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VI Escola e Educação em São José dos Campos: espaço e cultura escolar

Volume VI

Escola e Educação em São José dos Campos: espaço e cultura escolar Maria Tereza Dejuste de Paula e Zuleika Stefânia Sabino Roque

É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro (Zeca Baleiro) Esse fragmento da canção explicita parte da inquietação que acomete os educadores que encaram cotidianamente o desafio das salas de aula. A imagem desta capa contempla o prédio da Faculdade de Direito que é uma das primeiras instituições de ensino superior do município. Hoje, em meio a tantos outros; na velocidade que nos imprime a vida de cosmopolitas, a fachada da Castejón, foi eleita, por nós, as organizadoras, como símbolo de um elo entre passado e futuro no qual predomina o idealismo e a convicção de todos aqueles que abraçam a educação como profissão e reconhecem nela a sua devida importância. Este volume da coleção debruçou-se sobre a Educação no município de São José dos Campos, contemplando o período do século XIX ao XXI, desde as séries iniciais da Educação Básica até a Pós Graduação.


Coordenação Geral da Coleção

Maria Aparecida Papali e Valéria Zanetti

Volume VI

Escola e Educação em São José dos Campos: espaço e cultura escolar Organizado por

Maria Tereza Dejuste de Paula e Zuleika Stefânia Sabino Roque

São José dos Campos 2012

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Apresentação do Volume VI

Escola e Educação em São José dos Campos: espaço e cultura escolar

O

sexto livro da série São José dos Campos – História e Cidade visa a socializar parte do vasto material já pesquisado sobre a Educação em nosso município. No primeiro capítulo, intitulado: “Cidade e Educação: O cotidiano da escola joseense na transição Império/República”, os autores se debruçaram sobre o processo de constituição de uma rede pública de ensino, no município, no século XIX; tal processo foi caracterizado por percalços cujas proporções podem ser identificadas, ainda nos dias de hoje, apontando para as grandes contradições entre o discurso e a prática, no que diz respeito à política educacional no país.

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Construção do Prédio do Laboratório de Estruturas

Fonte: Acervo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica Enquanto as obras eram realizadas em São José dos Campos, a COCTA funcionou na cidade do Rio de Janeiro e os alunos da primeira turma tiveram suas aulas na Escola Técnica do Exército. Nessa fase, começou, também, a contratação do corpo docente. Tendo a preocupação fundamental de contar com um Corpo Docente de elevado padrão, o ITA procurou reunir professores estrangeiros e brasileiros de alto nível. Estes orientavam professores mais jovens, aos quais eram oferecidas amplas oportunidades de prosseguir estudos avançados no país e no exterior. Alunos e professores possuíam residência dentro do campus, condição que proporcionava, desde o início, a Dedicação Exclusiva de todos às atividades acadêmicas, mas que provocou, por outro lado, o isolamento dessa Comunidade Científica em relação à cidade de São José dos Campos. 74


Os primeiros professores do ITA, que deram origem à comunidade científica de São José dos Campos, eram quase todos norte-americanos ou estrangeiros de outra nacionalidade, mas que também tinham a cidadania norte-americana. Nessa comunidade, os brasileiros foram integrados lentamente, contratados como assistentes auxiliares ou técnicos, sendo que, até a década de 1980, a contratação dos professores era realizada por intermédio de recomendações pessoais, seja de pessoas ou de instituições. Hoje, a contratação segue a mesma regra dos demais servidores públicos federais, ou seja, por meio de concurso público.

Grupo de Professores instalados provisoriamente na Escola Técnica do Exército no Rio de Janeiro.

Fonte: Acervo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica

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las presenciais, considerando-se o país, o Estado de São Paulo e o município de São José dos Campos. Os dados da tabela mostram que o crescimento foi expressivo, no período, no país e, mais ainda, no município em tela, em que a porcentagem de crescimento das matrículas superou, em muito, a da federal e a da estadual. A tabela mostra, também, que o crescimento foi desigual entre as instituições privadas (incluídas aqui as particulares e as comunitárias/confessionais) e as instituições públicas (incluídas aqui as federais e estaduais), sendo que, no município de São José dos Campos, a porcentagem observada de crescimento nas instituições de ensino superior privadas é quase o dobro da porcentagem observada no nível federal. Tabela 1. Porcentagem de crescimento das matrículas, comparando-se o ano de 1991 e 2009

