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ABPN 10 ANOS I SEMINÁRIO VIRTUA: SEMINÁRIO ESTRATÉGICO DE FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DA ABPN

Brasília/2010


© Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) Presidente Eliane Cavalleiro Vice-Presidente Carlos Benedito Rodrigues da Silva 2ª Vice-Presidente Maria Nilza da Silva Secretária Executiva Rosane da Silva Borges Tesoureira(o) Denise Maria Botelho Amauri Mendes Pereira

Coordenação Geral Eliane Cavalleiro, Wilma Baía Coelho, Tânia Müller, Raquel Luciana de Souza e Andréia Lisboa de Sousa Moderadores Claudia Rocha, Renata Rocha, Lorena Cristina Araújo, Elizabeth Fernandes de Souza, Iraneide Soares, Luciana Lopes Maciel Luciane Reis, Rosenilda Sant’anna, Jaime Amparo, Anna Lucia Florisbela, Deborah Santos e Hayanna Carvalho-Silva Elaboração e Diagramação Eliane Cavalleiro Eliseu Pessana Luciana Lopes Maciel Heronildes Rocha Hayanna Carvalho-Silva Apoio CCN/UnB OXFAM FORD Foundation NAPEC Contato ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) Campus Universitário Darcy Ribeiro ICC Norte, sala BSS 665 CAIXA POSTAL 4438 AC/UNB

Asa Norte – Brasília – Brasil CEP 70.904-970 abnp@abpn.org.br www.abpn.org.br


SUMÁRIO Clique no tópico para ir à página desejada

Apresentação ........................................................................................................................................................................ 4 Textos de Abertura dos Temas ............................................................................................................................................. 7 Tema 1 – ABPN – Perspectivas Administrativas e Políticas da Gestão 2008-2010.......................................................... 8 Eliane Cavalleiro Tema 2 – ABPN e o diálogo com as Associações Regionais - O que fazer para mantermos a unidade na diversidade? ......................................................................................................................................................................................... 16 Nilo dos Santos Rosa Tema 3 – ABPN e Conneabs – Uma articulação imperiosa. ........................................................................................... 21 Paulino Cardoso Tema 4 – A ABPN e a Articulação Internacional............................................................................................................. 26 Andréia Lisboa de Sousa Tema 5 – ABPN e as agências de fomento ..................................................................................................................... 37 Moisés Santana Tema 6 – A participação/formação de Pesquisadoras(es) de Iniciação Científica ........................................................ 40 Eliseu Pessanha Tema 7 – A inclusão de pesquisadores(as) autônomos(as) no quadro da ABPN .......................................................... 44 Juarez da Silva Tema 8 – A ABPN e os movimentos sociais negros ........................................................................................................ 50 Joselina da Silva Comentários Seminário Virtual da ABPN ........................................................................................................................... 53 ANEXO I - Programação ..................................................................................................................................................... 140 ANEXO II – Carta de Boas Vindas ....................................................................................................................................... 145 ANEXO III – Mensagem de encerramento ......................................................................................................................... 148


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APRESENTAÇÃO

Ao celebrar seus 10 anos de existência a ABPN realizou o seu I Seminário Virtual da ABPN – Seminário de Fortalecimento institucional, ocorrido de 14/05 a 28/06 de 2010, cujo tema geral convergiu para o cumprimento dos objetivos e da missão institucional, especialmente no que diz respeito à promoção e fortalecimento da participação de pesquisadores negros – mulheres e homens – na esfera acadêmica. O objetivo principal do I Seminário virtual da ABPN consistiu em gerar um debate amplo com as(os) associadas(os), buscando refletir sobre novos paradigmas, marcos de análises e distintas visões sobre o contexto atual da ABPN e sua perspectiva de futuro. Os objetivos do seminário foram: a)Possibilitar um debate sobre a ABPN, objetivando a construção de uma análise de conjuntura com vistas ao presente e futuro da Organização. b)Identificar ações/práticas necessárias para o fortalecimento institucional da ABPN, bem como as estratégias para sua consecução. c)Trocar

visões

estratégicas

sobre

o

desenvolvimento

de

pesquisadoras(es) negras(os), sobre o fortalecimento dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, no diálogo com a Academia e as agências de fomento à pesquisa.


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O seminário foi dividido em 8 eixos, a saber: ABPN – perspectivas administrativas e políticas da gestão 2008-2010 política; ABPN e o diálogo com as Associações Regionais – O que fazer para mantermos a unidade na diversidade?; ABPN e Conneabs – Uma articulação imperiosa; A ABPN e a articulação internacional; ABPN e as agências de fomento; A participação/formação de Pesquisadoras(es) de Iniciação Científica; A inclusão de pesquisadores(as) autônomos(as) no quadro da ABPN; A ABPN e os movimentos sociais negros. Cada eixo contou com a apresentação de um (1) texto introdutório, apresentado por autoras(es) convidadas(os) do quadro associativo da ABPN, cujo propósito foi o de desencadear o debate e a reflexão sobre cada tema, bem como sobre suas implicações e seus desafios. A partir da introdução de cada eixo todas(os) as(os) associadas(os) puderam integrar o debate a cerca do tema virtualmente, com o envio de comentários, críticas, sugestões e indicações de parcerias para a concretização das sugestões apontadas. Posteriormente, os comentários enviados foram redirecionados para todas(os) as(os) inscritas(os). O I Seminário virtual da ABPN – Seminário de Fortalecimento institucional possibilitou às(aos) associadas(os) a apropriação de informações sobre a instituição e se constituiu um espaço democrático,

que possibilitou o diálogo entre as(os)

associadas(os) da ABPN de no norte a sul do país.


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Como resultado, o I Seminário virtual da ABPN permitiu repensar prioridades e estratégias de atuação institucional, que devem estrategicamente

consubstanciar

insumos para a Assembléia Geral da ABPN, a ocorrer no VI Copene, no próximo dia 29 de julho de 2010. Acredito que somente a força de nossas ancestrais puderam abrir as portas para esse atual momento. Com vistas ao futuro, desejo que a energia vital ancestrálica possa nos abençoar para continuarmos nosso projeto coletivo de fortalecimento da ABPN. Saudações de Axé! Eliane Cavalleiro Presidente


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TEXTOS DE ABERTURA D OS TEMAS


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TEMA 1: ABPN – PERSPECTIVAS ADMINISTRATIVAS E POLÍTICAS DA GESTÃO 2008-2010

Eliane Cavalleiro Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as)

Apresentação “A revolta é a recusa do homem a ser tratado como coisa e a ficar reduzido à simples história” Abdias do Nascimento

Ao abrir o texto inaugural do nosso Seminário Virtual de Fortalecimento Institucional da ABPN, gostaria de saudar a todas(os) que estão participando desse encontro virtual nacional. Por mais surpreendente que seja, estamos em um seminário nacional integrado por 890 pesquisadoras(es) que moram em 25 diferentes estados da federação. Nossa união no dia de hoje se deve antes de mais nada à luta de nossos ancestrais que têm nos ensinado a resistir e existir. Além disso, o empenho das(aos) nossas(os) sócias(os) fundadoras(es) que no ano de 2000 envidaram esforços para a construção do I Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, realizado na Universidade Federal de Pernambuco. São diversas pessoas cujas trajetórias acadêmica e política conhecemos, nas quais muitas vezes nos espelhamos para seguir também nossa jornada de luta e de resistência. Citarei apenas dois nomes pelos quais cumprimento a todas(os) demais: Lidia Cunha e Henrique Cunha Jr, saudações de Axé. Com um olhar para o futuro, desejo também saudar a juventude que é sinônimo de renovação da nossa instituição: é o nosso presente e também o nosso futuro. Congratulo-me com as associadas e associados pela nossa jornada, pelo nosso crescimento, pela nossa união e respeito ao longo desses 10 anos. Felicito ainda aos que de perto tem acompanhado essa última gestão, ajudando a compor os sonhos e a concretizar as ações – meus sinceros agradecimentos a Andréia Lisboa de Sousa, Roberto Borges, Wilma Coelho Baía, Elisabeth Fernandes de Souza, Ana Flávia Pinto Magalhães, Iraneide Soares, Deborah Santos e Denise Botelho. Agradeço a toda a Diretoria da ABPN por participarem dessa jornada sempre tão complexa e tumultuada, onde nem sempre é possível conjugar a vida familiar, atividades profissionais e a administração da ABPN.


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Inicio a seguir a apresentação de um quadro geral das atividades e realizações desenvolvidas no decorrer de 2008/2009 pela atual Diretoria da ABPN, registrando e sistematizando os processos de trabalho adotados no tocante às atribuições e responsabilidades desta Diretoria, eleita no dia 01 de agosto de 2008 para um mandato de 2 anos. O conteúdo que segue tem o papel de apresentar informações sobre as ações desenvolvidas, objetivando familiarizar as(os) associadas(os) não apenas aos avanços e realizações de ações, mas também à gama de dificuldades vividas ao longo da gestão. Esse documento não objetiva uma análise pessoal, mas sim uma leitura individual do cotidiano da organização. Não representa em hipótese alguma o olhar da diretoria. De fato, ao longo do seminário, acredito que cada integrante da diretoria deva contribuir com suas próprias críticas, sugestões e encaminhamentos.

Organização administrativo/financeira da ABPN Como todo inicio de gestão, os elementos surpresas dificultam a agilidade nos primeiros meses de administração. A atual diretoria, ao tomar posse das responsabilidades, viu-se diante de um desafio: tornar-se uma diretoria de fato, visto que uma série de problemas legais impedia o inicio dos trabalhos, por exemplo a demora na obtenção de documentos necessários para a transferência da Sede para Brasília, o que só se concretizou em fevereiro de 2009. Nesse caminhar notou-se a necessidade de investimento no Fortalecimento Institucional da ABPN, visto que os documentos Fiscais e Administrativos da ABPN não se encontravam em dia, o que impediu que a entidade desse conta das suas demandas. Faltava-nos elementos essenciais tais como: 1)Transferência da Sede do Rio de Janeiro, realizada em 2004, diretamente para Brasília, local de residência da atual presidente e da 1ª tesoureira; 2)Renovação/atualização do CNPJ; 3)Pagamento de IRRF em atraso; 4)Registro da Instituição no Cartório de Brasília.


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Com relação aos aspectos financeiros, nada havia de capital para o inicio da gestão. A ABPN possuía apenas alguns documentos: 1) Estatuto registrado em 2000, no Cartório de Recife, 2) as Atas das Assembléias Ordinárias referentes aos anos de 2002, 2004 e 2006. A da Assembléia Geral de 2008 foi definitivamente apresentada 5 meses após a posse informal da atual diretoria, em fevereiro de 2009. Vários esforços foram envidados na perspectiva de obtenção de apoio financeiro junto à FORD Foundation e a OXFAM. De ambas as instituições, conseguimos a aprovação de dois projetos. Os recursos da Ford e do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Educação Continuada - NAPEC, no valor de R$ 30.090,00, foram repassados as contas da ABPN no mês de junho de 2009, para o desenvolvimento do projeto Rede de Conhecimento Afro-descendente. A OXFAM apoiou-nos, no mês de março, mediante a contratação de consultoria na área contábil para legalização da situação administrativo/fiscal, que até então se encontrava irregular. Somente foi possível abrir conta bancária institucional no Banco do Brasil, agência Campus Darcy Ribeiro, na qual o recurso da FORD foi depositado com a legalização institucional, em abril de 2009. Esse projeto já foi finalizado, já teve inclusive a prestação de contas aprovada pelo NAPEC. O mesmo relatório deve ser submetido ao Conselho Fiscal da ABPN para análise e emissão de parecer a ser apresentado às associadas e associados. Ainda, por ter conquistado independência administrativa, a ABPN encontra-se credenciada e habilitada, desde outubro de 2009, junto ao Portal de Convênios do Governo Federal, o SICONV, habilitada a firmar convênios e receber recursos de órgãos governamentais. Em março de 2010 conquistamos apoio financeiro da OXFAM no valor R$ 69.000,00 para o Produção de Conhecimento em Relações Raciais e Questões Urbanas, com duração de 12 meses. O desenvolvimento desse projeto envolve a constituição de um Grupo de Trabalho sobre Raça e Questões Urbanas. Para coordenar o GT a ABPN contratou o antropólogo Reinaldo José de Oliveira. A constituição desse GT contará com a participação de pesquisadores(as) associadas(os). A parceria com a OXFAM tornou possível a contratação de uma Gerente de Projetos para a ABPN, a pesquisadora Raquel Luciana de Souza, responsável pela gestão administrativa e também política dos projetos da ABPN. Raquel também estará envolvida na construção de um Plano de Captaç ão de recursos para a ABPN, além da busca de parcerias em nível internacional.


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Ação e Comunicação Social O site da ABPN é outro ponto importante de investimento desta Gestão. Foi contratado um Webmaster para a sua elaboração/implementação, e a partir de sua construção e lançamento várias ações foram empreendidas, sendo três as mais importantes: 1)Estabelecimento de uma rede de comunicação e informação entre as(os) associadas(os) e publico externo, 2)Cadastro de associadas(os), 3)Pesquisa sobre o perfil das(os) pesquisadoras(es) negras(os) Para a realização da pesquisa e do cadastramento de associados, foram contratados/as 6 pesquisadores(as) pelo período de 3 meses. Encerramos o ano de 2009 com um cadastro de 705 associadas(os). Os dados da pesquisa já foram divulgados em nosso site institucional, permitindo, assim, uma análise mais realista e propositiva sobre nossa organização. A participação de todas(os) é fundamental nesse processo. Atualmente, encontramo-nos em processo de filiação on-line, visto que a filiação constitui elemento necessário para participação no VI COPENE. Dessa forma, temos cadastrado 890 associadas(os), contudo um número ainda pouco significativo de pesquisadoras(es) está quites com a anuidade: 177 pessoas. Para o desenvolvimento de ações/atividades do site, foram contratados/as: 1)uma bolsista para a atualização do site, sendo de sua responsabilidade elaboração/realização de entrevistas e seleção de artigos, textos e elaboração de enquetes e material para o Blog e o Twitter. 2)uma auxiliar administrativas

administrativa

para

organização

das

atividades

3)uma bolsista para monitoramento das mensagens enviadas pelas(os) associadas(os) que com a proximidade do VI Copene tem se intensificado enormemente. Destaca-se ainda, a contratação de consultoria para tradução de informações institucionais para a Língua Inglesa, Francesa e Espanhola. Algumas traduções foram obtidas por meio da doação de trabalho de associadas(os), outras por valores que somente a militância e o comprometimento justificam pess oas as quais serei eternamente agradecida por apoiarem de maneira concreta o fortalecimento da ABPN, a saber: Raquel Luciana de Souza, Andréia Lisboa de Sousa, Ricardo Pinheiro, Katia Santos, Elaine Aparecida da Silva, Marilia Pereira, Magali Naves, Dalila Noleto e Hayanna Carvalho-Silva e Alain Paskal.


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Publicações, Divulgação e Disseminação de conhecimento: Foi lançada a Revista da ABPN, primeira revista científica da nossa Associação, unicamente na modalidade digital, que atualmente conta com a coordenaç ão de 5 associados/as, para além da presidente da Associação: Ana Flávia Magalhães Pinto (UNICAMP), Alyxandra Gomes (UFBA), Fernanda Felisberto (UFRJ), Roberto Carlos da Silva Borges (CEFET/RJ) e Sales Augusto dos Santos (UNB). A Revista da ABPN ainda não possui recursos próprios, dependendo do orçamento integral da ABPN para a sua manutenção e funcionamento. Para a sua edição foram contratados: diagramador, Web Master e tradutoras. A atividade de revisão final dos artigos foi realizada por Ana Flávia, que, em virtude do atual quadro financeiro da revista, doou seu trabalho profissional. Para promover e divulgar a ABPN, foram elaborados folderes, cartazes e adesivos com informações institucionais, sendo que os folderes foram traduzidos para o Inglês, francês e Espanhol e distribuído entre pesquisadoras(es) e instituições internacionais. Associadas e associados filiadas(os) até julho de 2009 receberam, em seus endereços residenciais, os materiais em língua Portuguesa.

Comissões de Trabalho A diretoria instituiu Comissões de trabalho, conforme divulgado no site institucional. A presidente da ABPN convidou associados e associadas para integrarem tais comissões na perspectiva de ampliação do quadro de pessoas que pensam e trabalham em prol da ABPN. Não foi possível a realização de um trabalho efetivo por todas as comissões instituídas, contudo podemos apresentar os seguintes avanços:

Cooperação Nacional e Internacional

No campo da cooperação institucional algumas iniciativas foram tomadas na perspectiva de constituição de parcerias com outras associações e entidades internacionais científicas e profissionais para contribuir para o contínuo desenvolvimento da ABPN. Em nível internacional, sob coordenação da professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, a ABPN se tornou uma Associada Fundadora da World Education Research Association – WERA, que, constituída por uma comunidade de associações não lucrativas, objetiva compartilhar habilidades, forças, sensibilidades para transcender o que uma associação pode realizar em seu próprio país, região, ou área da especialização. Assim, a ABPN passou a integrar o conjunto de importantes associações internacionais que envidam esforços para fortalecer a capacidade e o interesse na construção de políticas e práticas de pesquisa em Educação.


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Também no âmbito internacional, coordenado por Andréia Lisboa, a ABPN foi convidada a participar: do Zumbi dos Palmares: Black Brazilian Consciousness Day (Dia da Consciência Negra) realizado pelo Grupo de estudantes Afrobrasileiros do Centro de Estudos Africanos e Afroamericanos da Universidade do Texas, em novembro de 2008. Na ocasião, foram divulgadas as atividades e perspectivas institucionais da ABPN. do Fifth Biennial Conference of the Association for the Study of the Worldwide African Diáspora/ASWAD (Conferencia da Associação para o estudo diáspora africana mundialmente), em Accra/ Ghana (agosto de 2009). A ASWAD é uma organização que visa aprimorar e construir uma rede de pesquisadores internacionais sobre os estudos da diáspora africana. da abertura do curso de intercâmbio “Tele presencial” sobre diáspora entre comunidade local em Gana e nos Estados Unidos (outubro de 2009). Na ocasião foi convidada a realizar um intercâmbio envolvendo o Brasil. Em nível Nacional, várias organizações foram contatadas e responderam com positividade, apoiando o desenvolvimento da ABPN, a saber: 1)Fundação Cultural Palmares - MINC e Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial – SEPPIR, que, reconhecendo a importância da nossa instituição e a qualidade dos COPENEs, bem como a qualidade do projeto do VI COPENE, se comprometeram a apoiar financeiramente nosso evento. 2)UERJ, que, a partir da articulação de Maria Alice Rezende e Magali Almeida– sediará e apoiará a realização do VI COPENE 3)CEFET/RJ, que, sob articulação de Roberto Borges, apoiará e sediará parte do VI COPENE e também abrigará o encontro internacional, em processo de construção, a acontecer dentro do VI Copene para as(os) coordenadoras(es) dos NEABs e pesquisadoras(es) internacionais que também coordenam centro de estudos aos moldes dos nossos NEABs, com a perspectiva de construção de ações conjuntas para realização de estudos e pesquisas, bem como programas de intercâmbio de professoras(es) e alunas(os). 4)UNB, que a partir da articulação de Deborah Santos, cedeu um espaço físico para a instalação da Secretaria da ABPN, anteriormente alojada na sala das professoras Denise Botelho e Eliane Cavalleiro. Essas são algumas das parcerias e diálogos estabelecidos. Assim, ampliamos nossa visibilidade diante de outras associações científicas e órgãos públicos que hoje identificam a ABPN como uma instituição parceira.

Organização do VI COPENE


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Em parceria com o Consórcio de NEABs – CONNEABs, iniciamos os esforços para a organização do VI CPENE, em princípio sobre presidência de Maria Alice Rezende e Alexandre Nascimento e de demais integrantes que compõem a Comissão Organizadora. Em abril de 2010, a professora Magali da Silva Almeida, da UERJ, passa ocupar a função de presidenta da organização do COPENE, mediante solicitação de saída da primeira. Para essa edição do congresso, a ABPN buscou apoio de diversas instituições: UNESCO, FORD, OXFAM, SEPPIR, Fundação Cultural Palmares SPM, UNIFEM, CEFET/RJ, UNB, UDESC e UNEB. Diferentemente das edições anteriores, em 2010 a ABPN por ter conquistado independência administrativa, deverá firmar convênios com as instituições apoiadoras e receber recursos diretamente em sua conta bancária, o que implicará positivamente em um processo público de prestação de contas às(aos) associadas(os). Também para o processo de organização do VI Copene, a diretoria contratou Webmaster para elaboração/implementação do site do VI Copene. Também contando com seu cadastro de associadas(os), a ABPN participou ativamente do processo de divulgação do evento em nível nacional. E por meio da tradução da carta de apresentação do VI Copene, para a língua espanhola e inglesa, pudemos também divulgar o evento em nível internacional. Mesmo tendo enfrentado dificuldades no processo, a edição do VI COPENE, ainda em construção, mostra-se significativa com a submissão de mais de 500 trabalhos e atividades.

Participação Política Diretoras e diretores da ABPN e outros/as associados/as têm participado de encontros e atividades na perspectiva de ampliar a visibilidade institucional, e de fortalecimento da temática racial. Assim, estivemos em vários eventos científicos e acadêmicos, bem como em reuniões técnicas, entre outros, a saber: 1)APNB – Seminário “A pesquisa no âmbito nacional” 2)MEC - Encontros do Comitê de Instituição da universidade Luso AfroBrasileira 3)Seminário: Mulheres negras nordestinas contra discriminação racial na mídia 4)MDA Prêmio Territórios Quilombolas 5)Encontros estaduais – universidade Federal de Paraíba - UFPB 6)UNESCO - Encontro "O Papel da Sociedade Civil na implementação do Plano Nacional da lei 10.639/03 - rumo a uma agenda de ação política” 7)SPM – II Encontro Nacional de Núcleos e Grupos de Pesquisa Pensando Gênero e Ciências


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Mobiliário e Material Permanente Com a instituição da sede na UnB, a partir dos recursos do Projeto em parceria com a OXFAM, foram comprados móveis e aparelhos eletrônicos, a saber: 1)uma mesa 2)uma cadeira 3)uma estante 4)um computador Obtivemos também a doação de: 1)um computador 2)2) uma impressora multi-funcional, ambos usados e em perfeito funcionamento. Esses materiais permanentes passam a compor os bens patrimoniais de nossa instituição. Findo aqui essa breve apresentação de parte das ações que considero importante para a análise institucional, bem como o estabelecimento de um plano de Ação coletivo de aprimoramento da nossa Associação. O que foi exposto aqui visa fomentar um debate inicial sobre nosso futuro institucional, político e acadêmico. Como em todo relato, muito se perde ao longo da apresentação, mas com a participação de cada uma/um, sobretudo das(os) nossas(os) dirigentes da gestão presente e também das anteriores, conseguiremos analisar melhor quais os caminhos a percorrer para o crescimento da ABPN. Eliane Cavalleiro "Seja a mudança que deseja ver no mundo" Mahatma Ghandi


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TEMA 2 – ABPN E O DIÁLOGO COM AS ASSOCIAÇÕES REGIONAIS – O QUE FAZER PARA MANTERMOS A UNIDADE NA DIVERSIDADE?

Nilo dos Santos Rosa Universidade Estadual de Feira de Santana

Não é concedendo bolsas de pesquisa, tirando dos competentes e dando aos incompetentes... Se você quer investir em ciência no Nordeste, você está colocando capim na frente dos bois 1. Ministro Bresser Pereira da Ciência e Tecnologia.

Os povos que tiveram na vanguarda da hegemonia mundial foram aqueles que criaram e dominaram as tecnologias de sua época. Foi assim com os portugueses e espanhóis na época dos descobrimentos com o domínio da tecnologia marítima; foi assim com os ingleses; no domínio da tecnologia industrial e esta sendo assim com os americanos, os alemães e os japoneses no domínio da economia da informação. Infelizmente, nosso país não tem tido preocupação em se inserir nesta lógica. Esta conclusão decorre da falta de debate da nossa pior crise: A crise de produção de ciência e tecnológica. De fato, somos um dos últimos na produção de ciência e tecnologia, embora estejamos bem colocados no cenário econômico. Por exemplo, nossas melhores universidades ocupam locais humilhantes nos principais “ranking”. Como conseqüência direta, somos exportadores de matéria prima. Por isso, corremos o risco de voltar aos tempos do Brasil colonia.

1

Jornal Ciência Hoje, 28 de maio 1999.


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A ABPN pode ter um papel importante no debate para mudar esta realidade, pois é a falta de concorrência, principalmente pelo afastamento dos negros da produção de ciência e tecnologia, a principal causa deste atraso. Os recursos são excessivamente concentrados em determinadas regiões. A ABPN é a mais importante realidade no mundo acadêmico no Brasil nos últimos dez anos. Digo isto sem medo de ser exagerado, pois no momento em que comemoramos dez anos temos, também podemos comemorar os cinco congressos feitos por nossa conta e risco. Os congressos realizados demonstraram a capacidade de produção das pesquisadoras e dos pesquisadores negr@s. Nos anais produzidos estão estudos, artigos e pesquisas que tratam de diversos temas de interesse de toda a sociedade brasileira. É uma produção que encontra pouco espaço de expressão. Toda esta produção passou quase a margem da academia “chapa branca”, aquelas que recebem polpudas verbas das agências de fomento. Aquelas que realizam eventos em balneários para incensar os iniciados das “grandes” universidades que abocanham quase 80% dos recursos destinados a pesquisas, ciência e tecnologia no Brasil, e, no entanto, não estão tão bem colocados no cenário mundial. O atraso tecnológico do Brasil deve ser atribuído à esta absurda concentração de recursos em algumas regiões do país. Este debate deve estar presente no dia a dia de nossa ABPN. Sobretudo porque é o pesquisador negro a principal vítima desta concentração “subjetivamente” vinculada ao mérito de determinadas academias. A consolidação da ABPN vem sendo um processo longo que tomou um fôlego surpreendente na atual gestão. Colocar uma página no ar, manter dialogo direto com os pesquisadores, estabelecer parcerias com agências de financiamento estrangeiras foi sem dúvida determinante para esta consolidação. A articulação destas atividades com um projeto nacional de apoio aos Pesquisadores é o passo lógico e conseqüente. Portanto, é com as associações estaduais que a nossa Associação de se articular. Entretanto, nos falta criar e consolidar as ABPNs estaduais. Sem associações estaduais fortes não teremos uma associação nacional forte. A necessidade de criar associações estaduais está no fato de que as pesquisas são feitas nos estados. Outro


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aspecto é que todos os estados têm agências de financiamento de pesquisa e de projetos. A consolidação da APNB passa obrigatoriamente pelo seu relacionamento, não só com os pesquisadores negros, através das associações estaduais, como acima sugeridas, mas também pelo seu relacionamento com organizações da sociedade civil com história de luta política diretamente relacionada a luta contra discriminação. Neste sentido, faz-se urgente a criação de um conselho consultivo e social. O modelo de apenas uma associação nacional repete o modelo dos “dinossauros” sindicatos de pesquisadores transvestidos em associações nacionais, sem qualquer vínculo nos estados. O distanciamento destes “sindicatos” da sociedade, o enclausuram numa lógica meramente academicista. Devemos no distanciar desta lógica. Neste sentido, a ABPN pode inovar e ser efetivamente a representante nacional de pulsantes associações estaduais. Nossa associação é pluridiciplinar, por isso modelos como anpocs, anped, anpol etc. não capazes de contribuir com nossa consolidação e crescimento. Estas associações são ligadas a cursos as universidades e a cursos de pós-graduação o que não e nosso caso. Para suprir esta distancia das universidades, seria importante termos vínculos formais com os Neabs. A possibilidade da existência de associações estaduais constituirá uma grande vitoria dos pesquisadores negros, mas trará problemas sérios, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista financeiro, seja do ponto de vista jurídico. Politicamente, vamos nos deparar com a questão da representatividade. Financeiramente, teremos que resolver quem fica com a contribuição, caso esta exista. Ou seja, ficaremos filiados à nacional ou as estaduais. Juridicamente temos que alterar nossos estatutos. Para isso é necessário discutir novas formulações jurídicas.

A experiência da Associação de Pesquisadores Negros da Bahia - APNB A APNB mantém um relacionamento cordial e político com a Associação Nacional (ABPN). Este relacionamento deve evoluir para o jurídico e o financeiro, tendo


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em vista atualmente ele se dá em caráter pessoal. Nossas relações deve estar vinculadas em nossos estatutos Olhando da perspectiva da APNB, podemos vislumbrar as dificuldades de nossa Nacional. A fundação da APNB foi um trabalho difícil, mas foi importante para a realização do IV COPENE. O processo de consolidação da APNB continua com a realização de dois congressos. A realização, em novembro de 2007, do Primeiro Congresso Baiano de Pesquisadores Negros – I CBPN foi um importante trabalho da primeira diretoria. Reunimos quase 400 pesquisadores na Universidade Federal da Bahia. O Segundo Congresso Baiano de Pesquisadores Negros realizado em setembro de 2009 na Universidade Estadual de Feira de Santana contou com a participação de mais 500 pesquisadores. Estes números revelam a enorme demanda de espaço acadêmico para os pesquisadores negros exporem suas pesquisas. Se multiplicássemos por vinte ou vinte e cinco estados teríamos, talvez a maior produção acadêmica deste país. Portanto, deveríamos promover mais eventos, estaduais, regionais e nacionais. Tenho defendido nas reuniões da APNB que as filiações se dêem no âmbito estadual. Não defendo o pagamento de mensalidade ou anuidade. As arrecadações devem ser contra partida de serviços e/ou atividades desenvolvidas pela associação. Por exemplo, a edição e venda de uma revista impressa. Além destes recursos, devemos elaborar projetos juntos as agências estaduais e nacionais de fomento. A ABPN deve ser uma fomentadora das associações estaduais. Para isto, deve, a partir de cada Congresso, reunir os pesquisadores de cada estado, propondo um cronograma de encontros estaduais e regionais. Fortes

associações

regionais

podem

e

vão

fazer

pressão

para

a

desconcentração os recursos de ciência e tecnologia. Não esqueçamos que é nas áreas onde se concentra a maioria dos pesquisadores negros que as verbas de pesquisas são mais escassez. A ABPN e suas associadas podem ter um papel decisivo na mais importante reforma que necessita nosso país, qual seja a reforma do sistema de pesquisa.


