, com um sentir muito próprio e acredito que vamos continuar a afirmarmo-nos no mundo. Tenho muita pena que, por vezes, as coisas se tornem mais difíceis, por termos dificuldades em encontrar as soluções mais adequadas. Há coisas positivas, os níveis de formação aumentaram, bem como a qualidade das universidades e empresas, e há que o aproveitar. Só que, é difícil encontrar os necessários níveis de consensualização entre os principais atores políticos para algumas das principais questões, as educacionais, da justiça, da saúde, e as fiscais. Precisámos de uma estabilidade política que permita planear políticas de longo prazo que não podem estar à mercê de mudanças partidárias, e, às vezes, basta mudar um ministro para se mudar de política. Não quero dizer que devamos andar todos a dizer o mesmo, isso seria negativo, mas há três ou quatro áreas onde é fundamental uma base de entendimento mínima entre os principais partidos sob pena de sermos inconsequentes e as políticas serem constantemente alteradas e modificadas, e muitas vezes, sem razão aparente... E o que se está a passar na educação é exemplo disso. MN: O Instituto Ibérico de Nanotecnologia está em Braga... Tem havido cooperação entre as duas entidades? AC: Está cada vez mais produtiva. Temos dois grupos conjuntos dentro do INL, com três professores nossos, mas seria bom que tivessemos 20. O INL tem uma infraestrutura de grande potencial e é uma grande mais valia que resulta de ser um projeto pensado ao mais alto nível entre Portugal e Espanha. Tem dimensão internacional e grande potencial mas é preciso que o sistema de gestão não crie dificuldades e não impeça respostas rápidas aos problemas. Era importante que os estados português e espanhol melhorassem as condições de gestão para se poder desenvolver ainda mais. O INL tem um quadro de investigadores interessante, que tem certamente de aumentar, mas precisa de melhor definição de objetivos por parte dos dois governos! E, idealmente, deverá procurar, mesmo a nível político, o fortalecimento de ligações ao norte de Portugal e à Galiza.



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ARMANDO MOURISCO Presidente da Câmara Municipal de Cinfães

‘‘ANMP não defende interesses de pequenos municípios do interior’’ O presidente da Câmara Municipal de Cinfães defende que os autarcas do interior do país devem reunir-se para iniciar a discussão de um plano estratégico do qual deve resultar um pacote de medidas a serem apresentadas ao governo que resultar das legislativas de 2015 e lançou um desafio às Comunidades Intermunicipais, autarcas e instituições para que assumam o papel de interlocutores em defesa dos interesses do interior. Em entrevista, Armando Mourisco (PS) disse que a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) não tem defendido os interesses do interior porque é “dominada pelo poder das grandes cidades do litoral” e assumiu que é preferível criar um novo organismo que melhor represente as suas necessidades. “Por isso acredito que não deveria ser a ANMP a ter esse papel porque não tem defendido os interesses destes municípios. O que acho importante é que, em vez de estarmos a apresentar medidas soltas, nos reunamos, com uma agenda, para discutir um pacote de medidas particulares para o interior do país”, sublinhou. PAULO A.TEIXEIRA paulo.teixeira@maisnorte.pt O autarca de Cinfães, a cumprir o seu primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal, justificou a medida, afirmando que há necessidades específicas para o

desenvolvimento do interior, nomeadamente nas áreas da saúde, desemprego, impostos e taxas, entre outros. “E acho que as Comunidades Intermunicipais do interior deveriam começar a colocar na ordem do dia essa discussão. O modelo passaria por cada uma das CIM determinar, em reunião com ponto único, o plano

“a catedral do anho assado”

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EMPREGO Atingir no final de 2015 a criação de 200 novos postos de trabalho é a ambição do presidente da Câmara de Cinfães.

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estratégico do interior contendo um pacote de medidas, limitadas temporalmente, que considerem essenciais para criar riqueza e emprego no seu território. Da união de todos os planos resultaria uma cartilha a apresentar ao próximo governo”, explicou. Armando Mourisco vai ainda mais longe, explicando que há uma questão política e de “governabilidade do território”. “Tem que ser dado mais poder político às CIM” porque quem “manda no território são os autarcas”. E estes têm de se preocupar menos com as próximas eleições autárquicas e mais “com o que se passa à sua volta”. “Esta é a questão da governabilidade: se há comunidades intermunicipais é porque houve uma pseudorregionalização mas, apesar disso, continuam dependentes de Lisboa. Então quem manda no território? São os autarcas, que se agruparam nas tais CIM. Então a governabilidade tem que passar pelas comunidades intermunicipais e não ser imposta a partir da capital”, explicou, adiantando que, eventualmente, se poderia “esvaziar” a ANMP de algumas competências e passa-las para as CIM.

Atrair novos investimentos e qualificar a mão-de-obra O desenvolvimento económico de Cinfães é um dos grandes desafios que o novo autarca herdou, um concelho com uma das taxas de desemprego mais elevadas da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (cerca de 29% em junho, de acordo com o IEFP), além de uma baixa taxa de confiança e falta de projeção para o exterior, entre outros fatores. “Sabia, à partida, que iria ser difícil criar aqui riqueza, emprego e atrair investimento”, sublinhou Armado Mourisco, que enfrentou de imediato alguns destes problemas, introduzindo na primeira reunião de executivo

uma proposta de isenção de taxas municipais para todos os projetos de investimento no concelho. No âmbito de um programa de apoio à economia e emprego, procedeu também à alteração do regulamento da zona industrial onde, entre outras medidas, reduziu o preço dos terrenos de forma variável atendendo à capacidade de criação de postos de trabalho (quantos mais postos o projeto criar, mais baixo o preço do metro quadrado), e aprovou ainda uma medida em que a própria autarquia poderá ajudar na criação de pequenas infraestruturas, como muros, vedações e pavimentos, entre outros. “E a própria autarquia poderá construir infraestruturas, como pavilhões, e cede-las, em contrato de comodato, desde que o projeto seja de interesse municipal”, adiantou o autarca, sublinhando que todas estas medidas são sujeitas à aprovação do executivo e da assembleia municipal de Cinfães. Neste pacote de medidas de incentivo ao investimento, a autarquia introduziu uma comparticipação no pagamento de ordenados até seis meses de salário mínimo (máximo de 36 meses), pretende atrair centros de formação para qualificar a mão-de-obra do concelho e realizar parcerias com instituições de ensino superior para, entre outros, dinamizar os recursos endógenos do concelho, nomeadamente na área das carnes e do leite e de que vai resultar a criação da primeira queijaria de Cinfães. “Faltava também pegar nessa questão dos nossos recursos e criar alguma riqueza, como é o caso da carne arouquesa”, explicou, salientando um programa de apoio implementado pela Câmara Municipal para incentivar a criação daquela raça autóctone. Na área da formação, destaca a realização de parcerias com o Instituto do Emprego e da Formação Profissional que vai resultar, entre outros, no arranque de um projeto na área do calçado em setembro, com cerca de 30 participantes. Salientou ainda que a autarquia implementou um gabinete de apoio ao investidor, ao agricultor e ao novo

ENSINO: É preciso requalificar a Escola Profissional

Loja Interativa de Turismo:

ligada em rede com o Turismo do Porto e Norte

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“Concelho tem a cobertura completa. Oliveira do Douro está em fase de conclusão e estará pronto para receber alunos em setembro. No cômputo geral, temos todas as respostas no concelho. Mesmo assim, é uma ambição requalificar a Escola de São Cristóvão, em Valbom e ampliar a Escola Profissional do concelho.”


