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Ficha Técnica Título: Autores: Design: Impressão: Ano: Edição: Nº de Exemplares:


Mais valia do Produto

> Propicia a constituição de parcerias entre as organizações, empresas e agentes locais no desenho de soluções integradas de acompanhamento de percursos de Orientação, formação e inserção de jovens com baixas qualificações, centradas nas pessoas e nas dinâmicas territoriais presentes;

> Tem por base a mobilização activa dos jovens na construção de planos individuais de inserção à medida, bem como do envolvimento dos empregadores na construção de planos de formação em contexto de trabalho dos jovens nas suas empresas.

> Assenta na constituição de equipas comunitárias multidisciplinares e interinstitucionais, atribuindo um papel central às instituições locais e suas equipas na procura de soluções conjuntas para os problemas de acompanhamento de inserção dos/as jovens.

> A metodologia é apoiada num suporte informático, que se apresenta como uma ferramenta de informação e comunicação no acompanhamento dos jovens e adultos (SPERO), desenhada à medida tendo em conta as especificidades do processo de inserção profissional,

> Possibilita um recurso TIC que potencia a partilha de informação e a colaboração entre os/as técnicos locais, através da construção de uma Base de Dados comum;

> Foi equacionada inicialmente em sede de parceria de desenvolvimento e posteriormente construída integrando os contributos dos actores locais, sendo uma metodologia construída colectivamente e que incorpora o know-how de cada um dos/as intervenientes envolvidos/as.

Beneficiários finais

> Jovens e adultos com baixas qualificações em situação de desemprego ou com emprego precário

> Outros públicos em situação de desfavorecimento/desvantagem > Profissionais: técnicos/as com diferentes formações e funções, nas áreas de atendimento, educação, animação, associativismo, formação e Empregabilidade dos/as jovens e adultos em situação de desvantagem;

> Chefias e Técnicos(as) de Entidades empregadoras, Organizações empresariais que sejam agentes na colocação em posto de trabalho.


Utilizadores do Produto

> Organizações Não Governamentais, IPSS e organismos públicos com um papel relevante na animação de redes de parceria territorial tendo em vista o apoio a públicos desfavorecidos

> Técnicos e chefias de organizações públicas e privadas de apoio ao processo de formação e inserção profissional e/ou outras instituições que intervêm em territórios urbanos de exclusão ao nível da empregabilidade

> Entidades formadoras e empregadoras e/ou Associações Empresariais Estratégias de apropriação/incorporação 1. Formação e Acompanhamento dos Agentes com sessões de formação e acompanhamento directo (one-to-one) fomentando a partilha de experiências entre diferentes instituições, e facilitando o processo de re-adaptação da plataforma SPERO às idiossincrasias territoriais e individuais ; 2. Promoção de Workshops dirigidos a entidades do 3º sector, empresas e associações empresarias, trabalhando aspectos da metodologia Redemprega; 3. Promoção de 3 conferências no meio da investigação académica e ensino superior, dando destaque à utilização de novas tecnologias numa intervenção em rede e de proximidade e sensibilizar o meio académico para a colocação da prática investigativa ao serviço da comunidade numa sociedade de conhecimento 4. Difusão a partir de Comunidades de prática/redes de aprendizagem que impliquem organizações de diferente natureza, (social, empresarial, educacional, estatal) que se encontrem a desenvolver trabalho no apoio à empregabilidade de públicos desfavorecidos. 5. Acções de Marketing directo (meios comunicação locais e nacionais, mailing-lists, Participação em eventos directamente relacionados com a empregabilidade, como feiras de emprego)

Suportes do Produto Trata-se de um dossier apresentado em suporte papel integrando os dois subprodutos, incorporando também dois CD-ROM. O Produto Está igualmente disponível através do website www.empregoemalta.com. CD-Rom da SPERO contém: • Ficheiros PHP e estrutura da Base de Dados MySQL para instalar num Servidor Web; • Manual de Utilizador em PDF; • Exemplos práticos de utilização em vídeo; • Instruções ao/ à técnico/a informático/a; • Narrativa de construção da ferramenta


Autor(es)

ISU- Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária Núcleo de Lisboa KEOPS Multimédia UCP – Centro de Estudos de Serviço Social e Sociologia AERLIS: Associação Empresarial da Região de Lisboa Câmara Municipal de Lisboa- DAS- Equipa das Dependências

A quem recorrer para saber mais sobre o Produto Contactos:

ISU-Núcleo de Lisboa Bairro da Cruz Vermelha Rua Maria Alice nº 9, 1750 Lisboa Tel.: +351 217 591 831/217 596 112 Fax: +351 217 596 113 E-mail: e-real@isu.pt Responsável: Ana Adega KEOPS Multimédia T + 351 213 969 851 E keops@keops.pt E-mail: miguel.madeira@keops.pt Responsável: Miguel Madeira UCP – Centro de Estudos de Serviço Social e Sociologia T + 351 217 214 000 E-mail:catarina74@gmail.com Responsável: Catarina Batista


Índice: RedEmprega Introdução .....................................................................................................................................

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Capítulo 1 Construção da Equipa de Investigação-Acção ................................................................................

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Capítulo 2 Identificação dos Actores Abrangidos ..............................................................................................

19

Capítulo 3 Sensibilização e Mobilização dos Actores Abrangidos .....................................................................

25

Capítulo 4 Identificação Colectiva dos Problemas e Actulização do Diagnóstico ...............................................

29

Capítulo 5 Propostas de Orientação e de Acção Conjunta: a Construção do Plano de Acção ..........................

35

Capítulo 6 Experimentação de um Dispositivo de Orientação - Formação e Inserção .......................................

39

Capítulo 7 Construção de uma Metodologia de Trabalho para a Gestão Integrada dos Percursos de Inserção Profissional..............................................................

43

Bibliografia ....................................................................................................................................

53

Fichas RedEmprega ...................................................................................................................... Ficha 1 Factores a ter em conta na sensibilização e mobilização dos actores

57

Ficha 2 Referencial de Competências Básicas

59

Ficha 3 Referencial de Competências Básicas para a Empregabilidade e Cidadania

61

Ficha 4 Actualização do Diagnóstico / Instrumento: Questionário de Opinião aos/às Jovens

65

Ficha 5 Actualização do Diagnóstico / Instrumento: Questionário de Opinião aos/às Técnicos/as

67

Ficha 6 Actualização do Diagnóstico / Instrumento: Questionário de Opinião aos/às Empresários/as

69

Ficha 7 Aspectos a ter em Conta no Envolvimento da Bolsa de Empresas Participantes

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Ficha 8 Ao Organizar um Grupo de Actores Podemos ter em Conta alguns Aspectos Fundamentais

73

Ficha 9 Matriz de Enquadramento Lógico (MEL) / Plano Operacional

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ANEXO Capítulo 8 Metodologia de Apoio à Inserção Sócio-Profissional de Jovens em Situação de Desvantagem - DOFI ..................................................................................................................


Introdução

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A Iniciativa comunitária Equal, como instrumento na prossecução e operacionalização dos objectivos da Estratégia Europeia de Emprego e do Plano Nacional de Emprego, tem em vista promover novas práticas de luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade relacionadas com o mercado de trabalho, tendo em conta a criação de prática inovadoras que potenciem a empregabilidade de públicos mais fragilizados. A experimentação levada a cabo pelo Projecto Rede para a empregabilidade na Alta de Lisboa, enquadrada na presente Iniciativa, centrou-se na promoção da empregabilidade e no apoio à criação de redes locais para o emprego que pudessem constituir uma maisvalia na adopção de estratégias concertadas de intervenção sobre as condições de vulnerabilidade social do território da Alta de Lisboa (concelho de Lisboa, Freguesias da Charneca e Lumiar). A população jovem, sendo vítima preferencial de um mercado de trabalho pautado por dinâmicas de fechamento selectivo, exigia uma intervenção própria, sendo que a operacionalização de uma abordagem de percursos integrados de Orientação, formação e inserção, consistiu a prioridade de intervenção preconizada pelo projecto. O conceito e a prática dos percursos integrados de orientação-.formação-inserção partem da constatação de que existem grupos sistematicamente excluídos do sistema “regular” de educação-formação e com dificuldades persistentes de acesso ao emprego. Parte, ainda, da constatação de que as respostas existentes, ainda que anunciem alguma flexibilidade, apresentam-se fragmentadas e não se adequam às características específicas e aspirações destas pessoas. Acresce que este tipo de público raramente é chamado a intervir no desenho das políticas ou mesmo das acções concretas de que são os principais alvo (Henriques, M, 200) Admite-se que tais dificuldades são agravadas por um conjunto de factores multifacetados: 1. O sistema de educação-formação não está ainda preparado para dar resposta a necessidades, aptidões e interesses específicos dos públicos mais fragilizados, bem como, frequentemente, se revela um hiato entre os conteúdos formativos e as características do mercado de trabalho. Verificase, ainda, um fraco desenvolvimento de dispositivos de pré-formação e de pós-formação (acompanhamento pós-formação e pós-contratação); 2. Não existe uma cultura de intervenção em rede, que estabeleça pontes entre a escola, os serviços de formação e o mercado de trabalho; 3. As organizações, designadamente as empresas, nem sempre valorizam as reais competências dos indivíduos, nem tiram partido de uma “gestão da diversidade” dos recursos humanos, que favorece o desempenho das empresas e a igualdade de oportunidades; 4. Existe, frequentemente, um diferencial entre o que é definido como a missão (objectivos da intervenção) pelas organizações que trabalham com os públicos mais fragilizados, e o que resulta em práticas e resultados;