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Precisamos tomar a dianteira, não só denunciando a atual situação, mas e, acima de tudo propondo um modelo que aponte na desconcentração e na democratização dos recursos públicos e privados destinados a este segmento. Estas contribuições têm como objetivo abrir o debate no que diz respeito as perspectiva de relacionamento da ABPN e as associações estaduais. É importante um debate que tenha por fronteiras uma profunda reparação de segmentos e regiões historicamente discriminadas na distribuição de recursos de ciência e tecnologia. De tal forma que pensamento preconceituoso e discriminatório, como de Bresser Pereira não passem em “branco”.


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TEMA 3 – OS NÚCLEOS DE ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS E A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES(AS) NEGROS(AS): DESAFIOS

Paulino Cardoso Universidade Estadual de Santa Catarina Contexto. A ABPN e o Consórcio de NEABS sugiram da mesma conjuntura histórica, a saber, a ampliação do número de acadêmicos e acadêmicas de origem africana, oriundos do Movimento Negro e que se qualificaram nas décadas de 1980 e 1990. No enfrentamento do nosso “teto de vidro”, os novos docentes descobriram que o racismo na Universidade se manifesta de forma insidiosa, muitas vezes fugidia, mas com resultados bem concretos: a parda de possibilidade de crescimento e desenvolvimento pessoal e coletivo. Foi por estas razões que organizamos sob coordenação de Lídia Cunha e Henrique Cunha, em 2000, nas dependências da Universidade Federal de Pernambuco o I Congresso de Pesquisadores Negros. De lá para cá, todos os COPENE's tem sido organizados por NEAB's. Já a articulação de NEABS é mais antiga. Nosso primeiro encontro ocorreu em 1996, em paralelo ao Seminário Multiculturalismo e políticas de ação Afirmativa no Brasil, organizado por Dulce Pereira, então presidente da Fundação Cultural Palmares. Conversas foram desenvolvidas ao longo do tempo e culminaram em 2002, por solicitação de Carlos Moura, então presidente da FCP, tendo por cicerone o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, no I Encontro de Núcleo de estudos Afro-Brasileiros. Dentre os muitos resultados, vale lembrar a discussão de uma minuta de acordo de cooperação entre a FCP e CNPq, no sentido de ampliar as fontes financiamento e os estudos sobre os afros e as desigualdades raciais. Neste mesmo encontro, Maria Alice Resende, então vinculada ao Laboratório de Políticas Públicas, sob coordenação de Pablo Gentili, substituída posteriormente por Renato Emerson dos Santos, apresentara o Programa Políticas da Cor. Ação financiada pela Fundação Ford focada no acesso e permanência no ensino superior de populações vulneráveis. Neste mesmo ano, sob a liderança de Jeruse Romão na SEMTEC-MEC e Ubiratan Araújo, agora presidente da FCP, organizou-se o II Encontro de Núcleos de Estudos Afro-


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Brasileiros, em Brasília, na qual , entre outras, tomou-se a decisão de ampliar a participação dos NEAB estratégia de implementação de políticas educacionais para os afro-brasileiros. Iniciativa que, na gestão de Eliane Cavalleiro, Coordenadoria Geral de Diversidade – SECAD, a constituição da Comitê Técnico de Diversidade para Assuntos Relacionados a Educação dos Afro-Brasileiros – CADARA. Nesta mesma época, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva havia sido indicada para representar os afros no Conselho Nacional de Educação e, como um dos atos mais importantes de seu mandato, escreveu em parceria com Chiquinha Novaltino, representante no CNE das populações indígenas o parecer CNE 04/2003 que criou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de Cultura e História Afro-Brasileira e Africana, que tornado resolução em 2004, regulamentou as modificações à LDB, provocadas pela Lei Federal 10.639/03. Por conta disto, no primeiro semestre de 2004, sob coordenação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos, se organizou uma reunião de trabalho financiada por diferentes agências federais. A organização não-governamental Ação Educativa e mais a UNESCO, creio, voltada para pensar estratégias de monitoramento e avaliação da Lei Federal 10.639/03 e das Diretrizes. Neste encontro indicou-se a necessidade de articulação de um Consórcio de NEABS. Idéia que concretizamos no III Congresso de Pesquisadores Negros do Maranhão. De lá para cá o salto de qualidade foi impressionante. Na ata de fundação participaram ser de cinco NEABS e onze grupos correlatos. Com apoio de Andréa Lisboa, Eliane Cavalleiro e Valter Silvério (SECADMEC), Déborah Silva Santos (SESu/MEC), Ivair dos Santos (SEDH), entre outros, se organizou pelo menos dois editais importantes: o Brasil Afro-Atitude do Ministério da Saúde e Programa UNIAFRO no Ministério da Educação, que combinados com o Programa Políticas da Cor da UERJ/Fundação Ford, foram fundamentais para criar as condições de fortalecimentos dos NEABS como instrumento de capilarização de políticas publicas e espaços acadêmicos de produção de conhecimento (pesquisa ensino e extensão), focado no combate as desigualdades raciais. O resultado foi um aumento exponencial de núcleos que passaram para 77 organizações vinculadas a 67 instituições de ensino superior.


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Difícil relação: Nestes anos, embora tenham surgido no mesmo processo, tendo em seus membros, praticamente as mesmas pessoas, não foram fáceis ao longo do tempo as relações entre a ABPN e o Consórcio de NEAB's. Estas tensões são de duas naturezas. Em primeiro lugar, temos o problema da representação. Tendo como público alvo pesquisadores e pesquisadoras negras, ambas as articulações não definiram com precisão o âmbito de atuação de uma e de outra. O que causou vários transtornos. O segundo é de natureza política e ideológica e diz respeito a definição da agenda. De fato, enquanto a ABPN abarca um conjunto amplo de investigadores, o Consórcio Nacional de NEABS tem como foco os interesses de professores e professoras universitárias com suas demandas específicas. Vale enfatizar, nosso mundo é acadêmico, não tem nenhum interesse de representação da população afrobrasileira, nossa preocupação são com fontes de financiamento nacionais e internacionais, intercâmbio e mobilidade acadêmica, acesso aos programas de pósgraduação, criação de disciplinas na graduação, etc. Ou seja, embora sejamos identificados com a causa da igualdade no interior da IES, nosso âmbito de atuação está na esfera pública, não compomos a sociedade civil, como é o caso do Movimento Negro. Devemos reconhecer que a nova administração da ABPN implicou uma mudança de água para vinho nesta tensa relação, na medida em papéis foram definidos e uma pauta de cooperação foi delineada, em especial, no que diz respeito a organização do VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros . De fato, podemos cooperar em vários campos, a começar pelo fortalecimento da ABPN por meio da filiação institucional dos NEABS.

- Objetivos e ações: Para quem não conhece o Consórcio Nacional de NEABS tem os seguintes objetivos: – Desenvolver ações - através de atividades de pesquisa, ensino e extensão, de caráter

interinstitucional

e multidisciplinar

-

voltadas

para

avaliação e

acompanhamento da implementação do Parecer CNE/CP 003/2004 e da Resolução


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CNE 001/2004 que tratam das Diretrizes Curriculares para a Educação e Relações Étnico-Raciais e Ensino de História da África e da Cultura Afro-Brasileira; – Subsidiar a elaboração, acompanhamento e avaliação das diferentes agências públicas e sistema de ensino com vistas à implementação de políticas públicas de diversidade cultural, em especial, voltadas para populações afro-brasileiras e indígenas; – Incentivar o fortalecimento e/ou criação de núcleos, laboratórios e programas de pesquisa especializados nos estudos de temas alusivos aos aspectos sócioeducacionais e culturais das populações afro-brasileiras e indígenas; – Estimular, no âmbito das instituições, a reflexão acerca das desigualdades étnico-raciais e das políticas de promoção de igualdade.

Para tanto, as IES se propõem a realizar as seguintes ações: – Incentivos às pesquisas sobre processos educativos voltados para os conhecimentos de matrizes africanas e indígenas; – Divulgação de conhecimentos produzidos sobre a temática da diversidade cultural e das populações de origens africana e indígena em diferentes modalidades de comunicação; – Identificação e coleta de informações acerca das populações afro-brasileiras e indígenas com a finalidade de subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas para a diversidade étnico-racial nos sistemas de ensino; – Produção e avaliação de materiais didático-pedagógicos referentes às relações étnico-raciais na sociedade brasileira; – Estimulo à criação, desenvolvimento e consolidação de programas de pósgraduação sobre estudos africanos, afro-brasileiros e indígenas; - Criação de instrumentos de intercâmbio entre os núcleos de estudos afrobrasileiros e outros grupos acadêmicos correlatos com o objetivo de subsidiar políticas institucionais dos sistemas de ensino; – Fomento e consolidação de experiências de pesquisa e extensão na área de formação de professores para superação de práticas de racismo e de discriminação;


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– Incentivo ao desenvolvimento de estudos e pesquisas que ampliem os conhecimentos

e subsidiem a execução de políticas

educacionais para

as

comunidades remanescentes de quilombos e outros territórios negros e indígenas.

Pontos de encontro Entendo que as possibilidades de atuação conjuntas são muitas. Creio que podemos colaborar com a ABPN em vários pontos, em especial, desde o seu fortalecimento financeiro, por meio da filiação institucional dos NEAB's, a organização de agendas conjuntas junto às agencias de fomento e demais órgãos estaduais e federais. Acredito inclusive, que o Consórcio, guardada sua especificidade, poderia compor a estrutura da ABPN, de forma associada ou institucional. É isto por enquanto. Agradeço a oportunidade de participar deste importante fórum.


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TEMA 4 – A ABPN E A ARTICULAÇÃO INTERNACIONAL

Andréia Lisboa de Sousa 2 Universidade do Texas, USA Todos “os seres, vivos ou mortos, se inter-relacionam e influenciam. Há ações de forças que tendem a diminuir a energia vital e outras que a aumentam, fazendo interagir harmonicamente todas as forças que Nzambi criou e colocou à disposição [da mulher e] do homem.” 3

Introdução

Laroiê, Exu! Saudações de Ngunzo e Axé (energia vital) vindas de nossas grandes mães ancestrais e criadoras do mundo à tod@s! Prezad@s associad@s, a cada texto e trocas neste seminário virtual desvendamos o quão árdua é a luta em prol de se pensar os desígnios de uma agen da de pesquisa antissexista e antirracista. Os desafios são

inúmeros, o trabalho é

incomensurável, o nosso tempo nesse paradigma capitalista devorador e genocida rouba a nossa dignidade negra. Não é fácil conjugar nossa vida individual com a vida ativista e a vida acadêmica, mantendo sempre viva a conexão com noss@s ancestrais. O trabalho, o chamado e as demandas são enormes e por isso nossos esforços terão quer ser comunitariamente multiplicados ou triplicados para continuarmos os avanços que a ABPN conquistou nesses dois últimos anos.

2

Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)/Brasil. Doutoranda na área de Currículo e Instrução pela Faculdade de Educação da Universidade do Texas in Austin/USA. Coordenadora da área de relações internacionais da ABPN. Fellow da Fundação Ford. Tem publicado artigos na área de educação, relações raciais e de gênero, literatura e diáspora Africana. Foi consultora da UNESCO, CLADE e Sub-coordenadora de políticas educacionais da Coordenação Geral de Diversidade da SECAD/MEC. 3

Fonte: http://blogdotreineu.blogspot.com/2008/10/filosofia-banto.html


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O propósito deste texto é proporcionar alguns subsídios para refletirmos coletivamente sobre a construção e/ou fortalecimento da articulação internacional para a ABPN. Inicialmente, me deterei em alguns conceitos básicos sobre o termo „cooperação internacional‟ para podermos dialogar sobre as possibilidades de articulação em âmbito supra-nacional para a ABPN que podemos vislumbrar. Posteriormente, esboçarei algumas potenciais fontes de cooperação nas quais poderemos criar uma rede interna e externa estratégica para estabelecer uma produção de conhecimento para e por pesquisador@s negr@s no âmbito internacional. Por último, apresento minhas considerações, enfatizando a necessidade de impulsionarmos uma rede de articulação internacional solidária, consistente e transformadora. Antes porém, como exercício político do nosso estar na academia, há que se perguntar: o que a crescente presença negra no regime de produção de conhecimento pode trazer de novo para a política transnacional negra? Faço esta pergunta para que contextualizemos a reflexão neste bloco do Seminário virtual da ABPN, levando em consideração as discussões que tem sido feitas no âmbito da academia branca sobre um suposto imperialismo cultural advindo dos Estados Unidos. É conhecida entre nós a polêmica em torno do artigo de Pierre Burdieu e Wacquant (1999) sobre as “artimanhas da razão imperialista”, na qual os autores acusavam os pesquisadores negros do Brasil e dos EUA de criarem uma suposta importação dos problemas do norte para a realidade brasileira. Como pano de fundo estava não a preocupação com o imperialismo norte americano – como está evidente nos discursos de autores como Demetrio Magnoli, Marcia Green e Peter Fry – mas a preocupação com a crescente e vibrante cooperação entre intelectuais negr@s dos dois países. O medo, portanto, tem endereço e razões político-econômico-acadêmicas profundas.


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Articulação Institucional: Cooperações formais e informais

De modo geral, definiria aqui cooperação no contexto da diáspora africana como uma forma de colaboração, trabalho conjunto ou suporte para a realização de um projeto/programa ou proposta em comum, visando desenvolver ou aprimorar o ensino, a pesquisa, a extensão universitária e a produção de saberes negr@s para a promoção da eqüidade no campo do conhecimento acadêmico-profissional. Igualmente, o conceito de cooperação expressa e dialoga de forma ampla todas as estratégias, arcabouços e acúmulos históricos de negras e negros na luta pela igualdade. Necessitamos resgatar parte dessas estratégias para pensarmos a articulação institucional da ABPN. Por último, a articulação internacional negra tem a ver com a política de privilégios acadêmicos, econômicos e culturais que o estado brasileiro tem mantido ao longo dos anos em suas parcerias, convênios, tratados, acordos etc. As parcerias internacionais que o estado brasileiro tem realizado, salvo exceções, têm beneficiado as estruturas de poder e impedido a realização de relações mais horizontalizadas de modo a beneficiar a/o produção de conhecimento que vem sendo desenvolvida por negr@s brasileiros desde as formas de sobrevivência à escravidão e antes da colonização moderna. Ainda assim, @s negr@s têm historicamente criado vias informais e formais de cooperação, negociação e estabelecimento do que concebemos como ”parcerias” hoje entre os diversos grupos étnicos africanos desde o processo de escravidão para obter liberdade. Atualmente o termo que se utiliza para qualquer tipo de articulação institucional é cooperação ao invés e colaboração. Esta última refere-se mais ao estabelecimento de relações assimétricas, em que há uma figura central, principal, que controla e intervém na ação/programa, sendo que @s demais envolvidos agem como peça secundária. Já a cooperação em tese deve tratar cada parceir@ de forma mais balanceada, complementar, propiciando independência e confiança mútua para as partes envolvidas. A cooperação internacional pode ser de natureza bilateral (entre dois países


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parceiros), multilateral (entre um país e uma instituição internacional) ou trilateral (essa é

mais complexa e pode envolver tanto dois países denominados como em

“desenvolvimento” com país investidor/doador quanto dois países investidores com um em desenvolvimento). Ainda existe a cooperação governamental, também conhecida como cooperação oficial e os acordos diretos de cooperação entre instituições. Ainda do ponto de vista formal, existem a cooperação técnica que diz respeito ao intercâmbio externo entre países sem fins lucrativos ou comerciais e a cooperação financeira reembolsável ou não. Quando nos deparamos com o histórico e a forma como ocorrem as cooperações internacionais no Brasil relacionadas a projetos para a comunidade negra, não será difícil constatar que @s estudiosos, planejadores e administrador@s desse tipo de projeto são majoritariamente professor@s universitári@s brancos. O padrão paternalista e o privilégio branco em geral se repete quando professor@s negr@s são convidados meramente para serem pareceristas e não gestores internacionais de projetos. A ABPN pode e deve dar um salto a respeito disso. Temos que ter negr@s não apenas como bolsistas ou alvo de capacitação, mas também como os gestores de recursos, da política de intercâmbios, enfim do processo como um todo. Esse padrão colonial tem que ser desbancado e a ABPN pode cumprir papel estratégico aqui. Os institutos tradicionais de fomento à pesquisa como CNPq, CAPES, FAPESP, e as fundações internacionais como Fundação Ford (EUA), Fundação Carolina (Espanha), Fulbright (EUA) entre outras, são majoritariamente comandadas por brancos que, com raras exceções, reproduzem o padrão do encontro colonial. Não raro, os projetos e ambições acadêmicas negras são descartados ou desqualificados como não científicos por carecerem de uma suposta objetividade-racionalidade que nós negras e negros não temos. Neste sentido, vale ressaltar que para a academia racista branca brasileira ter negr@s como pensadores, cientistas, gestores de projetos etc é algo ainda que teremos que estrategicamente conquistar. Por isso, muitas articulações internacionais têm ficado no plano ainda informal. Ainda assim, a agenda acadêmica negra cresce e com ela um novo padrão de produção de conhecimento. Por exemplo, várias ONG‟s de mulheres negras desde o fim da década de 80 obtiveram parcerias de organizações estadunidenses e pesquisador@s negr@s durante a década de 90. Foram realizadas


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cooperações informais, principalmente com organizações estadunidenses, para conseguir bolsas, cursos, intercâmbios para língua estrangeira, visitas, seminários, cursos rápidos de capacitação, publicações etc. A verdade é que a formação de uma rede transnacional negra tem se dado à revelia das iniciativas oficiais de apoio como historicamente tem recebido @s branc@s. É o movimento subterrâneo afrodiaspórico em ação. Um exemplo concreto deste movimento foi a graduação de estudantes da instituição Stive Biko (Sa/BA) recentemente aqui nos EUA. Uma parceria entre a Biko, em Salvador, e uma organização negra, Morehouse College, dos EUA possibilitou o intercambio cultural e político de jovens negros sem necessariamente criar um convênio ou algo similar. Outra experiência histórica que começou informalmente e, após alguns anos, se tornou um projeto oficial é a parceria entre a organização de mulheres negras de Criola (RJ) e o centro de estudos africanos e afroamericanos da Universidade do Texas. O centro tem dado suporte para que mulheres negras de Criola possam cursar a pós-graduação lá. Uma terceira significante experiência foi a articulação da ACMUN - Associação Cultural de Mulheres Negras, Porto Alegre/RS para desenvolver um projeto comunitário na área de saúde - Lai Lai Apejo, em parceria com a Criola e o Spelman college colégio histórico para mulheres negras norte-americano. Experiências como essas têm acontecido em várias partes do Brasil com instituições negras, principalmente de mulheres negras. Acredito que podemos também aprender, investir, desenhar novas cooperações a partir das experiências e capital cultural internacional que organizações de mulheres negras e outras entidades negras, bem como professor@s negr@s têm acumulado ao longo dos anos. E para dar vazão à demanda e à necessidade histórica, a ABPN já pode considerar que têm contatos estratégicos, por meio de esforços individuais de algumas/ns professor@s universitári@s negr@s na Jamaica, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, vários países africanos (África do Sul, Nigéria, Moçambique, Senegal, Benin, Ghana, Angola, São Tomé, Cabo Verde) etc. Quais as vantagens de uma cooperação internacional? Por que estabelecer cooperações internacionais? Entendo que a cooperação internacional pensada estrategicamente é valida

e deve favorecer a inclusão negra na área de ensino,

pesquisa, desenvolvimento científico e tecnológico bem como certamente no mercado


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de trabalho. Mais do que válida, ela é necessária para fortalecer laços politicoacadêmicos numa perspectiva afrodiaspórica que vise a luta por uma academia democrática, com uma visão crítica das relações de poder e suas implicações nas relações raciais, de gênero e econômicas. Um exemplo concreto das artimanhas institucionais do privilégio branco na academia brasileira pode ser ilustrado com a Universidade do Texas em Austin, cujo centro de estudos brasileiros (Brazil Center) administra os convênios selados com o Brasil. Certa vez um grupo de pesquisador@s ativistas afrobrasieir@s questionou formalmente o fato de o governo brasileiro ter exclusivamente promovido bolsas internacionais para estudantes brancos. A resposta da coordenadora do centro foi que a competência do Centro é apenas administrar os convênios e que o Brasil é quem decide os beneficiados. Na época organizamos um quadro sobre o número de estudantes

negr@s

na

Universidade

do

Texas.

Entre

os

dez

estudantes

afrobrasiler@s, com exceção de uma aluna visitante com bolsa somente para seis meses, nenhum havia sido financiado pela CAPES ou CNPQ. O que essa pequena amostra tem revelado sobre a política internacional de bolsas das agências brasileiras? Enfim, necessitamos de uma perspectiva de cooperação crítica, transformadora e promotora de uma comunidade científica negra (negrejada) qualificada, diversa e que vá além de projetos individuais que cada uma/um tem, mas sobretudo comprometida com um projeto coletivo de acesso, permanência, sucesso e inserção acadêmica negra. Rede Estratégica de Articulação Internacional Diante da experiência que tenho vivenciado estudando e representando a ABPN fora do país, gostaria de apresentar algumas sugestões, que poderão contribuir para o avanço da ABPN:

a) articular com a CAPES e CNPQ a disponibilidade de bolsas de pós para negr@s em universidades no exterior. A maioria de estudantes financiados por essas agências é branca e da área de ciências tecnológicas. @s negr@s estão excluíd@s das oportunidades de acessar, elaborar, partilhar e produzir conhecimento acadêmico em nível internacional;


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b) mapear os programas e acordos já existentes entre essas agências com diversas universidades nos diversos continentes (africano, europeu, Américas e Caribe etc) e estabelecer um plano estratégico de bolsas para negr@s, prevendo curso préacadêmico para língua estrangeira, quando necessário; c) mapear universidades latinoamericanas, africanas, norte-americanas e européias com interesse em receber estudantes brasileir@s e negociar o ingresso de estudantes (via agências brasileiras, via ABPN e via os próprios programas de potenciais universidades) em nível de graduação e pós-graduação principalmente nas áreas sub-representadas como as ciências médicas e tecnológicas; d) Publicação de números

especiais da Revista da ABPN sobre temas tais

como: i) África; ii) diáspora Africana na Ásia, Europa, Américas; iii) Circulação e Produção de conhecimento científico na diáspora, traduzido para o Inglês, Francês e Espanhol, visando o diálogo com os pares e também contatos estratégicos; e) Conhecer e incluir negr@s nos programas que a SESu já tem com universidades estrangeiras como também acompanhar mais de perto os critérios de seleção e divulgar as oportunidades criadas pelas agências internacionais e o MECProUni; f)

Envidar

esforços

entre

ABPN

e

NEABs

(por

meio

de

moção/diálogo/pressão/abaixo-assinado) para que a Universidade da América Latina criada no Paraná, tenha um departamento sobre Estudos Diaspóricos na América Latina. Essa é uma ação que deve ser priorizada agora e já e a meu ver deveria ser protagonizada pelo CONEABs (Consórcio dos Núcleos de Estudos Afrobrasileiros); g) Criar projetos para financiar a tradução de obras estrangeiras relevantes par a o contexto brasileiro e vice-versa;

h) Uma área que também mereceria atenção seria a arqueologia. O Brasil tem muitos sítios que poderiam trazer novas informações sobre a história e organização negra, a partir de estudos arqueológicos. Os USA tem um número irrisório de arqueólogos negr@s (nao passa de 10) e há essa possibilidade de se negociar o treinamento de arqueólogos brasileiros nos Estados Unidos. Cabe a ABPN saber se há interesse e fazer um levantamento de pesquisad@r na área;


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i) O que temos de mais concreto em termos de articulação internacional é o pano de cooperação Brasil/Estados Unidos que tem sido coordenado pela Seppir. A ABPN já participou de três encontros para a construção do Plano de Ação. Sendo que no último, 20 e 21/05 passado em Atlanta/EUA, estive presente para trabalhar com Raquel Luciana de Souza (Gerente de Projetos da ABPN) e a professora e presidente da ABPN Eliane Cavalleiro. Conseguimos ter aprovada, no GT de Educação e combate ao racismo institucional, a proposta de financiamento para pesquisas em parceria com universidades estadunidenes. Nessa missão, Raquel, teve a oportunidade de visitar diversas instituições, tais como: Universidade Internacional da Florida, Universidade Samford, Instituto de Direitos

Civis

de Birmingham (BCRI),

onde surgiram

possibilidades concretas de parcerias institucionais com a ABPN. j) no âmbito da política empresarial de responsabilidade social, elaborar projetos para empresas públicas e privadas, na perspectiva de propiciar bolsas de estudos para cursos de línguas, fundamental para o desenvolvimento acadêmico-profissional. * Ter pesquisador@s proficientes em inglês, francês, espanhol etc seria fundamental para podermos circular a produção, ampliando assim as trocas de conhecimentos diaspóricas, que em muitas situações ficam restritas a algumas/uns professor@s universitári@s que dominam essas línguas e têm contatos internacionais; * vale ressaltar a necessidade de priorizar a juventude nos intercâmbios de aprendizado de línguas estrangeiras, a fim de prepararmos futur@s professor@s universitári@s, pesquiador@s e gestor@s do ensino superior; l) ABPN deve organizar workshops informativos e formativos sobre intercâmbios e outras articulações internacionais em nível global; oferecer conhecimento técnico, p or meio de workshops para a elaboração de projetos, que podem ser realizados na plataforma online, em parceria com os Neabs e professor@s universitári@s; m) conhecer a estrutura e estratégias utilizadas para a solidificação de centros afros em universidades estrangeiras, principalmente, os históricos black colleges e a experiência da faculdade para mulheres (Spelman College) nos Estados Unidos. Observar que lições podem ser tiradas para pensar a realidade brasileira; n) Criar uma rede solidária de contatos efetivos. Professores universitári@s e organizações negr@s têm participado de fóruns/eventos internacionais e identificado


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potenciais parceiros. Há uma necessidade de capitalizarmos e socializarmos com a ABPN os possíveis contatos para parcerias internacionais nas diversas instâncias;]

Articulações Internacionais Suporte financeiro

Fonte

Informação geral

Programa de Apoio a Eventos no Exterior (PAEX)

http://www.capes.go v.br/bolsas/bolsasno-exterior/paex

Estágio de Doutorando PDEE (sanduíche/sandwich)

http://www.capes.go v.br/bolsas/bolsasno-exterior/estagiode-doutorando-pdee http://www.cnpq.br/ normas/rn_06_016_ anexo3.htm www.brown.edu/bia ri

Apoiar a apresentação de trabalhos científicos de professores e pesquisadores, portadores de diploma de doutorado, em eventos no exterior, propiciando visibilidade internacional da produção científica, tecnológica e cultural brasileira. estabelecimento e/ou a manutenção do intercâmbio dos cursos de pós-graduação do país com seus congêneres no exteri or, por intermédio da concessão de cotas de bolsas às Instituições de Ensino Superior para estágio de doutorando no exterior. colaboração com grupos de pesquisa emergentes ou consolidados, para o desenvolvimento de linhas de pesquisa ou desenvolvimento tecnológico consideradas relevantes BIARI visa o desenvolvimento de uma plataforma acadêmica para professor universitário jovem do eixo Sul.

Professor visitante

Brown University Summer Research Institutes (BIARI)/USA British Council (Londres)

Research Project Grants (RGC)

Guia europeu - líderes em projetos Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AECID)

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que integra a estrutura do Ministério das Relações Exteriores (MRE)

www.britishcouncil.o rg/new/about-us/ http://www.ugc.edu. hk/eng/rgc/grf/appli cation/application.ht m http://www.welcom europe.com/ http://194.140.3.20/ web/es/becas/ ou http://194.140.3.20/ web/es/cooperacion / http://www.ensp.fio cruz.br/portalensp/cooperacaointernacional/cooper acao-tecnica/

Trabalha com relações entre pesquisadores recentes e cientistas no mundo; contato com instituições de pesquisa e laboratórios em nível superior O RGC fundos para as áreas de: engenharia, física, biologia, medicina e humanidades, ciência sociais e business.