Cinfães integra o distrito de Viseu mas a sua economia está A vila de Cinfães vai estar em obras por mais alguns meses: toda voltada para os concelhos vizinhos a norte do Douro a requalificação urbana vai melhorar a mobilidade

quadro comunitário que “está preparado para ajudar em todo o processo” assim que a legislação for publicada . Armando Mourisco disse que o pacote de medidas de investimento já atraiu o interesse de vários investidores, nomeadamente a do Grupo Carité, um dos maiores produtores de calçado do país, que anunciou recentemente a abertura de uma fábrica em Cinfães que poderá criar até 40 postos de trabalho. “Temos também uma empresa de calçado local e outra, nova, ambas à procura de colaboradores e contamos com o interesse de investimentos nas mais diversas áreas. Aliás, em menos de seis meses, já vendemos oito lotes na zona industrial. Começa a notar-se um aumento na confiança”, sublinhou. Estima-se que até final de 2015 estejam criados 200 novos postos de trabalho.

Grandes desafios para Cinfães e toda a zona do Douro Verde O rio Douro é a grande porta de entrada para a região mas concelhos como Cinfães ficam “a ver passar os barcos” porque a maioria dos turistas não gastam nem permanecem no concelho, um situação que, de acordo com o presidente do município só pode ser ultrapassado se os concelhos do Douro Verde “unirem esforços”.

APOIO SOCIAL: Boa cobertura de equipamentos no concelho “Felizmente não há muito mais para fazer mas há algumas questões que gostaríamos de ultrapassar. O Centro Social de Oliveira do Douro está concluído mas, infelizmente, não tem acordo com a Segurança Social. É uma questão que já apresentamos ao diretor da SS e até ao primeiro-ministro, quando cá esteve recentemente. O Centro Social de Fornelos só presta apoio domiciliar e tem um edifício que precisa de ser recuperado. Na última reunião de câmara, adjudicamos a construção de uma zona habitacional para 22 famílias, num investimento orçado em 800 mil euros.”

“A primeira aposta que tem que ser feita é no sentido de os concelhos unirem esforços pois, por si só, nenhum deles tem a capacidade para fazer esse trabalho. Em segundo lugar, temos que apostar mais no turismo de desporto, aventura e de natureza onde, felizmente, o nosso trabalho tem mostrado resultados”, afirmou. Exemplificou com a realização da Aldeia do Pai Natal, na freguesia da Gralheira, que atraiu milhares de pessoas a Cinfães, a recente edição da Feira do Fumeiro, realização de provas de trial e de atletismo de montanha no concelho, o Ultra-Trail do Douro e Paiva e revelou ter um plano de salvaguarda do Bestança, “o rio menos poluído da Europa”, que está a ser realizado em parceria com a Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. A autarquia está ainda a desenvolver um trabalho para dinamizar o desporto de rafting no rio Paiva (que atrai cerca de 10 mil praticantes por ano àquela zona) e defendeu que se deveria prestar mais atenção ao auto caravanismo que se pratica um pouco por toda a região. “Estamos a falar, sobretudo, em agrupar os nossos municípios para que possamos promover e valorizar tudo o que nos distingue, nomeadamente as pessoas, os vales e as serras, a nossa gastronomia e criar nova dinâmica que é fundamental para o território”, explicou.

CIM TÂMEGA E SOUSA: É importante chegar a um acordo nos investimentos territoriais integrados “Há um bom grupo de trabalho e acredito que vai haver ali entendimentos. Lembro que aprovamos, por unanimidade, um plano estratégico que contém as linhas mestras daquilo que é a nossa intenção para o território. O que é importante aqui é chegar a um acordo nos investimentos territoriais integrados, na altura em que tivermos acessos aos fundos comunitários. Creio que a nossa CIM se vai entender e produzir projetos interessantes.”

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Ligação direta à A4 “não é exequível porque se sonhou demasiado alto” mas o atual trajeto pode ser melhorado Apesar da pequena vitória sobre Bruxelas na questão de fundos para a realização de alguns projetos rodoviários considerados essenciais para o desenvolvimento da região, em particular a conclusão do IC35/Variante à EN106, que beneficia o sul do concelho, a muito prometida ligação ao Marco de Canaveses que permitiria um acesso direto à autoestrada A4 ficou fora da equação. “A ligação à A4 é uma conversa com mais de 30 anos e fica de fora, primeiro, por falta de vontade política e em segundo, porque nos faltou aqui uma discussão séria sobre aquilo que era exequível. Sonhou-se demasiado alto, em coisas abismais de elevado custo que associados à falta de vontade política fez com que, até hoje, nada fosse feito”, apontou o autarca. Contudo, apesar da ligação direta estar fora de questão, Armando Mourisco defende um plano que pouparia cerca de 20 minutos no atual trajeto até ao Grande Porto, através de uma pequena ligação da variante à N321 (que serve Baião), desde Soalhães até à EN211 em Mesquinhata e a requalificação das estradas M642 (em Paredes de Viadores, Marco de Canaveses), da N108 e da via até à barragem do Carrapatelo, ambas na margem direita do Douro. O projeto, orçado em cerca de 5 milhões de euros, já foi apresentado a várias entidades, nomeadamente à Estradas de Portugal, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e ao Governo. “Se conseguirmos esta melhoria no acesso à A4, o município de Cinfães poderá equacionar, no futuro, uma ligação mais direta da zona industrial (junto da vila) à travessia da barragem de Carrapatelo”, avançou.

A ação social (calculada em cerca de 17% do orçamento municipal) é uma das prioridades do atual executivo liderado por Armando Mourisco que implementou, nos seis meses em funções, uma série de medidas de auxílio às famílias e de incentivo para a fixação da população.

Medidas de apoio social contribuem para a economia Nesse sentido, lançou um programa de apoio ao arrendamento que já abrange 40 famílias e deliberou a oferta de bolsas de estudo para aumentar o número de licenciados no concelho. A Câmara Municipal oferece, de forma gratuita o transporte de alunos até ao 12º ano no âmbito de um projeto de combate ao insucesso escolar e implementou um serviço de apoio a cidadãos com dificuldades de mobilidade. Adicionalmente, para acudir rapidamente a situações de extrema dificuldade, em particular nas áreas da saúde e da alimentação, criou um Fundo de Emergência Social e pôs em marcha um projeto de apoio à natalidade que já atribuiu apoios a perto de uma centena de famílias. O “Nascer em Cinfães” dispõe de um apoio monetário direto de 250 euros e um outro, de 750 euros, realizado como reembolso de despesas feitas no comércio de Cinfães durante o primeiro ano de vida da criança. Faz parte deste plano também um apoio à vacinação, em que a Câmara oferece, de forma gratuita, a vacina Prevenar. Adicionalmente, ao abrigo de um acordo com o IEFP a Câmara lançou um Programa de Estágios Municipal em que o município comparticipa as prestações pagas aos jovens de Cinfães que participarem em estágios profissionais. “É importante notar que os cerca de 400 mil euros que a autarquia vai gastar neste programa de estágios se vai traduzir na injeção na economia local cerca de 3,5 milhões de euros por ano, um claro exemplo de que investir na ação social pode trazer benefícios à economia do concelho”, concluiu o edil. Armando Mourisco tem vasta experiência autárquica – foi presidente da junta de Souselo durante oito anos – e em outubro vai completar um ano à frente da Câmara de Cinfães.

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Espaço DOURO & TÂMEGA

Loja de Turismo e Produtos Locais e Regionais

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ARANTE: Espaço Douro & Tâmega - Casa da Calçada - Av. Gen. Silveira,59 | T. 255 100 025 ÃO: Rua de Camões, 296 | T. 255 542 154 RCO DE CANAVESES: Alameda Dr. Miranda da Rocha, 266 | T. 255 521 004 mais norte


Espaço

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Loja de Turismo e Produtos Locais e Regionais

Amarante / Casa da Calçada Av. Gen. Silveira, 59

Inaugurado no início de Julho, o Espaço Douro & Tâmega, em Amarante, é a melhor loja de promoção dos produtos locais no território DOURO VERDE. Um espaço que a Dolmen pretende que consiga alavancar o turismo no território dos seis municípios – Amarante, Baião, Cinfães, Marco de Canaveses, Penafiel e Resende. A dimensão da loja de Amarante permite, além da comercialização de produtos locais e regionais – Vinhos Verdes e do Douro e Artesanato – a realização de variadas atividades promocionais.

