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BRAINSTOR

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RM MAG #5

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Redação Editor-chefe Jonathan Wolpert diretora/head designer ana cuentro tradução Olga ferraz colaboradores Aquila Bersont bruno araújo Danilo Candido dayw villar jéssica fantini joão arraes Khalil Rodor Laércio Wolpert léo freitas olga ferraz Vinicius Gouveia Aline zanela bruna e jaqueline bueno matheus de david elite ford Gustavo Costa Leticia Vannucci melk z-da capa rhyme vicious por Jonathan Wolpert contato contato@magbrainstorm.com @magbrainstorm A Brainstorm MAg é umaRevista bimestral bilíngue sobre artes digitais, arquitetura, cinema, fotografia, literatura, moda, música e TV. FIca expressamente proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia do conteúdo editorial. Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista.

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sumário

10 complexo de entretimento xicui 14 nostalgia 18 editorial 36 medianeras 40 entrevista - melk-zda 44 tempo de viver 50 Construção e desconstrução 54 editorial 66 lavoura arcaica 70 the fashion show 72 turn! TURN! turn! 74 editorial

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carta editorial


Dois mundos se colidem e a dualidade se torna aparente. Nada se esconde, tudo é revelado. A nova edição da Brainstorm, “THE RISE & THE FALL” trata exatamente disso: mostrar que tudo se une, até dois lados de realidades completamente opostas. Nossas matérias se ligam diretamente com outras, mostrando que todos os mundos estão ligados de alguma forma. Nossos editoriais tratam de diferentes sentimentos, mas todos ligados a dualidade. A história de gêmeas idênticas com personalidades tão opostas e a colisão dessas personalidades, um homem que tem uma personalidade delicada e apenas deseja ganhar flores, chegando a uma mulher com duas personalidades, mostradas pelo seu modo de vestir. Entregamos essa edição com muita felicidade a vocês leitores de todo o mundo, nossa maior e mais trabalhosa edição, em que finalmente nos entregamos completamente ao novo.



Jonathan Wolpert

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Arquitetura

Complexo de Entretenimento

Xicui

arte sustentável Laércio Wolpert

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Interatividade com o público, sustentabilidade, eficiência energética e materiais high-tech, marcam o projeto do arquiteto italiano Simone Giostra e parceiros, um centro de entretenimento em Pequim, grande novidade na região onde foi implantado, próximo ao centro olímpico de Pequim dos jogos de 2008. A fachada inteira do Complexo Xicui é composta por 2.300 Leds com o padrão de cores RGB (Red Green and Blue), inseridos dentro de vidros laminados, que também recebem painéis fotovoltaicos. Esses painéis fotovoltaicos armazenam energia durante o dia para acender a fachada inteira no período noturno. O arquiteto chamou esse sistema de: “sistema orgânicos auto-suficiente”, pois não entra energia de fora no painel.

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As imagens são bem pixeladas, indo de acordo com a vontade do arquiteto, que desejava um ambiente onde os painéis não fossem usados para fins comerciais, apenas para finalidades de expressão artística. De qualquer forma, a certa distância, as figuras ficam bem mais nítidas. Fachadas com tal movimento configuram um novo paradigma de integração entre o objeto construído e o ambiente urbano. Estreitando o laço da arquitetura com a tecnologia digital, reforçando a capacidade de expressão da mesma, de acordo com os novos conceitos de comunicação audio visual.

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Se você cansou de procurar o que lhe completa, está na hora de surpreender-se.

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Audiovisual

NOSTALGIA

Vinicius Gouveia

A nostalgia não está no objeto, está no sujeito que a enxerga através de ligações e sobreposições subjetivas. Temos a nostalgia como uma atribuição ativa, é de nós que ela parte, “it (nostalgia) is what you “feel” when two different temporal moments, past and present, come together for you and, often, carry considerable emotional weight”, defende Linda Hutcheon. Assim, a nostalgia e melancolia interpretadas aqui são frutos de uma pesquisa guiada por fruições. Os videoclipes listados abaixo foram selecionados por fazerem parte de uma cultura de massa, a que comumente é vista na MTV e lojas que vendem desde roupas e instrumentos musicais a cadernos e chicletes. Não são apenas músicas, a maioria deles é moda e estilo antes de qualquer outra coisa. O que interessa aqui é também a construção visual que, por acaso ou deliberadamente, dialogam com reflexões de caráter nostálgico ou melancólico.

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Helena, My Chemical Romance. Hit internacional, o videoclipe acompanha o protagonista enquanto ele vela sua amada, Helena. Com um certo apelo à melancolia de mercado, sucesso durante a moda emocore, o protagonista chora pela morte que tornou a união dos dois impossível. Ele acredita que aquele amor seria pleno se ela estivesse viva, mas a reciprocidade de Helena é desconhecida. Como aponta Agamben, utilizando as palavras de Freud, “...o sujeito se esquiva da realidade e se apega ao objeto perdido graças a uma psicose alucinatória do desejo”. O amor romântico é fetichizado, parece que a impossibilidade do amor chega a ser excitante. No clipe, embora óbvio, a morte é o ponto final do desejo, que, para o soturno rapaz, não cessou. O videoclipe se torna uma hipérbole do sentimento melancólico, que ainda hoje é vendido como algo cool. A moda emo ainda perdura, menos hype e mais disfarçada.

Material Girl, Madonna. Numa referência clara ao número de Marilyn Monroe, Diamons Are A Girl’s Best Friend, Madonna construiu uma das músicas mais icônicas de sua carreira. Cada uma em seu momento, as duas platinadas saúdam o interesse feminino sobre os homens, de quem só querem dinheiro, jóias e futilidades. Há uma nostalgia graças ao resgate por parte do videoclipe, mas preocupada em acrescentar algo. Aquele momento histórico-social era outro, embora ainda inserido na cultura de massa, e Madonna utilizou o número feito por Marilyn para fortalecer a figura feminina, subverter o original. Essa foi uma forma de refletir o presente à luz do passado, utilizado para engendrar o futuro. Ela saúda a independência feminina e torna os homens objetos, assim como as mulheres foram antes, em um projeto muito maior que marcou seu início de carreira. O “démodé” e “ultrapassado” ganham ares contemporâneos novamente.

Time to Pretend, MGMT. Uma viagem psicodélica, com menções ao cristianismo e às comunidades tribais. Com forte apelo visual, MGMT também lançou uma modinha, calcada numa retomada a psicodelia e hedonismo hippies ladeados por uma afinidade com a tecnologia – em músicas, em videoclipes, no nosso dia-a-dia. Time to Pretend se preocupa em retomar o que acha interessante do passado para tentar criar algo novo (visualmente e através do discurso). Dessa forma, ele alia uma aparência nostálgica

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ao passo que mantém uma criticidade contemporânea. Um antídoto para a teleologia, o videoclipe tem críticas explícitas ao culto do progresso capitalista, os personagens queimam dinheiro e se inserem numa espécie de comunidade tribal. A nostalgia é utilizada para criticar o presente a partir do passado – aqui idealizado como algo “libertador”. Evoca-se o que já passou a fim de trazer o que ele tem de bom – no caso, uma ideologia hippie. Entretanto, diferente de outros casos, não vemos neste videoclipe uma idealização cega, seja na utopia do futuro ou na nostalgia do passado. Nota-se a articulação de temporalidades para gerar um melhor status quo, numa crítica jovem, porém ainda ingênua.

