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BRAINSTO Sweatshop

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ORM MAG #3

Patrick Gunderson

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COLABORADORES

JONATHAN wolpert

ANA CUENTRO

editor-chefe

diretora/head designer

vinicius gouveia

olga ferraz

tv

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WHAT’

tradudora

danilo c

litera

João a

fotógrafo c


’S HOT

candido

atura

arraes

convidado

anny stone

diogo condé

Khalil e Aquila bersont

Laércio wolpert

cinema

moda

música

arquitetura

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SUMÁrio

1o sensações e cores no universo mexicano de Barragán 14 Lábios molhados 18 Fahrenheit 451 – como queimar cultura 22 a decadência do mundo sob a ótica do macabro 26 wishlist 28 solarização fashion 32 eu frevo, tu freves 34 Da fria suécia, those Dancing Days 38 editorial nero 44 editorial fran 58 editorial movin’ on 72 editorial étrangers 84 english content

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Redação Editor-chefe Jonathan Wolpert diretora/head designer ana cuentro tradução Olga ferraz

colaboradores Anny Stone Aquila Bersont Danilo Candido Dayw villar Diogo Condé Montenegro João arraes Khalil Rodor Laércio Wolpert olga ferraz Vinicius Gouveia capa étrangers por Jonathan Wolpert

contato contato@magbrainstorm.com @magbrainstorm

A Brainstorm MAg é umaRevista bimestral bilíngue sobre artes digitais, arquitetura, cinema, fotografia, literatura, moda, música e TV. FIca expressamente proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia do conteúdo editorial. Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista.

www.magbrainstorm.com

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Carta editorial

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Nossa primeira edição do ano tem que mostrar pra o quê chegamos. Inspirados pelo calor e o solar, trouxemos uma edição quente e ainda assim obscura. Passando do frevo ao efeito Sabatier, mostramos um pouco mais de moda e fotografia pra a edição, com editoriais fotografados em Recife, Maceió e São Paulo. O nome da edição, SWEATSHOP, vem das casas de produção clandestinas, em que os funcionários passavam por situações perigosas e extremo calor. Esse calor extremo, sexy e perigoso de forma inusitada é o que nos impulsiona, onde até mesmo o gelo queima. Aproveitem essa edição feita com muito planejamento, carinho e prazer, um novo início da Brainstorm.

Jonathan Wolpert

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ARQUITETURA

Sensações e cores no universo mexicano de

Barragán Laércio Wolpert

Luis Ramiro Barragán foi um dos arquitetos mexicanos mais influentes do século XX, A sua arquitetura remete tanto a ideologia do Movimento Modernista Europeu, como ao regionalismo tradicional mexicano. Este mix gera uma arquitetura única, de beleza e emoção. Onde a natureza, aliada ao elemento construído, provocam sentimentos espirituais, dramáticos, oriundos da contemplação e reflexão propostas. Sua experiência rural, vinda de sua infância, viria a refletir-se na composição de sua “definição de um estilo mexicano universal”. O seu interesse por arquitetura teria surgido por influência do arquiteto Augustín Basave, seu professor na Escola Livre de Engenheiros de Guadalajara. As obras e textos sobre paisagismo de Ferdinand Banc, o influenciaram e definiriam a sua vocação de “jardineiro”. As obras de maior expressividade do arquiteto se dão a partir da década de 40. Barragán se lança em uma arquitetura de linguagem moderna, com cores quentes, contrastes, texturas, luz e sombra.

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Seu encanto pelo paisagismo o conduz à criações compostas por entornos naturais, sempre valorizando as espécies de sua terra, introduzindo uma visão de cunho modernista ao jardim mexicano. Destaca-se o pátio, aliado ao espelho d’água, muitas das vezes com fontes na composição, realizando frescor e umidade em meio ao calor do México. Influenciado pela arquitetura árabe do Marrocos e m e d i t e r r â n e a e u ro p é i a , a p ó s uma viagem, retoma os interiores em penumbras, os jogos de luz com as janelas pequenas e a integração da obra com a paisagem.


A sensação de proteção o levou a adotar a parede e o muro como elemento básico da construção. Na Casa Manifesto de Barragán (1947), pode se verificar uma fachada austera, onde no interior se revelam cores vibrantes e valorização das cenas de penumbra. Em 2004, a UNESCO reconhece a Casa Barragán como patrimônio da humanidade, tornando-se um museu em homenagem à vida e a obra deste arquiteto paisagista. No ano de 1980, ganha Prêmio Pritzker, desfrutando assim de alguns anos de grande prestígio antes do seu falecimento.

