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Competição Melhor estória criativa para adaptação ao cinema ou ao teatro

Overdose de Amor

Autores:

Carolina Silva Tatiana Jesus Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco

MADEIRA FILM FESTIVAL - www.madeirafilmfestival.com


Sarah era uma rapariga de 19 anos que levava uma vida calma na cidade de Oxford. Ao contrário da maioria das raparigas da sua idade, não gostava de sítios barulhentos e de festas com muita bebida e coisas do género. Estava desempregada e vivia sozinha num apartamento com o seu cão, Mel. Com tanto tempo livre, dedicava as tardes aos seus quadros pois o seu sonho era ser uma artista conhecida mundialmente, até porque a sua mãe também o fazia. Pintava sobre coisas que via, coisas que sentia, ajudava-a a organizar os pensamentos e era algo por que tinha uma grande paixão, talvez fosse a única coisa que realmente gostava de fazer. Durante a sua vida, havia passado por inúmeras coisas, tanto boas como más. A sua mãe Sophie, tal como algumas adolescentes, passou por aquela fase na qual quer experimentar tudo, sentia-se preparada para a vida. Apaixonou-se por Zack, um típico rapaz pinga-amor que queria apenas aproveitar a vida ao máximo. Claro que nem tudo é como nos contos de fadas e foi preciso engravidar para Sophie perceber isso. Ela tinha 16 anos e ao ver que estava grávida, nem sabia o que fazer. Não sabia como contar aos seus pais nem ao seu namorado mas teve de o fazer. A reação dos seus pais foi ótima, disseram que a apoiavam em tudo o que precisasse mas já Zack deixou-a, disse que ainda tinha muito para viver e um filho só ia atrapalhar-lhe a vida. Como mãe solteira, nunca teve uma vida fácil ainda por cima porque tinha de continuar com os estudos e ao mesmo tempo teve de procurar um emprego, coisa que não era nada fácil. Apesar de tudo sempre foi uma mãe extremosa e cuidadosa. No início conseguiu conciliar os estudos com o seu emprego a servir num café à noite. Mas as coisas pioraram quando Sarah começou a ir à escola pois já não conseguia suportar as despesas todas apenas com o trabalho. Aos poucos deixou de frequentar as aulas procurando fazer mais horas no café mas o dinheiro não chegava. Em desespero entrou num mundo perigoso e que se revelaria fatal… Começou a consumir e traficar drogas o que eventualmente acabou em morte por overdose. Sarah tinha apenas oito anos e sentiu muito a perda da sua mãe que ocupava também o papel de pai. Ficou a viver com os avós que a acarinhavam sempre muito e fizeram de tudo para que tivesse tudo o que precisava. Sarah tornou-se uma adolescente alegre mas reservada. Não tinha muitos amigos mas Felix e Mariah eram muito importantes para ela, conheciam-se desde o seu 1º ano de escolaridade. Passou maior parte da sua vida com eles, eles foram a principal fonte de felicidade e de positividade na sua vida. Aos 14 anos, teve a sua primeira paixão que foi o Felix, mas acabou em nada porque ele teve medo de estragar a sua amizade com MADEIRA FILM FESTIVAL - www.madeirafilmfestival.com


ela e então, experienciou também a sua primeira desilusão amorosa. Passou dias triste, confusa mas, depois ficou bem e decidiu mudar o rumo das coisas, experimentar novas coisas e deixar o passado onde ele deve estar. Tentou fazer amigos novos mas não lhe correu muito bem, as pessoas não a entendiam e ela não queria estar com alguém só porque sim, queria alguém que a compreendesse e com a qual pudesse ter uma conversa minimamente interessante. Então começou a sentir-se sozinha, mesmo tendo os seus amigos por perto e refugiou-se num mundo próprio, criando uma espécie de barreira à sua volta. Com tanta coisa na cabeça, tentou encontrar uma forma de expressar o que sentia e conseguiu fazê-lo através da pintura. Aos 18 anos quis ter a sua independência e decidiu ir viver sozinha. Então começou a vender os seus quadros para conseguir sobreviver. Ia a exposições de arte para conseguir ter novas ideias para os seus quadros e também para dar a conhecer a sua arte a possíveis compradores. Um dos seus quadros mais valiosos era o de sua mãe. Sarah nunca quis vender esse quadro, por ser uma das poucas coisas que tinha em memória da mãe. Embora ainda fosse uma criança quando ela faleceu, sentia muito a falta dela. Sarah mantinha uma ligação muito forte com a sua avó visitando-a quase todos os dias. Também gostava muito do avô mas ele não aceitava que ela tivesse saído de casa e ela respeitava a sua opinião mas queria ter a sua própria vida e tomar as suas próprias decisões mesmo que isso significasse errar muitas vezes, afinal crescer era isso mesmo. Numa dessas tardes a avó desmaiou e Sarah levou-a para o hospital onde recebeu a pior notícia do mundo… A avó tinha um cancro na cabeça e precisava de ser operada o mais depressa possível, senão podia morrer. A operação que a avó precisava era muito cara, e ela não tinha possibilidades para a pagar, por isso Sarah decidiu tentar arranjar o dinheiro para salvar a sua avó. Passou os dias e noites seguintes a pintar quadros, era a única coisa que sabia fazer e tinha a certeza de que ia conseguir o valor que precisava. Os médicos tinham sido unânimes, a avó tinha de ser operada o mais rápido possível. Mariah e Felix tentaram ajudar como podiam e levavam alguns quadros para os trabalhos dos pais a ver se conseguiam vender algum mas não era suficiente e Sarah começava a desanimar. Felizmente nesse fim-de-semana ia haver uma feira de artesanato e Sarah inscreveu-se levando todos os quadros que tinha conseguido pintar até então. Estava exausta mas optimista e felizmente conseguiu vender todos os quadros conseguindo assim o dinheiro que a sua avó precisava para poder ser operada.