Remedy, Little Boots. O vocalista canta e dança enquanto toca teclado. Este é o clipe de I Just Can’t Get Enough, de Depeche Mode. Remedy, de Little Boots, segue o mesmo escopo. Também sem uma narrativa, este clipe traz uma nostalgia sínica, oferecendo ao espectador algum frescor do passado, mas sem nenhum mergulho. A estética e a ordem dos planos são muito parecidos, mas Little Boots prefere ter uma semelhança superficial com seus referenciais imagéticos e sonoros para manter sua aura contemporânea e hypada. Afinal, usar uma caneta tinteiro pode ser cool, mas ainda é necessário mostrar que você tem um computador moderninho. Assim, Remedy é construído visualmente ostentando uma referência marcante, Depeche Mode, mas não larga seus utensílios e maneirismos tecnológicos próprios do século XXI.

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A Nostalgia está presente no pastiche, na rememoração e na vontade de voltar ao passado, na crítica aos dias de hoje. Se antes era interessante viver o presente em função do futuro, o período pós-utópico de hoje prefere a ambivalência da Nostalgia – o poder de ir e vir entre as temporalidades – do que a simples acusação de que algo é datado, em sua acepção negativa. A imaginação nostálgica na cultura contemporânea é muito forte. Logo esse confronto entre presente e passado se torna produto de mercado e chega às fábricas. “...o que importa é, sobretudo, o afeto – seja por algo que foi efetivamente vivido ou por algo que esses jovens gostariam de ter vivido.”, esclarece Angela Prysthon. Os videoclipes se configuram dentre esses produtos feitos para alimentarem a Nostalgia e Melancolia dos consumidores, compostos principalmente pela camada jovem da sociedade. Como tantos outros, os videoclipes apontados aqui são uma síntese de música, vídeo, moda e cultura pop de suas épocas, lançando ou afirmando tendências ideológicas ou estéticas... que no final viravam produto como todo o resto.


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editorial

but when you are not a girl, nobody buy you flowers

matheus de david @ ford por joao arraes ~

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cinema

medianeras

Buenos Aires na Era do Amor Virtual Léo Freitas Arquitetura da solidão nas grandes metrópoles



Buenos Aires, assim como muitas grandes cidades, cresceu desordenada, perdida entre construções irregulares e com cubículos que guardam almas solitárias, alheias ao mundo exterior. E nesta (sub/sobre)vivência da era moderna, nos deparamos com ataques de pânico, apatia, depressão, estresse, sedentarismo, insônia. 
 De um lado, temos Martin (Javier Drolas), um fóbico em recuperação isolado em seu minúsculo apartamento na capital argentina, que se recupera tirando fotos a cada rara saída às ruas. Cuidando do cachorro da ex-noiva que o abandonou sem maiores explicações, aprendeu a fazer tudo pela internet, de compras a relacionamentos. No prédio à frente, Mariana (Pilar López de Ayala), uma arquiteta claustrofóbica que trabalha decorando vitrines, remói o fim de uma relação de quatro anos em uma rotina de extrema melancolia e solidão, onde os manequins que veste se tornam seus únicos companheiros.

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Personagens perdidos em si mesmos, que buscam o que nem sabem, embora não consigam encontrar nem aquilo que conscientemente conhecem, Martin e Mariana têm seus caminhos cruzados em diversos momentos mas, por ironia do acaso, não se encontram. E em uma cidade onde muito se vê e pouco se enxerga, as fotografias de Martin e a busca de Mariana diante do livro “Onde está o Wally?”, “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual” constrói este universo atual meticulosamente, apoiado-se na delicadeza e sinceridade que emocionam a cada frame. De silêncios do dia a dia, o convívio humano distante se dá diante deles, seja Martin com a dog walker, seja Mariana com o pianista vizinho que nunca se vê e muito se escuta.


Por meio da narrativa de ambos, conhecemos pontos importante de suas vidas e um desabrochar homeopático de dois personagens consumidos pela solidão criada pelo exterior e/ou por si mesmos. Contrariaram Faulkner e, entre a dor e o nada, optaram pelo nada. 
Mesmo com um subtítulo deslocado em português (medianeras, em espanhol, vem do lado vazio dos edifícios, sem janelas e que, geralmente, são usados para publicidade), o primeiro longa do diretor/ roteirista/produtor Gustavo Taretto retrata a aura de uma juventude moderna, dividida entre passado, presente e futuro, usando como personagem a arquitetura de Buenos Aires. Em uma espécie de road movie urbanizado, onde portas giratórias, bancos, prédios, restaurantes, vitrines, escadas, olhos mágicos, aquários, piscinas, bancas de jornal e outras infinitas construções ganham e perdem vida, um conto de fadas moderno retrata a busca de si mesmo diante de relações humanas que têm, cada vez mais, perdido espaço para a solidão.

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E na era virtual em que estamos, condenar apenas a internet é jogar para debaixo do tapete a parcela de culpa que nos cabe, tal qual as rachaduras das medianeras dos e difícios que remetem às cicatrizes deixadas pela vida. 
De uma corajosa cena de “sexo” que foge do mau gosto e do risível a um toque de mãos com olhares e sorrisos que transbordam sensualidade, “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual” traz em seus personagens a doce empatia que seu público espera. Do roteiro inteligente e rítmico, cria uma pequena pérola do cinema argentino na direção que dosa seus recursos, como

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silêncios, planos matematicamente calculados, uso de animações que se fundem com imagens reais e os incontáveis detalhes do espaço onde moram os personagens. Pegando carona em outro filme que homenageia a arquitetura “Manhattan”, de Woody Allen – é nele que a epifania da esperança os atinge, embalados pela canção “True Love Will Find You In The End”. E na vida que brota do concreto, Martin e Mariana percebem que os fios que os separam, também os unem. Basta que se abra uma janela, metafórica ou não, e deixe a vida surgir; mesmo quando é forte a relutância em convidá-la a entrar.


entrevista

MELK z-da Melk Z-Da já é um nome ligado diretamente a moda conceitual, como funciona um pouco do seu processo de criação? Escolho uma referência e faço pesquisas, texturas, formas, cores, estórias que podem estar envolvidas, tudo fazem parte deste processo. Acho interessante quando o universo abordado pode ser explorado depois, em outras áreas. Depois tento ver se esse desejo, essa vontade é contemporâneo e se minha cliente vai desejar aquilo também.

O que seria a dualidade para Melk Z-da, como estilista e artista visual? É poder criar um produto que possa agradar um consumidor comum e ter um lado “conceitual” visível apenas para quem o procura. Você já brincou com dualidade e a mistura de mundos diferentes nas suas coleções? Se sim, quais? A minha primeira coleção ‘’libélula’’, brincava com os diferentes. Outra coleção foi a ‘’noiva cadáver’’, se inspirou nas semelhanças entre casamentos e funerais.

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Me conta um pouco sobre sua última Quais os seus artistas favoritos, no coleção, desfilada no verão do Fashion mundo da música e do cinema? Rio, sua inspiração e que tipo de materiais você usou para montar as peças. Música, gosto de muita coisa, desde Wagner, Bach passando por Johnny A inspiração foi um orquidário: as Cash, músicas dos anos 50, 60 e 70 até orquídeas e seu lado sexual. A coleção Radiohead e Portishead. Cinema tinha aberturas, fendas e transparências. gosto de Tim Burton, Gus Van Sant, Usamos georgete de seda, algodão natural, Lars von Trier, Stanley Kubrick. linho neon, transfer italiano e 3d. Como começou a sua vontade de O que te inspira no momento? O trabalhar como um artista? Desde que você anda vendo e escutando? criança você tem esse sonho? Praças abandonadas, descuidadas. Muitos documentários sobre lugares exóticos e doenças incomuns e escutando muito trilhas de filmes. Adoro a de Forest Gump!

