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edição especial

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ÍNDICE 03 BIOGRAFIA 04 JOBS 06 ENTREVISTA

EXPEDIENTE TEXTO BRUNNO ROMEU GUERRA ARTE VISUAL LUÍS FELIPE REVISÃO DEIVIDY RATUCHENSKI DIAGRAMAÇÃO LEONARDO VILACA COLABORADOR BRUNO PASQUALOTTO

DESIGN FIRST CASCAVEL-PR CONTATO DESIGNFIRST@PR.BR

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BIOGRAFIA

O

s pais de Alexandre eram imigrantes húnguros que vieram para o Brasil após o pai ser deserdado pela família. Aqui a mãe de Alexandre trabalhou como modista, e Alexandre a ajudava desenhava modelos de vestidos para ela, e o pai numa tipografia, onde Alexandre foi algumas vezes para auxiliar no trabalho do pai. Alexandre se dava mal na escola e chegou a ser reprovado diversas vezes, e não gostava do estudo acadêmico. Aos 11 anos seu pai morreu, o que fez alexandre perceber que teria que se virar sozinho, pos era muito protegido por seu pai antes. Alexandre Wollner é interessado pelo desenho desde a infância, e com 14 anos teve aulas no Ateliê Paulista de Belas Artes. Com aproximadamente 18, 20 anos, Wollner frequentava uma livraria e comprava revistas americanas pois se interessava pela publicidade, grafia, o próprio gráfico delas, eas comprava apenas por que gostava do que via. Alexandre Wollner iniciou seus estudos no curso de design visual no Instituto de Arte Contemporânea em 1950, criado no mesmo ano. Em 1951, ele acaba como assistente de montagem da exposição do artista Max Bill, onde entra em contato com a arte concreta, e acaba aderindo ao seu estilo. Em 1953 é convidado a estudar em uma escola supe-

rior da forma, na Alemanha, pelo Max Bill, onde fica de 1954 até 1958. Só entravam na escola quem falasse alemão, entao Wollner foi para lá 3 meses antes para estudar alemão no Instituto Goethe, e enquanto trabalhava num estágio de design. Quando volta ao Brasil, Wollner cria a empresa Form-Inform, junto com outros designers, onde projeta a identidade visual de empresas brasileiras, cuidando desde a logomarca até as embalagens de produtos. Nessa empresa ele criou marcas como Elevadores Atlas e Sardinhas Coqueiro. Em 1960, Wollner abre o próprio escritório e desenvolve logotipos para a Metal Leve e Eucatex. Em 1970 é eleito presidente da Associaçao Brasileira de Desenho Ind.

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VOCÊS TÊM UM TALENTO, MOSTREM OS SEUS TALENTOS E TUDO IRÁ SE ATRAIR PARA ESSES TALENTOS. TUDO VAI SE ATRAIR. MINHA VIDA TODA FOI ASSIM.


JOBS ALGUNS DOS MAIS MARCANTES TRABALHOS REALIZADOS PELO WOLLNER

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA

BANCO ITAÚ

ELEVADORES ATLAS

LOJAS HERING

SARDINHAS COQUEIRO

PAPÉIS KLABIN

PAPAIZ CADEADOS

COMPANHIA DO VALE DO RIO DOCE

PHILCO

JORNAIS INFO GLOBO

FÁBRICA EUCATEX

SAMARÉ

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ENTREVISTA - Como o senhor percebeu que queria ser designer? - Naquele tempo eu queria ser um grande pintor. Só quando fui para a Alemanha percebi que, se continuasse a fazer pintura, falaria com no máximo cem pessoas, e eu queria falar com 5 milhões. E para isso preciso da mídia, de divulgação. Comecei a aprender que design é uma coisa mais orgânica. Então você faz coisas que todo mundo admira, percebe e se surpreende com o novo. Fazia-me voltar a 1500, quando Leonardo da Vinci desenhou aquelas proporções humanas e tudo, com as praças, que se baseavam nas proporções do homem. Se a praça está vazia, ela está proporcional, e se está cheia também. Essa relação orgânica entre os objetos que são usados pelo homem tem que funcionar. E o homem fica adequadamente situado nesses lugares.

