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ANO 10 | MAR/ABRI | 14

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como entenda ovelas as telen n s exibida fetar o podem a tamento compor cristão

mãos talentosas O garoto que tirava notas ruins na escola se tornou um dos neurocirurgiões mais conhecidos do mundo. Em entrevista exclusiva à MD, Ben Carson conta sua fantástica história


Índice

42 CAPA

Em entrevista exclusiva, Ben Carson, o neurocirurgião mais conhecido do mundo, fala sobre sua infância, carreira profissional e o câncer de próstata que enfrentou

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ESPECIAL Novelas exibem apoio ao homossexualismo, moldam as práticas da sociedade e atingem o público cristão

18 SAÚDE

Dormir bem à noite pode ser a chave para reduzir problemas de saúde

24 EDUCAÇÃO

54 CONTA CORRENTE

Projetos de Iniciação Científica exercitam capacidade cerebral

Valorize seu dinheiro. Confira dicas para fazê-lo render mais

Seções 8 10 22 28 30 34

56 PERFIL Apresentador Cid Moreira diz sentir-se realizado com os trabalhos evangélicos de que participa

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EDITORIAL ENTREVISTA APS ulb pÉ NA ESTRADA aplac

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EVANGELISMO COMPORTAMENTO iap empresarial fe profissão

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ESTILO FIQUE POR DENTRO EVIDÊNCIAS aCONTECEU COMIGO rEFLEXÃO

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A Revista Mais Destaque é uma publicação da Seven Editora. “Os textos e opiniões dos autores subscritores dos artigos publicados nesta edição não refletem necessariamente a opinião dos editores, sendo de integral responsabilidade dos autores eventuais violações de direito de terceiros.”

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Editorial

Transpiração Seria insensato comprar uma nova peça de roupa e deixá-la guardada para não gastar seu tecido. Quando usada, a roupa fica suja, com traços de suor e sofre desgaste cada vez que é lavada. Contudo, foi útil para quem a usou. Ela cumpriu o seu papel de vestir alguém, ao contrário da roupa guardada, que, às vezes, nem é lembrada e perde totalmente o sentido de sua existência, já que não assume a utilidade para a qual foi produzida. Essa ilustração me lembra uma parábola bíblica, registrada em Mateus 25:14-29. Jesus conta a história de um homem que se ausentou de seu país, mas deixou servos cuidando de seus bens. A história menciona que um homem recebeu cinco talentos, o outro dois e o terceiro um, segundo a sua capacidade de administração. É importante lembrar que na história, a palavra talento não tem nada a ver com dons e capacidades, mas refere-se a uma peça de ouro ou prata muito valiosa. Depois de certo tempo, o senhor volta para casa e vê que os dois primeiros homens administraram muito bem suas riquezas, multiplicando-as. Já o terceiro foi punido e criticado, pois escondeu o talento na terra e não fez uso dele para que rendesse. Assim como a peça de roupa guardada, os talentos, agora no real sentido da palavra, não servem para nada se não são utilizados. Quanto mais você exercita um talento, mais ele se desenvolve e mais útil se torna. Foi isso o que aconteceu na vida do renomado médico neurocirurgião Ben Carson. Seu reconhecimento mundial deve-se a muito esforço e transpiração. Ele literalmente “suou a camisa” para se tornar alguém útil para a sociedade, e tudo começou com o apoio de sua mãe. Na matéria de capa desta edição, você conhecerá a história desse homem, perceberá que a persistência e a humildade podem fazer você ir muito além do que imagina e entenderá que Deus dá talentos para que o ser humano os utilize a Seu favor. No fim de tudo, os talentos que recebemos servem para um propósito: disseminar o Evangelho rapidamente para abreviar a volta de Jesus. Nesta edição, você também vai conhecer projetos, dicas e oportunidades para se envolver e crescer nesse aspecto. E então, o que você fará com sua “peça de roupa”?

Destaque-se

ANO 10 | Nº 54 | JAN/FEV | 13

A promessa de dieta no começo do ano sempre é a primeira na minha lista de objetivos. Gostei da matéria “Ano Novo, Dieta Alimentação Nova”, pois mostrou como as dietas milagrosas prejudicam o nosso corpo. Deise Elen, estudante de publicidade

Não podemos mentir nem omitir a verdade. Deus se manifestará em nós e abençoará quem tiver contato com a Única Esperança, como diz a matéria de capa da edição 54 da MD. Agora é só fazer a nossa parte. Felipe Silvestre, estudante de direito

Gostei do artigo “Dinheiro, os segredos de quem tem”. Já passei pelas duas experiências: a de dar muita importância em adquirir bens materiais e querer ser rico. Dignidade e vida plena é o que Deus quer dar a todos os que O colocam em primeiro lugar. Kelvin Pscheidt, músico

Achei muito coerente e oportuna a matéria “Instrumentos musicais do Senhor”, do pastor Társis Iraídes. Falar sobre instrumentos musicais na atualidade tem gerado discussões infindáveis. Parabéns à MD por essa abordagem tão necessária nos dias de hoje. Davi Antunes, estudante de teologia

Gostei do artigo “Sorriso Falso”, que fala sobre a campanha “Quebrando o Silêncio”. Com certeza encorajou muitas mulheres que sofrem violência doméstica a tomarem a iniciativa de buscar ajuda. Parabéns! Adriana Drummond, assistente administrativa

ROGÉRIO VIOLA JR.

Marcelo Inácio

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Entrevista “Ao longo dos anos, Deus confirmou meu chamado, sempre me abençoando e abrindo as portas” com Ana Lúcia Fernandes Marques, com quem tem dois filhos: Julia Marques, de 23 anos, e Marlon Victor Marques, de 21.

Tercio Marques

Pelotão missionário Trabalho de colportagem ganha mais adeptos e mostra-se em constante crescimento Por Mayra Silva

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pastor Tercio Marques nasceu em Conchal, no interior de São Paulo. Cursou teologia no antigo Instituto Adventista de Ensino (IAE), atual Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus São Paulo. Seu ministério começou em 1989, no Rio Grande do Sul, como diretor associado de Publicações da Associação Sul-Riograndense (ASR). Mas antes de chegar à liderança, Marques já havia sido colportor, em 1978. Até concluir a faculdade, foram 25 anos dedicados à colportagem. Além do Rio Grande do Sul, Marques já atuou como diretor de Publicações no norte do Paraná, Santa Catarina, União Austral (Argentina, Paraguai e Uruguai) e na Review and Herald Publishing Associacion (para cinco Uniões nos Estados 10

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Unidos da América). Na Casa Publicadora Brasileira (CPB), foi gerente de vendas, e, desde 2012, ocupa o cargo de diretor do Ministério de Publicações na sede administrativa da Igreja Adventista para a América do Sul, a Divisão Sul-Americana (DSA), onde já foi diretor associado do mesmo ministério. Saber que a colportagem foi um trabalho criado na mente de Deus e entender que isso terá um resultado eterno e fundamental para salvar pessoas é o que mais motiva Marques a liderar o departamento de Publicações da Igreja, onde já está envolvido há 36 anos. A colportagem é caracterizada pela venda de literaturas relacionadas à saúde, educação, família e bem-estar, que são oferecidos de porta em porta. O pastor Tercio Marques é casado

Você sempre teve interesse em trabalhar no Ministério de Publicações da Igreja Adventista ou recebeu um chamado especial? Comecei a colportar quando tinha entre 13 e 14 anos. Eu era muito novo e não entendia exatamente o que era esse Ministério. Um primo meu liderava uma equipe de colportagem e me desafiou a fazer esse trabalho. Aceitei, e, desde o início, Deus deixou claro que tinha algo especial para mim. Aquela experiência foi um divisor de águas na minha vida. Ao longo dos anos, Deus confirmou meu chamado, sempre me abençoando e abrindo as portas para que eu fosse crescendo no Ministério de Publicações. Quando terminei o segundo grau, tive dúvidas de qual área prosseguir, mas em 1986 tive uma experiência pessoal com Deus, que confirmou de maneira definitiva o chamado para esse trabalho. Quando assumiu a liderança do Ministério de Publicações, sentia-se preparado para o trabalho? Três anos antes de terminar a faculdade de teologia fui convidado para ser diretor associado na Associação Catarinense (AC), durante as férias. Eu ainda estudava quando comecei a trabalhar como líder. Foi isso o que ajudou a me sentir preparado quando me formei. Desde que passou a liderar esse Ministério, quais foram os maiores avanços que você pôde analisar? O Ministério de Publicações é muito dinâmico e constantemente passa por mudanças. Creio que já avançamos em vários aspectos, mas quero destacar alguns. Na Colportagem de EstudanIMAGEM: ARQUIVO PESSOAL


Entrevista

A colportagem nasceu para ser uma ferramenta missionária da Igreja Adventista. Os colportores devem ser um pelotão de elite, avançando na luta entre o bem e o mal” tes houve um crescimento muito grande. Projetos como o “Sonhando Alto”, Clubes de Colportagem nas instituições adventistas de ensino, hoje chamados de Instituto de Desenvolvimento do Estudante Colportor (IDEC), equipes bem estruturadas, materiais preparados por nossa editora, cursos de treinamentos nas férias, entre outros, contribuíram para que o número de estudantes pulasse de três para oito mil por ano. Outro avanço é a distribuição do livro missionário. O fato de a Igreja estar envolvida nesse trabalho é algo maravilhoso. Isso não existia com tanta intensidade há alguns anos. E, por fim, o apoio e reconhecimento que o Ministério de Publicações recebe hoje das sedes administrativas da Igreja Adventista, como as Associações, Uniões, Divisão Sul-Americana (DSA) e Casa Publicadora Brasileira (CPB), que são maiores do que antes. Como é trabalhar no Ministério de Publicações na DSA? É uma grande responsabilidade e um grande desafio. Com o crescimento da Igreja na América do Sul, ficou mais difícil atender as 16 Uniões e mais de 80 Associações e Missões. É um desafio pelo fato de a DSA representar, hoje, cerca de 50% da colportagem no sentido mundial. Saber que muitos países olham para nós em busca de soluções e ideias é uma grande responsabilidade. No dia a dia, quando estou trabalhando nos escritórios da DSA, falo ao telefone e respondo e-mails sobre assuntos relacionados ao departamento de Publicações. Mas a maior parte do meu tempo é gasta em viagens e em participações de treinamentos, concílios e avaliações nos campos e Uniões do nosso território.

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Quais são os maiores desafios encontrados? A colportagem nasceu para ser uma ferramenta missionária da Igreja Adventista. Os colportores devem ser um pelotão de elite, avançando na luta entre o bem e o mal. Creio que o maior desafio é conseguir ter um grupo de pessoas altamente qualificado para ser essa elite, cujo objetivo é não perder o foco principal, isto é, a missão no evangelismo de preparar um povo para encontrar Jesus. Quais são suas expectativas para as próximas campanhas de colportagem deste ano? Estou muito animado e com grande expectativa em relação a 2014. Temos trabalhado nos últimos dois anos para revitalizar a colportagem com pessoas efetivas. Creio que este ano já conseguiremos ver os resultados que estamos perseguindo. Esperamos crescer uns 20% em relação ao ano passado, mas queremos crescer, especialmente, na qualidade de nosso grupo de colportores.

Deixe uma mensagem para os leitores da MD. A Igreja Adventista mundial decidiu dedicar o ano de 2014 aos colportores evangelistas. Gostaria de aproveitar essa oportunidade para prestar minha homenagem a todos os colportores, por tudo o que têm feito para a obra de Deus. São pessoas dedicadas, consagradas e que têm contribuído grandemente para que a Igreja Adventista no Brasil seja o que é hoje. Eu aprendi a respeitar esses homens e mulheres. Muito obrigado, colportores!

IMAGEM: ARQUIVO PESSOAL


Especial

“Você assistiu ao capítulo de ontem?” Novelas moldam as práticas da sociedade e alcançam o público cristão Por Mayra Silva

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IMAGENS: canstockphoto/ Rádio nacional do rio de janeiro


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ntes do surgimento das radionovelas, existiam os folhetins, uma espécie de narrativa literária em forma de prosa, ficção e romance. Era uma prática de leitura no século 19. As histórias eram publicadas diariamente nos jornais, nas seções de entretenimento. Elas retratavam a vida, os hábitos, costumes e diversos acontecimentos que chamavam a atenção dos leitores. Esse formato de novela atraía a atenção das mulheres burguesas e começou a alcançar outras classes da população brasileira. Outro formato de novela ganhou espaço no rádio. O conteúdo era parecido com o dos folhetins, mas o encanto da vez era a imaginação por trás das vozes. A fisionomia dos personagens era criada na mente dos espectadores. A voz do ator era a única referência física para isso. Em 1950, com a chegada da televisão ao Brasil, a novela tomou espaço, estabelecendo-se na casa de milhares de brasileiros. Hoje, existe um grande número de novelas, como as transmitidas pela TV Globo, conhecida por exibir as melhores produções. As novelas são destaque nas programações da TV brasileira. A escritora Esther Hamburguer apontou em seu livro “O Brasil antenado: a sociedade da novela” que as histórias são produzidas para mulheres da classe C. Entretanto, sua real audiência tem apresentado um público diversificado, composto por homens e mulheres de todas as classes. Obviamente, a novela mostra aquilo em que a audiência acredita, admira e almeja ver. Às vezes, para esquecer os problemas do dia a dia, as pessoas (principalmente o público original ao qual a novela é destinada) se refugiam nesse tipo de programação. Desta forma, são cada vez mais influenciadas. Em seu livro, Esther diz que assistir novela diariamente pressupõe a ideia de que a pessoa está desempenhando um ritual compartilhado por milhares de outros telespectadores. Isso porque as novelas não exibem histórias reais, apesar de mostrar fatos do cotidiano e retratar a realidade de muitos. Depois de 1990, as novelas se tornaram modernas. Heloísa Buarque de Almeida, bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu uma tese de doutorado e abordou os assuntos telenovela, consumo e gênero. Em sua pesquisa, ela diz que, além de atrair o público à moda, as telenovelas ocupam lugar de destaque e trazem novas ideologias, pensamentos e aceitações, como homossexualismo e

Nas radionovelas, os espectadores só tinham a voz do ator como referência para imaginar sua aparência física e sua história de vida

liberdade no sexo. “Os espectadores comparam as situações porque a TV exibe personagens que interpretam histórias de ficção, mas, na verdade, retratam situações reais para as pessoas que assistem, pois elas ou outras de seu círculo de convivência vivem aquelas mesmas experiências, especialmente nos aspectos amorosos e familiares”, reflete Heloísa, na tese. Repercussão na sociedade

Com média de 45 pontos de audiência e picos de 48, de acordo com dados prévios do Ibope, a novela “Amor à Vida”, exibida no horário nobre (21 horas) da TV Globo, chegou ao fim no dia 31 de janeiro deste ano. Ela foi selada com um beijo gay entre os personagens Félix e Niko, interpretados por Mateus Solano e Thiago Fragoso, respectivamente. Até mesmo quem não assistiu à novela ficou sabendo do tal beijo nas redes sociais. Centenas de comentários surgiram, tanto para apoiar quanto para repudiar o ato. No final da novela, o “beijo gay” estava em destaque no Facebook. “Walcyr Carrasco foi ousado”, “Até que enfim a Globo exibiu um beijo gay”, “Beijo gay na rede Globo, pode isso, produção?”, “Rolou o tão esperado beijo gay”, foram algumas das opiniões publicadas.

