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jabá

lara vasconcelos

março de 2011

ANTES QUE O MUNDO ACABE Março de 2012 é a nova data prometida para a conclusão do prédio sede do Instituto de Cultura e Arte (ICA), no Pici. Até lá, os cursos novos funcionam em espaço inadequado PÁGINAS 2 e 3

Comunicação partida ao meio

Lugar de paredão é no Interior

Meio Harry Potter, meio ditadura

Entenda porque a partir deste ano as habilitações do curso de Comunicação Social tornam-se graduações autônomas na UFC

Conheça a pessoa humana dona de paredão e repita: “perdeu, playboy!”

Portugal, um lugar onde os trotes universitários duram por anos

PÁGINAS 4 e 5

PÁGINA 7

PÁGINA 6

Alpinismo||||| O Jabá é apoiado pelo Programa de Ensino Tutorial do curso de Comunicação Social da UFC (Petcom)

Mais abobrinha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nosso colunista apresenta os bixos 2011.1 CORRA PRA CONTRACAPA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ano 15 - Número 46 • Conselho Editorial Alan Santiago (J), Débora Medeiros (J) e Raphaelle Batista (6J) Colaboradores Érico Araújo Lima (7J), Gabriela Alencar (4J), Juliana Diógenes (6J), Júlio Monteiro (9P), Raphaelle Batista (6J), Renato Sousa (5J) e Thaís Jorge (7J) Ombudsman professor Tiago Coutinho (UFC-Cariri) Edição de arte Yuri Leonardo (9J) e Wanderley Neves (9J) Impressão Yellow


ESPÍRITO ORIENTAL Editorial

Não é improvável que, depois do terremoto, seguido de tsunami, que devastou o Japão nas últimas semanas, os japoneses consigam reconstruir o país inteiro antes que o prédio do Instituto de Cultura e Arte (ICA) esteja funcionando. A piada, emprestada do Twitter, não é sem fundamento. A primeira etapa da obra deveria ter sido entregue em dezembro de 2009; a rede elétrica e canos da Cagece impediram o uso imediato do terreno, no campus do Pici; há poucos engenheiros para muitos projetos na Coordenadoria de Obras e Projetos (COP); se as intempéries climáticas não atrapalharem muito, como afirma o engenheiro da UFC, Moacyr Tupinambá, então, os alunos vão poder desfrutar das novas acomodações só em março de 2012. Um edifício alugado na Avenida Carapinima serve de abrigo provisório para alguns cursos enquanto os “poréns” desse imbróglio, que começou oficialmente em 2008, forem adiando o término da construção. É o que revela reportagem nesta edição do Jabá. Todo esse impacto visível na vida acadêmica de estudantes e professores é o resultado de uma política compulsória às decisões do governo federal; o ICA e a profusão de cursos criados entram na cota do Reuni. Em oposição à nossa incapacidade tupiniquim em cumprir prazos rígidos, os orientais – e sua mentalidade intolerante ao erro e à transigência – já estão construindo prédios em algumas poucas semanas. Os japoneses é que sabem das coisas.

As obras no Campus do Pici foram adaptadas do projeto original, pensado para o entorno da Casa de José de Alencar//

Tinha um ca Um ano e meio depois do prazo estipulado pela UFC, a primeira etapa do prédio do ICA está em vias de conclusão. Motivo da demora? Falta de engenheiros, um solo problemático e, é claro, um cano da Cagece

Érico Araújo Lima 7J Renato Sousa 5J fotos de Lara Vasconcelos 7J

nima é de 18. Cada um fiscaliza até sete projetos. O ideal é de, no máximo, quatro. Isso contribui para o atraso dos projetos.

