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NOV/DEZ 2015 €10

O que fazer com o poder político? What’s to be done with political power?


ENTRE NUMA

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14 OUT/NOV 2015

Editorial

Maturidade precisa-se Maturity is needed

Joaquim Pereira de Almeida Director Director

Não adopto na vida política os conceitos de Direita ou de Esquerda. Os meus critérios são muito mais simples. Acredito e aposto na Honestidade, na Sabedoria, na Competência, no Dinamismo, na anti-corrupção, na Força do trabalho e na Criatividade. Odeio, em todas as áreas, a sede pelo poder, que chega a cegar tudo e todos. Daí que esteja pouco preocupado com o presente momento. A actual classe política portuguesa é saloia. Não olha para fora de fronteiras, não estudou História, apela a argumentos caducos, sem reflectir, sequer, sobre o essencial: Portugal. Tudo isto é agravado por uma Comunicação Social que deveria ser ‘posta na ordem’ pelos códigos de ética da classe e que tem picos de autêntico escândalo. Sou jornalista há 40 anos e conheço bem as técnicas de manipular a opinião pública. O mais grave é quanto isso se transpõe para o plano internacional e pode prejudicar, gravemente, o País. Toda esta conversa é para chegar a uma grande percentagem dos nossos leitores que são homens de negócios e com grandes responsabilidades. Vocês sabem mais de política do que estes ‘meninos’ que preenchem a classe política. A maioria esmagadora deles nunca pagou um salário, não sabe o que é a dura vida empresarial. À direita e à esquerda, repito. Por isso, na medida da minha modesta opinião, não se deixem iludir e sejam serenos. Os vossos objectivos são claros e não correspondem certamente a histerias políticas. Quem se quiser alienar pelos discursos e pela propaganda política vai, obviamente, ter prejuízos. Portugal precisa de manter a confiança e de responder aos desafios internacionais. Sempre foi o sector privado que o fez e que continuará a fazer. A sede do poder, repito, à Direita e à Esquerda, tem milhares de anos. Mas isso sempre foi uma questão dos arrivistas da sociedade. Não nos deixemos enganar. When it comes to politics I don’t adopt concepts of either the Right or the Left. My criteria are much simpler than that. I believe and pin my colours to Honesty, Wisdom, Competency, Dynamism, AntiCorruption, in the Force of Work and Creativity.

I loathe, in all areas, the thirst for power, which eventually blinds everyone. So I’m rather worried with the current situation. (*the Portuguese centre-right PSD-PP coalition Government was defeated by a motion of noconfidence in the Parliament after the PS Socialist party joined forces with the Communists and Left Bloc Party, leading to the Government’s collapse after little more than one month after winning a General Election.) The current Portuguese political class behave like rude peasants. It’s not looking at the consequences from investors and foreign institutions overseas, it hasn’t learnt from history, it blindly follows vapid arguments without even thinking on what’s really essential: Portugal. All this is made worse by the Portuguese press and media that should be “put in their place” by Codes of Class Ethics and which really at times are an utter scandal. I’ve been a journalist for 40 years and I know very well the techniques used to manipulate public opinion. The worst of it is when this spills over internationally and can really seriously harm the country. All of this conversation is to reach a large percentage of our readers who are businessmen and women shouldering huge responsibilities. You know more about politics than these “boys” who swell the ranks of Portugal’s political class. The overwhelming majority of them have never paid employees’ salaries, know nothing about the harsh realities of running a business. Neither the Right or the Left, I say again. Which is why, in my humble opinion, you shouldn’t let yourselves be fooled and rather be serene. Your goals are clear and certainly don’t correspond to political hysterias. Those wishing to dispense with the speeches and political propaganda will, obviously, pay the penalty. Portugal needs to maintain the confidence of investors and international agencies and institutions and rise to international challenges. It was always the private sector that did that and will continue to do so. The thirst for power, I repeat, whether Left or Right, has a history spanning millennia. But the hunger for power was always an issue for social parvenus. And we won’t be fooled.


Summary

Índice

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Grande Tema Lead Story

Foto de capa: Miguel Saavedra

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Metro Quadrado

Square Meter Análise de Mercado da Aguirre Newman Market analysis from Aguirre Newman

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CEO Frontal

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SIL: Ano recorde SIL: A record year

Ficha técnica

20 Propriedade Palavras Aliadas Sociedade Unipessoal, Lda. NIPC – 510 653 901 Av. Duque D’Ávila, 28 – 2.º, Sala 207 1000–141 Lisboa Telf.: (+351) 21 134 10 06 Telm.: (+351) 91 061 61 62 geral@palavrasaliadas.pt www.magazineimobiliario. com Director Joaquim Pereira de Almeida Editora Carla Celestino Colaboradora Permanente Elisabete Soares Fotografia Anabela Loureiro Tradução Chris Graeme

Grafismo Rodrigues Silva Ilustrações José Laranjeira Contabilidade Nasceconta Periocidade Bimestral Tiragem 3.000 exemplares Impressão Valente Artes Gráficas R. José Maria da Costa, 14 2640-496 Mafra Depósito Legal 363718/13 SSN – 2183-0517 ERC – 126397

Podem as empresas viver sem política? Can companies survive without politics?

Opinião Opinion Hugo Nunes Sócio/Partner Sofia Galvão Advogados

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Fio-de-Prumo

Plumb Line Sector da Construção e Obras Públicas Construction and Public Works Sector

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Coordinates Energias renováveis Renewable energy

International Broadway Malyan

Good Taste

Azimute

Do Mundo

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Expo Real

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Atelier Opera | Design Maters

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Atelier

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Ventos do Norte

North Winds J. Camilo

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Opinião Opinion Elizabete Soares Saraiva

Mondial du Batimênt Opinião Opinion Reino Unido United Kingdom

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Sol e Lua

Tourism Turismo em 2015 Tourism in 2015

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Personalidades 2015 Personalities 2015

Bom gosto

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Boas Festas

Happy Holidays


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Capa

Podem as empresas viver sem polĂ­tica? Can companies survive without politics?


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Portugal ainda se encontra numa jangada de pedra à deriva das últimas eleições. Enquanto o País está em modo ‘pause’, fomos analisar o que os vários partidos políticos defendem em matéria imobiliária. Mais…, tentámos perceber de que forma a política influencia a actividade económica. Portugal is still all at sea on a life raft following the recent elections. While the country is in ‘pause’ mode, we analysed what policies the various political parties have for the real estate sector. But..., we also have tried to understand how far politics influences economic activity.

Texto Text: Carla Celestino

Todas as políticas desenvolvidas por um Governo têm sempre impactos na economia de cada empresa, de cada cidadão. É o ‘efeito borboleta’, basta um quase insignificante aumento ou desagravo de impostos para ditar uma quebra de receitas ou aumento de proveitos, a aposta em novos recursos humanos ou dispensa de outros, os incentivos às novas tecnologias ou o adiar de novos projectos… Mas o inverso também é válido. A economia e os grandes grupos económicos têm cada vez mais peso na vida política. Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, designado por “Valores, qualidade institucional e desenvolvimento em Portugal”, reve-

lou que a EDP, uma das empresas em análise, tem uma grande capacidade de influência político-económica junto do Governo e de diversas entidades públicas e privadas, ao ponto de mais facilmente ser a EDP a influenciar as decisões do Estado e dessas instituições que o inverso. Para tal muito contribui o facto de ser uma empresa estratégica para o País e de beneficiar de uma excelente rede de contactos pessoais e profissionais, nomeadamente por parte dos elementos da administração e de outros órgãos, junto do poder político. Independentemente de quem influencia quem ou o quê, o que importa é saber que caminhos


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se pode seguir. Importa saber, depois da sombra da crise e dos sinais de retoma da economia, por que ‘mares’ vai agora navegar o País. Habitação e IMI dominam Os vários partidos políticos com assento na As-

sembleia da República (AR) apresentaram, durante a sua campanha às recentes eleições, um programa eleitoral onde questões como a habitação, a reabilitação urbana, os impostos sobre imóveis, entre outros, estiveram em destaque. A coligação Portugal à Frente defende, para

os próximos quatro anos, que se dê uma maior atenção ao mercado do arrendamento, ao modelo de protecção social assente em subsídio de renda, à progressiva transferência de toda a gestão da habitação social para os municípios e à erradicação dos núcleos de habitações precárias. Ao mesmo tempo promove o alargamento do peso da reabilitação urbana no volume de negócios da construção civil através do Regime Excepcional de Reabilitação Urbana (RERU) e dos novos fundos europeus enquadrados no Portugal 2020. Já o Partido Socialista defende que o futuro próximo passa por uma nova geração de políticas de habitação que dê resposta às novas necessidades habitacionais que hoje se estendem à classe média, em particular aos jovens. Passa pela criação de bolsas de habitação acessível, seguro de rendas e prevenção das penhoras habitacionais. Passa também pela reabilitação urbana de edifícios e do espaço público e pela revisão do regime do arrendamento de forma a adequar o valor das rendas ao estado de conservação dos edifícios. O manifesto eleitoral do Bloco de Esquerda, por sua vez, apresentou aquilo a que designou por “revolução fiscal” e que se aplica ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), com a protecção das primeiras habitações e o fim da isenção dos fundos imobiliários. Exige igualmente a revogação da Nova Lei do Arrendamento Urbano e a suspensão imediata do regime de renda apoiada. O Partido Comunista considera que na construção civil é necessário repor um forte investimento, público e privado, destacando a reabilitação urbana, o re-arranque das obras das infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias paralisadas e em processo de degradação, a beneficiação e renovação das estradas nacionais e municipais, entre outros. Em matéria fiscal defende o alargamento da isenção de IMI para as famílias de muitos baixos rendimentos e com pessoas deficientes; e a introdução de uma cláusula de salvaguarda que limite a 75 euros/ano os aumentos de IMI em reavaliação do imóvel. Promover uma gestão eficiente do território é uma das bandeiras do novo partido na AR, o PAN (Pessoas-Animais-Natureza). A redução do número de municípios, a recuperação e investimento nas linhas ferroviárias, a construção vocacionada para reabilitação urbana, a revalorização do património cultural e a redução do número de licenciamentos para novas construções, são outras das acções que reivindicam para o País. Todos os partidos políticos colocam no centro da sua génese a reabilitação em detrimento da construção nova, a aposta na eficiência energética e em soluções mais sustentáveis e o au-


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mento da competitividade turística. Resta saber quais as políticas que vão efectivamente sair da gaveta. Empresas versus política Exposto tudo isto, uma pergunta se impõe: Em que medida a política influencia a actividade das empresas? O administrador da Garvetur, Reinaldo Teixeira, defende que a “economia não vai a votos e, por maioria de razão, as actividades como o imobiliário e o turismo, obrigatoriamente sintonizadas com os mercados, exigem uma resposta pró-activa”. Na sua opinião, “devido ao impacto das opções políticas particularmente no mercado internacional de investidores, nenhum político pode igno-

rar a importância estrutural daqueles sectores na economia. Aos empresários interessa consolidar questões estruturantes e evitar que as mesmas sejam objecto de permanente contestação. Só com esta atitude se pode responder aos novos desafios”. Já o presidente da Sotecnisol dá o exemplo da sua empresa. O facto de actuar na área da construção, água, ambiente e energia, “tem as suas actividades muito dependentes das grandes opções estratégicas do Estado”. Aliás, salienta mesmo que a “área do ambiente tem sido deveras influenciada pelas opções dos governos centrais, bem como pelas opções das câmaras municipais, bem como ainda pelas associações de municípios”. Para José Luís Castro “seria expectável e desejável que houvesse mais consistên-

cia nas políticas públicas de modo a criar um clima de maior estabilidade que criasse condições para o crescimento das empresas e fomentasse a criação de clusters fortes com maior potencial de internacionalização”. As constantes mudanças nas políticas públicas têm impacto nas decisões dos empresários. Ainda assim, é bom ver que existe um número significativo de empresas portuguesas a ter sucesso no País e no estrangeiro. All policies developed by a Government always have knock-on effects on the economy of every company and citizen. It’s called the “Butterfly Effect”, which means in this case that it’s enough for an almost insignificant increase or reduction of taxes to provoke a fall or increase in


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revenues, investment or not in new human resources (jobs), incentives or investment in new technology or postponement for new projects… and vice-versa. The economy and the large economic groups have an increasing influence in political life. A study from the Francisco Manuel dos Santos Foundation, entitled “Values, Institutional Quality and Development in Portugal”, revealed that EDP, one of the companies studied, has a significant capacity in influencing Government economic policy as the various public and private entities, to the point that it is just as likely for EDP to influence the decisions of the State and these institutions than the other way around. One of the reasons why is the fact that EDP is a strategic company for the country and benefits from an excellent network of personal and professional contacts, namely members of its board and other bodies with links to political power. Regardless of whom influences who what is important to know is the roads that can be taken. It’s important to know, after the shadow of the crisis and the signs of economic recovery, which seas Portugal should now navigate. Housing and IMI Property Tax dominate The various political parties in the Portuguese Parliament (Assembleia da República), presented, during their campaigns for the recent elections, electoral programmes where questions such as housing, urban rehabilitation, property tax, among others, took centre stage. The centre-conservative governing coalition PSD/CDS government headed by Pedro Passos Coelho and Paulo Portas under its slogan “Portugal in Front” (Portugal à Frente), argues that for the next four years attention must be given to the rental market, to the welfare state/ social protection model based on rent subsidies, the progressive transfer of all social housing management to the municipal councils and the eradication of precarious housing estates. At the same time it is promoting an increase in the impact of urban rehabilitation in the turnover of civil construction business via the Exceptional Urban Rehabilitation Regime (RERU) and the new European Union funds earmarked for Portugal 2020. Then the Socialist Party argues that the near future should have a new generation of housing policies to meet new housing needs that today extend out to the middle classes, in particular young people. It means creating accessible housing stock with secure rents with an absence of the threat of eviction and bailiffs. It also means the urban rehabilitation of buildings and public areas and a review of the rental laws

so as to peg rental charges to the state of conservation of buildings. The electoral manifesto of the far left-wing Bloco de Esquerda party, in turn, presented its policy which it called a “tax revolution” and which would applied to Property Taxes (Impostos sobre Imóveis - IMI), with protection for first-time buyers/renters and the scrapping of real estate exemption funds. Bloco Esquerda is equally calling for the New Urban Rental Law to be scrapped and an immediate suspension of the Assisted Rental Regime. The Communist Party (PCP) believes that strong investment in public and private civil construction is necessary to kick-start the economy, highlighting urban rehabilitation, restarting road and rail infrastructure projects put on ice during the end of the last Socialist PS party José Sócrates Government (2011), many projects of which have been left to deteriorate, half finished, and the renovation of national and municipal roads, among others. In tax matters the Communist Party defends widening IMI exemption for low-income families and the disabled; and the introduction of a protection clause with a 75 euros cap/ per annum on IMI property tax increases on property re-evaluation. Fostering efficient territorial management is one of the key policies of the new party in the Portuguese Parliament, PAN (People-AnimalsNature). Slashing the number of municipal authorities, refurbishing and investment in railway infrastructure, construction aimed at Urban Rehabilitation, investment and refurbishment in cultural heritage properties and a reduction in the number of planning permission permits for new-build are other policies put forward by this new party. All the political parties place urban rehabilitation at the centre of their property policies rather than new building; focusing on energy efficiency and more sustainable solutions while increasing tourism competitiveness. It still remains to be seen which polices actually get off the drawing board. Companies versus politics In the face of all these policies, one question begs answering: How far does politics influence company activities? The CEO of Garvetur, Reinaldo Teixeira, argues that the “economy doesn’t vote and therefore activities such as real estate and tourism, necessarily in synchrony with the markets, require a pro-active response. In his opinion, “because of the impact of policy options, particularly on the international market and foreign investors, no politician can afford to

Todos os partidos políticos colocam no centro da sua génese a reabilitação em detrimento da construção nova, a aposta na eficiência energética e em soluções mais sustentáveis e o aumento da competitividade turística. All the political parties place urban rehabilitation at the centre of their property policies rather than new building; focusing on energy efficiency and more sustainable solutions while increasing tourism competitiveness.

