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Carta do Editor

O jeito Quartier de falar do nosso universo

Q

uando nos propomos a fazer a Quartier, queríamos que as pessoas passassem a conhecer, de maneira contagiante e prazerosa, o que reserva esse universo que rodeia a região dos Jardins. Uma das atrações é o Teatro Eva Herz, que tem direção artística de nosso brilhante entrevistado da edição, Dan Stulbach. Clicado por Luiz Maximiano, um dos fotógrafos mais conceituados da atualidade, num bate-papo informal, Dan nos contou a respeito de sua paixão pelo teatro, de sua história de vida, como driblou a timidez, do grande trabalho que tem feito na rádio CBN, com o programa Fim de Expediente, além das infinitas possibilidades que vê à frente da curadoria do teatro. E, já que estamos falando em cultura, neste segundo número trazemos uma linda matéria sobre os teatros da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na qual, se você parar para analisar, estão os palcos onde foram e são exibidos alguns dos maiores espetáculos que já passaram por São Paulo. Musicais e shows dignos da Broadway, de Nova York, que escolheram nosso Quartier para contar e fazer história. Ainda no assunto entretenimento, para quem gosta de bossa nova, vá assistir ao delicado musical Nara, que reestreou na cidade e retoma a vida de Nara Leão, uma das protagonistas da MPB. Na seção moda, quem protagoniza nosso ensaio, também fotografadas por Maximiano, são personalidades comuns de nosso cotidiano. Reunimos vendedora-cantora, relações-públicas, gerente, bartender e músico que trabalham, circulam e respiram essa atmosfera da região, para nos contar como se relacionam com a profissão e o que fazem por aqui, além de permitir que criássemos um estilo para eles à nossa maneira, sem fugir da essência de cada um. Nesta edição, também não deixe de ler a deliciosa matéria sobre uma das bebidas mais queridas do brasileiro: o café, que com o passar do tempo ganhou preparações diferenciadas, versões elaboradas e lugares especiais para degustá-lo. Em se tratando de boa mesa, aprecie sem moderação nossa seção Gourmet, que, além de trazer dicas de pratos e restaurantes que merecem sua visita, selecionou quatro hambúrgueres que são de dar água na boca! Outra novidade é que esta Quartier vem com a inédita seção Melhor da Rua. Nela, traremos a você os produtos notáveis de determinado endereço, selecionados a dedo. E, para quem passa despercebido em nosso dia a dia, abra seus olhos para enxergar algumas particularidades do nosso pedaço. Há muito que se ver e fazer por aqui.

Walquiria Botaro walquiria@editorase7e.net

4 Revista Quartier


Rua Haddock Lobo, nยบ1416 - Sรฃo Paulo - Tel.: (011) 3897 0666 - www.zuccorestaurante.com.br


SE7E E d i t o r a

Diretor EXECUTIVO DOUGLAS MARQUES

Diretor comercial Eduardo isola Diretor de Criação rafael costa Diretora Editorial WALQUIRIA BOTARO

Redação Diretora de redação WALQUIRIA BOTARO (walquiria@editorase7e.net) Diretores de Arte Douglas MArques (douglas@editorase7e.net) rafael costa (rafael@editorase7e.net) editor especial carlos costa (carlos@editorase7e.net) CRIATIVE RETOUCH FURIA Designers GABRIEL NIETO, Lygia Lyra e MARCO ALMEIDA Jornalistas AnDrea ROMANOV, RENATA DIAS e roDRIGO FAVRE ESTAGIÁria de conteúdo Laís peterlini Assistente-executiva Tatiana Andrade Colaboradores CAMILA BORBA, carmen silva, Eduardo zanelato, ÊNIO CESAR, FURIA, IGNORE POR FAVOR, Janaina pereira, JULIANA Borba, Leandro Chialastri, Luiz Maximiano e Melissa thomé

Publicidade Diretor comercial Eduardo isola (isola@editorase7e.net) Executivas de conta heloÁ bueno dos santos monica VALLE Para anunciar Ligue (11) 2614-4710 / 2613-6140 email (publicidade@editorase7e.net) Para se corresponder com a redação (quartier@editorase7e.net) Gráfica VOX

da

Quartier é uma publicação trimestral Editora Se7e (www.editorase7e.net) - Av. Paulista 2.006, cj. 1108 , Bela Vista, São Paulo (SP), cep 01310-200 - Tel . (11) 2614-4710

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Revista Quartier

7


Sumário

DIVERSÃO 12

Gargalhadas: Claudia Jimenez está em cartaz Bossa nova: a trajetória de Nara Leão em musical All Black: um pub tipicamente irlandês entre nós Trianon: refúgio no meio do caos da cidade

ESPETÁCULOS 16 Yes, nós temos nossa Broadway

Gourmet 20

Os pratos elaborados do bistrô Crêpe de Paris As versões de brigadeiro, do Capim Santo A diversidade dos drinques do Tubaína Os hambúrgueres irresistíveis de nosso Quartier A alquimia sem igual e o requinte do Marakuthai

MANUAL 26

Para ter: produtos tecnológicos, funcionais e criativos Personalidades: o estilo de quem trabalha na região Melhor Aposta: a natureza inspira a moda outono-inverno Haddock Lobo: a rua que é o centro de luxo do país

conversa 38

Dan Stulbach À frente da curadoria do Teatro Eva Herz e apresentador do programa de rádio Fim de Expediente, ele nos conta que o teatro o ensinou a driblar a timidez e que circula tranquilamente pela cidade sem se preocupar com sua popularidade

COFFEE BREAK 44 Um mergulho na bebida mais popular e aromática da história

ISTO É COOL 50 Enquanto isso, em nossas andanças pela região...

8 Revista Quartier


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Colaboradores Luiz Maximiano, 32, de Assis Chateaubriand, PR, começou na fotografia quando foi morar em Amsterdã. Já cobriu a guerra do Afeganistão, a crise da aids no sul do continente africano, entre outros fatos mundo afora. Em 2007, ganhou o Canon Prize, da Holanda, que escolhe o melhor fotógrafo com até 30 anos. De volta ao Brasil, colabora com diversas publicações, e, nesta edição da Quartier, os cliques de Dan Stulbach e dos personagens de nossa moda saíram de suas lentes.

A paulistana Melissa Thomé percorreu primeiramente o caminho das artes plásticas e depois pensou que andaria de mãos dadas com a psicologia, ledo engano! Com o tempo, o consultório ficou monótono demais para sua inquietante personalidade, e, então, encantou-se com o universo multifacetado da moda. Hoje, ela trabalha como stylist de moda e objetos, adora seu dia a dia sem rotina e está sempre em busca da imagem perfeita. Nossas seções Melhor Aposta e Melhor da Rua foram produzidas por ela.

Foi após terem sido vendedoras de marcas como Gloria Coelho e Diesel, além de fazer produção para anúncios e campanhas da AlmapBBDO, que as irmãs paulistanas Camila e Juliana Borba se uniram e criaram a SistaModé, empresa responsável por stylist de editoriais, anúncios e filmes. Foram elas que deram estilo a cada um dos personagens de nosso ensaio de moda.

Janaina Pereira, 36, é carioca e mora em São Paulo desde 2001. É jornalista e publicitária e escreve em um blog de cinema (www.cinemmarte. wordpress.com). Cobriu o Festival de Veneza 2010 e, nesta edição, historiou a linda matéria sobre nossa Broadway paulistana. Ênio Cesar fotografa desde os 16 anos e gosta de música dançante. Ele adora o que faz e vive noites psicodélicas em outro tempo. Tem frequentado o mundo da culinária com uma grande pesquisa sobre mel e sal. São dele os cliques dos teatros da Avenida Brigadeiro e de alguns lugares peculiares de nosso Quartier.

10 Revista Quartier


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SA D U LT O


Diversão

➥ Ex posições

/ / C a s a s N o t u r n a s / / Te a t r o s / / S h o w s / / E v en t o s

cotidiano

CRISE OU DIVERSÃO?

Uma mãe muito companheira, filhos problemáticos e marido desempregado fazem desse espetáculo teatral uma tragicomédia POR Walquiria Botaro De volta aos palcos, a atriz Claudia Jimenez desembarca em nosso Quartier, em São Paulo, após uma temporada muito bem-sucedida no Rio de Janeiro com a comédia Mais Respeito que Sou Tua Mãe!. A peça, fruto de um blog que virou espetáculo também fora do Brasil, em países como Portugal, Argentina e Espanha, conta com versão teatral de Antônio Gasalla – ator e autor cômico argentino – e adaptação e direção de Miguel Falabella. Os atores Ernani Moraes, Henrique César, Frank Borges, Gabriel Borges, Sara Freitas e Séfora Rangel dividem o palco com Claudia, que dá vida à dona de casa Nalva Silva, uma suburbana cinquentona que luta contra a crise econômica e depara com várias questões de uma família disfuncional: o marido (Ernani Moraes), que está desempregado; o sogro (Henrique César), que vive sob o mesmo teto e planta maconha em casa; além 12 Revista Quartier

dos três filhos às voltas com os problemas mais diversos de sua existência. Nalva ainda lida com o caos doméstico, os sintomas típicos da menopausa e os dilemas que tantas vezes surgem entre quatro paredes. Mas é na hora das refeições, quando a família está reunida, que ela se sente plenamente feliz e oferece ao público os momentos mais cômicos do show.

/ Teatro Procópio Ferreira | R. Augusta, 2823 | Tel. (11) 3083-4475 Bilheteria: de terça à quinta, das 14 às 19 horas; de sexta a domingo, das 14 horas até o início do espetáculo. Entrega de ingressos em domicílio. | Espetáculo: sextas e sábados, às 21h30. | Domingos, às 19 horas. Duração: 90 min. Classificação: 18 anos | Onde estacionar? Estacionamento conveniado na Rua Augusta, 2.673 – R$ 10 (período de 4 horas. Retirada de selo do estacionamento na própria bilheteria). | Preço: R$ 70 (sexta) / R$ 90 (sábado) / R$ 80 (domingo)


ESPAÇO VERDE

Pausa Zen

BOSSA NOVA

Chega de saudade Reestreou em São Paulo Nara, musical que percorre a trajetória da cantora Nara Leão. O espetáculo, com duração aproximada de uma hora, reverencia os 25 anos de carreira da musa da bossa nova, por meio de uma seleção musical que faz a plateia viajar no tempo. A protagonista Fernanda Couto divide o palco com Guilherme Terra, Rodrigo Sanches e William Guedes, que, brilhantemente, contam a história dessa mulher que flertou com o tropicalismo, descobriu Chico Buarque, Maria Bethânia e Fagner, gravou sambas de morro e canções de Roberto e Erasmo, e até versões de clássicos americanos. Durante o musical, são pontuadas as fases mais relevantes da vida da artista e mostrado o caminho que ela percorreu na história da música popular brasileira. Entre as canções representadas estão Diz que Fui por Aí (Zé Kéti e H.

Rocha), Opinião (Zé Kéti), Se É Tarde Me Perdoa (R. Bôscoli e C. Lyra), Insensatez ( Jobim & Vinícius), A Banda (C. Buarque), Com Açúcar, Com Afeto (C. Buarque) e João e Maria (C. Buarque e Sivuca). Resumindo, o espetáculo, para quem gosta de MPB, é como poesia para os ouvidos. A direção é de Márcio Araújo.

/ Teatro Jaraguá | R. Martins Fontes, 71

Tel. (11) 3255-4380 | Bilheteria: de terça a quinta, das 14 às 19 horas; sexta, das 14 às 21h30; sábado, das 14 às 21 horas; e domingo, das 14 às 19 horas. Ingressos antecipados pelo telefone 4003-1212 ou pelo site www.ingressorapido.com.br. Espetáculo: sextas, às 21h30; sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas. | Duração: 60 min. Classificação: 8 anos | Onde estacionar? Estacionamento com manobrista no local: R$ 18. Preço: R$ 40 (sexta e domingo) e R$ 50 (sábado)

coletânea

Ode ao Blues

Produzido por Martin Scorsese, Blues – Uma Jornada Musical traz documentários e apresentações sobre o estilo blues. Os episódios são divididos em 7 DVDs e foram dirigidos por nomes como Clint Eastwood, Wim Wenders e Mike Figgs. As interpretações ficam a cargo de Muddy Waters, Eric Clapton, B.B. King, Bonnie Raitt, Lou Reed, Tom Jones, Los Lobos, Lucinda Willians, entre outros.

