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Biblioteca Escolar de Arazede l EB1 de Arazede

Alunos do 3ยบ Ano da EB1 de Arazede Ano letivo de 2012/ 2013


No início deste ano letivo, a BE desafiou as crianças da EB1 de Arazede com a atividade “Repórteres do passado”, propondo-lhes que tentassem conhecer, junto dos avós, familiares e vizinhos mais velhos, os hábitos, tradições e brincadeiras que marcaram a sua infância. Organizados com a colaboração dos pais, dos avós e da professora do 3º Ano da EB1 de Arazede, Fátima Correia, os textos que se apresentam em seguida refletem não apenas as informações transmitidas de viva voz pelos mais velhos, mas também a sensibilidade e a imaginação com que os pequenos ouvintes as escutaram. Desse diálogo entre gerações tão distantes e tão distintas se fizeram estas “reportagens”, cujo resultado a BE de Arazede tem o gosto de partilhar.


Quando os meus avós eram crianças, tinham jogos e brincadeiras divertidas. Brincavam às escondidas, ao pião, ao berlinde, jogavam à bola, ao eixo, à borboleta branca, etc. Os adultos trabalhavam no campo, em fábricas, nas lojas, nas casas de comércio, nas oficinas e nos serviços. Não havia euros, a moeda era o escudo. Havia tradições importantes que eram festejadas em família e com os amigos de uma maneira divertida. Por exemplo, as Matanças do Porco, a Festa da Aldeia, o Serrar da Velha, a Queima do Judas, o Dia das Merendas, o Cantar das Janeiras, o Cantar das Almas Santas, o Carnaval na rua, etc. No tempo dos meus avós, a televisão era a preto e branco e nem todas as pessoas tinham televisão em casa. Havia mais convívio e mais solidariedade entre as pessoas. Luís Pedro Reis Paredes Santos

Antigamente as pessoas tomavam banho numa bacia porque naquela altura não havia banheiras. As pessoas iam lavar a roupa à fonte porque não havia máquinas de lavar roupa. No tempo dos meus avós as pessoas ao fim de semana faziam renda porque assim podiam entreter-se com alguma coisa. As pessoas davam-se todas bem, porque se juntavam em grupos a ouvir música no rádio. Também dançavam e era nessas festas que se divertiam os rapazes e as raparigas. Os tempos antigos eram muito diferentes dos nossos tempos. Andreia Inês da Silva Cavaleiro


Nos tempos antigos, as pessoas, para jogar à bola, matavam um porco e a bexiga dele fazia de bola. Quando se matava o porco, após um ano de trato, o rabo do porco servia para as crianças porem nas calças dos adultos e com isso se faziam brincadeiras e divertimentos. As pessoas andavam descalças, porque não tinham dinheiro para comprar calçado. A roupa era lavada num tanque com água. Os nossos avós, vizinhos ou amigos já de idade tinham pouco dinheiro, e nessa altura havia muitos pobres. As pessoas tinham de trabalhar muito, desde o nascer ao por do sol. Lara Sofia Oliveira Ribeiro


Antigamente, as pessoas andavam descalças porque não tinham dinheiro para comprar sapatos. Os meninos jogavam à bola com a bexiga do porco cheia de ar e com canas da índia. No tempo dos meus avós, eles faziam muitas brincadeiras divertidas! Iam à fonte lavar a roupa, porque não havia máquina de lavar. As pessoas não tinham tudo o que nós temos agora. As crianças passavam mais tempo com os avós e eles contavam-lhes histórias divertidas ao serão. Soraia Soares Monteiro

Antigamente, as pessoas iam para a escola descalças e poucas pessoas estudavam. Só os mais ricos o podiam fazer. Os meninos jogavam à bola com uma bexiga de porco e as meninas brincavam com bonecas de trapos feitas em casa, porque não havia dinheiro para comprar brinquedos. As pessoas lavavam roupa nos baldes e faziam o comer ao lume. Não havia televisão e as pessoas, ao domingo, faziam passeios pela aldeia em grupo. A vida de antigamente era muito difícil, mas as pessoas conviviam muito umas com as outras. Vítor Alexandre Rocha Badlo


No tempo dos meus avós, a vida era muito diferente, uma vez que não havia eletricidade, água canalizada, telefone em casa e outras comodidades que hoje em dia temos em nossas casas. Para além disso, a vida familiar também era diferente e existiam alguns hábitos e tradições que se foram perdendo ao longo dos tempos. Nessa altura, as famílias eram bastante numerosas (quatro ou mais filhos) e numa habitação viviam três gerações (avós, pais e filhos). A principal atividade era a agricultura e a criação e venda de animais. Os empregos eram uma exceção e somente para homens. As mulheres trabalhavam em casa, no campo e cuidavam dos filhos. Estas famílias semeavam de tudo (batatas, feijão, milho, etc.) e utilizavam alguns destes produtos para vender, para poder comprar o que não tinham, como por exemplo, o azeite ou o peixe. Por vezes, os homens trabalhavam no campo um ou outro dia para quem podia pagar, para, deste modo, comprar o que não conseguiam produzir; ou então trabalhavam à troca, uns para os outros, pois não existiam máquinas e o trabalho era muito e duro. Um dia, na casa destas famílias, começava bem cedo, com o amanhecer, sobretudo no verão, para aproveitar o dia e o fresco para trabalhar nas terras. Após o almoço, dormia-se a sesta, na altura de mais calor, para, da parte da tarde, retomar o duro trabalho da lavoura. Uma atividade dessa época do ano era a sementeira do milho: o milho era semeado, mondado, regado, cortado, seco e, por fim, escamisado. Durante a época de inverno, aproveitava-se esses dias para escolher o feijão ou retirar os grelos às batatas. As noites eram curtas, pois ao cair da noite só havia a luz do candeeiro a petróleo e, assim sendo, ia-se cedo para a cama. Para além de não haver televisão para ajudar a passar a noite, os filhos também tinham poucos brinquedos. Os poucos que tinham eram de madeira e feitos pelos próprios pais, tais como uma carreta em madeira, que era um pau que numa ponta tinha duas rodas e na outra ponta um pauzito que servia de guiador. As crianças jogavam também vários jogos, como, por exemplo, às escondidas, à galinha amarela ou à bola, com uma bola de trapos ou com a bexiga do porco.


