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Comunicação em Diplomacia Pública: Caso do MNE Português Mafalda Maria Alberto Vieira dos Santos Orientador: Prof.ª Doutora Susana de Carvalho Spínola Docentes: Prof.ª Doutora Carla Cruz; Prof.ª Doutora Maria João Cunha

Relatório de investigação para obtenção de grau de Licenciado Em Ciências da Comunicação

Lisboa 2017


Resumo A autora foca o presente trabalho em perceber a aplicação de Diplomacia Pública (DP), um conceito relativamente moderno, em Portugal, principalmente a nível do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), a instituição responsável pelas politicas externas a nível nacional. Para tal, será realizada a análise de discurso de plataformas digitais e redes sociais do MNE que será complementada por uma entrevista semiestruturada ao chefe do Gabinete de Informação e Imprensa. O presente projeto terá continuidade e será terminado no próximo período letivo.

Palavras-chave: Comunicação; Diplomacia; Diplomacia Pública; Diplomacia Corporativa; MNE; Relações Públicas

Abstract The author focuses on the application of Public Diplomacy (DP), a relatively modern concept in Portugal, mainly at the level of the Ministry of Foreign Affairs (MNE), the institution responsible for external policies at the national level. To this end, the discourse analysis of digital platforms and social networks of MNE will be carried out, which will be complemented by a semi-structured interview with the head of the Information and Press Office. This project will continue and will be completed in the next school term.

Keywords: Communication; Diplomacy; Public Diplomacy; Corporate Diplomacy; MNE; Public relations


Índice Resumo....................................................................................................................................... 1 Introdução .......................................................................................................................................... 3 Revisão de Literatura ......................................................................................................................... 4 Comunicação: da ideia ao conceito ............................................................................................... 4 Relações Públicas ........................................................................................................................... 5 Diplomacia Pública como área das Relações Públicas ................................................................... 7 Opções metodológicas: .................................................................................................................... 11 Cronograma...................................................................................................................................... 14 Bibliografia ....................................................................................................................................... 15


Introdução O presente trabalho visa mostrar a aplicação da Diplomacia Pública (DP) em Portugal, em particular em plataformas do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Numa primeira fase será feita uma abordagem teórica com a explicação do tema e a sua relação com outros conceitos como Comunicação e Relações Públicas (RP). Apesar de atividade de Diplomacia Pública já existir há algum tempo, o conceito só recentemente tem ganho relevância e tem sido alvo de estudos no âmbito académico. Mas porquê a Diplomacia Pública? O público civil é cada vez mais informado e exigente e assim apareceu a necessidade de um conceito novo que vá mais além de Diplomacia que é direcionada mais particularmente a organizações institucionais. Diplomacia Pública surge como utensílio da politica externa e tem como objetivo a comunicação com o estrangeiro de forma a disseminar os valores da nação e influenciar a opinião pública para que esta exerça pressão sobre os governos ou instituições que tomam decisões (Teles, 2013). O termo público pode ter associado a si várias significações, mas quando referido como opinião pública podemos relacionar com Relações Públicas. “Relações Públicas envolve a comunicação e troca de ideias para facilitar a mudança” (L'Etang, 2008) e essa função é essencial no âmbito da Diplomacia Pública, ou ainda ao que referem Betteke van Ruler e Dejan Verčič (2002, p.13) PR is the (maintenance of) relationships (with) publics (by) communication (in order to) establish mutual understanding” e percebe-se a importância dos conceitos de público, comunicação e relacionamento nas relações públicas, bem como a sua ligação ao conceito de DP. A Diplomacia Pública tem instrumentos típicos para se dirigir aos públicos e obter o seu apoio. Neste trabalho será feita uma análise discursiva das páginas de website do Ministério dos Negócios Estrangeiros e as plataformas de redes sociais associadas aos mesmo, Facebook e Twitter. Ao mesmo tempo recorre-se à técnica de “observação participante” através da realização de um estágio curricular de suplemento ao diploma no Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português. O presente projeto parte da pergunta “Como e em que situações é que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português recorre à Diplomacia Pública como forma de 3