Na Avenida Paulista, entre o vai e vem das pessoas e dos automóveis, está uma reserva bem particular de espécies da Mata Atlântica: o Parque Tenente Siqueira Campos, popularmente conhecido como Trianon. Ao passar pelo portão principal, o visitante pode desfrutar uma série de belezas naturais. Comece o passeio pelo viveiro de animais e, no decorrer do percurso, não deixe de observar as plantas exóticas e a floresta heterogênea que existe ali, numa combinação de gigantescas e antigas árvores, que originalmente embelezavam toda a região. O parque oferece ainda aos passantes playgrounds, aparelhos de ginástica, tanques de areia e a Trilha do Fauno.

/ Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon) | R. Peixoto Gomide, 949 Tel. (11) 3289-2160

PARQUE TRIANON EM NÚMEROS

1892

O parque abre os portões pela primeira vez ao público

122

Bancos estão espalhados por toda a extensão do parque

38

Espécies vivem por aqui, sendo 29 de aves

74

Lixeiras ajudam a manter a limpeza do parque

/ Livraria Cultura | Av. Paulista, 2073 | Tel. (11) 3170-4033 | R$ 99,90

Revista Quartier

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Diversão

personalizado

Parque de diversão noturno

Black pub

Tipicamente irlandês

Se você nunca entrou em um pub irlandês nem sequer esteve na Irlanda, sugerimos que faça uma visita ao All Black, localizado no coração de nosso Quartier. A decoração desse típico Irish pub é muito característica: um ambiente aconchegante marcado por móveis de madeira escura e repleto de Brick and Bracks - objetos antigos como quadros, livros, garrafas etc. Esse é o cenário do All Black que, desde 2001, tem conquistado todos aqueles que gostam de beber uma cerveja gelada em local agradável. A cerveja carro-chefe da casa é a clássica Guinness, presente não só nos “pints” que chegam à mesa (copos de 568 ml), como também dando um toque especial em alguns pratos do cardápio, mas a casa oferece ainda uma carta extensa de cervejas nacionais e outras importadas da Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Holanda. Para completar, a programação musical conta com um repertório eclético, desde os rocks clássicos dos anos 60 e 70 até hits do momento, tocados em performances ao vivo de terça a sábado. Por Laís Peterlini / All Black | R. Oscar Freire, 163 | Tel. (11) 3088-7990

14 Revista Quartier

Quando se fala em clube de rock, logo vem à cabeça uma decoração característica e pesada, certo? Errado! Na FunHouse, a nova decoração, que tem um pouco mais de quatro meses, foi inspirada nos parques de diversões de Coney Island, em Nova York, dos anos 1920. Logo na entrada, uma tenda faz o visitante sentir-se como se estivesse no covil da temível Monga, lembrase? E uma dúzia de grandes espelhos de tonalidade voltada para o preto e o ocre traduz o glamour do espaço. A casa possui dois bares que não fogem à ideia: o primeiro, no térreo, tem um formato de carrossel, enquanto o outro, no andar superior, assemelha-se a uma barraca de tiro ao alvo. Luminárias antigas, cabeças de pantera e cortinas de ilusionistas dão um toque único ao sobrado na Bela Cintra, do lado do Baixo Augusta. Pufes, mesinhas e uma refinada cortina com barbantes negros pendentes remetem ao cenário de um mágico. Quem já conhecia a casa vai sentir falta da lendária jukebox, mas vai notar que a pista de dança ficou maior, assim como a cabine do DJ. Com a reforma, a decoração ficou mais intimista, mas o espírito roqueiro continua.

/ FunHouse | R. Bela Cintra, 567 Tel. (11) 3259-3793


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ESPETÁCULOS

BROADWAY PAULISTANA Com três importantes teatros e cercada de atrações, a Avenida Brigadeiro Luís Antônio é uma referência no cenário cultural Por Janaina Pereira

Existe uma avenida

, bem no coração de nosso Quartier, que pulsa com o burburinho cultural. No vai e vem dos ônibus, a Brigadeiro Luís Antônio, ou simplesmente Brigadeiro, como é chamada carinhosamente pelos passantes, acolhe alguns dos teatros mais prestigiados da cena paulistana. À sua volta, outros teatros, vários cinemas e livrarias, e um jeitinho de Broadway à brasileira. É possível percorrer o circuito de teatros da Brigadeiro a pé. No número 411 da avenida, encontramos o seu primeiro teatro, que na verdade começou como cinema. Em 1929, a Brigadeiro ganhava ares culturais com a inauguração de um imponente prédio construído para abrigar o Cine Teatro Paramount. No local, hoje, encontra-se um dos mais concorridos teatros de São Paulo, o Teatro Abril. A fachada do prédio foi uma das poucas coisas que sobraram após o incêndio que destruiu parcialmente o local, em 1969. Na época, o Cine Teatro Paramount cedia seu palco para que a TV Record gravasse programas de auditório. Em 1999, a empresa Time For Fun (T4F), em parceria com o Grupo Abril, adquiriu o prédio, restaurou o foyer – que hoje é tombado pelo patrimônio histórico – e reconstruiu a infraestrutura destruída pelo incêndio. O espaço então recebeu o nome de Teatro Abril e foi reinaugurado em 25 de abril de 2001.

16 Revista Quartier

A T4F firmou um contrato exclusivo com Cameron Mackintosh e The Useful Theatre Company Inc. e com Walt Disney Theatrical Worldwide para ter o direito de realizar e apresentar todos os musicais produzidos por esses estúdios. São Paulo passou, então, a fazer parte do seleto circuito das tradicionais metrópoles que apresentam as montagens originais da Broadway. E o público correspondeu: o teatro vem formando uma plateia fiel no decorrer desses dez anos, e é considerado o grande responsável pelo renascimento do musical no Brasil. Pessoas de todo o país vão ao Teatro Abril esperando encontrar um padrão de qualidade de superproduções mundiais. “Passei dois dias em


Produções mundiais passam pelo Teatro Abril Os atores Saulo Vasconcelos e Sara Sarres em O Fantasma da Ópera, espetáculo que esteve em cartaz por mais de um ano no Teatro Abril

Revista Quartier

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ESPETÁCULOS

ênio Cesar

Conforto durante espera no Bibi Ferreira

São Paulo a trabalho e fiquei até o fim de semana para vir ao Teatro Abril. Tinha curiosidade de ver um musical e agora vou poder”, diz a publicitária mineira Laura Mendes, enquanto aguarda sua vez de entrar para assistir ao espetáculo Mamma Mia, em cartaz no teatro até o fechamento desta edição. Entre os musicais que já passaram pelo palco do Teatro Abril estão Les Misérables, A Bela e a Fera, Chicago, Miss Saigon, O Quebra-Nozes, Cats e O Fantasma da Ópera, o musical mais visto na história da Broadway e do Teatro Abril. Foram dois anos em cartaz, com um público superior a 880 mil pessoas, o que demonstra a importância da casa no cenário cultural e na revitalização da região.

18 Revista Quartier

Tchesco, Produtor cultural Teatro Brigadeiro as peças Até que o Sexo nos Separe, Cleópatra, Cândida, Balaio de Gatos, Rock Show, Primo Basílio, Into the Woods e o musical Avenida Q, um dos grandes sucessos do teatro em 2010. Segundo Maria Inez, em geral há o espetáculo principal de sexta a domingo e as peças alternativas às terças e quintas. Às vezes, a casa também apresenta peças infantis, aos sábados e domingos. O critério para apresentação no local é que o espetáculo não seja rasgadamente pornográfico, porque o público que frequenta o Brigadeiro é mais seletivo, e que tenha apoio financeiro para não depender somente da bilheteria. “Os bons espetáculos chegam a ter 550 pessoas, mas a maioria é de 400”, informa. Ela revela ainda que, atualmente, o espaço também tem recebido eventos de empresas em razão da localização e do conforto.

Teatro Brigadeiro

Subindo mais um pouco pela Brigadeiro, no número 884, encontramos o teatro que leva o nome da avenida. O Teatro Brigadeiro ocupa o lugar que, na década de 50, foi inaugurado como Cine Monark. Nos anos 1960, o local serviu de auditório para programas da TV Tupi, por cerca de seis anos. As diversas modificações na estrutura do imóvel tornaram necessárias obras de restauro. Sob a coordenação de Ricardo Me-

nache, a primeira grande reforma do prédio foi iniciada para transformá-lo em uma sala de espetáculos, o Teatro Brigadeiro. Nos anos 1990, rebatizado como Teatro Jardel Filho, passou por outra reforma para que a criação de novos camarins e alterações no telhado possibilitassem um aumento na altura do palco. Com essas transformações, a casa passou a ter condições de receber grandes cenários de espetáculos como Pérola e O Beijo da Mulher Aranha. Pelo então Teatro Jardel Filho, arrendado pelo produtor Billy Bond, passaram espetáculos como Meno Male, Elas por Ela, Seda Pura e Alfinetadas, Caixa 2, A Partilha e Como Encher um Biquíni Selvagem, estrelados por artistas como Marília Pera, Juca de Oliveira, Luís Gustavo, Arlete Salles e Cláudia Jimenez. O Teatro Brigadeiro retomou seu nome original em 2004, sob a direção de Maria Inez Burini e Giovanna Chaccur. “A concentração de teatros está na região, é um bairro que respira cultura. Existem muitos atores, autores, diretores e técnicos que residem por ali. Além disso, o cliente sabe chegar e indicar o local, tem fácil acesso pelos meios de transporte públicos e voltou a ser objeto de investimento por parte das autoridades”, revela Inez. Recentemente, passaram pelo palco do

O público paulistano merece ser presenteado com a volta do Teatro Bibi Ferreira aos tempos áureos, resgatando todo o glamour de uma época de ouro

Teatro Bibi Ferreira

É no número 931 da Brigadeiro que está o Teatro Bibi Ferreira. Fundado nos anos 1930, o espaço hoje é visto como uma espécie de “herdeiro natural” do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), recentemente fechado. É um teatro voltado basicamente


para a apresentação de comédias e espetáculos infantis, embora esteja diversificando a programação, com shows musicais e concertos, entre outros eventos. Peças como A Mulher do Candidato, A Aurora da Minha Vida e Trair e Coçar É Só Começar brilharam no palco da casa. O teatro passou por recente reforma e inaugura uma nova fase. Sob o comando do empresário e produtor cultural Luiggi Francesco, mais conhecido como Tchesco, o Bibi Ferreira ganhou novo layout para o público e para os atores que apresentam suas peças. A melhoria, que vai das poltronas aos banheiros sociais, passando pelo palco e pela cortina, vem acompanhada de uma programação intensa: atualmente, o Bibi Ferreira está com quatro peças em cartaz. Nos fins de semana, tem até seis apresentações num único dia. O teatro lançou, ainda, o horário alternativo, às 23h59, às sextas e aos sábados. O critério para a escolha das peças é a reconhecida qualidade cênica dos espetáculos, embora o teatro também reserve espaço, em horários alternativos, para jovens produtores ou espetáculos menos conhecidos do público. “O público paulistano merece ser presenteado com a volta do Teatro Bibi Ferreira aos tempos áureos, resgatando todo o glamour de uma época de ouro”, revela Tchesco. Apesar de toda a cara nova que o empresário conseguiu trazer ao teatro, ele garante que as novidades não param por aí. “Vamos dar uma pincelada na estética da fachada interna do teatro, além de recuperar o piso do saguão, que é feito de mármore branco. O nosso público, nosso grande orgulho, ainda pode esperar mais mudanças”. Com toda essa estrutura, o Teatro Bibi Ferreira está preparado não só para as apresentações teatrais, mas também para receber eventos fechados de empresas, como convenções, palestras e afins, além de espetáculos musicais. Se você estiver na dúvida do que fazer em um fim de semana, pense nas boas opções da nossa Broadway. A Brigadeiro brilha intensamente nas noites em que o teatro se torna a grande atração da avenida. Palmas para ela e para todos que incentivam a cultura.