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ENTREVISTA REALIZADA PELO SITE ARCO WEB; PROJETO DESIGN

- Como foi sua volta ao Brasil? - Quando voltei para o Brasil, vi em São Paulo a praça Roosevelt vazia. É uma praça que irrita, não tem proporção, não tem relação: não se pensou no homem. Tudo que é malfeito a própria população quebra, rasga, suja. De coisas bem-feitas, como alguns pontos de ônibus, as pessoas cuidam. As coisas bem-feitas as pessoas respeitam. O design a gente vê na rua. Tem design brasileiro na rua? Não. Alguém ofereceu para a prefeitura e puseram uma lata de lixo em todas as ruas, desnecessário. O desenho é copiado dos franceses. Porém, o material é péssimo, uma porcaria, não fecha, então quebra: todas elas estão arrebentadas. E não é essa a intenção do design.

Temos que criar peças como um complemento do homem: você usa, gosta e respeita. Comecei a perceber isso na Europa e pensei: quero participar dessa idéia. E no Brasil nunca me ensinaram isso.


ENTREVISTA

- Quais são os outros problemas nessa área, em sua opinião? - Estão fragmentando o design em, por exemplo, web design, design de embalagens etc. Design de embalagens não existe no Brasil. Embalagem no sentido de fazer a forma de embalagens, e não fazer só o rótulo. E não existe design de embalagens aqui porque o consumo no Brasil ainda é muito pequeno para se investir em uma forma de embalagem, pois sai muito caro. Veja o exemplo do perfume Chanel: o vidro é muito mais caro do que o perfume. E não se pode fazer uma Coca-Cola com preço exorbitante só por causa da garrafa. Então, o que fazemos é comprar desenhos de outros países, onde há consumo muito grande, praticamente global. Cervejas, por exemplo, há várias cujas garrafas não são desenhadas aqui, a matriz é trazida e adaptada. Não pode, então, fazer um curso de design de embalagens se aqui não há a possi-

ENTREVISTA REALIZADA PELO SITE ARCO WEB; PROJETO DESIGN

bilidade de trabalhar. Não adianta. Temos que fazer outras coisas. Por exemplo, agora há um boom na agricultura. Então temos que fazer equipamentos para agricultura, fabricá-los e exportá-los. Dá lucro, pode-se investir e não precisa do governo. Mas aqui se investe em automóveis, iates etc. Por isso falo que estamos 500 anos atrasados. Não saímos do lugar. Fora a música, não temos uma imagem brasileira. - O senhor acha que conseguiu criar um design com características brasileiras? - Não. Temos bons designers brasileiros, mas sem características brasileiras bem definidas. Temos características globais. Quem deve criar características brasileiras são as escolas, que são os laboratórios da nova linguagem. Não digo que não é possível fazer isso, mas alguém tem que insistir nisso. A Bauhaus e a Ulm, onde eu estudei, e mesmo a IAC, eram escolas que tinham

certo idealismo. Se eu quiser fazer uma escola de design no Brasil, tenho que entrar no esquema acadêmico e ser aprovado no Ministério da Educação, que está 20 anos atrasado. A Bauhaus e a escola de Ulm também não poderiam entrar no esquema acadêmico, pois eram particulares e os diplomas não eram reconhecidos. O aluno estudava lá não para receber o diploma, mas para aprender uma profissão. Todos os estudantes dessas escolas eram praticamente profissionais, alunos-profissionais, que estudavam o dia todo. Não ficavam tomando chope.

“Todo trabalho malfeito deve ser criticado”

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PUBLICIDADE NÃO É GASTO É INVESTIMENTO.

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Projeto Acadêmico - Revista Alexandre Wollner  
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