Além de atrair o público à moda, as telenovelas ocupam lugar de destaque e trazem novas ideologias, pensamentos e aceitações

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Especial A questão do beijo ergue apenas um ponto, pois foi um acontecimento histórico da novela, mas há outros que também moldam a mente humana para achar que tudo é normal. Considerando os recentes movimentos pró-homossexualismo, em que o casamento gay foi liberado e qualquer manifestação contra tais atos é considerada homofobia, tornou-se comum ver homossexuais se beijarem. “Porque até as mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro” (Romanos 1:26 e 27). Os valores positivos na novela, como apontam alguns telespectadores, ficam em segundo plano de tal forma que as pessoas quase nem os percebem. O que dá audiência é o erro, a traição, maldade, vingança e outros aspectos do gênero. Às vezes, até mesmo os mocinhos da novela usam trapaças como cartas brancas para desmascarar atos negativos dos vilões. E, mesmo trapaceando, ainda são ditos como heróis. Valores

É bem claro o fato de que muitos cristãos (mulheres, principalmente) assistem novelas, mas as cenas apresentadas nesse tipo de programa não condizem com os princípios bíblicos. Como dizia o político alemão Joseph Goebbels, uma mentira repetida mil vezes, “ou em duzentos e tantos capítulos de uma novela”, acrescenta Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia, torna-se verdade. “A pessoa vai se acostumando com o que deveria chocar ou contrariar. É um processo de dessensibilização”, complementa. Assistir a uma novela por dia equivale a pouco mais de uma hora dando audiência a esse formato de programa, que prega assuntos contrários àqueles que deveriam compor o estilo de vida de um cristão. O tempo gasto poderia ser utilizado para edificar o relacionamento com Deus e com a família, já que esse tempo se torna quase inexistente devido aos afazeres do dia a dia. “Ainda que não houvesse valores distorcidos, como a defesa do aborto, a promoção da libertinagem, do adultério e do desregramento, a simples perda de tempo com algo tão sem valor, desprovido de conteúdo realmente edificante, já deveria ser levada em consideração por quem quer fazer algo melhor de sua vida”, adverte Borges. “Nosso tempo é precioso e deve ser utilizado com sabedoria.” Por que a Globo permitiu a exibição de um beijo gay? Para fechar a novela com chave de ouro, como publicou a editoria

EGO do site da Globo? Ou para refletir aquilo que é comum ver na sociedade? Alguns atores chegaram a dizer que o final da novela foi digno de Hollywood. Outros disseram que a rede Globo está evoluindo. Há algum tempo, os relacionamentos homoafetivos vêm ganhando espaço nas telinhas da TV brasileira. E, há mais tempo ainda, as cenas “picantes” entre os casais heterossexuais são descaradamente expostas nas novelas. Um pouco daqui e dali e isso já é normal. A sociedade se acostumou com essas cenas. “Não dá para dizer exatamente se as novelas apenas refletem uma realidade cada vez mais comum ou se elas ajudam a moldá-la. Na verdade, creio que se trata das duas coisas, em um sistema que se retroalimenta”, acredita Borges. “Parece algo orquestrado. Vem o beijo gay, com o argumento de que se os héteros podem, por que não os homossexuais? O que virá em seguida? Vão “brigar” pelo direito de serem exibidas cenas igualmente “apimentadas”, só que protagonizadas por gays? A Globo fez o teste e viu que o povo está pronto para esse tipo de coisa”, pontua o jornalista. Manoel Carlos, autor da novela “Em Família”, que começou a ser exibida no dia 3 de fevereiro no lugar de “Amor à Vida”, já repercutiu a ideia de colocar um beijo gay (desta vez, entre duas mulheres) em algum capítulo. O escritor já tentou colocar um em “Mulheres Apaixonadas”, mas não conseguiu. Em entrevista ao jornal Extra, Carlos disse que se a Globo permitir e a história pedir, o beijo gay acontecerá. Entretanto, como assegura Borges, os cristãos não devem aceitar o estilo de vida homossexual, mas precisam separar a pessoa de suas ações, assim como Deus separa o pecado do pecador. “Se no passado já não era apropriado assistir novelas, o que dizer de agora, quando os problemas estão ainda mais evidentes?” Como qualquer pessoa, os cristãos têm direito de se expressarem e viver como quiserem. Porém, cabe a eles escolher contribuir ou não com as práticas contrárias aos princípios cristãos. “Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente” (Gênesis 3:22).

“A pessoa vai se acostumando com o que deveria chocar ou contrariar. É um processo de dessensibilização”

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Saúde

Sonhe com os anjos Dormir bem no período da noite reduz problemas de saúde Por Mayra Silva

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sociedade atual é vítima da má alimentação, da falta de exercícios físicos e do estresse diário. Geralmente, quando as pessoas não estão ligadas ao trabalho ou outras tarefas que as impedem de praticar atividade física, querem descansar. Esse processo desencadeia o sedentarismo. Dependendo do organismo da pessoa, esse mal pode resultar em obesidade, e, consequentemente, trazer doenças. Portanto, cuide-se! A última pesquisa divulgada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, revela que 51% da população brasileira está acima do peso. O excesso de gordura corporal está associado a dezenas de fatores, entre eles, o mau sono. A nutricionista Júlia Assis, especialista em terapia nutricional, relata que dormir sete horas por noite é a quantidade de tempo necessária para o bom funcionamento do organismo. “Um tempo de sono igual ou inferior a seis horas por noite aumenta o risco de obesidade. O débito de sono provoca diminuição nos níveis de leptina (responsável pela saciedade) e altos níveis de grelina (responsável pela fome), causando, assim, diminuição na saciedade e aumento da fome”, explica Júlia. Ela ainda diz que quanto mais tempo uma pessoa fica acordada, mais alterações hormonais são promovidas.

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Dormir sete horas por noite é a quantidade de tempo necessária para o bom funcionamento do organismo A obesidade também provoca a apneia de sono, isto é, quando a respiração para ou fica muito fraca enquanto a pessoa dorme. Por isso, é importante dormir bem e manter hábitos saudáveis. “Mastigar corretamente, praticar atividades físicas, não ficar muito tempo sem comer e controlar a quantidade e qualidade do que se come contribuem para uma vida saudável”, aconselha a nutricionista. O doutor André Felício, neurologista e médico pesquisador do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, complementa que “dormir mal aumenta a liberação de substâncias obesogênicas, resistência à insulina e substâncias pró-inflamatórias”. Sono e insônia

Segundo Felício, a sonolência diurna excessiva, fadiga, falta de atenção, dificuldade para retenção de novas informações, queda de produtividade e mau humor também provêm da má qualidade de sono. Esses fatores dificilmente podem ser pagos. Tentar recuperar as horas perdidas de sono na noite posterior à negligência não resolve o problema. Para evitar comprometer as sagradas horas de sono, o neurologista Felício recomenda a criação de uma rotina para dormir, como higienizar o sono, por exemplo. Nesse caso, é preciso controlar o som, luz, temperatura, cama e, até mesmo,

Durma bem

o travesseiro. Antes de repousar também é importante evitar a prática de exercícios físicos. Entre quatro e seis horas antes de se deitar, use a cama somente para dormir, não para tomar café ou consumir outros alimentos que contenham cafeína. Segundo a escritora Ellen White, umas das pioneiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), o café aumenta as atividades do coração e engana o organismo com sua falsa sensação de força. “O chá atua como estimulante, e, até certo grau, produz intoxicação. A ação do café, e de muitas outras bebidas populares, é idêntica. O primeiro efeito é estimulante. São agitados os nervos do estômago, que comunicam irritação ao cérebro, o qual, por sua vez, desperta para transmitir

Confira abaixo cinco dicas para se ter uma boa noite de sono:

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Não coma muito e evite cafeína por pelo menos quatro horas antes de ir para a cama;

Exercite-se mais cedo. Sempre antes do jantar ou, no máximo, três horas antes de dormir;

Tome um banho morno e tente relaxar o corpo e a mente. Evite pensamentos desagradáveis;

Deite-se todos os dias no mesmo horário e tente manter essa rotina nos finais de semana;

Se em 30 minutos você não dormir, procure uma atividade relaxante, como ouvir música.

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Saúde aumento de atividade ao coração e uma fugaz energia a todo o organismo. Esquece-se a fadiga; parece aumentar a força. Estimula o intelecto, torna-se mais viva a imaginação. Em virtude desses resultados, muitos julgam que seu chá ou café lhes faz grande benefício. Mas é um engano. Chá e café não nutrem o organismo. Seu efeito produz-se antes de haver tempo para ser digerido ou assimilado, e o que parece força não passa de excitação nervosa. Uma vez dissipada a influência do estimulante, abate-se a força não natural, sendo o resultado um grau correspondente de abatimento e fraqueza” (A Ciência do Bom Viver, p. 326). A insônia pode estar ligada a dezenas de fatores clínicos. “Doenças do coração, pulmão, tireoide e rins, por exemplo”, enumera Felício. Mas cabe ao médico identificar o diagnóstico. Além disso, variações individuais podem interferir. “A insônia tem a capacidade de alterar o sistema imunológico, pois a privação de sono aguda pode intervir na resposta de um indivíduo de formar anticorpos após a aplicação de uma vacina. E entre os distúrbios, a apneia é a mais comum, acometendo principalmente os homens”, aponta o neurologista. Problemas psicológicos também podem surgir através da insônia, mas existem maneiras de se tratar. “É fundamental procurar auxílio médico, em particular de um especialista em sono, para que o diagnóstico e tratamento adequado do problema adquirido sejam sugeridos”, acrescenta o médico.

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Graças ao descanso, o corpo repõe as energias que se perdem durante as atividades do dia a dia Compromisso O repouso está entre os oito remédios naturais para obter uma vida saudável. Os demais são: água, ar puro, luz solar, confiança em Deus, temperança, alimentação saudável e exercícios físicos. Sacrificar horas de sono pode ser o mesmo que sacrificar a própria vida. Na maioria das vezes, os problemas relacionados ao sono não são reconhecidos como um “problema” e passam despercebidos pelos pacientes e seus médicos. Aliás, graças ao descanso, o corpo repõe as energias que se perdem durante as atividades do dia a dia. Perder horas de sono para estender a dedicação ao trabalho é um procedimento realizado por milhares de brasileiros. Seja diferente. Assuma um compromisso consigo e durma o tempo necessário para manter uma vida saudável. Assim, suas horas de repouso trarão benefícios ao seu corpo e à sua mente. Você poderá dormir bem e sonhar com os anjos.

IMAGENS: ARQUIVO PESSOAL


Cevisa


APS

INFORME PUBLICITÁRIO

O mal da vida cristã A busca desenfreada e errônea pela perfeição afasta o homem da verdadeira santidade Por pastor Glauber Araújo

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ocê já encontrou alguma pessoa perfeita? E perfeccionista? Você sabe qual é a diferença entre as duas características? Para entendermos bem este assunto precisamos primeiro deixar claro que a Bíblia apoia um, enquanto condena o outro. A Bíblia fala sobre a verdadeira perfeição e que todo cristão deve buscar ser perfeito em Cristo Jesus (Mateus 5:38). Entretanto, a perfeição tem sido entendida por muitos como sendo exclusivamente o abandono total, ou quase total, do pecado. Uma vez que o pecado é interpretado como “transgressão da lei” (1 João 3:4), muitos objetivam eliminar toda manifestação visível do pecado. Agem como pessoas que buscam somente combater os sintomas de uma doença, sem se preocupar com o mal que está provocando esses sintomas.

Se aplicarmos esse exemplo à nossa vida espiritual, a natureza pecaminosa, ou PECADO (este em maiúsculo) seria a doença que habita em nós. Agora, os nossos pecados (em minúsculo) seriam os sintomas. Praticamos pecados (sintomas) porque vivemos com a doença do PECADO (Salmos 51:5). A perfeição cristã busca eliminar o PECADO, enquanto o perfeccionismo tem seu foco nos pecados. Um busca destruir a doença, enquanto o outro procura eliminar apenas os sintomas, mascarando, assim, o real problema. Ora, do que adianta tomarmos remédios para eliminar os sintomas se a doença que os produz continua ativa em nosso ser? O perfeccionismo ocorre quando a preocupação do cristão está em seus atos. O indivíduo luta contra o comportamento errado, um hábito pecaminoso ou o seu vocabulário sujo. Enquanto ele não deixar de praticar esses atos, não sossega. É por isso que muitos perfeccionistas se preocupam tanto com as aparências alheias, com a postura dos outros, com a alimentação. A estratégia é dividir a sua vida em pequenos compartimentos e trabalhar neles, um de cada vez, até conseguir “limpar a casa toda”. De certa forma, os perfeccionistas são muito semelhantes aos fariseus da antiguidade, que gastavam quantidades

O perfeccionismo ocorre quando a preocupação do cristão está em seus atos. O indivíduo luta contra o comportamento errado

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enormes de energia para obedecer a lei, mas perdiam completamente de vista o seu problema maior: o PECADO. Um bom exemplo dessa distinção entre perfeição e perfeccionismo encontra-se na parábola do publicano e do fariseu (Lucas 18:10-13). O publicano havia reconhecido a sua profunda desgraça: ele percebia o egoísmo, o orgulho, a lascívia e a inveja que habitavam em sua vida, e, por isso, nem ousava levantar a cabeça aos céus enquanto orava por misericórdia (verso 13). Por outro lado, o fariseu (perfeccionista) apresentava a Deus os pecados que ele conseguiu dominar: o furto, a injustiça e o adultério (verso 11). Consegue perceber a diferença? Enquanto um estava preocupado com o PECADO (publicano), o outro estava preocupado com os pecados (fariseu).

Características do “perfeccionista”

Reflexão

Não me entenda mal. O cristão deve abster-se do furto, da injustiça, do adultério, mas existe uma ilusão por trás do perfeccionismo: a promessa de uma vida de “impecabilidade” (nenhum pecado mais é cometido). Essa ilusão funciona da seguinte forma: o cristão tem o poder de Cristo para vencer todo pecado (1 Coríntios 10:13). Sendo assim, se ele vencer pecado após pecado, hábito após hábito, pensamento após pensamento, alcançará um estado onde não há mais pecados para serem vencidos, isto é, a impecabilidade. Nesse estado, ele não pecará mais, pois venceu o pecado em cada aspecto de sua vida. Esta é a grande ilusão, de que nesta vida é possível o ser humano chegar à condição de impecabilidade. Muitos, talvez, não percebem isso de forma consciente, mas agem exatamente assim. Se perfeição for isso, então estaremos tão perdidos quanto os fariseus, há dois mil anos. Talvez alguns sejam levados a questionar minhas conclusões. Mas a própria Ellen White, uma das pioneiras da Igreja Adventista, afirmou: “Todos os que pela fé obedecem aos mandamentos de Deus atingirão a condição de impecabilidade em que Adão vivia antes de sua transgressão.” Essa promessa é certa e todo cristão deve almejar experimentá-la em sua vida. Paulo nos incentiva a procurar a incorruptibilidade (Romanos 2:5). Mas isso ocorrerá apenas quando o que é “corruptível se revestir de incorruptibilidade” (1 Coríntios 15:53-54).

O cristão tem o poder de Cristo para vencer todo pecado

Confira algumas características típicas do perfeccionista: • Concentra o seu interesse em um ou dois pontos, com exclusão dos demais, mesmo que sejam tão importantes quanto os outros; • Está mais preocupado com o aspecto exterior da vida cristã e sente-se satisfeito e até orgulhoso de suas realizações; • É pronunciadamente crítico e tem a tendência de condenar os que não concordam com suas ideias; • Cita só o que se ajusta a seus pontos de vista; • Mostra-se desequilibrado com frequência, indo de um extremo a outro; • Procura chamar a atenção para sua própria pessoa e se esforça por conseguir adeptos.

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Educação

Iniciação

Científica A

o escolher uma profissão, grande parte dos estudantes vai para a graduação com o intuito de logo aprender e desenvolver as devidas atividades práticas da área escolhida. Entretanto, no meio do caminho, muitos optam por áreas mais teóricas, como a pesquisa. Para quem se interessa em fazer mestrado e, mais adiante, doutorado, a iniciação científica, cuja base é a pesquisa, é uma boa ideia para ser trabalhada durante o curso superior. A iniciação científica pode ser considerada um programa que visa atender alunos dos cursos de graduação, colocandoos em contato com linhas e grupos de pesquisa. Geralmente, o estudante é orientado por algum professor ou pesquisador experiente, para que, então, a aprendizagem de técnicas e métodos de produção seja melhor desenvolvida. Além disso, o professor/pesquisador estimula o pensamento científico, crítico e a criatividade de ideias por parte do aluno, que surgem dos confrontos com os problemas de pesquisa. Os estudantes que se dedicam a essa atividade na graduação não possuem conhecimento algum ou têm pouca experiência em trabalhos ligados à pesquisa, daí vem o caráter de “iniciação” científica. O incentivo à pesquisa não é relevante simplesmente porque exercita a capacidade de construção de conhecimentos. É importante também porque é considerada uma atividade estratégica para o professor interferir na realidade e reconstruí-la, observando as dimensões do conhecimento da ação, reflexão na ação, reflexão sobre a ação e reflexão sobre a re24

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Elaborar projetos de pesquisa exercita a capacidade de construção de conhecimentos Por Mayra Silva

flexão na ação. Isso tudo parece confuso. Porém, é com base nessa “confusão” que o estudante exercita suas habilidades de pesquisa. Para seguir esse caminho é necessário unir a reflexão à prática. Assim, o aluno chega a uma conclusão da ideia inicial de sua pesquisa. Participar de seminários que discutem, apresentam e divulgam resultados de análises é outro aspecto relevante para o estudante que quer se manter nesse âmbito educacional. Nas universidades, é comum encontrar professores capacitados para essa área. A docente Francisca Pinheiro, coordenadora de Pesquisa do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, trabalha nessa área desde 2007, quando foi nomeada pela instituição para ser a responsável pelo setor de trabalhos de conclusão de curso de algumas graduações e de todas as pós-graduações. De acordo com a docente, no Unasp, por exemplo, existem 37 grupos de pesquisa e 23 alunos bolsistas que trabalham com pesquisa (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, o PIBIC). Esses dados são referentes a 2014. Processo sistemático

A pesquisa é um processo sistemático para a construção do conhecimento humano. Com essa base, desenvolvem-se novos conhecimentos, como corroborar, reproduzir, refutar, ampliar, detalhar, atualizar alguma ciência pré-existente, servindo, IMAGENS: CANSTOCKPHOTO


