Grifo 28

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Nº 28 01-31 OUT 2022

JORNAL DOS CARTUNISTAS DA GRAFAR

DOIS ANOS ENFRENTANDO O FASCISMO COM HUMOR E VIGOR

Quase lá!


Para termos futuro

O

Grifo está completando dois anos de existência. Criamos este jornal de humor e política para agrupar grandes autores de ilustrações, cartuns, charges, caricaturas, tiras, quadrinhos, textos. Nos perturbava a dispersão, num tempo em que o Brasil já vinha sendo aceleradamente destruído física, econômica, social, política, moral e eticamente. Humor é alerta, crítica, resistência, jamais silêncio. Era mais que tempo de um reação coletiva. Passados dois anos, estamos felizes e envaidecidos com

O GRIFO do Eugênio Neves

a companhia de tanta gente brilhante, de 16 estados brasileiros e 15 países. E nos orgulhamos de em cada número termos nos oposto ao que Bolsonaro representa, defende, faz e desfaz, queima, vende. Não há como ser neutro neste país destruído, empobrecido e assustado. Por isso, nesta eleição que definirá se teremos ou não futuro, o Grifo convida todos/as a votarem em Lula, para interromper essa tragédia e reconstruir o Brasil. E voltarmos a rir.

O Grifo Jornal de humor e política, desde outubro de 2020. Eletrônico, quinzenal e gratuito. Publicação de cartunistas da Grafar (Grafistas Associados do RS) Editores: Celso Augusto Schröder e Paulo de Tarso Riccordi. Editor gráfico: Caco Bisol Mídias sociais: Lu Vieira Participam desta edição: Bahia: Suzart Ceará: Cival Einstein Espírito Santo: Vaccari Minas Gerais: Lor Paraná: Beto Pernambuco: Thiago Lucas Rio de Janeiro: Carol Cospe Fogo, Lafa, Mayrink, Máximo, Miguel Paiva, Nando Motta, Roberto Neto Rio Grande do Sul: Alisson Affonso, Batsow, Bier, Carlos Roberto Winckler, Dóro, Edgar Vasques, Edu Oliveira, Ernani Ssó, Eugênio Neves, Fabiane Langona,Graça Craidy, Jeferson Miola, Luiz Henrique Rosa, Kayser, Lu Vieira, Moisés Mendes, Rafael Sica, Santiago, Schröder, Tarso, Uberti Santa Catarina: Celso Vicenzi São Paulo: Bira Dantas, Caco Bisol, Carlos Castelo, Céllus, Clóvis Stocker, Gilmar Machado, Jorge o Mau, José Simão, Luiz Hespanha, Mouzar Benedito, Rice Araújo, Synnöve Hilkner, Zepa Ferrer E MAIS: Argentina: Mate - Matias Tejeda, nosso capista deste mês Cuba: Michel Moro Gomez Egito: Ahmed ManSour Estados Unidos: Dan Piraro Irã: Mohamed Taoussi Macedônia: Zlatko Krstevsky

Expediente

| 2 | editorial

jornalgrifo@gmail.com

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| 3 | primeiroround

Ou Lula ou barbárie

Jeferson Miola

N

a eleição de 2018 as oligarquias dominantes fizeram ordem unida contra o petista Fernando Haddad. Como numa avalanche indomável, não havia lugar para a razão, para o argumento racional e, nem mesmo, para um mínimo de sanidade mental. Os estamentos políticos, até mesmo aqueles segmentos autodefinidos como expoentes de uma “burguesia dinâmica, moderna e metropolitana”, estavam totalmente entorpecidos pela onda da extrema-direita lavajatista que criminalizou e estigmatizou Lula, o PT e a esquerda. Essas elites padeceram duma sinistra amnésia; fingiram não lembrar que do lado oposto ao da civilização, ou seja, contraposto ao candidato Haddad, estava ninguém menos que o capitão expulso do Exército que idolatra torturadores, cultua ditaduras, faz ode à morte, odeia mulheres e defende o extermínio de adversários convertidos em “inimigos da pátria”. Nesta eleição de 2022, no entanto, é impossível a alguém decente e com ínfimo apego aos ideais de democracia, humanidade e civilidade, alegar desconhecimento sobre a gra-