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ignore the structural importance of these sectors of the economy. Business leaders feel that it is important to consolidate structural questions and avoid that the same are subjected to permanent changes or threats. In other words they want policy stability. Only by this attitude can new challenges be met” he says. Then the Chairman of Sotecnisol cites the example of his own company. The fact that it operates in the areas of construction, water, the environment and energy, “means that its activities are highly reliant on the main strategic options of the State”. However, he actually stresses that the “environmental area has been particularly influenced by central government options, as well as by the choices of local municipal councils and even municipal associations”. For José Luís Castro “one would expect and desire more consistency in public policies so as to create a climate of greater stability that would create the conditions for companies to grow and foster the creation of strong clusters with a greater potential for internationalisation”. Constant chopping and changing in public policies have an impact on the decisions of business owners. Nevertheless, it’s good to see that there are a significant number of Portuguese companies which are enjoying success both at home and abroad.

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10 Metro Quadrado 14 OUT/NOV 2015

Aguirre Newman

Investimento em Portugal superior a 1.500 M€ Investment in Portugal Exceeds €1.5Bn


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Durante o ano de 2015 estima-se que serão investidos em Portugal um total superior a 1.500 milhões de euros, resultantes de cerca de 30 transacções, na sua grande maioria de origem internacional. Este valor contrasta com o montante de 826 milhões de euros investidos em Portugal no ano de 2014, representando um acréscimo superior a 90%. During 2015 an amount exceeding 1.5Bn euros is expected to be invested in Portugal, resulting from around 30 transactions, most of it from overseas. This amount contrasts with the amount of 826 million euros invested in Portugal in 2014, representing an increase of over 90%.

Volume de Investimento em 2005 – Q3 2015 (M Euros) Investment turnover in 2005 - Q3 - Q3 2015 (M Euros)

Fonte Source: Aguirre Newman

Na análise do investimento por sector de actividade, o sector de Centros Comerciais, destaca-se ao captar cerca de 42% do total de investimento

realizado no ano em curso. Segue-se o sector de Turismo com o registo de cerca de 30% do total de investimento realizado.

Volume de Investimento por Sector – Q3 2015 (%) Investment turnover per sector in 2015 - Q3 - Q3 2015 (%)

Fonte Source: Aguirre Newman


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Dos negócios realizados destaca-se a aquisição do portfólio dos centros comerciais Dolce Vita (Porto, Douro, Coimbra e Monumental), actualmente na posse dos bancos, pela LONE STAR FUNDS, representando cerca de 30% do investimento realizado em Portugal no ano transacto. No período em análise, no contexto europeu, assistiu-se a uma expansão do mercado de investimento imobiliário, por conta da maior disponibilidade de capitais dos fundos de investimento, das family offices e dos privados, e do incremento dos níveis de confiança. No que concerne ao mercado de investimento imobiliário nacional, a performance do ano 2015 reflecte um incremento da procura por parte dos fundos de investimento e por parte dos investidores privados e das family offices, os quais estão a ganhar quota de mercado, focando-se em imóveis de rendimento de pequena e média dimensão. Relativamente aos Fundos de Investimento Imobiliário (FII), Fundos Especiais de Investimento Imobiliário (FEII) e Fundos de Gestão de Património Imobiliário (FUNGEPI), segundo dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o valor sob gestão em Setembro de 2015 era de 11.546,7 milhões de euros (12.750,6 milhões de euros em Setembro de 2014) para um total de 246 fundos em actividade (251 em Setembro de 2014). Estes números indiciam uma redução da actividade dos fundos nacionais, tendo sido responsáveis por apenas 6% do valor de investimento realizado no ano transacto. Já o investimento estrangeiro representou 94% do total transaccionado no ano em curso, contra os 6% transaccionados por investidores nacionais, confirmando a retoma da tendência verificada no período 2006 - 2007, em que o volume de investimento estrangeiro suplantava o volume de investimento nacional. O ano de 2006 caracterizou-se por uma forte presença do investimento estranhe iro nototal de investimento ocorrido no nosso País, explicada pela aquisição da Amorim Imobiliária pela Chamartín ao Grupo Amorim e pela aquisição pela JP Morgan do Fundo Imodesenvolvimento, gerido pelo Imopólis. A origem do investimento ocorrido no nosso País em 2007 caracteriza-se igualmente por um peso importante da componente estrangeira, embora não tão acentuado como em 2006, justificado essencialmente pelas transacções realizadas com Centros Comerciais, Retail Parks e Solo. Escritórios O sector dos escritórios no ano de 2015, não foi o mais dinâmico do mercado imobiliário. Ainda assim, o interesse dos investidores continuou

Volume de Investimento por origem de Investidor 2005 a Q3 2015 (%) Investment turnover per Investor 2005 to Q3 - Q3 2015 (%)

Fonte Source: Aguirre Newman

na sua maioria centrado em imóveis localizados nas zonas Prime, desde que ocupados por bons inquilinos com contractos de arrendamento que traduzam compromissos de permanência por prazos longos (não inferiores a cinco anos). Como reflexo desta realidade, mais de 70% da área de escritórios actualmente em construção é em zonas Prime, apesar de se tratar de zonas consolidadas no que concerne à oferta. A prime yield média europeia sofreu um acentuado decréscimo de 2014 para 1º semestre de 2015, passando de 6,6% para 4,5%. À semelhança do resto da Europa, em Portugal a prime yield média desceu de 6,0% em 2014 para 5,50% no 1º semestre de 2015. Tal como tem vindo a acontecer nos restantes segmentos do mercado imobiliário, os escritórios têm despertado o interesse de novos investidores, devido à melhoria da conjuntura económica, resultando numa maior confiança no mercado português, e tornando-o mais desejável e competitivo. Industrial O mercado de investimento industrial registou um volume de investimento no ano de 2015 de cerca de 5% do total de investimento realizado, inferior ao volume de investimento registado durante o ano de 2014. O sector industrial é dos

que tem tido a pior prestação no corrente ano, para o que contribuiu a ausência de transacções de valor relevante. Os investidores internacionais têm sido os mais activos no mercado industrial durante 2015, explicado pela actual situação económica global e também pelo facto de este sector ter ainda uma dimensão pouco significativa no nosso País. A prime yield média europeia decresceu de 7,5% em 2014 para 6,65% no 1ºsemestre de 2015. A acompanhar a tendência da Europa, a prime yield média em Portugal baixou para 7,4% no 1º semestre de 2015. Este decréscimo é justificado pela confiança por parte de investidores, nacionais e estrangeiros no mercado português, bem como pela procura de activos rentáveis. Previsões para 2016 É expectável que o ano em curso encerre com valores de investimento registados ao nível dos melhores anos da última década, nomeadamente o período 2006-2007. Dificilmente o mercado de investimento em Portugal repetirá este comportamento num futuro próximo, com a excepção do ano de 2016, caso se venham a concretizar algumas intenções de venda já veiculadas pela imprensa (e.g. Sonae Sierra tenciona vender parte dos 21 centros co-


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É expectável que o ano em curso encerre com valores de investimento registados ao nível dos melhores anos da última década, nomeadamente o período 2006-2007. It is likely that the current year will close with recorded investment values at the level of the best years of the last decade, namely the period 2006-2007.

merciais que tem em Portugal, nomeadamente Colombo e Vasco da Gama em Lisboa e o NorteShopping em Matosinhos). Assim, mantendo-se o interesse da procura nos níveis actuais e a vinda para o mercado de um conjunto de activos que ‘alimentem’ essa procura, antevê-se um bom ano de 2016 para o investimento imobiliário nacional. During 2015 an amount exceeding 1.5Bn euros is expected to be invested in Portugal, resulting from around 30 transactions, most of it from overseas. This amount contrasts with the amount of 826 million euros invested in Portugal in 2014, representing an increase of over 90%. In an analysis of investment per activity sector, the Shopping Centres sector stands out as attracting around 42% of the total investment made this year. This is followed by the Tourism sector with around 30% of the total investment made. Of the deals made, the acquisition of the Dolce Vita shopping centre portfolio (Porto, Douro, Coimbra and Monumental), currently in the hands of the banks, by LONE STAR FUNDS, representing around 30% of the investment undertaken in Portugal for the transactional year. In the period under analysis, within the European context, there has been an expansion in the real estate investment market, due to the greater availability of real estate investment funds capital, family offices, and private funds and through increased confidence.

Regarding the national real estate investment market, the performance of 2015 reflects an increase in demand on the part of investment funds, private investors and family offices, which are gaining market share, focusing on small and medium size properties for rent. Regarding Real Estate Investment Funds (FIIs), Special Real Estate Investment Funds (REITs) and Real Estate Management Funds (FUNGEPI), according to data from the Portuguese Securities Market Commission, the amount under management in September 2015 was 11,546.7 million euros (12,750.6 million euros in September 2014) for a total of 246 funds in operation (251 in September 2014). These numbers show a reduction in the activity of national funds, having been responsible for just 6% of the investment value undertaken in the transactional year. Foreign investment represented 94% of the total transacted in 2015, compared with 6% transacted by national investors, confirming the recovery of the trend verified in the period 2006 - 2007, in which the turnover of foreign investment well exceeded the turnover of national investment. 2006 was characterised by a strong presence of foreign investment out of the total investment undertaken in Portugal, explained by the acquisition of Amorim Imobiliária by the Chamartín Group and by JP Morgan of Fundo Imodesenvolvimento, managed by Imopólis. The source of investment in Portugal in 2007 was characterised equally by an important foreign influence, although not to the same extent as in 2006, justified essentially by transactions on Shopping Centres, Retail Parks and Land. Offices The offices sector in 2015 was not the most dynamic sector in the Portuguese real estate market. Even so, investor interest continued to be centred overall on properties located in Prime Zones, providing they were occupied by good tenants with rental contracts that carried long-term contract commitments (not less than five years). As a reflection of this reality, over 70% of the area of offices currently under construction is in Prime areas, despite these being consolidated areas regarding supply. The European average prime yield suffered a sharp decrease from 2014 to the 1st half of 2015, going from 6.6% to 4.5%. Like with the rest of Europe, in Portugal the average prime yield fell from 6.0% in 2014 to 5.5% in the 1st half of 2015. As was the case in other segments of the real estate market, offices have fired the interest of new investors, due to the improved

economic climate, resulting in a greater confidence in the Portuguese market, making it more desirable and competitive. Industrial The industrial investment market recorded an investment turnover in 2015 of around 5% of total investment undertaken, less than the investment recorded in 2014. The industrial sector is one of the sectors that has had the poorest take-up in 2015, which has contributed to a lack of significant value and relevant transactions International investors have been more active in the industrial market in 2015, explained by the current global economic situation and also by the fact that this sector still doesn’t yet have a significant size in Portugal. The average European prime yield dropped from 7.5% in 2014 to 6.65% in the 1st half of 2015. Accompanying the European trend, in Portugal the average prime yield fell to 7.4% in the 1st half of 2015. This decrease is justified by the confidence shown by national and international investors in the Portuguese market, as well as from the demand for rentable assets. Forecasts for 2016 It is likely that the current year will close with recorded investment values at the level of the best years of the last decade, namely the period 2006-2007. It will be difficult for Portugal’s investment market to enjoy a repeat of this behaviour in the near future, with the exception of 2016, if some intentions to sell which have already been mooted by the press should come off (e.g. Sonae Sierra’s intention to sell part of the 21 shopping centres that it has in Portugal, namely Colombo and Vasco da Gama in Lisbon and NorteShopping in Matosinhos). So, maintaining the demand interest at current levels and the arrival on the market of a number of assets that “feed” this demand, a good year is predicted in 2016 for national real estate investment.