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WWW.OQUEFALTAVA.CO

Se você cansou de procurar o que lhe completa, está na hora de surpreender-se.

facebook.com/oquefaltava

twitter.com/oquefaltava

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ARTES digitais

Lábios

molhados Ana Cuentro

Definitivamente, os tempos mudaram. Estamos apenas na segunda década do século e já percebemos que o anterior ficou lá para trás. O anúncio da concordata da Kodak deu o que pensar sobre os fotógrafos e a fotografia. Os profissionais não se limitam mais aos atos de configurar câmeras, apontar e disparar. Escolher filmes, manusear negativos e técnicas de revelação e ampliação eram habilidades importantes na época do meu avô e do meu tio quarentão.

Agora, na era digital, a conversa é outra: essas h a b i l i d a d e s m u d a ra m d e e s t a d o e s e desmancharam no ar. Se quiser ser reconhecido, o fotógrafo precisa ter habilidades gráficas, além do básico tratamento de imagens. Com a evolução da informática, o workflow do fotógrafo faz com que ele passe horas e horas de edição em frente a um monitor. Molhado, quente. O contraste é forte, sensual. É o que vejo na série Wet Lips, do fotógrafo italiano Claudio Gangi, muito conhecido por suas fotos de moda e editoriais sensuais. Neste novo trabalho, ele não se limitou somente em fazer fashion shoots, como também aproveitou seu lado mais criativo. Vejo indícios de pintura digital e uma grande consistência na manipulação das fotos e mudanças de cores.

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Ao observá-las, tive a sensação de fazer parte dos momentos da mulher: como se praticasse voyeurismo, tivesse sonhos sensuais ou até mesmo tomasse banho com ela. Cada fotograma é um jorro de emoções intensas. Demonstra a completa expressão da mulher: sensual, excitada, distante, misteriosa e sonhadora.

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Cinema

Fahrenheit 451 Como queimar cultura

Annyela Rocha

Fahrenheit 451. Equivalente a 233 graus Celsius ou, ainda, o calor desumano necessário para fazer um livro entrar em combustão. É em torno dessa medida que se baseia a produção de 1966, dirigida pelo francês François Truffaut. Neste universo distópico, Guy Montag (Oskar Werner) é um bombeiro fiel ao seu trabalho e às leis de seu país. Os bombeiros, no entanto, trabalham provocando incêndios, a fim de eliminar todos os livros ainda existentes. No mundo de Montag, assim como em várias distopias, o sistema de governo é autoritarista, incluindo até referências explícitas ao nazismo, no qual o alvo são aqueles cidadãos que insistem em guardar os livros. A questão, na verdade, é a repulsa à palavra, visto que supostamente ela entristeceria as pessoas. A ditadura é a da imagem, alegre, fabricada, reproduzida, e o culto a todas as formas de posse da imagem. Pode-se dizer que a ideia se encaixa muito bem para esse recém-chegado 2012, mas Truffaut erra ao querer deixar as mensagens claras demais. Como, por exemplo, numa cena na qual o chefe de Montag lamenta por ter que queimar o livro “Minha luta”, de Adolf Hitler. 18

Seu encanto pelo paisagismo o conduz à criações compostas por entornos naturais, sempre valorizando as espécies de sua terra, introduzindo uma visão de cunho modernista ao jardim mexicano. Destaca-se o pátio, aliado ao espelho d’água, muitas das vezes com fontes na composição, realizando frescor e umidade em meio ao calor do México. Influenciado pela arquitetura árabe do Marrocos e m e d i t e r r â n e a e u ro p é i a , a p ó s uma viagem, retoma os interiores em penumbras, os jogos de luz com as janelas pequenas e a integração da obra com a paisagem.


Para a sorte (intelectual, mas azar social) de Montag, ele conhece Clarisse, uma jovem que acaba o incentivando a questionar a conduta dos bombeiros. Ele passa então a fazer o que é mais temido na sociedade: começa a manter uma biblioteca e passa a ler livros. Curiosamente, a atriz que interpreta Clarisse é a mesma que faz a esposa de Montag, Julie Christie. As personagens, no entanto, não são nada semelhantes. Linda Montag abomina a ideia de apreciar a literatura, é completamente entregue ao culto da imagem e dos aparatos eletrônicos, vive apática e toma remédios controlados que a fazem entrar em coma rotineiramente.