comunicar as suas políticas face a países terceiros?”. Em seguimento de trabalhos já realizados e em particular do artigo “La diplomatie "publique" ou le puvoir de négociation des organisations internationales: le cas du Service des Affaires Etrangères de l'UE (SEAE).” (de Carvalho Spínola, Boulanger, & Cotton, La diplomatie "publique" ou le puvoir de négociation des organisations internationales: le cas du Service des Affaires Etrangères de l'UE (SEAE)., 2016), surgiu o interesse de perceber em Portugal a aplicação da Diplomacia Pública recorrendo à análise discursiva da instituição responsável pela política externa.

Revisão de Literatura A revisão de literatura tem papel fundamental em todos os trabalhos académicos, pois é através dela que é possível situar o trabalho dentro da grande área de pesquisa da qual faz parte e que o contextualiza. Esta revisão de literatura apresenta-se relevante a dois níveis: permite ao investigador definir os conceitos e autores que fundamentam o trabalho e permite ao leitor identificar a linha teórica que serve de base ao trabalho. A noção de espaço e tempo tem sido redefinida ao longo dos últimos anos tornando o mundo numa aldeia global. Esta aproximação e aceleração leva ao tratamento da informação em tempo real e a um maior conhecimento por parte dos indivíduos permitindo a interferência dos mesmos (ainda que indireta) nos assuntos que antes lhes eram de difícil acesso. Isto realça a importância dos meios de comunicação para a formação da opinião pública e o novo modo de interagir (comunicar) do Estado com a opinião pública civil e internacional, levando ao conceito de Diplomacia Pública. Por isso considera-se importante mencionar o que distingue Diplomacia (Diplomacia Tradicional) de Diplomacia Pública e relacionar com conceitos como Comunicação e Relações Públicas (Teles, 2013).

Comunicação: da ideia ao conceito O termo Comunicação surge pela primeira vez no vocabulário religioso com o significado de «atividade realizada em conjunto» e tem sofrido uma evolução histórica até chegar ao sentido com que hoje é conhecida (Vaz Freixo, 2012). As viagens marítimas serviram o desenvolvimento de ações e pensamentos essenciais para a emergência do conceito moderno de comunicação, o aparecimento da escrita tornou possível a expressão simbólica da

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comunicação e assim a mediação da mesma enquanto fenómeno de partilha e troca de mensagens através de um meio. Com o desenvolvimento das técnicas de impressão foi permitida a difusão de novas ideias e o aparecimento de novos conceitos como propaganda e opinião pública (Cruz, 2002; Ferin, 2002). De forma geral Cruz (2002: p.9) define comunicação como tornar comum e afirma que “o estudo científico da comunicação humana teve início nos EUA a partir de 1930 e rapidamente se difundiu na Europa.” O conceito moderno de Comunicação é difícil de explanar de forma clara devido à complexidade de acontecimentos associados ao mesmo. Por isto, muitas vezes este conceito é definido consoante o contexto em que está inserido tendo sempre por base os processos de troca, receção, partilha de conteúdos e significados. (Ferin, 2002) “A comunicação invade assim todos os campos, desde a área das relações humanas, passando pela área do marketing, dos meios políticos, da imprensa, do meio audiovisual, da publicidade, da esfera religiosa, da psicoterapia individual ou de grupo, das organizações, sem falar, como é obvio, da informática, inteligência artificial até às próprias ciências cognitivas.” (Vaz Freixo, 2012, p.25). Numa perspetiva internacional o conceito de Comunicação advém da evolução histórica do modo de fazer trocas, passar mensagens, bens e pessoas e formar laços criados entres culturas através de guerras, migrações, progressos e adaptações (Ferin, 2002). Segundo Ferin (2002), o conceito de comunicação é todo aquele que ocorre com a presença ou a mediação de instituições, incluindo os media. Relações Públicas A comunicação tem passado de um estado de desconhecido para ver reconhecida a sua importância nas mais diversas áreas. Apesar da “comunicação ter sido entendida durante muito tempo como um elemento opcional dentro da gestão pública ou bem como um cosmético com que adornar as politicas públicas” (Rubio , 2014, p.10), as relações com o exterior são dos âmbitos com mais consciência da importância duma comunicação eficiente para as relações entre Estados e para a promoção desses Estados no exterior.