Metro Quadrado 14 14 OUT/NOV 2015

No Norte

Frontal mantĂŠm dinamismo In the North

Frontal maintains its dynamic performance


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A Frontal celebra este ano 25 anos de actividade imobiliária. A CEO Ana Palmeira revela o ADN da marca, a evolução do mercado e até onde querem chegar. This year Frontal celebrates 25 years of real estate business activity. Its CEO Ana Palmeira reveals the brand’s DNA, the development of the market and even where it wants to be. Que significado especial tem celebrar 25 anos de actividade imobiliária? É ter orgulho do nosso passado e a certeza do que queremos para o futuro. 25 anos tem sempre um significado importante para qualquer empresa, trata-se de uma vida de trabalho e dedicação. Sobre o passado, temos um percurso coerente e temos no nosso ADN valores sempre presentes: como a frontalidade, o carácter e a determinação. O respeito e a valorização dos nossos colaboradores estão sempre presentes, dando-lhes preparação e crescimento enquanto seres humanos e neste caso propiciar-lhes acções de desenvolvimento humano e, profissionalmente, criando oportunidades de crescimento, melhoria de condições e também de responsabilidade. Desta história faz também parte o facto de termos sido pioneiros no lançamento do conceito de Loja Imobiliária, quando em 1998 lançámos no mercado e pela primeira vez em Portugal 10 estabelecimentos comerciais que assentavam numa Rede de Lojas, desenvolvida segundo os modernos conceitos de distribuição de serviço e estruturada de acordo com o princípio de proximidade ao cliente. Já na altura a nossa rede de lojas era dotada de um sistema de consulta da carteira de produtos ‘tipo online’, no tempo em que não tínhamos net, e que permitia ao cliente conhecer todo o produto da empresa em qualquer ponto de venda. Ao longo do tempo estivemos sempre atentos às evoluções do mercado, pelo que temos vindo a fa-

zer as adaptações inerentes da própria evolução do sector e que nos tem permitido estar sempre na vanguarda da inovação. Hoje, e embora com uma estrutura funcional mais leve, temos a firme convicção de que estamos preparados para mais 25 anos. O que é hoje a Frontal e que importância tem a marca? A Frontal é uma marca viva. Sempre presente e reconhecida pela sua credibilidade, pela qualidade de serviços prestados, pelo seu carácter e pela sua dimensão. Ao longo destes 25 anos foram milhares de clientes com os quais fizemos negócios ou mantivemos relações comerciais, muitas entidades empresariais nomeadamente empresas promotoras, investidores, bancos, fundos de investimento, com as quais celebramos parcerias de colaboração e contaram sempre connosco no escoamento dos seus produtos e serviços imobiliários e de marketing. Acima de tudo é uma marca com uma forte implantação na região Norte cobrindo toda a Área Metropolitana do Porto e toda a região litoral até Caminha no Alto Minho. A Frontal está organizada em três vectores de actuação: a Frontal - Retalho, departamento distribuído geograficamente através das suas sucursais, essencialmente dirigido ao particular, vendedor e comprador; a Frontal - Empreendimentos, departamento especialista na comercialização de


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grandes edifícios; e a Frontal - Negócios, unidade dirigida às empresas e grandes negócios de produtos imobiliários específicos, indústria, comércio, serviços, turismo, etc.. Os indicadores económicos apontam todos para uma melhoria da situação de Portugal. Estão optimistas? Sim, estamos optimistas e julgo que, em geral, todos os actores do imobiliário têm razões para tal. Segundo os números que vão sendo conhecidos, apontam para um crescimento global que poderá ultrapassar os 25% de transacções face ao ano anterior. Como vê a crescente chegada de investidores estrangeiros a Portugal? Tem sido muito positivo para toda a economia e sobretudo para o imobiliário. Foi importante o lançamento dos programas ‘Gold Visa’ e ‘Residentes Não Habituais’. Conseguimos atrair investidores de muitas zonas do mundo e com isso dinamizar o sector. Estes investidores não se limitam ao investimento imobiliário, mas a todo um vasto consumo dentro de portas desde a indústria, ao comércio e serviços. É uma exportação fantástica que o País vende e que conseguimos desviar doutros países que também têm programas aliciantes. Apesar destes investidores se terem concentrado mais na região de Lisboa e Algarve, o Porto, Douro e Minho litoral começam a ser uma boa alternativa. Onde querem chegar? À liderança do mercado do Norte? A liderança forçosamente tem agregado o carácter e competência. Temos a acrescer um know-how invejável, não só pelo conhecimento adquirido mas por uma permanente irreverência quanto a aplicação de novas metodologias e aplicações e numa constante abertura a inovação. É nosso objectivo atingir o patamar da liderança na região Norte. Mas pretendemos que essa liderança seja reconhecida pela qualidade e inovação. Tratando-se de uma marca portuguesa, afirmamo-nos como empresa tradicional que actua segundo o conceito de empresa ‘UNA’, uma rede de lojas de distribuição de serviços com direcção única, o que faz de nós uma das maiores estruturas comercias a actuar no mercado com vantagens para o cliente e para os colaboradores. O nosso modelo de negócio está bem definido, ajustado naturalmente ao longo dos tempos. Preparamos as nossas equipes comerciais com o permanente desafio do seu próprio crescimento profissional e, desta forma, estamos em permanente preparação formativa de quadros para a abertura de novas lojas.

What special significance does celebrating 25 years in the real estate business hold for you? It means being proud of our past and the certainty of what we want for the future. 25 years is always a significant milestone for any company, it represents a life of work and dedication. As to the past, we’ve followed a coherent path and values are ever present in our DNA: such as straightforwardness, character and determination. Respecting and valuing our staff are always present, preparing them and helping them to grow as human beings and in this case providing them with human developmental activities and, professionally, creating opportunities for growth, improving conditions and also opportunities for responsibility. The fact that we’ve been pioneers in launching the concept of the Property Shop has also featured as part of this story, when in 1998 we launched onto the market for the first time in Portugal 10 commercial establishments based on a Network of Shops, developed according to modern and structured concepts of service distribution in accordance with the principle of client proximity. Already at that time our network of shops boasted an ‘online type’ product portfolio consultation system, at a time when we didn’t have Net, and enabled clients to discover all of the company’s products at any point of sale. Over time we’ve always been aware of market developments, in that we have made adaptations inherent to the actual development of the sector and which have permitted us to always be at the forefront of innovation. Today, and whilst with a lighter functional structure, we have the firm conviction that we’re prepared for the next 25 years. What is Frontal today and what importance does the brand have? Frontal is a living brand. Ever present and recognised for its credibility, the quality of services supplied, its character and dimension. Throughout these 25 years there have been thousands of clients with whom we’ve done business or retained commercial relations, many companies, namely developers, investors, banks, investment funds, with whom we are celebrating cooperative partnerships and who can always rely on us to dispose of their products, provide real estate services and marketing. Above all, it is a brand which is firmly rooted in the North region, covering the entire Porto Metropolitan Area and all of the coastal area as far as Caminha in the Alto Minho. Frontal is organised in three activity areas: Frontal - Retail, a department distributed geographically via its branch offices, essentially aimed at private clients, seller and buyer; Frontal - Ventures, a

department specialising in commercialising large buildings; and Frontal - Businesses, a unit aimed at companies and and large business operations involving specific real estate products, industry, commerce, services, and tourism, etc.. All economic indicators point to an improvement in Portugal’ situation. Are you optimistic? Yes, we’re optimistic and reckon, in general, all real estate players have reasons to be so. According to figures about to be released, these point to an overall growth that could exceed 25% in transactions compared to the previous year. How do you see the increasing number of foreign investors coming to Portugal? It has been very positive for the entire economy and particularly for real estate. The launch of the ‘Golden Visa’ and ‘Non-Habitual Residents’ programmes were important. We’ve managed to attract investors from many areas of the world and through this we’ve boosted the sector. These investors are not restricted to real estate investment, but a whole vast consumption at home from industry to trade and services. It’s a fantastic export that the country sells and that we’ve succeeded in channelling to other countries that also have attractive programmes. Despite these investors having concentrated more in the Lisbon and Algarve regions, Porto, the Douro and the Minho coast have begun to be a good alternative. What are your goals? To be market leaders in the North? Leadership inevitably involves both character and skill. We have to add an enviable know-how, not just from acquired knowledge but for a permanent irreverence when it comes to applying new methodologies and applications and being constantly open to innovation. It’s our goal to achieve a level of leadership in the North region. But we intend that this leadership will be recognised by quality and innovation. As a Portuguese brand, we see ourselves as a traditional company that operates according to the concept of an ‘UNA’ company, a network of services distribution shops with a sole direction, which makes us one of the largest commercial organisations operating in the market with advantages for both client and staff members. Our business model is well defined, naturally adapted over time. We prepare our commercial teams with the ongoing challenge of their own professional growth and, in this way, we’re permanently training teams to open new shops.


18 Metro Quadrado 14 OUT/NOV 2015

SIL 2015

Ano recorde A record year


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A organização do Salão Imobiliário de Portugal (SIL) não podia fazer melhor balanço da edição de 2015: 250 empresas participaram no evento, correspondendo a um aumento de mais de 40%. The organisers of Portugal’s premier property fair Salão Imobiliário de Portugal (SIL) couldn’t have achieved a better result for the 2015 edition: 250 companies took part in the event, corresponding to an increase of more than 40%.

Além do recorde de empresas participantes, a organização anunciou também que a edição deste ano teve uma forte adesão de público e profissionais. E quem por lá passou nos quatro dias de feira pôde confirmar essa realidade. O balanço é positivo, desde logo, pelo lado dos expositores profissionais cujos stands de maiores dimensões marcaram a fisionomia do espaço feirístico com as redes de mediação a destacar-se. Houve também novidades ao nível dos promotores imobiliários a prometer novidades e novos projectos para 2016/2017. Houve também quem fizesse negócio. Os leilões destacaram-se nas actividades desenvolvidas no âmbito do SIL. O leilão levado a cabo pela Euro Estates, que compreendeu dois leilões no SIL e um no Porto, rendeu 6,1 milhões de euros. Para se ter uma noção do negócio concretizado na operação de Lisboa, basta referir que, entre os imóveis comercializados com os valores mais caros, esteve um T2 localizado junto às Torres do Restelo pelo preço de 138 mil euros e um T3 em Oeiras pelo preço de 126 mil euros. O SIL é também um ponto de encontro e de debate das tendências mais recentes do imobiliário. É preciso dizer que os profissionais participaram activamente em acções como a conferência “Dificuldades e Oportunidades do Sector Imobiliário”, o speed networking com investidores franceses e chineses e os diversos workshops. Não se pode deixar de focar também o SIL Open Day, até porque se tratou de uma iniciativa inédita. Segundo a organização foi uma acção bem acolhida pelo público em geral e possibilitou, através do acesso gratuito, a captação do interesse de novos públicos que tiveram acesso a actividades como a Bolsa de Arrendamento ou o Espaço Família. Por fim uma ressalva para a 8ª edição dos Prémios SIL do Imobiliário cujo prémio Personalidade SIL 2015 foi atribuído a António Joaquim Gonçalves, como reconhecimento por toda a perseverança e consistência no sector imobiliário, assim como pelo seu contributo inequívoco para o imobiliário português e para a sua internacionalização. In addition to a record number of participating companies, the organisation also announced that the edition this year enjoyed the presence of a large number of professionals and members of the public. And anyone who went to the four-day event can confirm the truth of this. The balance was positive from both the points of views of the professional exhibitors who largesize stands filled the fair halls with the networks of estate agents particularly standing out. There were also developments in terms of real estate developers with the promise of news and new projects for 2016/2017. And there were people

there to do business. The auctions stood out from among the activities organised as part of SIL. The auction held by Euro Estates which comprised two auctions at SIL and one in Porto brought in 6.1 million euros. Just to have an idea of the business sealed at the Lisbon event, it’s enough to say that from among the properties sold with costlier price tags, there was a two-bed property by the Torres do Restelo which went for 138,000 euros and a three-bed property in Oeiras for 126,000 euros. SIL is also a meeting and debating point to discuss the latest trends in real estate. It should also be mentioned that professionals played an active part in activities such as the conference “Challenges and Opportunities in the Real Estate Sector”, speed networking with French and Chinese investors and various workshops. Mention should also be made of SIL Open Day since this was a unique initiative. According to the organisation is was an activity that was well-received by the general public and attracted the interest of a new public that had access to activities such as Rental Stock Market and Family Space. Finally a spotlight on the 8th edition of the SIL Real Estate Awards whose SIL Personality Award 2015 went to António Joaquim Gonçalves, in recognition for all his perseverance and consistency in the real estate sector as well as for his unequivocal contribution to Portuguese real estate and its internationalisation.


Opinião SIPI e SOCIMI: ilações da experiência espanhola de REIT SIPI & SOCIMI: lessons from the Spanish REIT experience

Hugo Nunes Sócio Partner Sofia Galvão Advogados

Com a aprovação do OE 2015, o Governo foi autorizado a aprovar o regime de instituição e regulamentação das sociedades de investimento em património imobiliário (“SIPI”). Iniciou-se assim – após aproximações fugazes do legislador (v.g., os FIIAH) – o caminho de adopção, entre nós, dos Real Estate Investment Trusts (“REIT”). Nessa sequência, o Executivo preparou uma proposta de DL com o regime de instituição, funcionamento e tributação das SIPI. Tal iniciativa não chegou contudo a ver a luz do dia. Ora, num tempo em que o investimento imobiliário é maioritariamente decidido por players institucionais, com base na análise objectiva das vantagens competitivas de cada ordenamento, a uma escala global, é útil atentar na experiência de REIT da nossa “concorrência imobiliária” directa, para perceber como o modelo pode influenciar a captação de capital estrangeiro. O caso espanhol constitui um excelente exemplo. Na verdade, o Governo Zapatero criou, em 2009, as Sociedades Cotizadas de Invérsion en el Mercado Inmobiliario (“SOCIMI”), cuja principal característica era, numa postura fiscalmente “defensiva”, a tributação das SOCIMI em sede de IRC, à taxa de 19% – ao arrepio da configuração tradicional dos REIT (veículo fiscalmente neutro; tributação sobre os dividendos, a distribuir regularmente e em percentagem substancial). O resultado não se fez esperar: de 2009 a 2012 foram criadas em Espanha… zero SOCIMI. Em 2012, o Governo Rajoy inverteu este estado de coisas, com uma profunda revisão do regime SOCIMI. Entre outros aspectos, consagrou o carácter neutro do veículo (tributação a 0% em sede de IRC, desde que 5% dos accionistas fossem tributados pelos dividendos a uma taxa mínima de 10%), a obrigatoriedade de distribuição mínima de 80% dos proveitos, numa base anual, bem como de 50% dos capital gains (conquanto os restantes

