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MANIFESTO AMPMV

Por Uma Cidade De Sonho


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ÍNDICE

Notas Iniciais…………………………………………………………..5 Transportes Públicos……….………………………………………….8 Saúde…………………………………………………………………..10 Segurança……………………………………………………………...13 Habitação………………………………………………………………15 Urbanismo……………………………………………………………..17 Uma residência ideal…………………………………………………..19 Faça como eu faço……………………………………………………..20 Notas Finais……………………………………………………………23

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NOTAS INICIAIS É com muito orgulho que a AMPMV apresenta o resultado de mais um ano de atividade do nosso "Grupo de Encontros" Esta tertúlia mensal reúne 27 pessoas idosas, com mais de 65 anos, residentes na Baixa de Lisboa e Mouraria, com a missão de refletir sobre temas variados, mas tendo igualmente como objetivo o fortalecimento das relações sociais e a valorização da autonomia. Todos os anos, a atividade "Grupo de Encontros" tem surpreendido pela criatividade, partilha de conhecimento e enriquecimento trazido pelo contributo de todos os participantes. Desde 2012, temos procurado conhecer e aprender com o passado, viajando pela experiência de vida e as memórias dos participantes, que se cruza com as da própria cidade de Lisboa: "As Lojas e o Natal da Baixa de Lisboa", "Brincadeiras de antigamente", "Como eram os transportes, eletrodomésticos, a escola e os cuidados médicos", "Quais eram as referências de cultura, lazer e religião", entre outros temas, já debatidos pelo Grupo. Este ano, decidimos focar-nos no presente e imaginar como seria uma "Cidade de Sonho", na perspetiva das pessoas idosas. Não foi um tema fácil! Por um lado porque cada vez mais as pessoas têm dificuldade em dar asas à imaginação e, por outro, sentimos que estão saturadas dos problemas habituais da sociedade, de não serem tidas em conta ou ouvidas e frustradas porque a cidade de Lisboa está transformar-se numa cidade com a qual já não se identificam. Foi a pensar nas pessoas que fazem parte deste Grupo, que tanto respeitamos, que este ano decidimos ouvir as suas sugestões para o futuro. Afinal, quem melhor do que as pessoas que já viveram mais para nos ensinarem o que devemos fazer para viver melhor? Os testemunhos são surpreendentes, as ideias inovadoras, contudo, pertinentes e realizáveis. Confirma-se que o conhecimento da vida é algo que não se aprende na escola mas sim com a sabedoria de quem sabe viver, apreciar, criticar, refletir e agir! Afinal de contas, como será uma "Cidade de Sonho" para as Pessoas Idosas? Será que podemos continuar com medo de ser assaltados quando vamos multibanco ou levantar a reforma?

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NOTAS INICIAIS Com vergonha de pedir os lugares prioritários nos transportes públicos? A esperar horas e horas na urgência de um hospital esquecendo as nossas necessidades e a nossa dignidade? A morar no 4º, 5º e até 6º andar, sem elevador, excluindo-nos da sociedade? Será que devemos continuar a ver a nossa rua suja, com passeios por arranjar e não dizer nada? Ou devemos ir para um Lar/Residência, só porque alguém nos diz que "tem de ser"? O que dizem as pessoas sobre estas problemáticas é o que podemos encontrar neste Manifesto. Quisemos identificar os problemas mas sabemos que tal não serve de nada se não houver uma reflexão e identificação de soluções, igualmente apresentadas, para áreas-chave como as dos transportes, saúde, segurança, urbanismo e habitação. Não podemos só criticar, há que solucionar e também valorizar o que tem vindo a ser melhorado. Muitos foram os elogios feitos a novas medidas, quer de acessos para mobilidade reduzida, quer para a higiene das ruas e até o próprio Policiamento de Proximidade. Esperamos que os participantes desta atividade se sintam tão orgulhosos quanto nós. Que percebam a importância das suas sugestões e que se sintam valorizados na sua exposição. Que estas atividades sirvam de exemplo para as gerações mais novas para que percebam que não há limite para a criatividade e para a motivação. Não havendo palavras suficientes para agradecer todo o contributo, venho fazer uma tentativa de demonstrar o quanto esta atividade é importante não só para a comunidade em geral mas também para cada um de nós no que respeita ao nosso desenvolvimento pessoal enquanto cidadãos.