Sempre gostei de arte e sempre gostei do conceitual. A moda te da uma certa liberdade... mas existe um limite da arte na moda.


literatura

tempo de viver Danilo Candido

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Em As Horas, o escritor Michael Cunningham e o cineasta Stephen Daldry revisitam a poética de Virginia Woolf

A escritora inglesa Virginia Woolf foi expoente na literatura modernista mundial. De estilo singular, a autora, em suas obras, utilizou o fluxo de consciência e o monólogo interior como técnicas principais de sua escrita. Seu texto era definido como uma prosa-poética, devido a oscilação entre os elementos narrativos da prosa e o lirismo inerente da poesia. Mrs. Dalloway (1925), sua obra-prima, é o ápice desse estilo. É inspirado nesse romance que o escritor americano Michael Cunningham cria As Horas (1998). Neste, Cunningham revisita o estilo, os temas e os sentimentos de Woolf, como escritora e como personagem. Em 2002, o diretor inglês Stephen Daldry, conhecido por seu longa-metragem anterior Billy Elliot (2000), adapta para o cinema a obra do escritor americano. No filme, Daldry retoma às mesmas questões que Cunningham, mas com um desafio adicional: transpor em imagens um texto conhecido por esse estilo introspectivo e psicológico. Dessa forma, é curioso observar as transformações da linguagem na transposição das paginas às telas. Em 1923, Virginia Woolf (vivida no cinema por Nicole Kidman) escreve seu mais novo romance Mrs. Dalloway, na casa de subúrbio em Londres com seu marido Leonard. Sua angústia é fugir dos sintomas de distúrbio mental que a acompanhou até seu suicídio, em 1941. Da mesma forma, que procura, sem sucesso, inserir-se em qualquer momento que lembre um modo de vida “normal”. Essa também é a mesma aflição de Laura Brown (Juliane Moore), dona de casa grávida do segundo filho e fã incondicional de Virginia Woolf. Neste momento, ela lê o romance Mrs. Dalloway e procura desempenhar seu papel, como mãe e esposa, da melhor forma possível. No subúrbio de Los Angeles, em 1949, ela confecciona, ao lado do filho de três anos, um bolo de aniversário para o marido Dan.

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Na Nova Iorque dos anos 2000, a editora literária Clarissa Vaughan (Meryl Streep) vive o romance: compra flores e organiza uma festa para o amigo gay, poeta e aidético Richard que ganhou recentemente um prêmio de literatura. Esse é o enredo de As Horas (livro e filme), retrata nada mais que um dia na vida dessas três mulheres (a primeira real e as outras duas fictícias) e suas relações com o romance da escritora inglesa. O romance As Horas é dividido em quatro seções: um prólogo e três partes intitulados de Mrs. Woolf, Mrs. Brown e Mrs. Dalloway; e essas partes são divididas em subcapítulos intercalados. O final de cada subcapítulo dá fôlego ao inicio do seguinte criando um ligação entre as três personagens. Cunningham procura utilizar as mesmas técnicas narrativas que Woolf como o fluxo de consciência - ponto de vista das personagens sob a ótica psicológica - e o monólogo interior - discurso introspectivo e nãopronunciado do narrador sobre as ações do enredo. Entretanto, a prosapoética característica das obras da escritora transforma-se num texto mais objetivo e direto inerente à literatura contemporânea; embora, mantenha a mesma leveza dos textos da escritora. A atmosfera captada por Woolf em Mrs. Dalloway é um ambiente ambíguo

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entre a leve percepção da realidade de sua protagonista com os resquícios de temor e decadência da Primeira Guerra Mundial. Em As Horas, Cunningham mantém esse ambiente ambíguo: na parte Mrs. Woolf, essa mesma atmosfera; em Mrs. Brown, o pós-guerra e o “American-way-of-life”; e em Mrs. Dalloway, a disseminação da AIDS na America. Esses contrastes são claramente refletidos nas tensões psicológicas das personagens e conduz o leitor ao tema. O tema central do romance de Michael Cunningham reside na influência da obra e da vida de Virginia Woolf sobre a nossa visão de mundo. Porém, a riqueza temática contida na obra do escritor vai além de seu teor metalinguístico e alcança a verdadeira origem da criação artística: a vida e o prazer de viver. O cineasta inglês foi extremamente habilidoso ao adaptar o livro As Horas para o cinema. Não só manteve os temas, a trama, o tempo e as personagens quase em sua totalidade; mas também foi capaz de traduzir elementos próprios da linguagem literária para a linguagem cinematográfica. O roteiro de David Hare é tão preciso quanto incisões cirúrgicas e só descreve ao espectador o mínimo necessário aproximando ao máximo a experiência de assistir o longa com a de ler o livro. Se no romance elementos como espaço e tempo são inferidos pelo leitor devido as limitações da linguagem; em contrapartida, o leitor conhece as personagens muito mais profundamente através de sua consciência e de monólogos do narrador. Daldry inverte o quadro e mostra com precisão o tempo e o espaço da narrativa e oculta (verbalmente) vontades e pensamentos de suas personagens.


A montagem é peça importante para essa adaptação. Se no romance as partes são divididos em subcapítulos, esperando acabar uma parte para começar a outra. No cinema, a montagem propicia um articulação melhor entre as partes inserindo cortes sempre quando necessário (geralmente ações repetidas pelas três mulheres) e closes para enfatizar emoções (por exemplo, quando a câmera aproxima para mostrar a quebra de um ovo é perceptível a irritação da personagem desta ação). Os figurinos de Ann Roth também representam papel fundamental para expressão de sentimentos e conexões entre personagens. O uso de tons frios de marrom, bege e pérola refletem o clima dramático e depressivo das personagens. Ligações são também realizadas através de peças de vestuário: os brincos utilizados por Clarissa Vaughan são os mesmos utilizados por Virginia Woolf; assim como a estampa da colcha da cama do filho de Laura é a mesma do roupão de Richard. Mas, de todos os elementos, a música representa o elemento principal da adaptação de As Horas. A trilha sonora, composta pelo músico americano Philip Glass, representa a psique das personagens. Utilizando um mesmo tema para as três mulheres (enfatizando a relação entre elas), a música transpõe com perfeição a jornada interna das personagens realizadas pelo fluxo de consciência e o monólogo interior. Seria uma solução fácil (e pouco cinematográfica) para o diretor Stephen Daldry utilizar flashbacks e voiceovers para explicar ao espectador o interior das mulheres. No lugar, ele utiliza variações da composição de Glass para enfatizar sentimentos como num momento de tristeza de uma personagem as trilhas sonoras.

comuns tenderiam a compor uma música leve e melódica; nesse momento, a música do compositor americano soa estridente e inquieta para representar o estado de espírito da personagem. O romance de Michael Cunningham e o filme de Stephen Daldry mostram o sentimento de deslocamento dessas três mulheres com o mundo cotidiano e como elas lutam externa e internamente em busca de paz e felicidade. Ambos conseguiram captar o estilo e a atmosfera do romance de Virginia Woolf numa roupagem mais pós-moderna. A adaptação do romance às telas do cinema não poderia ter um resultado mais satisfatório. A tradução de elementos estritamente literários como monólogos e descrição de pensamento em forma fílmica como o figurino, a montagem e a música deve ser a essência da transposição literária em filme. São linguagens diferente e requerem elementos diferentes. As Horas (livro/filme) é o triunfo de técnica narrativa e sensibilidade que deve ser apreciado por todo aquele apaixonado pela criação artística. De qualquer forma, livro ou filme, ambos mergulharam numa verdadeira e contundente ode sobre a celebração da vida.