50% sejam reinvestidos num prazo de três anos) e a elegibilidade dos investidores não residentes à participation exemption. Mais: num descomplexado aceno à entrada e consolidação de investimento estrangeiro, passou a permitir-se que uma subsidiária integralmente detida por REIT estrangeiro desenvolva a sua operação espanhola, verificados determinados pressupostos de estruturação societária, num contexto isento de tributação. O resultado, desta feita com um modelo entendível e fiscalmente competitivo, não tardou. Dados de 2015: 14 SOCIMI criadas; valor combinado de transacções de 2.900 milhões de euros; valor cotado de mais de 6.000 milhões de euros; aumento do investimento imobiliário no mercado espanhol, por relação a 2014, de 164%. A ilação é clara (e relevantíssima): um modelo de REIT bem estruturado, reconhecível pelo investidor estrangeiro e fiscalmente competitivo estimula a captação de capital externo para o mercado imobiliário. Considerando que o modelo de SIPI em perspectiva pretendia, ainda que com algumas limitações, concorrer directamente com as SOCIMI, fica bem patente, no imediato e para o imobiliário português, a medida clamorosa da oportunidade perdida. With the approval of the Portuguese State Budget (OE) 2015, the Government was authorised to approve the regime setting up and regulating real estate patrimony investment trusts (”SIPI”) Thereby the way opened up - after tentative approaches from lawmakers (e.g., FIIAH - a closed real estate investment fund for rental property) - for the adoption of Real Estate Investment Trusts (”REITS”). Following on from this, the Government prepared a Government White Paper with a regime for setting up, operating and taxing SIPIs. That


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initiative, however, never saw the light of day. So, at a time in which real estate investment is mostly decided by institutional players, based on the objective analysis of the competitive advantages of each order and framework, on a global scale, it is useful to study the REIT experience of our direct “real estate competitor”, to understand how the model can influence attracting foreign capital. The Spanish case is an excellent example. Actually, the Zapatero Government created, in 2009, the Sociedades Cotizadas de Invérsion en el Mercado Inmobiliario (“SOCIMI”) - Listed Real Estate Investment Fund Companies devoted to Commercial Property Assets in Spain - whose main characteristic was, from a physically “defensive” position, the taxation of SOCMIs based on IRC, at a rate of 19% - instead of according to the traditional set-ups of REITS (a physically neutral vehicle; taxed on dividends, distributed regularly and with a substantial percentage). The result was hardly surprising: from 2009 to 2012 the number of SOCIMIs created in Spain were...zero. In 2012, the Rajoy Government turned this state of affairs around, by profoundly overhauling the SOCIMI regime. Among other aspects, is set the neutral character of the vehicle (taxation at 0% on IRC, when 5% of the shareholders were taxed on dividends at a minimum rate of 10%), the mandatory obligation to a minimum distribution of 80% of the proceeds, on an annual basis, as well as 50% of capital gains (whereas the

other 50% are reinvested within a three year period) with the eligibility of non-resident investors to enjoy exemption. Furthermore: in a straightforward nod to the entry and consolidation of foreign investment, it now permits a subsidiary wholly held by a foreign REIT can develop its Spanish operation, subject to certain conditions of corporate structuring, within a tax-free context. The result, this time with an understandable and physically competitive model, couldn’t have come sooner. Statistics from 2015: 14 SOCIMIs created; combined transactional value of 2.9Bn euros; listed value of over 6Bn euros; an increase in real estate investment in the Spanish market in relation to 2014, of 164%. The lesson is clear (and highly relevant): a wellstructured REIT, recognised by the foreign investor and physically competitive stimulates the attraction of outside capital to the real estate market. Considering that the SIPI model in its intended perspective, even with some limitations, competes directly with the SOCIMIs, it is extremely and immediately obvious and for Portuguese real estate, the extend of a golden opportunity lost.


Fio-de-prumo

Construção e Obras Públicas

Inversão do ciclo do sector Construction and Public Works

A turnaround in the cycle of the sector


23 14 OUT/NOV 2015

O ano de 2015 ficou marcado pelo início, ainda que ligeiro, de recuperação no sector da construção e obras públicas. O optimismo do sector está agora centrado em 2016, altura em que a produção poderá crescer acima dos 3%. 2015 was marked by the start of, although as yet slight, recovery in the construction and public works sector. The optimism of the sector is now centred on 2016, when production could grow above 3%. Texto Text: Carla Celestino

No final de 2014 vários especialistas vaticinavam uma inversão do ciclo do sector da construção em 2015, depois de 13 anos em queda. A previsão do crescimento da actividade variava, consoante os estudos, entre 1% e 2% para o corrente ano, estimativa que será consolidada em 2016. Este panorama é confirmado pelo presidente da Associação de Empresas de Construção Obras Públicas e Serviços (AECOPS) que considera 2015 como “o ano da viragem do sector da construção em Portugal. Depois de doze anos de quebras, verificou-se um acréscimo de 4.5% na produção nos primeiros seis meses do ano”. Para Ricardo Pedrosa Gomes esta “inversão da tendência resultou da melhoria da conjuntura no segmento residencial, reabilitação e construção nova, como resultado de um aumento da procura e do investimento externo e do acréscimo do crédito interno. Entretanto, a melhoria no segmento da habitação foi acompanhada por uma estagnação no ‘não residencial’ e por uma redução no investimento público”. Acresce também como factores potenciadores positivos a retoma económica, o plano estratégico de transportes e infra-estruturas e a reabilitação urbana que foram determinantes para este cenário mais optimista. Teve também influência o investimento estrangeiro no nosso País, os novos fundos comunitários no âmbito do programa Portugal 2020 e o plano Juncker.

De olhos postos em 2016 Mas nem tudo foram ‘rosas’. Entre os ‘espinhos’ da construção está o facto de ser um dos sectores que mais emprega em Portugal e dos que mais perdeu postos de trabalho. Segundo a Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CCPCI), nos últimos cinco anos, perderam-se 37 mil empresas e 360 mil empregos; ainda assim, actualmente, envolve 625 mil trabalhadores e 98 mil empresas correspondendo a uma importante fatia da economia e emprego do nosso País. A isto acresceu, em 2015, a crise do petróleo que afectou as construtoras portuguesas que fizeram a sua internacionalização através desses países, como foi o facto de Angola. Mas a nível interno parece reinar a esperança. E essa ‘luz ao fundo do túnel’ vislumbra-se também para 2016. Com efeito, o representante máximo da AECOPS acredita que no próximo ano se assistirá à “consolidação e ao reforço da actividade no segmento residencial”, bem como à “recuperação no não residencial”. Na sua opinião, “a disponibilidade de fundos comunitários pode contribuir para relançar o investimento público, que depende da evolução da situação política”. Assim, caso se verifique uma recuperação simultânea nos três segmentos, “2016 poderá ser o ano da consolidação da recuperação do sector, com a produção a crescer acima dos 3%”.


24 14 OUT/NOV 2015

At the end of 2014 various specialists were predicting a turnaround in the construction sector cycle in 2015, after 13 years in free-fall. The predictions for growth activity varied, depending on the studies, between 1% and 2% for the current year, an estimate that will be consolidated in 2016. This panorama has been confirmed by the President of the Association of Construction, Public Works and Services (AECOPS) which considers 2015 as a “turning point year for construction in Portugal. After 12 years of falls, an increase of 4.5% was seen in production in the first six months of the year”. For Ricardo Pedrosa Gomes this “reversal in the trend was the result of an improvement in the residential market, rehabilitation and new construction segments, as a result of an increase in demand and foreign investment and a growth in internal credit. Meanwhile, the improvement in the residential housing sector was accompanied by stagnation in the ‘non-residential’ sectors and a reduction in public investment”. Other positive factors driving economic recovery can be added too; - the strategic transport and infrastructure plan and urban rehabilitation were decisive for this more optimistic scenario. Foreign investment in Portugal also had an influence on Portugal, as did the new Community funds as part of Portugal 2020 and the Juncker Plan.

Eyes fixed on 2016 But it wasn’t all a bed of roses. The rose of construction also has thorns and one of these thorns is that the sector is among those which employ the most in Portugal and suffered the biggest loss in jobs. According to the Portuguese Confederation of Construction and Real Estate (CCPCI), in the past five years 37,000 companies went bankrupt and 360,000 jobs were lost; even so, the sector currently employs 625,000 workers and has 98,000 companies, representing an important slice of the economy and employment in Portugal. To this in 2015 was added the oil crisis which affected Portuguese construction firms that had expanded their international operations through these countries, as was the case in Angola. But at an internal level hope seems to be in the air. And this ‘light at the end of the tunnel’ will also shine for 2016. As a result, the head of AECOPS believes that next year will see a “consolidation and strengthening of residential sector activity”, as well as the “recovery in the non-residential” segment. In his opinion, “the availability of Community funds could contribute towards kick-starting public investment, which in turn depends on the development of the political situation.” Therefore, should there be a simultaneous recovery in the three segments, “2016 could be the year of consolidation in the recovery of the sector, with a production growing above 3%.”

2016 poderá ser o ano da consolidação da recuperação do sector, com a produção a crescer acima dos 3%. 2016 could be the year of consolidation in the recovery of the sector, with a production growing above 3%.


Azimute 26 14 OUT/NOV 2015

Energias renováveis

Negócio de 129 mil milhões de euros por ano Renewable energy

A business worth 129Bn euros per annum


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Portugal ocupa o segundo lugar no ranking dos países da União Europeia que produzem electricidade de origem eólica. Tal demonstra a determinação do País em tornar-se mais sustentável e em querer liderar um negócio que gera milhões. Portugal ranks second out of European Union countries which produce wind turbine generated ‘eolic’ electricity. This shows how the country is determined to become more sustainable and aims to be a world leader in a business that makes millions.

No início deste ano, a Comissão Europeia mostrou o caminho para se criar uma União Energética Europeia, no qual o sector das energias renováveis desempenha um papel vital. O próprio presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, assim o assegurou: “Quero que a energia sustente a nossa economia tornando-a resiliente, fiável, segura e cada vez mais renovável e sustentável”. As metas europeias traçadas passam pela criação e regulamentação de um mercado eléctrico europeu, atingir 10% de interligações eléctricas europeias até 2020 e diminuir a dependência energética em relação a países extra-comunitários. É preciso dizer que a aposta nas renováveis não se prende apenas com questões ambientais e de sustentabilidade do futuro, de evitar a importação de combustíveis fósseis ou a emissão de gases com efeito de estufa. Prende-se também com questões económico-financeiras e os números falam por si: este sector gera um volume de negócios de 129 mil milhões de euros por ano. Electricidade de origem eólica Os dados mais recentes do Eurostat, que remontam a 2013, revelam que, no seio dos países da União Europeia, Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking de incorporação de energias renováveis no consumo final bruto de electricidade (49,2%).

A produção de electricidade de origem eólica foi determinante para este posicionamento de Portugal. Com efeito, e nesta fonte renovável, o nosso País surge no segundo lugar (20,9%), sendo o primeiro lugar ocupado pela Dinamarca (29,5%). Segundo a Quercus e a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), em 2014, a produção de electricidade a partir de fontes renováveis em Portugal correspondeu a 62,7% do total energia eléctrica consumida, verificando-se um aumento de 6% em relação a 2013. Mas se se tiver em linha de conta apenas a produção nacional, então a contribuição das renováveis atinge o valor recorde de 63,8%. Para tal muito contribuiu a energia eólica e os sete novos parques que entraram em funcionamento no ano transacto. Mau grado, entre Janeiro e Setembro de 2015, a produção renovável abasteceu apenas 47% do consumo, com as eólicas a representarem 22% do consumo, ultrapassando as hidráulicas (18%), o que se ficou a dever ao período de seca. Em Agosto deste ano, verificou-se que o consumo de electricidade inverteu a tendência de crescimento que voltou a cair em Setembro. A variação anual no final do terceiro trimestre foi, no entanto, positiva em 0,1%, segundo dados da REN (Redes Energéticas Nacionais). O Boletim das Energias Renováveis, promovido pela APREN, revela que 2015 demonstrou “uma desaceleração do desenvolvimento de novas


28 14 OUT/NOV 2015

No seio dos países da União Europeia, Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking de incorporação de energias renováveis no consumo final bruto de electricidade (49,2%). Within the European Union Portugal comes third in the renewable energy ranking producing a final energy output of 42.2% from renewables.

centrais de fontes de energia renovável”, apesar do mercado externo mostrar interesse em investir neste sector no nosso País. Esta associação faz a ressalva para o facto de se terem adquirido empresas detentoras de centrais eólicas por grandes grupos económicos de capital estrangeiro, “um testemunho claro do reconhecimento do potencial existente”. Ainda assim, Portugal poderia estar melhor integrado em matéria de energias renováveis nas redes europeias, se não fosse, por exemplo, o bloqueio de França à energia produzida no nosso País. Refira-se ainda que, no âmbito dos novos fundos comunitários, vão estar disponíveis para Portugal 130 milhões de euros para estudar e testar as novas tecnologias destinadas à produção de novas energias renováveis. At the start of this year, the European Commission led the way for the creation of a European Energy Union, in which the renewable sector plays a vital role. The current President of the European Commission, Jean-Claude Juncker said as much: “I want the energy that sustains our economy to become more resilient, reliable, safer and increasingly more renewable and sustainable”. The European guidelines that have been traced out include the creation and regulation of a Eu-

ropean Electricity Market which will embrace 10% of all European electrical interlinks by 2020 and reduce the EU’s energy dependency on non-EU countries. It needs to be said that investing in renewables not only has to do with environmental issues and future sustainability, but avoiding importing fossil fuels and creating greenhouse gases ad the resulting greenhouse effect. It also has to do with economic and financial questions and the figures speak for themselves: this sector generates a business volume turnover of 129Bn euros per annum. Wind turbine generated electricity The latest Eurostat statistics from 2013 show that within the European Union Portugal comes third in the renewable energy ranking producing a final energy output of 49.2% from renewables. Electricity generation from wind turbines was a deciding factor for Portugal’s position in the ranking. As a consequence, from this renewable source of energy, Portugal ranks in second place (20.9%), Denmark coming in first. According to Quercus and the Portuguese Association for Renewable Energies (APREN), in 2014 electricity production from renewable sources in Portugal represented 62.7% of total electrical energy consumed, revealing a 6% increase on 2013. But if national production alone

is taken in account, then renewable energy accounts for a record 63.8% wind turbine energy contributed considerably towards this and the seven new wind farms that came on line this year. Nevertheless, between January and September 2015, renewable production fuelled only 47% of consumption, with wind turbines representing 22% of consumption, overtaking hydraulic energy production (18%), which is largely down to the drought period. In August this year, electricity consumption inverted the growth trend by falling once again in September. The annual variation at the end of the third quarter was, however, in positive territory at 0.1%, according to date from the Portuguese electricity network company REN ((Redes Energéticas Nacionais). The Renewable Energies Bulletin produced by APREN, reveals that in 2015 there was a clear “slow-down in the development of new power stations using renewable energy sources”, despite the external market showing interest in investing in this sector in Portugal. This association highlights the fact that large economic groups with foreign capital have bought up wind turbine companies, “a clear testament of recognition of existing potential”. Even so, Portugal could be better integrated into the European network in matters concerning renewable energies if it weren’t, for example, France’s blockade of energy produced in Portugal. Furthermore, it should also be mentioned that as part of the new Community funds, 130 million euros will be earmarked for Portugal to study and test out new technology for new forms of renewable energy production.