PROVAS DE VINHOS – WORKSHOPS


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CURSO TÉCNICO DE PRODUÇÃO AGRÁRIA Bruno Nogueira encontrou na EPAMAC o curso que o preparou para a vida profissional Bruno Nogueira só tem 29 anos e já realizou o seu sonho profissional. Foi aluno da EPAMAC, a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses, onde aprendeu a manobrar tratores e máquinas agrícolas. Era uma das suas ambições pessoais, que lhe garantissem uma profissão naquilo que tanto gosta – a produção agrícola. Natural de Baião, onde começou a conhecer as lides agrícolas em propriedade familiar, não teve qualquer dúvida em ingressar num curso profissional que lhe moldasse o futuro. Em Felgueiras ou na zona do Dão, as vinhas são a sua vida.

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ESCOLA PROFISSIONAL DE

NOVOS CURSOS Cursos de Especialização Tecnológica (CET) 2014/2015 ANIMAÇÃO DE TURISMO NATUREZA E AVENTURA • CUIDADOS VETERINÁRIOS e ainda o reforço do Curso de

TÉCNICO DE PRODUÇÃO AGRÁRIA Informa-te na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses (EPAMAC) Rua da Igreja 78, 4625-390 Rosém | www.epamac.com/ Telef. 255 534049 Fax. 255 534048 / epamac@gmail.com / FB: epamac.oficial ou

Instituto Politécnico de Bragança | www.ipb.pt

Aluno EPAMAC ‘responde’ por 40 ha de vinha Bruno Miguel Nogueira foi aluno na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses (EPAMAC) e desde 2005 é responsável por todos os trabalhos agrícolas de 40 hectares de vinha na empresa vitivinícola Borges. A maior parte do ano trabalha na Quinta de Simaens, em Felgueiras, onde a empresa tem as quintas de produção de vinho verde. Mas faz também alguns trabalhos de poda em quintas do Dão, vinho que a Borges também produz quer para o mercado nacional quer para a exportação. Nasceu há 29 anos em S. Tomé de Covelas, freguesia de Baião a bordejar o Douro, e há nove que faz parte dos quadros da Borges, um dos mais antigos (comemora este ano 130 anos) e maiores grupos vitivinícolas do país – além de vinhos verdes, a Borges produz vinhos Douro (Porto e DOC), Dão e espumantes. É também ali que a empresa tem o seu centro de vinificação e a linha de engarrafamento de dezenas de marcas conceituadas (http://borgeswines.com). Após concluir o 9º ano, Bruno seguiu o exemplo de amigos e vizinhos que já estudavam na EPAMAC e inscreveu-se no curso de Técnico de Gestão Agrícola. Terminou em 2004, fez alguns estágios e cursos – nomeadamente um de Tratamentos Fitofarmacêuticos e Produção Biológica numa adega cooperativa – até que foi chamado em 2005 para uma entrevista no grupo Borges.

DESTINOS DO MUNDO

Jamaica Esta ilha é única! Terra de bosques e águas, a Jamaica é a terceira maior ilha das Caraíbas que cativa a quem a visita pela sua história, o verde das suas montanhas e a beleza das suas praias. Foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1494 que a descreveu como “a ilha mais bonita que os meus olhos jamais viram”. Ponto de chegada para os visitantes, a capital Kingston é uma cidade vibrante onde sobressai a arquitetura colonial inglesa representada pela mansão Devon House. Outra das atrações é o antigo estúdio onde o mítico músico reggae Bob Marley gravava as suas músicas. Bob Marley é sem dúvida uma das imagens de marca deste país a par do atleta recordista mundial dos 100 metros Usain Bolt. Fora da capital, existem incríveis destinos com longas praias de areias brancas, águas cristalinas, resorts de luxo, como é o caso das zonas de Montego Bay, Negril e Ocho Rios. Em Montego Bay, considerada como

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AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO RURAL DE MARCO DE CANAVESES “Apesar de a principal ocupação ser nas vinhas, faço aqui de tudo um pouco. Aplico aqui os conhecimentos que obtive na Escola”, afirma. Nunca teve intenção de seguir o secundário e sem qualquer hesitação, garante: “ainda bem que segui agricultura porque é uma área que gosto muito e aprendi a gostar ainda mais quando lá estudei [na EPAMAC]”. Do percurso na Escola destaca sobretudo a “componente prática”. “Era o que mais me interessava e o que sei hoje sobre como trabalhar com um trator foi na Escola que aprendi. Hoje em dia posso dizer que faço aquilo que gosto”. O trabalho nas quintas de Felgueiras – uma extensão a perder de vista – é quase todo mecanizado. Como se pode ver nas imagens que fizemos do Bruno no seu local de trabalho, até o simples desfolhamento (desbaste de folhas e ramos de videira para evitar o ensombramento das uvas) é feito com um trator adaptado com braços e lâminas que cortam os ramos em ambos os lados do cordão de vinha. Mas a poda, os tratamentos e a vindima são igualmente mecanizados, ainda que uma equipa apeada faça posteriormente uma revisão de eventuais trabalhos que as máquinas não conseguiram. Com Bruno ao comando das máquinas, trabalha ainda uma equipa de cinco/seis pessoas, quatro delas mulheres, que constituem o grupo de mão de obra para 40 hectares de vinha. Por entre grossos cachos de uvas das castas mais variadas – trajadura, avesso, arinto, alvarinho, loureiro e até verdelho e touriga Bruno adianta que estudar na EPAMAC “foi uma boa experiência”, o relacionamento com todos os professores e colegas “era impecável”, que tem boas recordações dos quatro anos que por lá andou, sem esquecer do tempo que lá trabalhou, tanto nas férias como após o fim do curso. E, também, de quando ia para a quinta de um seu antigo professor engarrafar vinho. E, comum a muitos outros que na EPAMAC se fizeram homens, Bruno não perde uma visita à Escola nas muitas atividades lúdicas que se realizam ao longo do ano. A “ligação umbilical” mantém-se para a vida...

Alunos do 2º ano do curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses. Trabalho Realizado por: Filipe Baião, Manuel Almeida, Ricardo Pereira, Miguel Vieira a “capital turística” da Jamaica, poderá encontrar praias como Walter Fletcher, e atrações naturais como a Lagoa Luminosa. Em Ocho Rios, encontra-se também a casa onde viveu Bob Marley, que pode ser visitada em divertidas visitas guiadas. Outra personalidade que viveu em Ocho Rios foi Ian Fleming, inventor da mundialmente famosa personagem James Bond. Por tudo aquilo que este magnífico país tem para oferecer este é sem dúvida um destino a conhecer melhor.

Algumas informações úteis relacionadas com este destino: Apesar de ser um país das Caraíbas, onde a maioria dos países fala espanhol o seu idioma oficial é o Inglês e tal como na Inglaterra conduz-se pela esquerda. Para os portugueses que queiram viajar para este destino é obrigatório o passaporte como documento de identificação. A diferença horária para Portugal é de - 5 horas. O clima na Jamaica é tropical, existindo temporadas de chuvas de maio a junho e de setembro a outubro. A temperatura média de todo o ano varia entre os 23 e os 30 graus.