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MODA

Construção e desconstrução, a vista dual da moda

Dayw Vilar

Dualismo é um padrão sócio-filosófico de pensamento de mundo baseado em princípios opostos e inconciliáveis, irredutíveis entre si e incapazes de coexistência, é algo metafísico, realidades opostas como yin e yang, bem e mal, branco e preto, masculino e feminino. Em termos estéticos, os padrões e conceitos usados na arte e na moda seguiram linhas rígidas para sua concepção, o movimento criativo agora segue a tendência de misturar esse padrão com a tese de desconstrução. O masculino invade o feminino, em cores, formas, cortes, os sexos se misturam, a liberdade da mente artística agora une os universos, erradica e reafirma, “dualmente”, essa linha de pensamento. Para o inverno 2012 Givenchy MEN, por exemplo, o estilista Ricardo Tisci voltou seu olhar para a alfaiataria masculina, cortes esguios e caimento rígido com uma pontuação acertada de elementos mais delicados e peças digamos, mais chamativas, com o peso de peças invernais como suéteres e moletons, tecidos pesados, couro com brilho, brincos e piercings. A esfera criativa da grife apresenta a revisão de uma peça até então exclusividade do guarda-roupa

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feminino, a saia, que apareceu sobreposta em leggings de couro e algodão. A tendência inspired, tanto com peças masculinas em guardaroupas femininos, como no caso de peças femininas para os homens ganha notoriedade. Tal mistura de realidades é uma tendência ‘universal’ e extremamente acertada, cai como prova prática da busca pela quebra do padrão dual do feminino e masculino, cada vez mais presente nos shows de moda


Givenchy MEN

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De paralelo, observa-se também um olhar humano da quebra desse padrão forte de feminino e masculino, prova viva e de sucesso é o modelo sérvio Andrej Pejic, que assume um dualismo de sexos, que vai de encontro a todo o ideal até então visto, estampando revistas, editoriais, campanhas e shows de ambos os públicos.

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A inquietação da moda desperta continuamente novas formas de reinventar, uma recriação de propostas e olhares, de cores, cortes e texturas, por hora até do sexo, para moldar um possível olhar universalista (por que não?) das criações e padrões sisudos construídos ao longo do tempo. A mesma inquietação é responsável pela inconstância acerca da durabilidade dessa revolução toda, afinal de contas, quem consegue controlar essas mentes? De certo, essa revolução deixa claro que a rigidez do mercado e criação é mutavel, embora cause fervor e inquietação no primeiro momento como toda novidade, e facilmente absorvida como informação de moda, para ver todo esse novo conteúdo assimilado e transportado para o estilo de vida da massa será uma outra revolução, talvez mais duelos a serem travados, mais um pouco de tempo.


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editorial

THR(one)EE

Aline Zanela por Jo達o Arraes


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cinema

lavoura

arcaica Jéssica Fantini

Não é de hoje que cinema e literatura se uniram para o bem das criações artísticas. A parceria sem duvida é uma via de mão dupla e no universo do cinema, claramente influenciado pelo veiculo literário, é possível citar inúmeras adaptações renomadas como é o caso de Laranja Mecânica e O Iluminado, ambos de Stanley Kubrick e O poderoso chefão de Coppola. Por outro lado, o campo da literatura também lucra nesse contexto e entre as vantagens para os escritores, a principal é a visibilidade que a obra passa a ter com a transposição fílmica. Em síntese, o resultado é interessante para o cinema, para a literatura e claro para nós, leitores e espectadores.

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É bem verdade que muitas vezes, para não dizer a maioria delas, acabamos de ler um livro incrível e ao assistir a sua adaptação para o cinema ficamos frustrados. Apesar de comumente ter a impressão de que o diretor não foi fiel à obra original, temos que concordar que é uma tarefa difícil suprir as expectativas do público e criar exatamente o filme que toda a plateia idealizou. O cinema dispõe de recursos imagéticos e sonoros para simular uma realidade, mas a literatura apesar de possuir apenas o recurso das palavras, tem o suporte incomparável da imaginação e nesse aspecto não há como competir.


Quem procura uma boa adaptação fílmica nem precisa ir muito longe para encontrar. Lavoura Arcaica, filme brasileiro de Luiz Fernando Carvalho, é um exemplo de como é possível trazer a essência de uma obra literária para as telas do cinema. Quem leu o livro maravilhoso de Raduan Nassar sabe que cada palavra, cada trecho criado pelo escritor transborda sensibilidade. Nesse âmbito, o que acaba impressionando no filme não é o fato de conseguir transpor os acontecimentos tal como é transcrito no livro, mas sim ter a capacidade de passar tudo aquilo que é perceptível apenas aos sentidos. Toda a carga dramática que existe nos elementos não concretos, elemento característico do livro, está presente imageticamente no gesto, no olhar, no silêncio demorado e até nas entrelinhas dos diálogos que na maioria das vezes são extremamente fieis à obra.

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Alguns críticos julgam mal o filme Lavoura Arcaica por ser fiel demais ao livro e acusam o diretor até de certo fanatismo, mas obviamente não compartilho dessa opinião. Na realidade a intenção do realizador não é materializar com exatidão as palavras da obra literária para o cinema, pelo contrário.

Apesar de contar a mesma história, o filme consegue expor do seu modo a intensidade do romance em cada cena e assim capta o que é fundamental para o entendimento da obra de Nassar. O diretor não transpõe exatamente uma cópia do livro, ele exibe seu ponto de vista da obra original com muito tato e torna seu filme um dos tops da lista de obras adaptadas para o cinema.

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ANA CUENTRO design

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MODA

THE FASHION

SHOW

Aquila Bersont Khalil Rodor

A influência da música na evolução da moda, dos anos 60 aos 2000 foi de fundamental importância para que ao vestuário se moldasse aos diferentes estilos musicais, épocas, e ao crescente movimento de independência e inconseqüência jovem. Desde o visual bad guy propagado nas milhares de TVs dos anos 50, o ícone musical Elvis Presley prenunciaria uma onda de influência em massa regida pelos astros musicais. Os garotos de Liverpool arrematando multidões e difundindo de antemão o que mais tarde e com algumas repaginadas se tornaria o estilo geek. David Bowie com sua androgenia fluorescente, o performático KISS, o grunge Nirvana, são escassos exemplos de maestros da música moderna, e por conseqüência, da moda.

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Madonna com seu sutiã de cones feito por Jean Paul Gautier inovaria a indústria da música, e junta com o eterno Michael Jackson constituiria a realeza pop, entrelaçando cada vez mais a parceria entre a música e a moda.