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Atelier 30 14 OUT/NOV 2015

Opera | Design Maters

“Opera” diz tudo “Opera” says it all


31 14 OUT/NOV 2015

Quem dá a um atelier de arquitectura o nome de ‘Opera’ tem necessariamente que ser diferente. E podem estar certos disso. Os nossos convidados desta edição são especiais. Whoever gives an architects’ office the name ‘Opera’ necessarily has to be different. And that you can be sure of. This issue’s invited guests are special. Texto Text: Joaquim Pereira de Almeida

José Soalheiro e Teresa Castro – que hoje têm mais quatro sócios – estão na génese do Gabinete, cuja actividade remonta a 1987, na altura com outra designação. Durante vários anos os seus projectos partiam sempre de concursos, na maior parte dos casos para obra pública. Fizeram um pouco de tudo. Como diz Soalheiro “tocámos todos os violinos”. Só em 2001 se viraram mais para o sector privado tendo o crescimento da estrutura e o volume da encomenda crescido sempre. Com o novo século veio a actual marca ‘Opera’ e um gigantesco salto para a internacionalização. Portugal começava a ficar cada vez mais pequeno e as oportunidades em diversas partes do mundo eram muitas. Desde logo, Angola onde trabalham desde 2005 e onde têm um curriculum muito importante. Mas não só. Moçambique, Marrocos, Dubai, Brasil e Panamá foram também destino dos arquitectos, cujo trabalho e profissionalismo foram sempre muito apreciados. No seu percurso há, neste momento, um problema muito sério: Angola. A crise naquele país, que eles conhecem profundamente, veio a afectar

imenso o atelier. José Soalheiro frisa que a sua equipa “não é paraquedista” e que jamais pretendem “impor os nossos valores culturais”. Na terra de Agostinho Neto a questão mais grave foi outra. A maioria dos projectos em que estavam envolvidos eram encomendas de empresas do Grupo Espírito Santo. Não será preciso dizer muito mais porque é conhecido o que sucedeu a essa entidade. Isto afectou naturalmente o gabinete mas ninguém baixou os braços. Habituados a fazer pequenos e grandes projectos, gostam de desafios complexos. Hospitais, hotéis, escritórios, já fizeram um pouco de tudo. Este ano houve um caso particular que lhes “encheu o ego”. O ‘Opera’ recebeu uma Menção Honrosa, entre mil ateliers de 40 países pelo projecto de dois lotes no Parque das Cidades, em Ruichang, na China. Tratou-se naturalmente de um concurso internacional, o que valorizou imenso o projecto português. Os responsáveis do atelier - que emprega 18 pessoas e que tem, também, uma componente de design - estão conscientes de que os tempos


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não são fáceis porque “a crise não é só portuguesa, vai até à China”. José Soalheiro and Teresa Castro - which today has a further four partners - started up this architects’ office, which goes back to 1987, when it had a different name at that time. For many years their projects were the fruit of contract bids, in most cases for public works projects. They turned their hands to a little bit of everything. As Soalheiro says “we all played the violins”. It was only in 2001 that they turned their attentions more to the private sector with the consistent growth of the company and its project turnover. With the new century the ‘Opera’ brand has made a huge leap forward into internationalisation. Portugal began to be increasingly smaller and the opportunities in various parts of the world were legion. First up, Angola where they’ve been working since 2005 and boast an important curriculum of work. But that’s not all. Mozambique,

Morocco, Dubai, Brazil and Panama were also countries in which these architects have been working in, and where their work and professionalism have always been very much appreciated. Along their road there is a very serious stumbling block at the moment: Angola. The crisis in Angola, which they know very well all about, has had a huge impact on this firm of architects. José Soalheiro stresses that his team “are no parachutists” and never aim to “impose our cultural values”. In the land of Agostinho Neto - António Agostinho Neto (September 17, 1922 – September 10, 1979) served as the first President of Angola (1975–1979), having led the Popular Movement for the Liberation of Angola (MPLA) in the war for independence (1961–1974) - the more serious issue is something else. The majority of the projects the firm has been involved in were orders from Espírito Santo Group companies - part of the Portuguese banking empire that collapsed in August 2014 (On 3 August 2014, Banco de Portugal, Portugal’s central bank, announced a

€4.4 billion bailout of BES that heralded the end of BES as a private bank. The bailout was funded by the Portuguese Resolution Fund. The bank was split into a healthy bank, Novo Banco, while the toxic assets remain in the existing bank.) This obviously affected the architects’ but they didn’t take it lying down. Used to undertaking small and large projects, they like complex challenges. Hospitals, hotels, offices, they done a bit of everything. This year there has been a case in particular that has filled them with pride. “Opera” received an “Honorary Mention” from among 1,000 architects offices in 40 countries for a project involving two plots of land in the Park of the Cities in Ruichang, China. This was naturally an international competition, which valued the Portuguese project immensely. The partners at the architects - an atelier which currently employs 18 people and which also has a design component - are aware that times are not easy since “the crisis isn’t just affecting Portugal, it is affecting China too”.


34 Ventos do Norte 14 OUT/NOV 2015

Segmento de luxo

J. Camilo avanรงa com novos projectos The luxury segment

J. Camilo proceeds with new projects


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No limiar do século XXI contavam-se, pelos dedos de uma mão, os promotores apontados como sendo uma referência na construção de qualidade na cidade do Porto. O J. Camilo era um deles. At the turn of the XXIst century you could count the developers considered to be a reference for quality construction in Porto on the fingers of one hand. O J. Camilo was one of them.

Texto Text: Elisabete Soares

Não é de admirar, por isso, que, no início de 1999, Joaquim Camilo afirmasse que os 87 apartamentos do empreendimento Boapor 1 - que estavam em início de construção - estivessem já “vendidos”. Na realidade, o empreendimento de gama alta, localizado na Rua Pedro Hispano, em frente ao Hotel Sheraton, e com projecto do conceituado arquitecto João Paciência apresenta, quinze anos depois, a mesma monumentalidade e beleza na fachada, conseguida, especialmente, pela aplicação dos mármores e granitos. Com um percurso de 43 nos, a J. Camilo construiu centenas de habitações destinadas a um segmento alto de clientes. “Cerca de 1500 em Gaia; 600 no Porto; 120 na Maia; 100 em Vila do Conde e 60 em Famalicão”, enumera com satisfação Joaquim Camilo. E a agora? Bem agora, “vamos começar a construir novos edifícios, no Porto, sempre no segmento de luxo, destinados a clientes de gama alta”, diz. “Um desses empreendimentos terá entre 60 a 80 unidades e irá iniciar-se, em princípio, em Março/Abril próximo. Um segundo será para 2017”, destaca. Na sua opinião, esta crise acabou com uma classe média, que “devia existir para equilibrar a economia, mas já não existe”. Para trás ficou a fase menos boa do sector imobiliário. “Demos um passo atrás, para dar dois à frente”, desabafa. E os responsáveis, na sua opinião, foram “o excesso de pessoas que não tinham nada a ver com a promoção”. Alerta, contudo “a banca por vezes também auxiliou pessoas que não devia”. Mas, “não podemos acusar de ser a banca que provocou a crise”.

Joaquim Camilo considera que ainda estamos numa fase de contenção e “há que subir degrau a degrau”. A reabilitação de pequenos prédios é uma aposta já materializada na Baixa do Porto, onde o grupo J. Camilo tem alguns imóveis. “O objectivo é vender, mas também colocar no arrendamento turístico, aproveitando a maior procura que existe, impulsionado pelos voos low-cost”, destaca. “Mas queremos fazer uma boa reabilitação. Não é colocar um bocado de pladur e tinta e nada mais, como se faz por aí”, desabafa. It’s therefore not surprising that at the start of 1999, Joaquim Camilo confirmed that the 87 apartments in the Boapor 1 development - on which construction had just started - were already “sold”. Not surprisingly, the luxury development, in Rua Pedro Hispano, in front of the Hotel Sheraton, and designed by the famous architect João Paciência, 15 years on, featured the same monumental characteristics and lovely façade achieved by using marbles and granite. With a career spanning 43 years, J. Camilo has built hundreds of residential housing aimed at the luxury segment. “Around 1,500 in Gaia; 600 in Porto; 120 in Maia; 100 in Vila do Conde and 60 in Famalicao”, says Joaquim Camilo, totting them up with satisfaction. And what now? Now, “we’re starting work on building nine buildings, in Porto again for the luxury market, aimed at upper middle class clients”, he says. “One of these developments will have between 60 and 80 units and work will


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Opinião Opinion Elisabete Soares Saraiva Jornalista Journalist

Imobiliário mais longe da retoma? Is the property market far from recovery?

start at the beginning of March/April 2016. A second is slated for 2017”, he adds. In his opinion, the economic crisis decimated the middle class, that “should balance the economy, but doesn’t exist now”. That left in its wake a less than good phase for the real estate sector. “We took a step backwards in order to take two steps forward”, he admits. And those responsible, in his view, were the “the excess of people who had nothing to do with developing”. He points out, however that “the banking sector at times also lent money to people it shouldn’t have”. But, “we can’t point the finger at the banking sector for causing the crisis”. Joaquim Camilo believes that the market is still going through an adjustment and contraction phase and needs to “recover again step-bystep”. The restoration of small buildings has been a focus in Porto’s down-town Baixa area where the J. Camilo Group has some properties. “The goal is to sell, but also for rental in the tourist market, taking advantage of the existing greater demand, driven by low-cost flights,” he points out. “But we want to carry out good quality refurbishment. It’s not about simply putting up a bit of plasterboard and a lick of paint, as is often the case these days around here”, he concludes.

Nos meses de Abril e Maio muitos acreditavam que 2015 ia ser o ano da retoma do imobiliário. Mas agora, chegados quase ao final do ano, há demasiadas nuvens escuras no horizonte que turbam essa visão tão optimista. E sem querer tecer comentários à confusa e irreal situação política que vivemos neste momento, a verdade é que, seja qual for o resultado desta contenda, já há efeitos negativos que não podemos ignorar. A instabilidade que está a provocar pode ter adiado irremediavelmente a retoma que o País estava a iniciar. Pelo menos a nível do sector imobiliário. Nas últimas semanas foram vários os profissionais, promotores e investidores que alertaram para as maiores dificuldades em investir, num país cujo rumo é agora incerto. A juntar a esta situação estão as dificuldades já nossas conhecidas, derivadas de uma teia de leis e regulamentos, assentes numa burocracia que teima em persistir e que continua a dificultar a concretização de mais e melhores operações de investimento. É mesmo com algum cepticismo que acreditamos que sectores como a construção – um dos que bem pode dizer-se bateu no fundo – vão conseguir reanimar-se nos próximos anos. É que, apesar de continuarmos a ouvir falar do potencial que apresentam segmentos como a reabilitação urbana, a verdade é que passam os meses e os responsáveis políticos continuam a ‘bater na mesma tecla’ dos apoios e dos financiamentos que vão chegar … mas nada. Reis Campos, presidente da FEPICOP, numa conferência recente - e esfriando a onda de optimismo dada pelos responsáveis políticos presentes - conclui, “nós não estamos a aproveitar a dinâmica dada, especialmente, pelo Turismo. É que há muitos investidores estrangeiros que tentam investir em Portugal, mas não conseguem”.

In April and May many believed that 2015 would be the year when the Portuguese property market recovered. But now, as the year draws to a close, there are too many dark clouds on the horizon that are obscuring this rather optimistic view. And without wanting to make comments on the confusing and unreal political situation we’re seeing at the moment, the truth is that whoever ultimately wins power, there have already been negative effects that can’t be overlooked. The political instability that this is causing may have irreparably stalled the recovery that Portugal had begun. At least at the real estate sector level. In recent weeks various professionals, developers and investors have been warning about the greater difficulties of investing in a country whose direction is now uncertain. To add to this situation are the already well known difficulties stemming from a web of laws and regulations based on bureaucracy that stubbornly persists and continues to make life difficult when trying to achieve more and better investment operations. And it’s even with some scepticism that we believe that sectors such as construction - one that we can really say hit rock bottom - will manage to pick themselves up again in the coming years. And despite continuing to hear about the potential that segments such as urban rehabilitation offers, the truth is that months have gone by and political leaders are continuing to “play the same old tune” about the support and financial grants that will arrive ... But nothing. Reis Campos, President of FEPICOP (Portuguese Federation of the Construction Industry and Public Works), at a recent conference - poured cold water on the wave of optimism from the political leaders present - concluded, “we’re not at all taking advantage of the dynamic environment, especially from Tourism. And there are many foreign investors trying to invest in Portugal, but don’t seem to be able to”.


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Broadway Malyan

Arquitectura global Global architecture Trump Tower - Manila


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Mann Island - Reino Unido

No ancestral edifício da Estação do Rossio, onde se encontram os escritórios de Lisboa do ateliê de arquitectura da Broadway Malyan, fomos ao encontro da Main Board Director Margarida Caldeira. O que descobrimos foi um fabuloso mundo novo da arquitectura global. In the historic building of Rossio Station are the Portugal offices of the award-winning international architecture, urbanism and design practice Broadway Malyan. We interviewed Main Board Director Margarida Caldeira. What we discovered was a fabulous new world of global architecture.