COMO COMPRAR INGRESSOS

/ Teatro Abril | Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 | Tel. (11) 2126-7300 Capacidade: 1.552 espectadores, sendo 489 lugares no balcão, 104 nos camarotes e 959 na plateia. Ingressos vendidos pela internet (www.ticketsforfun.com.br), pelo tel.: (11) 4003-5588, na bilheteria do teatro e em diversos pontos de vendas espalhados pelo Brasil. Preços de R$ 80 a R$ 250.

/ Teatro Brigadeiro | Av. Brigadeiro Luís Antônio, 884 | Tel. (11) 3115-2637 Capacidade: 700 lugares. Ingressos vendidos na bilheteria e pelo www.ingresso.com.br. Preços de R$ 30 a R$ 80. / Teatro Bibi Ferreira | Av. Brigadeiro Luís Antônio, 931 | Tel. (11) 3105-3120 Capacidade: 300 lugares. Os ingressos são vendidos pela internet (www.ingresso.com.br) ou nas bilheterias do teatro, de terça a domingo, a partir das 15 horas. Preços de R$ 30 a R$ 60.

AINDA EM NOSSO QUARTIER

/ Teatro Ágora | R. Rui Barbosa, 672 Tel. (11) 3284-0290 | www.agorateatro.com.br Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo Ingresso.com ou pelos tels.: (11) 3284-0290/ 3141-2772. / Teatro Augusta | R. Augusta, 943  Tel. (11) 3151-4141 | www.teatroaugusta.com.br Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo  Ingresso Rápido – tel.: 40031212 ou nas bilheterias: quartas, quintas e sábados das 14 às 21 horas; Sexta das 14 às 21h30, e Domingo das 14 às 19 horas.

/ Teatro Frei Caneca | R. Frei Caneca, 569 Shopping Frei Caneca, 6º andar Tels. (11) 3472-2226 / 2229-2230 www.teatrofreicaneca.com.br Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo Ingresso.com ou nas bilheterias: de terça a sábado, das 13 horas até o início do espetáculo; domingo das 13 às 18 horas. / Teatro Imprensa | R. Jaceguai, 400 | Tel. (11) 3241-4203 Preço único de R$ 10. Ingressos vendidos na bilheteria: de terça a sexta-feira, das 14 às 19 horas; dias de espetáculo: das 14 horas até o início da apresentação; pelo tel.: (11) 40032330 (de segunda-feira a sábado, das 9 às 21 horas) ou pelo site www.igresso.com.br. / Teatro Maria Della Costa | R. Paim, 72 Tel. (11) 3256-9115 www.teatromariadellacosta.com.br Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo Ingresso.com ou pelo tel.: (11) 4003-2330. / Teatro Procópio Ferreira R. Augusta, 2823 | Tel. (11) 3083.4475 www.teatroprocopioferreira.com.br Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo  tel.: (11) 4003.1212, pelo site www.ingressorapido.com.br, e nas bilheterias de terça a domingo, das 14 às 19 horas ou até o início das sessões. / Teatro Ruth Escobar R. dos Ingleses, 209 | Tel. (11) 3289-2358 www.teatroruthescobar.com.br. Preços variados de acordo com a apresentação. Ingressos pelo Ingresso.com ou pelo tel.: (11) 4003-2330.

VÁ AO TEATRO!

O governo do estado de São Paulo em parceria com a Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) lançaram, em 2009, a campanha Vá ao Teatro. Os ingressos são adquiridos nas bilheterias montadas nos Poupatempo ou em uma bilheteria móvel que circula pela cidade. No ano passado, 97 peças tiveram seus ingressos vendidos por apenas R$ 5. A ideia é estimular as pessoas a assistir aos espetáculos que estão em cartaz na cidade, contribuindo para a formação de plateia e a difusão cultural. Até a publicação desta matéria, não havia previsão de data para o início da campanha neste ano.

Revista Quartier

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Gourmet

➥ docerias

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Ares parisienses em plena Rua Augusta

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Deliciosas iguarias TÍPICO

PARIS NOS FUNDOS

Aqui, os pratos e o ambiente são verdadeiras conexões com a Cidade Luz Por Walquiria Botaro

Situado em uma das ruas mais badaladas dos Jardins, mais precisamente na charmosa Villa San Pietro, o encantador Crêpe de Paris abriu suas portas há quase um ano e tem conquistado o público que mora e frequenta a região. O proprietário Pierre Murcia inspirou-se nos autênticos bistrôs parisienses para recriar o ambiente, que possui um intimista salão com varanda e uma simpática salinha com sofá, além da sala de degustação com adega, onde são realizadas harmonizações e jantares privês. Mas é no andar superior que o típico terraço parisiense reserva suas peculiaridades, entre elas lavandas, citronelas e vasos de ervas frescas que dão a sensação de estar na Provença. Apesar do nome, o Crêpe de Paris é um verdadeiro bistrô com pratos bem elaborados, como entrecôte, boeuf bourguignon, coq au vin, steak tartare, confit e magret de canard, cassoulet, costeletas de cordeiro, entre outros. “O nome ‘crêpe’ remonta ao nosso grupo original, mas realmente não representa a totalidade da nossa proposta, que definitivamente não é uma casa de lanches rápidos e comidinhas, mas um típico bistrô, composto de atendimento personalizado, já que eu mesmo passo de mesa em mesa para conversar com os clientes”, comenta Pierre. No almoço, há sempre pratos do dia e menu executivo, com entrada, prato principal e sobremesa. No inverno, a casa oferece fondue e raclette e, diariamente, chá da tarde, em que se pode apreciar bolos caseiros, petits fours, pão de milho, manteiga, geleias, café gourmet, crepes doces e salgados, além de sobremesas, como o requintado crème brûlée. / Bistro Crêpe de Paris | R. Augusta, 2542 | Tel. (11) 3063-1675 20 Revista Quartier

Fiel ao conceito da casa, o restaurante e café turco Kebab Salonu tem um cardápio elaborado com uma miscelânea das culinárias do Oriente Próximo, do norte da África e da península indiana de São Paulo, um encontro que oferece aos frequentadores uma experiência sem igual. O cardápio traz como carro-chefe o kebab (carne grelhada) em diversas montagens, como o de shish de cordeiro (foto), marinado em especiarias, com coalhada seca, citronete de limão, tomate, cebola, folhas e pão lavosh (sem fermento). Reserve um tempo para se deleitar com a carta de cafés turcos que a casa oferece. Há desde o tradicional, com semente de cardamomo, muito comum no Oriente Médio, e grãos moídos bem fininhos colocados diretamente na água para efusão, até o com leite e damasco, uma verdadeira releitura dos tradicionais cafés turcos do século XIX.

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Kebab Salonu | R. Augusta, 1416 | Tel. (11) 3283-0890


para variar

De colher FAST FOOD

nhac!

Combinações é o que não faltam para esse sanduíche típico e democrático, que agrada uma série de paladares. Queijos variados, pães tostados, saladas fresquinhas e carnes suculentas tornam esses hambúrgueres irresistíveis.

Pic burguer

O tradicionalíssimo e exclusivo sanduíche do The Fifties é feito com hambúrguer de picanha, alface juliana, cebola cortada em cubos, queijo e molho especial.

R$ 18,70 / The Fifties | Al. Santos, 1015 | TeL. (11) 3266-4278

Pub’s burger

É a estrela do menu de hambúrgueres do America. Servido no pão australiano, o hambúrguer é complementado com cebola caramelizada com cerveja preta, provolone grelhado, tapenade de azeitonas, alface frisé e maionese.

R$ 23,90 / America | Av. Paulista, 2295 | Tel. (11) 3067-4424

Bombom a la presse

A versão prensada, exclusividade da Lanchonete da Cidade, leva tomate, mussarela de búfala, um fio de azeite e o exclusivo pão bossa nova, acompanhadosde suculento hambúrguer de carne bovina.

R$ 28,00 / Lanchonete da Cidade | Al. Tietê, 110 | Tel. (11) 3086-3399

Prime angus

Este irresistível sanduíche do General Prime Burger traz hambúrguer de picanha Angus, queijo prato ou cheddar – ao gosto do freguês -, alface, tomate, panceta (um tipo de bacon) e molho bernaise.

A chef Morena Leite, do restaurante Capim Santo, recriou o doce tradicional e queridinho das famílias brasileiras. Aqui, o brigadeiro ganhou três versões tentadoras: tradicional de chocolate, de pistache e de castanha-do-pará, que são servidas em divertidas colheres. Além do saboroso trio de brigadeiros, entre os pratos principais da casa estão o delicioso vatapá de lagosta, o camarão grelhado com banana-da-terra, acompanhado de risoto de ervas, e o picadinho de picanha de cordeiro, receitas preparadas com o devido valor e variedade que os ingredientes da gastronomia brasileira oferecem. Outra atração do local é a cozinha, toda envidraçada, rodeada por um jardim tropical e jabuticabeiras, que permite aos visitantes acompanhar a frenética movimentação da preparação dos pratos. / Capim Santo | Al. Minis-

tro Rocha Azevedo, 471 | Tel. (11) 3068-8486

R$ 34 (sem batatas) / General Prime Burger | R. Oscar Freire, 450 | Tel. (11) 3060-3334

Revista Quartier

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Gourmet

saudosista

Com clima de nostalgia

nobre

À MESA COM REQUINTE O restaurante Zucco, um dos mais novos queridinhos de nosso Quartier, so-

bressai pela diversidade de suas massas e risotos. A casa, de ambiente sofisticado e aconchegante, une a tradição da cozinha italiana com opções gastronômicas modernas. Para variar, opte pelo namorato in crosta (foto), preparado com sal grosso e servido com purê de batatas, finalizado com molho de limão-siciliano. O peixe, muito bem servido e apresentado de maneira aguçadora, chega à mesa ainda com a crosta crocante de sal grosso, que é imediatamente retirada pelo garçom, para não acentuar o sal. A carne do pescado é macia e suculenta, e seus acompanhamentos conferem ao prato um sabor especial. Para fechar com chave de ouro, experimente a crostata di mele al gelato, torta feita com finíssimas fatias de maçã, preparada artesanalmente, acompanhada de sorvete de creme. Quem está por trás de todas essas magníficas elaborações? Jurandir Meirelles, de 38 anos, baiano de Tremendal, que comanda a cozinha com maestria e genuinidade.

/ Zucco | R. Haddock Lobo, 1416 | Tel. (11) 3897-0666 fresh

Vinho em dias quentes, por que não?

O sommelier da Grand Cru, Fabiano Aurélio, indica um trio de vinhos: dois europeus e um chileno, produzidos em regiões mais frias, que conferem menor acidez e teor alcoólico à bebida. “A uva pinot noir, por exemplo, é mais leve e fresca, perfeita para harmonizar com os dias de temperatura elevada”, explica.

/ Grand Cru | R. Bela Cintra, 1799 | Tel. (11) 3062-6388

Branco Chablis William Fevre 1er Cru Vaillons 2007 100% Chardonnay Álcool: 12,5% Região: Bourgogne, França R$ 210

22 Revista Quartier

Por Laís Peterlini / Tubaína Bar | R. Haddock Lobo, 74 (Baixo Augusta) | Tel. (11) 3129-4930

Cosmopolitan do agreste Ingredientes:

Rosé Amiot Guy Crèmant de Bourgogne Brut Rosé                                     100% Pinot Noir Álcool: 12% Região: Bourgogne, França R$ 76

A charmosa decoração retrô, com cadeiras de fórmica colorida e sofás antigos, não é a única atração que dá ao ambiente um aspecto da casa da vovó. Aqui, o principal sabor de infância são as diversificadas tubaínas. Único bar do país especializado nesse tipo de refrigerante, o Tubaína oferece aos nostálgicos frequentadores mais de 20 rótulos advindos do interior de São Paulo e outros de fora do país, como a peruana Inca Kola. Para apreciar a bebida de forma mais elaborada, que tal experimentar os criativos drinques? Os tradicionais refrigerantes tornam-se pares perfeitos de bebidas como vodca, cachaça, tequila, pisco, rum, bourbon, etc. O cardápio também reserva pratos deliciosos que remetem aos almoços em família, como a pamonha frita e o cuscuz mole.