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5. Verifica-se um deficiente desenvolvimento de movimentos de auto-representação/auto-determinação (self-advocacy) das pessoas em situação de desvantagem e exclusão, no seio da sociedade civil, o que traduz insuficiências ao nível do da sua afirmação (empowerment)

Torna-se por isso fundamental que os estabelecimentos de ensino e de formação, os serviços públicos de emprego e formação, as autarquias, os serviços públicos orientados para os jovens, as ONG’s e IPSS’s, as cooperativas e empresas a nível local, as organizações de vizinhança próximas do quotidiano das pessoas e que contribuem para aprendizagens informais, cooperem estreitamente entre si, tendo em vista respostas integradas e mais eficazes, uma economia de recursos e o aproveitamento e potenciação de oportunidades de aprendizagem (inclusive em ambientes informais). O trabalho em rede em prol da inserção destes públicos é, por isso, estratégica, tendo em vista o combate à exclusão social, permitindo reunir os actores de um território nos diversos cenários e esferas: económico, social e político, por forma a alcançar-se um progresso significativo, duradouro e sustentável das comunidades. A dimensão do trabalho em parceria e participação é aplicada na maioria dos projectos locais , permitindo que os vários agentes se tornem responsáveis pelo combate à exclusão social, constituindo-se uma fonte de inovação, ajudando a fazer a ponte entre as dimensões económica e social.

Pontos de partida: Os problemas que o projecto e-re@l visou responder: A) JoVens coM baixas QUaLificaÇÕes escoLares e profissionais e eM siTUaÇÃo de excLUsÃo sociaL e econÓMica

Sendo o território da Alta de Lisboa pautado por uma realidade onde o desemprego afecta de uma forma mais grave os jovens e tendo em conta a predominância de uma muito baixa escolaridade nesta população, bem como a níveis de insucesso e abandono escolares precoces considerável, facilmente constatamos estar na presença de factores de constituem um obstáculo e um forte impeditivo na possibilidade de progressão escolar e consequentemente no ingresso a um mercado de trabalho competitivo e aberto dos jovens. A presença destas problemáticas são agravadas pelo fechamento do mercado de trabalho a estes públicos e pela insuficiência de respostas institucionais que contrariem esta tendência através de acções concertadas e integradas de orientação-formação-emprego. A população imigrante e seus descendentes, sobretudo aqueles que se encontram em situação irregular, são alvos preferenciais deste fechamento, enfrentando problemas de desintegração laborais e sociais acrescidos.

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B) AcTores Sociais SeM esTraTÉGia concerTada na Área da eMpreGabiLidade

Perante um contexto local em que diversas instituições funcionavam com base numa lógica de trabalho individualizado, embora muitas vezes coincidente nas respostas apresentadas à população, sem uma preocupação na convergência de esforços com outras, em termos de possíveis cruzamentos de acções para a melhoria das intervenções sociais, foi construída e desenvolvida uma metodologia processual que imprimiu uma dimensão inovadora de transformação para o aproveitamento de sinergias locais. A partir de abordagem territorializada que procura olhar os problemas do acesso ao emprego de uma forma especifica sentida pela voz dos seus interlocutores/ actores locais, o projecto procurou fazer estruturar uma rede local comprometida com a problemática da Empregabilidade, constituída pelo colectivo das instituições de educação, formação e acção social, com actividades na Alta de Lisboa. Esta rede implicaria a emergência de uma nova organização dos serviços, uma nova forma de trabalhar entre e com os técnicos, conduzindo no fim à modelização de novos instrumentos e procedimentos na gestão da informação relativa aos percursos de inserção profissional dos jovens. Tendo por base de partida, no que dizia respeito à área do emprego, um notório défice de estruturas/ respostas de inserção sócio profissionais, assim como uma desarticulação na capacidade de dar respostas integradas sobretudo na dinâmica Escola/emprego/formação: Em todo o território só existe uma UNIVA, o que se revelava manifestamente insuficiente para as necessidades existentes, com a agravante de um centro de emprego distante da rede de parcerias e muito pouco comprometido nesta aposta em equacionar novas formas de agir sobre estes públicos. Para tal partiu-se de problemas e valorizou-se as potencialidades locais tendo em vista a melhoria das condições de acesso ao emprego. Dela adviriam mais valias quanto ao domínio da auto estima individual e colectiva, assente em redes de cooperação territorial, numa potenciação das capacidades endógenas das pessoas em particular e dos territórios em geral. Assim, as instituições da Alta de Lisboa envolvidas no projecto empreenderam um processo de aprendizagem e experimentação conjunta, a partir da potenciação das competências dos técnicos e das instituições, que se considerou resultar em ganhos estratégicos e práticos consideráveis para cada projecto e para a população em geral, consolidando o trabalho em rede, através da utilização de uma ferramenta comum de comunicação e registo.

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C) Tecido eMpresariaL paUTado por dinÂMicas de fecHaMenTo seLecTiVo

A nível local partiu-se ainda da verificação da existência de postos de trabalho disponíveis no próprio território e no concelho, havendo, no entanto, uma segregação das empresas em relação aos jovens oriundos do território da Alta de Lisboa, tal como estes possuíam baixas expectativas quanto à sua futura integração. Este mesmo tipo de segregação estava presente nas opções de recrutamento das empresas da cidade, havendo um desajustamento entre as necessidades das entidades empregadoras e as competências dos jovens e adultos desempregados. Desta forma o projecto almejou encontrar nova(s) maneira(s) de trabalhar a inserção social e profissional dos jovens, ajudando-os a ganhar competências úteis às empresas, fazendo-os ganhar um sentimento de realização pessoal, de auto-estima. O objectivo seria menos o de “incluir” estes jovens mas o de encontrar novas maneiras para o fazer, dado que as formas correntes se revelavam pouco eficazes e a partir daí disseminar essas novas maneiras para aplicação em situações semelhantes.

(figura 1- ver slides)

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A metodologia de Investigação - Acção: O quadro conceptual centrou-se, assim, na análise dos problemas e das dinâmicas específicas deste território, em função da enunciação colectiva da situação - problema, realizada por técnicos/as sociais, empresários/as e jovens, orientada para um projecto de acção que visasse a modificação desta situação pelos próprios actores. De sublinhar a importância e a centralidade que as (pré)representações dos sujeitos e as suas práticas assumiram para desenhar o formato do acompanhamento, tanto do processo cognitivo como dos processos de acção e avaliação. Para a construção e supervisão do percurso, recorreu-se à metodologia investigação - acção e de projecto, a qual pressupõe o planeamento das acções com a participação dos grupos-alvo em todas as fases da intervenção. Assim, por forma a ilustrar cada etapa que conduziu à construção da rede para a empregabilidade, cada capítulo apresentado corresponde e pretende reflectir cada uma das fases de construção de um projecto de intervenção territorial, imbuído num processo de investigação- acção, tendo por referência aos objectivos concretos e o domínio temático da empregabilidade. Para se fazer acompanhar a intervenção social de um processo de formação conduzindo ao empoderamento por parte dos sujeitos, era necessário sedimentar esta componente com recurso a práticas pedagógicas interactivas e à utilização de métodos e técnicas diversificados, tendo em conta as características e especificidades dos diferentes actores envolvidos. Teve-se por referência os seguintes princípios de acção:

> A capacidade de inovar surge a partir de intervenções localizadas, na dinâmica criada pela articulação do projecto (objectivos) e do território (relação particular dos actores presentes e da atmosfera que eles são capazes de gerar);

> Um projecto é um instrumento de transformação, que junta uma plurali dade de actores numa estrutura e que pode provocar uma mudança nas suas formas de intervir e das suas organizações;

> Uma intervenção multidimensional e transversal traduz-se na implementação de cooperações e de parcerias, as quais apelam para o estabelecimento de contratos (acordos e/ou protocolos) entre os diferentes actores (informais e institucionais);

> A implementação de um dispositivo de gestão de projecto, constituído por uma rede transversal de actores, traduz-se numa desburocratização da actuação de cada organização e na construção de interfaces e de mediações inter-institucionais, nomeadamente através da construção colectiva de uma ferramenta informática para utilização conjunta;

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> As pessoas estão no centro da actuação destes projectos, pelo que se deverá valorizar o seu capital social e entender a sua participação, ao nível da concepção da própria intervenção o que implica uma ruptura com a lógica de distinção entre promotores e beneficiários.

O Sub produto Redemprega Tendo por ponto de partida os problemas a que o projecto pretendeu responder, tendo em conta os actores principais na intervenção de um projecto desta natureza, o subproduto REDEMPREGA apresenta um modelo de gestão de uma Rede para a Empregabilidade, salientando os aspectos positivos e constrangimentos encontrados na abordagem dos três diferentes actores envolvidos: técnicos locais, jovens e empresários.

Para a construção deste subproduto, foi utilizada uma metodologia participativa integrada de todos os(as) parceiros(as) (parceria de desenvolvimento e parceria local) do projecto, numa base de complementaridade, para que a sua configuração final reflectisse as competências, interesses, conhecimentos e experiências de todos e respondesse às necessidades existentes. O processo foi consubstanciado pela acção de um grupo de trabalho para o efeito, constituído pelos parceiros da PD, ISU- Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária, Universidade Católica Portuguesa- Centro de Estudos de Serviço Social e Sociologia, AERLIS e Câmara Municipal de LisboaDivisão Acção Social, encarregue da preparação dos instrumentos e materiais necessários. O presente dossier integra fichas de trabalho (teóricas e práticas) que pretendem exemplificar a metodologia utilizada e os instrumentos construídos pelas diferentes equipas interinstitucionais. Permite ainda a apropriação de um conjunto de materiais pedagógicos de monitorização e avaliação produzidos à medida utilizados no acompanhamento dos percursos de inserção. Nos diversos capítulos apresentados ir-se-à evidenciar como se pode por em prática a utilização de uma metodologia de investigação-acção que congrega as metodologias de planeamento participativo, de conscientização e o recurso a metodologias de avaliação contínua e participada.

