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Boletim informativo das Associações de Moradores SABABV e SAJAPE

ANO 6 – NÚMERO 15 – DEZEMBRO DE 2015

Feliz Natal e um 2016 repleto de realizações!

Mais um ano que termina. E que ano! Nesta edição, reunimos alguns fatos que ocorreram durante o ano de 2015. Gostaríamos que fossem apenas notícias boas, de realizações plenas e de acordo com as propostas dos moradores da região, mas, infelizmente, nem tudo correu como desejávamos. Especial atenção merece o caso da Lei de Zoneamento (p. 4-5), cujas reuniões tomaram muito do tempo de nossa escassa equipe de voluntários. Calorosas discussões ainda devem ocorrer no começo de 2016 e é bom que todo morador tome ciência das possíveis mudanças em nossos bairros, que incluem até mesmo a liberação de templos com capacidade para até 500 pessoas, escolas e exploração de água dentro dos bairros residenciais. Aproveitando o ensejo, gostaríamos de convocar você, morador, a participar mais ativamente dos projetos de suas associações. Em um ano cheio de problemas locais e tantos outros de caráter estadual e até federal, nossa pequena equipe terminou 2015 completamente esgotada e temos certeza de que muito mais poderia ter sido feito se contássemos com sua ajuda, mesmo que pontualmente. Venha doar um pouco de seu tempo e de sua expertise. Com certeza seu trabalho será muito importante para nossa equipe! Para saber mais sobre as atividades da Sababv e da Sajape, acesse o site* das associações. Ambas possuem cadastro para voluntários. Por fim, faça sua inscrição no blog Mais Ação (http://blogmaisacao.blogspot. com.br/), mantido pelas duas duas associações e que, a partir de 2015, tornou-se o canal principal de divulgação das notícias da região. Até 2016, e que suas festas sejam cheias de alegria! * O endereço dos sites das associações está no expediente (p. 8).

CIENPIES DESIGN

CET

p. 2

Lei de Zoneamento p. 4-5 Parque Alto da Boa Vista: Histórico p. 6-7 Parque Alfomares

p. 8


2 • Mais Ação

Fiscalização, o problema de sempre Sajape e Sababv acompanham continuamente o andamento dos processos de usos e construções irregulares que dependem da ação da subprefeitura. As denúncias e solicitações de moradores são encaminhadas à Superintendência de Fiscalização e, embora em alguns casos as providências sejam eficazes, muitos casos permanecem sem solução. Alguns já são históricos, como o imóvel onde acontecem rituais de quimbanda, e ruas que continuam fechadas, como se fossem condomínios. Alguns problemas envolvem abordagem direta das associações, como as pererecas que “gritam” à noite ou o barulho eventual do compressor da Fonte Petrópolis, que causam incômodo e perturbam o descanso dos moradores.

Como resolver essa situação? A ineficácia da fiscalização é um problema ainda sem solução. As alegações são sempre as mesmas: os poucos agentes vistores estão sempre sobrecarregados, não há viaturas disponíveis, há excesso de demandas, em muitos casos os infratores interpõem recursos, o departamento jurídico é lento... E invariavelmente, quem paga o preço dessa falta de estrutura são os cidadãos de bem, que cumprem a lei e sofrem o incômodo das irregularidades.

CET Incrível, mas cada vez que saímos de uma reunião com os técnicos da CET (e não são poucas as vezes) temos a “insana” impressão de que antigas pendências finalmente serão resolvidas. Mas na reunião seguinte percebemos que a lista continua a mesma e os problemas tornaram-se mais graves. O trânsito em nossos bairros é cada vez mais intenso, recebendo veículos que fogem de congestionamentos e de radares de velocidade. Mesmo assim, nenhuma das nossas solicitações relacionadas a seguir foi tratada definitivamente: 1. obra de segurança entre os dois lados do Parque do Cordeiro, na rua Breves. Depois de muita insistência, e graças ao apoio decisivo da subprefeitura, que executou a obra, conseguimos a faixa elevada, mas a rotatória ainda aguarda reforma para ajustar-se à função pretendida; 2. autorização para transformar nossas rotatórias em ilhotas permeáveis e com floreiras para fazê-las mais eficientes: a subprefeitura pediu um documento de anuência escrita de 70% dos moradores do bairro para