Educação Uma das vantagens para quem desenvolve pesquisas em ambiente acadêmico é a chance de ingressar no mestrado logo após a graduação basicamente, tanto para o indivíduo ou grupo de indivíduos que a realiza quanto para a sociedade. Tudo isso em busca de um conhecimento. Esta definição da palavra foi dada por Sérgio Forte, autor do Manual de Elaboração de Tese, Dissertação e Monografia. A professora Francisca complementa que os alunos ingressantes no âmbito da pesquisa são motivados a ler e produzir mais, além de, posteriormente, terem seus trabalhos publicados. Francisca ainda diz que um dos pilares das universidades é a pesquisa, que completa o ensino e a extensão. “Ela permeia todos os níveis de aprendizagem. No ensino superior, deve ser um fator diferencial para que o estudante desenvolva um aprendizado que gere uma produção acadêmico-científica”, ressalta. “Essa área é desenvolvida nas universidades governamentais por meio de programas institucionalizados com o PIBIC. Nas universidades particulares o incentivo é menor, mas precisa existir para dar suporte à pesquisa”, explica. Segundo o portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que tem como principais atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação de pesquisadores brasileiros, o PIBIC tem a visão de “apoiar a política de iniciação científica desenvolvida nas instituições de Ensino e/ou Pesquisa por meio da concessão de bolsas a estudantes de graduação integrados na pesquisa científica.” Entretanto, existe uma cota de bolsas concedida diretamente às instituições. Estas, segundo o CNPq, são responsáveis pela seleção dos projetos dos pesquisadores/ orientadores que se interessam em participar do programa. Uma das várias vantagens para quem desenvolve pesquisas em ambiente acadêmico é a chance de ingressar no mestrado logo após a graduação. A engenheira civil Marccella Belvedere, graduada pelo Unasp, foi aluna bolsista do PIBIC durante a faculdade. Graças a esse incentivo, ela iniciou seu mestrado este ano e está cursando as disciplinas Fundações Igreja Adventista oferece cursos de pós-graduação por meio da UAB

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A engenheira Marccella se envolveu com a pesquisa e iniciou um mestrado

e Mecânicas do Solo na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Marccella nunca gostou muito de estudar, porém, identificou-se com a área de pesquisa na faculdade. “Gosto muito de sanar minhas dúvidas e testar na prática as conclusões que tive. No início da faculdade eu não sabia muito bem por onde começar, então, participei de projetos de monitoria das áreas básicas do curso. Querendo ou não, isso me instigou a ir além”, explica. A partir daí, a engenheira não parou mais. Em 2013, juntamente com o engenheiro civil Lucas Barboza, sendo eles ainda estudantes da faculdade, Marccella estendeu um dos grupos de pesquisa para o trabalho de conclusão de curso que estava desenvolvendo. “Com isso, colhemos muitos frutos, como publicações e um conhecimento ímpar no mercado de trabalho. A minha vontade era me envolver com o curso e ter um diferencial. Isso me levou até a pesquisa”, conta a engenheira. Lucas Barboza também já saiu da graduação no Unasp e entrou diretamente em um mestrado na área de engenharia civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Lá, a seleção dos candidatos ao mestrado é um pouco diferente. “O processo seletivo é dividido em partes. A primeira são as notas, currículo, prova de inglês e projeto de intenção de pesquisa”, aponta Barboza, que realizou um trabalho de pesquisa na graduação e o aprimorou, a ponto de aplicar o resultado em outra situação. Assim, ele gerou o projeto de intenção, uma pesquisa que será desenvolvida ao longo do seu mestrado. Pós-graduação em pesquisa

De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a maior parte do total da produção científica nacional é realizada pela pós-graduação. A Igreja Adventista, por meio da Universidad Adventista de Bolívia (UAB), oferece um curso de pós-graduação nessa área, cujo objetivo é desenvolver habilidades teóricas. Lá, a grade de ensino é ampla, contendo disciplinas como Filosofia da Ciência, Projetos de Pesquisas Científicas, Estatísticas Aplicadas à Pesquisa, Metodologia de Pesquisa Científica, Pesquisa Qualitativa, Ética e Valores na Pesquisa e Redação e Apresentação de Trabalhos de Pesquisa. Ao ingressar na UAB, o estudante de pós-graduação ainda pode ter acesso a uma biblioteca virtual que apresenta mais de 46 mil livros, sem contar as bases de dados, plataformas educativas e uma biblioteca física com mais de 32 mil volumes. Para saber mais sobre a pós-graduação, acesse o site da instituição, www.uab.edu.bo. IMAGENS: DIVULGAÇÃO


ULB

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Bahia e Sergipe se mobilizam em favor da fidelidade cristã Pela primeira vez, encontro reúne as equipes distritais de Mordomia Cristã da região leste do Brasil e conta com mais de 1,2 mil pessoas Por Heron Santana e Monique dos Anjos

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ntre os dias 24 e 25 de janeiro, líderes de Mordomia Cristã, um departamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), nos estados da Bahia e de Sergipe, participaram do primeiro Encontro de Equipes Distritais de Mordomia. O evento reuniu mais de 1,2 mil pessoas no campus da Faculdade Adventista da Bahia (IAENE), em Cachoeira, e também na cidade de São Gonçalo dos Campos, a 108 km de Salvador. A Mordomia Cristã é o setor da IASD responsável pela promoção dos princípios de fidelidade. Cada pastor distrital levou sua equipe para aprender mais sobre o tema. A programação contou com testemunhos e seminários com os pastores Demóstenes Neves, professor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Miguel Pinheiro, líder de Mordomia Cristã para a América do Sul, Fernando Lopes, presidente da Igreja para a região sul da Bahia, entre outros. Os pastores Geovani Queiroz, Cícero Gama e Ivo Vasconcelos, respectivamente presidente, secretário e

Os participantes receberam kits com materiais de divulgação, camiseta, livro e outros produtos. O programa ainda contou com o batismo de duas pessoas IMAGENS: ulb

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Pastor Geovani Queiroz, presidente da União Leste Brasileira (ULB), motiva participantes

Ministério fortalecido O pastor Josanan Alves é líder do Ministério de Mordomia Cristã para os estados da Bahia e de Sergipe. Em entrevista à MD, ele falou sobre as Equipes Distritais de Mordomia (EDM) e ressaltou a iniciativa dos membros da igreja como algo fundamental para a promoção dos princípios de fidelidade cristã. Confira: tesoureiro da União Leste Brasileira (ULB), sede da Igreja Adventista para Bahia e Sergipe, também estiveram presentes. Os participantes receberam kits com materiais de divulgação, camiseta, livro e outros produtos. O programa ainda contou com o batismo de duas pessoas. “As equipes saíram do Encontro motivadas, e isso nos deixou satisfeitos. Dessa maneira, elas levaram para a igreja local o que aprenderam nos dois dias”, afirmou o pastor Josanan Alves, líder de Mordomia Cristã para Bahia e Sergipe e organizador do evento. Segundo Alves, o encontro foi planejado para acontecer a cada dois anos, como uma ferramenta que dará suporte às equipes de Mordomia. Para Uelinton Gonçalves, responsável pela equipe de Mordomia em uma das igrejas adventistas no estado de Sergipe, o evento contribuiu para o seu ministério local. “Valeu a pena estar aqui, as palestras foram ótimas. Com certeza, tenho muito que trabalhar na minha comunidade”, acrescentou.

Iniciativa de fiéis As EDMs surgiram como iniciativa de membros que sentiram a necessidade de apoiar o trabalho pastoral na área da mordomia. Eles observaram que o pastor tem diversos ministérios para dar suporte, por isso, decidiram visitar as igrejas do distrito levando mensagens de mordomia. Isso há dez anos na zona norte de Natal. Expansão da ideia Esse trabalho deu tão certo que outros distritos começaram a criar essas equipes e, há alguns anos, a igreja, como instituição, começou a apoiar e criar materiais. Esse encontro com as equipes da ULB teve o objetivo de propor um projeto de trabalho, já que até hoje as equipes iam às igrejas para pregar e apresentar diversos seminários, mas não tinham uma metodologia unificada. Expectativas A proposta de trabalho sugerida foi que cada equipe visite uma igreja do distrito uma vez por mês e realize um congresso de fidelidade. No encontro, foi apresentado o material para o congresso e como utilizá-lo na igreja a cada mês. A expectativa é de que o evento fortaleça os princípios de mordomia na vida da igreja.

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Pé na estrada Palácio legislativo, Montevidéu, Uruguai

Capital uruguaia recebe jovens missionários do projeto “One Year in Mission” Por Mayra Silva

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ontevidéu, a capital do Uruguai. Uma cidade com clima ameno e paisagem plana, que atrai hispanos e turistas para fazerem longas caminhadas. Entre os bairros centrais da cidade existem ruas para pedestres, cujo trânsito de carros é proibido. Consequentemente, o caminho fica mais livre para as pessoas. As quatro estações do ano em Montevidéu são bem definidas. No verão, o calor é reduzido pelos ventos suaves e temperatura média de 28 graus. Mesmo em dias de verão, as pessoas podem aproveitar para transitar a pé pela cidade, a fim de conhecer os diversos pontos da capital. Já no inverno, a temperatura varia entre cinco e 14 graus. O período em que mais chove é dezembro, sendo junho considerado o mês mais seco do ano.

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Montevidéu está no sul do Uruguai e é considerada a cidade latino-americana com maior qualidade de vida. Além disso, encontra-se entre as 30 cidades mais seguras do mundo. Esse foi o local escolhido para realizar o segundo encontro de jovens missionários do projeto “One Year in Mission” (Um Ano em Missão), voltado para jovens de 18 a 30 anos, que têm o desejo de colocar o pé na estrada para realizar trabalhos missionários. De acordo com o pastor Areli Barbosa, líder sul-americano de jovens adventistas e responsável pelo acompanhamento dos missionários, o Uruguai foi escolhido para o projeto porque é um país com quantidade reduzida de adventistas do sétimo dia. “A União Uruguaia (UU) é o maior desafio da Igreja na América do Sul. Hoje, esse país tem cerca de cinco

IMAGENS: Martin St-Amant/ Gabboe


Pé na estrada

Monumento do General José Gervasio Artigas, Praça Independência

O projeto tem a visão de que este é apenas o despertar para uma vida completa em missão, independente da profissão ou área de atuação de cada participante mil membros, por isso, precisamos agir. Queremos ajudar na motivação da Igreja e, acima de tudo, motivar os jovens uruguaios para que participem e liderem uma Igreja cada vez mais forte”, explica. Segundo Barbosa, o objetivo principal do projeto é erguer duas novas igrejas na capital uruguaia. “Para isso, precisamos pregar, visitar pessoas, fazer pesquisas nos bairros, além de promover escola cristã de férias, feiras de saúde, caminhadas de oração e participar de pequenos grupos”, aponta o líder. Da Divisão Sul-Americana (DSA), saíram 19 jovens representando as Uniões que compõem a sede. Apesar de o projeto ter duração de 12 meses, os missionários ficarão em

Jovens do “One Year in Mission” participam de caminhada de oração em Montevidéu

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Montevidéu até o fim do primeiro semestre deste ano. Depois, retornarão ao Brasil para participar de treinamentos e outras atividades. O missionário Kevin Choque já participou de dois outros projetos como esse. Ele diz que seu principal incentivo e motivação vem do fato de o projeto ser algo bem organizado, que trabalha para levar o amor de Deus às pessoas que ainda não O conhecem. “Nosso objetivo é ser imitadores de Jesus. É por isso que estamos em missão”, comenta Choque, que complementa sua fala com o texto de Lucas 19:10: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. O projeto tem a visão de que este é apenas o despertar para uma vida completa em missão, independente da profissão ou área de atuação de cada participante. O importante mesmo é que cada jovem seja um missionário em sua comunidade local ou em seu ambiente de trabalho. A primeira etapa do “One Year in Mission” ocorreu em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Catorze jovens se uniram em parceria com o projeto “Evangelismo nas Grandes Cidades”. “A ideia é que as Divisões do mundo possam replicar a ideia”, comenta Barbosa. Há muitos jovens interessados em participar de projetos como esse. Portanto, aqueles que pretendem ter essa experiência, devem ficar atentos e procurar o líder de jovens de sua igreja local para se inscrever e fazer parte do processo seletivo para a escolha de missionários.

IMAGENS: Martin St-Amant/ Marcelo racosta/ DIVULGAÇÃO


APLaC

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Espiritualidade crescente Lançamento do quinto Seminário de Enriquecimento Espiritual reúne mais de mil pessoas em Taguatinga Norte, Brasília Por Liane Prestes

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o dia 1º de fevereiro, o lançamento do Seminário de Enriquecimento Espiritual reuniu aproximadamente 1,2 mil pessoas na Igreja Adventista de Taguatinga Norte, Distrito Federal. O evento contou com a participação dos líderes de cada igreja adventista da região e os pastores Miguel Pinheiro, líder sul-americano do Ministério de Mordomia Cristã, e Emilson dos Reis, diretor e professor do curso de teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho. A proposta desta iniciativa é enriquecer a vida espiritual através da comunhão diária durante 40 dias, por meio da leitura do guia, estudo da Bíblia e oração. Segundo o pastor Pinheiro, esse tempo é suficiente para uma transformação. Programa de incentivo à comunhão com Deus propõe 40 dias de enriquecimento espiritual

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“Cientificamente, está comprovado que a partir de 40 dias você desenvolve um hábito. Ao incorporar essa rotina de comunhão diária, a ação transforma-se em hábito e passa a fazer parte do seu dia a dia”, explica. A programação contou com momentos de oração, leitura da Bíblia e estudo do capítulo inicial do Seminário. Também foi apresentado o tema de estudo dos Seminários anteriores, relembrando alguns aspectos essenciais para o desenvolvimento da nova Jornada como, por exemplo, o estudo da Bíblia no primeiro momento do dia e a importância dos cuidados com a saúde física. Ao término do encontro foi realizada uma cerimônia de consagração. Nos momentos finais, o líder geral da Igreja Adventista de Planalto Central, pastor Charlles Britis, lançou o desafio de fazer com que os efeitos positivos da comunhão diária com Deus possam ser sentidos na vida de outras pessoas. “A jornada sempre desafiou a não apenas ler ou estudar a Bíblia ou focalizar as orações em nossas necessidades. Durante esses 40 dias precisamos assumir o compromisso de orar também pelas pessoas que queremos salvar,” disse o pastor. Em 2014, esse compromisso fará parte da vida de Vicente Braz, que também participou do evento. “A comunhão diária com Deus não é apenas uma opção. A partir de agora passa a ser um estilo de vida que vai fazer com que eu me aproxime ainda mais de Deus”, declara o rapaz. Entre 2011 e 2012, estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham participado do Seminário no território atendido pela sede sul-americana da Igreja Adventista. IMAGENS: AplaC


Evangelismo

O APELO Quando uma decisão precisa ser tomada

Sempre que uma pessoa é confrontada com uma verdade, deve ser convidada a tomar uma posição ao lado da mesma

Rafael Rossi é pastor e diretor de Comunicação da DSA

Como fazer APELOS?

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esde que comecei a dirigir séries de evangelismo, sempre me deparei com um ponto que parece ser fundamental para essas campanhas missionárias: o apelo. No momento final da palestra é fundamental fazer um chamado para uma manifestação pública da decisão tomada, e isso significa, na maioria das vezes, convidar pessoas a saírem de seus lugares e virem à frente da igreja.

Veja abaixo algumas dicas importantes para fazer chamados para uma decisão pública:

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Seja sério em seus ensinamentos ou na pregação Use sempre argumentos bíblicos. Frente às negativas, sempre rebata com o que diz na Palavra de Deus. Alguns exemplos são: • Marcos 16:16 – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”; • Hebreus 3:15 – “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação”; • Apocalipse 3:20 – “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”; • Tiago 4:14 – “No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece.”

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Essa prática começou nos anos 1800 e era chamada de “altar call”, traduzido literalmente como “chamado ao altar”. Essa prática não é encontrada na Bíblia, mas é uma tentativa para ajudar as pessoas a se decidirem pelo arrependimento. O americano Charles Grandison Finney (1792-1875) foi pregador, teólogo e professor, responsável por popularizar a ideia como “apelo”, a fim de inscrever seus convertidos para o movimento de abolição.

Seja claro sobre o evangelho Sempre que uma pessoa é confrontada com uma verdade, deve ser convidada a tomar uma posição ao lado da mesma. Uma decisão adiada hoje será muito mais difícil de ser tomada amanhã. Lute pela alma, insista ao seu coração para que a escolha seja realizada naquele momento. Saia de uma casa somente após tentar de todas as formas. Pergunte se a pessoa quer ser batizada e use argumentos.

Chame as pessoas para que se arrependam e creiam Há um custo-benefício na aceitação do Evangelho. Mostre que o verdadeiro discipulado envolve um custo (João 17:33; Marcos 8:34 e 35), mas que este é muito pequeno quando comparado aos benefícios (Hebreus 11:16). Aponte o lado positivo de se aceitar a Cristo.

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Interceda por alguém Ore por cada pessoa que você entra em contato e apresente as verdades do Evangelho.

IMAGENS: CANSTOCKPHOTO


Lembre-se de ilustrar o apelo com decisões de pessoas, como, por exemplo, o seu próprio testemunho de conversão Outro ponto é a tensão entre razão e emoção. Cristo usava os dois elementos em Seus apelos (leia Apocalipse 3:1422). A razão fala à mente e a emoção fala ao coração. Todas as pessoas tomam decisões com base nisso. Os seres humanos são formados por essas duas faculdades: razão e emoção. Não devemos sobrecarregar nenhum dos dois lados, mas sim manter o equilíbrio.