Método para se preparar projetos na Europa (20 págs) Bolsas, cursos acadêmicos e de verão, parcerias com ONG’s etc

ABC é formada por sete coordenações: CGPD - Coordenação Geral de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento; CGRB - Coordenação Geral de Cooperação Técnica Recebida Bilateral / CGRM - Coordenação Geral de Cooperação Técnica Recebida Multilateral / CGMA - Coordenação-Geral de Cooperação em Agropecuária, Energia, Biocombustíveis e Meio-Ambiente CGTI - Coordenação-Geral de Cooperação em Tecnologia da Informação, Governança Eletrônica, Defesa Civil, Urbanismo e Transporte /CGDS - Coordenação-Geral de Cooperação em Saúde, Desenvolvimento Social, Educação e Formação Profissional CGAP - Coordenação Geral de Acompanhamento de Projetos e de Planejamento Administrativo / Cooperação Horizontal/Sul-Sul CGPD - Coordenação Geral de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento


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Considerações A conjuntura política brasileira durante o atual governo tem sido um tanto quanto favorável, uma vez que na história do Brasil diversos acordos/convênios e parcerias com países africanos têm sido criados, haja a vista a Universidade Afro-Brasileira, por exemplo. Temos necessidade de construir uma cooperação internacional para a ABPN, a fim de favorecer entidade

com

a pesquisa, o ensino, a profissionalização e a autonomia da

poder

decisório

sobre

qualquer

tipo

de

acordo/cooperações

internacionais a serem realizadas. É fundamental estabelecer uma rede de articulação internacional solidária, consistente e transformadora que rompa com o padrão de produção de conhecimento de “uma via mão única” que vem sendo criado, consolidado e determinado os padrões/modelos de convênios, parcerias ou redes no Brasil que excluem @s negr@s das posições de poder e gerenciamento. Temos sim que criar uma rede diaspórica que some nosso capital de luta e agenda de pesquisa para promover novas formas de pensar e fazer pesquisa numa perspectiva libertadora, antissexista, antirracista, antiheteronormativa e anti-elitista. Para isso é essencial termos pesquisador@s, professores e profissionais comprometidos em interagir numa articulação ou projeto internacional que: a) beneficie e mantenha a perspectiva da coletividade negra; b) que dialogue por um lado com a produção afrodiaspórica democrática e libertadoras; c) que por outro lado questione a imposição de um padrão de produção de conhecimento, conceitos e pesquisas dos países do bloco norte em relação aos do bloco sul; d) a ABPN deve elaborar estudos sobre o impacto (ou o não impacto) dos projeto de cooperação internacional na vida da população negra e divulgá-los largamente para a sociedade brasileira. Por exemplo, até que ponto nos acordo entre o Brasil e UNESCO, BID, Unicef, dentre outras instituições, para produzir estudos, pesquisas e desenvolvimento educacional fica explicitado por estes organismos internacionais a necessidade e prioridade em tratar interseccionalmente as categorias de gênero, raça e classe nos projetos/programas? Outro aspecto importante para o desenvolvimento e sucesso de qualquer


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ação/projeto/iniciativa é não perder de vista esse princípio de interseccionalidade de gênero, raça e classe. Igualmente, obedecer o princípio da representação regional e o protagonismo juvenil. Com exceção da Bahia, o norte o nordeste do Brasil continua carecendo de atenção e parcerias estratégicas. A juventude negra brasileira está na academia e tem estabelecido uma articulação estratégica com jovens da América Latina e Caribe. A ABPN não deve perder de vista o potencial e trabalho d@s @s jovens. Mais ainda, a ABPN deve pensar num projeto estratégico de parceria internacional para investir n@s futur@s jovens pesquisador@s, doutores, ministros, gestores nas diversas áreas do conhecimento, do ensino, da pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico. Somente assim, poderemos avançar no projeto de uma sociedade antirracista, anti-heteronormativista, antissexista, anti-elitista, e anti-adultocêntrica rumo a justiça social. É imprescindível investir e estabelecer redes de articulação e fortalecimento internacional da ABPN com instituições de ensino e pesquisa formais e informais na América Latina, Caribe e no continente africano. Na cultura iorubá, a “cabeça carrega o corpo”! Itan de Ifá (histórias, revelações sagradas do oráculo de Ifá). O Ori (a cabeça) é o centro da espiritualidade e de nossas ações e vontades. Antes de virmos ao mundo, escolhemos nossa cabeça para trazer par esse mundo e é ela que nos conduz. É o nosso Ori. Que a energia vital de noss@s ancestrais, que nossa mãe protetora, Mama Tchamba 4, nos traga Discernimento, Força, Fé, Senso de Comunidade, Ética, Verdade, Felicidade, Abundancia e Amor em nosso dia-a-dia para estarmos firmes em nosso propósito e alcançar o sucesso que sonhamos. Que a nossa energia vital só tenda a aumentar cada vez mais Ngunzo! “O espírito da revolta não é possível senão nos grupos em que uma igualdade teórica encobre grandes desigualdades de fato” (Abdias do Nascimento, 1982)

4

Guardiã das/os africanos e seus descendentes que foram levados á força da África, durante o processo de escravidão. Hunter-Hindrew (2007) informa que a denominação Tchamba não diz respeito somente aos grupos fulani e ewe da região norte do Togo. “Tchamba como um sistema universal e divino de compensação humana e preservação étnica das almas africanas que foram inapropriadamente deslocadas de seu destino prescrito [origem territorial]; engloba todos grupos africanos que foram vendidos durante a escravidão”(p. 538). Hunter-Hindrew: Mami wata: Africa’s ancient God/Godess unveiled. Mami Wata Healers Society of North America Inc., Vol. I, 2007.


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TEMA 5 – ABPN E AS AGÊNCIAS D E FOMENTO

Moisés de Melo Santana Universidade Federal Rural dePernambuco Esse texto visa subsidiar a discussão da ampliação do Programa de Ações Afirmativas para a Iniciação Científica desenvolvido pelo CNPQ/SEPPIR. Propomos a criação de um Programa MILTON SANTOS Induzido de Pesquisa - no interior Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ. A criação do referido programa de pesquisa possibilitará o enraizamento e consolidação das ações da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as ABPN no interior das universidades brasileiras. Em 2001, a Fundação Cultural Palmares, o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade

Federal

da

Bahia

(CEAO/UFBA)

e

o

Conselho

Nacional

de

Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) promoveram o Primeiro Encontro Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEABs), em Salvador, com o objetivo de criar uma rede de cooperação entre os referidos núcleos e os centros de pesquisa, de modo a fortalecer a atuação desses órgãos no campo acadêmico-institucional. Porém, a iniciativa restringiu-se ao estabelecimento de um protocolo de intenções e ao financiamento pontual de publicações da Fundação Cultural Palmares. Mas essa iniciativa produziu uma maior aproximação entre os núcleos que passaram a constituir outros fóruns de articulação e discussão. Se por um lado tivemos o desenvolvimento e consolidação dos espaços de cooperação entre os NEABs, inclusive com a criação de um consórcio nacional de NEABs, por outro lado, acompanhamos, enquanto expressão desse mesmo processo o nascimento, o crescimento e a ampliação da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN. Ainda nesse contexto tivemos a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), órgão coordenador e responsável pela elaboração e gestão de ações de combate ao racismo e às desigualdades raciais, no âmbito federal.


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A SEPPIR e o CNPQ criaram um Programa de Ações Afirmativas vinculado ao Programa Institucional de Iniciação Científica PIBIC. Verifica-se, nos últimos anos, um crescimento significativo da produção bibliográfica referente ao campo temático das relações étnico-raciais. Essa expansão decorre diretamente do aumento do número de mestres e doutores dedicados a pesquisar esse tema. De certa maneira, parte significativa desses pesquisadores está de alguma forma, ligada aos núcleos de estudos afro-brasileiros ou seus congêneres. Esses núcleos têm se constituído em espaços de produção acadêmica em várias universidades públicas federais e estaduais. A ABPN numa perspectiva estratégica para os próximos 10 anos poderá desenhar uma proposta de PROGRAMA INDUZIDO DE PESQUISA que articule, fortaleça e amplie as possibilidades de consolidação do campo temático das relações étnico-raciais na sociedade brasileira. Os programas de ações afirmativas existentes nas universidades brasileiras ampliaram o acesso dos estudantes negros ao ensino superior em diversas áreas do conhecimento. É essencial criarmos as condições necessárias de desenvolvimento acadêmico desses estudantes. Um amplo programa de pesquisa, concebido de maneira articulada com os NEABS, criará as condições institucionais fundamentais para a consolidação da ABPN no cenário político e acadêmico brasileiro. A criação de um Programa no CNPQ poderá servir de referência às Fundações Estaduais de Fomento à Pesquisa. A ABPN junto com a SEPPIR poderia desenhar uma proposta de ampliação do programa já existente no CNPQ com o objetivo de estimular, apoiar e fortalecer as atividades de pesquisa científica, tecnológicas, culturais e de inovação educacional no campo temático das relações étnico-raciais e cultura afro-brasileira. Com esse programa, pretende-se, ainda, estimular o intercâmbio entre pesquisadores.

Objetivos do Programa: Desenvolver

ações

de

pesquisa,

preferencialmente

articuladas

com

outras

universidades, países africanos e movimentos sociais negros sobre a realidade das relações étnico-raciais e culturais da população afro-brasileira nos espaços urbanos e rurais;


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Fortalecer institucionalmente os núcleos de estudos afro-brasileiros de Pernambuco e as articulações em redes regionais, nacionais e internacionais; Propiciar o intercâmbio de pesquisadores e alunos com os países africanos, da diáspora africana e entre os NEABs das universidades brasileiras; Desenvolver

pesquisas

que

subsidiem

a

elaboração

de

Programas

de

desenvolvimento integrado e sustentável em comunidades remanescentes de quilombos; Elaborar diagnósticos e metodologias que contribuam para a implementação da Lei 10.639/03 e do Parecer 03/04 do Conselho Pleno - CP do Conselho Nacional de Educação - CNE junto à secretaria estadual e às secretarias municipais de educação no estado de Pernambuco; Estabelecer uma política editorial para disseminar e dinamizar a produção de conhecimentos sobre as relações étnico-raciais e a cultura afro-brasileira; Promover eventos de porte regional, nacional e internacional relacionados à natureza do programa; Desenvolver ações educacionais e socioculturais voltadas para a promoção da iniciação científica para estudantes do ensino médio da rede estadual de ensino.


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TEMA 6 – A PARTICIPAÇÃO/FORMAÇÃO DE PESQUISADORAS(ES) DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Eliseu Amaro de Melo Pessanha Universidade de Brasília

Prezados (as) associados e associadas, a minha contribuição ao seminário virtual da Abpn aborda a participação/formação de pesquisadoras (es) de iniciação científica. Agradeço imensamente o convite, mesmo porque eu sou um pesquisador iniciante e espero que esse texto venha a colaborar nas discussões e principalmente na fomentação de idéias que serão discutidas durante a VI COPENE. O objetivo do artigo não é o de afirmar posições, mesmo porque os dados que aqui estão são do conhecimento de todos aqueles que se interessam pelas questões do negro no Brasil de maneira geral, mas o de levantar discussões a respeito do que está sendo feito para os pesquisadores(as) negros e negras e o que ainda pode ser feito, se possível qualitativa e quantitativamente melhor.

- A importância de se fomentar a pesquisa e produção intelectual entre negros(as) no Brasil.

Já fazem alguns anos que a quantidade de estudantes negros no ensino superior tem aumentado no Brasil. Longe de imaginar que esse fenômeno é um resultado de apenas um ou poucos fatores, como o crescimento econômico ou o aumento de recursos para a educação, deve-se destacar o resultado de políticas de ações afirmativas, na verdade uma vitória dos movimentos negros, pois estas políticas são resultados de anos de reivindicações. Apesar desse crescimento ainda é grande a diferença entre universitários negros e brancos. Mas esse problema já começa na educação básica, segundo dados do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2008 dos alunos matriculados no ensino médio no Brasil, 61% eram brancos e 42,2% era de negros ou pardos. Quando tivermos no Brasil pesquisas a respeito da população negra, objetivo que a aplicação da 10.639/03, consequentemente teremos mais livros sobre a população negra, mais dados e uma participação maior de professores negros, cientistas negros e intelectuais negros de forma geral.


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- Cotas na pós-graduação

No Dia em que se comemorou os 122 anos da Lei Áurea, o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloi Ferreira, anunciou a continuidade ao programa PIBIC – Ações Afirmativas, com a criação de 250 bolsas de pósgraduação para alunos negros ou pardos e um aumento de 200 bolsas do Programa de Iniciação Científica (Pibic), que passarão de 600 para 800 em 2010. Esta iniciativa é um progresso no que se trata em propor ações para incluir os graduandos negros na pesquisa acadêmica, mas estes alunos ainda enfrentarão algumas dificuldades principalmente se a temática de pesquisa estiver relacionada às questões pertinentes aos afro-descendentes. Uma pesquisa feita em 2002 durante o II COPENE no quesito sobre as dificuldades encontradas pelos pesquisadores negros(as) revelou que 15,53% apontam o acesso aos dados e falta de livros; 14,91% apontam que os orientadores são despreparados e a orientação inadequada. Esse último dado pode ser explicado quando observamos os resultados da pesquisa do professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) José Jorge de Carvalho constatou que nas maiores e mais importantes instituições de ensino superior (IES), o número de professores negros (pretos e pardos) não chega, em média, a 1%. Essa problemática é delicada, pois como orientar pesquisas a respeito dos afro-descendentes se a quantidade de orientadores(as) negros(as) é ínfima? Seria o caso de se levantar a bandeira em defesa de cotas raciais na pós-graduação? Essa seria uma alternativa interessante, que na verdade já começa a entrar em prática com a reserva de bolsas de pós-graduação para alunos negros e pardos, é pouco? 5 É, mas já é o começo. Mas a regras devem ser diferentes, tendo em vista que os negros ingressam no mestrado com a idade média de 35 anos, geralmente os programas de pós -graduação e as políticas de bolsas privilegiam candidatos jovens, se a proposta levar em consideração as especificidades dos pesquisadores negros, então ela será positiva.

Perspectivas e áreas do conhecimento em que pesquisadores negros (as) podem estar inseridos.

Mas, o que querem os pesquisadores negros? E o que eles pesquisam? No que se diferenciam dos pesquisadores brancos? Depois que foi sancionada em 2003 a lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino de História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, iniciou-se uma busca aos profissionais da educação que tivessem conhecimento do assunto, especialistas neste tema ainda é muito difícil de encontrar. Quando a SECAD/MEC em parceria com a UnB ofereceram um curso à distância para capacitar professores os tutores 5

http://www.portaldaigualdade.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2010/05/seppir-comemora-122-anos-da-leiaurea/?searchterm=bolsas


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selecionados que se declaravam brancos era de 49,25%, enquanto negros 20,90% e pardos 20,90% (MEC, 2007, p.56). Isso demonstra a carência de especialistas negros nas questões dos próprios afro-descendentes.

Uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa MAS – Pesquisa de Mercado, durante o II COPENE, acontecido na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) em 2002, coordenada pelo sociólogo Marcos Agostinho Silva com 122 pesquisadores e pesquisadoras negros(as) revela o perfil desses pesquisadores no Brasil, mesmo porque conta com pesquisadores de todas as regiões do país. Dos entrevistados 68,03% são mulheres e 31,97% são homens, a maioria dos pesquisadores sem encontram na faixa etária entre 35 4 44 anos, 31,15%, os pesquisadores mais jovens, na faixa entre 19 e 24 anos são 18,85%. Sobre a ocupação profissional dos pesquisadores a maioria declarou ser professor (43,66%), em segundo (23,94%) se declaram estudantes e em seguida 5,53% se declaram pesquisadores. Sobre as áreas de pesquisa a maioria esmagadora está concentrada na área de pesquisa das ciências humanas com 93,55%, outras 2,42%, 1,61% em biomédica e 1,61% na área de exatas. No universo das ciências humanas, a maioria dos entrevistados declaram ter formação em Sociologia ou Ciências sociais (25%), depois a Pedagogia (19,85%), História (13,97%) e letras 5,88%. A maioria dos pesquisadores estão vinculados às universidades públicas, 44%, nas estaduais, 32% nas federais e apenas 16% nas privadas. Um outro ponto interessante da pesquisa é o que diz respeito ao acesso ao financiamento institucional para o desenvolvimento da pesquisa, apenas 32,7% disseram possuir bolsa de estudo.

Segundo dados do Relatório – Perfil 2009 das (os) Associadas(os) da ABPN, no que se refere às áreas de conhecimento, 80% dos associados são da área de Ciências Humanas, seguido das Ciências Sociais Aplicadas com 7%. Pode-se concluir que os afrodescendentes procuram pesquisar em áreas cuja carência de acesso entre eles é tamanha que quando ascendem socialmente procuram contribuir nas áreas sociais? Levando em consideração a quantidade de sociólogos, pedagogos, historiadores e assistentes sociais. Por outro lado também se pode inferir que a baixa presença dos afro-descendentes nos cursos nas áreas de Ciências da Saúde e Ciências Exatas e da Terra, se deve a situação sócio-econômica, tendo em vista que esses cursos têm um custo mais elevado? Bem, esse artigo não se propõe a analisar essa situação, mas deixará esse ponto em aberto, o que é pertinente neste momento é enfatizar que os pesquisadores negros das áreas de menor concentração de afro-descendentes terão bem menos colegas ou professores da mesma cor, o que pode, por conta do corpo docente, desfavorecer aqueles que pretendam a desenvolver pesquisas ligadas a questão negra nestas áreas.


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- Fortalecimento da ABPN. Para que a academia brasileira tenha uma quantidade maior de pesquisadores(as) negros(as) é preciso que políticas como o PIBIC – Ações Afirmativas sejam ampliadas e sejam contínuas. Outras iniciativas como as da Fundação Ford, ANPEDE e Ação Educativa sejam fortalecidas, inclusive com o apoio estatal. A quantidade de professores negros e pardos na cátedra é preocupante para sanar essa ferida é necessário que os pesquisadores afro-descendentes se mobilizem para reivindicar cotas no acesso ao mestrado acadêmico. É importante que a ABPN promova um espaço onde é possível debater esses temas, mais do que debater é importante que ela promova ações que venham a inserir os pesquisadores (as) negros (as) no mundo acadêmico, como por exemplo com oferta de cursos a distância para elaboração de Projetos, de escrita de Português acadêmico, de línguas estrangeiras, e de temas afins, entre outros, que darão com certeza frutos promissores para o acesso de mais negros(as) na pós-graduação e consequentemente mais pesquisadores(as). O fortalecimento da associação passa necessariamente pelo estreitamento de laços com os núcleos de estudos afro-brasileiros nas universidades públicas e privadas de todo o país, com isso é possível desenvolver projetos de pesquisas e extensão com graduandos das mais diversas instituições, sejam elas federais, estaduais ou privadas. A associação pode promover, através de seu ambiente virtual de aprendizagem, cursos que venham fomentar os interess es de possíveis pesquisadores (as) com temas pertinentes a causa negra; quilombolas, 10.639/03, saúde da população negra, gênero e diversidade sexual, escravidão, intelectuais negros e outros.

Referências:

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Diversidade na Educação: experiência de formação continuada de professores. MEC, Brasília, 2007. http://www.abpn.org.br http://www.portaldaigualdade.gov.br


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TEMA 7 – A INCLUSÃO DE PESQUISADORES(AS) AUTÔNOMOS(AS) NO QUADRO DA ABPN

Juarez da Silva AFROAMAZONAS, Manaus

A questão surgiu a partir da última campanha de filiação, o estatuto da ABPN diz : ARTIGO 1° § 1º - Para efeito dessa Associação consideram-se Pesquisadores todos os que realizam pesquisa científica seja em universidades, faculdades, centro de pesquisa, entidades, ou seja indivíduos devidamente reconhecidos por sua contribuição para a produção do conhecimento. (grifo nosso) [..] ARTIGO 3º - São finalidades da ABPN: I - Congregar os Pesquisadores Negros Brasileiros; II - Congregar os Pesquisadores que trabalham com temas de interesse direto das populações negras no Brasil; (grifo nosso) [..] V - Possibilitar publicações de teses, dissertações, artigos, revistas de interesse direto das populações negras no Brasil; Do ponto de vista estatutário é possível entender como pesquisador, também os que desenvolvem pesquisa científica a partir de ENTIDADES (não há especificação se essas entidades são formais ou informais, por inferência isso incluiria entidades dos movimentos de negritude); o artigo 1, § 1º, ao resumir o conceito de pesquisador explicita : “indivíduos devidamente reconhecidos por sua contribuição para a produção do conhecimento.” ( não havendo também definição clara sobre como e onde tal “reconhecimento” se dá...) . [..] ARTIGO 6º - A ABPN poderá admitir em seu quadro social, como sócio honorário, qualquer pessoa jurídica merecedora da distinção, pelo relevante saber, por atos meritórios em favor da comunidade negra, da pesquisa, da Associação.


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A partir do exposto e em princípio, fica aberto o entendimento e possibilidade estatutária para que militantes de entidades do movimento negro, que detenham alguma produção de conhecimento publicada e reconhecimento do saberes temáticos por individuais já reconhecidos ou de entidades ligadas à temática (pesquisadores autônomos, em geral não ligados oficialmente à universidades, NEABs, etc...), estejam aptos ao reconhecimento como pesquisadores e filiação à ABPN. O ARTIGO 6º admite a filiação honorária para PESSOAS JURÍDICAS pelo critério de relevante saber (o que é normalmente aplicado a pessoas físicas...), o que no nosso entendimento poderia ser mediante revisão estatutária estendido à pessoas físicas, ou utilizado para ampliar o entendimento do ARTIGO 1°, § 1º, reforçando a conceituação de pesquisador autônomo, uma nova categoria para filiação. Aliás, é comum em entidades de classe direcionadas a questões profissionais/científicas específicas/especiais (por exemplo as de algumas especialidades médicas) o reconhecimento oficial do notório saber na área (proficiência), mediante exames simplificados e análise de curriculum, conduzindo não apenas à condição de associado mas inclusive à titulação de ESPECIALISTA, com todo o respaldo que uma associação do tipo possui. Por outro lado, por se tratar a ABPN de uma associação que tem finalidades bem objetivas com relação ao recorte tanto de pesquisadores quanto de objetos de pesquisa (vide ARTIGO 3º, I e II), não é possível conceber que a mesma, não leve em consideração na admissão, as peculiaridades que envolvem tanto a formação de pesquisadores negros, quanto as formas de conservação, sistematização e divulgação dos “saberes negros”; pois agindo de tal forma, estaria em tese reforçando o eurocentrismo acadêmico e reproduzindo formas de exclusão tradicionais da academia brasileira. A proposta de uma reavaliação dos conceitos, flexibilização e fomento da participação de pesquisadores negros autônomos na ABPN, não tem a finalidade de “corromper” ou “burlar” as regras e padrões estabelecidos para o reconhecimento acadêmico/científico dos pesquisadores e das pesquisas temáticas, mas sim, somar às possibilidades convencionais que a construção eurocêntrica da academia estabeleceu (de forma arbitrária e intencional para excluir ou dificultar o máximo possível a existência de pesquisadores negros e pesquisas de interesse da população negra), formas e padr ões mais realistas e condizentes com as necessidades específicas da “pesquisa negra”. Me socorro para justificar tal necessidade de estratégia/paradigma diferenciado, na produção intelectual de um eminente membro-fundador da ABPN :


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Henrique Cunha Junior - Graduado em Engenharia Elétrica pela USP (São Carlos) e em Sociologia pela Unesp (Araraquara). Mestre em História. Doutorado em Engenharia na França e livre-docência na USP. Professor titular na Universidade Federal do Ceará; dirigiu grupos de teatro amador no movimento negro na década de 1970. Participou da fundação da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, tendo sido seu primeiro presidente, é filho de Henrique Cunha, o histórico militante da FNL- Frente Negra de Libertação : [..] a razão é que os métodos de discriminação estão tão institucionalizados que não incomodam às consciências críticas. É tido como natural o negro não entrar nos programas de pós-graduação. Examinando o histórico de cerca de dois mil mestres e doutores negros existentes no país, vemos que a faixa etária das candidaturas e os regimes de trabalhos estão fora dos perfis privilegiados pelas políticas e pelos programas de pós-graduação. A média dos pesquisadores negros ingressa no mestrado aos 35 anos, trabalha e precisa participar do sustento da família, o que é incompatível com o número e valores das bolsas. (CUNHA JUNIOR, 2003, s/p ) Ainda segundo CUNHA JUNIOR, um dos fatores complicadores é a “origem acadêmica” dos candidatos a pós-graduação e a "entrevista", que é um dos principais meios subjetivos utilizados para o exercício da discriminação.

Os programas favorecem quem, em iniciação cientifica e artigos? Os pesquisadores negros vêm de ensino universitário noturno, que não dá oportunidades para a iniciação científica. As disciplinas de base dos temas pretendidos pelos pesquisadores negros não existem nas graduações. A única fonte de formação tem sido o próprio movimento negro. Os programas rejeitam pesquisadores militantes dos movimentos negros. Bancas de entrevista não conseguem superar a relação patroa-empregada existente nas nossas relações sociais cotidianas, tornando as entrevistas tensas e as pesquisadoras negras antipáticas. Fato mais notado entre as mulheres: "quem é antipático não entra, as negras 'muito da exibida' não entram". Mas, para os que entram, não há orientadores que conheçam os temas, o que alimenta a dificuldade em se ter sucesso na pesquisa no tempo determinado. A universidade brasileira não confessa a sua ignorância nos temas de interesse dos afro-descendentes, sendo que a única responsabilidade do insucesso fica por conta dos pesquisadores negros. O problema é grave, mais grave ainda é que nada disso tem sido questionado pela sociedade democrática acadêmica. (CUNHA JUNIOR, 2003, s/p )


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Apesar da citação, anterior ter foco na questão de candidatos negros a pesquisadores de temáticas de interesse da população negra, o processo de exclusão é generalizado, se aplica a candidatos com interesse em outras temáticas fora do eixo étnicoracial, o autor vai além, ao identificar a exclusão sistemática dos negros na pós-graduação e dos assuntos de pesquisa relacionados, como uma prática de manutenção do poder das elites (eurocêntricas), também institucionalizada na academia

A democracia prevê a representação de todos os grupos sociais em todas as instâncias de decisão. No estágio atual do capitalismo, a pesquisa científica e os grupos de pesquisadores constituem um grupo privilegiado de exercício do poder, quer pela ação direta na participação nos órgãos de decisão do Estado, quer pela ação indireta através da difusão dos conhecimentos que justificam as ações dos poderes públicos. Os grupos sociais cujos membros não fazem pesquisa ficam alijados dessas instâncias de poder. A ausência de pesquisadores negros tem reflexo nas decisões dos círculos de poder. Vide que temas como a educação e a saúde dos afro-descendentes só passam para a pauta do Estado brasileiro depois que os movimentos negros, com esforços próprios, formaram uma centena de especialistas e pesquisadores nessas áreas e produziram um número relevante de trabalhos científicos. [..] [..] A formação dos pesquisadores negros passa por todos esses obstáculos ideológicos, políticos, preconceituosos, eurocêntricos, de dominações e até mesmo de inocências úteis vigentes nas instituições de pesquisa e nos órgãos de decisão sobre as políticas científicas. É fundamentalmente um problema político de concepção da sociedade e das relações sociais. Problema que a sociedade científica se nega a reconhecer como um problema, se negando a tratá-lo e colocá-lo na agenda das preocupações. O mesmo ocorre na esfera governamental, que de certa forma reflete o pensamento das instituições de pesquisa. (CUNHA JUNIOR, 2003, s/p )

Fica ainda claro, o entendimento de que há necessidade de políticas afirmativas que ampliem o acesso de afrodescendentes à graduação e conseqüentemente à pósgraduação, especialmente no que se refere a pesquisas de interesse desse grupo.


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[..] através de pesquisa do IPEA concluiu-se o que os movimentos negros vinham dizendo há quase 30 anos: há a necessidade de políticas específicas. No entanto, quase nada se sabe sobre essas especificidades pois os pesquisadores e os atuais temas das pesquisas têm a ver com interesses que não são os das populações de descendência africana. Negro e afro-descendentes aqui são sinônimos, definições que vão além das denominações de raça e raça social. Estão ligados ao trânsito da história e a enfoques nos processos de dominação e na produção étnica da submissão neste país. Nós temos falado da necessidade de pesquisas e de produção de conhecimentos sobre os territórios de maioria afro-descendentes. Mas não há pesquisa, não há política pública, não há solução objetiva dos problemas. (CUNHA JUNIOR, 2003, s/p )

Junto com as constatações acima, vem a necessidade de modernizar e democratizar a participação dos pesquisadores autônomos, não apenas na própria ABPN, mas também nos NEABs. As facilidades atuais e confiabilidade das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação), já são utilizadas e reconhecidas globalmente inclusive na formação stricto sensu, não há motivos para que tais facilidades e a participação virtual em seminários e outras situações, não sejam utilizadas também na ABPN ou nos NEABs, aliás, o próprio seminário virtual em voga, é uma prova que é possível democratizar o acesso e participação. A possibilidade de vinculação oficial de pesquisadores autônomos aos NEABs e ABPN, abre portas para que a militância (principalmente a com nível superior) e engajada na produção temática, possa acessar facilidades de publicação, financiamento de projetos e até mesmo de acesso a cursos de mestrado e doutorado, que são uma das principais dificuldades para o candidato negro a pesquisador titulado. Na esteira do comentado imediatamente acima, cabe também sugerir à ABPN que some forças a outras entidades e reforce a campanha pela regulamentação e liberação imediata dos cursos de mestrado e doutorado brasileiros à distância (estratégicos para a qualificação e mobilidade social da população negra com curso superior); a Educação a Distância no Brasil foi normatizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9394 de 20 de dezembro de 1996, em seu art. 80, pela Portaria Ministerial n.º 301, de 07 de abril de 1998 e pelo Decreto n.º 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que institui entre outras coisas, os cursos de pós-graduação Stricto Sensu (Mestrados e Doutorado), com prazo de 180 dias para regulamentação pela CAPES/MEC, mas que tem tido sua regulamentação e implementação dificultadas por setores reacionários, mais de quatro anos depois, nada ainda aconteceu.


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Concluindo, é nossa expectativa (e de muitos outros) que a ABPN no VI Copene em julho de 2010, dê mais um passo (ou mais passos) na direção do fortalecimento institucional e democratização, ao acolher as possibilidades elencadas, assim ganham todos.

Por mais pesquisadores negro(a)s ! Juarez C. da Silva Jr. é Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela Universidade de Taubaté (1987), larga experiência profissional com ênfase na prática e docência na área de Sistemas de Informação. Especialista em Educação a Distância pela Universidade Católica de Brasília (2006). Estudioso autônomo/palestrista com Certificação em História e Cultura afrobrasileira e africana (Faculdades do Noroeste de Minas GeraisFINOM) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República/ ITS-Instituto de Tecnologia Social); Analista Judiciário do quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de Direitos Humanos (Amazonas), Co-fundador e ativista do movimento AFROAMAZONAS, co-proprietário da comunidade COTAS SIM! do Orkut (3.641 membros).

Webgrafia: CUNHA JUNIOR. , Henrique. A formação de pesquisadores negros. COMCIÊNCIA Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, 10 nov. 2003. disponível em http://www.comciencia.br/reportagens/negros/17.shtml >. acesso em 09. dez. 2006 .