Tinto Leyda Las Brisas Pinot Noir 2009 100% Pinot Noir Álcool: 14,5% Região: Valle de Leyda, Chile R$ 75

• 4 morangos • 2 colheres de sopa de maracujá • 10 ml de xarope de açúcar • 1 pedacinho de pimenta dedo de moça Preparo:

• Macerar as frutas • 50 ml de cachaça e o xarope de açúcar, bater na coqueteleira e coar na taça dry. Deixar faltando dois dedos e completar com tubaína de uva. Para finalizar, decore com o pedaço de pimenta dedo-de-moça.


mangiare

Divulgação / TADEU BRUNELLI

iTALIANO sob medida Comandado por três jovens italianos, Bruno Manuali, Edoar-

do Comodi, ambos de 23 anos, e Vanessa Scassellati, de 19, o Manuali chega ao nosso Quartier. Logo na entrada, a vitrine de massas chama atenção com suas 13 variações entre simples e recheadas, além da visão que se tem de todo o trabalho de produção artesanal que ali é feita. Isso porque a proposta da casa é levar aos frequentadores a legítima pasta fresca italiana, preparada diariamente com farinha de trigo importada da Bastia Umbra e sêmola de grano duro advinda de Puglia, regiões da Itália. O prato que descreve melhor o Manuali é o maltagliati al vero pesto genovese, massa acompanhada de molho genovês, manjericão italiano de folhas grandes, queijos parmesão e pecorino, pinoles, alho e azeite. “A particularidade do restaurante é ter o prazer de oferecer pratos como se fossem realmente feitos na Itália. Queremos conquistar os clientes pelo nosso diferencial. ”, diz Bruno. O cardápio conta com pratos de norte a sul da Itália, e muitas das receitas recebem toques nobres com as autênticas trufas negras de Alba. “Nada de azeites aromatizados! As trufas desembarcam da Itália diretamente nos pratos do Manuali”, garante o chef Edoardo.

/ Manuali | Al. Lorena, 1442 | Tel. (11) 3063-1317

Conheça a doçaria mais saborosa da região e aproveite essa incrível promoção.

Na compra de qualquer bolo inteiro, exceto mini e promoção, ganhe 20 docinhos* tamanho festa. * Sabores: brigadeiro, bicho de pé e dois amores

Apresente este anúncio no ato da compra. Válido até 31/07/11.

Galeria 2001 Av. Paulista, 2001 Loja 42 - entrada pela Rua Pe João Manoel, 67. Tel: 3287-6129 Siga-nos Revista Quartier

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amoraospedacos.com.br


Gourmet

cheio de charme

SABOROSAS MARACUTAIAS Quem passa na frente da entrada do restaurante Marakuthai não imagina a alquimia que ali reside para a elaboração dos pratos

e a estonteante decoração que o ambiente reserva. O cardápio, de elaboração variada, traz peixes, massas e os toques refinados tailandeses, que ficam por conta da riqueza dos frutos do mar, do coco, do gengibre e das pimentas que incorporam as receitas exclusivas da chef Renata Vanzetto, de 22 anos. Uma opção é a suculenta e bem servida posta de pescada amarela empanada, acompanhada de purê de batata-doce, alho assado, tomate-cereja confit e tomilho limão, prato que leva o nome de peixe crocante. Mas, se quiser provar uma massa, fica aqui a sugestão do nhoque de abóbora, que vem com camarões, requeijão, azedinha e molho suave do próprio fruto do mar. A sobremesa? Adoce a vida com o santa teresa, creme de iogurte com calda de framboesa, mexerica e blueberry. Quanto à decoração, destacam-se as cores turquesa, vinho e branco, que estão em algumas das poltronas e cadeiras da casa; os objetos, espalhados pelos cantinhos, que foram escolhidos a dedo nos brechós da cidade; além das pinturas da artista plástica Verena Matzen, que harmonizam as paredes do restaurante. / Marakuthai | Al. Itu, 1618 | Tel. (11) 3062-7556

tradicional

Querido francês

A exclusividade da Benjamin Abrahão são seus croissants de presunto e queijo e de chocolate, elaborados com uma receita tradicionalíssima que o chef Felipe Abrahão herdou de seu avô. Mas as fornadas da padaria revelam que ainda mais irresistíveis são seus pães franceses, companheiros inseparáveis de todo bom paulistano, principalmente de quem circula por aqui.

/ Benjamin Abrahão | R. José Maria Lisboa, 1397 | Tel. (11) 3061-4004

6

horas

Horário da primeira fornada da Benjamin Abrahão

24 Revista Quartier

20 2 fornadas mil são realizadas no decorrer do dia

pães são vendidos, diariamente


Os nossos valores, a nossa razão de ser Hospital Sírio-Libanês Conhecimento, cuidado e calor humano. Esses são os pilares que edificam a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês desde a sua fundação. Criado para ser um centro médico de excelência e, acima de tudo, uma instituição filantrópica, o Hospital mudou muito nessas últimas décadas. E, assim como na área médica, houve um notável crescimento em seus programas filantrópicos. Hoje, além de oferecer assistência médica, exames, programas de saúde, lazer e educação para a comunidade socialmente vulnerável da cidade de São Paulo, o Hospital Sírio-Libanês atua em âmbito nacional, disponibilizando sua expertise em gestão hospitalar e conhecimento médico a diversos estados do País.

Programas em parceria com o Ministério da Saúde: Em todo o País, o Hospital Sírio-Libanês desenvolve projetos de capacitação de profissionais de saúde, formação de gestores e educação da comunidade com o intuito de formar multiplicadores desses conhecimentos e aprimorar o Sistema Único de Saúde melhorando a qualidade de vida do cidadão brasileiro.

Rede de Gestão do Cuidado do Paciente Crítico Gestão da Clínica nos Hospitais do SUS Capacitação em Saúde Baseada em Evidências Rede Sentinelas em Ação A Cidade em Defesa da Vida Capacitação em Suporte à Vida RENTRANS - Rede Nacional de Transplantes

8

Tipos de Curso

251

Colaboradores Efetivos

490

Instituições Envolvidas

14.552 Alunos

Foto: Crianças do “Abrace seu Bairro” realizando atividades externas. O Programa atende mais de 3.000 famílias, com mais de 4.500 crianças e jovens beneficiados.

Responsável Técnico: Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira - CRM 65344

Gestão da Clínica nas Redes de Atenção à Saúde


Manual

➥ M o da

& Ac e s s ó r i o s / / C a s a & D e c o r aç ão / / B e m -v i v e r

➥ EXPERIÊNCIA MUSICAL O Dock Station Beo Sound 8 é um potente sistema de som que reproduz músicas armazenadas em dispositivos, como iPad, iPhone e em toda a família de iPods. Na parte traseira, o aparelho possui duas entradas, sendo uma USB e outra AUX. Uma característica relevante do BeoSound 8 é a conectividade wireless, que permite reproduzir músicas armazenadas em qualquer computador conectado à rede. O aparelho, com design minimalista, pode ser pendurado na parede ou colocado sobre algum móvel.

lha Escoditor do e

/ Bang&Olufsen | R$ 2.950

➥ DISCRETA SOFISTICAÇÃO Com estrutura de aço inoxidável polido, a cadeira Tivoli foi concebida pelo renomado designer dinamarquês Verner Panton, em 1955. O modelo fez muito sucesso na época e, quinze anos depois, saiu de linha, mas retornou ainda mais versátil. O assento é constituído por fios de poliuretano e vem em 12 cores incríveis, perfeita para dar um ar despojado ao ambiente residencial ou de trabalho.

/ Scandinavia Designs | R$ 1.999

➥ DESIGN VERSÁTIL A linha Muuto traz móveis, luminárias e uma série de objetos, que priorizam linhas simples e materiais inusitados. A Oto 100, da designer Pil Bredahl, por exemplo, é uma estante feita com tubos de fibra de vidro, envoltos com uma cinta de náilon. Todas as peças do móvel chegam numa pequena caixa que, montadas, formam nichos versáteis para vários ambientes.

/ Micasa | R$ 3.595 26 Revista Quartier


➥ HOJE TEM

MARMELADA?

➥ À PROVA DE DESASTRADOS

Na Juggler, loja com diversidade de acessórios circenses, é possível encontrar esses simpáticos palhaços produzidos com biscuit, espuma e tecido.

O smartphone DEFY promete resistir a tudo: chuvas, riscos causados pela queda do aparelho na areia, bebidas derramadas etc. Possui tela de 3,7 polegadas e motoblur, que facilita o gerenciamento de e-mails, mensagens e updates de redes de relacionamento, diretamente na tela inicial. O DEFY ainda vem com câmera de 5 MP com zoom digital, e connected media player, que permite comprar e baixar músicas com o próprio aparelho.

/ Juggler | peças a partir de R$ 200

/ Motorola | R$ 1.499

➥ INSPIRAÇÃO

A TODO VAPOR

Ronaldo Fraga foi um dos convidados de Baba Vacaro, diretora de criação da DPot, para desenvolver uma das peças da coleção Imaginários. O estilista criou o Carrim, carrinho inspirado no Benjamin Guimarães, único barco a vapor em atividade no rio São Francisco. A peça tem fragmentos gráficos usados na coleção “Velho Chico”, desfilada em 2008. Ideal para carregar comidas, bebidas e comportar livros.

➥ ESPIRAL NOVA-IORQUINA O saca-rolhas, da Invotis, foi inspirado nos postes da cidade de Nova York e criado para zombar da crise do mercado financeiro que ocorreu há três anos. Na embalagem, a recomendação: “Toda vez que abrir uma garrafa de vinho, lembre-se de quem se danou na crise e junte forças para que isso não aconteça novamente!”.

/ Dpot | R$ 7.020

/ Coletivo Amor de Madre | R$ 96

➥ JEITINHO ALEMÃO Para quem costuma viajar a negócios, sabe que arrumar as malas não é tarefa fácil, mas, mais difícil ainda, é abrir a bagagem e ter as roupas sociais como se tivessem saído do armário. A espaçosa Salsa Suiter, da marca alemã Rimowa, cumpre muito bem esse papel e acomoda peças, como ternos, tailleurs e vestido, de forma que cheguem ao destino final em perfeitas condições, prontas para a primeira reunião do dia. O modelo está disponível nas cores vinho, preta, chocolate e grafite.

/ Rimowa | R$ 3.160 Revista Quartier

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UE Manual

ensaio

URBANOS ESTILOSOS Eles figuram nos cenários mais antenados de nosso Quartier e mostram que, até no ambiente de trabalho, é possível ter looks trends fotos Luiz Maximiano

28 Revista Quartier


Nanda Cury 29 anos Vendedora da Livraria Cultura e cantora Onde encontrá-la: Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional, Tel. (11) 3170-4033 - www.myspace.com/xsop ou www. favoritelookofsaopaulo.blogspot.com

saia, NK STORE Blusinha, GLORIA COELHO Colete, NK STORE Meia-Calça, FOGAL Brincos de ouro com brilhantes, DRYZUN AnÉis em ouro, DRYZUN Pulseira, SUELI CARVAL Sapatos, STUDIO TMLS Bolsa, NK STORE

Em 2007, a entusiasta das artes foi estudar canto popular em um conservatório, montou a banda de rock XsO Pretty e adotou o visual black power. Formada em relações internacionais, ela adora moda, maquiagem e fadas. Considera os Jardins um centro econômico e cultural por onde circula gente do mundo todo. “A tradição e a novidade se encontram aqui”. Além de ver vitrines da Oscar Freire e da Galeria Ouro Fino e fotografar cabeludas para seu blog, ela frequenta locais como o Vanilla Caffè, o Studio SP, o Espaço Unibanco de Cinema, a feirinha de domingo do Center 3, a Bella Paulista, o Masp e o Retrozaria.