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O filme foi adaptado da obra de Ray Bradburry, escrito nos primeiros anos da Guerra Fria e publicado pela primeira vez em 1953. Assistir ao filme de Truffaut não tira o prazer de ler o livro, de forma alguma. A crítica de Bradburry ao que viria a ser a sociedade norte-america é sensacional. Atualmente, existem projetos de uma nova adaptação de Fahrenheit 451 para o cinema, com direção de Frank Darabont (que também dirigiu Um sonho de liberdade e Á Espera de um milagre).

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literatura

A DECADÊNCIA DO MUNDO SOB A ÓTICA DO

“MACABRO”

“Solar” satiriza ecologistas e cientistas mostrando a vida de um físico mau-caráter Danilo Candido

As notícias negativas sobre as mudanças climáticas fervem nos noticiários de todo o mundo desde o início do novo século. Desde então, a ciência pesquisa formas ecossustentáveis de desenvolvimento social, político e econômico buscando diminuir as ondas de calor que afligem o planeta. Esse é o panorama narrativo de Solar: romance do escritor inglês Ian McEwan publicado em 2010. Porém, as polêmicas em torno do clima e do aquecimento global representa ao texto muito mais que um “pano de fundo” científico. O trunfo reside em caracterizar na figura humana de Michael Beard, seu protagonista, as contradições que envolvem essas discussões. Um dos grandes nomes da literatura inglesa contemporânea (ao lado do escritor sul-africano J. M. Coetzee), Ian McEwan é conhecido no Brasil por sua obra-prima Reparação (2001) que foi adaptada para o cinema em 2007. O escritor inglês é, por vezes, chamado d e “ Ia n Ma c a b ro ”, d e v i d o à natureza sombria de seus personagens, como: os amantes cúmplices de assassinato, em Amsterdam (1998); 22

ou uma jovem que transforma a vida do namorado da irmã ao acusá-lo falsamente por um estupro, em Reparação. Em Solar, não é diferente, o cientista gordo, de meia idade e premiado com o Nobel de Física junta-se ao conjunto de anti-heróis do romancista. Michael Beard, físico ganhador do Nobel, tem uma vida pessoal deprimente, divorciou-se quatro vezes e encontra-se no quinto casamento. Dessa vez, ele é trocado por um pedreiro semi-analfabeto. Então, agora, dedica-se à vida profissional aceitando dirigir, por puro oportunismo, um centro de energia criado pelo governo britânico; mesmo não acreditando na preservação do meio ambiente e na exploração de recursos renováveis. Solar satiriza as supostas boas intenções dos ecologistas que supervalorizam o tema do aquecimento global e ridiculariza a estéril vaidade dos acadêmicos e cientistas Durante a narrativa, o físico acumula vários traços desagradáveis: trai cinco esposas e diversas namoradas; incrimina o amante pedreiro da esposa; e rouba o trabalho de outro cientista e transforma-o em um negócio bastante lucrativo.


O tom sarcástico do narrador é um dos pontos fortes da obra. A escrita objetiva com expressões cientificas apuradas e o reduzido uso de adjetivos e advérbios diferencia-se de seus romances anteriores, principalmente Reparação, embora a atmosfera trágica e decadente seja a mesma de suas outras obras.

No romance, o narrador ironicamente declara que Michael “compartilhava confortavelmente todos os defeitos da humanidade”. Assim, o protagonista sumariza toda atitude negativa que causou essa onda de calor no planeta. Ele é convidado para presenciar no pólo norte o fenômeno do aquecimento; mas para ele pouco interessa, o que importa é lucrar dessa situação. Entretanto, a transformação final de Beard acontece quando volta para casa e encontra o jovem cientista Tom Aldous - segundo amante de

sua esposa - de roupão em seu sofá. Aldous tropeça acidentalmente no tapete de urso polar da sala de estar, bate a cabeça na mesa de vidro e morre. Aproveitando a situação, o físico muda a posição do corpo e altera os objetos da sala para parecer um assassinato; para assim, incriminar o antigo amante da esposa: o pedreiro. Se o calor das mudanças climáticas metaforiza um protagonista sujeito à atitudes desvirtuadas e impulsivas; o tapete de urso polar é o símbolo perfeito pra sua transformação numhomem frio e calculista. 23


A ironia da narrativa referente ao ecologicamente correto transforma o anti-herói de Solar em ícone do descaso. O caminho percorrido por Michael Beard é marcado pela amoralidade e pela passividade frente à tragédia que espera a humanidade. O romance é uma verdadeira comédia de erros que disseca as fraquezas psicológicas de seu protagonista. Mas, acima de tudo, um romance sobre a inevitável decadência do mundo.