Muito Obrigada!

Maria João Xavier Psicóloga AMPMV 6


NOTAS INICIAIS

“Lisboa está cada vez com mais turistas. Agora tudo é um hotel, uma pensão ou casas para turistas. Estão a esquecer-se dos habitantes desta cidade e esquecem-se também que tudo acaba um dia... depois eu quero ver como vai ficar esta cidade!” -CLARA BICHO

“Lisboa é uma cidade que não tem conserto. Eu acho que não se pode fazer mais nada, tem sido debatido há anos na televisão mas depois não evolui. Nós, o povo não podemos fazer nada, só nos resta remar contra a maré.” -LEÔNCIA TESOUREIRO

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TRANSPORTES PÚBLICOS

“Não percebo nada do que está escrito nas paragens de autocarro. As letras são pequeninas e eu não consigo ver nada. Sinto que esta cidade está a ser feita para os turistas.” -VIRGÍNIA CAMALHÃO

“Sinto que as pessoas não percebem quando têm de dar prioridade para sentar às pessoas mais velhas ou nem sequer percebem que estão a utilizar lugares prioritários indevidamente. Só desde que uso bengala é que me dão prioridade, antes ninguém se levantava.” -FLORINDA CORTEZ "Não têm respeito nenhum pelas pessoas mais velhas, empurram e não respeitam os lugares prioritários. Deveria haver mais civismo por parte de todos, mais consciência das dificuldades das pessoas idosas." -JÚLIA DIAS

“Os transportes devem ser mais seguros, com mais polícias, mas as pessoas também têm de ter cuidado, por exemplo, não andar com a mala aberta.” -CELESTE MARTINS

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TRANSPORTES PÚBLICOS

Problemas Desadequação dos trajetos às necessidades da população; Número reduzido de carreiras; Ilegibilidade de informação nas paragens; Iluminação deficiente nas paragens; Deficiente sinalização de lugares prioritários; Insuficientes apoios à mobilidade reduzida.

Soluções Colocação de sensores de movimento para iluminação nas paragem; Criar mais carreiras específicas para os turistas e outras para os residentes; Tarifa especial para viagens fora do horário de ponta; Ações de sensibilização para motoristas; Instalação e maior manutenção de ajudas de mobilidade nos transportes; Identificação de lugares prioritários demarcada, com cor contrastante dos restantes lugares; Tarifa especial para acompanhantes de pessoas com mobilidade reduzida; Colocação de bancos de descanso nas paragens de autocarro e táxi; Informação nas paragens acessível e legível para todas as pessoas.

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SAÚDE

“Penso que muitas pessoas estão nos lugares errados, ou seja, quando se trabalha com idosos ou com crianças é preciso uma preparação específica e adequada.”

“Os médicos têm demasiados utentes. São tantos que depois fazem tudo a correr nas consultas.”

-ANTONIETA DOMINGUES

-LILIANA COSTA

“Sempre que tentamos entrar em contacto com os serviços de saúde por telefone não se consegue. O telefone toca, toca e não conseguimos resolver o nosso problema. Mas há coisas que estão muito melhores! Por exemplo, agora já não é preciso marcar consultas para pedir receitas. Já podemos pedi-las no balcão, isso facilita muito!”

-CAMILA TAVARES

“Os médicos marcam consultas para uma hora e depois somos atendidos horas depois. Nós temos de respeitar os horários mas não nos sentimos respeitados. Já cheguei a esperar 4 horas por uma consulta de oftalmologia.”

- HERLANDER COSTA

“Uma vez estive 12 horas à espera de ser atendida na sala de espera das urgências, para depois me internarem. Quando vamos ser vistas na triagem, deviam logo ver que não estamos bem!”

-ODETE BARBOSA

“Penso que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) devia criar um Boletim de Saúde para cada pessoa andar com o seu, levar para os médicos e estes anotarem lá tudo: os exames, as consultas, as vacinas e outras notas. Como as coisas estão agora não pode ser, os médicos têm tudo no computador e as pessoas têm de ter tudo na cabeça. Há falhas na comunicação."