Tendo em conta os diferentes tempos de implementação de uma metodologia desta natureza, pretende-se ilustrar e dar respostas a questões como:

> Como recensear os actores abrangidos pelo problema? > Como se pode proceder para construir um plano de acção? > Como operacionalizar uma rede de parceria e grupos operativos que implementem o diagnóstico e o plano de acção?

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> Como operacionalizar um dispositivo de inserção profissional para jovens em situação de exclusão? Tendo em conta a resposta a algumas destas questões, o presente dossier apresenta uma estrutura com 7 Capítulos que remetem para um conjunto de Fichas destacáveis com instrumentos de trabalho produzidos à medida. Ao longo dos 7 capítulos são igualmente apresentados um conjunto de Figuras e Diagramas, bem como fichas narrativas ilustrativas das soluções encontradas pelo Projecto e-re@l . Apresenta ainda um capítulo dedicado exclusivamente à metodologia de apoio aos percursos de inserção sócio profissional construída e experimentada no âmbito do Projecto e-re@l, pretendendo servir como recurso orientador ao acompanhamento de percursos de inserção, descrevendo em pormenor técnicas de atendimento de utentes, de apoio à procura de emprego, de balanço de competências e de preparação, implementação e avaliação de projectos de formação sócio-profissional à medida. Desta forma é possível dar a conhecer um conjunto de metodologias activas, centradas no empoderamento individual para a melhoria da auto-estima dos utentes na construção de projectos de vida adequados e de acordo com as competências e necessidades de cada jovem. Por fim, contribuir para uma melhor eficácia das intervenções territoriais no acompanhamento de percursos de inserção e na abordagem às empresas.


Capítulo 1

Construção da Equipa de Investigação-Acção

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A identificação de um problema por parte de um ou mais actores num contexto específico e a tentativa da sua resolução nesse contexto, origina a necessidade de ser construído um projecto de intervenção. O lançamento de um projecto pressupõe a existência de uma equipa de trabalho, que se constitui tendo em conta o problema de partida e simultaneamente o objecto de intervenção. Esta equipa assume a iniciativa de desenvolver as primeiras acções sendo fundamental a sua credibilidade junto da comunidade, congregando um conjunto de relações diversificadas e de actores que representem as diferentes esferas da vida social, económica e política. Identificadas as dimensões do problema, a equipa deve ser constituída por entidades que demonstrem, de alguma forma, competência e natureza formal no âmbito em que se pretende agir para a resolução do problema identificado. A cada dimensão pode corresponder um grupo de trabalho que cruze, no terreno, os contributos funcionais e disciplinares de cada uma das organizações que, constituídas numa parceria, assegurem a prossecução das acções para a concretização dos objectivos definidos por todas para a intervenção correctiva do problema. Estes grupos devem monitorizar objectivos, acções e resultados a atingir, rentabilizar as diferentes competências e recursos da própria parceria e articular as diversas componentes do projecto. A constituição de equipas de trabalho ou de acção tem por objectivo, não só reflectir sobre a estratégia global de condução do projecto, mas também, assumir a responsabilidade de lançar as primeiras acções no terreno. A escolha da metodologia de investigação - acção, também chamada de pesquisa participativa, para desenvolvimento do projecto, deveu-se à necessidade metodológica de envolvimento de todos os intervenientes nas diferentes fases da intervenção, para que o mesmo seja acompanhado de um processo formativo que acrescente os conhecimentos e as competências aos sujeitos implicados. Esta metodologia pressupõe a integração dos sujeitos “objecto de estudo e intervenção” como sujeitos de pesquisa e actores sociais, ou seja, como intervenientes activos, quer na investigação quer na acção. Procura-se produzir conhecimento sobre a realidade que permita me-lhorar as práticas e solucionar os problemas identificados. Segundo Isabel Guerra (2000) (Fundamentos e processos de uma sociologia de acção: o planeamento em Ciências Sociais IC Guerra - 2002 - Principia), permite a produção de mudanças sociais e a mobilização de competências dos intervenientes. O ponto de partida da investigação-acção não é um quadro de hipóteses ou uma teoria, mas sim uma situação real, num processo em que o investigador é simultaneamente actor. A mais valia deste tipo de metodologia refere-se ao facto de possibilitar aprendizagens e modificações à medida em que as situações vão evoluindo, o que permite a identificação e construção de soluções mais adequadas às problemáticas em questão.

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Na dinamização das propostas de orientação e acção conjunta. Pode-se ter em consideração as seguintes recomendações:

1. PonTo de parTida e processos de idenTificaÇÃo:

> Partir das representações dos sujeitos e da sua concepção da realidade – recolher as imagens e as histórias que traduzem a maneira de cada um/a ver e ler a realidade, como ponto de partida para o conhecimento do território;

> Reflectir e agir colectivamente - é um processo que faz alterar a análise dos problemas, as formas de acção e as maneiras de interpretar a realidade, por parte de cada um, e permite criar novas percepções;

> Construir progressivamente um projecto colectivo - valorizar o trabalho de cada um/a e salientar a importância da cooperação para encontrar objectivos realistas contribui para se alimentar um projecto colectivo;

> Fazer circular a informação e sistematizar os diferentes contributos internos e externos;

> Investir nas questões afectivas - apostar numa boa relação inter pessoal entre os diferentes actores

> Identificar os princípios e valores éticos que orientam a acção colectiva e discuti-los no decurso da acção, com base em situações concretas. 2. ForMas de acÇÃo e apropriaÇÃo coLecTiVa

> Construir progressivamente um projecto colectivo - valorizar o trabalho de cada um/a e salientar a importância da cooperação para encontrar objectivos realistas e alimentar um projecto comum;

> Implementar uma metodologia de investigação-acção - envolver profissionais e destinatários como sujeitos de acção, tornando-os parte activa do seu processo de mudança

> Associar todos os parceiros à elaboração do diagnóstico, definição das prioridades de intervenção e avaliação, como processo que fortalece a parceria e integrar o diálogo e a discussão na acção comum;

> Proceder ao levantamento das experiências de cada um/a, recolher sugestões e ideias, fomentar a criatividade no grupo, permitindo o desencadear de acções inovadoras e não repetir “receitas”

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> Repartir claramente as responsabilidades e as funções, fazer com que cada um/a perceba e se responsabilize pelo seu lugar e papel no grupo, o que limita os riscos de conflito;

> Envolver os diversos actores em acções concretas com objectivos e timmings definidos em conjunto;

> Definir de forma clara e explicitar os circuitos de informação, comunicação e decisão. 3. IncorporaÇÃo dos saberes na consTrUÇÃo da acÇÃo

> Proceder ao levantamento das experiências de cada um/a, recolher sugestões e ideias, fomentar a criatividade no grupo;

> Cruzar as competências e responder às diferentes expectativas dos parceiros, diversificando as formas de acção e dando a cada um/a a oportunidade para encontrar o seu lugar na parceria;

> Apostar na pluralidade de métodos e técnicas de abordagem, preconizando uma metodologia integrada e adaptada aos contextos de intervenção;

> Possibilitar o trabalho em equipa e proporcionar novas formas de comunicar, para além dos circuitos tradicionais e oficiais das instituições.

4. Feeb-bacK das acÇÕes sobre as coMpeTÊncias dos sUjeiTos

> Diversificar as formas de acção, dando espaço de intervenção a cada um/a, de acordo com as suas competências e o seu lugar na parceria;

> Recorrer a experiências exteriores para melhorar a qualidade de trabalho, como forma de fomentar a discussão entre os parceiros e estimular a criatividade face a novas acções;

> Convidar peritos, especialistas externos e outros profissionais, para realizarem acções de esclarecimento, de modo a responder a necessidades de formação previamente identificadas pela parceria.

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5. ConsTrUÇÃo de resULTados e sUa deVoLUÇÃo aos acTores

> Recensear e rentabilizar os recursos sociais internos, através da partilha entre profissionais e organizações;

> Procurar resultados duradouros através da introdução de mudan ças sugeridas e desenvolvidas pelos/as protagonistas locais;

> Integrar o trabalho voluntário de outros actores locais; > Estreitar a cooperação entre a esfera social e a esfera económica, através da identificação de mediadores e interlocutores privilegiados, no território e junto das empresas;

> Transformar os objectivos em produtos materiais, quantificados e datados no tempo;

> Calendarizar momentos colectivos de discussão e apropriação dos resultados construídos.

6. AVaLiaÇÃo e DisseMinaÇÃo

> Criar mecanismos e momentos de análise e discussão dos pro cessos e dos resultados, que permitam aferir a eficácia da intervenção;

> Convidar peritos, especialistas externos e outros profissionais, para realizarem críticas e comentários à intervenção, de modo a identificar lacunas e a recolher outras sugestões;

> Discutir internamente as sugestões e alterações deixadas pelos(as) observadores externos, incorporando-as.