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ANA CUENTRO design

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wishlist

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1) Underground Wulfrun White Round Toe Creeper £85.00 (ASOS.COM) 2) Samsoe & Samsoe Boat Neck Stripe T-Shirt £49.00 (asos.com) 3) ASOS Perspex Clutch £35.00 (asos.com) 4) Wildfox One Piece Swimsuit With Horse Print £127.00 (asos.com) 5) Birds & Brass Necklace $135.00 (handsomeclothing.com)


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Moda

SOLARIZAÇÃO

FASHION Aquila Bersont Khalil Rodor

O fenômeno denominado efeito Sabatier, que consiste na transformação de um negativo em positivo, devido a uma superexposição traduz perfeitamente as mudanças que ocorrem na moda verão em contraponto ao pesado e escuro vestuário invernal. Entretanto, neste intenso verão, cheio de cores em blocos, florais e transparência, certos elementos e tecidos vieram para tirar o habitual frescor das coleções, e surpreenderam ao serem desfilados nas passarelas por serem atípicos.

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O couro e o jeans com diferentes aplicações, bem como o metalizado, estiveram presentes esquentando visualmente e tornando cada indivíduo como uma fonte de calor e de brilho independente.

Por carro-chefe da estação, as estampas de couro de cobra disseminaram-se. Representando toda aridez advinda do Sol e a sobrevivência ao mesmo, essas víboras do deserto acabaram por devorar qualquer outro tipo de animal-print. E não obstante, as estampas de cobra se estenderam também às coleções masculinas, como visto nas produções de James Long¸ onde foram a principal inspiração para a confecção de sua inteira coleção. A solarização na moda para o verão de 2012 foi sem sombra de dúvidas, de uma intensidade sem antecedentes. E sobre essa luminosidade que ora avivou as cores e transformou tecidos quentes em refúgio do clima, também se refletiu nos brancos, que como vetores da reflexão da luz, totalizaram-se como soma de todas outras cores, exprimindo o efeito máximo dessa solarização: o Total White.

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Nina Ricci

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The Row

Alexander McQueen


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música

eu FREVo, tu freves Diogo Condé

O frevo é único, nascido do “frever” do asfalto ao passar os blocos, fundamental para entender a cultura carnavalesca de Recife. Sua originalidade parte do princípio de ser não apenas um movimento ou vertente musical, mas sim um gênero consolidado, criado nas camadas populares e formador de identidade cultural de uma cidade. Conhecido pelo ritmo acelerado dos metais e percussões, marcado pela sua bela dissonância, e sempre acompanhado por dançarinos vestidos à caráter com roupas e sombrinhas coloridas, o Frevo tem uma rica linhagem de artistas, como Capiba, Nelson Ferreira, Matias da Rocha, Edgard de Moraes, entre outros. Tem entre muitas outras, três subdivisões básicas, o frevo-de-rua, frevo-de-bloco e frevo-canção, caracterizadas pela situação em que serão executadas, desde o tradicional carnaval até em calmas reuniões, cantando temas do imaginário popular ou simplesmente animando os foliões com agitadas orquestras.

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O que impressiona é o fato de ser o único gênero capaz de ser enquadrado como natural de uma cidade sem se “dissipar”, ou seja, por mais que haja homenagens ou inspirações, o Frevo clássico nunca conseguiu ser produzido fora de sua terra natal. Não é como o samba, por exemplo, que foi criado no Rio de Janeiro, mas que com o tempo se i n s ta l o u p e l o Mu n d o to d o e

possui praticantes em várias partes do Brasil e do Mundo.Essa característica é bastante exaltada principalmente no Carnaval, e é um tipo de reflexo do que é o povo Recifense, bairrista e “do contra”, uma paixão aflorada no povo, que espera o ano todo para se esquentar ao som da sua própria cultura.