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Três empresários de Amarante vão lançar, ainda este verão, uma plataforma interativa de promoção e reservas online com o intuito de fomentar e dinamizar a atividade de dezenas de pequenas empresas da região do Tâmega, Sousa e Douro Sul que se dedicam, acima de tudo, à promoção de eventos ao ar livre. O Living Douro (livingdouro.com) vai funcionar na base de parcerias que a empresa, sediada na incubadora do Instituto Empresarial do Tâmega, já está a realizar um pouco por toda a região e vai permitir, acreditam os seus promotores, “um aumento da capacidade de comercialização e promoção das empresas e produtos da região”, nomeadamente das áreas do turismo rural, desportos de natureza, gastronomia, vinicultura e passeios todo-o-terreno, entre outros. “Este portal justifica-se porque temos notado, recentemente, o advento de muitas novas empresas, e o retomar de algumas mais antigas, que oferecem serviços de grande qualidade mas que pela sua pequena estrutura, têm dificuldades em atrair clientes”, explicou Oriol Juvé, um dos três sócios da empresa e atual diretor do hotel da Casa da Calçada, em Amarante. A ideia surgiu em várias conversas que teve com os outros dois responsáveis pelo projeto, José Manuel Diaz (Restaurante A Eira) e Paulo Amado (Quinta da Pousadela / OFFTRACK), no sentido de dotar a região de uma solução inovadora para promover os seus produtos. Para além da divulgação através de materiais de marketing, nomeadamente com fotografias e vídeos promocionais, as empresas parceiras da Living Douro vão ter acesso a um portal de reservas, o único do seu género em toda a região, onde os potenciais clientes poderão realizar, na hora, a aquisição de diversos serviços. Este portal está projetado de forma a poder funcionar no próprio website da empresa aderente, caso assim o deseje. Em termos de custos, a parceria tem um valor inicial de 299 euros e de uma comissão de 20% em cada venda realizada através do motor de reservas. “Para além das promoções e do motor de reservas, a parceria permite-nos também funcionar como uma forma de consultoria, em várias áreas, às empresas participantes. A título de exemplo, podemos ajudar a determinar uma política de preços, que aliás achamos serem demasiado baixos em alguns casos”, disse aquele sócio da empresa. Oriol Juvé salientou, aliás, que o motor de reservas oferece funcionalidades que vão para além da mera reserva e aquisição de serviços, permitindo o acesso a várias ferramentas que os parceiros podem utilizar para “profissionalizar” e gerir a sua atividade. Os promotores deste projeto acreditam ainda que o portal permitirá diversificar a oferta e servir como “potenciador” da

imaginação dos seus parceiros comerciais para idealizar novos produtos e serviços. “Atividades não nos faltam, nem mesmo as ideias inovadoras. O que falta é uma capacidade de implementação e acho que é aqui que podemos ajudar”, disse ainda o sócio da empresa. Para além da vertente estritamente empresarial, a Living Douro vai também coordenar com instituições públicas, nomeadamente autarquias, a promoção do território através de visitas guiadas com operadores turísticos e jornalistas.

Douro: chave para competir nos mercados de turismo internacionais

Empreendedorismo | Empresas

Empresários de Amarante lançam portal para dinamizar oferta turística da região do Tâmega e Douro

José Manuel Diaz, outro dos sócios, revelou que a Living Douro já realizou uma série de parcerias com várias empresas e microempresas de Amarante (e atraiu o interesse de mais de duas dezenas delas) mas sublinhou que a sua atividade não se vai restringir àquela região, referindo aliás, que o próprio nome assim o reflete. O rio Douro vai ser outro palco de atividade para esta empresa que garante já ter negociado com proprietários de duas embarcações o lançamento, para breve, de um serviço de passeios turísticos ao longo de um percurso que inclui os concelhos de Baião, Marco de Canaveses, Cinfães, Resende e Régua, entre outros. “Um dos serviços que vamos promover é um passeio de jipe desde Amarante até ao rio Douro, onde poderemos disponibilizar aos clientes um veleiro ou um iate que depois irá fazer um percurso de três horas entre Cinfães e a Régua, servindo a bordo produtos tradicionais e com a opção de jantar”, explicou. Dentro do mesmo projeto, o sócio da Living Douro prevê ainda a realização de percursos inseridos na Rota do Românico, atualmente um dos parceiros da empresa, e de um jantar queirosiano, uma vez por semana, em Baião. “Essencialmente, vamos pôr em prática o que se fala muitas vezes, de trabalho em rede”, adiantou Oriol Juvé, sublinhando que a concorrência não são os outros operadores regionais ou nacionais mas sim os estrangeiros. “É uma área muito competitiva em termos internacionais e temos que ser agressivos comercialmente porque sem um bom trabalho de mercado, nunca vamos poder atrair novos clientes”, concluiu. PAULO ALEXANDRE TEIXEIRA

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Turismo Norte | Economia Regional

VINHOS e VITICULTORES

Governo aprovou mudança de Estatutos para direito privado

Casa do Douro: ainda faz sentido? Quem passa pela Rua dos Camilos, no Peso da Régua, não deixa de ver o enorme edifício da Casa do Douro. Uma casa com 82 anos, e que ao longo dos últimos tempos, tem sido protagonista de muitos episódios. O último aconteceu neste mês de julho: o Parlamento aprovou uma proposta de lei do Governo que altera o estatuto da Casa do Douro de associação de direito público e inscrição obrigatória para associação de direito privado e de inscrição voluntária. À proposta, os viticultores reagiram. Reunidos em torno da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro - AVIDOURO - saíram à rua por diversas vezes. Ora com carros e carrinhas em marcha lenta pelas ruas da Régua em audível descontentamento, ora com palavras de ordem saídas de altifalantes em palcos improvisados, ou ainda, de rostos sérios e fechados com velas trémulas a acompanhar, em vigílias de protesto, em frente à instituição do descontentamento. EDUARDA FREITAS eduarda.freitas@maisnorte.pt O certo é que independentemente dos protestos, o Parlamento aprovou a alteração de estatutos, mas nem por isso, os viticultores pretendem desistir. Berta Santos, presidente da AVIDOURO é a voz da contestação: “Nós consideramos que esta é uma lei-roubo, que pretende liquidar a Casa do Douro, privatiza-la, e entrega-la ao grande comércio do

“ Avidouro quer

recolher assinaturas suficientes para que a AR discuta de novo a lei /AGO 2014

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setor. Por isso nós não vamos desistir. Vamos continuar a lutar para que esta instituição continue a ser da produção”. Como? “Para já lançamos uma petição e pretendemos recolher mais de 4 mil assinaturas para conseguirmos fazer chegar essa petição à Assembleia da República e voltarmos a discutir a lei”, diz Berta Santos. Berta Santos, presidente da AVIDOURO, tem sido a voz da contestação duriense


Até 31 de dezembro de 2014 os atuais estatutos da Casa do Douro, de associação pública de inscrição obrigatória, ainda estão em vigor. Deverão ser alterados após essa data. “Nessa altura, a Casa do Douro será extinta e vai a concurso… vai andar em leilão. A associação que ganhar, ou associações, até poderão usar o nome da Casa do Douro”. As palavras, desanimadas e revoltadas, são de Manuel António dos Santos, atual presidente da Casa do Douro.

Dois em um: dívidas e alteração de estatutos No plano desenvolvido pelo Governo e aprovado pelo Parlamento, faz parte a alteração de estatutos, mas também o saneamento financeiro da instituição duriense. Pelas contas do governo, a Casa do Douro tem uma dívida de cerca de 160 milhões de euros ao Estado. Pela matemática da Casa do Douro, são 150 milhões. Para o governo, a solução passa por um acordo de dação em cumprimento, ou seja, passa pela entrega de vinho da Casa do Douro ao Estado, para pagar a dívida. Nos armazéns da Casa do Douro repousam cerca de nove milhões de litros de vinho, alguns de 1934, mas grande parte já está penhorada ao Estado. As várias forças da região, são unânimes em considerar que é necessária uma Casa do Douro sem dívidas. “É necessário que se resolva o problema da Casa do Douro, visto que há cerca de 20 anos que a Casa do Douro não consegue cumprir as obrigações que tem com os viticultores, porque está sempre absorvida em dívidas e tem sido mais um problema do que propriamente uma instituição de defesa dos viticultores”, lamenta Francisco Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lamego e também da Comunidade Intermunicipal do Douro – CIM DOURO.