“Se a chuva deixar”, o prédio do Instituto de Cultura e Arte (ICA) fica pronto em março de 2012, prevê o engenheiro Moacyr Tupinambá, da Coordenadoria de Obras e Projetos (COP) da UFC. Segundo ele, o motivo dos atrasos foram as adaptações necessárias ao projeto importado da Casa de José de Alencar para o Campus do Pici. As particularidades da nova vizinhança do ICA (o tipo de solo, por exemplo) exigem, segundo ele, “mais recursos de engenharia”. A primeira etapa da obra será concluída em julho. Três anos, quatro novos cursos, dois endereços e um andar para o mestrado em Comunicação perdido depois da criação da unidade acadêmica. E um ano e meio depois do que previa o site da UFC, que era dezembro de 2009. O atraso se deu, segundo o engenheiro da COP, por conta das redes elétrica e de esgoto que cortavam o terreno. Porém, segundo ele, a execução da obra em si está dentro do prazo e a segunda etapa já está licitada. Outra dificuldade apontada por Tupinambá, que já havia sido noticiada pelo Jabá, é o déficit de mão-de-obra, em especial engenheiros, para a quantidade de obras que estão sendo desenvolvidas na UFC. Atualmente, a COP conta com 12 engenheiros, enquanto a necessidade mí-

“Vai ter que dar” • Como medida paliativa (palavra da qual o vice-diretor do ICA, professor Elvis Matos, não gosta muito) para o atraso nas obras, a UFC locou um prédio na Avenida Carapinima para uso provisório dos cursos de Cinema e Audiovisual, Dança e Artes Cênicas (leia na página seguinte). “O objetivo é solucionar um problema de falta de espaço que a gente tem”, aponta André Magela, coordenador do Curso de Artes Cênicas da UFC e um dos envolvidos diretamente no processo de viabilização do novo local. Por quanto tempo o prédio dará conta da demanda desses três cursos? “Ele vai ter que dar conta enquanto a gente precisar”, é o que responde o professor Elvis. Apesar de todas as dificuldades, Elvis crê que não é porque o prédio não está pronto que a unidade acadêmica não esteja em funcionamento de fato, embora reconheça que “com a distância, a gente ainda não se conhece direito”. “Existe uma história por aí de que Deus criou o mundo em sete dias [os escritos bíblicos dizem que foi em seis, o sétimo foi para descansar] e está descansando até hoje”, diz e completa: “Eu não acredito nisso”. Segundo ele, várias atividades já são desenvolvidas pelo ICA. Para Elvis, agora “boa vontade é fundamental”.


2|3 jabá março/2011 O prédio alugado na Avenida Carapinima é solução provisória e ainda deve passar por ajustes// foto lara vasconcelos

Provisoriamente por enquanto

no...

Enquanto as obras do Instituto de Cultura e Arte não ficam prontas, cursos de Cinema, Dança e Artes Cênicas ensaiam integração em prédio alugado

Sem dúvida em obras//

Dentro do prédio, o Jabá encontrou salas praticamente prontas para uso, inclusive com aparelhos de ar condicionado já instalados//

Avenida Carapinima, 1615. É num prédio alugado em contrato de dois anos que os cursos do Instituto de Cultura e Arte (ICA) começam a se unir. Segundo o professor do Curso de Artes Cênicas André Magela, o crescimento dos cursos de Cinema e Artes Cênicas, aliado ao acréscimo da graduação em Dança, motivou, já no ano passado, a procura por um local que atendesse às demandas provisoriamente, até que a transferência para a sede definitiva do ICA seja possível. Cinco turmas, 200 estudantes no total, terão à disposição quatro salas teóricas e cinco salas práticas. As aulas ocorrem em turnos diferentes. Para adequar o prédio às especificidades dos cursos, obras recentes tiveram caráter emergencial, e um projeto para intervenções maiores no meio do ano deve ser licitado. O professor Marcel Vieira, do curso de Cinema, lembra que não podem ser realizadas melhorias no local alugado por questões legais. São esperados um piso de madeira, barras móveis, isolamento acústico, ilhas de edição, estúdio de gravação e uma reestruturação das instalações elétricas. Por enquanto, está pronto o que funcionará de imediato. As demais reformas necessárias devem ocorrer da forma mais isolada