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O Projecto e-re@l implicou a constituição de uma Parceria de Desenvolvimento (PD) (geográfica ou sectorial, como define o enquadramento da Equal, constituída por projectos com diversos parceiros que trabalham horizontalmente em problemas relacionados com diversas formas de discriminação). Este projecto foi dinamizado e monitorizado pela PD, cuja constituição incluía cinco parceiros cada um representando uma área específica: > poder autárquico (através de um serviço

da Câmara Municipal de Lisboa)

> sector empresarial (através de uma

> academia (incluindo uma universidade) > novas tecnologias (através de uma empresa

de multimédia)

associação empresarial)

> organizações territoriais (através de uma

ONGD)

Para se constituir a equipa de investigação-acção integrada por actores locais, recensearam-se e convidaram-se as organizações e associações representativas das áreas de educação, formação, emprego e animação com jovens. Para se estabelecer a interface com as empresas privilegiou-se a interlocução com as empresas através de dois elementos da PD, a representante da autarquia (para articular com as empresas municipais) e a representante da associação empresarial (para articular com as empresas associadas). A missão da equipa constituída pelas organizações que compunham a Parceria de Desenvolvimento, foi definida, num primeiro momento, como: A. Aprofundar a análise das pistas dadas pelo diagnóstico elaborado durante a Acção I; B. Validar estas pistas juntos dos actores locais e sectoriais, permitindo a sua reflexão e recolhendo novos contributos; C. Propor aos actores locais, as primeiras iniciativas concretas, que não comprometiam grandes investimentos e que tinham objectivos necessariamente limitados, mas que permitiam envolver todos numa reflexão e a acção que estavam intimamente relacionadas com as suas funções profissionais e institucionais. De acordo com os parceiros assim identificados como actores pri-vilegiados para a intervenção, organizaram-se as linhas de acção do projecto em torno de cinco eixos estratégicos: eixo 1- rede de jovens, eixo 2 – tecido empresarial, eixo 3 – parceria de organizações locais, eixo 4 – parceria transnacional (requisito do Equal) e eixo 5 – avaliação (enquanto transversalidade da acção intereixos). A concretização destes propósitos, tornou-se viável a partir do trabalho desenvolvido em cada eixo,

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sendo possível assim aprofundar o diagnóstico a partir dos eixos 1, 2 e 3 (jovens, empresas e organizações locais) e encontrar aí as linhas de acção no terreno. Através do eixo 4 seria possível incorporar os contributos da parceria transnacional e trocar experiências a partir do trabalho desenvolvido por cada eixo. Com o eixo 5, avaliação, ficou a responsabilidade de dinamizar todo o processo de investigação-acção-formação através do recurso a dinâmicas de animação e metodologias participativas.

EIXOS DAS ACTIVIDADES DO PROJECTO E-RE@L

Figura 2

INPUTS

OUTPUTS Aumento da Visibilidade instituicional

RESPONSABILIDADES NO PROJECTO

Câmara Municipal de Lisboa

Capacidade de ampliação das acções do projecto

Marketing empresas municipais

Associação Empresarial da Região de Lisboa

Competências no “diálogo” e Aumento da participação na envolvimento dos emprega- rede de parcerias, conhecidores/ empresas mentos e cooperação

Responsabilidade social das empresas/Marketing Social Formação à medida

Universidade Católica Portuguesa

Ferramentas teórico/práticas Consolidação de metodolono trabalho com os actores gias de investigação- acção locais e no acompanhamento e avaliação de projectos

Avaliação interna do projecto, Formação actores locais

ISU

Experiência na Intervenção Melhoria na capacidade com o Público alvo; Capaci- de intervenção na área da dade de experimentação empregabilidade, de estratégias participativas com o público alvo

Coordenação do projecto Acompanhamento do grupoalvo Dinamização da Rede para a empregabiliddae

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Capítulo 2

Identificação dos Actores Abrangidos

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Identificado um problema, da Empregabilidade da população jovem na Alta de Lisboa, no caso do projecto e-re@l, e definido um caminho a seguir para a sua resolução, torna-se essencial a identificação e mobilização dos actores que, dentro do contexto definido de intervenção, poderão contribuir com as suas capacidades e envolvimento para a resolução de dificuldades do próprio contexto no qual estão inseridos. Considera-se assim que a identificação dos actores torna-se uma das fases principais do desenvolvimento de um projecto num contexto local. Estes actores podem ser indivíduos, grupos, associações, instituições públicas e privadas, que possam contribuir directa ou indirectamente para a melhoria de determinado contexto, para colmatar dificuldades no local. São estas entidades (e pessoas) que têm, em princípio, uma perspectiva mais real e objectiva sobre as suas necessidades, interesses, potenciais, condicionamentos, conflitos, etc. No que se refere à questão da empregabilidade foi definido como essencial o envolvimento de Empresas, no sentido da sua sensibilização para a questão e para permitir um trabalho mais concertado e objectivo com um dos actores mais importantes em termos de inserção profissional.

EM GeraL podeM idenTificar-se cerca de cinco caTeGorias de acTores:

> Representantes institucionais: de estabelecimentos públicos e privados;

> Profissionais: técnicos/as com diferentes formações e funções nas instituições representadas/sediadas no contexto local de intervenção

> Entidades privadas de carácter económico e político > Associações locais ou grupos informais > População em geral

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AO IDENTIFICAR OS ACTORES A ENVOLVER NUM PROJECTO É NECESSÁRIO TER EM CONTA ALGUNS ASPECTOS FUNDAMENTAIS: > Identificar os parceiros e potenciais recursos de que dispõem e que devem ser mobilizados para a intervenção: A) É importante que se estabeleçam laços pessoais e institucionais entre os diferentes parceiros B) Devem ser associadas pessoas/instituições com motivações diferentes de forma a enriquecer a acção C) Devem ser conhecidos e avaliados os recursos e os problemas de cada parceiro e procurar demonstrar o interesse do projecto especificamente para a pessoa /instituição que se pretenda envolver

> Assegurar o apoio dos responsáveis das instituições de modo a legitimar e assegurar a participação da entidade nas actividades, procurando evitar uma implicação directa dessas pessoas na acção, mas sim dos técnicos que trabalhem na área de intervenção;

> Listar as entidades a envolver (no caso da empregabilidade, uma lista de empresas que apresentam um perfil, de missão e objectivos, que se possa adequar às necessidades de formação e estágio em contexto real) tendo em conta o objectivo da intervenção e a potencialidade da sua contribuição nas actividades a desenvolver;

> A população local é um dos parceiros fundamentais, sendo um dos parceiros cuja contribuição pode ser mais relevante, no que se refere ao conhecimento da situação, prioridades da intervenção e expectativas. A sua participação pode acontecer de inúmeras formas e através de vários grupos e pessoas, sendo aconselhável reforçar a mobilização de líderes e de grupos “motores” do envolvimento da comunidade;

> Definir o objecto da intervenção tendo em conta os interesses, expectati vas e competências dos diferentes parceiros, para que a sua mobilização seja facilitada

> Definir colectivamente o objecto da acção e as modalidades de parceria > Diferenciar as responsabilidades e as contribuições dos diferentes parceiros: As contribuições e investimentos dos parceiros são diferenciadas e podem variar em natu-reza, intensidade e também ao longo do processo.

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Como referido anteriormente, no caso do Projecto e-re@l foi identificada a questão da empregabilidade como a mais premente para a intervenção. Percebendo a empregabilidade como “a capacidade para adquirir e renovar as competências profissionais ao longo da vida”, tendo sido verificado que estas aquisições se processam ao longo de toda a trajectória social das crianças e jovens, relacionando-se com o capital cultural e social, mobilizado durante o seu percurso escolar e formativo, sendo as condições assim criadas, determinadas e determinantes dos percursos de inserção. Para alcançar objectivos tão globais como aqueles a que se propunha o projecto e-re@l, apresentados na Introdução, a equipa da PD sentiu a necessidade de dinamizar uma rede local com profissionais de organizações que desempenham funções ao longo deste percurso educativo e formativo dos jovens. A figura 3 representa, de forma gráfica, os actores envolvidos no processo de intervenção.