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autorizar a obra, e a CET pede que a associação apresente uma planta executiva para cada rotatória. Onde está o incentivo?; a rua Nove de Julho continua com acidentes e capotamentos. A velocidade dos carros na rua Com. Elias Zarzur, nem se fala! Mas, com exceção das rotatórias, não há nenhuma outra medida para conter os abusos; estudo para diminuição de acidentes no cruzamento da rua São Sebastião com rua Santos Dumont. Segundo uma engenheira da CET, o projeto está pronto, mas não se sabe quando será implantado; estudo para melhorar a rotatória no cruzamento das ruas Marechal Deodoro com Regina Badra; o projeto do minianel viário de Santo Amaro para diminuir o trânsito de passagem dentro dos bairros também não saiu do lugar.

São solicitações antigas de moradores que conhecem sua região e suas dificuldades diárias de mobilidade, que trabalham no interesse coletivo e que desejam um bairro um pouco melhor!

Mas existem alternativas, e a Ciranda* apresentou à Subprefeitura uma proposta de reformulação dos procedimentos. Para otimizar o desempenho dos agentes vistores, as universidades da região podem criar programas de estágio para estudantes, que fariam o trabalho de observação em campo, percorrendo os bairros e anotando irregularidades. Dessa forma, os funcionários ficariam liberados dessa tarefa, podendo dar maior agilidade ao trabalho técnico e de avaliação, acelerando assim os processos burocrático. Obviamente, essa estrutura eliminaria outros entraves que todos conhecemos.

(*) Ciranda – Comunidade e Cidadania, entidade que congrega associações de bairro da área da subprefeitura de Santo Amaro.

FOTOS: ARQUIVOS SABABV

Essa proposta foi apresentada ao novo subprefeito de Santo Amaro, Laércio Ribeiro da Silva, e nossa expectativa é que agora sejam tomadas providências para implementá-la. Rotatórias no Alto da Boa Vista (acima) que aguardam por tratamento semelhante ao da rotatória do cruzamento das ruas Marechal Deodoro e Comendador Elias Zarzur (abaixo).


Dezembro de 2015 • 3

FOTOS: ARQUIVOS SAJAPE

Ecoponto Prof. Vicente Rao

As fotos reúnem momentos de várias oficinas sobre compostagem que foram ministradas no Ecoponto Prof. Vicente Rao em 2011, em parceria com a Sajape.

Ecoponto, você sabe o que é? Muitos moradores ainda não sabem para que serve o Ecoponto ou não se lembram dele quando precisam jogar fora podas de jardim, eletrodomésticos ou resíduos de obra. O Ecoponto é um equipamento da prefeitura que foi criado com o objetivo de evitar o descarte irregular de objetos e entulho de construção em calçadas, praças e terrenos baldios. Destina-se ao atendimento de moradores, e recebe materiais recicláveis, restos de poda, pequenos volumes de entulho de construção e objetos volumosos que já não têm utilidade, como colchões e móveis velhos. A população pode dispor o material gratuitamente em caçambas distintas para cada tipo de resíduo. Em nossa região há três ecopontos, e o mais conveniente para os nossos leitores é o Ecoponto Vicente Rao, situado na Av. Prof. Vicente Rao, 308, sentido Diadema, nos baixos do Viaduto Vereador José Diniz. Os moradores são atendidos por funcionários da Soma, a concessionária que cuida da limpeza pública em nossa região.

Nossos projetos no ecoponto

Compostando no Ecoponto é uma publicação que resultou do projeto de 2011, que pretendia dar nova destinação aos restos de poda.