possível, segundo Marcel. “O que a gente não quer é prejuízo ao aluno”, defende. Sobre esse processo de ajustes, André Magela pontua: “As coisas não são prontas. Somos todos construtores de um espaço que vai servir para todos nós. Para que aquele espaço seja nossa Universidade, é um processo longo, de muitas idas e vindas. Mas não está pronto, não cai do céu, é um espaço que a gente tem que construir”. Integração já começa • Se os cursos do ICA ainda estão isolados entre si, há expectativa de integração diante do compartilhamento do espaço entre os cursos de Cinema, Dança e Teatro. Para Marcel Vieira, já se inicia uma “integração pedagógica e epistemológica”. “O projeto do ICA começa a se desenhar nesse espaço, essa idéia de um prédio coletivo em que as pessoas dialogam, em que pedagogicamente se pensa conjuntamente. Certamente a tônica do que será o ICA lá no Pici”, defende. E André Magela vê no próprio processo de construção do espaço coletivo na Carapinima um passo para a integração. “Esse trabalho de fazer as coisas juntos já foi bastante integrado. As salas são compartilhadas, os três cursos já estão integrados. Os alunos vão comer na mesma cantina”, destaca. (EAL, RS)


Comunicólogos

nunca mais Jornalismo e Publicidade e Propaganda agora são cursos separados. Mas que implicações essa divisão terá na prática? Buscando respostas, o Jabá ouviu a coordenação do curso de Comunicação, alunos, ex-alunos e professores.

Gabriela Alencar 4J A partir deste ano, a Comunicação Social torna-se uma grande área de conhecimento e suas habilitações se convertem em cursos. Os estudantes que entraram em 2011 sairão da Universidade como bacharéis em Jornalismo ou Publicidade e Propaganda, e não mais como bacharéis em Comunicação. “A Comunicação não deixa de ser contemplada no conteúdo, mas é como se as habilitações tivessem saído dessa área”, explica a professora Glícia Pontes, ex-coordenadora do curso de Comunicação Social da UFC. Em maio, segundo o calendário acadêmico do curso de Comunicação, haverá eleições para os coordenadores de Publicidade e Jornalismo, que tomarão posse em junho. “Precisaremos de outro espaço, outra secretaria, equipamentos”, chama atenção o atual coordenador, Riverson Rios. Com relação à grade de disciplinas, ele lembra que o atual currículo já possui cinco anos e uma modernização é fundamental. “Apesar de o nosso currículo não estar defasado, temos mais é que mudar e ficar atualizando mesmo. Independente dessa mudança imposta pelo MEC [Ministério da Educação], já se pensava em mudar a grade principalmente na Publicidade, que possui uma carga horária muito grande.” Polêmica • “Temo pelo enfraque-

NO

As cula Com sent Edu (ao bro em divu post com dida José reita ara

cimento da pesquisa em Comunicação e pelo afastamento das habilitações. Os alunos podem perder muito quanto a experiências de ampliação da visão crítica e a uma formação mais sólida.” O desabafo de Suzana Miranda, estudante do 4° semestre de Publicidade da UFC, exemplifica um dos principais pontos com relação à divisão das habilitações: a probabilidade de os cursos ficarem muito técnicos e a Comunicação, área relativamente jovem cientificamente, ir para escanteio. “Especializar muito, limita o perfil do profissional. Há o risco de termos um curso de Jornalismo

e outro de Publicidade que só se voltem para si”, alega a ex-coordenadora do Curso de Comunicação, Glícia Pontes. Há quem defenda que o Jornalismo ganha com a separação. É o caso do professor Ronaldo Salgado. “Nos últimos anos a área de Comunicação estava sendo mais valorizada por causa de outros campos do saber, enquanto o Jornalismo era relegado a segundo plano. A mudança recoloca o Jornalismo em destaque.” Para o coordenador de Comunicação e Marketing da UFC e ex-aluno de Jornalismo, Paulo Mamede,