Parcerias que não se refletiriam apenas em jovens reproduzindo o estilo de seus ídolos, e sim em estratégias comerciais bem mais amplas. O surgimento da banda inglesa Sex Pistols,por exemplo, que em 1975 foi moldada pelo casal Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, onde conciliavam o punk rock com as jaquetas, jeans rasgados e camisetas da estilista. Apesar disso, o contato entre essas duas vertentes se torna cada vez mais explícito, como o visto com a reviravolta na concepção de clipes musicais com conteúdo fashion, que desde o clipe Bad Romance de Lady Gaga, onde foram expostas diversas peças do estilista britânico Alexander McQueen, abrisse um novo ponto de vista, com ênfase no conceito visual traduzido em: roupas, acessórios, grifes. Katy Perry usando o arquitetônico Viktor & Rolf no clipe E.T, e a parceria entre a marca Mugler e Gaga, que estrelou a campanha de primaveraverão (2012), fomentariam ainda mais a produção fashion na música. O apadrinhamento de estilistas por cantoras de sucesso como Karl Lagerfeld com Lily Allen, que cantou ao vivo no desfile de primavera-verão (2010) da Chanel. E posteriormente Florence Welch também cairia nas graças de Lagerfeld e faria a trilha sonora em seu desfile da coleção de primavera-verão (2012). Com todas essas fontes onde a moda supre sua necessidade de ser exposta e a música de ser ouvida, têmse firmada essa união mutualística, e também uma grande expectativa para onde se direcionarão ambas, experimentando e fazendo do mundo, um grande fashion show.

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Música

TURN! TURN! TURN! Bruno Araújo

Foi só recentemente que eu finalmente baixei a discografia de Nina Simone, tanto por indicação, como por curiosidade, depois de ver mais de um amigo colocando-a como primeiro lugar nos “scrobbles” do Last.FM. Pra quem não conhece, Nina Simone foi uma cantora, compositora, pianista e ainda também uma ativista dos anos 50/60, conhecida pelo seu jazz e pela sua luta pelos direitos iguais. Enfim, ainda também não sei muito sobre ela para poder fingir aqui. O que me deixou curioso foi ver que eu já conhecia várias músicas que ela cantava, só que não por ela, como “Ain’t Got No” (da Trilha Sonora de Hair), “Here Comes The Sun” (dos Beatles) e “Wild Is The Wind”, que eu conhecia por David Bowie.

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Algumas eram realmente dela, outras não, e isso me deixou intrigado, me levando a procurar mais e mais e me perder por entre compositores que nunca ouvi falar, como Pete Seeger que, em 1959, a partir do livro de Eclesiastes (tá na Bíblia) - quase que literalmente – compôs uma música chamada “Turn! Turn! Turn! (To Everything There’s A Reason)” que traduzindo seria: “Vire! Vire! Vire! (Para Tudo Há Uma Razão)”. Mais tarde ela teria uma versão feita por Nina Simone. Ok, mas e daí? Ah, a música só virou hit porque os Byrds, banda dos anos 60 (tipo um Beatles alternativo) fez um cover, coisa que eles sempre faziam, seja dos Beatles ou até do Bob Dylan.


Sabe aquelas músicas que você nunca sabe realmente de quem é, porque todo mundo faz cover e o verdadeiro compositor é alguém estranho e desconhecido? Tipo “House of the Rising Sun”, que ficou famosa pela versão de The Animals, mas também cantada por Nina Simone. Esta música também foi título de um episódio de Lost, o que é engraçado, essa utilização de títulos de músicas como títulos de episódios de séries.

Não só Lost, mas como True Blood também. Esta última série foi a primeira que eu conheci a usar títulos de canções em seus episódios. O que nos leva de volta à música de Eclesiastes. Meio que numa conspiração do além, me vi conhecendo a música “Turn! Turn! Turn! (To Everything There’s A Reason)” na mesma época que True Blood voltou. E daí? O título da música foi o título da série que trouxe de volta no ponto em que ela havia parado no ano passado. Porém, como a volta é recente, não irei estragar a surpresa de quem ainda não viu, mas indico. Posso dizer que a série voltou com tudo!

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editorial

RHYME VICIOUS Fotografia: Jonathan Wolpert (Abรก MGT), Beleza: Gustavo Costa, Ass. de Fotografia: Leticia Vannuci, Modelos: Bruna e Jaqueline Bueno (ELITE)


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english content 10 Xicui’s Entertainment Complex 14 Nostalgia 18 editorial 36 medianeras 40 Interview of Melk Z-Da 44 time to live 50 Construction and deconstruction 54 editorial 66 To the Left of the Father 70 the fashion show 72 turn! turn! Turn! 74 editorial

Two worlds collide and the duality becomes apparent. Nothing is hidden, everything is revealed. The new edition of Brainstorm, “THE RISE & THE FALL” is exactly that: show that everything joins up, even two completely opposite sides of reality. Our matters connect directly with others, showing that all worlds are linked in some way. Our editorial deals with different feelings, but all connected with the duality. The story of identical twins with opposite personalities and their collision; a man who has a gentle personality and just wants to receive flowers, up to a woman with two personalities, shown by her dressing. We deliver this issue with much happiness to you, readers around the world. In our greatest and most troublesome issue, we finally give ourselves completely to the new.

Jonathan Wolpert

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Xicui’s Entertainment Complex Sustainable Art by Laércio Wolpert

Interactivity with the audience, sustainability, energy efficiency and high-tech materials, marks the project of the Italian architect Simone Giostra and his partners; an entertainment center in Beijing, which was a great new at the region where it was deployed, near to the center of Benjing Olympic Games 2008. The entire façade of the Xicui complex is composed by 2300 LEDs with the standard RGB (Red Green and Blue) placed inside laminated glass, which also receive photovoltaic panels. These solar panels store energy during the day to light the whole façade during the night time. The architect called this system: “self-sufficient organic system”, because the power doesn’t come from the outside of the panel. The images are very well pixilated, going according to the will of the architect, who wanted and environment where the panels weren’t used for commercial purpose, only for artistic expression. Anyway, at some distance, the pictures are much sharper. Façades with such a move shape a new paradigm of integration between the built object and urban environment, narrowing the loop of architecture with digital technology, strengthening the capacity of her expression, according to the new concepts of audio visual communication.

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nostalgia

by vinicius gouveia The nostalgia is not in the object, it’s actually in the guy who sees through the links and subjective overlaps. We have the nostalgia as an active assignment, and it’s from us that it departs, “it (nostalgia) is what you “feel” when two different temporal moments, past and present, come together for you and, often, carry considerable emotional weight” argues Linda Hutcheon. So, nostalgia and melancholy interpreted here are both results of a research led by fruitions. The videos listed below were selected because they are part of a mass culture, which is commonly seen on MTV and at stores which sells from clothes and musical instruments to notebooks and bubble gum. They are not only songs, most of them are fashion and style before anything else. What matters here is also the visual construction that, by chance or deliberately, dialogues with nostalgic or melancholic reflections.