Em 2011, a Sajape desenvolveu no ecoponto Vicente Rao um projeto de compostagem, dando nova destinação aos restos de poda trazidos pelos moradores. Além do objetivo ambiental especifico de dar novo uso a esse material, o projeto teve uma função educativa, envolvendo pessoas de diversos grupos, como estudantes de escolas da região, escoteiros e empregados domésticos. Ao invés de acumular ainda mais nossos aterros, esse material era transformado em composto orgânico, sendo utilizado

pela prefeitura em hortas, praças e parques, e oferecido aos visitantes, que aprenderam o processo de compostagem e já podem preparar o composto em sua residência. Devido ao sucesso do projeto e ao interesse dos moradores, a Sajape tem o apoio da subprefeitura e da Amlurb – Autoridade Municipal de Limpeza urbana – para reativar o pátio de compostagem, e está em tratativas para retomar o projeto.

Seja responsável e leve seu entulho para o Ecoponto! Não custa nada e com certeza ele não vai contribuir para a próximas enchentes. Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 6 às 22 horas e, domingos e feriados, das 6 às 18 horas.


4 • Mais Ação

A novela do Projeto de Lei 272/2015, que altera a atual Lei de Zoneamento

FOTO: ARQUIVOS SABABV

Será que uma lei de uso e ocupação de solo (PL 272) fundamentada em interesses particulares e pontuais, e não em estudos técnicos, pode dar certo? Um projeto de lei decidido com base em interesses políticos, por meio do qual cada vereador tenta atender aos pleitos dos eleitores de sua região, certamente não trará benefícios coletivos! Como já foi esclarecido em nosso boletim anterior, o Projeto de Lei 272/2015 é uma revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, também conhecida como Lei de Zoneamento. Reúne o conjunto de regras que vão definir as atividades que podem ser instaladas nos diferentes locais da cidade e tem como referência o Plano Diretor estratégico aprovado em 2014.

O PL coloca em risco a qualidade habitacional e ambiental de vários bairros da cidade, permitindo a instalação de atividades comerciais e de serviços em áreas residenciais, caracterizando uma anistia a empreendedores reconhecidamente irregulares.

A absurda proposta para a rua São Benedito Na nossa região, o caso mais clamoroso é a proposta de Zona Corredor 3 (ZCOR-3) para a Rua São Benedito, nas quadras entre as ruas São José e Américo Brasiliense, que sempre foram estritamente residenciais. Esse corredor permite praticamente qualquer uso, desde atividades de profissionais liberais a inúmeras atividades industriais, comerciais e institucionais. Qual seria a justificativa técnica para essa mudança? A quem interessa um zoneamento tão permissivo dentro de um bairro estritamente residencial, que presta importantes serviços ambientais para uma cidade necessitada como São

FOTO: ARQUIVOS SABABV

As ameaças do PL 272 em nossa região

A atual realidade da rua São Benedito: a maior parte dos imóveis é de residências unifamiliares, que mantêm vegetação abundante, e há alguns imóveis ocupados por atividades comerciais e de serviços.

Paulo? As justificativas deixam clara a intenção explícita de simplesmente anistiar os irregulares: “é vocação da rua”, “a rua já está deteriorada”, “a rua já é majoritariamente comercial”. As respostas são óbvias: se existe vocação de ruas, esta seria residencial, como sempre foi; uma aparente tendência de uso decorre da incúria da fiscalização; a rua não está deteriorada; os trechos a serem transformados em ZCOR-3 são de uso majoritariamente residencial; a rua sequer se enquadra nas condições que definem o uso proposto. O argumento de que faltam áreas para desenvolvimento da região tampouco se sustenta: basta atentar para

toda a área remanescente do antes pujante parque industrial de Santo Amaro, que abandonou nossa cidade, e o próprio centro histórico de Santo Amaro, que clama por recuperação e requalificação.