a discussão está desfocada. “Estudantes, professores e a direção do ICA têm que se mobilizar em torno das carências dos cursos. O debate não é a separação, mas o que pode ser feito para que esses cursos sejam cursos de excelência.”. Com relação à possível vinda de mais recursos financeiros, nada de ilusões. Para Glícia, tudo fica na mesma. “O lado bom é que pode haver uma organização melhor da coordenação, porque são muitos alunos para uma só dar conta”. Juntando as duas habilitações são 458, sendo 239 de Publicidade e Propaganda e 219 de Jornalismo.

A haja dois mes as t con man met A em (DA tori o te ção rios serã


ó lembrando

OVAS DIRETRIZES

novas diretrizes curriares para os cursos de municação Social foi apretada pelo Ministro da ucação, Fernando Haddad centro) em 18 de setemde 2009 na sede do MEC, Brasília. Na ocasião, foi ulgada à imprensa a prota elaborada por uma missão de notáveis presia pelo lendário professor é Marques de Melo (à dia)// foto de renato aújo (agência brasil)

A tendência é que com o tempo a uma separação natural dos s cursos. “O que se espera, até smo para poupar esforços, é que turmas dos primeiros semestres ntinuem juntas. Vamos tentar nter a união nos cursos”, prote Riverson. A curto prazo, muito continua comum. O Diretório Acadêmico A) e o Programa de Educação Tuial (PET), por exemplo. Mas, com empo, a tendência é que a separao aumente, uma vez que os horás são diferentes e os professores ão contratados para cada área.

4|5 jabá março/2011

46 anos de mudanças Criado em 1965, reconhecido pelo Conselho Federal de Educação (CFE) em 1972, o Curso de Comunicação da UFC já passou por muitas mudanças de carga horária e currículo. Este ano comemora 46 anos. No início, formava bacharéis em Comunicação polivalentes. Em 1987, atendendo à Resolução n°002/84 do CFE, que alterou a organização do bacharelado em Comunicação, a UFC promoveu uma reforma estrutural, aprovando as habilitações de Jornalismo, Radialismo e Publicidade e Propaganda. Em 1988, implantou a habilitação de Jornalismo, ficando as demais apenas aprova-

das. Em 1999, a habilitação em Publicidade e Propaganda foi implantada. No Brasil, o campo da Comunicação teve início por meio de um projeto da Faculdade de Comunicação de Massas da Universidade de Brasília (UnB), elaborado por Pompeu de Souza e Darcy Ribeiro em 1963, englobando três escolas: Jornalismo, Rádio-TV-Cinema e Publicidade e Propaganda. Contudo essa distinção só durou até 1969, quando o Currículo Mínimo Obrigatório extinguiu as identidades específicas dos cursos da UnB e de todo o Brasil.

A OPINIÃO DE

Glícia Pontes

Ronaldo Salgado

Professora de Publicidade e Propaganda. Ex-coordenadora do curso de Comunicação Social da UFC

Professor de Jornalismo. Idealizador e orientador da revista Entrevista e ex-coordenador do curso

O grande impacto é que o nosso curso é um dos poucos, aqui no Ceará, que ainda tem essa característica de ter a área de Comunicação como base, como fundamentação. Se a gente olhar as Universidades privadas, a grande maioria delas já era dividida, já tinham coordenações separadas. No nosso caso, nós somos um curso que veio da tradição da formação do comunicador polivalente, depois teve a criação do Jornalismo, depois a criação da Publicidade, então, hoje, o perfil do nosso aluno é um perfil muito amplo.

