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ROSA FILIPINA DUCHESNE A Mulher que reza sempre!

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No final de sua vida, os Potowatomi a identificavam: a Mulher que reza sempre! Rezar era seu forte, entregar a Deus seus sonhos e esperanças porque ela foi, desde menina, uma incansável sonhadora de grandes projetos para o Reino de Deus, isso sempre marcou sua história. A Revolução Francesa a retirou de seu mosteiro visitandino mas ela buscou de todo jeito viver seu sonho de entrega a Deus amando os irmãos, naquela hora de muita violência, perseguição, martírio... Todos os dias ela ia a seu mosteiro transformado em prisão e confortava os prisioneiros, criou até uma associação para recolher ajudas em favor deles... sempre que podia, reunia a garotada das ruas de Grenoble, ensinava-lhes o catecismo, alfabetizava-os, brincava e cantava com eles, derramava neles seu amor a Jesus... E sonhava ser missionária longe... mas Napoleão Bonaparte tinha proibido a saída do país para qualquer cidadão e cidadã... Empreendedora como era, a jovem Filipina se atreveu a levar adiante a idéia que lhe martelava a cabeça: comprar o seu mosteiro ao governo e refazer ali a vida religiosa. E assim fez... e foi logo partilhar sua felicidade com um pobre doente, seu amigo... alegria era para repartir! Mas Filipina sofreu a pesada decepção de não encontrar igual ardor nas antigas religiosas que ali tinham vivido... Não desistiu, porém! ela haveria de lutar e conseguir reviver a vida de doação total ao amor de Jesus Cristo, ali em Santa Maria do Alto. Foi essa mulher de sonho e teimosia, de esperança e coragem que Madalena Sofia, a conselho de seu amigo, Padre Roger, foi encontrar, em 1806. Encontro que selou uma grande amizade entre as duas e a partilha dos sonhos missionários que ambas alimentavam no ardor de seus corações. O sonho missionário ia tomando nome e colorido no coração de Filipina, então secretária da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus.. ela pediu a Madalena Sofia que a enviasse aos Peles Vermelhas da América... Mas a Congregação estava nos primeiros anos de sua existência... para se decidir a levar adiante esse sonho/aventura, Madalena Sofia rezou e Filipina esperou durante muito tempo... “É preciso que nossas obras lancem profundas raízes de humildade e paciência antes de frutificar” pensava ela... Só em 1818 obteve, enfim, a licença de partir, com mais quatro religiosas e a bênção de seu orientador espiritual, Padre Perreau: “O que o Senhor lhe dará em paga de sua total entrega, minha filha, é seu Coração divino para ser seu asilo, seu Espírito para guiá-la, algumas gotas de seu cálice para purificá-la e desapegá-la de você mesma e ensinar-lhe a não ter outro apoio a não ser Ele (...) Vá, então, corajosamente, onde Ele a chama...” Sua vida e história na Luisiânia daquela época foi de muito sofrimento, luta, incompreensões... Filipina já não precisava rezar sobre o mapa do mundo, - costume que guardou até o final de sua vida - ela já pisava esse outro mundo, tão diferente da França, com uma língua que ela nunca conseguiu aprender, numa sociedade aferrada em discriminação racial que ela não entendia nem aceitava, num clima que a fazia congelar nos invernos intermináveis, e as irmãs lutando e passando necessidade... Mas Filipina tinha esta certeza: “Quem possui a Jesus Cristo, possui tudo” Já tinha quase 73 anos, e cheia de achaques, quando Filipina viu seu sonho se concretizar: foi enviada aos “índios que fazem o fogo”, os Potowatomi que a admiraram profundamente por sua impressionante capacidade de oração contemplativa. Era junho de 1833 mas em julho de 1842, vencida pelo frio extremo daquela região foi chamada de volta e sua oração, cada manhã, a partir daí


era apenas: “Deus é sempre bom!” No entanto, seu coração vivia angustiado porque os Povos Indígenas da América do Norte sofriam grande opressão e perseguição por parte do governo, e fugiam sempre mais para oeste, tentando salvar sua cultura e liberdade... Em 1852, na “Lua das Arvores que estalam”, na simplicidade e na pobreza, partiu para Deus a Madre Duchesne (nome que significa Carvalho) depois de abençoar Ana du Rousier, a religiosa do Sagrado Coração de Jesus que traria a Sociedade para a América do Sul. Nos Estados Unidos, àquela hora, a Sociedade do Sagrado Coração de Jesus tinha noviciado florescente e duas provincias (naquele tempo se chamavam vicarias) com abertura para o Canadá! Frutos da humildade e a paciência orante de Filipina. Filipina nos ajude a talhar na esperança a nossa vida de oração e atuação apostólica!

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