Quatro passos da decisão

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Faça um apelo com clareza (no que crer e o que fazer). Não ofenda nem critique, mas tenha sempre uma postura firme e confiante ao lado da verdade, apresentando-a sem magoar a pessoa. Olhe nos olhos dela e procure estar sentado à sua frente e não ao lado. Lembre-se de ilustrar o apelo com decisões de pessoas, como o seu próprio testemunho de conversão. Fale do quanto essa decisão foi importante para você.

Para que uma pessoa tome uma decisão é necessário preencher quatro pontos:

Informação Toda decisão inteligente deve ter informação adequada. Não dá para decidir sem isso. A pessoa deve compreender aquilo que lhe é explicado.

Convicção É a confirmação da informação, com uma persuasão de que a esta é verdadeira e importante para a vida. A pessoa tem conhecimento e acredita na informação recebida.

Desejo A informação diz: “Esses são os fatos.” A convicção: “Realmente isso está certo.” O desejo: “Eu quero fazer isso.” É o nível da motivação, em que a razão associa-se à emoção.

Ação É a intensificação do desejo, produzido pela informação e convicção. Existem textos bíblicos especiais para cada um dos níveis acima. Quanto mais a pessoa demora para passar para o nível quatro, depois de ter passado pelos três primeiros, mais difícil será sua decisão final. E uma decisão sem ação é morta.

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Comportamento Jovens adventistas criam projeto que leva amor e esperança às pessoas Por Mayra Silva e Vinicius Serain

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lguns jovens adventistas de Vila Olímpia, São Paulo, criaram um projeto que tem intrigado e ajudado centenas de pessoas que passam pela Avenida Paulista, no centro da cidade. Com o slogan “Porque Ele fez a gente cuida”, o projeto, conhecido como “A Gente Cuida”, tem como objetivo mostrar a importância de tratar a todos com amor e carinho. “Um amigo adventista teve um sonho, em que uma grande ação de evangelismo era feita em um lugar público. Pessoas, sem apresentar bandeira de igreja, nem mesmo falar sobre religião, se dispunham a cuidar dos outros, demonstrando a importância de se hidratarem e entregando copos de água gratuitamente. Meu amigo conversou comigo sobre esse sonho e eu até me emocionei, porque há tempos vinha orando e pensando sobre formas relevantes de evangelizar”, conta Marceli Fradeschi, líder do projeto. Marceli e Fernando Rochael, o amigo que teve o sonho, reuniram-se para formatar as ideias e desenvolver o projeto com o pastor Victor Bejota, que na ocasião atuava na Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) de Vila Olímpia. As ações desenvolvidas pelos jovens são diversas, como ajuda às pessoas neces-

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sitadas e distribuição de água na porta de baladas, com informativos sobre a importância da mesma. Dentro do projeto “A Gente Cuida” existe o “Desabafe”. A missão deste é mostrar às pessoas o quão essencial é se importar com o próximo. A ideia consiste em convidar as pessoas, por meio de cartazes, para desabafarem. Os integrantes do projeto acreditam que o tempo é uma das preciosidades mais raras que pode ser oferecido a alguém nos dias de hoje. Por isso, eles param para ouvir o desabafo das pessoas na rua. Algumas frases utilizadas, geralmente, são: “Quer Desabafar?”, “Desabafe Aqui”, “Conta pra Gente”, “#Desabafe” e “Precisa Desabafar?”. Todas as sextas-feiras, por volta das 19h30, eles se reúnem em frente às escadarias do prédio da TV Gazeta, que fica na Avenida Paulista, para começar o projeto. O local foi escolhido devido à concentração de pessoas naquele lugar. O “Desabafe”, especificamente, surgiu no coração de uma das jovens do grupo, Seily Custódio, que tinha o interesse de “experimentar” a ajuda humanitária sem pensar em receber algo em troca. “A princípio, foi uma ideia meio maluca, mas quando colocamos em prática, vimos que era algo de Deus”, conta

Seily. Em geral, os participantes já conversaram com casais que estavam em crise, pessoas que se sentiam sozinhas, outras que apenas queriam contar uma novidade para alguém e homossexuais que se tornaram amigos do projeto. De acordo com Marceli, uma média de 120 pessoas dialogam com os voluntários. Existem aqueles que perambulam pela Avenida Paulista e não se aproximam dos participantes por preconceito, pois acham que o projeto tem caráter religioso. O pastor Victor Bejota, no entanto, pontua o contrário. “Com o projeto, os voluntários fazem amizades e envolvem as pessoas para que ajudem os outros também. Só é divulgado o exemplo de Cristo, e até ateus viram em nós um Jesus que eles não conheciam”, diz. IMAGENS: DANIELA POMIN/ PATRICIA VAZ


Voluntários atendem pessoas que, ao passar pelas ruas, sentem vontade de desabafar

“Até ateus viram em nós um Jesus que não conheciam” Gente como Jesus Lucas Leônidas de Carli tem 18 anos e participa do Grupo dos Moradores do Morumbi, em São Paulo. Ele compartilhou com os seguidores da página do Facebook “A Gente Cuida” um exemplo de “o que é cuidar”, segundo o projeto. Certo dia, ao ir para o shopping Jardim Sul, no bairro Morumbi, um homem o parou, solicitando ajuda. “Negro, gordinho e com aparência boa. Pediu desculpas por incomodar, disse que era do Rio Grande do Sul e, atualmente, estava dormindo na rua. Ele perguntou se eu poderia ajudá-lo com, pelo menos, dez reais”, lembra o jovem. Então, Carli pediu que ele o acompanhasse até o shopping, onde iria comprar algo e, assim, lhe daria o troco. Enquanto isso, Carli aproveitou para conhecer um pouco mais a história do rapaz. O nome dele era Jaime. Com o sonho de tornar-se artista, Jaime viajou para São Paulo apenas com o dinheiro da passagem. Sua bagagem era composta apenas por instrumentos. Sua triste história de vida comoveu Carli, que sentiu vontade de ajudá-lo. Então, levou-o para casa e conversou com a família sobre a situação do homem. “Nessa cidade, muita gente gosta de enganar as pessoas. Por isso, de começo, não queria ajudar, mas depois expliquei a situação e minha família entendeu”, conta. A mãe de Carli preparou uma cesta de alimentos para Jaime. Além disso, o

rapaz recebeu dinheiro. “Seus olhos lacrimejaram e ele mal conseguia falar e agradecer. Depois, partiu não sei para onde, mas, como ele mesmo disse, com Deus”, relata. Carli não faz parte do projeto “A Gente Cuida”, mas, de certa forma, seguiu o exemplo de Jesus e cuidou de uma pessoa. Ele compartilhou sua experiência no Facebook. A princípio, a história havia sido publicada apenas no Grupo dos Moradores do Morumbi. Agora, ela pode ser lida por mais de mil pessoas que curtem a página do projeto. São exemplos assim que o “A Gente Cuida” pretende seguir.

ca havia feito antes, pois se dizia ateu. Ele disse a Deus que agora sabia de Sua existência, pois conseguiu enxergá-Lo através do amor que viu no olhar das pessoas que conheceu naquele dia. Desde então, Dias e Rios participam ativamente do projeto como voluntários e já foram algumas vezes na IASD Vila Olímpia. Em uma das ações, Dias conversou com um grupo de skatistas e disse aos garotos que eles deveriam acreditar em Deus e conversar com Ele. Durante uma visita de Felipe Rios à IASD Vila Olímpia, ocorria uma cerimônia de batismo. No apelo do pastor Bejota, o jovem aceitou o convite para conhecer melhor a Jesus. Para Marceli Fradeschi, esse é apenas um dos resultados do envolvimento com o projeto. “O que nos alegra é saber que eles, assim como outros jovens, estão com um real desejo de mudar o mundo através do amor, e começaram a entender que esse amor só pode vir do Criador.” “Procure amar e cuidar assim como Jesus faz com você. Quando se propuser a isso, Ele abrirá o caminho para que algo relevante aconteça às pessoas com quem se relacionar, e milagres vão acontecer através de você, porque Ele quer e vai te usar”, incentiva Marceli.

Resultados

Não são poucos os testemunhos que marcaram o projeto. Mas uma história é especial. Tiago Dias e Felipe Rios fazem um trabalho voluntário em hospitais e outras instituições. Eles se fantasiam e levam alegria aos doentes. Na primeira ação do “Desabafe”, os dois foram os primeiros a desabafar. Eles conversaram bastante com o pastor Victor Bejota e sua esposa Danielly Villarroel. A conversa foi tão intensa que no mesmo dia eles já pediram para participar do projeto, pois queriam fazer o bem aos outros, assim como os voluntários fizeram a eles. No dia seguinte, Dias relatou ao seu amigo Rios que, naquela noite, ao chegar em casa, ajoelhou-se e chorou muito ao conversar com Deus, algo que ele nun-

Para incentivar a hidratação física, voluntários distribuíram água gratuitamente

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IAP

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Dos 800 candidatos inscritos no vestibular de teologia do IAP, 60 compõem a primeira turma do SALT, com sede regional no Paraná

IAP abre quarto seminário teológico no Brasil Cerimônia inaugural do curso de teologia contou com representantes da Igreja Adventista de todo o país e exterior Por Carolina Perez

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denilson Batista de Jesus rodou mais de dois mil quilômetros de Aracaju, Sergipe, até Ivatuba, interior do Paraná. Acompanhado da esposa, o sergipano pretende residir na região norte do estado pelos próximos quatro anos. O jovem explica que mesmo vindo de tão longe, valeu a pena encarar a mudança. Isso porque Adenilson está entre os 60 alunos classificados para a primeira turma do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT), com sede regional no Instituto Adventista Paranaense (IAP). Após competir por uma vaga com outros 800 candidatos, o estudante comemora a conquista. “Quando recebi a notícia de que havia passado no vestibular, fiquei muito feliz. Hoje inicio a primeira fase do sonho de servir a Deus como ministro da Igreja Adventista”, relata. O quarto seminário teológico adventista no Brasil tem o intuito de preparar pastores para o contexto da pós-modernidade, levando em conta os desafios de evangelização em grandes centros urbanos, em comunidades fortemente influenciadas pelo existencialismo e descrença em Deus. Entre os temas que serão abordados durante os quatro anos de seminário no IAP, destacam-se o trabalho evangelístico com jovens e crianças e o elo entre a Bíblia e a ciência. O diretor do SALT do IAP, pastor Paulo Santos, explica que, ao

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Adenilson e sua esposa ficarão no Paraná pelos próximos quatro anos

IMAGENS: IAP


“Não temos dúvidas de que foi Deus quem estabeleceu o curso teológico no IAP” contrário do que é divulgado por grupos científicos, descobertas feitas em áreas como biologia, astronomia e química reforçam a existência de Deus. “Ao finalizarem este ciclo acadêmico, desejamos que os teologandos defendam e apresentem a fé cristã também amparados em evidências científicas.” A aula inaugural do curso teológico do IAP contou com a presença de representantes das diversas áreas e instituições da Igreja Adventista no Brasil e exterior, bem como autoridades civis e regionais. Entre alunos, comunidade e visitantes, cerca de 500 pessoas prestigiaram a programação. No início da cerimônia, o diretor geral do IAP, Gilberto Damasceno, fez agradecimentos à organização da Igreja e aos colaboradores da instituição. Segundo o líder, o curso é uma conquista em equipe, mas os benefícios desta implantação se estendem à comunidade circunvizinha. “Fomos grandemente abençoados com a chegada desse curso, justamente no ano em que completaremos 75 anos de existência”, acrescenta. Planejamento

A princípio, o curso de teologia seria implantado no Paraná apenas em 2016, mas, de acordo com o reitor do SALT para oito países da América do Sul, pastor Reinaldo Siqueira, os planos de Deus eram outros para a Igreja Adventista nesta

Durante a cerimônia, representantes da Igreja Adventista no Brasil e exterior falaram sobre o valor da teologia na família e na sociedade

região. “O que demoraria anos foi concluído em poucos meses. Normalmente, quando se faz o pedido para a abertura de um novo curso, o Ministério da Educação (MEC) tem o prazo de até dois anos para analisar a proposta. Demos entrada em abril do ano passado, mas em vez de dois anos, eles concluíram o processo em apenas alguns meses. Com isso, não temos dúvidas de que foi Deus quem estabeleceu o curso teológico no IAP”, avalia o pastor Siqueira. O presidente da Igreja Adventista para a região sul do Brasil, pastor Marlinton Lopes, compartilha do mesmo sentimento. A exemplo do crescimento da Igreja em todo o Brasil, a cada ano, a região sul tem tido um número expressivo de novas igrejas e novos membros. Com isso, aumenta-se a necessidade de multiplicar o número de associações, distritos e, consequentemente, pastores. “Com o surgimento de mais pastores, cremos que existirá um avanço ainda maior. Poderemos vê-los em áreas estratégicas da Igreja e em regiões onde hoje ainda não há templos”, explica. O avanço e a disseminação das mensagens bíblicas são apenas consequências da influência exercida pelo cristão, aspecto minuciosamente pontuado pelo representante da Associação Geral da IASD mundial, pastor Ángel Manuel Rodríguez, durante a cerimônia traduzida pelo coordenador do SALT do IAP, pastor Márcio Costa. “Ministrar é melhorar os lugares por onde passamos. E esta tarefa não se limita aos pastores da nossa Igreja. Ela se estende a todos os cristãos. Uma comunidade jamais pode ser a mesma após a chegada de um discípulo de Cristo”, desafia. REVISTA MAIS DESTAQUE

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“Você é quem faz as suas escolhas, se vai fazer sucesso ou falhar”

IMAGEM: RAFAEL SAMPAIO

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Um exemplo de superação Como diz o ditado, quem quer consegue, quem não quer arruma uma desculpa. Ben Carson decidiu seguir a primeira ideia e, graças ao incentivo de sua mãe, tornou-se um médico de sucesso Texto: Mayra Silva | Entrevista: Rafael Sampaio e Vanessa Moraes

B

enjamin Solomon Carson nasceu em 1951, na cidade de Detroit, Michigan, nos Estados Unidos. Desde criança, Ben Carson, como é mundialmente conhecido, sonhava em ser psiquiatra. Entretanto, o garoto possuía temperamento agressivo, tirava notas ruins na escola e sua autoestima era baixa, fatores que impediam a tal realização. As condições financeiras de sua família eram outro empecilho para seu sonho. Aos 8 anos de idade, Carson enfrentou um problema familiar: a separação dos pais. Sonya Carson, a mãe, trabalhava em dois ou três empregos por dia para sustentar os dois filhos, sendo Curtis Carson o primogênito. Sonya queria mudar a vida do caçula. Ela limitou brincadeiras e tempo livre de Ben Carson, a fim de que ele pudesse estudar mais e fazer todas as tarefas escolares. Além disso, exigiu a leitura semanal de dois livros, e Ben Carson tinha que apresentar-lhe relatórios referentes às leituras realizadas. Ela mal conseguia entender o que o filho escrevia, uma vez que não possuía escolaridade suficiente para tal finalidade. Graças às atividades incentivadas pela mãe, Carson logo apresentou bons resultados na escola, deixando alunos e professores surpreendidos com seus novos conhecimentos. A partir de então, ele percebeu que não era burro, preREVISTA MAIS DESTAQUE

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Após a escola médica, Carson foi o primeiro afro-americano de neurocirurgia do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos cisava apenas se dedicar mais aos estudos. Isso fez com que, um ano mais tarde, o garoto se tornasse o melhor aluno de sua classe. E Ben Carson atribui isso à sua mãe, que o incentivou a estudar mais. “Ela fez uma grande diferença. Sentia-se como uma vítima e se recusava a deixar que nos sentíssemos assim também. Ela não queria que tivéssemos pena de nós mesmos e sempre enfatizava que devíamos controlar nossa vida. Sem essa influência, eu teria dado ouvidos a pessoas do ambiente o qual eu vivia, e provavelmente estaria morto ou sem nenhum sucesso”, revela. Com participação na Universidade Yale, Carson obteve licenciatura em psicologia. Depois, estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, onde seu interesse começou a ser direcionado para a área de neurocirurgia. Inclusive, a capacidade de raciocínio fez dele um ótimo médico cirurgião. Após a escola médica, Carson foi o primeiro afro-americano de neurocirurgia do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. E, aos

Carson estudou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, onde se interessou pela área de neurocirurgia

Miami, 1991

IMAGENS: DIVULGAÇÃO IMAGENS: DIVULGAÇÃO

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AS CRIANCAS PRECISAM TER

MAIS SAÚDE 12

2127-3030


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Ben Carson foi premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade, a honraria civil mais alta da Terra 33 anos de idade, finalmente tornou-se o diretor do Centro de Neurologia Pediátrica do hospital. O caso dos gêmeos siameses