Privada ou de utilidade pública? Mas é a alteração dos estatutos da instituição, que mais celeuma está a causar na região: “Esta alteração dos estatutos é negativa, porque achamos que vai ser um desastre para a Região Demarcada do Douro. Teríamos outra posição se o governo admitisse que os atuais órgãos da Casa do Douro pudessem trabalhar a dação em cumprimento e pudéssemos apresentar uma proposta de alteração dos estatutos, evitando assim os concursos. Isto é, a Casa do Douro continuaria, não haveria distribuição patrimonial e isso seria mais correto. O governo manifesta-se renitente a uma solução negociada e enfim… vai contra o sentimento profundo da região, que pretende que a Casa do Douro continue como associação pública”, lamenta Manuel António dos Santos. A nova lei diz que a associação de direito privado que suceder à Casa do Douro vai ser de inscrição voluntária, ou

Fotos de Patrícia Posse

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seja, os vitivinicultores não são obrigados a estar inscritos, como acontece até agora com a Casa do Douro. Prevê ainda que a Associação deva representar os vitivinicultores da Região Demarcada do Douro e deve prestar apoio e serviços e ter estatutos que lhe permitam atuar na totalidade da região. “Sabe? A Casa do Douro do futuro vai ser uma associação como tantas outras que já existem…”, diz Manuel António dos Santos. Já a CIM Douro, na voz do presidente Francisco Lopes, defende que “a casa do Douro tenha estatutos públicos, pois a instituição está tão debilitada pela perda de funções nos últimos anos, que se surgirem outras associações, temo que os viticultores se dispersem. Precisamos de uma instituição forte e coesa, que represente em força os viticultores”. E, mesmo passando a ser uma instituição privada, que seja considerada, pelo menos, de utilidade publica.

Um lugar para a Casa do Douro “Se há lugar para a Casa do Douro? Claro que sim!”, defende Berta Santos. “A Casa do Douro foi criada para ajudar a regular o mercado, a produção e o comércio. Hoje, mais do que nunca, a Casa do Douro faz sentido, até porque nos últimos anos a quebra de produção dos pequenos viticultores é na ordem dos 60 por cento. Precisamos de quem nos defenda”. Elisabete Carlos, natural de Marmelal, Armamar, é uma dessas pequenas viticultoras para quem os últimos anos têm sido muito complicados. “Querem roubar o património que é dos viticultores, que foi Nos últimos anos, centenas de viticultores durienses, sobretudo os associados da AVIDOURO, têm feito inúmeras manifestações na Régua, junto das sedes do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) e da Casa do Douro (CD)

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construído pelos nossos antepassados. Todos os viticultores deviam juntar-se em defesa da região”, diz. Outro viticultor, José Paiva, também de Armamar, teme que “com o evoluir do tempo, a situação vá piorando ainda mais”. Para este pequeno viticultor, “a degradação da região é total, os preços não são competitivos e a lavoura está de rastos”. O presidente da CIM Douro, Francisco Lopes, ressalva que “devia ser a Casa do Douro a preocuparse com os viticultores e não os viticultores a preocuparem-se com a Casa do Douro…”. Também os representantes das adegas da região duriense estão preocupados com a situação da Casa do Douro. Para o presidente da UNIDOURO, União das Adegas do Douro, Ilídio Santos “é preciso resolver a situação e o governo teve coragem de apresentar uma proposta para tentar resolver este assunto. Até aí, tudo bem. Mas então que o modelo a implementar sirva o Douro”. E aponta duas hipóteses, uma delas que fiquem na região pelo menos 50 por cento do valor que os viticultores venham a pagar em taxas à nova Casa do Douro, ou então, que haja eleições para a Casa do Douro e que veja se a situação se resolve. Já Pedro Pires, presidente da Adega Cooperativa de Mesão Frio não tem dúvidas: “a Casa do Douro como está, não tem viabilidade…”. Por isso, defende que “é preciso unir esforços para que a Casa do Douro se mantenha, como instituição forte e abrangente. Mas isso só vai acontecer se se reunirem esforços. Caso contrário, a Casa do Douro desaparece. E sem Casa do Douro, vão surgir interesses antagónicos, porque esta é uma região muito heterogénea onde cada um defende a sua capela…”. “A Casa do Douro tem que recomeçar, mas sem dívidas…quase como uma nova Casa do Douro”, remata.


Os decanos da feira de Penafiel MÓNICA FERREIRA

monica.ferreira@maisnorte.pt

Faz 35 anos que a Agrival, a maior feira agrícola do norte do país abriu portas. Volvidas três décadas e meia, a feira mantém não só a sua matriz agrícola, mas também a de mostrar o que de melhor se faz na terra, quer ao nível empresarial, artesanal e cultural. Prova disso são os expositores que, ano após ano, marcam presença no evento, mostrando os seus produtos, mas também as dezenas de espetáculos de música ou folclore que vão acontecendo entre os dois palcos existentes na feira.

De 22 a 31 de agosto, o Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel vai ser palco da 35ª edição da Agrival, Feira Agrícola do Vale do Sousa, um dos maiores certames da região Norte dedicado à agricultura. Ao longo de 10 dias, os milhares de visitantes que são esperados no evento, terão a possibilidade de tomar contacto com as tradições e culturas da região do Vale do Sousa num espaço que reúne ainda uma vasta gama de ofertas empresarias e que conta também com a presença de produtores agrícolas e artesãos da região. O setor primário é o que dá nome à feira e durante a realização da mesma, são várias as iniciativas a este dedicadas, entre as quais a Feira da Cebola, que decorre no dia de S. Bartolomeu, ou os concursos de Melão Casca de Carvalho e da broa. Apresentando-se como uma montra privilegiada para os empresários e produtores, a Agrival conta anualmente com a presença de cerca de três centenas de expositores e é já uma feira com uma longa tradição em Penafiel e na região, mexendo com a economia, mostrando as potencialidades da região e revelando-se de extrema importância para as micro e pequenas empresas que aqui vêm expor os seus produtos. Por todos estes fatores, muitos são os expositores que marcam presença no evento, ano após ano, alguns dos quais desde a sua primeira edição, uns mais satisfeitos do que outros com os resultados obtidos na feira, mas todos com o propósito de dizer presente num dos maiores eventos que acontecem na cidade de Penafiel.

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Norte | Economia Regional

A artesã Maria Borges acompanha a feira há mais de duas décadas e apesar de considerar que já se vendeu mais, reconhece que é o melhor local para fazer contactos e promover as vendas do resto do ano

Cooperativa Agrícola de Penafiel está na feira desde o primeiro momento A Cooperativa Agrícola de Penafiel é um desses expositores que participa no certame desde a sua primeira edição, tendo sido inclusive, um dos envolvidos na sua criação. “Estamos lá desde o primeiro momento”, referiu Manuel Neves da Silva, presidente da direção da Cooperativa Agrícola de Penafiel, acrescentando que este interesse da Cooperativa em se associar ao evento tem a ver com o facto deste ser “o maior evento dedicado à agricultura da região”, que para além de ajudar na divulgação dos produtores e dos produtos, ajuda também a outros níveis, nomeadamente o informativo, através da realização de colóquios ou de palestras. “Além dos produtores poderem mostrar os seus produtos, podem também tomar contacto com as novidades do setor, ou as ajudas que estão disponíveis, nomeadamente ao nível dos apoios comunitários”, declarou. Para este responsável, este evento torna-se também importante para os jovens que querem dar os primeiros passos no setor primário, pela quantidade de informação

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que disponibiliza nas palestras e colóquios e das experiências e conhecimento. “A Feira de S. Bartolomeu é uma verdadeira referência para os produtores jovens, mas também para os mais velhos”, frisou, destacando ainda o convívio entre produtores que esta permite. “Há uma partilha muito grande entre os produtores. Uma troca de experiências, de conhecimento, que não se consegue em nenhum outro evento agrícola aqui na região”, rematou.