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Segundo L’Etang (2008), a comunicação pode ocorrer através dos “public media” ou ser feita cara-a-cara (reuniões, conferências de imprensa) e ser mediada por profissionais de Relações Públicas. As Relações Públicas inserem-se nas ciências da comunicação e mais amplamente nas ciências sociais, tendo como conceitos base informação, comunicação e relação. Colocando as RP num plano organizacional as suas funções podem abranger a mediação interna, assim como entre a organização e os meus implicados. As relações públicas no seu papel económico, político e social intervêm na sociedade como co-construtoras de realidade, colocando assuntos na agenda pública (de Carvalho Spínola, 2014). Numa organização é necessário um especialista que faça a ligação e moderação das relações com os seus grupos de interesse (públicos). Os públicos e as organizações por vezes têm interesses que não coincidem e o papel das Relações Públicas é procurar encontrar plataformas de mútuo interesse e assim gerar consensos através do diálogo. As organizações são entidades que transmitem algo de forma a conectar-se com o meio envolvente que acarreta vantagens e condicionantes. O que comunicam com esses meios mostra a sua função em termos sociais e o profissional de Relações Públicas opera como um mediador liderando processos de co-criação e assim concretizando o papel social da organização. Para isso não basta dominar as técnicas de comunicação e as variadas tecnologias (são exemplo o telemóvel, internet, entre outros) mas torna-se essencial a capacidade de analisar novas situações, os contextos em que se inserem e de que modo podem ser uma oportunidade ou ameaça para uma empresa. (L'Etang, 2008; Mogensen , 2017; Spínola, 2017). Numa organização as Relações Públicas surgem com a função de criar, manter e (se necessário) reparar a perceção da legitimidade e confiança, sendo este o alicerce para “obter a licença da sociedade para operar” (Mogensen , 2017, p.554) desvelando os seus valores e princípios. Têm um papel protagonista no diálogo com os públicos afetados pelas decisões tomadas pela organização, daí cada vez mais as Relações Públicas usarem novas ferramentas para melhor envolverem os públicos. A comunicação com estes passou de unidirecional para bidirecional percebendo-se a importância de “envolverem os públicos” nas tomadas de decisões para obtenção de capital social tendo mais que o “apoio público”, mas o “apoio dos públicos” (Ordeix-Rigo & Duarte, 2009).

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Num modelo bidirecional de comunicação é importante entender o público e as suas mudanças de forma a perceber onde a organização se pode melhor adaptar e integrar socialmente e criar relações entre os dois que sejam saudáveis e benéficas a ambas as partes (Spínola, 2017). A função de Relações Públicas numa empresa inclui os “public affairs”1 que lida com autoridades e governo central de forma a monitorizar, influenciar, e comunicar ou implementar políticas públicas. Esta função diferencia-se de Diplomacia Pública (DP), já que enquanto “public affairs” são direcionados para assuntos internos a Diplomacia Pública está orientada para assuntos externos tendo como objetivo aumentar a familiaridade dos cidadãos com os países estrangeiros (Ordeix-Rigo & Duarte, 2009). Ainda assim as Relações Públicas e a Diplomacia Pública tem funções que se interligam ou atuam sinergicamente. As Relações Públicas principalmente no papel de relação com os media podem ajudar a Diplomacia e as relações internacionais. (L'Etang, 2006).