vidade da situação do país e sobre o que está em jogo. É impossível, enfim, a alguém de sã consciência e de boa-fé ética e democrática, não apoiar e não votar em Lula. É absolutamente inaceitável, diante de tantas e espantosas ameaças à democracia, de tamanha devastação nacional e de destruição de direitos sociais e humanos, que algum democrata de verdade, mesmo de direita, ainda possa apoiar Bolsonaro. Depois da tragédia dos últimos quatro anos; depois do genocídio que ceifou mais de 680 mil vidas; depois de cruel descompaixão e da avassaladora destruição ambiental; depois da fome, do desamparo e da miséria, depois do extermínio programado de negros e povos originários, nem mesmo o maior dos cínicos pode dizer que se sente diante de “uma escolha muito difícil”, como cinicamente as elites disseram em 2018. Na busca de apoios para combater Lula no segundo turno, Bolsonaro reconheceu que seu governo é sofrível, mas ameaçou que “a mudança – com a volta do Lula – pode ser pior”. O fantasma anticomunista, resquício embolorado da guerra fria que ainda viceja nos quartéis e povoa mentes deturpa-

das, se manifesta hoje na forma dum antipetismo doentio e odioso. O fascismo, de igual modo que o nazismo, precisa eleger um inimigo capital; precisa de um inimigo interno como destinatário do ódio mortal. Para os fascistas, este inimigo é um mal a ser extirpado, para que a sociedade seja “purificada e limpa” de “seres impuros e inferiores”. Na literatura nazista documentada, o campo de concentração de Auschwitz era considerado o “o ânus da Europa” – quer dizer, local de expurgo do mal, de purificação da sociedade para o “renascentismo” com uma nova ordem, livre das impurezas e dos “excrementos” ideológicos, étnicos, religiosos ... É exatamente disso que se trata. Nesta eleição, estaremos fazendo muito mais que eleger o governo dos próximos quatro anos. No dia 30 de outubro decidiremos o destino do Brasil diante da trágica encruzilhada em que o povo brasileiro se encontra: entre a democracia e o fascismo, entre a vida e a barbárie. Não existe neutralidade. É simples assim: quem não está com Lula, está com o fascismo e a barbárie. Eleger Lula é um imperativo para a sobrevivência da democracia e da vida humana.


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O brasileiro virou um mentiroso Moisés Mendes

C

hegamos a este ano da graça de 2026 com os institutos de pesquisa ainda tentando sobreviver, depois do fracasso de 2022, quando previam a vitória de Lula com 58% dos votos válidos, mas os algarismos estavam invertidos, e Lula venceu a eleição com 85%. Muitos institutos alteraram completamente suas metodologias quatro anos atrás. Porque a conclusão generalizada, depois de muita avaliação das falhas de 2022, foi a de que os institutos não erraram, mas foram enganados pelos eleitores. Os pesquisadores ouviam as pessoas nas ruas, as informações eram processadas e dava tudo errado. Aconteceram erros porque os entrevistados mentiam descaradamente. Até o Magno Malta se elegeu senador no Espírito Santo, e ninguém esperava, porque as pesquisas não indicavam que ele estivesse concorrendo. Mourão era o terceiro nas pesquisas no Rio Grande do Sul para o Senado e ganhou com folga. Por isso agora os pesquisadores perguntam em quem o eleitor vai votar e, se notarem algum indício de mentira, chamam um ajudante que vai sempre ao lado do pesquisador. O ajudante leva uma máquina da mentira, aquele polígrafo que verifica se alguém mente. É um polígrafo manual, pequeno, fácil de carregar. O entrevistado repete a resposta e o aparelho indica na hora se o pes-

quisado mentiu. É tipo um polígrafo pix. O TSE autorizou o uso do aparelho em substituição à maricota, que chegou a ser usada pelos institutos, mas foi descartada. A maricota é aquela máquina de choque usada na ditadura. Foi um exagero, mesmo que seja preciso checar o que o pesquisado diz. O brasileiro virou um mentiroso, por culpa do bolsonarismo. Se Bolsonaro mente que foi roubado em 2022, todo mundo pode mentir. Tinha brasileiro mentindo que votava em Bolsonaro por temer perder suas terras para o PT. Mas não tinha terra alguma. Nem vaso com terra tinha. Mas era preciso justificar o voto no genocida, e um dos pretextos era o medo do comunismo de Lula.

Outros, que nunca entraram numa igreja, mentiam que temiam o fechamento de templos. Outros mais diziam defender a família, a ordem, o progresso, a disciplina e a moralidade, contra pecados, vícios e gays, mas eles mesmos eram gays enrustidos. O bom é que o uso da máquina da verdade vem reduzindo a incidência de mentiras. As pesquisas hoje têm 99,9% de confiabilidade. A volta da confiança nos institutos deu tranquilidade à democracia. Hoje mesmo saiu uma nova pesquisa que indica, sem margem de erro, que Damares será a próxima presidente da república, na apertada disputa com padre Kelmon. Ciro Gomes aparece com 0,1%, dentro da margem de erro.