-VITOR CARVALHO

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SAÚDE

Problemas Falta de formação específica para o atendimento a pessoas idosas, por parte de profissionais de saúde e administrativos; Duração reduzida no atendimento das consultas; Tempo de espera prolongado nos serviços de atendimento permanente e nos serviços de urgência; Demora na marcação de consultas; Falta de apoio no levantamento de receitas e organização de medicação no domicílio; Concentração de informação no formato digital, muitas vezes inacessível aos utentes; Dificuldade no agendamento de serviços no domicílio; Dificuldade no contacto telefónico com os serviços de saúde; Complexidade e morosidade nos processos burocráticos associados à marcação de consultas, exames e tratamentos médicos.

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SAÚDE

Soluções Contratação de mais médicos de família e de especialidade; Dinamização de ações de formação e sensibilização para o atendimento à população idosa, tendo, por exemplo, em atenção dificuldades auditivas e visuais, estando a AMPMV disponível para o efeito; Criação de call center geral regional para fornecer informações relativas a agenda de consultas, exames e tratamentos médicos; Inclusão obrigatória de serviços de apoio à organização de medicação nas farmácias; Existência

de

profissionais

administrativos

para

apoio

nos

proces-

sos burocráticos de agendamento de consultas, exames e tratamentos médicos, nos hospitais e Unidades de Saúde Familiar (USF); Destacamento de mais profissionais para serviços ao domicílio; Disponibilização do processo de saúde digital para os profissionais do serviço Saúde 24, facilitando o encaminhamento correto de casos e diminuindo tempo de atendimento; Criação de um boletim de saúde em formato físico, com referência à medicação atual, agenda de consultas, exames e tratamentos médicos.

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SEGURANÇA

"Cada

vez

menos

comércio

na

Baixa

de

Lisboa.

Turistas há muitos mas ficam uma ou dois noites e trocam com outros, são

sempre

diferentes.

Não

falam

português

e

não

percebem a nossa língua para se for preciso pedir ajuda.”

-IRENE PINTO "Quando anoitece, sinto as ruas mais

“Cada vez há mais estrangeiros na

desertas e pouco iluminadas. Agora já

cidade e já sabemos que é difícil

tenho muito receio de sair à noite, já não

pedir ajuda quando não entendemos o que a outra pessoa diz.”

me aventuro.“

-LOURDES GRAÇA

-DORES MOTA

“Na rua, quando levanto dinheiro, tento sempre estar acompanhada porque tenho medo dos assaltos. A polícia deve estar mais atenta e as pessoas têm de se saber defender, por exemplo, é melhor levantar dinheiro dentro das superfícies.”

-EDITE VICENTE

“O guarda noturno era muito bom. Estava sempre atento, por exemplo, se fosse hábito a luz de casa estar acesa, ele estranhava logo se estivesse apagada. Era um descanso! Batíamos as palmas e já sabíamos que ele ia

-MARIA CLOTILDE PIRES

aparecer.“

“Fui assaltada mesmo nas escadas do meu prédio por duas mulheres. Como há comércio no prédio, a porta está sempre aberta para os intrusos, fica muito inseguro, as pessoas ficam sempre com receio. Mesmo num país seguro, a Polícia tem de estar mais atenta para estas situações.”

-FELISBELA NUNES

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SEGURANÇA

Problemas Iluminação insuficiente nas ruas e edifícios; Policiamento e meios de vigilância insuficientes; Insegurança nos transportes públicos e nas proximidades de bancos ou caixas multibanco; Rede de suporte na vizinhança cada vez mais diminuída; Barreira linguística entre os locais e os turistas.

Soluções Colocação de sensores de movimento para iluminação de rua, entradas e escada de prédios, paragens de transportes e caixas de multibanco; Formação e contratação de Guardas Noturnos; Colocação de agentes à civil na rua, em particular nos bairros mais problemáticos; Instalação de câmaras de vigilância em zonas estratégicas.