Ben Carson fez cirurgias inovadoras durante os sete primeiros anos de sua carreira. Em 1987, o agora doutor Carson alcançou renome mundial pelo seu desempenho na cirurgia que separou dois gêmeos siameses unidos pelo crânio. Em cirurgias como essa, geralmente um dos dois pacientes morre. Porém, a operação complexa e delicada, que exigiu cinco meses e 22 horas de cirurgia, foi totalmente bem-sucedida. Carson foi o primeiro médico a realizar tal feito. “Foi uma cirurgia extremamente complexa. Nunca tinha alcançado tal resultado. Foi uma especial intervenção divina”, acredita o doutor. “Muitas vezes, parece que será impossível alcançar o resultado desejado. Mas Deus está no comando. Sei que Ele pode fazer tudo. E certo de que Ele pode me usar, ganho mais confiança.” Além do sucesso na separação dos gêmeos siameses, Carson adquiriu outras importantes colocações. Ele é membro da Alpha Omega Alpha Honor Medical Society, cuja dedicação está voltada à crença de que na profissão médica haverá melhor atendimento para todos. Em 2001, o doutor foi nomeado pelo canal de notícias Cable News Network (CNN) e pelo TIME Magazine como um dos médicos e cientistas mais importantes do país. O site Carson Scholars Fund (carsonscholars.org) menciona que, em 2004, Carson foi nomeado pelo até então presidente George W. Bush para servir no Conselho do Presidente sobre Bioética. Carson é um palestrante motivacional altamente considerado e gosta de dizer às pessoas que elas são feitas à imagem de Deus. “São seres inteligentes que necessitam desenvolver sua inteligência, precisam aprender história e

matemática, coisas que não são tão fáceis de se aprender, e também fazer uma crítica construtiva para serem pessoas de sucesso e líderes motivados”, aponta. Ele já abordou vários públicos de sistemas de ensino e grupos cívicos para corporações do presidente. Em 2008, Carson foi premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade, a honraria civil mais alta da Terra. Em 30 de junho do ano passado, o médico se aposentou, e hoje atua como professor emérito de neurocirurgia, oncologia, cirurgia plástica e pediatria na Universidade Johns Hopkins. Ele também escreve uma coluna semanal de opinião para o jornal diário The Washington Times e é contribuinte da Fox News. Devido ao seu grande reconhecimento, incontáveis prêmios e descobertas médicas, até ganhou um filme sobre a história de sua vida, intitulado de “Mãos Talentosas”. O ator Cuba Gooding Júnior é quem o interpreta no longa-metragem, dirigido por Thomas Carter, com roteiro de John Pielmeier.

jornal internacionalmente conhecido. Carson é interessado em todos os aspectos de neurologia pediátrica, mas seu interesse especial está voltado aos estudos de neuralgia trigeminal (em adultos), caracterizada por uma forte dor em um lado do rosto, que permanece por alguns segundos, desaparece e reaparece com intensidade e em intervalos variáveis de tempo. Hoje, Ben Carson e sua esposa Candy dedicam-se na expansão da fundação Carson Scholar, uma entidade que assegura duas iniciativas principais: Carson Bolsas e Projeto Ben Carson Leitura,

Publicações

Médico com renome internacional, Carson é autor de mais de cem publicações que envolvem o tema neurocirurgia. Ele também escreveu cinco livros best-sellers. Sua quinta obra, “America the Beautiful” (América, a bela), lançada no início de 2012, estava na lista dos livros mais vendidos do The New York Times,

Carson é autor de mais de cem publicações que envolvem o tema neurocirurgia

“América, a bela”, ainda sem tradução no Brasil, foi o quinto livro escrito por Carson

IMAGENS: DIVULGAÇÃO | RAFAEL SAMPAIO

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cujos objetivos são, respectivamente, oferecer bolsas de estudos e financiar lugares onde as crianças possam descobrir a alegria da leitura independente. Por meio da Carson Scholars, o médico está interessado em maximizar o potencial intelectual da criança. “Indo às escolas, via muitos troféus de basquete e futebol, mas não prestava atenção especial às ‘Superestrelas Acadêmicas’. Então, começamos a fazer programas para crianças com alto desempenho acadêmico e queríamos ajudar a incentivar e cultivar os líderes de amanhã”, considera.

“Colocamos esses alunos em programas de leitura, que ganham pontos pela quantidade de leituras que realizam e horas de dedicação. Com o tempo, isso passou a refletir muito no sucesso escolar delas.” Além dos livros “Mãos Talentosas” e “America the Beautiful”, já foram publicados “Ben Carson”, em que o autor conta a história de sua vida, e “Sonhe Alto”, onde ele descreve sua fórmula pessoal para obter sucesso. No livro “A Grande Visão”, a narrativa trata-se de sua trajetória na medicina, seu amor por crianças e pela família, lições aprendidas ao longo dos

anos, o trabalho humanitário em favor dos necessitados e mensagens de incentivo para quem quer superar obstáculos e ser um vencedor. Em “Corra o Risco: Aprendendo a Identificar, Escolher e Viver Sob Risco Aceitável”, Ben Carson defende os aspectos positivos de correr riscos, como aconteceu com ele quando fez a separação dos gêmeos siameses. Hoje, o médico trabalha em uma nova obra e tem boas expectativas sobre ela. “Atualmente estou desenvolvendo um livro chamado ‘Saving Our Future’ (Salvando nosso futuro), onde falo sobre o

Ben Carson na África do Sul Durante um congresso que reuniu jovens adventistas de todo o mundo, Ben Carson realizou palestras e concedeu uma entrevista exclusiva à Mais Destaque

A

África do Sul recebeu mais de três mil jovens, representantes de 93 países, na terceira edição do Congresso Mundial de Jovens Adventistas, o “Jesus in the city” (Jesus na cidade). O evento foi promovido pelo departamento de Jovens da Associação Geral, um dos órgãos administrativos da Igreja Adventista. O congresso aconteceu entre os dias 1° e 13 de julho de 2013, em Joanesburgo, na África do Sul. O doutor Ben Carson esteve presente no congresso. No penúltimo dia do evento, 12, ele falou ao público, mencionando o verso descrito em Romanos 8:31: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”, e pediu para os jovens exercerem sua força de vontade e se comprometerem com Deus. “Jesus deu a cada um de nós algo extremamente especial: a força de vontade.

Você não tem que ceder”, pontuou em uma de suas apresentações. O diretor comercial da revista Mais Destaque, Rafael Sampaio, conseguiu uma entrevista exclusiva com Ben Carson, publicada na matéria de capa desta edição. O médico falou sobre sua infância, carreira profissional, o incentivo da mãe quanto à leitura e estudos na época em que era criança e sua vida como paciente, quando foi vítima de um câncer de próstata. No último dia do congresso, cerca de 30 mil expectadores compareceram no estádio Lucas Masterpieces, local onde acontecia o evento, para acompanhar a programação. O ponto mais alto do congresso foi a qualidade dos apresentadores que conduziram as palestras. Isso ajudou a cumprir o objetivo de restaurar a missão de Cristo como prioridade na vida da juventude.

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O primeiro contato de Ben Carson com a fama foi em 1987, quando fez a separação dos gêmeos siameses que precisa ser feito para que as pessoas acordem espiritualmente e também tenham responsabilidade física. Com esses assuntos organizados, nossos filhos e netos serão melhores sucedidos”, acredita. Preferência

Em entrevista ao site Diálogo Universitário, Ben Carson diz que prefere ser médico a paciente. Em 2002, ele foi diagnosticado com câncer de próstata. Felizmente, a doença foi descoberta em

fase inicial e, a partir de então, o tratamento foi iniciado. Um estilo de vida mais saudável começou a fazer parte de sua rotina, além de dedicar menos tempo ao trabalho e mais tempo à família. Carson afirma que descobriu o câncer através de alguns exames. Após tomar antibióticos e fazer outros tratamentos, recorreu a uma biópsia. A indicação inicial era 18% de probabilidade de câncer de próstata. No dia seguinte, ele soube que era um câncer de alto risco, algo que poderia matá-lo. Apesar de sentir certo temor, sua esposa Candy o lembrou de que Deus cuidaria de tudo. Apesar da surpresa negativa, Carson teve fé em Deus e se manteve forte. Ele acreditava que, mesmo se morresse, haveria uma razão. “A única coisa que realmente me entristecia era o pensamento de deixar minha família e amados. Eu sabia que o câncer ainda não estava espalhado, mas sim em um estágio inicial. Era possível algum cuidado médico especial”, lembra o médico. Ele até mesmo comparou sua história com a de Jó, o personagem bíblico, e declarou que,

Ben Carson e sua esposa, Candy Carson, dedicam-se ao crescimento da fundação Carson Scholar

até à morte, confiaria em Deus e em Seu poder para curá-lo. Hoje, Ben Carson está livre do câncer. A operação foi bem-sucedida e a doença estava restrita, há apenas um milímetro de se alastrar. Mas os nódulos eram negativos e os nervos foram poupados. Apesar dos medos, essa experiência aprofundou seu relacionamento com Deus. Ele sempre iniciou e finalizou seus dias com o estudo da Bíblia e oração. Igreja e holofotes

O primeiro contato de Ben Carson com a fama foi em 1987, quando fez a separação dos gêmeos siameses. A partir de então, ficou conhecido mundialmente. “Eu atribuo a Deus qualquer sucesso que tive, porque muitos casos acontecem só uma vez na vida, e a maioria deles pode ser complexa, como o caso da cirurgia que fiz nos gêmeos. Então, tenho sido bem-sucedido porque Deus está à frente e sei que não possuo tanta sabedoria para fazer isso. Tenho certeza de que Deus está envolvido e fazendo tudo”, pontua Carson. Segundo uma entrevista divulgada pela Rede Adventista de Notícias (news. adventist.org), em abril do ano passado, Carson sente responsabilidade com a atenção que recebe da mídia. “Não há dúvida de que Deus define essas coisas.” Além de sentir sua vida sendo orquestrada por Deus, Carson também contou que, em espírito de oração e humildade, reconhece que constantemente deve assegurar-se de se manter em segundo plano, pois o primeiro lugar é sempre de Deus. Ben Carson é adventista do sétimo dia. Ele tem orgulho de acreditar no fato de que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, teoria que sempre defenderá. Em seu livro “Mãos Talentosas”, o médico sugere aos leitores que nunca excluam Deus de suas vidas e não se sintam maiores do que Ele. Além disso, deixa outro conselho: “Você é a pessoa que tem mais a ver com a sua vida. Você é quem faz as suas escolhas, se vai fazer sucesso ou falhar. Se fizer boas escolhas terá uma vida extremamente boa. Pelo contrário, terá que sofrer as consequências.” IMAGENS: RAFAEL SAMPAIO

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Empresarial

Foco nos pontos fortes da empresa Qualquer empreendimento existe para dar resultado. Muitos empresários têm dificuldades para alcançar metas

Lucratividade em seus negócios

Douglas Perez Barros é contador da Perez Barros Contabilidade douglas@perezbarros.com.br

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ma das características principais do ser humano é a valorização do negativo. Podemos ver isso nos noticiários e nas manchetes dos jornais. A maior parte deles destaca a violência, catástrofes, tragédias e corrupções. Podemos avançar um pouco mais e ver que as famílias também sofrem com esse problema. Os casais destacam o lado negativo do cônjuge ao invés de valorizar as virtudes dele. Pais criticam e condenam seus filhos, mas não dão importância quando estes realizam algo bom. A Bíblia afirma que um dos sinais dos últimos tempos desta Terra é o amor, que se esfriará no coração de quase todos. No ambiente empresarial, não existem tantas diferenças. Podemos tratar dos relacionamentos no trabalho, que também passam por grandes dificuldades, afinal, passamos a maior parte do nosso tempo convivendo com pessoas diferentes, no que diz respeito à educação, valores e princípios. Mesmo assim, todos precisam conviver em harmonia para que a empresa ofereça um ambiente agradável e alcance seus objetivos. Qualquer empreendimento existe para dar resultado. Muitos empresários têm dificuldades para alcançar metas, e, mesmo quando dedicam mais do que devem ao trabalho, esforçando-se ao ponto de esgotar o vigor físico e mental, não conseguem os resultados esperados. O empresário se envolve exageradamente com tarefas rotineiras e fica sem tempo para conhecer os pontos positivos da empresa, razão pela qual não melhora a lucratividade. Cuidar do redemoinho é importante para garantir a continuidade do negócio, mas o que fará a diferença é a prioridade nos pontos fortes e a exploração deles. Pontos fortes são características ou recursos disponíveis que facilitam o cumprimento da missão da empresa. Essas características tornam sua imagem mais atraente, respeitada e competitiva. É importante saber o que diferencia positiva52

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mente a sua empresa das demais, a fim de potencializar esses pontos e extrair deles o máximo de benefícios. Esse processo não passa de uma ferramenta de precificação, pois é baseado em três enfoques: custo, concorrência e valor percebido pelos clientes. Se em seu produto ou serviço o diferencial for identificado claramente pelo cliente, ele até paga mais, pois compreende quais são os pontos fortes que tornam o seu produto diferenciado no mercado. Mas cuidado se você não consegue fazer nenhuma distinção em relação ao seu negócio e ao dos concorrentes. Só alcançarão o sucesso aqueles que fazem a diferença. Portanto, estude, pesquise, identifique seus pontos fortes, os aperfeiçoe e os apresente ao seu público-alvo, assim, você alcançará os resultados desejados. Contudo, não se conforme com o seu ponto forte, pois aquilo positivamente que o torna diferente hoje poderá ser comum amanhã. Busque sempre inovar e crescer para que sua empresa tenha vantagem competitiva no mercado. IMAGENS: CANSTOCKPHOTO


Conta corrente

Sucesso financeiro em cinco regras Aprenda a valorizar seu dinheiro com dicas básicas

I

magine que duas famílias diferentes possuem a mesma renda. A família “A” apresenta um bom nível de bem-estar e uma situação financeira organizada. A família “B”, no entanto, atrasa as contas, tem uma situação financeira problemática e não consegue poupar. Se a renda mensal é a mesma para ambas, como explicar a diferença entre o estilo de vida de cada uma? A questão não tem a ver com números, mas sim com a mente, com emoções. Ainda que o rendimento das duas famílias seja igual, o que explica a diferença entre a situação financeira delas é, em primeiro lugar, a postura emocional diante do dinheiro e, em segundo lugar, as habilidades para manejar finanças. Se você não quer correr o risco de fazer companhia à família “B” e passar a sua vida se debatendo com problemas de dinheiro, cuide da sua educação financeira. Há dezenas de atitudes importantes para a evolução pessoal. Entre elas, destacam-se as seguintes:

ENFRENTAR

As emoções que dificultam o progresso material

ADQUIRIR

Conhecimento financeiro

TREINAR

Quando você faz um planejamento financeiro, é preciso deixar espaço para modificações corretivas Antonio Tostes é diretor geral da Rede Novo Tempo de Comunicação

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As habilidades necessárias para manejar ganhos, gastos e investimentos

DESENVOLVER

A capacidade de agir IMAGENS: STOCK.XCHNG


AS REGRAS

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O caminho do progresso pode ser longo e árduo, mas vale a pena. Há cinco regras de ouro que merecem destaque especial em um plano de ação e podem te ajudar muito. Veja:

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Interessar-se pelo assunto “dinheiro” Quando você admite a existência de um fato ou um problema, seu cérebro começa a processar uma rede de informações e conexões sobre aquilo. É o começo da etapa “interessar-se”. Nos assuntos relacionados ao dinheiro não é diferente. São fatos da vida. O melhor que podemos fazer por nós, por nossa família e por nosso país é adotar uma atitude de atenção e interesse nessas questões. Todavia, interessar-se é um processo mental, uma manifestação de vontade que precede a qualquer ação prática.

Expandir a sua inteligência financeira Para que isso ocorra, é necessário estudar. É um ato solitário. Exige tempo, paciência e disciplina. Se você quer melhorar suas condições, adquira conhecimento. Estudo sem ação não produz resultado, e ação sem estudo pode produzir resultados negativos. Além disso, não há uma forma única de estudar e aprender. Para cada tipo de inteligência existe uma maneira apropriada. Descubra qual é o seu e mãos à obra.

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Organizar sua vida financeira Muitas pessoas têm a vida financeira completamente desorganizada. Há dois tipos de organização: a burocrática documental e a operacional. A primeira se refere à ordem e à arrumação dos papéis e documentos e seus respectivos registros. A segunda diz respeito ao planejamento, à tomada de decisão e à execução de gastos e investimentos. Se você tem dificuldade em entender e classificar os documentos conforme a lógica contábil, procure ajuda de um financista ou contador.

Planejar suas metas financeiras Se você tem um objetivo do tipo “quero ter reservas financeiras quando me aposentar”, terá apenas um objetivo geral. Por mais que trabalhe para atingi-lo, não será possível fazer avaliações consistentes ao longo do caminho. É necessário, por exemplo, querer atingir um valor em reais para ter algo mais palpável. Se você deixar claro o que quer obter, terá “alvos” que vão balizar suas ações em relação aos ganhos, aos gastos, à poupança e aos investimentos.

Disciplinar-se para executar planos com êxito Quando você faz um planejamento financeiro, é preciso deixar espaço para modificações corretivas, que são necessárias em função da mudança dos fatos da vida. Considerando que a realidade sempre apresenta diferenças em relação ao previsto, o planejamento deve ser flexível para permitir correções de rumo. A disciplina é uma característica que, embora esteja ligada a traços da personalidade do indivíduo, pode ser aprendida.