A área Comunicação Social estava, nos últimos anos, sendo mais valorizada por causa de outros campos de saber, ficando o jornalismo relegado a plano secundário. Ou seja, a minha expectativa é de que o jornalismo ganhe força, seja mais focado no que tem de específico como prática social e cultural, política e ideológica, com base num exercício técnica e eticamente bem trabalhado em prol do conjunto da sociedade.


Jabasta! SALA DE AULA: OBJETO EM EXTINÇÃO Tiago Coutinho OMBUDSMAN Estou ficando mais fã do Jabá. Tenho uma memória sem critérios, mas não me lembro de uma fase do Jabá tão jornalista como a atual. Bom estar acompanhando este momento. Começo com um elogio para a manchete. É pertinente pautar a falta de espaço físico da UFC na matéria “Quem não se comunica...”. Não se trata de um problema só de vocês. É geral. O curso do Cariri não possui nenhum laboratório, nem salas dos professores ou de grupo de pesquisa. A previsão de início de construção de nosso bloco é agosto deste ano, com prazo de um ano para concluir. No nível da promessa, só teremos salas e laboratórios quando os estudantes da primeira turma estiverem no sexto semestre. As manchetes do Jabá poderiam sair mais do Curso de Comunicação Social e talvez pensar a UFC como um todo. Competência há! Voltando à matéria... O tom foi acertado e sóbrio. Por sinal, muito bom reproduzir o documento do finado Ícaro. A matéria sobre o Bar do Chaguinha também merece menção. Ela traz uma informação bem curiosa. A biografia daquela esquina boêmia se confunde com a história da UFC. Nasceram bem próximas. Sem xérox e bar, as universidades não saem do lugar. É muito curiosa a relação boemia e intelectualidade no Brasil. Valeu terem percebido isso. Tenho, porém, algumas ressalvas à edição de dezembro. Não compreendi bem a matéria “Que sirva de lição”. Parece um tanto quanto rancoroso o texto. Não conheço o autor, mas não sei se ele ficou feliz com a vitória da chapa três. No quadro da página 3, por exemplo, ele ressalta a chapa derrotada ter conseguido votação, em alguns locais, três vezes maior que a vencedora. Isso é verdade, mas não vejo o porquê do destaque. É muito comum apurações mostrarem desequilíbrios. Ao mesmo tempo, a chapa vitoriosa conseguiu, na Medicina, 16 vezes maior quantidade de votos. Vejam os resultados da eleição pra presidente. Em várias cidades, Serra foi mais votado. Por outro lado, não se escutou um representante da chapa derrotada, isso foi uma falha. A matéria perdeu o foco ao fazer o julgamento. Mas, como diria o Facebook, curti ver a coordenada sobre a transmissão da TV Jabá. Parabéns! Para finalizar dois pontos. Primeiro, na coluna passada, avaliei a seção Alpinismo e não vou me repetir, mas fiquei com pena do coitado do Kinzin. Segundo, se eu dissesse ter ido ao Castello de Salvador Dali, em La Pera, na Espanha, isso contribuiria para uma coluna, caso eu escrevesse sobre artes visuais? Então... Não preciso comentar o texto “Um giro no esporte”. Foi bom a coluna voltar, mas vamos lembrar: somos jornalista e não as estrelas.

A praxe é dura

mas é a praxe Palavras em latim, colher de pau, penico, código de conduta, estudantes “de quatro” por horas: vale tudo na tradição de trotes portugueses