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HABITAÇÃO

“É bom que os cursos de arquitetura tenham em atenção as dificuldades das pessoas mais velhas. A largura das portas e outras coisas já devem ser pensadas pelos mais novos para as casas do futuro estarem mais adaptadas.”

-AUGUSTA VELOZO

“As escadas dos prédios aqui na Baixa são muito altas e às vezes precisamos de ajuda de um cordel para levar as compras para cima.”

-AGOSTINHA MATEUS

Problemas Inexistência de um programa de habitação sénior que tenha em consideração as necessidades das pessoas idosas (acessibilidade, capacidade financeira, condições de segurança); Desadequação da habitação para as limitações ao nível da população idosa; Acessibilidade deficiente; Isolamento térmico e acústico deficiente.

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HABITAÇÃO

Soluções Criação de Programas de Arrendamento Sénior, em pisos térreos ou prédios com elevador; Formação a arquitetos para projeção de habitações mais adequadas às necessidades da população idosa; Instalação de equipamentos de teleassistência; Instalação de portas elétricas e intercomunicador com câmara; Promoção de programas de financiamento para melhorar o isolamento térmico e acústico das habitações; Promoção de programas de financiamento para melhorar as condições de segurança e adaptabilidade da habitação às necessidades dos mais idosos: troca de fogões por placas indutoras, instalação de sensores de movimento para iluminação de corredores, instalação de interruptores de luz junto à cama, instalação de bidés altos e sanitas adaptadas ou colocação de barras de apoio; Promoção de programas de financiamento para aquisição de ajudas técnicas, por exemplo, camas articuladas, cadeiras de banho, cadeiras sanitárias, entre outros bens essenciais.

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URBANISMO

“As ruas têm altos e baixos. As pessoas que têm dificuldade em andar e têm de procurar o melhor caminho para evitar cair.”

-LÍDIA AMIEIRO “As pessoas deixam muito lixo na rua. Os

“Os passeios são muito estreitos e ainda

donos passeiam os cães com o saco na mão

colocam esplanadas para atrapalhar mais.

mas não o utilizam para nada. Também há

As pessoas para passarem têm de ir para a

muitas beatas na rua, há sítios onde é uma

estrada.

vergonha. Devia haver mais cinzeiros na rua.”

inclinados e tortos. A calçada portuguesa é

-MADALENA ALVES

Para

além

disso

são

muito

escorregadia e está desnivelada.”

-REGINA GOMES

“As ruas aqui na Baixa são muito compridas e não têm bancos. Uns bancos em pedra não se estragavam e já ajudava as pessoas mais idosas a poderem sentar-se quando necessitam.”

-ALZÍRA PAIXÃO “Quando fazem as esplanadas

“Muitas

vezes

as

bicicletas

deviam guardar espaço para passar

andam em cima dos passeios e

carros de emergência. Na minha rua

às vezes até no sentido contrário

nem entra uma ambulância.”

ao dos carros, mesmo quando não é permitido.”

-FERNANDA GRAVATA

-JÚLIA MARTINS

"As pedras da calçada estão soltas! Como eu ando de bengala, tenho medo de cair, por vezes tenho que ir pela estrada, o que se torna perigoso!"

-MARIA DE LOURDES ALMEIDA

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URBANISMO

Problemas Desadequação dos passeios, das entradas dos edifícios e dos serviços a pessoas com mobilidade reduzida, por exemplo, o acesso a caixas multibanco; Utilização indevida dos passeios por bicicletas e outros meios de transporte; Insegurança na circulação em passadeiras; Poucos espaços verdes na cidade com possibilidade de descanso, por exemplo, banco de jardim; Falta de limpeza das ruas e espaços públicos; Falta de casas de banho públicas adequadas para pessoas com mobilidade reduzida; Ocupação dos passeios com esplanadas e acessórios das lojas que dificultam a passagem em segurança dos peões; Ocupação indevida do espaço de fachada e espaços de serviço de edifícios, por parte de lojas, restauração e hotelaria, por exemplo, acessórios que tapam o número de porta e a campainha dos prédios.