Marcelo Manzini 45 anos Responsável pela imprensa e comunicação de moda do Grupo Armani Brasil Onde encontrá-lo: R. Haddock Lobo, 1550, Tel. (11) 3323-3510

30 Revista Quartier

Natural de Vargem Grande do Sul, SP, o filho de mãe brasileira e pai italiano foi criado na capital paulista, mas voltou para o interior durante a adolescência. Formado em comunicação visual pela Faap, sempre atuou no varejo com roupas de grife. Há 10 anos entrou na Armani como vendedor e traçou uma bemsucedida trajetória na empresa. Adora caminhar pelos Jardins e observar quem passa por suas ruas. “Faz tempo que trabalho na região e sinto-me em casa aqui. Frequento a Livraria da Vila, a Zebra - o frozen yogurt é delicioso! –, e a banca de jornal da Oscar Freire com a Bela Cintra.”

Camisa Calça Jeans Cinto TÊnis EMPORIO ARMANI


Fabio Santos 29 anos Gerente operacional do Z Carniceria Onde encontrá-lO: R. Augusta, 934, Tel. (11) 2936-0934

Corintiano fanático da Zona Leste, Mec [um boné do McDonald’s lhe rendeu esse apelido na infância] trocou a Informática pela noite ao entrar para o staff do D-Edge, em 2005. Ele aprendeu coquetelaria na prática, fez cursos de especialização e agora estuda gastronomia. Aprecia a mescla de tipos e estilos dos Jardins e as opções que a área oferece. “Nos dias de folga, vou à Livraria Cultura, à Fnac, à Galeria Ouro Fino, à Nike, à Bella Paulista, ao Frevo, ao Rockets, ao Blue Pub. Quando estou trabalhando, estico no Vegas, no Lions, no Alberta #3. Depois da balada, a coxinha do BH é sempre bem-vinda”.

Camisa, SKYLAND Tricot, RESERVA Calça Jeans, CALVIN KLEIN RelÓgio, NIXON

Revista Quartier

31


Brincos de ouro com pÉrolas, DRYZUN Pulseiras, SUELI CARVAL Blusa, GLORIA COELHO Cinto, ARMANI EXCHANGE Saia, LEFT Meias, FOGAL Sapatos, STUDIO TMLS

Paula Paze Alexandre 27 anos Bartender e garçonete do Spot Onde encontrá-la: Al. Ministro Rocha Azevedo, 72, Tel. (11) 3284-6131

Dois anos depois de entrar na faculdade de turismo, a paulistana com alma de aventureira aceitou um emprego em um navio de cruzeiro e rodou o mundo por meia década. Além da experiência de vida, a viagem lhe rendeu um marido, o turco Ahmet, e um filho, Bruno, de 2 anos. A volta ao Brasil marcou um retorno ao restaurante onde já havia trabalhado. Segundo a futura atriz, a área dos Jardins está cheia de lugares elegantes, interessantes e cool. “Gosto de ir ao cinema, principalmente na Rua Augusta, à Livraria Cultura e ao Teatro Eva Herz. Também costumo dar uma esticadinha no Paris 6 ou no Dry.”


Rafael Pio 30 anos Músico e artista de rua Onde encontrá-lo: Costuma apresentar-se na Av. Paulista, em frente ao Center 3 (pioshow@yahoo.com.br)

Filho de um casal de professores, ele nasceu e cresceu no bairro boêmio da Vila Madalena. Fez curso no Circo Escola Picadeiro e viajou pela França, Holanda e Arábia Saudita como integrante de tradicionais trupes. E foi em uma dessas excursões pela Europa que surgiu a ideia de começar a se apresentar ao ar livre. “Eu via os artistas de rua trabalhando e queria fazer algo semelhante, criar um personagem e contar uma história tocando.” Quando não está dando show nas proximidades da Avenida Paulista, o guitarrista frequenta os cinemas da área, que ele destaca pela diversidade e pelo ritmo frenético. Blazer de lã, AMAPÔ Camisa, AMAPÔ Calça, CALVIN KLEIN Cinto, MCD sapato, RESERVA

texto: Eduardo Zanelato Produção de moda: CAMILA e JULIANA BORBA BY SIsTAMODÉ make/hair: Carmen silva

Revista Quartier

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Manual

1 ➥ Caixa de som

compras

ceramic speakers by Joey Roth Benedixt (nº 1584) R$ 3.300

9

Av.Paulista

Al. Santos

15

Al. Jaú

10

Al. Itú

Al. Franca

5 4

Al. Tietê

2 3 1 14 13

7

Al. Lorena

11 8 6 12

R. Oscar Freire

R. Estados Unidos

HADDOCK LOBO Ela poderia ser a 5ª. Avenida, de Nova York, ou a Via Montenapoleone, de Milão, mas é no coração de nosso Quartier que está esse centro de luxo do país. Um verdadeiro garimpo a céu aberto de acessórios cheios de bossa e objetos descolados. Por Melissa Thomé e Walquiria Botaro

2 ➥ Vinho tinto

Vega Sicilia Valbuena 5º 1998 Figueira Rubaiyat (nº 1738) R$ 831

3 ➥ Galinha dos ovos de ouro Chocolat du Jour (nº 1672) R$ 288

5 ➥ Quadro “A Jangada”, de Aldemir Martins (1970) (1 m X 81 cm) Espaço Galeria (nº 1307 – Lj. 26) R$ 48.500

6 4 ➥ Mesa de apoio Pique Assiete, feita com louças dos séculos XIII e XIX Secrets de Famille (nº 1260) R$ 7.140

34

Revista Quartier

➥ Peep toe Saad (nº 1545) R$ 867


7 ➥ Luva bronze

9 ➥ Adega

metallic Accessorize (nº 1491)

climatizadora 12 garrafas Spicy (nº 746)

R$ 82

R$ 699

8 ➥ Anel

Panthère Cartier (nº 1567),

10

R$ 41.970

11 ➥ Bolsa

➥ Yume lounge chaise Futon&Home (almofadas à parte) (nº 1025)

Salvatore Ferragamo (nº 1583)

R$ 5.990

R$ 1.598

13 ➥ Pulseira de

12 ➥ Relógio

ouro 18 quilates com pedras brasileiras e safiras coloridas Sara Joias (nº 1576) R$ 1.290

Montblanc Nicolas Rieussec Montblanc (nº 1511) R$ 24.013

14 ➥ Navy Chair by Emeco Benedixt (nº 1584) R$ 1.682

15 ➥ Bicicleta Marin

Bridgeway 15 Marrom Sport Star Bike Products (nº 956) R$ 1.799,90

Revista Quartier

35


Manual

➥ Colete em

melhor aposta

SINFONIA

náilon e camurça Gant R$ 486

DE OUTONO

A nova estação chega e com ela um contexto de natureza. Os tecidos se tornam mais quentes e confortáveis, e os tons e materiais nos remetem ao meio ambiente, tendência austera e up to date. Por Melissa Thomé

➥ Brinco em

citrino e quartzo conhaque Francesca Romana Diana

➥ Camisa

R$ 420

xadrez Alexandre Herchcovitch R$ 358

➥Chapéu de

feltro preto Chapelaria Parafinus no Mercadinho Chic R$ 179

➥ Casaco

com zíper, Maria Valentina R$ 648,78

Ela

Aqui, a brincadeira é a do mostra-esconde. As pernas à mostra, porém aquecidas pela meia-calça, e o sapato tipo Oxford são itens indispensáveis dessa estação. O casaco, com cores tipicamente do outono, aquece e conforta os braços, e nada pode ser mais propício do que um chapéu fedora para dar o glam necessário.

➥ Camisete tié-dye, Verve R$ 168

➥ Body

em tule dourado New Order

➥ Pasta tipo carteiro em couRo Louis Vuitton

preço sob consulta

R$ 2.700

➥ Calça

➥ Saia em

jeans Calvin Klein

veludo, 284

R$ 444

R$ 199

➥ Sapatênis

marrom Giorgio Armani R$ 1.590

➥Meia-

calça arrastão Lupo R$ 20,90

Carteira de ➥ pyton mesclada Angela di Verbeno para Folie des Sacs R$ 1.980

36 Revista Conviver

Ele

Os coletes estão de volta, porém em versão esportiva. Nesse, em especial, a camurça contrasta com a tecnologia do náilon, e a camiseta sempre traz o conforto desejado nos dias mais frios... Uma pasta-carteiro adiciona praticidade e modernidade ao look outonal.

➥ Sapatos Oxford em Pyton Lui Graciolli R$ 1.460


ÁFICA DIG GR ITA

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Cópias e impressões: P/b e color Banner: Lona e foto Plotagens: PLT e DWG Acabamentos: Refile, grampo e dobra Encadernações: Wire’o, hot melt e espiral Transfer, Cartão PVC e Carimbo

Tel.: (11) 2306-2165 aspeed@terra.com.br

Manual / Compras

Manual / Ensaio

Bang&Olufsen Tel. (11) 3082-8277 Coletivo Amor de Madre Tel. (11) 3061-9044 Dpot Tel. (11) 3082-9513 Juggler Tel. (11) 3063-3077 Micasa Tel. (11) 3088-1238 Motorola Tel. (11) 4002-1244 Rimowa Tel. (11) 3062-0226 Scandinavia Designs Tel. (11) 3081-5158

Amapô Tel. (11) 3222-3776 Armani Exchange Tel. (31) 3323-3570 Calvin Klein Tel. (11) 3817-5702 Dryzun Tel. (31) 3811-4100 Emporio Armani Tel. (11) 3323-3510 Fogal Tel. (11) 3088-8279 Gloria Coelho Tel. (11) 3085-6671 Left Tel. (11) 3045-5862 NK Store Tel. (11) 3897-2600 Nixon Tel. (41) 3081-2798 Reserva Tel. (11) 3032-8722 Skyland Tel. (11) 3064-6633 Studio TMLS Tel. (11) 3063-5352 Sueli Carval Tel. (11) 8196-8226

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CONVERSA

Intelectualizado, divertido e com talento extraordinário... Assim é Dan Filip Stulbach, filho de poloneses, corintiano e um apaixonado pelo teatro. Por Walquiria Botaro

fotos Luiz Maximiano

ILUSTRE CONHECIDO

C

Com 41 anos, Dan Stulbach está à frente da direção artística do Eva Herz, onde se propõe a dar frescor e diversidade à programação do teatro, e também apresenta, toda última sexta-feira do mês, o programa de rádio Fim de Expediente, que vai ao ar pela CBN. Esse primeiro brasileiro de uma pequena família de imigrantes poloneses também é um dos “calças” do programa Saia Justa, exibido pelo canal a cabo GNT. Mas é nos palcos que Dan encontra seu lugar, dribla a timidez tão intrínseca em sua personalidade e manifesta o seu talento nato para a interpretação. Para a entrevista de Quartier, Dan nos recebeu nos estúdios da CBN com um visual despojado, de chinelos, jeans e camisa. Contou-nos que, além do teatro, também nutre a paixão pela fotografia e pela leitura, e que sua popularidade não o impede de caminhar pela cidade, além de já não se importar mais com a maneira com que as pessoas podem julgá-lo pelo que fala ou pensa.

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CONVERSA

fizeram uma participação. Você chegou a contracenar com eles, como foi isso? O Daniel precisava de

Em que região de São Paulo você nasceu? Nasci em Higienópolis e morei 27 anos da minha vida nesse bairro. Depois fui para Perdizes, mas meus pais moram lá até hoje.

Quando você está em São Paulo, o que costuma fazer, quais lugares que gosta de frequentar? Divi-

do meu tempo indo a lugares que eu gosto, sentando-me às mesmas mesas, encontrando donos de estabelecimentos que são meus amigos. Costumo também buscar novos lugares, por exemplo, o Mocotó, um bar na Vila Medeiros que eu adorei. Mas os bairros que mais frequento são os Jardins, o Higienópolis e a Vila Madalena.

No Jardins, onde costuma ir?