Maria Borges vende artesanato, uma vertente importante na feira Outra das vertentes marcantes da Agrival é o artesanato. Artesãos de Penafiel e da região do Vale do Sousa aproveitam esta oportunidade para mostrarem os seus produtos e procurarem fazer negócio. Maria Borges tem 70 anos é uma das artesãs que marca presença no certame. Esta penafidelense das Termas de S. Vicente está na feira há 22 anos a mostrar os trabalhos de linho e tiras que faz. Desde tapetes e toalhas, passando por cobertas e panos de cozinha ou de quarto, Maria


O proprietário da Casa Jericó – na imagem, à conversa com Adolfo Amílcar, vereador responsável pela organização –, marcou presença nas 35 edições da Agrival

Borges tem uma vasta gama de produtos e já ganhou fama na arte que realiza desde os 12 anos. “Há pessoas que vêm à feira e que me procuram todos os anos para comprar as minhas coisas”, afirmou, orgulhosa dos seus trabalhos e destacando a possibilidade que o evento lhe dá para mostrar os seus produtos e realizar negócios após a feira, já que “agora não se vende tanto como antigamente e, financeiramente, já não compensa tanto”, mas “dá para fazer contactos e depois as pessoas procuram-me na minha casa, para me fazerem encomendas durante o resto do ano”. Além das oportunidades de negócio que a feira lhe traz, Maria Borges continua a fazer questão de expor na Agrival também por uma vertente de convívio. “Fazemos amigos na feira e alguns só encontramos uma vez por ano, nessa altura. A Agrival é uma oportunidade de convívio e de aprendermos uns com os outros”, rematou.

Casa Jericó mantém-se no certame desde o primeiro dia por “ser um evento da terra” Adão Borges é dono da Casa Jericó, empresa da freguesia penafidelense de Castelões, que se dedica à venda de

máquinas agrícolas e que marca presença na Agrival desde o seu primeiro ano, mas confessa que agora não é como antigamente e que, financeiramente, o evento já não compensa para a sua empresa. “Mantenho-me no evento porque sou de Penafiel e somos nós, os da terra, que temos que estar presentes”. Para este responsável, foi a matriz agrícola da feira, diretamente ligada à sua área de atividade que o fez participar na primeira edição do certame. Contudo, afirma que ao longo dos anos essa matriz se foi perdendo quando a feira começou a incorporar outras áreas de negócio, mas que foi retomada nos últimos anos. Segundo Adão Borges, também a importância que deram no início às empresas da sua área foi-se perdendo. “Prejudicaram-nos muito quando nos mudaram de lugar para colocar no nosso sítio os automóveis”, reclamou, acrescentando que agora estão numa zona de pouca passagem e junto dos animais “onde o cheiro não é nada agradável e afasta as pessoas”. Apesar da insatisfação, o proprietário da Casa Jericó mantém-se na feira e este ano faz a sua 35ª participação no evento. “É uma feira bem vista, reconhecida por expor muito e numa época muito boa, no verão, uma altura em que andam muitos emigrantes por Penafiel e pela região”, rematou.

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Cultura | Projetos Musicais

Desafiadas a gravar Piazzolla por discográfica italiana

As 3 Marias dão vida a um tango “Bipolar” à moda do Porto LILIANA LEANDRO liliana.leandro@maisnorte.pt

As 3 Marias não são marias, aliás apenas uma o é, a guitarrista e cantora Cristina, de segundo nome Maria. Sinónimo de “mulher soberba”, este é um nome “muito português” que fica no ouvido de quem escuta e descobre um tango à moda do Porto, com um cheirinho a fado, e apontamentos eletrónicos, deste grupo cúmplice de três mulheres, nascido em 2008 e que no ano passado lançou o seu segundo álbum: “Bipolar”. Mas esta é uma “bipolaridade saudável” que transmite as suas vivências e crescimento e que assim apresenta 10 temas inéditos, incluindo uma interpretação de “Libertango” do argentino Astor Piazzolla, a grande paixão que um dia as juntou. Foi na Garagem do Barão, ali pertinho da Boavista, no Porto, que as Marias se juntaram à conversa com o “Mais Norte”. Fátima Santos, a acordeonista, Cristina Bacelar, a voz e guitarrista e Ianina Khmelik, a violinista, contaram como se juntaram, o que as move, o que as faz rir, como se inspiram, entre risos e frases “herméticas”, entre o que cantam e o que criam, tudo regado da cumplicidade típica entre mulheres e marias. “O mais importante num grupo são as pessoas. Se não há conexão, não há receita mágica para conseguir uma música algo especial. Encontramonos as três. Essa é a base”, contou Ianina, a russa agora portuguesa que ao violino toca o que um dia foi apelidado de “novo tango da Invicta”. Este não é o tango argentino genuíno, nem é essa a pretensão, querem sim “contextualizar o tango na cultura portuguesa” incluindo o “espírito do fado”, explicou Fátima, a acordeonista que também estuda belas-artes. Nasceu assim o tango-fusão das Marias, este tango à moda do Porto, inspirado na vida das três e de cada uma, com Cristina como responsável pelo desenvolvimento das letras que até podem surgir de uma ideia, de uma troca de olhares ou de

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um improviso durante um ensaio. E porque “uma composição musical é sempre uma história”, a da “Maryjoana” – o primeiro single do mais recente álbum – conta a vida de “uma personagem típica do Norte”, ali da zona das Fontaínhas “que é o coração do Porto”, e “é uma homenagem das Marias às esteticistas deste país”. A letra faz cantarolar e não sai facilmente do ouvido, nem a coreografia que se pode ver, e imitar, do videoclip onde “Mary Joana, na sua marquise, arrancava o pelo e fazia a mise”. Vídeo que conta com a própria Fátima no papel da esteticista apaixonada pelo Nando do Fado, apesar de namorar o Tono, interpretado por Alberto Pereira dos “Cabaret Fortuna”. Porque as Marias são assim, juntam o humor à introspeção e à já elogiada interpretação de “Libertango” de Piazzolla. A paixão pelo compositor argentino foi um dia o “ponto de partida” do trio que não só foi felicitado pela família de Piazzolla pela interpretação, mas também já recebeu um convite da discográfica italiana Curci Edizione, detentora dos direitos de autor, para gravar um álbum só com temas daquele que dizem ser “um dos maiores músicos do século XX”. “Para nós é uma responsabilidade pegar nos


temas do Piazzolla, mas é simultaneamente um desafio para o qual nos sentimos preparadas para aceitar, desenvolver e reconstruir”, garantiu Cristina. E depois de Piazzolla, veio Simone de Oliveira, esse “ícone da cultura portuguesa” e “primeiro grito da mulher em Portugal” que um dia as três desafiaram para cantar um tema “e ela aceitou”. No palco do Casino da Figueira foram, em maio, as Marias e a Mulher a partilhar e interpretar uma nova versão de “No teu poema” de Ary dos Santos e o “Tango Maria” do grupo. De Simone ouviram: “os meus sinceros parabéns e homenagens” e a esperança de que “este país perceba que estão aqui três músicos extraordinários”.

O “Bipolar” “Maryjoana” e “Tango Maria” fazem parte do segundo álbum do trio – o “Bipolar” – apresentado ao público no final de 2013, quatro anos após o “Quase a Primeira Vez”. Foram quatro anos de crescimento, caminhada, encontro, maturidade, mais vivências e histórias juntas e que, para Ianina, “saíram agora nas pautas, nas novas notas musicais”. No final – e porque voltam sempre “na hora e no dia” – as pessoas são as mesmas, mas o espaço e o tempo entre os dois discos “era fundamental” para o processo criativo, o crescimento musical e a metamorfose das estrelas-marias em constelação. “Este disco é uma súmula desta relação de amizade que nós fomos estruturando. Este ‘Bipolar’ é um resumo

de muita coisa que vivenciamos, quer individualmente quer em conjunto”, assinalou Cristina. Do público, e no final de cada concerto, ouvem que a sua música “é uma viagem de sensações”, que dá para chorar e rir e que surpreende a cada tema interpretado. Até ao momento garantem já ter conquistado “uma determinada franja do público” que lhes interessa, ainda que haja “muito para explorar” e que o seu objetivo seja mostrar o seu trabalho “ao maior número de pessoas possível”. Não apenas em Portugal, mas também no resto do mundo, porque As 3 Marias têm esse potencial “de se poderem internacionalizar” e a finalidade, o que falta conquistar, é “disparar as Marias lá para fora” e mostrar a sua cultura, misturada e fundida à moda do Porto, e “sempre com um cunho português”. Do ‘Bipolar’ dizem que “ainda tem muito para andar” e que é preciso “dar oportunidade às pessoas de ouvir e explorar o álbum”. Mas estão já a pensar no próximo, com “algumas coisas alinhavadas”, e ainda a preparar o trabalho sobre Piazzolla, uma das grandes conquistas do grupo. Mas para lá das conquistas, preferem falar numa viagem, numa “vontade de melhorar e ver o resultado final”. “A conquista está dentro de nós”, está dentro das marias, está no encontro das três, nessa “bipolaridade saudável” de sentimentos e partilhas, nessa “vida incerta” de tangos-maria dentro de um disco. Até porque, e como dizem no tema “Corpete Vermelho”: “afinal aconteceu, fica a história, tu e eu”, ficaram As 3 Marias.