Texto Text: Carla Celestino

A primeira hora do dia no ateliê da Broadway Malyan é de um frenesim contagiante. São arquitectos muito bem focalizados no que estão a fazer, são plantas a passar de mãos em mãos e são diferentes idiomas a ecoar pela sala de reunião. Em jogo está a participação num concurso no Dubai. Para conquistar mais um projecto, o ateliê de Lisboa recebeu os melhores membros da sua equipa na área de shopping centers oriundos de Singapura, do Dubai, de Londres e de outras geografias. Mas se pensa que só se reunindo toda a equipa num mesmo local é possível desenvolver projectos globais, desengane-se. Margarida Caldeira, que possui 30 anos de experiência profissional, 20 dos quais a liderar os destinos da Broadway Malyan em Lisboa, e que nos últimos cinco anos encontra-se a administrar os ateliês da capital portuguesa e da cidade brasileira de São Paulo explica como é possível gerir “um universo separado por um oceano”. Na sua opinião, “é mais uma barreira psicológica que física”. Com efeito, esta barreira oceânica não se sente em relação aos resultados que têm obtido e o segredo do seu sucesso deve-se ao facto de “ter uma equipa muito boa e em quem confia”. Uma equipa que “quer esteja no mesmo local físico, quer esteja à distância de uma chamada telefónica, está sempre em sintonia e em comunicação”, pelo que não existem fronteiras à gestão de ambos os locais. As “novas tecnologias também contribuem para o aproximar da equipa e dos trabalhos”, acrescenta. E por falar em avanços tecnológicos… uma das tendências da arquitectura será, segundo Marga-

rida Caldeira, a utilização da ferramenta Building Information Modeling. Em termos práticos significa que o BIM é utilizado por toda a equipa e “nos projectos, principalmente nos grandes projectos que são complexos e têm muitas valências, permite uma melhor coordenação entre a arquitectura e todas as engenharias e especialidades” e permite também “minimizar problemas de construção no futuro”. Refira-se que o BIM já é obrigatório nos edifícios públicos de Singapura ou de Inglaterra mas em Portugal e no Brasil ainda não é. Pelo facto da Broadway Malyan trabalhar em diferentes locais do globo já possui, desde 2014, esta ferramenta e uma equipa de trabalho nesta área. Trabalhar em rede tem permitido à Broadway Malyan Lisboa/São Paulo desenvolver extraordinários projectos de arquitectura, quer seja em Portugal, no Brasil, Paraguai, Peru, Angola, Moçambique, Qatar, Dubai, Abu Dhabi, Índia, Azerbaijão, Dinamarca, Alemanha ou Polónia. Desafios para os arquitectos Margarida Caldeira é muito atenta e sensível às questões globais, até porque o seu gabinete está presente em diversas geografias. Por isso, tendo em conta a realidade dos países em vias de desenvolvimento, onde se prevê a triplicação da área de construção urbana até 2050, afirma que tal “representa para os arquitectos um desafio e uma responsabilidade”. Para se perceber melhor as exigências deste fenómeno, recorda que “o ser humano criou metrópoles e algumas delas cresceram em dimensão mas dimi-


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Em cima: Masterplan Warszawa Glowna - Polónia Em baixo: Masterplan Luanda 2030 - Angola

nuiram a sua qualidade de vida, o que nos obrigou a pesquisar e a desenvolver soluções no sentido de repensar as cidades, nomeadamente em termos de uma mobilidade mais eficaz, da eficiência energética, da diminuição da poluição, da adaptação das novas tecnologias aos espaços públicos, de privilegiar o andar a pé e as ciclovias, etc.”. Por outras palavras, “temos de aprender com esses erros para que as próximas cidades, quer sejam novas, quer sejam projectos de regeneração urbana, atinjam uma melhor qualidade de vida para as gerações existentes e futuras”. O facto de vários “países estarem também a alterar a legislação nestas matérias” e os “promotores estarem a pôr em marcha as boas práticas” também contribui para melhorar as cidades em que vivemos.

A Broadway Malyan não ‘prega’ apenas estas palavras, emprega-as no seu dia-a-dia. A filosofia de sustentabilidade e tecnologia faz parte da alma deste ateliê e cada membro da sua equipa olha para o local onde vai nascer um novo projecto de arquitectura não a partir do olhar de alguém estranho mas antes de alguém que sente e vive esse mesmo local. Isso está patente no projecto do Dubai, inicialmente mencionado, mas também em todos os seus projectos. Mas como o melhor se guarda para o fim…, Margarida Caldeira faz questão de dizer com um sorriso rasgado que “algo muito interessante está a acontecer em Portugal”, é que “de repente começámos a ter bastantes projectos em Portugal”. No ano passado a facturação em Portugal em relação à facturação total não chegava aos 5% mas, neste momento, Portugal juntamente com Angola e Emiratos Árabes Unidos estão a níveis muito semelhantes. O nosso País cresceu no pipeline de trabalhos da Broadway Malyan o que faz denotar que existe “entrada de investimento”, embora mais vocacionado para projectos de regeneração urbana do que de ‘green fields’. “Acredito que em Portugal e no resto da Europa consolidada esta vai ser a tendência”, conclui. From 9am sharp you feel a contagious frenetic energy at Broadway Malyan. These are architects who are very focused on what they are doing; blueprints are being passed from hand to hand while different languages echo around the meeting room. At stake is a share in a Dubai tendering

bid. In order to win another project, the Lisbon atelier gathers together the best members of its shopping centre architects team from Singapore, Dubai, London and other locations. But if you thought that just by getting a team together in one place makes it possible to develop global projects, you’d be wrong. Margarida Caldeira, who has 30 years of professional experience, 20 of which at the helm of Broadway Malyan in Lisbon, and who in the past five years has become a director of the offices in the Portuguese capital and the Brazilian city of São Paulo, explains how you can run “an architectural empire separated by an ocean”. In her opinion, “it’s more of a psychological barrier than a physical one”. As a consequence, one doesn’t feel this ocean barrier in relation to the results obtained and the secret of Broadway Malyan’s success is down to the fact that “she has a very capable team and one that she can rely on”. A team which, “whether in the same physical location, or a phone call away, is always in synchrony and communication”, so that there are no borders when it comes to managing both locations. “New technology” has also contributed towards bringing the team and projects together”, she adds. And talking about technological advances...one of the trends of architecture is, according to Margarida Caldeira, the use of the tool Building Information Modelling. In practical terms it means that BIM is used by the whole team and “in the projects, mainly large complex projects that have various facets, enabling us to improve coordination between the architecture and all the engineering aspects and


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No ano passado a facturação em Portugal em relação à facturação total não chegava aos 5% mas, neste momento, Portugal juntamente com Angola e Emiratos Árabes Unidos estão a níveis muito semelhantes. Last year turnover in Portugal in relation to total invoicing barely reached 5% but, at the moment, Portugal along with Angola and the United Arab Emirates, is enjoying very similar levels of turnover.

Masterplan Cabo Ledo - Angola

specialities” while also enabling “construction problems to be kept to a minimum in the future”. It should be mentioned that BIM is now mandatory for public buildings in Singapore and the United Kingdom but not yet in Portugal or Brazil. Because Broadway Malyan works in different locations around the world it has had this tool and a team working in this area since 2014. Working as part of a chain has enabled Broadway Malyan Lisbon/São Paulo to develop extraordinary architectural projects, whether in Portugal, Brazil, Paraguay, Peru, Angola, Mozambique, Qatar, Dubai, Abu Dhabi, India, Azerbaijan, Denmark, Germany or Poland. Challenges for the architects Margarida Caldeira is very conscious of and sensitive to global issues given that Broadway Malyan is in so many different geographical locations. Which is why, taking into account the reality of developing countries, where the urban construction area will triple by 2050, she states that this represents “a challenge and a responsibility for architects”.

mistakes so that the next cities, whether new or urban regeneration projects, achieve a better quality of life for existing and future generations”. The fact that various “countries are also changing their legislation in these matters” and that developers are putting best practices forward” has contributed towards improving the cities we live in. Broadway Malyan doesn’t just pay lip-service to these words, it practices them in its day-to-day work. The philosophy of sustainability and technology makes up part of the soul of this atelier and each member of its team examines the location where a new architecture project will arise not from a stranger’s point of view, but rather from someone who lives in this same place and experiences it. This is evident in the Dubai project, mentioned earlier, but also in all of its projects. But since the best is reserved for last..., Margarida Caldeira makes a point of saying with a grin that “something very interesting is happening in Portugal”, and that “all of a sudden we’re beginning to have quite a few projects in Portugal”. Last year turnover in Portugal in relation to total invoicing barely reached 5% but, at the moment, Portugal

To better understand the demands of this phenomena, it’s worth noting that “humans have created metropoli and some of these have grown in size but their quality of life has fallen, which has forced us to research and come up with solutions in the sense of rethinking cities, namely in terms of more effective mobility, energy efficiency, reducing pollution, adapting new technology to public spaces, emphasising walking and cycleways, etc”. In other words, “we have to learn from these

along with Angola and the United Arab Emirates, is enjoying very similar levels of turnover. Our country has grown in terms of the number of Broadway Malyan projects in the pipeline which means that there “is investment coming in”, although more directed towards urban ‘brown field’ regeneration projects rather than ‘green field’ projects. “I believe that in Portugal and in the rest of Europe this trend is set to continue”, she concluded.


Do Mundo

Munique

EXPO REAL no seu melhor Munich

EXPO REAL at its best


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Munique voltou a acolher mais uma edição da EXPO REAL, a maior feira imobiliária da Europa. Quase 38 mil visitantes de 73 países, dos vários continentes, juntaramse de 5 a 7 de Outubro para se conhecerem, para aprofundarem relações já existentes, para fecharem negócios. Munich once again hosted another edition of EXPO REAL, Europe’s largest property fair. Almost 38,000 visitors from 73 countries, from various continents gathered together from 5 to 7 October to get to know one another, deepen existing relationships and clinch business deals.

Texto Text: Joaquim Pereira de Almeida Fotos Photo: Anabela Loureiro

Este ano o conceito de Networking estava em cima da mesa e era um ponto de honra da organização, sempre impecável, como é normal da Alemanha. Em relação à sua ‘concorrência’” este certame distingue-se, desde logo, pela postura da esmagadora maioria dos seus participantes. Não há ‘show off’ como em outros sítios e sente-se que as pessoas estão ali para trabalhar a sério. O actual momento do imobiliário da Europa, que regista francas melhorias, propicia exactamente esta postura. Tudo está empenhado em algo, há metas concretas para cumprir, ninguém ‘está a brincar em serviço’. Nós diríamos que no conjunto de toda esta iniciativa há talvez uma componente menos apelativa: a EXPO REAL está algo ‘germanizada’, o que não deixa de ser natural porque tem lugar na Alemanha que, só por si, é um mercado gigantesco. Há, todavia, uma oferta muito diversificada de oportunidades em todas as disciplinas do imobiliário. Estão presentes os ‘grandes’ e os de menor dimensão, o que, como é evidente, origina negócios de diferentes escalas.

Portugal, enquanto país expositor, voltou a estar ausente. Considero que o modesto stand de Lisboa representa um louvável esforço da Câmara da capital mas que não representa, nem de perto, nem de longe, a oferta imobiliária nacional. Este é um problema muito, muito antigo e que não tem nada a ver com o que foi feito. Provavelmente se fosse uma feira para vender vinho ou sapatos, haveria todos os apoios possíveis e imaginários. Mas como se trata de imobiliário não há dinheiro para investir na promoção de um país fantástico como o nosso. Sempre foi assim e é pena. Justiça seja feita a tantos empresários e gestores nacionais que lá se deslocam para trabalhar e que nos dizem, de uma forma geral, com resultados muito positivos. Eles são uns heróis. Portanto aqui fica a sugestão: No Outono de 2016 agende uma deslocação a Munique e vai ver que não perde nada. Pelo contrário. This year the Networking concept was very much on the table and was particularly well and impeccably organised as always and in true German fashion.


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In relation to its competitors, this international trade fair stands out right away for the attitude shown by the overwhelming majority of its delegates. There’s no showing off as is the case with other fairs and one gets the feeling that people are really there to roll their sleeves up and get down to serious business. The current economic environment of the real estate trade in Europe, which has recorded some luke-warm recovery, encourages that attitude. Everyone and everything was committed to something, there were specific aims to fulfil and no one was there to mess around. We would say that across the board for this whole event there was, perhaps, an aspect that was less than appealing: EXPO REAL is somewhat “Germanised” which is hardly surprising since it takes place in Germany which, in itself, is a huge market. There was, however, a very broad range of opportunities in all areas and sectors of the real estate business. The big players and smaller entities were there, which,

as you’d imagine, results in business deals of differing scales. Portugal, as an exhibitor country, was once again absent. I think that the modest Lisbon stand represented a praiseworthy effort from Lisbon City Council and the Capital but didn’t represent Portugal’s real estate offer by a long chalk. This is a very very old problem and one that has nothing to do with what has been achieved. Probably, if this was a wine or shoe fair, there would have been all the grants and support available under the sun. But since this is real estate, there’s no money to invest in marketing and promoting a country as fabulous as our is. That’s always the way it has been and probably always will be. Due justice was paid, however, to all those national business leaders who went to Munich to do business and who told us that overall they enjoyed very positive results. They are the heroes. However we’d like to leave a suggestion: Book a trip to next year’s fair in Munich for October 2016 and you’ll see that it will be well worth it!


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Do Mundo 46 14 OUT/NOV 2015

Mondial du Batimênt

A grande feira da construção The great building fair Fotos Photo: Anabela Loureiro


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Entre os dias 2 a 6 de Novembro de 2015 decorreu o Mondial du Batimênt no Parque de Exposições Paris Nord Villepinte, em Paris, França. Não obstante a actual conjuntura, este foi um evento com uma forte presença de empresas oriundas de Portugal. The international construction fair Mondial du Batimênt took place place at the Nord Villepinte Paris Exposition Park Between 2 and 6 November 2015 in the French capital. Despite the current economic situation, this was an event which attracted a strong presence from Portuguese companies.