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Ereções, campanhas e férias

Luiz Hespanha

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ilhões cansaram das teses sobre a virilidade brochonaro-miliciana, ainda que o Grito do Imbroxável tenha garantido lugar na história. Como as falhas logísticas na distribuição do Bolsa Viagra não possibilitaram a vitória na ereção do 1º Coturno, o papo agora é o tesão do voto no Lula e a concertação social no Brasil e seu papel na geopolítica latinoamericana e mundial. Lula tem recebido indicações e imposições neoliberais para os ministérios. O império finge silêncio mexendo seus cordões, mas agros e ogros de Nuestra America rugem: “hay que entregar algunos anillos, mas perder los dedos jamás”. Na mídia empresarial segue o baile. As campanhas explícitas e subliminares contra um país inclusivo continuarão. Foi ela quem criou a campanha “O Brasil que queremos”, que resultou no “Brasil que morremos”; e quem deu eco e perfume à “Ponte para o Futuro” de Temer&Asseclas. Só os seduzidos por luzes e massagens de apresentadores e colunistas amestrados fingem não saber. Consideram de bom tom serem solidários com carrascos e capatazes

para garantir 1/16 avos da visibilidade bigbrodiana que alimenta a legião de estúpidos. Quem tem pé fincado na margem esquerda ri e anda para quem virou alvo do fascismo que ajudou a fortalecer. Só torce pela briga entre escorpiões. Um dos grandes momentos do jornalismo nessa eleição foi assistir, na CNN, William Waack sugerir a Lula que anistiasse BozoNero. O jurisconsulto Michel Temer é outro fã ardoroso da ideia. Lula ignorou o espírito natalino de ambos. Mas os apelos do âncora murdochiano e do Michel Noel já ecoam em Rio das Pedras, onde será inaugurado o Comitê pela Anistia Cega e Criminosa pró-Familícia. Fontes bem armadas dizem que a proposta divide opiniões. É que uns desejam que o presidente de honra do Comitê seja o finado Capitão Adriano Nóbrega, outros defendem o nome do calado Ronnie Lessa. Outra campanha é a da beatificação em vida do Miliciano-Mór. A conexão Rio das Pedras-Pádua, região de origem do clã Bolsonaro, está a todo fervor. Fala-se que a solicitação ao Vaticano será feita por uma comissão de homens e mulheres de bens (aqui e em Miami), formada por católicos

tradicionalistas, bispos e apóstolos pentecostais. Pena que Tommaso Buscetta não esteja vivo para somar à causa. O fim de mandato de V. Excrescência está à altura do próprio. A aparição no Queen Elizabeth Funeral Show, com direito a sorrisos e mãozinha sobre Charles III, foi a mais pura expressão do respeito histriônico de um vassalo energúmeno-ergonômico. E a circunspecção de Michele “HelpBurn” e seu maquiador? Deselegante mesmo foi o Arcebispo de Canterbury, que não deixou Malafaia exercitar seu verbo divinal in english. O vexame na ONU, dos bastidores ao discurso, foi de enrubescer Odorico. Aquele púlpito tem tudo a ver com a carroceria de um trio elétrico estacionado na Esplanada do Despautério. Mas, milhões de imbroxáveis e ajudadoras votaram nele também por isso. Que glória assistir seu mito apertar as mãos do Rei, da ex-Duquesa da Cornualha, agora Rainha Consorte Camila Parker-Bowles e do Barão da Broxuália, a mais ereta personalidade da nobreza britânica. Ereção e vexame rimam com o próprio funeral, mas não com o fim das férias. Essas merecem ser prolongadas...na Papuda ou em Bangu I, talkey?


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jorge, o mau


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| 10 | bolsonarices

suzart

paulo stocker


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Disputas de projetos e o futuro Carlos Roberto Winckler

A

possível vitória de Lula no segundo turno retoma um fio rompido no golpe de 2016. A tentativa de impor um modelo neocolonial fascista balança em meio a um desastre sem precedentes na história brasileira, onde um governo declarou guerra ao seu próprio povo e destruiu em grande medida o patrimônio nacional acumulado e as conquistas sociais garantidas pela Constituição de 1988. Apesar de tudo, o fascismo colonial dá mostras de resistência não esperadas, facilitadas pelo amplo uso de medidas econômicas oportunistas e de artifícios orçamentários espúrios. A possibilidade de viver com a dignidade conquistada nos anos de governos democrático populares retorna em condições mais complexas. Em meio às ruínas, parte da elite percebeu que nem ela escaparia à hecatombe. Em julho desse ano, banqueiros e empresários assinaram manifesto em defesa da democracia, organizado pela Faculdade de Direito da USP. A explicitação da posição empresarial deu-se no documento “Contribuição para um boverno democrático progressista”, em agosto. Escrito por economistas “apartidários”, defende o projeto neoliberal sem a barbárie neofascista, com redução dos gastos obrigatórios, um programa de transferência de renda, melhoria da produtividade e um Estado prioritariamente fiscalizador. Em reuniões com empresários, Lula reiterou a necessidade de “estabilidade, previsibilidade e credibilidade" na relação Estado-Mercado.