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tv

DA FRIA SUÉCIA, THOSE DANCING DAYS Vinicius Gouveia

Da fria Suécia, conheçam Those Dancing Days. Formada por cinco amigas que estudaram o Ensino Médio num subúrbio de Estocolmo, a banda é um dos grandes e bons nomes da música que vem sendo feita nessa terra tão distante do Brasil. De qualidade musical coroada por festivais, como Bowlie Weekender, e bandas do naipe de Belle and Sebastian, os videoclipes dessas meninas são um show à parte. Em seus videoclipes, Those Dancing Days traz uma sensação - conscientemente ou não - de aconchego. Em paisagens frias (como I’ll be Yours e Can’t Find Entrance) ou desérticas (Hitten e Run Run), as cinco garotas preenchem seus videoclipes com carisma e calor humano, que falta naquela geografia e entre aquelas pessoas. Os videoclipes ganham mais força pelas espertas sacadas visuais e edições caprichadas. Quem conhece um pouco da Suécia vai lembrar que Peter, Bjorn and John não dão a mínima para os young folks e Club 8 quer deixar o Norte . Parece comum às bandas do país tratarem sobre a sensação de deslocamento e estranhamento nessa terra fria - no clima e nas relações interpessoais. Lá, a distância afetiva pode ser maior do que qualquer outra espacial.

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Peter, Bjorn and John - Young Folks

Club 8 - Leave the North


Em Those Dancing Days, o maior exemplo deve ser Reaching Forward, onde um rapaz confuso é o protagonista que não consegue se encaixar (nem ser encaixado pelas meninas da banda) numa vida social, de aparências. Na festa, ele não se conecta com ninguém. Sozinho, ele é um estranho a si mesmo. Na neve, ele foge de todos. Maximizado neste videoclipe, a sensação de frieza e distanciamento é amaciada pela melodia e por pequenos detalhes visuais, que dão um tom caloroso a este constante resfriamento que pessoas e o espaço forçam ao protagonista – este talvez seja o eu-lírico da banda. Música e imagem tem sintonia, formam um discurso coeso.

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As garotas da banda publicaram em seu site oficial (http://www.thosedancingdays.com) que seu diretor favorito é Andreas Öhman, responsável pela maioria de seus videoclipes. O que chama atenção em sua produção é a montagem, já comentada, mas também o trabalho nas imagens no produto final. As cores ganham um aspecto quente mesmo no clima frio. A fotografia, claramente de um suporte digital, não cai em maneirismos contemporâneos. Andreas é inventivo, contemporâneo e cool.

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Those Dancing Days demonstra no vídeo uma maturidade que não é vista em similares. Talvez sem querer, e impregnadas pela fria Estocolmo, elas recorram constantemente a essa temática do indivíduo imerso numa geografia sentimental fria, vazia e distante. As garotas dão aos seus videoclipes camadas de interpretação, não os limitando às palavras entoadas pela vocalista, trazendo um calor juvenil a esses ambientes gélidos. E, dessa forma, imagem e som se articulam em uníssono.


fotos: andreas รถhman m0nkiii

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editorial

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N E R O


Fotos: Jonathan Wolpert Assistente de fotografia: Gustavo Costa Produção: João Leite Beleza: Thiago Patrial Modelos: Luiza Carmago (TEN) & Paula Patrial (Mega) Agradecimentos: Loja Hit Maceió

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editorial

FRAN

Jo達o Arraes e Paula Lourenzo (WAY) 44


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MOVIN’ ON

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Jo達o Arraes Najla Branco (WAY)

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ÉTRANGERS Fotografia: Jonathan Wolpert Styling: Dayw Vilar Beleza: Priscilla Luna Modelo: Thais Lucena (EPmodels)

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english version

english content 1o Sensations and colors in the Barragán’s Mexican universe 14 wet lips

18 Fahrenheit 451 – How to burn culture 22 THE DECLINE OF THE WORLD FROM THE

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PERSPECTIVE OF “Macabre” 28 Fashion Solarization 32 eu frevo, tu freves Those Dancing Days from Sweden’s Cold

Our first edition of the year has to show for what we got here. Inspired by the warmth and solar, we brought a hot issue and still obscure. Passing by the Frevo to Sabatier effect, we show a little more about fashion and photography to this edition, with editorials photographed in Recife, Maceió and São Paulo. The name of this number, SWEATSHOP, comes from the clandestine production houses, where employees went through extreme heat and dangerous situations. This extreme heat, sexy and dangerous in unusual ways is what drive us, where even the ice burns. Enjoy this edition done with much planning, care and pleasure, a new beginning of Brainstorm.