% de crescimento das matrículas Comparando-se 1991 e 2009 TOTAL

PRIVADAS

PÚBLICAS

Brasil

226,8

292,4

136,0

Estado de São Paulo

173,9

194,8

117,6

São José dos Campos

342,1

415,2

49,2

Fonte: elaboração própria com dados do INEP Considerando-se a expansão das matrículas mostrada na tabela anterior, mas levando-se em conta o tipo de instituição em que as matrículas foram efetuadas, a tabela 2 mostra que, comparando-se os anos de 1991 e 2009 (que são as pontas do período considerado nesse estudo), a participação das matrículas em instituições de ensino superior públicas diminuiu, enquanto a participação das matrículas nas instituições de ensino superior privadas aumentou significativamente. Mostra, também, que, no município de São José dos Campos, o quadro é favorecedor para as instituições de ensino superior 192


privadas, que abarcam 93,40% das matrículas. Tabela 2. Porcentagem de matrículas de graduação presencial nos anos de 1991 e 2009 segundo a categoria administrativa

% de MATRÍCULAS no ensino superior * IES PÚBLICAS

IES PRIVADAS

1991

2009

1991

2009

Brasil

38,70

26,41

61,29

73,58

Estado de São Paulo

13,18

10,47

80,60

86,78

São José dos Campos

19,96

6,73

80,00

93,40

Fonte: elaboração própria a partir de dados do INEP * Não inclui os dados das IES municipais O número de matrículas por ano, do período considerado, é apresentado no gráfico 1.

Fonte: elaboração própria a partir de dados do INEP Gráfico 1 - Número de matrículas de graduação presencial em São José dos Campos, por ano.

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Observa-se, a partir do gráfico 1, que as matrículas presenciais no município de São José dos Campos tiveram um crescimento forte, até 2003, e um comportamento de oscilação, para baixo, em 2004, sem extrapolar; a partir desse ano até 2009, o nível mais alto atingido em 2003. Para uma visão mais clara do crescimento do ensino presencial no período, a tabela 3 apresenta as taxas de crescimento das matrículas do ensino superior presencial, por ano, no período considerado. Tabela 3- Crescimento de matrículas na graduação presencial e taxa de crescimento por ano em São José dos Campos

Ano Matrículas Taxa de crescimento % na escola particular 1991 3.981 80,00 1992 4.322 8,56 80,00 1993 4.527 4,74 84,90 1994 5.198 14,82 86,90 1995 6.378 22,70 89,80 1996 6.311 -1,05 89,50 1997 6.304 -0,10 89,40 1998 7.287 15,59 90,50 1999 9.557 31,15 91,88 2000 11.494 20,26 92,84 2001 12.887 12,11 93,18 2002 16.030 24,38 94,42 2003 17.936 11,89 93,92 2004 13.209 -26,35 91,80 2005 15.098 14,30 93,31 2006 17.295 14,55 94,27 2007 15.924 -7,92 93,77 2008 16.331 2,55 93,42 2009 17.602 7,78 93,26 Fonte: elaboração própria com dados do INEP 194


Observa-se, pela tabela acima, uma variação muito grande nas taxas de crescimento das matrículas, ao longo do período, com uma variação positiva expressiva, de 1998 a 2002, acompanhando o que ocorria no nível nacional, já que, como ressaltado, esse foi um período de grande expansão do ensino superior no país. Nos anos de 2005 e 2006, houve, também, uma expressiva expansão das matrículas no município, em nível mais elevado que no federal e no estadual, conforme mostra a tabela 4. Tabela 4 - Taxas de crescimento das matrículas de graduação presencial, por ano, no período de 1992-2009

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 média

Brasil 1,80 3,83 4,16 5,94 6,18 4,12 9,26 11,47 13,68 12,48 14,82 11,69 7,11 6,95 5,01 4,35 4,09 0,70 7,09

Estado SP -0,98 4,95 2,88 7,06 5,04 1,38 10,08 9,04 10,56 9,81 10,02 6,20 5,67 6,78 7,08 6,11 3,89 -0,99 5,81

