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Uma viagem…

História Recente de Portugal

Grupo de Encontros AMPMV 2017/2018


Introdução… Depois de 5 anos a acompanhar-vos nesta caminhada de Grupo de Encontros, foi difícil para nós escolhermos um tema novo, uma novidade! Já falámos e aprendemos tanto convosco, já nos contaram tantas histórias e aventuras, que se torna difícil encontrar algo que vá ao encontro do vosso interesse e do nosso conhecimento. Ainda assim, haja criatividade que temas não faltam. Este ano fomos ao encontro da história recente de Portugal, daqueles acontecimentos que marcaram o país e a vida dos Portugueses. Relembrar que Portugal tem evoluído e que nem sempre fomos uma República, que já vivemos numa ditadura, que sofremos com as guerras dos outros, que recebemos a rádio, a televisão e outras tecnologias, que nem sempre foi possível atravessar o Rio Tejo por uma ponte, quanto mais por duas, que o Homem foi à Lua, que conquistámos a liberdade numa revolução de cravos, que a igualdade entre o Homem e a Mulher continua a ser uma luta e que entretanto entrámos na União Europeia e até deixámos os Escudos para trás. Uns acontecimentos foram mais marcantes que outros, mas certamente que cada um teve o seu peso e o seu encanto. Nós, que só acompanhámos em vida parte desta história, sabemos que, poder contar com os vossos testemunhos na primeira pessoa, tem um valor inquestionável e é uma honra que jamais poderemos agradecer. Este ano também nós quisemos contribuir com algo, levando para as sessões fotografias de cada acontecimento e informação complementar à vossa. O objetivo é que haja uma troca de conhecimentos e esperamos que se tenham sentido tão gratos quanto nós. Terminamos mais um ano de coração cheio por termos conseguido captar a vossa atenção, mas sobretudo por podermos continuar a contar com o vosso carinho, com a vossa presença e pela inquestionável participação nesta Associação que é de todos nós. Deixamos um agradecimento a todos os presentes, votos de que nos continuem a brindar com a vossa sabedoria e que, para o ano, o Grupo de Encontros continue com a mesma vivacidade de sempre! Maria João Xavier

Psicóloga e dinamizadora do Grupo de Encontros

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Uma viagem no tempo‌

1895

1910

1911

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1930 1928


Virgínia Camalhão

“Os carros tinham uma manivela à frente no motor e faziam muito barulho para arrancar. Na minha terra, era o dono da fábrica o único que tinha carro. Os carros eram também usados para levar as pessoas ao médico e para vender peixe e outros alimentos. Passavam nas aldeias e as pessoas vinham à rua com um prato para comprar.”

“Terminou a Monarquia e começou a nossa República com o símbolo na nossa Bandeira e o Hino Nacional.”

Irene Pinto

“Antes desta data não havia nenhuma lei de obrigação de estudar. Eram os Pais que diziam se os filhos podiam ir, ou não, à escola. Normalmente até deixavam os rapazes estudar, mas as raparigas já era mais complicado. Os Pais precisavam dos filhos para trabalhar.”

“Já o meu Avô dizia que um período de ditadura é sempre uma

época de agitação e de instabilidade política!”

Júlia Martins

Luíz Gonçalves

“Antigamente as chamadas por telefone não eram diretas. Havia a profissão de

“telefonistas”. Nós escolhíamos a rede e era a telefonista que fazia a ligação.”

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Alzira Paixão


Uma viagem no tempo‌

1932

1933

1936

5

1939


Augusta Veludo

Vitor Carvalho

Mª Lourdes Agapito

Luíz Gonçalves

“Nem todas as pessoas tinham rádio. Havia pessoas que colocavam o rádio na janela para que todos o pudessem observar e ouvir. Foi muito importante no tempo da guerra em que todos se juntavam à volta do rádio para saber as notícias.”

“Antes do 25 de Abril, também havia censura na rádio. Não se podia ouvir todas as músicas e a informação era toda inspecionada. Por isso é que se formaram as rádios clandestinas, onde se falava de tudo.”

“Havia um folhetim radiofónico muito giro, que era a “Lélé e Zequinha”. Tinha o Vasco Santana e a [Irene] Velez, que era a sogra. Era muito engraçado. As famílias juntavam-se para ouvir.”