A fusão das três principais feiras de construção BATIMAT, IDEOBAIN, e INTERCLIMA+ELEC – originou a nova denominação de Mondial du Batimênt e uma nova visão mais globalizante surgiu no horizonte desta feira na edição de 2015. Guillaume Loizeaud, Director da Divisão de Construção - Reed Expositions France, explicou este foi um certame onde “estiveram presentes os maiores líderes franceses e internacionais”, assim como “os visitantes de todos os ramos que se deslocaram em massa e a esta feira para descobrirem uma abordagem global das soluções para a construção”. Enquanto organizador, refere que, na edição deste ano, “oferecemos aos nossos visitantes a melhor oferta de produtos, de inovações, de soluções e de técnicas; uma gama qualitativa, inovadora e completa do sector da construção e da arquitectura”. Além disso, revela que desenvolveram também “um programa de conferências de grande qualidade quer em relação aos temas, quer em relação aos intervenientes o que permitiu a todos os visitantes a obtenção de um complemento de informações de qualidade sobre diversos temas e preocupações”. Este ano o Concurso da Inovação, cuja cerimónia da entrega dos troféus decorreu no dia 28 de Setembro, no Théâtre de Paris, mas cujos premiados estiveram patentes nas ‘tours de l’innovation’ (torres de inovação que transmitem vídeos dos

vencedores), pretendeu “recompensar os produtos/soluções inovadores e realizações inteligentes e arquitectos inovadores na sua abordagem ao desempenho energético”. No âmbito deste concurso é de salientar que a mais recente inovação da Technal, com um sistema patenteado e pioneiro na optimização acústica, foi distinguido com uma Medalha de Prata, sendo que a apresentação ao público foi feita na feira, no stand da Technal. Ao todo estiveram presentes cerca de 40 empresas portuguesas nesta feira internacional, entre as quais se destacaram os sectores da marcenaria, da serralharia e de acessórios de interior e exterior, além dos sub-sectores de actividade da pedra e do mármore. De salientar ainda nesta feira que, há semelhança de Portugal, várias empresas de construção de países congéneres europeus, incluindo a França, encontram-se a fazer a sua internacionalização através do continente africano. Por isso mesmo estiveram em destaque seis países que fixam um nível sustentado de crescimento: Costa do Marfim (+8,8%), Camarões (+5%), Gabão (+6%), Nigéria (+6%), Senegal (+5%) e Chade (+4%). O evento contou ainda com a organização de inúmeros encontros entre visitantes e arquitectos, negociantes, promotores imobiliários, administrações públicas e empresários desta região para iniciar novos projectos.


Uma surpresa anunciada

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A pleasant surprise Foi uma meia surpresa a nossa deslocação à Batimat, em Paris. Já sabíamos que íamos deparar com uma feira gigantesca mas nunca imaginámos que tivesse tanta gente e gente entusiasmada. Caminhamos quilómetros nos vários pavilhões e em todos se notava que as pessoas se envolviam, conversavam, faziam negócio. Não somos profissionais da construção, nem peritos de materiais, mas pelo que conversámos, estava ali o ‘último grito’ de soluções técnicas, mas inúmeras áreas expostas. Foi especialmente gratificante visitar o pavilhão dedicado à inovação. Tecnologia do mais alto nível que não queriam que fotografássemos, apesar das nossas credenciais da organização. Mas lá fizemos algumas fotografias. Foi igualmente salutar verificar a presença de bastantes expositores portugueses que ‘não querem perder o comboio’ e que tiveram uma representação digna. É gratificante verificar que o mundo económico está a mexer muito, que a Europa não está parada apesar das políticas de austeridade e que as empresas acreditam no futuro.

The merger of the three main construction fairs - BATIMAT, IDEOBAIN, and INTERCLIMA+ELEC - created the new name Mondial du Batimênt and a new more global vision for this fair which attracted 350,000 visitors and 2,600 exhibitors at last year’s event. Numbers which the organisation hopes to achieve in 2015. Guillaume Loizeaud, Director of the Division for Construction - Reed Expositions France, explained that this is a fair at which “the major French and international leaders are present, as well as visitors from all sectors who turn up enmass to discover a global approach for construction solutions”. As the organiser, he said that “we intended to offer our visitors the best range of products, innovations, solutions and techniques; a qualitative, innovative and completerange from the construction and architecture sectors”. Furthermore, he revealed that “we developed a top-quality programme of conferences in terms of themes, in relation to the speakers and participants meaning that all visitors received comprehensive and quality information on various themes and concerns”. This year the Competition for Innovation, whose awards ceremony took place on September 28 at the Théâtre de Paris, but whose winners were at the ‘tours de l’innovation’ (innovation towers

that broadcast videos of the winners), “recognising the innovative products/solutions, intelligent projects and innovative architects in an approach to energy performance”. It is worth mentioning as part of this competition the latest innovation from Technal, which exhibited a patented and pioneering acoustics optimisation project which won the Silver Medal and which was unveiled at the fair at the Technal stand. All told, around 40 Portuguese companies attended this international fair, with representatives from the sectors of carpentry and joinery, metalworking and indoor and outdoor fixture and fitting accessories as well as the masonry and marble sub-sectors. Also worth pointing out at this fair, as was the case at fairs in Portugal, is that various construction companies from European countries, including France, have been investing in internationalisation through the African continent. Which is why six countries who have displayed a sustained level of growth were in the limelight: Ivory Coast (+8,8%), Cameroon (+5%), Gabon (+6%), Nigeria (+6%), Senegal (+5%) and Chad (+4%). For the occasion countless meetings between visitors and architects, traders, real estate developers, public entities and entrepreneurs from this region were organised to kick-start new projects.

We were rather surprised with our trip to the Batimat real estate fair in Paris. We already knew that we would encounter a huge fair but we never imagined that there would be so many people and with such enthusiasm. We walked up and down four kilometres through the various pavilions and in all of them it was patently obvious people were mingling, chatting and doing business. We're not construction professionals, neither experts in materials but from the conversations we had the last word in technical solutions was evident in the countless exhibition stands we visited. It was particularly satisfying to visit the pavilion dedicated to innovation. Technology at the highest level that they wouldn't let us photograph, despite having our press passes from the organisers. But we did snatch a few snapshots. It was equally gratifying to see the presence of a fair number of Portuguese exhibitors who "didn't want to miss the boat" and who had a worthy representation. It also pleasing to realise that the economic world is up and running again, that Europe isn't at a standstill despite the policies of austerity, and that companies are looking to the future. JPA


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Do Mundo Reino Unido

Reportagem em São Francisco United Kingdom

Report from San Francisco

Roberto Varandas Director Global de Desenvolvimento de Negócios Imóveis da Aberdeen Asset Management Global Head of Business Development – Property Aberdeen Asset Management

Há cerca de um ano fiz um balanço da conferência PREA, que decorre em Los Angeles, nos Estados Unidos da América (EUA). Para aqueles que não conhecem a PREA, esta é uma organização que reúne algumas centenas de investidores institucionais, gestores de fundos - investidores imobiliários em geral. Com uma organização centrada nos EUA, tornou-se nos últimos anos num evento cada vez mais internacional e as reuniões reflectem precisamente o aumento da participação internacional. Como poderão recordar no meu anterior artigo sobre a reunião da PREA, a sensação com que se ficou na altura foi de que nos tínhamos entrado num mundo de incertezas, onde a Europa, em geral, tornou-se novamente o ‘patinho feio’ do panorama económico mundial e que, na ausência de melhores alternativas, os investidores tinham de se concentrar nos seus mercados domésticos, em particular os investidores norte-americanos tinham de se concentrar em investimentos dentro dos EUA. Existiu uma mudança radical a partir de 2013, quando todas as oportunidades pareciam estar na Europa e aqueles que eram suficientemente ágeis e capitalizados, iriam fazer absorver todos os activos problemáticos dos bancos. Avançando em modo ‘fast foward’ até à actualidade, ficará feliz de saber que, desta vez, não houve nenhuma mudança radical. A Europa continua a ser o ‘patinho feio’ do crescimento económico. A única diferença é que a maioria dos mercados imobiliários na Europa, entretanto, subiu. No entanto, algumas excepções interessantes emergiram a partir dessa visão geral, várias das quais em contra-ciclo. A primeira excepção foi em relação aos mercados emergentes, com uma menção especial para o Brasil. O ambiente económico difícil, a volatilidade do mercado e as questões estruturais inerentes ao investimento imobiliário no Brasil, como as eleva-

das taxas de juros e as restrições de fornecimento limitadas, transformou os mercados emergentes em mercados a evitarpara os investidores. Um investidor corajoso o suficiente e que parece não ter receio de explorar oportunidades no mercado brasileiro referiu neste evento que encontraram agora parceiros muito mais abertos a negociar e aceitar em condições muito diferentes daquelas que eram comuns no mercado há apenas um par de anos. A outra excepção foi um grupo de investidores que acreditou que o ciclo na Europa ainda não tinha chegado ao fim do seu curso e que as acções do BCE continuariam a apoiar os mercados nos próximos anos. Enquanto os principais mercados da Europa são considerados caros, surgiu um certo apetite pelo Sul da Europa. O pensamento é que ainda havia oportunidades a ser aproveitadas e activos detidos em balanços de certos bancos a precisar de fazer o seu caminho para o mercado. A confirmação mais reveladora de ambas as excepções foi proferida pelo orador - Jonathan Gray, director de Imobiliário da Blackstone, que confirmou o interesse da empresa em ambas as geografias, embora a diferentes níveis. Gray comentou que o Brasil seria uma geografia que a empresa iria observar de perto, até porque a recessão só agora tinha realmente começado. No caso do Sul da Europa, a Blackstone parece estar firmemente posicionada para captar todas as oportunidades que conseguir em Portugal, Espanha e Itália e quanto mais, melhor. Para um gestor de fundos que confirmou o crescimento do fundo na magnitude dos 15.8 mil milhões de dólares apenas alguns dias mais tarde, serão muito poucas as oportunidades que não terão a capacidade de alcançar. Approximately one year ago I was reporting back from the PREA conference in Los Angeles. For those who do not know PREA, it is an organi-


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zation that gathers a few hundred institutional investors, fund managers – real estate investors in general. From a fairly US-centric organization, it has become more and more international in the past years and the meetings reflect the increased international participation. As you may recall from my previous article reporting on the PREA meeting, the feeling was that we had moved into a world of uncertainty, where Europe in general was again an “ugly duckling” of the world economic scene and, in the absence of better alternatives, investors should focus on their home markets, in particular US investors who should focus on investments in the US. This had been a radical departure from 2013 when all the opportunities where in Europe and those sufficiently nimble and capitalised would sweep up all the distressed assets the banks were sure to offload. Fast forward to today and you will be glad to know that, this time around, there has been no radical change. Europe is still the ugly duckling of economic growth. The only difference is that the real estate markets in Europe have mostly only gone up in the meantime. A few interesting exceptions, however, emerged from this overall view, several of which, almost contrarian. The first exception was in relation to emerging markets with a special mention to Brazil. The difficult economic environment, the volatility in the market and the inherent structural issues of real estate investing in Brazil like high interest rates and limited supply constraints have made a once darling of the emerging markets into a “no fly zone” for investors. One investor brave

enough to look at dipping their toes into the Brazilian markets mentioned that they found partners much more willing to engage on terms much different from just a couple of years ago. The other exception was a group of investors that believed that the cycle in Europe had still not run its course and that the ECB’s actions would continue to support the markets in the coming years. While markets in core Europe, including the UK, were deemed expensive, there was determined appetite for Southern Europe. The thought being that there was still some market dislocation to be corrected and assets held on certain balance sheets that needed to make their way to the market. The most telling confirmation of both these positions came from the keynote speaker – Jonathan Gray, head of real estate at Blackstone, who confirmed the firm’s interest in both geographies, albeit at different levels. Mr. Gray commented that Brazil would be a geography they would observe closely and the downturn had only really just begun. In the case of southern Europe, Blackstone seems firmly positioned to capture all the opportunities they can in Portugal, Spain and Italy and the bigger the better. For a fund manager that confirmed a $15.8 billion fund raise just a few days later, there will be very few opportunities they will not have the capacity to take head on.


Sol e Lua

Turismo em 2015

Um dos melhores anos de sempre Tourism in 2015

One of the best years ever


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Turisticamente falando, nunca antes Portugal esteve tão bem nas ‘bocas do mundo’. Em lazer ou negócio, a tendência é para que o turismo nacional continue a curva ascendente nos próximos anos. From a tourism point of view, Portugal has never been so well spoken about worldwide. In leisure or business, the tendency is for national tourism to continue its upward trend for the next few years.

Texto Text: Carla Celestino

De acordo com os dados avançados pela Organização Mundial do Turismo (OMT), o sector do turismo português encontra-se a crescer a um ritmo superior ao da média europeia, registando um aumento de 12,3% em relação a 2014 no que diz respeito a chegadas internacionais. Trata-se de um valor significativo tendo em conta que a média na Europa é de 2,7% e a nível mundial é de 4,3%. Já em 2015, segundo o estudo ‘World Market da Hotelaria’ da Worx, a confiança no sector é algo que tem aumentando substancialmente e que é visível pelo aumento de todos os KPIS (key performance indicators), ou seja, aumento das taxas de ocupação, preços médios, RevPar, dormidas e receitas. Se a isto se juntar os prémios internacionais conquistados e a projecção junto da imprensa mundial, facilmente se percebe que 2015 é um dos melhores anos de sempre para o turismo português. Esta ideia é partilhada pelo partner da neoturis, Eduardo Abreu, que aponta três razões principais para este ser um forte ano turístico. Em primeiro lugar teve “um crescimento da procura que poderá situar-se nos dois dígitos, com crescimento de preços em algumas regiões e unidades hoteleiras”; há que destacar também “a notoriedade objectiva que Portugal tem hoje no panorama internacional, ao nível do consumidor final e das empresas da cadeia de valor do

sector”; e ainda o “crescente interesse por parte de investidores e companhias hoteleiras em desenvolver negócios em Portugal”. Com efeito, os negócios hoteleiros têm vindo a aumentar desde 2012 quando se registou um aumento de 22 unidades hoteleiras, número que passou para as 31 em 2013 e 18 em 2014. Só no primeiro semestre deste ano surgiram 26 novas unidades e até Dezembro prevê-se a abertura de 31 novos hotéis, originando um total de 57 novas unidades em 2015, o que se traduzirá num reforço global de 3.991 novos quartos na oferta nacional. Há também a registar o aparecimento de marcas independentes e a abertura de unidades por parte de cadeias nacionais e internacionais de renome como a Turim, SANA, Vincci, Porto Bay e Pestana, em especial na zona centro e premium de Lisboa (Baixa e Avenida da Liberdade). A par de transacções de maior relevo como as aquisições dos hotéis Tivoli pelo grupo tailandês Minor Internacional e do resort de Vilamoura (Lusotur) pelos norte-americanos Lone Star. Lisboa, Porto e Açores os ‘preferidos’ Os fluxos internacionais continuam a ser dominados pelos turistas oriundos do Reino Unido, seguidos do mercado da Alemanha. Mas neste ranking surge, logo após, os turistas franceses que, além de suplantarem os espanhóis, con-