Eu trabalho lá. Faço a curadoria do Teatro Eva Herz, que fica dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, então estou sempre pela região. Costumo comer muito fora e são muitos os cantinhos de que gosto... Tem o Frevinho, que vou desde quando meu pai ainda me levava, a Lanchonete da Cidade, o Tappo, o Ritz, tem também o La Tartine e gosto de tomar café no Suplicy. Vou muito ao CineSesc, é a sala de cinema que eu mais adoro.

Em sua opinião, o que a cidade de São Paulo perde com o possível fechamento do Cine Belas Artes? A cidade perde muito, porque tem 40 Revista Quartier

caminhado para uma direção na qual todo entretenimento, seja cinema, teatro, lojas ou passeios etc., está cada vez mais dentro de lugares fechados. Sempre fui ao Belas Artes, foi lá que eu vi Cidadão Kane, por exemplo. Adoro cinema de rua, farmácia de rua... A cara de São Paulo, a cara do Brasil, é uma mistura, então, quando você perde isso e vai ficando tudo igual, vira meio pastelaria, meio Miami. Eu gosto de andar, quando eu era mais garoto andava muito. Hoje em dia, ando menos, mas, sempre que posso, circulo pela cidade. Adoro poder escolher um canto e me sentar.

E você faz isso tranquilamente, sem ser assediado? Faço. Sou uma

pessoa bastante vista, não tenho esse problema. Gosto de andar e caminhar pela cidade, despretensiosamente.

Como você consegue manter uma distância salutar entre a imprensa e sua vida pessoal?Acho

que a única separação que eu faço é da minha vida privada. Quero dizer, a minha família, as minhas coisas mais pessoais... Isso não está à venda. Então, você não vai me ver em indústria de celebridades, porque não alimento isso, não gosto e acho que não sou tão famoso assim para que eles se interessem.

No longa Tempos de Paz, dirigido pelo Daniel Filho, seus pais

uma personagem que saía da Polônia em direção ao Brasil, e minha mãe é da Polônia, meus pais são estrangeiros. Falei: “Tem uma pessoa que pode fazer por um preço bem em conta” [risos]. Ele então chamou minha mãe e se deram superbem. Meu papel também era de um polonês que chegava ao Brasil e foi tudo muito emocionante para nós. Já meu pai fez uma participação bem pequena, no começo. Somos uma família de imigrantes, minha mãe chegou ao país de navio, em Santos. Reviver isso, para nós, foi muito forte, tudo muito bonito.

Você já foi a Krakow, na Polônia? O que conhece lá? Krakow é

a cidade do meu pai e Varsóvia, da minha mãe. Eu sempre brinco com meu pai que mais do que o castelo de Krakow, que é o ponto turístico mais importante da cidade, eu queria ver onde ele estudou, onde ele morou... Eu gosto disso e nossa história é feita desses cantos anônimos.

Numa entrevista ao Juca Kfouri você disse que ser corintiano foi uma das maneiras que encontrou de pertencer ao Brasil. Explique isso melhor. Como eu disse,

minha família é estrangeira. Já no Brasil, um dia meu pai me levou ao Estádio do Pacaembu para assistir a um jogo pela primeira vez e foi quando eu vi um monte de gente gritando, se abraçando, e essa foi a imagem mais bonita que eu tive do


país. Acho que é o sonho ideal do Brasil até hoje. Eu vi que era o Corinthians e até então eu não tinha um time. Na ocasião, a camisa dos jogadores trazia escrito “democracia”, algo que na época até poderia ser vivido dentro daquele ambiente, mas não era o que se estava vivendo fora do estádio.

“A maneira de existir foi o teatro e a de pertencer foi o futebol.” De que maneira você se enxerga no mundo? Eu não era tímido, mas

também não era extrovertido. O teatro foi o primeiro lugar em que eu percebi que eu podia falar sobre mim, sem falar de mim. Então, eu podia falar e expressar emoções, e trocar essas emoções com as pessoas que estavam vendo, e de alguma maneira ser visto de forma diferente pelas garotas ou pelo universo, que naquele momento era o colégio. Depois, eu passei a dizer, realmente, minhas coisas, escrever os textos e falar de mim... A partir daí, houve uma grande transformação. Eu sempre brinco que um ator é um fotógrafo, eu sou totalmente realizado na vida, na comunicação da vida... Eu não precisaria da foto ou do teatro para falar de mim mesmo e estabelecer essa comunicação.

Você também fotografa, certo?

É, inclusive não tiro mais a máquina da minha bolsa [sorri com a câmera em mãos]. Há um tempo comprei minha primeira máquina digital, uma 5D. Eu só tive até hoje máquina analógica, como a Laica que

era... Uau! [risos]. Estou começando agora a usar a digital, porque não tem jeito e é muito mais fácil para registrar a vida.

Soube que você não só fotografa, como dá fotos de presente para alguns amigos... Adoro pre-

sentear as pessoas com uma foto grande e bonita de algum momento. Com a digital eu mando por e-mail, que é muito menos glamouroso e mais simples. Acho que banaliza muito.

Em 2010, você comemorou vinte anos de carreira no teatro. O que mais lhe projetou: a TV, o teatro ou o cinema? O que mais

me projetou foi a televisão, sem dúvida. As pessoas passaram a me conhecer por causa do Marcos, personagem da novela Mulheres Apaixonadas, e depois pelo Edgard, de Senhora do Destino. Foram dois papéis muito diferentes e marcantes. Mas o que me levou para a televisão foi o teatro, que é a minha casa, é o que eu gosto de fazer.

Algum momento lhe passou pela cabeça que você poderia ficar rotulado pelo resto da carreira por causa do personagem Marcos, de Mulheres Apaixonadas? E você acredita que algumas pessoas acabam confundindo a arte com a vida? Pelo contrário, eu

não estava nem aí! Minha única preocupação era fazer bem aquele personagem, eu vivi para aquilo. Estudava aquele personagem, queria que as pessoas o odiassem, depois queria que elas vissem no decorrer dos episódios que ele também tinha algumas qualidades. Não tive um medo comercial sobre a minha imagem, porque esse é o trabalho do ator. Agora, as pessoas misturam, sim, a arte com a vida, porque na época elas não me conheciam. Daí fui para a novela das 8 fazer um personagem como o Marcos, inevitavelmente as pessoas olhavam e diziam: “Eu nunca vi esse cara, vai que ele é assim mesmo?”. Acho que tem uma desconfiança do trabalho de ator também, porque as pessoas não tinham outra referência. Isso mudou. Mas até eu, quando estou assistindo aos jogos na TV, grito com os jogadores achando que eles vão me ouvir [risos], então a televisão tem um pouco disso.

Durante a exibição de Mulheres Apaixonadas, em 2003, você e a atriz Helena Ranaldi foram ao Senado falar com o presidente Lula, na intenção de mudar a lei que previa apenas o pagamento de uma cesta básica pelo marido, caso ele agredisse a mulher. A lei mudou e esse homem hoje pode ser preso. Por que você acredita que precisou de um merchadising social para que a Revista Quartier

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Descontração nos estúdios da CBN, durante o programa, ao vivo, Fim de Expediente

CONVERSA lei fosse mais rígida? Acho que de alguma maneira a provocação populista tem reações mais imediatas. Por isso é que jogadores de futebol e atores são usados para engrandecer pessoas que nem sempre merecem. É claro que naquele momento foi muito legal. Eu sabia disso que estou lhe falando e escolhi, porque era naquele momento uma grande honra ir para Brasília e fazer essa lei acontecer. Além do que eu me importava com essas mulheres que sofriam e não tinham direito legal algum. Foi muito bacana, adorei ter ido e fiquei satisfeito com o fato de a lei ter mudado. Pessoalmente, vou guardar o episódio para sempre. No palco, qual foi seu maior pânico? Meu pânico na verdade era pelas

estreias. Nesse caso, é muito mais fácil estrear na televisão ou no cinema. Para o ator, no teatro, na hora em que se acende a luz, ele está absolutamente só. Tem plateia na sua frente, todo mundo está lá para viajar com você ou para te julgar com mais ou menos paciência, dependendo da pessoa. Mas eu tive medo de uma vez em que eu estava fazendo um espetáculo em um teatro, em Belo Horizonte, e de repente eu desmaiei em cena. Não sei como aconteceu, lembro-me de que, quando eu acordei e olhei tudo aquilo, falei: “O que eu estou fazendo aqui?”. Olhei para o rosto de todo mundo e não sabia onde eu estava, devo ter sido abduzido [risos]... De repente, eu comecei a falar o texto do momento em que eu tinha desmaiado. Foi algo meio mágico.

Em sua trajetória no teatro você encenou grandes clássicos, como Jean Genet, Klémnikov, Shakespeare, Ibsen e Sófocles. Por que não tem nenhum Plínio Marcos, Nélson Rodrigues ou Jorge Andrade? Foi a sua formação de ator que o levou para esse caminho ou você não tem afinidade com esses teatrólogos? O Plínio, eu cheguei a conhecê-lo pessoalmente, e ele falava para eu fazer uma peça dele e sempre me provocava, enfim, acho que são coincidências da vida. Houve uma fase da minha carreira em que eu não me produzi e todas as peças foram convites. Klémnikov foi o

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primeiro deles que recebi e assim que eu comecei, acho que é o acaso. Agora, se partisse de mim, eu acho que eu faria um Nélson Rodrigues, um Plínio, mas também quero fazer outros Shakespeares.

guidade, porque acho que todos nós somos ambíguos... Gentis e não gentis, nervosos e calmos, enfim, ambíguos o tempo todo. Penso que, se você consegue isso em um trabalho, fica mais humano, mais interessante.

Shakespeare utilizava todas as maneiras e artifícios para atrair e manter a audiência: assassinatos, sexo, apostas etc. Como ator, o que você faz para entreter o público naquilo que está representando? Fazer com verdade,

O que o levaria a não aceitar um papel? Não ter um porquê de fazer, ter

com intensidade, e isso depende também do veículo, porque cada um deles tem recursos técnicos diferenciados. Acho que as pessoas têm um pouco de saudade da verdade e da fantasia no mundo de hoje, do contato, do toque. Acho que tem um caminho em que o mundo está indo, que é o do shopping, que falamos logo no início desse bate-papo, que serve para a vida também. Então, se você conseguir ser pessoal, humano, verdadeiro, causa interesse nem que seja pela estranheza.

Como você se prepara para interpretar um personagem? Eu tento

guardar a impressão de que tenho da primeira leitura do texto. Leio atentamente, com muito carinho, e vejo se repercutiu em mim. Depois, é tentar acordar aquele personagem de um jeito não convencional, procuro ter uma interpretação não óbvia. Eu brinco que eu tendo a colocar alguns defeitos no mocinho e, no vilão, algumas qualidades. Eu me esforço para inserir uma ambi-

de contracenar com alguma pessoa desinteressante ou ser algo que eu já tenha feito. Tenho tentado não realizar coisas que não possuam o mínimo valor artístico. Na televisão, por exemplo, fiz cinco séries seguidas, das quais me orgulho muito de tê-las feito: Som e Fúria, JK, O que Querem as Mulheres, e todas elas são muito legais. Acho, inclusive, que são os melhores trabalhos de cada ano que eu já fiz. Além disso, as séries acabam ganhando prêmios e é bacana fazer parte dessa turma.

Você morou um tempo na Califórnia. Por que não seguiu carreira fora do Brasil, como o Rodrigo Santoro, por exemplo? So-

mos atores de escolhas diferentes. No meu caso, eu tive esse convite duas vezes. A primeira, quando eu tinha vinte e poucos anos e havia acabado de voltar para Nova York para fazer um curso de interpretação. Fui convidado para fazer um programa de televisão e cheguei a ser aprovado, mas na hora de assinar o contrato foi o momento em que eu percebi que tinha de voltar ao Brasil e que não havia sentido para mim trabalhar para pessoas que eu não conhecia. Depois eu fiz um filme em Los An-


se você conseguir

ser pessoal, humano, verdadeiro, causa interesse nem que seja pela estranheza quer maneira, porque ele é bacana, é um cara que fez história. Mas eu acompanho o Tom Hanks como acompanho a todos. Assim como eu acompanho o Al Pacino, por exemplo, apesar de não ser parecido com ele [risos]. Eu brinco que se um dia encontrarem os ossos do Tom Hanks e venham a descobrir que ele era um serial killer, espero que isso não complique minha vida [risos].