“O rádio era muito importante para as pessoas ouvirem as radionovelas. A primeira radionovela portuguesa passou na Rádio Graça. Era a Força do Destino, que depois ficou conhecida pela Coxinha do Tide, até porque quem costumava patrocinar eram marcas de sabão.”

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“O António das Botas [António Oliveira Salazar] mandava a PIDE prender quem era contra o regime. Havia os presos políticos no Aljube e no Limoeiro, levavam tanta tareia lá dentro que até quem passava na rua conseguia ouvir os gritos deles!”

“Em tempo de guerra, Salazar dizia – “viver e poupar”. As pessoas criavam coelhos nas coelheiras. Ele dizia até que a casca da batata devia ser aproveitada para alimentá-los e deu muitos incentivos para que as pessoas cultivassem.”

Clara Bicho

Mª Clotilde Pires

“Portugal não estava em guerra mas sentiu-se em guerra, devido à falta de mantimentos. A comida era distribuída em medidas. As pessoas levavam o recipiente de casa e na loja já sabiam o que as famílias precisavam. Uma família com 2 pessoas tinha menos do que famílias com 5 ou 6. Havia muita miséria mas na terra sentia-se menos porque as pessoas cultivavam e trocavam os mantimentos.”

Alzira Paixão

Mª Dores Mota

“Havia o racionamento da comida para mandar para Espanha. Os dois países estavam com boas relações e Salazar dizia que nos livrava da guerra mas não nos livrava da fome.”

“Na II Guerra Mundial as pessoas tinham medo que Portugal fosse também bombardeado. Em casa, as pessoas colocavam fita-cola nos vidros das janelas, em forma de cruz, para evitar que se partissem em caso de guerra.”

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Leôncia Tesoureiro


Uma viagem no tempo‌

1943

1958

1956

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1966


Edite Vicente

“A Feira Popular era um local muito apetecido por todos em Lisboa. Tinha muitas coisas: carrosséis, músicas, farturas, churros, tasquinhas, boas sardinhas e um restaurante mexicano muito bom. Era um sítio para as pessoas se encontrarem e divertirem-se em família.”

“O Festival da Canção e outros programas famosos eram momentos em que as famílias se juntavam em frente à televisão e ficavam com os vizinhos em grande euforia. Nem todas as pessoas tinham televisão e por isso era um momento único.”

Felisbela Nunes

Lurdes Graça

“Antigamente, os Casamentos de Santo António tinham uma grande cerimónia na Igreja, era muito

bonito. Eram pensados nas pessoas necessitadas e as mulheres eram examinadas para provar a virgindade.”

“Foi uma grande obra [Ponte 25 de Abril], graças a ela muitas pessoas foram viver para a outra margem do Tejo. Mas o nome devia-se ter mantido como Ponte Salazar.”

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Camila Tavares


Uma viagem no tempo‌

1969

1974

1973

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1977


Herlander Santos

“Antigamente, com a censura, eram poucas as notícias que passavam completas. Tudo era censurado, até a ida do Homem à Lua. Não queriam que os portugueses estivessem informados, que se soubesse demais.” “Para mim, o melhor que aconteceu com o 25 de Abril foi o terminar da guerra nas colónias. Era uma tristeza muito grande, uma Mãe criar um filho, havendo a hipótese de ir despedir-se dele ao Cais da Rocha. Todos a chorar, numa angústia, agarrados às Mães vestidas de preto. Quando eu soube do 25 de Abril foi uma alegria muito grande porque o meu filho tinha 16 anos e eu sabia que se as coisas continuassem como estavam ele ia para a guerra.”

“As Madrinhas de Guerra foram muito importantes na altura em que os nossos Homens estavam nas colónias. Podíamos dar um carinho e enviar força, apoio, para que aguentassem a distância. Nós, as Madrinhas, éramos alguém com quem podiam desabafar.”

Júlia Dias

Amélia Guedes

Natércia Gama

Camila Tavares

“Com a democracia, acabou-se a censura nas rádios, televisões, jornais, acabou-se o lápis azul e agora diz-se tudo. Antes tínhamos pouca informação, agora temos demasiada.”

“Havia muitas mulheres que se confessavam na Igreja e acabavam por dizer que os maridos eram contra o regime político. O resultado é que os maridos acabavam presos!”