REALAÇÃO ENTRE TRÍADES DE ACTORES

Figura 3

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De forma mais precisa, é possível tipificar os actores envolvidos da seguinte forma:

> EMPRESAS: Micro Empresas; Pequenas e Médias Empresas;

Empresas Municipais (de diferentes áreas de negócio)

> INSTITUIÇÕES LOCAIS: ONGD´S; Fundações; IPSS; Asso-

ciações de Base Local, Autarquia; Instituições Públicas (locais/ sectoriais)

> JOVENS: Jovens dos 16 aos 30 anos desempregados e residen

tes na Alta de Lisboa, nas freguesias da Charneca e Lumiar

Para proceder à identificação das categorias de actores anteriormente referidas, a parceria de desenvolvimento procurou utilizar várias meto-dologias diferentes:

> JOVENS

A) Realizar um contacto personalizado, através dos/as mediadores/as sociais de uma das entidades da PD. B) Proceder ao levantamento de jovens desempregados e com os requisitos exigidos pelo projecto, junto das instituições locais. > TÉCNICOS/AS LOCAIS

A) Recensear todas as instituições locais e sectoriais que desenvolvam actividades com e para jovens e/ou na área da Empregabilidade, nos territórios de intervenção. B) Tipo de organizações a envolver: ONGD´S, Fundações, IPSS, Associações de Base Local, Autarquia, Instituições Publicas (locais/ sectoriais) > EMPRESÁRIOS/AS

A) Consultar fontes de recolha de informação diversificadas: (A) base de dados de Associações Empresariais (B) pesquisa on-line. B) Contactar um leque amplo de empresas – de diferentes sectores e dimensões – no sentido de auscultar as suas necessidades e interesses, e estabelecer contactos iniciais que antecipem a participação e envolvimento das empresas no projecto. C) Tipo de organizações a envolver: Micro Empresas, Pequenas e Médias Empresas, Empresas Municipais (de diferentes áreas de negócio)

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Capítulo 3

Sensibilização e Mobilização dos Actores Abrangidos

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Após a identificação dos parceiros, o passo seguinte é conseguir o seu compromisso para a resolução do problema. Para tal pode ser priorizada a realização de acções de sensibilização que visem recolher as experiências anteriores dos actores locais, perceber as suas expectativas e motivações para transformá-las em acções a integrar num projecto comum. É a interacção entre o possível e o desejável que vem fomentar a reflexão e promover soluções para transformar uma situação. Os objectivos específicos da sensibilização dependerão assim dos actores a envolver. De uma forma genérica, as acções de sensibilização pretendem alcançar 4 objectivos (Deslauries;sd):

> Introduzir alterações no plano individual dos jovens, profissionais e empresas;

> Mobilizar as pessoas que vivenciam o problema directamente (jovens e profissionais) com o objectivo de se organizarem para minorar ou alterar a sua situação;

> Influenciar os decisores (dirigentes institucionais e empresários) e incitá-los a agir, sensibilizando-os para as dificuldades e necessidades da população;

> Formar a opinião pública, ao nível local, com o objectivo de criar condições favoráveis para a mudança preconizada. Paralelamente, aos objectivos apresentados, é importante avaliar o tempo e os recursos disponíveis, o que permite à equipa de trabalho determinar a amplitude (actores envolvidos, estratégias de animação, etc.) das acções a desenvolver (ver Ficha 1).

No caso do projecto e-re@l, apesar dos problemas de acesso ao emprego serem assumidos como um problema grave pelo colectivo de instituições, no território não existia um conjunto de organizações pouco vocacionadas para a área da Empregabilidade. Tornou-se necessário (re)centrar a questão por forma a adoptar uma nova perspectiva partilhada. Os três exemplos que se seguem permitem ilustrar as diferentes estratégias utilizadas adaptadas a três actores-chave distintos.

> JOVENS

Na mobilização e sensibilização dos jovens podem ser utilizadas as seguintes estratégias: A) Actividades de carácter lúdico-pedagógico, desenvolvidas por umas das entidades da equipa de trabalho, no terreno, para introduzir o tema da Empregabilidade, procurando a sua sensibilização para a importância da definição do seu projecto de vida.

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B) Transmissão da informação aos jovens através de grupos de jovens existentes numa perspectiva de incentivar a comunicação inter-pares C) Abordagem de rua pelos/as mediadores/as que, através das actividades com os/as jovens, podem sensibilizá-los para as questões da Empregabilidade e os/as sinalizaram para o projecto. D) Divulgação de actividades das instituições com relevância no trabalho com os jovens, através da distribuição de cartazes na rua, escolas, instituições sociais e estabelecimentos comerciais, para além da transmissão da informação junto dos jovens. E) Articulação com instituições locais, serviços de animação e atendimento social, para possibilitar a sinalização de casos- chave e o seu encaminhamento. > TÉCNICOS/AS LOCAIS

A) Reconhecimento de instituições locais que intervêm com jovens nas diferentes vertentes e não exclusivamente na Empregabilidade, agrupando as mesmas posteriormente por áreas de acção. B) Realização de uma sessão pública (nas instalações de uma das instituições locais) destinada à apresentação do projecto. Deve ser auscultada a motivação e sensibilizada cada uma das organizações presentes, através da realização de reuniões, para os objectivos propostos. > EMPRESÁRIOS/AS

A) Realização de um Seminário, desenhado essencialmente para empresários e responsáveis de recursos humanos, para apresentação do projecto e identificação de potenciais empresas aderentes, alertando para as questões da Responsabilidade Social, nomeadamente através de um seminário. B) Inserção de notícias sobre o projecto na newsletter mensal da Associação Empresarial. C) Envio às empresas de carta de apresentação do projecto - Realização de um questionário de opinião sobre competências básicas para a Empregabilidade. D) Contactos personalizados com os empresários que mostraram maior interesse e sensibilidade para cooperar com o projecto

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Capítulo 4

Identificação Colectiva dos Problemas e Actulização do Diagnóstico

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Na intervenção de cariz social e comunitário, considera-se necessário que os actores enunciem colectivamente o problema que a sua comunidade enfrenta e que validem procedimentos/ hipóteses de intervenção para a resolução do mesmo, mobilizando as suas capacidades na acção colectiva. Este processo pode ter como base um diagnóstico realizado anteriormente ou pode constituir o próprio uma avaliação diagnóstica. Neste sentido pode considerar-se fundamental neste processo:

> Enumerar as situações-problema ou aprofundar a análise das situações identificadas num diagnóstico inicial;

> Sensibilizar e envolver os diferentes actores identificados anteriormente; > Validar as hipóteses de intervenção, sujeitando-as à apreciação dos actores locais;

> Ganhar compromissos dos diferentes actores para a intervenção a partir da distribuição de papéis e tarefas.

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No caso do Projecto e-re@l partiu-se do Diagnóstico realizado na Acção 1 para definir objectivos de trabalho relativamente à enunciação do problema, para cujo cumprimento foi constituído um grupo de trabalho interinstitucional contando com os contributos das 5 organizações da PD, com o objectivo de aprofundar o diagnóstico relativamente a:

> A situação dos/as jovens (com baixas qualificações sociais, académicas e/ ou profissionais)

à procura de emprego e com necessidades de inserção social;

> As competências básicas (transversais e específicas) requeridas pelas entidades empregadoras; > A visão dos actores sociais (técnicos e empresários) sobre as competências a desenvolver

nos/as jovens da Alta de Lisboa para o acesso ao mercado de trabalho;

Com o aprofundamento do diagnóstico, o grupo concebeu os seguintes instrumentos de trabalho:

> Os conceitos de Empregabilidade e de Competências Básicas para a Empregabilidade consubs-

tanciados num referencial de competências básicas, necessárias para os jovens acederem ao mercado de trabalho (através da criação de três questionários de recolha de opinião sobre Competências Básicas para a Empregabilidade, a aplicar aos jovens, às empresas municipais e empresas associadas da Aerlis e aos técnicos das instituições locais (ver ficha 2 e 3).

> Uma recolha sobre as metodologias e boas práticas a nível nacional utilizadas no processo de

integração vocacional e profissional de jovens em risco

> Deste benchmarking resultou a criação de modelo de acompanhamento social, vocacional e

profissional de jovens baseado e adaptado do modelo de Emprego Apoiado, assente no balanço, desenvolvimento e avaliação de competências básicas para a Empregabilidade

Após a construção e validação destes instrumentos pelos actores da PD, considerou-se importante que fossem socializados pela equipa de técnicos locais, através de reuniões de trabalho. Estes instrumentos foram introduzidos em pequenos blocos formativos ou em fichas de trabalho discutidas em pequeno grupo.

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Para o processo de planeamento, considera-se essencial a participação do público-alvo e o seu envolvimento pode e deve ser estimulado através de vários métodos de planificação. Segundo Santos, Martins e Borges (2004) este processo compreende 3 fases, primeiro uma análise do contexto, seguida de análise dos agentes, objectivadas no desenvolvimento do processo participativo em si. Para tal devem ser estruturados calendários de reuniões, para a discussão dos principais pontos de acção, workshops participativos e sessões de divulgação e esclarecimento. Devem ser produzidos materiais de divulgação, apresentações, etc. A escolha das técnicas a utilizar depende muito dos objectivos do plano, mas deve ter em conta o tipo de tomada de decisão que se pretende que os participantes tenham; o nível de interacção que se procura; de forma a alcançar os objectivos definidos.

No que se refere a uma intervenção na área da Empregabilidade, podemos fazer uma abordagem estratégica auscultando os Técnicos de instituições locais que desenvolvam trabalho na área e as Empresas e seus quadros dirigentes.

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Para o TrabaLHo coM os TÉcnicos

Deve-se novamente analisar o contexto e as instituições da comunidade com trabalho realizado na área definida para intervenção. Seguidamente podem iniciar-se os trabalhos com o recurso a uma nova inventariação de todas as organizações com intervenção na área de empregabilidade na zona de intervenção (ver ficha 5). Para que a acção se torne, simultaneamente, preventiva e interventiva pode ser necessário integrar instituições de áreas ligadas à empregabilidade, como a área da escolarização, formação e emprego. É de sublinhar a importância de partir das representações dos sujeitos e das suas práticas, para o desenho da intervenção, levando a uma enunciação colectiva da situação-problema, realizada pelos próprios técnicos. Em reuniões que se convoquem posteriormente, podem ser introduzidos momentos de formação versando conceitos-chave da intervenção (por exemplo: desenvolvimento local, empregabilidade, competências básicas, modelo de emprego apoiado, intervenção em rede, entre outros). Com a constituição de uma equipa com know-how em metodologias participativas, pode ser introduzida uma dinâmica própria nas sessões de trabalho, permitindo que cada um desses momentos se torne numa oportunidade de formação dinamizada pela própria equipa técnica.