Liberalidade também nas avenidas que circundam nossos bairros A mesma ZCOR-3 – o mais permissivo dos corredores – foi determinada também para as avenidas Prof. Vicente Rao e Ver. José Diniz, que hoje têm função de zona de transição entre zonas mistas e zonas estritamente residenciais. Esse uso mais permissivo


Dezembro de 2015 • 5 ameaça nossos bairros com problemas como poluição sonora e ambiental, mais trânsito, busca por vagas de estacionamento das ruas lindeiras, transtornos casados por carga e descarga, e tantos outros. A inconsistência da proposta reflete-se na indicação de zonas para outras vias: por decisão dos vereadores, vias como avenida Brasil, rua Groenlândia e avenidas no Morumbi não podem ser sequer ZCOR-2; e se essa mesma ZCOR-2 está sendo aplicada a avenidas como Washington Luís, Europa, Eusébio Matoso e Francisco Morato, e a ruas como Alvarenga e Gabriel Monteiro da Silva, como explicar ZCOR-3 na pequena rua São Benedito e nas avenidas Prof. Vicente Rao e Ver. José Diniz? Qual pode ser a justificativa técnica para decisões tão discrepantes? No nosso entendimento, a explicação é que a ZCOR-3 é o único tipo de zona que engloba o conjunto de usos irregulares já instalados sob as vistas da administração local, e que, no caso da São Benedito, satisfaz a todos os infratores da lei que compõem um grupo pequeno, porém ruidoso, que pleiteia sem qualquer pudor essa anistia escandalosa, uma ofensa a todos os cidadãos que respeitam a lei.

Outras “generosidades” agravam ainda mais os riscos para as ZER Mas os problemas não se limitam a essas vias. O PL agora permite usos não residenciais dentro das ZER, em completo desrespeito ao que determina o Plano Diretor estratégico. Confira, no Quadro 4 do PL 272/2015, algumas das atividades que podem surgir no seu vizinho, uma vez que o PL permite que sejam instaladas nos bairros estritamente residenciais: •

nRa-5: captação de água mineral/potável de mesa destinada ao consumo, associado ou não ao envase; (...) nR1-10: serviço público social de pequeno porte, como bibliotecas, estabelecimentos destinados à educação e cuidados infantis ou de alunos com necessidades especiais, unidades de saúde e assistência social de âmbito local, entre outros; (...) nR1-16: local de culto de médio porte localizado na zona urbana com lotação de até 100 (cem) pessoas; nR2-15: atividade museu, com possibilidade de usos comerciais e serviços associados; (...)

Não estamos sozinhos Ao lado de mais de 40 entidades de bairros residenciais, as entidades da Ciranda uniram-se para expressar seu descontentamento com o projeto de lei e a destruição que acarretará. Lamentavelmente, a Comissão de Política Urbana da Câmara, responsável pela elaboração do substitutivo ao PL 272, não incluiu as mudanças necessárias para garantir a qualidade de vida dos paulistanos, mas priorizou o adensamento construtivo e a disseminação de usos por todos os bairros. Conheça os membros dessa comissão: Presidente: Gilson Barreto (PSDB);Vice-presidente: Nelo Rodolfo (PMDB); Relator: Paulo Frange (PTB); demais membros: Aurélio Miguel (PR), Dalton Silvano (PV), Juliana Cardoso (PT) e Souza Santos (PSD) O segundo capítulo – a votação – está por vir. Esperemos que 2016 traga boas novas!

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Comunidades dos bairros afetados reagiram ao PL A Ciranda – Oscip que congrega associações de moradores da subprefeitura de Santo Amaro, e da qual Sababv e Sajape fazem parte – questionou formalmente outras propostas do PL 272 que colocam em grave risco também bairros vizinhos às ZER, ameaçando a estabilidade dessas zonas e descaracterizando essas ilhas de qualidade ambiental e habitacional que representam apenas 4% da área da cidade. Conheça o principais pontos mencionados no documento: • preservação incondicional das Zonas

