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AS REDES SOCIAIS E A SAÚDE Qual é a influência?

Ciências da Comunicação Metodologia das Ciências Sociais Docente: Marian Pignatelli e Maria da Luz Ramos

Mafalda Santos Nº220100


Qual a intervenção das redes sociais na área da saúde? As redes sociais fazem parte dum fenómeno social em grande escala que afeta as mais diversas áreas do quotidiano. Esta problemática estuda a influência das redes sociais numa área particular, a saúde. Para além de ser uma problemática do interesse pessoal, é também relevante do ponto de vista social perceber como é que este crescente uso das redes sociais está a afetar e pode mudar ou ajudar nesta área. A pesquisa para este trabalho foi difícil e redutora devido aos poucos estudos efetuados sobre a temática a ser abordada. Contudo mantive a problemática devido à importância que a área tem na sociedade e porque temos vindo a verificar a intrusão das redes sociais nas mais diversas áreas e por isso é de interesse se vão ficar fora do mundo da saúde ou se já se estão a intrometer. No seguimento desta revisão de literatura será explicado o que são redes sociais e serão expostas duas perspetivas diferentes sobre como é que as redes sociais estão a influenciar a área da saúde, encontradas aquando da realização da pesquisa. Segundo Garton, Haythornthwaite e Wellman (1997), quando uma rede de computadores conecta pessoas ou organizações, é uma rede social. Este conceito é constituído por duas palavras: redes e sociais. Rede é um sistema de computadores ligados entre si, para partilha de dados e informação, e social é a tendência para viver em sociedade, sendo rede social o conjunto de relações e intercâmbios entre indivíduos, grupos ou organizações que partilham interesses, e que funcionam na sua maioria através de plataformas da Internet. Por se tratar de um conceito tão atual torna-se de extrema relevância a compreensão do mesmo. As redes sociais “online” mais comuns são redes de relacionamento como o Facebook, MySpacse, Twitter, Instagram, Snapchat, Badoo, entre outras. Existem também as redes profissionais como por exemplo o LinkedIn. O que todas as redes sociais têm em comum são a partilha de informações, conhecimentos e interesses, e na maioria das vezes uma motivação, por exemplo o LinkedIn procura formar e fortalecer a rede de contactos profissionais do individuo.


Redes sociais na Internet são constituídas de representações dos atores sociais e de suas conexões (Recuero, 2009). As redes sociais, assim, são aplicações da metáfora das redes para o estudo dos sistemas sociais, onde os atores são constituídos como o individuo e as suas conexões, como os laços sociais. O'Keeffe & Clarke-Pearson (2011) afirmam que um dos benefícios das redes sociais é facilitar do acesso às informações de saúde. Estes autores consideram que para os adolescentes é importante conseguirem encontrar informações on-line sobre preocupações de saúde mantendo-se anónimos. As tecnologias móveis usadas diariamente, como os telemóveis e os computadores já produziram várias melhorias nos cuidados de saúde dos jovens como uma maior adesão à medicação, melhor compreensão da doença e menos consultas perdidas. Esta problemática ainda pouco estudada e analisada toma bastante relevância numa era em que as redes sociais estão a invadir o quotidiano das diferentes áreas da sociedade independentemente da geração. No âmbito da saúde podemos abordar a problemática de duas perspetivas. Por um lado, as redes sociais vêm fornecer um novo meio para pacientes e profissionais de saúde comunicarem sobre saúde. Neste caso existe uma procura especifica por parte do utilizador com diferentes motivos consoante o seu posicionamento, profissional de saúde ou utente/paciente. As redes sociais trazem uma nova dimensão aos cuidados de saúde, pois oferecem um meio comum a ser usado por ambos os “interlocutores” para comunicar sobre questões de saúde com a possibilidade de potencialmente melhorar os resultados de saúde. Estas são uma ferramenta poderosa, que oferece colaboração entre usuários e é um mecanismo de interação social para uma variedade de indivíduos (Antheunis, Tates, & Nieboer, 2013). O estudo realizado por este autor mostrou discordância nos motivos do uso das redes sociais. Os profissionais usam maioritariamente o Linkedin e o Twitter como ferramenta de autopromoção e para comunicação com colegas da área, enquanto os pacientes usam o Twitter com a intenção de aumentar o conhecimento e trocarem conselhos sobre determinado assunto. Usam também o Facebook pelos mesmos motivos que o Twitter mas com o acrescento que no Facebook os pacientes também vão à procura de apoio social. Ainda assim os pacientes estão reticentes quanto ao uso das redes sociais por não confiarem na