ReLaTiVaMenTe Às eMpresas e eMpresÁrios/as

Pode aplicar-se um questionário a um conjunto de empresas previamente seleccionadas, de sectores e dimensões diferenciadas. Posteriormente deve fazer-se um follow-up, através de contacto telefónico, para reforço e garantia de um número de questionários respondidos e válidos (ver Ficha 6 e 7) A partir do seu feedback e da manifestação do seu interesse em colaborar, pode proceder-se à selecção de empresas que posteriormente se contacta e convida a participar (através de encontros presenciais, quer telefonicamente ou por e-mail). Das respostas aos questionários podem ainda identificar-se as competências necessárias para o acesso ao emprego, bem como percepcionar o interesse das empresas e a sua disponibilidade para integrar o público-alvo da acção (ver Ficha 6)

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Capítulo 5

Propostas de Orientação e de Acção Conjunta: a Construção do Plano de Acção

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Após a identificação e mobilização dos actores participantes e da consequente identificação dos problemas, mas também das oportunidades e de todas as iniciativas que possam ser rentabilizadas no território, tendo por referência o problema de partida da empregabilidade, deve proceder-se ao desenho de um plano de acção construído colectivamente. A importância da construção do plano de acção é que permite fazer emergir soluções adaptadas ao contexto e aos actores locais, fazendo o encontro de diferentes opiniões, tentando chegar a consensos e responsabilidades partilhadas, assumindo-se colectivamente os diversos pontos de vista e as divergências encontradas (ver ficha 8). Deste ponto de vista, construir uma Rede Local passa pela adopção de um processo comunicativo e de cooperação inter-organizacional, que assegure a combinação de conhecimentos distintivos e a experiência dos diferentes actores envolvidos, que possam ser mobilizados para a concepção de novas formas de atender, orientar e inserir os públicos ao nível da Empregabilidade (Nunes, 2000). As propostas de intervenção devem basear-se, assim, em sugestões e perspectivas de acção elaboradas pelos parceiros, tendo em conta a jurisdição de cada instituição, os recursos disponibilizados, as competências e experiências profissionais, as competências e necessidades dos/as pessoas, as expectativas da comunidade e as características e as necessidades do mercado de trabalho. A realização do plano de acção pode vir a suscitar a a importância de proceder à colectivização dos instrumentos e práticas, utilizados pelos(as) profissionais, resultando na definição de um percurso de acompanhamento integrado de inserção, ou seja no desenho de uma metodologia de intervenção na área da empregabilidade adaptada à especificidade dos territórios Esta metodologia pode ser traduzida em linguagem digital, para uma ferramenta informática, capaz de proporcionar o acompanhamento articulado de casos, com utilização dos mesmos instrumentos de registo e fontes de informação, por todos/as os/as técnicos/as que constituem a rede (no caso do Projecto e-re@l, a ferramenta informática criada surgiu assim como resposta à necessidade de uniformizar os critérios e os procedimentos, bem como de partilhar a informação). A construção de uma ferramenta digital irá permitir a experimentação do dispositivo/ metodologia criada, e a sua posterior apropriação pelos(as) técnicos da rede local.

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No trabalho desenvolvido com a rede local, o projecto e-real pretendia provocar uma série de mudanças significativas que passavam pela alteração das representações individuais, face ao problema, e dos contributos de cada um/a, que se pretendia que fossem colectivamente incorporados através da procura de soluções conjuntas. > No projecto e-re@l, o aprofundamento colectivo do diagnóstico foi realizado em paralelo à

fase de planeamento e acção do projecto, sendo discutidas as questões relativas a cada fase do percurso, (escolarização, formação e inserção), quer com os jovens (através de focus group) quer em cada grupo de trabalho dos/as técnico/as (escolarização, formação e inserção).

> A criação de reuniões mensais alargadas que se traduziram em momentos de trabalho colectivo,

foi fulcral. Estas reuniões funcionaram em plenário da parceria e outras em trabalho de pequeno grupo, organizando-se os(as) profissionais em pequenos grupos operativos.

> Foi no seio destes grupos que se fez o planeamento do trabalho, potenciado com o apoio de

técnicas de visualização e de planeamento participado, designadamente as técnicas de visualização VIPP. A Utilização da Matriz de Enquadramento Lógico e respectivo Plano Operacional revelaram-se instrumentos de trabalho muito adequados (ver ficha 9).

ForaM consTiTUÍdos os seGUinTes TrÊs GrUpos de TrabaLHo: EscoLaridade, ForMaÇÃo e InserÇÃo

> Grupo Escolaridade: Tratou-se de abordar a questão do insucesso escolar, a ausência da esco-

laridade mínima obrigatória e as condições que agravam e prolongam estas situações na Alta de Lisboa;

> Grupo Formação: Reflectiu-se sobre a questão da falta de qualificações e competências específi-

cas credenciadas e creditadas dos jovens da Alta de Lisboa;

> Grupo Inserção: Debateram-se as questões ligadas à vida activa e às condições que constituem

obstáculos à inserção.

> Após a identificação dos principais problemas na área da Empregabilidade, junto dos/as técnic-

os/as locais, avançou-se para a construção dos objectivos e de um plano de acção para cada grupo de trabalho.

> Cada grupo definiu objectivos específicos, identificou resultados e listou um conjunto de activi-

dades a concretizar, em cada fase, pela articulação das diferentes funções e tarefas desempenhadas por cada técnico/a e organização, conforme os instrumentos inerentes à Matriz de enquadramento lógico.

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Capítulo 6

Experimentação de um Dispositivo de Orientação - Formação e Inserção

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Como já foi referido, os percursos de orientação, formação e inserção, devem, tanto quanto possíve,l preconizar abordagens centradas nas pessoas, nas suas expectativas e necessidades dos indivíduos, que possa conduzir a uma tomada de consciência e a uma reflexão sobre o mercado de trabalho e as suas especificidades. A efectividade da inserção profissional deve sempre remeter para a ideia de que o emprego cumpre a sua função social, como fonte de rendimento, como meio de integração social e como veículo de realização pessoal, pelo que a sustentabilidade da inserção profissional implica a consideração de uma lógica de sistema, em que interagem vários subsistemas (indivíduos, empresas, entidades públicas,...) que se inscrevem num meio ambiente do qual fazem parte integrante, isto é, com o qual interactuam, dependendo de um conjunto de condições gerais que lhe são alheias (económicas, sociais, políticas, culturais,...).

Nesta perspectiva, os percursos de inserção profissional, serão tanto mais bem sucedidos quanto mais incluírem a visão e intervenção dos actores estratégicos,no sentido de todos agirem para os processos de mudança que se pretendem pôr em marcha, com abordagens centrados no indivíduo. Por isso, os dispositivos de inserção criados devem ser, tanto quanto possível, flexíveis e adaptáveis, conjugando esforços das instituições locais e sectoriais na consecução de alguns objectivos, nomeadamente:

> Aumentar o acesso dos indivíduos em situação de desvantagem a um emprego remunerado no mercado aberto/competitivo de trabalho;

> Apoiar a definição de projectos de vida claros, de longo prazo e de acordo com os interesses, competências e necessidades de cada jovem;

> Suportar o processo de inserção futuro num trabalho prévio de auto-conhecimento e de promoção de competências básicas para o emprego;

> Envolver activamente os indivíduos na condução do seu próprio projecto profissional;

> Mobilizar organizações, empresas e agentes locais para o desenho de soluções integradas de acompanhamento de percursos de orientaçãoformação-inserção

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No caso do projecto e-real, pela participação na Iniciativa comunitária Equal, partiu-se de uma oportunidade concreta de criar um dispositivo inovador de formação. Para o desenho de todo o dispositivo e respectiva metodologia de intervenção, foi tida em conta a participação dos diversos actores que participavam na rede. A construção de uma acção de formação em contexto de trabalho e respectiva metodologia, destinada a um grupo de jovens com baixas qualificações e consideráveis dificuldades de acesso ao emprego, foi a primeira acção que permitiu construir e experimentar uma metodologia que pudesse vir a ser incorporada nas formas de funcionamento das instituições, na área da empregabilidade, adaptada à especificidade do território da Alta de Lisboa. O projecto e-re@l considerou um grupo alvo de 20 jovens a quem se dirigiu a proposta/ experimentação planeada. Tratavam-se de Jovens fora do sistema de ensino, com baixas qualificações e residentes na Alta de Lisboa. Iniciou-se com estes jovens a dinamização de um processo de tomada de consciência do projecto de vida profissional de cada um. Por sua vez, auscultou-se as empresas locais e não locais, na zona/ concelho de Lisboa, no sentido de verificar a existência de postos de trabalho disponíveis. Com base nesta estratégia traçaram-se planos de formação à medida dos jovens e das necessidades das empresas, cumprindo uma lógica de formação em contexto de trabalho, com uma forte tutoria no local/ empresa. A abordagem centrada nos jovens e nas suas expectativas e necessidades foi o cerne da abordagem preconizada. Acreditando-se, então, que é preciso trabalhar, a montante, as competências pessoais, sociais, transversais a uma tomada de consciência que conduza a uma reflexão sobre o mercado de trabalho e as suas especificidades. Para tal dinamizou-se um processo com sessões de balanço de competências, entrevistas individuais e outros momentos de reflexão. Houve necessidade de construir instrumentos adequados e à medida das idiossincrasias de cada jovem.