Soluções Instalação de corrimões de proteção junto a passeios em zonas mais perigosas e separação entre passeio e ciclovias; Instalação de bancos de jardim em mais zonas da cidade; Melhoria da acessibilidade a prédios de habitação e a áreas comuns do mesmo, garantindo, por exemplo a visibilidade do número de porta, a existência de campainha ou de caixa do correio; Instalação de mais casas de banho públicas adaptadas a pessoas com mobilidade reduzida; Instalação de sinalização com cronómetro decrescente nas passadeiras; Espaços de esplanadas adequadas para a passagem de veículos de emergência; Nivelação dos passeios e colocação de fita anti derrapante nas escadarias; Adequação das altura das caixas multibanco e outros serviços a pessoas em cadeira de rodas; Instalação de cinzeiros junto dos caixotes do lixo; Disponibilização de sacos para os dejetos dos animais. 18


UMA RESIDÊNCIA IDEAL Avaliámos todos os problemas identificados e refletimos sobre algumas soluções para a resolução dos mesmos, numa perspetiva de ageing in place, que consideramos ideal e de forma a construir uma cidade mais acessível e inclusiva, para todas as gerações. Contudo, sabemos que nem sempre esta perspetiva é partilhada ou então concretizável. Assim, colocámos também ao Grupo o desafio de refletir sobre este cenário. Optando por mudar-se para um lar ou residência, por vontade ou na impossibilidade de continuar a viver nas suas casas, seja por que motivo for, para onde gostavam de ir? O que gostariam de encontrar? Que acompanhamento gostariam de ter? Esta é a visão do Grupo de Encontros AMPMV sobre um lar ou residência ideal.

Formação específica a pessoal técnico para o apoio cuidado e humanizado a pessoas idosas.

Existência de um vigilante para controlo de entradas e saídas na residência.

Possibilidade de manter a autonomia em algumas tarefas do dia-a-dia, por exemplo, cozinhar, fazer limpezas e tratar da roupa.

Apoio na marcação e acompanhamento a consultas e exames médicos externos.

Equipa técnica multidisciplinar, incluindo profissionais de saúde e de animação cultural.

Disponibilização de atividades culturais e de lazer, assim como aulas de línguas e outros, em parceria com universidades e escolas locais.

Residência térrea ou com elevador, com espaço verde envolvente, churrasqueira, horta, ginásio, áreas comuns e privadas de lazer.

Disponibilização de opções alimentares elaboradas por nutricionistas.

Possibilidade de decorar o quarto com o próprio mobiliário.

Quartos individuais, duplos, triplos ou para casais, segundo opção dos residentes.

Acomodação máxima de 50 residentes.

Transportes e ajudas técnicas providenciados pelo lar, por exemplo, cama articulada, cadeira de banho, cadeira de rodas. 19


FAÇA COMO EU FAÇO Consideramos que a solução para melhorar a qualidade de vida numa cidade não está exclusivamente dependente da intervenção das autoridades ou agentes locais, mas passa em grande parte pela mobilização de todos os seus habitantes, para o respeito e cumprimento dos seus próprios deveres cívicos e para a valorização do espaço público, como parte da sua própria identidade. Algumas das soluções encontradas pelo Grupo de Encontros AMPMV podem ser postas em prática por cada um de nós, no nosso dia a dia, de forma a tomarmo-nos parte ativa na nossa saúde e da nossa segurança, adequarmos a nossa habitação às nossas necessidades, tornarmo-nos mais informados e melhorarmos a nossa acessibilidade aos serviços e à vida da cidade onde residimos.

TRANSPORTES PÚBLICOS Solicitar apoio ao motorista para entrada e saída do transporte; Exercer o direito de utilização dos lugares prioritários; Solicitar apoio e informação a quem está nas paragens; Evitar a utilização de transportes nas horas de ponta; Estar prevenido para imprevistos e reforçar segurança; Levar mala a tiracolo para evitar assaltos por esticão.