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Alice Miranda

“A minha Mãe era comunista, tinha panfletos contra o Salazar, contra o regime. Uma vez tiveram de mandar tudo pela pia e esconderam-se no telhado. Ainda esteve 2 dias no Aljube! O meu tio também foi preso e bateram-lhe muito, mas nunca disseram nada, havia lealdade. A democracia veio libertarnos disto tudo.”

“As Mulheres passaram a ter direito ao voto tal como os Homens. O momento em que fomos votar pela primeira vez foi uma festa muito bonita. Eram tantas filas, tanta gente. Vestimos a melhor roupa que tínhamos para podermos votar.”

Regina Gomes

Florinda Cortez

“A mulher tinha de pedir autorização ao marido até para ter uma loja, ficava tudo em nome dele e até havia roubos entre marido e mulher. A partir de 75 é que eu pude pedir o divórcio e ainda tive de esperar 6 meses, para se saber se estava grávida ou não. As três Marias é que lutaram muito pela igualdade nas Mulheres.”

Luíz Gonçalves

“Dizia-se que no casamento o homem é que era o chefe de família e que a mulher devia sujeitar-se aos desígnios do homem. Com esta lei, tudo isto acabou.”

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Uma viagem no tempo‌

1986 1979

2001 1998

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2002


Mª Isabel Nunes

“Independentemente do que fez bem ou mal, sabemos que ela [Maria de Lourdes Pintasilgo] teve garra e valor para chegar a um cargo político. Até agora, foi a única Primeira-Ministra em Portugal e isso tem de ter mérito.”

“O Sistema Nacional de Saúde foi implementado depois do 25 de Abril e quem o fundou foi o Dr. António Arnaut. Agora o Sistema está em baixo, depois de tudo o que aquele homem fez e pensou.”

“Hoje em dia a saúde está muito bem porque todos têm direito. Percebo o motivo das greves mas quem acaba prejudicado são os doentes.”

Herlander Santos

Liliana Santos

Aliquecina Duarte

“Isto [adesão de Portugal à CEE] aconteceu depois do 25 de Abril, para Portugal receber financiamentos. Depois do 25 de Abril, todos queriam o desenvolvimento porque Portugal estava parado no tempo.”

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“Lembro-me bem da Expo 98. Vi coisas muito bonitas e diferentes de tudo. Havia muitas filas para entrar, porque todas as pessoas foram visitar a Expo!”

Antonieta Domingos

Mª Lourdes Almeida

“Quando vi a notícia do 11 de Setembro nem queria acreditar no que estava a ver. Foi muito impressionante ver aquelas imagens e desde aí que as guerras não param.”

“Quando o Euro apareceu, fez-me muita confusão. Tive receio de ser enganada e achei que não ia conseguir!”

“Ainda hoje penso em escudos. Nunca me consegui adaptar bem ao Euro, ainda hoje preciso de ajuda.”

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Mª Céu Duarte

Agostinha Amieiro


Agradecimentos… Ser Presidente da Direção da Associação Mais Proximidade Melhor Vida é um orgulho que jamais poderei pôr em palavras. É a oportunidade que tenho de concretizar um sonho – combater a solidão e o isolamento das pessoas mais velhas – um assunto que me tem preocupado ao longo dos anos. Olhar para este Grupo de Encontros, faz-me perceber que tudo vale a pena, que estamos em sintonia para o mesmo objetivo e que faz sentido estarmos aqui convosco a refletir e a conviver! Em nome da Direção, só me resta agradecer àqueles que nos acompanham mensalmente, àqueles que se esforçam por não parar e que valorizam a vida. Também eu valorizo estes testemunhos fantásticos que ficam aqui preservados e sempre que possível, faço questão de divulgar a vossa voz, os vossos saberes. Agradecer também à equipa técnica desta Associação que tanto tem beneficiado com o vosso contributo e carinho. São aprendizagens que não se adquirem em nenhuma escola. Tudo isto não seria possível sem o apoio imprescindível de parceiros como a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que continua a prestar o seu apoio a esta iniciativa e que gentilmente nos cede o espaço onde tudo isto acontece. Assim, o nosso agradecimento por este gesto tão louvável e que tanto contribui para uma sociedade mais inclusiva.

Muito obrigada e um Bem-haja!

Maria de Lourdes Pereira Miguel Presidente da Direção

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