De facto, as dificuldades de inserção e, sobretudo, de manutenção sustentada dessa mesma inserção, representam cada vez mais um problema complexo, cuja possível solução passa por uma metodologia de trabalho algo diferente da que tradicionalmente é utilizada. Construir uma rede local passa pela adopção de um processo comunicativo e de cooperação inter-organizacional, que assegure a combinação de conhecimentos distintivos e a experiência dos diferentes actores envolvidos, que podem ser mobilizados para a concepção de novas formas de atender, orientar e inserir jovens ao nível da Empregabilidade (Nunes:2000). Sintetizando, na Criação de um dispositivo de Orientação- Formação e Inserção podem estar em causa as seguintes fases: 1. SELECÇÃO DO GRUPO- ALVO 2. ENVOLVIMENTO E DEFINIÇÃO DA BOLSA DE EMPRESAS (ver Ficha 7) 3. PREPARAÇÃO E CAPACITAÇÃO DO GRUPO-ALVO 4. DESENHO E INCORPORAÇÃO DA METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO 5. MONITORIZAÇÃO DA FORMAÇÃO EM CONTEXTO DE TRABALHO

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ETAPAS DA MONTAGEM DO DISPOSITIVO NO PROJECTO E-RE@L (Figura 4)

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Capítulo 7

Construção de uma Metodologia de Trabalho para a Gestão Integrada dos Percursos de Inserção Profissional

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7.1 O desenHo e incorporaÇÃo da MeTodoLoGia de acoMpanHaMenTo,

O desenho e incorporação de uma metodologia de acompanhamento por parte de um colectivo de parceiros num dado território, deve conter os contributos activos de cada um, integrando os recursos disponíveis para uma intervenção mais concertada, na qual o papel das equipas interinstitucionais é fundamental. A importância de criar uma metodologia integrada refere-se ao seu potencial de fomentar a rentabilização e articulação inter-serviços, conduzindo a uma melhoria na qualidade das respostas dadas aos públicos e consequentemente da intervenção territorial. O objectivo da construção de uma metodologia de trabalho comum, é poder vir a assentar o funcionamento de uma Rede para a Empregabilidade num Dispositivo comum para a gestão dos percursos, podendo este vir a ter como funcionamento uma ferramenta digital. No caso do projecto e-re@l, a metodologia encontrada denominada de DOFI (Dispositivo de Orientação, Formação e Inserção cuja descrição aprofundada poderá se consultada nas fichas e no capítulo 8) baseou--se numa relação estreita entre o atendimento, a orientação e a inserção sócio-profissional de jovens e adultos residentes na Alta de Lisboa, desempregados e em situação de exclusão económica e social, com motivação para a procura de uma actividade formativa e/ou profissional. Nesta metodologia a responsabilidade do acompanhamento é tripartida, sendo realizada por 3 equipas de intervenção interintitucionais e multidisciplinares. As etapas estabelecidas no modelo de acompanhamento, correspondem às fases que um indivíduo deve seguir num percurso de inserção. Para cada uma destas fases os/as técnicos/as dos diferentes serviços podem posicionar-se de acordo com as competências institucionais e/ou a sua formação. Cada etapa do acompanhamento realizado deve ser assegurada por uma equipa de técnicos/as que pode adoptar o nome da etapa que assegura. Desta forma, a fase do atendimento é da responsabilidade da Equipa de Atendimento, a de orientação, da responsabilidade da Equipa de Orientação e, por fim, a etapa de inserção é dinamizada pela Equipa de Inserção. Dado que os/as utentes acompanhados devem comandar o caminho a percorrer, estas etapas devem ser flexíveis e adaptáveis a cada realidade individual (ver ficha destacável)

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FASES DO DOFI

ATENDIMENTO

ORIENTAÇÃO ENCAMINHAMENTO BC TPE FORMAÇÃO PROFISSIONAL

INSERSÃO

Figura 4

Fases e Agentes do DOFI Atendimento

Técnico de Referência Mediador Social

Orientação

Técnico de Referência Gestor de Percurso

Inserção

Gestor de Percurso Tutor Agente de Marketing Social Mediador Social

Figura 5

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7.2 PERFIL E COMPETÊNCIAS DO PROCESSO DE INSERÇÃO SÓCIO PROFISSIONAL NO PROJECTO E-RE@L Figura Funcional

1. Mediador/a Social

• • 2. Técnico de Referência

• • • • • • •

3. Gestor/a de percurso profissional

• •

• •

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Actividades/ Domínios

Competências técnicas

de actuação

e Saberes especializados

Contacta directamente os/as jovens nos territórios a que estes pertencem e nos locais em que estes se encontram; Aborda informalmente os/as jovens, divulga as actividades de inserção sócio-profissional em que podem participar e mobiliza-os para as mesmas; Recolhe dados de identificação simples daqueles/las que manifestam interesse em participar nas actividades; Articula com o/a gestor/a de percurso profissional no encaminhamento e acompanhamento dos/as jovens; Apoia os/as utentes nos vários contextos em que os mesmos estão inseridos: família, escola, trabalho, amigos, etc; Informa sobre o site www.empregoemalta.com e sobre a rede; Faz a mediação entre os/as técnicos/as da rede e o/a jovem.

Realiza atendimento social; Faz o 1º atendimento ao jovem; Recolhe os dados e preenche a ficha de sinalização; Identifica resposta na comunidade e encaminha para o DOFI; Encaminha para um dos técnicos do grupo de orientação; Participa no grupo de orientação para a realização da 1ª entrevista de diagnóstico; Informa sobre o site www.empregoemalta.com e sobre a rede;

Participa no processo de avaliação de competências e auto-determinação dos/as candidatos/as à inserção; Apoia o/a candidato/a na elaboração do portfólio de competências/ dossier pessoal e profissional; Colabora na definição do plano de inserção (projecto de vida) do/a candidato/a; Prepara o/a candidato/a para o estágio através da avaliação do perfil de competências; Participa na construção do plano de inserção do/a candidato/a; Identifica e mobiliza os recursos existentes na comunidade e nas entidades de formação, com vista à sustentação do processo de inserção sócio-laboral; Participa na construção do plano de formação em contexto real de trabalho;

• • • • • • • •

• •

• • • • •

• •

Conhecimento dos/as jovens do território e da comunidade; Conhecimento profundo do território de intervenção; Competências de relacionamento interpessoal (flexibilidade, empatia, etc.); Competências de liderança e de mobilização; Espírito de equipa e de trabalho em grupo; Capacidade de escuta, diálogo e aconselhamento. Capacidade de registo e sistematização de dados; Conhecimentos de informática na óptica do utilizador; Divulgação de informação pertinente.

Conhecimentos sobre apoio psicossocial ao nível individual; Conhecimentos do território de intervenção e respectivos recursos comunitários; Conhecimentos ao nível informático, na óptica do utilizador.

Adaptação e aplicação de programas e instrumentos de selecção, orientação vocacional e profissional e de desenvolvimento pessoal e social; Concepção e dinamização de acções de balanço de competências; Realização de orientação profissional e vocacional ao jovem; Conhecimentos sobre apoio psicossocial ao nível individual; Conhecimentos sobre gestão e animação de grupos; Programação, desenvolvimento, acompanhamento e avaliação da formação em contexto de trabalho; Construção e actualização de uma base de dados sobre os/as formandos/as; Conhecimentos sobre intervenção com grupos em desvantagem;


4. Agente de Marketing Social

• • • • •

• •

5. Tutor/a da empresa

• •

• •

Avalia o programa de formação conjuntamente com os restantes intervenientes, nomeadamente: formando/a, tutor/a da empresa e equipa técnica; Acompanha todo o processo de formação em estágio, em colaboração com o tutor e com o/a jovem; Acompanha todo o processo de póscontratação, registando ocorrências e dando apoio tanto à empresa como ao/à ex-formando/a na resolução de eventuais problemas que surjam. Negoceia a contratação final do/a formando/a e trata do processo de mediação entre a empresa/entidade empregadora e o/a futuro/a empregado/a.

Analisa os diversos sectores de actividade, visando a constituição de uma bolsa actualizada de empresas e entidades empregadoras e formadoras; Caracteriza empresas/entidades empregadoras e analisa postos de trabalho no seio das mesmas; Caracteriza os lugares de formação, estágio e emprego; Constrói o referencial de competências para o preenchimento de um determinado lugar; É o interlocutor entre empresas e comunidade Gere uma bolsa de ofertas; Sinaliza um/a tutor/a na empresa que possa acolher o/a formando/a e proceder à sua orientação no posto de trabalho; Participa na construção do plano de formação em contexto real de trabalho; Negoceia a contratação final do/a formando/a e trata do processo de mediação entre a empresa/entidade empregadora e o/a futuro/a empregado/a.

Organiza, em articulação com o/a gestor/a de percurso, o plano de formação (estágio) para o/a candidato/a; Facilita a integração do/a formando/a na cultura organizacional da empresa; Define e apresenta tarefas para o/a formando/a, contribuindo para uma progressiva aprendizagem das actividades inerentes ao posto de trabalho; Facilita e medeia dúvidas e eventuais conflitos no posto de trabalho; Articula com a restante equipa técnica de acompanhamento, relativamente aos problemas que surjam; Avalia o programa de formação em colaboração com o gestor de percurso e com o/a jovem Acompanha o desempenho da aprendiza-

• • • • •

• • • • •

• •

• • • • •

Conhecimentos do território de intervenção e respectivos recursos comunitários; Conhecimentos sobre formação profissional; Conhecimentos sobre oferta formativa nacional e local; Conhecimentos sobre construção e implementação de materiais pedagógicos; Conhecimentos ao nível informático, na óptica do utilizador; Utilização de técnicas de tutoria e follow-up.