O programa de governo de Lula enfatiza o papel do Estado no desenvolvimento, sua capacidade de intervenção nas políticas públicas de saúde, educação e pesquisa científica, o aumento do salário mínimo, o compromisso com políticas que levem à superação da fome, um programa habitacional renovado, políticas de acesso ao crédito às pequenas e médias empresas, a renegociação das dívidas das famílias, o combate à violência contra mulheres e às discriminações, o combate à destruição da Amazônia, avanço nos investimentos em energias alternativas, a ampliação do acesso ao ensino superior e fortalecimento da lei de cotas raciais e sociais. Em caso de vitória, na fase de transição, será necessário rigoroso levantamento de atos administrativos do governo Bolsonaro passíveis de revogação, que corroem por dentro as instituições, ao ponto de quase transformar a Constituição de 88 em casca vazia.

A solidez dessas medidas depende da retomada da expansão dos gastos públicos, da revisão do uso dos impostos, de uma reforma tributária distributiva e da renegociação da reforma trabalhista. A redução do processo inflacionário e a diminuição dos custos na produção supõem o controle público da Petrobras, por ora submetida a interesses de acionistas privados, além da presença do Estado na Eletrobras. A politica monetária do Banco Central, independente e submetido por lei a normas neoliberais, seguirá por dois anos ainda sob uma direção nomeada pelo atual governo. Serão anos de intensa negociação política com um Congresso de maioria, no mínimo, conservadora e com forte presença fascista. O avanço nas negociações não poderá prescindir da mobilização popular, sob risco de se frustrar o esforço de resistência cidadã dos últimos anos.


| 12 | outromundoépossível lor

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graça craidy

rice araújo


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PALAVRAS DA SALVAÇÃO A direita brasileira não paga mico. O negócio dela é pagar gorila. Pedro Álvares Cabral: - A culpa é tua! Cristóvão Colombo: - Ah, vai à merda! O vivente já não sabe o que é pior: perder pro Bozo ou perder pro câncer. Largue do fio terra por um tempo. Use o dedo pra apertar o 13. Vamos ajudar a CEEE Equatorial a encontrar o Caminho da Luz? Elizabeth não escapou, mas a Rainha Vitória foi vista fugindo da comitiva do Bozo. Imagina um faroeste com todos os pistoleiros usando chapéus da coleção da Rainha Elizabeth... Roberto Carlos foi visto em Londres perguntando sobre conservação... Ciro Gomes tá isso aqui de dar a terceira via... O triste da guerra atômica é que não vai dar tempo pra fazer chá de cogumelo. A partir de agora, os paraquedistas do Exército serão treinados por Mary Poppins. Que despreparo! O bicheiro foi encontrado com oito balas perdidas na cabeça! Onix ou Leite? Às vezes eu acho que a burrice é mais hereditária do que a morte... Quem diria que Tomás de Torquemada teria o que aprender com os neopentecostais brasileiros? A linhagem humana controla o fogo há 1,7 milhão de anos. E o nosso exército, hoje, nem as armas de fogo...

A primavera dá um belo sol pra tirar o mofo. Escolham candidatos que não temem a luz do dia. Bicho inteligente é o gambá: bota as crias nas costas e guarda a garrafa na bolsa.

| 13 | diaborosa | bier

POEMINHA FRÁGIL A morte me disse Que falta pouco Pensei no tempo Perdido e No que restava Joguei fora O relógio Rasguei o Calendário Organizei Os ódios Troquei pelos Amores E agora? Tudo o que tenho É o novo dia Que nasce na Fresta curiosa Da janela

BAR DO NEREU utebol é sempre assunto e motivo de

Fgritaria em boteco. Lembro que o papo

era sobre jogadores mortos em campo. Na ocasião, privava da nossa educativa companhia um cara que tinha perdido um tio-avô durante um jogo. Havia enfartado num embate de várzea nas antigas colônias de Santa Cruz. É dele esta história. Localizou o episódio em Santo Ângelo, ali por 1910. O futebol era uma novidade e havia uma partida em andamento naquela tarde. Algumas pessoas estavam assistindo ao jogo em pé na beira dum gramadinho escasso, que agonizava nas proximidades da atual Praça Leônidas Ribas. Um homem completamente pilchado, puxando pelas rédeas o cavalo bem apereado, achegou-se perto de uma velha que torcia pelo neto desportista. Tirou o chapéu, cumprimentou a senhora e ficou ali, mais ou menos ao lado dela, observando a correria. Sem entender, só sabia que era futebol. Até que, varado pela curiosidade, respeitosamente pediu licença e perguntou pra mulher: - A senhora pode me dizer as regras? A velha olhou o xirú de alto a baixo, mas respondeu com naturalidade. - Pois não. Quando é que o senhor menstrua?