Exclusivamente Residenciais em toda a cidade, e criação de novas ZER onde ainda houver condições ambientais a serem sal-

vas, tendo em vista os serviços ambientais que essas áreas prestam a toda a cidade; • eliminação da ZCOR-3, uma vez que apresenta poucas diferenças em relação à ZCOR‑2. E que a ZCOR-1 seja adequada para cumprir o papel Zona de Transição entre Zonas Mistas (ZCOR-2) e Zonas Exclusivamente Residenciais, com o quadro de usos modificado; • que sejam introduzidos mecanismos de proteção do subsolo e do espaço aéreo, inexistentes no texto do PL. Isso implica fazer referência à Carta Geotécnica da Cidade, disponível no IPT, e condicionar novos empreendimentos à realização de prospecção de subsolo e de análise de túneis de vento, além do estudo de impacto de vizinhança em todos os aspectos: abalos estruturais, criação de ilhas de calor,

poluição sonora, funcional e operacional, polo gerador de tráfego etc.; • revisão dos quadros de usos nos corredores e nas ZEUs que são extremamente permissivos, “pasteurizando” a cidade como se todas as regiões fossem semelhantes; • realização dos Planos Regionais ANTES da implementação da LUOS. Essa é uma questão crucial para evitar o agravamento de situações como a da Vila Madalena e a Chácara Santo Antônio; • revisão dos limites da Operação Urbana Água Espraiada, que no PL avançam sobre Zonas Exclusivamente Residenciais, o que, no mínimo, constitui um equívoco do Executivo, uma vez que a Operação Urbana tem lei específica e seus limites não podem ser alterados pela LUOS.


6 • Mais Ação

Parque Alto da Boa Vista

FOTO: ARQUIVOS SABABV

Na luta pelo verde: um parque com a marca de S.Paulo

A entrada do Parque Alto da Boa Vista, cujas obras continuam paralisadas.

Com certeza, você já passou por ele, na rua Vigário de João Pontes, ao lado do Colégio Maria Imaculada (Chapel School) e deve ter-se perguntado: de quem é esse terreno tão abandonado? Caro morador, esse terreno é seu... Esse terreno é patrimônio público: 31.000 metros quadrados destinados, por decreto, à criação de um parque. Um bom presente para São Paulo. Conheça essa história.

Os primeiros tempos A ocupação de Santo Amaro ocorreu em um aldeamento indígena. No século 16, após o início da colonização, a região foi doada como sesmaria aos mesmos jesuítas que fundaram a Vila de São Paulo. No fim do século 17, quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, muitas terras dessa região, inclusive a área do Parque Alto da Boa Vista, tornaram-se terras devolutas, retornando ao governo da então província, e algumas delas, mais tarde, à municipalidade. Área Lavapés – assim era chamada a área do parque, que era uma espécie de divisão de caminhos. Seguindo por um lado, chegava-se à estrada da Vila de Santo Amaro; seguindo pelo outro lado, tomava-se o caminho do litoral, no sentido de Itanhaém.

O Lavapés recebia este nome por ser o local onde os tropeiros paravam para descansar e para limpar-se antes de entrar na Vila de Santo amaro. Ali nasce o Córrego do Lavapés, como era conhecido à época, mas hoje identificado como Córrego Poly.

E já no século 20... No início do século 20, começaram as tentativas de “grileiros” de apossar-se dessas áreas. Os primeiros documentos datam de 1910, porém as ações estenderam-se até o início do século atual. Em consequência dessas tentativas de grilagem, houve por algum tempo uma certa confusão sobre a propriedade da área, agravada pelas sucessivas mudanças de gestores e funcionários da administração de Santo Amaro (hoje Subprefeitura de Santo Amaro): informações sobre a identidade do proprietário das áreas verdes e/ou não ocupadas na região não eram transferidas aos novos ocupantes dos cargos.

A Sababv entra em cena Foi somente no ano 2000, após cobrar da Subprefeitura providências para a limpeza da calçada e do terreno na esquina ruas Visconde de Porto Seguro e Vigário João de Pontes, que a diretoria da Sababv