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seguiram também, até Junho de 2015, ser responsáveis por 10% da procura internacional no nosso País. E quais os destinos nacionais que mais procuram em Portugal? Eduardo Abreu salienta desde logo Lisboa. A capital “assume-se inequivocamente como destino turístico de relevância global facto que se deve aos empresários do sector e às políticas de promoção e desenvolvimento do produto adoptadas; este facto pode repercutir-se em todas as regiões de Portugal num futuro próximo”. O especialista de turismo adverte, no entanto, que relativamente à região do Algarve, “embora a crescer, não conseguiu ainda ultrapassar o obstáculo da sazonalidade, principal desafio para 2016, sendo a diversificação de produto e de mercados emissores o caminho a percorrer”. Na ‘moda’ passou a estar também a cidade Invicta. Para Eduardo Abreu, o Porto está a “passar a melhor fase da sua história em termos turísticos”, mas terá, como salienta, “o desafio de saber manter a vitalidade registada sem desequilíbrios repentinos entre oferta e procura”. Já nos Açores há a destacar o “impacto positivo

e rápido da liberalização do transporte aéreo”. Com efeito, a liberalização do espaço aéreo dos Açores, a partir de Março de 2015, que correspondeu ao primeiro voo em low-cost, fez com que esta região autónoma registasse o maior crescimento ao nível da procura turística. Recuperação do turismo residencial O representante da neoturis realça ainda a “abertura e consolidação de operações de activos integrados em fundos de reestruturação, muitas vezes mal compreendidos”. Realça também que 2015 é o “ano de consolidação da inversão de tendência já verificada em 2014 em relação à dinâmica de mercado do turismo residencial”, ou seja, “após escoamento de produto pré-crise, estão agora criadas condições para retomar alguns dos projectos suspensos, não obstante a necessidade de ajustamento de dimensão e conceito”. Com efeito, os experts defendem que, nos próximos anos, o investimento em turismo residencial vai continuar activo uma vez que existe a oferta de grandes empreendimentos no mercado, como sejam a Quinta do Lago, Vale do Lobo ou Herdade da Comporta. Porém, Eduardo Abreu julga que “a estes diferentes níveis existem condições para que o ano turístico de 2016 faça esquecer 2015”. Outro ano extraordinário, claro está… According to the latest statistics from the World Tourism Organisation (WTO), the Portuguese tourism sector is growing at a rate above the European average, registering an increase of 12.3% in relation to 2014 regarding international arrivals. This represents a significant amount taking into account the European average of 2.7% and the world level of 4.3%. In 2015, according to a study from Worx’s World Hotel Market, confidence in the sector is something that has increased substantially and is visible from an increase in all the KPIS (Key Performance Indicators), in other words, an increase in

take-up rate, average prices, RevPar, beds and receipts. If to this are added the international awards won and Portugal’s projection in the world press, one can easily see that 2015 has been one of the best years ever for Portuguese tourism. This opinion is shared by neoturis partner, Eduardo Abreu, who points to three main reasons as to why this is a bumper year for tourism. In first place, there has been a growth in demand that could stand at two digits, with a growth in prices in some regions and in hotel units”; it’s also worth highlighting “the objective fame that Portugal has earned today internationally in terms of the end consumer and in sector companies in the value chain”; and also the “growing interest on the part of investors and hotel companies in developing business projects in Portugal”. As a consequence, hotel business has been on the up since 2012 when an increase of 22 hotel units was recorded, a number that rose to 31 in 2013 and 18 in 2014. In the first half of this year alone 26 new hotel units opened, and by December a further 31 new hotels are slated to open, giving rise to a total of 57 new hotels in 2015, which means a total boost of 3,991 new rooms nationally. Another factor is the appearance of independent brands and the opening of hotel units by renowned national and international hotel chains like Turim, SANA, Vincci, Porto Bay and Pestana, especially in the central and premium areas of Lisbon (Baixa and Avenida da Liberdade). This along with transactions of major importance such as the acquisitions of the Tivoli hotels by the Thai group Minor International and the Vilamoura resort (Lusotur) by the United States group Lone Star. Lisbon, Porto and the Azores are ‘preferred’ The flow of international tourists continues to be dominated by visitors from the United Kingdom, followed by tourists from the German market. They are followed in this ranking by French


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tourists who, in addition to overtaking the Spanish, also managed by June 2015 to be responsible for 10% of international demand in Portugal. And which are the most popular national destinations in Portugal? Eduardo Abreu immediately highlights Lisbon. The capital “is without a doubt an important world tourist destination, a fact which is down to business leaders in the tourist sector and policies of promotion and the product development adopted; this pattern could be repeated in all regions of Portugal in the near future”. The tourism specialist warns, however, that regarding the Algarve region, “while tourism is growing, the region has not yet succeeded in overcoming the seasonal nature of the business; the main challenge and the road to follow for 2016 being the diversification of product and source markets”. Porto has also become fashionable. For Eduardo Abreu, Porto is “enjoying the best phase in its history in terms of tourism”, but as he stresses, it will have the “challenge of knowing how to maintain this record vitality without sudden fluctuations in offer and demand”. Then in the Azores the “positive impact of the rapid liberalisation of the air transport market” needs highlighting. As a consequence, the liberalisation of air space over the Azores from March 2015, which corresponded with the first low-cost flights, meant that this autonomous region recorded its biggest growth level in tourism demand. Recovery of residential tourism The neoturis representative also points to the “opening up and consolidation of assets integrated in restructuring funds, which are very often poorly understood”. He stresses too that 2015 is the “year for consolidating the inversion trend already seen in 2014 in relation to the dynamic of the residential tourism market”, in other words, “after clearing unsold pre-crisis product, conditions have now been created for the continuation of some projects that had been suspended because of the crisis, despite the need to adjust both dimension and concept”. As a consequence, experts argue that in the years to come investment in residential tourism will continue to be robust since there is the supply from the large residential tourism developments in the market, like Quinta do Labo, Vale do Lobo and Herdade de Comporta. However, Eduardo Abreu believes that “added to these different levels there are the right conditions for 2016 to be even better than 2015”. Another bumper year of course…


Aniversรกrio

Festa para recordar A party to remember


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O segundo aniversário da Magazine Imobiliário, comemorado no passado dia 24 de Setembro, serviu de mote para a segunda edição dos Prémios Personalidade 2015. The second anniversary of Magazine Imobiliário, which was celebrated on 24 September, provided the theme for the second edition of the Personality Awards 2015.

A cerimónia de entrega dos galardões dos Prémios Personalidade Magazine Imobiliário 2015 decorreu no Tryp Lisboa Aeroporto num o ambiente que ficou marcado pela boa disposição dos laureados e pelo ambiente familiar dos ilustres convidados. Nesta 2ª edição o vencedor na categoria Imobiliário foi Eric van Leuven, managing partner da Cushman & Wakefield em Portugal; na categoria de Construção foi João Appleton, engenheiro, sócio e director Técnico de A2P Consult, Estudos e Projectos, Lda.; na categoria Ambiente foi a dupla Pedro Veiga e Luís Teixeira, sócios fundadores da Avizaqcua / Herdade da Cortesia Hotel; e na categoria Turismo foi Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Conselho de Administração da Vila Galé S.A. Além destes galardões, foi atribuído o Prémio de Mérito a Margarida de Ordaz Caldeira, main board director da Broadway Malyan. A Magazine Imobiliário atribui estas distinções com o objectivo de premiar as personalidades que, através do seu empenho e negócios, contribuem para o desenvolvimento de Portugal.

The awards ceremony for handing out the gongs for the Magazine Imobiliário Personality Awards 2015 took place at the Tryp Lisboa Aeroporto hotel in an atmosphere that will be remembered for the upbeat mood of the winners and the family atmosphere from the illustrious guests. In this 2nd edition the winner in the Real Estate category was Eric van Leuven, Managing Partner of Cushman & Wakefield in Portugal; in the Construction category, João Appleton, engineer, partner and Technical director of A2P Consult, Estudos e Projectos, Lda.; in the Environment category the duo Pedro Veiga and Luís Teixeira, founding partners of Avizaqcua / Herdade da Cortesia Hotel; and in the Tourism category, Jorge Rebelo de Almeida, Chairman of the Board of Vila Galé S.A. In addition to these gongs, the Merit Award was given to Margarida de Ordaz Caldeira, Main Board Director of Broadway Malyan. Magazine Imobiliário awarded these distinctions with the objective of recognising personalities who, through their business acumen and drive, have contributed towards Portugal’s development.


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Personalidade Imobiliário

Personalidade Construção


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Personalidades Ambiente

Personalidade Turismo

Personalidade MĂŠrito


Bom Gosto

Bela7 art collections Uma visão original que transporta a cultura portuguesa numa fusão de Arte & Moda assim é a marca Bela7 art collections. De forte identidade portuguesa, nasceu pelas mãos da artista e empreendedora Anabela Rocha. “Tornar a arte acessível e em movimento na vida das pessoas”, é o lema da marca que se inspirou no amor à arte e a Portugal. An original vision that transports Portuguese culture into a fusion of Art and Fashion is how Bela7 art collections can be described. With a strong Portuguese identity, it was born from the hands of artist and entrepreneur Anabela Rocha. “Making art accessible and fluid in people’s lives”, is the brand’s motto which was inspired in the love of art and Portugal.

Vanda Palma Por detrás de cada quadro, de cada escultura, há uma história de cerâmica e papel que Vanda Palma conta de forma original e singular. Teve recentemente no DESIGN SHOW, na FIL, com a colecção ‘FRÁGIL’, inspirada no “amor” mais sombrio da autora e em Edgar Allan Poe. Outras colecções há para descobrir em Castro Verde, no Alentejo. Behind each painting, each sculpture, there’s a story of ceramic and paper which Vanda Palma tells in an originally singular way. She exhibited her work recently at DESIGN SHOW at Lisbon’s international fair centre FIL, with the collection ‘FRÁGIL’, inspired by her darker “love” described by the writer Edgar Allan Poe. There are other collections to discover in Castro Verde, in the Alentejo.

VITA Esta é uma marca que cria peças de design de iluminação, as quais são projectadas para embalagens planas, “do it yourself”. O objectivo é oferecer mais valor ao produto projectando luminárias de qualidade com materiais de excelência. Entregues em embalagens planas para optimizar a logística e preservar o nosso planeta. Fundada em Copenhaga, na Dinamarca, em 2008, as luminárias VITA são vendidas em mais de 40 países em todo o mundo. This is a brand which creates designer lighting pieces, which are designed for flat-pack “do-it-yourself” packaging. The goal is to offer greater value in quality design lighting using top-quality materials. Deliveries in flat-pack packaging to optimise storage while being environmentally friendly to the planet. Founded in Copenhagen, in Denmark, in 2008, VITA lamps are sold in more than 40 countries all-over-the-world.


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Festas Felizes

Deus ia gostar God will be grateful Aproxima-se a mais bela época do ano. A que celebra o nascimento de Cristo e a passagem do Ano, esse milagre da natureza que se repete em cada nascer do sol. Quisemos, em 2015, dirigir-vos uma palavra especial sobre estas celebrações. Elas significam muito para todos nós e são, em nosso entender, um renovar de vida e de esperança. Não vamos entrar em lugares comuns e muito menos apelar à ‘caridade’ para com os mais desfavorecidos. Isso é uma isso é um comportamento ao qual não nos juntamos. Preferimos, antes, falar de questões bem mais sérias e que afectam, todo o ano, ‘biliões’ de pessoas. Não acreditamos que o ser humano seja, por natureza, egoísta. Mas é indispensável dizer que a sociedade em que vivemos, nomeadamente na Europa e nos Estados Unidos da América é profundamente egoísta. Vive, louca, a pensar no seu próprio conforto, esquecendo-se do resto do Mundo e dos Povos que vivem na absoluta miséria. A maioria da Humanidade não vive como nós. Não tem água canalizada, não tem electricidade, passa fome. São-lhe negados todos os direitos, há quase uma resignação global. Para a Imprensa internacional, como não são ‘europeus’ não cabem nos serviços noticiosos. São animais. No dito ‘Ocidente’, de onde partem os maiores crimes contra o ser humano, há um comportamento mesquinho que pode, um dia, transformar-se numa tragédia imensa. A vida não são dois dias, nem se sabe bem há quanto tempo existe o ser Homem. Por tudo isto, nesta altura do ano só deixamos um apelo aos nossos milhares de leitores: Comprem mapas-mundo aos vossos filhos e tentem fazer um exercício para lhes mostrar como somos pequeninos. Deus ia gostar.

The best season of the year is approaching. The season which celebrates the birth of Christ and the New Year, this miracle of nature which takes place at every sunrise. In 2015 we want to convey a special word about these celebrations. They mean a lot for all of us and represent, in our understanding, a renewal of life and hope. We’re not going to get into clichés let alone appeal to ‘charity’ for those who are less than fortunate. That’s that and it’s a behaviour we don’t subscribe to. We’d rather prefer to talk about more serious issues which affect ‘billions’ of people all year round. We don’t believe that human beings are selfish by nature. But one has to say that the society in which we live, namely in Europe and in the United States of America is extremely selfish. It lives in a frenetic craziness, thinking only about its own comfort, forgetting the rest of the World and the Peoples that live in complete misery. The majority of humanity don’t live like us. They don’t have piped water, electricity and they suffer from hunger. They are denied all rights, there’s an almost global resignation. For the international press, as they’re not ‘Europeans’, they don’t even make the news. They are seen as animals. In the so-called ‘West’, from where the greatest crimes against humanity are committed, there’s a small minded attitude which could, one day, turn into a huge tragedy. Life isn’t two days, but neither do we really know how much time mankind has got. For all these reasons, at this time of the year we leave an appeal to all our readers: Buy maps of the world for your children and try and do an exercise to show them just how small we are. God will be grateful.

A equipa do Magazine Imobiliário’

The ‘Magazine Imobiliário’ team


Magazine Imobiliário 014  
Magazine Imobiliário 014  

Construção Ambiente Turismo

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