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TEMA 8 – A ABPN E OS MOVIMENTOS SOCIAIS NEGROS

Joselina da Silva Universidade Federal do Ceará

Joel Rufino dos Santos, num texto que já se tornou referencial para os estudos dos movimentos negros brasileiros, aponta uma diversidade de visões oriundas do próprio movimento no que refere à sua abrangência de atuação. (Santos, 1985). Um determinado grupo acredita que só as organizações surgidas após a Frente Negra estão aptas a serem classificadas como integrantes, desde que demonstrem-se vocacionadas para o combate ao racismo. Assim, as lutas ocorridas no período pré-Abolição, não seriam incluídas. Por outro lado, um grupo diverso definiria movimento negro como

“todas as entidades de

qualquer natureza, e todas as ações de qualquer tempo (aí compreendidas mesmo aquelas que visavam auto-defesa física e cultural dos negros)” (Santos, 1985: 287). Desta forma, ainda à luz do autor, os ativistas dividiriam o movimento negro em abrangente e em um outro que seria o seu oposto. Lembremos, portanto que uma das principais características dos grupos do movimento social negro é a pluralidade, a diversidade de ações e as formas de desempenhá-las. Nesta direção, vale lembrar que os movimentos sociais - chamados novos - tem como uma de suas grandes “novidades” o caráter multifacetado,

autônomo e diversificado (Mellucci, 1996). Assim, marcam sua

constituição o fato de não serem uniformes e possuírem uma descentralidade nas lideranças e comandos (Santos (1999) quanto Mellucci (1996) dialogando com o estado e com a sociedade Paralelamente, na literatura acadêmica sobre movimentos sociais urbanos é recorrente uma periodização que aborda os jornais negros, nos anos vinte e a Frente Negra, na década de trinta, sendo ambos em São Paulo Mais adiante, tratam do Teatro Experimental do Negro, no Rio de Janeiro em meados dos anos quarenta (Winnant, 1994 / Hanchard,1998 / Andrews, 1991). O momento seguinte, ainda de acordo com aquela literatura, só volta ser demarcado com o Movimento Negro Unificado (MNU), na década de setenta. Portanto, é premente a necessidade da realização de estudados mais acurados,


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uma vez que inúmeras outras iniciativas tiveram lugar antes, durante e entre estas datas tradicionalmente elencadas. Marcadamente, lideranças afro-brasileiras vem demonstrando -

em suas

publicações independentes ou jornalísticas, em seus eventos, entrevistas e ações - a necessidade de se buscar formas diferenciadas de inserção em inúmeras áreas da sociedade nacional, sendo a academia uma delas. Como apontado no primeiro texto deste seminário virtual, há uma longa trajetória de intelectuais que nos servem como indicadores de uma caminho a ser trilhado e ao mesmo tempo nos dão o aval para criticamente indicar outros tantos. Importante, neste mister, é retornar à discussão sobre os pesquisadores independentes, já abordados aqui. Uma vez que também estes, em muitas ocasiões tem sido aqueles através do quais o movimento tem produzido seu pensar e suas críticas à sociedade na qual atuamos. É nesta ambiência, gestada há vários decênios que a ABPN se torna possível. Outrossim, articular uma parceria ABPN e movimentos negros é pensar na gênese mesma da Associação. Das motivações do seu surgimento reside a insatisfação de um referente grupo de intelectuais que de há muito viam sua reiterada invisibilidade no interior do campo acadêmico como produtores de pensamento e conhecimento. Tal dicotomia ainda provoca, em conseqüência, um fecundo alijamento nos campos temáticos das linhas de pesquisas. Logo, a insurgência que caracteriza os movimentos negros e de mulheres negras é também parte integrante da ABPN que em última instância pode ser entendida como um de seus braços e sustentáculos. Necessário se faz, portanto, construir outras metodologias e categorias analíticas para pensar os movimentos negros e de mulheres negras, tendo- os em parcerias no desenvolvimento de possibilidades de pesquisas, e não apenas como objetos das reflexões acadêmicas. Ao encetarmos este novo momento conseguiremos auferir novos e qualificados paradigmas obre estes importantes atores sociais, que hoje se configuram referentes protagonistas na sociedade brasileira. Constituir um cargo a ser desempenhado por uma liderança representante dos movimentos, junto à direção nacional, já seria um admirável passo inicial.


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O diálogo com o movimento negro, deverá, portanto, ser de parceria., na qual haja troca de saberes (acadêmico e ativista). Neste sentido, atividades, no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão deverão ser performadas por todos (as) ligadas à ABPN e às Associações regionais de pesquisadores negros, no sentido de não perdermos de vista estes atores sociais que, em primeira instância são os grandes mentores de nossa existência enquanto associação.


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COMENTÁRIOS SEMINÁRIO VIRTUAL DA ABPN

NOME

INSTITUIÇÃO

Lucimar Rosa Dias

UFMS - Campus Três Lagoas

COMENTÁRIO Parabenizo a iniciativa deste seminário, modalidade da qual nunca participei e estou realmente curiosa e empolgada para vivenciá-la. O salto de organicidade e sistematização nas atividades da ABPN é muito grande nestes últimos anos, fazendo juz ao que representam os COPENES, o que nos deixa bastante otimistas quanto ao papel que pesquisadoras/es negras/os e outros pesquisadores comprometidos com a igualdade racial ocuparão na produção do conhecimento nos próximos anos, mais uma vez parabéns pela iniciativa.

SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Wellington Cardoso de Oliveira

Faculdade FAIFA

COMENTÁRIO Sinto-me feliz em poder fazer parte desse seminário e principalmente em ser um pesquisador associado. Seminários como estes são muito relevante, pois fortalecem ainda mais nossa corrente de luta contra a discriminação nesse país e ao mesmo tempo tiram da invisibilidade aqueles a quem a história sempre relegou a subalternidade. Ao ler as informações prestadas pela diretória vemos uma busca constante da mesma, em fortalecer esse órgão dando visibilidade a este frente à sociedade cientifica como um todo. Dessa forma acredito que nos pesquisadores negros só temos a ganhar, pois a qualidade de trabalho oferecido tende a melhorar a cada dia. SUGESTÕES Vejo uma necessidade de uma maior divulgação dos eventos e das pesquisas feitas por pesquisadores ligados a ABPN IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Ellen de Lima Souza

UFSCar – NEAB/SP

COMENTÁRIO Gostaria de destacar que a iniciativa do seminário virtual, parece bastante interessante e possivelmente nos proporcionará uma grande interessante. Sei que aprenderei bastante e espero contribuir.

SUGESTÕES Atenção ao plano de implementação da lei 10639, e os termos de ajustamento de conduta que alguns municípios estão recebendo. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Eliane Barbosa da Conceição

Fundação Getulio Vargas/SP

COMENTÁRIO Neste ano de 2010 se deram meus primeiros contatos com a ABPN. Parabenizo à atual diretoria pelas iniciativas e passos dados em direção ao aperfeiçoamento da gestão da associação e transparência na prestação de contas, como sugere o primeiro texto deste Seminário Virtual. Não devo deixar de dizer que, no momento em que estava me inscrevendo no VI COPENE, senti-me meio coagida a associar-me à ABPN. Tenho o sentimento de que o processo poderia ter sido conduzido de modo mais democrático, permitindo àqueles que apenas quisessem participar do congresso que assim o fizessem. Ou que, pelo menos, alguma informação nos fosse dada a respeito das razões que levaram os organizadores do evento a optar por essa modalidade, em que só participam do COPENE os associados. SUGESTÕES 1.Quanto ao problema de financiamento, especialmente daquele relacionado ao pagamento das anualidades pelos associados, sugiro que a ass ociação envie os boletos bancários para que possamos efetuar o pagamento, como foi anunciado no momento da inscrição no VI COPENE. 2.Sou professora da Faculdade Zumbi dos Palmares desde o primeiro semestre de 2009, a partir de então tenho percebido que existe interesse das faculdades (ou universidades) norte-americanas voltadas à população afro-americana em estreitar relações com pesquisadores negros no Brasil, talvez pudéssemos pensar numa forma de convênio com uma ou mais daquelas instituições para intercâmbio de pesquisadores (posso tentar ajudar contactando pessoas). IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Maria Rita Santos - mrita.sant@gmail.com PreAfro – Preuniversitário para afrodescendentes.(itabuna-BA) Núcleo de estudantes Negros,negras e Cotistas da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC ´(Ilhéus-BA) COMENTÁRIO Parabenizo a ABPN pela iniciativa deste seminário. Penso que discussões virtuais são de grande valia, uma vez que, podemos discutir e trocar experiências. Além de nos possibilitar conhecer a ABPN mais detalhadamente.

SUGESTÕES Sugiro uma maior divulgação da Associação, principalmente, Bahia,porque,são muitas as pesquisas realizadas no sul da Bahia. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES

no

interior

da


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NOME Maricélia de Souza Pereira Moreira

INSTITUIÇÃO Universidade Estadual de Santa Cruz

COMENTÁRIO É extremamente prazeroso poder participar de uma organização que tem reunido esforços no sentido de socializar novos conhecimentos e fortalecer àqueles e àquelas que se propõem discutir uma causa política, como é o caso do negro e negra na nossa sociedade brasileira. Neste primeiro ano como associada, trago muitas expectativas em se tratando de novas aprendizagens por ora da participação neste órgão que demonstra ter tanta representatividade no âmbito das discussões que realiza. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME Denilson Lima Santos

INSTITUIÇÃO FACE – Faculdade de Ciências Educacionais: BA

COMENTÁRIO Acreditamos que os desafios são imensos, porém a vontade de lutar vence os desafios. Percebemos que desde a criação, a ABPN cresceu muito e ainda tem possibilidades de crescer mais. A partir disso, entendemos, nas linhas do texto da Professora Eliane Cavalleiro, o desenvolvimento da associação. O texto introdutório apresenta bem as ações desenvolvidas pela atual diretoria, mas senti falta de um aprofundamento sobre as ações desenvolvida desde o início da fundação da ABPN. Sendo assim, apesar de termos chegado a pouco tempo na APNB, percebemos muitos desafios e queremos participar destes. Talvez possamos perguntar sobre as associações estaduais. Como ficam na estrutura da ABPN? Poderíamos pensar nisso? SUGESTÕES 1 Fazer um memorial da instituição; 2 Viabilizar o diálogo da seção nacional com as seções estaduais. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS 1 Faculdade de Ciências Educacionais - Valença - Bahia; OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME Alvaro Roberto Pires

INSTITUIÇÃO Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

COMENTÁRIO Acredito que o formato assumido pela Diretoria da ABPN no intuito de discutir e socializar os assuntos ligados a organização da ABPN, salvo argumentos em c ontrário, está correto. Se a participação de tod@s os associados for relevante, tenho a certeza que chegaremos a resoluções fundamentais para os rumos da instituição, a partir do binômio consenso/dissenso. Oxalá estejamos no caminho certo! SUGESTÕES *No item “organização administrativo/financeira” é necessário que exista planilha com os valores no ativo e passivo das quantias recebidas pela ABPN. Em cada Assembléia Geral a gestão fará a prestação de contas aos associados, estando ao mesmo tempo à disposição essas informações para qualquer sócio consultá-las se assim o desejar. *Os projetos de pesquisa aprovados pelas instituições mencionadas no texto-base devem estar em arquivos específicos com parecer das instituições contratantes, parecer do Conselho Fiscal, cuja apresentação dos resultados, de forma sucinta, deverá ser feita na Assembléia Geral da ABPN. *No item “Comissões de Trabalho” apenas pudemos ver as informações da Comissão de Cooperação Nacional e Internacional. No intuito de agilizar a operacionalidade das comissões vejo como necessário um plano desencadeado pela Diretoria junto aos responsáveis pelas comissões no sentido de apresentar resultados como aqueles elencados no texto-base da CCNI. A divulgação dos associados também estaria no conjunto das Comissões de Trabalho. *No item “mobiliário e material permanente” é fundamental que a ABPN possa catalogar seu material permanente (não sei se é possível), através do sistema de chapas identificadoras como sendo o patrimônio da instituição. * Sobre a abertura da instituição a firmar convênios com organismos federais acredito ser importante a criação de gerenciamento específico para esse fim, fazendo a distinção dos projetos de pesquisa com instituições particulares e aquelas no âmbito federal para o maior controle dos procedimentos feitos por parte da ABPN. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS/ OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Giane Elisa Sales de Almeida

UFF - Universidade Federal Fluminense e IMGM – Instituto de Pesquisas MGM

COMENTÁRIO Imensa satisfação em participar de um seminário organizado nos presentes moldes, estes possibilitam a socialização e a participação além da troca de informações, conhecimentos e experiências. Quando se tratam das temáticas relacionadas a gênero e raça, é preciso que os intelectuais negros e negras (e não só eles) passem a agir em rede de modo a otimizar as ações que já existem e formularem novos empreendimentos. SUGESTÕES Atualizar a mala direta da entidade com informativos periódicos sobre as ações da ABPN, linhas de pesquisa, seminários e afins que possam ser de interesse dos pesquisadores e pesquisadoras negr@s.

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS IMGM – Instituto de Pesquisa do Movimento Gay de Minas. PENESB/UFF – Programa sobre o negro na sociedade brasileira/UFF NIEG/UFV – Núcleo de estudos interdisciplinares em Gênero/UFV OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO SEMED - Secretaria Municipal de Educação / Simões Filho - BA

NOME Juciene Malaquias dos Santos

Departamento de Educação Ético Racial / Simões Filho - BA COMENTÁRIO É com imenso prazer que faço parte desse congresso podendo contribuir nas discussões para sistematização das atividades do CBPN. Ressaltando que há algum tempo já vinha acompanhando as contribuições e anseios dos pesquisadores negros (as) a partir de minha participação nas edições anteriores do congresso. Acredito que esses encontros serão importantes para traçarmos e fundamentarmos os nossos desejos de sermos uma equipe de pesquisadores com objetivos em comum. Isto nos fará perceber que a nossa luta é contínua e que deve ser sustentada pelos novos participantes que hão de vir com suas experiências agregando novas informações as discussões.

SUGESTÕES Ø É necessário que ocorra uma divulgação mais abrangente acerca do CBPN; Ø Pontuar para os novos filiados as principais atividades desenvolvidas pelo grupo de trabalho;

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Renísia Cristina Garcia Filice

Faculdade de Educação - UNB

COMENTÁRIO Considero da maior importância as contribuições e sugestões apresentadas por todas as pessoas que participam deste seminário virtual. Revela um compromisso com o fortalecimento de ABPN. Aos dez anos da entidade, estamos caminhando para um reconhecimento tanto ao nível nacional como internacional. A campanha de filiação ainda carece de um acolhimento maior, mas se expande satisfatoriamente. A construção da sede em Brasília poderá sem dúvidas nos trazer um mobilidade maior em termos de diálogo com as instâncias financiadoras e definidoras das políticas de pesquisa no país. Sem dúvidas essa festão deixará um ganho importante para a próxima diretoria. É claro que os feitos e seus elogios acabam recaindo sobre todo o grupo gestor do período, ma é preciso reconhecer, e o faço como vice presidente da ABPN, as iniciativas e pré disposição da professora Eliane Cavalleiro que não mediu esforços para marcar essa administração com articulações importantes para o reconhecimento de e fortalecimento institucional da Associação. Essa pré-disposição acabou suprindo alguns entraves marcados pela distância entre os membros da diretoria, tanto do ponto de vista físico/geográfico como um diálogo mais constante, fruto também das atribulações das respectivas agendas. Por esses e outros motivos, certamente muita coisa isso, certamente planejada em 2008, não pode ser concretizada mas ainda assim, o fato de estarmos aqui dialogando revela a visibilidade construída nesse período. Penso que ainda temos um longo caminho a percorrer. SUGESTÕES Penso que seria importante uma articulação institucional com o Consórcio Neabs. Ao mesmo tempo, definir o papel das associações regionais, de que forma elas poderiam contribuir com o fortalecimento da ABPN nas respectivas instituições acadêmicas. Seria importante também, uma definição sobre as relações da ABPN com as organizações não acadêmicas que desenvolvem estudos e pesquisas sobre a população negra, priorizando questões quilombolas, de gênero, saúde, educação, etc. Penso também, que precisamos estabelecermos um amplo debate sobre as cotas a partir do ENEM. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Consórcio Neabs, ONGS que trabalham com as questões étnico-raciais, Embaixadas Africanas.


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NOME

INSTITUIÇÃO

FRANCISCO GONÇALVES FILHO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS NEAB – UFT TOCANTINÓPOLIS

COMENTÁRIO Parabenizo e informo que por aqui, no Tocantins, também parabenizamos (NEAB UFT Tocantinópolis), a iniciativa deste seminário virtual já vitorioso pela ampliação da comunicação e identidade entre pesquisadores negros (as). A ABPN fortalecida repercute também em todos aqueles que apostam na capacidade organizativa e na produção do conhecimento. Parabéns! O texto 1 de nossa presidente é bem escrito e adequado à introdução das questões que serão discutidas. Destaco que o mesmo é mais do que uma prestação de contas, pois dá sentido aos números ganhos e gastos, aponta os problemas e as perspectivas para a construção da associação. A liderança de nossa presidente, juntamente com a diretoria tem o mérito das iniciativas tomadas em prol dos pesquisadores negros. Todavia, destaca-se também todas as outras inciativas anteriores que tiveram seu papel na criação das condições reais para que a ABPN desse esse salto organizativo e propositivo. Chamo a atenção de um aspecto importantíssimo relatado: a diferença entre cadastrados (890) e filiados quites com a anuidade (177). Esse provavelmente é um dos aspectos mais importantes a serem enfrentados neste nosso processo de fortalecimento institucional. SUGESTÕES Colocar o Seminário Virtual como obrigatório para todas as gestões da ABPN como preparatório ao COPENE, no sentido da reflexão sobre a estrutura e ação da associação, bem como do próprio congresso, visando uma melhor instrumentalização dos filiados para escolherem seus próximos gestores, bem como participar de seu encontro máximo. Fazer uma espécie de mural permanente na sede da ABPN, apresentando durante o VI COPENE, imagens e ou textos de todas as diretorias e presidências anteriores, no sentido de uma história das gestões da ABPN valorizando a própria existência e resistência da associação e logicamente de seus agora associados. 3 – Organizar a Assembléia Geral da Associação a partir dos seus filiados quites com a associação, para que seja valorizado o ato da filiação e sustentação financeira mínima da organização. Fazer já uma campanha, inclusive durante o congresso para que os cadastrados regularizem sua situação frente a associação. Não realizar a Assembléia Geral durante exposição de trabalhos científicos que demandem examinadores. Esse problema ocorreu no último congresso e prejudicou fortemente a exposição de pôsteres de inúmeros participantes que aguardavam os


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examinadores. Estes simplesmente seguiam para a assembléia, mesmo sabendo do compromisso com a atividade. Isso causou constrangimentos e um desrespeito muito grande com os autores dos trabalhos. Felizmente tivemos alguns colegas pesquisadores que atenderam ao chamado emergencial e diminuíram o impacto negativo da realização da Assembléia em momentos de atividade científica. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS 1 – Centrais Sindicais 2 – ANDES 3 – PROIFES 4 – UNE 5 – ANPG OUTRAS INFORMAÇÕES Na relação entre a ABPN e o COPENE seria importante informar sobre as prorrogações das inscrições principalmente no que se refere à última mudança, que quase dobrou o número de eixos temáticos, num momento em que as pessoas já tinham inscritos seus trabalhos e indicado seus eixos. Qual o balanço do número de trabalho por eixo? Todos se legitimaram com trabalhos inscritos? Obrigado.


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Álvaro Roberto Pires

Universidade Federal do Maranhão (UFMA), NEAB/UFMA

COMENTÁRIO Uma nova ordem de argumentos são apresentados nesta segunda parte do Seminário Virtual. Argumentos estes que colocam questões factíveis de serem feitas, as quais pretendo “dialogar”. Certamente concordo com o autor quando diz que existe no Brasil uma crise na produção de ciência e tecnologia, na qual o papel exercido pela ABPN em seu interior poderá ser preponderante para desequilibrar a atual ordem instalada no que concerne àquela produção mencionada. As certezas são muitas para que saibamos ser os últimos 10 anos, produtores de uma realidade acadêmico-científica sem precedentes em nosso país. Esta realidade tem nome: ABPN. O autor do texto lança luz sobre a necessidade de intensificarmos os esforços no sentido de consolidar a união entre a ABPN e as associações estaduais. Talvez este possa ser um caminho adequado do ponto de vista da multiplicação das ações voltadas ao crescimento dos pesquisadores, pesquisadoras no território nacional com acesso amplo as agências de fomento a pesquisa e tecnologias. Os problemas apontados pelo autor de ordem política, econômica e jurídica devem ser solucionados para que se possa caminhar, posteriormente, a questão mencionada acima, qual seja, acoplamento entre a ABPN e as associações estaduais. Caso a direção seja voltada para esta união, deve-se ter a convicção de que a relação entre a ABPN e as associações estaduais primarão pelo contato cordial, porém sério; não somos um grupo de amigos reunidos para um fim de semana. Apesar do contato fraterno entre nós, as relações devem ter uma dose de pragmatismo. Por fim reforço os argumentos de que sem uma base sólida, advinda possivelmente das associações estaduais, consórcio de NEAB´s, não teremos uma proposta de uma ABPN nacional que possa aglutinar o melhor da pesquisa brasileira produzida por negros e negras, abrindo assim o canal de transformação daquelas estruturas que o autor do texto corroborou como insuficientes para a magnitude de nosso projeto. SUGESTÕES *Discutir sobre as três bases de ordem política, econômica, jurídica apontados pelo autor como condicionantes para a estruturação da união entre ABPN e associações estaduais. *Resolvidas as pendências acima mencionadas dialogar sobre a união entre ABPN e


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associações estaduais enquanto estratégia de crescimento e interferência na conjuntura da ciência e tecnologia. *Discutir as especificidades de cada proposta estadual e linhas de estruturais comuns que possam otimizar a criação e expansão das associações estaduais à luz do exemplo da APNB. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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EDNAILDA SANTOS

UFAM (UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS)

COMENTÁRIO Sou recém filiada à ABPN, mas venho acompanhando o debate nacional há dois anos. Sou baiana e estou trabalhando no Amazonas faz quatro anos. Recentemente defendi minha dissertação de Mestrado em Educação na UFAM, sem orientadora negra, sem núcleo ou linha de pesquisa sobre a nossa temática e sei o que é isolamento no processo de construção de uma pesquisadora negra, ainda mais no norte do país. Diante deste panorama, uma associação estadual, nos possibilitaria quebrar a solidão intelectual e forçar abertura de editais específicos junto às Agências locais. No entanto, a situação da Bahia é ímpar. Nem todos os estados brasileiros conseguiriam aglutinar tantas(os) pesquisadoras(es) negras(os). Então, a questão que se coloca é como? E este Seminário é um passo fundamental nesse processo. SUGESTÕES Estreitar laços com os Neab´s por estado; Assembléias e Encontros estaduais e regionais; Reuniões com as Agências Estaduais para elaboração de agenda e editais conjunto com os Neab´s e a ABPN; Criação de Associações Estaduais; IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Wilma Baía Coelho – UFPA. OUTRAS INFORMAÇÕES


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Fátima Aparecida Silva

Universidade Federal de Pernambuco (Campus Agreste)

COMENTÁRIO Fiquei bastante orgulhosa pelo excelente e intenso trabalho des envolvido pela atual gestão. Sei das limitações e barreiras que a cada dia precisam ser superadas. Destaco a sensibilidade de Eliane Cavalleiro em reconhecer o trabalho importantíssimo de pessoas que foram fundamentais para a concretização de um sonho, sonhado por mulheres e homens, que foi a fundação da ABPN. Concordo com a fala de Eliane Cavalleiro de que: “nossa união no dia de hoje se deve antes de mais nada à luta de nossos ancestrais que têm nos ensinado a resistir e existir. Além disso, o empenho das(aos) nossas(os) sócias(os) fundadoras(es) que no ano de 2000 envidaram esforços para a construção do I Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, realizado na Universidade Federal de Pernambuco. São diversas pessoas cujas trajetórias acadêmica e política conhecemos, nas quais muitas vezes nos espelhamos para seguir também nossa jornada de luta e de resistência. Citarei apenas dois nomes pelos quais cumprimento a todas(os) demais: Lidia Cunha e Henrique Cunha Jr”( Eliane Cavalleiro), Parabéns a todos e todas que não mediram e não medem esforços, e que enfrentam e enfrentaram o que foi possível enfrentar, para que a ABPN fosse hoje uma realidade. Somos sujeitos dessa história. Axé! Parabéns a todas e a todos que fazemos parte dessa história. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO

Jaime Amparo Alves

Universidade do Texas, em Austin

COMENTÁRIO Parabéns ao professor Nilo pelo texto contundente. A questão das desigualdades regionais e raciais na distribuição dos recursos para ciência e tecnologia é um dos impasses mais gritantes da academia brasileira. A ABPN é a entidade capaz de puxar este debate em duas frentes: cobrando políticas públicas e se recusando a reproduzir os vícios da academia 'chapa branca", como lembra o professor.Como a ABPN pode fazer a diferença e ao mesmo tempo garantir a validação da academia? Digo isso porque ainda que tenhamos o compromisso em pensar uma associação que quebre paradigmas tradicionais do complexo 'industrial' de produção de conhecimento infelizmente precisamos desesperadamente do aval deste complexo para nos validar como entidade científica, como produtores de conhecimento, como agentes 'merecedores' dos fomentos institucionais para pesquisa. A reflexão proposta representa uma intervenção crítica em um debate que a gente tem se recusado a fazer, ou pelo menos feito de maneira fragmentada: o que nós negras e negros, reunidos em uma associação, podemos propor de novo no campo da produção de conhecimento e das relações de poder na academia? Como acomodar a prática da militância e as suas manifestações dentro de uma academia esquizofrênica que insiste na dicotomia simplória entre ciência -subjetividadepolítica...? O fortalecimento das associações regionais e a busca de parceiros estratégicos pode ser caminhos a serem trilhados, mas não são os únicos.

SUGESTÕES Debater permanentemente os princípios políticos da ABPN. Ainda que estejam implícitos, precisamos debater abertamente sobre eles; No VI Copene, garantir espaço para discutir a regionalização da ABPN; Garantir a representatividade do Norte-Nordeste na diretoria da ABPN; Assumir as ações afirmativas na Capes e CNPq como eixo de ações para o biênio 2102011; Garantir a sustentabilidade da ABPN por outros meios que não a anuidade. Vale ressaltar a proposta sugerida pelo Nilo. Oferta de cursos, revista...além da captação de recursos com entidades supra-nacionais, especialmente institutos de pesquisas internacionais;


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Assessoria aos movimentos sociais negros. O adjetivo negro qualificando nossa condição de pesquisadores e pesquisadoras não nos deixa outra escolha a não ser, colocar nossas pesquisas e nossa associação a serviço direto da luta pela emancipação do povo negro. Produção acadêmica (sem os jargões panfletários que assustam a academia branca?). IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Department of African And African American Studies of the University of Texas, at Austin - a produção acadêmica ali privilegia a intersecção entre movimento social e academia; THe Tereza Losano LAtin American Institute - pesquisa ativista - intercambio para professores negros em várias áreas do conhecimento; FAPESB - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia; OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

KATIA CRISTINA NORÕES COMENTÁRIO

UNICAMP - Faculdade de Educação

A princípio, parabenizo a ABPN pelos projetos, bem como, pela prestação de contas. SUGESTÕES Espero contribuir com o debate sugerindo que, embora, o objetivo seja afastar-se do formato de associações academicistas, seria interessante fomentar o debate dentro desses espaços, nos quais temos pesquisadores envolvidos com as questões de interesse da ABPN e de todos nós. Afinal, precisamos debater nossas temáticas e inserilas nesses espaços em que impera o senso comum propositalmente. O espaço acadêmico é vicioso, branco e preconceituoso, por isso fomentar o debate, forçar a discussão e pressionar por um posicionamento pode ser uma estratégia de luta, de resistência e pela nossa existência.

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS NEAB, ASSOCIAÇÕES DE PÓS-GRADUANDOS, GRUPOS DE PESQUISA OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO

Anna Lúcia Florisbela dos Santos

Consultora Independente (GTZ, BID, Coop. Luxemburguesa...), Profª. Visitante (Univ. Las Palmas-Espanha, Univ. Darmstadt-Alemanha, ...)

COMENTÁRIO Parabenizo a exposição do Prof. Nilo Rosa dos Santos. Ele foi extremamente feliz em frisar e reconhecer a importância do papel que a ABPN pode assumir na produção do conhecimento, na produção de ciência e tecnologia. Como ele diz a ABPN esta nesse caminho pelo amadurecimento da caminhada destes 10 anos, realização de 5 congressos, pela possível estruturação nacional e regional a exemplo da APNB, pela abertura e aproximação com instituições internacionais. Acrescento que além de fortalecer seu relacionamento com organizações da sociedade civil a ABPN deverá construir pontes também para o relacionamento e seu fortalecimento com o setor público e privado, pois é a onde a teoria tem a oportunidade de se por a prova e virar Serviços e Produtos. Como decorrência do sistema racista é no setor privado que se constata drasticamente a ausência do negro como cientista, como profissional altamente qualificado. Em relação as questões economicas-financeiras da ABPN, APNB e das possíveis outras que provavelmente virão a ser formadas o pagamento de mensalidades ou anuidades não descarta a arrecadação através da venda de serviços e produtos que poderão ser oferecidos pelas mesmas. Mesmo que as mensalidades ou anuidade tragam o risco das inadimplências, elas têm também o efeito psicológico positivo do fato de pertencer a Associação. É claro, ela não será o carro chefe para garantir a base econômica da ABPN, mas vai facilitar os gastos mínimos, enquanto os serviç os e produtos estarão enfrentando a lei de mercado.

SUGESTÕES *Necessidade de identificar serviços e produtos que possam facilitar a ABPN ingressos, ex: consultoria científica ao setor público e privado. *Formação de um Fundo (com apoio público e privado) que possa ser usado para a existência da Associação e possa facilitar a investigação científica de pesquisadores,


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viagens, publicações entre outros. *Que a ABPN, APNB e as futuras possam ser base da formação de uma REDE informal de apoio a seus associados pelos associados (facilitar bolsas de estudo, oferecer oportunidades de emprego, realizar parcerias entre as universidades em temas afins, entre outras facilidades. Temos que nos unir e nos apoiar, sem que nos tornemos necessariamente AMIGOS de todos os negros).