descobriu que a área era pública. Teve então início a luta pelo Parque Alto da Boa Vista. Em 2003, o parque foi criado oficialmente, denominado Parque 450 (em alusão aos 450 anos da cidade). No entanto, entre 2003 e 2008, apesar de inúmeras solicitações da Sababv, da Sajape e da Ciranda junto aos diversos órgãos da prefeitura, a área continuou abandonada. Em 2008, a empresa responsável pelo Loteamento Chácara Santa Helena estabeleceu junto à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município um Termo de Compensação Ambiental (TCA), instrumento necessário para a emissão de licença ambiental do empreendimento. Para a nossa região, o principal item desse TCA, seria a implantação do Parque Alto da Boa Vista. Ainda em 2008, logo após o início das obras (cercamento e parte da calçada), os trabalhos foram paralisados por uma nova ação de posse. A prefeitura, mais uma vez, teve que provar ser proprietária do terreno, em um processo que se arrastou de 2008 até novembro de 2012, consumindo tempo e dinheiro do Judiciário do estado e do município. Em fins de 2012, quando a ação pela posse da área foi encerrada, liberando o terreno do parque para que a prefeitura retomasse as obras, o empreendimento responsável pela implantação do parque enfrentava uma ação por dano ambiental, movida pelo Ministério Público, ficando impedido de dar continuidade aos trabalhos. Em 2013, resolvida mais essa questão judicial, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente foi solicitada – por autoridades do Judiciário e por advogados da prefeitura – a prontamente caracterizar a área como parque – o que poderia ser feito, por exemplo, mediante a instalação de placas e a contratação de vigilância –, de modo a evitar novos processos de grilagem. No entanto, apesar de inúmeras cobranças por parte da Sababv, nenhuma providência nesse sentido foi tomada.


Dezembro de 2015 • 7 gão ligado à Secretaria do Verde e Meio Ambiente, conforme publicado no Diário Oficial de São Paulo do dia 28/10/2014. Ainda não entendemos os motivos que levaram a esse acordo, especialmente tendo em vista que a própria Secretaria do Verde e do Meio Ambiente já havia destinado recursos do mesmo FEMA para a contratação de uma equipe de manejo e de uma empresa de segurança para esse parque, até hoje virtual.

Anos de esforços e expectativas Ao longo dos últimos dois anos e meio, fizemos pelo menos seis visitas a técnicos e secretários do Verde e Meio Ambiente, cobrando uma solução para a implantação do parque, além de dezenas de ofícios e telefonemas. No início de 2015, após mais uma tentativa de obter explicações sobre o motivo pelo qual o recurso destinado ao parque foi encaminhado para outro fim, finalmente recebemos uma boa notícia: estavam em andamento pro-

vidências prometidas em fins de 2014, marcando a retomada dos trabalhos. O trabalho de manutenção das áreas verdes e a roçagem nos locais adequados do Parque Alto da Boa Vista. Há planos de instalação de um equipamento com estrutura em vidro e metal, que será utilizado como local de trabalho para a equipe de vigilância. Aparentemente, essa construção será utilizada como piloto para outros parques. O valor do TCA depositado no FEMA está destinado a “desapropriação de áreas e cercamento de parques”, mas ainda não sabemos onde será utilizado. O projeto e a execução das obras do Parque terão que ser realizados com outras verbas da Secretaria do Verde. Embora segundo informações da secretaria do Verde e Meio Ambiente as obras de limpeza estejam sendo realizadas, para quem passa pelo local o terreno ainda parece completamente abandonado. Queremos acreditar que logo mais teremos uma nova área verde para os vizinhos desfrutarem.

MAPA: FOTOMONTAGEM SOBRE IMAGEM DO GOOGLE

FOTOS: ARQUIVOS SABABV

Em fevereiro de 2014, os empreendedores responsáveis pela implantação do parque, agora liberados pelo Judiciário para a retomada das obras, convidaram a Sababv e as escolas vizinhas para conhecer o projeto do parque e apresentar sugestões. Tudo sugeria que o Parque ABV finalmente sairia do papel! Alguns acertos pelo atraso da obra por ações judiciais deveriam ser feitos entre o empreendedor e a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas todos acreditavam que os projetos estavam em fase final de detalhamento, e que em pouco tempo teríamos o tão almejado parque. Qual não foi a surpresa quando, em outubro de 2014, descobrimos que a parte da verba do TCA número 066/2006, do processo 20016-02.0242.140-0, que em sua origem era destinada à implantação do Parque Alto da Boa Vista, como forma de compensar a comunidade pela perda de vegetação e pelos danos à fauna em função do empreendimento, havia sido depositada pelo empreendedor no FEMA (Fundo Especial do Meio Ambiente), ór-

Acima, alguns dos animais que compõem a fauna local: saguis e pica-paus. Abaixo, os limites do Parque Alto da Boa Vista.