Helena, My Chemical Romance. International hit, the clip follows the protagonist for the while he sails his beloved Helena. Whit a certain appeal to the market’s melancholy, successful during the emocore fashion, the protagonist mourns for the death which made their union impossible. He believes that their love would be full if she were alive, but Helena’s reciprocity is unknown. As notes Agamben, using Freud’s words, “the man is dodges from reality and clings to the lost object through a hallucinatory psychosis of desire.” Romantic love is fetishized, it seems that the impossibility of loving becomes exciting. In the clip, although obvious, the death is the end point of desire, which to the sullen boy hasn’t ceased. The video becomes a hyperbole of the melancholy feeling, which is still sold as something cool now days. The emo fashion still lingers, less hype and more disguised. Material Girl, Madonna. In a clear reference to Marilyn Monroe (Diamons are a girl’s best friend) Madonna built one of the most iconic songs of her career. Each one in its time, the two platinum women welcome the women’s interest over men, from who they only want money, jewelry and trivia. There’s a nostalgia because of the rescue by the clip, but anxious to add something. That was another history-social moment, while still inserted in mass culture, and Madonna used the number made by Marilyn to strengthen the female figure, subverting the original. This was a way to reflect the present in the past light, used to engineer the future. She welcomes the independence of women and makes men into objects, as well as women have been before, in a much larger project that marked her early career. The “outmoded” and the “outdated” earns contemporaries air again. Time to Pretend, MGMT. A psychedelic trip, with references to Christianity and tribal communities. With strong visual appeal, MGMT, also made a “new” fashion based on a return of the psychedelic and hippie hedonism flanked by an affinity with technology – in music, clips, in our day to day. Time to Pretend worries to take what they find interesting from de past to create something new (visually and through speech). In this way, they combine a nostalgic look while maintaining a contemporary criticism. An antidote for teleology, the video is critical to the worship of capitalism progress, the characters burn money and fall into a kind of tribal community. The nostalgia is used for criticize the present from the past – here idealized as something “liberator”. Conjures up what has passed in order to bring what he has to offer – in this case, a hippie ideology. However, unlike other cases, we don’t see in this video a blind idealization; however it’s in the utopia of the future or in the nostalgia of the past. Note the articulation of temporality to generate a better status quo, a young critic, but also naïve.

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Remedy, Little Boots. The singer sings and dances while playing the keyboard. This is the clip I just can’t get enough by Depeche Mode. Remedy, by the Little Boots follows the same scope. Also without a narrative, this clip brings a ironic nostalgia, offering to the viewer some freshness from the past, but with no diving. The aesthetics and order of the plans are very similar, but Little Boot prefer to have a superficial resemblance to their imagery and sound referents to keep its own aura contemporary and hyped. After all, using a fountain pen can be cool, but it’s still necessary to show that you have a modern computer. Thus, Remedy is built visually carrying a strong reference, Depeche Mode, but doesn’t drop it own technological tools and mannerisms of the XXI century. The nostalgia is present in the pastiche, in remembering and in the willingness to return to past, in the contemporary critical. If before was interesting living the present thinking about the future, the period post-utopian of now days prefers the ambivalence of the Nostalgia – the power to go back and forth between temporalities – than the mere allegation that something is dated in its negative sense. The nostalgia of imagination on the contemporary culture it’s very strong. Soon this clash between present and past becomes a product of the market and goes to factories. “… what matters, above all, is the affection – be it for something that was actually lived or for something that these kids would like to have lived.”, explains Angela Prysthon. The clips are configured among these products made to feed the nostalgia and the melancholy of the consumers, composed mainly by the young. Like many others, the clips mentioned here are a synthesis of music, video, fashion and pop culture of its times, releasing or claiming ideological or aesthetic trends… that in the end turned into products like anyone else.

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Medianeras – Buenos Aires in time of virtual Love Architecture of loneliness in big cities. by léo freitas

Buenos Aires, as well as many large cities, grew disorderly, lost among irregular buildings and into cubicles that keep solitary souls, outside the world. And at this (under/over) living in modern era, we faced with panic attacks, apathy, depression, stress, sedentary lifestyle, insomnia.

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On one hand we have Martin (Javier Drolas), a phobic in recovery isolated in his tiny apartment in the Argentine capital. While he recovery he also take pictures in his rare walks at streets. Caring about his dog’s ex-girlfriend who left him without explanation, he learned to do everything online, from shopping to relationships. In the building in front, Mariana (Pilar Lopez de Ayala) a claustrophobic architect who works decorating windows, suffers for the ending of a four-years relationship into a routine of extreme melancholy and solitude, where her only companions are the mannequins that she wears. Characters lost in themselves, who seek what they doesn’t even know, however they can’t find even what they are familiarized, Martin and Mariana have their paths crossed at many different times, but by irony of the chance, they doesn’t meet. And at a city where there’s much to look, but almost nothing is really seen the photos of Martin and the search of Mariana into the book “Where’s Wally”, “Medianeras – Buenos Aires in time of virtual love” builds this present universe meticulously, supported on the kindness and sincerity that thrill every frame. From the silences of everyday, the human living together happens at a place away from them, being Martin with the dog walker or Mariana with the pianist neighbor who we never see but we listen a lot. Through the narrative of both, we know the important points of their lives and flourishing homeopathic of two characters consumed by loneliness created by the exterior and/or by themselves. Countering Faulkner and, between the pain and the nothing, they chosen the nothing. Even with a subtitle displaced in Portuguese/ English (Medianeras in Spanish comes from the empty side of buildings with no window and that are generally used for advertising), the first film of the director/writer/producer Gustavo Taretto portrays an aura of the modern youth, split between the past, present and future, using as a character, also, the architecture of Buenos Aires. In a kind of road movie urbanized, where revolving doors, banks, buildings, restaurants, shop windows, staircases, peepholes, aquariums, swimming pools, newsstands and other infinite buildings gain and lose life, a modern fairy tale portrays the search for itself face to the human relations, which have increasingly lost ground to loneliness. An in the virtual age that we live, condemning only the internet is putting under the rug the piece of guilty that is in fact ours, like the cracks of building’s medianeras which recalls the scars of the life. From a “sex” scene that escapes of the bad taste to a touch of hands with looks and smiles overflowing sensuality, “Medianeras – Buenos Aires in time of virtual love” brings in its characters the sweet empathy that audience expected.


The clever and rhythmic script creates a small pearl of Argentine’s cinema in the way that it doses its resources, like silences, mathematically calculated plans, the use of animations that blend with real images and the countless details of the space where the characters live. Hitchhiking in another film that honors the architecture – “Manhattan” by Woody Allen - it’s into this epiphany of hope that they are hit and packaged for the song “True love will find you in the end”. And in the life that flows from the concrete, Martin and Mariana realize that the wires that separated them, also joined. It’s enough opening a window, metaphorical or not, and let the life come up; even when it’s strong the reluctance to invite her to come.

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Interview of Melk Z-Da by Jonathan Wolpert

1) Melk Z-Da is already a name linked directly to conceptual fashion. How is your creative process? I choose a reference and make research about textures, shapes, colors and stories that may be involved; all are part of this process. I find interesting when this universe can be explored later by other areas. Then I try to see if this desire, this wish is contemporary and if my client will want that too. 2) How started your desire to work as an artist? Since childhood you had this dream? I always liked art and also liked the conceptual. Fashion gives you a certain freedom… But there is a limit of art in fashion. 3) What is the duality to Melk Z-Da, as a stylist and visual artist? It’s when you can create a product that can please a customer and have also a side “conceptual”, visible only to those who seek it. 4) Have you ever played with duality and mixture of different worlds in your collections? If so, what? My first collection “Dragonfly” played with the different. Another collection was “Corpse Bride”, which was inspired by the similarities between weddings and funerals. 5) Tell me a little about your latest collection, paraded in the summer of Fashion Rio; your inspiration and what materials you used to assemble the pieces.