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS DAAD (Intercambio Acadêmico Brasil Alemanha), Fundação VW, DFG- Associação alemã de pesquisa (semelhante ao CNPQ), Empresas químicas, Siderúrgicas, Fábricas de pneus, Grandes construtoras, Grandes consultoras entre outras OUTRAS INFORMAÇÕES


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Andréia Lisboa de Sousa

ABPN

(souzaliz@yahoo.com.br)

Odudwa – Consultoria em Projetos Educacionais e Culturais LTDA/Universidade do Texas (Austin)

COMENTÁRIO (Texto 1 da Professora Eliane Cavalleiro) Agradeço a professora Eliane por envidar esforços para esse diálogo-chamado para podermos pensar juntos a ABPN que queremos continuar construindo. Nesses últimos dois anos pode-se perceber o quanto a ABPN está caminhando para se consolidar com uma Associação acadêmica em nível não só nacional como internacional. As etapas atingidas até o momento são essenciais para se pensar os próximos passos. Principalmente, o fato de se ter conseguido a documentação regularizada, fator sine qua non para se conseguir financiamentos/parcerias. A sucursal foi uma grande conquista, assim como as demais ações que têm beneficiado a nossa comunidade negra, tais como: a carta de boas vindas, enviada por correio (a primeira da ABPN que recebi nesses 10 anos), Boletim informativo; a Revista; a campanha de filiação a fim de se ter, pela primeira vez, um perfil d@s pesquisador@s negr@s; o empenho em buscar financiamentos etc. Sei que como também já foi apontado, há ainda lacunas, dificuldades, mas os avanços me levam a crer que a ABPN poderá alcançar o porte e reconhecimento das renomadas Associações que temos no Brasil. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Capes/CNPQ; Fapes. Petrobrás, Vale do Rio Doce, Votorantin, Citibank, Fulbright, Centros de Pesquisa de Universidades estratégicas nos cinco continentes, Shell, Tim, Vivo, Claro etc. OUTRAS INFORMAÇÕES Para viabilizar essas e outras tantas ações necessárias, é fundamental unirmos esforços e nos propormos a concretizar as propostas enviadas/ selecionadas.


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SUGESTÕES 1 – Organizar cursos de extensão e/ou temáticos on line por áreas de conhecimento (com certificação) em parceria com outras universidades em nível nacional e internacional. Seria uma troca interessante ter um professor doutor dos NEABs trabalhando com um pós-graduando e um graduando na organização de cursos, a fim de se criar uma produção coletiva e treinar @s pesquisador@s iniciantes. É fundamental incluir organizações negras não acadêmicas na parceria para os cursos; 2 – Fazer um levantamento de potenciais doadores/ financiadores no setor público e privado. Recentemente, conheci uma experiência de uma ONG envia c artas bem apelativas para empresas privadas, organiza reuniões com diretor@s, pedindo financiamento de bolsas de estudos, cursos de línguas e pesquisas; 3 – A ABPN congrega a rede de NEABs a meu ver e seria fundamental: a) avaliar o consórcio de NEABS após seus cinco anos de existência; b) Começar a desenhar e pensar um plano estratégico para que os NEAB’s se tornem departamentos em suas instituições com recursos, poder contratação de professor etc. Inclusive, tendo todo recurso que qualquer outro departamento possui; d) Quantos professor@s advindos de NEABs ingressaram em Universidades públicas e privadas até o momento? O que podemos fazer para impulsionar o ingresso? 4 - Ações Afirmativas (AA) tem que ser prioridade para a ABPN e os NEABs. Sugiro: a) um link no site sobre AA em que graduandos e pós-graduandos possam escrever textos curtos e reflexivos sobre o tema; b) iniciar uma campanha de denúncia sistemática, midiática, por meio de boletim, emails etc do privilégio branco, da opressão sócio-econômica e do sexismo na sociedade brasileira que tem exterminado a população negr@; c) criar/buscar parcerias com Capes e CNPQ para a viabilização de bolsas para pesquisador@s negr@s (iniciação científica, mestrado, doutorado, extensão); 5 – Que as pessoas que estão associadas e participando do seminário virtual, se comprometam a trazer pelo mais duas pessoas para a ABPN.


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Neide dos Santos Rodrigues

IPAD Brasil – Instituto de Pesquisa da Afrodescendência (PR)

COMENTÁRIO Quero parabenizar a diretoria da ABPN pelo histórico na pessoa de Eliane Cavalleiro, pois me associei recentemente embora tenha participado das últimas COPENEs, não tinha conhecimento de todo o trabalho da ABPN e do seu funcionamento. O esclarecimento através de um resgate histórico, nos mostra a organização e os esforços empreendidos para a socialização de novos conhecimentos e fortalecimento dos pesquisadoras(es) negros(as). Estou feliz em poder participar desse seminário e já aprendi muito com a contribuição dos meus colegas. Sou mulher, negra, e com 63 anos. Minha dificuldade em continuar minha pesquisa é maior, Academia nenhuma aceita alguém nessa condição. No entanto, aqui, posso colocar minhas idéias. Sugestões: Fortalecimento das Associações estaduais. Divulgação das pesquisas efetivadas nos Estados. Valorização das pessoas consideradas “velhas” para que possam continuar suas pesquisas na academia. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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Paulino de Jesus Francisco Cardoso

Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC

COMENTÁRIO Bem, gostaria de participado mais ativamente. Mas antes de mais nada, gostaria de parabenizar a presidência da ABPN pela realização deste seminário virtual. Ele é uma oportunidade única de conversarmos em público sobre temas e problemas de pesquisadores e pesquisadoras negras em nosso país. Em relação ao tema I, devemos perceber que em termos organizativos, com grande determinação de sua presidente, tivemos como ABPN um salto de qualidade na nossa organização. Finalmente, a nova gestão não sofrerá da síndrome do "começar de novo".A nova sede conquistada em parceria com a UNB, finalmente nos dará um endereço. De minha parte, acredito que foi a melhor direção que tivemos na sua relação com o Consórcio de NEABS. Tivemos um diálogo franco e conversamos sobre vários temas, em especial , no que diz respeito ao COPENE. Quanto ao tema II. Tenho muitas dúvidas sobre a existência de organizações estaduais. Creio que elas surgiram frutos, antes de mais nada, da falta de capacidade operacional das administrações da ABPN. Entendo, que a tendência, no sentido de fortalecer a ABPN, e a criação de Núcleo Regionais, como é o caso do NR da Associação Nacional de História - ANPUH. São autônomos e ao mesmo estatutariamente articulados a nacional. SUGESTÕES Minha sugestão é que se faça uma reforma do estatuto da ABPN para que ela incorpore os núcleos regionais e, igualmente, o consórcio de neabs. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME Cláudio Rodrigues de Melo

INSTITUIÇÃO UESPI – Univ. Est. do Piauí

COMENTÁRIO Parabenizo a iniciativa. Me congratulo com todos nesse processo de construção. A ABPN tem o mérito de proporcionar a discussão entre aqueles que compartilham a ancestralidade africana de forma consciente e atuante. Temos muitos muros a romper e nossa organização é fundamental.

SUGESTÕES Penso que o nosso desafio é dizermos a que viemos, tornar a nossa voz audível. Refletir sobre o que produzimos e para quê produzimos. Tenho receio de reproduzirmos a institucionalização dos títulos e criarmos pedestais,como fazem a maioria pesquisadores nas universidades,distanciando-se a realidade. Sou otimista. Acho que é imprescindível a discussão em torno do modelo de financiamento da pesquisa no Brasil. Critérios, prioridades e valores que a CAPES e fundações estaduais definem para ofertar bolsas de pesquisa. Outro ponto que considero importante é o intercâmbio com os países africanos,sobretudo com as instituições de pesquisa IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS -NEABS -Fóruns Estaduais Permanentes -Instituições Estrangeiras de Fomento e de intercâmbio científico e acadêmico

OUTRAS INFORMAÇÕES


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Sônia Mª de J. da Conceição

FEEAB/TO; S'CABI; CCNNC/MA; Profª esp. em Hist. e Cultura Afro da rede Estadual do Tocantins.

COMENTÁRIO O Nilo foi muito feliz quando problematiza a respeito das perspectiva de relacionamento da ABPN e as associações estaduais. É importante que esse estreitamento entre entidades de instâncias de nível nacional com as de nível estadual, acredito firmemente que esse debate potencialize nossas discussões. Só não concordo quando ele diz que defende o não pagamento de mensalidades ou anuidades. Precisamos sim, contribuir, para no mínimo nos visibilizar. SUGESTÕES - Mais uma vez sugiro, uma vez que o tema trata de associações da ABPN com assoc. estaduais, que se estreite laços com grupo de consciência negras do TO e do MA, como: GRUCONTO (Grupo de Consciência Negra do TO; CCNNC (Centro de Consciência Negra Negro Cosmo. - Criar contribuições, para os já filiados, e incentivos para a inserção de novos filiados, para que se possa divulgar mais trabalhos que vem sendo realizados. - Criar através de net, e-mails, divulgação dos encontros a níveis estaduais, regionais e nacionais, ou pelo menos para os filiados (quando e onde). - Criar possibilidade e acessibilidade de pós-graduação e/ou mestrado para quem já pesquisa na área e mora distante dos maiores centros de produção científica, porém, contribui de alguma maneira com o debate. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS/ OUTRAS INFORMAÇÕES - Com os Fóruns Permanentes de discussões regionais, estaduais e nacionais, para que nestes possamos manter intercâmbio, com intuito de socializar as discussões; os ganhos, avanços etc.-


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sandra@uems.br

Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

COMENTÁRIO Para pessoas que como eu estão iniciando na associação, vejo este VI Congresso como um meio de conhecer melhor e estar mais ativa dentro dos debates e das ações que a Abpn produz. Acredito que é sumária a necessidade de todos nós agirmos para que a sociedade atual seja cada vez menos intolerante e que os negros que ao longo dos séculos são excluídos ou prejudicados- seja em termos sociais-econômicos e de direitos humanos, possam estruturar cada vez mais a sua cidadania. No geral, concordo com as proposições da Profª marlucemacedo@yahoo.com.br e acredito que o debate e a interação entre os pares é fundamental para o fortalecimento da associação e das ações dos associados. Fico feliz e mais tranquila ao ver que os pesquisadores negros estão aí, e juntos podemos produzir mais conhecimentos e difundir os já existentes, diminuindo o abismo que ainda se encontra os negros- sua história e vivências, da grande maioria da sociedade, que ainda é preconceituosa e desacredita que os negros são capazes de produzir e transformar o real, desenvolvendo pesquisas, ações e criando espaços para a efetiva participação da população, principalmente nos diferentes municípios do país, que longe dos grandes centros urbanos e do poder instituído, muitas vezes desconsideram a sua existência ou realidade. Participei da CONAE por MS e vi que os direitos humanos ainda requerem maior atenção por parte da Educação, uma vez que nas escolas, ainda é reforçada a visão do negro como um ser menor. Se desde a primeira infância essa visão deturpada for desmantelada por um trabalho educacional que mostre os negros como cidadãos, que se estão em desvantagem econômica, principalmente o estão por negligências históricas, tudo tende a mudar. Abaixo, compartilho com as propostas da referida professora citada acima. SUGESTÕES - Ampliação de parcerias e diálogos com outras instituições de pesquisa e/ou pesquisadores. - Prosseguimento e ampliação da Revista da ABPN ? Ver a possibilidade de publicar uma revista impressa, e enviá-la as diversas Secretarias Municipais e Estaduais de Educação para as IES e outras associações e Ongs. - Estruturar e fortalecer as relações com as regionais/estaduais já existentes e incentivar a criação de outras. (Sugiro que essa discussão seja feita na Assembléia desse VI


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Congresso, com estabelecimentos de normas de relacionamento, constantes no Estatuto da Associação) - Discussão e alteração do Estatuto da ABPN, para inserir as formas de relações com as Regionais/estaduais e/ou outras questões em aberto. - Pleitear representações na CAPES e CNPQ - Fortalecer essa proposição através dos NEAB?s e das Instituições parceiras. - Debater e se for o caso, fortalecer a permanência e intervenção da CADARA no MEC e na SECAD (Já que os membros da CADARA, se não na sua totalidade, quase todos são associados da ABPN).

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Capes/CNPQ; Fulbright, Centros de Pesquisa de Universidades e/ou outras Instituições Similares Nacionais e Internacionais. OUTRAS INFORMAÇÕES


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FRANCISCO GONÇALVES FILHO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS - NEAB – UFT TOCANTINÓPOLIS

COMENTÁRIO ABPN: APNB; APNSP ?, APNRJ? APNMG?, APNDF?, APNPR? APNPA?, APNTO? ...APN´s....Os 8 estados acima, segundo relatório perfil 2009 são aqueles que tem o maior número de filiados à ABPN, a começar por São Paulo (138) e Bahia (133). Todavia, somente no estado da Bahia temos a experiência da associação estadual, que, parece-me independente totalmente da ABPN. Daí o artigo de Nilo propondo relações estruturais entre as duas como modelo para uma política de criação de associações nos estados. Outra possibilidade não seria reformar o estatuto inserindo as bases estaduais da associação? ABPNB, ABPNSP, ABPNRJ, etc? Isto é, um estatuto nacional fundante de uma só associação que atue nos estados pelas mesmas diretrizes? Assim, nosso Conselho de Representantes ou mesmo as representações regionais teriam sentido, pois seriam membros da associação no estado, que elegeriam seu conselheiro .... Também li no Relatório algumas coisas interessantes, que balançam nossas perspectivas a curto ou médio prazo: a) – 80% dos associados são da área de humanas. Apenas 2% da área de Exatas e da Terra, 2% da Saúde e 7% das Ciências Sociais Aplicadas. E ainda, dos 80% da área de humanas, a maioria está na educação. Este dado corrobora para a idéia de que não somos ainda pluridisciplinar, como almeja corretamente o autor. Se analisarmos os eixos temáticos de nossos congressos teremos a prova concreta deste fato. Mas devemos pensar políticas para sermos. Daí a sugestão interessante do associado, Prof. João Batista Félix, do NEAB/UFT, no tema anterior, que cito na íntegra: "Defendo que devemos procurar filiarmos o máximo de pesquisadores negros das áreas de ciências exatas e biológicas, no intuito de transformarmos nosso Congresso em um grande evento de toda a produção científica desenvolvidas por negros no Brasil inicialmente" .


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Sugestões: 1. Que o próximo ou próximos COPENE´s tenham como tema, a pesquisa. Seus sentidos e importância na renovação do conhecimento, e assim, a própria contribuição de pesquisadores autônomos e ou em organização como a dos Núcleos de Estudos Afro – Brasileiros. Onde estão? Como se organizam nas instituições? Como se relacionam com outros pesquisadores ou núcleos, de mesma natureza e na mesma instituição? E fora dela? Qual o papel e legitimidade do Consórcio? Entre outros. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES Em relação ao Relatório - Perfil 2009 das associadas da ABPN, creio que o comentário do Gráfico 1, quando da afirmação que "apenas 31 pesquisadores da região norte", não se aplica, pois deve-se somar 25 com 31 (PA-27, RO1,AP-2, AM-1), teremos então a região norte com 56 e não 31 pesquisadores. O Tocantins pertence a região norte, não é? OBRIGADO.


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NOME CLÁUDIA ROCHA

INSTITUIÇÃO CEPAIA/UNEB

COMENTÁRIO Parabenizo a diretoria pela realização do Seminário Virtual de Fortalecimento Institucional da ABPN, comemorando os 10 anos de existência e aproveito para destacar um trecho do comentário do Prof. Nilo Rosa, quando ele afirma que a ABPN é “pluridisciplinar” e que “modelos como anpocs, anped, anpol etc. não são capazes de contribuir com nossa consolidação e crescimento”. Corroboro essa posição, pois entendo que a ABPN tem uma trajetória, uma finalidade e uma composição que se afasta dessas associações supracitadas. O IV Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, por exemplo, realizado em Salvador no período de 13 a 16 de setembro, sob a presidência do Dr. Wilson Mattos da UNEB, recebeu mais de 1500 inscrições. Cito esse Congresso porque foi o primeiro do qual participei, inclusive da Comissão Organizadora. Houve ali uma participação democrática e expressiva da comunidade acadêmica e não acadêmica, dentre militantes do movimento negro, estudantes de graduação de todo o país, professores da educação básica e do ensino superior, pesquisadores de várias categorias, enfim, de vários setores da sociedade interessados na temática racial. Espero que a ABPN continue a impulsionar e fortalecer a inserção da comunidade acadêmica e não acadêmica na Associação, afinal o diálogo é fundamental e a troca de saberes e experiências, idem. Acredito que nesse aspecto há algumas questões que precisam ser revistas, para que haja uma ampla participação nos Congressos. Sei, ainda, que para isso é necessário uma auto-sustentabilidade que garanta tal intento, que passa principalmente pelas agências de financiamento, haja vista que, segundo a Presidente da Associação, há “890 associadas(os), contudo um número ainda pouco significativo de pesquisadoras(es) está quites com a anuidade: 177 pessoas”. Não me cabe nesse espaço discutir mais profundamente os motivos pelos quais ocorre esse tão alto índice de “inadimplência”, mas sugiro uma análise futura. Ressalto outra frase da Professora Eliane Cavalleiro, também extraída do texto introdutório desse Seminário na qual ela diz: “Com um olhar para o futuro, desejo também saudar a juventude que é sinônimo de renovação da nossa instituição: é o nosso presente e também o nosso futuro”. E acrescento, só para relembrar, que esta juventude é fruto, principalmente, das ações afirmativas, imprescindíveis no processo de transformação e renovação, do corpo docente e discente das universidades, passando


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pelas associações, núcleos de estudos, dentre tantos outros espaços negros de poder. SUGESTÕES: - Realizar seminários virtuais com frequência, com temáticas variadas, sugeridas pelos pesquisador@s negr@s; - Incentivar e articular a criação de grupos de pesquisa interinstitucionais e internacionais; - Viabilizar a divulgação de artigos de pesquisador@s negr@s em periódicos qualificados no Sistema Qualis. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO

ANA CLÁUDIA LEMOS PACHECO

ABPN- UESB-BAHIA-BRASIL

COMENTÁRIO Parabenizo ao Prof. Nillo Rosa por suas reflexões tão sensatas numa época em que a sensatez está sendo substituída por visões e opiniões tão hegemonizantes, isto é, unilaterais, não polissêmicas ou polifônicas, ao contrário, tem-se reproduzido nas Instituições acadêmicas e nas organizações "não governamentais" a perversidade histórica que nos violou e nos viola enquanto POVO. Como assentou Fanon no seu célebre livro "Os condenados da Terra": "Na descolonização, há pois exigência de um questionamento integral da situação colonial. Se quisermos descrevê-la com precisão, sua definição pode caber na frase bem conhecida "os últimos serão os primeiros". A descolonização é a verificação dessa frase"...Nesse caso, como faz o Prof Nilo questiona-se a situação de subalternidade em que nós negros e negras estamos vivenciando na academia, em que os "últimos","[ nós, pobres nordestinos] somos alijados historicamente dos cânones científicos "produtores de verdade", como a CAPES, CNPQ, ANPOCS, ANPUH, ABA, ANPED E OUTROS, porque nossas pesquisas não são consideradas de "primeira classe"; e agora "pasmem"! dentro da nossa PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO APNB!? Talvez, os condenados, migrantes de toda sorte, demonstraram através do expresso número de inadimplentes o significado desta exclusão, quando reproduzimos os parâmetros elitistas dos fóruns científicos reconhecidos e legitimados através do "valor" que nos atribuem e que nos impedem de participar de determinados fóruns acadêmicos; quando reproduzimos, também, nas nossas instituições e legitimamos, apenas, aqueles intelectuais negros (as) considerados os " primeiros" porque estão nas Universidade públicas federais x aqueles (as) que estão nas Universidades públicas estaduais x a universidade privada x universidade pública sulista x nortistas x versus x versus x versus... o que nos sobra? Afinal, como fica "Nós, os negros (as)"? É possível? Ou é uma ilusão, pois o poder se coloca como o primeiro. Sugestões: IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO

Cristiane do Espírito Santo Coelho - Bibliotecária

INSTITUIÇÃO - UFT NEAB/UFT-Tocantinópolis Biblioteca

COMENTÁRIO O Texto de Paulino Cardoso é importante na medida em que faz um relato histórico da articulação e desenvolvimento das lutas que formaram as bases de concretização da organização política de luta contra a discriminação étnico-racial latente em nossa sociedade. A importância do conhecimento dessa trajetória se dá justamente quando se verifica uma maior participação das pessoas, oriundas das camadas sociais menos favorecidas que só agora conseguiram adentrar os portões das universidades e que, muitas das vezes chegam à vida acadêmica sem ter conhecimento do processo. Até ouve falar, mas por falta de engajamento político não conhece os fatos. O Seminário Virtual está nesta linha de acesso e participação. Os protagonistas dos NEAB´s, ABPN e APN estaduais ao contarem a sua história de envolvimento e idéias futuras nos subsidiam em nossas novas participações com nossas leituras destes espaços. SUGESTÕES Divulgar as diretrizes ou idéias centrais que levou a formação do Consórcio de NEABs. Qual a condição para participação no mesmo? Aprofundar o debate em relação a filiação Institucional dos NEABs à ABPN no que se refere a situação da contribuição financeira. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME: Silvio Humberto Passos

INSTITUIÇÃO: Steve Biko, UEFS

COMENTÁRIO Tenho lido as considerações dos nossos pares, que se mostram instigantes, elogiosas, e verdadeiras e acima de tudo denotam compromisso e comprometimento com o nosso coletivo. Parabéns, o seminário virtual tem cumprido bem sua tarefa, não me preocupa o aspecto quantitativo da participação, o qualitativo vai bem e muito obrigado. Agora, lendo aqui e acolá e a refletir acerca do nosso "campo" de investigação : pergunto: somos uma associação nacional de pesquisadores negr@s e/ou de temas negros e etnicorraciais? Um "escurecimento" nesse sentido é importante para definirmos nossa ação estratégica na disputa dos espaços de poder. Dialogaremos com as questões nacionais apenas pela via do < enfrentamento> ao papel estruturante do racismo na sociedade brasileira? Reconheço que não concluímos esta missão, possivelmente, esta ainda será a tarefa de várias gerações de ativistas, pesquisador@s, ativistas-pesquisador@s, etc. Estrategicamente, precisamos encontrar novas vias de diálogos dentro da sociedade brasileira para além dos racismos e suas temáticas correlatas. Isso poderia ser sinalizado(ABPN) a partir da definição dos novos temas para os congressos,seminários e encontros vindouros. Esses possíveis novos temas atrairiam uma nova gama de pesquisadores negr@s ligados a outras áreas (C&T, neurociências, economia, relações internacionais, políticas publicas, estudos urbanos) Afinal, estamos ou não diante de um novo racismo à brasileira, sobretudo na academia, sem o desaparecimento do velho racismo... Um outro ponto, a relação da nacional e local, considero que se for implementado a dinâmica com as associações estaduais, será necessário definir um tema comum a ser trabalhado por todos até a realização do próximo congresso nacional, além dos temas locais!

SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME: Prof. Dr. João Batista de Jesus Felix

INSTITUIÇÃO: UFT/NEAB/UFT-Toc

COMENTÁRIO Este meu comentário é um diálogo com o prof. Roberto Borges do CEFET/RJ. Pessoal, começo dizendo que sou filiado à Associação Brasileira de Antropologia – ABA. Para que isso fosse possível tive que ser apresentado por três filiados notórios do campo antropológico, ou seja, tive que provar que sou um antropólogo. Não consigo entender, por não nos sentirmos com espaços suficientes nas organizações universalistas brasileiras acabamos por criar formas de expressões próprias, mas que não podem ser exclusivamente nossas porque aí estaríamos sendo discriminador ao contrário. Para concorda com este raciocínio entendo que, para sermos coerentes, deveríamos fechar estas organizações específicas e passarmos a nos organizarmos unicamente nas universais. Eu sou da seguinte posição, a sociedade brasileira é profundamente preconceituosa, discriminadora e racista, por estes motivos, nós os negros devemos sempre nos organizar para que possamos conquistar e consolidar nosso real espaço social, cultural, político e econômico em nosso país. O interessante é que as organizações de mulheres não são abertas para os homens e eu hoje concordo com elas. Nas associações de sambistas só são aceitos os próprios, etc. Por que quando pensamos em organizações negras esta não poder aceitar somente os realmente implicados, sem que sejamos taxados de preconceituosos, anacrônicos, etc? Não tenho absolutamente nada contra os brancos, muito pelo contrário, entendo que precisamos fazer com que a sociedade brasileira atinja a condição de não ser mais necessário a existência de organizações de negros, de mulheres, de homossexuais, indígenas e outros oprimidos, acredito nisso espelhado na África do Sul, que aniquilou o Apartheid. Mas enquanto isso não for possível, entendo que todos os oprimidos devem procurar se organizar, até conseguirem atingir seus objetivos. Vou continuar participando da ABA, a ANPCS, do Sindicato e das organizações negras brasileiras e não vejo nenhuma contradições nisso. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Maria das Dores Almeida

Instituto de Mulheres Negras do Amapá

COMENTÁRIO COMENTÁRIO Texto Apresentação - Eliane Cavaleiro Brilhante a idéia de fazer o texto inaugural expondo um quadro geral dos últimos dois anos da APBN, nele se percebe a transparência, seriedade na condução dos trabalhos da atual diretoria. O texto passa de forma tranqüila todo processo de conquistas e desafios da atual gestão, permitido a quem o lê se sentir parte desta construção mesmo sem ter vivenciado estes momentos. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Renísia Cristina Garcia Filice

Professora Adjunta da Faculdade de Educação UNB

COMENTÁRIO O texto do professor Nilo traz considerações muito importantes. Vejo como positiva a forma como associa sua experiência e atuação na Bahia com as perspectivas e necessidades de novas reconfigurações da ABPN. São sugestões que diferenciariam o trabalho desta Associação, visto que os diálogos seriam estabelecidos também regionalmente. Entretanto, para que o saldo seja positivo torna-se necessário que haja equipes de associados envolvidos que possam encaminhar a contento os trabalhos nas organizações estaduais. È fato que este poderia sim ser um diferencial em termos de qualificar os trabalhos, as pesquisas e dar visibilidade aos trabalhos desenvolvidos localmente. Todavia, como atesta experiente professor Kabengele Munanga é preciso segurar a euforia e caminharmos de acordo com nossas possibilidades e “pernas”. A instituição é nova e conta basicamente com a nossa atuação. Ainda não tem r ecursos e nem uma produtividade técnica consolidada como outras mais antigas para que tenha poder de pressão junto às agências de pressão. E, definitivamente por mais que tentemos ser/atuar diferentes as regras no campo da pesquisa estão explicitadas a tempo e o termo central chama-se produtividade (por menos que eu goste disto). A ABPN cresceu nestes 10 anos e o trabalho da gestão atual corrobora par isto. Publiciza estas conquistas com esta interessante iniciativa que é este seminário virtual. Entretanto, vindo ao encontro do posicionamento ponderado do professor Munanga, Andréia Lisboa nos ajuda a compreender ainda mais os pontos que precisam ser pensados para viabilizar – se assim for acordado - o novo formato da instituição. Recapitulo sem medo de ser repetitiva, pela sua importância, pontos elencados por Andréia que dificultam o encaminhamento proposto por Nilo (não disse impossibilitam): a sobrecarga dos professores da diretoria, tanto da ABPN nacional quanto das estaduais que terão que despender um tempo considerável para a realização dos trabalhos; aumentar o número de associados, conseqüentemente, aumentar o pagamento da anuidade/taxa de filiação; necessidade do controle dos recursos arrecadados pelo Conselho Fiscal “ para que @s associad@s tenham conhecimento/garantia sobre a utilização dos recursos”. E outros pontos mais que merecem ser recuperados no encontro que irá se dar no Rio de Janeiro pela qualidade, mas principalmente pela propriedade de alguém que acompanha a instituição há bastante tempo. Finalizo convencida de que boas idéias estão se revelando e, com esta intervenção da


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professora Andréia, de forma possível, mesmo que seja preciso fazer muito para que se torne viável. Eu, de minha parte já havia manifestado um incomodo por não estar me dedicando mais por uma sobrecarga de atividades. E, embora seja muito recente a minha filiação, pelo que noto a questão não é tempo de associação, mas empenho e dedicação. Vontade de fazer com que as coisas avancem, individual e coletivamente. Talvez, e ai considerem como um comentário de alguém que não tem muita experiência na associação, possamos otimizar tempo no RJ e organizar comissões que se comprometam a atuar nas frentes abertas por Andréia e outras mais que forem pensadas e elencadas como importantes para o fortalecimento da instituição. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Juarez C. da Silva Jr.