8 • Mais Ação

Alfomares, outra área preciosa

Voluntariado: já pensou em ser um voluntário? Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa.

FOTO: ARQUIVOS SABABV

Ao analisar os motivos que mobilizam em direção ao trabalho voluntário, descobrem-se, entre outros, dois componentes fundamentais: o de cunho pessoal, a doação de tempo e esforço como resposta a uma inquietação interior que é levada à prática, e o social, a tomada de consciência dos problemas ao se enfrentar com a realidade, o que leva à luta por um ideal ou ao comprometimento com uma causa. A entrada do Parque Alfomares com placa indicando paralisação de obras.

Ao contrário de alguns moradores que se entristecem ao ver o terreno aparentemente abandonado da rua Visconde de Porto Seguro, ao lado da escola Suíço-Brasileira, nós, que participamos da defesa das árvores e dos animais dessa área antes densamente arborizada, ficamos felizes por saber que ela continua sub judice; e que, conforme integrativa da sentença publicada em junho desse ano, a qual passa a fazer parte da decisão do processo, a empresa continua proibida de realizar qualquer manejo de vegetação, limpeza ou retirada de elemento vegetal e, consequentemente, está proibida também de implementar qualquer edificação ou objeto do empreendimento imobiliário.

Conforme as sentença, as corrés ficam obrigadas a submeter e ter aprovado pela Cetesb, no prazo de seis meses, projeto de recuperação ambiental para a gleba objeto da ação, com o plantio de espécies nativas em quantidade igual à suprimida, e trato por três anos, sob pena de multa diária. Devem também fazer a reposição, em cada um dos quatro lotes desmembrados, do número de árvores removidas, tudo sob pena de multa diária. Essas notícias são um alento para as associações que vêm defendendo as árvores, a boa aplicação das leis e o respeito a elas. Que esse terreno seja uma inspiração para novas ações!

Nós, voluntários da Sababv e da Sajape acreditamos que podemos contribuir para transformar São Paulo em uma cidade melhor para as próximas gerações, e com esse trabalho em nossa região ganhamos reconhecimento e muitos amigos. Não estamos sozinhos nessa empreitada. E você? Já pensou em doar algumas horas da semana em algum trabalho voluntário? Procure algum lugar para auxiliar., independentemente de quantas horas sejam por semana. Meia hora por mês? Muito bom! Uma hora por dia? Fabuloso! O importante é fazermos a nossa parte, porque só com o nosso exemplo é que as coisas realmente vão mudar. Algumas sugestões de locais para trabalho voluntário em nossa região: Casa dos Velhinhos Ondina Lobo, Instituto Mão Branca e, claro, nossas associações, a Sababv e a Sajape! Esperamos vocês!

MAIS AÇÃO É PUBLICADO POR:

Conselho Participativo Municipal

SAJAPE (www.sajape.org.br)

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Confira a agenda mensal pelo blog Mais Ação.*

Até o fechamento desta edição, os resultados da eleição para o Conselho Participativo Municipal ainda não tinham sido divulgados. Acesse o nosso blog* para conferir os resultados.

* http://blogmaisacao.blogspot.com.br/.

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(11) 5535.2589 | ampel@ampel.com.br.

Parque do Cordeiro O parque continua atraindo muitos moradores de nossa região, principalmente aos finais de semanas quando acontecem várias atividades.

(11) 3854.7372 | sajape@sajape.org.br SABABV (www.altodaboavista.org.br) (11) 5532.1367 | sababv@altodaboavista.org.br

Av. Adolfo Pinheiro, 2464, sala 33 Santo Amaro • 04734-902 • São Paulo - SP. Layout e diagramação Ampel Produções Editoriais (www.ampel.com.br)

Mais Ação 15  

Edição de final de ano com a retrospectiva das principais atividades das associações.

Mais Ação 15  

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