Cuide de sua educação financeira para evitar problemas com dinheiro ASSISTA AO PROGRAMA SALDO EXTRA TV NOVO TEMPO | SKY CANAL 14 DOMINGO, ÀS 18H30 | REPRISES: SEGUNDA ÀS 23H, QUARTA ÀS 20H, QUINTA ÀS 8H E SEXTA ÀS 10H www.novotempo.com/saldoextra

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Perfil

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a voz do brasil Com extensa carreira no Jornal Nacional, Cid Moreira sente-se realizado com os trabalhos evangélicos de que participa Entrevista: Siloé Almeida | Texto: Vanessa Moraes

Com mais de mil comerciais em seu portfólio, o jornalista também conta com uma vasta lista de participações no cinema Siloé Almeida é consultor e jornalista www.consulsiloe.com

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jornalista Cid Moreira começou sua carreira em Taubaté, São Paulo, em 1944, aos 17 anos de idade. Em 1948, foi contratado pela Rádio Bandeirantes de São Paulo. Dois anos depois, assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, onde trabalhou por 13 anos. Após a rádio ter sido cassada, na revolução de 1964, o jornalista passou a integrar a equipe do jornal de Vanguarda, da extinta TV Excelsior, e em 1969, assinou contrato com a TV Globo. Moreira participou do lançamento do Jornal Nacional, onde foi apresentador por três décadas. O feito rendeu-lhe reconhecimento no livro de recordes Guinness Book, sendo registrado como o apresentador que ficou mais tempo no ar em um jornal televisivo. Ele também fez parte do lançamento do programa Fantástico, sendo colaborador até hoje. Com mais de mil comerciais em seu portfólio, o jornalista também conta com uma vasta lista de participações no cinema, como documentários. Entre suas atividades atuais estão palestras, gravações de espera telefônica, gravação de CDs com poemas e textos de homenagens, além de outros trabalhos que lhe aparecem constantemente. No meio evangélico, Cid Moreira tem participação especial em álbuns góspeis, gravou CDs com versos bíblicos e a Bíblia por inteiro. Recentemente, gravou o livro de meditações do evangelista Alejandro Bullón, “Janelas para a Vida”, pela Casa Publicadora Brasileira (CPB). Esse tipo de produção agregou um diferencial nos trabalhos do jornalista. “Esse foi o maior presente da minha vida! Além de manter contato com o público que sempre me prestigiou, também sinto-me privilegiado por poder divulgar a Palavra de Deus. Gravei passagens bíblicas que venderam mais de 30 milhões de cópias e passei a me questionar: ‘por que não produzir a Bíblia toda, já que as pessoas gostam?’ Essa vontade se tornou cada vez mais real com a gravação da Bíblia na íntegra. Hoje, tenho a felicidade de anunciar o aplicativo You Version, que se encontra disponível gratuitamente no bíblia.sbb.org. br, de Gênesis a Apocalipse”, confessa. A gravação integral da Bíblia não era uma produção barata. Moreira tentou achar uma solução para viabilizar o projeto e questionou o consultor Siloé Almeida, que conversou com o empresário Milton Afonso e logo pôde contar com sua ajuda. IMAGENS: ARQUIVO PESSOAL


Cid Moreira e sua esposa Fátima durante passeio em Cafarnaum

Entre as gravações bíblicas de Moreira, está o disco “Sermão da Montanha”, em formato LP, gravado em Teresópolis, Rio de Janeiro, no cenário da montanha conhecida como “Dedo de Deus”. “Fiquei tão grato e emocionado com o resultado daquela produção que declarei: ‘Há 25 anos eu levo a todos os lares do país notícias nem sempre boas que tento amenizar com um ‘Boa Noite’. Mas, a partir de agora, quero levar o Evangelho, que são notícias de Deus, até o meu último dia de vida’. É o que venho fazendo até hoje. Eu considero essa a minha última fase. É para onde vai toda a minha dedicação. Considero como minha fase áurea. Estou muito satisfeito”, declara. Eterna dedicação

Para Moreira, a experiência no rádio foi a base para sua vida profissional. “Lá aprendi a usar a minha voz, a fazer entrevistas e narrações, além de diminuir minha timidez e a me preparar para o trabalho na televisão.” Durante todos os anos de trabalho, o jornalista concluiu que os meios de comunicação têm grande poder de influência, seja para o bem ou para o mal. Como profissional da área, ele afirma que aqueles que exercem o papel de comunicador têm acesso ao público e à sua intimidade. “Ou

seja, na casa, na hora do lazer e no trabalho apresentam ideias, filosofias e vendem produtos”, assegura. Quando a televisão chegou ao Brasil, em 1950, os profissionais da comunicação tiveram que se adaptar ao novo meio. Cid Moreira acredita que o maior desafio para os apresentadores, naquela época, era acreditar na popularidade da TV. “O rádio dominava a audiência e ninguém acreditava ainda no sucesso da televisão. Eram poucos aparelhos, poucas pessoas podiam assistir. Era um veículo novo e o que sabíamos provinha de experiência em rádio e teatro, outros tipos de linguagem. Quando as novas mídias vão surgindo, as anteriores continuam com seu espaço, o que ocorre é apenas uma adaptação e cooperação”, explica. Segundo Moreira, durante toda a carreira, o entusiasmo e a dedicação à vida profissional só aumentam. Cada vez que entra em um estúdio para gravar é como se o estivesse fazendo pela primeira vez. “Meu empenho é o mesmo tanto para um trabalho comercial, em que ganharei um cachê, quanto para um voluntário. E quando é para a honra e glória de Deus, então, fico maravilhado”, assinala. Hoje, o jornalista e também redator continua na TV, em programas de rádio e nas mídias sociais. Ao falar sobre sua vida profissional, ele diz: “Minha prioridade será fazer programas cristãos e divulgar mensagens bíblicas”.

Meu empenho é o mesmo tanto para um trabalho comercial quanto para um voluntário. E quando é para a honra e glória de Deus, fico maravilhado”

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FE

300 de Gideão Projeto trabalha na construção de novas igrejas e batiza milhares de pessoas Por Mayra Silva

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vangelistas, líderes, pastores distritais e membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) participam do projeto evangelístico “300 de Gideão”, cujo foco está na construção de igrejas. Mais de 25 auxiliares são responsáveis pelas atividades do projeto. Eles trabalham como obreiros bíblicos, levando pessoas a entregarem suas vidas a Jesus por meio do batismo. A atuação das atividades ocorre nos estados do Ceará, Paraíba e Piauí. Segundo Vagno Caetano, coordenador do projeto, o “300 de Gideão” acontece há 25 anos, sem interrupções, durante 24 horas por dia. “O mais importante é que há pessoas que não conhecem o projeto e, junto com os que conhecem, mantêm as atividades com doações voluntárias”, comemora Caetano. A professora Iraci Castelo Cunha, que lecionou durante 40 anos no Instituto Adventista de Ensino (IAE) de São Paulo, foi a idealizadora do projeto, que surgiu em resposta a um sonho. Iraci tinha o desejo de levar as mensagens pregadas pelos adventistas aos moradores do Ceará. Ela era cearense e tinha a vontade de evangelizar, primeiramente, sua cidade natal, Crato, que apresenta quase 124 mil habitantes. Iraci faleceu em 2004. Daí em diante, Vagno Caetano assumiu a coordenação geral do projeto, que, além dos colaboradores regulares, conta também com a colaboração da Federação dos Empreendedores Adventistas do Brasil (FE). Além da construção de igrejas, o projeto também distribui roupas, cestas básicas e remédios às pessoas necessitadas. Para que ele continue em andamento, e da melhor maneira possível, os evangelistas envolvidos no trabalho são selecionados e recebem treinamentos anuais realizados pelo projeto juntamente com a União Nordeste Brasileira (UNeB), sede administrativa da IASD para o estado. “Prestamos ao grande Doador da vida, Jesus, o Senhor, toda a nossa gratidão por ter nos dado a responsabilidade e o grande privilégio de já ter levado ao batismo mais de 40 mil pessoas através do projeto. Construímos e ajudamos a concluir, até o final do ano passado, mais de 350 igrejas”, aponta o coordenador do projeto. Por que “300 de Gideão”?

Deus escolheu Gideão e um pequeno grupo de 300 homens para libertar o Seu povo das mãos dos midianitas, que eram 58

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Novo templo da Igreja Adventista construída em Taquari - Piauí

inimigos de Israel. Com a ajuda de Deus, um pequeno exército conquistou uma grande vitória. A base desse relato se encontra no livro de Juízes 7:1-8, que diz: “Então Gideão se levantou de madrugada, e todo o povo que com ele havia, e se acamparam junto à fonte de Harode, de maneira que tinha o arraial dos midianitas para o norte, no vale, perto do outeiro de Moré. E disse o Senhor a Gideão: Muito é o povo que está contigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou. Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte e retire-se apressadamente das montanhas de Gileade. Então voltaram do povo 22 mil, e dez mil ficaram. E disse o Senhor a Gideão: Ainda há muito povo; faze-os descer às águas, e ali os provarei; e será que, daquele de que eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém de todo aquele, de que eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá [...] Com estes 300 homens que lamberam as águas vos livrarei, e darei os midianitas na tua mão [...]”. Foi por meio dessa história que surgiu o nome do projeto. Cada participante acredita que pode ser um Gideão, tomando parte nos resultados do trabalho desenvolvido. Para obter mais informações a respeito do grupo ou saber mais sobre como se tornar um “Gideão”, ligue para (85) 3641181 ou 364-1391. O projeto recebe cada vez mais adeptos e tem se mostrado eficaz na pregação do Evangelho. IMAGENS: Francisco de Assis


Profissão

Comércio de entretenimento e games é o maior do mundo, mas falta mão de obra qualificada no Brasil Por Mayra Silva

Quem não joga nada é porque ainda não achou o jogo certo”. Essas foram as palavras da escritora Martha Gabriel, consultora e palestrante nas áreas de marketing digital, inovação e educação, durante o Global Adventist Internet Network (GAiN DSA) de 2013, realizado na sede da Rede Novo Tempo de Comunicação, em Jacareí, São Paulo. Ainda em sua palestra, Martha disse que “a emoção comanda a atenção e afeta a memória”. Essa “emoção”, aplicada a games, pode ser uma das razões pelas quais as empresas têm investido em jogos eletrônicos. O profissional que cria o conceito e projeta os jogos é chamado de designer de games, game designer ou projetista de jogos. Antes, o mercado para o desenvolvimento de jogos era destinado às plataformas de videogames e computadores. Porém, com o crescimento

dos modelos de celulares e tablets, o desenvolvimento de jogos para essas plataformas vem se destacando e promete crescer cada vez mais no mercado. De acordo com a agência de notícias Reuters, o mercado de entretenimento e games é o maior do mundo. Aqui no Brasil, essa indústria está apenas no início, e mão de obra qualificada está em falta. Entretanto, o espaço para desenvolver jogos para celulares, por exemplo, apresenta boas oportunidades. Aliás, o mercado mundial hoje é muito mais ativo do que alguns anos atrás. Segundo Roseli de Deus Lopes, vicecoordenadora do Centro de Instrumentação em Tecnologias Interativas da Universidade de São Paulo (USP), nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado para desenvolvedores de jogos eletrônicos é mais abrangente do que no Brasil, porém, tem maior concorrência. “Lá, o

mercado de games tem mais de 10% da fatia de cem bilhões de mercado. Além disso, você tem muito mais cursos do que aqui no Brasil”, aponta. “Mas hoje nós já temos, aproximadamente, 2% dessa fatia. Há muitos segmentos que as pessoas ainda não começaram a desenvolver e que usam toda essa tecnologia de jogos. E existem mercados aqui no país que ainda não foram explorados.” André Tonelli faz parte do Núcleo de Implementação de Jogos Android (NINJA) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. O grupo foi criado com o intuito de ensinar e aprender a desenvolver jogos eletrônicos e, por questão de oportunidade, mercado e didáticos, o sistema Android foi escolhido. “Meu interesse em trabalhar com jogos veio antes da faculdade. Creio que todos os que buscam trabalhar com jogos têm esse interesse desde quando começaram a conhecer esse universo de maneira simples: jogando”, comenta Tonelli. “O interesse em desenvolver para Android veio com a evolução do mercado que o sistema operacional sofreu quando o grupo de estudos foi fundado. Além das disciplinas do currículo da universidade, todos buscamos cursos on-line de formação na área de jogos e de desenvolvimento para Android.” De acordo com as experiências de Tonelli, o mercado é extremamente concorrido. “A cada dia novas tecnologias surgem. O que eu recomendo é que, ao invés de ser um especialista em programação de jogos com a ferramenta X na linguagem Y, o cara seja aquele que sabe muito bem como programar jogos no que quiserem que ele programe. O mesmo vale para artistas, produtores, games designers e testadores. Eles devem estar sempre a par das novas tecnologias e, para começar, buscar estudar os conceitos da área desejada e não a mais nova ferramenta”, recomenda. A criação de jogos eletrônicos é uma área nova no mercado. É brincando que, praticamente, os profissionais trabalham. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames), existem em torno de 200 empresas de jogos no Brasil, mas não existe um censo daquelas especializadas por plataformas, imagens: canstockphoto/ divulgação

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Aplicativo sobre Heróis da Bíblia é gratuito e pode ser baixado para iPhone e iPad

ou seja, elas produzem de acordo com a demanda e para diferentes projetos e plataformas, tudo ao mesmo tempo. Ainda segundo a Abragames, cerca de 45 cursos na área de jogos estão espalhados pelo Brasil, como pós-graduação em programação, comunicação, design, artes plásticas, design gráfico 2D e 3D, game disign, dentre outros. As carreiras que o mercado de trabalho mais busca são designers e programadores de jogos para redes sociais e plataformas móveis. Cerca de 80% dos empregados têm nível superior. A remuneração varia de 1.200 a 10 mil reais, dependendo do cargo. No Recife, por exemplo, existem aproximadamente 20 empresas de games que contratam cerca de 350 pessoas. Porém, faltam profissionais para ocupar essas vagas. O mercado mundial de videogames vale cerca de 56 bilhões de dólares, de acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Esse valor equivale a duas vezes o tamanho da indústria fonográfica, um quarto maior que a indústria de revistas e mais ou

menos três quintos o tamanho da indústria do cinema, levando em consideração as vendas de DVDs e as receitas de bilheterias. A PwC prevê que o videogame será a plataforma midiática que crescerá mais depressa nos próximos anos, com as vendas subindo para 82 bilhões de dólares até 2015. E por falar em crescimento, no Brasil, mais de 20 instituições oferecem cerca de 50 cursos ligados ao desenvolvimento de games, como técnico, graduação e pós-graduação. A Anhembi Morumbi, em São Paulo, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, são exemplos dessas instituições. Investimento na Igreja

Algumas empresas têm investido em games e novas tecnologias para atrair seu público-alvo. O pastor adventista Samuel Neves, da congregação de Wimbledon, Londres, Inglaterra, supervisionou e coordenou o desenvolvimento do jogo “Heroes, the game”, um aplicativo desenvolvido para o sistema IOS dos produtos da Apple, como iPhone e iPad. No “Heroes, the game”, o usuário tem até 60 segundos para responder as perguntas formuladas a partir das histórias de alguns personagens bíblicos. Com o

“Quem não joga nada é porque ainda não achou o jogo certo”

jogo, o público adventista adquire mais conhecimento. Então, neste contexto, colocando a Igreja como uma empresa, o objetivo proposto pelo pastor, ao lançar o game, é alcançado. Aliás, a linguagem do jogo faz jus ao público-alvo, que pretende saber e guardar cada vez mais as histórias mencionadas na Bíblia. Além do público adventista, o Heroes pode contribuir, de certa forma, na pregação do Evangelho. Pessoas que não têm o costume de estudar a Bíblia podem baixar o aplicativo em celulares e tablets e ficar por dentro das atividades que os heróis bíblicos realizaram. Assim, os jogadores tomam para si conhecimento sobre pessoas que viveram nos tempos de Jesus. Com isso, a curiosidade de se aprofundarem no estudo da Bíblia pode se tornar mais evidente. Deus capacita pessoas para desenvolver Sua obra aqui na Terra. Fazer o dom de desenvolver um jogo eletrônico bíblico se tornar profissão pode contribuir para o avanço da volta de Jesus a este mundo. Por que não? Os dons que Ele deixou para Seus filhos são variados. Aliás, que graça teria se Deus tivesse dado dons iguais para todos? Entretanto, é preciso ter cuidado ao procurar e utilizar o dom concedido a cada ser humano. “Procurai com zelo os melhores dons; e Eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (1 Coríntios 12: 31). A Igreja Adventista tem crescido na pregação do Evangelho por meio dos conteúdos disponibilizados para diversas plataformas digitais. As empresas de comunicação da Igreja têm desenvolvido meios de as pessoas ficarem mais conectadas ao Evangelho e focadas na pregação dele. Aplicativos da Lição da Escola Sabatina, do Hinário Adventista e livros denominacionais são exemplos de divulgações digitais. REVISTA MAIS DESTAQUE

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Estilo

É fácil ser bonito Tenha uma imagem inspiradora e que expresse confiança Por Emanuelle Sales, criadora do blog Bonita Adventista

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posto que você já observou um casal e pensou: “Nossa, como ele conseguiu uma namorada tão bonita?” Ou então: “Esse menino ganhou na loteria com a namorada que conquistou.” Vou dizer algo que vai causar espanto: beleza é tudo! Calma, vou explicar melhor. Não disse que beleza física é tudo. Disse apenas “beleza”. Os homens modernos também conversam sobre assuntos de moda, beleza e bem-estar. Aprendem sobre como se vestir, a influência do visual e a importância de manter uma boa aparência. O tema desta edição vai ensinar a esse público a ter uma imagem inspiradora e que expresse beleza e autoconfiança. Não vamos falar de moda nem de cuidados com o corpo. Vou contar-lhe os segredinhos de como ser bonito, independente do seu rosto, corpo ou tamanho.