Jonathan Wolpert

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pg. 10 Sensations and colors in the Barragán’s Mexican universe by Laércio Wolpert

Luis Ramiro Barragán was one of the most influential Mexican architect in the twentieth. Its architecture refers both to the ideology of the European modernist movement, as the Mexican’s traditional provincialism. This mix creates a unique architecture with beauty and emotion. Where nature, coupled with the element constructed provoke spiritual and dramatic feelings, from the contemplation and proposal reflections. His rural experience, which comes from his childhood, would be reflected in the composition of his “definition of a Mexican’s universal style”. His interest in architecture would have arisen under the influence of the architect Agustin Basave, that was his professor at the Free School of Engineers of Guadalajara. The landscaping works and textes of Ferdinand Banc, influenced and defined his role as a “gardener”. The most expressive works of the architect take place from the 40’s. Barragán launches into a modern language of architecture, with warm colors, contrasts, textures, light and shadows. His delight in the landscape leads to creations composed by natural surroundings, always valuing the species from their land, introducing a modernist vision in the Mexican’s garden. Of note is the patio, along with the water surface, often with sources in composition, conducting freshness and moisture in the heat of Mexico. Influenced by the Arabic architecture and the Mediterranean, after a trip, he takes up the interior shadows, the light fixtures with small windows and the integration of work with the landscape. The sense of security led him to adopt the wall as a basic element of construction. At the Barragán’s Casa Manifesto (1947), was shown an austere front, where inside are revealed e nhancement of vibrant colors and scenes of gloom. In 2004, UNESCO recognized the Barragán’s Casa as patrimony of humanity, becoming a museum in tribute to the life and work of this landscape architect. In 1980 he won the Pritzker Prize, and enjoying this way the prestige for a few years, before his death.

pg. 14 wet lips

by Ana cuentro

Definitely, times have changed. We are only in the second decade of the century and we can already realize that the former was left in the back. The announcement of the Kodak’s bankruptcy gave what to think about photographers and photography.

Professionals are no longer limited to acts like:set up cameras, point and shoot. Choosing films, handling negatives and having skills with revelation and expanding’s techniques were important at the time of my grandfather and my uncle in his forties. Now, in the digital age, the conversation is different: these skills changed in its state and melts into the air. If you want to be recognized, the photographer need to have graphics skills, in addition to the basic image processing. With the evolution of computing, the photographer’s workflow makes him spend hours editing in front of a monitor. Wet, hot. The contrast is strong, sensual. That’s what I see in the series Wet Lips, from the Italian photographer Claudio Gangi, best known for his fashion photos and sexy editorials. In this new work, he continue not only in fashion shoots, but also used his creative side. I see evidence of the digital paiting and a great conssistency in the manipulation of the photos and color changes. Watching them, I had the feeling of being part of these moments from this woman: as if I was practicing a voyeurism, or having a sexy dream or even as if I was in the bath with her. Each frame is a rush of intense emotions Its demonstrates the complete expression of the woman: sexy, horny, distant, mysterious and dreamy.

pg. 18 Fahrenheit 451 – How to burn culture by Annyela Rocha

Fahrenheit 451. Equivalent to 233 degrees Celsius, or even inhuman heat required to ignite a book. It is around this that is based the production from 1966, directed by François Truffaut. In this dystopian universe, Guy Montag (Oskar Werner) is a firefighter faithful to his work and the laws of his country. Firefighters, however, work setting fires in order to eliminate all remaining books. In Montag’s world, as well as in many dystopias, the system of government is authoritarian, even including explicit references to Nazism, in which the target is those citizens who insist on keeping the books. The question actually is the abhorrence to words; it supposedly because the word made the people sad. The dictatorship is the image, cheerful, manufactured, reproduced, and the worship of all forms of ownership of the image. You could say that this idea fits very well for this newcomer 2012, but Truffaut wrongs in wanting to leave messages too clear. How, for example, a scene in which Montag’s boss regrets at having to burn the book “Mein Kampf”, by Adolf Hitler. Luckily (intellectual, but social gambling) Montag, he meets Clarisse, a young woman that encourages him to question the conduct of the firemen. He then 85