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A avó foi operada na terça-feira seguinte de manhã. Sarah esteve sempre no hospital e esperava ansiosamente que os médicos dessem notícias sobre como tinha corrido a operação de sua avó, estava muito nervosa. Sentado ao lado de Sarah, estava um rapaz que ela já tinha visto na noite anterior quando saía do hospital. Mas ela nem lhe estava a prestar atenção até que ele se dirige a ela: - Olá, sou o Robert. Não te quero assustar mas vi o quão estás nervosa e… se quiseres falar ou assim. Quer dizer também percebo se não quiseres afinal nem me conheces… - Olá, sou a Sarah. – respondeu. - Porque estás tão nervosa? – perguntou. - A minha avó está a ser porque tem um cancro e estou à espera que os médicos me dêem notícias. E tu, porque estás aqui? - A minha mãe sofreu um acidente de carro a noite passada. Ela estava a voltar do trabalho e um homem sob o efeito do álcool bateu contra ela e está em estado grave. - Lamento muito. Murmurou Sarah até que apareceu um médico e foi falar com Sarah: - A sua avó está em risco de vida. Tentámos fazer o melhor que pudemos mas não foi suficiente… Ela já tem uma idade avançada, e sabe torna-se mais complicado mas vamos fazer o possível para a salvar. Sarah ia ouvindo as palavras do médico e as lágrimas iam-lhe escorrendo pela cara. Assim que o médico foi embora, Robert abraçou-a. Sarah sentiu… algo estranho. Sentiu um conforto que provavelmente não devia sentir ao abraçar alguém desconhecido, sentiu que já o conhecia há anos. A maneira como ele a agarrava bem junto a ele fazia-a sentir segura, era daquele tipo de abraços bem apertados no qual não queríamos largar a pessoa. Queria descobrir mais sobre ele mas era tímida, bloqueava só de conversar com ele e naquele momento também só conseguia pensar na avó e na possibilidade de perdê-la. O médico aconselhou Sarah a ir para casa para relaxar e mesmo que ela não quisesse, tinha de o fazer. Despediu-se de Robert e só esperava que no dia seguinte o visse lá, queria mesmo conhecê-lo melhor. Foi para casa mas não era fácil ‘relaxar’. Só esperava que tudo corresse bem com a sua avó, era como uma mãe para ela e só o pensamento de a perder já a fazia perder a cabeça. Logo de manhã às 8h, tomou o pequeno-almoço e foi a correr para o MADEIRA FILM FESTIVAL - www.madeirafilmfestival.com