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| 14 | querquedesenhe? | schröder

Jornalismo não é estatística

P

esquisas são ferramentas importantes de averiguação de situações, sejam eleições ou concurso de misses. Em eleições acabam se confundindo com propaganda, se favoráveis ou contrapropaganda, se desfavoráveis. Além disso elas podem ser verdadeiras ou não. Se verdadeiras, podem errar ou acertar mais ou menos, como toda projeção estatística. A questão portanto é, porque está ferramenta tão falível se transformou na coisa mais importante para a imprensa, para os partidos e para o público, mesmo quando, a cada eleição, os erros são grosseiros e interferem decisivamente na escolha popular? Do ponto de vista do público e dos partidos a resposta é óbvia, porque a mídia as utilizam como especie de oráculo infalível e inquestionável, mesmo quando cercadas de “margens de erro” e outras relativizações. E porque a mídia as usa desta maneira quase inquestionável que acaba por convencer a própria mídia, os partidos e, por fim, o público? Porque são mais baratas e mais fáceis do que fa-

zer o velho e dispendioso jornalismo de investigação, checagem e, por fim, de interpretação. O jornalismo exige jornalistas experientes, caros e autônomos enquanto as pesquisas pedem somente reprodutores cordatos e submissos. Pesquisas permitem homogeneização sem sobressaltos nas coberturas jornalísticas, além de, normalmente, atenderem os contratantes e, principalmente, garantir o grande mito da neutralidade absoluta. Os gráficos coloridos preenchem os horários de televisão e garantem manchetes quase diárias. Pesquisas viraram um fetiche para o público que supõe entendê-las. Quando os erros ou a imputação é grosseria ao ponto da própria mídia rejeitá-la não há problema: os institutos de pesquisas descartam de si próprios e trocam de nome ou de dono, para voltarem camuflados nas próximas eleições enganando partidos e candidatos que erram estratégias e frustram o público que se afoga nos erros amplificados pela mídia e, principalmente, comprometem a democracia.

querqueescreva?

Pixs A imprensa está funcionando assim: passa meses fazendo notícias a partir das pesquisas que erram escandalosamente e daí a imprensa faz de conta que não tem nada a ver. Estou fazendo como todo mundo. Quando fico um pouco decepcionado com a eleição me lembro que Bibo Nunes não se elegeu, depois o Lazier Martins e daí vou melhorando. O crescimento da eleição de mulheres e negros se deu com o crescimento do fascismo no Brasil, portanto, por favor, vamos identificar o que REALMENTE está em jogo na política. O senado brasileiro, que já teve figuras históricas, agora suportará a Damares. Cacareco, pelo menos, era brincadeira. Os “erros” das pesquisas derrotaram Edegar Pretto que não foi para o segundo turno por uma titica. Houve um tempo que desconfiávamos saudavelmente destes institutos fajutos, me incluindo na autocrítica. Oscilando entre despreparo dos jornalistas e medo da paixão partidária a mídia se abraça em pesquisas de empresas que cometem os mesmos erros. A Globo, que naturalizou o bolsonarismo por quatro anos, se vê obrigada a defender pesquisas que acabam por cometer erros inaceitáveis, mesmo dentro deste universo onde erros e acertos são apenas discursos abandonados ao longo das pesquisas. Espero que os analistas de verdade e de direito levem em conta o último debate da Globo quando Ciro e Simone, com a colaboração do padre fake ajudaram Bolsonaro a levar o debate para a galhofa e para a mentira. O surto psicótico nacional transformou o embate nacional num confronto entre realistas e alucinados.