AFROAMAZONAS- Manaus

COMENTÁRIO Parabéns pela iniciativa do Seminário Virtual, estou acompanhado tudo atentamente ; também é muito bom poder ver reunidas virtualmente pessoas com quem já tive felizes contatos pessoalmente, caso do Prof. Munanga, da caríssima Profª Andréia Lisboa, Profª Vânia, Prof. Carlos Benedito ( que passaram aqui por Manaus) e tantos outros nomes conhecidos apenas virtualmente, todos os temas estão muito bem apresentados e é possível notar que muitas das percepções e propostas perpassam todos os textos. Reforço o apoio à idéias como a maior integração com África e EUA, melhor aproveitamento de recursos virtuais, AA na pós, atuação/parceria dos Neabs, fomento à qualificação e maior integração com os movimentos sociais. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS Profa. Dra. Patrícia Sampaio- Universidade Federal do Amazonas, Profa. Ms Vera Balbino – PUC/SP Universidade Politécnica (Moçambique) Reitor Prof. Dr. Lourenço do Rosário : http://www.ispu.ac.mz/

OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Wilson Roberto de Mattos

Professor Adjunto de História da Universidade do Estado da Bahia-UNEB Assessor Especial da Reitoria da UNEB Diretor do Centro de Estudos dos Povos AfroÍndio-Americanos - CEPAIA

COMENTÁRIO SUGESTÕES PARA O FUT URO DA ABPN Inicialmente, quero parabenizar a atual Diretoria da ABPN, em especial, a sua Presidente, pela iniciativa de promover um amplo debate acerca dos destinos da nossa Associação. Seguramente a participação democrática e a livre manifestação das opiniões e concepções serão altamente benéficas para a saúde política da ABPN. Eu acompanho a ABPN desde o seu nascimento. Participei de todos os Congressos de Pesquisadores Negros sendo responsável pela organização de um deles. Nesse sentido a minha opinião fundamenta-se nessa experiência. Estou absolutamente convicto dos perigos de a ABPN instituir-se como uma “grande” associação nacional nos moldes daquelas associações acadêmicas que nós conhecemos. De alguma forma nós estamos tomando este caminho e, na minha opinião, por ausência de memória histórica, reflexão rigorosa e avaliação, incorrendo em erros suicidas que poderão ser evitados. A ABPN não pode tornar-se uma associação similar a ANPED, ABA, ANPOCS, ANPUH etc. Não podemos repetir irrefletidamente, um modelo de associação legado pela supremacia acadêmica branca, qual seja, um modelo fundamentado em um intelectualismo personalista e arrogante, em um academicismo auto-referenciado, excludente e esvaziado de compromisso social. Nós temos nossas próprias referências históricas (nacionais e internacionais) de associações, organizações, coletivos e similares. Certamente uma avaliação dos erros e acertos de algumas delas (sobretudo, das mais próximas dos nossos objetivos) poderá iluminar os nossos próprios caminhos, nos autoinscrevendo na linha de continuidade de uma tradição de crítica intelectual e política negra, que articula produção de conhecimento, formação, difusão e militância antiracismo. A não consciência desse compromisso histórico pode dar margem à emergência de carreirismos personalistas e ao uso da ABPN como trampolim para interesses pessoais, na maioria das vezes, moralmente duvidosos.


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Do ponto de vista organizativo, eu penso que, estrategicamente, a principal (não única) tarefa (quase missão) da ABPN seria a de articular a organização dos acadêmicos negros (estudantes, professores e gestores acadêmicos), no sentido de ampliar e qualificar a nossa atuação no espaço privilegiado e quase único de criação de representações (sobre a nação, sobre as relações, sobre os valores, s obre a política etc) que é a universidade. Essa seria, no meu modo de ver, a grande contribuição da ABPN no interior de um conjunto amplo de outras ações (vinculadas a outras instituições, organizações etc.) necessárias à construção coletiva, articulada e integrada de uma verdadeira igualdade racial no país. O desempenho competente e eficiente de tarefas específicas e focadas, como contributo singular, mas integrado a uma perspectiva maior de atuação e luta. Ampliar e qualificar a nossa atuação no interior do mundo acadêmico significa atualizar e dinamizar a nossa potência e vontade de transformação da sociedade brasileira. Intervir efetivamente nos modos de formação dos nossos profissionais, influir na formação de uma nova intelectualidade brasileira, bem como, re-orientar os sentidos e os significados dos conhecimentos produzidos e a produzir são tarefas imprescindíveis e urgentes que a ABPN não pode mais manter silenciada, secundarizada ou irrefletida na composição da sua (dela) agenda. Evidentemente, os obstáculos são muitos. As adversidades existentes por conta da presença do racismo estrutural no mundo acadêmico (sejam as próprias universidades ou as agências de controle, avaliação, fomento e financiamento) são enormes. No entanto, ou nós cremos na nossa capacidade e potência e busquemos alternativas criativas de modo coletivo e, principalmente, honesto, ou o melhor caminho, sem abandono da luta, é cada um se recolher ao seu espaço no interior da academia (como estudante, como professor, como pesquisador ou como gestor) e investir na solidez da sua própria formação, no apuro e sofisticação da produção e transmissão de conhecimentos, enfim, investir na carreira profissional e na formação intelectual própria, o que, de alguma maneira, não deixa de ser uma forma de contribuição a coletividade. Do ponto de vista da organização, sugiro que a ABPN se estruture de modo a promover bons congressos bianuais. Congressos em que possamos avaliar a trajetória, mensurar o nosso crescimento coletivo e socializar o resultados dos nossos trabalhos individuais e coletivos. Além disso, congressos em que possamos, ao mesmo tempo, e democraticamente, definir metas coletivas estratégicas, orientar os procedimentos políticos e acadêmicos regulares, acompanhar e avaliar o desenvolvimento das atividades comuns pré-estabelecidas. Quanto às tarefas mais institucionais, penso que a ABPN deveria manter, por mais uma ou duas gestões, a prioridade de estruturar a associação, tanto no que diz respeito aos aspectos legais, quanto aos aspectos físicos como a sede, a secretaria, o site, a revista etc. Além disso as próximas direções devem cuidar da articulação institucional (nacional


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e internacional) de forma a legitimar cada vez mais a ABPN no interior da comunidade científica. Evidentemente que esta articulação deve se dar de forma a mantermos a nossa autonomia e auto-determinação na manutenção do formato e caráter da nossa associação. Em complemento, a ABPN deve fomentar e regulamentar a existência de associações de pesquisadores negros locais e regionais (do tipo, sucursais ou seções) que, em níveis geopolíticos mais modestos e próximos da realidade concreta, cotidiana, dêem efetividade às decisões, encaminhem ações, articulem relações necessárias à realização efetiva da missão coletiva anteriormente estabelecida. Na minha opinião isso deve ser feito em uma articulação negociada entre a ABPN (nacional) e as associações ou seções locais e regionais, de forma que as associações ou seções componham a estrutura da ABPN -e portanto tenham em comum a mesma missão estratégica, acadêmica e política, mas mantenham autonomia no sentido de desenvolverem atividades locais ou regionais mais apropriadas às circunstâncias histórico-culturais, étnico-raciais, acadêmicas, políticas e sociais dos seus respectivos locais e/ou regiões. Tivemos conquistas inegáveis. O fato de -apesar das dificuldades, dos personalismos e das vaidades e interesses pessoais-, nós termos conseguido manter a realização dos COPENEs , é um aspecto extraordinariamente positivo. Embora eu reclame uma interferência mais clara e mais qualificada da ABPN no cenário acadêmico nacional, é claro que eu não posso deixar de reconhecer que este cenário já apresenta mudanças observáveis, ainda que insuficientes, do meu ponto de vista. As ações afirmativas, as mudanças de alguns currículos, o aumento da presença de negros não só nos bancos universitários, mas como professores, pesquisadores e mesmo como gestores universitários, bem como o aumento da nossa produtividade acadêmica e influência política, deve muitíssimo à presença da ABPN, sobretudo à realização e socialização dos resultados acadêmicos e políticos dos cinco COPENEs anteriores. Por fim penso que esse próximo COPENE, a ser realizado no Rio de Janeiro, pelo nosso próprio amadurecimento ao longo de todos esses anos, deve ser o espaço para que possamos nos avaliar com muito rigor e sinceridade, formularmos as críticas que devem ser formuladas, corrigirmos erros de trajetória, nos precaver contra interesses pessoais, moral, político e academicamente, deletérios e apontarmos os direcionamentos para um futuro de sucesso coletivo na nossa luta que, ao final das contas e qualquer que seja a sua forma e conteúdo, será sempre por uma sociedade mais justa e igualitária do ponto de vista das relações entre as diferenças, sobretudo, as étnicas e raciais. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS / OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME: FRANCISCO GONÇALVES FILHO (Xico)

INSTITUIÇÃO: UFT – NEAB Tocantinópolis Universidade Federal do Tocantins

COMENTÁRIO TEMA 5: ABPN E AS AGÊNCIAS DE FOMENTO A proposta apresentada pelo autor Moisés Santana é muito interessante. Se lograr êxito creio que fortalecerá de fato a ABPN e os NEAB´s, pois a movimentação já existe e precisa se consolidar. O PROGRAMA induzido de pesquisa amplia a experiência existente. Nos objetivos do programa o autor explicita que essa demanda – reivindicação já existe para os NEAB´s de Pernambuco e requer um ampliação para federação. Todavia para nos articularmos às agências de fomento nos três níveis da f ederação precisamos fazer um levantamento da situação dessas agências. Essa questão nos remete às discussões anteriores e poderemos verificar lá, uma porção de propostas que nos auxiliariam neste tema. Não somente propostas mas observações críticas em relação à gestão desses processos no âmbito da ABPN ou dos NEAB´s? ABPN´s estaduais? E o novo papel do consórcio? E a situação dessas agências? Como está essa relação em Pernambuco: há agência de financiamento? Qual poder financeiro e de financiamento de pesquisa no âmbito da Universidade? Outra questão importante está no mapeamento do poder de financiamento dessas agências no âmbito dos estados. Uma coisa é a capacidade de captação de recursos e financiamentos das agências em estados como SP, RJ, MG, RS, PR, entre poucos outros. Outra coisa é a situação dessas agências em estados pobres da federação. Caberia, no âmbito da ABPN ou colegas que estudam financiamento em pesquisa, um mapeamento e divulgação desta situação. Isto não implica na nossa necessidade de articulação nos estados e municípios, todavia devemos partir de um diagnóstico dessa situação e as implicações da regionalização dos financiamentos. Obrigado.

SUGESTÕES Mapeamento das agências de financiamento nos estados e suas capacidades de financiamentos de pesquisa. Que os moderadores ou responsáveis pela iniciativa desse espaço de debates virtual façam um balanço das propostas relativas a esse ponto, nas outras


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temáticas, aproximando-as do tema 5 para não se perderem nas temáticas de outros interesses. O FORUN VIRTUAL DA ABPN no SITE OFICIAL demonstra uma excelente iniciativa da associação, pois já está procurando implementar idéias apresentadas aqui neste espaço. Todavia (neste momento inclusive - 10/6 –), procurei escrever essas idéias lá, como foi orientado por email, mas verifico que ainda não está funcionando, pois ao clicar não nos leva para alimentar o debate por lá. É necessário terminar a formatação daquele espaço (que funcionaria nos moldes do MOODLE ou é o próprio), para que possamos ter mais recursos tecnológicos a disposição. Por isso, por enquanto vamos utilizando essa forma via email entre nós que já ganhou agilidade e funcionalidade, graças aos receptores e circuladores dos email. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS

OUTRAS INFORMAÇÕES Na introdução do texto, o autor refere-se ao primeiro encontro nacional de NEAB´s em Salvador no ano de 2001. Paulino em seu texto anterior referiu-se no ano de 2002. Qual é mesmo? Nos objetivos do Programa induzido de pesquisa o autor refere-se à Lei 10.639/03 contudo essa Lei foi substituída pela Lei 11.645/08, que mantem a anterior e amplia com referência aos povos indígenas.


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NOME:

INSTITUIÇÃO:

Kabengele Munanga

ABPN, USP

COMENTÁRIO A criação da Revista da ABPN, a conquista de uma Sede junto a UnB e agora a realização com sucesso de um seminário virtual, entre outros, são fatos que vêm se somar às conquistas das administrações anteriores e mostram que a atual Diretoria da ABPN está trabalhando seriamente para dar bases sólidas que faltam ainda para nossa associação. Os comentários que li até agora enfatizam positivamente as mesmas realizações e fazem novas sugestões para aprimorar essas conquistas. Claro, sugerir é fácil, mas executar é a coisa mais difícil: acho fundamental uma boa divis ão das tarefas! Vamos ser objetivos, examinando atentamente as relações que existem entre os organismos de fomento e financiamento à pesquisa como Capes, Cnpq,etc.. e as associações científicas de gênero como ANPOCS, ANPED, ABA, ANPHU, etc..para pedir uma igualdade de tratamento, igualdade essa que exige que tenhamos uma produtividade científica razoável. Sem dúvida, somos ainda uma nova associação e não seria justo fazer uma comparação termo a termo com as mais velhas. Mas não vamos substituir o trabalho pela euforia! A diretoria da ABPN está fazendo a sua parte, esperando que cada um de nós faça a sua, individual ou coletivamente. Estão de parabéns a Professora Eliane e toda a equipe da Presidência da ABPN.

SUGESTÕES

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS


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NOME: Silvio Humberto Passos COMENTÁRIO

INSTITUIÇÃO: Steve Biko, UEFS

Tenho lido as considerações dos nossos pares, que se mostram instigantes, elogiosas, e verdadeiras e acima de tudo denotam compromisso e comprometimento com o nosso coletivo. Parabéns, o seminário virtual tem cumprido bem sua tarefa, não me preocupa o aspecto quantitativo da participação, o qualitativo vai bem e muito obrigado. Agora, lendo aqui e acolá e a refletir acerca do nosso "campo" de investigação : pergunto: somos uma associação nacional de pesquisadores negr@s e/ou de temas negros e étnico-raciais? Um "escurecimento" nesse sentido é importante para definirmos nossa ação estratégica na disputa dos espaços de poder. Dialogaremos com as questões nacionais apenas pela via do < enfrentamento> ao papel estruturante do racismo na sociedade brasileira? Reconheço que não concluímos esta missão, possivelmente, esta ainda será a tarefa de várias gerações de ativistas, pesquisador@s, ativistas-pesquisador@s, etc. Estrategicamente, precisamos encontrar novas vias de diálogos dentro da sociedade brasileira para além dos racismos e suas temáticas correlatas. Isso poderia ser sinalizado(ABPN) a partir da definição dos novos temas para os congressos,seminários e encontros vindouros. Esses possíveis novos temas atrairiam uma nova gama de pesquisadores negr@s ligados a outras áreas (C&T, neurociências, economia, relações internacionais, políticas públicas, estudos urbanos) Afinal, estamos ou não diante de um novo racismo à brasileira, sobretudo na academia, sem o desaparecimento do velho racismo... Um outro ponto, a relação da nacional e local, considero que se for implementado a dinâmica com as associações estaduais, será necessário definir um tema comum a ser trabalhado por todos até a realização do próximo congresso nacional, além dos temas locais! SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME: Prof. Dr. João Batista de Jesus Felix COMENTÁRIO

INSTITUIÇÃO: UFT/NEAB/UFT-Toc

Este meu comentário é um diálogo com o prof. Roberto Borges do CEFET/RJ. Pessoal, começo dizendo que sou filiado à Associação Brasileira de Antropologia – ABA. Para que isso fosse possível tive que ser apresentado por três filiados notórios do campo antropológico, ou seja, tive que provar que sou um antropólogo. Não consigo entender, por não nos sentirmos com espaços suficientes nas organizações universalistas brasileiras acabamos por criar formas de expressões próprias, mas que não podem ser exclusivamente nossas porque aí estaríamos sendo discriminador ao contrário. Para concorda com este raciocínio entendo que, para sermos coerentes, deveríamos fechar estas organizações específicas e passarmos a nos organizarmos unicamente nas universais. Eu sou da seguinte posição, a sociedade brasileira é profundamente preconceituosa, discriminadora e racista, por estes motivos, nós os negros devemos sempre nos organizar para que possamos conquistar e consolidar nosso real espaço social, cultural, político e econômico em nosso país. O interessante é que as organizações de mulheres não são abertas para os homens e eu hoje concordo com elas. Nas associações de sambistas só são aceitos os próprios, etc. Por que quando pensamos em organizações negras esta não poder aceitar somente os realmente implicados, sem que sejamos taxados de preconceituosos, anacrônicos, etc? Não tenho absolutamente nada contra os brancos, muito pelo contrário, entendo que precisamos fazer com que a sociedade brasileira atinja a condição de não ser mais necessário a existência de organizações de negros, de mulheres, de homossexuais, indígenas e outros oprimidos, acredito nisso espelhado na África do Sul, que aniquilou o Apartheid. Mas enquanto isso não for possível, entendo que todos os oprimidos devem procurar se organizar, até conseguirem atingir seus objetivos. Vou continuar participando da ABA, a ANPCS, do Sindicato e das organizações negras brasileiras e não vejo nenhuma contradições nisso. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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Maria das Dores Almeida COMENTÁRIO

Instituto de Mulheres Negras do Amapá

Brilhante a idéia de fazer o texto inaugural expondo um quadro geral dos últimos dois anos da APBN, nele se percebe a transparência, seriedade na condução dos trabalhos da atual diretoria. O texto passa de forma tranqüila todo processo de conquistas e desafios da atual gestão, permitido a quem o lê se sentir parte desta construção mesmo sem ter vivenciado estes momentos. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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Anna Lúcia Florisbela dos Santos

Consultora Independente (GTZ, BID, Coop. Luxemburguesa...), Profª. Visitante (Univ. Las Palmas-Espanha, Univ. Darmstadt-Alemanha, ...)

COMENTÁRIO Excelente o texto da Prof. Andréia Lisboa, mais do que um “input” para alimentar a discussão do seminário virtual, ela dá uma verdadeira aula sobre o tema. E provoca os participantes chamando para a reflexão com a pergunta “... presenç a negra no regime de produção do conhecimento...?” Na minha opinião, caso eu tenha entendido a pergunta, entre tantos enumero um. Como a ausência negra no regime de produção do conhecimento é histórica. A presença negra pode trazer a possibilidade para a equidade racial nesse campo, por conseguinte, importante para a política transnacional negra, que a Prof. mais a frente menciona . Considerando o medo e as razões político-econômico-acadêmicas dos autores que ela cita, vejo que a ascensão dos negros e negras, mesmo a duras penas, incomoda principalmente aos “fracos” e aos que não estão de acordo com a democracia e igualdade registrada em nossa Constituição. Irão sempre buscar algum argumento. Em alguma ocasião o Prof. Silvio Humberto disse: “Ninguém chuta cachorro morto ...”. Apenas ressalto alguns pontos, que a autora apresentou e que acho prioritários ser realmente considerado em futuro próximo: Necessidade de impulsionar rede de articulação internacional solidária, consistente e transformadora, Articulação Institucional e a importância das cooperações formais e informais, Negros e negras como gestores de recursos, que entre outros objetivos possa viabilizar a realização de suas pesquisas acadêmicas. Multiplicar e fortalecer os exemplos das instituições como Stive Biko, Criola, ACMUN, ... Exercitar, investir, desenhar novas formas de cooperações acadêmicas específicas de interesse dos cientistas negros e negras. Ir além dos projetos individuais, traçar projetos coletivos “negrajados” além fronteiras ... Desenvolver estratégias de articulação internacional


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SUGESTÕES Recordo que nos anos 80, Milton Santos fez parte da direção do CNPQ, não sei quais são os critérios para fazer parte do mesmo. Mas se podia articular para que um representante do ABPN seja membro permanente do CNPQ, CAPES e outras do gênero. Igualmente nas Associações Nacionais de Pós-Graduação: ANPEC, .... A Autora fez um exercício de listar instituições internacionais, seria importante se ter uma publicação sobre as mesmas, atualizadas de tempo em tempo. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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INSTITUIÇÃO

Vânia Beatriz Monteiro da Silva

Centro de Ciências da Educação /Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

COMENTÁRIO Continuamos debatendo questões que interessam à sociedade brasileira a partir da luta antiracista! Faço uma leitura do que estou acompanhando, a partir do alerta do professor Kabengele, sobre nossas expectativas e os compromissos e possibilidades de realização. o que vejo nas intervenções, reitero de minha primeira intervenção, são os acúmulos diferenciados entre nós: na pesquisa, nas políticas curriculares, na capacidade de articulação interinstitucional, entre outros. E interessa a tod@s que isso reverta em função de um projeto de fortalecimento antiracista...certo. Esse é o pano de fundo, creio, para nossas lutas na acadêmica, no movimento social, na gestão publica, no ensino da educação básica. Não se trata de, como realça Jaime Amparo-Alves, de enveredarmos sob as armadilhas das diversas formas de redes de beneficiamento mutuo que alimentam tantas comunidades acadêmicas! Mais uma vez, este mesmo interlocutor observa sobre a “Ingenuidade pensar que se pode enfrentar a reprodução contínua e sistemática do privilégio branco na academia sem o fortalecimento de grupos de pesquisa negros e sem a solidariedade transnacional negra nos espaços estratégicos de produção de conhecimento.” Gostaria de destacar nesta linha, a importância de firmarmos também alianças com latino-americanos. Pessoalmente, tenho lido com atenção escritos sobre negritudes sulamericanas ate mesmo pra vir a ajudar em meu campo de atuação, a estudantes e orientand@s a reconhecer aqui, ao lado ou um pouco acima, o que temos ate aqui mais divulgado sobre África e Estados Unidos. SUGESTÕES * Inscrever em nossos estudos e fóruns de difusão cientifica pensador@s latinoamerican@s, que não apenas os brasileir@s. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS * Destaco a necessidade de mapearmos quem ja esta em interlocução acadêmica ou de movimento social para localizarmos potenciais parceiros. OUTRAS INFORMAÇÕES


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Marcos Vinícius Santos Dias Coelho Doutorando em História Social da África Universidade Estadual de Campinas COMENTÁRIO Muito interessante a observação de Silvio Humberto. A pesquisa sobre o continente africano está aquém da necessidade de atender a pesquisadores que se debruçam sobre este tema, embora sejam poucos ainda. Note-se que ressalto um espaço para reflexão sobre os trabalho investigativos que envolvem pesquisa sobre o Continente Africano. Há investigadores negros que se debruçam sobre esse tema. Eu, particularmente, não me sinto contemplado para subscrever apresentações sobre minha pesquisa, haja vista as mesas/GTs que são disponibilizadas nos congressos ABPN não atenderem a pesquisadores que se dedicam ao tema. Reconheço que o encontro que vai ser realizado na UFRJ contemplaria uma comunicação, mas especificamente para esta data não estarei no Brasil. Falo isto porque noto uma ausência expressiva de pesquisadores negros neste tema. Talvez a criação de espaço direcionado, encaminhem mais pesquisadores a se interessarem sobre o assunto. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva

UFSCar

COMENTÁRIO

Primeiramente cabe cumprimentar todas as diretorias da ABPN que desde a criação da entidade têm buscado fortalecê-la. E cumprimentar muito particularmente a diretoria em exercício, cuja atuação persistente, a postura política têm contribuído para consolidar a Associação enquanto: - entidade representativa dos pesquisadores negros brasileiros; - fórum de debates e de incentivo a produção de conhecimentos, notadamente da produção científica de valor para os negros - africanos da Diáspora e do Continente. Os debates propiciados pelo Fórum Virtual poderão encaminhar para a construção de uma entidade que, ao incentivar o diálogo, ao incluir e respeitar diversidade de orientações teórico-metodológica, de escolhas ideológicas, de pontos de vista, cultive posturas solidárias, areje idéias, construa e divulgue o jeito próprio de sermos pesquisadores negros, comprometidos com nosso povo, com nosso país, com a construção de Panafricanismo. É de se esperar que o fórum nos leve a situar temáticas, questões, discutir referências teórico-metodológicas, a conceber e elaborar pesquisas que ao construir conhecimentos, se tornem também um instrumento de luta contra ao racismo, a discriminações, assim como instrumento de construção da igualdade racial. O fórum e outros instrumentos que incentivem o diálogo é de se esperar que nutram escolhas e decisões que façam da ABPN, uma entidade, cujos membros – pesquisadores negros e negras, em diferentes estágios de experiência em pesquisa, atuantes nas diferentes áreas do conhecimento - busquem novas maneiras de pensar a diversidade humana, as sociedades, as relações étnico raciais, os projetos políticos que contemplem a todos os cidadãos nas suas diferenças e especificidades. Mais do que pensar, conduzam a iniciativas e ações que se convertam em políticas públicas. Os COPENEs espera-se que sejam momentos fortes para nos conhecermos, divulgarmos o que temos produzido, tomarmos decisões quanto a futuros rumos, tendo sempre em mente indagações como: No que nos aproximamos e no que diferimos de outras associações de pesquisadores? Que estratégias temos de construir para enegrecer a pesquisa,nas diferentes áreas? O que significa enegrecer a produção de conhecimentos? Africanidades, africanismos, diáspora, panafricanismo, num quadro de globalização de economias, de culturas, que significados têm para nós, associados da


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ABPN? Que outros pesquisadores, não-negros podem ser ou já são parceiros nossos? O que os aproxima de nós? O que nos afasta de outros pesquisadores, notadamente dos que nos tomam com objeto de estudos, mas nos desprezam enquanto pessoas cidadãs? Enquanto Associação, entre outras metas, temos de prover condições para que os associados mais experientes formulem estratégias para a formação sólida dos pesquisadores iniciantes, a partir de perspectivas africanas da Diáspora e do Continente. Temos de buscar meios para apoiar produção científica sólida, capaz de fazer face ao “mercantilismo acadêmico”, a competição no lugar de colaboração, muitas vezes incentivadas pelas agências de fomento à pesquisa. SUGESTÕES

- Manter e incrementar o fórum de debates, incentivando o levantamento de questões que venham a gerar pesquisas, cujos resultados possam informar políticas de interesse da população negra. - Fazer-se presente enquanto ABPN em reuniões científicas e políticas, participar de comissões e grupos de estudos em âmbito nacional e internacional. - Manter diferentes formas de colaboração, com entidades nacionais e internacionais voltadas a pesquisa, por exemplo ANPED, por meio do GT 21; a WERA – World Educational Research Association ( ww.wera.online.org) da qual a ABPN é sócia fundadora; a CODESRIA – Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais na África ( www.codesria.org). - Oferecer oportunidades de formação em pesquisa, a partir de diferentes perspectivas teórico-metodológicas, em cursos intensivos realizados, por exemplo, nos dois dias que antecedem a realização do COPENE. Quando estivermos mais consolidados enquanto associação, oferecer curso on line. - Propor aos órgãos de fomento a pesquisa – CAPES, CNPq, FINEP, fundações de amparo a pesquisa, entre outros - que criem linhas de financiamento para pesquisas de interesse da população negra. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS

CODESRIA – Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais na África ( www.codesria.org) GT G- Ciências Sociais da AERA – American Educational Research Association


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(www.aera.net)

OUTRAS INFORMAÇÕES

Enquanto conselheira junto a WERA, representando a ABPN, tenho a informar que, no dia 18 de abril de 2009, em San Diego (USA), no decorrer da quinta reunião para estudos com vistas à criação de uma associação de pesquisa educacional de abrangência mundial, foi criada a World Educational Research Association – WERA. A ABPN é uma das 22 associações fundadoras e nesta condição passou a fazer parte do conselho da WERA. A WERA tem por objetivos: promover e facilitar diálogo e cooperação entre diferentes realidades e experiências nacionais; incentivar e fortalecer a excelência da pesquisa em educação enquanto atividade científica e acadêmica; aprofundar estudos sobre a demandas educacionais dos cada vez mais diversos grupos sociais e étnicoraciais; debater e buscar soluções para problemas acarretados por desigualdades nas sociedades; informar políticas educacionais. A ABPN é uma das quatro associações latino-americanas, membros fundadores da da WERA. As outras são: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), do Brasil, a Sociedad de Investigación Educativa Peruana (SIEP), o Consejo Mexicano de Investigación Educativa (COMEI). Entre as primeiras deliberações tomadas pelo conselho, em San Diego, está a de que em lugar de uma grande reunião a ser realizada periodicamente, a WERA se fará presente aos encontros de cada uma das entidades a ela associadas, por meio de simpósio que tratará de questões prioritárias para a pesquisa em educação. Estes simpósios darão continuidade aos simpósios apresentados por representantes das associações que discutiram a criação da WERA, na reunião da Educational Research Association de Singapore (ERAS), em 2008, e na reunião da American Educational Research Association (AERA), em 2009. Enquanto representante da ABPN e da ANPED, participei de simpósio no encontro da ERAS, em Cingapura, apresentando trabalho sobre as perspectivas dessas entidades diante da WERA. Na reunião em San Diego, ficou decidido que cada entidade associada se encarregará de divulgar nacionalmente a criação da WERA. Em setembro de 2009, em Viena, durante a reunião anual da European Educational Research Association foi oficialmente criada a WERA, sendo a ABPN signatária do documento oficial de criação. Em dezembro do mesmo ano, foi eleita a primeira direitoria, assim composta: - Drª Eva Baker(Distinguished Professor of Education


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at the University of California, Los Angeles (UCLA)– Presidente; Dr. Yin Cheong Cheng (Chair Professor of Leadership and Change of the Hong Kong Institute of Education), – Presidente eleito; Drª Jo-Anne Reid (Professor of Education and Associate Dean, Teacher Education in the Faculty of Education, Charles Sturt University, Australia); – VicePresidente; Drª Felice Levine (Executive Director of the American Educational Research Association, Washington, D.C. ) – Secretária Geral. A posse da diretoria eleita ocorreu em 5 de maio de 2010, em Denver, em reunião ordinária do conselho. Nesta reunião não estive presente.


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NOME:

ABPN

Andréia Lisboa de Sousa

Odudwa – Consultoria em Projetos Educacionais e Culturais LTDA/Universidade do Texas (Austin)

(souzaliz@yahoo.com.br)

COMENTÁRIO Muito interessante e importante o texto-retrospectiva do Prof. Paulino. Ele salienta aspectos fundamentais para pensarmos na relação entre o Coneabs e a ABPN. O NEAB é uma articulação que precedeu o Copene, mas o Coneabs foi consolidado após o Copene de 2000, mais precisamente, como aponta o Professor no Copene do Maranhão. Momento em que a SECAD e SESu/MEC começaram a financiar projetos do CONEABs. Senti falta de saber um pouco mais sobre a articulação atual do Coneabs. Como os Neabs estão dialogando com as agência de pesquisas em âmbito estadual? Como eles estão organizados? Em forma de colegiado? Como está a representação entre gêneros na composição das coordenações dos Neabs? A meu ver não há incompatibilidade de agendas entre a ABPN e o Coneabs, visto que a ABPN congrega a rede de NEABs.