The inspiration was a greenhouse of orchid: the orchids and its sexual side. The collection had openings, cracks and transparencies. We used georgette silk, natural cotton, linen neon, Italian transfer and 3D. 6) What are your favorite artists in the music and film world? In the music I like many things, from Wagner, Bach through Johnny Cash, music of the 50, 60 and 70 to Radiohead and Portishead. In movies I like Tim Burton, Gus Van Sant, Lar von Trier and Kubrick. 7) What inspires you now? What have you been watching and listening? I’m inspired now for squares abandoned and careless. I’ve been watching many documentaries about exotic places and unusual diseases, and listening to films’ soundtracks. I love the soundtrack of Forest Gump.

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Time to live

by danilo candido

In The Hours, the writer Michael Cunningham and the filmmaker Stephen revisit the poetics of Virginia Woolf. The English writer Virginia Woolf was the exponent of the world’s modernist literature. With a singular style, the author, in her works, used the flow of consciousness and the interior monologue as her first technique of her writing. Her text was defined as a poetic-prose, because of their oscillation between the narrative elements and the inherent lyricism of the poetry. Mrs. Dalloway (1925), her masterpiece, it’s the culmination of this style. And it’s inspired in this novel that the American writer Michael Cunningham creates The Hours (1998). In this one, Cunningham revisits the style, the themes and the feelings of Woolf, as a writer and as a character. In 2002, the British director Stephen Daldry, known for his previous film Billy Elliot (2000) adapted for cinema the work of the American writer. In the film, Daldry takes the same questions as Cunningham, but with an additional challenge: translate in images a text known for its introspective and psychological style. In this way it’s curious to observe the changes of language after the transposition of pages into screen. In 1923, Virginia Woolf (played by Nicole Kidman in the film) wrote her latest novel, Mrs. Dalloway, at a suburban house in London with her husband Leonard. Her anguish is to escape from the symptoms of

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mental disorder that followed her until her suicide in 1941. In the same way that she seeks, without success, to insert herself at any moment that reminds a “normal” life. This is also the same affliction of Laura Brown (Juliane Moore), a housewife pregnant of her second child and an absolute fan of Virginia Woolf. In this moment she is reading the novel Mrs. Dalloway and seeks to play its role as wife and mother in the best way possible. In a suburb of Los Angeles in 1949, she manufactures, with her three years old son, a cake for her’s husband birthday. In New York of the 2000s, the literary editor Clarissa Vaughan (Meryl Streep) lives the romance: buy flowers and organizes a party for her gay friend, the poet and AIDS patient Richard, who has recently won an award of literature. This is the plot of The Hours (book and film), portrays nothing else than a single day in these lives (the first real and the others fictitious) and their relations with the novel of the English writer. The novel The Hours is divided in four sections: a prologue and three parts titled by Mrs. Woolf, Mrs. Brown and Mrs. Dalloway; and these parts are divided into subchapters interspersed. The end of each subchapter gives breath to the beginning of the next, creating a link between the three characters. Cunningham seeks to use the same techniques that Woolf used, like flow of consciousness – characters’ point of view above the psychological optic – and the interior monologue – speech introspective and not-pronounced of the narrator about the actions of the story. However, the characteristic poetic-prose of the works done by the writer becomes into a text more direct and objective inherent to contemporary literature; even that it keeps the same lightness of the Woolf’s texts. The atmosphere captured by Woolf in Mrs. Dalloway is an ambiguous environment between the light perceptions of reality by her protagonist with the remnants of fear and decay of the First World War. In The Hours, Cunningham keeps this environment ambiguous: in Mrs. Woolf the same atmosphere; in Mrs. Brown the post-war and the “Americanway-of-life”; and in Mrs. Dalloway the spread of AIDS in America. These contrasts are clearly reflected in characters’ psychological stresses and it leads the reader to the theme. The central theme of the Michael Cunningham’s novel resides in the influence of the work and life of Virginia Woolf on our worldview. However, the thematic richness contained in the writer’s work goes beyond its metalinguistic level and reaches the true source of artistic creation: the life and the joy of living. The British filmmaker was extremely skilled in adapting the book into a film. Not only kept the themes, the plot, the time and the characters almost entirely; but was also capable of translating

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elements from the literary language to the cinematographic language. The scrip of David Hare it’s so precise as surgical incisions and just tells the viewer the minimum necessary to closer the maximum with the experiencing of watching the film and reading the book. If in the novel elements like space and time are inferred by the reader because of the limitations of language; in the other hand the reader knows the characters more deeply through its consciousness and narrator’s monologue. Daldry reverses the picture and shows with precision the time and the space of the narrative and hides (verbally) desires and thoughts of his characters. The film editing it a fundamental part of this adaptation. If in the novel the parts are divided into subchapters, waiting the end to start another, at the cinema the editing gives a better articulation between the parts cutting every time that it’s necessary (usually in repeated actions by the three women) and close-ups to emphasize emotions (for example, when the camera zooms to show the break of an egg it’s noticeable the irritation of the character). The costumes by Ann Roth are also a fundamental role to the expression of feelings and connections between the characters. The use of cold tons of brown, beige and pearl reflect the dramatic and depressive mood of the characters. Links are also made by the garments: the earrings used by Clarissa Vaughan are the same used by Virginia Woolf, as well as the pattern of Laura’s son bedspread is the same as Richard’s robe. But from all elements, the music represents the main element of the adaptation. The soundtrack, composed by the American musician Philip Glass, represents the psyche of the characters. He uses the same theme for the three women (emphasizing their relationship). The music shows perfectly their inner journey, done by the flow of consciousness and also by the interior monologue. It would be an easy solution (and not very cinematographic) for the director Stephen Daldry using flashbacks and voices over to explain to the viewer the women’s inside. In its place he uses variations of the composition of Glass to emphasize feelings as a moment of sadness. For a common soundtrack they would compose a light and melodic music, but instead it the music of the American musician sound shrill and anxious to represent the state of spirit of the characters. The Michael Cunningham’s novel and the Stephen Daldry’s film shows the feeling of displacement of these three women with the everyday world and how they fight externally and internally in a search of peace and happiness. Both were able to capture the style and atmosphere of the novel by Virginia Woolf in a more modern guise.


The adaptation of the novel to the screen couldn’t have a most satisfactory result. The translation of elements strictly literary, like monologues and the description of thought were made with costume, editing and the music. Different languages require different elements. The Hours (book/film) it’s the triumph of narrative technique and sensitivity which should be appreciated by every lover of artistic creation. Anyway, book or film, both plunged into a true and forceful ode about life celebration.