goes on to do what is most feared in society, begins keep the books in a personal library and reads the books. Interestingly, the actress who plays Clarisse is the same as is Montag’s wife, Julie Christie. The characters, however, are nothing alike. Linda Montag abhors the idea of appreciating literature, she is consecrated to the worship of the image and eletronic devices, lives sluggish and takes prescription drugs that are routinely lapse into a coma. The film was adapted from the work of Ray Bradbury, written in the early years of the Cold War and first published in 1953. Watching the Truffaut’s film not take pleasure in reading the book in any way. The Bradbury’s critique of what was becoming the North American society is phenomenal. Currently, there are projects to make a new adaptation of Fahrenheit 451, directed by Frank Darabont (who also directed The Shawshank Redemption and The Green Mile).

pg. 22 THE DECLINE OF THE WORLD FROM THE PERSPECTIVE OF “Macabre” by danilo candido

“Solar” lampoons environmentalists and scientists showing the life of a bad character physical. The bad news about climate change boil in the news worldwide since the beginning of the new century. Since then, the science research forms ecosustainable social, political and economic order to minimize the heat waves that afflict the planet. This is the narrative’s framework of Solar: a novel by Ian McEwan, published in 2010. However, the controversy surrounding the climate and the global warming poses to the text much more than a scientific “background”. The trump card lies in characterizing the human figure of Michael Beard, the protagonist, and the contradictions surrounding these discussions. One of the great names of contemporary English literature (next to the South African writer J.M. Coetzee), Ian McEwan is known in Brazil for his masterprice Atonement (2001) wich was adapted for film in 2007. The English writer is sometimes called “Ian Macabre” due the dark nature of his characters, as: lover complicit in a murder, Amsterdam (1998), or a young girl who transforms the life of her sister’s boyfriend accusing him of a false rape in Atonement (2001). In Solar, is no different, the scientist fat, middle age and Nobel laureate in physics joins the set of anti-hero of the author’s novels. Michael Beard, the Nobel-winning physicist, has a depressing life, divorced four times and is in the fifth marriage. This time he is exchanged by a semiiliterate bricklayer. So now he dedicate his life to drive an energy center created by the British government, 86

only for sheer opportunism, because he doesn’t belive in preserving the environment and the exploitation of renewable resources. Solar satirizes the supposed good intentions of ecologists that overvalue the issue of global warming and ridicules the vanity of sterile academics and scientists. During the narrative, he accumulated a great number of traits unpleasant: he betrays five wives and several girlfriends; incriminates the lover of his wife and steals the work of another scientist and it is turnes into a very lucrative business. The sarcastic tone of the narrator is one of the strengths of the work. The objective written, the scientific expressions found and an reduce use of adjectives and adverbs makes it different from his earlier novels, especially Atonement, although the tragic and decadent atmosphere is the same of his other works. In the novel, the narrator ironically says that Michael “comfortably share all his defects with the world”. Thus, the protagonist summarizes the negative attitude that caused all this heat wave on the planet. He is invited to witness at the North Pole a warming phenomenon, but he isn’t interested, he just cares about taking profit from this situation. However, the final transformation of Beard happens when he returns home and finds tha young scientist Tom Aldous - according to his wife’s lover - in a robe on his sofa. Aldous accidentally stumbles in the polar bear rug in the living room, hits his head on the glass table and dies. Taking advantage of the situation, the physical changes the body position and the objects in the room to look like it was a murder and this away blaming his wife’s lover. If the heat of climate creates a metaphor about the character with warped and impulsive attitudes, the polar bear rug is the perfect symbol for its transformation into a cold and calculating man. The irony of the narrative for the “environmentally correct” turns the anti-hero of Solar as an icon of neglect. The path that is marked by Michael Beard amorality and passivity face to the tragedy that awaits humanity. The novel is a true comedy of errors that dissects the psychological weakness of its protagonist. But above all, it’s a novel about the inevitable decline of the world. pg. 28 Fashion Solarization

by Aquila Bersont & Khalil Rodor

The phenomenon called th Sabatier effect, which is the transformation of a negative to positive due an overexposure perfectly reflects the changes that occur in summer fashion as opposed to the heavy and dark winter clothing. However, this intense summer (full of color


block, floral and transparency) certain elements and tissues came to take the usual freshness of the collections and surprised to be paraded on the runways because they are atypical. The leather and jeans with different applications, as well as metallic, were present, warming visualy and making each individual as an independent source of heat and brightness. On the flagship of this station, the snakeskin print were widespread. Representing all the aridity that comes from the sun and the survival under it, these desert vipers eventually devour any other animal-print. And yet the snake prints are also extended to the men’s collections, as seen in productions of James Long, where it was the main inspiration for making his entire collection. The solarization trendy for the summer of 2012 was, without a doubt, an intensity without precedent. This lightening that revived colors and transformed tissues in hot climate refugees, was also reflected in the White, that as vectors of a reflection of the light, sum all other colors, expressing the maximum effect of solarization: The Total White. pg. 32 Eu frevo, tu freves by diogo condé