SUGESTÕES a - Aponto aqui algo que já escrevi para o grupo do consórcio. Já temos ai mais de cinco anos de NEAB‟s com financiamento do MEC. Temos que avaliar isso e agora criar estratégia e exigir que os NEAB‟s se tornem departamentos em suas instituições com recursos, poder contratação de professor etc. Inclusive, tendo todo recurso que qualquer outro departamento possui. A recente informação o CEAO que se tornará um instituto reflete caminhos a perseguir; b - seria fundamental que os coordenadores do Coneabs campanha para os NEABs se filiarem a ABPN;

iniciassem uma forte

c) A exemplo do que o professor Alex Ratz informou na rede de Neabs sobre exalun@s que agora são professor@s na UFG, os Neabs poderiam preparar estudantes pra e começar uma política de ingresso de negr@s em concursos para


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tornarem-se professor@s Universitários. Quantos professor@s advindos de NEABs ingressaram em Universidades públicas e privadas até o momento? Só tomei conhecimento da experiência do professor Alex até o momento; d) O professor Paulino diz que o Coneabs são “identificados com a causa da igualdade no interior da IES, nosso âmbito de atuação está na esfera pública, não compomos a sociedade civil, como é o caso do Movimento Negro”, todavia acho que um dos papéis da universidade deve ser o de atuar com a comunidade (tornar a ciência comum para tod@s) e as organizações negras têm muito a contribuir; e) Fundamental que os coordenadores do Coneabs incentivem a criação de seus sites, dos que não existem, na ABPN. Isso é algo que está disponível e fundamental para conhecermos/acessarmos o CONEABs; f) O Coneabs poderia ser o impulsionador/articulador para criar fundos para os estudantes participarem/inscreverem no Copene. Nossas organizações negras têm feito isso desde sempre. Por exemplo, em conjunto com os estudantes, conseguir ônibus, organizar atividades para angariar fundos para estudantes, dialogar com empresas locais publicas e privadas e pedir contrapartida (responsabilidade social) para financiar as inscrições de estudantes. Fazer abaixo-assinado para a pró-reitoria e outros departamentos. Estudantes universitários negr@s têm feito isso historicamente.

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS Capes/CNPQ; Agências estaduais de financiamento.

OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME:

ABPN

MARIA BATISTA LIMA

NEAB/UFS Departamento de Educação/UFS

COMENTÁRIO Inicialmente parabenizo a atual diretoria da ABPN pelo passos significativos efetivados nessa gestão, dando sequência aos passos anteriores, de forma democrática, articuladora e comprometida. Fica evidente que temos avançando na luta desde nosso primeiro COPENE, em Recife. As discussões nesse seminário são evidências desse avanço. As ações propostas e realizadas nessa gestão indiciam o foco da luta da ABPN. O Seminário Virtual foi uma ótima idéia para nosso compartilhamento e fortalecimento nesse imenso Brasil, não obstante não ter tido condições de participar ativamente até o momento. Em relação ao tema 5, apresentado pelo Moisés, gostaria de destacar: 1A pertinência das ações de fortalecimento para a conquista nos espaços de definição e consolidação da nossa produção, não só em Pernambuco, mas como proposição nacional, buscando-se uma articulação que considere os entraves nos diferentes espaços. Faz-se necessário considerar que essa produção também depende das condições concretas de sua elaboração e publicação qualificada, o que na maioria das vezes depende, como bem apontou um dos colegas desse seminário, ao falar dos critérios de ingresso na ABA, das articulações, das redes de influência que se tenha. Ou em muitos mestrados nos quais para você se credenciar como docente precisa ser apresentado formalmente por um ou dois membros. Ou seja, não basta ter o título de doutor/a para se produzir. A luta é muito mais ampla e mesmo quando estamos como professor@s nas universidades, particulares ou públicas, a solidão é muito grande, pois somos a exceção que confirma a regra; na maioria das vezes, um ou dois profissionais negr@s em um departamento, cujo acesso a editais nacionais da temática acaba sendo reduzido pela forma como os projetos são selecionados internamente. Ou simplesmente não se consegue financiamento para os projetos ou para eventos porque não se está como docente da pós-graduação. Nesse sentido, a proposição de Moisés de estratégias para ampliação da presença negras nos quadros da graduação e principalmente da pósgraduação nas universidades é primordial. 2-

A potencialização da juventude negra a partir de programas de iniciação cientifica


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para estudantes de ensino médio das escolas estaduais ampliaria, inclusive, a participação desses alunos no ingresso na universidade pelas Cotas e fortalecimento do processo de permanência. 3Concordo com o Xico quanto à necessidade de conhecimento sobre a o financiamento nos diferentes estados, mas também sobre a própria forma de gerenciamento das universidades nas possibilidades já existentes. Quem está se submetendo aos editais? Quais os critérios de seleção interna nas IES? Penso que a articulação para ampliação dos programas induzidos de pesquisa deve focalizar critérios de efetivo fortalecimento da produtividade de pesquisadores negros e negras, e não só a questão temática, pois o que temos visto em alguns espaços de investimento em extensão com temas afro-brasileiros é a exclusão de pesquisadores negros e negras nos processos seletivos nas poucas possibilidades de acesso à financiamento.

SUGESTÕES 1. Ratificando a sugestão de Xico sobre mapeamento das agências de financiamento nos estados e suas capacidades de financiamentos de pesquisa. Um levantamento sobre quem já submeteu projetos a essas agências e quais os aprovados; Como colocou Wilson em outro momento, considero essencial o fomento e regulamentação da existência de associações de pesquisador@s negr@s locais e regionais, em minha opinião, também como forma de fortalecer a ABPN como uma entidade nacional de todos os estados brasileiros; Fortalecimento da rede com outros países da América Latina, como apontou a Vânia; Consolidação da rede de socialização da ABPN das possibilidades e oportunidades de fortalecimento de negr@s de todo Brasil, evitando assim cairmos na armadilha que o Wilson apontou, de nos tornarmos um grupo na mesma lógica que sempre criticamos nas outras organizações; A ABPN Nacional, em parceria com as regionais e com os NEABs, poderia elaborar um relatório a ser enviado a Capes/CNPq/SESu sobre a defasagem na inclusão de negr@s nas universidades, bem como no campo de financiamento de pesquisa, por estado e região. Lembrando que nossa presença como pesquisador@s de produtividade na maioria dos estados é insignificante e em alguns inexistentes. Para isso a ampliação do cadastro de pesquisadores negr@s das instituições é fundamental. Embora não diretamente ligado a este tema, considero pertinente apontar a importância de manter esses seminários na agenda da ABPN, por exemplo, bimestralmente, ou


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semestralmente.

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS - Instituições de pesquisa e financiamento da América Latina; - Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade; - NEABs - Órgãos de Fomento nacionais e internacionais (CNPq/CAPES/MEC-Sesu/ Outros Ministérios órgãos de Fomento Estaduais e internacionais);

OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME:

ABPN

Renato Nogueira Jr.

Professor da UFRRJ Pesquisador do Grupo AFROSIN

COMENTÁRIO Só gostaria de observar que o adequado é usar "pretos e pardos" (nomenclaturas do IBGE) e que negros é a soma de pretos e pardos no texto aparece "negros e pardos" o que se configura como um uso inadequado dos termos. Portanto, ou se usa a classificação pretos e pardos (negros) ou, apenas negros; porém, o uso de negros ao lado de pardos esvazia todo o debate de promoção das políticas de ações afirmativas.

cordialmente

SUGESTÕES

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NOME:

Instituição:

Rachel de Oliveira

Universidade Estadual de Santa CruzUESC e Coord. do Laboratório de Estudos e Pesquisas para a Educação das Relações étnicorraciais.

COMENTÁRIO - Ousadia e solidariedade O Movimento Social Negro alcançou duas grandes vitórias neste primeiro semestre de 2010, a sede da ABPN e a indicação da Professora Nilma G. Lino para o Conselho Nacional de Educação. Sem dúvida, estamos colhendo resultados da luta política contínua travada por diferentes teóricos, educadores e militantes negros/as, notadamente os que vêm atuando nas últimas décadas. Entretanto, os fatos são também resultados das lutas de ancestrais não acadêmicos, como a maioria de nossos bisavôs, avôs e pais, que mesmo sem entender o significado das diferentes epistemologias, nos ensinaram resistir e avançar, porque acreditavam que o saber dito universal nos colocaria em outro patamar de luta. Cá estamos nós cumprindo nossos desejos e os desejos de nossos ancestrais, mas também da população negra que necessita de respostas urgentes. Nesta perspectiva o compromisso político parece estar acima da ciência. Somos muito “diferente” de alguns pesquisadores e de muitas instituições de pesquisa que atuam no cenário de produção de conhecimento com total respaldo do Estado, das agências financiadoras e da chamada comunidade científica. Contudo forjamos com sucesso a criação dos NEABs e da ABPN, instituições que abarcam concepções teóricas, questões administrativas e de relações de poder muito semelhantes. Considerando que as questões administrativas se resolvem, em grande parte, com o acúmulo de experiências especificas, sugiro duas reflexões e/ou posicionamento para o debate sobre concepções teóricas e relações de poder. No primeiro posicionamento, sobre concepções teóricas, busco a compreensão das ciências na perspectiva de Boa Ventura de Souza que afirma “A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade”, apesar de seus benefícios. Temos, ainda, a considerar que a população negra não desfruta dos avanços científicos e tecnológicos, mesmo a minoria que está na universidade, sobretudo nas localizadas no Norte e Nordeste. As ciências têm ignorado sistematicamente nosso modo de ser e de enxergar o mundo, por isto pretendemos transformá-las e destruí-las, se for preciso. Este é o ponto


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que nos une. O segundo posicionamento que se refere às relações de poder está fundamentado na concepção de Paulo Freire sobre a dialogicidade, descritas na obra Pedagogia do Oprimido (1970). Diz Freire que o diálogo deve ser feito numa relação horizontal, em que a confiança de um pólo no outro é conseqüência óbvia. “A confiança vai fazendo os sujeitos dialógicos cada vez mais companheiros na pronúncia do mundo (78)”. Tenho acompanhado o debate e as belíssimas sugestões enviadas pelos (as) companheiros (as). Penso que este é o momento de confiarmos em nossa capacidade de conviver com os conflitos que não serão poucos, em função da diversidade dos modos de pensar e agir. Nosso grande exercício será não o de não permitir que a nossa capacidade de criar e re-criar se torne um ato arrogante. Freire argumenta que a “auto-suficiência é incompatível com o diálogo (81)”. As perspectivas defendidas por Boa Ventura de Souza () sugerem que devemos buscar caminhos para a construção de novos conhecimentos culturais, políticos, econômicos e outros. O que será possível se os participantes dos NEABs, da ABPN e de outras entidades promoverem diálogos de resistências tão ousados quanto solidários e éticos. Parabéns à professora a professora Eliane Cavalleiro pelo brilhante trabalho que vem desenvolvendo, ao Paulino pela organização dos NEABS, a Nilma L. Gomes que ocupou um espaço importante, no Conselho Nacional de Educação. Parabéns a todos (as) pesquisadores (as) negros (as) que lutaram pela construção destes espaços.

SUGESTÕES

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NOME:

INSTITUIÇÃO: UFT – NEAB Tocantinópolis

FRANCISCO GONÇALVES FILHO

Universidade Federal do Tocantins

(Xico)

COMENTÁRIO TEMA 6: A participação/formação de Pesquisadoras(es) de Iniciação Científica

A Iniciação Científica tem de ser tratada com muito carinho por nossa associação / ABPN. Se somos ou pretendemos ser pesquisadores temos que entender que a experiência da iniciação científica é fundamental na formação inicial no âmbito da academia. Na maioria das instituições de ensino superior (IES), ela se expressa por várias vias vinculadas ou não há programas mais amplos: PIBIC, PIVIC, TCC, Bolsas permanência para pesquisa, entre muitas outras modalidades. Pessanha dá base para sua proposta nas estatísticas sobre a formação de pesquisadores negros, confirmando a tendência geral, anunciada nos dados do perfil dos membros da ABPN, de 2002 e de agora, 2010 com o levantamento em 2009. A proposta apresentada fundamenta a continuidade e criação de novos programas de iniciação científica. Muito importante para todos nós. Concordo. T odavia gostaria de falar que a valorização de programas desta natureza deve ser acompanhada pelo nosso exemplo no momento da exposição de trabalhos de iniciação científica. Explico. Gostaria de levantar aqui uma dificuldade que se tem encontrado no âmbito da maioria das associações educacionais, bem como das IES em congressos científicos internos: a desvalorização por nós pesquisadores dos produtos (da pesquisa realizada e sistematizada), por parte dos acadêmicos em nível de graduação e, portanto, na experiência da iniciação científica. Um exemplo nítido aconteceu em nosso próprio congresso. Quantos dos nosso pesquisadores valorizaram de fato os trabalhos de iniciação científica, ou mesmo de alunos de pós-graduação na modalidade pôster, apresentada no V COPENE? A Coordenação Geral do Congresso passado me confiou a tarefa de coordenar a exposição de pôsteres e, mesmo com uma lista de professores doutores e mestres que


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iriam avaliá-los (a maioria eram trabalhos de iniciação científica), não consegui convencê-los a se dignar ir ao local de exposição para valorizar tais trabalhos. Um pequena parte (conquistada no corpo a corpo) segurou a onda, mas não conseguiu dar conta do todo e vou dizer logo: os colegas de iniciação que lá estavam com seus trabalhos para serem avaliados ficaram chocados com a experiência. E para atrapalhar ainda mais, os horários da exposição, nessa modalidade são sempre momentos desprivilegiados que requerem um super esforço do congressista para conhecerem os pôsteres, em horário de almoço, durante a assembléia da associação, etc …. Quando frequentava a ANPED era assim também e os congressos científicos em minha instituição não se diferem. E na sua? Em geral hierarquizamos os trabalhos e produzimos um comportamento no qual a modalidade que apresenta mais trabalhos é considerada (ocultamente é claro), como trabalho secundário ou sei lá, e penduramos esses esforços em geral em locais bem apertados e com bastante dificuldade de locomoção. Na verdade não são valorizados. E não acho que fazer seleção para premiação dos melhores pôsteres ou comunicações resolvam isto, acho que só pioram a situação, temos sim que valorizar os trabalhos lá expostos, conversando com os expositores, incentivando novas pesquisas, lendo, apontando as dificuldades, etc, etc, mas não ignorá-los como objetos secundários. Pense: qual foi a última vez que você apresentou um pôster? Qual foi a última vez que visitou corretamente vários pôsteres em uma exposição? Parou? Leu? Fez perguntas independentemente se era ou não avaliador? É disto que estou falando e digo mais: são em sua maioria resultados de experiências de iniciação científica. Vamos propor novos programas de iniciação, mas vamos também produzir outros comportamentos de valorização da produção da experiência (em sua totalidade), na ABPN, na ANPED, em nossas instituições e outras mais. Obrigado.

SUGESTÕES Valorizar de fato as produções de iniciação científica que serão expostas nos próximos congressos, com horários e espaços adequados para exposição, visitas dos pesquisadores avaliadores, principalmente na categoria poster, geralmente pouco apreciada pelo conjunto. Não premiarmos pesquisas expostas para não cairmos nas armadilhas da competição entre nós. As pesquisas estão lá, em geral para contribuir para o aprimoramento humano e todas as dimensões que o envolvem, portanto, a própria pesquisa precisa ser aprimorada e não vista como pior ou melhor que a outra. A seleção a partir dos critérios estabelecidos já fora feita para participação no congresso.


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IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS

OUTRAS INFORMAÇÕES RAQUEL EM SEU COMENTÁRIO NOS TROUXE UMA INFORMAÇÃO IMPORTANTE. Que temos a professora Nilma Lino no CNE. Isto poderá potencializar nossa luta e construção coletiva dentro e fora do âmbito da Associação de Pesquis adores Negros. Também aumenta nossa responsabilidade de, no âmbito da ABPN e dos NEAB´s acompanhar as discussões do Conselho e se possível produzir propostas junto a nossa representante. Raquel também nos chama a atenção para os pensamentos de Paulo Freir e e Boaventura Santos, como boas contribuições teóricas para nossas referências nas pesquisas, estudos e interpretações de nossa realidade, sobretudo no que se refere ao poder. Em outro comentário eu havia escrito a necessidade de uma espécie de balanço parcial dos escritos até agora, para valorizar um pouco mais as contribuições, mas principalmente buscar as propostas que foram apresentadas em pontos diferentes para assuntos que vieram depois, enriquecendo ainda mais o seminário. Ou intervenções que forem pinçando elementos presentes em outras falas no qual gostaríamos de destacar, reforçar ou discordar. Destaco ainda a importância do fórum virtual no site da ABPN. O mesmo, nesta data (18/06) ainda não está funcionando. Ele não permite a interação dos temas pois os memos ainda não foram postados lá. Sugiro que o próximo tema seja articulado nas duas formas: na atual, via email e no site para exercitarmos a experiência no AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem (plataforma moodle).


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NOME

INSTITUIÇÃO

Denilson Lima Santos

Faculdade de Ciências Educacionais – FACE – Valença - BA

COMENTÁRIO É oportuno o texto do Professor Eliseu Amaro. Os desafios são grandes e constantes, talvez, possamos dizer, gigantescos. Tenho experimentado em outro município que trabalho as dificuldades de colocar em prática a lei 11.645/08. Quando falamos em cultura negra, ainda existem aqueles que torcem o nariz. Além dessa problemática, encontramos na academia pouco ou nenhum financiamento à pesquisa sobre nós, os negros.

Cabe a nós, pesquisadores da resistência, invadir os espaços acadêmicos e reivindicar a inserção de negros e sua permanência na pós-graduação.

SUGESTÕES Cotas na pós-graduação; Garantia e continuidade de bolsas pesquisas voltadas para população negra.

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS MEC; IES públicas e particulares.

OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME:

INSTITUIÇÃO:

Sônia Mª de J. da Conceição

Fórum de Discussão Permanente Palmas/TO; S'CABI; CCNNC/MA.

COMENTÁRIO 7: A inclusão de pesquisadores(as) autônomos(as) no quadro da ABPN Parabéns ao Juarez da Silva, foi muito feliz e elucidativo nas propostas de inclusão de nov@s pesquisador@s no quadro da ABPN. De fato a possibilidade de vinculação oficial de pesquisadores autônomos aos NEABs e ABPN, abre portas para que a militância (principalmente a com nível superior) e engajada na produção temática, possa acessar facilidades de publicação, financiamento de projetos e até mesmo de acesso a cursos de mestrado e doutorado, que como bem falou Juarez são uma das principais dificuldades para o (a) candidato (a) negro (a) a pesquisador (a) titulado. Acredito firmemente que o VI COPENE será um espaço de discussão e democratização de "saberes negros" assim como "inclusão" também. Ainda usando as palavras de Juarez: "Por mais pesquisador@s Negr@s"! SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Sheila Ferreira Miranda COMENTÁRIO

Doutoranda pela PUC/SP

Pesquisa/Divulgação Meu nome é Sheila Miranda, sou Doutoranda em Psicologia Social pela PUC/SP. Venho trabalhando com a questão racial desde a graduação, através de trabalhos de assessoria em Psicologia Comunitária junto a grupos de militantes negros, material que inclusive foi tema de minha dissertação de mestrado. Meu atual projeto de Doutorado (sob orientação do Prof. Dr. Antônio da Costa Ciampa) tem como idéia inicial trazer, através de algumas contribuições de histórias de vida, trajetórias de Professores Universitários Negros (profissionais da academia). Quero pensar, por via das contribuições da Psicologia Social, tanto as direções do processo identitário destes sujeitos quanto as possíveis contribuições, partindo de suas vivências, para a luta do anti-racismo acadêmico. Diante disto, peço ajuda à comunidade da ABPN, no sentido de divulgação do meu projeto, ou indicação de possíveis sujeitos, tendo em vista que estou com dificuldades de encontrar pessoas dispostas a colaborarem com suas histórias de vida, para a realização deste trabalho. Agradeço desde já atenção de todos os associados. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES Para maiores esclarecimentos sobre o projeto e sobre meu trabalho enviar e-mail para: sheilaze@gmail.com .


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NOME: FRANCISCO GONÇALVES FILHO (Xico)

INSTITUIÇÃO: UFT – NEAB Tocantinópolis Universidade Federal do Tocantins

COMENTÁRIO TEMA 7: A inclusão de pesquisadores autônomos no quadro da ABPN O Estatuto da ABPN pode ser acessado no site. A leitura de Juarez estimula a nossa e a reflexão sobre a questão dos pesquisadores da ABPN, autônomos ou não. A letra “P” de nossa sigla nos dá a especificidade da associação: pesquisadores (as). Vem as perguntas: O que é pesquisa científica? Quem faz pesquisa? Qual o critério que define uma pessoa ser pesquisadora ou pesquisador? O título seria a chancela para ser pesquisadora ou pesquisador? Doutor? Mestre? Especialista? Graduado com Bacharelado? Licenciado? Ou a experiência com pesquisa independentemente do título que carrega? Ou tudo isso e outras possibilidades correlatas abarcando maiores possibilidades de pesquisadores? Outras questões: O “N” - Negros. Pesquisadores negros. São negros que pesquisam? São negros que pesquisam a realidade dos negros? São pesquisadores (negros ou não negros) que pesquisam a realidade dos negros? São negros pesquisadores de qualquer objeto investigativo? O debate está colocado, pelo menos virtualmente. E a solução não é tão simples pois embora as falas caminham para um ideal de associação – pesquisadores negros que investigam qualquer objeto no âmbito das ciências (assim tomaríamos todas as áreas existentes), a estrutura do próprio COPENE (seus eixos), o último levantamento do perfil dos associados, etc, demonstram que caminhamos em sentido contrario, para um estreitamento dessa definição. Mas vamos a algumas contribuições pontuais no texto do autor: Sobre as indefinições estatutárias. Acho que caberia uma sugestão a título de contribuição. Após mais alguns debates e sugestões no âmbito dos congressos, proponho elaborarmos um Regimento Geral, uma espécie de normativa que regulamenta as diretrizes mais gerais do estatuto. Aí sim teremos que decidir sobre essas questões. Quanto ao sócio honorário, poderíamos criar uma comissão ou algo parecido, coordenada por um dos diretores da ABPN para estudar os processos de solicitação e dar pareceres favoráveis ou não aos candidatos. Isso também cabe regulamentação, como sugerido acima. Concretamente teríamos algum nome sendo indicado?


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Ao final do texto, depois de uma bela referência ao uso das tecnologias da informação e da comunicação na dinamização da ABPN (no qual concordo plenamente), vem uma defesa dos cursos de pós graduação stricto senso (mestrado e doutorado), na modalidade EaD (no qual já não tenho concordância). Acredito ser necessário maior debate entre nós. Não acho que as dificuldades de implementação tem sido somente dos setores reacionários. Não acho também que esta forma - EaD seria então a solução para formação de novos pesquisadores negros (titulados). Obrigado.

SUGESTÕES Criarmos um Eixo ou GT no âmbito da ABPN e portanto com expressão nos COPENES a respeito das Tecnologias e Educação, com foco na EaD, para debatermos e investigarmos as possibilidades destes recursos aplicados à formação inicial na graduação e pós. Criarmos um Regimento Geral para normatizar as implementações basedas no estatuto, mas incompletas do ponto de vista normativo. Normatizar a criação de comissão presidida por um membro da diretoria da ABPN para dar parecer em solicitações para sócio honorário e sócio pesquisador autônomo. IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES O fórum virtual no site da ABPN está em construção. Provavelmente não será prudente de nossa parte abandonar essa forma que está funcionando bem aqui (via email), para alimentar esse debate exclusivamente lá. Pois ainda carece de elementos de configuração, embora já permita nossa inserção no item 1. Então sugiro aos comentadores que façamos, no último tema (8), próximo, aqui no email e lá no site as mesmas discussões, copiando e colando ou recriando a discussão, pois como estamos terminando, acho que não poderíamos perder essa oportunidade. Assim, sugiro aos coordenadores deste forum que postem o texto 8 nos dois sistemas e vamos ao último debate.


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NOME

INSTITUIÇÃO

João Batista de Jesus Felix

UFT – TO; NEAB/TO-Toc

COMENTÁRIO (Idéias centrais e problemáticas - até 15 linhas) Precisamos ser bastante criterioso em decidir o que é ser pesquisador, nada contra militantes políticos, até porque vários de nós, eu sou um deles, exercemos as duas funções. Pesquisa é desenvolver um trabalho eminentemente intelectual. Precisamos delimitar o espaço de cada um. Entre nós do movimento negro existe uma prática de se evitar separação entre os campos de atuação, na tentativa, o que acaba resultando em confusão, que não beneficia ninguém. O Movimento Negro político está percebendo a necessidade da instituição de “fronteiras”, neste sentido, no Encontro Nacional de Entidade Negra está estabelecida o que é entidade negra e o que não. Está posição não é nenhuma forma de preconceito, pois a ABPN existe porque os negros que optaram pela vida de pesquisadores sentiram a necessidade de criar um espaço para poderem melhor se situar nesta conjuntura. Militância política é um espaço sócio-político que, repito, alguns de nós fizemos, e lá não somos destacados como pesquisadores, e assim deve continuar sem qualquer problema. SUGESTÕES (Pontuação de tópicos com desafios, prioridades e intervenção nos pontos considerados deficientes e/ou inexistentes - até 10 sugestões)

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Nilo Rosa

Univ. Estadual de Feira de Santana Associação de Pesquisadores Negros da Bahia

COMENTÁRIO Caras Pesquisadoras e Caros Pesquisadores, Parabenizo os diversos participantes. Gostaria de dialogar com todos, pois realmente a qualidade das contribuições fazem jus aos espaços que deveriam ocupar na produção de ciência neste país. Nesta impossibilidade, organização minha contribuição em três partes tentando abranger alguns aspectos que achei fundamental. Preferindo correr o risco de cometer algumas falhas, dividi estes comentários em “leituras”, quem somos, produtividade e organização. No primeiro, inclui as analises dos intelectuais que abordam aspectos gerais de nossa instituição. No segundo, dialogamos, procurando nos situar enquanto sujeitos. No terceiro destaque a produtividade, tema sempre recorrente no debate entre pesquisadores-militantes. No terceiro abordo aspectos gerais de nossa organização. Leituras Profa. Marluce Macedo, destaca que “Dessa forma, nossa tarefa além de enorme, nos traz as angústias e problemáticas dessa ação/construção pioneira, inédita na lógica das “nossas” academias – é preciso enfrentar o leão, estando dentro dele – entendendo e revelando todas(os) nós como sujeitos, e como sujeitos temos que fazer as escolhas possíveis para nós, enfrentar os embates, tecer os diálogos, assumir c ompromissos, construir redes de solidariedades e acordos. Ai devemos destacar a aspeação de “nossas” em referencia as academias, pois destas nos foge a propriedade. Mas destaco na contribuição da professora o destaque as “redes de solidariedades”, pois a solidariedade é nosso patrimônio maior. As analises de Prof. Francisco Gonçalves são pertinentes, concluindo que os interesses acadêmicos ainda prevalecem na ABPN, isto é fundamental porque somos uma associação acadêmica com uma particularidade de também sermos política. Alias, todas associações, principalmente aquelas “chapas brancas” também são políticas. Nossa peculiaridade que somos políticos no combate à discriminação que é pratica estruturante das chapas brancas, aí nossa dificuldade. A Profa. Ana Claudia caracteriza bem: “somos alijados historicamente dos cânones científicos “produtores de verdades”, como ;CAPES, CNPQ, ANPOCS ANPH, ABA, ANPED e outras...” Para corrobora a exata colocação da Profª., vou narrar o que me


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ocorreu num desses eventos dos “cânones cientifico”. Candidatei-me com um texto, um ano após concluir odoutorado, na Sorbonne, como todos sabem. Pasmem! Fui classificado para apresentação de pôster. Primeiramente pensei em não ir, pois entendia que deveria ter havido alguma confusão, mas fui aconselhado a comparecer pois trava-se de um dos eventos científicos mais de entidades mais produtiva do pais. Em La chegando, verifiquei que realmente não se tratava de confusão. Pensei, então, que a mesa deveria ter trabalhos inovadores e de primeiríssima qualidade, e, lógico, meu trabalho não estaria a altura dos demais. Minha maior surpresa foi que na mesa tinha um doutorando com um tema que era muito próximo do meu. E de forma geral os tais cânones científico não haviam preparado num trabalho, falavam apenas generalidades. Mas, isto é importante, deviam ser produtivos, pois eram das principais academias do pais. O Prof. Jaime Amparo coloca o dedo na ferida na qual devemos nos debruçar para contribuir para tirar o país do atraso em produção de conhecimento cientifico. Diz o Prof. “Como a ABPN pode fazer a diferença e ao mesmo tempo garantir a validação da Academia”. Mas é o próprio professor que responde, depois de caracterizar com precisão a academia como “esquizofrênica que insiste na dicotomia simplória entre ciênciasubjetividade-política. Conclui Jaime: “O fortalecimento das associações regionais e a busca de parceiros estrangeiros pode ser caminhos a serem trilhados.” Neste caminho apontado pelo Prof., está chave. Com associações regionais fortes, articulação internacional, poderemos transpassar o famoso “teto de vidro”. Não acredito que, salvo migalhas, os órgão de fomento nacionais mudaram suas políticas em relação às demandas da comunidade negra, seja ela científica, como somos nos, ou políticas como tantas outras que militamos ou conhecemos. Somente com pressão internacional nossa elite admite negociar. Afinal, a pressão da Inglaterra foi importantíssima para a fim da escravidão, obstaculizada pelos cafeicultores paulista, ancestrais de nossos maiores opositores encastelados nas principais universidades brasileiras. Isto por que não acredito que se produza ciência apenas em âmbito nacional, globalização precisa arrombar os currais nacionais. O debate sobre o modelo : somos uma instituição acadêmica ou política. Esta é uma resposta difícil. Acredito que ABPN deve ser uma organização política-acadêmica, defendendo os interesses dos pesquisadores negros em todos os espaços nacionais. O mesmo papel teria as associações estaduais, defendendo os pesquisadores negros no âmbito dos estados. A defesa iria além da esfera acadêmica. Pois existem casos que só recorrendo a justiça comum podemos dar visibilidade a exclusão que somos objeto nas Universidades. Exemplifico com dois casos onde os pesquisadores ficaram sós. Um foi um professor mais produtivo que seus concorrentes mas foi aprovado em segundo ou terceiro lugar com base no memorial. Outra foi uma professora que foi reprovada embora fosse a única inscrita. Ambos os casos deveriam sofrer interpelação judicial com apoio das Associações. Este papel não impediria o natural papel acadêmico, isto é realizar congressos, editar revista etc. Quem somos nós A Profª. Petronilha coloca : que outros pesquisadores, nãonegros podem ser ou já são parceiros? O que os próxima de nós? O que nos afasta de outros pesquisadores, notadamente dos que nos tomam com objeto de estudos, mas nos


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desprezam enquanto pessoas cidadãs? Roberto Borges: “ independentemente da quantidade de melanina, a associado é para aqueles que defendem(e não digo apóiam, defendem) nossas causas e reivindicações”. Concordo, acredito que devemos estar abertos a todos os segmentos étnicos que podem contribuir para o avanço de nossa luta. O Prof. João Batista trás uma questão importante, quando nos informa dos Encontro de Negros realizados no sul/sudeste. “acabamos percebendo que muitos só iam nos encontros e apresentavam propostas mirabolantes e depois retornavam no ano seguinte cobrando que suas proposições não terem sido colocado em pratica”. Isto é, eram apenas militantes. Isto é o que nos diferencia, somos militantes e acadêmicos; temos que apresentar resultado: resumo, textos completos, anais, pois sem isto não somos produtivos. A pesquisadora Neide dos Santos, nos informa “sou mulher, negra, e com 63 anos. Minha dificuldade em continuar minha pesquisa é maior. Academia nenhuma aceita alguém nessa condição. Ela tem razão, pois nossas academias selecionam, primeiramente pelo fenótipo depois pela produtividade e qualidade. Parabenizo pela sua meticulosa leitura do Relatório e concordo que a ausência de áreas mais “duras” tornariam nossa associação mais plural. Nos dois congressos que realizamos envidamos enormes esforços para trazer estes pesquisadores, logramos êxito parcial, acre dito que devemos continuar esta luta.