UM HOMEM E SEUS CINCO SEGREGOS:

1

2

3

4

5

Olhar

Postura

Sorriso

Cabelos

Estilo

Quando conversar com alguém, olhe nos olhos da pessoa. Isso mostra que você se importa com ela. Mas não deixe parecer que está encarando-a, por isso, aja naturalmente, olhando em todo o seu rosto. Mostre que você está à vontade.

Costas retas e cabeça erguida. Isso tem um poder incrível de mostrar autoconfiança. A boa postura não muda só a maneira como os outros o veem, mas como você se enxerga também. Assim, você vai se sentir mais seguro.

Abuse do sorriso. Encarar o mundo com um sorriso no rosto, daqueles que formam até ruguinhas no canto dos olhos, torna você mais atraente, positivo e ainda eleva seu valor no mercado de trabalho. Mas mantenha os dentes bem cuidados e limpos.

O cabelo expressa muito de nós, por isso, fique de bem com ele, tente mantê-lo bem tratado e combinando com o seu estilo de vida. E claro, mostre que ama suas madeixas, seja no trabalho ou na vida pessoal. Assim, você terá melhor humor.

Não vá na onda dos outros. Não se vista, nem ande, coma ou fale igual todo mundo. Mostre que você é feliz em ser quem é. Isso transmite segurança e originalidade. Com essas dicas, só resta te dizer: viva e seja feliz.

IMAGENS: canstockphoto

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Fique por dentro

Em Brasília, encontro fortalece diálogo sobre liberdade religiosa Práticas brasileiras servem de exemplo para outros países Por Jefferson Paradello

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e comparado a outros países do mundo, o Brasil é o que mais oferece liberdade religiosa aos seus cidadãos. Enquanto isso, um dos mais intolerantes quanto ao assunto é o Egito, que tem uma classificação de 8.9 em uma escala de 10. Para analisar esses dados e dialogar sobre ações e projetos que podem melhorar os índices no Brasil e em outras localidades, autoridades ligadas ao assunto se reuniram no dia 5 de fevereiro, na sede da Igreja Adventista para a América do Sul, em Brasília. O encontro contou com a participação do sociólogo Brian Grim, presidente da Religious Freedom & Business Foundation, primeira organização dedicada a educar empresas sobre o porquê a liberdade religiosa permitirá que essas sejam mais produtivas e bem-sucedidas. Durante anos, Grim foi pesquisador sênior do Pew Research Center, na área de Religião e Assuntos Mundiais, da qual se desligou no início de fevereiro. A instituição é globalmente conhecida por fornecer informações sobre tendências e temas que moldam o desenvolvimento do mundo e realizar pesquisas de opinião pública, demográfica, análise de conteúdos de mídia e de ciência social empírica. Diante dos dados sobre a questão da liberdade religiosa, Grim disse que outras nações precisam adotar práticas semelhantes às brasileiras. “Nós sabemos qual é o problema, mas também sabemos qual é a solução: o Brasil. O país tem uma história para compartilhar com o mundo”, destaca. O sociólogo crê que parte da mudança em relação ao assunto pode vir das companhias, a partir do momento em que compreenderem que a liberdade religiosa é boa para os negócios. Sua ideia também é utilizar os esportes para servir como uma ponte em relação ao assunto. Diálogo necessário

O presidente da Igreja Adventista para a América do Sul, pastor Erton Köhler, lembrou que o diálogo é importante e

A Igreja Adventista está aberta ao diálogo ecolaboração com os projetos que a organização de Brian Grim pretende desenvolver aqui

que a liberdade religiosa não é algo exclusivo de uma denominação. Ou seja, as decisões precisam favorecer outros grupos e devem respeitar suas crenças. “É uma luta que envolve todos aqueles que professam alguma fé. É por isso que precisamos unir forças em prol de um ideal comum, bem como parcerias para que continuemos a ter o direito de professar aquilo que acreditamos”, esclarece. Ele ainda afirma que a Igreja Adventista está aberta ao diálogo, análise e colaboração com os projetos que o Religious Freedom & Business Foundation pretende desenvolver aqui. “Cada igreja local deve ser um núcleo de defesa da liberdade de culto onde está inserida, ajudando os seus membros a entenderem que o ataque à liberdade religiosa é um ataque à dignidade humana”, explica o pastor Rafael Rossi, diretor de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para oito países da América do Sul. “Temos uma mensagem a ser proclamada, conforme as três mensagens angélicas de Apocalipse 14, e para fazer isso precisamos dessa liberdade.” Rossi pontua que alguns dos posicionamentos da International Religious Liberty Association (IRLA) servem de norte ao se tratar da questão, como chamar o povo brasileiro a promover ativamente os princípios da liberdade de religião

“Cada igreja local deve ser um núcleo de defesa da liberdade de culto onde está inserida, ajudando os seus membros a entenderem que o ataque à liberdade religiosa é um ataque à dignidade humana”

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IMAGENS: PORTAL ASN


Fique por dentro ou crença, como desenvolvida no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do corpo de instrumentos internacionais de direitos humanos, através de Fóruns, Congressos e Festivais de Liberdade Religiosa; instar o governo brasileiro para que fique atento e proporcione um ambiente positivo para a liberdade religiosa de acordo com padrões internacionais; encorajar os que supervisionam os processos constitucional e legislativo para oferecerem proteção à liberdade religiosa que não beneficie uma fé em particular, em detrimento daqueles que praticam outras religiões ou nenhuma religião; identificar formas concretas de se envolver na defesa da liberdade religiosa e garantir que ela seja sensível tanto ao contexto quanto à situação; reafirmar a separação entre Estado e Religião, devendo o Estado permanecer neutro e não hostil quanto às religiões, reconhecendo que estas contribuem positivamente na sociedade, garantindo nos termos da Lei a Liberdade Religiosa de todos e a proteção do fato religioso; entre outros aspectos. Também participaram da reunião o desembargador Flávio Cooper, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região; Damaris Moura, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OABSP); Gregory Clark, advogado internacional; Fábio Nascimento, advogado; Ney Garcia, jornalista; Samuel Gomes de Lima,

Sociólogo Brian Grim apresenta gráfico com países e índices de tolerância em relação à liberdade religiosa. Brasil é o país mais aberto em relação ao tema e serve de exemplo para outros

presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (Ablirc); Marcos Tavares, secretário de assuntos jurídicos do município de Cesário Lange, no interior paulista; pastor Luís Mário, assistente da presidência da Igreja Adventista para a América do Sul; Luigi Braga, diretor jurídico sulamericano da Igreja Adventista; e Vanderlei Vianna, assessor jurídico assistente sul-americano da Igreja Adventista.

Calebes em ação Salvador tem primeira equipe de Calebes surdos da América do Sul Por Ionara Wichinheski

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e acordo com o Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva, número equivalente a mais de 5% da população. Pensando neste grupo, a Igreja Adventista de Engenho Velho de Brotas, Salvador, Bahia, criou, há dez anos, o Ministério dos Surdos. Ali, os cultos são realizados na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Foi também a partir dessa iniciativa que a primeira equipe de Calebes surdos da América do Sul foi formada. Este ano, o grupo esteve na cidade de Catu, onde tiveram contato com 40 surdos. Conforme explica Josnan Fábio, líder da equipe, foram realizados estudos diários da Bíblia com essas pessoas e seus familiares. Em seguida, o grupo de estudantes organizou encontros, formando uma classe bíblica com a participação de 25 deficientes auditivos. Em Salvador, a jovem Cleice Santana frequenta o Ministério dos Surdos há dez anos, mas foi durante a Missão Calebe

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No município de Catu, Bahia, grupo organizou encontros e formou uma classe bíblica com 25 deficientes auditivos

que decidiu testemunhar publicamente de seu amor por Jesus. “Foi ali, falando de Deus para outras pessoas, que realmente senti o desejo de ser batizada. Sinto que minha fé cresceu e estou muito feliz”, compartilha. Além de Cleice, outros surdos de Catu também testemunharam publicamente o desejo de viver uma nova vida de preparação para a eternidade. No sábado, 15 de fevereiro, outro grupo entregou a vida a Jesus por meio de uma cerimônia batismal. IMAGENS: DIVULGAÇÃO


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Congresso discute sentimentos e emoções contemporâneos Evento reuniu psicólogos de todas as regiões do Brasil Por Murilo Bernardo

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ntre os dias 6 e 8 de fevereiro, aconteceu a segunda edição do Congresso Brasileiro de Psicólogos Cristãos, que ocorreu simultâneo à Terceira Jornada de Aconselhamento Cristão. Psicólogos, educadores, teólogos entre outros profissionais estiveram reunidos no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus São Paulo, para discutir sentimentos e emoções na contemporaneidade. Tércia Barbalho, coordenadora do curso de Psicologia do Unasp e organizadora do evento, explica que o objetivo do congresso foi trazer informações científicas, atualizar os conhecimentos na área da psicologia e levar propostas de trabalho e intervenções aos congressistas, além de promover a troca de conhecimento. “Os sentimentos permeiam a vida e os relacionamentos das pessoas, seja no trabalho, na família, em relação à própria pessoa e sua es-

Pró-reitora de pós-graduação e pesquisa do Unasp explica objetivo do evento

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piritualidade. Os sentimentos e as emoções na atualidade são: o que estamos sentindo hoje? O que estamos fazendo com o que estamos sentindo hoje? E como estamos nos protegendo do que sentimos hoje?”, informou. Essa temática atraiu congressistas de todas as regiões do Brasil. Houve representantes dos três estados do sul do país. Da região norte os participantes vieram do Amazonas, Pará e Rondônia. São Luís e Salvador no nordeste e Cuiabá e Goiânia representando o centro-oeste, além de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, tanto capital como interior. O participante Tácio Carvalho cursava psicologia em uma universidade de Goiânia. Seus princípios e crenças o motivaram a mudar de cidade e a buscar uma formação compatível com sua visão de mundo, em um local que, segundo ele, valoriza a neutralidade científica. “Uma instituição carrega consigo não apenas uma grade curricular que dá o direito ao aluno de ter uma formação profissional, mas também carrega crenças, valores e pressupostos que acabam, de certa forma, tendo grande influência na formação do aluno”, acredita. Durante a matrícula na faculdade, Carvalho soube do evento e gostou do tema. “Julguei importante estar aqui.” Os assuntos analisados nas palestras trataram desde temas como “Sentimentos como fonte para doença”, apresentado pelo doutor Adam Arechiga, da Universidade Adventista de Loma Linda, Estados Unidos, até “Conversando com

Além de psicólogos, Congresso contou com a participação de teólogos, educadores e outros profissionais da área de humanas

Clarice Lispector: uma discussão sobre Afeto, Emoções e Perdas”, ministrado pelo doutor Modesto Rolim Neto. Além das palestras, os congressistas participaram de uma das sete oficinas que, de forma prática, abordaram temas como “A Química das Emoções” e “Os significados emocionais da adoção”. O psicólogo Belisário Marques é pioneiro do curso de Psicologia do Unasp e tem mais de 40 anos de experiência clínica. Em sua palestra, ele esclareceu que não se deve misturar religião com emoção nem psicologia com religião. “De certa forma, a religião funciona como um mecanismo do indivíduo para enfrentar a vida. As pessoas que têm religiosidade ou espiritualidade desenvolvem melhor condição de saúde e de vida em relação aos que não têm”, explicou. Marques também ministrou uma palestra sobre “Conflitos Inerentes à luta pela Espiritualidade”.

Objetivo do congresso foi trazer informações científicas, atualizar os conhecimentos na área da psicologia e levar propostas de trabalho e intervenções aos congressistas

IMAGENS: divulgação


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Voluntários norte-americanos constroem igrejas na Bahia Iniciativa conta com o ministério Maranatha Volunteers International Por Ionara Wichinheski

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m grupo de voluntários visitou o estado da Bahia na última quinzena do mês de janeiro. A equipe, formada por 60 pessoas, a maioria com mais de 50 anos, deixou pronta a estrutura básica de dois templos que estão em uso por membros e amigos nas comunidades de Amado Bahia e Jardim Garcia, em Dias D’Ávila. Os voluntários fazem parte do Maranatha Volunteers International, organização sem fins lucrativos que há 40 anos é um ministério de apoio à Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) na construção de igrejas e escolas. O trabalho é realizado com recursos dos próprios integrantes, que também colocam a “mão na massa” para garantir que, em um curto espaço de tempo, comunidades sem presença adventista tenham um local para a adoração a Deus. Para a diretora da organização, Karen Godfrey, o grupo demonstrou muita alegria durante todo o tempo e leva um bonito referencial de como aguardar a volta de Jesus. “Realmente todos estiveram contentes por estar aqui. O Brasil é lindo, mas o que levamos de mais importante deste lugar é o relacionamento que construímos com as pessoas que conhecemos durante o projeto”, explica Karen, que há 25 anos lidera os mais variados grupos de voluntários. “Estamos maravilhados com o entusiasmo dos novos amigos em relação à volta de Jesus. Além disso, ficamos encantados com o anseio que eles têm em seus corações em vê-Lo voltar. Isso é realmente maravilhoso”, complementa.

Voluntários ergueram estruturas de duas igrejas baianas

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Na Bahia, uma equipe formada por 60 pessoas, sendo a maioria com idade superior a 50 anos, deixou pronta a estrutura básica de dois templos da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD)

Troca de experiências Durante o período em que esteve no Brasil, a equipe acompanhou o serviço missionário conduzido por um grupo de Calebes junto à comunidade de Amado Bahia. A programação realizada no entardecer de cada dia proporcionou ao grupo uma relação mais pessoal com amigos da localidade e os jovens do projeto. A união das duas iniciativas permitiu que os novos integrantes da Igreja Adventista tenham um templo para se reunir e estudar a Bíblia. Para o líder geral da IASD na grande Salvador, pastor José Wilson, é evidente que o Espírito Santo moveu o coração desses voluntários dos Estados Unidos. “Nosso desejo é que eles voltem. Os desafios aqui são muitos e, sem dúvida, contar com o apoio e comprometimento deles é motivo de gratidão”, comenta. Filipe Ferro, um dos coordenadores do projeto para a região nordeste, acompanhou os dias de atividades dos voluntários e considerou a iniciativa uma lição de humildade e determinação. “É bonito você observar uma igreja começar do nada, pelas mãos de pessoas com idade já avançada, mas com IMAGENS: DIVULGAÇÃO


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Construção das igrejas é realizada com recursos dos próprios integrantes do projeto Maranatha Volunteers International

uma determinação incrível. Eles nos deixam uma verdadeira lição de humildade ao utilizar tempo e recursos para proporcionar um local agradável para adorar a Deus”, afirma. Teresa Couch, uma das integrantes do grupo, viu no vo-

luntariado dos pais, que foram missionários no Brasil por dez anos, um exemplo a seguir. Hoje, ela também incentiva a participação do filho de 8 anos nas atividades e projetos do Maranatha Volunteers International.

Empreendedorismo em alta Diretores da Seven Editora falam sobre sucesso empreendedor Por Mayra Silva

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arcelo Inácio e Rafael Sampaio, diretores da Seven Editora, empresa que publica a revista Mais Destaque, conduziram uma palestra sobre Empreendedorismo no evento Fator 40 (www.fator40. com), um projeto de empoderamento de discípulos de Cristo para o tempo atual. O evento ocorreu no dia 2 de fevereiro, no Centro Adventista de Treinamento de Cotia, São Paulo. Inácio e Sampaio agradeceram ao pastor Diego Barreto, da Associação Paulista Sul (APS), que concedeu a eles a oportunidade de participação no evento. O empreendedorismo é uma área que tem crescido no mercado. A dedicação, persistência e ousadia aparecem como fatores imprescindíveis no processo para alcançar os objetivos pretendidos nessa área. “Atualmente, o Brasil passa por um momento favorável para as pessoas que desejam empreender, apresentando uma economia mais estável, o que viabiliza fazer um melhor planejamento”, aponta Inácio. Na palestra, os diretores da Seven Editora contaram a história da revista Mais Destaque como um exemplo de sucesso. Abordaram aspectos sobre como iniciar uma empresa, falaram sobre as dificuldades, a sociedade, área comercial, entre outros pontos. Como empreendedor, Marcelo Inácio deixa uma dica para quem quer ingressar nesse mercado. “Procure 72

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Durante palestra, diretores contaram a história da revista Mais Destaque como exemplo de sucesso

o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, que faz um papel de uma consultoria para os pequenos empresários”, aconselha.