Diplomacia Pública como área das Relações Públicas A Diplomacia formal ou tradicional gere as relações políticas entre Estados podendo ser conduzidas por entidades internacionais como a NATO ou a ONU para além de, naturalmente, serem conduzidas por cada Estado de per si. A Diplomacia cultural, segundo L’Etang (2006) é direcionada às populações dos outros países de forma a proporcionar ao país-alvo acesso à cultura nacional conseguindo criar grupos de opinião que nesse país propaguem positivamente os ideais e assim ganhar apoiantes e influenciar gerações futuras. “De certa maneira, diplomacia cultural é a responsabilidade social corporativa dos políticos nacionais” (L'Etang, 2006, p.374). O conceito de Diplomacia não se tem mantido estanque e à semelhança de outros já referidos, tem sofrido uma evolução, ou adaptação, aos novos tempos e às crescentes exigências internacionais. Deste desenvolvimento surgem outras conceções como “a diplomacia pública, a diplomacia digital ou a cooperação” (Rubio , 2014). A globalização através dos desenvolvimentos tecnológicos veio influenciar esta nova forma de se fazer diplomacia e a perceção da potencialidade e importância da sociedade civil, assim 1

Termo mantido no seu original por ser comumente assim usado. Pode, no entanto, ser traduzido por “assuntos públicos”.

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como a necessidade de chegar a outros públicos, que não sejam só entidades governamentais, levou ao aparecimento desta nova matéria, a chamada Diplomacia Pública (L'Etang, 2006). Muitas das definições dadas por diferentes autores têm um conteúdo similar, mas diferem na forma da atuação e nos instrumentos usados para tal. O termo Diplomacia Pública surgiu com Gullion em 1965 e com a necessidade de criar um novo conceito que se afastasse da conotação negativa de outros inicialmente pensados como “propaganda” e que fosse suficientemente novo para permitir o desenvolvimento do seu significado num sentido positivo. (Cull, 2010) Para além do porquê da Diplomacia Pública, existe necessidade de perceber o para quem em DP. No artigo teórico de Sevin (2015) são expostos três tipos de abordagem da DP que esclarecem sobre quem se quer atingir com o uso desta: realista, liberal e construtivista. Na abordagem realista o objetivo é a mudança de atitudes no público estrangeiro mas de forma a que este exerça pressão sobre o Estado e influencie as suas decisões; na abordagem liberal apesar da consciência do poder do Estado existe uma preocupação em chegar a outros públicos tendo uma estratégia baseada no relacionamento recorrendo-se ao uso de plataformas de redes sociais para promover eventos como visitas oficiais, que de outra forma chegariam ao conhecimento público de maneira mais dificultada; por último, a abordagem construtivista dissocia a identidade e valores das relações internacionais de poderes como o militar e infraestruturas económicas e liga-se a construções sociais não materiais como moldar o debate público. Deste modo é de referir que “por oposição à DT2 a DP caracteriza-se pela transparência e disseminação da informação, assim como pela extensão da Diplomacia. A DP é usada pelo Estado para comunicar com a massa enquanto a DT visa principalmente relações de Estado a Estado terminando numa espécie de “névoa de guerra” tingida de sigilo” (de Carvalho Spínola, Boulanger, & Cotton, 2016, p.23). A Diplomacia Pública é uma forma de influência sobre a Opinião Pública que tem impacto na forma de fazer Diplomacia (Pamment, 2014). Segundo Ordeix-Rigo e Duarte (2009, p. 553), “Diplomacia Pública não devia ser percebida meramente como a condução da diplomacia tradicional em público. Os atores não são 2