Produtividade Prof. Kabengele “vamos ser objetivos, examinando atentamente as relações que existem entre os organismos de fomento e financiamento à pesquisa como CAPES, CNPQ etc.. e as associações de gênero como ANPOCS, ANPED ABA ANPHU, etc.. para pedir uma igualdade de tratamento igualdade essa que exige que tenhamos uma produtividade razoável.” Sem duvida o Prof. Kabengele tem razão, precisamos o observar atentamente a relação entre tais órgãos com as citadas associações, pois além da pr odutividade apresentada, acredito que existe uma identidade étnica entre os pesquisadores destas associações e os burocratas-pesquidadores destes órgãos, esta identidade étnica, muitas vezes é mais importante do que a produtividade em tela. Profa. Renisia “ainda não tem recursos e nem uma produtividade técnica consolidada como outras antigas para que tenha poder de pressão junto às agencias de pressão”. Nos cinco congressos que construímos, por nossa conta e risco - sempre apoiados basicamente por órgãos públicos -, produzimos um elevado número de textos, artigos que estão a maioria deles registrados em nossos anais, esperando que sejam transformados em livros e publicados, caso tenhamos recursos. Temos consciência que não é a questão da produtividade que nos impede de ter acesso aos órgãos de fomento. Alias a tal produtividade, que tem seu modelo institucional consagrado na bolsa produtividade do CNPQ, merece alguns comentário. Tenho conhecimento de muitos pesquisadores, embora extremamente produtivos, não tiveram seus pleitos aceitos. Outros igualmente


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produtivos só tiveram seus pleitos aceitos, depois que protegidos,branco, do sistema tiveram seus pleitos aceitos. O Prof. Claudio Rodrigues afirma “ é imprescindível a discussão em torno do modelo de financiamento da pesquisa no Brasil. Concordo plenamente. O modelo atual atrasa o país, concentrando quase 80% dos recursos em acadêmicas internacionalmente improdutivas. O modelo tem de ser rediscutido na perspectiva de desconcentração com reparação política do Norte de Nordeste. Com mais recursos, nos Nordestino poderemos mostrar nosso potencial e contrariar o velho ministro, não transformando dinheiro em capim. Não só o modelo de financiamento deve ser repensando. O modelo de autorização para funcionamento de cursos de pósgraduação deve ser totalmente modificado. Pois o modelo atual esta base de todas as desigualdades reg ionais de produção de ciência e tecnologia. A autorização para criação de curso deve ser descentralizada, cabendo as agencias nacionais apenas o papel de repassadores de cursos, mas sempre com base na reparação da histórica injustiça ao qual o Norte e Nordeste estamos submetidos.

Organização Prof. Carlos Benedito: A título de sugestão, penso que seria importante uma articulação institucional com o Consórcio Neabs. Ao mesmo tempo, definir o papel das associações regionais, de que forma elas poderiam contribuir com o fortalecimento da ABPN nas respectivas instituições acadêmicas. Seria importante também, uma definição sobre as relações Prof. Wilson Mattos: “Estou absolutamente convicto dos perigos de a ABPN instituir-se como uma “grande” associação nacional, nos moldes daquelas associações acadêmicas que nos conhecemos.” – as aspas são do autor, mas o negrito é nosso -. De fato, a única forma de não cairmos na ardilha que o prof., alerta é nos constituirmos em uma associação nacional, articulada nos espaços democrática e aberta. Ainda o Prof. Wilson : Certamente uma avaliação dos erros e acerto de algumas delas(...) poderá iluminar os nossos próprios caminhos, nos auto-inscrevendo na linha da continuidade de uma tradição e critica intelectual e política negra, que articula produção de conhecimento, formação, difusão e militância anti-racismo. Com efeito, o trabalho em mundos tão diferenciados, como o da militância anti-racismo e acadêmico é um elemento que deve nortear a consolidação da APNB e das Associações regionais. Concordo com o Prof. Wilson quando ele afirma: “a ABPN deve fomentar e regulamentar a existência de associações de pesquisadores negros estaduais e regionais... com a mesma missão estratégica, acadêmica e política. Com estes procedimentos estaremos lançando as bases nacionais de uma organização política acadêmica. Profa. Vânia Beatriz sugere “formar alianças com latino-americanos”. É fundamental, pois assim estaríamos dando uma nova conotação, ao olhar que os pesquisadores conservadores sempre deram, qual seja uma olhar míope para a Europa. Para viabilizar esta sugestão deveríamos nos associar a instituições latino-americanas. Profa. Andréia Lisboa “Não podemos deixar de considerar que os integrantes da diretoria,


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tanto da ABPN nacional quanto das estaduais, são professores universitários sobrecarregados com tarefas departamentais, familiares e de ativismo político, o que dificulta uma atuação mais consistente no campo da gestão institucional... “. De fato, estas tarefa tornam mais difícil o trabalho de gestão, mas recorro novamente ao prof.Wilson Mattos “é preciso aliar militância acadêmica com militância-academica-antiracial “. Isto é, somos,nos pesquisadores que construímos nossas associação acadêmicas, antes de tudo militância e a militância requer sacrifícios. Profa. Andreia Lisboa: “A verdade é que a formação de uma rede transnacional negra t em se dato a revelia das iniciativas oficiais de apoio como historicamente tem recebido @s branc@s”. De fato, basta ver quais são os pesquisadores que levam os editais para pesquisas na áfrica. Profa. Sonia diz :“só não concordo quando ele (Nilo Rosa) diz que defende o não pagamento de mensalidades ou anuidades. Precisamos sim, contribuir, para no mínimo nos visibilizar”. De fato, a contribuição é importante, mas é impossível a viabilizar na prática. Pelo fato de ser Auditor da Receita Federal, já fui tesoureiro do Partido dos Trabalhadores em Salvador e do Movimento Negro Unificado de Salvador. No primeiro, apesar da obrigação legal, os companheiros só contribuíam em vésperas de disputas internas. No segundo, apesar alta consciência que se presume nesta organização, os irmãos e irmãs quando cobrad@s, se achavam importunados e afirmavam que já davam demais para a entidade. Por isso, Profa., minha convicção empírica de que em nosso caso cobrança de mensalidade é impossível. Temos que encontrar outras formas. Concordo com sua sugestão de estreitarmos nosso vínculos com os grupos de consciência negra. O Prof. Francisco afirma : ... somente no estado da Bahia temos a experiência de associação estadual, que, parece-me independente totalmente da ABPN. Caro Prof. Francisco, primeiramente, devemos informar que nossa Associação aqui na Bahia é uma seção da nacional, como consta em nossa “site”: “HISTORICO - A ASSOCIAÇÃO DE PESQUISADORES NEGROS DA BAHIA – APNB, seção baiana da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, fundada em 06 de novembro de 2004, é uma associação civil, sem fins lucrativos e que se destina à defesa e divulgação de pesquisas realizadas, prioritariamente por pesquisadores negros, sobre temas de interesse direto das populações negras e todos os demais temas pertinentes à construção e ampliação do conhecimento humano...” O vínculo institucional só não está em nosso estatuto pelo fato de a ABPN não ter em seu estatuto previsão para a criação de “estaduais”. Em todas as nossas atividades, fizeram-se presentes nossos dirigentes nacionais. Pois entendemos que não deve haver divisões nem disputas entre os excluídos. A Profa. Claudia Rocha sugere que tenhamos “auto – sustentabilidade”, acho que o caminho é este. Cobrar mensalidade é impossível. Cobrar anuidade, acredito possível para participação dos evento, desde que não seja escorchantes, pois neste caso poderão inibir a participação. O Prof. Paulino afirma: “tenho muitas dúvidas sobre a existência de organizações estaduais. Creio que elas surgiram frutos, antes de mais nada, da falta de capacidade operacional das administrações da ABPN. Entendo que a tendência no


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sentido de fortalecer a ABPN, é a criação de Núcleos Regionais, como é o caso da NR da Associação Nacional de historia”. Precisamos discutir qual a capacidade operacional que uma associação nacional teria para impor uma organização dos intelectuais baianos. Acredito, exatamente no contrário, que a “Baiana” é fruto exatamente da dinâmica da “Nacional”. Outras não apareceram um função das peculiaridades locais. Mas pelo fato de sermos majoritários na Bahia sentimos o preconceito de maneira mais forte, por isso a necessidade de nos organizarmos. O Prof. Paulino Sugere o modelo da ANPUH. Temos a semelhança em nossas problemáticas: militância acadêmica, necessidade de produção acadêmica e as problemáticas dos eurointelectuais que hegemonizam esta e outras corporações semelhantes? Não temos. logo devemos procurar soluções criativas e próprias. Por isso, insisto se tivermos 25 associações estaduais sairemos da invisibilidade, não para estas corporações ou para seu financiadores, mas para a população negra brasileiro e com arrojo para organizações de financiamento internacionais. Explico. Realizamos dois congressos, nos quais tivemos em torno de mil participantes, mais ou menos 600 na Universidade Federal da Bahia em 2007 e mais ou menos 400 na Universidade Estadual de Feira de Santana em 2009. Produzimos nossos anais, com numero de ISBN. Distribuímos certificados, qualificando nossos intelectuais. O que é mais importante, divulgamos nossos trabalhos. No I Congresso de Pesquisadores Negros da Bahia – I CBPN, tivemos apoio da FAPESB, da Fundação Pedro Calmon, das Universidades Estaduais e da Universidade Federal da Bahia e também da Faculdade 2 de Julho, da FAC E. No II Congresso de Pesquisadores Negros da Bahia - II CBPN, tivemos delegações do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e até da Colômbia. A Profa. Anna Lucia afirma a APNB “deverá construir pontes também para o relacionamento e seu fortalecimento com o setor publico e privando, pois é a onde a teoria tem a oportunidade de se por a prova e virar serviços e produtos”. Este é um importante caminho que podemos seguir para resolver a questão financeira que inquieta a todos. Mas não acredito, como acredita a professora no “efeito psicológico positivo” das contribuições para a sensação de pertencimento. O Prof. Álvaro Roberto precisa o caminho que indicamos, dizendo, “talvez estes possa ser um caminho adequado do ponto de vista da multiplicação das ações voltadas ao crescimento dos pesquisadores e pesquisadoras no território nacional com acesso amplo as agencia de fomento e pesquisa e tecnologias”. De fato, com a ABNP sendo protagonista na proposição de ações em cada estado será mais fácil conseguir apoio das agências, uma vez que estaremos em cada estado apoiado por uma nacional que terá mais vinte e tanto lhe dando legitimidade. O Prof. João Batista sugere a “possibilidade de reformar o estatuto inserindo as bases estaduais da associação”. Entendo que ela é desejável. Não como representação como você em seguida sugere, mas como seções da nacional como nos colocamos aqui na Bahia. Não vejo como os NEABs podem estar vinculados oficialmente a ABPN, estaríamos mais uma vez tentando copiar o modelo de vinculo que os


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cursos de pós-graduação tem com as corporações nacionais” – ABA, ANPUH, ANPOCS etc. Por exemplo, na transformação do CEAO em instituto, abriu-se a possibilidade, com previsão no estatuto da UFBA, de participação de entidades da sociedade civil no conselho consultivo. Nosso vinculo institucional com o ICEAO estaria em ter assento neste conselho. O mesmo modelo poderia ser seguido por outros NEABS, caso os estatutos das universidades onde estão instalado permitissem.

Nilo Rosa SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Juarez C. da Silva Jr.

AFROAMAZONAS- Manaus

COMENTÁRIO Primeiramente agradeço a tod@s pelos comentários a meu texto no tema 7. Aproveito para parabenizar a Profa. Joselina pelo excelente texto que comunga da mesma essência do tema por mim apresentado; precisamos buscar na energia dos militantes do MN afeitos à produção temática, um “reforço” para as fileiras dos reconhecidos pesquisadores negros, é um fomento de duas vias pois reforça a militância ao mesmo tempo que impulsiona a pesquisa. Por falar em “reforçar” aproveito para indicar a quem interessar, a minha monografia da especialização, um trabalho “pioneiro” na integração das temática EAD (Educação a Distância), estratégias de desenvolvimento e Ações Afirmativas de recorte étnico-racial, em um contexto do global ao regional : A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO. Um breve relato e reflexões sobre experiências exitosas e possibilidades Disponível em: HTTP://blogdojuarez.amazonida.com/monografia_EAD_juarez.pdf

SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Maria das Dores Almeida COMENTÁRIO

Instituto de Mulheres Negras do Amapá

Texto Apresentação - Eliane Cavaleiro

Brilhante a idéia de fazer o texto inaugural expondo um quadro geral dos últimos dois anos da APBN, nele se percebe a transparência, seriedade na condução dos trabalhos da atual diretoria. O texto passa de forma tranqüila todo processo de conquistas e desafios da atual gestão, permitido a quem o lê se sentir parte desta construção mesmo sem ter vivenciado estes momentos.

SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME

INSTITUIÇÃO

Eliseu Amaro de Melo Pessanha

Especialista em EaD - UNB

COMENTÁRIO Quero parabenizar a Andréa Lisboa pelo texto sobre a Articulação Internacional. É lamentável ver como o paternalismo racista tenta afastar os pesquisadores e professores negros da gestão de projetos e recursos de organismos internacionais. É claro que com o crescimento da agenda acadêmica negra o incômodo começa a ficar mais evidente, a formação de uma elite negra pensante se articulando dentro e fora do país vai interferir e muito na produção do conhecimento nacional, e isso é apenas o começo. Gostei também das sugestões, Andréia, será uma boa oportunidade discuti-las durante a VI COPENE. Abraços, Eliseu Amaro SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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NOME Karina de Araujo Dias

INSTITUIÇÃO

COMENTÁRIO Penso ser interessante discutir sobre a visibilidade das pesquisas acadêmicas desenvolvidas com foco na temática racial e nos espaços de discussão que propiciem o fortalecimento da luta antirracista nos meios institucionais.Tenho observado com olhos atentos o acirramento de alguns debates marxistas que deslocam a temática racial para o plano pós-moderno e, portanto nessa ótica, qualificando-o como despolitizado e descomprometido com as transformações sociais. Precisamos fortalecer teoricamente o debate nos meios acadêmicos/institucionais pontuando o compromisso político e social em favor da Educação para as relações etnicorraciais como elemento de luta e enfrentamento das contradições sociais, bem como inserida na perspectiva de construção de uma contra-hegemonia do pensamento eurocêntrico. SUGESTÕES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS OUTRAS INFORMAÇÕES


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ANEXO I – PROGRAMAÇÃO

Seminário 10 anos de ABPN I Seminário Virtual da ABPN: Seminário Estratégico de Fortalecimento Institucional da ABPN Apresentação O tema geral do Seminário Estratégico de Fortalecimento Institucional da ABPN converge para o cumprimento dos objetivos e da missão da ABPN, especialmente no que diz respeito à promoção e fortalecimento da participação de pesquisadores negros – mulheres e homens. O objetivo principal consiste em gerar um debate amplo com as(os) associadas(os), buscando refletir sobre novos paradigmas, marcos de análises, e distintas visões sobre o contexto atual da ABPN e sua perspectiva de futuro. Desejamos que o seminário nos permita repensar prioridades e estratégias de atuação. Esperamos que esse se constitua como o inicio de um processo que nos permita desenhar a próxima Assembléia Geral da ABPN, a ocorrer no VI Copene, julho de 2010. Objetivos 1) Possibilitar um debate sobre a ABPN, objetivando a construção de uma análise de conjuntura com vistas ao presente e futuro de nossa Organização. 2) Identificar ações/práticas necessárias para o fortalecimento institucional da ABPN, bem como as estratégias para sua consecução. 3) Trocar visões estratégicas sobre o desenvolvimento de pesquisadoras(es) negras(os), sobre o fortalecimento dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, no diálogo com a Academia e agências de fomento a pesquisa. Público alvo Pesquisadoras(es) filiadas(os) à ABPN METODOLOGIA O seminário terá 4 coordenadores, responsáveis pela organização e andamento do seminário, que, ao final, apresentará um relatório sistematizado do debate, a ser publicado no site da ABPN. O seminário está organizado em 5 temas. Cada tema terá um (1) texto introdutório, apresentado por autor convidado(a), cujo propósito é desencadear o debate e a reflexão sobre cada tema, bem como sobre suas implicações e seus desafios. Cada tema terá: a) Um (1) autor convidado - expoente, que será responsável pela elaboração do texto introdutório (de 2 a 10 páginas) que servirá de base para a discussão.


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b) Um moderador/moderadora, que terá o papel de organizar os comentários recebidos e enviá-los para a lista dos inscritos. c) Sistematizadores(as)/sistematizadores(as), que serão responsáveis pela sistematização das informações e sugestões, e posteriormente apresentarão os dados à coordenadora do evento. d) Dos inscritos/inscritas espera-se que colaborem com comentários e opiniões a cerca das temáticas apresentadas. Metodologia de recebimento e envio de comentários A execução de cada tema se dará com a apresentação do texto introdutório que será enviado, via e-mail, a todas as(os) inscritas(os) no seminário. Após esse processo os(as) inscritos(as) terão o prazo de até 5 dias para efetivar sua participação por meio de comentários e opiniões, que deverão ser recebidos pelos(as) moderadores(as). Posteriormente, estes comentários serão direcionados para todos(as) os (as) inscritos (as), ao final de cada tarde. Ao final do quinto tema, todo o material será sistematizado, culminando na elaboração do relatório final. Dinâmica para cada temática I – ABERTURA - Carta de apresentação – Coordenadora do Seminário e da Presidente da ABPN II – ABERTURA DOS TEMAS TEMA 1 – ABPN – perspectivas administrativas e políticas da gestão 2008-2010 política Perspectivas sobre o tema: balanço sobre as ações empreendidas no biênio 20082010, apresentando as dificuldades, os avanços e perspectivas futuras. Expoente: Eliane Cavalleiro (ABPN, DF) Moderador/Sistematizador: Raquel de Souza (ABPN, SP) e Wilma Baía Coelho (UFPA, PA) Tempo para o debate: 14 a 18 de maio  Texto de abertura – 14 de maio  Envio dos comentários: 14 a 18 de maio TEMA 2 – ABPN e o diálogo com as Associações Regionais – O que fazer para mantermos a unidade na diversidade? Perspectivas sobre o tema: apresentação de questões estratégias, dificuldades e aspectos positivos no diálogo com as associações e representações regionais.


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Expoente: Nilo Rosa (UEFS, BA) Moderador/Sistematizador: Claudia Rocha (CEPAIA, BA) e Renata Rocha (UNB, DF) Tempo para o debate: 19 a 24 de maio  Texto de abertura – 19 de maio  Envio dos comentários: 19 a 24 de maio TEMA 3 – ABPN e Conneabs – Uma articulação imperiosa Perspectivas sobre o tema: análise sobre as ações empreendidas pelo Conneabs e sobre as possibilidades de atuação conjunta do Conneabs, Neabs e ABPN para fortalecimento mútuo das instituições. Expoente: Paulino Cardoso (UDESC, SC) Moderador/Sistematizador: Deborah Santos (CCN-UNB, DF) e Hayanna Carvalho-Silva (CCN-UNB, DF) Tempo para o debate: 25 a 30 de maio  Texto de abertura – 25 de maio  Envio dos comentários: 25 a 30 de maio TEMA 4 – A ABPN e a articulação internacional Perspectivas sobre o tema: análise sobre a construção de parcerias internacional, com o objetivo de fortalecer, estimular e/ou criar programas de intercâmbios entre professores(as) e estudantes, bem como a realização de publicações e pesquisas. Expoente: Andréia Lisboa de Souza Moderador/Sistematizador: Jaime Amparo (Universidade do Texas, EUA) e Anna Lúcia Florisbela (Universidade Las Palmas, Espanha) Tempo para o debate: 31 de maio a 5 de junho  Texto de abertura – 31 de maio  Envio dos comentários: 31 de maio a 5 de junho


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TEMA 5 – ABPN e as agências de fomento Perspectivas sobre o tema: Discutir sobre a necessidade de articulação pró-ativa com agências de fomentos, em nível federal, estadual e municipal, além de pensar estratégia de desenvolvimento e consecução das ações e projetos necessários para o fortalecimento da ABPN, NEABs e pesquisadores(as) negros(as). Expoente: Moisés Santana (UFRPE, PE) Moderador/Sistematizador: Rosenilda Sant’anna (SEERJ, RJ) e Renata Cardoso (ABPN, DF) Tempo para o debate: 6 a 11 de junho  Texto de abertura – 6 de junho  Envio dos comentários: 6 a 11 de junho TEMA 6 – A participação/formação de Pesquisadoras(es) de Iniciação Científica Perspectivas sobre o tema: Analisar as especificidades das(os) jovens pesquisadoras(es), sugerindo ações e projetos para o seu desenvolvimento e fortalecimento no espaço acadêmico, bem como sua atuação na ABPN. Expoente: Eliseu Peçanha (UNB, DF) Moderador/Sistematizador: Luciana Lopes Maciel (UNB, DF e Luciane Reis, UFBA, BA) Tempo para o debate: 12 a 17 de junho  Texto de abertura – 12 de junho  Envio dos comentários: 12 a 17 de junho TEMA 7 – A inclusão de pesquisadores(as) autônomos(as) no quadro da ABPN Perspectivas sobre o tema: Analisar a conjuntura e pensar medidas para a participação de pesquisadores(as) autônomos(as) em consonância com o Estatuto da ABPN, caracterizando quem são os(as) pesquisadores(as) autônomos(as) Expoente: Juarez Silva (a confirmar) Moderador/Sistematizador: Elizabeth Fernandes de Souza (SEEP, SP) e Iraneide Soares (ABPN, PI)


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Tempo para o debate: 18 a 23 de junho  Texto de abertura – 18 de junho  Envio dos comentários: 18 a 23 de junho TEMA 8 – A ABPN e os movimentos sociais negros Perspectivas sobre o tema: Analisar a parceria estabelecida com os movimentos sociais negros, pensando possibilidades futuras de projetos e ações conjuntas. Expoente: Joselina da Silva (UFCE, CE) Moderador/Sistematizador: Lorena Cristina Araújo (Imena, AP) e Andréia Lisboa de Sousa (Universidade do Texas, EUA) Tempo para o debate: 24 a 28 de junho  Texto de abertura – 28 de junho  Envio dos comentários: 24 a 28 de junho Sistematização do Seminário Coordenador Geral – Wilma Baía Coelho, Tania Muller, Raquel Luciana de Souza, Eliane Cavalleiro e Moderadores(as) Divulgação do relatório – 15/07

Processo de inscrição O I Seminário Virtual da ABPN terá duração de 44 dias com início no dia 14/05 e término previsto para o dia 28/06. Poderão participar aqueles(as) que são sócios (as) da ABPN. Os(as) associados(as) que se encontram com a anuidade em dia automaticamente serão inscritos(as) nesse Seminário. Os(as) demais interessados(as) em participar deverão enviar mensagem o e-mail abpn@apnb.org.br no período de 11 a 12/05 de 2010. No dia 13/05 no site a ABPN será apresentada a lista com os inscritos. Não serão aceitas inscrições posteriores a data indicada.


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ANEXO II – CARTA DE BOAS VINDAS

Bom dia a todas(os)!!

Envio-lhes algumas informações sobre o Seminário virtual – ABPN 10 anos – Seminário de Fortalecimento institucional que ocorrerá de 14/05 a 28/06.

O seminário constitui um espaço democrático de discussão entre associadas e associados que objetiva refletir sobre novos paradigmas, marcos de análises, e distintas visões sobre o contexto atual da ABPN e sua perspectiva de futuro. Ao final, busca-se coletar e sistematizar informações, diagnósticos e informações que permitam a todas(os) nós construirmos de maneira participativa e respeitosa críticas e sugestões a serem consideradas na próxima Assembléia Geral da ABPN, a ocorrer no VI Copene, em julho de 2010. Andanças. Os objetivos e programa do seminário encontram-se anexados á mensagem.

Algumas questões práticas que queremos destacar:

Todas as associadas(os) à ABPN foram automaticamente inscritas(os) no seminário virtual e integram a lista do seminário e receberão o texto de abertura de cada tema, bem como a contribuição de cada associada(o). Contudo, a lista será moderada de modo a organizar o envio de materiais de forma o mais sistemática possível. As/os mensagens serão encaminhadas em blocos ao longo do dia, por um endereço de email exclusivamente criado para esse fim. As mensagens recebidas até as 18h serão reenviadas no mesmo dia. Posterior a esse horário, elas serão encaminhadas no dia seguinte. Mensagens cujo o conteúdo fira a democracia e/ou desrespeite as(os) associadas(os) serão automaticamente desconsideradas.

As pessoas que não tiverem interesse particular em participar desse seminário, solicitamos que encaminhem mensagem com o título CANCELAMENTO DE INSCRIÇÃO para o endereço: abpn10anos@gmail.com, essas pessoas automaticamente serão extraídas da lista do seminário.


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Os textos e mensagens sobre os temas e questões em debate devem ser encaminhadas no seguinte formato:

NOME

INSTITUIÇÃO

COMENTÁRIO (Idéias centrais e problemáticas - até 15 linhas)

SUGESTÕES (Pontuação de tópicos com desafios, prioridades e intervenção nos pontos considerados deficientes e/ou inexistentes - até 10 sugestões)

IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS PARCEIROS – INSTITUIÇÕES E PESSOAS (até 10 referências)

OUTROS INFORMAÇÕES (até 5 linhas)


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Após preencher a tabela acima você deve copiá-la e colá-la no corpo da mensagem de email e enviar para esse endereço: abpn10anos@gmail.com.

Em caso de dúvidas sobre a sistemática do Seminário, por favor, entre em contato pelo email: abpn10anos@gmail.com.

Esperamos um importante debate e as/os convidamos a ativamente participarem dessa experiência construtiva e democrática.

Um abraço forte.

Coordenadores Eliane Cavalleiro, UNB Wilma Baía Coelho, UFPA Raquel Luciana de Souza, ABPN Roberto Borges, CEFET/RJ Tania Mara Pedroso Müller, UFF

Assistentes Luciana Lopes Maciel, UnB Hayanna Carvalho-Silva, UnB Renata Cardoso, UnB


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ANEXO III – MENSAGEM DE ENCERRAMENTO

Prezadas(os) Associadas(os) Aqui, encerramos nosso Seminário Virtual. Importantes questões e temas foram aqui debatidos e analisados por nós. Todo material Será sistematizado e em breve será socializado com vocês. Acredito que os debates realizados nesse seminário constituem valiosa informação para a nova Diretoria que em breve será eleita para dirigir nossa instituição. Na oportunidade aproveito para socializar com vocês uma novidade excelente para festejarmos e acreditarmos em um futuro ainda mais vindouro para a ABPN: A Ford Foundation aprovou o projeto da ABPN: Novas perspectivas sobre o racismo no Brasil: reflexões críticas sobre a mídia e sobre o campo de estudo das „relações raciais‟, num valor total de $ 200.000,00 dólares, com o objetivo de fortalecimento institucional da ABPN e de seus associados e associadas, envolvendo ações de pesquisa, realização de eventos e encontros de trabalho; a constituição de um Grupo de trabalho sobre Mídia, gênero e racismo. É ainda bem pouco diante das nossas necessidades frente à resistência e o combate ao racismo. Mas certamente é algo que pode impulsionar o crescimento da ABPN. Agrupando os recursos dos projetos da OXFAM e da FORD, a nova Direção da ABPN assumirá uma instituição com aproximadamente R$ 400.000,00 em caixa, com uma estrutura composta de Secretaria Executiva, contendo a) uma secretária executiva, b) uma auxiliar de administrativa c) uma gerente de projetos, d) um coordenador de Grupo de Trabalho (GT Raça e questões urbanas) auxiliar de serviços técnicos de informática. Contará ainda com recursos para o pagamento de empresa especializada em serviços de contabilidade. Também esses projetos garantem a articulação da ABPN com os NEABs, prevendo a contratação de 5 estudantes bolsistas, em nível de iniciaç ão científica, oriundos de NEABs para a realização de ações previstas no GT Mídia, gênero e racismo. Esse recurso financeiro pode agregar mais valor à ABPN. Porém, compreendo que nada supera o nosso desejo e ação conjunta para a realização de um trabalho coletivo. Pois foi assim que até aqui chegamos. E essa é a nossa mais potente arma para conquistar nossa vitória.

A todas(os) aquelas(es) que participaram agradecimento. Às(os) que não puderam

desse seminário,

meu

sincero


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Ao celebrar seus 10 anos de existência a ABPN realizou o seu I Seminário Virtual da ABPN – Seminário de Fortalecimento institucional, ocorri...

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