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| 15 | internacionais

Não quero viver numa teocracia

O

miguel paiva mohamed taoussi, irã

ódio destilado pelo padre de festa junina contra não cristãos não é engraçado e pode ser letal. Sua audácia não é loucura própria. Está apoiada na crescente "bancada da Bíblia" no Congresso Nacional - determinada tanto a embolsar dinheiro público quanto a restringir direitos individuais, segundo sua rasa interpretação moral. Desde que religiões foram impostas pelos Estados, milhões de pessoas foram assassinadas em seu nome. A mais recente, Mahsa Amini, de 22 anos, em Teerã, Irã, por estar usando muito frouxamente o hijab (pano destinado a esconder os cabelos femininos). Mahsa morreu em 16 de setembro, três dias depois de ter sido presa e espancada na cabeça pela Patrulha de Orientação, a polícia da moralidade, do Comando de Aplicação da Lei da República Islâmica do Irã. Desde então, protestos de rua tomaram o país. Mais de 90 pessoas já foram mortas em confrontos com a polícia, dos quais as mulheres estão participando com a cabeça descoberta. Numa escola, jovens estudantes tiraram seus hijab e expulsaram um oficial da Patrulha de Orientação que as advertia. Atrizes francesas têm cortado mechas de cabelo, simbolizando o crime de Mahsa: deixar uma mecha. de fora do hijab. Aqui, na última legislatura, a "bancada da Bíblia" já significava 20% do Congresso Nacional brasileiro. Seu alvo moralista é a revogação de direitos de mulheres, negros, indígenas, LGBTI+, ateus. Eu me cago de medo de amanhecer em um país fundamentalista. Mas já percebo seus albores.

synnöve hilkner, campinas

Paulo de Tarso Riccordi


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| 16 | internacional

ahmed mansour, egito

moro, cuba


| GRIFO28 OUT2022 Carlos Castelo e Bier

Gilmar

MORGANA, A BRUXINHA Celso Schröder

RANGO Edgar Vasques

| 17 | tiras


| GRIFO28 OUT2022 Lafa

BIOMA PAMPA Celso Schröder

Fabiane Langona

Lu Vieira

| 18 |

tiras


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| 19 | entrevero

Não existia o brasileiro sem dívidas, agora não existe o brasileiro sem falência. Carlos Castelo

Trim - Alô. Minha princesa, olha aí e vê se chegou um e-mail pra mim. - Um e meio pra você, não. Até agora, só 89 mil pra mim. (O inominável pra sua conja)

O Brasil não está valendo nem o papel que a Casa da Moeda usa para imprimir mais dinheiro. Carlos Castelo Candidato bom não perde nem voto de castidade. Celso Vicenzi Os sambistas votam no partido-alto. Celso Vicenzi Assim me disse Chico Villela: “Primavera, tra-la-lá; Mês das flores, quá-quá-quá”. Mouzar Beneditoi Ditado da minha terra: “Pra arrastar um homem, um pentelho de mulher tem mais força do que um caminhão”. Mouzar Benedito Conhecerás a verdade em 100 anos, mas ela o incrimina já. Jair 17, Versículo Zero. Luiz Hespanha Não é tanto o que um futuro governo vai nos dar, mas o que um futuro governo não vai nos tirar. Carlos Castelo

Atrás de um grande homem, e de um pequeno também, sempre tem uma bunda. Mouzar Benedito Religião, Machismo, Capitalismo, Males da terra são. Tarso

Se ACM Neto for pardo, a Branca de Neve é do Ilê Aiyê. Carlos Castelo

Aprendi quando criança que não se deve brincar com fogo. Agora, adulto, descubro que várias lideranças mundiais gostam de brincar com fogo nuclear. Celso Vicenzi No Brasil ricos e poderosos costumam escapar das “malhas da lei”. Tá na hora de trocar o fornecedor das malhas. Celso Vicenzi

A mentira tem pernas curtas... mas não precisa delas: ela voa. Mouzar Benedito Em seus transes religiosos, Michele Bolsonaro fala línguas desconhecidas. Seria a palavra imbroxável traduzível na glossolalia? Luiz Hespanha Qual a diferença entre Palocci e Weintraub? Nenhuma. São univitelinos nas qualificações imorais. Luiz Hespanha Tinha uma Idade da Pedra no meio do caminho. Carlos Castelo Recebi um áudio de WhatsApp tão longo que estava dividido em três temporadas de oito episódios. Carlos Castelo Série favorita dos imbrocháveis: Cobra Kai. Carlos Castelo 11 dias para Elizabeth descansar. Carlos Castelo Nem indigente brasileiro leva tanto tempo para ser enterrado. Carlos Castelo Quem ganhou o GP da Irrelevância nessa eleição? Ciro, Os Conjes, Janaína Pascoal, Joyce, Zambelli, Dallagnoll, Pazzuelo, Aécio ou Dória? Luiz Hespanha Quem vai ganhar a presidência da Academia Brasileira Dos Quase Arrependidos? Merval Pereira, Zé Padilha, Lady Cantanhede ou Miriam Leitão? Luiz Hespanha


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| 20 | entrevero DICIONARIO

CASTELO DA LÍNGUA PORTUGUESA Por Carlos Castelo

CAFÓCATO, s. Cacófato com dislexia.