SJC 8,57 4,74 14,82 22,70 -1,05 -0,11 15,59 31,15 20,27 12,12 24,39 11,89 -26,35 14,30 14,55 -7,93 2,56 7,78 9,44

Fonte: elaboração própria com dados do INEP 195


Campos, de onde é fácil o acesso para a cidade de Jacareí. Para uma interpretação mais aprofundada desse quadro, seria necessária uma incursão em fatores intra instituições superiores ligados a políticas de atração de alunos dos dois municípios, o que extrapola os objetivos do presente estudo. ! O crescimento do ensino superior e os segmentos público e privado A análise do crescimento do ensino superior brasileiro e do resto do mundo deve, necessariamente, considerar as características privado e público, já que essa é uma característica de tendência mundial. No caso do Brasil, o crescimento do ensino superior, após a década de 1960, deu-se principalmente no segmento privado. Em São José dos Campos, assim como no resto do país, a evolução das matrículas deu-se também com uma predominância nas escolas privadas, processo que decorreu da expansão de vagas ofertadas apenas nas instituições de ensino superior privado. O gráfico 3 mostra o crescimento das matrículas por tipo de instituição. Nesse gráfico, as matrículas das instituições comunitárias/filantrópicas foram incluídas na categoria privada pelo fato de cobrarem mensalidade, embora ofereçam bolsas a fundo perdido, por força da sua condição de filantrópicas e/ou comunitárias.

Fonte: elaboração própria a partir de dados do INEP Gráfico 3

- Evolução das matrículas de graduação em instituições

públicas e particulares em São José dos Campos 198


O crescimento do ensino presencial, em São José dos Campos, pode ser visto, também, a partir de outra tendência observada no crescimento do ensino superior presencial brasileiro, a interiorização. Vários estudos têm mostrado esse processo de interiorização do ensino superior. Segundo o IBGE (2009), entre 2001 e 2009, o percentual de municípios com entidades universitárias praticamente dobrou. No caso de São José dos Campos, o crescimento da cidade e sua expressão econômica contribuíram para a atração de instituições de ensino particular e pública, principalmente na primeira década deste século.

Fonte: elaboração própria a partir de dados do INEP Gráfico 4 - Número de cursos oferecidos pelas IES públicas e privadas em São José dos Campos

Pode-se observar, pelo gráfico, que o número de cursos oferecidos pelas instituições privadas cresceu muito, a partir de 1999, refletindo, também, o próprio crescimento dessas instituições no período considerado. As instituições privadas ofereceram um número de cursos mais que 10 vezes maior que o oferecido pelas pú199


Fig. 3 – Localidades no País mais representativas no processo de interação entre o INPE e instituições de origem dos concluintes dos cursos de pós-graduação no período de 1970 a 2004. Fonte: Secretaria Acadêmica de Pós-Graduação do INPE. Elaboração: Adriane A. M. de Souza.

Constata-se, ainda, que grande parte dos concluintes estrangeiros dos cursos oferecidos pelo INPE, veio de instituições localizadas na América do Sul, sobretudo do Peru, entretanto, durante os anos de 1970 e 2004, também houve a participação de profissionais provenientes de instituições localizadas em países como Índia, Egito, Japão, França e outros (tabela 4, figura 4). Tabela 4 – Número de concluintes dos cursos de pós-graduação do INPE provenientes de instituições estrangeiras – 1970-2004

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Origem Peru Argentina Chile Índia Colômbia Egito Venezuela Uruguai Taiwan Japão

n° de concluintes 18 10 8 4 4 3 2 2 2 2

Origem França Bolívia Estados Unidos Indonésia Inglaterra Israel Itália Rússia Ucrânia Total

nº de concluintes 2 2 1 1 1 1 1 1 1 66

Fonte: Secretaria Acadêmica de Pós-Graduação do INPE. Elaboração: Adriane A. M. de Souza.

Fig. 4 - Países mais representativos no processo de interação entre o INPE e instituições de origem dos concluintes dos Cursos de pósgraduação no período de 1970 a 2004. Fonte: Secretaria Acadêmica de Pós-Graduação do INPE. Elaboração: Adriane A. M. de Souza.

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Volume VI

Escola e Educação em São José dos Campos: espaço e cultura escolar Maria Tereza Dejuste de Paula e Zuleika Stefânia Sabino Roque

É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro (Zeca Baleiro) Esse fragmento da canção explicita parte da inquietação que acomete os educadores que encaram cotidianamente o desafio das salas de aula. A imagem desta capa contempla o prédio da Faculdade de Direito que é uma das primeiras instituições de ensino superior do município. Hoje, em meio a tantos outros; na velocidade que nos imprime a vida de cosmopolitas, a fachada da Castejón, foi eleita, por nós, as organizadoras, como símbolo de um elo entre passado e futuro no qual predomina o idealismo e a convicção de todos aqueles que abraçam a educação como profissão e reconhecem nela a sua devida importância. Este volume da coleção debruçou-se sobre a Educação no município de São José dos Campos, contemplando o período do século XIX ao XXI, desde as séries iniciais da Educação Básica até a Pós Graduação.


São José dos Campos - História & Cidade