Esta última bola, era uma das alegrias dos mais jovens no dia da matança do porco, um dia muito especial e recheado de tradições. Um porco era criado ao longo de um ano para, ao chegar o inverno, se proceder à sua matança. O porco era morto em cima do carro de madeira das vacas e chamuscado com agulhas e depois lavado com uma telha de canudo e sal. Durante este processo, comia-se filhoses e arroz-doce e as crianças aproveitavam esta distração para colocar as unhas do porco nos bolsos das calças dos adultos. Neste dia, juntavam-se as famílias e era um dia de festa e de fartura. Como não havia frigorífico nem arcas congeladoras, a carne que sobrava era guardada na salgadeira, uma caixa de madeira cheia de sal, outra era aproveitada para fazer chouriças. Fica muito por contar, mas posso afirmar que no tempo dos meus avós não havia muito daquilo que temos hoje. Mas parece-me ter sido um tempo recheado de alegria e diversão. Lucas Batista de Jesus


Quando os meus avós eram crianças, tinham jogos e brincadeiras divertidas. Brincavam às escondidas, ao pião, ao berlinde, jogavam à bola, ao eixo, à borboleta branca, ao botão etc. Iam para a escola a pé ou de bicicleta. Levavam o almoço de casa, dentro de uma bolsa de pano e, como não havia cantina, almoçavam no recreio. O almoço era um bocado de broa com uma sardinha assada, ou muitas vezes era broa com laranjas ou só broa. No tempo dos meus avós, os professores, por vezes, quando os alunos se portavam mal, batiam com uma régua ou uma cana-da-índia. Não era nada agradável! Nesse tempo, todas as segundas-feiras, os professores faziam “revista” às cabeças, às unhas, às orelhas e às roupas dos alunos para verificarem a higiene; quem não estivesse limpo, era castigado com umas reguadas. Antes de iniciarem as aulas, cantava-se o hino nacional. A escola era composta por uma única sala de aulas, estando as quatro classes todas juntas. Nesse tempo, a maior parte dos adultos trabalhava nos campos. Os alunos, quando saíam da escola, iam ajudar os pais nos campos. Nos campos, as pessoas regulavam-se pelo sol, pelo relógio da igreja e pelo toque das Trindades e das Avé-Marias. Havia poucas fábricas. As pessoas abasteciam-se na loja da aldeia, ou iam nos dias de feira comprar e vender os seus produtos. Não havia Euros, a moeda era o Escudo. No tempo dos meus avós, a iluminação era feita por candeeiros de petróleo ou candeeiros a azeite. A luz elétrica apareceu mais tarde. Havia poucos automóveis e para viagens grandes as pessoas deslocavam-se de comboio. Havia muitas dificuldades, a vida era difícil e não existia o conforto que hoje temos, mas havia mais convívio e mais solidariedade entre as pessoas. Luís Pedro Reis Paredes Santos


Antigamente, a comida dos meus avós era uma sardinha dividida pelos dois e um bocadinho de frango, nos dias de festa. Matavam um porco, que durava para um ano, faziam a comida à fogueira em cima de uma trempe. Passaram uma fase em que tinham que beber o café juntamente com rebuçados, pois não tinham açúcar para o temperar. Iam em grupo sachar milho. Trabalhavam a semear arroz e para o almoço levavam duas batatitas. As casas eram baixas. Nessa altura iluminavam-se com uma candeia com azeite e entretinham-se a fazer renda. Namoravam dentro de casa, à porta, à janela e também quando vinham do campo. Joana Padrão de Sousa

Nesta época, comia-se ao pequeno-almoço sopas de broas e café feito numa cafeteira ao lume; ao almoço, sopa e sardinhas assadas; ao jantar, sopa e bacalhau assado. Para jogarem à bola, matava-se um porco, abria-se o porco e tirava-se a bexiga que se enchia de ar com um canudo feito de cana. A roupa, antigamente, era lavada à mão com sabão. Na Quaresma, não se cantava nem se dançava, só se jogava à apanhada e fazia-se uma roda de rapazes e raparigas e jogava-se ao pote. No Carnaval, os rapazes colocavam farinha na cabeça das raparigas e quem metesse farinha em cima das raparigas tinha de pagar as amêndoas. Maria Inês Félix


Desenhos de Joana Sousa, Andreia Cavaleiro, Soraia Monteiro, Lara Ribeiro, Lucas Jesus e Maria Inês Félix (3º Ano – EB1 de Arazede)

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Ano letivo de 2012/ 2013

Quando os nossos avós eram crianças  
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