SAÚDE Não ter vergonha de solicitar informação e todos os esclarecimentos necessários a profissionais de saúde e administrativos; Tomar conhecimento de prazos administrativos para levantamento de receitas, credenciais ou exames; Apontar datas de consultas, exames e tratamentos num sítio visível, por exemplo, na porta do frigorífico; Solicitar apoio por parte dos Serviços Sociais dos hospitais, em caso de necessidade, por exemplo, quando a pessoa fica sozinha nas urgências. 20


FAÇA COMO EU FAÇO

SEGURANÇA Aprender a dizer algumas palavras em inglês para conseguir pedir socorro aos turistas (Help, por exemplo); Evitar rotinas mensais para o levantamento da reforma; Levantar dinheiro sempre acompanhado, em pequenas quantidades e, de preferência, no interior de estabelecimentos (banco ou supermercado, por exemplo); Não transportar objetos de valores; Evitar malas abertas; Pedir identificação aos profissionais de serviço ao domicílio antes de permitir a entrada em sua casa; Facilitar o acesso a contactos de emergência, por exemplo, anotá-los de forma visível e colocá-los por baixo do telefone.

HABITAÇÃO

Retirar tapetes do chão de casa ou fixá-los ao chão; Trocar a banheira pelo chuveiro; Colocar barras de apoio junto à sanita e no chuveiro ou colocar cadeira de banho; Cobrir ou fixar os fios de eletricidade; Cobrir esquinas de móveis; Colocar um telefone junto à mesa de cabeceira, com números de marcação rápida; Criar espaços de passagem nas divisões, evitando a sobrecarga das mesmas com a colocação de mobiliário; Ter sempre uma lanterna na mesa de cabeceira.

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FAÇA COMO EU FAÇO URBANISMO Atravessar a estrada sempre nas passadeiras e fazê-lo com o tempo de segurança necessário; Saber indicar pontos de referência da habitação aos serviços de emergência médica, correio e outros, por exemplo, "a porta da minha casa é ao lado da Junta de Freguesia"; Conhecer e estabelecer relação sociais com lojistas e serviços da zona de residência (mercearia, drogaria, farmácia, restaurante), de forma a, por exemplo, poder utilizar os espaços de esplanada sem consumo ou pedir ajuda/ solicitar entrega ao domicílio; Não ter vergonha de utilizar ajudas técnicas (bengala, andarilho, aparelho auditivo); Evitar descer as escadas com calçada ou pisos menos aderentes, em dias de chuva.

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NOTAS FINAIS Os direitos das pessoas idosas são os direitos de todas as pessoas. É certo que podemos tentar preparar-nos para a velhice, fazendo opções que procurem acautelar um maior conforto e que tenham em conta futuras dificuldades ao nível de saúde e de mobilidade. No entanto, essas futuras dificuldades, previsíveis para todos nós, deveriam também ser consideradas no planeamento urbanístico, na arquitetura das casas e prédios de habitação e na oferta de serviços ao domicílio. Torna-se, portanto, necessário alertar e sensibilizar para as necessidades específicas da população mais idosa e criar respostas ou serviços adaptados às mesmas, em áreas fundamentais como as da saúde, segurança, transportes e acessibilidade. É importante sensibilizar não só o profissional de saúde, o administrativo ou o motorista do autocarro, mas também o farmacêutico ou o merceeiro do bairro, a rede de vizinhança e os agentes locais. Partindo depois da sensibilização das comunidades escolar e académica, poderemos formar gerações mais conscientes e que acautelem melhor o seu futuro, como pessoas idosas, mais ativas, felizes, menos sós e excluídas, a que todos aspiramos ser. Queremos agradecer à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, parceiro fundamental para o Grupo de Encontros AMPMV, pela cedência de espaço para a realização da sua atividade. A Direção AMPMV

Maria de Lourdes Miguel (Presidente da Direção)

Ângela Valença (Vogal da Direção) 23


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MANIFESTO AMPMV

Por Uma Cidade De Sonho Textos e Composição Gráfica Associação Mais Proximidade Melhor Vida

Rua do Ouro 165 1.º Dto.

1100-061 Lisboa 213 425 268

geral@mpmv.pt

www.mpmv.pt

www.facebook.com/MaisProximidadeMelhorVida

Com o apoio de:

Junho de 2017

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Profile for maisproximidade melhorvida

Manifesto AMPMV  

Publicação que reúne os problemas identificados mas também as sugestões dos beneficiários AMPMV para uma cidade mais acessível e inclusiva...

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