Diplomacia Tradicional

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somente os altos lideres governamentais expostos a escrutínio público, mas também os indivíduos públicos e privados, instituições e organizações não governamentais”. Os projetos de DP, como já mencionado, têm o objetivo de atingir os públicos estrangeiros e ao mesmo tempo responder aos seus próprios interesses e são alguns exemplos disso transmissões internacionais e intercâmbios escolares que promovem a troca cultural, de valores e identidade assim como podem trazer ao país ferramentas inovadoras que a longo prazo podem provocar mudanças. Daqui retira-se a necessidade dos diplomatas de trabalhar com outros para além dos políticos (Ordeix-Rigo & Duarte, 2009; Sevin, 2015). Ao acompanhar a literatura que se vai publicando sobre Diplomacia Pública poder-se-á concluir que, na atualidade, esta refere-se às influências das ações levadas a cabo pelos governos nos públicos estrangeiros. Este processo de comunicação dos governos tem por objetivo a transmissão estratégica dos ideais e valores da nação assim como a promoção da cultura, interesses nacionais e políticas atuais. O trabalho feito pela DP pode contribuir para o desenvolvimento de uma política de branding do país, sendo certo que promove um ganho de visibilidade das suas instituições atingindo públicos estratégicos de interesse para futuras relações, que possam afetar não só o âmbito institucional, mas também o âmbito económico e social do país. Todo este processo de “Relações Públicas” permite dar a conhecer o país e difundir vantagens nacionais por todo o mundo, se efetuado de forma eficiente e tendo em conta os tempos atuais que se vive. Isto exige novos olhares da Diplomacia Tradicional, para inovadoras formas de diplomacia como a Diplomacia Pública e a perceção da diferença entre elas. A Diplomacia Púbica pode ser inserida na área de estudo das RP ou Relações Internacionais. No âmbito da primeira, a DP é assumida como forma de concretizar estratégias promocionais e persuasivas levadas a cabos pelos países, organizações internacionais e organizações não governamentais que incluam relações com os media, enquanto na área das relações internacionais é realçada a importância, não só da comunicação com os governos, mas de como atingir e atrair os públicos estrangeiros (Sevin, 2015). A base da Diplomacia Pública, como dito anteriormente, está nas políticas e relações internacionais e tem o objetivo de influenciá-las, mas com recurso a ferramentas de Comunicação e de Relações Públicas. Neste caso a DP não só faz uso, como examina o

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impacto de estratégias, teorias e modelos de RP aplicados pelas organizações nos públicos internacionais, seja aplicada diretamente pelo Estado ou não (Sevin, 2015). Os resultados das atividades e estratégias de Diplomacia Pública são difíceis de comprovar porque muitas mudanças são a longo prazo e a nível do comportamento e da reputação. Apesar desta dificuldade é possível fazer alguma observação em três áreas que vão sofrer impactos da DP: opinião pública, dinâmicas de relacionamento e debates públicos. Estas áreas são impactadas de forma mais focalizada ou mais abrangente através de diferentes vias que são como estratégias de funcionamento (Sevin, 2015). Das ferramentas comunicacionais da Diplomacia Pública podem-se considerar as que se inserem no designado soft power, como um utensilio útil às relações de política externa. Como está a ser referido, anteriormente, tem que ser feita uma avaliação da DP consoante o contexto de como e porquê da utilização da mesma. As metodologias de avaliação aplicadas poderão não ser as mais eficazes pois a sua eficácia vai depender da relevância, do contexto em que são inseridas e das necessidades institucionais das culturas nacionais (Pamment, 2014). Soft Power, para Pamment (2014) é um indicador da eficácia da persuasão concebido para promover a cooperação e a crescente atratividade dos valores, cultura e políticas do país. As nações têm vantagens de soft power quando os valores defendidos e a cultura são similares há que existe globalmente, quando o acesso a canais de comunicação e o controlo e propagação da mensagem transmitidos nos media globais são simples e por fim quando a credibilidade de um país é melhorado por comportamentos internos e internacionais (Pamment, 2014). Dentro das comunicações internacionais os interesses passam pela já referida Diplomacia Pública, mas também pela compreensão e análise de soft power e das marcas nacionais (Pamment, 2014). A DP associa-se ao soft power como prática que envolve a intervenção nos assuntos de políticas externas utilizando competências de soft power por exemplo a nível de campanhas, cultura, apoios, branding e muitas vezes misturando práticas de comunicação. Esta associação (DP/Soft power) contribui para a criação de credibilidade e promoção de valores como a democracia, instigando mudanças comportamentais, aumento da benevolência

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através de atividades de que são exemplo as transmissões televisas, trocas culturais e a Diplomacia Cultural (Pamment, 2014).