hospital. A única coisa em que pensava era na sua avó e se tinha melhorado durante a noite (e por mais que tentasse negar, o Robert era também algo que não saía da sua cabeça). Os médicos não a deixaram entrar na sala logo até porque a sua avó estava a dormir mas asseguraram-lhe que estava melhor. Chegou à sala de espera e para sua surpresa, Robert não estava lá. Pensou que talvez não o voltasse a ver mas ele não saía da sua cabeça, ela precisava de o ver outra vez. Será que estaria a apaixonar-se por um rapaz que só conhecia há 1 dia? Que só tinha falado 1 vez? Sarah não era do tipo de se apaixonar facilmente, então porque é que isso havia acontecido? Tinha medo de ficar magoada outra vez, tinha de o tirar da cabeça. Pensou nisso até que Robert entra na sala: - Oh! Olá, Sarah. Não pensei que te voltaria a ver. – Exclamou Robert. - Olá. – corou Sarah – A tua mãe está melhor? - Nem por isso. Os médicos estão a fazer o seu melhor mas é difícil, até porque ela partiu uma perna e deslocou um braço, sem contar com arranhões mínimos. - Entendo, a minha avó ainda não está muito bem. Dizem que está melhor mas ainda não está totalmente recuperada. Só espero que tudo corra bem com a tua mãe. - Obrigado, espero o mesmo com a tua avó. És a única a visitá-la? Não tenho visto ninguém aqui ultimamente. - Bem… a minha mãe já morreu há muitos anos e nunca conheci o meu pai. A minha mãe era filha única, então esta é a única família que tenho. O meu avô costuma vir passar a noite aqui como trabalha durante o dia. Sim, é uma história trágica mas é a minha vida e apesar de tudo tive uma vida feliz. - Peço desculpa por perguntar, não te queria pôr desconfortável. Que achas de irmos a cafetaria tomar um sumo. Podíamos conversar um bocadinho e sempre nos distraíamos… - Não tens de pedir desculpa. Sim vamos, a minha avó está a descansar agora. Estiveram a tarde toda a conversar. Era estranho conseguir falar assim com alguém com mal conhecia mas sentia-se bem e à vontade com Robert. Todos os dias encontravam-se, Robert até já conhecia a avó de Sarah e apesar de tudo ela sentia-se feliz como a muito não sentia. Os dias foram passando e a mãe de Robert teve alta do hospital. Felizmente estava melhor e apenas a perna partida aspirava alguns cuidados mas já podia ir para casa. Trocaram os números de telemóvel e prometeram ir mantendo o contacto.

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A avó de Sarah também estava a recuperar bem e os médicos previam que dentro de uns dias ela pudesse ir para casa, embora com muitos cuidados para que a recuperação corresse da melhor forma. O avô estava muito aliviado e feliz por não ter perdido o amor da sua vida e estava também muito mais compreensivo com a neta. Sarah ficou emocionada quando, no dia em que a avó teve alta, ele meio sem jeito lhe pediu que ela passasse um tempo em casa para ajudar a cuidar da avó. Sarah mudou-se e prometeu ficar até a avó estar recuperada deixando os avós muito felizes por ter a sua menina de volta a casa. Todas as tardes Robert ligava e ficavam horas a conversar. Infelizmente ele morava longe mas prometeu que quando pudesse iria visitá-la. Sarah ficou radiante e sonhava com o reencontro. Os dias iam passando normalmente com a avó a melhorar e Sarah aproveitando os tempos livres para pintar. Tinha ficado animada com o sucesso dos seus quadros e queria juntar algum dinheiro para voltar a estudar. Numa certa manhã, recebeu uma chamada de um Sr. que tinha uma galeria e tinha visto um dos seus quadros. Sarah nem queria acreditar quando ele a convidou para expor os seus quadros! Só havia um pequeno problema, a galeria ficava noutra cidade. Ela explicou que agora não podia deixar a avó sozinha mas que ia tentar reunir muitos quadros e logo que pudesse entrava em contacto. Algumas semanas mais tarde e com a avó já recuperada Sarah estava a empacotar cuidadosamente os quadros e a se preparar para viajar e ir até a galeria. Estava com algum receio de ir sozinha a um sítio que não conhecia mas não podia perder esta oportunidade única. Estava a se despedir dos avós quando toca a campainha. Não queria acreditar, era Robert.. - Olá! Achavas que ias sozinha? – Perguntou ele. Sarah correu ao seu encontro e abraçou-o com muita força. Os avós sorriram ao ver a neta tão feliz. Na galeria ela foi muito bem recebida e quando lhe perguntaram que nome queria dar à sua exposição sorriu e respondeu: - Overdose de amor! O seu quadro principal era o de sua mãe e esse prontificou-se a afirmar que não estava para venda. Era o símbolo do amor e da saudade que sentia e que queria guardar para sempre. A exposição correu muito bem, vendeu quase todos os quadros e conheceu pessoas muito importantes no mundo da arte que a encorajaram a estudar e continuar a pintar e usar o dom que tinha. MADEIRA FILM FESTIVAL - www.madeirafilmfestival.com


No último dia antes de voltarem, Robert estava estranho e inquieto e Sarah estava preocupada pois temia perdê-lo e já não se imaginava sem ele. Foram até um jardim repleto de rosas e com um pequeno lago onde passeavam patos. Robert pegou na sua mão e perguntou-lhe se ela queria namorar com ele. Sarah nem queria acreditar! Nunca pensou sentir-se tão feliz e claro que a sua resposta foi sim. Sarah formou-se em História de Arte e tornou-se numa prestigiada pintora e professora. Casou com Robert e tiveram uma filha que deram o nome de Sophie em memória da mãe.

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Overdose de Amor