“O Brasil passa por um momento favorável para quem quer empreender”

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rocha produçþes


rocha produçþes


Evidências

Os grandes exploradores Mais uma vez, a arqueologia comprova historicidade bíblica

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a edição anterior de Evidências, você conheceu o arqueólogo britânico Austen Henry Layard, que buscou encontrar no Iraque antigas civilizações mencionadas na Bíblia. Nesta edição, vamos falar sobre uma descoberta incrível em suas escavações. Em novembro de 1846, Layard estava em sua primeira fase de escavações. Os trabalhadores de sua equipe estavam desanimados porque o inverno se aproximava e por dias eles vinham escavando sem encontrar nada interessante. Além disso, Layard estava temeroso de que o dinheiro acabasse e, se isso acontecesse, não haveria condições de sustentar a expedição. Então, ele resolveu sair do campo de trabalho para organizar os pensamentos. Porém, antes de fazer isso, deu ordem para que os operários cavassem um fosso de 15 metros. A reclamação foi geral, pois o solo era duro e todos já estavam muito desanimados. Layard insistiu e a empreitada foi aceita. Ele montou em seu cavalo e

deixou vagarosamente o monte das escavações. O arqueólogo mal cavalgou para fora do sítio e eis que um operário veio ofegante e gritando para que voltasse, pois haviam encontrado algo que talvez fosse importante. Ele voltou. Os trabalhadores acharam uma pedra negra, polida, com inscrições e entalhes (hoje, essa peça está exposta no museu britânico ao lado de outras que Layard escavou). Na verdade, era um obelisco comemorativo de quatro lados, dois metros de altura e com cinco painéis de pequenas figuras em cada face. O próprio Layard reproduziu cuidadosamente os desenhos da pedra, bem como as inscrições, e os enviou para Londres, na Inglaterra. Ele não tinha condições de ler a escrita cuneiforme, por isso, dependia de especialistas para decifrar o conteúdo. Vários tentaram executar a tarefa, até que dois deles, quase que ao mesmo tempo, conseguiram decifrar algumas palavras. O primeiro foi Edward Rinks, um tímido religioso da igreja anglicana que morava na Irlanda, e o outro foi o renomado linguista Henri Rawlinson, que decifrou a escrita cuneiforme da

Parte II

O arqueólogo Austen Henry Layard recebeu da monarquia britânica o título de cavaleiro

Nínive, 1849, expedição de Layard

Houve homens e mulheres sinceros e motivados pelo interesse de diminuir a ignorância da sociedade em relação ao seu próprio passado Rodrigo Silva é doutor em Teologia Bíblica

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exploradores rocha de Behistun. Ambos descobriram que o obelisco registrava a história de um rei assírio, e mais tarde perceberam que seria Salmaneser. As inscrições confirmavam isso. A pedra datava do 9º século a.C. Na primeira fileira de cima para baixo estava a vitória dos assírios sobre o rei da Pérsia, que aparece prostrado. Já na segunda está a figura de um rei hebreu, igualmente humilhado e derrotado. Era essa a imagem em destaque do referido rei, vergonhosamente prostrado diante do soberano da Assíria e beijando o chão onde ele pisa. A inscrição abaixo do relevo apresenta a identidade do rei derrotado. Ela diz: “Tributo de Yaua: filho de Humri, recebi prata, ouro, um vaso de ouro, um copo de ouro, cálices de ouro, cântaros de ouro, chumbo, um bordão real e um dardo.” Não foi difícil identificar foneticamente o nome Yaua como sendo a forma

O professor Theodore Mitchell, do museu britânico, lembra que o texto assírio traz a expressão “Mar Humri”, que quer dizer filho de Onri. Para ele, seria uma forma abreviada de dizer a expressão “Mar Bit-Humri”, literalmente filho da casa de Onri, ou seja, um israelita. Assim fica fácil entender o aparente conflito de informações entre a Bíblia e o artefato encontrado. Graças aos esforços de Layard para desvendar a história da civilização humana, ele recebeu da monarquia britâ-

uma semana. Esse relato lembra bem de perto o festim de Belsazar mencionado no livro de Daniel 5. Grande parte dos artefatos escavados em Nínive foi para um museu britânico em Londres, onde estão em exposição até hoje. É um acervo que inclui estátuas, relevos, entalhes e inscrições. Nínive lembra também o livro de Jonas. No que diz respeito a essa história, ainda não encontramos nada que comprove diretamente a existência do profeta ou de sua aventura. Mas o interessante é que a cidade teria realmente espaço para 120 mil habitantes, conforme diz a Bíblia. E se o profeta caminhas-

assíria do nome Jeú, que foi rei de Israel, e Humri seria Onri, o fundador da capital de Israel em Samaria. A história de Jeú está registrada em 2 Reis 9 e 10. Na verdade, a Bíblia não menciona uma tributação dada ao rei da Assíria, mas considerando a informação de que ele não teve cuidado em cumprir com as leis de Deus, o que vemos no obelisco pode ter sido o resultado de sua apostasia. Alguém pode questionar que, de acordo com a Bíblia, o pai de Jeú era Josafá e não Onri. Isso é fácil de harmonizar se entendermos que Jeú era sucessor de Onri, logo, era politicamente o seu filho, assim como Jesus era chamado de filho de Davi.

nica o título de cavaleiro, passando a se chamar Sir Austen Henri Layard. Após sua morte, em 1894, os trabalhos em Nínive foram retomados por Max Mallowan, marido de Agatha Christie. Na época, devido à circunstância geográfica, muito do que Layard escavou voltou a ser sepultado pela areia do deserto e teve que ser novamente “desenterrado” por Mallowan. Em sua campanha, os trabalhadores encontraram um monumento do rei Assurbanipal II, no qual descreve-se o término da construção do seu palácio. O artefato também diz como o rei continuou comemorando o evento provendo vinho e comida para quase 70 mil pessoas durante quase

se rua por rua dentro dos seus muros, cuja extensão dava um pouco mais de 15 km, entre entradas e saídas (ele só poderia fazer isso durante o dia), o profeta Jonas gastaria três dias para percorrê-la internamente cobrindo todo o seu plano urbanístico, exatamente como está descrito no livro de Jonas 3:4. A arqueologia é determinação, foco e persistência. Para nós, que trabalhamos com uma perspectiva bíblica da história, é a certeza de que esse livro não é uma coleção de contos, mas a narrativa de fatos que apontam o desígnio de Deus em meio à atividade humana. Assim, mais uma vez, a arqueologia confirma as histórias que a Bíblia apresenta.

Após a morte de Layard, os trabalhos em Nínive foram retomados por Max Mallowan, marido de Agatha Christie. Ele desenterrou escavações de Layard, sepultadas pela areia do deserto

Semelhanças na História

Na época, devido à circunstância geográfica, muito do que Layard escavou voltou a ser sepultado pela areia do deserto e teve que ser novamente “desenterrado” por Mallowan

IMAGENS: DIVULGAÇÃO

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Aconteceu comigo

“Deus

falou

o que eu precisava

ouvir”

Músico adventista vence problema de saúde que quase o levou à morte

Por Mayra Silva

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m 19 de abril de 2013, o músico Daniel Salles não estava bem. Ele sentia calafrios frequentes, mal-estar, dores de cabeça, irritação na garganta e inflamação nas amídalas. Em maio do mesmo ano, a situação ficou mais intensa com uma espécie de febre interna. Ao procurar um médico no Hospital Adventista de São Paulo (HASP) para saber o que estava acontecendo, não recebeu nenhum diagnóstico específico, portanto, começou a tomar medicamentos para aliviar os sintomas. Um médico que atendeu Salles em uma das primeiras vezes em que ele foi ao pronto socorro julgou que o cantor estivesse com alguma infecção nas vias aéreas, baseado nas informações descritas no prontuário. Com isso, Salles começou a tomar um antibiótico conhecido como Amoxicilina, recomendado para o tratamento de infecções bacterianas. Mais tarde, porém, descobriu ser alérgico a essa substância. O tratamento não ajudou muito e o cantor começou a ter sintomas mais sérios, como diarreia severa e uma febre estranha, que o fazia acordar suado de madrugada, a ponto de encharcar os lençóis da cama. “Minha esposa teve que trocar minha roupa durante algumas noites. Quando tinha essas febres, meu corpo tremia e suava em demasia”, recorda o cantor. “A coisa estava séria, afinal, ninguém, em normalidade, sente frio e sua ao mesmo tempo.”

No final de maio, Salles participou de um programa especial de aniversário da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) Central Paulistana, onde trabalhava. No final de semana do evento, ele chegou ao auge da crise. Na sexta-feira, ensaiou o Grande Coro da igreja com 38 graus de febre. No sábado, conseguiu reger o coral e ministrar o louvor, junto ao maestro Williams Costa Júnior, mas a febre ainda continuava. No domingo à noite, 26 de maio, depois de participar do culto com 39,5 graus de febre, saiu em direção aos bastidores, deitou-se no sofá e começou a tremer. “A bondosa secretária da igreja me trouxe um cobertor e, então, minha esposa decidiu me levar ao pronto socorro do HASP mais uma vez”, comenta. Ao chegar ao hospital, o médico não permitiu que saísse mais. Naquela noite, o chefe de emergência determinou a primei-

“Quando tinha febre, meu corpo tremia e suava em demasia. A coisa estava séria, afinal, ninguém, em normalidade, sente frio e sua ao mesmo tempo”

IMAGENS: Mariana Farinha | josé costa

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“Ele precisava que eu abaixasse um pouco o volume da vida que escolhi para me dizer algumas coisas em voz calma e serena” ra internação de Salles, por seis dias. No dia seguinte, a febre chegou a 40,5 graus. “O quarto do hospital é que tremia dessa vez. Eu fiquei inerte”, brinca. Durante o período de internação, Salles sentiu muita saudade do filho que, na época, tinha oito meses. Assim, tornou-se impaciente e inquieto. Começou a tomar remédios para controlar a ansiedade, o humor e um suposto distúrbio de personalidade, diagnosticado após muitas sessões de terapia psicológica e psiquiátrica. A fim de desvendar seu problema de saúde, Salles fez exames de urina, teste de HIV e Citomegalovírus (CMV). Os resultados não apontavam nenhuma doença. Porém, os níveis de transaminase glutâmico oxalacética (TGO) e transaminase glutâmico pirúvica (TGP), que são ferramentas essenciais para o diagnóstico das doenças do fígado, estavam fora do normal. Os médicos diziam que isso poderia ser resultado da febre alta. Após quase uma semana de muita tensão, Salles finalmente voltou para casa. “Pude relaxar a mente, mas o corpo não me dava trégua. Sentia muitas dores nas costas e achei que era devido à semana que passei deitado no leito hospitalar. Era um desconforto inigualável na lombar, de forma que eu não conseguia dormir em posição nenhuma”, lembra. Após realizar uma bateria de exames, Daniel Salles é ungido pelo pastor Gilson Grüdtner

Novas dificuldades O quadro clínico do cantor piorou. Os olhos e a pele ficaram amarelados. As dores nas costas já eram sintomas de um derrame no pulmão, na pleura e no braço. “A essa altura, meu fígado já estava sobrecarregado por todos os remédios daquela primeira semana no hospital, além dos medicamentos para regular o nível químico cerebral”, lamenta. O cantor descobriu que aquele Citomegalovírus (CMV), que no primeiro exame não deu sinal de vida, havia construído um “condomínio” em seu fígado, comprometendo 50% do orgão. “O CMV é um vírus comum e fácil de contrair. Ele está hospedado em pessoas dos mais variados tipos. Minha imunidade baixa facilitou para que o vírus achasse um ambiente propício para proliferação”, explica. “O vírus foi descoberto em outra cultura hematológica realizada pelo HASP.” Os sintomas intensificaram, fazendo com que Salles tivesse um derrame. Consequentemente, seu quadro clínico ficou ainda mais sério. Na sexta-feira, 8 de junho, o cantor teve um diálogo com sua esposa. Parecia uma conversa de despedida. Cada palavra era dita com muito sacrifício. Ele não conseguia mais respirar por causa do líquido acumulado em seu pulmão. Salles foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HASP. Depois disso, voltou a respirar normalmente. Após acompanhar toda a situação, sua esposa pediu oração nas redes sociais e por telefone. Com isso, houve um fenômeno de manifestações na internet que circulou o Brasil e outros lugares do mundo. “Igrejas se reuniram de madrugada para orar. Até hoje eu não tenho ideia do número de pessoas que orou por mim”, alegra-se o cantor, que foi encaminhado a outro hospital para tratar a doença. Em meio a tantos transtornos e sofrimento, Deus esteve com Salles o tempo inteiro. “Ele precisava que eu abaixasse

um pouco o volume da vida que escolhi para me dizer algumas coisas em voz calma e serena, como fez com o profeta Elias. Então, Deus usou a doença no fígado para me ‘brecar’. E deu certo. Deus falou o que eu precisava ouvir naquele momento”, revela. Para ele, o verso bíblico que ilustra o que aconteceu em sua vida é: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos e Ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5-6). Em julho de 2013, o vírus foi completamente eliminado do organismo de Salles. Hoje, ele dá glórias a Deus pelo livramento concedido. No período em que esteve enfermo, ficou afastado do ministério musical, mas esse tempo também foi necessário e suficiente para refletir sobre seu relacionamento com o Criador. “Deus deixou de ser alguém distante, de quem eu falava, para ser Aquele com quem convivo de perto”, diz.

Curiosidade Daniel Salles gravará seu primeiro CD/DVD entre abril e maio deste ano. O lançamento está previsto para o segundo semestre. A proposta é fazer a gravação ao vivo no teatro Neponuceno de Abreu, local novo da cidade de Curitiba, administrado pela Associação Central Paranaense da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD).

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Reflexão Nossa perspectiva imediatista faz parecer que o tempo não passa na velocidade que desejamos Alijofran Brandão é pastor e secretário da União Centro-Oeste Brasileira (UCOB)

Cintilantes e infinitas “Olha agora para os céus, e conta as estrelas” (Gênesis 15:5)

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inguém gosta de esperar. Quando se trata de algo bom, a espera se torna longa, mas quando é ruim, está envolvida em muita ansiedade e sentimentos negativos. Perseverar é superar todos os obstáculos enquanto o sonho não se concretiza, é lutar contra o desânimo e atitudes impulsivas enquanto a promessa não se cumpre. Abraão lidou com esses sentimentos enquanto esperava o cumprimento de uma promessa. “Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência” (Gênesis 15:5). Deus prometeu uma grande geração a Abraão. Essa não foi a única promessa. “Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar a ti esta terra, para herdá-la” (Gênesis 15:7). Depois de viver tanto tempo com essa esperança, Abraão tornou-se impaciente. O tempo de Deus nem sempre está de acordo com o nosso “cronograma”. Uma década depois do chamado, a pergunta do patriarca era: “Como saberei que hei de possuí-la?” (Gênesis 15:8). Nenhum herdeiro havia nascido ainda. O tempo parecia correr mais rápido do que a esperança. Você já olhou para o céu em uma noite escura e sem nuvens? Percebeu que milhares de estrelas cintilantes se exibem numa imensidão inimaginável? Assim são os planos de Deus para nós. Abraão foi impactado com a grandiosidade da promessa, contudo, às vezes, preferia uma lanterna às estrelas. Ele nem se preocupava com a quantidade, pois tudo o que queria era ver o brilho do rosto de uma criança chamando-o de pai. Em um determinado dia, Abraão descobriu que não veria a terra da promessa. Para piorar, soube também que sua descendência seria escrava no Egito por 400 anos (Gênesis 15:13). Os temores do velho patriarca pareciam se descortinar diante dele. Contudo, quem estava no comando de sua vida era Deus. Ele revelou ao seu servo que, no tempo determinado, seria o Libertador de sua geração. A descendência de Abraão sairia do cativeiro de cabeça erguida, rumo à conquista da Terra Prometida (Gênesis 15:14). Nações seriam desterradas para que a promessa se cumprisse, mas no tempo de Deus.

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Nossa perspectiva imediatista faz parecer que o tempo não passa na velocidade que desejamos. Mas para Deus, tudo tem seu tempo determinado. Ele não conhece atraso ou adiantamento. Tudo está submetido à Sua infinita sabedoria e providência. Como Abraão, temos que aprender a perseverar. Temos que ter a certeza de que Aquele que promete é Fiel e cumprirá tudo o que disse. Ele esperou até que no tempo determinado (Gênesis 21:2), ou seja, 24 anos depois do chamado, Isaque, o filho da promessa, nascesse de uma mulher estéril. Quando você pensar em desistir de confiar em Deus, olhe para o céu e tente contar as estrelas. Elas representam a infinidade de possibilidades que Deus tem de abençoar a sua vida. Lembre-se de que quanto mais escura é a noite, melhor se pode ver o brilho das estrelas.

IMAGEM: CANSTOCKPHOTO


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