Opções metodológicas: Uma investigação social é uma área de estudo motivada pelos desenvolvimentos e mudanças na sociedade e o estudo sobre a vida social moderna em particular, ainda representa uma lacuna da literatura (Bryman, 2012). Numa investigação existem vários elementos que a tornam possível e levam a resultados fiáveis, replicáveis e válidos. Numa fase inicial é necessário a determinação de conceitos que ajudam a refletir sobre os assuntos relacionados com a investigação, assim como definir uma questão de pesquisa, que fornece esclarecimento explícito sobre o que pesquisador quer saber (Bryman, 2012). Enquanto a metodologia é uma estratégia que liga os métodos aos resultados e por isso determina a escolha e uso dos métodos, os métodos são técnicas e procedimentos que usamos. Os métodos escolhidos são indicatórios se a intenção do projeto é especificar o tipo de informação a ser recolhida previamente ao estudo ou permitir que essa informação saia dos participantes no projeto. O tipo de informação poderá ser mais numérico ou mais textual, ou seja, poderá fazer-se uma recolha de dados qualitativa, quantitativa ou mista. Na abordagem qualitativa o conhecimento é afirmado com base em perspetivas construtivistas, participativas (ou ambas) e são usadas estratégias de pesquisa- narrativas, de fenomenologia, etnografias, estudos de teorias avançados ou estudos de caso. Na perspetiva construtiva os fenómenos sociais e as suas definições são conseguidos pelos atores sociais e pela sua interação, sendo que estão em constante revisão não existe uma única versão da realidade social. A perspetiva participativa é direcionada para politica, resolução de problemas, colaboração ou orientado à mudança (Bryman, 2012; Creswell, 2003). Em análise qualitativa o pesquisador faz uma recolha aberta de dados decorrentes de forma a desenvolver temas/teorias a partir dos dados. Esta recolha aberta pode ser feita a partir da observação de participantes, incluindo a participação do próprio pesquisador nas atividades. Nesta abordagem o método principal é a observação de campo e o pesquisador pretende

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estabelecer o significado do fenómeno social do ponto de vista dos participantes, sendo este a grande dificuldade da investigação qualitativa (Bryman, 2012; Creswell, 2003). Segundo Bryman (2012), na recolha de dados o uso de métodos como a observação participante e a entrevista semiestruturada mantêm uma maior abertura sobre os contornos do estudo que o investigador quer fazer e deste modo é possível ter uma abordagem indutiva à teorização e conceptualização. O mesmo autor diz que a investigação qualitativa apoia-se numa visão indutiva da relação teoria/pesquisa. Existe alguma dificuldade em diferenciar observação participante e etnografia. Pode ser preferível a utilização do termo etnografia por ser mais explicito sobre a abrangência do método apesar de observação participante não significar que apenas seja realizada observação. O observador participante está imerso no grupo por um período de tempo e interage com o mesmo, e observa os seus comportamentos e interações, e posteriormente adicionam-se informações através de entrevista e recolha de documentos (Bryman, 2012). Em pesquisa qualitativa o principal tipo de entrevista é semiestruturado ou não estruturado. A maior diferença em entrevista qualitativa (em relação à quantitativa) é esta dar mais relevância ao ponto de visto do entrevistado, do que este vê como importante e relevante, deste modo, a entrevista tende a ser flexível e ser guiada no momento pelas respostas do entrevistado (Bryman, 2012). Para a realização deste projeto parte-se da pergunta “Como e em que situações é que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português recorre à Diplomacia Pública como forma de comunicar as suas politicas face a países terceiros?”. O interesse é entender o uso dado à Diplomacia Pública pelo MNE português na sua comunicação nas plataformas existentes, Website, Twitter e Facebook. Para isso define-se os objetivos principal e secundários para melhor organização da investigação. Objetivo principal: analise do discurso do MNE português a partir do conceito de Diplomacia Pública Objetivos secundários: 1. Compreender o conceito de Diplomacia Pública; 12