Deus é contraditório: não dá asas a cobras mas dá nozes a quem não tem dentes. Mouzar Benedito A mocidade é defeito que se corrige dia a dia. Já a velhice não tem como se corrigir. Mouzar Benedito A única transposição que o inominável fez, foi a própria, pro inferno. Caco Bisol

Lula vencendo a eleição! Estou tão feliz que me faltam emojis... Caco Bisol

Agora se sabe porque muitos políticos engordam no poder. É para empurrar os problemas com a barriga. Celso Vicenzi Muitos políticos fazem na vida pública o mesmo que na privada. Celso Vicenzi

CARDIOAPATIA, s. Fase da vida em que o amor é substituído por interesses materiais, pragmáticos ou prosaicos. O fim do mundo estava próximo. Depois que acabou, ninguém comentou mais nada. Carlos Castelo

CÍNICO, s/adj. Indivíduo que tem amigos reacionários e progressistas.

Censor não vota, veta.

DOGMÁTICO, adj. Cachorro inflexível.

No Nordeste vários políticos prometem água, mas só dão o cano. Celso Vicenzi

FUNERAL, s. Conjunto de cerimônias de sepultamento onde candidatos sem noção fazem papel ridículo.

Celso Vicenzi

Ditado da minha terra: “Pra arrastar um homem, um pentelho de mulher tem mais força do que um caminhão”. Mouzar Benedito Assim me disse Mário Pires, dito enquanto tomava uma cachaça: “Mens sana, in corpore cana”. Mouzar Benedito O termo "ajudadora" criado por Michelle Bolsonaro é o novo sinônimo de servilismo feminino. Já tem lugar garantido nos dicionários. Luiz Hespanha

Não posso aceitar que se mimimizem os fatos! Luiz Henrique Rosa

A ingratidão acaba com a vida de qualquer um. Lady Tebet não chegou ao 2º Turno porque não ouviu as sábias palavras de Michel Temer. Luiz Hespanha

Reclamamos de não ver por umas semanas pessoas que não víamos há anos.

Se Deus precisasse de porta-vozes contrataria gente mais gabaritada.

Se a bebida é um lubrificante social, o Corote é a vaselina líquida. Carlos Castelo

Negro engajado nunca vota em branco. Celso Vicenzi

Luiz Henrique Rosa

Carlos Castelo

GOVERNO, s. Parte da nação que não sabe o que fazer. HUMANIDADE DE REBANHO, s. Atual momento do planeta Terra em que grande parte dos humanos está se transformando em gado. INGLÊS, s/adj. Indivíduo que suporta longos períodos em filas. LIBERDADE, s. Direito que os ricos têm de fazer o que quiserem. LIVRE INICIATIVA, econ. Ficar completamente livre para exercer o desemprego. LIVRO, s. Suporte, em forma impressa, que encalha. MENTIRA, s. Verdade que entrou para a política. REAL, econ. Moeda irreal. RESILIENTE, adj. Capaz de se adaptar à uma vida no Brasil RETICÊNCIAS, s. Ponto final democrático.


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| 21 | entrevero

Aviso aos eleitos: tomar posse não é o mesmo que apossar. Celso Vicenzi

Kaikai de 4 Não faço haicai, faço kaikai, uma falsificação. E já que é pra falsificar, por que tem que ser em três linhas. Kaikai de 4!

No princípio era o verbo, depois veio o predicado. Carlos Castelo No princípio era o azeite de oliva e o alho. Caco Bisol Padaria artesanal, açougue gourmet, empório vegano. Só falta governo sustentável. Carlos Castelo Assim me disse Chico Villela: “Primavera, tra-la-lá; Mês das flores, quá-quá-quá”. Mouzar Benedito A ingratidão acaba com a vida de qualquer um. Lady Tebet não chegou ao 2º Turno porque não ouviu as sábias palavras de Michel Temer. Luiz Hespanha A cadeia também é lugar de gênios do crime. Marcola e Fernandinho Beira Mar comandam seus pupilos de dentro das celas. Steve Bannon, também. Luiz Hespanha

A famiglia inominável joga Banco Imobiliário desde sempre. Caco Bisol

Facebook é de direita. Na dúvida, os algoritmos ferram a esquerda. Caco Bisol

Ouvi o que o povo diz E a dúvida que há É se ele é broxa com xis Ou se é brocha com cê agá. rafael sica

“Imbroxável”, “Ajudadora”, “Infustutura”. Só linguistas radicais de esquerda não consideram a contribuição da Era Bolsozóica à língua portuguesa. Luiz Hespanha Inteligência voltada para o mal é terrível. Agora, imagine burrice. Carlos Castelo Se essa elite não precisasse de cozinheira, faxineira, motorista e jardineiro, mandava logo matar todos. Caco Bisol Em certa medida, as redes sociais são nosso happy hour. Caco Bisol Volta e meio penso nos desaparecidos midiáticos, por isso pergunto: onde anda o ministro Gilmar Mendes ou você não lembra mais quem é? Luiz Hespanha

Sem anos de sigilo no Brasil. Carlos Castelo

O país do futuro É saudoso do passado. Com presente obscuro, Sofre de bico calado. Não há mal que nunca acabe. Só bolsonarista É que não sabe. Primavera, muitas flores! Eba, que boniteza! Queremos também amores E fim da malvadeza! Que saudade dos sambas Como os do Noel Rosa! Dos músicos bambas Bons de poesia e prosa. Primavera: Esperança. A gente espera Uma lambança Que venha o novo ano, Dois mil e vinte três. Que não haja desengano Pra mim nem pra vocês.