Construção e actualização de uma base de dados sobre as empresas nas áreas de interesse do público-alvo. Conhecimentos sólidos sobre o tecido económico envolvente; Conhecimentos sobre o mercado de trabalho em geral; Conhecimentos sobre legislação laboral e apoios à contratação; Conhecimentos sobre trabalho em parceria com empresários/as; Conhecimentos sobre análise de funções e tarefas inerentes a postos de trabalho e cultura organizacional; Conhecimentos sobre analise de compatibilidades entre o perfil profissional e o posto de trabalho (job matching). Conhecimentos informáticos adequados à função; Conhecimentos para identificar os seus interlocutores privilegiados na empresa (tutor) e no território (gestor). Domínio da funcionalidade e estrutura organizacional; Experiência e domínio da função/tarefas desempenhadas pelo formando/a; Competências de acompanhamento e avaliação do/a formando/a; Domínio de metodologias de avaliação; Competências relacionais; Capacidade de facilitar a integração dos/as jovens nas equipas/grupo/equipas//cultura organizacional.

gem do formando na empresa.

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7.3 A operacionaLiZaÇÃo de UM sisTeMa de coMUnicaÇÃo e inforMaÇÃo no seio da Rede para a EMpreGabiLidade- A incorporaÇÃo da FerraMenTa SPERO

A ferramenta foi construída e desenvolvida sob uma metodologia processual que imprimiu uma dimensão inovadora de transformação para o aproveitamento de sinergias locais. Assim, as instituições da Alta de Lisboa envolvidas no projecto e-re@l empreenderam um processo de aprendizagem e experimentação conjunta, a partir da potenciação das competências dos/as técnicos/as e das instituições, que se considera resultar em ganhos estratégicos e práticos consideráveis para cada projecto e para a população em geral, consolidando o trabalho em rede, através da utilização de uma ferramenta comum de comunicação e registo. Por forma a gerar mobilização de todos e apropriação colectiva do processo, a visualização dos conteúdos e experimentação da ferramenta foi sendo realizada à medida da sua construção, Utilizandose a realização de workshops como a metodologia transversal. Para combater dificuldades iniciais encontradas, nomeadamente o pouco empenho na experimentação, foi criada a figura do/a gestor/a nas instituições que apoiasse no acesso à informação nas instituições participantes. Através desta metodologia participativa de discussão e partilha de opiniões e experiências entre todos os/as intervenientes, a ferramenta foi sendo alterada à medida das necessidades apresentadas e a partir de instrumentos de trabalho das várias instituições parceiras, e adquiriu um papel cada vez mais próximo do acompanhamento e gestão dos percursos sociais na Alta de Lisboa, apesar da fraca adesão dos /as técnicos /as das parcerias na experimentação da SPERO fora das reuniões do projecto. Foram feitas várias versões da Base de Dados da SPERO a partir do modelo de integração de jovens que se estava a conceber junto dos parceiros. Entendeu-se que a plataforma poderia servir como fonte de dados estatísticos, a partir da base de dados com o histórico de utentes, a construir e alimentar pelos/as técnicos/as de cada instituição, desde que houvesse um esforço de actualização constante e de passagem de informação às pessoas com responsabilidade para a realização de alterações na ferramenta.

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Definida inicialmente com 5 níveis de acesso, a SPERO permitiu uma diferenciação dos papéis de técnicos/as e coordenadores. O Nível 1 – inicialmente chamado KEOPS e posteriormente, quando se passou a pensar na perspec-

tiva de transferabilidade, Técnico/a Informático/a – tem acesso a absolutamente tudo. Este nível deve ser utilizado apenas por informáticos/as que venham a dar apoio à aplicação.

O Nível 2 – inicialmente chamado ADMIN e posteriormente Administrador/a – idêntico ao nível 1,

mas sem acesso a menus de configuração da própria SPERO e à visualização de utentes Apagados.

O Nível 3 – TÉCNICO(A)/A – tem um acesso mais comum, em que pode ver a informação de ofer-

tas, organizações, técnicos/as e utentes, mas só consegue editar aquelas que lhe pertencem. Tem ainda a possibilidade de ser definido pelo/a Administrador/a como Gestor/a da Organização a que pertence e, desta forma, poderá também alterar os dados dos/as outros/as técnicos/as da mesma organização e adicionar novos/as colegas.

O Nível 4 –AGENTE – funciona de forma semelhante ao/à Técnico/a mas está-lhe vedado o acesso

à informação dos/as utentes. Funciona como um angariador de ofertas.

– LEITOR/A – Pode percorrer todo o site e ver tudo excepto a SPERO e não consegue alterar nada. Mais tarde, por não se ter demonstrado um acesso relevante, o Acesso do tipo Leitor foi abandonado. O Nível 5

Desenvolveu-se um sistema de Helpdesk na própria SPERO que permitiu a cada utilizador(a)/a indicar Erros que detectasse na SPERO ou Dúvidas ou Sugestões que lhe ocorressem e a KEOPS era notificada automaticamente por e-mail. Para isso, foi criado um botão amarelo no cabeçalho da SPERO. À medida que surgissem contributos, a KEOPS escreveria no mesmo espaço as medidas implementadas para resolver as questões levantadas.

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Um aspecto crítico do processo de implementação relacionou-se com a protecção de dados dos utentes, tendo sido necessário um período de cerca de 3 meses para proceder à autenticação da base de dados no Sistema Nacional de protecção de dados. A entidade interlocutora do projecto (ISU) procurou potenciar a utilização da SPERO nos seus serviços, integrando-a como ferramenta de trabalho numa Unidade de Inserção na Vida Activa do Instituto de Emprego e Formação Profissional que iniciou agora o seu fucionamento na sua sede institucional. Este facto permitiu experimentar a importância da SPERO e o grau da sua potencialidade no acompanhamento de utentes e sua inserção profissional. Foi grande a preocupação em conceber uma ferramenta de cujos custos e utilidade, após o período de financiamento, não houvesse dúvidas, numa lógica directamente proporcional à utilidade e inversa aos custos. Por isso optou-se por partir de software gratuito, o servidor Apache sobre Linux, base de dados MySQL e PHP. . Identificou-se como dificuldade de utilização da SPERO a necessidade de envolvimento dos/as coordenadores/as das instituições, de forma a garantir a aplicação da SPERO com a instalação dos recursos informáticos necessários e da designação de um/a técnico/a para a sua utilização. Foi definido um calendário de implementação da SPERO, tendo sido estipulado a possibilidade de, no início de 2007, a ferramenta ser utilizada por todos/as quotidianamente no seu trabalho.

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Processo de implementação da Ferramenta SPERO ETapas

ObjecTiVos

TeMpos de reaLiZaÇÃo

Testagem e experimentação da metodologia DOFI

Apuramento e consolidação dos instrumentos DOFI a sua serem incorporados na SPERO

1 ano

Definição e Organização das funcionalidades

Definição dos campos/ especificações e tipo de instrumentos a partir do DOFI;

3- 6 meses

Definição do fluxograma do sistema Definição dos Níveis de acesso Validação

Validação (PD e Rede) da estrutura geral

Variável

Validação dos campos/especificações a contemplar Alimentação/formação

Formação de técnicos PD em TIC

3- 6 meses

Formação de técnicos locais na utilização da SPERO Apoio técnico individualizado, quando necessário, para a utilização da SPERO “Lembretes” para a realização de exercícios de experimentação Definição das responsabilidades na alimentação da SPERO e do seu modelo de governância na rede Promoção

Apresentação da SPERO num workshop com entidades publicas e privadas na área da inserção profissional

1-3 meses

Divulgação mailing list Outras acções de formação- acção

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Bibliografia: BONETTI, M. et all. (1991), Développement Social Urbain: Strategies et Methods, Paris, L’Harmattan. CHAGAN, G. (1999) Local Community Involvement. A handbook for good practice. Dublin: European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions. CHAGAN, G. Garrat, C., West, A., (2000) The New Community Strategies. How to involve local people, London, CDF. CHEVALIER, Bernard (sd) Planification par Project et Organisation des Territoires, Paris, L’Harmattan. CUARESMA, M., Pecquer, B., (1998) Mener un Projet de Development Local, Paris, Les Édition d’Organisation. DESLAURIERS, Jean Pierre et all (2000) Introduction au Travail Social, sl, Les Presses de L’Université Laval. GUERRA, Isabel (2000) (Fundamentos e processos de uma sociologia de acção: o planeamento em Ciências Sociais IC Guerra - 2002 - Principia) LAMOUTEUX, H., Lavoie, J., Mayer, R., Panet-Raymond, J., (1996) L’Action Communautaire, Québec, Presses de L’Université du Québec. NUNES, Carlos (2000) ”Iniciativa Empresarial e Desenvolvimento Social”, in Cidade Solidária, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pp26-29. PARCERIA DE DESENVOLVIMENTO DO PROJECTO “EMPREGO APOIADO” (2003) MANUAL “TÉCNICOS DE EMPREGO APOIADO”, sl, APEA. PERNAS, Gonçalo (2000) “A Responsabilidade Social da Empresa” in Cidade Solidária, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pp30-32. SANTOS, Martins e Borges (2004) SCHIEFER, Ulrich, et all (2006) “MAPA – Manual de Planeamento e Avaliação de Projectos”, Lisboa, Principia

Outras Publicações: Perfis Emergentes – Contexto da Formação para Grupos Sociais Desfavorecidos, editado pelo Inofor em 2002.

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