veracidade da informação que lá é exposta. Da ótica do profissional da saúde os principais impedimentos são a ineficiência e a falta de capacidades. O uso das redes sociais tem bastantes benefícios para a comunicação da saúde, entre eles o aumento das interações com os outros, de forma mais fácil, a partilha e obtenção de mais informação de saúde, o aumento e alargamento do acesso ao material teórico desta natureza, o apoio social e emocional, a vigilância da saúde publica e o potencial de influenciar a politica na saúde (Moorhead, Hazlett, Harrison, Carroll, Irwin, & Hoving, 2013). Apesar disto e como já referido existe ainda uma preocupação com a qualidade e confidencialidade dos indivíduos e consequentemente uma necessidade de monitorizar a informação trocada e garantir a privacidade de todos aqueles que usam as redes sociais como troca de informação de saúde. Por outro lado, as redes sociais podem e são usadas para promoção da saúde e educação da população sobre a mesma. Este olhar sobre a influencia das redes sociais na área da saúde, de modo pessoal, é que tem mais potencial de crescimento e de atingir sucesso. Usar as redes sociais para educação e promoção da saúde é como publicitar uma marca e poder-se-á fazer como se trate duma estratégia de marketing. Nesta nova plataforma que tem vindo a evoluir, e que permite a conversação e troca de informações oferece também uma oportunidade para a mudança de comportamentos de saúde assim como estimular o interesse pelo tema. As redes sociais permitiam aos indivíduos manter o anonimato ou revelarem a sua identidade. Esta tecnologia está a ser adotada por pessoas de todos o mundo e de todas as idades, seja através de computadores ou de dispositivos móveis, passando a fazer parte duma rede de permuta e partilha de informações de saúde que tem vindo a aumentar. Obtém-se mais informação, de um maior número de pessoas, partilham-se experiencias e acontecimentos e muitas vezes há uma possibilidade de entreajuda em situações de doenças raras ou de locais com menos possibilidade de adquirir conhecimentos. Apesar do potencial que as redes sociais representam o uso da mesma exige uma aplicação cuidadosa e pode nem sempre alcançar os resultados desejados assim como têm vários desafios difíceis a ser enfrentados. É preciso medir quanto as pessoas estão a ser aliciadas


por esta promoção da saúde. É difícil resolver este problema pois é difícil quantificar se os indivíduos estão só de passagem ou se estão a consumir e a envolver-se no conteúdo. Por fim, com a pesquisa efetuada verifica-se que as redes sociais já estão a entrar no âmbito da saúde de diferentes maneiras, como forma de comunicação entre profissionais de saúde, pacientes e como forma de promoção da saúde. O estudo de Antheunis, Tates & Nieboer, (2013) revela que ambos, pacientes e profissionais, esperam o uso futuro das redes sociais desde que estejam em controlo do tempo de uso. Nos artigos revistos existe unanimidade no que diz respeito às fragilidades das redes sociais nas áreas da saúde. Apesar das vantagens do uso das mesmas subsiste problemas de confiabilidade e qualidade na informação encontrada pelo paciente e aparece um problema de maior relevância, a privacidade dos usuários. É importante surgir a discussão sobre a promoção da saúde nos “social media”, quais as formas mais eficazes, como fazer essa avaliação, criar programas de promoção para estas plataformas, explorar o potencial expansivo e interativo das mesmas e ter atenção os benefícios da possibilidade de anonimato ou de ser identificável consoante as preferências do participante. Também é necessária uma melhor compreensão de nossos comportamentos públicos e respostas ao anonimato, interação online do consumidor e de como melhor provocar a modificação de comportamento no universo da Web 2.0. Finalmente, é necessária mais informação sobre os custos, benefícios e eficácia dos “social media” como ferramenta de promoção da saúde. A “social media” têm sido postos como uma forma relativamente barata de fornecer mensagens de promoção da saúde e têm provado potencial para as tarefas referidas. Termino o trabalho referindo a existência de um sucesso de aplicação de novas plataformas no contexto da saúde, a “Hello Health,” uma clinica de cuidados primários nos Estados Unidos da América. A popularidade atingida deve-se à poderosa ferramenta de comunicação, de custos justos, que emprega, “social media” baseada na Web.


Bibliografia Antheunis, M. L., Tates, K., & Nieboer, T. E. (2013). Patients’ and health professionals’ use of social media in health care: Motives, barriers and expectations. Patient Education and Counseling, 92(3), 426-431. Hawn, C. (2009). Take two aspirin and tweet me in the morning: how Twitter, Facebook, and other social media are reshaping health care. Health affairs, 28(2), 361-368. Korda, H., & Itani, Z. (2013). Harnessing social media for health promotion and behavior change. Health promotion practice, 14(1), 15-23. McNab, C. (2009). What social media offers to health professionals and citizens. Bulletin of the world health organization, 87(8), 566-566. Moorhead, S. A., Hazlett, D. E., Harrison, L., Carroll, J. K., Irwin, A., & Hoving, C. (2013). A new dimension of health care: systematic review of the uses, benefits, and limitations of social media for health communication. Journal of medical Internet research, 15(4), e85. O'Keeffe, G. S., & Clarke-Pearson, K. (2011). The impact of social media on children, adolescents, and families. Pediatrics, 127(4), 800-804. Thackeray, R., Neiger, B. L., Smith, A. K., & Van Wagenen, S. B. (2012). Adoption and use of social media among public health departments. BMC public health, 12(1), 1.

Redes sociais e saúde  

Breve trabalho sobre a influência das redes sociais na saúde

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Breve trabalho sobre a influência das redes sociais na saúde

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