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Anais do II Seminário de Atualização Florestal e XI Semana de Estudos Florestais

CRESCIMENTO INICIAL DE Eucalyptus benthamii EM CAMPO COM APLICAÇÃO DE RESÍDUOS DE CARVÃO E ADUBO QUÍMICO WOICIECHOWSKI, T.¹; FERRONATO, M.Z ²; SOZIM, R³; LOMBARDI, K.C.4; ¹ Mestrando do PPG de Ciências Florestais – UNICENTRO; ² Engª Florestal, bolsista de Extensão CNPq – UNICENTRO; ³ Acadêmico do Curso de Engenharia Florestal – UNICENTRO; 4 Docente do Departamento de Engenharia Florestal – UNICENTRO. Universidade Estadual do Centro-Oeste, Caixa Postal 21, 84500-000, Irati, PR. E-mail: thiagowoi88@yahoo.com.br

RESUMO A utilização de subprodutos florestais nos solos surge como alternativa para a minimização de custos, proporcionar altos rendimentos à produção e benefícios ao meio ambiente. O objetivo desse trabalho foi avaliar o crescimento em altura e o diâmetro do colo das mudas de Eucalyptus benthamii 45 dias após o replantio das mudas no campo com aplicação de finos de carvão e adubação com NPK. O experimento possui 8 tratamentos em delineamento em blocos ao acaso sob um esquema fatorial (4 x 2) e está instalado na Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) em Irati – PR, Brasil. No preparo do solo foi realizada a limpeza da área, controle de formiga, calagem (2,5 t ha-¹) e incorporação de finos de carvão. O plantio foi manual num espaçamento 2 x 3 m nos seguintes tratamentos: T1 = testemunha; T2 = 10 t ha-¹ de carvão; T3 = 20 t ha-¹ de carvão; T4 = 40 t ha-¹ de carvão; T5 = 200g/muda de NPK 4-14-8; T6 = 10 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8; T7 = 20 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8; T8 = 40 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8. Os resultados mostram que aos 75 dias foram verificadas diferenças estatísticas para a altura das árvores para a adubação e doses menores de resíduos de carvão. Introdução As pesquisas por agentes que possibilitem o favorecimento do desenvolvimento inicial de plantas tornaram-se de suma importância para o avanço da ciência florestal. Grandes partes das áreas destinadas aos plantios florestais são de baixa fertilidade natural ou estão sob vários processos de degradação (VELASCO-MOLINA, 2004). Com isso, surge a necessidade de adequação de práticas de manejo de solos para esses locais, os quais podem proporcionar aumentos na produção florestal. Uma prática usual é a aplicação de resíduos e subprodutos florestais no solo a fim de obter ganhos na fertilidade do solo e com isso disponibilizar maior quantidade de nutrientes essenciais ao crescimento das plantas. Atualmente o conceito de carvão de biomassa florestal incorporado nos solos vem sendo muito estudado (MADARI et al., 2006; CUNHA et al., 2006 e ARRUDA, 2009). As conhecidas “terras preta de índios” são áreas concentradas dentro da Amazônia onde a milhares de anos atrás os povos que viviam nesses locais depositavam no solo restos de culturas queimadas misturadas com restos de animais mortos e ossos, o que gerou terras muitos férteis na atualidade. Esse conceito pode ser aplicado para a verificação da melhoria da fertilidade do solo e quais as conseqüências tanto nas culturas agrícolas quanto nas florestais. O objetivo desse trabalho é avaliar o crescimento em altura e do diâmetro do colo das mudas de Eucalyptus benthamii aos 45 e 75 dias após o replantio e verificar a interferência da aplicação de resíduos de carvão e adubo no crescimento.


Anais do II Seminário de Atualização Florestal e XI Semana de Estudos Florestais

Material e Métodos O experimento está instalado na UNICENTRO (Universidade Estadual do Centro-Oeste), em Irati – PR, no paralelo 25 º 27' 56" de latitude S e longitude 50º 37' 51" W. A altitude é de 950 metros e o clima do local é denominado segundo a classificação climática de Köppen como do tipo Cfb (temperado). O experimento possui 8 tratamentos em delineamento em blocos ao acaso sob esquema fatorial (4 x 2) com quatro doses de carvão (0, 10, 20 e 40 t ha-1) e duas doses de adubo (0 e 200g/muda). Os tratamentos são: T1 = testemunha; T2 = 10 t ha-¹ de carvão; T3 = 20 t ha-¹ de carvão; T4 = 40 t ha-¹ de carvão; T5 = 200g/muda de NPK 4-14-8; T6 = 10 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8; T7 = 20 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8; T8 = 40 t ha-¹ de carvão + 200g/muda de NPK 4-14-8. Foram delimitadas parcelas de 16 x 18 m para cada tratamento em 4 blocos. O solo é classificado como CAMBISSOLO HÁPLICO Ta Distrófico (EMBRAPA, 1999). Iniciou-se o preparo do solo com a limpeza da área com capina mecânica, controle de formiga com portas-isca de 10 g a cada 25 m², calagem com 2,5 t ha-¹ de calcário dolomítico e por fim, distribuição a lanço e incorporação de finos de carvão nas parcelas em quantidades equivalentes a cada tratamento. O plantio foi manual num espaçamento 2 x 3 m e o replantio foi realizado 25 dias após o plantio para repor 16% de falhas. Em cada parcela tinham 48 árvores, das quais formam consideradas como área útil as 24 árvores centrais. Foram realizadas as medições do diâmetro do colo (mm) e altura (cm) utilizando-se paquímetro digital e régua graduada, respectivamente. As coletas foram realizadas 45 e 75 dias após o replantio. Para análise estatística foi utilizado software ASSISTAT®, analisando a interação F1 x F2. Realizou-se a análise de variância (ANOVA) e quando houve diferença prosseguiu-se com o Teste Tukey para comparação de médias. Resultados e Discussão Foi verificada diferença significativa para altura das mudas aos 75 dias. Não foi determinada diferença estatística para os blocos mostrando homogeneidade na área do experimento. Tabela 1: Resultados médios de altura e diâmetro de colo e diferenças estatísticas para cada um dos fatores aos 45 e 75 dias após o plantio. Tratamento 0 t.ha-1 carvão + 0 g/ muda