Juliana Diógenes 6J De Porto, Portugal Você certamente já ouviu falar na famosa escritora britânica J.K. Rowling. Talvez, no entanto, o que nunca tenha sido informado é de que a criadora de Harry Potter morou uma temporada na cidade do Porto, em Portugal. Coincidência ou não, no mesmo dia em que soube dessa informação, vi um grupo de três estudantes atravessando a rua com trajes idênticos da cabeça aos pés. Terno, saia, meia-calça, sapato e gravata, além de uma pasta entre as mãos e uma capa estilo Harry Potter. Tudo rigorosamente passado a ferro e de uma só cor: preto. Na esquina seguinte, mais estudantes trajados do mesmo modo. O que era aquilo? Seita religiosa? Fãs de Harry Potter? À medida que os dias passavam, os encapados se proliferavam. A explicação veio de duas estudantes portuguesas: aqueles que circulavam de roupa preta eram os estudantes do 2º ano (3º e 4º semestres), vulgo “doutores”. Os tais doutores são responsáveis por aplicar o trote nos recém-ingressos, prática que em Portugal se chama “praxe”. “A roupa preta é o traje. A capa nunca deve ser lavada. Quem usa a roupa não pode ter tatuagem à mostra, nem usar brincos, colares, anéis ou se maquiar”, explicou uma das estudantes, Isabela Sá. E Ângela Reis completa: “Os praxados não podem olhar nos olhos dos doutores. Eles ficam de quatro, gritam, correm, enfiam o rosto na lama, o que o doutor mandar”. Algo que Draco Malfoy adoraria fazer nos recém-ingressos de Hogwarts. Dura Praxis, Sed Praxis • Na vitrine de uma loja especializada,

Sonserina ou Lufa-Lufa? Em Portugal, trote parece coisa saída de Hogwarts// foto juliana diógenes vi que as roupas pretas, conhecidas por “trajes”, estavam em promoção: 150 euros para moças e 190 euros para rapazes. Isso equivaleria a R$ 360,00 e R$ 456,00, respectivamente.Além da roupa preta, outros símbolos compõem a tradição da praxe, as insígnias: uma colher de pau – com a frase em latim Dura Praxis, Sed Praxis (“A praxe é dura, mas é a praxe”) –, uma tesoura e um penico. Repassadas de geração e geração entre os estudantes, as insígnias são carregadas pelos doutores durante os trotes. A praxe é regulada por um Conselho. Composto por cerca de dez estudantes, o grupo se orienta com base no Código de Praxe, particular de cada Universidade portuguesa. Ao longo da graduação, o estudante recebe 16 diferentes títulos segundo a escala hierárquica: desde “bicho”, estudantes ainda não matriculados, até os “merda de doutores”, alunos do último ano. “Se a praxe viola a dignidade, isso é errado. Há potenciais ditadorezinhos que se veem imbuídos de poder nessas ocasiões e abusam”, afirmou Suzana Cavaco, professora de Ética da Universidade do Porto. A estudante do 2º ano, Vera Lopes, poderia estar hoje trajada segundo o regulamento do código de praxe, mas desde que ingressou no curso de Jornalismo da Universidade do Porto se recusou a participar da atividade. “Não gosto de nomes em latim, acho meio esnobe. Além disso, detesto que falem aos gritos comigo, como os doutores faziam. Mas eu trajaria se minha família fizesse questão. Há famílias que veem o filho com o traje e se emocionam”, disse.

Leia mais aventuras da nossa repórter em Portugal no

portoando .wordpress.com


6|7

Agito no curral Com a Lei do Paredão, dono de aparelhagem já pensa em novas formas de continuar sua diversão a muitos decibéis

Thaís Jorge 7J Eis que chega a segunda-feira, e a rotina dele se assemelha à de milhares de fortalezenses que trabalham no Centro de Fortaleza. A correria, que começa cedo, só termina no fim do dia. O lazer, a partir de agora, fica reservado para a noite, quando ele gosta de ver jornal na televisão, ou para o fim de semana, que é quando ele pode levar o paredão de som para as ruas. Marcelo Rodrigues de Mesquita trabalha no comércio de descartáveis em geral. Foi de lá que ele conseguiu juntar os cerca de R$ 25 mil necessários para comprar as enormes caixas de som que, segundo ele, fazem a animação nos momentos de folga. A aparelhagem de Marcelo fica guardada durante toda a semana para só dar o ar da graça na tarde de sábado. “Durante a semana, eu gosto de escutar músicas mais calmas”, afirma. O prazer que ele diz sentir ao ligar as enormes caixas de som ao final do expediente de sábado é substituído, na semana, pelas partidas de futebol com amigos, pelos passeios com a noiva e pela missa. Um dos motivos, segundo ele, para