The Frevo is unique, born from “frever” on the asphalt with the carnival’s blocks, essential for understand the carnival culture of Recife. Its originality begins from not just being a movement or a musical aspect, but being a consolidated gender, created in the masses, and forming the cultural identity of a city. Known for his fast-paced percussion and metals, marked by its beautiful dissonance, and always accompanied by dancers dressed in character with clothing and colorful umbrellas. The Frevo has a rich heritage of artists like: Capiba, Nelson Ferreira, Matias da Rocha, Edgard de Moraes, and others... Is has, among others three basic subdivisions: frevo de rua, frevo de bloco and frevo canção; characterized by the situation that will be performed. The Frevo may vary from the traditional carnival’s party even to calm meetings, singing themes from popular imagination or simply cheering revelers with busy orchestras. What is striking is the fact that this is the only genre capable of being framed as natural from the city (Recife), without having to “dispel”, as much as there are tributes or inspiration, the classic Frevo could never be produced outside their homeland. It’s not like the Samba, for example, which was created in Rio de Janeiro, but over time has installed world-wide and has practitioners in various parts of Brazil and World. This feature is very excited mainly during the Carnival, and is a sort of reflection of what the people from Recife are; parochial. The Frevo is a passion for the preople, who expect a year to warm up among the sound of their own culture.

pg. 34 Those Dancing Days from Sweden’s Cold by vinicius gouveia

Formed by five friends who have studies in a suburb school of Stockholm, the band is one of the great good names in music that is being done in this land so far away from Brazil. Crowned by quality in musical festivals such as Bowlie Weekender and for bands like Belle and Sebastian, these girl’s video clips are a sideshow. In their music videos, Those Dancing Days brings a sense – consciously or not – of coziness. In landscapes cold (as in I’ll be Yours and Can’t Find Entrance) or desert (Hitten and Run Run), the five girls fill their videos with charisma and warmth that is lacking among those people and geography. The video clips gain more strength by their smart edits and visual drawn. Anyone who knows a little bit of Sweden will remember that Peter Bjorn and John don’t care about the young folks (http://www.youtube.com/ watch?v=51V1VMkuyx0 ) and Club 8 wants to leave the North (http:// www.youtube.com/watch?v=_ HZAjrFVj6s ). It seems common that the bands treat the country with a sense of dislocation and estrangement because their cold land. There, the affective distance may be greater than other spacial one. On Those Dancing Days, the biggest example is Reaching Forward, where a confused boy is the protagonist who can’t fit (or be seated by the girls in the band) in a social life made by appearances. At the party, he does not connect with nobody. Alone, he is a stranger to himself. In the snow, he runs away from everyone. Maximized in this video clip, the sensation of coldness and distance is softened by the melody and the small visual details, which give a warm tone to this constant cooling that people and space force to the protagonist – this may be the I-lyric of the band. Music and images is aligned, and form a cohesive speech. The girls in the band posted on their website (www. thosedancingdays.com) that their favorite director is Andreas Öhman, responsible for most of their video clips. What draws the attention in its production is the montage, already mentioned, but also the images’ work in the final product. The colors come to look hot even in this cold weather. The photograph clearly in a digital format, doesn’t falls into contemporary mannerisms. Andreas is inventive, contemporary and cool. Those Dancing Days shows in the video a maturity that is not seen in similars. Perhaps unintentionally, and impregnated by the cold Stockholm, they resort constantly to this issue about the immersion of the men in a empty emotion, cold and distant because of his geography. The girls give their video clips layers of interpretation, not limited to words sung by the singer, bringing a warmth to these you frigid environments. And thus, image and sound articulate in unison. 87


BRAINSTORM 3 - SWEATSHOP  

Edição 3 da revista Brainstorm Mag