45 dias

75 dias

Diâmetro do colo (mm) 75 dias 45 dias

41,07

41,36 c B

3,10

3,39

-1

41,97

45,08 b B

3,10

3,52

-1

20 t.ha carvão + 0 g/ muda

43,12

50,54 a A

3,07

3,82

40 t.ha-1 carvão + 0 g/ muda

42,04

47,63 b A

3,00

3,89

0 t.ha-1 carvão + 200 g/muda

10 t.ha carvão + 0 g/ muda

Fator 1 x Fator 2

Altura (cm)

43,79

52,71 a A

3,30

4,22

-1

44,18

52,27 a A

3,26

4,24

-1

20 t.ha carvão + 200 g/muda

44,27

48,09 b B

3,28

4,09

40 t.ha-1 carvão + 200 g/muda

45,08

47,97 b A

3,32

4,21

F

0,171 ns

37,31 **

0,106 ns

1,585 ns

CV (%)

6,17

3,03

9,49

7,94

10 t.ha carvão +200 g/muda

** significativo ao nível de 1% de probabilidade pelo Teste Tukey (p < .01);

ns

não significativo (p >= .05).


Anais do II Seminário de Atualização Florestal e XI Semana de Estudos Florestais Pode ser observado que as diferenças estatísticas em altura começaram a ser evidenciadas aos 75 dias de plantio. A aplicação de carvão melhorou o desenvolvimento das mudas. Sugere-se que o carvão vegetal tenha melhorado as condições de umidade do solo, favorecendo a absorção de nutrientes já contidos no mesmo. As mudas responderam melhor nos tratamentos com adubação, porém, sob condições de maiores quantidades de carvão no solo apresentaram menor crescimento. Sabe-se que o carvão pode reter maior número de nutrientes devido à sua alta reatividade conferindo trocas iônicas na superfície de adsorção devido aos grupos carboxílicos presentes (CUNHA, 2006). Assim, sugere-se que, nos tratamento com 20 e 40 t ha-1, parte do adubo solubilizado ficou indisponível para as mudas por ter adsorvido nas cargas de superfície do carvão vegetal. Uma vez adsorvidos no carvão, os nutrientes não serão perdidos por lixiviação, podendo auxiliar na manutenção do crescimento das plantas num prazo maior. As diferenças no crescimento em altura podem ser visualizadas na figura 1.

Figura 1: Gráfico do crescimento em altura das plantas.

Conclusões Este trabalho indica que a aplicação carvão e de adubo químico, e destes combinados, contribuem positivamente para o crescimento inicial de Eucalyptus benthamii. Referências Bibliográficas ARRUDA, M. R.; TEIXEIRA, W. G.; Utilização de resíduos de carvão vegetal associado fontes orgânicas de nutrientes no manejo sustentável do solo e do guaranazeiro (Paullinia cupana var sorbilis (mart.) ducke) na Amazônia Central. In: TEIXEIRA, W. G.; KERN, D. C.; MADARI, B. E.; LIMA, H. N.; WOODS, W. (Ed.). As terras pretas de índio da Amazônia: sua caracterização e uso deste conhecimento na criação de novas áreas. Manaus: 1 ed. Embrapa Amazônia Ocidental, 2009v. 1, p. 306-313. CUNHA, T.J.F. ; CANELAS, L. P. ; MADARI, B. E. . Manejo indígena, substâncias húmicas e solos antropogênicos. In: XVI reunião de Manejo e Conservação de Solo e da água, 2006, Aracaju-SE. Novos desafios do carbono no manejo conservacionista, 2006. EMBRAPA. Sistema Brasileiro de classificação de solos. Brasília, CNPS, 1999. 412p. MADARI, B.E; COSTA, A.D. da; CASTRO, L.M. de; SANTOS, J.L.S.; BENITES, V.M.; ROCHA, A.O.; MACHADO, P.L.O.A.; Carvão vegetal como condicionador de solo para arroz


Anais do II Seminário de Atualização Florestal e XI Semana de Estudos Florestais de terras altas (cultivar primavera): um estudo prospectivo. Santo Antônio de Goiás, GO. Embrapa Arroz e Feijão, 2006 (Embrapa-CGPE: 6073. Comunicado Técnico, 125). VELASCO-MOLINA, M. Nitrogênio e metais pesados em latossolo e eucalipto cinqüenta e cinco meses após a aplicação de biossólido. 2004, 66p. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo, ESALQ- Piracicaba.

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