não ligar o paredão de som de segunda a sexta é a perturbação que aquilo traz para o próprio dono do som. “Um pede para mudar a música, outro para aumentar, outro para baixar”, reclama. Em relação ao incômodo que pode trazer às outras pessoas, ele afirma que tenta ligar o som sempre em lugares onde todo mundo gosta. “Em alguns lugares, não perturba. Os amigos gostam até de pegar aba”, afirma, sorrindo. E o sorriso se entende na conversa até o momento de discutir a famosa “Lei do Paredão”, aprovada no fim de fevereiro, em Fortaleza. “Eu achei muito ruim. Eles deviam ter sido menos radicais”, afirma. Para ele, faltou bom senso na hora de proibir o uso de paredões de som em locais públicos ou de uso coletivo. No entanto, muito calmamente, conta que os pais moram em uma fazenda, em Santa Quitéria, no interior do Ceará, e que lá ele poderá matar a saudade do som alto. “Vou respeitar a lei e ouvir lá no meio do mato”, confessa. “Vou colocar só para os bois...”

[

Só lembrando LEI DO PAREDÃO

Assim como Marcelo, os outros donos de aparelhos de som automotivo têm que se acostumar com a mudança trazida pela “Lei do Paredão” em Fortaleza. Está proibido o uso de paredões de som em locais públicos ou de uso coletivo. Além disso, o deputado federal cearense Artur Bruno (PT) agora propõe que a Lei passe a valer em todo o Brasil, mas com algumas diferenças da que já está em vigor na capital cearense. O projeto já tramita no Congresso Nacional.

“Em alguns lugares, não perturba”, diz Marcelo, o dono de paredão

jabá março/2011

A PESSOA HUMANA DONO DE PAREDÃO


Alpi- CARNE nis- FRESCA mo Júlio Monteiro Mais uma safra de alunos chega ao curso de Comunicação Social. E o pacote desse ano é sortido, hein? Gente tanto do Ceará quanto de fora, pra exalar sedução e magia pela faculdade. E ainda, alunos transferidos de outras Universidades – coisa que, nos meus alguns anos de UFC, eu ainda não tinha visto. Achei pleno. Um monte de gente nova e delícia pra executar novas peformances bêbados e/ou nus enquanto se tornam novos mitos está mais do que em falta. Intimista e nada moralista • Vamos fazer logo um mea culpa: não acompanhei como deveria essa semana de recepção. Mas até onde soube, foi superdeliciosa e com direito a gente se jogando com força no álcool e nos prazeres daquilo que minhas tias antiquadas chamam de “brincadeira de agarrado”. Segundo fontes, a festa não teve aquela lotação imensa de outras épocas, com gente

de todo curso que existe no CH. E, apesar da concorrência (Luxo da Aldeia ocorrendo a alguns quarteirões dali), ainda rendeu horrores. Alguns disseram que não foi uma multidão, mas gente suficiente pra ter o que contar. O babado é certo, já diria Vanessão. O sotaque potiguar • A grande revelação da festa, segundo fontes, não foram bixos ou organizadores. A estrela foi a etílica e pouco comportada Eleninha de Natal. A linda misturou cerveja, doce de leite e paracetamol, ficou completamente louca e saiu agarrando o que estivesse disponível: gente, garrafas e objetos de decoração. A gata trabalhou no modo hard e já deixou saudade em alguns bixos. Dizem que a árvore do DA até hoje tá meio torta de tanto que trabalharam nela, se é que me entendem. A linda inclusive está no Twitter e Facebook sob esta alcunha. Quem quiser um replay...


Jabá | março de 2011