Qual a imagem que você gostaria que nunca fizessem de você?

Quer saber? Eu parei de me preocupar com o que as pessoas acham de mim. E isso foi um passo bom. Estou fazendo agora um programa chamado Saia Justa, no GNT, que antigamente eu jamais faria, porque eu iria ficar preocupado com o que as pessoas pensariam sobre a opinião que estou dando naquele espaço, por exemplo. É claro que eu ouço, troco, respeito e aprendo, mas não me moldo por elas, senão não tem sentido para mim.

O que é censura para você? Cengeles, com a Marília Pêra, foi muito bom. Então, tive um convite para trabalhar lá de novo. Agora, eu gostaria de trabalhar fora do país, porque acredito que hoje não perco o que conquistei aqui.

É evidente a sua semelhança física com Tom Hanks. Em se tratando de atuação, você tem alguma opinião formada sobre o trabalho dele? É meio engraçada essa situação

[risos]. Foi um dos comediantes do Casseta & Planeta que brincou com isso, na Rede Globo, e daí eu comecei a prestar atenção no ator, mas acho que eu prestaria de qual-

sura é não poder dizer o que você pensa, não assistir ao que você quer ver, ser impedido de mostrar o que quer mostrar. Mas a censura que mais me interessa é a que me levou para o teatro. Eu tinha uma censura na época do colégio que era minha, comigo mesmo, com minhas emoções. E o teatro, de alguma maneira, permitiu com que eu as manifestasse.

E como é o seu trabalho no Eva Herz? Você tem total autonomia sobre a programação que a casa oferece? Há pouco mais de quatro anos,

quando ainda estavam transformando o Cine Astor em Livraria Cultura, eu apareci por ali e eles tinham a ideia de fazer um

auditório. Na ocasião, propus que fizessem um teatro e eles foram muito receptivos. Desenvolvemos o projeto em conjunto e, então, o (diretor-geral da Livraria Cultura) Pedro Herz me convidou para assumir a curadoria artística do teatro. No início era um desafio, porque eu via infinitas possibilidades e queria fazer o Eva Herz acontecer, e acredito que temos conseguido realizar isso. Hoje, sou responsável pela programação, e minha ideia é oferecer atrações diversificadas, sem ser caretas, com gente nova, diferente... Um teatro em que eu gostaria de ir.

Toda última sexta-feira do mês, o programa Fim de Expediente, que vai ao ar pela rádio CBN, é realizado, ao vivo, diretamente do Teatro Eva Herz. Como o programa nasceu? Começou com

a união de dois amigos meus, o Zé (José Godoy), que conheço desde a faculdade, e o Teco (Luiz Gustavo Medina), da época do colégio. Certo dia, nós estávamos andando de bicicleta e eu tive a ideia de fazer um programa de bate-papo entre amigos. E eles me questionaram: “Por que a gente? Ninguém nos conhece!”. Então eu disse que era por isso mesmo que eu achava que o programa seria legal e, por não sermos especialistas em nada, seria realmente um papo de amigos. E acreditei que iria dar certo e então aconteceu. No fim, foi uma mistura de teimosia, competência e também de ter uma rádio como a CBN para nos apoiar. Em abril de 2011, completaremos cinco anos no ar e já estamos em rede nacional. E também acreditamos que, nesse mesmo mês de abril, retomaremos os programas ao vivo, porque o Eva Herz está passando por uma reforma.

História de vida você tem. Por que ainda não escreveu um livro? Eu não escrevi, mas meu avô escreveu sobre as memórias de guerra dele. Mas é um pouco a percepção que tenho de redes sociais, para que falar só por falar? Não vejo sentido em dizer coisas sobre mim, agora. Possivelmente, quando eu estiver mais velho, um livro tenha o sentido de existir, de resumir como foi minha trajetória. Revista Quartier

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coffee break


café Um raro prazer Nenhuma outra bebida teve, como peça de marketing, uma cantata de Bach louvando suas virtudes. E hoje há ainda mais motivos para degustá-la POR Carlos Costa

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uem abre mão de uma fumegante e aromática xícara de café? Certamente por isso, a bebida está em alta e é hoje, ao lado da cerveja, a mais consumida do mundo. Mas nem sempre foi assim. Acreditou-se no início, quando o café ainda se popularizava na Europa, que o “negro veneno” pudesse causar descontrole e esterilidade no sexo frágil. Tanto que um alemão de nome Zimmermann, dono de uma das cafeterias pioneiras da cidade de Leipzig, encomendou a um compositor uma cantata que celebrasse as virtudes da bebida. A primeira Kaffeehaus da cidade fora aberta em 1694 – o café chegara à Alemanha em 1670. Mas a aceitação ainda era pequena. Zimmermann fez sua encomenda ao músico que frequentava seu bar – e que ficaria consagrado por sua obra sacra, Johann Sebastian Bach. O resultado foi a Cantata do Café, composta em 1732, uma das poucas obras não religiosas do autor. Três anos depois, a gente chique da cidade dispunha de oito casas para degustar a bebida. E em pouco tempo o café se tornara o toque final de uma refeição ou a razão de um encontro. Revista Quartier

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coffee break

Muito tempo se passou e, hoje, há um revival do café entre nós. A própria palavra barista é sinal dessa moda. Ele é o profissional especializado em cafés de alta qualidade (especiais) e tem como principal objetivo alcançar a “xícara perfeita”. Também trabalha criando drinques com café, utilizando-se de licores, cremes e “espirituosos”. Além disso, marcas internacionais buscam novos fornecedores, e algumas regiões produtoras, como a da cidade de Carmo de Minas, na Serra da Mantiqueira, e de Araponga, no parque Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais, foram destaque no concurso Cup of Excellence, realizado em novembro do ano passado no sul daquele Estado. Cursos de degustação recebem novos alunos interessados em aprender o preparo e o ritual de provar um bom café. O vento sopra a favor dessa especial bebida

A lenda do café

Tudo leva a crer que o grão que produz tão excitante e inspiradora bebida seja originário da Abissínia, atual Etiópia. E diz a lenda que um pastor, Kaldi, ficou intrigado quando algumas das cabras sob seus cuidados não voltavam. Saiu a procurá-las e as encontrou saltitantes, perto de um arbusto do qual mastigavam seus grãos. Curioso, Kaldi levou os grãos da planta ao monge da região. O fruto foi considerado coisa do demônio e jogaram os grãos no fogo. Só que o aroma produzido pela queima chamou a atenção. Decidiram preparar uma infusão com os frutos. Surpresa: a bebida produziu um aroma delicioso, e após tê-la provado o monge ficou desperto um bom tempo. A novidade foi partilhada por todo o monastério. E daí se espalhou pouco a pouco para o mundo. As casas de café foram surgindo em distintas cidades, e, no fim do século XVI havia lugares especiais de consumo: amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras sobre o chão se transformaram em lugares de música, danças, jogos de mesa – e, sobretudo, de conversas em que se fechavam negócios e se armavam tramas políticas. Cairo, Alexandria, Damasco, Izmirna, Constantinopla. Foi em Constantinopla, a atual Istambul, que se abriu, em 1550, o primeiro local para servir café ao público. Daí foi levado pelos turcos a Veneza. E quem primeiro divulgou as virtu-

des do café na Europa foi Leonard Rauwolf, alemão que viajara pelo Oriente em 1592, mesmo período em que a bebida começava a ser conhecida na região do Vêneto. Os otomanos tomavam a bebida por infusão: jogava-se água fervente em uma xícara, em que se havia depositado o café torrado e moído. Nem todos os paladares aprovavam de início a beberagem, mas os cafés foram sendo abertos em Londres (1652), Marselha (1671) e Paris, onde ficou famoso o Café de la Regence, ponto de encontro de personagens como Voltaire e Rousseau e até o Cardeal Richelieu. Voltaire (1694-1778) elogiou a bebida em algumas obras, como o clássico Cândido. Aos poucos, novos modos de preparo foram adotados (leia o quadro “Modos de Preparo”), um farmacêutico francês inventou a cafeteira, e muitos anos depois Achille Gaggia criava a máquina de café. E a mania estava instalada. Kaldi jamais imaginara que o café disputaria com a cerveja o posto de bebida número 1 – e que redes como a Starbucks teriam lojas espalhadas por 37 países do mundo.

O Brasil entra na parada

Com a popularização do uso do café, seu cultivo espalhou-se pelo mundo. E chegou ao Brasil por causa de uma traição. A França, já no século XVII, utilizava a Guiana Francesa para plantar o produto. Por volta de 1750, o marquês de Pombal, para resolver um “litígio de fronteira”, mandou dois emissários à colônia francesa. Um deles era o sargento-mor Francisco de Melo Palheta. Desconfiado de que na realidade os diplomatas queriam era roubar mudas da planta, o governador da Guiana não permitiu que se hospedassem em hotel, acolhendo-os nas dependências do palácio, onde poderia vigiá-los. A esposa do governador doou a Palheta algumas mudas de café e até o ensinou o cultivo. Certamente em troca de algum favor secreto. O café entrou no Brasil pelo Pará, e a primeira marca, existente até hoje, leva o nome de Palheta. Fazendo curta uma história longa, o café chegou ao Brasil e depois disso basta relembrar as aulas de história: em 1850, o cultivo da planta se tornou a base da economia imperial, o chamado “Ciclo do Café”.

Foi em Constantinopla, a atual istambul, que se abriu, em 1550 o primeiro local para servir café ao público. 46 Revista Quartier


Modos de preparo

A adição de água quente ao café torrado e moído, produzindo esse vinho negro, é um processo chamado infusão, que pode ser feita por filtragem, percolação, prensagem ou pressão. E cada um produz tipos de bebida distinta.

Filtragem: o pó é acondicionado em um filtro, de papel ou de pano, com adição de água quente não fervente por cima. Esse método é muito utilizado na cultura brasileira de preparo, com o uso de coadores caseiros e cafeteiras elétricas, dando origem ao tradicional cafezinho. Percolação: método em que se deposita o pó de café na parte intermediária de uma cafeteira que, colocada ao fogo, faz a água da parte de baixo entrar em ebulição e pressionar o pó, transformado-o em bebida, para a parte de cima da cafeteira. É a forma mais utilizada para consumo de café na Europa.

Prensagem: em um recipiente de vidro se coloca o pó de café misturado com água quente não fervente e em seguida introduz-se um filtro, que é pressionado por um êmbolo e separa o pó do café já pronto para consumo. O método, que virou moda entre os norteamericanos, é conhecido como Prensa Francesa. Pressão: conhecido como café expresso, neste preparo o grão é moído na hora e acondicionado em um filtro que sofre uma pressão de água a 90º C e 9 kg de pressão durante trinta segundos, produzindo uma bebida cremosa e aromática. Criado pelos franceses, o café expresso é considerado o método mais apropriado para apreciação de todas as nuances dessa bebida.