AS 3 MARIAS Ianina Kmelik (09.03.83): violino Cristina Bacelar (17.10.64): voz e guitarra Fátima Santos (23.02.83): acordeão Facebook (na pesquisa): “As 3 Marias” Stream: https://soundcloud.com/as-3-marias Ao vivo: 09 de agosto, na Feira de Artesanato do Estoril

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Vinhos | Economia Regional

Vie nprovas hos Um verão bons

ALFAIATE BRANCO 2013 | O lote resulta da combinação das castas Sercial, Galego Dourado, Arinto e Antão Vaz, as duas primeiras de vinhas próprias em Portocarro, as duas seguintes provenientes do Alentejo, dos altos das serras alentejanas. 
 Arinto e Antão Vaz são vindimadas muito cedo, quando garantem uma acidez vibrante e um grau alcoólico ainda minimalista, fazendo companhia ao difícil Sercial, com uma acidez inflexível. De seguida entra o Galego Dourado,

PÓ DE POEIRA Branco 2013

PEDRA ESCRITA VIOGNIER 2013

Alvarinho talvez a casta mais nobre da Região dos Vinhos Verdes e uma das melhores castas brancas portuguesas, tem vindo a mostrar as suas capacidades de adaptação a solos diversificados, mas mostrando sempre a sua elevada potencialidade. Aqui, num lote de Alvarinho e Gouveio, fermentados em casco de carvalho francês, mostra toda a sua frescura e acidez, num exemplo máximo da diversidade e do que numa região com tanta tradição é possível de produzir e surpreender. PVP 13,50 €

A Quinta da Pedra Escrita fica localizada em Freixo de Numão a uma altitude de 575 metros. Este vinho tem a capacidade de expressar a frescura de um vinho, produzido numa das regiões mais quentes e secas do Douro Superior. Os seus solos graníticos, pobres mas com altitude e as noites muito frescas trazem ao vinho aroma mineral intenso e fresco. Na boca toda a mesma expressão de frescura e mineralidade com notas muitas discretas de barricas de carvalho francês. Numa produção muito limitada de cerca de 2.000 garrafas. PVP 11,50 €

Reg. Duriense | Jorge Moreira

Tlf. 220999684

info@garagewines.pt facebook.com/garagewines.pt www.garagewines.pt

MATOSINHOS

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Reg. Duriense | Rui Madeira


Textos e Provas:

Ivone Ribeiro

recheado de vinhos!

Um vinho feito à medida uma casta branca nacional quase perdida e desprezada por todos.

 Um vinho portento de austeridade, dureza, secura, extrato seco e frescura, aqui vos apresento! 
Um vinho com perfil intemporal, sério e profundo que dá vontade de beber. Em 2013, foram produzidas 5.000 garrafas. PVP 13,95

Herdade de Portocarro, onde é produzido o vinho Alfaiate

PROVA RÉGIA Premium Br. 2013

ALVARINHO SANTIAGO 2012

PALA DE LEBRE Branco 2013

Nascido numa das mais emblemáticas quintas da região de Lisboa – Quinta da Romeira, o Prova Régia Premium nasce de uma seleção de uvas da casta Arinto, onde a frescura do atlântico e os solos calcários definem o seu caracter.
Nariz de notas verdes (limão) e algum fruto tropical, mas fresco. Na boca é um vinho com boa estrutura, alguma gordura e uma acidez muito bem integrada. Um Arinto de referência, cheio de personalidade. Deve beber-se entre 10ºC a 12ºC e será sempre um excelente parceiro para peixes mais ricos, mariscos e ostras.

Quinta de Santiago Alvarinho, uma grande surpresa em 2014! De aroma elegante, complexo este belíssimo alvarinho mostra notas tropicais, cítricas, num caracter bem mais mineral do que é regular encontrar nos Alvarinhos Portugueses.
 Na boca mostra-se equilibrado, encorpado e persistente, deixando na boca uma frescura e mineralidade muito vibrantes. Deve beber-se entre 10ºC a 12ºC e acompanha peixes, sushi, queijos e carnes brancas (em especial de aves).

Pala da Lebre é um vinho produzido na Quinta da Penalva (Pinhal do Norte) a uma altitude de 450 metros, num lote de Gouveio, Rabigato e Malvasia Fina, e é mais uma novidade da nossa nobre Região do Douro, De cor citrina brilhante, apresenta aromas jovens de fruta fresca e alguma mineralidade. Na boca é seco, com uma acidez equilibrada, com bom volume de boca e um final com muito boa persistência. Deve beber-se entre 10ºC a 12ºC e acompanha peixes, carnes brancas e alguns queijos menos curados.

PVP: 5,35 €

PVP: 9,85 €

PVP: 7,95 €

Quinta da Romeira Bucelas / Região de Lisboa

Pontuação:

Quinta de Santiago Sub-Região de Monção

Pontuação:

Quinta de Penalva / Sabrosa DOC Douro

Pontuação:

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Gastronomia | Economia Regional

Carne Maronesa

TOP mesa Considerada uma das mais suculentas carnes na gastronomia nortenha – quer seja de vaca ou vitelo –, a carne Maronesa é proveniente de uma raça autóctene criada nas zonas montanhosas das serras do Alvão e Marão e por isso mesmo protegida pela legislação nacional e comunitária – possui DOP (Denominação de Origem Protegida) desde julho de 1996. A raça tem um livro genealógico e uma associação de criadores do maronês, com sede em Vila Real, que controla os pontos de venda, alguns talhos mas sobretudo restaurantes. Na forma mais comum, é apresentada grelhada e acompanhada de batata a murro e grelos.

Principais localidades onde pode encontrar a iguaria servida à lista nos restaurantes: | Vila Real | Mondim de Basto | Chaves | Cabeceiras de Basto | Amarante | Valpaços | Ribeira de Pena | Vila Pouca de Aguiar |

Restaurante A EIRA T. 255 095 490 - Amarante

(Abre ao jantar apenas ao fim de semana ou por marcação para grupos)

O restaurante A Eira, em Amarante, é um dos restaurantes certificados para servir a carne maronesa. Diva Costa, a Chef do restaurante, explica como apresenta aos clientes a carne produzida nos vales e pastagens do Marão. “O tratamento é o mais simples. A carne nem precisa de temperos, é grelhada apenas com sal, posto na hora”, confidencia. A Eira apresenta geralmente a carne maronesa como “grelhado misto”, que tem costela mendinha, o naco de carne que pode ser do pojadouro ou do chão de fora e uns bifinhos da rabadinha. “Queremos sempre que o cliente possa provar três partes da peça. As texturas são diferentes, apesar de serem todas muito tenras”, afirma a Chef. O acompanhamento é feito com batata grelhada e grelos salteados em alho e azeite. Diva Costa, que trabalha exclusivamente com a maronesa há dois anos, lembra, no entanto, que também serve a carne com variantes: pode ser só a costeleta maronesa, só o naco de vitela ou só a posta, que geralmente é do lombo ou do pojadouro. Tudo grelhado apenas com sal e acompanhado de batata a murro e grelos. O empratamento é que varia: no naco, a carne é golpeada e apresentada com alecrim e um molho próprio para as carnes grelhadas, feito com azeite virgem, sal, alho, louro e pimentão. Já a posta leva pimenta preta moída, alho picado e azeite virgem. “A verdadeira receita da maronesa é a qualidade da carne”, palavra de Chef.