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Construction and deconstruction, the dual view of fashion. by dayw vilar Dualism is a social and philosophical standard of though based on opposites and irreconcilable principles, incapable of coexistence, is something metaphysical, opposites realities as yin and yang, good and evil, black and white, male and female. In aesthetic terms, the standards and concepts used in art and fashion follow rigid lines its design, the creative moment now follows the trend of mixing this standard with the theory of deconstruction. The male invades the female in colors, shapes, cuts, the sexes are mixed, the freedom of artistic mind now unites the worlds, eradicating and reaffirming dually this line of though. For the winter 2012 Givenchy MEN, for example, the designer Ricardo Tisci turned his eyes to the masculine tailoring, slim cuts and hard trim with a right scoring of delicate elements and pieces more striking, with the weight of winter items like sweaters and sweatshirts, heavy fabrics, leather with bright, earrings and piercings. The creative sphere of designer presents a review of a piece exclusive of the feminine wardrobe: the skirt, that appeared superimposed on the leather leggings and cotton. The trend inspired, both in menswear in women’s wardrobe, as in the case of feminine pieces for men gained notoriety. Such a mixture of realities is a universal trend and extremely right, fits as a practical test of the research for breaking the dual standard of masculine and feminine, which is increasingly in fashion shows. In parallel, there’s also a human eye looking at this break of the standard (male and female), for its proof we have the Serbian model Andrej Pejic, who assumes a dualism of the sexes, which goes against the whole idea that we see stamping in magazines, editorials, campaigns and shows for both audiences.

The restlessness of fashion continually awakens new ways of reinventing, a recreation of proposals and looks, colors, textures and cuts, even the sex, to shape a universalist outlook (why not?) of creations and standards sterns built over time. The same concern is responsible for the inconsistency about the durability of this revolution, after all, who can control these minds? In a sense, this revolution makes clear that all the market’s rigidities and creation are changeable, even that it causes fervor and restlessness at the moment as every novelty, and easily absorbed as fashion information, to see all this new content assimilated and transported to the life style of the mass will be another revolution, even that more duels has to be fought.

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To the Left of the Father by jéssica fantini It’s not new that cinema and literature came together for the benefit of artistic creations. The partnership is undoubtedly a two-way street and in the world of cinema, clearly influenced by the literary vehicle, it’s possible to cite numerous renowned adaptations, such as: A Clockwork Orange and The Shining (both by Stanley Kubrick) and the Coppola’s The Godfather. On the other hand, the field of literature has also benefits in this context. Between the advantages for the writers the main one is the visibility that its work receives when it becomes a film. In summary, the result is interesting for cinema, literature and obvious to us, readers and viewers. It’s true that often when we just read an amazing book and watch his film adaptation we get frustrated. Although often we get the impression that the director was not faithful to the original work, but we must agree that is a hard work to create exactly a movie that the whole audience envisioned and expected. The cinema has the sound and the pictorial resources to simulate the reality, but in despite the literature having only the use of words has the unparalleled support of the imagination and in that respect the cinema can’t compete. For those who are looking for a good film adaptation, doesn’t even need to go far to find it. “To the Left of the Father” a Brazilian movie, directed by Luiz Fernando Carvalho, is an example of how you can bring the essence of a literary work to the big screen. Anyone who has read the wonderful book of Raduan Nassar know that every word, every piece created by the writer overflows sensitivity.

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In this context what ends up impressing about the film is that it is able to overcome not only the events narrated in the book, but also what is only perceptible to the senses. The entire amount of drama that exists in the not concrete elements, an element characteristic of the book, is present imagetically in gesture, gaze, long silence, and even between the lines of dialogue, that in most part of the movie are not extremely faithful to the book. Some critics misjudge the film To the Left of the Father for being too faithful to the book and accuse the director of having until a certain fanaticism, but obviously I don’t share this opinion. In fact the intention of the director is not materialize exactly all the words from the literary work. Despite telling the same story, the film manages the scenes in an exposition with a different look, but with the same intensity that we find in the novel, and that is pretty much important to us to understand the work of Nassar. The director do not make an exact copy of the book, he actually displays his point of view about the novel using a careful attention. All this makes the movie one of the tops in the list of works adapted in world.

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The Fashion Show

English band Sex Pistols, for example, which in 1975 was shaped by the couple Vivienne Westwood and Malcolm McLaren where they reconciled the punk rock with the jackets, ripped jeans and designer’s shirts. Although, the contact between these two components becomes increasingly explicit, as seen with the turnaround in the design of clips with content fashion, that since the clip Bad Romance by Lady Gaga, where were exposed many clothes of the British designer Alexander McQueen, a new point of view was opened with emphasis on the visual concept translated into: clothes, accessories, designer labels. Katy Perry using the architectural Viktor & Rolf ET in the clip, and partnership between Mugler and Gaga, who starred the campaign for springsummer (2012), would promote further production fashion in music. The sponsorship of designer by singers of success as Karl Lagerfeld by Lily Allen, who sang live in spring-summer fashion show (2010) of Chanel. And then Florence Welch also made a partnership with Lagerfeld and made the soundtrack on his parade collection spring-summer (2012). With all these sources where fashion feeds its need to be exposed and the music to be heard, we have signed this mutuality union, and also a great expectation to which he will direct both experiencing and making the world a great fashion show.

by Aquila Bersont e Khalil Rodor The influence of the music in the fashion evolution, from the 60’s to the 2000 was fundamental to the clothes adaptation to the musical styles and the growing of the independence and recklessness of the youth. The look “bad guy” propagated in thousands of TVs in the 50’s, had an icon, Elvis Presley, who herald a wave of mass influence governed by music stars. The boy from Liverpool taking crowds and spreading what later and with some fresh air would become the geek style. David Bowie with his androgyny fluorescent, the performative KISS and the grunge Nirvana, are a few examples of masters of modern music, and consequently, of the fashion too. Madonna with her cone bra made by Jean Paul Gautier would innovate the music industry, and with the eternal Michael Jackson they would make the pop royalty, increasingly the partnership between music and fashion. Partnership that would reflect not only at the young people playing the style of their idols, but also on business strategies. The emergence of the

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TURN! TURN! TURN! by bruno araújo It was only recently that I finally downloaded the discography of Nina Simone, both as for nominee as for curiosity, after seeing lots of friends putting her at first place in “scrobbles” from Last.FM. For those who don’t know, Nina Simone was a singer, songwriter, pianist and also an activist from the 50’s and 60’s, known by her jazz and her fight for equal rights. Anyway, I still don’t know much about her to pretend here. What made me curious was that I knew several songs that she sang, just not through her, like “Ain’t got no” (from Hair soundtrack), “Here comes the sun” (Beatles) and “Wild is the Wind” that I knew by David Bowie. Some were really hers, others not, and it intrigued me, taking me to look more and more and losing me among composers who I’ve never heard of it, like Pete Seeger, that in 1959, from the book of Ecclesiastes (that’s in the Bible) – almost literally


– wrote a song called “Turn! Turn! Turn! (To everything there’s a reason)”. Later it would have a version made by Nina Simone. Ok, so what? Ah, the song became a hit only because the Byrds, a band from the 60’s (like an alternative Beatles) did a cover, something that they always did, whether the Beatles or even Bob Dylan. Do you know those songs that you never really know who this is, because everyone does a cover and the true composer is someone strange and unknown? Kind of “House of the rising sun”, that got famous by The Animals’ version, but also sang by Nina Simone. This song was also the title of an episode of Lost, which is funny, this use of song’s titles as titles of series’ episodes. Not only Lost, but also True Blood. The later series was the first I knew to use titles of songs in their episodes. What bring us back to the Ecclesiastes’ music. In a kind of conspiracy of the beyond, I found myself knowing the song “Turn! Turn! Turn! (To everything there’s a reason)” at the same time that True Blood was back. So what? The title of the song was the same of the series’ episode title that brought back from the point it was left in the last year. However, because the recently back, I will not spoil the surprise of those who haven’t seen, but I recommend. I can say that the series came back with everything!

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BRAINSTORM 5  

Edição 5 da revista Brainstorm Mag

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