O Brasil produz cerca de 41 milhões de sacas de café ao ano – e consome quase metade no mercado interno. Essa predileção foi incrementada com a instalação de cafeterias estrangeiras, como Starbucks e Nespresso, reforçando uma tendência introduzida na década de 1980 por nossas primeiras redes, como o Café do Ponto, e seus cafés aromatizados, ou Fran’s Café, iniciada na cidade de Bauru (SP). O surgimento de novas marcas de café especial no varejo e o boom de cafeterias abriram espaços para os baristas e provadores. Eles se esforçam, como os sommeliers, para conseguir a dose perfeita: temperatura da água, tempo de extração, pressão, distribuição no porta-filtro. Um ritual até chegar à xícara. Claro que toda essa sofisticação e apuro têm preço. Mas nas classes A e B, nas quais acontece o aumento do consumo, isso não é problema. E hoje há amantes mais exigentes em busca de novidades e informações a respeito dos diversos tipos de cafés existentes. O que muda é o comportamento em relação ao café e o status e prazer que ele pode oferecer. Sai de cena o mero café de botequim e ganha espaço as versões sofisticadas, e o que se vende é um momento de prazer. O bom apreciador da bebida não pede simplesmente “um café”. Ele quer saber sobre o grão, a procedência, o tipo de planta e a localidade onde o café foi colhido, além do tempo de torragem. Os adeptos dos grãos especiais, tanto quanto os apreciadores de vinho (curiosidade: café em árabe é qahwa, que significa vinho), cultuam a ritualização da degustação e transformam o cafezinho em momento especial. Para isso, chegam a pagar R$ 40 por 1 quilo de grão. Mas o que faz com que esses cafés sejam tão especiais? Eles são oriundos das plantas arábicas, cultivadas em regiões a, no mínimo, 800 metros de altitude e têm um sabor mais delicado e doce, diferentemente do café tradicional, que é uma mistura das espécies arábica (70% da produção brasileira) e robusta (30%), de menor qualidade. O arábica já recebeu o nome de “café tipo exportação” e é encontrado em boas lojas ou servido em restaurantes, mas se populariza nas gôndolas de supermercados. O “café especial” utiliza os melhores grãos (cerca de 30% do total colhido), e o controle de qualidade admite apenas doze grãos defeituosos a cada 300 gramas. Como os melhores vinhos, champanhes e uísques, o café pode também ter preços elevados. A justificativa está em quesitos como alta tecnologia e escolha da área e da variedade a ser plantada. Entre as áreas de cultivo de cafés especiais estão a região da Mogiana, em São Paulo; o sul e o cerrado de Minas, além do Vale do Jequitinhonha; o oeste da Bahia e região das chapadas baianas. E vêm sendo cada vez mais valorizados os grãos das regiões de Carmo de Minas, na Serra da Mantiqueira, e de Araponga, no parque Serra do Brigadeiro, todas em locais de altitude em Minas Gerais.

O fator humano

Além da seleção do local de produção e da variedade de plantas, há as práticas caprichosas na busca por um café especial. E aí entra o talento. A começar pela colheita seletiva, manual ou mecânica, o Revista Quartier

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coffee break

qual a forma ideal de degustar café? puro e sem açúcar,porque é possível perceber todo o seu sabor. momento ideal da maturação para garantir um ótimo rendimento do café cereja. Depois, a secagem recheada de toques especiais, como o sol em camadas finas, podendo ser complementada em secadores modernos. Com o clima favorável durante a colheita, em que o tempo seja seco, os produtores podem escolher o sistema de processamento adequado às necessidades do mercado gourmet. Dependendo do critério e da escolha, podem ser produzidos o café natural, cereja descascado ou o despolpado. Elaborada a boa matéria-prima, entra em cena o barista. A Itália, um dos maiores e melhores consumidores de café, teve muito peso na sedimentação desse ritual. Por todo o país há farta seleção de cafés: Espresso, Ristretto, Caffè Latte, Caffè Macchiato, Latte Macchiato, Cappuccino, Caffè Corretto. Os italianos respeitam o café. Lá não se usa garrafa térmica como aqui, em alguns bufês. Nos cafés da manhã dos hotéis, por mais simples que sejam, há uma pessoa só para preparar a bebida. Há quem considere a espuma do leite do Caffè Latte o melhor do café servido na Itália. Perfeita, cremosa, chegando a ficar espessa. Para Marco Suplicy, proprietário do Suplicy Café, formar essa espuma chega a ser mais difícil que tirar um bom espresso. Mais um ponto para os italianos: eles criaram grande variedade de tipos de cafeteira, nas mais diversas cores, formatos e utilidades. Qual a forma ideal de degustar o café? Puro e sem açúcar, porque é possível perceber todo o seu sabor. O primeiro gole é o momento para adaptar os paladares menos acostumados a tomar a bebida sem açúcar; os seguintes são para a pura apreciação. O grande momento do café espresso é o instante: breves e intensos goles de prazer que se convertem em momentos de felicidade e reposição de ânimo. A obtenção de um bom espresso é rápida e exclusiva: o grão deve ser moído na hora, colocado em um filtro; aproveita-se a força da pressão da água a 9 atmosferas para extrair a melhor parte do pó. A temperatura da água é de aproximadamente 90°C, pois não “queima” o café, além de manter intacto seu aroma. O creme espesso é o sinal de que o espresso foi bem tirado, e é o que garante a manutenção da temperatura e preservação do aroma. Deguste com prazer a bebida fresca, um café preparado na hora, ou o mais recente possível. Beba em xícara de porcelana, pois ela destaca o sabor e cuja temperatura se mantém constante. De quebra, o espresso contém menos cafeína que o tradicional café de coador. 48 Revista Quartier

O exotismo que vira moda

No universo do café há espaço para o exótico, para não dizer extravagante. E quem estiver disposto a pagar mais de 500 euros por 1 quilo do café Kopi Luwak (ou café civeta), produzido na Indonésia e nas Filipinas, estará em sintonia com um dos últimos modismos da bebida. A produção de menos de 300 quilos por ano explica seu alto custo. O exótico da história é o fato de que um luwak, ou civeta, uma espécie de macaquinho, seleciona os grãos e come-os. Os preparadores recolhem as fezes, lavam cuidadosamente os grãos e produzem o que os especialistas consideram o melhor café do mundo. A teoria é que os grãos passam por uma pequena fermentação natural no estômago dos luwak, adquirindo um sabor levemente achocolatado, menos ácido e amargo do que os cafés comuns. Para contrapor esse exotismo da Indonésia, também temos a nossa versão, o Jacu Bird, produzido na fazenda Camocim, em Pedra Azul, Domingos Martins (Espírito Santo), e com preços em torno de R$ 250 o quilo. Os grãos do Jacu Bird são colhidos das fezes de uma ave chamada jacu, que come os melhores frutos do cafeeiro, aqueles sem defeito e completamente maduros.

A bebida vale um passeio

Uma novidade em São Paulo, depois das boas cafeterias (leia o quadro “Cafeterias e lugares com história”), é um roteiro temático criado pela São Paulo Turismo, um projeto do TurisMetrô em parceria com o Café Moka. Nele, é possível viajar pela história da cidade e sua relação com o café. No roteiro, uma das curiosidades é conhecer o local próximo à rua XV de Novembro, onde funcionou, em 1850, a primeira cafeteria, instalada na casa de Dona Maria Emília Vieira, a quituteira Maria Punga, que servia café em xícaras importadas da França aos estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Visitam-se ainda antigas cafeterias como o Galo da Sé, Café São Paulo, Girondino, Café Brasileiro e Café dos Andes. A visita segue explorando a cidade até chegar à antiga sede do Banco do Brasil, prédio adornado com esculturas de ramos de café. Depois, será a vez de visitar o Largo do Café, que recebeu esse nome por concentrar uma espécie de “bolsa de valores do café”, mais tarde transferida para Santos.


cafeterias e lugares com história Giramondo. Há alguns anos após entrevistar o então diretor da Biblioteca Mario de Andrade, o renomado advogado Luís Francisco Carvalho Filho, fui intimado a conhecer o seu café preferido: o pequeno Giramondo, na R. Marconi, 19 (tel. 3255-1463), ali nos lados da Praça da República. Hoje, o Giramondo tem filial na Al. Santos, 1198, perto da R. Pamplona (tel. 3262-1233). Ambos servem um bem tirado café Selo Verde, de Minas, além da bebida preparada com Bailey’s e chantilli.

Café Silvestre, Fran’S café

Fran’s Café. A rede que começou em 1972, em Bauru, e conquistou quase todas as capitais do país, tem alguns endereços em nosso Quartier, como o da Al. Campinas, 1061 (tel. 3057-3160); o da R. Haddock Lobo, 586 (tel. 3083-1019); e o da Av. Paulista, 358 (tel. 3283-5306). Boutique Bar Nespresso. Uma das mais comentadas da cidade, oferece em um belo ambiente dezesseis blends, entre espressos curtos, longos e da linha chamada pure origin. Entre estes, o café indriya, cultivado na Índia; o rosabaya, da Colômbia; e o dulsão, um 100% arábica do sul de Minas Gerais. A degustação desse trio é oferecida por R$ 18. Fica na R. Padre João Manuel, 1164 (tel. 3061-6505).

Irish Coffee, Santo Grão

café realle, Il barista

Santo Grão. Misto de café e restaurante, oferece cursos sobre características dos diferentes tipos de cafés e como degustá-los, com o máximo de cinco alunos (R$ 310, quatro horas, com apostila). R. Oscar Freire, 413 (tel. 3082-9969).

Fotos: divulgação

Il Barista Cafés Especiais. Criado por Gelma Franco, publicitária por formação e especialista em cafés por paixão, essa cafeteria é considerada pelos críticos uma das 10 melhores da cidade. Sua loja nos Jardins fica no segundo piso da Livraria da Vila, na Al. Lorena, 1731 (tel. 3297-9355). Além de ministrar cursos e possuir uma confraria, a casa vende os cafés Maestro (sul de Minas), Ópera (matas de Minas) e Jazz (região da Mogiana), com diferentes moagens para filtro ou expresso. Compagnia del Caffè by Suplicy. A máquina de espresso e uma grande torrefadora (o café é torrado e moído na própria casa) se destacam na decoração. O serviço é simples: o cliente entra, pega sua bandeja, faz o pedido e se acomoda nas mesas. O café, de fazenda própria, a Monte Verde, de Carmo de Minas, e a Santa Izabel, de Ouro Fino, no sul de Minas, é bem tirado de uma máquina italiana. Há venda pelo site da rede. Al. Lorena, 1430 (tel. 3083-0666).

mocha chocolate, suplicy

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SIMPÁTICA VÈLO

Isto é cool

Um dos transportes preferidos dos parisienses, a bicicleta também tem um cantinho especial no charmoso bistrô Le Buteque. A magrela, datada dos anos 1970, traz em sua garupa um caixote de vinhos cheio de flores, que são trocadas semanalmente.

/ Onde? R. Haddock Lobo, 1416

SIGA A TRILHA

Os irmãos Pedro e Jacks Lima personalizaram a calçada em frente ao chaveiro que lhes pertence há mais de 40 anos. O calçamento, que estava precisando de uma reforma, foi recuperado e ganhou 61 chaves, dos mais variados tipos, para simbolizar o que fazem nesse endereço em nosso Quartier. Aqui, eles recuperam fechaduras de procedência francesa do século XVIII e fazem chaves de antiquários. É um dos poucos chaveiros da região especializados nesse trabalho.

/ Onde? R. Pamplona, 944

CULTURA NO METRÔ

Desde 2003, as estações de metrô Brigadeiro, Trianon e Consolação, localizadas em nosso Quartier, receberam máquinas de livros da 24X7 Cultural. O objetivo é facilitar a formação de novos leitores e incentivar o hábito da leitura. Os livros custam a partir de R$ 2 e, desde a instalação da primeira máquina, somente nessas três estações foram vendidos cerca de 150 mil livros.

/ Onde? Estações Brigadeiro, Trianon e Consolação

EM DOMICÍLIO

Já pensou acordar de manhã e ter pão fresquinho e leite na porta de casa, assim como acontece nos desenhos animados? Pois era justamente essa mordomia que, lá pelos anos 1950, os moradores desse endereço tinham. Hoje em dia, somente correspondências são deixadas por aqui... Mas com o avanço tecnológico e também com a ascensão dos e-mails, logo a entrada para cartas também passará a ser peça de museu, não é mesmo?

/ Onde? Al. Jaú, 1533

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OS MESMOS VALORES

em um novo endereço

Responsável Técnico: Dr. Antonio Carlos Onofre de Lira - CRM 65344

CONHECIMENTO, EXCELÊNCIA E CALOR HUMANO

HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS UNIDADE ITAIM Quem não gostaria de cuidar da sua saúde perto de sua residência? E ainda contar com a excelência médica e calor humano de um dos mais importantes centros hospitalares do País? Pois foi pensando nisso que nós, do Hospital Sírio-Libanês, inauguramos nossa segunda Unidade, no bairro do Itaim. Aqui você contará com um Centro de Diagnósticos completo, um Centro de Oncologia, um Hospital Dia e um Laboratório de Reprodução Humana.

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