Tivemos muitas aulas sobre o que Deus gostava e desgostava, dadas pelas Tias. Margaret Atwood, em Os testamentos Fico imaginando bispos e pastores traduzindo para as evangélicas os significados bíblicos, o terreno e o celestial, da palavra imbroxável. Luiz Hespanha

Com fome e desempregado Mas radical bolsonarista Sente-se feliz em ser gado E miséria é sua conquista.

Com direitista velho, Discutir não queira. Cabelo branco, às vezes, É sinal de besteira.

piraro

Ele se julga esperto, Mas na verdade é assim: Se faz de burro Pra comer capim.


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| 22 | borracheiro&exorcista | ernani ssó

Bananão, modo de usar

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ão é de hoje que o Bananão não faz sentido. Por exemplo, a abolição da escravatura. É só um pedaço de papel, mas comemorado até hoje. Na prática, a abolição foi o aperfeiçoamento da escravatura e pretexto para ressarcir os prejuízos que os escravocratas não tiveram. Mesmo assim tem muita gente querendo a volta da escravatura aos moldes anteriores e esperam que o Broxonaro libere de uma vez a compra de chibatas. Veja as palavras. Elas não significam o que consta nos dicionários. Comunista, digamos. O PT, um partido socialdemocrata, é chamado de comunista. O PSDB, que antes de implodir se apresentava como socialdemocrata, é de direita. O Broxonaro, de extrema-direita, é tratado carinhosamente de direita pela imprensa. O Direitão tem o apelido esperável: Centrão. Partido político é o nome oficial de várias maltas, súcias e catervas. Não

entendeu? Quadrilhas. No Bananão, Deus não é Deus. É como família, que não é família, claro. São álibis, apenas álibis, para se defender crenças medievais e a exploração dos explorados de sempre. Também é um espantalho para afastar comunistas e outros entes perigosos como o Saci, a Mula Sem Cabeça e o Boneco Chucky. Bom não esquecer os bandos de mamadeiras de pirocas que sobrevoam pré-escolas e pracinhas, espalhando o terror em plena luz do dia. Os militares também não fazem o menor sentido. Eles chutaram o Broxonauro do quartel por ser uma vergonha: planejou atentados terroristas. Mas passaram pano para os terroristas que explodiram bancas de jornal, mataram uma moça na OAB do Rio e se arrebentaram na tentativa de assassinatos múltiplos no Riocentro. Com essa lógica, se o Broxonauro não tivesse fica-

do apenas nos planos, teria sido poupado. A expressão salvar a pátria enche a boca de milhões de pessoas incapazes de explicar o que isso significa. Mas é fácil, fácil. Salvar a pátria é defender torturador e milícias em geral, a indústria armamentista, os conglomerados de mineração e a legalização do jogo em nome da liberdade dos mafiosos de Las Vegas. Salvar a pátria é condenar a corrupção da esquerda e privatizar até tua mãe se a velha der sopa. Salvar a pátria é dar cargos e dinheiro pra milicos pensarem que enfim encontraram um propósito na vida, justificando seu sentimento de que são superiores aos civis e merecedores das melhores próteses penianas. Talvez, para que o Bananão fizesse sentido, se devesse começar por dar os nomes certos às coisas. Só assim se poderia sonhar em salvar a pátria dos salvadores da pátria.


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| 23 | causídico | paulo de tarso riccordi

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lênio Peres tinha uma forte base política entre os operários das minas de carvão do Rio Grande do Sul. Numa passada por lá foi convidado a almoçar numa casa onde a senhora preparava um inesquecível pato no forno a lenha. À mesa, conversa solta e alegre, todos comiam felizes a iguaria. Menos o menino da casa. Glênio percebe. Gentil como era, dedica atenção à amuada criança. - O que foi? Por que não estás comendo? Não gostas de pato? - Gosto. Esse aí era o meu.


| GRIFO28 OUT2022 Zlatko Krstevski Nascido em 1969 em Prilep, Macedonia. Participou de cerca de 500 exibições internationais, festivais, congressos e salões de artes visuais.

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