2. Identificar os instrumentos típicos de Diplomacia Pública 3. Analisar os instrumentos de Diplomacia Pública ao nível do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português. Neste projeto será realizada uma pesquisa qualitativa e para atingir os objetivos será feita uma análise discurso das páginas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e das páginas redes sociais (Twitter e Facebook do MNE). A escolha destas plataformas decorre do interesse em perceber a aplicação da Diplomacia Pública em Portugal e do facto de, no caso do Twitter, ter aplicação a nível europeu como verificado no artigo “La diplomatie "publique" ou le puvoir de négociation des organisations internationales: le cas du Service des Affaires Etrangères de l'UE (SEAE).” de (de Carvalho Spínola, Boulanger, & Cotton, La diplomatie "publique" ou le puvoir de négociation des organisations internationales: le cas du Service des Affaires Etrangères de l'UE (SEAE)., 2016). Em complementaridade será feita uma entrevista semiestruturada ao chefe do Gabinete de Informação e Imprensa, Dr. Paulo Chaves, possibilitada pelo estágio a ser realizado pela aluna que contribuirá para melhor compreender a abordagem e posicionamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros em relação à Diplomacia Pública.

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Cronograma DATAS 19 de outubro de 2017 30 de outubro de 2017 16 de novembro de 2017 3 de janeiro de 2018 8 de janeiro de 2018 Janeiro de 2018 Fevereiro de 2018 Junho 2018

OBJETIVOS Aprovação do tema e orientador definido Pergunta de partida, objetivos, artigos de leitura Pré-projecto (Pergunta de partida, objetivos, técnicas metodológicas, artigos de leitura) Entrega de versão final ao orientador Entrega oficial de versão final do projeto Definição de prazos para as restantes etapas do projeto Realização de entrevista; Início da análise discursiva Entrega do projeto final

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Bibliografia Bryman, A. (2012). Social Research Methods. New York: Oxford Universty Press. Creswell, J. (2003). RESEARCH DESIGN: Qualitative, Quantitative. and Mixed Methods Approaches. United States of America: Sage Publications. Cruz, J. C. (2002). Introdução ao Estudo da Comunicação: Imprensa, Cinema, Rádio, Televisão e Redes Multimédia. (I. S. Politicas, Ed.) Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa. Cull, N. (2010). Public diplomacy: Seven lessons for its future from its past. Place Branding and Public Diplomacy, 6, 1, 11-17. de Carvalho Spínola, S. (2014, Comunicação Organizacional e Relações Públicas: horizontes e perspetivas. Relatório de um debate). As relações públicas estratégicas como construtoras de realidade. Comunicação Organizacional e Relações Públicas: horizontes e perspetivas. Relatório de um debate, 40-49. (T. Ruão, R. Freias, & P. &. Ribeiro, Eds.) Braga: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho. de Carvalho Spínola, S., Boulanger, H., & Cotton, A.-M. (2016). La diplomatie "publique" ou le puvoir de négociation des organisations internationales: le cas du Service des Affaires Etrangères de l'UE (SEAE). Revue de Management et Stratégie, 2:10, 33-54. Ferin, I. (2002). Comunicação e culturas do quotidiano. Lisboa: Quimera. L'Etang, J. (2006). Public Relations as Diplomacy. In J. L'Etang, M. Pieczka, P. Meech, V. Campbell, R. Kilborn, D. J. Tilson, . . . J. Roper, Public Relations: critical debates and contemporary practice (pp. 373-388). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. L'Etang, J. (2008). Public Relations Concepts, Practice and Critique. Londres: Sage Publications.

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Comunicação em diplomacia pública caso do mne português  

Projeto final de licenciatura (Ciências da Comunicação)- 1ª fase

Comunicação em diplomacia pública caso do mne português  

Projeto final de licenciatura (Ciências da Comunicação)- 1ª fase

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