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José Manuel Diaz e Diva Costa, proprietários do restaurante A Eira, em Amarante. As alternativas à carne são o bacalhau com broa e ainda a paelha. Como entrada, prove o salpicão galego... de peixe!


– parque verde e uma piscina de Siza

Imagens: CMM

A Quinta da Conceição, em Leça da Palmeira, Matosinhos, é um dos mais conhecidos parques públicos do Grande Porto. Na sua origem foi Convento de Nossa Senhora da Conceição da Ordem de São Francisco, que lá chegou em 1481. Como recordações dessa época, existem o antigo claustro, alguns chafarizes, um portal do antigo convento e a capela de São Francisco. A peça mais emblemática é o magnífico portal de estilo manuelino que pertenceu à igreja do convento. A Quinta foi alvo de profunda requalificação na década de 60, melhoramentos coordenados por Fernando Távora. O espaço integra ainda a Piscina da Quinta da Conceição, uma obra do Arq. Álvaro

Ar Livre | Lazer

Quinta da Conceição em Matosinhos

TOP verde Leça da Palmeira | Funcionamento: Diário, 09:00-19:00 Siza Vieira, inaugurada em 1965. A Quinta da Conceição – principal parque público municipal de Matosinhos – “é um dos espaços de lazer mais agradáveis do concelho, um pulmão verde paredes meias com a cidade, repleto de tradição, de património e de recantos idílicos”, como sublinha a informação municipal. A Câmara de Matosinhos procedeu, em 2009, a uma profunda remodelação do espaço, criando novos equipamentos. A intervenção incidiu também sobre a conservação das esculturas e fontes da Quinta e incluiu trabalhos de restauro na capela de S. Francisco, que está localizada junto ao campo de ténis. Por seu turno, a piscina foi também alvo de obras de manutenção e recuperação, sendo agora um notável espaço de lazer. O acesso à piscina é pago. Os ingressos para adultos e de um dia custam 6,00 euros ao fim de semana e 5,00 nos restantes dias, mas há bilhetes de meio dia e de criança. Os utentes com cartão Matosinhos Sport têm desconto. Tarifário disponível em http://www.matosinhosport.com

PARQUE BIOLÓGICO DE GAIA: Na edição anterior da Mais Norte foram indicados preços errados dos ingressos que constavam de uma tabela antiga num PDF alojado no site do parque. Os tarifários corretos devem ser sempre consultados na entrada do parque ou em: http://www.parquebiologico.pt

mais norte


Agenda | Economia Regional

35 Anos de Agrival em Penafiel Além de maior feira agrícola do Norte e uma das mais importantes do país, a Agrival chega agora às 35 edições ininterruptas. A 35ª Agrival vai desenvolver-se entre 22 e 31 de agosto, no Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel. “Durante 10 dias, a região do Vale do Sousa está em destaque, dedicando um dia a cada Concelho, fazendo deste certame uma grande montra do melhor que a região tem para oferecer a quem a visita”, resume a organização do certame na sua informação institucional. A feira de Penafiel ocupa uma área de 25 000 m² e ano após ano tem batido recordes de afluência de visitantes, parte deles atraído pelo cartaz de espetáculos e de artistas nacionais. No ano passado, segundo a organização, recebeu 140 mil visitantes. O certame – com mais de duas centenas de expositores – é ainda um espaço anual para diversos setores económicos – produção agrícola, gastronomia, maquinarias, gado, artesanato, moda, serviços e novas tecnologias. Abrunhosa, Gonzo & outros A Agrival dedica espaço à cultura e ao entretenimento “para todas as idades e gostos” com dezenas de espetáculos. O cabeça de cartaz da edição 2014 é Pedro Abrunhosa, mas há outros nomes importantes: Os Azeitonas (dia 23), o Espectáculo Somos Portugal, da TVI (24), Quim Barreiros (25), Zé Amaro (26), Richie Campbell (27), Quim Roscas e Zeca Estacionâncio (28), Paulo Gonzo (29) e Pedro Abrunhosa (30).

ALFÂNDEGA DO PORTO, de 04 a 07 de setembro

À semelhança da festa do Vinho do Porto, que decorreu em julho no cais de Gaia, no início de setembro, na outra margem (Porto), acontecerá a festa do Vinho Verde. Um evento há anos reclamado pelo setor... O custo do acesso ao recinto é idêntico (7,50 €) e dá direito a 1 copo do evento, 8 senhas para provas, 1 senha para sessão de provas e 1 senha para assistir a showcooking (acessos limitados à lotação do espaço). Há grandes marcas já inscritas e muitos alvarinhos para provar. | Organização da CVRVV e OFFE.

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TO P eventos

Informação atualizada em: maisnorte.pt

FEIRA DO LIVRO, Porto

Romaria Sª da Agonia, Viana do Castelo

A Feira do Livro do Porto decorre de 05 a 21 de setembro, nos jardins do Palácio de Cristal. Organizado apenas pela Câmara Municipal do Porto, abre espaço à participação de editores, livreiros, livrarias, alfarrabistas e associações do setor. Serão mais de 100 pavilhões. O cartaz inclui programação cultural.

FEIRAS NOVAS, Ponte de Lima Celebradas desde 1826, as Feiras Novas em Ponte de Lima, entre 10 e 15 de setembro, oferecem dias repletos de alegria, música e ritmo. O cartaz integra grupos de folclore, espetáculos de fogo de artifício, cortejos etnográfico e histórico, bandas de música, tunas, grupos de bombos, procissão em Honra da Sª das Dores e três dias de feiras francas. Novidade deste ano: uma aplicação para telemóvel com programa e parques de estacionamento disponíveis.

As Festas da Agonia, em Viana do Castelo, realizam-se de 20 a 24 de agosto. Ponto alto do certame: a Romaria de Nossa Senhora da Agonia. A animação musical tem ranchos folclóricos, concertinas e concertos musicais; Programa comporta ainda: cortejos etnográficos; fogo de artifício; o tradicional desfile da mordomia (dia 22, pelas 10:00). Um Festival Náutico no Estuário do Rio Lima (dia 21, pelas 16:00), a mostra e venda de artesanato e produtos locais. São esperados milhares de visitantes nas ruas floridas de Viana do Castelo.

Romaria Sª dos Remédios, Lamego

Bienal da Pedra, Marco de Canaveses A IV Bienal da Pedra do Marco de Canaveses vai realizar-se entre 03 e 05 de outubro, em Alpendurada, com o objetivo de refletir sobre um setor que agrega localmente mais de meia centena de empresas e emprega alguns milhares de pessoas. É o setor extrativo mais importante do Tâmega e Sousa. Com a crise na habitação e no imobiliário, os industriais deste segmento têm explorado mercados internacionais.

Lamego organiza de 21 de agosto a 09 de setembro, a “Romaria de Portugal”, Festas de N. Senhora dos Remédios. O município apresenta uma vasta programação, onde se destaca o concerto da Aurea, a 04 de setembro e a transmissão dos programas “Aqui Portugal” (RTP) e “Somos Portugal” (TVI) a 23 e 31 de agosto, respetivamente. Destaque ainda para a “Marcha Luminosa” a 06 de setembro, “Batalha das Flores” a 07, a iluminação nas principais ruas e avenidas da cidade e o já habitual fogo de artifício que promete dar brilho a Lamego.

Gaia World Music, Vila Nova de Gaia Durante setembro, a cidade de Gaia acolhe o “Gaia World Music”, 30 dias/30 concertos, um projeto com vários espetáculos: dança, folclore, concertos, bandas de música e grupos corais. Com entrada livre, o festival apresenta uma vasta programação que decorrerá ao ar livre e também em monumentos religiosos ou edifícios de valor histórico e patrimonial.

Jorge Manuel Costa Pinheiro

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